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Improviso: a arte de não saber o que vem depois | Mamilos #571

from Mamilos

78m 39s

Improviso: a arte de não saber o que vem depois | Mamilos #571

A conversa explora a relação entre o improviso, a vida e a construção de uma existência mais presente e humana. A ideia central é que o mundo não é planejado com precisão, e que o que realmente importa é o que acontece no momento presente — o "presencial", não o "preparado". O improviso, como prática teatral, ensina a escutar, aceitar, deixar de controlar e se abrir para o inesperado. Essa habilidade se aplica diretamente à vida, onde cada escolha é única e imprevisível. A crítica ao controle excessivo e à ansiedade mostra que a sociedade moderna, com a fragmentação do tempo e da atenção, afasta a sensibilidade humana. O erro, ao invés de ser visto como falha, é apresentado como uma ferramenta essencial para inovação e crescimento, tanto no teatro quanto na vida pessoal e profissional. A prática de improviso também desafia a imagem tradicional do homem como "certo", sempre correto, e mostra que a verdadeira força humana está na falibilidade, na disponibilidade e na capacidade de aceitar o que não está no plano. O exemplo do palhaço — que cai, mas é visto com riso — simboliza a identificação com a vulnerabilidade humana. A discussão conclui que viver com presença, escutar o outro e se abrir para o improvável é o caminho para uma vida mais autêntica, consciente e profunda.

Transcription

12031 Words, 64169 Characters

Portuguese
Não existe o certo errado, existe aquilo que aconteceu. O preparado está morto. O presencial é o que está vivo. É o que aconteceu ali que importa. Mamilos. Mamilos. Mamilêiros e mamiletes, sejam muito bem-vindos à última temporada do Mamilos, eu só juva lá, eu. Eu sou o Chris Bartz, estou aqui para te convidar a passar. O que fica a fazer sempre para curtir com a gente o encerramento de 12 anos de jornada? E não poderia deixar de ser diferente, a gente está chamando todos os queridinhos dessa mais de uma década para conversar com a gente sobre assuntos que a gente adora falar dessa vez, tem gente muito boa por aqui, março balas e guita, nem estou acostumada a falar assim. E quando está a paisando é outra pessoa. Que são os nossos convidados, Helena, a gente vai falar do que hoje. A gente vai falar sobre a arte do improviso mais antes, uma pausa, pequena, para a palavra dos nossos anunciantes. A gente falou recentemente aqui no Mamilo sobre a crise dos 40. E tem uma coisa ou nessa crise, né, Gil? Ela dá uma certa urgência. A gente começa a fazer conta de tempo, porque se eu quero mudar de cidade ou abrir um negócio, fazer um curso, viver uma experiência diferente, será que eu tenho o mesmo tempo descadhando isso por mais 5, 10 anos? Mas ainda tem outra coisa que muda nessa fase, você percebe que vai começando do zero. Se já construiu carreira, experiência, relações e plimônio. E o que você construiu pode ser justamente a alavanca para o próximo ciclo. Se você está vendo esse vídeo, tenha aquele plano que é dar um próximo passo, deixa eu falar sobre o banco BV. Com o empréstimo com garantia de veículo do banco BV, você usa o seu carro quitado como garantia, continuando com ele, e pode receber até 120% do valor para investir nos seus planos. Isso tudo, com taxas reduzidas, até 72 vezes para pagar, e ainda pode ter até que beber, com uma installidade grande. A vantagem de recomeçar no meio da vida é essa. Você não está começando do zero. Começa de onde chegou? Busque por empréstimo com garantia de veículo, de veículo, de veículo, e veja se faz sentido para você. Sujeito análise, consulte, condições em bev.com.com Então, olha o que a gente quer falar, tem muita informação, é muito dado, nossa. Mas a gente tem pouca atenção para digerir toda essa informação. Ferramenta preditiva não falta, dashboard, planilha de cenário, especialista de plantão. E ainda assim, parece que a gente tem cada vez mais ansiedade sobre o futuro, certo? É desconhecido, não entendo o que que vem por aí. Nunca se cobrou tanta flexibilidade de uma população que, segundo a OMS, é a mais ansiosa do planeta. Cerca de 9.3% dos brasileiros vivem com um trançono de ansiedade, é a maior taxa entre os países medidos. Aí a gelena tem esse cenário que você pensa, nossa, é desconfortável, né? Então, o que eu quero? Mais controle, mais planejamento, mais dado, mais opinião formada, posicionamento, produtividade. O problema é que boa parte dos desafios que a gente enfrenta pertence a uma categoria em que o controle não entregue o que promete. O fremeuor que signify de David Snowden, separa o que é complicado, que é difícil, mas com uma solução conhecida por um especialista, do que é complexo. Onde as variáveis interagem entre si a única forma de descobrir o que funciona é testar, observar e ajustar. Aí vem a sequência chamada vida, casamento, filho, carreira, política, clima e time de trabalho. Estão quase todos nessa segunda categoria, categoria do complexo, mas a gente insiste em tratá-los na primeira ferramenta que é difícil. Se acha que é o Kotler que vai dar conta, não é o Kotler que vai dar conta. A tradição de mais de 70 anos, que estudos exatamente isso, como as de bem, quando não se sabe o que vem depois, não nasceu de consultoria, nem de universidade, nasceu no teatro e lá se balas há tempos que a gente fala disso. Viola e Spouling, que Johnston e Del Close construíram um método para colocar pessoas num palco sem roteiro e fazer com que elas produzissem uma cena que faz sentido. As regras que eles formularam, aceitam a oferta do outro, escute antes de responder, faça seu parceiro para ser bom, não bloqueem. Descreve uma competência que hoje se aplica muito além do palco. E tem evidências de que isso mexe em algo mais profundo do que a criatividade. Em 2022, pesquisadores de Michigan publicaram um estudo com 350 estudantes de escolas públicas de Detroit que passaram por destesções semanais de teatro de improviso. Resultado, queda mensurável na ansiedade social e a análise mostrou que essa queda passa por outro fator, o aumento da tolerância incerteza. A intolerância incerteza aliás é hoje considerado um fator transdiagnóstico. Aparece a trajean cidade generalizada, toque, pânico e quadros depressivos. Praticar as ferramentas que deixam a gente mais confortável para não saber, pode ser, então, uma forma de construir, de investir na nossa saúde mental. E é essa hipótese que a conversa de hoje vai testar na nossa ótima companhia. Marcio Balas, eu te entrevistei pro código aberto a 1550 anos e outra era geológica. Outra vida, quem é você na fila do pão? Eu sou palhaço, essencialmente palhaço. Eu tenho desdobramentos disso, né? Eu comecei a pesquisar o improviso, eu sou improvisador. Calestuda, gente, como eu estou falando do código aberto, eles tudo estão muito. Eu sou palestrante também, eu falo sobre criatividade nas empresas e dou aulas de improvises e aulas de palhaço. Eu sou muito feliz de estar aqui, porque eu sou muito fã de vocês desde muitos anos, é verdade. Mesmo outra vida, é a vida. Então é isso, esse sou eu na fila do pão. E que já agravou vários mamílios com a gente também sobre assuntos diversos, completando a nossa mesa e a nossa audiência aqui do mamílios não está acostumada a tiver como gui. Acho que é a primeira vez. Eu sou o criador da Rita Von Rante, meu nome é Guilherme Terréi, sou o ator e professor, pesquiso, sou colonista, periri, parará e acho que sei lá hoje, essa é minha quinta vez aqui. É um dos preferidos da audiência, ele é o hit do nosso YouTube. Então assim, recebemos vários globais, mas o vídeo mais assistido do mamílios com Rita Von Rante. Depois vocês aprendem, gente, vai lá, vai lá ter uma sala de proviso. Ai, gente, vamos lá, vamos começar. Bala, eu queria que você começasse pelo início, que pode ser que a galera seja o venturismo muito nova do YouTube. Estou inventando tudo na tela telefone sem fio, eles podem não conhecer o jogano quintal. Tudo que era isso, por que 11 anos, o mesmo espetáculo encantando as pessoas e como que fazer essa loucura? Então, jogando no quintal foi uma loucura mesmo que aconteceu, essas coisas que acontecem. A linguagem do improviso que eu saiba nem existia no Brasil como espetáculo mesmo. Eu tinha ido para fora que eu virei palhaço, de um determinado momento da minha carreira, da minha