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Jornalismo Científico e Tolkien com Reinaldo José Lopes | Nerdologia 05

50m 43s

Jornalismo Científico e Tolkien com Reinaldo José Lopes | Nerdologia 05

A entrevista com Reinaldo José Lopes, no Neurodologia, aborda sua trajetória como jornalista científico, autor e tradutor. Ele detalha o processo de escrita de seus livros, como "1499" e "Darwin sem Frescura", explicando como busca equilibrar precisão acadêmica com uma narrativa acessível para alcançar um público amplo. Lopes compara sua experiência no jornalismo tradicional, com seu ritmo acelerado e foco em notícias imediatas, com o trabalho de divulgadores científicos independentes, que frequentemente constroem uma identidade mais próxima do público. Católico praticante, ele discute a relação entre ciência e religião, argumentando que a teoria da evolução não conflita com a fé quando se evita uma interpretação literal dos textos bíblicos. Por fim, descreve os desafios de cobrir ciência durante a pandemia, período que considera traumático devido à intensa polarização e às dificuldades em comunicar fatos em meio à desinformação.

Transcription

8660 Words, 48746 Characters

Portuguese
Olá, seja uma invindos ao Neurodologia, mas não é Felipe Guiredo, formando a história com o Núinça Podcast, ser o túbrio professor. Lembrando que você pode ouvir e assistir o Neurodologia. Você pode ouvir em todos os agregadores de Podcast e assistir tanto no YouTube quanto no Spotify. E hoje nós estamos aqui com o meu amigo reinaldo José López, ele que é formado em jornalismo pela USP, mestre e doutor em estudos linguísticos e literários em inglês, também pela Universidade de São Paulo. Ele foi editor de ciência e saúde da Folha de São Paulo. Hoje ele é reporter e colonista do jornal, autor de dez livros e um dos tradutores da obra de Tolkien no Brasil. Para mim, o principal ele não gostou do tempo principal, mas eu vou repetir aqui no ar, mas reinaldo muito obrigado pelo seu tempo, pela sua presença. Imagina, eu prazeria obrigado pelo convite, prazeria o Neonar Rave. Eu só fui contra o principal como eu te falei, porque. Tem muitos tradutores que já obra, tem que ser dignificado, mas eu. Mas você, nosso amigo, eu, eu, eu, eu, eu, eu por sossaco. Tá bom. Renaldo, eu quero começar falando dos seus livros, não do seu trabalho como tradutor, né? Você recentemente, você teve pelo menos três livros que foram bestseller, acho que a gente pode dizer isso, né? Você teve o 1499, Brasil, antes de cabral, depois o Darwin sem frescura, que você. Qual autorou junto com o nosso amigo Pirula? -Pirula, que judo, que judo, que judo. E você também escreveu o homoferox. Mas é, esse infelizmente não foi bestseller, inclusive eu costumo chamá-lo alto depressivamente, fazendo mal para o meu automáquete de homoflopados, porque esse realmente flopou. Caprichei muito, mas esse não deu. Mas os dois anteriores, realmente, de fato, para os padrões, a divulgação científica brasileira, venderam bem, venderam bem. Continuam vendendo bem, inclusive. Mas, ok, você, você. temos aqui segunda discurdência, problema que começou quente. Mas o meu ponto aqui é. Você é autor de livros que tiveram uma repercussão muito grande, inclusive de vendas. E como foi, como é o seu processo de escrita e de autoria de um livro, para equilibrar uma precisão científica, uma precisão do conteúdo, e ao mesmo tempo, um texto atraente e acessível ao ponto de se tornar um bestseller. Como você equilibra essas duas coisas? Acho que tem uns fatores muito imponderáveis, assim, tipo. Não sei se era o personagem do nosso Rodrigo, sobre o natural de Almeida, uma coisa assim. Isso, que. Isso. Tem um pouco disso, assim, eu acho também, porque depende de uma série de fatores. Primeiro, eu vou dizer que fazer um livro com essas qualidades que você destacou, de ser palatável, de ser. de equilibrar a precisão com o sabor do texto, é muito mais fácil do que fazer isso numa reportagem. Do dia a dia, num jornal, mesmo numa revista que você tem mais espaço. Por isso, sempre, isso é um fato de você ter espaço, cara. Você ter esse tempo de pegar o leitor pela mão e trabalhar com as analogias, trabalhar. Criar. Digamos essa lógica narrativa que te leva a explicar as coisas de uma maneira mais agradável e mais lógica, mais tranquila, fazer isso em livro é muito mais fácil do que no dia a dia do jornalista, de ciência, que é o meu caso, basicamente. Então, tem esse fator. Agora, no caso dos que foram realmente best sellers, eu acho que tem dois fatores aí, que são fatores diferentes para cada um. O meu com a CIS-199, que é sobre a pré-história brasileira, eu dei muita, muita sorte. Primeiro de ter a sorte de poder fazer o livro, porque eu ia fazer junto com um colégio, o Cloud Angelo, que é também um dos margens de ciência aí do Brasil. -Especialista em clima, inclusive. -Exato. -Abração pro Cloud. -Exato. Foi indicado pro Jabutia agora recentemente, com o livro dele sobre desmatamento na Amazônia, e ele saiu do projeto "Fiquei eu". E havia uma lacuna muito grande. Se havia alguns livros sobre o tema no Brasil, mas eram coisas muito curtinhas, mini-micro-introduções assim, ou eram coisas que eram pesadas acadêmicamente. Então, eu cheguei num nicho ecológico, que não tinha nenhum outro predador, digamos. E aí, eu ver. Milagrosamente, eu virei o T-Rex ali, então, deu essa sorte nesse caso. E o Darwin, eu não vou mentir. A Magica, você chama "Pirula". Não tem discussão. E, de novo, muita sorte de. Eu gostava do "Pirula como pessoa", como amigo, pelos vídeos que ele fazia. E eu não sabia se "Nóra descrever" seria um perereco ou não. E, na verdade, foi muito, muito tranquilo, porque ele cumpri os prazos da risca. A gente se entrou em muito "Nóra descrever" junto. E com o nome dele na capa, pronto. Vendeu. Então, os méritos são muito pouco meus, inclusive. Eu tenho essa manhã desgraçada, de auto-flagelação. "Cilício do Opus Deia". Eu sou católica de franças, quando eu deveria estar falando. De olhar as avaliações dos livros na Amazon e no Scooby. Em outras plataformas, enfim. E aí, eu vejo que muita gente, aparentemente, não gosta muito do meu estilo. As pessoas reclamam muito das piadas. E eu, de repente, tenho essa manhã. E, engraçado. Outra coisa que as pessoas têm uma percepção, acho que, inviasada. Ah, ele faz esse monte de piadinha para o texto ficar mais leve, mas, na verdade, só parece que ele está me chamando de idiota. Não, eu não faço as piadas para divertir o leitor. Eu faço as piadas para me divertir. -Pô, depois eu escrevendo. -O livro é seu. Pois é. E, pelo visto, tem saído pela culatura, em alguns casos. -Não. -Eu estou escrevendo mais dois. Agora, eu estou tentando puxar o freio de mão nas piadas para ver se as pessoas reclamam menos, enfim. É por isso que, aqui, no Nerdologia, a gente tem o caio, que ele que leu os comentários e ele filtrou, ele passa. É. Para isso, você precisa de pessoas assim. -Presa, hein? -Ele se mente, não tem verbo para isso. [Risos] Mas aí, você mencionou a questão de como escreveu o livro diferente de trabalhar na redação de um grande jornal. Eu queria aproveitar esse gângelo para fazer duas perguntas. A primeira é a sua carreira acadêmica, muito ligada ao seu trabalho