Go back

Infância e adolescência: o processo de cura na vida adulta

0m 0s

Infância e adolescência: o processo de cura na vida adulta

Transcription

16456 Words, 86841 Characters

Portuguese
Conheça as Apresentadoras do Podcast Chá das 4 Eu sou a Jéssica balucci e sejam muito bem vindos ao primeiro episódio desse podcast maravilhoso, feito com muito carinho. Chá das 4. Hoje eu estou aqui acompanhada das minhas 3 amigas maravilhosas clu e ponto, Ana bagunceira e Mario mortani, para a gente dar início a essa jornada que vai se tornar o podcast favorito de vocês, eu tenho certeza. Vocês querem se apresentar? Pessoa 2 Eu acho que é. Pessoa 3 Bom, né? O primeiro. Pessoa 4 Vamos, vamos nos apresentar quem começa? Pessoa 3 Ah, Ana, você já está pronta? Olha ali. Pessoa 4 Oi, gente. Pessoa 2 AI olhando para baixo agora e vendo. Pessoa 4 Gente, eu sou a Ana bagunceira. Esse é o primeiro episódio do chá das 4. Caso você não me conheça, eu trago bastante conteúdo sobre filmes e séries sáficas GLS tailandeses. Amo e a gente vai estar trazendo muita coisa interessante nesse podcast e é isso, caso você não me conheça agora, está conhecendo. Pessoa 3 Oi gente, tudo bem? Eu sou a lue.eu. Estou na internet faz um tempo. Comecei gravando vídeos de música e depois eu passei a falar sobre a minha vivência como lésbica. Eu falo bastante nas minhas redes sociais sobre representatividade LGBT na ficção e para quem quiser me conhecer, estou aí como Lu e ponto em todas as redes. Além de criar conteúdo, também sou roteirista, revisora, sou formada em letras e é isso. Estou muito feliz de estar aqui hoje com vocês para finalmente começar esse podcast. Pessoa 2 Linda? Bom, acho que só faltou eu. Então, eu sou Mariana mortani, sou jornalista, tradutora. Talvez vocês aí que leiam livros e saf já tenham lido algum livro que foi traduzido por mim. É, eu também sou. Estou aí na internet falando sobre livros desde 14 anos. Hoje eu tenho 27. E eu também sou coordenadora de conteúdo de uma produtora audiovisual. Sou roteirista. Então tem meu dedo aí em algumas produções que estão vindo. Pessoa 4 Por aí acho que dedo da Mari muita coisa, né, gente? Pessoa 2 Amo que a gente já começa assim, é sobre isso e. Pessoa 1 Sobre. Pessoa 2 O meu também no clube safrico, né? Vamos lá. Sou mediadora do clube safko junto com o Rui. Então estamos ali mensalmente falando sobre livros, saficos, debatendo. Pessoa 1 Que coisa linda. Bom, gente. Brincadeiras de Menino e Menina: Imposições na Infância Cada episódio vai ser guiado por uma de nós e a gente vai começar já com a mais sem noção, que sou eu. Eu não sei o que que aconteceu para as meninas me darem essa missão super importante, mas tudo bem. O tópico que a gente escolheu para começar foi falar sobre infância. E adolescência? Só de só de soltar essa já me dá até um negócio, entendeu? Calma, gente. Pessoa 4 Calma. Pessoa 3 Começou leve já, né? Pessoa 1 É, vamos falar então um pouco sobre a nossa vivência, né? É, a gente vem de cidades bem diferentes e Eu Acredito que a gente tem muita, muita experiência similar, mas né, em contextos completamente diversos. Então, vamos lá, eu a minha primeira pergunta, ela parece inocente, mas ela vai talvez desencadear um papo aqui interessante, que é o seguinte. É, vamos falar um pouco sobre a nossa infância, né? Vamos começar do começo, deixa eu. Pessoa 2 Raciocinar, esse é o problema. Pessoa 1 É não suspense, é o suspense. Eu quero começar perguntando o que que era brincadeira na infância de vocês e como que era essa questão da brincadeira de menino e de menina. Como que foi isso? É Na Na criação de vocês. Pessoa 4 Bom, a gente pra começar falando era uma merda, né? Porque assim a gente sabe que até hoje, infelizmente, ainda tem esse negócio de coisa de menina e coisa de menina. E acho que também não é uma regra para a sexualidade. Eu acho que não necessariamente, se você gostava de jogar futsal, de de jogar coisas que eram consideradas de menino, você necessariamente vai se tornar uma pessoa LGBT. Mas numa maioria, a gente pode dizer que várias crianças acabam se identificando. É de uma maneira diferente do que é imposto, né? E eu acho que é bem, isso é imposto na gente uma coisa, e a gente chega Quebrando Regras, a gente já chega chegando para a família assim dizendo, eu, você um problema na vida de você. Que não deveria ser, né? É, mas para mim foi tipo assim, tive uma família bastante machista do sul do Rio Grande do Sul, nasci numa cidade de 100000 habitantes e a minha família sempre foi muito problemática nesse sentido. É, mas assim, tinha uma prima minha, por exemplo, que ela não é lésbica e ela jogava futsal e não tinha problema ela jogar futsal, que é muito confuso, porque eu não podia jogar futsal. Mãe, eu sabia que você já sabia, por isso que você não deixava jogar futsal, tinha muito isso assim. Eu tive algumas liberdades assim de de brincar com, porque eu tinha bastante primo menino, então brincava bastante com eles, mas rolava muito. Essa coisa assim, tipo, já tá demais, você brinca de carrinho até aqui, agora eu vou te dar uma boneca de presente, vou te dar uma Barbie, aí deu 2 Barbies, você já sabe o que que acontecia perfeitamente, é, na verdade, quando eu era criança eu queria jogar futsal, minha mãe não gostava, não curtia que eu fizesse nada voltado para o gênero oposto, né? E. Então eu ela acabou me colocando balé, me colocou tocar piano, que foi a única coisa que eu gostei, que era a coisa mais amadeirada de todas as atividades. Pessoa 3 Era tocar piano, né? Pessoa 4 Era uma coisa bem amadeirada tocar piano. A minha mãe achou que, nossa, ela vai tocar piano clássico. Uma princesa, né? Tinha muito isso, e eu vejo que até hoje tem. E aí eu quero só abrir um parênteses de uma coisa muito interessante, que a hoje, por exemplo, a gente está em 2024 e. E eu tenho a nossa afilhada, ela está com 4 anos. Ela nunca teve o problema de brincar com coisas consideradas de menino de menina, mas quanto mais Ela Foi para a escola e conviveu com outras crianças, mais ela começou a dividir. Então ela nunca teve problema. Então a sociedade inteira começou a colocar na cabeça dela. Ela nunca teve problema com meu relacionamento com a Esther, até hoje não tem. Mas agora ela começou a questionar, porque eu não tenho um namorado, sendo que ela, desde que ela nasceu, ela conviveu comigo e com a Esther como namoradas. Então não foi os pais delas que que os pais dela que colocaram na cabeça dela? Porque a mãe dela, minha cunhada, é super aberta e já explicou 1000 vezes para ela que ela é que a que a gente é um casal e ela é nossa afilhada. Mas as outras pessoas da sociedade já estão colocando a escola, já está colocando na cabeça dela que o que que é de menina? O que que é de menina? E aí o pessoal veio falar que a gente que que quer enfiar a ideologia na cabeça das crianças quando já existe uma ideologia imposta ali desde pequeno. Então eu vejo que rola muito isso por eu ser de uma cidade pequena. Rolou também é. Mas eu acho que independente do tamanho da cidade, eu acho que, né, rola muito, mas assim não me impediu de brincar do que eu queria. Porque eu era revoltada, eu sou Ariana e diagnosticada com bipolaridade, beijinhos. Pessoa 1 Amiga, desculpa, gente, eu achei que era para eu jogar de novo. Como a Sociedade Impõe Padrões de Feminilidade Sim, sim. Mas eu só queria fazer um comentário para Ana, quando você falou do piano, amiga, eu comecei a tocar piano também. Os meus tios falavam, AI, você tem os dedos tão compridos. Ótimo para ser pianista. É uma atividade amadeirada. Pessoa 2 É. Pessoa 4 Muito amadeirada, amiga. Pessoa 1 O piano é muito específico. Pessoa 4 Acho que ele chega a ser mais amadeirado que o violão. Pessoa 2 Achei que eu não emocio não, porque realmente meus dedos. Pessoa 1 Eu achei também. Olha, é uma demonstração de maturidade de ela ter parado antes de fazer essa piada aqui. Eu não tenho, eu não tenho. Pessoa 2 Que é ótimo. Bom, no meu caso, eu acho que para mim as coisas foram Na Na infância, foram mais sutis, porque eu sempre, no caso, eu gostava do balé. Eu fiz 7 modalidades de dança, eu sempre fui feminina. Então, digamos que as pessoas ao meu redor não desconfiavam. Mas eu também queria fazer outras atividades que não deixavam. Então, para mim, só não. Não foi tão gritante, porque eu gostava das coisas de menina, é, mas quando eu quis entrar, por exemplo, no na capoeira, o próprio professor falou, isso não é atividade para menina. E aí eu fiquei, ué, e a minha mãe? Também não é porque não AA minha sorte. Eu tive muita sorte também, um privilégio muito grande ter uma mãe que minha mãe, a mãe até conheceu minha mãe esse final de semana, e minha mãe é muito tímida. Ela diz que é muito tímida, mas ela sempre me incentivou muito a só ser eu. Então às vezes ela não questionaria certas coisas, mas por eu questionar, por eu falar, ela me incentivava a falar o que eu pensava, não era silenciada dentro de casa, então a gente só tentou uma outra atividade, que foi karatê. Karatê. Eu tinha uma professora mulher, então não teve essa questão. Mas a minha mãe não foi a pessoa legal, o próprio professor que falou isso para ela. E eu também escutei do meu pai. E foi uma coisa que eu até falei para ele no dia que eu me assumi, para ele, que foi inclusive a última vez que vi meu pai, em 2019. E aí, que bom, eu vou. Pessoa 4 Entrar na questão pais ausentes que. Pessoa 2 Climinha que climinha, né? Climinha já tem isso de episódio a cara não adianta. Eu estou vendo vocês aqui embaixo, né? Adianta sim. Pois é, não? Pessoa 1 Nossa é que assim pesou, pesou, mas a gente vai chegar. Pessoa 2 Nesses assuntos. Mas eu falei para ele que ele não me deixava subir em árvore e era um negócio tão simples. E eu queria só subir na árvore. E ele falava que eu não podia porque era coisa de moleque e eu não era moleque. Então aí ela disse. Pessoa 4 Vem cá ver como é que eu beijo boca de uma mulher para ver o moleque? Pessoa 2 Venha Venha-Ver o moleque então. É, isso para mim não foi tão gritante na infância. Só fui perceber as coisas depois de muito tempo, é, e depois que eu me assumi, aí eu fui voltando a análise de ajuda, gente, nesse período, né? Porque aí eu vou entendendo que vai. Eu fui sim limitada, eu só não percebia pelas questões, por ser uma mulher feminina e gostar das coisas de menina. Então foi tão gritante para. Pessoa 4 Mim é uma loucura, gente. Então, assim, a Mari Ela Foi. Ela acabou de mostrar para todo mundo que o os gostos não. É, não. Não comprovam nada, né? Absolutamente nada. Pessoa 1 Nunca. Pessoa 2 Comprovou nada. Pessoa 4 Nunca comprovou a gente, eu estava falando. Pessoa 2 Uma Bela, uma minitiva dançando na frente de todo mundo. Inclusive, esse foi o choque das pessoas, né? E a gente vai falar mais para frente sobre, mas no meu caso, por ser uma mulher feminina, todo mundo não, não, não é, é. Pessoa 4 Que a sociedade, ela não tem o gaydara