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Luiz Gama | 1E. Luiza Mahin

21m 8s

Luiz Gama | 1E. Luiza Mahin

No auge do movimento abolicionista em 1880, Luís Gama, um de seus principais nomes, recebeu um convite de um amigo para escrever sua autobiografia. Na carta, ele narrou sua infância em Salvador, a venda como escravo pelo próprio pai, os anos de cativeiro em São Paulo e sua fuga. Mais importante, descreveu sua mãe, Luísa Mahin, como uma africana livre, baixa, magra, bonita, altiva e geniosa. Gama, ao silenciar o nome do pai, escolheu dar voz à mãe, construindo uma origem que servia tanto à memória pessoal quanto à luta política. A carta circulou e se tornou referência, mas, com o tempo, historiadores notaram a ausência de documentos que confirmassem sua existência, além de uma descrição que parecia idealizada. No século XX, a figura de Luísa Mahin foi apropriada de diferentes formas: Pedro Calmon a retratou como um estereótipo negativo em um romance histórico, enquanto o movimento negro, a partir dos anos 1970, a transformou em símbolo de resistência feminina e ancestralidade. Em 2006, o romance "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves, humanizou sua história. Pesquisas recentes nos arquivos da Bahia confirmaram que Luísa Mahin existiu como quitandeira nagô, escravizada ilegalmente, mas sem evidências de liderança na Revolta dos Malês. Apesar das lacunas, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2019, eternizando a memória que Gama guardou com cuidado.