de tradução que a gente vai falar. Mas, como você, profissionalmente, você se formou ali em 2001, você foi parar no jornalismo de ciência. O engraçado também é que fui para logo de cara, e eu nunca mais saí. Eu tive uma um breve ato em que eu passei dois, três meses trabalhando na época que existia uma ditoria de veículos, na folha de São Paulo, né? Fazer. Vamos fazer a resenha de carro, calma o que está saindo, fazer serviço para o pro leitor de como lidar com problemas do seu carro, etc. E eu não entendo absolutamente nada de carro. E passei uma vergonha, e briguei com chefe, e rapidamente foi posto descantei. E fora esse pequeno ato, o tempo todo fiquei em ciência, assim. Por algumas coisas meio também de sorte, o fato de que eu tinha realmente interés pessoal, quando eu percebi vestibular, eu percebiologia, medicina e jornalismo. Ao mesmo tempo, diferentes vestibulares passei em biologia e jornalismo. Me mati com lei nos dois, e acabei do fazer jornalismo, porque eu achava que. Em um instância do ponto de vista financeira seria um pouco mais recompensador, que não havia uma ideia idiota, como porque eu conheço. Tanto jornalismo com biologia, é uma imbescilidade, já que qualquer um dos dois seria muito bom financeiramente. Mas é o que eu fui fazer, só que eu mantive esse interesse, e continuei lendo, por conta, me atualizando por conta, acompanhando na época coisas como super interessante, que já eram uma das grandes referências de essência pop, no Brasil e tal. E quando eu fui tentar entrar como treinina, eu falei de São Paulo, eu tive essa oportunidade de cobriférias, de ficar no lugar de uma pessoa que tirou férias na editorial de ciência, passei no concurso, gostaram do meu trabalho. Eu, me apaixonei no primeiro, na primeira semana, e eu estava muito indúdido do sobre o que fazer no jornalismo. E falei, "Não, isso aqui, cara, isso, é isso." E aí eu me agarrei e feito uma crack atrás das oportunidades que aparecendo na área e continuem na área. É meio isso. A outra pergunta que eu queria fazer sobre isso é o seguinte. Aqui, por exemplo, nós temos o neurodologia que começou como um projeto, do jovem nerd com a atila, começou já bem estruturado, teve edição de profissionais, como o primeiro gaveta, depois de pessoal do sul de 42, mas a maioria das pessoas que nós conhecemos que faz divulgação científica, como perula, começaram ligando uma câmera ali no seu próprio quarto e tal. Trabalhar com o jornalismo de ciência e divulgação científica, porque é o que você também faz. Num grande jornal. O que você acha que são as diferenças ali? Não vou nem colocar avançar desistimidades, mas quem você acha que é diferente? Pergunto interessante. Eu acho o seguinte, tem uma coisa que é o ritmo do jornalismo. Então, primeiro, você está cobrando notícia. Você não pode se dar o luxo de falar dos temas, em grande parte do tempo, é menos dos temas que você apaixonado. Você tem que acompanhar o que está na criaça da onda, no catinha é de a ciência naquele momento, que está saindo nas grandes serviços científicas, os grandes debates, às vezes até os debates éticos, -Premino, prêmio Nobel. -Premino Nobel, a gente tinha tradição de, ainda bem, que as tradições não existem mais. Mas assim que saia, você caçar na lista telefônica, na que de uma época já tinha online, nos razões de Europa, e tentar ligar para casa do corretado do Nobel. Isso tenta falar com ele de madrugadas, as coisas horrorosas. Então, tem essas expectas da notícia do imediatismo, de pensar também, em termos de interesse público, de não ter uma visão tão educorada, tão assim, "Oh, a ciência, essa coisa. " Não, pensar que tem confito de interesse, que tem desgracice, que tem sacanagem, e tudo isso, e tentar contar para as pessoas sobre isso também, que também é importante. O que o governo deveria ou não investir em ciência no seu país. em outros países, brigas éticas e, enfim, tudo isso. Então tem esse elemento. E tem um elemento também de que, cara, ninguém leia quem está assinando a matéria. Mesmo lá, porque só tinha o impresso e não tinha internet, eu já peguei um pouco depois dessa fase, mas um pouco na transição. Ninguém está sabendo que é saber quem é você, a jornalista de ciência. A pessoa está lá além do texto. Então é uma coisa um pouco muito mais, na verdade, em pessoal e mais dura e mais ticote. Por outro lado, é bom porque se disciplina um pouco para tirar um pouco o seu ego de campo. Mas então tem esse elemento que, para alguém como pômo o pirula, como você, como um pessoal do lado de seus elementos, muita oftaí, tanta gente boa que a gente conhece aí. Bem, ao mal você acaba criando uma identidade com a pessoa que está falando, com aquele personagem, que no jornalismo, tem um pouco disso se você é um âncora, mas no meu caso, eu nunca passei nem perto de você. Então isso é bem diferente também, olha. É, aquela coisa é, eu lino a folha de São Paulo. Lino está do São Paulo. Mas o reinal. As pessoas estão defecando, borenado. Tudo bem, às vezes. É a vida, mas. E aí, no início, quando você estava falando um pouco da origem do 1499, você falou que existiam pequenos livros, como, por exemplo, aquela coleção descobrindo Brasil, né? Exato, tem dois livros sobre o tema. Acho que é um do Carlos Fausto e um do Eduardo Guazneves. Exato, também. E um de São Baki também, que acho que é da Madu Gaspar, talvez, acho que são esses três que te. E ou então os livros mais pesados, acadêmicos, frutos de têige doutorado, e aí você fez um trabalho que digamos assim, busca condensar tudo isso. E aí, eu vou entrar no fato de que você é jornalista. Eu sou. Você é formado e trabalha como jornalista, eu sou formado em história e também trabalho como jornalista. E a história e o jornalismo são talvez dois dos mundos mais corporativistas que podem existir demais. Então, porque eu fiz exprâmbolo? Ao escrever um livro de história para o grande público, como um jornalista. Você sofreu com algum desses corporativismos, teve encheção de Sáclano, ah, mais um diletante querendo ficar de estourador, ou então encontrar, ah, mais um cara que não está sendo jornalista, ele quer ser acadêmico. Você sofreu com esse corporativismo desses mundos, que um pouco mais do lado da história, mesmo assim. É aquele problema, né? Se você sair do eistweeter, esse problema continuará, isso continuará a existir no mundo real. Então, acho que é um pouco disso. A gente vê, eu vejo isso, por exemplo, se tive lá falando com a atela sobre o livro, você vê alguns historiadores reclamando, se eu posto alguma coisa nas minhas redes sociais, você vê gente reclamando, mas da parte de acadêmicos, no meio mais formal, ou mesmo cara cara, dando essa porrada em mim, por enquanto não praticamente não aconteceu. Acho que também, assim, tentando deixar uma destra de lado, mas a pessoa olhar para o trabalho e ler ao que ele se propõe e o conteúdo deles que a pessoa vai compreender, você tem que fazer uma coisa decente. Espero eu. E aí, eu vou passar para uma pergunta que é, você escreveu, junto com o perulho, Darwin sem frescura, que é um livro sobre biologia e evolução. E você coloca o inclusive, no subtítulo do livro, eu vou ler como a ciência evolutiva ajuda a explicar algumas polêmicas da atualidade. Você também escreveu o