Juros e meta de inflação: o quadro atual é viável no Brasil?
28m 20s
O texto aborda a complexa relação entre a meta de inflação e a taxa de juros no Brasil. Em abril de 2022, a inflação ultrapassou 12% ao ano, levando o Banco Central a elevar a Selic para conter os preços, conforme recomendam os manuais econômicos. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3% ao ano, mas nos últimos 12 meses ficou em 4,72%, bem acima do alvo. Juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos e desaceleram o PIB, além de aumentar o custo da dívida pública. Recentemente, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, mas alertou que pode reverter a queda. Especialistas como André Galhardo e Felipe Salto argumentam que a meta de 3% é irrealista para o histórico brasileiro, propondo uma revisão para 4%, acompanhada de um ajuste fiscal rigoroso. Eles destacam que a dívida pública é altamente indexada à Selic, o que dificulta a política monetária. Mudar a meta sozinha pode gerar desconfiança no mercado, sendo necessário um compromisso fiscal mais firme para ancorar as expectativas e permitir juros mais baixos, estimulando o crescimento econômico.
Para explicar essa história, a gente precisa voltar alguns anos atrás. Em abril de 2022, a inflação brasileira estava em Franca a aceleração e chegou a passar de 12% ao ano, a maior da última década. Você que faz compra no mercado que paga contas, sentiu, claro, o aumento dos preços e espalhado por todos os cantos. Os manuais de economia recomendam um remédio, aumentar os juros. E foi assim que, naquele momento, o Banco Central reagiu e subiu a Selic, a taxa básica que regula todos os juros da economia. Tudo isso para tentar manter a inflação dentro da meta. Essa meta é definida por um trio, o Ministério da Fazenda, o Ministério do Planejamento e o próprio Banco Central. Hoje essa meta de 3% ao ano pode ter uma sobrinha mais, uma sobrinha menos, mas o centro da meta é esse mesmo, 3%. Só que nos últimos 12 meses a inflação ficou acima disso, bem acima disso, chegando a 4,72% ao ano. E é a I que o carro aperta. Juros altos arrebenta a economia. O crédito fica mais caro, os investimentos recuam o consumo diminui. Resultado, o PIB desacelera. Aqui é que entra nosso dia a dia. É que se a inflação estiver acima da meta, o Banco Central acaba elevando a taxa de juros para conter o aumento de preços. A taxa Selic é o que a gente chama de taxa básica de juros na economia. Ela que afeta as outras taxas de juros do país e faz com que o dinheiro fique mais caro ou mais barato. Se a taxa Selic está alta, então os juros daquele empréstimo que você queria pegar para trocar de carro vão ficar maiores. Isso acaba controlando a inflação porque desestimula o consumo. E é aí que entra a política monetária. Na semana retrasada, o copom que eu comitei de política monetária que define na prática no Banco Central, qual vai ser a taxa de juros decidiu o seguinte. O Banco Central divulgou a ata da reunião mais recente do cometer de política monetária. Copom reduziu a taxa básica de juros para 14,25% ao olanô. Houve um corte tímido de 0,25% ao alô. E junto a ele, um alerta. A qualquer momento, o Banco Central pode rever a redução dos juros que começou lá em março deste ano. O Brasil está na liderança mundial de juros reais, que é o juros real. É a diferença entre a taxa Selic para a inflação. A economia brasileira se vê então entre a cruz de espada, de um lado, juros altíssimos, do outro, um inflação que se estimfecar a cima da meta. E é aí que entra o debate. Essa meta de inflação em 3% ao ano é uma meta viável. Da redação do G1, eu sou Natus Anérei e o assunto hoje é a meta de inflação e os juros no Brasil. Neste episódio, converse com André Galiardo, economista-chefe da consultoria análise econômica, professor e coordenador universitário do curso de Ciências Econômicas. Galiardo é autor do livro "O Sauto do Sápo", a difícil corrida brasileira, rumo ao desenvolvimento econômico. E com Felipe Sauto, economista-chefe da War Investments e professor do GDP. Sauto foi secretário da fazenda e do planejamento do Estado de São Paulo e o primeiro diretor executivo da instituição fiscal independente, o IF. Segunda a feira, 29 de junho. Bom, já que a gente começou o nosso papo aqui, eu queria ser bastante didática para quem nos ouve. Eu queria te ouvir, Galiardo, o que significa para a economia brasileira mudar a meta de inflação? Bom, na tusa, neste momento, significa um custo social, um custo econômico muito menor. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é bastante audaciosa, tenho de ir em alguns lugares que é uma meta irrealista, perseguir uma meta de inflação. Então, audaciosa tem exigido um custo muito alto para a sociedade brasileira. A gente normalizou, por exemplo, desenvolçar mais de um trilhão de reais com o juridadive da pública no ano passado. É claro que essa é uma visão, uma interpretação de como nós deveríamos proceder em relação a perseguição de uma meta em flasso-anárie, mas a gente sabe o custo político que isso tem. Sobretudo, nesse ano eleitoral que pesa muitas desconferanças em torno da condução da política fiscal, alterar a meta de inflação pode passar um recado equivocado para o mercado financeiro, que pode ver nessa revisão da meta de inflação no esforço para poder gastar mais. Então, a gente precisa encontrar um meio termo, uma meta de inflação que seja factível, que o banco central possa perseguir essa meta em flasso-anárie, sem onerar tanto, por exemplo, a diva da pública do país, ao mesmo tempo em que a gente precisa passar o governo, precisaria passar um recado de que a condução das compas pública seria mais amigável. Bom, então é bom explicar que não é só o Amém de Família, o pai de família, o empresário e a empresária que paga mais se os juros estão altos. O governo também paga mais, porque ele vai ter que pagar um juro maior da sua divida. Eu quero te ouvir, Felipe, a luz do que o galer do Dice, se o teu entendimento sobre uma mudança na meta fiscal é o mesmo, mas antes atua a interpretação. Bom, eu diria o seguinte, nós temos hoje no Brasil um regime de metas à inflação, vendeis de 99, mas uma mudança recente que foi positiva a meu ver, que é a chamada "metacontino", o banco central, por meio do seu Comité de Política Monetário, o copão, ele tinha que perseguir no ano calendário a meta de inflação. Ou seja, "janeira dezembro". Isso mesmo. Então se acontecer se alguma coisa nos últimos meses, algum choque de preços de alimentos, algum evento externo, o banco central ficava a mercer desse compromisso. Com o sistema da meta continua, agora a valia se todo mês se o banco central está conseguindo compreir ou não a meta, pelo acumulado em 12 meses da variação do IPCA, que é o índice de referência, tem vários índices em flação no Brasil, errança ainda da nossa hiperinflação que foi debelada lá em 1994 com o plano real. O IPCA é um índice utilizado para medir a variação de preços, ou seja, a inflação de uma sexta de produtos e serviços consumidos pelas pessoas do país num determinado período. Esse período pode ser de um mês, de três meses, de um ano ou dos últimos 12 meses. E o objetivo desse índice é representar o consumo de pelo menos 90% da população que vivem em áreas urbanas do país. Ele indica a inflação no país a partir de uma verificação mensal de 430 mil preços em 30 mil locais de 16 diferentes centros urbanos do Brasil. Então o que acontece é que essa meta de 3%, ela me parece muito usada para o nosso histórico e para o nosso desempenho, digamos, das contas públicas. Porque só em três ocasiões, se a gente pegar os anos fechados desde o post plano real lá em 1994, o Brasil teve uma inflação em torno de 3% no encerramento do ano. Então isso é uma primeira evidência que mostra que talvez a gente tenha sido exagerado ao fixar uma meta tão usada. O que não significa que a gente tem que chutar o bal de abandonar os compromissos que estão estabelecidos, mas é preciso na linha do que o galerdo também falava, repensar um pouco esse arranjo da política monetária, dos juros, a luz dos outros exidos da política econômica e idadeinâmica também da economia brasileira, por exemplo, o lado fiscal. Que a gente poderia migrar para uma meta um pouco mais flexível, um pouco mais alta, desde que a gente adotasse também um compromisso mais firme do lado das contas públicas. E o mercado que é que, em financiio governo também, perceberia um maior compromisso em um intertemporal com a responsabilidade com dinheiro público, e isso também ajudaria a ter juros