história, e virei palhaço. E fui estudar, na França, quando eu fui para França, eu vi um espetáculo de improvisação. E eu pirei, pirei, pirei, pirei, não sei se isso é incrível. Quando eu voltei ao Brasil, eu entrei nos dotores da alegria, então, comecei a fazer palhaço em hospital, e junto com o meu parceiro, que era o César Govê, né, porque o palhaço Cesar Parker, e o palhaço João Granão. A gente começou a juntar, ele queria fazer uma coisa no quintal da casa dele. Mas assim, ele queria fazer, sabe aquelas peças aí, porque a gente tinha que a pessoa ia na casa, aí no quarto, tem uma coisa, vem assim, interactive, e a gente começou a ter ideias e ideias. E quando que é isso? Isso era 2001, tá. E aí, ele falou, "Mas se tem na França, eu não vi uma coisa legal, eu fui de um dia, eu vi uma coisa de improvisação, que os caras fazem as coisas na hora, ele falou, "Mas na hora, filé, mas sem nada, ensinado, não". Mas ele não combinava, não, era tudo improvisado, eu falou, "Mas dá pra fazer, filé, eu achei muito difícil". Não é que eu falei, "Nossa, vou fazer isso". Eu achei muito difícil quando eu ia os caras fazer. Aí, a gente começou no quintal da casa, ele pesquisava, pesquisava, a gente era palhaço. Aí, a gente juntou o palhaço que a gente sabia com essa coisa do improviso que eu tinha visto falar. Lembrando que essa época não dava pra pesquisar no YouTube e ver várias coisas, a gente foi na raça, juntamos um grupo, e aí no quintal da casa dele a gente fez em 2001, 2002, o primeiro jogando no quintal, que era um jogo de improvisação de palhaços. A platé Piro era um quintalzinho pequeno pra quarenta pessoas, lotou logo no primeiro. A gente fazia tudo mês, a gente começou a fazer tudo mês, foi crescendo. A gente foi pra um quintal pra 100 pessoas, pra 400 pessoas, pra 700 pessoas. E aí virou um fenômeno no Brasil, e a gente, enfim, foi pra festivales fora, foi pra América Latina, pra apresentar, então virou mais de 10 anos. Ah, era um negócio que você chegava um todo dia, então tinha nada, então precisa preparar o que que era isso. Isso é uma coisa que eu falo bastante, a gente já diz, mas é tudo improviso, é tudo improviso mesmo, que as pessoas assistem, mas tem muita preparação por trás. Até pra gente criar o primeiro, a gente ficou mais de um ano pesquisando. E assim que a gente fez a nossa estreia, a gente era um grupo de pesquisa. Então a gente se reunia três vezes por semana, a gente filmava o espetáculo, assistia, ficava fazendo notes, ficava fazendo feedback, aprendendo, fazia no outro mês, depois de novo, depois de novo, depois de novo. Depois de um tempo, a gente sentiu essa necessidade de buscar o que a gente faz isso no. Eu comecei a dar aula de improviso, comecei a ver a reverência, só que eu não tinha estudado, assim. Aí a gente chamou uns caras de fora, uns caras da Espanha, da Argentina, que sabiam muito mais que a gente, para dar aula, para a gente, a gente fez um festival aqui, para conseguir espalhar isso e para aprender deles. Então eu improviso por mais que parece, na linguagem como parece uma coisa, não, faz de qualquer jeito, faz de qualquer coisa, tem que ter muita preparação, né? Eu tô achando o inacreditável, porque agora a gente tá, então, pessoas do futuro, que hólogos de civilizações passadas, a gente tá gravando em setembro de 26, e acabou de fazer um ano que a minha companhia de teatro volta com um espetáculo nosso, que é o melodrama da meia noite, o espetáculo de improvisação, ta, ta, ta, ta, ta. E essa nossa companhia tem 15 anos de existência, e nós ensaiamos semanalmente. E aí todas as vezes que as pessoas, ou que nos assistem, ou que nos pesquisam, né, a gente já tem grupos que nos pesquisam, falam, mas vocês ensaiam semanalmente um espetáculo de improviso, né? E a gente fala, há 15 anos, 30 anos. Mas como quem saia, bom, a improvisação, ela pode ser resumida como a capacidade de saber qual repertório acesso nesse momento. Isso é improvisar, então, quanto melhor você será um improvisador, quanto melhor você é um catalogador de biblioteca? Então, apareceu a cena da torta na cara, você sabe imediatamente que existem 8 possibilidades de continuidade da torta na cara. Como já temos a mãe da noiva e o homem traído, a melhor é a terceira, bota a terceira em ser. E aí, a gente, há 15 anos, fica ampliando uma biblioteca que nos diz, agora é a hora de entrar com isso aqui. - Que isso tem a ver com a vida? - Nossa, por que? Porque todo o ponto é, a gente não está dando um custo de teatro, mas é que eu acho isso, na minha cabeça, a aplicação é tão óbvia. Por senar, o que a gente está hoje? A gente falou dos mamilos aqui, que a gente falou "Olha, crisi dos quarenta, não sei o que vem depois, estava conversando com a crisi". Mas nenhum dos nossos amigos de quarenta sabe o que vem depois, o mundo desintegrando realidade líquida, não sei o que. O que proviso tem a ver? O que essas herramientas têm a ver com isso? Então, eu demorei muitos anos para entender que tinha a ver. - É verdade, não é humildade. Eu demorei muitos anos e muitos alunos que vinham. Eu lembro uma aluna, uma vez, ela falou assim, "Nossa, era um curto de palhaço", que tem muito de improviso, mas ela falou "Nossa, o palhaço é um trabalho de ausência do ego". E eu lembro, na época, eu nem entendi essa frase, eu demorei anos para entender. Ou, então, uma frase, quando você fala de frase, tem uma frase que eu falo no começo das aulas que essa do improviso, do jogo, do improviso, que faça o seu parceiro brilhar. Que é uma frase de técnica, porque eu tenho que olhar para o meu parceiro e pensar como eu posso ajudar ele estar mais engraçado, mais divertido, mais interessante. Só que depois de muito tempo, muitos alunos dando feedback e crescendo, com raidade também, drivecordam mais values. Eu fui entendendo que tem tudo a ver com a vida, quanto mais eu tô disponível, quanto mais eu tô aberto, quanto mais eu tô na aceitação daquilo que me acontece, daquilo que, dos percaços por quais eu passo, eu caminho, e isso é a vida, as pessoas falam, "Ah, eu não sei improvisar, puxa ser diária mesmo". E é exatamente isso que é o problema, nossa, que a gente é isso, ser humano, que é controlar, controlar, controlar, só que é impossível, e as coisas saem do nosso controle. Então, o improviso é uma bela do um belo do exercício, num lugar, eu tô falando o improviso te atratado, num lugar protegido, de certa maneira, te atratou uma sala de ensai, uma sala de jogo, porque aí você vai treinar, tá disponível, tá livre, tá pronto pro erro, pra aquilo que acontece, pro inesperado. Então isso acaba sendo muito legal, porque é um jeito de você estar na vida, né? E eu queria te chamar pra gente dar um passo antes do improviso, que é a ilusão do controle, né, então eu tenho, eu só tenho que improvisar, porque é algo saiu do esperado, e parece que eu tenho uma dinâmica de esperar bastante coisa, e de sentir que as coisas deveriam acontecer de uma determinada maneira. Então, eu só me assusto com o improviso, porque antes eu acredito ter controle, de onde saia essa percepção de controle? Por que que ela é necessária, que hora que ela pode ser muito ingessada? Ah, dona Cris Bartes, queramos levar pra Freud, e ela conseguiu! Agora nós vamos conversar um pouco sobre o século Xenopo, olha, tem muitos caminhos de entrar por aí, Cris, acho que a gente pode pensar o seguinte, o Freud se estabelece, como o Freud, a gente nunca mais vai conseguir falar sobre quase nada, sem voltar pro veio, porque ele representa, e eu gosto de pensar-lo dessa forma, ele representa a primeira fissura, irrecuperável no edifício iluminista, então vamos quebrar isso em lego, né, vamos deixar isso acessível pra todo mundo. A gente viveu camadas e camadas civilizatórias, que produziram uma coisa que a gente achou melhor chamar dessa forma, iluminismo. A igreja perdeu o poder, o discurso religioso não explica mais a realidade, a autoridade não está mais na fé, então agora a gente tem outras formas de organização social, outro estatuto do que é humano, e outro discurso de poder, que é o da ciência, de forma muito resumida, o iluminismo, ele é um passo adiante do racionalismo, então faz muito tempo que a gente acredita que as coisas são mensuráveis, verificáveis, comprováveis, testáveis, que existe um apartamento entre a natureza e a cultura, um apartamento entre a natureza e o humano, um abismo entre a civilização e a selva, e