homoferóx, que, embora você diz que é flopado, é um livro que também fala de evolução. É a minha obsessão, tentar olhar para a história da gente por esse prisma da evolução. E eu tinha colocado no meu roteiro, só que eu tinha comentado comigo, só vou fazer essa pergunta e se ele abrir a porta, você abrir a porta, porque no início você falou que você é católico. Eu sei que você é católico, eu fui criado católico. E aí eu vou fazer uma pergunta mais clichê possível, mas como um católico praticante que fala de evolução, de biologia, como você vê a relação entre ciência e religião, como você vê essa relação que nos últimos tempos às vezes tem ficado pouco amistosa, a gente tem visto, por exemplo, a retomada de movimentos como criaçãoismo, sempre sobre um vernisso, possamente científico, mas é religioso. Você é como uma pessoa que eu conheço, que eu sei que é genuinamente religiosa, como você vê essa relação? Pois é, eu acho que sendo católico, sei lá, eu posso dizer que eu sou católico, não sou bem o católico básico brasileiro, porque eu sou praticante, o católico básico brasileiro não é praticante, mas quase básico brasileiro, que não tem uma ligação muito forte com grupos, digamos, mais integristas ali, mais tradicionalistas, o católico que vai na igreja no domingo para assistir a missa e como um gá e beleza. Eu tenho número um liberação do chefe, acho que faz ele estar muito, as pessoas esquecem aqui, dizer que, pelo menos, desde os anos 50, uma distério oficial do papado, do pontificado, desde o papapildose, outra conservadora em alguns aspectos, abre essa possibilidade de enxergar a teoria de evolução como uma interpretação legítima da natureza que não conflita necessariamente, dependendo de interpretação que você vai dar para a teoria de evolução também, mas que não necessariamente se conflita com a doutina católica. E isso foi, na verdade, se intensificando, tem um discurso famoso, João Paulo II, também, bastante conservador nos anos 90, para a academia de cincis do Vaticano, reconhecendo que havia muitas evidências em favor de teria de evolução, papapildosei também, papapildosei também, papapildosei também. Então, tem essa liberação e tem também, em termos de liberação do chefe, também, desde os anos 50, mais ou menos, na doutrina católica, a ideia de que você não deve interpretar a bíblia literalmente, que você precisa levar em conta a cultura dos autores originais, o contexto cultural, os autores originais, os gêneros literários, etc., que é uma coisa que, na verdade, é bem antiga, interpretação, não literal da bíblia, é uma coisa muito antiga na tradição cristã, mas a tração de udá, que é inclusive, desde, pelo menos, do primeiro século, depois de Cristo, você tem muito isso. Então, o problema da teoria de evolução, essencialmente, é a eleitura literal dos genes, dos primeiros dois capítulos, se você é de mídia que você não precisa ler aquilo como um relato histórico e científico, o problema, por fim, desaparece. E a minha visão é um pouco. é um pouco essa, reconhecimento de que ciência e religião são coisas feitas com propósitos completamente diferentes, que lidam com aspectos muito diferentes da experiência humana, e que um não tem como substituir o outro, porque algumas pessoas vão descordar fortemente disso, mas a minha visão, acho que é essa no fundo, no fundo. E dentro da sua prática religiosa pessoal, ou dentro da sua prática profissional, esses mundos chegaram a conflitar, você já teve, por exemplo, alguém que virou e falou assim, "Não, você não estiver falando isso, porque você católica?" "Eu não, você não pode falar disso, porque isso é doutrinação, alguma coisa assim, muitas vezes." Eu ainda tenho um blog que veio agora com a Luna, 15 anos, na Fórica que se chama "Darvin e Deus", nos comentários já me chamaram das duas coisas, de um ateu do bico doce, que eu me fingio de ser religioso, mas eu ainda sou ateu pra lentamente desencar minhas ouvelinhas, e de padreco das duas coisas. Então é direto, uma terria que eu fiz uma vez pra super interessante, sobre a figura histórica de Maria, de nossa senhora, eu nunca falo a Virgem Maria, falo nossa senhora, então é uma vez que alguém falava "Ah, mas nossa senhora é sua, não minha, pera aí, nada", discussão, mas enfim, de falar que provavelmente a interpretação histórica mais, digamos, lógica e sem força o texto, é que Jesus teve irmãos e que também teria sido filhos dela e não de outro casamento de José, por exemplo, ou os ciprimos, que é a interpretação catórica mais comum. Os católicos eram bem pesados em cima de mim, mas assim, se tem uma coisa que eu sei que nossa senhora não quer de mim, que eu minta pra ficar bem na fita, porque ela não precisa disso. Então é um elemento de energia intelectual básica que entendeu os fatos e aceitar os fatos, enfim. Falando ainda da salbra, mas mudando o foco, você e o pirula publicaram o "Darvin sem frescura", foi 2019, né? - Que isso? - Foi assim, quase na boca do gol da pandemia, um. - Um, um, um, um, um, um, um, um, um, um, coisa de um ano depois menos até. - É, acho que, acho que 100 meses, 100 meses. - É, uma coisa, sabe? Eu lembro disso porque quando vocês fizeram o lançamento do livro e tinha aquela fila que dá volta no quarteirão, coisa muito bonita de se ver, é uma das últimas lembranças assim de um grande evento que eu fui antes da coisa desandar, antes das férias ali de fim de ano. E você, escrevendo na folha de São Paulo durante a pandemia, né? Como foi ser um jornalista de ciência nesse período? - O profundo, um nome de traumático, assim, acho que foi a pior. Uma das piores, talvez a pior fase da minha vida, assim, tudo profissional e no profissional e no pessoal, como de defalsão. É terrível, é terrível porque a gente já estava vindo, acho que se desenhar essa coalizão que eu costumo desiginar, né? A coalizão atual da política, da Jopolítica Mundial, como é que é tapado os malucos e canalhas. Essa coalizão já estava se formando. E ela ganha uma força. brutal justamente no período pandêmico e se torna praticamente uma armadura ideológica em que você não acha brechinha nenhuma para tentar enfiar a flecha dos fatos ali no meio e a gente fica com um alvo pintado na testa, assim. Só não foi pior porque de novo, que eu te falado, aspecto de despecializado, jornalismo nesse sentido, a gente fica um pouco menos exposto. Mas mais foi terrível e assim. O problema é. A gente tem visto algumas iniciativas, algumas ideias, até a pesquisa científica mesmo para ver o que fazer para tentar mudar esse cenário do ponto de vista da comunicação científica. Mas é muito difícil, né? Então é dificuldade de enxergar a luz no fim do túnel, que é muito acabruinante para a gente mesmo. Continua a 100, eu acho. Pensando nesse pós-panemia, digamos assim, nesse trabalho durante a pandemia. Como você avalia o impacto da pandemia no debate público sobre ciência no Brasil? Porque na pandemia, algumas pessoas, como você falou, alguns malucos, tal, eles se desnudaram completamente. Movimento antivacina, e aí o que é contra a vacina da Covid, porque a vacina foi devolvida na pena seis meses, hoje está resultando, e aumento de caso, de sarampo. Doensas que haviam sido completamente. É praticamente completamente erradicadas. E por outro