apurado. E é, eu sou o tipo de pessoa que eu acho que todo mundo pode ser LGBT até que você me prove o contrário. E a sociedade diz exatamente, todo mundo é hétero até que me prove o contrário. Não, aqui não, querido. Para mim é o contrário, aqui é o contrário. Todo mundo pode ser LGBT até que me prove o contrário. Pessoa 1 Perfeitamente exato. A Pressão Social e os Estereótipos de Gênero na Infância E tu, amiga, Lue? Pessoa 3 Então, ao contrário da Mari, para mim foi sempre bem gritante, nossa. É, mas primeiro, deixa eu só contextualizar. Eu nasci em 1991, em Florianópolis. Não é exatamente uma cidade pequena, é uma capital, inclusive. Mas era a década de 90, né? Gente? Eu, eu cresci na década de 90 e ali o começo dos anos 2000, então. Se hoje a gente ainda lida com essas questões de gênero, de sexualidade, imagina naquela época? E eu sempre costumo falar que, para mim, a questão de gênero veio primeiro do que a questão de sexualidade, porque eu nunca correspondi aos padrões de feminilidade. Eu nunca consegui corresponder essa expectativa do que significa ser uma menina para a sociedade, então? Pessoa 2 Eu. Pessoa 3 Gostava do que era considerado brincadeiras de meninos, quando eu inclusive brincava assim com minhas amigas. É colegas da escola. Eu sempre queria ser um marido. Eu tinha até um nome que era o meu, um nome do meu personagem. Eu gostava de. Usar as roupas do meu pai. Eu pintava bigode com maquiagem da minha mãe. Então sempre foi uma questão muito forte para mim, sabe? Eu percebi que eu era diferente das outras crianças quando eu fui para a escola pela pela primeira vez, que foi com 3 anos, porque aí eu vi que eu tanto eu vi que eu era diferente. Quantas as outras crianças perceberam também? E aí eu comecei a sofrer o famigerar do bullying, que naquela época não tinha nome, né? E ninguém fazia muita coisa pra é pra lidar com a situação num ambiente escolar. Mas eu as as crianças falavam que eu parecia um menino, que eu queria ser um menino e começaram a me chamar de sapatão, que eu nem sabia o que era ainda, porque nessa idade AAA gente ainda não despertou para a sexualidade, né? Eu estou falando de 345 anos. Caraca. Mas eu já sabia que era uma coisa ruim, porque se estavam usando essa palavra para para me ofender, eu pensava, Deus me livre, ser sapatão. E em casa eu tinha uma certa Liberdade para me expressar da forma como eu quisesse. Inclusive assim, o meu pai sempre me levou para fazer algumas coisas que eu que eu gostava de, de. A gente foi muito companheiro assim, então ele me levava para. Jogar sinuca, andar de bicicleta é empinava empinava, não, não é. Posso aqui é pipa, é? Pessoa 2 Empinava. Pessoa 3 Mas a gente andava de moto também, porque ele? Pessoa 4 Tinha uma landinha, a landma criança raro da, da, da, da minha. Pessoa 3 E foi. Pessoa 2 Além que foi trobiqueira que a gente queria. Pessoa 3 Não é o mas se bem que eu empinava moto, também não empinava. Mas meu pai tinha uma lambretinha e a gente a gente andava. É, mas enfim, eu tive certa Liberdade dentro de casa para me expressar como eu queria. Mas era até certo ponto também, porque depois que eu comecei a ir para escola e essas situações de bullying aconteciam, é, eu acho que pelo medo também do que estava acontecendo comigo, meus pais meio que falaram para mim, Ah, mas por que que você não tenta se adequar? É principalmente quando eu fui crescendo um pouco mais, sabe? Né? Assim. Ali lá já pros 1012 anos, me lembro de uma vez, aconteceu uma coisa é, eu queria cortar o cabelo e aí eu vi uma foto de um, acho que de algum personagem não lembro. Acho que talvez até o Harry Potter do primeiro filme. E eu queria ter aquele cabelo curtinho. E aí eu levei a foto Na Na cabeleireira e a cabeleireira falou assim, não, mas eu não vou cortar seu cabelo assim que esse cabelo é de menino. Então, não é só a família, né? A sociedade inteira existe essa pressão e colocam a gente nesse lugar, sabe? E a gente sente essa. Essa inadequação por causa é de todos esses espaços que a gente frequenta. Pessoa 1 Nossa, tudo que eu quis responder para essa moça é passíveis de um processo, então eu vou ficar calada? Pessoa 3 Mas eu cortei o cabelo, tá? Gente? Cortei perfeito. É. Fui em outro lugar cortar o cabelo. Sempre tive cabelo curtinho. É, mas essas coisas acontecem, infelizmente, eu? Pessoa 4 Queria abrir só um parênteses que AA loi acabou de me desbloquear uma memória que eu não lembrava. Hum, quando eu tinha uns 445 anos, eu cortei o meu cabelo curtinho, curtinho, de de entre aspas, de menino e tipo. Cortei porque eu queria tipo, sei lá, eu eu tinha achado legal e eu fui pra escola. E eu fui tipo, ridicularizada por todas as crianças. Só que dei o que que eu penso. Quem é que ensinou para essas crianças ridicularizarem alguém por causa de um corte de cabelo? E é isso que eu que acho que a gente entra nesse, nessa questão que a gente, as pessoas acham que a gente num num não vive numa ditadura ou que a gente não vive tendo que seguir uma regra. A gente vive isso. Só que é é muito escondido, é nas entrelinhas, mas tá ali. E para quem quer que não, que não consegue seguir, essa regra fica mais escancarado. E eu vejo tipo, a sociedade inteira tem que seguir 1111 regra, tem que seguir uma ideologia, tem que seguir uma coisa. E no momento que você vai diferente disso, você é esculachado pela sociedade, sabe? Sim. E aí a loi falou também, tipo dela. E eu falo que eu passei por isso. E aí eu falo da minha afilhada também, que não tem nenhum tipo de preconceito. Nunca foi colocado na cabeça dela que existe coisa de menino ou menina. Mas ela começou a aprender fora de casa. Pessoa 3 Uhum é, eu acho que nem é tão escondido assim, na verdade, né? Eu acho que está bem nítida essa separação, porque sim, se a gente vai numa loja, tem as roupas de meninos e as de meninas desde criança, né? A gente vê esses modelos sendo reproduzidos em todos os lugares. É na mídia. É nas famílias. Uma coisa que acontecia muito também quando eu era criança, é, e até no começo da adolescência, assim, quando eu saía com alguém, alguém da minha família, tipo meus pais ou tios chegavam adulto e falava, como é que é o nome do seu filho? Poxa, isso me deixava muito constrangida porque eu pensava, não, não estou conseguindo me adequar e ainda estou causando um constrangimento à minha família. Pessoa 2 Eu quero. Eu quero escutar muito o que AA Jéssica vai falar, mas eu queria só contar uma história que também vocês estão me lembrando. Pessoa 1 Por favor, amiga. Pessoa 2 Sul bem Damares, né? Aquela bem Damares. Vamos escolher uma bem Damares. Menina veste rosa e menino veste azul e eu lembrei de uma situação minha que eu era muito apegado aos meus brinquedos e na época que eu comecei a fazer algumas doações, eu falei pra minha mãe assim que alguns eu queria guardar. Tipo casinha que eu tinha ganhado de aniversário, casa de Barbie. E eram coisas que eu eu sabia, pela nossa situação financeira da época, que eu não conseguiria comprar. E que a gente, a maioria, era que a gente eu tinha ganhado de presente, que minha mãe tinha batalhado muito para comprar. E eu falei que aqueles eu não IA doar, que eu IA segurar para os meus filhos. E aí eu lembro de uma vez que uma pessoa falou assim para mim, uma tia falou, Ah, mas e se você tiver menino? E aí na minha cabecinha de criança era muito fácil de resolver e eu respondi para ela. Pessoa 1 Eu pinto tudo de azul, então, assim. Pessoa 2 Na cabecinha de criança não era a Barbie, não era a casa da Barbie, não era a bailarina. Lá Era Eu pintar tudo de azul. Porque. Pessoa 3 Amiga, você IA pintar a sua Barbie de azul, IA virar um Avatar, achei, achei maravilhosa. Pessoa 2 Olha fantasia, entendeu? Olha visionária. Pessoa 3 Criativa desde criança. Pessoa 1 Cara, a criança é? Você é muito puro. O meio é que corrompe mesmo, é isso é muito. Eu lembro que eu cresci em Manaus, né? Manaus, Amazonas, nasci, cresci, morei lá até meus 24 anos antes de me mudar para São Paulo, e meus pais tinham um sítio, a gente não morava no sítio, era um sítio que a gente IA final de semana e assim a minha infância, grande parte da minha infância, das minhas melhores memórias, estão atreladas ao sítio. Porque lá não tinha isso, entendeu? Eu eu tenho muito primo, muito mais primo do que prima é da minha convivência, né? Então a gente precisava formar time, então não tinha. Essa é para jogar futebol, vem todo mundo e vamos jogar o nosso futebol, beleza, mas tinha outras brincadeiras, por exemplo, a gente IA brincar de Pokémon e cara, eu era completamente apaixonada pelo Pikachu, então eu queria ser a pessoa que tem o Pikachu que é o West, mas eu não podia ser West, porque eu sou menina, eu tinha que ser a mist e a Misty tinha a merda do psyder que eu não queria ter o. Pessoa 2 Psyder nossa, eu queria ter o Pikachu. Pessoa 1 Sim, e aí, enfim, então assim eu lembro uma assim, uma memória muito viva que eu tenho é de quando a gente IA brincar, é nesses desenhos, né, que tinha os personagens, pá, vamos brincar de Digimon, pô. Digimon tinha 2 personagens, é meninas, que era a sora e a Mimi, e eu não queria ser elas, entendeu? Eu queria ser o easy, que tinha um computador, eu queria ser o thai, que tinha o algo Moon e eu não podia, eu era repreendida demais por isso, AI tu sempre quer ser menino, AI não pode, vai ter que ser a misha, tu vai ter que ser a Mimi, e eu ficava, mas eu não me identifico com essas. De personagens, sabe? É até mesmo quando chegou na fase de Harry Potter. Eu queria ser o Harry. Eu queria lutar contra o voto, mas não. Mas tu vai ter que ser mioni, tipo, eu não tenho nada a ver com ela, entendeu? E. Pessoa 4 Ela eu queria beijar, era mioni, né? Pessoa 1 Entendeu, eu queria. Pessoa 2 Ser, então, assim, vermelho? Eu também isso aí eu ficava muito triste porque o pai ranger. Pessoa 1 Vermelho era o homem e eu tinha que ser a rosa, eu, Ah, tá, ou amarela aham, né? Então, e assim, a minha cor favorita sempre foi azul, sempre, sempre, e é um dos poucos conhecimentos sobre mim que a minha família inteira tem. Todo mundo sabe que é a cor favorita da Jéssica, azul. Eu acho que de tanto empurrarem, essa essa dinâmica de rosa é para menino, azul é para menino. Eu criei um ranço da cor rosa que vocês não fazem ideia, gente. Até hoje para mim é uma dificuldade, e o pior foi fazer coloração pessoal recentemente e tem vários tons de rosa que está na minha paleta e eu falei para o meu consultor, falei eu não quero usar rosa, e ele falou, é, é porque ele, o meu consultor é meu cunhado, tá? A gente tem uma certa intimidade, ele falou, resolve isso na tua terapia, então porque tu fica linda de rosa? Eu falei, eu não quero usar rosa. Quando teve AA pré estreia da Barbie foi meu pesadelo, porque todos os eventos a gente tinha que ir de rosa e até hoje eu estou eu. Não é uma cor que eu gosto, entendeu? E eu tenho plena consciência da onde vem isso, mas é algo que eu estou