Luana Maluf: o futebol brasileiro ainda é machista? | CartaFC #04
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Luana Maluf, jornalista esportiva, discute sua carreira e os desafios do futebol brasileiro. Ela começou com um blog de futebol aos 13 anos e ganhou destaque no projeto ESPNFC, onde sua escrita a levou à TV. Hoje, atua em múltiplas plataformas, como Amazon Prime Video e redes sociais, adaptando-se à linguagem moderna sem perder a essência jornalística. Ela enfrenta machismo online, especialmente no Twitter, mas vê a persistência como resistência. Sobre o futebol feminino, Luana aponta que o Brasil está em crescimento, mas precisa de calendários melhores, contratos mais longos e investimento em base, citando o Corinthians como modelo. Ela critica a hostilidade nos estádios para mulheres e LGBTs, notando que o futebol feminino oferece um ambiente mais seguro e familiar, ao contrário do masculino. Comparações com a Espanha mostram que lá as torcidas são mais inclusivas, com bandeiras LGBT e menos violência. Luana conclui que, apesar dos avanços, ainda há muito a evoluir para que o futebol seja um espaço para todos.
O Ronaldo, que é um dos jogadores mais representativos da história da seleção brasileira e do Brasil, né? E pro mundo ele tenta se candidatar e ele desiste. Ele desiste porque o sistema não permite que um cara como Ronaldo tente. Ninguém quis nem ouvilo. Então se o Ronaldo quis tentar entrar nesse sistema pra minimamente buscar algo novo, não consegue, quem é a gente, né? Quem são os jornalistas, quem são as pessoas com poder de influência menor, perto de algo que está tão ingessado há tanto tempo? Carta FC, uma produção carta capital. Amigos e amigas de carta capital, sejam todos muito bem-vindos, a mais uma edição de carta FC, o primeiro podcast de carta capital dedicado ao esporte. Eu sou o Leonardo Miyaz, o editor do site da revista carta capital e nesta edição do nosso podcast tenho o prazer de receber em nossa redação em São Paulo, Luana Malufi, Luana Malufi das transmissões de futebol do Amazon Prime Video, Luana Malufi de Qual é o Gol, do Band Sport Club, Luana Malufi de Passabola, uma página de grande sucesso em diversas plataformas nas redes sociais, seja muito bem-vinda na nossa redação tudo bem, Luana. Ah, é tudo ótimo, é você. Olá, pra quem está assistindo a gente de caso de qualquer lugar, é uma honra daqui, né? Por ser convidada da carta capital e outro chico. Luana, é o Carta FC é uma oportunidade de, a partir do que acontece em campo, refletir sobre tantos aspectos que são impactados diretamente ou indiretamente pelo futebol, e a gente vai passar por vários desses temas, mas eu queria começar falando um pouco da sua trajetória, porque a sua trajetória mostra bem essa transformação no modo de transmitir futebol no Brasil e no modo de produzir conteúdo sobre futebol, você está em uma plataforma de streaming, está na TV aberta, está nas redes sociais, como tem sido esse processo de conciliar tantas frentes de produção de conteúdo. É uma loucura, né, às vezes eu falo "nossa, são tantos entregos", mas é que assim, eu comecei muito cedo, então com 13 anos eu crema primeiro blog de futebol, e eu escrevia sozinho assim, coisas. Mas a gente é super jornalista, é uma criança, nossa, agora todo mundo vai me ler. E eu escrevi, cara, sobre clube dos três, a história do futebol, fazer análise dos clubes, eu já traz isso em mim muito por contra a minha família, do meu pai, que sempre teve essa coisa incentiva dentro de casa ao futebol. Então eu acho que desde cedo já ia por esse caminho do esporte de alguma forma. Quando fui crescendo, e eu fui vivendo arquibancada, sou cria de arquibancada, enfim, da arquibancada, ainda quando era arquibancada raiz, né, sem estar no cimento e comer um indulínio. Eu fui me aproximando do universo como um todo, mas de fato a minha vida vira um emprego, ou futebol viro um emprego na minha vida, quando o meu caminho cruza com o da ESPN. Há muitos anos, tinha um projeto dentro da ESPN e no site que chamava ESPNFC. Quero um projeto muito legal e que eu acho uma pena que as pessoas leiam tão pouco hoje em dia, porque é muito diferente do que a gente vive hoje de "Ah, era do TikTok, ou do Instagram, ou você prende a pessoa nos primeiros três segundos". Ou simplesmente não assistem mais o seu vídeo, então você tem que usar "Clique B8, você tem que arrumar o jeito de prender a pessoa ali". O texto era um momento que as pessoas tinham uma inmersão, você senta e você está em contato com um autor de alguma forma, né. E foi um projeto que como eram vários chimis, vários jornalistas e várias pessoas escrevendo sobre aquele chimis, era um modo de lançar pessoas pro mundo, então é um projeto que o Jean-Odi, o Fabique Orino encabeçavam ali, né, e que eles davam oportunidade para muita gente jovem. Então muita gente que hoje está no mercado de trabalho, hoje é um jornalismo esportivo, esteve no ESPNFC em algum momento. E a minha vida começa ali, então não tinha meu rosto, era só a minha escrita, só que eu começo a perceber que as coisas mudam quando voam o estádio e as pessoas me param na rua para falar do que eu escrevia. Era aquele momento eu falei nossa, tem alguma coisa estranha acontecendo, né. Então eu pedi para tirar foto comigo, porque eu acho um texto que eu escrevi, porque a gente fazia os textos e a ESPN convidava a gente para mandar um vídeo, para o batball, para a discussão, durante a semana gente ia lá, a discutir. E aí eu comecei a aparecer na TV e entrar nesse mundo, né. E muito nova, mulher, a gente sabe que o futebol é um ambiente que predominam, que usou uma espiritual de alguma forma, aqueles dominam. Então, muito ser o centavo ali na bancada da ESPN com vários caras muito mais velhos do que eu e tinha esse impetudo da discussão, né, de