Transcription

2615 Words, 15472 Characters

Portuguese
Dos gama tinha 50 anos em 1880. O movimento abolicionista estava no seu auge, como o mais importante movimento social do país, e ele era um dos seus nomes mais promissores. Ele vivia seu auge, respeitado no estribunais e temido nos salões nobres, mas convivia com os sintomas graves do diabetes, que debilitaram sua saúde. Ele não sabia ainda, mas naquele instante tinha apenas mais dois anos de vida pela frente. Foi nesse momento da vida que um amigo chamado Lucio de Mendença fez para ele um convite. Queria que ele escrevesse sua própria história. A carta hoje famosa, conhecida apenas como "A carta Lucio de Mendença", é um relato autobiográfico de Luís Gama. Na carta ele escreve sobre a infância em Salvador, sobre o pai que vendeu ele como escravo. Sobre os 8 anos de cativero em São Paulo, sobre a Fuga, as letras aprendidas escondidas, os tribunais, as centenas de pessoas escravizadas que liberto. E escreve também sobre a mãe. É ali que a primeira vez, o mundo ler sobre Luís a Maim. É ali que ele escreve que era o mafricana livre da Costa da Mina, na Gode Nação, que era baixa, magra, bonita, que tinham os dentes alvíssimos como anévi, que era altiva, geniosa, insofrida e vingativa. Luís Gama, naquele julho de 1880, não estava apenas descrevendo uma mãe. Ele estava dando a luz a própria mãe. Meu nome é Thiago André, e esse aqui é um episódio exclusivo para apoiadores do história preta. Você está ouvindo a temporada Luís Gama, episódio extra, Luís a Maim. Luís a Maim nasceu em algum lugar da Costa da Mina, em algum momento do começo do século 19. Não sabemos onde exatamente, não sabemos quando, não sabemos o nome que seus pais escolheram para ela, não sabemos como era caso de crescer ou se tinha irmãos, ou que aprendeu antes de aprender a sobreviver. Não sabemos nada disso, porque a escravidão não guarda essas histórias. O tráfico não embarcou biografias, apenas corpos. [Música] Luís acertou a baía entre 1826 e 1830, escravizada e legalmente. O tráfico já era proibido na Costa da Mina, mas continuava. E aí a história dela começa a existir nos papéis, não como pessoa, como propriedade. O único que tentou contar uma outra história foi o seu filho. A carta que Luís Gama enviou à Lucidimendonça não era um texto privado. Luís Gama sabia disso quando escrevia, um movimento abolicionista tinha aprendido ao longo dos anos 1880, e as histórias pessoais moviam pessoas, que um relato de uma vida bem contada valia mais do que 10 discursos no tribunal. Luís Gama era advogado, poeta, jornalista, conhecia o peso das palavras, sabia o que cada uma delas podia fazer numa sala cheia. Então, ele escolheu cada uma com cuidado. Ele é presente a mãe como o Afri Canalivre. Essa distinção importava. O vocabulário jurídico do século 19, livre, não era o mesmo que liberta. Liberta era quem tinha sido escravizada e depois recebeu a alforria. Livre era quem nunca pertenceu a ninguém. Luís Gama defendeu essa diferença em tribunal mais de uma vez. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Na carta ele descreve a mãe com uma precisão quase fotográfica, baixa magra bonita. Dentes ao vísmus como a Neve, altiva, geniosa, ensofrida e vingativa. Preza mais de uma vez por suspeita de envolvimento em surreições, desaparecida depois da sabinada em 1837 ou 1838. É um retrato vivido, detalhado, carregado de afeto e de política ao mesmo tempo. Mas há uma ausência na carta tão reveladora, quanto tudo que está escrito nela. O pai não tem nome. Gama descreve o pai como um fidalgo, membro de uma das principais famílias da Bahia, de origem portuguesa. Desque foi ele quem vendeu como escravo, mas não entrega o nome em nenhum momento. Ao silenciar o pai e dar voz a mãe, Gama estava fazendo uma escolha, estava decidindo de onde vinha, estava construindo na única biografia que teria a origem que quis ter. A carta circulou, virou referência, jornais citaram, militantes repetiram, o nome Luisa Maim começou a aparecer em outros textos e em outros contextos. Sempre com os mesmos atributos que Luís Gama descreveu, africana livre, na Godinação, resistente, mande uma bolicionista. Mas com o passar dos anos, pesquisadores começaram a olhar para carta com outros olhos, com olhar mais crítico, alguns notaram uma coisa pequena, coisa insignificante, mas que uma vez vista não dava para seguir norada. Maim filho, mesmo nome, além disso, não existia nenhum documento, além da carta confirmando que ela existiu. Será que Luís estava descrevendo uma mulher real? Ou será que ao construir a imagem da mãe, ele acabou sem querer ou não projetando a sua própria imagem sobre ela? Tudo que Luís Gama deixou sem resposta na carta, o que a mãe fez justamente em quais revolta esteve, o que aconteceu com ela depois da sabinada, foi sendo preenchido com o tempo, pela imaginação, pela suposição, a necessidade que cada época tem de encontrar nos mortos, o que os vivos precisam acreditar. É assim que funciona uma lacuna. Ela não fica vazia por muito tempo. A primeira pessoa a pegar a carta de Gama e ir além dela, foi um historiador baiano chamado Pedro Calmon. Era 1932. Calmon publicou um romance histórico sobre a revolta dos maléis, o levante de africanos meus humanos, que sacudiu o Salvador em janeiro de 1835, e colocou Luís a maínio no centro da história. Não como suspeita, como líder, articuladora, a mulher que costurava alianças entre Nagos e meus humanos, e guardava armas em casa que organizavam os batuques de canomblé como cobertura para reunião política. Era um retrato poderoso, era também em grande parte em venção. Faz parte do gênero literário da ficção histórica. É baseado em história real, mas no fim do dia, é ficção. João José Reyes, um dos mais importantes pesquisadores da revolta dos maléis, em seu livro Rebellion escrava no Brasil, astriou 314 nomes na lista de pessoas investigadas depois do levante. 