a gente constitui uma civilização em torno dessa ideia. Já tem gente furando essa ideia, né, então quando você vai olhar os românticos, eles são uma geração de intelectuais que estão olhando para o prédio iluminista, para o prédio racionalista falando, a gente vai cair esse prédio, então por exemplo, para ir para o Freud, o melhor caminho é olhar para um cara na França que estava estranhando muito aquela civilização, e ele começa a pensar que o seu vagem tem alguma vantagem frente ao civilizado, e ele começa a pensar que essas camadas civilizatórias, elas estão deixando as pessoas falsas, mentirosas, interesseras, os contratualistas na filosofia, eles deixaram de ver muita coisa, então Jean-Jacques russou, ele começa a desconfiada civilização e a elogiar a ante civilização, chegamos no Freud, a descoberta do Freud é que o eu não é senhor da própria casa, portanto a crença, iluminista, racionalista, ela era uma narrativa, uma narrativa de que eu escolho o que digo, eu escolho o que penso, eu estou na gerencia das minhas faculdades, eu estou racional, por isso, e aí quando você vai olhar essa civilização racional, ela produz coisas que são absolutamente irracionais, o Freud consegue descobrir alguma coisa chamada "o inconsciente", que é, de forma muito abreviada, a sequência imemorial de camadas civilizatórias que produz uma sociabilidade humana num momento, num território, ou inconsciente fala através de nós, por nós, no nosso lugar, e portanto o eu, eu sei, eu posso, ele não é senhor na própria casa, ele divide a casa com, voltando para Freud, um super eu e um isso, esse super eu sendo o ideal, esse super eu sendo aquilo que a sociedade prescreve, como espera que almeja que, e o isso, que é o que eu me recuso a reconhecer, que sou eu também, no aparto de mim, é o isso. o Freud começa a mobilizar uma espalheta. escuta na clínica pra mostrar que tenho controle, sei pra onde vou, posso prever até a página 6. Na página 6 você vai descobrir que na prática teoria outra. Muito bom, né? Nesses jogos de antítese, Se o Guime prova que no controle também tem descondor. Você também consegue nos falar o quanto do caos tem ordem. Porque veja bem, a gente, no jogo do improviso, também tem regras. Quando a gente fala de liberdade dentro de um frame orque, tem muito de ordem nesse caos. E eu queria que você falasse um pouco sobre isso. Quando a gente fala da metodologia, da ordem, do caos, acho que depois a gente pode fazer uma aplicação de como isso vira pra vida, pra fora dos palcos. Mas fala um pouquinho de qual são as regras? Existem alguns princípios básicos assim, né? Primeiro, eu tô muito feliz estar com um gui, porque aí já tem alguém que ensina tudo. É muito bom, né? Eu posso obter aqui. Você fala da página 6 pra 3. Mas eu lembrei de uma frase também que eu adoro do improviso também que vale pra vida, que a gente fala que pode tudo, mas não pode qualquer coisa. Pronto. Porque ela serve um monte de coisas assim, né? E muitas vezes no improviso, a gente tem as balizas, né, assim, algumas regras, alguns princípios básicos. Eles ajudam uma cena acontecer. Então, por exemplo, o princípio do sin, né, que é o princípio central da aceitação. Alguém vai dar uma proposta, uma ideia, o seu parceiro vai dizer sin, e criar em cima dessa ideia. Então, ele falou, "A bom dia, eu queria um pão." Claro, você não gostaria de aproveitar nossa promoção e levar dois por um e vem com esse bilhete da sorte. "Oh, wow, eu quero sin!" E aí ele vai lá, vai pra casa, ele abre o bilhete da sorte, "Nossa, bem, e assim uma cena vai acontecer." Exato, uma sucessão de sins acontece. Então, assim, tem alguns princípios, alguns nordes, os jogos de improviso. Eles têm algumas regras mínimas sobre as quais a gente vai atuar. Então, ele ajuda a fazer com que esse caos não fique uma coisa. Ele tem uma certa ordem, tá? Naquela coisa do caôrdico, tem um caos, mas tem ordem. Então, acho que é isso, que é como a vida. Óbvio que a gente não é que a vida vai estar. Não vou pensar em nada, não vou fazer nada. Mas eu vou ter uma intenção, vou ter um plano. Agora, a medida que eu vou atuar, que eu vou jogar nesse plano, eu vou jogar com aquilo que me acontece. Eu vou trabalhar com aquilo que começa. Porque quando acontece a coisa, a nossa tendência, né, que nem você é avlando o crise lá, não atraser, a gente vai, "Não, não, mas eu queria pra quê, eu quero pra quê, a vida tá falando, não, você vai pra cá, não, mas eu quero que. Não ler os acontecimentos, eu não tenho a ver com planejamento. Acho que a aplicação pra vida é. No Framework, dia de ministração, por exemplo, você vai lá, eu vou rodar o pedeciado, planejamento. Você vai prever o que tem, você vai planejar, aí você vai executar, você vai ler o que que deu e você volta pra falar de novo. Tem pouca margem pra sentir, pra escutar os sinais, pra ouvir exatamente e pra você se mover de uma forma mais orgânica. Eu acho que quando a gente tá falando de civilização, a gente tá falando de controle, a gente tá falando que a gente gostaria que as coisas seguissem um padrão que é mais matemático e menos orgânico, menos imprevisível, menos desruptivo. E que aí a gente tá falando. De ver, do caminho tinha pessoas, né? E aí, sumiu, mas tem pesado. Pessoas nunca correspondem o que a gente quer que inferno, é mesmo. Ai, que sonho. Não é mesmo, né? Você prepara, você sempre prepara uma aula, você prepara um vídeo, você prepara um meio que você prepara pra ir até as pessoas estar com elas. E aí, depois da sala, o parceiro, os estudantes não correspondem ao que você tinha preparado pra fazer. O que você faz com material que sobra do plano, quando você percebe que você planeja ou não tá cabendo nesse encontro com o outro? As minhas turmas podem contar melhor do que eu, mas eu tenho recivo. Então eu posso mostrar o recivo que assim ó, faz três anos que eu tenho um clube do livro e um grupo de estudos. No clube do livro, eu vou, primeiro de tudo, né, parênteses do parênteses, foi uma promessa minha comigo. Porque tem um determinado momento da minha jornada intelectual que eu abrimão da leitura por prazer. Então eu lia, porque preciso ler, porque esse autor situou esse autor, porque um artigo que apareceu o novo sobre o assunto que eu tô em. Então eu lia por dever. Ainda que eu ame, o que eu estudo. Até certo ponto, né? Não sei como armarrer que eu ainda. Mas a lina coisa no frigir dos ovos, eu percebi numa viagem, uma vez com os amigos, que esses amigos sentaram na areia da praia, começou a choviscar, que tempo bosta. Vamos. E o que vocês estão lendo? E aí meus amigos foram contando duma autora, sapatão, argentina, que escreve terror, e aí de repente eu percebi que eu poderia falar sobre a Hitler. E que esse é um pé no saco. E aí eu falei, "Ah, não tô lendo nada", né? E aí esse dia eu falei, gente, que chato, né? Não tá lendo nada. Comecei o clube do livro. É fruição, é prazer, é uma trilha de leitura sobre assuntos que tão uma, mas é literatura. Eu sempre enfio um que não é lá no meio pra turma descobrir. O grupo de estudos é um ano, um curso que vai durar um ano, com um tema que eu vou desdobrar-lo até o limite, com uma turma. É, preparo o cronograma, preparo as aulas, preparo as leituras, os materiais complementares, mandam tudo pra turma e peço uma leitura mensal. Então olha pra aula que vem vocês vão ler isso. Chego na sala de aula, comece a trabalhar o isso, né? Então por exemplo, agora a gente tá fazendo teorias de gênero, teorias feministas e teorias queer. É um curso que vai tentar colocar esses três campos num ringue de patinação. A aula passada eu dei pra turma um texto da Nancy Fraser, que é uma feminista marxista, mas hoje ela é reconhecida com um dos maiores nomes da teoria crítica, um texto dela, do início dos anos 2008, chamado capitalismo, feminismo e astúcia da história. Que que ela mostra desse texto, como a segunda onda feminista foi capturada pelo neoliberalismo e, de repente, se tinha feministas neoliberais. Foi a aula que eu preparei. Cheguei lá, comecei assim, eu acho que eu tava há dez minutos pavimentando o caminho do texto, como ele aparece, Obama, Estados Unidos, recessão e aí alguém fala. Isso tem a ver com no Brasil. Então o patriarcado pode ser neoliberal ou não. Então, e aí eu falei que a aula começou, porque são essas inquietações da turma, partir do que eu estou colocando, que é a aula, a aula não é a minha leitura do texto. Só