fazer parte desse universo. E a partir daí as coisas realmente caminham, eu não fico só na ESPN, o ESPN é a cabo, depois de alguns anos ali, e eu decido de fato andar com as mesmas próprias pernas assim. Eu começo a fazer um canal no YouTube de análise de futebol, e naquela época tinha muito pouco, né, o Tufando do YouTube lá atrás no começo. Eu não lembro de abrir o YouTube para fazer um análise e ter outras mulheres ali, sabe? Eu tenho meu canal fazendo análise de futebol, mas tenho outros também de outras mulheres, não tinha tanto que eu participava muito de outros canais com homens, né. Eu tenho um poutudo. E hoje a gente já vê que isso não é mais uma realidade. Acho que tem muita mulher produzindo conteúdo, tem muita mulher jornalista na linha de frente do futebol, que me deixa muito feliz. E aí as coisas caminham na internet, vai evoluindo, Instagram, esplod, aparece o TikTok e a gente tem que se adaptando. Eu acho que na minha essência nada muda, eu tenho as minhas crianças do futebol, minhas crianças de linha editorial do que eu gosto mais e do que deve ser feito, mas também tem a consciência de que nos dias atuais e na modernidade, como a juventude, que interessa a juventude, a gente tem que se adaptar um pouco à linguagem, né. Então eu acho que o meu processo aí de entrada foi um pouco esse. E agora falando especificamente das redes sociais, é um desafio complexo, porque você trata de um tema que desperta muita paixão, que engaja muito. E as redes sociais já são espaços propensos a. lapsos de falta de civilidade pra dizer um menino. O pletamente. Contenso de lidar com esse processo, sendo mulher, tratando de futebol, repito, em tema que desperta tanta paixão, opiniões estão acaloradas. Fui muito difícil no começo, eu acho que é uma questão de adaptação e hoje em dia é muita terapia pra ser muito honesta. Claro, tem gente que vai lá e te chinga com o próprio rosto, tem, mas a maioria das pessoas que estão ali, elas realmente se escondem. É um feio que é uma foto que é de um desenho, alguma coisa. Então eu de fato tive um pouco de dificuldade assim, eu chorei muito já, já falei, não vou continuar, não preciso passar por isso, falou isso do dei pra isso. Acho que não tenho por quê, né? E hoje em dia não, porque eu enxergo de um modo que é. a gente continuar fazendo esse trabalho, é resistência. Então eles não querem que a gente esteja ali, muitos homens, né? Então o famoso "Avá é la valosa", "Vá se preocupar com outra coisa", "Vá limpar a casa", que eu falo "Olha nível de machismo que a gente vive", sabe, em 2025. Então é um combate a isso. E você percebe uma diferença entre as plataformas do TikTok para Twitter, por exemplo. Por exemplo, claramente. O TikTok é uma plataforma mais jovem assim, né? Então às vezes tem muita coisa infantil ali nos comentários. O Twitter é o falo que não tem como, né? É o esgoto do esgoto da internet, acho que tem o movimento, principalmente depois da venda do Twitter, e do perfil de pessoas que utilizam o Twitter, a disseminação de fake news e tudo mais. Tudo isso contribui muito pro crescimento desse público. Então essa bolha cresce, essas pessoas se sentem livres para aduserem o que elas quiserem e a gente que sofre com isso. Claro que tem isso, lado todo ruim, mas também tem um lado muito bom da rede social, de visibilidade, de criar uma comunidade das pessoas que estão ali para te acompanhar e te apoiar. E eu, de fato, me apego a esse lado assim. Tem um lado ruim, tem. Mas o quanto a gente dá voz para as pessoas que querem atacar a gente, versos as pessoas que apoiam a gente, né? Eu acho que é só uma reflexão que a gente tem que fazer bastante. Loneu, quero falar um, continuar nesse assunto, redes sociais, mas falar especificamente do passabola, porque certamente muitos de vocês já conhecem, produz conteúdos muito legais sobre futebol feminino, e depois de décadas e décadas de letar de CBF, as federações estaduais, a mídia, a torcida de uma forma geral, passaram a olhar de forma diferente para futebol feminino. E nós temos visto isso em campo, ainda há muito a evoluir, mas nós temos visto jogos com estados lotados que, a dez anos, poderia parecer impossível, e nós temos visto isso no Brasil também. Queria ouvir um pouco de você que acompanhou esse processo de crescimento do futebol feminino? Em que momento nós estamos e quais são os principais desafios para assegurar que esse crescimento seja sustentável, seja duradouro aqui no Brasil? A gente está na curva de crescimento, né? Então assim, tem uma margem muito grande para crescer, eu acho que o parâmetro é sempre olhar para fora do país, para países que investem de fato e com atenção no futebol feminino, porque claro, a gente da atenção teve uma virada de chave poscopa do mundo de 2019, a Copa da França, eu estava lá até o Pós-Garante, a cobertura era feita exclusivamente por mulheres, era uma quantidade absurda de mulheres, assim, de forma independente tentando cobrir aquela Copa. O que a gente já viu na última Copa, né, na da Austrália e novas Elandes, já foi uma diferença grande, já tinham equipes completas, assim, os grandes veículos mandaram realmente equipes com uma dedicação ali diária na cobertura. Então essa curva de crescimento ela existe para mim, porque precisa de mais esforço, precisa de um esforço em relação ao calendário, porque não adianta, a gente coloca as transmissões na TV, mas os jogos continuarem sem lhe horários, que a torcida não consegue estar presente. É, precisa de um esforço dos clubes, então tudo bem, muitos dos clubes decidiram ter o futebol feminino profissional, porque tem a obrigação da comembol, por conta do masculino, mas a partir do momento que isso acontece e que você já tem o profissional dentro do seu club, qual é o processo que você faz interno para dar estrutura?