tipo, cara, assim, eu criei uma questão com essa cor, então hoje tem tons de rosa assim, que já são tipo um rosa choquezão, que já fica um negócio mais Neon e tal que eu já gosto. Mas no geral, acabou ficando um trauma aí, sabe? Porque era isso assim, aí vamos escolher roupa, e aí eu. Eu sempre queria umas roupas, sabe? Com uns desenhos legais, é, enfim, e aí não tem que ser a roupa, a Rosinha é, tem que ser o vestidinho. Outra coisa que é um problema, né, que eu também marcou muito a minha infância, é que a gente IA para o aniversário e eu não sei como era para vocês, mas assim, as minhas roupas sempre me atrapalhavam para brincar das coisas que eu queria. Pessoa 4 Brincar aham. Pessoa 1 Então, assim, aham, aí a Jéssica coloca uma sainha, coloca um vestidinho, eu chegava no aniversário. Cara, eu queria jogar bola, eu queria subir na árvore, no móvel, eu queria me danar, ficar de perna aberta, sentar de perna aberta. E sempre tinha alguém infeliz que falava, você é mocinha, tem que cruzar a perna. Eu ficava, Mano, eu não quero cruzar minha perna, eu quero ficar com a perna escancarada. Parem de olhar para minha calcinha, sabe? Tipo assim, é então. Isso também foi uma coisa que eu lembro que cara, me atrapalhou muito. Eu acho que por isso que as minhas memórias mais gostosas são do sítio, porque no sítio a gente brincava de taco Bowl, futebol, queimada e era todo mundo junto. E eu passava o dia inteiro Mana de biquíni. Ou às vezes só com a parte de baixo do biquíni, tipo nem aí. Pessoa 4 Eu também, eu usava muito essa parte de baixo. Pessoa 1 É assim até uma certa idade, né? Lógico, sim. Mas eu era muito livre lá no sítio, sabe? E quando eu IA brincar em outros lugares, é, eu voltava para essa. Dinâmica de muita repreensão assim e porque Eu Acredito que, assim como vocês, também tinham uma sociedade que estava constantemente reforçando esses estereótipos. Na minha cabeça é, dentro da minha casa, não foi tão livre assim. Eu acho que muito também pelo medo de ouvir isso de outras pessoas. Meus pais já falavam, não, isso daqui é roupa de menino, coloca tal roupa, não vai botar essa sandalinha para ir fofa para o aniversário da fulana, sabe? É, então foi um processo difícil, assim que reverberou muito na minha adolescência, mas a gente vai chegar nisso em outro momento. Como Roupas e Brinquedos Moldam Expectativas Sociais Eu queria abrir um parênteses no, no só, no que a Jéssica falou sobre a gente. Nós mulheres, num geral, não só na nossa infância, mas durante toda a nossa vida. As roupas que a gente usa, elas nunca contribuem para a nossa funcionalidade, por exemplo. Cara, eu tenho que ir numa festa, eu tenho que passar frio, eu tenho que ficar com dor no pé para usar um Salto alto eu preciso. Eu não consigo, tipo, me esbaldar dançando porque eu vou estar com um vestido assim ou assado enquanto o homem não passa por isso. E isso é muito bizarro, tipo a gente criar uma sociedade em que as pessoas têm que usar roupas que não vão é que vão limitar a nossa funcionalidade, do nosso corpo, da nossa vivência e do momento que a gente tá vivendo. Isso é bizarro, cara. E eu? E quando eu paro para pensar nisso, eu chego a ficar assustada, porque é exatamente isso. A gente é impedido ao ao longo da nossa vida, principalmente mulheres, a gente é impedida. De ser é de de usar, da das, dos nosso, do nosso potencial, da da, da nossa criatividade 100%. Porque a gente tem que se encaixar num padrão e isso vai desde como a gente se veste, desde como a gente total, como a gente se veste, não como a gente tem que se vestir, porque a gente não quer se vestir dessa maneira, sabe? Pessoa 2 E eu acho que tá. Pessoa 4 Então isso que que a Jéssica falou. É muito isso, muito isso. Pessoa 2 E eu acho que para além da roupa também, desde pequenininha, essa questão, questão do brinquedo mesmo. Mulher ganha o quê? O nenenzinho para cuidar que ela já sabe que um dia ela tem que ser mãe, não é? Ela vai ser ela tem que ser mãe. A cozinha para cuidar o cozinhas de casa, né? Tudo é para criança. A menina já saber que ela vai ter deveres, que ela tem coisas para fazer. O menino não, o menino ali, ele vai ganhar. O carrinho para esse aventureiro, o super herói, tudo é brincadeira. E a menina, desde da roupa é você que não pode se mostrar, cuida da a calcinha, o top, ó, a criança quando tá crescendo ali, por exemplo, para mim foi para mim. É muito marcante AO meu momento de começar a ter seio e com 9 anos começar a ter seio, com 10 anos ficar menstruada, virar mocinha e. A situação de ter que pedir para ir no banheiro e a vazar e as crianças apontarem porque você virou mocinha, e os meninos? Então, assim, eu acho que tudo contribui e a gente não percebe, né? Tudo acaba limitando a mulher, tudo acaba limitando a gente de se de ter esse autoconhecimento, né? Então é a roupa, é o brinquedo, não pode. A mulher escuta muito o que não pode desde cedo, né? É a. Pessoa 1 Tem um, o pior é tudo. Pessoa 4 Com a gente sendo LGBT, né uhul? Pessoa 1 Tem um parênteses sobre brinquedo que eu queria compartilhar quando eu era criança. Eu chupava dedo, né? Eu dormia com uma fraldinha, esfregando no nariz e chupando o dedo. E aí? Era fofo, quando eu era muito criancinha, eu fui ficando mais velha, minha mãe chegou comigo um dia e falou, vamos né, tirar esse dedo aí, está com 67 anos, já de repente, né, vamos. Eu falei, Ah, tá bom, aí ela, o que que ela fez? Ela comprou meu dedo, ela falou, vamos ao shopping, tu escolhe um brinquedo e aí a gente tem um trato, vai ganhar o brinquedo, não chupa mais dedo. Aí eu falei, tá bom, vamos ao shopping então, gente, no shopping, dentro de todas as possibilidades, eu escolhi um carrinho de bombeiro, ó. Era um caminhãozinho de bombeiro a. Pessoa 3 Nossa mãe é bicha, está aqui. Pessoa 4 Tem show AI, Tim, cara. Pessoa 1 Voltei para casa feliz da vida, não chupei mais dedo. EE é isso, minha mãe teve que me dar. Teve que me dar, né? Dentro da do que ela tinha proposto, ela teve que aceitar que o que eu queria era o caminhão de bombeiro. Mano, entendeu? E é isso legal. É apitava os bonequinhos pulava, porra, eu vou pegar o que? Uma cozinha? Ah, irmão, me poupe. Pessoa 3 Jéssica, você tava falando agora sobre cozinha, por exemplo? Ah, não vou gostar de cozinha, mas eu acho que também. O que acontece é que, às vezes, como tudo isso é imposto pra gente, a gente que geralmente quem não corresponde a esse padrão cria 111 repulsa, porque foi o que aconteceu comigo. Você falou do rosa. Eu também odeio o rosa. Sempre odiei rosa e eu acho que eu fui criando essa repulsa por todos os símbolos. Considerados femininos porque porque eles eram impostos e porque eles me colocavam nesse lugar de de subjugação de você precisa corresponder a esse padrão? EE, eu não me encaixava. Só que daí eu acho que eu não tive nem oportunidade de saber do que que eu gostava, do que que eu não gostava, porque hoje eu eu tenho experimentado novas possibilidades, então coloquei um coloquei um cropped pela primeira vez. Que era uma coisa que eu achei que eu odiar porque marca o corpo, porque não é o tipo de roupa que eu costumo usar e que eu gosto de usar. Só que aí coloquei um cropped, botei um blazer em cima, pensei, tá, gostei disso, mas é, a gente demora às vezes para entender até do que a gente gosta e como a gente se sente confortável por causa dessas imposições. É casinha, cozinha. Eu também nunca gostei dessas coisas. EE aí eu acho que eu nem desenvolvi as minhas habilidades culinárias, então hoje eu. Tento aprender AA cozinhar melhor, porque eu acho que isso todo ser humano devia. São habilidades que os seres humanos precisam adquirir, né? Pra gente, enfim. Pessoa 1 Se tornar um adulto funcional, de repente, exatamente. Pessoa 4 E vocês percebam que toda vez que a gente fala de cozinha, quando a mulher cozinha e a gente tem que aprender. AA, cozinhar nunca é tipo para ser uma grande chefe ou para fazer um prato absurdo. É sempre assim, você tem que fazer comida para os seus filhos e para o seu marido. Aí se você começa a cozinhar bem demais, aí não pode, porque daí o chefe tem que ser um homem, entendeu? Pessoa 3 Ou então aquela coisa, você está cozinhando, Ah, já pode casar? Pessoa 1 Já pode casar, é muito bom, tá? Pessoa 4 Ruim. Pessoa 1 Escutei muito isso. Pessoa 2 Porque eu também muito eu, eu peguei. Pessoa 1 Gosto pela história da cozinha, eu tenho aprendido a fazer muita coisa e está sendo um processo incrível. E eu a eu e a tali, a tali, né, minha esposa? A gente sempre fala que a gente prefere cozinhar uma para outra do que só pra gente, sabe? Porque tem tem uma magia em você fazer uma comida gostosa para alguém que você gosta, sabe? É só que não é nesse lugar que a galera coloca, é no lugar de você. Tem que servir a sua obrigação e você tem que fazer bem, porque se não? Sabe a história do senão? Se você não puser bem para o seu marido e ele vai achar na outra, sabe esse discursinho assim, bem problemático? Então isso daí é muito válido mesmo. A gente não é encorajado a fazer para se tornar grande naquilo. É, é, é o oposto, né? Você vai se diminuindo para caber na necessidade daquele cara aí você tem que prover para aquele cara. É, enfim, eu vou. Mecanismos de Sobrevivência: O Custo de Querer Agradar Eu vou emendar com a próxima pergunta aqui, porque se não nosso episódio vai ter 5 horas, o que para mim não seria um problema? EE uma. Pessoa 2 Pergunta, né? Eu amo que a gente exato já. Pessoa 1 Desenvolveu isso tudo. Eu vou até dar uma enxugada aqui, porque eu tinha elaborado umas perguntas, que cara, a gente vai ficar aqui para sempre? Mas essa daqui é interessante. Eu, ela é. Parece uma pergunta de Enem, mas vem comigo. Existe um traço da minha personalidade que floresceu muito durante esse período da minha vida, né? Que foi ali a infância, pré adolescência e adolescência. E eu arrisco a dizer que ele está presente em grande parte é da personalidade de pessoas LGBTs para não dizer que está em todo o mundo, tá? Que é o que é a necessidade de agradar, é aquele negócio. Pessoa 2 De. Pessoa 1 É, vamos lá. Eu queria muito sequista e gostada pelas pessoas, porque, nossa, eu já estava tão fora do padrão, então, entendeu, tipo assim, eu já estou dando tanto trabalho só em ser quem eu sou, que eu preciso muito agradar todo mundo. E mesmo assim eu via o que as pessoas faziam com quem estava fora do padrão, sabe? É, então eu queria perguntar se tem algum comportamento que vocês desenvolveram nessa época, meio que como um modo de sobrevivência, sabe? Pessoa 3 Jéssica, são é minha terapia, é isso? Pessoa 1 É uma perda. Perdão é amiga. Pessoa 3 Não é não, não. Eu adorei. Eu acho que é muito importante a gente falar sobre esse assunto. Mas é que você pegou lá no. Pessoa 2 No lugar. Pessoa 3 Muito bom. Pessoa 2 Muito bom, só um. Pessoa 4 Pouquinho que eu vou responder essa pergunta com a minha psiquiatra, me chamada de vídeo. Pessoa 3 Chamar ela aqui? Pessoa 4 