que não seria um podcast. E aí o que eu faço é, tem um material pronto, que eu envio. E esse é o preparado. O preparado, ele tá morto. O presencial é o que tá vivo. Você fica frustrado. Jamais, eu acho. Ornima. Deixa eu ver como que essa pergunta. Porque o que você preparou não se pede, você pode usar. Não, não, não, não, não. Uma apresentação presencial, você chegou com texto, você pensou no de coisa. Ornima, o que a gente faz com o, mas eu queria que a gente fez toda coisa. A gente abre mão dessa criança amimada. A gente aprende que masturbação é uma coisa e sexo é outra. Isso. É isso. Cara, pra mim, eu tive toda a teoria, assim, eu me encantei pelo março que eu não encontrei com ele, porque foi esse choque, eu aprendi a planejar, eu aprendi a, tudo que eu tive que ler, para encontrar com ele, eu entendi que tinha uma coisa maior do que o planejar. Que é o que você consegue fazer quando você planeja, você conhece muito. E você ainda em cima disso tá presente no momento. Eu entendi que era um outro nível, que não era menos, que na minha cultura era menos. A pessoa que em provisa, a pessoa que não sabe. Eu tive isso, não sei nada, não preparei, então eu vou improvisar. Meleza, só que na prática, onde viram a chave, foi um dia que a gente vai receber Vivian Emozé, eu tinha estudado um monte, eu tinha um monte de pauta, era aquele dia que nunca ia dar pra fazer tudo que eu queria, que eu já ia sair forçado, ela me deu uma na cara, com dois minutos, uma na cara com cinco minutos, de uma na cara com dez minutos, eu peguei a pauta, vou ter assim. E aí que começa? E eu chorei no final, chorei, foi lindo, não tem nada do que eu queria falar, tem o que essa mulher veio pra falar e tem o encontro meu com ela, que aí eu falei pra aquele dia mudou, porque eu ainda chego com a pauta pronta, que ela gosta, só que quando eu vejo que a pessoa vem com força, que é esse seu aluno, que é, a pessoa ela tem alguma coisa, naquele dia o que vai dar pra fazer hoje, anos depois, foi um dos maiores aprendizados mais menos, eu já consigo ouvir, antes eu tava tão fechado em mim mesmo, porque é o que você falou, deixa o outro brilhar, que eu não tinha a capacidade de ouvir o que você tava me falando, e isso é na mesa do Mamilos, isso é na vida, que é o seu parceiro, que é o seu chefe, que é o seu filho, você tem que ser planejoso para o seu filho, e tem uma pessoa viva ali, que tá naquele momento histórico, social da sua casa, que vai dar o que dá pra dar, não vai dar o que você planejou, entendeu? Mas eu tenho um filho assim, e é que tem, filha, é esse aí que você tem, entendeu? E aí você tem uma carreira de um que eu planejei, que vi a 6 e 6, mas agora acabou, quem mexeu no meu queijo, queijo não tá mais aqui, mas eu gosto de eu tenho queijo, mas não tem mais, mas eu queria o queijo, mas então não tem mais queijo, filha, vai, corre, consegui demorar menos tempo, pra perceber que a realidade mudou, eu acho que, esse, isso é uma das coisas do jogo, que é como é que eu crio a sensibilidade, pra entender, ah, aquela aula que eu pensei, não, agora eu tô nessa aula, essa aula é outra, o filho é outro, o mercado é outro, o casamento é outro, pronto, pronto. Eu queria pegar a bala, esse processo que a Juliana tá falando que é perceber que mudou, geralmente as pessoas quando precisam de alguma coisa grande aconteça pra ela falar, mudou mesmo, parece que terei que me mexei, e aí tem um retrogosto de como não perceber antes, que o meu filho era assim, o que esse emprego não ia rendê, ou que essa carreira não tava indo pro lugar nenhum, ou que esse romance já tinha dado há muito tempo, e aí começam o processo de como eu não me dei conta, o que é o tempo das coisas de perceber a necessidade de mudar a necessidade de improvisar em cima daquilo, que já não tá funcionando há um tempo, como é que a gente lida com o processo de olhar e falar "deu?" e talvez eu tivesse dado há muito tempo, mas eu percebi agora, como é que essa fase aí? Eu me lembrei aqui que não improvise, eu tenho uma coisa que a gente trabalha muito que essa coisa é do desapego, porque quando dois improvisadores vão jogar, você tem duas mentes que estão trabalhando ali, ou por que dá um título, ele vai acontecer, ele fala no museu, então cada um dos improvisadores pensa, "Ah, eu já sei, você é um colecionador, ai o outro pensa já sei, eu vou estar abrindo um museu novo, só que isso tá na cabeça deles, no momento em que a cena, eu, em pra ver, isso começa a já um dos dois, toma uma decisão de manifestar aquela ideia, então, por exemplo, um começo, nossa, essa obra de arte é a mais cara da minha coleção, 100 mil dólares, as pessoas acham que isso é dinheiro, isso não é nada, então ele começou, nesse momento, esse outro improvisador que tinha uma ideia, ele é um trabalho, ele vai ter que jogar fora essa ideia e entrar na ideia do outro, o que muitas vezes acontece, que é atrapalho uma cena, que o improvisador no começo, a gente no começo, você fica pegado e você quer trazer aquilo e aí dá um conflito que não é interessante, para a cena e a criação não acontece com aquela fluidez que a gente gosta. É, não ficar puxando o volante para um lado, né? Como você eu quero fazer a mim e o exercício é exatamente a fazer o nosso, porque a partir desse momento, porque se eu pensei "ah, vou fazer um colecionador de obras impressionistas" e eu comece a falar, e o outro fala "nossa, você tem razão, porque o renascimento é a época da humanidade que mais produz de obras, neste momento o improvisionismo vai embora, eu to com uma obra renascente". É um trabalho de deixando, de deixando, de deixando, como na vida, que às vezes a gente se pega no negócio e não vê o que a coisa aconteceu, né? E outra coisa também que eu estava pensando quando você estava falando ajuda, porque o improviso também é arte do aqui agora de fazer a coisa naquele instante. Então é um trabalho de presença que encontra uma presença, se os dois ou os três ou os quatro estão aqui agora no momento presente ali, vai acontecer algo que é impossível de se prever, impossível de se planejar. E quanto mais todos estiverem nisso, aí com o tempo, né? O que sabe de sucru. Em cena até a gente testa e comprova que assim, quanto mais todo mundo está nesse lugar, mais uma cena, essa incrível, mais uma cena, essa redonda, mais uma coisa que a plateia fala, nossa, parecia que existia um combinado. E claro que se a gente está tão ali, a coisa acontece e é o que tinha que acontecer, que acaba acontecendo, né? Então como a vida, como a vida, se eu estou numa relação que tem muita presença, que tem muito encontro, que tem uma escuta, essa escuta fina que a gente tem no improviso, eu olhar para o meu parceiro, eu olho para o elídeo, eu vejo que ele está saindo da cadeira para dar uma ideia, espero um segundo, porque ele tem alguma coisa para dizer. E aí quando ele diz, eu entro na hora porque é perfeita para aquele momento, para aquela coisa acontecer, aí tem uma coisa linda e bonita. Quando cada um quer colocar sua ideia, cada um quer colocar seu pensamento, aí acontece isso. Então, mas era só, para isso tudo o que ele falou acontecer, você precisa de atenção. 