A entrevista com Jurema Batista, educadora, ativista e primeira deputada estadual negra do Rio de Janeiro, traça sua trajetória desde a infância na comunidade do Andaraí, criada por uma mãe empregada doméstica que a protegeu do mesmo destino. Sua conscientização política surgiu na universidade, impulsionada por um debate sobre racismo e, decisivamente, pelo encontro com a intelectual e ativista Lélia Gonzalez. Esse encontro foi um divisor de águas, levando-a à militância. Como líder comunitária, fundou a associação de moradores, enfrentando machismo e repressão policial, e conquistou melhorias essenciais como a instalação de luz elétrica e a criação da creche comunitária "Niemandela". Posteriormente, co-fundou o Coletivo Nizinga com Lélia Gonzalez, criando um espaço autônomo para mulheres negras diante do machismo dentro do movimento negro. Em sua atuação no Movimento Negro Unificado, focou na formação política, introduzindo perspectivas feministas e discutindo questões como a misoginia e o abandono paterno, comuns na comunidade negra. Sua narrativa é um testemunho de resistência, organização comunitária e luta contra o racismo e o sexismo.
[Música] Oi, aqui é Neca Setubo e aqui é Asfelic Arniro. A gente está começando mais um episódio do escute às mais velhas, um podcast da Fundação de Setubo, produzido pelo Estúdio Noveiro. [Música] Hoje, a gente conversou com uma feminista e ativista que tem uma trajetora muito marcante de mobilização comunitária e depois de atuação política como deputada estadual. E não qualquer deputada estadual, mas a primeira mulher negra a ocupar esse cargo pelo estado do Rio de Janeiro. A nossa conversa de hoje é com educadora e ativista Junema Batista. [Música] Para conversar com a Jurema, eu tinha muita curiosidade de ouvir-la sobre como foi ser a primeira deputada estadual negra no estado do Rio de Janeiro. Jurema lutou pelas creches comunitárias e por trabalhar como lheres e educação. Ela criou uma experiência exemplar de creche comunitária, a creche um inimã dela não andar aí, que é um símbolo de luta resistência e homenagem a uma das mais importantes ativista-anxistas do mundo que foi o inimã dela. [Música] Então, vamos ouvir as mais velhas com Jurema Batista. [Música] Quem é Jurema Batista por Jurema Batista? Ah, é difícil, né? Porque aparecendo uma coisa bem. É gocente, mas não é assim. Sou na insida e criada num morro da andar aí, mais precisamente, a Relia, que era parte mais pobre da comunidade. Ela era que era parte do Thiago, do Thialuis, que não tinha banheiro, que era chão de terra pisado, o Barraco. Era feito de estuque, né? E eu sou filha de uma mãe empregada da Domestika, dona Raimunda, que era mineira de Ubar, e veio por rio com 9 anos para trabalhar como Domestika, na casa do Ataú Fualvdes. Ela sempre lembrava a vadista. [Risos] E com 9 anos de idade, né? Ela foi trabalhar como Domestika. Mais tarde, ela me teve, o meu pai de José Batista e ele não deu muito sorte da vida, ele foi preso, meu pai foi presidiário, ficou 10 anos na cadeia aqui nos dias de anero, e minha mãe me criou solo, né? Porque ela falava sempre "meu pai é assim, meu pai tinha pulgando de alcoholismo, saúde mental, né?" Mas esse pessoa naquela época não sabe onde dar com essa situação. E ela falava sempre "elecilale, se você for preso, eu nunca vou na prisão de visitar, que eu nunca quero passar para revista policial." E assim ela fez. Usando de meu pai, estivesse preso, ela não visitou. Quem visitava meu pai, eu e minha tia delas. Todo domingo, você me brinco, quantas crianças, pra quinta, vê macaco, vê. Eu ia pra cadeia, visita meu pai. Eu me lembro que quando ele teve movimento, ele ganhou muito raivosa. Eu sabia que a sociedade tinha me tirado, tinha me tirado, pai tinha colocado de minha mãe como nome é estica. E aí a minha mãe, ela tinha um cuidado comigo assim. Ela tinha muito medo de me tornar doméstica também, porque além da minha mãe trabalhar como nome é estica, ela também sofreu uma música sexual na casa dos patrões. E ela tinha medo de se acontecer esse comigo. E aí a trabalhar como doméstica, ela se impazia um contrato com os patrões. Femal, né? É um contrato verbal, garsoguite. Ela iria trabalhar na casa e iria me levar. Salar o mínimo, as foi para mim, 600. Ela ganhava mil e 600 para me levar. Mas tinha um detalhe. Eu não ia fazer nada nessas casas. Eu só iria estudar. Então enquanto ela trabalhava, ela ficava tomando conta para ver se o mundo estava fazendo nada. Um dia que uma patrô chegou, ela foi com o pra pão na padarinha. E a patrô estava me ensinando a colocar a mesa. Ela chegou e falou, "Quem só não está fazendo com a Jurema?" "Estou ensinando ela colocar uma mesa." Aí ela falou para a