mais baixos. elite complementalf foram apenas dois anos em que a taxa de inflação brasileira ficou abaixo de 3%. Uma vez foi lá em 1998 e nós tivemos um cândio super valorizado e em 2017, quando o Brasil ainda se recuperava dos graves efeitos da crise econômica de 2015 e de 2016. Eu trouxe isso aqui pro nosso debate, porque dá para fazer, dá para fazer com o QPCR convírge para o patamar tão baixo para padrões brasileiros com essa meta de 3%. A permita que a gente precisa fazer é com o custo para operacionalizar isso. Como Felipe Saldou falou aqui, a gente tem uma taxa de juros muito alto, eu sei que a taxa de juros deriva de outros elementos além da meta de inflação, mas uma delas é a própria meta de inflação. Então a gente tem uma taxa básica de juros, que é uma das mais altas em cerca de 20 anos aqui no Brasil e uma das taxas reais de juros, essa taxa real é uma das mais altas no mundo hoje, equiparada a países que tão em guerra, como por exemplo a Russia. Isso é um custo muito grande para o país, isso acaba reverberando, perpaçando essa parte macroeconônica e chegando ao bolso dos empresários e familiares brasileiras. Então o sumo que eu tiro desse é que uma meta de inflação de 3% é irrealista para o histórico brasileiro e para o contexto brasileiro. A dúvida é o que fazer e como fazer. O Felipe Saldou já deu ali uma pista do que ele avalia como sendo o caminho para poder fixar uma meta maior.
de inflação que é fazer um ajuste fiscal. A gente sabe que o orçamento público é um orçamento hiperinjeçado, o governo tem muito pouco dinheiro para a investimento, este governo atual não abre mão de programas sociais, cuidar das contas públicas significa em boa parte cortar investimento social também. Então eu queria entender com vocês se é possível mexer nessa meta de inflação agora ou no ano que vem, para ver se a gente cria soluções ou situações mais propícias a uma queda de juros e como fazer aplicar esse remédio de que forma. Eu tenho defendido uma proposta que eu tenho chamado proposta 2/4 superávit de 2% do PIB e meta de inflação de 4%. O presente Lula perdeu a oportunidade no início do mandato em 2023 de fazer esse debate porque com aquela discussão da reforma tributária do novo orcaboso fiscal havia ali um crédito do governo junto ao mercado, junto à sociedade, aos formadores de opinião e optou-se pela história da meta contínua e tal e a meta de inflação de 3% que já estava aposta na sistemática anterior pelo governo e pelas gestões anteriores também do Banco Central, etc. Acabou sendo ratificada. Então agora em 2007 é uma nova oportunidade porque com as contas públicas estão muito ingessadas, a rigidez orçamentária pela minha conta já chega a 95,3% e para quem está nos ouvindo entender significa que só pouco mais de 4%, 4,5%, é o percentual que o governo consegue ter alguma liberdade para decidir sobre o gasto público sobre os recursos arrecadados que são as despesas discricionárias não obrigatórias. Então é preciso colocar o dedo nas feridas abertas que são aquelas que você começou a falar na tusa, por exemplo, a questão dos gastos sociais. Hoje a gente tem uma multiplicidade de benefícios, benefícios de prestação continuada, sem contar a previdência social, o seguro de desemprego, o bolsa família, o abono salarial, então são várias iniciativas que foram tomadas em algum momento do passado e que foram se acumulando. Incentivos fiscais e desonerações também entram nessa conta, só para a gente sair do social clássico, né? É um segundo grupo de transferências que são chamadas renúncias fiscais ou gastos tributários. Um terceiro problema também envolvendo o lado da despesa são o subsídios creditícios. Então o plano safra que cresceu bastante é preciso ter uma espécie de pentefino no orçamento público e olhar linha por linha do orçamento adotando aquilo que lá fora se convencionou chamar de spending review, revisão periódica do gasto público. O primeiro passo para poder contê o crescimento da despesa não é nem cortar, é fazer com que ela cresça menos do que a capacidade de geração de receita, que é medida, por exemplo, por meio do produto interno bruto. E para você, galera? Então essa confiança não acaba ali, ela sempre foi muito frágil, e tanto é que quando ventilou-se a possibilidade de debater a