31 eram mulheres, nenhuma se chamava Luísa, nenhuma. Mas Pedro Calmon, ao escrever sua ficção, foi além da ausência de provas. Ele subverteu até mesmo a Luísa, descrita pelo Újgama. A Luísa maín de Calmon era feitcera, manipuladora, uma figura quase demoníaca, cujos poderes, viam de uma sexualidade ameaçadora e de práticas religiosas descrita como brutal super-tição. O retrato dizia muito sobre o Brasil dos anos 1930, dizia pouco sobre Luísa Maín. Falava mais do que os homens brancos da elite baiana enxergavam quando olhavam para mulheres negras africanas. Enquanto Luís Gama descrevia uma africana livre, Calmon descreveu apenas um estereótipo. E por muito tempo, foi essa imagem construída por Calmon que povoou o imaginário a respeito de Luísa Maín. Mas tudo começa a mudar no fim dos anos 70, com o renascimento dos movimentos negros no Brasil. O Brasil estava redemocratizando, movimentos sociais se organizavam e na Esperiferia de São Paulo e do Rio de Janeiro, o movimento negro renacia como força política. Nesses passos, mulheres negras emergem como força motriz. As feministas tradicionais falavam em nome das mulheres, mas não enxergavam as especificidades da mulher negra. Então, mulheres negras no interior do movimento negro começam a pensar na construção de um espaço próprio de autonomia intelectual, precisavam de referências próprias. Em 1978, surgia no Rio de Janeiro o coletivo A. Cautune, em referência a uma das maiores lideranças femininas do quilombo dos Palmares. Em 1982, em São Paulo, o coletivo de mulheres negras. Em 1983, o coletivo Nizinga, uma homenagem arraia africana que não se curvou as colonizadores. Em poucos anos, desigam exenas de organizações semelhantes se espalhavam pelo país. E exatamente 100 anos depois da carta de Luiz Gama, em 1980, nascendo Rio de Janeiro, o coletivo Luiza Maim. Esse era o espírito de um tempo. Essas mulheres queriam mudar o imaginário em torno da mulher negra brasileira, apagada da história reduzida estereótipos de servidão ou de sexualidade. Por isso foram buscar na ansestralidade exemplos de resistência, inteligência, poder e organização coletiva e nesse lugar encontraram Luiza Maim. Mas foi só em 1987 que ela apareceu num documento do movimento negro. Um coletivo da baixa da Santista publicou uma cartilha chamada mulher negra tem história. Ali pela primeira vez Luiza Maim ganhou uma biografia detalhada. Para sintes e das histórias que circulavam oralmente nos discursos do movimento negro. Na cartilha ela é apresentada como líder da revolta dos maléis. O niefricano de diferentes etnias escapava pro Rio de Janeiro e continuava sua luta, mas por fim era presa e deportada. Aquela biografia era uma verdadeira epopeia, mas também em grande medida uma construção mítica. Mas essa construção mítica cumpria uma função que a história oficial nunca cumpriu. Dara as mulheres negras brasileiras, uma ansestral que não fosse submissa ou sexualizada. As pessoas intelectuais, artistas, pensadoras do movimento negro passaram olhar com carinho para as lacunas deixadas na história de Luiza Maim. Poetas como o alzira-rufino e Miriam Alves escreveram sobre ela. Miriam Alves, no poema Maim a manhã, brincou com a sonoridade do nome dela e escreveu Maim a manhã a manhã. O nome dela é misturado com a promessa de futuro dito na boca do seu povo. Luiza Maim aparece aqui como esperança, como profecia. Em 2006, Luiza Maim nasce mais uma vez na ficção histórica, mas dessa vez com mais generosidade e profundidade. Uma escritora chamada Ana Maria Gonçalves escreve um defeito de cor. Um romance de quase 900 páginas narrado em primeira pessoa pela própria Luiza Maim, aqui rebatizada com o nome africano. Ana Maria Gonçalves, hoje em uma imortal da academia brasileira de letras, constrói um retrato muito diferente do de Pedro Calmon. Ela construiu a personagem a partir do que se conhece de documentação histórica sobre a vida de mulheres africanas em Salvador nos anos 1830. Tá tudo lá. O cotidiano das que tandeiras, os terreiros, as redes de solidariedade, a língua e o urubar preservada em segredo, os tituais de Cano Black também eram espaços políticos. Luiza Maim não é sobre natural nem demoníaca. Ela prende, erra, ama, perde, existe, atravessa o mesmo labirinto de qualquer mulher africana escravizada no Brasil daquele tempo. O livro virou, Beste Seller, levou o nome de Luiza Maim, aleitores que nunca tinham ouvido falar em Luiz Gama. E a ficção e a imaginação que ajudou a preencher as lacunas deixadas pela história, deixadas por Luiz Gama, invadiu a realidade e se tornou o material. Em 2019, o Congresso Nacional escreveu um nome de Luiza Maim no livro dos heróis e aeroninas da Patria. O nome que Luiz Gama havia escrito em meia página de uma carta particular. 