mulher assim, "Mas quem disse que me ajurema?" "Ai, eu já me ajurema." Que minha Jurema vai ter que aprender a colocar a mesa. Não vai não. Pegou o pão que estava com uma jogolose. Deu acesso de fúria dela. E me pegou pelo braço assim e estava desagentada. Ficava por quarto, já por quarto. Bom, nessa história toda eu aprendi a ler, principalmente nos livros, que ficava no quarto da empregada, principalmente de bís. Eu aprendi a gostar de leitura, o tempo foi passando. A espátulosa começaram a me validar. A Jurema é muito inteligente. Eu passava de ano todo ano. E eu comecei a entender a minha ideia com que ele seria professora. O tempo foi passando, fui passando de ano, primeiro grau. Passando sempre muito bem. Quando eu cheguei de segundo grau, o professor falou assim, "Nossa, Jurema, não é tão inteligente." Ela podia fazer português. Porque ela sabe muito português. Teja da sua humana vilhosas. Sabe como ele está bem. "Ah, eu fui pra universidade." Quando ele está fazendo adulta, eu estudava da Santa Ursula com crédito educativo. Isso ainda, muito pelo que os patões e minha mãe falavam. Que eles falavam que as melhores escolas eram escolas católicas. Um dia eu passei na Copa e eu vi eles conversarem isso. Que melhor escola era escola católica. E entrou na minha cabeça. Aí quando eu fui fazer faculdade, fiz o que é faculdade católica. Eu fui passando da Ursula, usava peruca. Quem não? Eu já usava peruca. Tava crente que estava bafando que era a única preta da sala. Um dia eu estava da sala e veio hermórdides. Até a melhor acessou quando o vivererador foi assassinado. Ele me outro acessou. Renaldo foi assassinado. Ele veio e falou isso pra mim. Jureão vai ter um debate aqui no sear de história. "Assismo, racismo, aqui!" "Estou falando maluco?" "Estou querendo importar coisas de Estados Unidos pra cá?" "Aqui não tem racismo." "Aqui não, olha, chega doê." "Aqui não é como falar, saa." "Aqui tem negro, pregui só." "Aqui não é como falar, pregui só." "Nossa." "Tinha bebê quantos anos você tinha?" "Aa, vinte e aí?" "E ele vai fazer um seguinte, vou te dar um tempo." "Vai começar a ter três horas de debate." "Vai começar a ter três horas de debate." "Vai começar a ter três horas de debate." [Risos] Olha, foi o abuso, né? Hoje eu tenho que ser uma abuso. Mas foi o abuso necessário. Porque qualquer coisa me é no meu cabelo ruim. [Risos] Porque é dizendo nosso cabelo era ruim, né? Me era ruim, era ruim. Eu nem ganho a ver meu cabelo. Tá, dói. Aí quando eu 10 mais 3, ele chegou na porta, peguei minha buscila rapidinho e fui acompanhando ele, reclabando pelo corredor. "Balo, o que se faz isso comigo?" Cheguei lá, trabalhei, agonzá-les, e carros aoberto, medeiros. Debate era sobre ele sobre racismo no Brasil. E eu fiquei sentado olhando para ela, e ela ia ficar pelo vermelho. Foi que essa mulher que ia ficar pelo vermelho, vai falar para mim. [Risos] Olha, gente, meu primeiro conto, galera, foi impactante. O que ela mais falava e entrando. Só que eu fiquei muito raivosa. E o que aconteceu? Depois disso, eu passei esse guilele, era um caralho porque a gente não tinha seguidores, né? Não tinha internet, não tinha. Tinha orelhão. [Risos] O que aconteceu? Eu passei esse guilele. Aonde eu sabia que a eleia estava eu ia. Numa dessas, ela estava, nem PCN. Aí eu descobri que ela estava fazendo um paleste lá. Eu fui fazer, fui ver. Conteia que eu ia ir lá, porque eu fiquei contestando ela, na minha cabeça, sabe? Não é possível. Onde essa mulete era isso? Ela dava. Ela dava dado, já. Eu fui comer sem virar fã, né? Seguidor a fã. Aí pronto. Aí acabou. Ela ia dar beia ou ia. Ela ia no céu, ela na oabia ou ia. Aonde ele ia? [Risos] Minha vida, onde ela ia. Que cada dia, mais que no ia entrar, não ia entrar. E ela resolveu minha dotada, é verdade, isso, sabe? Ela falou assim, "Vamos tomar café na minha casa." Aí, aí, "Fam, fam, ficando no. Amigas." A lei até me na minha vida, a mesma impacto que teve na sua. Olha só que coisa. Foi um divisor de águas, né? Eu sempre falo. Eu descobri o que ia ser quando crescer, quando eu ouvi ela pela primeira vez. Eu digo só a primeira de cipula dela, dessa história toda. E aí, minha filho, o que aconteceu? Que quando eu descobriu que era o racismo? Olha, amiga. Foi bode, não. Foi o misto de revolta com surto, que eu não podia ver polícia no minha frente. Eu implicava com tudo quanto era branco. Olha, os brancos penaram na minha mão. Eu não tinha branco, tu não se mexe isso, não. Que tá branco. Tá branco, tá branco, tá branco. E aí, isso começou a dar em ser a Jurema Batista. Daí, aconteceu na minha comunidade de o assassinato de homem negro. A polícia bantou esse rapaz, foi na época do Caus Barli. Se lembra, né?