para a modalidade crescer. Porque eu posso pegar a beleza, tem um masculino continuação e salva ali podendo jogar competição, mas eu deixo o feminino escanteado dentro do meu clube, não faz sentido. Então, quando a gente olha para um projeto como do Corinthians, por exemplo, ele, para mim, é o topo que a gente tem que olhar. Todos os outros clubes do Brasil precisam olhar para o Corinthians e falar, é aqui que a gente quer chegar, um clube que paga jogadoras com um salário decente para a modalidade, então, assim, perto do que a gente se acostumou em muito clube profissional que, assim, as jogadoras não tinham, tinham ajuda de custo, por exemplo, e estamos falando de tempos atuais. O Corinthians não, um problema muito sério que o futebol feminino enfrenta é contratos curtos. Então, eu atuo aqui, tenho a minha jogadora, vou desempenhar um bom papel, mas eu fiz um contrato de um ano, porque eu não quero me prender aquela jogadora. Ah, a janela seguinte ela vai embora. Isso é uma coisa que o Corinthians se preocupa um pouco mais, faz contratos um pouco mais longos. Eu acho que é um processo que, assim, a gente está muito no começo, é importante falar isso. O futebol feminino foi proibido durante muito tempo no nosso país e é recente. Então, esse desenvolvimento depende muito do investimento da boa vontade dos clubes, porque a gente precisa trabalhar desde a base até o professor. Isso é isso que ele vai dizer, né? É importante que esse projeto esteja ali ser sado na formação de novas jogadoras, né? Exatamente. As categorias de base são no futebol masculino no Brasil, especialmente em que jogadores são vendidos com 16, com 17 anos. As categorias de base são cada vez mais valorizadas pelos grandes clubes no futebol masculino, que é importante que isso aconteça também no futebol feminino, para que justamente aconteça, se viabilize esse crescimento sustentável no longo prazo, que não seja um voo de galinha do futebol feminino. E que, olhando de uma forma mais crítica, nos tempos que a gente vive hoje, antigamente, as jogadoras que fizeram bastante história na seleção brasileira são jogadoras que não tiveram base, né? Não tiveram o fundamento ali desde criança que os meninos têm. Muitas as meninas jogavam futebol na rua, na válzia, e cresceram jogando entimes masculinos. Hoje em dia o que acontece é, muitas as meninas muito talentosas que se destacam, sendo aqui no Brasil, vão embora do país, porque vão procurar uma estrutura melhor, o que é completamente compreensível. Então, uma jogadora que sai daqui para jogar nos Estados Unidos e que já aconteceu de uma jogadora brasileira, optar por representar a seleção americana, porque deu estrutura, deu trabalho para a família, então são movimentos que a gente precisa evitar, e com isso a gente só evita tendo essa base, aqui no Brasil, eu falo tranquilamente que o nosso berço de ouro do Brasil é o centro-límpico, as nossas grandes craques saíram de lá, e é um projeto muito vencedor. Então, é realmente um olhar mais preocupado, mas a gente precisa demais, não adianta ter só o centro-límpico para fazer isso, e a gente tem, "Pô, a crise é do centro-límpico, a támeira, e a saúde é do centro-límpico." André, essa alva e as várias jogadoras passaram por lá. A gente precisa demais, que os clubes tenham esse olhar também, de estrutura para desenvolver a jogadora. Porque, no fim, é um pensamento, se você parar para pensar no futuro, investimento, essa jogadora, se você desenvolver ela bem, fizer um bom contrato, ela jogar no seu profissional, assim como um jogador, ela vai voltar, porque ela é um ativo do club. Você vai conseguir vender para fora, e a gente já tem visto brasileiras quebrando récordes dos últimos anos de venda. Se a gente tem vendido jogadoras, há um preço excelente para o exterior, e isso tem que continuar acontecendo. Mas é isso, é uma roda, que a gente sempre para naquele lugar, que é assim muito. Principalmente, homens, que não acompanham o futebol feminino, falam o seguinte, ninguém consegue assistir um jogo dessa qualidade. Só como você melhora a qualidade do seu jogo, se você não fizer desde o começo o ciclo para isso evoluir, então é realmente uma roda que para girar todo mundo que precisa contribuir de alguma forma. Sim, e se nós estamos mantendo essa discussão neste momento aqui, é porque o futebol é um espaço ainda em mente machista, e o futebol não existe a parte da sociedade, ele é uma representação do que acontece em aspectos mais amplos da sociedade. - Com certeza. - Então a necessidade de enfrentar o machismo em tantos campos do país, também se manifesta no futebol. E os estádios também são espaços, muito hostis para determinados grupos de pessoas, para mulheres, para pessoas LGBT, criou-viam um pouco da sua experiência, a pessoa aula, você que tem essa experiência de viver, que bancada desde muito cedo, e acompanhar um processo de evolução ao longo desses anos, mas ainda muito longe daquele ponto que nós temos de atingir em algum momento. Criou-viam um pouco da sua trajetória como torcedora de estádio, que você notou ao longo desse período. - Eu vejo uma evolução na presença feminina dentro do estádio. Quando era criança que eu ia ao estádio, e meu pai, que já era a cria de estádio também, é muito emblemático para mim, que a frase que eu sempre escutava antes de sair de casa era que eu não podia de short. Então a roupa, a forma como eu vestia essencial para poder ir com ele ao estádio. E tudo bem, óbvio, o óleo de pra ele falou de nossa pai era muito machista isso. Mas na cabeça dele, ele estava me protegendo do ambiente, machista que me esperava, e era. Então, se eu era uma criança, uma adolescente em desenvolvimento, que o meu corpo se desenvolvendo, eu ia de short pro estádio, era. Tenebroso, e eu falo tranquilamente, a fila de entrada era. Propositão, assim, a liberdade que os homens tinham para te encochar, te encostar, te chamar. Então, assim, se apesar de outro lado da rua, tinha um cara subindo, te amando. Era muito desconfortável. Hoje, eu acho que com a presença em massa feminina das mulheres dentro do estádio. E a evolução da sociedade, né, então, as pessoas espondas, pessoas que fazem isso, existiu