Quem, quem começa nossa? Pessoa 2 Essa. Pessoa 3 Jéssica escolhe. Pessoa 1 Não, ó, eu vou, eu vou. Eu vou começar só falando rapidamente um pouco sobre a minha experiência. Eu jogo para vocês que. Pessoa 4 Beleza. Pessoa 1 Eu não quero me estender muito, porque eu acho que a gente ainda vai abordar um pouco mais esse tema assim em outros episódios. É, mas definitivamente eu tenho uma dificuldade muito grande, gente, e. Em impor limites, em falar não ou em dar uma resposta um pouco mais atravessada, sabe porque? E eu não tinha noção disso até eu começar a fazer terapia 4 anos atrás, de que eu carrego um peso em mim, de eu já estou tão errada. Sabe aquela história, tipo assim, eu já estou pegando um boi que essa pessoa me aceita do jeito que eu sou? Imagina que eu vou discordar dela? Imagina que eu vou falar que eu não vou sair com ela, é? Então quando eu comecei a entender um pouco mais isso, foi que eu pude começar de fato a trabalhar. É esse essa questão porque me faz sofrer muito, porque eu me eu me atravessava muito, eu passava muito por cima de mim. EE, tanto em coisas mais sérias quanto em coisas bestas, entendeu? Tipo, Ah, hoje eu estava afim de ficar em casa, mas fulano me chamou para sair. Como que eu vou falar para fulano que eu não vou, né? Ah, eu vou. É então esse trabalho de me colocar em primeiro lugar e entender que ninguém está me fazendo um favor em me aceitar do jeito que eu sou. Cara, é um processo que hoje em dia ele está fluindo um pouco melhor, mas ainda é uma questão muito grande para mim e foi, sabe? Sabe Divertida-mente que tem as ilhas da raiva assim é, definitivamente foi uma ilha na minha cabeça. Foi a eu preciso ser aceita e eu preciso ser muito legal para que as pessoas gostem muito de mim, porque. Só de eu existir, elas já podem me odiar só por eu Ser Quem Sou. Então eu tenho que ser 5 vezes mais legal do que uma pessoa que não está tão fora do padrão quanto eu, sabe? Então essa foi a minha lida. E de fato, se vocês conversarem com o pessoal do colégio, eu tinha amizade com todo mundo, cara. Eu falava desde daquele daquele colega assim, mais quieto, mais introspetivo, que não fala com todo mundo até as patricinhas. Gente, eu tinha amiga que gostava é de mangá. A gente falava sobre mangá, sobre anime, e eu era amiga das patricinha que pegava. Um Monte de menino padrão. E eu estava lá também, sabe? Eu. Eu era popular, eu era uma pessoa popular, mas só Deus sabe o custo. O custo em terapia de ter sido uma pessoa muito legal com todo mundo é e não ter aprendido a colocar limites numa época que eu precisava, sabe? Ter colocado limites assim, não só nos colegas da escola, mas eventualmente, quando eu comecei a me relacionar com os namoradinhos ou dentro da minha própria casa, com a minha família, tipo assim, eu tinha uma mentalidade. Em algum momento eu vou desagradar essas pessoas cada vez mais, porque a roupa que eu queria usar já era um desagrado. Querer ser West ao invés da mist já era um desagrado. Então assim, eu não vou ainda virar para minha avó e falar, AI vó, que saco, sei lá. Qualquer coisa assim é até hoje uma ferida, entende? Mas que ela já está com mercholatizinho ali ela já está melhor, mas foi um comportamento, é, foi um comportamento que me ajudou a passar por essa fase da minha vida, enquanto eu não tinha consciência. É, Lu, fala comigo. Pessoa 3 Amiga, quando eu falei, eu brinquei que é um tema da minha terapia, mas é que na verdade é mesmo. Eu acho que essa é é. É uma das grandes questões que eu demorei até para entender. Porque é o que você falou. A gente desenvolve esses mecanismos de defesa quando a gente é muito jovem, e aí isso se reflete depois na vida adulta, nas nossas relações, no nosso trabalho e a fazendo análise, fazendo terapia, fazendo 1111, autoanálise sobre a nossa vida. A gente percebe essas coisas e aí é, é até um luto, é um é muito complicado perceber, é, nem nem tenho muita coisa pra pra incluir, porque né, na minha fala, porque você já disse tudo, é exatamente isso, eu também. Me sentia sempre em dívida com as pessoas. É, eu queria sempre agradar, porque eu já estava só. Só desisti. Eu já estava desagradando, então eu evitava conflitos. Eu sempre era muito, dizia assim para tudo e eu acho que eu isso acabou prejudicando muito a minha autoestima. E aí, o que é que aconteceu? É ao contrário de você. Eu não era muito popular, eu não tinha muitos amigos, porque eu também era muito introspectiva, então eu tinha essas dificuldades sociais de de entrar nos lugares, de fazer amigos. É, eu até já comentei algumas vezes que eu criei o meu canal para fazer amigos, porque na vida mesmo não não conseguia. Então, quando a internet cresceu um pouco e se tornou uma ferramenta, eu pensei, aqui eu vou conseguir fazer amigos finalmente. Mas aí o que que aconteceu? Eu. Tentei vincular a minha autoestima, a minha performance na escola, porque eu pensei, eu preciso ser boa em alguma coisa, então eu vou me dedicar a isso aqui. E eu tinha uma certa facilidade na escola, então eu pensava, tudo bem, não sou uma boa filha, não sou uma boa pessoa, é, estou em dívida com todo mundo, mas pelo menos eu sou uma boa aluna e acho que isso também acabou me levando a escolher certos caminhos que eu nem sabia se eu queria mesmo. Eu entrei na faculdade, aí eu fiz letras, aí depois eu fiz mestrado, eu me dediquei muito a pessoa. Quis. Aí eu tinha um ótimo currículo Lattes, mas depois, quando acabou tudo isso, eu pensei, tá, mas o que que eu quero, quem eu sou, do que que eu gosto? Eu acho que isso é tão é isso é muito cruel com a gente, até porque é perigoso também. Eu, eu acabei entrando em relacionamentos ruins, relacionamentos abusivos, tive, tive muita dificuldade de estabelecer esses limites. EE, isso tem um preço muito grande, não só na nossa autoestima, mas. Em traumas que às vezes a gente adquire porque não consegue se colocar, não consegue estabelecer esses limites e aceita tudo de todas as pessoas uhum. Lidando com Traumas Familiares e a Descoberta da Sexualidade A Blow Mariana Mariana está rindo para não chorar. Pessoa 2 Eu, eu estou, eu estou já. Eu, no fundo, aqui eu estou assim, nossa, como é que eu começo a responder essa? Porque assim para mim, de novo, foi uma situação. Específica que poderia ter sido já naturalmente atrelada à orientação sexual, mas que para mim também foi difícil de eu identificar por conta de questões familiares, especificamente do meu pai. Assim, a relação era conturbada desde o início, assim da da minha infância. Então, antes mesmo de eu entender, já tinham outras questões que me faziam não me sentir aceita. Na, na família do meu pai, no meu, com a com meu pai e et cetera. Então eu não atrelei essas coisas, a orientação, a orientação sexual muito cedo. Mas eu fui perceber isso por conta de padrões de relacionamento e foi até engraçado, até para trazer um pouco de leveza antes do do relato. Mais Sério, eu fui descobrir isso no tarô, minha galera. Pessoa 1 Olha. Pessoa 2 Olha isso, olha que maravilha foi jogar tarô, não, uma coisa assim, né? Pessoa 4 Caso. Pessoa 2 E aí a querida veio falar para mim assim, você se relaciona com homens e com mulheres. Aí eu não, só com mulheres. Aí ela tem certeza. Aí ô, meu amor, eu tenho, eu tenho. E aí ela é porque tem uma energia masculina aqui. E aí na hora que eu pensei que que ela falou? Eu pensei assim, putz. É o padrão que eu estou achando que está vindo, meu pai. Aí ela tira as cartas e a querida vem e fala, Ah, não é seu pai? Porque tem o padrão aqui de tentar conquistar pessoas, de achar que você tem que mostrar que você vale a pena. Porque foi assim que você achou que você teria seu pai presente pela picada. Vou pra terapia, anjo. Precisa. Pessoa 3 Nossa, mas ela jogou assim, Hein, povo? Pessoa 1 Chute no estômago doeria menos. Pessoa 2 Gente, Ela Foi certeira, tudo ela abriu assim, OPA, tudo bom? Precisava, precisava, né? Então é para mim foi muito difícil identificar algumas coisas, mas ao mesmo tempo eu depois percebi também e levei para terapia que tinha. Eu eu vi que eu tentava performar coisas desde muito cedo. Pela por essas faltas e por erros que eu cometia e um erro muito forte para mim. Na minha cabeça era quando eu estava assistindo Sandy e Júnior com minhas amiguinhas, e aí as queridonas estavam lá falando assim, AI, porque o Júnior? AI, porque o fulano acho que tinha que era bolga também. Era negócio assim. Então assim, todo mundo tinha o queridinho favorito. E aí eu cheguei e falei assim. Pessoa 4 A Sandy, Ah. Pessoa 2 Eu queria beijar paz. A Fernanda Paes Leme? Pessoa 3 Quantos anos você tinha, amiga, era? Pessoa 2 Muito bom, amiga. Eu devia ter uns 8 anos, porque eu fui. Depois, quando eu fui contar essa história no meu canal, eu fui pesquisar. Fui numa live, eu fui pesquisar e aí dava uns 878 anos. Então assim, eu queria beijar a Paty? Pessoa 1 E tuas amigas falar assim? Pessoa 2 Aí elas olharam assim para mim e a mãe de uma amiga estava no quarto. Pessoa 4 AI. Pessoa 2 E aí elogiou e falou assim, não? Você tem que gostar é do menino, do fulano, do ciclano. Pessoa 1 Ah, moça, vai cheirar a parede? Pessoa 2 Mas eu acho ela mais bonita. É aí eu. Mas eu acho ela mais bonita. Bonita. Tudo bem, mas para você ficar, são os meninos. E eu lembro do ficar que a gente usava, ficar na época. E aí eu já fiquei. Para eu ficar, tem que ser com uns meninos. Pessoa 1 Com 8 anos tem que ficar de castigo, cão que ficar o que, Mano, o que que essa mulher tá falando? Pessoa 2 E eu cheguei em casa. Eu tava perguntando por que que eu tinha que ficar com menina, se a minha mãe tipo assim, oi, como assim? Ah, porque eu não posso achar mulher bonita e minha mãe não, você pode achar mulher bonita e minha amiga, mas tem tanta história, você vê Pepê e neném, eu amava Pepê e neném, aí é uma outra mãe de uma outra amiguinha, porra, falou assim sempre uma mãe, nunca minha, tadinha da minha mãe. Então Diva continua questionando, aí vai, mas. A outra mãe chegou e eu falei que adorava elas, que eu queria muito conhecer Pepê e neném. E aí, Pepê e neném, né? Naquela época, para nossa, o auge, né? Não sei se tem. Vocês deram de Pepê e neném. Pessoa 1 Sim, lógico. Pessoa 3 Claro, com certeza. Pessoa 1 Por. Pessoa 2 Favor que tiveram toda a transição aí se assumindo como mulheres despenha, aí hoje tem suas famílias. Coisa linda, mas na época ela, a querida, falou assim, você não pode gostar delas porque elas comam o velcro. Pessoa 1 Nossa. Pessoa 2 Que. Pessoa 1 Isso. Pessoa 3 Você quando imagina falar isso pra uma criança enquanto um chutinho? Pessoa 2 Gente, a minha. Pessoa 3 Você pensando em roupa, né amiga? Pessoa 2 Gente, eu. Eu pensei em roupa e a minha vó é costureira. Então, na minha Inocência, eu virei para ele e falei, ué, mas a minha vó também cola, velcro? E aí ela disse que não era isso, que não sei o que, que era obra de não sei o que lá. E eu cheguei em casa perguntando pra minha avó por que