100 anos antes era agora gravado em aço na memória pública brasileira. Daquele dia endiante ninguém mais teve dúvidas. Luiza Maim não era mais a filha de uma carta. Era aeronina de um povo. Eu acho, particularmente impressionante, como o ato de Luiz Gama descrever sobografia, pois para sempre na história o nome da sua mãe. Luiza Maim poderia muito bem ter morrido a nómima, como muitas mulheres africanas como ela. Mas a ascensão do seu filho e a coragem dele de escrever a sua própria história jogou Luiza em sua vida. Foi esse ato, uma divulgada oblusionista escrevendo numa tarde de julho de 1880 que salvou o nome de Luiza Maim do esquecimento. Não documento oficial, não registro de batismo, uma carta. E é exatamente aí que moro problema. Porque tudo que sabemos sobre Luiza Maim, a origem nago, a out vez, a militância, o desaparecimento, vem de uma única fonte. Luiza Gama, um filho que não via mãe desde os 7 anos de idade. Um militante que sabia que a história que contava seria lida como argumento político. Os coletivos existem, o romance existe, a heroína nacional existe. Mas quanto da mulher real, existe por debaixo disso tudo. Nos últimos anos, duas historiadoras cafoucaram o arquivo público da Bahia. Luiza Castilho e Vlamira Boquerque não estavam procurando confirmar nenhum mito. Estavam procurando documentos. Registros de batismo, testamentos, cartórios. O tipo de material que a história guarda sobre pessoas comuns, quando guarda. E elas encontraram. O testamento de Maria Rosa de Jesus redigida em junho de 1837. Ali listadas como bens da falecida, duas cativas. Ana de Nação Nagu e Luiza também Nagu. Luiza existiu, estava nos papéis, não como pessoa, como propriedade, mas estava. Encontraram também o registro de batismo de um bebê na frigorzinha de Santana, em Salvador. Em 2 de outubro de 1831, Luiz, Pardo, Forro, com três meses e meio de idade, filho de Luiza. Escrava de Maria Rosa de Jesus. O filho que gama de se ter nascido livre havia sido batizado como Forro. A mãe que ele descreveu como livre era nos papéis escravizada. Mas é aqui aonde a história fica mais complexa e mais honesta. Luiza chegou no Brasil entre 1826 e 1830. Nesse período, o tráfico de africanos da Costa da Minas já era proibido por lei. Quem desbarco depois da proibição foi trazido ilegalmente. E Luiz gama sabia disso, melhor do que ninguém. Passou anos defendendo nos tribunais africanos escravizados ilegalmente. Argumentando que a escravização deles era um crime e que, portanto, era um livre. Quando ele escreveu africana livre na carta, estava fazendo exatamente esse argumento. A liberdade que ele deu a ela na carta era a liberdade que o Brasil lirobou. Os documentos também confirmaram outras coisas que gama via dito. Luiz era que tandeira, vendendo o largo de Guadalupe em Salvador. Uma grande ferro ar livre frequentada por mulheres africanas. Era anagou, morava no barro da Palma, na freguese de Santana. Há poucos passos onde a revolta dos maléis eclodiu em janeiro de 1835. Conhecia os vizinhos que foram presos na investigação que se seguiu ao Levante, africanos que moravam na mesma rua que tinham filhos da mesma idade do pequeno Luiz gama. Se ela participou diretamente do Levante, não há como saber. Seu nome não aparece na lista de 314 investigados. Mas ela vivia no centro de tudo, sabia de tudo. E foi preso em algum momento, isso foi Luiz gama que disse no arrasão para duvidar. Depois da sabinada em 1837, 1838, ela desaparece do registro. O testamento de Maria Rosa ainda lista como cativa. Mas quando o António Agostinho, pai de Luiz gama, quer dojo bens da tia, assinou as cartas de liberdade para outras escravizadas em 1839, o nome de Luiz não estava ali. Ela com certeza já havia sumido. Luiz gama procurou ela em 1847, em 1856, em 1861, nunca encontrou. Em 1862, soube por conhecidos que ela havia sido presa numa casa de dar fortuna com uma longos desordeiros. E que provavelmente havia sido deportada para fora do país? Deportada. Como tantos africanos que resistiram em foram mandados de volta. Não para terra de origem, mas para qualquer lugar longe daqui. O que os documentos mostram no fim é que Luiz gama não inventou a mãe. Ele aconteceu por 7 anos, andou nas costas dela no largo de Guadalupe quando era um bebê. E o de perto, a mulher que vendia que tute, que foi presa, que desapareceu e quando teve a chance de escrever sobre ela 43 anos depois, escreveu com a precisão de quem guarda uma memória pequena com muito cuidado. A mulher real existiu e era o suficiente, não precisava ser a líder da revolta dos maléis, não precisava ser uma figura mítica, bastava ser o que foi, uma mulher africana, escravizado legalmente, que criou um filho no meio de uma salvador em convenção, que resistiu como pod e que desapareceu sem que o Brasil guardasse o seu nome. Mas o seu filho guardou, guardou com muito cuidado. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. Luís Gama, em 1880, escreveu uma carta autobiográfica a pedido de um amigo, descrevendo sua infância e sua mãe, Luísa Mahin.
  2. Luísa Mahin é apresentada como uma africana livre da Costa da Mina, mas documentos históricos indicam que ela era escravizada ilegalmente.
  3. A carta de Gama foi usada politicamente pelo movimento abolicionista para humanizar a luta contra a escravidão.
  4. Ao longo do tempo, a figura de Luísa Mahin foi reinterpretada
  5. Pesquisas recentes confirmam a existência de Luísa Mahin como uma quitandeira nagô, presa e deportada, mas sem evidências de que liderou a Revolta dos Malês.
  6. O nome de Luísa Mahin foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2019, consolidando seu status como figura nacional.