um movimento de quem fazia isso, fez o opar. Não posso mais fazer isso de forma deliberada. Então, acho que nesse sentido, houve uma evolução, me sinto muito mais confortável em do estádio de short, de. Como o tivesse, a calora, eu vou com uma roupa de calor. Não tem essa questão, não vou de moleton, como eu ia quando era criança. Mas ainda é um ambiente muito astil para as minorias. E várias delas, e principalmente, para LGBT. Isso, assim, a gente está muito distante do ideal. Muito. Eu falo porque as torcidas organizadas, elas têm como se fosse regras, né, que são se seguidas. E eu cansei de ver, em organizada, eles dividindo os meninos mais jovens para passar pela arquibancada, pedindo para homens, tirarem brinco, tirarem ao argador, algum colar que ofendesse a postura da organizada, porque para eles aquilo era feminino. E assim, então, você não pode se vestir do jeito que você quer, para achar o time que você ama, porque você não se encaixa no que o motor se organizada acreditam que você deveria ser. Eu acho um absurdo, mas isso acontece com frequência. E o futebol feminino quebra isso. Porque o futebol feminino é o ambiente em que as famílias vão. As mulheres vão com toda a tranquilidade de mundo. Você olha para que bancada do feminino? É família, é mulher, LGBT, um monte. Então, assim, como a gente consegue, né, construir desde o início, no ambiente que é do futebol feminino, uma arquibancada tão confortável. E eu falo isso não só que no Brasil está recentemente, na Liga Inglesa, eles estavam testando a venda de cerveja na arquibancada, que é uma coisa que não tem, né, na Prima-Elig, se você vai lá para beber durante um estado, você precisa descer, e você só pode beber no bar, né, na parte de lanchanete, que você não tem acesso a arquibancada, ou você assistiu o jogo, ou você bebe. Ou você bebe no intervalo, no intervalo 10, aquela congada absurda de homens, para tomar cerveja, tal. No feminino, por conta da postura da torcida, eles estão fazendo testes nos jogos de vender a cerveja na arquibancada, porque eles consideram que o público que frequenta o futebol feminino não está lá para brigar, não está lá para causar, está lá para simplesmente viver a emoção do jogo e apoiar o clube. É isso é muito legal, e eu queria aproveitar essa menção que você faz a Prima-Elig, porque você teve experiência de acompanhar jogos em vários países, trabalhando ou como torcedores de VTBOL, você percebe essa hostilidade, ou mesmo grau de hostilidade, que percebe no Brasil em relação às mulheres, em relação aos LGBTs, também em outros países, ou existe uma diferença marcante no caso brasileiro. Acho que alguns países são mais evoluídos nesse sentido, a Espanha foi um país muito legal de viver experiências. Que é um exemplo pro futebol feminino em várias áreas, né? Exatamente. Então, por exemplo, o jogo do Barcelona, feminino, eu fico até repiado em lembrar, porque foi impressionante, não só porquebrar recorde de público, por ver um campeão lotado para torcer para as meninas, mas porque não era só aquele público do futebol feminino, que se sente confortável. Era o público que torce para o clube, Barcelona. Então, eram vários homens, eram torcidas, tinha batuque, e assim no meio da antes do ônibus chegar, que a torcida se reúne do lado de fora, vários torcedores e torcedores com bandeiras LGBT, com causas ali muito explícitas, então nesse sentido, voltado para a mulher e para esse tipo de minoria, eu acho que a Espanha é me surpreendeu. A gente poderia falar que horas sobre os casos de racismo na época, é que são muito graves, e que aí a gente vai entrar num outro tipo de discussão, mas nesse sentido, em relação ao desenvolvimento do futebol feminino e da mulher, sendo uma figura representativa, eu acho que eles estão a frente. Na Inglaterra, eu já vi o oposto. Dentro de campo e desenvolvimento do clube, eles estão muito a frente, acho que é exemplo ali número um, de patrocínio de investimento, preocupação e disputa, é um campeonato que você vê os tímios disputando em alto nível. Mas ao mesmo tempo, indo ao estádio, na Premier League, em jogos masculinos, eu nunca vi tanto homem na minha vida. Então, no Brasil, ainda pode ser no arquibancado, na intervalo, eu tenho muita mulher. Gente, na Inglaterra, a gente fez um vídeo. Eu estava eu e a ler, a gente filmou, a gente na intervalo, a gente subiu o celular, não tinha uma mulher. Era assim, não tinha nem espaço para andar, era só homem. Então, eu ainda acho que na Inglaterra, por ter tido toda a questão dos rúligãs e como a cultura do futebol estabeleceu no país, as mulheres ainda sentem um pouco mais inseguras. E recentemente, agora, quando teve a Copa do Mundo, a euro na verdade, saiu uma pesquinha,
da duamento de agressão das mulheres em dias de jogos das seleção, inglês. E esse é um aspecto muito importante porque muitas mulheres têm medo do futebol no país, porque elas sabem que talvez em casa elas têm um problema muito sério de agressão. Então acho que tem cada país tem a sua peculiaridade, mas o Brasil precisa de fato evoluir bastante. É, é, é, breves parênteses aqui pra trazer de volta a discussão pro Brasil. Você é cria de arquivancada, você já disse isso. Eu imagino que você tem a começada a torcer pelo Palmeiras num período em que o club. Tá aí. É um período de bacas magros num Palmeiras, bem diferente do atual. E aí, nesses últimos anos o Palmeiras se consolidou como dos principais clubes disputando praticamente todos os títulos, ganhando muitos deles títulos importantes. E ainda assim é uma torcida. Não sei, é uma impressão que eu tenho acompanhando o futebol, talvez seja a torcida mais difícil de satisfazer no futebol brasileiro, porque mesmo nessa era de grandes conquistas do Palmeiras, há muitas reclamações, há muitos anos, há uma aula da torcida que por exemplo é de admissão do técnico ao ferrer. Não tem a menor acadência. De tudo o que ele conquistou. Falei muito sobre isso também no episódio anterior do nosso podcast com Luiz Gonzaga Beluso, a turma do Amendoim, que continua presente. Quando a gente pensa na questão histórica, eu acho que tem muito a ver com a veia do torcedor Palmeiras, aquela coisa da família, então