Tem, aquela mulher que fez revista em todos os PMs para descobrir quem matou o irmão dela e ela conseguiu, né? Ela acabou também virando espere para mim na luta do direito humanos e aí bataram esse raparamento a minha comunidade ou da vala, no moral, quando a sacidade era paz, a gente teve que suspender as aulas, chegou um aluno e falou "Ah, melhor de parar de ser guardiá-la, a gente vai chegar no rango nenhum, ninguém respeita a gente, a gente não tem luz, a gente não tem água, a gente não tem creche, e a polícia vem aqui na hora que tem matas pessoas, aí eu estava a ver começando as associações de maradores do Rio de Janeiro, aí eu fui no presidente do Mar aí, as associações de maradores e amigos do andar aí. O presidente falou para mim "Olha, eu entendo que vocês estão querendo, a gente até pode ajudar vocês, mas ele não pode comprar briga de vocês, porque aqui na nossa casa, a polícia não entra ser mandada segurança, ser mandado de prisão, ninguém arroma da casa, outra coisa que tem água, a gente tem luz, nós somos brancos, aí da falou isso, nós somos brancos, aqui não é assim, a gente não é de imediatamente confundido como suspeito". Eu falei "Qui gente faz isso, então, eu vou fundar uma associação do Maradores da comunidade, aí foi o fundar a associação do Maradores, fazia-as, é sembreia, aí cada um dessa sembreia tinha que arrumar alguém para a próxima reunião trazer, para compor a diretoria, aí eu e Rosalha lemamos, nossa ímpama procurar o presidente, aí bateu-me na casa de vários homens, um dizia que eu não podia, porque o final de semana ele tinha que ter alasia com a família, um diz que nem pensar que o presidente de associação do Maradores tinha que comprar briga com a polícia, voltamos, vai sembreia no domingo seguinte, falando "Não conseguimos o presidente de não". Ele levantou uma senhora noadexida, reitada, falou "barquei mandou vocês procurar o presidente, presidente não vocês aqui, foi que aí vai lá, falou "Você, Jurema, você que vai ser nossa presidente, pra eu, não posso, posso faculdade, não, não, é você, por isso mesmo, você que você é presidente, que você sabe falar, você é do seu que, põe, por unanimidade, eu fui eleito, é presidente, da associação do Maradores Mundo, na raio. -Uá, aí começa virada, não. -Ai, conta pra gente, você contou todo esse processo, incrível, então você é uma menina na faculdade, como que foi ser a primeira presidente dessa associação de Maradores M, e mulher, e jovem, pra enfrentar todo aquele machismo, toda a situação bastante complexa que eu imagino, como é que foi isso? Olha, não foi fácil, inclusive acabou um casamento, por causa disso. Que aconteceu, eu, que eu não falei, eu entendi que a beça, a briga na associação começou em defesa da memória dele, porque ele foi tido como um assassino, saiu num jornagem na capa de jornal, assim, trabalhador é assassinado quando descia por trabalho, tava ele, bordo, e a marmita dele é o lado, a associação não se eu com esse objetivo, e aí a gente conseguiu levar o policial pro banco dos jelos, e ele foi congelado. Aí as vezes eu chegava na faculdade, tava um sangue, um viangueio em jurem, você quer dizer, jurem, cadão, um dia me chegou uma família, dizendo que o moço já se du preso, porque tava sem documentos. -São antónio pesão. São antónio pesão, ele era imenso, tinha um pé grande, sabe-se? E aí eu falei, se eu não tônio, e todo mundo na comunidade conhecia ele, eu larguei o prato em cima da mesa, saí correndo, tava descalça, gritando a comunícia, "Sas eu não isso, seu absurdo, isso é racismo!" Aí ele falou, "Sos tanto uma coisa, moça, você tá falando de baixo, ele vai ficar solto, mas você vai ser preso." Nossa, é moça. -Ai, me levaram presa. -Que levaram presa? Me levaram, fizeram a detenção. Mas eles fizeram uma volta, porque tem um resto rio, eles andaram comigo pela tijuca, subiram o outro no bordo vista, "Dem uma volta, dem uma volta, foi as adedis, porque que aconteceu?" O pessoal do morro desse rio, foram todo mundo papato da delegacia, e que ele tava no iberte, "Ajureba, meberte, a acresio, mas. " Foi a ideia, era, cara. E eu cheguei quando eu vi aqui, no fremeu, "Deus!" Aí quando eu entrei, aí eu falei pro delegado, "Pode ver que os avantades, eu não tenho folha corrida, eu tenho corria, colô!" "Tava muito brava, muito brava." Aí o cara viu "Ah, neguinho, eu falei isso mesmo, neguinho realmente é limpa." Aí, aí, falou pro ex-marido. "Levo essa mulher aqui, leva. " Aí, quando a gente entrou no carro, eu não fui escrever. Aí, nisso, passou um policial do lado, e falou assim, "Meu ex-marido, ó, você toma jeito dessa tua mulher aí, hein?" Que é barido de mulher abusada, a panha na cara e na bunda. -Wow. -Ah, o nego. O nego tremendo nas bases, chegou em casa, a vô doutora, vai sair dessa associação hoje. "Farei o quê?" "Mas não vou sair nada, tu que vai sair da minha vida, você é um facho!" "Asaio, que hora. " Olha o que nível contava, gente. "Sosso eu não conseguia nem mais conversar, qualquer coisa me deixava assim, sabe?" Falei, eu fiquei a flor da pele. Conclusão, eu verei uma liderança que nasceu. Digamos do nata, uma das histórias, né? Agora, Jurema, essa sua atuação na associação trouxe conquistas muito efetivas, muito concretas para a comunidade, né? Queria que você falasse dessas conquistas, né? A fundação da Cresça, o Inimandela, porque a importância de dar o nome dela para uma Cresça. Antes disso, aconteceu a chegada da luz elétrica, não andar aí também, né? Você decisiva nesse processo, ou seja, conta um pouco como foi a articulação para alcançar essas duas conquistas tão significativas implementáticas, né? Da luta das comunidades, né? Eu fiquei muito visada, invisível. Aí que aconteceu, a primeira alite. A alite, eu fizeram pesquisa com um grupo de empresas, né? Que fazer um carnebo à pobre e descobriu que queimais pagava carneendia nos pobres. Aí, então, a alite, eu vou fazer um