Summary:

No auge do movimento abolicionista em 1880, Luís Gama, um de seus principais nomes, recebeu um convite de um amigo para escrever sua autobiografia. Na carta, ele narrou sua infância em Salvador, a venda como escravo pelo próprio pai, os anos de cativeiro em São Paulo e sua fuga. Mais importante, descreveu sua mãe, Luísa Mahin, como uma africana livre, baixa, magra, bonita, altiva e geniosa.

Gama, ao silenciar o nome do pai, escolheu dar voz à mãe, construindo uma origem que servia tanto à memória pessoal quanto à luta política. A carta circulou e se tornou referência, mas, com o tempo, historiadores notaram a ausência de documentos que confirmassem sua existência, além de uma descrição que parecia idealizada. No século XX, a figura de Luísa Mahin foi apropriada de diferentes formas: Pedro Calmon a retratou como um estereótipo negativo em um romance histórico, enquanto o movimento negro, a partir dos anos 1970, a transformou em símbolo de resistência feminina e ancestralidade.

Em 2006, o romance "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves, humanizou sua história. Pesquisas recentes nos arquivos da Bahia confirmaram que Luísa Mahin existiu como quitandeira nagô, escravizada ilegalmente, mas sem evidências de liderança na Revolta dos Malês. Apesar das lacunas, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2019, eternizando a memória que Gama guardou com cuidado.

FAQs

Luísa Mahin foi uma mulher africana da Costa da Mina, escravizada ilegalmente no Brasil, e mãe de Luís Gama. Ela era quitandeira em Salvador e possivelmente esteve envolvida em revoltas, mas seu nome foi preservado principalmente pela carta autobiográfica de seu filho.

É uma carta autobiográfica escrita por Luís Gama em 1880, onde ele descreve sua infância, sua mãe Luísa Mahin e sua vida como escravizado. A carta foi usada como ferramenta política no movimento abolicionista.

Ele usou o termo 'livre' para argumentar que ela foi trazida ilegalmente após a proibição do tráfico, e portanto deveria ser considerada livre pela lei. Isso refletia sua luta jurídica contra a escravidão ilegal.

Sim, documentos históricos como testamentos e registros de batismo confirmam sua existência como escravizada de Maria Rosa de Jesus. No entanto, muitos detalhes sobre sua vida foram preenchidos por ficção e mitos ao longo do tempo.

Não há evidências documentais de que ela tenha participado diretamente, mas ela vivia perto do local da revolta e conhecia os envolvidos. Historiadores encontraram seu nome em listas de propriedades, não de investigados.

Em 2019, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, graças à divulgação de sua história por movimentos negros e obras como o romance 'Um Defeito de Cor'. Isso a transformou em símbolo de resistência.

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