100%. E é o que não está tendo no momento. Então perceba, o fide infinito, tudo que é uma atenção e tempo, né? Essas duas coisas que você falou, aí eu vejo que ele vai levantar, aí eu dou um tempo para eu entrar, porque tem o ritmo das coisas. Então, precisa de atenção e tempo. E aí, não para o palco apenas, o palco é uma demonstração da vida, a vida é o espetáculo. Na vida, quando eu tenho que improvisar, porque toda a relação é improviso, porque toda a escolha é improviso, na real, porque nunca aconteceu antes e nunca se repetirá depois. Então a vida inteiro é improviso. Eu não me dou tempo, eu não percebo que existe o tempo. E eu não tenho nem a atenção para escutar. Olha essa coisa fina. A gente está no presente, para poder, para fazer eles tanto de decisão, como é que a gente navega a vida, sabendo que a vida é improviso, porque não tem outro jeito de ser. Não é uma escolha. É o que é. Sabendo que a vida é improviso, que o professor, que estudou em proviso, diz que em proviso ele quer escutar e a atenção e tempo. E é o que a gente menos está até no escuta, a atenção e tempo, como que vive? Esse é um modelo de negócio da Big Tech. Tem uma filósofa chamada Simone Vale, que ela diz a sua frase, "Ju, tempo e atenção são as formas mais bonitas ou nestas importantes de a fé". Tempo e atenção. A era da Big Tech é a era no qual? Tempo e atenção se fragmentam, se líquoe fazem e escorrem pelo ralo. Sem tempo e sem atenção, o ser humano entra em parafuso. Sem tempo e atenção, você precisa do chat GPT para qualquer coisa. Então, assim, qualquer pergunta, é consulto guru. Quanto menos tempo e atenção você tem, menos inspiração, menos presença de espírito, menos capacidade de improviso, que é o que a vida requer de nós. Quanto menos tempo e atenção, menos humanidade. Quanto menos humanidade, mais cede lega para uma máquina. Então, fica pensando assim, um povo originário. Um povo originário, quando você conversa com comunidades indígenas, as do Brasil, elas têm outro tempo de fala e escuta. Eu sou encantado, apaixonado, um grande fã de uma intelectual brasileira brilhante que a Gininunes, e quando você escuta a genida a aula e falar em podcast, ela recebe, às vezes, uma pergunta e pensa durante seis segundos. A gente ia cortar esse silêncio, sabe? Corta para fora do podcast. É o Eduardo Jorge, que você acha que ele está dormindo e ele está pensando. E gravando uma miras e ele é assim. Aí você termina a pergunta e fica assim, e depois se responde. Sem tempo e sem atenção, você não tem milagre. Milagre, eu estou chamando essa beleza humana de estar vivo, de improvisar, de saber o que fazer, de ter a sensibilidade de falar tudo bem hoje. Para essa pessoa com quem você trabalha e se a tua antena tiver afinada, você percebe que chegou off. Assim, a última vez. que eu vim numa milus, não sei se vai lembrar disso." Eu falei, não está tudo bem, né? Eu acho que o que mais importa em ser humano é a nossa capacidade de presença e de atenção. Sem isso, a gente deixa de ser humano. Essa é a plataforma de negócios da BicTech. Ela depende da nossa desumanização, para nos vender tudo aquilo que a gente sempre teve. O que a rede social faz é destruir sua sociedade para ativender a sociedade, sabe? O que a indústria do pornofaz é destruir a sua capacidade erótica para ativender um simuláculo do erotismo. E assim, vamos, se você conseguir aprender a estar presente, nossa, você dá um macastero, não é? Eu acho que tem uma coisa muito interessante no novo tipo de controle, que eu não te abrigo, você aduso, você não precisa ter redes sociais, você nem precisa estar lá todo dia. E fica parecendo que não tem que ter, tem que estar, não tem que. É uma sedução, não é uma necessidade. Então, minha filho falou, mas todo mundo tem entrar lá, não sabe quem eu sou, porque eu não tenho perfil, mas vai te conhecer presencial. Então, nossa capacidade de resistir essa sedução que tem que ser colocada a prova. E não eu preciso disso, sem isso, eu não estou presente, está presente. Eu queria falar com vocês para entrar numa pergunta escuta com o marcio, sobre um documentário que eu comecei a assistir ontem, num terminei, do Paulinho da Costa, que é um gênio ignorantemente, não conhecia, ele é um percussionista que tocou com todas as pessoas que você puderem imaginar na sua vida. E o processo de criação dele é um processo de presença, ele vai pra dentro do estúdio, e aí seja coincidionis, dona Sami, Ivet Sambolo, Michael Jackson, todas as músicas boas que você escutar tem o Paulinho da Costa, e você não vê. E a hora que ele toca na música, você fala, mas essa música não existe sem isso. E aí, explora um pouco do processo dele, o processo dele é escutar a música dentro do estúdio, e complementando, de uma maneira muito orgânica, a existência daquele som. E aí tem um pedacinho que Roberto Carlos fala, puxa, Paulinho, te chamem, mas eu queria aquele negócio que aquelas pessoas fazem, que é assim um patinho, mas eu me pedi pra trazer, ele abre um armário, ele quando vai tocar, leva tudo, porque não sabe o que ele vai usar. É um improvisamento. Ele escuta, ele sente, e ele transborda aquilo no instrumento. Então, tem um que é óbvio que vai ter a particularidade musical dele nisso, ele tem um ouvido impressionante, ele é um músico impressionante. Eu recomendo a todo mundo que assista, acho que a Netflix está muito simples já achar. E aí, Márcio, eu fiquei muito metida com a escuta dele, porque ele não tá prestando atenção necessariamente, em quem vai cantar, mas quando chega e fala, você é um gênio, ele, tal, mas o que a gente vai fazer aqui, né? Como é que a gente vai criar isso aqui juntos? Você faz isso, né? A casa do Moral é a treina escuta, e parece que a gente acredita saber que já sabe escutar. Como é o erro mais frequente em quem tá começando a escutar? Por onde deve começar, quem deseja realmente começar a escutar, igual eu fiquei maravilhada com a arte da escuta do Paulinho da Costa. Qual o erro? Puxa, interessante. Eu não sei, vem que a gente, eu acredito que a escuta passa, em primeiro lugar, e eu também demorei para entender isso por uma escuta interna. É como se em primeiro, eu preciso estar conectado comigo, isso vem antes até eu querer estar com outro. Quando eu comece a trabalhar com improviso, eu vim nessa escola que vem atrás do sinhe, que é da construção, e tal, só que depois de para fundar, eu entendi que antes eu falava muito de estar assim para o outro, assim para o outro, assim para o outro, assim para o outro. E um dia, então eu falava de isso que é um jeito de estar na vida, tá num mundo, eu acredito sempre a que lestei muito nisso. Um dia uma aluna, muitos anos, essas questões de gênero, eu ainda não estava na pauta, o dia cédito, ela falava assim, mas bala, se eu estou numa balada, e um cara vem ficar comigo, eu não quero, eu tenho que falar assim, freinão, aí não, ela fala, então não é sim para tudo. E aí eu fiquei com isso, e aí depois de várias aulas, a gente entrou nessa questão, e eu entendi que é sim, mas é sim para mim, esse é o primeiro, o primeiro escuta é eu comigo, então quando vem alguém ficar com a lei, eu não quero, mesmo ficar comigo eu não quero, quer dizer eu estou dando esse sim para mim, porque eu estou nessa escuta fina do que eu estou sentindo, que está acontecendo comigo no aqui agora. Então, isso na cena e na vida eu acho que vai, é o que vai fazer, a gente ter essa escuta refinada, e entender que escuta ela passa por todos meus pares, eu falo dos meus branos alunos escutem com os olhos, porque você está com esse olho aberto, esse olhar 360, que eu sei que está acontecendo aqui, que eu sei que está acontecendo ali, eu vejo, eu sei, o bom improvisador é aquele que ao mesmo tempo que ele está conectado com ele, ele está vendo essa cena que está compondo, porque tem uma história que está acontecendo. Se ele fala para mim, olha filho, eu vou sair, não mexe nesse baú do vovô hein, tem uma coisa que se eu não presta atenção é ser um pouco ouve, mas assim, a plateia fala assim que ele quer, o que que é para acontecer na sequência, é para ele, lábrei, então tem uma escuta que ele tem que estar no subtexto, aí se eu faço um personagem, o meu parceiro faz um personagem, a plateia está rindo e está achando divertido, um chefe que assina tudo sem nem, olha, ele vai, eu vou para a plateia, está gostando disso, tem essa escuta fino de uma da plateia, do meu parceiro, então eu vou entrar, vou ser mais um que vai fazer isso para ele brilhar, mas ainda para a cena subir todo mundo junto, vai co-crear aquilo que acontece no momento presente. Então eu acho que essa escuta 360, essa escuta super refinada, ela passa por isso, por isso a gente escutar com todos os nossos sentimentos, sentidos mesmo para valer, porque se tiver uma barulheira dentro de você, você não tem como escutar ninguém, isso é a contradição, se você está ansioso, eu estou aqui com os meus papéis, com medo de que eu vou errar, que eu vou esquecer alguma coisa que eu não vou te perguntar, eu não tenho como te escutar, deixa eu contar para vocês um negócio que aconteceu em cena, agora, então o melodrama da noite a gente está fazendo um cartaz por mês, então a gente estava em São Paulo fazendo na época da Copa, fazendo cartaz no rute escobar, teatro na bela vista, um teatro histórico, importantíssimo, e aí estamos em cena, o Brasil tinha acabado de ser eliminado, o melodrama da minha noite, ele sempre acontece na França no 1800, que é quando o melodrama surgiu, e aí a história começa sem provisada, a bola está contigo, eu falo "Ah, Messi, ele profecer, que é o juiz da partida, o nosso diretor, o professor, Paulo Merizo, que