lado, nós temos pessoas que passaram a, talvez, valorizar mais a saúde, o sistema público, do saúde, o processo científico. Qual o seu balanço, você que esteve trabalhando com isso no período todo? Ah, é difícil. Não sei se é simples fazer um bal. Assim, acho que se for pretendente tentar olhar para o lado positivo, de novo, é uma coisa que já estava engatinhando antes da pandemia que ganhou força. Eu acho que dá para dizer que, finalmente, uma massa crítica do meio acadêmico brasileiro percebeu que precisava falar com o público amplo. E quem já estava fazendo isso, as poucas pessoas nesse meio que já estavam com essa. Com isso, na cabeça, ganharam uma relevância. Muito maior. O caso do Pirula, o caso do At, o caso da Mela, e do outro, ao lado do Rio Grande do Sul, das minhas, nunca vi o cientista, muita gente conseguiu. ter essa massa crítica para realmente avançar graças a isso. Então tem esse lado positivo. Mas o problema é que a discussão política. É aquela coisa. A gente sabe que não dá para fugir da política. A política é um fato da vida humana e empregue nas coisas mesmo. Mas tudo virou uma base para a política tribalista. E a gente não conseguiu sair disso ainda. E quando a gente vai conseguir ser que vai conseguir sair. Então é muito luz de trevas assim, juntos, bem complicado. E aí agora a gente começa a transicionar da suas esferas de atuação. O que te motivou a ir trabalhar com tradução, a pesquisar tradução? Comunite, falou, você é mestre e doutor em tradução. Você não. Eu já fiz frila de tradução jornalístico, mas aquela coisa é que ele é bom de inglês, pode fazer ele traduz. É muito desnobido. Mas como você. Qual fosse o processo de se jorrem querer se aprofundar a nicho em fazer mestrado, doutorado e tudo mais? Assim, no fundo, no fundo, eu sempre falava, desculpe, se fa rapada para poder ler mais Tolkien. É, só um. Um tendo evel cobrindo o plano maligno de "ah, vou ler mais Tolkien". Mas assim, eu tinha me apaixonado pelo universo do Tolkien quando eu estava no começo da graduação. Meus vocês 98 quando eu li o seu marilho em inglês pela primeira vez. Foi primeiro o livro que eu consegui pegar na mão e gamei de. Se ler o seu marilho antes dos outros? Sim, sim. Até o livro da minha vida até hoje. Esse é Hardcore. Ah, mas é muito. É que tá. Eu já li achei que se pira inglês. Então. Tá liso. Ok, melhor. Tá liso. Então eu gamei. E eu queria. Como eu estava nesse processo também, de não saber muito bem o que eu ia fazer da vida no jornalismo, eu comecei a pensar num plano B de carreira, em certo sentido. E eu soube que ali do meu lado não uspe, a gente tinha uma professora, que é porque se tornou a meureintadora do mestado doutorado, a Lenita. Que vida a Lenita um beijo pela Santa Tiva, a gente tinha a Lenita piseta hoje, que tinha traduzido o Hobbit e o Sir Desanés. E falei, "não custa, vou conversar com ela, vamos ver que pode sair daí". E eu também sempre tive muito prazer com o tradução. E o fato. E aí, tipo. Ela lita uma santa porque além de tudo, desde o começo, eu deixava claro que eu tinha algumas críticas ao trabalho dela. Porque você foi aquele clássico. Nerd, fã do negócio, que chegou e falou, então, "ech-le". Pois é, exatamente. Exatamente, ela aumentava, né, cara? Porque eu senti. Quando eu pegava os textos em inglês, comparava. Depois eu fui comparar com os textos dos centros de transiting português. Eu senti alguma coisa que faltava que faltava. Que a linguagem doutou que ela tinha umas complexidades, que a tradução no Brasil, embora fosse muito competente, muito desaspéctos, deixava de lado. Eu queria trabalhar justamente com isso, com esse nexo, então, entre o texto em inglês e o texto traduzido. E foi a partir daí que eu comecei a fazer meu trabalho. Foi a linha que eu mantive. Primeiro, no meu sábado, foi mais prático. Foi pegar um livro dele que não tinha no Brasil e traduzir. E não livro com vários textos diferentes. Tinha poesia, tinha conto, tinha até a peça de teatro. A única peça de teatro que ele fez na vida, né? E fez essa coisa mais prática, aí no doutorado, foi pro lado mais teórico. E eu mantive essa linha ao longo da trabalho acadêmica. Você falou dessa questão do gancho narrativo, do nexo, tal? Essa é uma coisa muito interessante porque assim. Eu queria que você explicasse para quem tiver nos ouvindo ou nos assistindo. O seu trabalho, quando você vai interpretar uma obra literária, que é um universo próprio, assim. O camarada criou idiomas. O Tolkien era um linguista que criou idiomas. O quanto do seu trabalho é tradução e o quanto do seu trabalho é interpretação. Porque você tem que trazer isso para um leitor brasileiro, de outro idioma diferente do que ele escreveu, não é simplesmente jogar num app de tradução, num ia de tradução. Então, como é essa questão de tradução e interpretação? Então, as coisas não fundam, as coisas não são separáveis. Esse que é o grande lance. Você sempre, quando você está traduzindo, é um ato de interpretação e de recriação. Isso é inevitável. Agora, o que eu tenho que fazer entre muitas outras coisas, assim? A vantagem que o Tolkien deixou muito material para a gente além do texto das histórias, em cima. Ele deixou textos e palestas sobre temas literários das coisas que eram as obsessões dele. Ele deixou um guia de tradução em que ele vai literalmente falar nome por nome de personagens e lugares de o Senhor de Zanez e comentando as origens de cada coisa. Então, você tem que levar em conta lógico. Isso é muito nerd. Não, é absurdo, assim. Aquela coisa completamente obsessiva e ali é uma visão do micro. É muito assim. É olhar a palavra por palavra mesmo e a história de cada palavra. Essa coisa de falar que palavras são. eram instalagmites para ele. Começavam lá no teto da caverna com uma grosura. Tenho essa história da palavra. Então, além da história daquele mundo, da lógica daquele mundo, pensar na história de cada uma dessas palavras, que aí sim ela sai desse mundo porque elas são palavras que, em grandes. Fóra as que ele criou em Elf, em Anânico, em outros idiomas, são palavras que têm essa história no mundo da língua inglesa e que, às vezes, voltam para antes que a língua ingleses existisse, voltam lá para o protôndo europeu e que eles sabiam essa história. Então, em pensar nessas relações, para ela, para ela, como português, na variação linguística também, porque isso proprutou que é muito importante que ele mistura de aleto rural da Inglaterra com o que seria o Cockney, o de aleto urbano, os trolls do Hobbit, eles falam com o de aleto Cockney, que é o de aleto urbano, toscão de Londres, por exemplo. Ou uma linguagem que é mais bíblica, uma linguagem que evoca nos poemas, o tipo de métrica que é usado no poema Belf, que talvez tenha mais de mil anos de existência, que eu estou a que estudava muito. Então, pensar nesse monte de variação e como reproduzir coisas parecidas, não 100% porque sempre sempre tem possível, mas coisas parecidas em português. Em um último elemento que a gente tem gente que fica muito bravo, mas que eu acho que vale a pena, se você está lidando com o texto traduzido, esse texto não foi escrito em português. Então, ele tem que ter alguma coisa de estranheza pra marcar, que esse texto não foi escrito em português. Ele