meta de inflação, a conversa rapidamente fluir do campo econômico para o campo político. Ao defender, por exemplo, uma revisão na meta de inflação, para deixá-la mais compatível com o nosso estágio de desenvolvimento com a nossa própria estrutura, a gente costuma perceber que as pessoas interpretam essa defesa e mudança da meta como uma defesa pro governo. Bom, então eu quero que a meta de inflação, ou seja, de 4%, por exemplo, como propós o Felipe Salto aqui, porque eu quero o juro mais baixo, um juro mais baixo, a economia cresce mais, isso é capital político, o presidente se reelegei, e não se trata disso. A grande questão é a seguinte, eu preciso estabelecer uma meta de inflação razoável, que defenda o poder de compra das famílias, o poder de investimento de consumidas empresas brasileiras, sem que isso olhere tantos cofres públicos e a sociedade de modo geral. Então, a disputa a defesa em torno da mudança da meta de inflação é mais para que ela seja realista, com o dizendo com o nosso estágio de desenvolvimento, de que o governo recuperar a capacidade de criar superados primários, que é importante o corpo integralmente com o que o Felipe Salto falou aqui. Suo governo criar a capacidade de gerar mais receita do que gasta, isso é importante por si só, mas não traz a garantia de que o Brasil seja capaz de fazer a inflação convergir para 3%. Isso porque, como a minha brasileira é altamente indexada, então, o seu contrato de aluguel, que então ouvindo a gente aqui tem uma casa alugada, o contrato de aluguel, claro, o aluguel provavelmente é reajustado através do IGPN. Secenta por cento do IGPN, que é um índice, um índice de preços que o Brasil é, é índice de preços ao produtor, muito sensível às fluxisters. Então, quando eu tenho o aumento do choque, o aumento do preço petróleo, como a gente teve recentemente, eu tenho um aumento do IGPN consequentemente o aumento do contrato de aluguel. A economia brasileira é mais ou menos com uma coisa funciona. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar a minha conversa com André Galhardo e com o Felipe Salto. Eu fico sempre me perguntando o seguinte, se o governo hoje não é esse, qualquer governo, estávamos nos despreender aqui, resolver esse hoje, aumentar a meta de inflação para 4%. O que que aconteceria em termos de credibilidade? Se o governo teria credibilidade de que ele vai conseguir reduzir um pouco da dívida em relação ao PIB no longo prazo, ou vai ter uma gritaria geral, independientemente do governo, não dá para aumentar essa meta, embora vocês estejam concordando e muita gente concorde que é uma meta difícil para nós aqui no Brasil. Extremamente rigorosa a meta de inflação atual, só que já buti num só bem árvore sozinho, está lá em cima da Copa da Árvore. Alguém botou ele lá, né? E alguém botou ele lá, ruim, gente ou irmão de gente, mas é preciso entender que existe uma realidade da economia brasileira. De baixa polpança e também uma dívida pública muito indexada à própria Selic. O que significa isso? O governo ele tem uma dívida, ele precisa tomar emprestado porque a receita tributária não é suficiente para cobrir os gastos, né? Toda vez que o Banco Central decide subir a meta Selic, ou seja, o juro básico da economia, a dívida cresce automaticamente só pelo fato de que o Banco Central decidiu aumentar o juro. Foi feito esse arranjo lá atrás no final dos anos 80, porque ninguém acreditava no Brasil. Tem um risco de quebrar muito grande, o histórico do Brasil era muito ruim. Então criou-se essa dívida atrelada ao próprio juro para que as pessoas não tivessem medo e o risco fosse muito mais baixo para comprar títulos da dívida pública. E desde então a gente não conseguiu se livrar desses títulos, as chamadas LFTs, outros ouro Selic. Isso parece uma coisa lateral, mas é central, porque é o único lugar no mundo que tem uma dívida cuja participação de títulos posse fixados é gigantesca. Que é isso dificulta a tarefa do Banco Central para manejar a Selic. Porque a manejar a Selic também está definindo, de certo modo, as regras e atratividade para a dívida pública brasileira. Então isso é bastante relevante para explicar o problema do juro alto no Brasil. Agora voltando mais ao ponto que você trouxe, que, nesse momento, simplesmente mudar a