nos ensinou tudo, é um dos maiores nomes no Brasil de pesquisa em melodrama, Messi, ele profecer, como todo sabem, a França está em guerra com a Suécia, e aí era a Suécia que tinha tirado o Brasil, não era? A França está em guerra com a Noruega, e aí a plateia pronto, acabou, eles vão ter seis minutos de gargalhada, chuva de moedas, eles recebem moedas quando eles gostam da cena, e bolas de bolas de meio a vermelha, que são tomates, quando eles não gostam da cena, e aí enquanto eles estão chuva fazendo chuva de moeda, e eu estou continuando a cena, um dos atores que é o Léo Vas, um gênio, essa equipe de atores, ela é um milagre, o Léo desaparece do palco, e eu estou continuando a cena para contar que a minha filha, tudo está continuando ali no momento, ninguém sabe, minha filha se envolvou com o Noruega, ele volta com uma louca-loira platina, de golm de total, e aí é chamado Roland, e aí a próxima chuva de moedas, e isso tudo aconteceu, sem ninguém saber, sem ninguém combinar, sem ninguém, mas é exatamente o que o bala está pondo, que é uma escuta tão refinada, que bastou que eu dissesse, a França está em guerra com a França, para que ele falasse, então vai precisar do Noruegaís, ele desaparece, ele vai lá no camarim, e a gente deixa a cena 700 itens melodramáticos, e as peruca são claro, e tem os melodramáticos, e aí nesse dia que a gente não leva a peruca platinada masculina, ele vai lá e encontra, coloca e volta, e aí a próxima esguilha não teve medo, tem um outro elemento aí, ele escutou, e ele teve a ação Mas é um medo de lá, isso não funcionar na prática, na vida, no time, com o filho. De ser ridículo, acho que a primeira coisa é o medo de ser ridículo, né? E se for pa, e se for chuva de tomate. Não era isso que ele quis dizer, e eu coloquei essa peru que estraguei todo. Melhor, não fazer? Não, melhor fazer. Um erro bem feito é uma cena maravilhosa. Um erro bem feito, errar, erragosando, é tão bom quanto acertar, agosando. Como é que a gente convence alguém a fazer isso? Como é que você convence o adolescente e fala, "Não, vai lá, canta, se você desafina. " Volta? Volta para a luna do bala. A palhaçaria é um exercício de supressão egoico. Se você tiver disposto a suprimir o ego, tem alguma coisa que surgirá no lugar. Então, se você, no Melodrama, as críticas teatrais brasileiras eram dos atores endomingados com a roupa de domingo. É belo em cena, bela voz, orgulho de estar sendo visto. Isso é passepalhão, isso é resível por si. É tão gostoso quanto um acerto bem feito. Um erro maravilhoso, sabe? É um fracasso monumental, a plateia vai gargalhar a plau de jogar moeda. É porque na vida, na transferência para a vida, a gente aprende muito com os eus, a gente cresce, a gente transforma, a gente muda direção. Então, o que a vida não tolera é que você se esconda. Se você tiver em jogo e tiver inteiro, as coisas estão acontecendo. Agora, você está falando de ego, suprimir o ego, está falando de fazer o outro brilhado, em que tudo te pede a assinatura individual. Não é? Tudo pede que você, não, você tem que ter seu nome, você tem que botar a vida e tudo sobre você, você tem que convencer os outros, o tempo inteiro, do quanto você é interessante, o quanto você é bonito, o quanto você não é que a gente é dois. É que tem muito estímulo, para um ego anabolizado, né? Como que a gente nada contra a maré? Sim, perceba, a gente não está falando de pago, a gente está falando da vida. Se a vida é improviso, se improviso pede para você diminuir o ego. E tudo na minha vida, que eu tenho que botar o ego em primeira pessoa, que loucura essa bala. Como que eu vou fazer isso? Eu, o que sabe? Eu acho que você não tem exercícios para ir da man. Eu acho, não é? Eu acho que eu aprendizado, é quando essa melona falou, "E realmente essa frase é culô para mim e ela fez um curde um fim de semana, eu trabalhava dez anos, eu nunca tinha entendido isso, ela me deu uma aula, né? O erro, ele faz parte do processo criativo, então o erro, como faz parte da vida? Então, uma das coisas que a gente fala também é de tomar. O professor fala, "Take a risk, take a risk, chegou embora, você tem que ir para ação e fazer a coisa acontecer". E não tem garantia, esse que é o lance, você tem que saber que não tem garantia. Você vai fazer um passo que ele nunca é impossível, você pode se preparar, você pode prever, não tem garantia. Então, você vai afirmar aquilo e com tudo e vê o que acontece e vai jogar com aquilo que não acontece. E claro, quando você, para mim, o que eu acabei entendendo que estáis para a vida também, é que eu, tomando, eu, eu, tanto conectado comigo, tanto no momento presente e tomando as decisões, fazendo espaços, é o que tem que ser feito e não existe o certo errado, existe aquilo que vai acontecer, e cabe a gente tirar o nosso julgamento, tirar nosso ego, tirar nossas expectativas, e jogar com aquilo que não acontece, porque eventualmente aqui, e a gente vai com o tempo, com a vivência, por isso que o adolescente é mais difícil de você conseguir convencer, ele vai lá e canta a desafina, mas com o tempo, quando você vai cantando e desafinando, quando você vai se colocando no jogo, eu estava lendo a um livro daquela, ela escreve o Grace Anato, me tira isso, a chonda, e um aluno me deu um livro dela, por acaso, eu conheci a pouco dela. Ele dizia isso, e por que, por causa do sim, eu fiquei anos com aquele livro, ele me deu pra sortir a naturem, mas esqueci de sortir a, e fiquei anos com aquele livro lá, eu não leio muito, e aí eu li esse livro que tinha a ver, e ela conta o que aconteceu na vida, que ela começou a dizer sim, e ela mudou a vida dela, do jeito brutal, porque ela já estava num lugar, e não é que ela estava num lugar, ela já tinha chão da lência, e ela falava assim que ela tinha convite pra, ela receba um convite pra um jantar que até o Obama, que é ter só pessoas as incríveis, só que ela tinha um extremo medo de aparecer, ela não queria, e ela falava "não, não, e um dia a irmã dela não vai aceitar o que você não aceita nada mesmo", e aquilo pegou ela, e ela começou a falar "pude se eu começar a se", e aí ela começou a experimentar, e ela começou a experimentar, e começou a viver uma coisa, umas aberturas, umas coisas assim, e não quer dizer que vai dar tudo certo, eu tenho uma aluna minha que falou "nossa, balas eu saí do seu curso, do sim, me ligou uma menina que morava no perto de Belo Horizonte, mas era assim a três horas de Belo Horizonte, vamos fazer um projeto juntos, e ela falou assim, ela amareceu a aula, os asco, até o interior, não, nem na capital ela falou "pude se eu não sou de me mexer", e eu já estava falando pra ela "não, mas se como tinha feito seu curso, estava aqui, e falei "tá bom, eu vou", aí ela foi lá, fez o curso com a menina, amare, não sei que ela, aí ela virou só escondendo em contrelas, e depois ela você não vai acreditar, hoje eu tenho uma sócia nova, tem um novo negócio na psicologia, não sei que ela, por causa daquele curso, porque eu disse aquele pequeno cinto, ela tomou o risco, fez a coisa de ser, e a coisa aconteceu, não tem garantia, ela poderia ter ido lá pra o interior de Belo Horizonte, e ter sido um fiasco, e também daí eu aprendizado, eu acho, porque quando a gente vai e acontece uma situação que não está no nosso lugar, também é assim, como é que você vive isso? Tem duas possibilidades, uma você vai "ah, eu não devia ter vindo", "ah, tá vindo que saco", "ah, você também não", "ah, você está lá naquela situação vivendo", "ah, nossa eu, então você vai aceitar e vai jogar com aquilo, vai aprender a ir daquilo, vai se divertir com aquilo, e eventualmente você não vai achar aquilo que você achou, mas você vai achar uma outra coisa que se nem sabia que era possível achar, então eu acho que essa abertura, esse sim, ele vai fazer você entrar mais dentro da vida, e você vive ela mais intensamente. Eu vim do bala, fiquei pensando assim, três caminhos de conhecer o mundo, e criar o mundo, a filosofia, a arte e a ciência. Para essas três linguagens, o erro é fundamental. Então, o Picasso, ele está volhando para aquela forma de desenho, e aí ele é erra, e aí ele produz uma fase azul, ele produz o cubismo, isso que a gente está chamando de erro, na arte, é a invenção de uma nova linguagem, um cientista, observa, cria uma hipótese, testa, e falha miseravilmente, agora ele está mais próximo da verdade ou da ciência ou da