parecia sedir mais com uma coisa que alguém sentou em 2025 no Brasil e escreveu, tem alguma coisa errado. O ponto de vista, meu e que tem, obviamente, com base em teorisa tradução, que tem teóricos da tradução que defendem essa abordagem, que é a abordagem extranjeirisadora. E algumas pessoas vão reclamar, mas eu acho que, para uma obra tão específica quanto é do Tolkien, é o certo a ser feito. Antes de a gente debruçar mais em Tolkien, uma pergunta aqui, de certo, uma pergunta um pouco lixema, novamente você é o autor de dez livros e se já traduziu que sete livros do Tolkien, acho que não mais, mais. Agora, a gente vai fazer a conta que a gente vai demorar, mas acho que já passou dos dez também. Já passou dos dez. E você traduziu o Hobbit, o Silmarilion, quer dar de gondolin. Não, eu disto que o Hobbit, o Silmarilion, porque assim, se você pensar a trilogia principal dele, você traduziu dois. Isso, não é? Então, tudo bem que somar os dois não chega no gelo do Tolkien? -Tudo bem. -Com o seu trabalho de tradução influenciou o seu trabalho de autor. Cara, que pergunta. -E acho que assim, quem pergunta boa ou ruim? -Não boa, boa. Fiquem um pouquinho batucado, mas assim. Eu acho que teria que ampliar um pouco de trabalho de trabalhar com estudos literais e linguísticos. Acho que assim, mesmo escrevendo não ficção, eu acho que não tem como você ser um escritor, eu sou um escritor médio, médio, parrúmio, mas assim. O mínimo que você precisa para você ser um bom escritor é eleficção, blocamente. Porque de novo, aquela coisa de pensar inarrativa, em pensar em como contar histórias, em diferentes maneiras de olhar pro mundo e transformar isso nessa obsessão que a gente tem como ser humano, que é contar uma história. Então, isso acho que faz uma mega diferença e acho que. E aí eu vou ser um pouco mais polêmico, mas para escrever sobre ciência, ler muita fantasia e ficção científica, faz uma mega diferença pro bem, porque a gente esquece como ciência é um empreendimento em grande parte da imaginação. -Sim. -De você olhar para perceber estranhiza das coisas. E essa porta para estranhiza, a fantasia e ficção científica te dá muito. Eu vou até fazer um usar o seu gancho, fazer um pequeno alto jabá, porque aqui no Nerdologia, a gente tem um canal, a gente tem um vídeo sobre a história da ficção científica da literatura de fantasia. E como, por exemplo, Julho Verne inspirou os primeiros caras que vão tentar falar. Como é que eu faria para chegar de verdade na Lua? Não teria programa espacial sem o Julho Verne. -E o Edelwell também. -Sim. Então, a ficção científica foi importante, porque é o que você falou. Antes da descoberta, você tem que imaginar a descoberta. Isso que você falou, acho que foi genial, foi muito precioso. E voltando para o Tolkien, você mencionou a questão da estranheza, da estrangeirização. E aí eu vou tocar num ponto que quando saíram, quando saíram algumas das suas traduções, o mundo dos fãs de Tolkien, que é um mundo bastante diverso e como qualquer fenda, um item ali às suas polêmicas e tal, mas tem muita gente legal também. Tive uma polêmica ali pelas grafias que você utilizou. Você decidiu escrever Orques, que eu hevesse de com o C, e os goblins viraram gobeleins. -Gobelins. -Essa foi algumas das polêmicas. -E os anãos também, que também, pessoal, sempre. E veja anões, anãos. -Também uma coisa que você faz. -Por que você tomou essas decisões? E assim, conta um pouco para a gente como foram essas polêmicas, mas claro, não tomam mais divertido. Já passou a enxerção do saco. Não totalmente. Vou te dizer que não totalmente. Lembrando primeiro, isso é uma coisa que. Como foi a pessoa que acabou tomando um pouco a frente para defender a salógica da tradução nova nas redes, a pessoa começou a achar, "Não, é o reinaldo". Decisão coletiva porque a gente tem um conselho de tradução. Pelo menos cinco pessoas sentando. Não, na época era meio online, é o WhatsApp, elas, essas coisas para conversar. Então, uma decisão que foi tomada em conjunto. Inclusive, quando eu começou a dar o problema, eu quase que quis voltar atrás, por exemplo, nos orques, eu, por mim, já tinha voltado atrás. Eu tinha voltado atrás e fazia muito tempo. Mas não é seu seguinte. Você pensar na lógica das palavras, de acordo com aquele guia que eu tinha mencionado do Tolkien, que é o guia que ele deixou para explicar como então seria a maneira de traduzir uma série de termos. E a lógica dele é basicamente a seguinte. Se a palavra está em inglês no original, então, os nomes, o pessoal fica comunicando, "Ah, então, em vez de ser agar, e em vez de ser galadriel, vai ser galadriel." Não, porque esses nomes estão em elficos. Os nomes é elficos, a gente não mexe. Os nomes, as línguas dos anãos, a gente não mexe, tudo mais. Mas o que está em inglês, você deve traduzir ou adaptar phoneticamente para o idioma "de chegada". Você tem de uma de partida que é original, o idioma de chegada é o português. Então, ponto. Estas três palavras, então, "Dwarves, goblins, orcs, são palavras em inglês. O Tolkien não criou, e isso é interessante de lembrar também, pessoal, acho que o Tolkien criou a palavra "Orc". Não, a palavra que já estava no inglês, é uma palavra pouco usada, mas que está lá no inglês desde o "Belf" que está mais de mil anos atrás. E que ele só. E o que é o significado original? O que é o significado original? Môncio, demonio, é uma coisa meio emprecisa. O pessoal tem, acho que tem a ver com Orcus, que era o nome do Ades, na traição romana, latina. Então, tem essa coisa que eu não está só meio infernal. E aí, então, no caso de orcs, de orcs e goblins, que são palavras que não têm uma tradição paralela, não têm cognatos, que é palavras com a mesma origem em português ao longo do tempo, a gente achou que seria o caso de. Então, a português é pensando em modificações fonéticas que poderiam acontecer em português. Então, uma palavra que, por exemplo, a gente esquece que a palavra "parque" é uma palavra originalmente francesa grafada com "pa" "rc". "Parque". Então, a estrutura de orcs é exatamente a mesma. Então, "c", lá, "que eu" e "e", inclusive quando Tolkien está falando de orcs na tradição francesa, ele usa com que eu "e", sem arrancar os cabelos. Essa é a tua curiosidade. Ele chegou a falar com o tradutor pro espanhol, eu acho que é da edição do Hobbit, na Argentina, ele estava topando "robitos". "Robitos". "Inspanhol". Ele topava de boa. "Robitos" rociam de um biscoito. Pois é, exatamente. Então, e goblins, goblins, goblins, inclusive, é um palavra que tem uma origem latina também. Então, é. A gente, geralmente, era gobelinos, talvez fosse cobelinos lá do grego. Então, é só, realmente, em vez de goblins, gobelim porque se encontro com o sonantau do BL, ele é raro em português. Ele só aparece em palavras de origem erudito, por exemplo, como se fosse, por exemplo, a palavra no blado, uma palavra de origem erudito. Então, ela, eu acho que é. Se, no caso, do "investianões", "anãos", é porque Tolkien, em inglês, entre aspas, ele é "roplural". O "uralcorreto" de "anão", que é do "orf", "d", "w", "a", "r", "f", e em inglês. É só botar o "s" no final. É do "orf", "f", "s", e ele. Só que ele teria que ouvir "s". Porque é um palavra também mais antiga, e pelas