é o amor que passa de pai para filho, tem muito a questão dos imigrantes italianos e como isso se forma, a corneta, os italianos têm muito isso, então, o atruma do Amendoim e eram muitas pessoas mais velhas, até as vezes que ficavam ali cornetando na orelha do Felipe Ion, eu acho que tem muita essa questão, o que eu acho que aconteceu como movimento. Isso virou uma coisa extrema, então era uma coisa engraçadinha até ali, a turma do Amendoim brincava muito com isso, mas no todo era uma torcida que já sofreu muito. O Palmeirense passou por situações terríveis, não só por ter caído duas vezes na sua história, mas por ter passado por uma década mais de uma década, de times muito ruim de contratações que não foram bem, então eu sou de uma geração que eu só sofri, a minha infância e minha adolescência foram peridos terríveis, eu sou de 94, então eu sou cria do tetra. Depois disso, quando Palmeiras ganha libertadores, eu sou uma criança, não tenho lembrança disso. A partir do ano 2000, é um sofrimento de aretor ser pro Palmeiras. O Palmeiras assim, eu só sofria na escola, brigava com o São Paulo Lino, principalmente que viveram grandes glórias naquele período, né? E eu que eu acho que acontece. Apesar disso, o Palmeiras sempre teve uma torcida que abraçava muito o clube, então abraçava dentro do palestrito, depois abraçava dentro do pacar em Bucando, o palestra foi reformado, mas a torcida vivia aquilo, a série B, vamos carregar o time, uma torcida sofrida, é no sofrimento, mas a gente está ali sempre e nunca vai abandonar esse time, jamais. Agora, quando a gente começa a pensar num Palmeiras que entra numa era extremamente vitoriosa, mais vitoriosa da história do clube, tendo uma arena à sua disposição que cobra muito caros ingressos, então o público muda imediatamente, o que era turma do homem do Henque, ficava atrás do banco reclamando do time, ganhou uma dimensão absurda. Como as redes sociais e o Twitter que já tem esse perfil, viram uma coisa assim que eu não consigo entender. Eu tento combater esse tipo de comportamento, porque pra mim não existe um clube que está em alto nível, estamos em 2025, os 2015 para cá o palmeiras competem na linha de frente do futebol brasileiro todos os anos. Eu não consigo entender como parte da torcida consegue criticar isso, um projeto vencedor de um time que tem estrutura de clube europeu, que pagem dia seus jogadores, que faz algumas contratações que vêm de jovens, todo ano por exterior há valores records. Então eu fico pensando de fato o que acontece com esse movimento, mas acho que tem uma piora por conta da elitização e por conta de como vira a sabolha, a barulhenta da internet que nunca está satisfeita com nada, né? Porque pra quem vive o futebol e acompanha com amor, todo clube tem altos e baixos, um clube que é vencedor, em algum momento ele não tá tão bem assim. Agora o Abel Ferreira, que é um treinador que chega de baixo de desconfiança, porque ele não era a primeira opção do palmeiras, né? Então um técnico desconhecido que todo mundo fala que que vai ser dele e ele vem e faz o que ele fez a carreira dele, enfim ela é escrita dentro do palmeiras. Ele chega logo depois da missão do Luxemburgo, né? Exato, exato. Então ele entra no momento que assim ele muda a história pra sempre, quando vir fora Abel porque o time não tem desempenhado o futebol que desempenhava algum tempo, calma lá, tem vários outros olhares pra isso, tem um olhar de um time emocionalmente cansado, jogadores que não estão performando que performaram antes, jogadores que foram embora, a espanha do orçal do time foi desfeita e quem chegou pra contribuir, jogadores que foram contratados e não responderam de fato dentro de campo como deveriam. Então eu não entro nesse discurso do farabel ou palmeiras, não é mais o mesmo, eu acho terrível inclusive, acho que viram perfil de torcida mal, acostumado. Acompanhar o Twitter do palmeiras em dia de jogos é realmente uma tarefa. Desco de mentaço. Eu não sou palmeirência até eu me incomodo com isso. Você mencionou a ilidização do futebol e acho que a gente pode entrar nesse tema, mas antes disso eu quero tratar rapidamente dessa emergência da safes porque vários clubes gigantes do Brasil aderiram esse modelo ou consideram aderir esse modelo. Para adorçãomente ou não, falamento e palmeiras que são os dois principais tímis de futebol dos últimos anos, da última década no Brasil, resistem a isso e mantém esse modelo associativo. Na torcida do palmeiras essa discussão existe sobre apoiar um movimento em direção a uma saf, ou até por essa característica um pouco particular da torcida do palmeiras existe também uma resistência dos torcedores em geral a esse modelo. Eu nunca vi nem um torcedor levantar uma possibilidade sobre essa no palmeiras e eu acho que seria muito difícil mesmo. Até porque e a gente olha os movimentos da safes e cada uma tem sua particularidade, eu vou usar um exemplo agora que eu atletique de ver se que tem estornado uma grande força no estado, por exemplo. É um projeto muito cuidadoso de desenvolvimento mesmo de uma comunidade pequena de um time assim histórico antigo, mas que é um desenvolvimento a longo prazo. É um projeto de comprar uma pouca e fazer um CT, de tentar jogar a série B agora, então de reformar o seu estádio para conseguir receber seis mil torcedores, acho que tem certos cuidados de safes em tímis menores para conseguir auxiliar nisso. A gente tem, por exemplo, um exemplo do botafogo que vai ao seu ápice de alegria, que loucura, pojeu aquela coisa toda e aí vira chavinha em um mês porque o cara leva os melhores jogadores embora, né? O texto parece não se importar com o futuro do clube, afórnico como ele faz o mercado, a busca por um treinador para começar a temporada. É muito esquisita. Então o Palmeiras, sendo sustentável da forma como é hoje, tendo conseguido e assim, o clube que sofreu, está financeiramente. Sim. A gente sabe o que o Paulo Nobre fez aqui na virada chave ali, que em 2014 essa alvação do Palmeiras, né? É um movimento que o Palmeiras sendo sustentável e conseguindo manter a sua base muito forte. Então é um time que tem uma ideologia muito certa do que quer ser. Então