experimento e me procurou, porque eu estava visível, do bordo andar aí, de botar a luz na primeira comunidade que recebava a luz da alite, foi o bordo andar aí. Aí entrou a luz da alite, olha aí, aí começou a subir expostes, muita gente na Cresitava, o dia que eu vi, eu estava ouvindo um ônibus à noite, que eu vi o bordo todo iluminado, eu chorava, dando ônibus, igual que isso, aí a luz chegou agora a ser meu todo. Ah, aí foi lindo, né? Aí a gente comemorou, isso foi a primeira conquista. E depois, a Cresit, porque eu, como uma pessoa da área de educação, e trabalhando sempre, trabalhando muito com mulheres, eu descobri que elas não tinham, não deixou os vídeos, comecei uma luta por Cresit comunitária. Aí a gente conseguiu, a Cresit foi neman dela. E porque eu e neman dela? A gente estava na luta, então, então não tinha o terminado a partir, e a gente estava na luta para libertar a bandela. E a Uíni era voz, né? Público, né? Depois de conservar as coisas, mas ela era voz pública do bandela, né? E a gente deu o nome de Uíni e o mandela, em homenagem a ela. Tem uma pequena coisa aí que você não falou ainda, uma com um que extraordinária, o nome da sua mãe, como uma das ruas, da comunidade do Andara, e fala como é que foi isso? Então, minha mãe era protestante, né? E ela fazia culto, a primeira era, foi de um banho, ela foi mançanto, depois ela teve um revés da vida, e ela foi se evangérica, e ela fazia culto, toda a semana, e frente a flor da Minha do Andara, e a escola de Samba, ela fazia lá. E aí na época, eles colocaram o nome de Ubarua, "Ai Mundo Estrojilda", entendeu? O nome dela era "Ai Mundo Estrojilda da Silva". Minha mãe tem uma história bonita, porque ela é filha de. de bineiro, né? E a vo dela era indígena. Eu descobri isso, tão em literatura, né? Porque como as pessoas faziam. da violência quando eu não me lembrei indígena, uma coisa romântica, e minha mãe sempre falava, "Me ame, a voa foi caçada alaço". E da época também achava romântica, "Eu Deus, caçada. Até que eu. Deu um clique para ir, quer? Caçada alaço é violência, Contra a mulher indígena. Aí eu passei e falava "Onde? Eu ia pra se falar disso, né?" E minha voa era uma das mulheres. E aí minha mãe ganhou esse nome de uma das vielas, da comunidade, tem o nome dela. E o outro nome que tem lá é meu, mas é o beco da Jurema. Ahahahah, que legal. Muito lindo. Muito bom. Jurema, vamos voltar um pouco. Você já contou o seu encontro com a Lélia. E aí em 1983 você fundou o coletivo Nizinga com a Lélia. Conta um pouco o que é esse coletivo. E como é que se enxerga isso hoje? Olha então, eu e Lélia. A gente viu que eu estava muito em PCN. Instituto de Pesquisas Cultura Negra que achavam de cute do movimento nele, e não é de adem. Alá, todo mundo, todas as tendências, sim é unho em PCN. Aí a gente sempre saía das unhões. Várias vezes a gente perde a novotação. Porque os homens tinham as práticas complicadas. Vamos ver outra coisa. Eles tinham maioria, eles tinham poder de fala muito grande e eles tinham pior de tudo. Pra mim que eu até hoje percebo. Eles ganhavam na. -Cama, que tá de volta. -Ele se aduzia mulheres. -Ele se aduzia as mulheres. -É, e aí eles ganhavam das votações. E aí, o que que aconteceu com isso? Elas viravam amantes deles, porque eles eram pretos, mas eles eram maioria das casas comunidades brancas. Aí, leria aflujante do dejeito antes, vai ter que criar um movimento de mulheres negras, papaitais escaras. Lelha, um dia, me chamou. Ora, a gente decidiu, a gente vai dar entrada, vamos legalizar o Niziga, o coletivo do Nizegras, e você é uma das fundadoras. Você assina aqui. [risos] Você assina aqui que a gente vai dar entrada. Depois de entrar, outras pessoas, Beth Viana, Rosalha Lemus. Aí, teve a primeira marcha de mulheres aqui. Foi passeada todo um 8 de março. Todo mundo de Niziga, uma ablusa bonita. Foi passeada assim, a gente deu as caras. A gente nem saiu de IPCN, mas IPCN não ficou mais ser o nosso foco, porque a gente sabia que ali a gente só pedia. E o homem sempre ganhou. Você foi coordenadora da sessão de formação política do MNU. O que você fazia? E você deu um pouco o contexto, da o do controle masculino, político, da hegemonia dos homens. Como você conseguiu fazer isso lá dentro? Eu era responsável por formação. Então, quando tinha reuniões de discussão, até nacional de formação, eu preparava o material para discussir a formação da perspectiva de mulher negra. Como é o questão do respeito? Como é a questão da misogenia? Que é muito forte entre os homens do movimento de muito forte. Sabe? E tinha uma questão de quando as mulheres não concordarem com eles, ouvia uma descostrução desde chamalas, pejorativamente, de sapatão. Como se a mulher não diverte direito, de usar o corpo dela do jeito que ela quer, de ter os abores que ela deseja ter. Com os homens, eu me lembro bem disso. E os homens que não votavam com eles chamavam de "móiola". Entendeu? Então era assim, era uma aí, quando eu fui logo para onde. A comissão de formação. Eu levava todas essas coisas que eu vivi, inclusive da minha vida pessoal. E eu comecei a ler muito. Uau, eu gosto de ler muito com a de psicologia também. Eu lia muito, livi o humano e tudo. Na formação, eu. se tava livros, se tava situações. Desde violência física, a violência efetiva. Que ela abandonou. Pra mim, não existe. Pra mim, uma das maiores violências. A violência da abandono. A estrada da mãe solo, né? Uma coisa gratuito. É uma coisa de decisão do homem negro de não querer assumir uma preta. Tanto que a maioria das mulheres que são mãe sólos, são mulheres pretas, né? São mulheres pretas. E aí é uma coisa que na formação, eu trabalhava muito isso. Tava lá, eles ficavam assim, escritiu, anotavam. Se levaram uma vida deles, não sei que. Só sei que eu falei. Não é importante. Agora uma coisa curiosa. Eu quero saber como é que você tem conciliado a tua experiência de mulher evangélica