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Lula faz um discurso ‘moderado’ que mostra ‘clareza em relação ao que o Brasil é e ao que defende’

10m 48s

Lula faz um discurso ‘moderado’ que mostra ‘clareza em relação ao que o Brasil é e ao que defende’

O episódio do podcast CBN Pelo Mundo, com Cristina Pessequilo, analisou os discursos de Lula e Trump na abertura da Assembleia Geral da ONU. Lula fez um discurso austero, moderado e alinhado à tradição diplomática brasileira, defendendo o multilateralismo e a relevância da ONU, mesmo diante de provocações externas. Já Trump adotou tom ofensivo, ameaçando aniquilar o Irã e vinculando o tema às eleições de meio de mandato, além de usar o palco para fins domésticos, reafirmando seu controle sobre o Partido Republicano. Trump tratou o Hemisfério Ocidental como área de hegemonia americana, ameaçando ações militares e mantendo sanções a Cuba, cuja delegação se retirou em protesto. Ele listou sucessos como oito guerras encerradas, acordo com a Groenlândia e contenção nuclear iraniana, prometendo resolver rapidamente Rússia-Ucrânia e outros conflitos. O termo "superinteligência" foi usado para sinalizar domínio americano em inteligência artificial diante da China, antes do encontro com Xi Jinping. A análise destacou que, embora o discurso de Lula tenha sido bom, a política externa tem pouco apelo junto ao público interno brasileiro.