que eu não podia falar véu pra imagina a situação da minha avó? Eu falei assim, ô minha filha, ô, não o restinho, não é isso não é isso. Pessoa 1 Gente, mas olha o nível de malícia que a pessoa coloca na cabeça de uma criança, cara. Pessoa 4 Mas espera aí, gente, então vocês estão me falando que quem sexualiza as crianças são os heterossexuais e não as? Drag queens. Pessoa 1 Ó meu Deus, eu não sou mais. Pessoa 4 Estão chocadas. Oh, jamais imaginei. Pessoa 2 Não. Pessoa 4 Acredito eu nem imaginava. Pessoa 1 Ana, como foi para ti, tem algum comportamento dessa época que te ajudou a aguentar? Pessoa 2 A mãozinha assim, todo mundo começa a responder assim. Então. Pessoa 4 É tipo assim, eu me identifico muito com a Mari no quesito do pai tóxico. Meu pai é narcisista e eu não tenho contato com ele também. Faz um tempo e era muito difícil, várias questões. Eu sempre sabia que eu que eu gostava tanto que eu eu tentava falar para os meus pais, mesmo achando que sem entender por que, que era proibido, por que não podia. Eu compensei também. Como eu tinha dificuldade de fazer amizades, eu. Entro ali me identificando com a Lowe, eu compensei na parte de dotes, entendeu? Então eu era uma pessoa muito estudiosa, eu sempre fui uma aluna exemplar e eu fui uma filha perfeita. Eu fui uma filha perfeita, eu não criava problema em nada, eu não saia de casa, eu estudava, nunca precisava ter problema na escola que eu recebi a cartinha da melhor aluna no ano da escola é. Então eu era uma filha perfeita, que não incomodava para nada na Júlia, você vai fazer isso? Sim, claro que eu vou fazer na Júlia. Você vai vestir isso? Sim, claro que eu vou vestir. E ao longo dos anos eu fui cada vez me fechando mais e eu tinha medo de tudo. Eu tinha medo do mundo, eu tinha dificuldade para fazer coisas básicas, então eu eu eu criei muitos problemas psicológicos ao longo da minha adolescência que eu sou diagnosticada com bipolaridade. E aos 18 anos, quando eu entrei na fase maníaca da da minha bipolaridade, hoje eu percebo que foi o meu mecanismo de sobrevivência. Se eu não entrasse na minha fase maníaca, talvez eu não IA sobreviver porque eu era tão reprimida, tão repreendida, tão isolada do mundo, porque eu precisava ser uma filha perfeita pro meu pai narcisista. E ele era muito agressivo comigo, que eu tive que ficar numa bolha. E aí, aos 18 anos, eu estava prestes a, tipo, surtar de vez. E aí virou a chave na minha cabeça e eu virei uma pessoa maníaca EE. Eu mudei completamente de personalidade. Então a Ana, que antes não conseguia dar oi para uma pessoa, eu não conseguia conversar na escola. Sem é o meu coração acelerar absurdamente porque eu já tinha medo de um oi meu ser interpretado de uma maneira errada. E aí vim ainda com o aspeto de eu ser lésbica. E eu sabia que eu era lésbica desde pequena, então era muitas coisas que eu precisava esconder do mundo e precisava repreender que eu me fechei num casulo. E aí até hoje eu agora que estou recuperando um pouco dos meus dotes musicais, que a Jéssica até fala, como assim? Você nunca falou que você fez isso, que fez aquilo? Porque muitas das coisas que eu fiz na música, eu gosto muito de cantar, eu gosto muito de tocar piano, de tocar violão. Mas muitas coisas que eu fiz não foi porque eu estava gostando eSIM porque eu precisava de uma aprovação na família, principalmente e na sociedade. Então, quando eu fui para o The Voice, por exemplo, a aprovação do The Voice não era para mim, era para eu ser aceita. Era para eu provar para as pessoas que mesmo eu sendo lésbica, mesmo eu sendo assim, ou com os inúmeros defeitos que eu tinha que não são defeitos, né? Com as inúmeras questões que eu tinha, cara, eu tinha ido para o The Voice, entendeu? Então quando eu entrei na minha fase maníaca, eu eu virei uma pessoa insuportável, porque daí o tempo inteiro eu precisava ficar me afirmando e. Então eu me achava uma grande, gostosa, eu achava que eu era a melhor cantora do Brasil, eu era uma artista, entendeu que eu era insuportável, só que foi o meu instinto de sobrevivência, porque eu era tão colocada no lixo ao longo da minha vida que a minha fase maníaca. Ela precisou ser uma auto afirmação constante, sabe? E aí nisso veio muitas questões, eu virei uma grande piranha, eu pedi muita mulher porque eu precisava me auto afirmar, então, tipo, sabe, teve muito isso. E aí depois que eu me tratei, que eu encontrei o equilíbrio. Hoje sou um ser humano normal, mas eu ainda tenho muita dificuldade de entrar num consenso assim. Tipo, às vezes eu saio num rolê com a Esther e aí eu peço para ela dizer, me avisa se eu estou me passando, porque eu começo a querer agradar a pessoa por medo de ser repreendida por medo de ser. Entendida ou mal interpretada. E para mim é sempre tudo ou nada, né? Porque eu acho que a Mari, que teve um pai tóxico, eu acho que a gente cresceu num ambiente assim. Se você fez uma vírgula, você já está com a vida inteira descredibilizada. Então, às vezes, quando acontece alguma situação num rolê eu já chego, eu tenho que puxar a Esther para um canto e dizer, amor, está tudo bem? Tipo, é essa pessoa, ela está bem comigo. Amor, tipo, está tudo certo, tá, mas é que eu acho que quando eu falei tal coisa aconteceu, tal não, amor, está tudo bem, você tem certeza? Então eu tenho uma parada aqui assim, ó, e aí quando a Lu e falou sobre criar o canal e o canal ter sido um lugar para você fazer amizade, a Ana bagunceira é a é AA Ana que sou mais eu, entendeu? E eu acho que o meu canal deu certo. EEE, todo o meu conteúdo deu certo porque a Ana bagunceira Ela Foi. Assim, a pessoa, tipo a minha personalidade que chegou e tipo, vem cá, você pode ser essa pessoa agora e ninguém vai te julgar. E aí a Ana bagunceira foi recebida por várias pessoas. Por isso que eu falo uhum sobre o quanto o canal e as pessoas que me acolheram são muito mais importantes. Eu acho que as pessoas, né, falam tipo AI, você não faz ideia da diferença que você fez na minha vida. Eu falo, caralho, vocês não faz ideia da diferença que vocês fizeram na minha vida. Pessoa 1 Entendeu? Então estão. Pessoa 4 Você na bagunceira, eu estava no. No buraco do buraco do buraco, porque a Ana bagunceira. Ela provou para mim mesma que eu não preciso fingir nada e nem me provar nada. Eu só preciso ser eu que vai estar tudo bem. Pessoa 1 Exatamente. Pessoa 4 Nós, eu até hoje tenho esse desafio, sabe? Além de ser uma pessoa lésbica e tem que tipo me provar o tempo inteiro, tem ainda questão de traumas de pai, tu, tu pão? Só só uma pergunta aqui, quem tem uma relação saudável com o pai? Eu e Mari não temos. Vocês 2 têm AI. O Processo de Cura e a Reconstrução das Relações Familiares Mas é é que vocês não. Mas é que vocês estão falando de pais, né? Mas às vezes a gente tem problemas com. Pessoa 4 Mães. Pessoa 1 Tá, tá. É assim, minha mãe, eu, eu e meu pai, eu e meu pai, a gente sempre se deu muito bem, mas é porque o meu pai, ele também. Ele tem um temperamento diferente da minha mãe. Eu com a minha mãe, na adolescência, a gente era Mano, cão e gato assim, sabe? É, eu não tinha uma relação boa com a minha mãe. Minha relação com a minha mãe foi melhorada depois que eu saí de casa que eu vim. Vim morar em São Paulo, que eu comecei a fazer terapia, e hoje em dia a gente tem uma relação muito melhor. A gente consegue conversar, mas eu tive vários momentos de chamar minha mãe no canto e falar, eu preciso te falar essas coisas aqui, sabe? E falar para ela coisas que ela fez que me magoou. E é engraçado, porque como eu não tinha uma relação boa com a minha mãe, o meu pai, ele acabou. Ele acaba sendo tipo, eu acho que eu via ele muito melhor, entendeu? Do que de fato ele era. E ele sempre foi um paizão, mas eu acho que eu enaltecia além da conta. Porque eu estava numa relação um pouco mais complicada com a minha mãe. Então foi um outro processo na minha terapia, foi de enxergar também os momentos em que eu tive algumas coisas, umas questões com meu pai, sabe? E aí eu cheguei com ele e falei também, pai, te amo, a gente se dá super bem, mas não gostei disso aqui e et cetera. Então hoje eu acho que eu tenho, nossa, a relação mais saudável que eu já tive na minha vida com os meus pais, com certeza é a de hoje, por causa de terapia? É, mas assim, eu acho que. Amiga, muita gente vai se relacionar com com o relato de vocês, e eu acho que, como a Lu falou também muita gente tem problema com mãe, acho que em níveis diferentes, né? Tipo, é minha mãe, por exemplo, em relação à minha sexualidade, ela, depois que eu me assumi, eu nunca tive que lidar com nada negativo com a minha mãe. Ela sempre sabe, deixou claro que ela me ama e que ela está comigo contra Deus e o mundo, e é isso aí. Mas o problema mais assim, foi na minha adolescência que eu não podia me expressar do jeito que eu queria. Que ela me podava muito. É o meu pai menos. Mas porque meu pai também. Ele era um pouco mais bundão, sabe? Assim, tipo, ele ficava mais ali na rebarba da minha mãe, entendeu? É mais. Pessoa 4 Bundois são os melhores que existem, tá? Pessoa 2 Então é, é. Pessoa 4 Sempre. Pessoa 1 Assim. Pessoa 4 Eu amo pai bundão, que tipo é aquele cara que? Pessoa 3 Que, que tipo? Pessoa 4 Vai ser parceiro, entendeu? E a mulher vai dizer isso e ele vai dizer, tem razão, está tudo certo, sabe? Eu acho que esse é um pai mais legal. Não tem? Pessoa 3 É, mas é. Mas é complicado para mãe também. Exato. E sobra. Pessoa 1 Tudo exato. E isso foi uma coisa que eu tive que também que ter esse insight na terapia, depois de tipo de perceber o quanto o meu pai ser legal demais, acabou sobrecarregando minha mãe também em alguns momentos, sabe? É então parte da da da cura da minha relação com a minha mãe, não é só tipo falar Pra Ela, AI, mãe, tu fez isso e me deixou mal, mas também reconhecer que em vários momentos Ela Foi uma mãe que ficou sobrecarregada com muita coisa, entendeu? Claro. Então assim, eu tenho uma relação muito boa com. Pessoa 3 Eles, mas o cartão da sua psicóloga? Pessoa 1 Quem é a Ana ou eu? Pessoa 3 Não você, Jéssica. Pessoa 1 Amiga, minha psicóloga é maravilhosa. Pessoa 3 Porque assim eu me identifico muito com o seu relato. Só que eu ainda tenho bastante dificuldade de chegar para para os meus pais, por exemplo, ou para qualquer pessoa em geral, mas principalmente com minha família. Falar, olha, isso que aconteceu lá quando eu tinha 16 anos, por exemplo, ou quando tinha 18, me marcou até hoje, sabe? Eu tenho essas dificuldades ainda e não sei. Às vezes eu acho que tudo bem, a gente pode se resolver sozinha também é? Mas admirei. Admirei que você falou isso assim. Pessoa 1 De ô, de. Pessoa 3 Chegar e conversar. Pessoa 1 Cara, teve um dia que minha mãe estava aqui em São Paulo, não faz muito tempo, mas que eu chorei no colo dela, falando sobre a maneira como eu me vejo, sabe? Sobre como eu me senti muito reprimida na minha adolescência, que eu sei que ela não fez por mal, mas que me