com a perspectiva feminista, como ser lida com isso. Acho que é uma coisa muito importante, né? Muitas mulheres nossas hoje praticam, né? Mas tem mulheres como você, como benedita, que também. Professam essa opção religiosa. E são feministas também. Sim. E progressistas, né? Desqueda. Como é isso? Como essa coisa toda? É então. Eu, na verdade, quando eu comecei minha vida, eu não era cristã. Prontestante, né? Eu tinha um exacessor que já era vereadora. Eu tinha um exacessor que me levava para jogar bussios, fractava com o canomblé, com a banda que minha mãe veio de um banda. E eu fui em ser mexionica. Minha mãe até brincava comigo e falou assim, "Lavae a Jurema, vamos barcuba a japonesa dela." Porque também é espiritualista, né? Mas ele já é o espiritualista. Minha mãe ela nunca se meteu. Ela é uma pessoa assim, vive e deixa viver. E eu aprendi muito com ela como ser cristã. Não persegui. Quando me convertiu, primeiro fui para uma igreja bem tradicional, que era a igreja nova vida da família Macalister. Mas logo depois eu fui para metodista. A metodista aí, a prejiteriana, é bem mais aberta, né? Então assim, não tem perseguição religiosa com as pessoas. E o que me deixou bem a vontade, porque se não, não é isso, tá lá. O grupo que eu frequendo na igreja, nós são todos esquerda. Nós temos um grupo de mulheres negras evangélicas. Todas de esquerda, as mulheres negras evangélicas são mulheres que não são religiosas. Elas são espiritualizadas. Você sabe que existe diferente de religião e espiritualidade. Então, a espiritualidade é que deixa você fluir. A espiritualidade é que deixa você ver o outro como ser humano, que nós somos, como de da Bíbria, mais próximo como a de mesmo. E a gente vale, não tem desde aqui. Na Bíblia, se alguém colocar 10 de quê é terrado? Então, a gente tem vários grupos que estão fazendo a releitura da Bíblia, trazendo por nosso lado, que somos nós, que Cristo branco é esse, onde nasceu. Então, isso tudo são questionamentos que a gente vem fazendo. E assim, eu amo benedito, né? A gente se encontrou nessa história. Benedito também é para a espiritualidade. Eu fui a ser mulher, né? E agora, já muito que eu era para a espiritualidade. Agora que você está falando a benedita, conta aqui para a gente, por que que você optou para entrar na política e um pouco essa sua experiência como política, no espaço político, como uma mulher negra e evangelica. Foi natural. Imagina, isso é uma da Silva, né? Da que significa a propriedade D, né? Da Silva. Então, a política sempre permeou pela questão da. O poder econômico do poder da Terra sempre foi um espaço masculino. Eu filhava da Rai Mundo do Sousé. Meu pai se llamava "seba a ser batista", mas a polícia dele era Zé Macaco, porque ele era muito preto. E eu era chamado de caquinha. Agora, filhava de Macaco, então era caquinha. Macaquinha. Quando é que eu ia pensar que um dia eu ia ser política? Aí começou essa luta toda, que aí eu veria militante do movimento da Associação do Moradores, um movimento procrache, um movimento quanto a violência policial, um movimento de comatio em racismo, um movimento em defesa das mulheres, um veria militante de tudo. Começaram a me botar para falar em tudo, que eu sempre gostaria de falar. Nota-se, né? E aí, tudo as pessoas, Jurema, foi criando naturalmente uma representatividade, com as atividades que eu ia fazendo. Aí deu a hora de sair candidata. E aí, foi assim que eu me tornei uma pessoa pública. Você foi presidente da Comissão de Direitos Humanos, nos anos 1990. E você investigou uma das situações mais difíceis, que se viviam lá, achacina da candelária e duvigado geral. Conta como foi. E falo um pouco como evoluir o caso do Hermógenis, do Reinaldo. Então conheci o Hermógenis e me dói ainda o que aconteceu com ele. Fala deles. Sim, então eu era presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Câmara no Municipal, quando aconteceu achacina da candelária. E aí, como presidente, eu comecei a comatia a situação. E o Hermógenis era meu acessor de plenário. E o Reinaldo era devogado. Do nada, a gente foi, enquanto, até a campanha de Jorge Bitar. Passamos de eleacadido mentes, organizando a campanha, falamos sobre direitos humanos. Aí acabou, detarde, e foram me levar pra casa. Paramos no lugar para almoçar. Eles falaram, "Judão, vou na festa." Falei "Ah, é andando, cansado de ter discutido, pesando política, pesando postado." Ah, num goeto não, vou levar pra casa. Foi minha sorte. Se eu tivesse coetido, também tinha morrido. E aí, eu fui pra casa, de manhã, o irmão do Reinaldo me ligou avisando que tinha morrido. Eu não acreditava, foi uma coisa horrível. E eu falo "Dão, e não foi sorrinhado, bataram o Reinaldo e a Hermógenio devoliu. Que é isso?" E, bom, do disto-beramento dessa história. Todo dia, o irmão em prensa pecava. Eu sabia que tinha uma história de bicheros no meio, mas eu peitava. Uma coisa assim que eu não tinha era medo. O coisa não sabe. Todo eu falava "Qui aí matou meus acessores?" Foram os bicheros. Foram os bicheros. Aí, o piruíinha. Me chamou lá no lugar que ele tem que parecer um castelo. Eu fui, eu e Bette, minha acessora que manhou. Bette via, "Ele falou tipo assim, sabe? Eu ofereceu tudo, dinheiro pra campanha." Eu só queria comparar-se de falar o nome dele no jornal. Quem tava sendo queimado. Foi um caroilhante, seu. Eu só quero que você me entregue, queimam atomas acessores. Só isso mesmo, eu resolvo caso. Falei, se você me entregar realmente queimam atomas acessores, eles vão pra cadeia. E eu não tenho mais nada pra fazer. Porque eu não tenho mais como devolver a vida deles. Uma semana depois eles entregaram. -Oa! -Mum cara. Só que. O que eu fiquei achando dessa história toda? Que não foi aquele cara. Porque eu tive que eu fui fazer a visita às presídias. Aí quando eu fui visitar o presídio, eu conterei um ser rapaz lá. Ele se faz violô no meu pé e falou "Dona, Jurema." Veré?