meta de inflação, não seria desejável. Porque o tiro poderia sair pela colatra, mas já temos com a eleição "posta", os candidatos estão aí discutindo os nervos à flor da pele, o mercado com uma desconfiência tremenda, qualquer comunicado do Banco Central, ruídos nesse momento, devem ser afastados, devem ser evitados. Mas eu entendo que uma discussão de mudança da meta pro início do próximo mandato presidencial seria bem vinda, acompanhada dessa estratégia de política fiscal também mais dura. E para você galhar, não. Excutir a meta por aí simplesmente não funcionaria, mas isso deveria vir acompanhado de outras lididas, o Banco Central está uma espécie de caliza de força, e o Conselho Monetário Nacional também. Nós teremos, provavelmente, a menor taxa de inflação acumulada para um governo na história do Brasil, nesse Rua 3. E mesmo assim, eu sei que a população seitou, que é em função da mudança de patamar dos preços pop-opos pandemia, mas é o que o IPCA diz. Nós teremos uma inflação bastante controlada e mesmo assim uma das taxas reais de juros mais altas do mundo. Então, a camisa de força no Banco Central, a camisa de força no Conselho Monetário Nacional, e aí quando eu olho para frente, eu fico um pouco preocupado. Em primeiro lugar, porque qualquer medida que vise e recribradas contas públicas no Brasil terá de tocar em pontos muito sensíveis, como, por exemplo, os pisos com os sonais BPC, gastos previdenciários. Então, será difícil tanto para um eventual quarto mandato do governo Lula quanto para um mandato da oposição. Então, quando eu olho para frente, vejo grande dificuldade em dar uma nova dinâmicas de espensas públicas no Brasil. Por outro lado, vejo também essa dificuldade de alterar a meta de inflação, porque fazê-las sozinha sem que esse movimento de alteração da meta de inflação seja acompanhado, por exemplo, de um rake-libe, mais forte nas contas públicas, poderia trazer danos e efeitos com.
colaterais de indesejados, como por exemplo, de desancoragem das expectativas, que é quando o mercado começa a projetar uma inflação muito mais alta para os dois, três, quatro, próximos anos, mas ao do preciso ser feito. A gente tem uma meta de inflação que parece muito mais uma meta europeia do que brasileira, a meta de inflação do banco central europeu de 2%. A do federal reserve, que é o banco central europeu de americano também, 2% do Brasil, que a gente acertou uma inflação mais alta, bem mais alta, que nos países desenvolvidos, é de apenas três por cento. E aí que reside o grande problema. Existe algum país parecido com o Brasil, que fez esse caminho, que aumentou a meta de inflação, e isso gerou resultados positivos, como até mesmo crescimento do PIB. Claro, estou falando tudo isso dentro de uma inflação minimamente controlada. Que eu sei que os pares brasileiros na América Latina, como por exemplo México, tenta achas de inflação equivalentes à brasileira, e como a taxa de juros em torno de 6,5% com o meu caso do México. É uma taxa de juros muito baixa, inclusive uma crítica do mercado em relação à condução da política monetária por lá, e não tem grandes prejuízos da condição, da evolução dos preços, da atividade econômica mexicana. Existe diferenças fiscais, econômicas, estruturais, equipe lita, e também esse movimento divergente, mas nós não podemos deixar de olhar com bastante inveja, como o Banco Central, que o mexicano vem conduzindo sua política monetária aluso de todos esses siscos inflacionados aos quais o México também está subitido, o aumento do preço do petróleo também é a caboo esbarrando e trazendo problemas ao México como o que aconteceu. Um do todo é uma parte da explicação também dessa condução da política monetária brasileira. Vem da forma como mercado do México e cara a política monetária e o governo. Uma parte da explicação desse estresse dentro da política monetária condução da taxa seria que vem da forma como mercado interpreta. Então criou-se também uma atmosfera muito límica noinação do Gabriel Galipo e o Galipo talvez nessa tentativa de se mostrar ele não decide a taxa de ursozinho, o copom que é o Comitante Política Monetária tem nove membros, mas nessa tentativa de mostrar que o copom de fato estaria não seria condescente com a inflação mais alta. Perdeu o