machucou. É, e ela chorou também, falando que não era a intenção dela. Óbvio, eu já sabia. É e que enfim, ela fica muito feliz em ver que hoje eu sou inspiração pra muitas meninas, é pra muitas pessoas que passam por episódios semelhantes aos que eu passei, sabe? E ela reconhece que de fato, tipo, falou muita coisa desnecessária, eu também, eu fui muito injusta com a minha mãe em vários momentos, sabe? É respondendo coisas, falando coisas assim, mas enfim, eu era uma adolescente, eu não me sentia vista, eu não me sentia validada e no momento em que eu enxerguei isso na minha. Terapia é porque também aí também não sei se vai de personalidade, sei lá, mas quando eu tenho um problema com alguém, Mano, eu gosto de sentar e resolver, entendeu? E isso também tem um pouco da minha ansiedade que eu sou diagnosticada com transtorno de ansiedade é tipo assim, é transtorno mesmo, tá, não é de pai, nossa, eu estou tão ansiosa, é tipo, vai tomar remédio, fazer tratamento, então é, é uma tortura às vezes quando eu tenho que respeitar o espaço da pessoa, porque eu quero resolver logo, sabe? Então assim. Essa lida com os meus pais é, é. Eu já até emendo um pouco com a minha próxima pergunta, que é se existe alguma ferida da infância e adolescência que foi curada ou que está em processo de cura. E eu já vou engatar aqui para falar aqui, o meu maior processo de cura atual é com a minha autoimagem, é aceitar o meu estilo, é aceitar que eu não performo a feminilidade que as pessoas esperavam de mim quando eu era criança. É, é abraçar minhas roupas, o meu cabelo. E bater no peito e falar, eu vou cuidar da Jéssica, de 12 anos, que não podia sair de casa com a roupa que ela queria porque era roupa de menino, é? E assim, eu acabei falando que minha mãe me reprimia muito por isso. Mas essa repressão da minha mãe, ela vinha de um lugar que era do julgamento da sociedade. Então vai muito para para o resto da minha família, é para as mães de coleguinha, sabe? Vai para todo esse pessoal. Então esse é o meu processo de cura, é além, claro, né, de curar a relação que mais importa para mim hoje, uma das que é minha relação com os meus pais e cuidar da Jéssica adolescente, eu acho que é isso. Eu estou chegando, eu estou com a bolsinha de primeiros socorros, com a Jéssica adolescente ali, sabe? E cada sessão de terapia, cada insight, assim a gente vai curando mais um pouquinho. E eu queria saber de vocês, Mari começa. Desmistificando a Homossexualidade: Culpa e Reações Familiares Vai, que bom que você já me chamou, que eu estou. Eu estou aqui assim, eu quero falar uma coisa, porque é já para te responder, puxando um pouco de do gancho da da última pergunta também, na verdade, do que vocês estavam falando especificamente? Porque é, eu gostei da gente entrar nessa questão de. Familiar, pais, mães, porque a gente está aqui no equilíbrio, né? Eu e Ana, uma questão com o pai e você já com a mais, a questão da mãe e uma coisa que eu escutei muito quando eu me assumi é, está vendo? Não teve pai presente, colocaram já neste lugar, não teve pai presente, sendo que não meu pai causou outros 1000 traumas e ser lésbica não é um traumas não, não, não, não é mesmo, então? Teve. Eu precisei muito ainda bater num numa tecla de falar assim, gente, pelo amor de Deus, não vai colocar. É mais isso agora nessa, essa conta. Isso daqui não é dele, sabe? Isso aqui não. Não desse mérito a ele, aquela orgulhosa de ser lésbica. Isso não é com. Pessoa 3 Certeza. Pessoa 4 Nossa, gente, um dos meus maiores medos. Mari, agora é só compartilhando aham disso, um dos meus maiores medos era esse, tanto que eu levei muito para terapia e para minha psiquiatra, porque o meu pai foi 111 cara muito agressivo assim, tipo num, num assim, se. E eu eu falo assim, que se fosse depender de de pai agressivo, a gente estaria com 90% da população de sapatão, né? Então, tipo, muito assim. E aí eu perguntava para minha psiquiatra, eu dizia, cara, tem alguma relação? Ela falou, não. Aí, tipo, quando você lembra, tu gostando de menina, você lembra que tu tu se atraiu por aquela menina e na sua cabeça você pensava, estou me atraindo Por Ela, porque não, nunca quero imaginar um homem do meu lado por causa do seu pai. Tipo, não, não era isso, entendeu? É, é uma coisa involuntária do nosso corpo, entendeu? Então quer dizer que ela ela me questionava, né, fazer esses questionamentos. Então quer dizer que uma menina que gosta de homem é porque a mãe foi agressiva? Cara, não, não tem relação, isso, sabe? Uhum EE eu é, eu gostei da Mari falando tipo, é, é isso, esse talento, essa. Esse mérito que Deus deu no meu. Pessoa 2 Caminho que você é de mulher? Pessoa 4 Não vou dar. Não vou dar. Não, não, não, não, não. Pessoa 3 Não, e eu acho sim também muito doido que as pessoas tentam encontrar justificativas. Para tudo que foge da heterossexualidade, mas ninguém fala AI, vou ser hétero por causa disso? Pessoa 4 Quando? Pessoa 3 Eu também me assumi pela primeira vez porque eu tive que me assumir várias vezes a. Pessoa 1 Gente não vai falar sobre isso? Pessoa 3 Aqui, né? Mas uma das coisas que eu ouvi foi foi parecido. Só que só que o oposto, tipo, mas o seu pai é um cara tão bacana. Você não quer casar com um homem parecido com ele? E eu fico. Pessoa 2 AI que. Pessoa 4 Doença meu? Pessoa 1 Deus, que isso, galera, não é sobre isso não. Pessoa 4 O meio heterossexual, o meio hetero normativo, eles. Precisam muito Oo negócio de ficar com alguém que parece ser seu pai ou sua mãe. Pessoal, isso é doença da. Eu falava, você é dona, isso aqui tá AAO que mais me assustava assim, tipo, ao longo da minha adolescência, era ver os meus, os meus, os meus primos namorando as meninas. Daí apresentavam as meninas e a mãe chegava do lado e dizia, AI, que orgulho, ela é igual a mãe, porque o homem sempre procura uma mulher igual a mãe. Eu disse. Pessoa 3 Vamos para? Pessoa 4 Terapia que dou? Pessoa 1 Terapia, exatamente. E Mário? Pessoa 4 Gente, é muito doentio. Pessoa 1 Mário, tu tinha mais coisa para falar? Pessoa 2 É, eu estava começando, mas agora também já fui o outro fluxo de pensamento. Pessoa 1 Não, mas mas volta, volta para fala, o que tu IA falar? Pessoa 2 Voltando então para para essa questão da da ferida. Eu acho que para mim tem muita. Eu levo muito para minha terapia. A culpa? Porque é a culpa da questão paterna que eu colocava em mim, tipo, porque meu pai saiu de casa, porque meu pai não me aceita, porque meu pai não sei o que. E aí quando eu me assumi, meu pai nunca mais me viu e tem uma ruptura mesmo, muitas culpas. E aí quando eu me assumi para minha avó. A minha avó teve um AVCE aí Na Na hora. Pessoa 4 Eu adoro que ela ri para não chorar, né? Eu adoro esse essa skin cara. Minha avó teve uma vez, ela ri para não chorar. É muito boa, é muito bom, é. Pessoa 2 Porque eu olhei a reação, eu estou até mostrando agora no celular, porque eu estou olhando para vocês aqui e aí eu estou vendo as reações assim, tipo. Pessoa 1 Amiga, mais tua vó está bem, está bem, graças. Pessoa 2 A Deus está bem, ela está bem, está aí levantando a Bandeira, chamando eu falo, fazendo a Lu, a Lu, e conheceu a questão do passarinho que a gente achou que era é menina e na verdade é macho, É Ela, é line. Então minha avó hoje é essa pessoa, entendeu? Ótima. Ela é essa pessoa que toma mais na hora, né? Né não, tranquilo, ela assim, ó, menina, o que minha neta? Ela hoje assim, vai lá na mochila, fica orgulhosa, entendeu? AI, que bom, meus livros que chegam, às vezes chegam os livros na casa dela ainda, porque está com o endereço antigo, e aí chega ela, abre aí, ela manda aí, manda foto as 26 se beijando e ela aqui, ó, um livro, que dia, que dia. Mas eu carreguei muito dessas culpas, porque é isso, né, gente, um AVC, pelo amor de Deus, sabe o que era? A culpa do meu pai, meu pai não quer mais saber de mim. Aí depois minha avó tem um AVC, só que aí para lidar com essa culpa, eu fui a terapia, obviamente me ajudou muito a entender que essa culpa não era minha. É uma sociedade que coloca essas coisas na cabeça das pessoas e para minha avó tinha 11, situação muito específica, familiar dela, que fazia com que ela tivesse medo. Quando eu falei a questão dela não foi a minha neta, é isso, foi a minha neta, vai sofrer isso que essa pessoa sofreu, então eu não sabia disso. Por não saber disso, eu só falei e falei. O resto eu não sabia desse choque, eu não sabia desse impacto. Então eu aprendi na terapia, AO famoso, dei a César o que é a César. Isso daqui, essa culpa não é minha. A sociedade fez com que ela pensasse assim, a sociedade fez que o meu pai pensasse de outra forma. Ele não quer lidar com isso, então essa daí é dele, sabe? Covardia dele, ele que não quer cuidar de mim, ele que não quis ser pai, escolha dele não é minha culpa. Então acho que é uma questão constante na terapia. Para mim é realmente culpa, até porque para lidar com relações, eu acho que eu também tive muito problema nas minhas primeiras relações amorosas. Em ver que poderia ser algo tóxico também por ser uma mulher, por lidar com uma outra mulher, por amar uma outra mulher. É eu. Ah, não, mas ela não está me destratando a grosseria. Vai. Não, não, não é isso exatamente. Ah, está me me diminuindo, não, mas ela não vai me me diminuir. Pessoa 1 Nossa, isso daria o episódio? Pessoa 2 Inteiro não podia é, né? A gente AI vamos lá adicionar mais uma temporada, gente, agora. Pessoa 3 Então já vamos para a segunda temporada, tá vendo? Já temos episódios para a segunda temporada. Pessoa 1 Já temos o. Pessoa 2 Primeiro episódio e a gente assim, segunda temporada. Pessoa 4 Relação então eu achei isso perfeito. Pessoa 2 A infância faz com que todo o resto aconteça e a gente não percebe, né? Então essa culpa que descarrega desde cedo, vai para todas as outras relações. Pessoa 1 Das nossas vidas, né? Total. Compartilhando Conteúdo Sáfico sem Julgamento Social É, inclusive, antes da da gente ir para para a última pergunta que eu separei aqui, eu queria falar que estamos agora, né? Com o podcast chá das 41 episódio por semana. Tá bom, a gente tem 8 episódios dessa primeira temporada. Com temas que vão fazer vocês rirem, vocês chorarem é vocês levarem para a terapia. Então assim, fiquem de olho episódios novos toda semana. Se você ainda não segue a gente no Instagram, arroba podcast, chá das 4, segue a gente lá porque tem também Riozinho saindo KKK com momentos engraçados e tem também o nosso apoia. Se tudo isso vai estar, o link vai estar na descrição. Se você tem plataforma de áudio também, é só entrar no nosso Instagram que todas as informações vão estar lá, assim como os nossos instagrams também pessoais, caso você ainda não siga nós 4. 