modificações fonéticas que seriam naturais numa palavra mais antiga, tendência seria mudar para "v" "s", eu até para uma forma mais diferente, então, ainda que seria "dwarro". "dwarro". Com "r", "r", "r", "o", "dw" no final. Então, a gente pegou um plural, que não é usual, mas que está adicionalizado. Então, "anão", as pessoas querem que a língua complexa. Então, o plural "anão" é aceito em português. Ele é só pouco usual. E a gente escolheram, então, para dar justamente o mesmo senso de estranheza que "dwarro" com "v" "s" dava no inglês para o português. Você me ensinou com Tolkien, chegou a ter contato, com um tradutor dele na Argentina. Infelizmente, recentemente, faleceu o "Christopher Tolkien", filho dele, mas o "Christopher Tolkien" foi muito exeloso com a obra do pai, publicou muita coisa. Ele fez parte da produção dos filmes e tal. -Tinha. -Mas dos filmes não. -Ele não parte de a obra. Então, agora é um neto, que é o Simon, que ele está ligado a série "Ned Poder". -Ele sim. -Mas o "Christopher Tolkien" inclusive, "Christopher Tolkien" -O "Dia" dos filmes do Peter Jackson. -Adiado. -Adiado. Eu não sabia disso, porque ele fez o comercial daquela empresa, daquela companhia aérea, da Nova Zelândia. Ele se vestiu de "robete" no comercial. -Eu acho que não, cara. -E enfim. -E enfim, mas. -Ei, sim. Os netos, temos biznets, tem um. Galera da Família, que é bem mais aberta, mais o "Christopher Tolkien". -Tá. -Então, por isso que eu já esperamos um setor. -Pero um setor. -Eu já termo "Zeloza". -Não sabia disso. -Ele não sabe do filme, parece disculpas. Mas a minha pergunta é esse processo de tradução que você teve. Ele precisou passar por uma revisão, aprovação da família, do Tolkien, da editora original, algo assim. Tem um processo que é, basicamente disso, porque a nossa editora no Brasil dos livros agora é HarperCollins, que é justamente a mesma editora do Reino Unido, que tem contato diretamente com o Tolkien State, que é o espolho, né? -Sim. -Que é a empresa, que é o espólio literário do Tolkien. Então, sim, teve esse processo. Inclusive, o "Christopher Tolkien" viu a edição do Silmarílio, disse que estava muito bonita e autografou para o editor da Harper lá na Inglaterra. -Porque acho que é o "Christmiff", que é o que é a gente. -Mas ele não teve contato direto. -Direto? -Não, não. Porque já estava muito velhinho, ele sempre foi muito recluso, então. -Tá. -Entendi. A gente vai começar a caminhar a princesa-amento, mas ainda tem duas perguntas sobre o universo Tolkien, até porque eu tenho certeza que muita gente que está ouvindo a gente quer saber sobre isso. E uma. eu juro que a intenção aqui, não é intenção do Nerdologia, nunca não é buscar polêmica. Eu queria saber, realmente, a sua visão sobre isso, ser um pouco sobre isso, mas o Tolkien era um homem inglês, davirado do século 19 para o 20. -Ele é do Ardeano, né? -Ele é do Ardeano. -Ele participa. ele combate na primeira guerra mundial, inclusive toda aquela destruição dele vai inspirar um pouco a visão dele sobre a indústria, né, que a gente vê na obra. E naquele momento, o reenunido, o Sol não se põe em ano em pé do britânico. Então, ele vai usar as vezes algumas referências, como os homens do Leste, essas coisas. E aí, hoje, é importante mencionar que ele também era naquele momento, posteriormente, uma ativista contra a partaide, já que ele tinha origem sulafricana, parte do Leste. da origem dele. Onde eu quero chegar? Hoje tem um debate sobre esterótipos raciais e preconceito e uma visão Eurocentric-intokin. Qual a sua visão sobre esse assunto? Eu acho que não dá pra negar que existe. Eu acho o seguinte, tem esse elemento que deriva de uma metabolização inconsciente que ele tinha da ciência racial da virada dos séculos de um século 20. Dos esteriótipos que havia, até do conhecimento histórico, arqueológico sobre como civilizações se desenvolviam, então ele incorpora aí, e também do medievalismo. Ele pega alguns elementos, digamos, dos esteriótipos, dos moros ou mesos africanos que dava no literatura medieval que ele conhecia super bem e ele acaba colocando isso. Mas eu acho que esse elemento está lá. Eu acho que é inegado o que esse elemento está lá. É a gente tem que olhar para ele de forma crítica. Se não a gente vira justamente o que é o humano que está fazendo e o que falar "Ah, porque eu com o dado da enlaté, essa não é destruído pelos homens do leeste, os homens do sul e isso". Esse elemento de novo, acho que ele é inconsciente. Na visão consciente do Tolkien, e isso vai se tornando, acho que mais claro, para ele conforme o tempo vai passando. Então, quando os ternos anéis já é um sucesso nos anos 20, chamam o livro dele "Ah, porque tem uma inspiração nórdica", e ele responde nas que tem citar nas cartas dele. "Nórdico", não, essa palavra tem uma associação muito pesada com teorias raciais que são totalmente perniciosas e anti-científicas. O mundo da Terra-média é muito mais ampla que no esteriótipo nórdico. Ele deixa isso muito claro. Ele faz essa crítica ao apartheid, inclusive, na discurso de "Dispidida", ele quando ele está se aposentando em Oxford fala. Eu tenho esse ódio, a apartheid, de todos os tipos, no meu coração. Quando tentam publicar o Hobbit na Alemanha nazista e exigem dele um certificado de areanidade, ele falou, "Acho só que é um absurdo", a teoria racial nazista é além de ser desgraçada, anti-científica. É uma pena que eu não tenha sangue, Judeu, porque eu gostaria muito de estar associado a um povo tão talentoso. Então, tem essa atenção, realmente, entre os esteriótipos que ele absorveu e que às vezes ele usa. E o que conscientemente ele sabia e nunca mostrou, a gente não tem evidencia nenhuma de que ele tivesse a desão ao lado racista. E é terrível, porque na internet hoje, outros dias, eu estava vendo um short falando dele brigando com os nazistas. E os comentários lá, de pessoal, em inglês falando, "Ah, mas se ele tivesse na Inglaterra hoje, ele teria mudado de ideia". E não está de pessoalmente atravessar a tela e esganar a pessoa. E eu acho que um elemento muito importante da obra como um todo é justamente essa capacidade de seres diferentes, completamente diferentes, reconhecerem o bem uma na outra e se juntarem por um bem maior. É uma coisa, a amizade entre o legolas e o game-le. E tantas outras coisas. Então, acho que a gente tem que botar os pinhos nosize e principalmente não deixar que o Tolkien seja cannibalizado pelos tapados malucos e canálias que estão passando por aí hoje. E baseado toda essa discussão, como você viu aquela falsa polêmica, aquela diotia de ter um personagem, elfo negro na série, né, e do poder? É realmente. Assim, é a última coisa que as pessoas deveriam estar preocupadas, né? Aliás, o homem mais bonito, tudo bem que a Conquerência na série não está tão alta, mas disparado o homem mais bonito daquele elenco, justamente o elfo portoiqueio. Tem as feições, eles são completamente elficos. É só porque as de cor da pele do cara? Não faz o menor sentido. Como a gente tem que limpeu, vou botar mais uma pergunta de Tolkien aqui. Aí é uma vontade de pessoal mim, é o pessoal que lide com esse fico invés. Por quê? Tem cinco magos. Por quê a gente vê? Talvez tem a mais. Então, o humano, o Gandalf e o