não fui eu, me pegaram pra. pra pato, eu não matei ninguém. -Motos piatórios. -Vicê que aquilo assistiu no peito, sabe? Aí eles foram contendo, eles foram ganhados no secundizante de cadeia, mas assim quando eles saiu, mataram o ítico. Só que nessa história, os meninos já estavam mortos, e aí eles tentaram colocar que foi um crime parcional, tentando tirar da questão política, que pra mim foi político, porque coincidentemente os dois da uma e a uma acompanhando. Na questão da chacina, na cada delárea, eu fiz reconhecimento com as crianças de quem foi o assassino. Eles falaram que matou, ficou por isso mesmo, né? Pra mim ficou por isso mesmo, porque realmente no meu interior, no meu íntimo, eu não acredito que ele. ou então ele não fez sozinho, entendeu? A outra chacina que nós acompanhamos foi aí, era assim, uma andata era assim, eu dormi com o telefone de gato lá. Meu telefone tocou 3,5h da manhã, era o presidente, de vigário ligando pra mim, que todo mundo tinha meu telefone. Jurema, vem aqui, aqui da comunidade tá acontecendo alguma coisa, tá uma carnificina aqui, a gente se encher de carne humana queimada, não sei quê, vem aqui, eu já ia me arrumar pra ir nisso, eu liguei um Ivanito de Santos. Vrei o Ivanito, o pessoal de vigário tá me ligando, dizendo que tá acontecendo uma chacina lá, pra eu e pra lá. E aí, Jurema, sabe o que agora, gente, tem? Tem nesse meio da manhã, tu vai ficar quietinho aí, que eu vou ajudar a fazer mobilização, quando claro, e a gente vai lá. Aí foi aí que ele fez. Tem mil divergência com ele, mas ele realmente foi muito bacana. Aí ele ligou pro suplici, pra bem redita, e quando deu 6 horas, a gente tava entrando na comunidade. Foi uma das cenas horríveis que eu vi, que com certeza, a pior foi a que aconteceu agora na Leimão. Mas de lá, que foi uma briga entre a polícia e os bandidos da área. Alguém, os bandidos mantam alguém da polícia. É o policiano, tem um trô pra se vingar. E aí, matar aquele bom de gente. Jurema, continuando ainda nessa sua trajetória política, como que foi ser eleita a primeira deputada estadual negra do Rio de Janeiro. E como foi você estar nessa comissão contra a discriminação? E como é que é esse espaço? Você estava já como vereadora, mas a assembleia é um outro lugar. É, inclusive, tinha uma briga que ela achava que era muito ruim pra ler, porque ela falava que lá, cida a cama, era difícil, porque tinha essa coisa das chavamílias, no estado era pior ainda, porque o estado tinha a coisa do interior. Porque elas pessoas olam do jogado, do anos de fazenda, aí era com isso, lhe dava lá todo dia. Eu fiquei nessa comissão, e intoleranças com relatas. Fui, inclusive, a pessoa, responsável para parecer sobre cotas. Porque as empresas aqui do Rio entram com o processo contra a cotas. E lá pela Lérgia, eu teria que dar para ser. E eu dei para ser favorável, a continuação das cotas não é ergem na época. E a gente conseguiu levar pro plenário, lotamos as galerias. Aí quando eu loto a galeria, a deputada tem medo de eu de botar. Aí a gente passou. Mas tem uma coisa pela qual nós não passamos, uma experiência sua em 2007, quando você presidiu a fundação da infância do lecência. E você tem projetos tocantes também, dentro dessa fundação que você liderou, o projeto Procuruminha Família acontece de minha gratuito via Lérgia, a casa de Sara, a vontade da pras mães jovens, como esses projetos se conectam com sua atuação hoje, e com os debates sobre as pautas do cuidado, que entrou na ordem do D. S. Dema e da reprodução social, que ganhar o grande peso no debate feminista atual. Então foi um. Quando eu perdi a eleição, o PT me indicou para a presidia fia, fundação para a infância do lecência. E lá a gente tinha muito problema com essa questão de filhos, de se reconhecer os pais, mais se reconhecer os baridos, e a gente como se trabalhar, eu fiz um projeto de DNA, a gratuito, foi aprovado, e muitos pessoas conseguiram fazer. Uma é conseguir achar os pais, outras conseguiram. Tá em vigor até hoje. E o outro caso de Sara, que trabalhava também exatamente com as suas mães solo, dava o apoio estrutural para as mulheres, hoje já tem muitas coisas, né? Mas naquela época quase não tinha, não. Então essa casa no casa meio que abrigo, e também trabalhava questiono de violência contra mulher. É também o abrigo. O abrigo que sofreu violência, né? Eu acho que se de falar quando eu era criança, minha mãe me deixou com uma moça. Então tudo acho que tudo tem por que, de você se envolver com algumas coisas. Minha mãe me deixou com uma moça, um casa, tomando conta de mim. E essa moça, o barido dela era muito. Não me dele era brucotuba, eu me dei, né? Deus. Ele é abusivo, malvado. Minha mãe deixou com ela em casa. E quando eu saludo a prisão, ele foi lá da minha casa atrás dela. O que ele fez? Pegou uma peixeira. Matou a mulher. Nossa, na sua frente. Na minha. Era criança, mano, sabe que assim que eu me lembro. Ele usou a minha camisola para tampar a boca da mulher. Foi um menicídio. Ele usou a minha camisola. Até hoje, olha, eu consigo lembrar. E eu era peipoquero. Conseguiu lembrar, eu acordo a minha camisola que era rosa, Conseguiu lembrar. Eles faqueando a mulher. Então, acho que todo. Acho que toda essa ganhão do uta. Foi tudo que eu vi. Você já falou bastante da sua mãe, da Lélia. Como que. Figuras de mulheres, né? Influenciaram você. Então, como você vê a sua influência para as meninas jovens. E o que você diria hoje para as mulheres mais novas? Para mim hoje, né? Tem muitos anos de militância, com essa muito nova vinha. Eu, enquanto muitas meninas, quando eu vou nos eventos hoje, Jurema foi também no meu Instagram também, bomba. Eles falamos sobre isso, né? Uma coisa muito forte é. Mas fica de data quando. E a outra é. Aprendi com você. Foi contigo que eu aprendi. O mesmo coisa que eu aconteceu com