4 sega nois 4 tá bom, eu esqueci alguma informação ou não? Pessoa 3 Nossa, foi perfeita. Como é boa? Que comunicadora, muito boa. Pessoa 1 Aceita. Pessoa 3 Mas, amiga, antes de ir para a próxima pergunta, a gente ainda tem que responder essa? Pessoa 1 Nossa, me perdi. Eu achei todo mundo respondido, perdão. Pessoa 2 Caminho verdade eu comecei. Pessoa 1 Com a Mari. Pessoa 2 É que a gente foi se complementando. Pessoa 1 É verdade, é verdade. Pessoa 4 Eu acho que, né? Pessoa 1 É, desculpa, eu falhei, amiga. Lue? Você, por favor, mande sua resposta. Pessoa 3 Então eu acho que o maior resgate que eu já tive, e é a maior cura, assim, é da relação com a minha família, da relação com os meus pais, porque hoje é não tem comparação, gente, é, não parecemos as mesmas pessoas, sabe? Isso é muito especial para mim, até porque eu sou muito família. Agora, eu acho que não é apenas isso. Em relação AAA, questão LGBT, de ser lésbica, eu penso que trabalhei bastante. E já consigo me olhar, por exemplo, com a roupa que eu gosto e me sentir bonita. Eu consigo. Hoje eu não tenho mais aquela culpa por ser quem eu sou. Pelo contrário, hoje eu tenho orgulho. Acho que o canal também me ajudou muito nesse sentido, porque encontrei outras pessoas com histórias muito parecidas, tipo, poxa, a gente está aqui hoje, sabe? Então é. Essa relação também me fortalece e acho que nesse sentido eu consigo acolher aquela luz criança, adolescente. Mas é curioso porque eu vejo que as minhas maiores dificuldades nesse momento da minha vida não são sobre ser lésbica, mas é sobre ser uma pessoa inadequada em outros sentidos, porque eu sempre fui introspectiva, tímida, só que eu não sabia que eu era uma pessoa neurodivergente. E quando eu soube? Foi foi ali que eu comecei o processo de de cura, só que demorou muito tempo. Eu já era adulta faz alguns anos. Então eu acho que as minhas dificuldades são mais sobre isso. É de não me sentir disfuncional, de não me sentir esquisita, antissocial. É inadequada. Mas a gente é muitas coisas, né? Então eu sou lésbica, mas não apenas isso. E aí eu acho que o meu processo de de cura também passa por outros caminhos e outras especificidades é que compõem a pessoa que eu sou. Pessoa 4 Olha como uma pessoa que está sempre tendo que se, né? É muitas questões psicológicas aqui, mas eu acho que na questão da família também, acho que hoje eu acho que eu nunca fiquei. Estive tão bem com a minha família, como eu estou hoje também, e sou muito bem recebida na questão do meu relacionamento com a Esther. E pelo fato de eu estar no relacionamento com a Esther também. A família dela hoje também é minha família e é uma recetividade absurda. A eu acho que a única coisa que ainda é muito difícil, que não é culpa nem minha, nem dos nossos amigos, nem das nossas famílias, é quando a gente vai querer compartilhar coisas que a gente consome por, como, por exemplo. Eu converso com vocês aqui sobre os livros sáficos que a gente adora, conversar sobre personagens sáficas que a gente adora, e ter essa naturalidade e Liberdade de falar sobre isso tranquilamente. E às às vezes ainda a gente tem grupos de amigos é que a gente quer conversar sobre isso. Mas eu não estou falando isso só porque eu sou lésbica. É porque eu sou lésbica, obviamente, mas é porque é uma coisa que eu consumo, que eu gosto de consumir. E aí as a tem gente às vezes que que você vai falar tipo de um filme que você gosta e a pessoa diz, tá, mas esse filme é de lésbica? Ele disse, sim, óbvio, tipo, eu óbvio que eu assisto o filme e a pessoa AI, mas você só assiste coisa assim, cara, eu tenho vontade de dizer, e você é hétero, você só assiste coisa de hétero, eu não estou falando nada, entendeu? Então eu acho que essa é uma das das das minhas questões, ainda que. Que me bloqueiam em algumas questões no sentido de você querer falar livremente sobre coisas que você consome, que você assiste, que você curte e compartilhar esses gostos e não ter a mesma recetividade que você tem com coisas hétero quando uma amiga ou ou ou algum conhecido vem compartilhar com você. Ah, você viu tal coisa que aconteceu na novela? Você viu tal coisa que aconteceu no tal filme? Cara massa pra caramba, eu vou, eu vou falar assim, e eu assisti, eu adoro pá, pá, pá, pá, pá, aí você vai falar uma coisa e isso faz parte do meio sáfico a. A sociedade tipo, Ah, tá. Pessoa 1 Parece que a pessoa não pode consumir, né, só porque. Pessoa 4 Não, tipo, Ah, não? Pessoa 1 Converse com a vivência. Pessoa 4 Dela, isso, exatamente essa coisa. Isso eu não assisto porque não tipo, ontem a gente estava aqui. A gente até brincou, né, que a minha cunhada, Ela Foi pegar um livro. E aí ela disse, tá, mas só não me não me me dá livro lésbico. Eu disse, o que você está na mão? Já é tipo, o que você está? Mas daí todos que tu tem aqui são. Olha, em grande maioria, sim. E ela brinca com isso, não tenho problema nenhum. Eu fico chocada como as pessoas têm que se chocar com isso. Qual que é o problema de você ter vários livros sobre o romance lésbico? Uhum sabe? Isso não precisa ser uma questão. Sim, ela assiste, ela assiste GL tailandês AI porque tem lésbica, né? Tá, mas e daí, caralho? Pessoa 1 Tipo, não pode ser porque a história é boa, tá ligado? Pessoa 4 Sim, e mesmo que fosse, porque eu gosto de ver mulher bonita se beijando, sabe qual é o problema? Pessoa 1 Exato. Pessoa 2 Entendeu? EE, eu acho que é. Pessoa 4 Isso que é a questão que eu acho que eu ainda tenho dificuldade de poder chegar num num rolê. E falar livremente sobre as coisas que eu gosto da mesma coisa que eu falo no meu canal uhum de ter a mesma recetividade, que nem eu falo com vocês aqui, tipo com a Jéssica, com a Lô e com a Mari. A gente conversa sobre as nossas personagens e às vezes tem rolés que você não pode ter a mesma Liberdade. Por que sociedade? Eu quero falar sobre mulheres tailandesas bonitas, que se beijam sem ser julgada? Poxa, isso. Pessoa 2 Aqui você julgar também, vai julgando, aí qualquer coisa vai julgando. Pessoa 1 Aí quem IA continuar falando? Eu vi isso. Vai, vai me avisando, vai me desavisando, então. Pessoa 4 Vai me? Pessoa 2 Omitindo, ó. Pessoa 4 Eu acho que essa que é a única ferida, eu acho que ainda existe, de você ainda ter que tipo ficar se justificando que você assiste aquilo. Por quê? Porque. Pessoa 2 Sim. Pessoa 1 Ponto sim, entendeu? Sim, eu queria. Eu eu sabia que IA ser um podcast, que a gente o episódio que a gente IA falar sobre coisas assim, um pouco mais dolorosas e tal. Eu queria terminar gostosinho. E aí? Pessoa 2 Segurou. Não, eu achei também é, não é difícil. Pessoa 3 Teve um. Pessoa 1 Equilíbrio é. Eu achei, tipo assim, um AVC. Pai ausente tópico. Isso não foi o mais intenso a. Pessoa 2 Gente, aí a gente. Pessoa 3 Riu e é o primeiro vem mais estranho e. Pessoa 2 Começando muita terapia nelas. Eu acho que no final das contas, o primeiro é a gente. Terapia, gente. Tudo se resume e a façam. Pessoa 1 Terapia eu acho, eu acho. Inclusive está aqui aberto o espaço de publi, de sites que oferecem terapia e tal. Não tem um Monte. Por favor. Pessoa 4 Gente, aplicativo de meditação, entendeu? Pessoa 1 Deixa eu dar? Encontrando Refúgio em Animais, Arte e Espiritualidade Contato com o pessoal da cannabis que me vende a cannabis, gente, vocês querem patrocinar aqui que tem uma galera precisando muito de um tratamento diferenciado? Pessoa 1 Como eu sabia que nesse episódio a gente IA falar de uns negócios assim, um pouco mais intensos e tal, eu preparei uma perguntinha aqui para finalizar, para acalentar, nosso coração é pelo menos assim, né? A minha resposta, ela é acalentada. Agora que eu estou pensando melhor, não sei como é que você é de. Pessoa 3 Vocês e amigo. Legal. Pessoa 1 Lá vem, lá é que é o seguinte, né? Até a gente crescer e ganhar maturidade para entender episódios da nossa infância, adolescência para começar. 11 processo de cura para sentir orgulho é. Muitas vezes é uma jornada solitária, eu diria. Mas sempre tem alguém ou algum bichinho. Sempre tem um Porto Seguro que ajuda a gente a passar por essa. Esse Turbilhão de coisas aí. E eu queria perguntar se vocês têm essa pessoa ou se foi um, sei lá, uma aula de alguma coisa ou se foi um esporte que era o teu refúgio, que foi o que te ajudou a passar por isso, sabe? É, eu vou começar falando que o meu Porto Seguro sempre foi minha irmã, que mesmo sendo 11 mulher cis hétero, mesmo quando eu não entendia por que que eu era tão diferente das pessoas da minha bolha. É a minha irmã. Ela nunca, nunca arredou o pé, sabe? Então, quando ou minha mãe estava falando que minha roupa não estava adequada, ou quando alguma tia fazer algum comentário, enfim, a minha irmã estava sempre ali e ela nunca me ridicularizou por nada, sabe? Então ela estava sempre ali. Eu IA chorar no banheiro porque eu, né, tinham brigado comigo por causa da minha roupa e tal, e ela sentava lá do meu ladinho e ficava, sabe? Só ali ela só ficava lá. E como a Lu falou, a gente não é uma coisa só, então é outra. Narrativa muito presente na minha vida foi essa veia artística que queria trabalhar com é com criação, sabe? Com arte. E nesse lugar, eu e minha irmã, a gente sempre se encontrou muito, porque ela também é artista. Então, não só em relação a minha sexualidade, mas quando eu falava que eu queria trabalhar com música e todo mundo falava que, sabe, a história do AI vai morrer de fome. Enfim, horroroso esse discurso, né? Mas eu escutei muito isso. E a minha irmã que estava sempre ali segurando a minha mão, e eu acho que se eu não tivesse tido a taíssa, eu não estaria aqui hoje, definitivamente. Eu sempre fui muito amiga de mim, assim, eu sempre fui muito fiel a minha essência. Então eu não acho que eu teria me perdido de mim, mas eu teria sido muito sozinha. Eu acho que eu teria enfrentado episódios assim, muito mais sinistros assim na minha vida, sabe? Se é para falar de infância e adolescência, não tenho como não lembrar que a minha irmã estava lá do meu lado esse tempo todo e que Ela Foi meu Porto Seguro é até hoje. Mas que foi meu Porto Seguro em vários momentos que nem eu Nem Ela sabíamos o que estava acontecendo, mas a gente se tinha e isso foi o bastante pra gente se puxar até aqui, sabe? Pessoa 3 Que lindo, amiga, fiquei assim pensando. Pessoa 1 No AI foi lindo, né? Se essa égua não chorar ouvindo isso? Pessoa 2 A gente pedindo para ela fazer o react dessa praça. Pessoa 1 Então Ana teve um Porto Seguro. Pessoa 4 Espera aí que eu eu pedi para ele ser trazido aqui só um pouquinho? Bu vem cá. Pessoa 1 Ah, não para, para. Vai se foder, vou chorar. Vem. Pessoa 3 Vem AI gente, AI a carinha. Pessoa 4 AI, gente, a bu Ela Foi tipo assim, Ela Foi AA, aquela cachorra da vida adulta que muda a nossa vida, sabe? Sei. E aí ela tipo, foi isso, entendeu? Olha a cara, ela está tímida. Pessoa 3 Ela está ela. Pessoa 2 Está tímida, você? Pessoa 3 Está. Pessoa 2 Fofa. Pessoa 4 É, eu acho que tipo, a música foi um refúgio muito grande assim, vários momentos de angústia. Eu sentada num piano, é, foi um momento de de muito refúgio. Mas eu acho que desde pequena todos os animais de estimação que eu tive foram meu acalento. Assim, desde muito pequena. Eu lembro