Radagast, quem são os magos azuis? O Tolkien, o número cinco é legal. Vou por mais dois aqui e esquecer o eles depois. Então, o número um, talvez, tivesse mais do que cinco. Isso é uma das possibilidades. Na verdade, os outros dois nem o Tolkien sabia, tanto que não ter o que ele usa, um nome pra eles, que eu acho que é Morinector e Romestamo. E depois ele usa outros nomes completamentifens, que é o Alatar e Palando. Então, nem ele sabia o que ele sabia entre aspas, e são coisas que de novo, em Graça Ali, vai ampliando o universo em resposta a cartas que se faz mandávamos. E aí ele começa tentando responder o que as dúvidas das pessoas ele vai ampliando. Mas o cenário seguinte, seriam dois magos que foram enviados pro extremo Leste da Terra-Média, que tinham como omissão, e justamente por território ocupado pelo inimigo, pelo cor ali das forças do Sauro, e pra tentar iniciar uma resistência contra o Sauro lá longeão. Lá longeão. Númeras versões do Tolkien falaram, provavelmente eles se foram derrotados e não adiantonada. E no outro, ele fala, "Não, é possível que eles tenham evitado que o Sauro tivesse chegado ainda mais forte, da terceira era. Então tem duas ações." Isso é uma coisa que as pessoas têm que ter muito na cabeça, sem ter essa visão Tolkien perfeito, que pensou em tudo, não sei o que, o que se é uma mudou de ideia ao longo da vida. Inclusive, depois dos livros já tinham sido publicados e feitos sucesso, ele tentou fazer o Dark Hobbit, que é escrever o Hobbit inteiro com o Tom Sjorsanés, o Tom Fantil, ele mudava de ideia muito, muito, muito tempo todo. E sobre essa questão de nomes, se você não sabe, procure o nome original do nome em élfico do marido da Galadriel. Não, falará-lo lá porque se não ele vai, o vídeo vai cair. Exatamente. Mas pra gente fechar, então, reinaldo, três perguntinhas finais jogo rápido. Primeira delas tem uma coisa, eu acho que você, você é uma pessoa que pratica muita humildade, católica, mas você tem muitas coisas dignas de nota, muitas qualidades e muitas coisas invejáveis. E uma das coisas invejáveis que você tem que ninguém mais vai poder fazer, você foi entrevistado pelo Jussuares. Sim, sim. Foi muito legal. Que foi o que era o. para os mais jovens, era o grande tal que se eu não sei. Estado no Jussuares era meio, tipo, "Zerei a vida", né? Ganhei. Quanto pouquinho desse noite pra gente? Como foi? Porque você tava lá, como foi. Como foi conhecer os Jussuares, etc. Então foi lançamento do meu primeiro livro que é o Andy Darwin, que ainda dá pra comprar o iBook pra apenas dois reais que a gente vem, curioso, que era uma coletana das minhas colônas sobre evolução que eu fazia na época que tava no J1. Eu fiquei três anos de jão e tinha uma coluna chamado "Vizões da Via" sobre evolução. E aí eu coletei e coloquei mais alguns capítulos inétidos e isso saiu o livro pra gente toda a globo na época. E acho que o que me ajudou foi o contato pelo Jão. Elan, necessitamente, quem que me ajudou a falar com a produção, mas aí teve uma pré-entrevista por telefone, produtor, ele gostou. Eu fui pra lá, era pra ser um bloco só. E aí as pessoas da plateia estavam empolgadas, não perguntas. Eu já falava "vamos fazer mais um bloco, vamos, foi dois blocos". Então fiquei quase 40 minutos. Lá ele foi muito sem poático, na época ele tinha livro eletrônico que eu não tinha, ele ficou "ah, aqui fica minha pauta, não sei o que, ele não sei como é que funcionava". Foi muito bacana. Passou na televisão, era quase três da manhã, e aí as pessoas. Eu estava com uma calça que era meio justa, e tinha aí que as pessoas começaram a ficar feitando na época no Twitter, que eu estava ali, digamos, excitado por estar em o jogo. Os amós bizarra do mundo. E nós temos muitos ouvintes, nas jovens, pessoas estão pra pressar o vestibular, estão no começo da faculdade, um período de muita ansiedade, que conselho você teria pra um jovem jornalista ou candidato à jornalismo. Nossa senhora, seu 1st senso era cortado, dessa pessoa. Ah, é difícil, não é simples. Mas que vale ainda vale o seguinte, conselho. Tem a densidade intelectual e curiosidade intelectual, porque o jornalismo, ele é, no meu tempo, eu acho que imagino agora, então, tem uma visão muito imediatista e muito superficial das coisas. Você vê ainda pessoas de grandes veículos chegando muito preparadas pra fazer uma reportagem, pra entrevistar pessoas. Vale a pena você conhecer assuntos em profundidade, vai fazer diferença pra você como jornalista, a mesma que você pude de um assunto pra outro. Acho que, em densidade intelectual, te ajuda a fazer a pergunta certa, na hora certa. Eu conheci um editor que falou, "Vanão, a reporta é bom, tem que ser burro." Porque ele faz a pergunta que o público que também é burro, na visão do cara, vai fazer. Acho que é absurdo isso. A ideia é que quem está assistindo ao Homer Simpson. Exato, exato. Do restem aposentado, ele andou, inclusive. E pra gente fechar, a gente pede uma dica cultural, um seu filme preferido, um livro que você quer recomendar, não pode ser Tolkien e não pode ser um livro seu. E claro, onde o pessoal pode te encontrar, pode acompanhar seu trabalho, suas redes, fica completamente à vontade. Vamos lá. Então, pra quem. Vou dar uma dica de fantasia também, mas já que não precisa ser Tolkien, quem quer conhecer um universo de fantasia com tanta densidade e qualidade literária e histórica antropológica, enfim, quanto o Tolkien procurem a série Terra-Mar da Ursula K. Leguin, que é maravilhoso. É de chorar de bonito, assim. E vale muito a pena. E também fale-se da recentemente, uma das grandes damas, aí da ficção científica da fantasia, e vale muito a pena. E minhas redes, hoje em dia eu estou no Instagram, o TikTok, que ele pareça sem dancinha, mas não dá. TikTok, tem um podcast sobre Tolkien, tava esquecendo disso. Quem procura um podcast sobre Tolkien mais ou menos na ativa se chama passos pela Terra-média e eu gravo caminhando com a minha catjoginha pelas hôs lá da Mercedes. Já estamos no episódio 30, quase no 30, pra sair, vai acabar a primeira temporada agora, então quem quiser dar uma olhadinha? É isso. E as redes do Instagram TikTok tá sempre reenaldo de zero. O reenaldo de zero. O reenaldo de zero. Então, espero que vocês tenham gostado novamente e vocês podem nos ouvir em todos os agregadores, podem nos assistir no YouTube, nos pode fazer. Compartilha o programa, espalha a palavra, muito obrigado e até a nossa próxima conversa.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Reinaldo José Lopes discute seu processo de escrita, equilibrando rigor científico e acessibilidade para criar best-sellers como "1499" e "Darwin sem Frescura".
  2. Ele compara o jornalismo científico em grandes veículos, como a Folha de S.Paulo, com a divulgação científica independente, destacando diferenças no ritmo, no imediatismo e na relação com o público.
  3. Como católico praticante, Lopes aborda a compatibilidade entre ciência e religião, rejeitando leituras literais da Bíblia e enfatizando que ambas são dimensões distintas da experiência humana.
  4. Reflete sobre os desafios de ser jornalista de ciência durante a pandemia, descrevendo-a como uma fase traumática marcada pela polarização e dificuldades na comunicação factual.