time, felizmente começou a fazer esse movimento no momento mais delicado dos últimos dois anos para o deumilho e agora essa janela de oportunidade se fechou, não por acaso. Depois da ata da última reunião Comitante Política Monetária, alguns economistas interpretam que o Comitante pode fazer uma pausa nesse breve ciclo de ajuste da CERIC. Agora, Felipe, eu queria entender um pouco mais disso. Ao México, mantendo essa meta de inflação de três por cento, não que eu queira manter a meta, mas que eles conseguem juros menores. Eles são organizados do ponto de vista fiscal por lá, como é que é a situação? A mudes, aquela agência de classificação de risco internacional, reduziu recentemente a nota do México. Ou seja, não dá para ser México a isso, porque a mudes, essa agência de classificação de risco, dá um selo de bom ou mal pagador. Então, quando ela baixa a nota, ela outras, baixa a nota de um país, fica mais arriscado, investindo aquele país e afogendo investidores. Isso mesmo. Na verdade, a situação do Brasil é melhor que a do México. A gente tem reservas internacionais, por exemplo, que são de 50 a 60% maiores que as do México. Ou seja, tem as contas externas equilibradas. Isso é muito importante quando a gente olha para o país como a Argentina, muitos se fala sobre o Raviar Milley, o programa de ajuste fiscal que ele fez por lá, pode até ter produzido alguns resultados como reduzir a inflação anual, aí para casa dos 30 a 40% lá na Argentina, mas não vai resolver o definitivo a questão da economia argentina, porque lá existe uma fragilidade adicional à questão fiscal, que é o desequilíbrio externo, no balanço de pagamentos, a transação ou o conjunto das transações de residentes com não-residentes. Nós já tivemos isso no passado. Todas as nossas crises, o Brasil conhece isso muito bem, todas as nossas crises tinham um componente externo, a dívida pública muito dependente de recursos externos, e hoje não existe mais isso. Então a gente tem uma dívida que está nas mãos de brasileiros. Para finalizar, eu queria saber se vocês enxergam qual janela de oportunidade para fazer essa discussão de aumento da meta de inflação, se ainda este ano para o ano que vem, se no ano que vem apenas, um rápido palpite de cada um dos dois. Acho que é para este ano por ser um ano eleitoral, fazer esse debate sobre a meta de inflação há poucos meses da eleição, seria talvez teraria mais efeitos ruins, mais efeitos colaterais do que a resolução do problema que a gente mapou aqui. Acho que um eventual debate sobre este tema que precisa ser feito tempo já passou, nós perdemos o time. Não só do início do ciclo de corte do selic, mas também desse debate feito dentro do Consor de Monetário Nacional, então isso ficaria por um ano que vem com o suporte, com o sorte de uma política voltada a dar uma evolução mais branda para as despesas obrigatuais, sobretudo as despesas obrigatores aqui no Brasil. Então seria, se nós de fato tivermos algum tipo de reforma nas despesas brasileiras, já endereçado esse ano, após as eleições discutidas a partir do ano que vem, seria um momento bastante importante, bom para discutir essa meta de inflação em julho do ano que vem, provavelmente. Eu entendo que poderemos caminhar por duas vías, a primeira, logo depois das eleições gerais em outubro, então ali naquele período do chamado Governo de Transição, convocar essa discussão, fazer esse debate sobre as metas de inflação, tem economistas que estão estudando isso no Brasil e fora do Brasil também, nada impede que o Conselho Monetário Nacional faça, por exemplo, audiências públicas, para começar a trazer esse estado da arte do que está se produzindo, em matéria de teoria e também de análise dos dados, para a gente tentar desvendar essa diferença tão grande que existe na taxa de juros do Brasil em relação a países comparáveis, e num segundo momento, aí acho que só para o ano que vem mesmo, redescutia a meta. Lembrando que a meta está abalizado hoje por um decreto presidencial, esse decreto só permite que o Conselho Monetário Nacional muda a meta para um horizonte de três anos a frente, e subsaria ser alterado também, mas como é decreto presidencial, eu não vejo tanta dificuldade. E fazendo isso, junto com aquele plano de um superávit primário, em pelo menos dois