você não é a toa que jogadores muito novos, né? São vendidos a o preço que são porque de fato existe esse desenvolvimento que alimenta o clube financeiramente. Então existe um cuidado muito grande com o desenvolvimento da base. E existe esse cuidado de ser sempre um time competitivo para ganhar primeiações, conseguir fazer caixa e vender jogadores também obviamente. Então acho que uma discussão que dentro do Palmeiras talvez demore um pouco para aparecer. E acho que essa discussão sobre a SAF está em tudo a ver com esse debate sobre o processo de elitização no futebol, porque a derir é uma SAF e tornar-se uma SAF e é muito mais do que uma mudança burocrática, desedas seológica como o clube será, sob a qual o clube será administrado. E você, como o Cria de Arquibancada pode falar muito bem sobre essa questão da elitização, porque evidentemente os grandes clube brasileiros passaram nos últimos anos para um processo de modernização na gestão. Mesmo esses que resistem a SAF passaram por esse processo. O Palmeiras é um exemplo, Flamengo é outro. Outro bom exemplo disso. Agora atrelado a isso, nós vimos sim um processo de mudança no perfil do público que frequenta os estádios. O acesso ao futebol ficou muito caro. Sim. A produtos, mas também ao próprio estádio. Então torcedores que costumavam assistir praticamente todos os jogos dos anos 80, 90, começo dos anos 2000, foram retirados dos estádios. É paradoxal porque hoje esses grandes clube têm boas médias de público. Palmeiras é um exemplo, mas o perfil do público mudou e eu criei ouvir um pouco a sua avaliação sobre isso como alguém que acompanha de perto esse processo. O perfil muda e muda atmosfera do estádio, principalmente, porque quando você tem essa mudança, a selitização, e são pessoas apenas com dinheiro, porque quando eu falo com dinheiro, tem que ter dinheiro mesmo, sabe? Porque eu vou dar um exemplo mais recente. Palmeiras e São Paulo, pela semifinal do Paulista. O ingresso no go sul, que não é o setor mais caro do estádio, 360 reais. Pensa que vai um pai com dois filhos, se quiser, conforme a gente era um pai, um filho, é a mãe com as crianças ou a família completa. Se eu deixar o que mil quinto reais, prendo um jogo de futebol, e aí tem que almoçar, tem que comprar pipoca, tem que. Que tipo de futebol a gente quer entregar? Como a gente quer formar as nossas crianças? Porque de fato, quando viram hoje falam as crianças, gostam de futebol.
o europeu porque ela joga um FIFA e preferem o jogador que tem no FIFA. Não é porque elas preferem o jogador que tem no videogame. Porque quando eu era criança, também tinha um grande time na Europa. Eu também jogava videogame, mas o meu pai podia levantar num domingo, a gente ia mostrar e ele me levar no estádio com o engraço a 10 reais. Eu ia na porta do polestre Italia, comprava uma engraço e entrava. Hoje não, você precisa de um planejamento. Irau está de virou uma coisa que é um desejo de consumo. Isso mudou diretamente o público e tanto que você pode ver essa diferença, por exemplo, quando o Pakaimbo ainda não tinha sido reformado e algum time grande mandava um jogo no Pakaimbo, o público que frequentava o Pakaimbo não era o público que ia no alenso parque, por exemplo. O público que vai na área na baroeiria, quando o Paul Meres não joga no alenso, não é o público do alenso. E esse público apaixonado, esse público que frequentou os estádios na época mais raíze, é um público que foi expulso dos estádios. Então, deveria existir uma preocupação e sempre há uma promessa quando um presidente vai ser legê de que vamos fazer mais ingressos acessíveis. Vamos ter um setor acessível e não tem. Chegando o fim da conta lá e falar "a conta tem que fechar a arena custa cara, tem um time competitivo custa cara, que a própria lei já usou esse argumento, né? Ter um time competitivo custa cara, só você quer um time que vai ganhar títulos, tem que pagar por isso". Mas quando está num jogo decisivo, o seu estádio não canta, você também vai pagar por isso, porque talvez o time seja eliminado, porque você não conseguiu fazer pressão suficiente. Eu sei o que ele já cria, a arquibancada, eu sei que torcida a mundo é jogo. Completamente, você carrega o time quando o time não tem mais energia. Então, quando você tem uma torcida muito elitizada, mal acostumada, que seu time tomou um gol, essa torcida morre, como você reage. Então, acho que, de fato, isso prejudicou bastante a forma como o estádio "pulsa" hoje em dia. Então, são algumas situações que conseguiria citar, assim, de cabeça, que eu realmente vi o estádio "pulsa" novamente, mas você ser um time que vive na elite, né, de títulos e apresentações dentro de campo. Sem estar numa seca, tendo ingressos muito caros, de fato, vai ser muito difícil você conseguir mobilizar a sua torcida pra além da exigência do time ter que jogar bem em todo o jogo, sabe? Sim, e você se topa a camboa, acho que nada mais ilustrativo dessa discussão do que o fato de ter emdemolido justamente o tobogã, que era o setor mais popular do estádio, ingressos mais baratos, e era um setor muito legal, - Muito legal. - Já acompanhar os jogos. Lona, um tema que a gente tem trazido aqui para os nossos programas é justamente o da torcida organizada, porque no Brasil é uma discussão muito apaixonada, né? Então, você tem, basicamente, dois lados, tem os que defendem a torcida organizada, e tem os que acreditam que a torcida organizada não tem sequer o direito de existir. E, de fato, houve muitos problemas ao longo desses anos, mas toda a generalização é muito complicada de fazer. - Concord. - É. como você vê acompanhando no estádio durante tantos anos uma torcida organizada extremamente mobilizada como a do Palmeiras, mas não limitando o cedo Palmeiras, como você vê essa discussão no Brasil sobre a situação das torcidas organizadas? - Oh, pensando exclusivamente na festa e no desempenho do time dentro de campotém da torcida ali, sem ator se d'organizada os estados virariam jogo de tênis, sendo muito honesta, porque é ator se dão organizada que se mobiliza para conseguir montar faixa, para montar mosaico, 3D, para cantar. De alguma forma, é ator se d'organizar aqui que consegue