Summary:

A entrevista com Reinaldo José Lopes, no Neurodologia, aborda sua trajetória como jornalista científico, autor e tradutor. Ele detalha o processo de escrita de seus livros, como "1499" e "Darwin sem Frescura", explicando como busca equilibrar precisão acadêmica com uma narrativa acessível para alcançar um público amplo. Lopes compara sua experiência no jornalismo tradicional, com seu ritmo acelerado e foco em notícias imediatas, com o trabalho de divulgadores científicos independentes, que frequentemente constroem uma identidade mais próxima do público.

Católico praticante, ele discute a relação entre ciência e religião, argumentando que a teoria da evolução não conflita com a fé quando se evita uma interpretação literal dos textos bíblicos. Por fim, descreve os desafios de cobrir ciência durante a pandemia, período que considera traumático devido à intensa polarização e às dificuldades em comunicar fatos em meio à desinformação.

FAQs

O Nerdologia pode ser ouvido em todos os agregadores de podcast e assistido no YouTube e no Spotify.

Reinaldo José Lopes é formado em jornalismo pela USP, mestre e doutor em estudos linguísticos e literários em inglês também pela USP. Foi editor de ciência e saúde da Folha de São Paulo e hoje é repórter e colunista do jornal, além de autor de dez livros e tradutor da obra de Tolkien no Brasil.

Os livros '1499: Brasil antes de Cabral' e 'Darwin sem Frescura' (escrito em parceria com o Pirula) se tornaram best-sellers no Brasil, vendendo bem para os padrões de divulgação científica.

Ele destaca que escrever livros permite mais espaço para criar uma lógica narrativa, usar analogias e conduzir o leitor de forma agradável, sendo mais fácil equilibrar precisão e acessibilidade do que no jornalismo diário, onde o ritmo e o espaço são mais limitados.

No jornalismo, há um foco no imediatismo, na cobertura de notícias e debates atuais, com menos espaço para criação de identidade pessoal. Já na divulgação independente, é possível construir uma conexão mais direta com o público, criando uma persona ou identidade que engaja os seguidores.

Ele explica que, desde os anos 1950, o Vaticano reconhece a teoria da evolução como uma interpretação legítima da natureza que não conflita necessariamente com a doutrina católica, especialmente quando a Bíblia não é interpretada literalmente, mas considerando contexto cultural e gênero literário.

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