Lélia. Você foi aí. Tem umas jovens que eu fui no pé do segundo. Fazer palestra. Sempre era no vídeo de novembro, né? A gente fazia antes de ser oficial. É hoje quanto muito a exalunas que se miraram na minha história, na minha falas, pra se tornar imeditante do movimento deu, né? Ou seja, a gente reproduziu, né? E mas o que que você diz para elas, né? Primeira coisa. Pra sempre entender que nossos espaços vêm de hoje. Elas não iventar a roda, porque às vezes enquanto mais ias. Parece que elas iventar a roda. Muitas. Parece que iventar a roda. Ah, meu Deus. Mas se convite um pouco os anos, né? Já falando desse jeito que eu falo. Às vezes até mais decisivamente. Fiquei educada. [risos] Mas olha só. Eu. Primeira coisa é isso, né? Sempre entender que tem uma história antes de. Tem uma história antes de nós nessa ali. Tem uma história que começou lá atrás com a Bidia, com um monte de gente. Tem uma história que começa com o Zumbina. - Zumbina! - Zumbina! Zumbina! Zumbina! Uma história que começa com o Zumbina é dar. - Danda-ara! - Aqual Fulha. Não dá minha filha. Não dá minha filha com muita rua, danda-ara. Sabe? Porque é muito ruim quando querem fazer um corte. Como se a luta começou. De 90 para cá. Tivemos de atos experimental do negro. A frente negra brasileira. E depois de uma história que ela fica muito forte com o Migo, com você, com Nélia, com o Benedita. Então assim, não vem me dizer. Aí eu fui. E nada. Gota! Gota, eu vejo a eles começarem a postar coisa. Ah, tô fazendo. Agora as histórias estão fazendo transição. E meu cabelo. Ah, já fiz transição, agora estamos. Quando a larguia quer piruca. Quando eu fui baguimada do Du, olha. Toda sexta-feira tinha que ir embora do Du. Quero um bloco que tinha. O originário do Iléia E. E era quem o João do Cruz no Rio de Janeiro. E ele tinha. Ele trabalhava a questão de percussão de músicas próprias, né? Falando da beleza negra, né? Até um pedaço Evante mancação Canta mais aglória de senegro De poderosos ancestrais O negro já viveu no catveiro Hoje vem de cor pinteiro Mostra a raça e evolução A Gui Barado Du, a arte é irmão A consciência é a nossa redenção Então as músicas eram assim, entendeu? E aí sempre tinha anualmente a noite da beleza negra E várias vezes eu fui jurada E foi muito engraçado que o menho estava muito feio Eu vou mandar minha foto de feia pra você Quando eu chego no Iléia, junto com o Léia Eu descobri que era bonita Falei "Ué, então eu sou bonita" Porque aquelas meninas que. Então, tipo, lá, parecem comigo. Agora, para terminar essa extraordinária entrevista, essa maravilhosa entrevista, conta para nós como tem sido emvelhecer para você. Como você tem lidado com isso? - Ó, muito engraçado, porque até os meses atrás, eu já pensava muito em isso, não. Aí, do outro dia, eu vi uma médica falando sobre o processo, a partir de 40, aí foi meu susto maior. - Queria partir de 40? - Eu estava atrasada, aí para pensar. - Meu Deus! O tempo a partir de 40, ela falou que acontece com o corpo da mulher, pode ser 40. Só militância, militância, militância, né? Aí, o que eu tenho? Eu tenho problemo joelho, arterose, já é da idade. Toco cataraca, tenho que fazer cirurgia, porque eu todo mês eu adio. Seria agora de janeiro aí, o netinho da lencasa, o seu netinho já é do Benjamin, e tem uma neta chamada "Lijoremo". Aí está, "Lijoremo" está se ensabe, está estudando o quilombos, faz geografia, está na UF, estudando o quilombos. Todo final de semana eu visito o quilombo, está na trilha, né? Como é que eu estou a me sentindo? Eu não tenho muita noção extra em isso, só nesse dia que eu tive um choque, que eu falei "bão, então meus hormônios, só que quando eu faço exames, não parece, não tenho nenhum problema hormonal, não tem problema nenhum, não consigo perceber a questão da idade que passou, quando eu vejo, na minha faixa tária muita gente já morreu, já perdia muita gente, minhas amigas que trabalharam com o meu gabinete, já morreram, eu vejo pessoas imbóra, aquela poeira onde ele se alucinda, no elevador, não sei de Deus, que vai descendo, vai ter descendo, adoram a apesia dela, ele levador de fides de Deus, aposia da heríza. E eu vejo isso, que as pessoas estão morrendo, né? Aí eu foco a edicilão, não fico não, aí eu falo como cristã falar, porque Deus chamou, e da hora que Ele chamou, porque eu não vou ficar pensando nisso, a minha filha brinca que a vivia, 320 anos, eu falei "ih, vai ficar mal tuzaleim, não dá não, mas aí eu não fio, aí eu ideia seguinte, é viver a vida um dia de cada vez, leve o contato o negócio pra vocês, eu sou de alcoólicos anônimos, nunca falo isso, mas hoje vou falar, eu sou de alcoólicos anônimos, até 32 anos, eu não vivia muito, eu comecei beber com 15 anos, aí depois eu descobri a cerveja, eu comecei a gostar de cerveja, no início eu não gostava, eu chamava "marga", aí depois eu tomava "chob", aí eu chamava "aguado", só sei que depois eu comecei beber desbrenacado, também por causa, essas questões afetivas, mal resolvidas, eu comecei a beber muito, e eu parei de beber aí o código anônimos, vai fazer 34 anos que eu não inger o alco, porque eu descobri que eu tinha independência química de alco, a adicção é quando você tem uma coisa descontrole, a unidade com substância, ou pessoas, entendeu? Então eu tenho adicção, então eu não posso unidar, a pessoa fala "ajudeu não me abriu, porque ela é crente, não, tem uma de gente que é crente, que é crente, eu não posso beber, eu não posso beber, muito a tudo, minha cabeça muda, eu fico compulsiva, quero usar mais, então eu sou de alcoólicos anônimos, vou trocar a ficha agora, de ter 50 anos, eu falo nisso, que hoje também, o alcoo-lismo eu estou muito em mulheres, pelo medo, pelo medo da situação, por ter impedido pessoas, então o alcoo-lismo aumentou muito, então, de existem, primeira coisa de emitir a impotência, eu