fazer com que o estádio inteiro cante, num só tom quando necessário. Então, de fato, não tem como hoje você fazer o seu estádio por sácio em ator se d'organizada. Eles vivem por isso. A vida deles de área é o clube, né? Eles abdicam de milhões de coisas da vida deles, e eu não estou falando da parte particular de como é o funcionamento das torcidas organizadas extra-campa. Eu estou falando da festa dentro do estádio. Ali, sem ator se d'organizada, não existe. Eu posso falar porque quando torcida organizada já foi banida, ou com a ator cidade, decide fazer um protesto e não cantar o estádio morre. Nós vamos nos encaminhando aqui para o encerramento do podcast, mas eu queria trazer como último tema a discussão para dentro de campo, porque nós estamos aqui, basicamente, um ano, da próxima Copa do Mundo. E nós chegamos a essa Copa de 2006 com muitas frustrações acumuladas, eu diria que desde 2006 é frustração atrás de frustração para o torcedor da seleção brasileira. E claro, ao longo de todos esses programas, nós temos discutido também o fato de o país precisar recuperar a seleção brasileira, e até a camisa da seleção brasileira que se tornou símbolo, por exemplo, de manifestações da estrama direita. Então ainda estamos nesse processo de re-approximar o torcedor da seleção brasileira, e há um longo caminho pela frente. São tantas as pessoas que não têm ainda condições, não criam coragem suficiente para tirar a camisa amarela do armário, vestia a camisa amarela e sai na rua. Um episódio anterior, falamos com o Jean-Ord, e ele mencionou o fato de que muitos optam por comprar uma camisa azul, por exemplo, não ser associado a uma pessoa de extrema direita, por exemplo. E nós nós aproximamos agora de uma Copa do Mundo. Como você tem visto essa primeira questão, essa tentativa de recuperar um símbolo nacional, que é a camisa da seleção brasileira de futebol, e que foi apropriada por um movimento de extrema direita nessa última década, e dentro de campo quais são suas expectativas para a seleção brasileira nessa próxima Copa do Mundo. Primeiro sobre a apropriação foi triste, acho que quando todo mundo percebeu que a camisa da seleção amarela, que é muito representativa para a maior seleção do mundo, viram símbolo de algo tão prejudicial, para o nosso país. E aí, eu estou falando exclusivamente da minha opinião. Eu não tenho a camisa amarela em casa. E quando eu lembro quando as camisas começaram a ser vendidas e tudo, chegou um período com a camisa azul, como disse Gian, esgotou. Porque as pessoas que torcem pela seleção brasileira não queriam se relacionar há o fato de vão achar que eu estou do lado errado da minha luta. Então hoje, o que eu acho que aconteceu? Quando o Lula é leito e que tem a festa na rua, a Paulista fica cheia, eu vi um movimento da esquerda de "vamos aproveitar esse momento para pegar a camisa de volta para a gente". A bandeira também é nossa, a camisa também é nossa. Então eu vi muita gente usando a camisa falando. É isso, é nossa de novo. Só que ficou tão associado a movimento da direita, que hoje se fosse, olha para alguém na rua atravessando, você vê a camisa do Brasil, você fala, "Mmm, é alguém que apoia a extrema direita". Então eu acho que é um processo muito longo, que ele só é possível, se de fato pessoas muito representativas de minorias, de causas importantes, atletas da seleção brasileira se relacionaram com o movimento da extrema direita, e só um problema, então quando atletas que têm um perfil de liderança dentro de uma seleção, que não vence há muito tempo, mas que quando você tem uma seleção que fica muito tempo na espera do título mundial, você se apega ao que é o seus ídolos. Quando os ídolos da seleção, alguns deles, passam a representar um movimento, aí acabou, né? De fato, tomaram a seleção para aquele lugar, então a seleção acaba perdendo essa simpatia, essa alegria que tinha do futebol alegre dos jogadores, que realmente encantaram o mundo, então hoje eu acho que a gente vai levar um tempo ainda para recuperar essa camisa. Talvez a Copa seja fundamental para isso, então tendo a Copa, tendo personalidades importantes de movimentos de minoria, que são representativos para o Brasil, aparecendo com a camisa para torcer pela seleção, talvez isso deixe de inibir o público de comprar a camisa amarela. E aí, de fato, vira uma coisa que é mais orgânica, porque de resto, eu não vejo muito caminho assim, acho que o movimento muito complicado de muita apropriação, e é de um momento que a gente viveu que foi de muita guerra no país, assim, de "ou você é uma coisa ou você é outra", a gente não tem incomotado mesmo lado. E além disso, a própria CBF não dá subsídios suficientes para que alguém queira comprar essa brigana, porque a CBF, por todas as escolhas que ela fez ao longo das últimas décadas, também contribuiu com a fastamento do torcedor e da seleção brasileira. Então depende também da CBF, esse processo de tornar a seleção brasileira algo atraente de novo a ponto de você bancar essa tentativa de recuperar o símbolo nacional, de recuperar a camisa da seleção brasileira, porque hoje é custoso demais em termos sociais, se comprar essa briga de usar a camisa da seleção brasileira quando vemos o que a CBF fez com a seleção brasileira ao longo dessas últimas décadas. Exato, eu acho que o exemplo mais se sente que a gente pode ter de como sistema funciona como a gente poderia lidar com esse momento é que é assim o Ronaldo, que é um dos jogadores mais representativos da história da seleção brasileira e do Brasil e pro mundo, ele tenta se candidatar e ele desiste. Ele desiste porque o sistema não permite que um cara como Ronaldo tente, ninguém quis nem ouvilo. Então se o Ronaldo quis tentar entrar nesse sistema, pra minimamente buscar algo novo não consegue, quem é a gente? Quem são os jornalistas, quem são as pessoas com poder de influência menor, perto de algo que está tão ingessado a tanto tempo. Então eu acho que esse é um ponto, o ponto que se perguntou sobre dentro de campo. Hoje o Brasil tem uma seleção competitiva, ótimos jogadores, a gente não viu boas apresentações à ponto de a gente falar, vai bater de frente com as grandes pessoas.