Transcription

1670 Words, 9500 Characters

Portuguese
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Speaker 2Oi, Cris. Boa tarde.
Speaker 3Oi, Tati. Boa tarde. Boa tarde, Fernando. E ao vinte. Boa tarde, Cris.
Speaker 2Bom, vamos lá. Abertura da Assembleia Geral da ONU. A Assembleia segue acontecendo ali em Nova York. A gente acabou de ouvir a análise da Maria Cristina Fernandes e eu queria ouvir você também a respeito de que balanço é possível fazer do discurso do presidente Lula. Maria Cristina achou que ele foi austero. Em relação às expectativas que havia a respeito do discurso, confirmou as expectativas, Cris?
Speaker 3Ah, confirmou sim, Tati. E discordado a Maria Cristina, eu não vou discordar não. Concordo com ela em tudo, praticamente. Então, eu acho que foi um discurso austero, eu acho que foi um discurso moderado e foi um discurso que repetiu linhas clássicas da diplomacia brasileira, mostrando que independente daquilo que os Estados Unidos ou qualquer outro país estejam provocando o Brasil nesse momento ou criando problemas, existe uma clareza com relação ao que o Brasil é. Ao que o Brasil defende em termos de direitos humanos, o que defende em termos de geopolítica e principalmente na defesa do multilateralismo. Eu acho que essa foi uma das grandes questões que o governo Lula pôde trazer para esse discurso em termos de política internacional. Mostrar que a ONU é relevante, mas ao mesmo tempo ela está deixando de ser em um contexto no qual os próprios membros estão desconstruindo a sua agenda. E aí, lógico, né? Esses momentos mais ligados à eleição do Brasil, ligados a críticas aos Estados Unidos, mas sempre dentro de um padrão bastante contido, né? Eu acho que foi um discurso muito bom, mas é aquilo, né? O que o público interno vai ouvir? Não muito, né? As pessoas não se importam muito com política externa, por mais que me doa dizer, né? Mas é algo que a gente tem que estar atento, né? A PIGS escala 6 por 1. Então. Foi um discurso dentro das nossas expectativas mesmo.
Speaker 4Cris, Trump adotou um tom ofensivo, principalmente quando falou sobre o Irã, quando ele fala que vai aniquilar a República Islâmica rapidamente. Sobre isso, e sobre vincular isso às eleições de meio de mandato, eles estariam esperando terminar as eleições para que algo aconteça, um acordo ou não, é isso?
Speaker 3É, foi isso sim, Fê, Tati, ouvintes. E aí uma coisa bastante interessante é que o Trump disse, várias vezes, que ele não está preocupado com reeleição, porque ele não vai concorrer em 2028. Então ele deu um recado para o Irã, um recado, eu diria, até violento, não é a primeira vez que ele comete esse, assim, podemos dizer, crime de guerra, né? Ao dizer que ele vai aniquilar uma civilização, e ele deixou claro que agora as coisas estão na mesa, mas que ele só vai fechar o acordo depois. E há também algo no que a gente chama de. E aí, a gente tem também uma pressão desses países para que o Trump não ataque o Irã novamente e não crie o caos, né? Isso a gente tem em Iêmen, tem em Arábia Saudita, tudo nesse balaio, né? E aí, essa questão das eleições de meio de mandato, eu também gostaria. de pontuar uma coisa que às vezes está passando um pouco desapercebido aqui para a gente, que é o seguinte, o Trump está com a popularidade muito baixa, e a gente tem alguns republicanos, né, que estão concorrendo às eleições, que estão começando a tentar se desvincular dele. Então ele deixou bem claro para o público interno e também para o Partido Republicano que é ele que manda, ele não vai se reeleger, mas que é ele que está levando as pessoas a serem eleitas ou deixarem de ser eleitas. Então, mais uma vez, a ONU sendo usada para propósitos mais domésticos do que internacionais.
Speaker 2O Hemisfério Ocidental recebeu bastante atenção, Cris. O que é que é possível destacar nesse tópico?
Speaker 3Ah, esse tópico é o tradicional do Trump, né? Tati Feu-Vindes é colocar o Hemisfério Ocidental sob a sombra da hegemonia americana, algo que foi bastante criticado, né, pelo presidente Lula durante o discurso. E essas críticas do presidente Lula também foram trazidas naquela fala do quintal, né? Mas o que eu gostaria de destacar aqui foi a saída da delegação cubana do recinto durante a fala do Trump, porque o Trump foi muito incisivo dizendo que o Hemisfério é dele e que ele vai poder usar quaisquer ações militares para resolver essa situação, seja com crime organizado, seja com aquilo que ele chama de comunismo, e não vai abrir mão das sanções em Cuba, não vai entender que o secretário de Estado, Marco Rubio, já está chegando a alguma solução na região. Enquanto isso, Cuba passa por uma crise humanitária e fez bem a delegação cubana de sair do recinto mostrando o seu protesto pela falta de respeito à soberania cubana.
Speaker 4E Trump fez ainda, Cris, um panorama de seus sucessos. Agora são oito guerras resolvidas, uma economia que vai de vento em popa. E que sucesso é esse? E o problema? Diz tudo na visão dele.
Speaker 3Olha, eu. Assim, eu sempre digo o seguinte, eu queria ter a autoestima do Trump. Eu pensei a mesma coisa.
Speaker 2Nossa, gente, é impressionante, né?
Speaker 3É impressionante. E a Melania fazendo tchauzinho pra ele, eu falei, gente, é um mundo paralelo, né? Vamos combinar. E esses sucessos, né, são justamente essas guerras que ele encerrou, ele disse que ele encerrou Israel e Palestina, Hamas, né? Mas lembrou, né, que vai fazer aniversário, né, entre aspas, o ataque do Hamas a Israel, condenado. Também pelo presidente Lula. Mas ele colocou isso na agenda de sucessos. E o próprio fato do Irã não poder mais desenvolver uma arma nuclear, ainda que isso não esteja de forma nenhuma clara. E aí ficaram os problemas, né? Que ele disse que ele vai resolver rapidinho, né? E dentro dos problemas estão Rússia e Ucrânia, estão também a questão do Tribunal Penal Internacional, o avanço do comunismo, a questão de, mais uma vez, criticar os direitos humanos no campo. Então, ele meio que listou isso como um problema, indicando que os Estados Unidos, eles estão no centro do mundo, eles vão resolver os problemas do mundo, e que Putin, que Ucrânia, que tudo vai ser resolvido, né? Então, a gente tem aí, para coroar também, a cereja do bolo para ele de sucesso, foi justamente o acordo com a Groenlândia, Dinamarca, que ele disse que vai ser a melhor coisa que existiu, para todo mundo, né? De certa forma, para os Estados Unidos foi uma vitória, né? A gente vai ter novas bases militares lá, e mais uma demonstração de fortalecimento da organização do Tratado do Atlântico Norte.
Speaker 2Ô Cris, Trump terminou falando da super inteligência, o que é isso? Como é que isso reflete no encontro de Estado com o presidente da China, Xi Jinping, por exemplo?
Speaker 3É interessante até a gente lembrar que vai ter esse encontro, porque a China, o presidente da China, ele não vai discursar na Assembleia Geral, né? A gente vai ter um representante chinês, e durante o discurso do Trump foram mostradas várias vezes cenas, né? Da delegação chinesa se comportando diplomaticamente, como tem que ser ouvindo o que o Trump está falando. Super inteligência é mais uma invenção do Trump para criar um novo termo para a inteligência artificial. Eu acho que é uma tentativa de mostrar que os Estados Unidos, estão dominando o setor, e por que que ele procurou deixar isso para o fim, e colocar isso meio como um recado à China, dizendo que os Estados Unidos estão ganhando essa competição. Porque durante esse encontro com o Xi Jinping, a gente vai ter vários representantes das big techs americanas, nesses encontros, também comandantes, né, chefes em exercício da NVIDIA, outros, né? Tudo isso vai estar nesse combo que o Trump vai discutir, com o Xi Jinping, e muitas das falas do Trump querem mostrar que os Estados Unidos estão à frente da China. A gente sabe que não é bem isso, mas foi, como o Fê disse no início, um discurso ofensivo para sinalizar para todo mundo, mas principalmente para essas negociações futuras com a China, que os Estados Unidos estão na linha de frente de processos tecnológicos, de processos geoeconômicos, e principalmente de processos geopolíticos. Então, o Trump fez questão de se colocar à frente of all this.
Speaker 2Very well, Cristina Pessequilo with us. com as terças-feiras no nosso CBN Pelo Mundo. Hoje, fazendo uma leitura, portanto, dos discursos dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e dos Estados Unidos, Donald Trump. Obrigada, Cris. Um beijo para você. Até a semana que vem.
Speaker 3Até a semana. Beijão, gente. Obrigado, Cris.
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Podcast Summary