da minha cachorra quando eu tinha 6 anos, que ela se chamava Brenda, era Brenda dos. 101 Dálmatas. Mas eu chamava de prenda porque eu não sabia falar direito. Então, tipo, todas as cachorras que eu tive, eu acho que sempre foram. Eu acho que Oo. Pessoa 2 Os. Pessoa 4 Cachorros sempre foram um refúgio assim para mim e até em situações que eu tenho algum tipo de ansiedade, algum rolê que eu estou ansiosa e que tem algumas pessoas que estão me deixando desconfortável, eu já vou procurar se tem um bicho por perto, nem que seja um inseto, e eu vou me interter com aquele bicho, porque eu acho que. Eu acho que ajuda muito. E a bu ela, tipo, eu adotei ela em 2018, foi bem no começo do canal também e ela também foi um meio que um momento decisivo assim da minha vida de é querer ficar bem Por Ela, sabe? Tipo assim, eu, eu não quero mais oscilar meu humor, eu não quero mais entrar em depressão, eu não quero mais ficar maníaca. Eu quero tentar fazer de tudo para ficar bem por causa dela, entendeu? Pessoa 2 Jéssica, para que se não eu vou chorar? Pessoa 3 AI gente, eu também estou ficando emocionada porque a gente falou sobre coisas muito mais tristes e. Com coisas bonitas, isso, então. E a boa é linda, né? É? Pessoa 2 Aí você fala, é uma? Pessoa 3 Coisa dessas é que é que eu me relaciono. Pessoa 2 Muito com o que tu tá falando? Pessoa 1 Ana, mas assim é porque a banana, ela também foi a cachorra da vida adulta que a gente pegou ela quando eu estava num período muito, muito, muito difícil, de crise, de ansiedade compulsiva, assim, diariamente. E é tudo isso assim, a vontade de levantar, porque tem que botar comida, porque tem que tudo é um. É um guia assim realmente, então. É quando eu era criança eu não tive bichinho de estimação. A gente foi ter o sushi, que foi o meu cachorrinho lá de Manaus. Eu já era tipo adolescente, então eu eu não me relaciono, infelizmente na infância, mas na vida adulta com certeza eu me relaciono com o que tu está falando. Eu tive animaizinhos a vida toda, mas o. Pessoa 2 Mal é o meu pássaro da vida adulta, não ele que me ajudou a me mudar, inclusive então. Eu me relaciono também, apesar de não ser essa a minha resposta. Mas no mundo vai amar você primeiro, vai eu primeiro. Mas você já começou, amiga, não quer terminar? Pessoa 3 Não, eu posso falar primeiro, gente, eu falei a book. Pessoa 2 Falou no meu ouvido quando ela conheceu a. Pessoa 4 Esther, ela falou assim no meu ouvido, é, ela vai, É Ela. E eu tenho vídeo e foto tipo da boo desde o primeiro dia que ela conheceu a Esther. Apaixonada pela Esther. E ela não queria tanto que a Esther fosse, tipo que a Esther é, a gente morava em cidade diferente, aí ela, ela não queria que a Esther fosse embora, tanto que ela comeu a carteira da Esther, comeu a identidade, o dinheiro, o cartão de crédito, comeu tudo. Ela disse, você não vai embora daqui, foda se entendeu. E aí ela comeu a carteira da Esther. Linda, princesa, então. Pessoa 1 É. Pessoa 3 Eu também sempre tive uma relação muito forte com com os animais desde criança, e eu sempre convivi com eles, a gente. Inclusive, aqui em casa fazia esse trabalho de resgate, de pegar da rua, de cuidar, de doar. Às vezes não foi assim que eu acabei com 7 gatos nesse momento e minha casa sempre foi assim. E eu tinha dificuldade com seres humanos, mas nunca, nunca tive com animais. Então acho que eles foram essa, essa segurança, essa amizade também essa o motivo por eu não me sentir tão sozinha. Na infância, na adolescência e também na vida adulta. O que vocês falaram sobre sobre isso? Assim de acordar e pensar neles, pensar, tenho que trabalhar porque eu preciso comprar ração, preciso levantar para trocar a água, mas além de dos animais, eu queria ressaltar a. O que me ajudou muito quando eu era mais nova foi a literatura. Assim, foram foram esses personagens que que se tornaram meus companheiros e também a música. É engraçado, vocês falaram sobre isso e eu acho que a arte é é tem esse papel na nossa vida. Por isso também que tem tantos artistas que são pessoas consideradas desajustadas, né? Pela sociedade, pessoas que tiveram uma experiência assim. Porque aí encontraram na Arte 1 refúgio e eu aprendi a tocar violão sozinha quando quando eu era criança, é, e tudo isso me ajudou também. Eu sempre escrevi muito e eu acho que são essas coisas que que nos que nos trazem aqui, né? Para a vida adulta. E não é coincidência que hoje trabalhamos com com criatividade, com texto, com comunicação. Acho que também tem muito disso. Mario, tu se recuperou? Ah, lá vou eu. Pessoa 2 É porque para mim é é um assunto que realmente é é muito importante para mim. Eu falei que ele é mau e é meu pássaro da vida adulta. Eu eu inaugurei um novo tipo de sapatão. Tem a mãe das plantas também sou, tem o sapatão dos animais também, mas tem a sapatão agora dos pássaros. Gostaria de muito foda. Disruptiva a gente estava. Pessoa 1 Precisando, a gente estava precisando. Pessoa 2 A Mari, ela quebra vários paradigmas, ela é feminina. Pessoa 4 Entendeu? Ela tem um passarinho? Pessoa 3 Periquito. Pessoa 4 Ela, a sapatão do Periquito, eu sou do contra. Pessoa 1 É verdade? Pessoa 2 Tudo faz. Pessoa 3 Sentido agora, mas é porque para mim assim, eu? Pessoa 2 Tive o mal e ele me ajudou Na Na minha vida adulta para eu morar sozinha, para eu lidar com essa questão da culpa que eu falei, né? Eu tive. Eu tinha a minha avó para cuidar por muito tempo depois. Dos pais vascular, e aí de repente eu tinha ele aqui, eu tinha alugado já o apartamento e eu ainda ficava indo lá e voltando e não dormia aqui. Eu estava ainda tinha um desmame para fazer e de repente o Mauro só me escolheu um dia na rua. Eu falei, Ah, então agora eu não posso mais vir aqui. Eu realmente eu mudei por causa dele, mas por isso que eu falei que era o meu passa para a vida adulta. Mas o que IA me fazer chorar aqui que eu vou tentar dar uma segurada assim? É porque pra mim, o que de fato me salvou foi a espiritualidade. Foi saber que eu já era do axé antes. Pessoa 4 Mesmo de descobrir. Pessoa 2 O axé e a minha, eu não sabia que a minha avó. Era médium também que ela tinha 11 passado dela interrompido no período de ditadura, quando eu comecei a ter sonhos e falar com ela. E aí ela me levou pela primeira vez numa gira. Eu falei com uma fruta velha sobre, tá achando que eu era errada por gostar? Pessoa 4 De mulher? Pessoa 2 E de gostar de algo que eu achava que eu não devia gostar. Vovó, lá dentro da Bahia falou assim para mim, minha filha, se você está sentindo, é porque faz sentido para você. E é. Pessoa 4 Porque é verdadeiro? Pessoa 2 E foi a partir daí que eu falei, ó, então, será que vai ficar tudo bem? Será que vai ficar tudo bem? E foi no achar que eu fui abraçada. Foi ali que eu entendi que estava tudo bem ser eu. Enfim, é isso. Eu só é difícil falar porque é uma história muito bonita, muito importante para mim. E eu acho que todos nós da comunidade LGBT temos questões muito específicas com religião, né? É o pecado, a culpa cristã, as questões familiares, o não falar com os pais, o omitir, a mentira, né? De você não estar contando para sua família. Então tudo isso eu estava sentindo. Eu fiz caticismo, eu fiz crisma da igreja, então assim minha avó me botou, tadinha, me botou no pra isso tudo, falando assim, Ah, vai ficar um pouquinho perto de fé de alguma coisa, pelos traumas dela, pelas coisas que ela precisou abrir mão e que ela não gostaria mais por preconceito mesmo. Então ela acabou me afastando. Mas aí esse reencontro aconteceu e que bom que. Pessoa 1 Aconteceu. Pessoa 2 Porque é isso, graças ao achei aqui. Eu estou aqui inclusive falando com vocês, nossa amiga, que que foda gente, vamos mandar as perguntas. Reflexões Finais e a Importância da Comunidade LGBT Sempre eles, porque assim eu fiquei muito feliz que eu estou sem. Pessoa 4 Maquiagem? Porque se eu tivesse maquiada hoje, isso é um desastre. Tipo Ana, Ah, hoje vai ser. Pessoa 2 Isso aqui aí, tipo. Pessoa 4 Não vou. Passar nada no olho, rimas, essas coisas assim só. Mas eu acho bom. Eu acho bom porque. Pessoa 2 É, é a gente também chorando porque a gente quer. A galera do outro lado também vai chorar com a gente? Exato. Eu acho que essa é a parte mais legal do do podcast, porque somos 4 amigas aqui conversando, mas exatamente outras várias pessoas que vão escutar para uma sala junto. Pessoa 1 Com a. Pessoa 2 Gente, acho que é isso, né? Esse total chá não é só nossa, de todo mundo e. Pessoa 1 E também. Pessoa 2 Pra muito esperando vir aqui com chazão. Pessoa 1 Putaria. Pessoa 4 Rolando chorando por cima e não por. Pessoa 2 Baixo, uhul. Pessoa 4 Amiga esse. Pessoa 2 Podia ser, sei lá, assim a gente podia. Pessoa 3 Falar chora por cima e não por baixo. Esse é o nosso por enquanto, tá? Porque o meu episódio foi chegar, né? Pessoa 4 Ah, meu episódio, gente, é verdade da. Pessoa 1 Ana. Pessoa 2 Nossa episódio. Pessoa 1 Da Ana? Pessoa 2 É verdade, mas eu só quero dizer também que muitas pessoas. Pessoa 1 Que estão escutando ou assistindo esse podcast nesse momento, estão tendo esse espaço para falar sobre tudo isso pela primeira vez. Então é legal a gente mostrar a nossa realidade, porque é isso. Eu acho que até pra gente é uma experiência que é novo, né? É novo. É na nossa vida adulta que a gente conquistou essas relações. Essa segurança, esse autoconhecimento para a gente falar sobre tudo isso, porque na adolescência eu não. Gente, olha, é que tem tem episódios por vir, mas o meu processo de auto descoberta, putz, porra, foi um sofrimento. Então tudo isso aqui que a gente está conversando, sabe? É, é muito legal. A intenção do podcast era realmente essa, era unir as nossas 4 vivências, porque vai ter gente ouvindo que vai se identificar com a Mari no quesito de espiritualidade e vai ter gente que vai se relacionar mais com a nossa relação com os bichinhos ou com o pai ou com a irmã. Então é isso, sabe? Vocês que nunca se sentiram, é vistos ou validados. Aqui a gente tem um mundo, sabe, para apresentar para vocês que talvez faça você se. Tinha um pouco mais em casa, dentro de si e dentro da nossa comunidade também, sabe? Então acho que era isso, cara, que primeiro episódio lindo, Mano. Eu estou com o lado, eu estou com o seu vaco todo suado. Pessoa 2 Gente, eu acho que temos, né? Não foi muito lindo? Pessoa 1 Isso acho que você terminou de um. Pessoa 2 Jeito. Pessoa 3 Maravilhoso, amiga, parabéns por este. Logo choramos que vimos. Pessoa 1 Eu espero. Pessoa 3 Que as pessoas tenham se divertido, tenham se emocionado com a gente, e é importante lembrar que toda semana a gente tem. Tem episódio novo por aqui, a gente se vê semana que vem com episódio novo, um beijo para. Pessoa 1 Vocês beijo, beijo. Pessoa 2 Até a próxima, gente.

Podcast Summary

Key Points:

    Summary:

    Chat with AI

    Loading...

    Pro features

    Go deeper with this episode

    Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.