sou importante, se eu impotente, o impotente é relacionamento também, porque se deixar fico pulgada, eu pulo! Se deixar eu pego ou pessoa e acho que a pessoa virou rei, não, hoje não, hoje é só uma mulher bem analisada, mas já tive essa situação de ficar em relacionamento dos abusivos, porque eu não queria abandonar muita pessoa, que a pessoa achou nem me queria, mas eu ficava virou, a virou conversa de comada, mas aí foi isso, hoje eu não bebo, por não poder, eu não posso exagerir nada contra o alco, é isso! Eu nem sei como agradecer, mas a entrevista desse tamanho, desse conteúdo, dessa experiência, a generosidade compartilhar uma vida tão incrível, tão exitosa, tão vencedora, tão corajosa, tão inspiradora para outras mulheres, eu espero que todo mundo que escute receba como um presente mesmo, né? É muito obrigado, fiquei muito feliz, muito obrigada gente, por ter te feliz, dovidos sua história linda, muito muito obrigada, muito obrigada gente, obrigada vocês, maravilhoso! [Música] A gente te agradece por acompanhar o escute às mais velhas, sigo podcast no seu aplicativo de áudio favorito, para não perder nenhum episódio, nas redes sociais da Fundação Tid Setúbal, a Roba Fundação Tid, da Rádio Novelho, a Roba, Rádio Novelho, e do Geledés, a Roba Portal Geledés. Você pode repercutir o podcast, deixar comentários, elogios e críticas sobre as entrevistas. Escute as mais velhas, é um podcast da Fundação Tid Setúbal produzido pelo estúdio Novelho. A coordenação em produção são da Ashley Kauf. A direção criativa é da Paula Escarpim e da Flora Tonto, o Devo, e a direção executiva é da Marcella Casaca. A gerencia de produto é da Júriana Iegger e da Bia Ribeiro, que também cuida da distribuição e audiência. A coordenação editorial é da Evelyn Agenta. A montagem dessa entrevista é de Evelyn Agenta. A sonorização deste episódio é da Julha Matos, a mixagem e da Mariana Leão. A trilha sonora original é da Estela Nesrini. A identidade visual é da Larissa Ramos. A coordenação de ilustração e design é do Gustavo Nascimento. E análise administrativo e financeira é da Taina Noguida. A checagem deste episódio é da Etel Kudinitski. A pesquisa deste episódio é da Marcella Garcia Correia. Essa entrevista foi gravada no estúdio trampolim, em São Paulo, e no estúdio rastro no Rio de Janeiro. A gerencia de comunicação da Fundação Titsetuba é a Fernanda Nobre. A Natalha Carneiro é a coordenadora de comunicação institucional em Gelerdes, Instituto da Mulher Nica. Eu sou o Felipe Carneiro e eu sou o Neca Setua. A gente se encontra no próximo episódio.
Podcast Summary
Key Points:
Jurema Batista, primeira deputada estadual negra do Rio de Janeiro, relata sua trajetória desde a infância pobre no Morro do Andaraí, criada por uma mãe empregada doméstica.
Sua conscientização política começou na universidade após um debate sobre racismo e foi profundamente influenciada pelo encontro com a ativista Lélia Gonzalez.
Como líder comunitária, fundou a associação de moradores, conquistou melhorias como luz elétrica e uma creche comunitária, batizada de "Niemandela" em homenagem a Winnie Mandela.
Co-fundou o Coletivo Nizinga, um espaço de organização de mulheres negras, e atuou na formação política dentro do movimento negro, combatendo o machismo interno.
Summary:
A entrevista com Jurema Batista, educadora, ativista e primeira deputada estadual negra do Rio de Janeiro, traça sua trajetória desde a infância na comunidade do Andaraí, criada por uma mãe empregada doméstica que a protegeu do mesmo destino. Sua conscientização política surgiu na universidade, impulsionada por um debate sobre racismo e, decisivamente, pelo encontro com a intelectual e ativista Lélia Gonzalez. Esse encontro foi um divisor de águas, levando-a à militância.
Como líder comunitária, fundou a associação de moradores, enfrentando machismo e repressão policial, e conquistou melhorias essenciais como a instalação de luz elétrica e a criação da creche comunitária "Niemandela". Posteriormente, co-fundou o Coletivo Nizinga com Lélia Gonzalez, criando um espaço autônomo para mulheres negras diante do machismo dentro do movimento negro. Em sua atuação no Movimento Negro Unificado, focou na formação política, introduzindo perspectivas feministas e discutindo questões como a misoginia e o abandono paterno, comuns na comunidade negra.
Sua narrativa é um testemunho de resistência, organização comunitária e luta contra o racismo e o sexismo.
FAQs
Jurema Batista é uma educadora, feminista e ativista negra, criada no Morro do Andaraí no Rio de Janeiro. Ela foi a primeira mulher negra eleita deputada estadual pelo estado do Rio de Janeiro.
Jurema Batista criou a creche comunitária 'Inimã dela', um símbolo de luta e resistência. O nome homenageia Winnie Mandela, destacando a importância de oferecer suporte educacional e comunitário, especialmente para mulheres.
Ela foi eleita presidente da associação de moradores de forma unânime pela comunidade, que reconheceu sua capacidade de liderança e articulação. Isso ocorreu após dificuldades em encontrar homens dispostos a assumir o cargo.
Entre as principais conquistas estão a chegada da luz elétrica na comunidade e a fundação da creche comunitária. Ela também teve papel decisivo na articulação por melhorias locais, como infraestrutura e direitos básicos.
O coletivo Nizinga foi fundado por Jurema Batista e Lélia Gonzalez para criar um movimento autônomo de mulheres negras. Seu objetivo era combater o machismo e a misoginia dentro dos movimentos sociais, promovendo a formação política feminista.
Ela relata que tomou consciência do racismo após um debate na universidade, o que gerou uma mistura de revolta e descoberta. Esse momento foi um divisor de águas, levando-a a se engajar ativamente na luta contra o racismo.
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