resposta. O descobriu outras coisas, a parte das coisas mais importantes, se descobriu porque se mirou numa coisa, que viu, e acertou, não que não viu. E pra filosofia, tipo assim, eu fico pensando a galera que eu dou aula, os ingleses, o Aldus Huxley, a Virginia Woolf, você vai ler um ensaio deles, um tratado, uma coisa, eles começam assim, o Aldus Huxley, sei lá, ele vai falar da liberdade, a liberdade, aí depois que você já está assim, nossa, não é mesmo, ele fala, mas só um idiota, pensaria assim. Então, e às vezes você nunca vai saber, né, porque a verdade não tá aí, mas às vezes aquilo era o que ele pensava, e quando ele foi estendendo o que ele pensava elaborando, ele descobriu que ele não pensava aquilo, ou ele descobriu que naquilo tem uma contradição, um filósofo, um artista, um cientista, ele precisa errar pra dar o próximo passo, né, iludência as pessoas que acreditam, que é o acerto que move, é o erro que move, né, errar é fundamental, voltando pra crítica à Big Tech, uma migona, minha professora de sociologia da Huxley, Maria Muscovite, ela postou meme nas redes sociais que me fez gagalhar, que era, e se existisse chat GPD em outras eras, aí é o Galilei, o Galilei, é o Copérnico indo pro chat GPD falando, pode ser que a terra seja redonda e o chat respondendo, não, o que sabemos é que a terra é quadrada, é que a terra é plana, é que, então imagina uma galera que tá crescendo na era do guruk tudo sabe, sem entender que tudo que sabemos, tudo que soubemos, até aqui está verrado, é por isso que a gente no avançando. É porque a verdade é historicamente determinada. Ela é verdade naquele momento histórico. No próximo, vamos descobrir que ela era insuficiente. A ciência, ela está prescrita na possibilidade da li. A arte, a boa arte, o que é belo, a ética, a moral, eles são contingentes, contingenciais. E se a gente está a espera de um grande guru, para nos dizer pra onde a gente nunca vai ir para um caminho novo. O caminho novo está exatamente onde o guru não está apontando. É ter uma arte que é de correr risco. E eu costumo falar que a gente é muito mais assustado que ferido. Eu estou sempre um ir para a caverna de alguma coisa terrível que não vai acontecer. Então eu não vou correr esse risco porque eu vou ser ridicularizado e nem está olhando. Eu queria entender de vocês que são pessoas dadas ao improviso, ao risco, que músculo é esse sobrevivência, que a gente precisa exercitar. É uma pausa para pensar, para diger e. Eu não vou editar, pode pensar. Meu Deus, que pergunta é difícil. Eu não sei. Eu acho que a gente estava falando do erro e eu acho que esse, pelo menos da minha história, o que eu acabei entendendo é que você fazer a coisa acontecer e depois lidar com aquilo que acontece. É mais prazeroso, é mais interessante, é mais profundo do que você se arrepender daquilo que você não fez. E quando eu comecei a estudar o palhaço, a gente perguntava pra uma pessoa assim. "Definir em uma palavra, em uma palavra de Hugo, do Palapato, ele falou "O palhaço para mim é o erro". E eu fiz muito sentido pra mim, porque essa figura, até diferente dos outros personagens do circo, mesmo, que é o trapezista, que ele está ali no ar, ele dá duas voltas. "Não, não, não, não, o ar, ele fala caraca". Aí tem uma labarista que tem sete bolas, ele está desaviando a lese da gravidade. O acrobate, ele dá um duplo morto, a gente fica. Então é o homem-meio que não patamar de Deus, a gente olha e fala. É muito longe de mim. Quando a plata é ver o palhaço, o palhaço é aquele que cai, aquele que bate, tem que fazer a bola cai na cabeça dele, e a gente ri dele. Por que que a gente ri dele? Porque a gente se identifica com ele. Porque a gente percebe que eu sou assim, "Ah, eu faço isso também". Então, ele, por isso que eu falo que o palhaço é o espelho do homem, é sentido de que ele é que conecta a gente com esse nosso lado humano. A gente quer ser infalível, a gente quer ser incrível, a gente faz tudo para ser ali. Mas a gente é fallível, é fallível. E quando a gente se vê nessa fallibilidade, não sei se existe essa palavra, a gente fala, "Ah, eu sou assim, então quando eu me acostumo, eu trabalho, eu exerço essa minha humanidade cada vez mais no dia a dia, na vida, nas pequenas coisas, isso vai fazer com que a gente seja mais agente mesmo". Eu mais profundo de que eu sou, como eu jeitinho com as minhas manias, com tudo, essa coisa que parece mega simples, "Ah, seja você mesmo, pode ser você mesmo é um trabalho". E parte desse trabalho é eu assumir os erros, eu deixar o erro acontecer, eu estar ali pleno. Eu acho que aí que está a crise da masculinidade. Essa fala, essa fala do balas, ela é o corte sobre como a gente responde bons exemplos masculinos para uma juventude que está vindo aí. E uma juventude que só pensa em "alfa e beta", o que não falha e o que falha. O provedor e entender que essa imagem do masculino, como o falo, como certo, como foi o que nos trouxe para o fim do mundo. Se a gente fosse capaz de sustentar um não todo falhe com não todo certo, não todo, era aí que a gente ia chegar num homem possível. Porque esse homem que está sempre certo, que sabe, que sempre tem que oferecer, que protege, que ele é a maior furada do planeta. Ele só produz desgraça onde ele entra, ele produz morte, ele produz. Deixa eu tentar dar uma imagem. Uma grande amiga, Helena Vieira, uma filósofa, travesti. A Helena, quando dá aula sobre masculinidade ou sobre narrativa, ela brinca com a turma da seguinte forma, ela diz "jaspion, power rangers, venho". Venho um monstro e aí venho o herói. E aí para o herói matar o monstro, ele destrói a cidade inteira. Vocês lembram da luta, do megazorte, e talvez era melhor ter deixado o monstro. Porque foi o herói que destruiu tudo, não foi o monstro. A gente tem uma narrativa domasculino como algo que está fora da lei, o super homem. Ele está fora da lei para combater o fora da lei. O Batman, é o bilionário de Gotham City, que vai. É, mas Gotham City é um lixo exatamente porque tem um bilionário. Exatamente. É o abismo social que produziu Gotham City. Se Gotham City tivesse melhor distribuição, melhor reconhecimento, melhor política. Se não tivesse um filho da puta do bilionário, talvez não tivesse tanto crínio. Batimos o afilão. Gente, é raza porque precisamos, não porque queremos. Eu queria que a gente falasse um pouco sobre como exercer um pouquinho essa aceitação do que vem, essa presença do acontecimento, escutar o outro, escutar. Os sinais que a vida está tidando para você se mover, como fazer o sininho. Então se abrir para as coisas, como tudo isso que a gente falou, pode nos ajudar a lidar um pouco melhor, abrir espaço interno, ser uma caixinha de ferramentas, para a gente lidar com esses tempos que são sim ansiogênicos, que se impõem, né, numa ansiedade que se impõem para a gente. Como que isso pode nos ajudar uma mensagem bem motivacional, mas assim. Como isso pode ajudar? Porque o que isso faz essa pauta? Porque eu percebi a muita ansiedade das pessoas quando eu falava com uma menos e acabar, mas o que você vai fazer depois? Eu não sei, não aconteceu ainda, né? Não, mas se acaba uma coisa, logo, falei. Então, sempre me movi por convites, eu sempre tive na cena. Eu não sei o que a outra pessoa vai fazer ainda, como é que eu posso saber o que eu vou fazer na próxima cena? Eu não sei aí. Cheque de mais. E aí, isso é só se cavam, assim. Não, mas você tem que ter o pra onde você vai, mas eu não tenho porque não aconteceu, quando aconteceu vai ter. O que que isso te dá, é o exercício das coisas que a gente falou aqui, como pode nos ajudar a viver um pouquinho melhor. Nossa. Olha, eu acho que eu puxaria assar de um pouco pra minha experiência, porque acho que pra mim funcionou dentro dessas linguagens, eu vou pegar pra trazer de novo palhaço, que essa coisa de ridice mesmo, de não levar as coisas tão sério, porque eu acho que a gente tem um peso muito grande, e aí vem essa coisa de acertar, de ter uma carreira, de facilhar as boas escolhas, de ter que isso, ter que aquilo. E a gente esquece dessa leveza, desse. Então, esse ridice. Ele, às vezes, parece meio assim, "Ah, é bobo, não, ele não é bobo". Ele é muito profundo, também, tem disso depois de muitos anos. É muito profundo quando a gente consegue. olhar pra gente do jeito que a gente é ridas nossas mazelas, das nossas pequenos pensamentos, essa observação de uma coisa. "Nossa, olha