de seleções, como a gente viu na última Copa a bola que a França jogou, a Argentina jogando pelo Messi, enfim, muitas coisas aconteceram futebolisticamente nesse período, né? Da seleção não encantar, mas os olhos dos brasileiros, mas que seria fundamental. O Brasil dentro de campo, encantando ele o único povo por uma única causa que é o futebol, que a gente sabe que isso acontece vai sempre acontecer no Brasil. Quanto o Brasil dentro de campo não trouxe alegria para o povo vai continuar sendo difícil, porque ele não estava no país como nosso. E eu falo a mesma coisa em relação a Argentina e outros países que sofrem muito econômicamente também, o futebol é a salvação. Você fala, "Ah, nossa, vai gostar de futebol, vai, porque assim a sua vida já sofrida, ou seja, a trabalho para sobreviver, ganha pouco, sabe, às vezes falta comida na mesa de casa, então a alegria do povo, muitas vezes, era ligar a TV e se alegrar com a seleção brasileira, e nem isso tem mais." Então, o ponto de união pelo futebol seria de fato a seleção brasileira conseguir apresentar um futebol agradável, novamente alegre, como a maior seleção do mundo deveria apresentar com frequência, tendo jogadores que têm espalhados pelo mundo. E se não vier o título, no ano que vem, o Brasil vai superar aquele G1 entre o tri-campionato em 70 e o tetra em 94. Nosso último título foi o Penta em 2002, Lona. Muito obrigado, Lona. Então você. Nesta edição de carta FC, se você gostou deste programa, não se esqueça na semana que vem, tem mais uma edição nos principais agregadores de podcast do mercado. Muito obrigado a todos e até a próxima.
Podcast Summary
Key Points:
Ronaldo desistiu de candidatar-se a um cargo por o sistema ser fechado e não permitir que figuras como ele tentem inovar.
Luana Maluf compartilha sua trajetória no futebol, desde um blog aos 13 anos até se tornar jornalista na ESPN, YouTube e redes sociais.
Ela destaca o machismo no futebol, especialmente nas redes sociais, onde enfrenta ataques, mas vê resistência como forma de luta.
O futebol feminino no Brasil está em crescimento, mas precisa de calendário adequado, contratos longos e investimento em categorias de base.
O Corinthians é citado como exemplo de clube que oferece salários decentes e contratos mais longos no futebol feminino.
Estádios ainda são hostis para mulheres e LGBTs, mas o futebol feminino cria um ambiente mais familiar e seguro.
Experiências internacionais, como na Espanha, mostram torcidas mais inclusivas, com espaço para bandeiras LGBT e menor violência.
Summary:
Luana Maluf, jornalista esportiva, discute sua carreira e os desafios do futebol brasileiro. Ela começou com um blog de futebol aos 13 anos e ganhou destaque no projeto ESPNFC, onde sua escrita a levou à TV. Hoje, atua em múltiplas plataformas, como Amazon Prime Video e redes sociais, adaptando-se à linguagem moderna sem perder a essência jornalística.
Ela enfrenta machismo online, especialmente no Twitter, mas vê a persistência como resistência. Sobre o futebol feminino, Luana aponta que o Brasil está em crescimento, mas precisa de calendários melhores, contratos mais longos e investimento em base, citando o Corinthians como modelo. Ela critica a hostilidade nos estádios para mulheres e LGBTs, notando que o futebol feminino oferece um ambiente mais seguro e familiar, ao contrário do masculino.
Comparações com a Espanha mostram que lá as torcidas são mais inclusivas, com bandeiras LGBT e menos violência. Luana conclui que, apesar dos avanços, ainda há muito a evoluir para que o futebol seja um espaço para todos.
FAQs
Porque o sistema não permitiu que ele tentasse; ninguém quis ouvi-lo, mostrando como o sistema é engessado.
Ela começou cedo, com 13 anos, criando um blog de futebol, e depois entrou na ESPN por meio do projeto ESPNFC, onde escrevia textos e começou a aparecer na TV.
Os desafios incluem calendário inadequado, falta de estrutura nos clubes, contratos curtos para jogadoras e necessidade de investimento em categorias de base para garantir crescimento sustentável.
Ela encara o trabalho como resistência, focando no apoio da comunidade e ignorando ataques, especialmente no Twitter, que considera o pior ambiente.
O futebol feminino é mais acolhedor para famílias, mulheres e LGBTs, enquanto o masculino ainda é hostil, com torcidas organizadas impondo regras rígidas sobre vestimenta e comportamento.
Porque paga salários decentes, faz contratos mais longos e oferece estrutura profissional, servindo como modelo para outros clubes.
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