Key Points:

  1. O discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU foi austero, moderado e alinhado às linhas clássicas da diplomacia brasileira, defendendo o multilateralismo e a relevância da ONU.
  2. Trump adotou tom ofensivo, especialmente contra o Irã, ameaçando aniquilar a República Islâmica e vinculando o tema às eleições de meio de mandato nos EUA.
  3. Trump usou a ONU para fins domésticos, sinalizando ao Partido Republicano que continua no controle, apesar da baixa popularidade e de não concorrer em 2028.
  4. O Hemisfério Ocidental foi tratado por Trump como área de hegemonia americana, com ameaças de ações militares e manutenção de sanções a Cuba, cuja delegação se retirou em protesto.
  5. Trump listou sucessos como oito guerras encerradas, acordo com a Groenlândia e contenção nuclear do Irã, além de prometer resolver rapidamente Rússia-Ucrânia e outros problemas.
  6. O termo "superinteligência" foi usado por Trump como referência à inteligência artificial, sinalizando domínio americano diante da China antes do encontro com Xi Jinping.
  7. Cristina Pessequilo concordou com a análise de Maria Cristina Fernandes sobre o discurso de Lula, destacando que a política externa tem pouco impacto no público interno brasileiro.

Summary:

O episódio do podcast CBN Pelo Mundo, com Cristina Pessequilo, analisou os discursos de Lula e Trump na abertura da Assembleia Geral da ONU. Lula fez um discurso austero, moderado e alinhado à tradição diplomática brasileira, defendendo o multilateralismo e a relevância da ONU, mesmo diante de provocações externas. Já Trump adotou tom ofensivo, ameaçando aniquilar o Irã e vinculando o tema às eleições de meio de mandato, além de usar o palco para fins domésticos, reafirmando seu controle sobre o Partido Republicano.

Trump tratou o Hemisfério Ocidental como área de hegemonia americana, ameaçando ações militares e mantendo sanções a Cuba, cuja delegação se retirou em protesto. Ele listou sucessos como oito guerras encerradas, acordo com a Groenlândia e contenção nuclear iraniana, prometendo resolver rapidamente Rússia-Ucrânia e outros conflitos. O termo "superinteligência" foi usado para sinalizar domínio americano em inteligência artificial diante da China, antes do encontro com Xi Jinping.

A análise destacou que, embora o discurso de Lula tenha sido bom, a política externa tem pouco apelo junto ao público interno brasileiro.

FAQs

O discurso foi austero, moderado e repetiu linhas clássicas da diplomacia brasileira, defendendo o multilateralismo e os direitos humanos, independentemente das provocações externas.

Trump adotou um tom ofensivo, ameaçando aniquilar a República Islâmica e vinculando um possível acordo às eleições de meio de mandato nos EUA.

Trump enfatizou a hegemonia americana na região, criticou o comunismo e manteve sanções a Cuba, levando a delegação cubana a se retirar em protesto.

Ele citou oito guerras resolvidas, incluindo Israel e Palestina, e o acordo com a Groenlândia, além de afirmar que o Irã não pode mais desenvolver armas nucleares.

Trump usou o termo para se referir à inteligência artificial, sinalizando que os EUA estão liderando o setor, como um recado à China antes do encontro com Xi Jinping.

A delegação cubana saiu do recinto em protesto contra a falta de respeito à soberania de Cuba e as ameaças de ações militares.

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