anos, de dois por cento do PIB, acho que essa seria a composição de política ideal, já que a gente tem esse espaço aqui para poder imaginar qual seria esse desenho, digamos ótimo, de política pública. E segundo eu entendia, esse plano serviria para que o próximo governo mostrasse um compromisso de não explodisse os gastos para que não se imagine que o governo muda a meta para poder desinvestar e gastar muito, e aí ter o efeito inverso que é uma inflação de fato, mas auto-filipe, eu te agradeço muito, galhardo, te agradeço também, muito obrigada por toparem conversar aqui comigo no assunto. Eu quero agradeço na TUSA para bem-es pelo podcast, obrigado pelo convite. Obrigado na TUSA aqui no BUSSIIS, obrigado. Este foi o assunto, pode-cast o diário disponível no G1, no YouTube, ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto estão Luis Felipe Silva, Sara Resende, Carlos Catele, Luis Gabriel Franco, Juliana Morette, Stephanie Nascimento, Iglier Migama, eu sou na TUSA NER e fico por aqui, até o próximo assunto.
Podcast Summary
Key Points:
A inflação brasileira atingiu 12% ao ano em abril de 2022, levando o Banco Central a elevar a taxa Selic para controlar os preços.
A meta de inflação é de 3% ao ano, mas nos últimos 12 meses ficou em 4,72%, acima do alvo.
Juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos e desaceleram o PIB, além de aumentar o custo da dívida pública.
O Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, mas alertou que pode reverter a queda a qualquer momento.
Especialistas defendem que a meta de 3% é irrealista para o Brasil, propondo uma revisão para 4%, acompanhada de ajuste fiscal.
A dívida pública brasileira é altamente indexada à Selic, o que dificulta a política monetária.
Mudar a meta de inflação sozinha pode gerar desconfiança no mercado; é necessário um compromisso fiscal mais firme.
Summary:
O texto aborda a complexa relação entre a meta de inflação e a taxa de juros no Brasil. Em abril de 2022, a inflação ultrapassou 12% ao ano, levando o Banco Central a elevar a Selic para conter os preços, conforme recomendam os manuais econômicos. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3% ao ano, mas nos últimos 12 meses ficou em 4,72%, bem acima do alvo.
Juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos e desaceleram o PIB, além de aumentar o custo da dívida pública. Recentemente, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, mas alertou que pode reverter a queda. Especialistas como André Galhardo e Felipe Salto argumentam que a meta de 3% é irrealista para o histórico brasileiro, propondo uma revisão para 4%, acompanhada de um ajuste fiscal rigoroso.
Eles destacam que a dívida pública é altamente indexada à Selic, o que dificulta a política monetária. Mudar a meta sozinha pode gerar desconfiança no mercado, sendo necessário um compromisso fiscal mais firme para ancorar as expectativas e permitir juros mais baixos, estimulando o crescimento econômico.
FAQs
A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, que regula todas as outras taxas de juros. Quando ela está alta, o crédito fica mais caro, desestimulando o consumo e controlando a inflação.
Para conter o aumento de preços, o Banco Central eleva a taxa Selic, tornando o crédito mais caro e reduzindo o consumo. Isso ajuda a manter a inflação dentro da meta estabelecida.
A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional e atualmente é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância. Nos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,72%, acima da meta.
Mudar a meta de inflação para um valor mais alto, como 4%, pode reduzir o custo social e econômico, mas precisa ser acompanhado de ajustes fiscais. Se feito sozinho, pode gerar desconfiança no mercado e desancorar as expectativas de inflação.
Historicamente, o Brasil só teve inflação em torno de 3% em poucas ocasiões desde o Plano Real. Perseguir essa meta exige juros muito altos, o que onera a dívida pública e prejudica o crescimento econômico.
Grande parte da dívida pública está atrelada à Selic, por meio de títulos como as LFTs. Isso significa que, quando o Banco Central sobe os juros, a dívida cresce automaticamente, dificultando a política monetária.
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