o que está passando na minha cabeça". Nossa, olha o que me aconteceu, porque esse ridice. Quando a gente consegue ter esse riso, sobretudo, uma situação difícil, "Nossa, eu me separei, eu tô a livre, vem naquela. " Quando consigo achar uma graça aí, é como se num momento, eu consigo dar um zoom out, olhar pra mim e falar, "Não, só olha como vocês, já passou por tantas vezes". Você sabe que é agora, você sabe que vai passar, você sabe disso, ria disso. Eu acho que essa leveza, ela me ajudou muito. Eu tenho uma amiga ouroguai aqui, quando eu estava uns anos eu me separei, fiquei dentro desse momento de preda vida, assim, bem, de preda, ela falou assim, eu vou te mandar um TED que você vai adorar, e ela me mandou o TED que eu tinha. Ela me deu um nosso, porque eu fico. As coisas para meus alunos, sim para você, sim para um momento, sim para o outro. "Ride-se e eu estava muito identificado com a minha questão zinha." Quando eu me mando assim, eu vou estar para na cara para a gente. - Uau! - Obrigado! - É uma aula assim, né? - É uma aula que eu me dei. Vou ouvir esse cara! - Esse cara é bom, hein? - É, é, é. - É, é, é, é, é. - É, é, é, é, é. A gente, eu fiquei pensando assim. "Se acha que é Gracie Jones, sabia pra onde ela estava indo?" "Se acha que Angela Davis sabia pra. " "Se acha que às vezes é Mota?" "Ah, é, é. " "Olha para os grandes que não poderiam ter estornado grandes." É, é. Assim, é. Eu gosto da Angela Davis quando ela fala assim que quando uma uma mulher negra a avança, é porque uma sociedade tá diferente. Ela sabe? É quando você olha pra. Sei lá, pessoas trans com deficiência. Pega aí esses grupos, que são os grupos que não é de forma alguma esperada que eles fossem fizessem. - Aparecêssem, sim. - Como tudo não foi feito pra ele, hein? - E, e, e, e. - E, e, e. E não tem ali uma ansiedade, tem ali uma talvez uma capacidade de integridade. É. As minhas apostas são sempre aí. Então, uma outra migona, que é uma drag, aqui de São Paulo, uma lona. Que imagina hoje ela é o nome do Brasil pra pírucaria de ópera, pra figurino de ópera, pra. Eu, a gente comecei, quando eu comecei a fazer drag, ela já era veia de guerra. E ela me acolheu assim, "Ah, vai por aqui, faz isso, faz. " Na nossa. No iníciozinho da nossa amizade, eu lembro dela me falar assim, drag não é uma corrida de quem chega primeiro. Drag é um esporte de endurance, né? É, é de quem fica em pé por último. Então, invista na sua capacidade de integridade. Se você estiver em pé daqui a duas semanas, três semanas, quatro semanas, cinco. E eu tenho levado isso pra vida. Sucesso não é sobre quem chega primeiro. Sucesso é sobre ser capaz de estar aqui mais um dia, mais dois, mais três, porque aí chega o convite, tá? Então, se você for capaz de driblar a desistência, não se mate, sabe? Não desista. Porque se você for capaz de driblar, o fim pode haver um novo começo. Eu queria que a gente encerrar, fazendo um exercício de improviso. Pra janeana, pra mim, que tá sempre com o roteirinho. Que que vocês podem? Que pegadinho que vocês podem nos propor? Pegadinha. Quer fazer juntos? Quer. Eu não sou avôr isso não, vamo aí. Mas a gente pode tentar, você tem algum ideia? A gente pode fazer um jogo simples, que é um jogo de uma história, onde cada um fala uma palavra da história. Mas é só uma palavra, por exemplo, artigos, preposições, valem como uma palavra. E. E a gente faz uma pequena história aqui. Cada um vai falando, a gente vai falar uma palavra, ele é simples. Mas ele tem essa beleza que ele vai ser feito em um na hora aqui pela gente. Tá bom. Então, vou começar com o nome de um personagem, e aí. Começa pelo gui, tá? Vai fazer o acente. Marietta. Marietta estava cantando alegremente. Quando ouviu um, a souviu? Meu Deus! O quê? É isso! Então, abriu a porta lentamente. Observou um pássaro enorme, estranho. Dice, estou o mesmo aqui, ou o pássaro, é azul. Dice, isso será possível? De repente. Ela sorriu. E. Penso. O quê? É. Um sonho. Tena! É. É um exercício simples, mas ele demanda essa escuta do anterior, porque se ele falar "Ah, eu tenho que falar uma coisa", ele tem que falar outra coisa. E ele demanda desapego também. É coisa, "Ah, já sei, vai ser um pássaro que é um antepassado". "Não, ele falou que é isso". Eu existe presença, eu não grandes presença. É muito desapego, porque você não pode pensar antes. Você não pode, você tem que deixar fluir. E não importa o que história será, não importa o que importa é que ela seja. Isso. O que importa é essa sensação deliciosa de construir alguma coisa junto. Não importa a história, porque é legal isso que a gente vê. Olha que a gente diz aqui rapidal. Eu acho que é isso que vai ficar de uma milus. Vocês vão olhar para trás e vão falar "Olha o que a gente fez". Olha o que a gente fez juntas, e vocês vão ter marcado a história do Brasil, vocês duas. Vocês já marcaram, mas vai ficar para nós como esse podcast de duas grandes mulheres. Eu acho que isso foi impossível, mas eu acho que tem um negócio para a gente encerrar falando para as pessoas que estão com muito medo de não ter o próximo capítulo. Acho que para mim, o que me ajudou a ter essa serenidade, nesse momento da vida que eu não tive em outros, acho que foi um pouco de observar, aprender pela admiração por estar junto de coragem. Eu fui duas vezes a espetáculo do balas, o bagagem, e eu lembro que fiquei aterrorizada na primeira vez que eu fiz. O improviso que eu falei, se as pessoas não vierem, e se estragarem a sua peça, como isso. Então pensa que a gente faz um programa que não é o vivo, nunca foi mesmo quando o mercado mudou, porque a gente queria fazer a preparação antes, queria ter a edição na mão, queria poder controlar tudo. Então, um provisar é muito difícil, tem a ver com você e criando um espaço dentro de você para ter coragem, que é tudo isso que a gente foi falando aqui, então por coragem. E a coragem, eu acho que vem desse repertório como balaçalô de que a gente fica muito preso, e se acontecer tal coisa, pensando em todos os cenários ruins, mas isso se é certo, como se é parar de pensar no cenário ruins, mas inclui no seu pensamento, mas isso se é certo, e se a pessoa vier, e se a gente ri junto, e se, e podem, assim como tem infinitas maneiras de dar errado, tem infinitas maneiras de dar certo, se simplesmente você inclui, às vezes que você não tinha um plano e deu certo, às vezes em que você planejou uma coisa, foi outra aí deu certo, você consegue chegar nesse lugar que o Gui falou, de ficar vivo por mais um dia, para que o convite chegue, e aí eu queria falar para gente, o Corre da Vida em Brulhiatú, a Vida é assim, esquenta e esfria a perto, a ideia é frosse, sucega e depois desqueta, o que ela quer, da gente é coragem, coragem vai vir um convite, grande Guimarães, o braço, coragem, você pode colocar o seu desejo no mundo, talvez o convite vinha de você para você, beijo gente até semana que vem, mamilos, mamilos, mamilos

Podcast Summary

Key Points:

  1. O improviso é uma habilidade essencial para viver com presença, escuta e aceitação do que acontece no momento presente.
  2. A vida, como o improviso, é imprevisível e não segue um plano rígido, exigindo liberdade, adaptação e tolerância à incerteza.
  3. A preparação antecipada (o "preparado") é inútil diante da realidade vivida; o que importa é o momento presente, o "presencial".
  4. A prática de improviso desenvolve sensibilidade emocional, escuta ativa e a capacidade de lidar com erros como fonte de crescimento.
  5. A sociedade moderna, especialmente com a Big Tech, fragmenta o tempo e a atenção, afetando a presença humana e a capacidade de improvisar.
  6. O erro não é falha, mas uma parte fundamental do processo criativo e humano, sendo essencial para inovação e transformação.
  7. A vida é um teatro constante de escolhas imprevisíveis, e a verdadeira sabedoria está em se deixar guiar pelo momento, não pelo controle.
  8. A aceitação do que não está no plano, o "sim" diante do desconhecido, é a chave para viver com mais humanidade e autenticidade.

Summary:

A conversa explora a relação entre o improviso, a vida e a construção de uma existência mais presente e humana. A ideia central é que o mundo não é planejado com precisão, e que o que realmente importa é o que acontece no momento presente — o "presencial", não o "preparado". O improviso, como prática teatral, ensina a escutar, aceitar, deixar de controlar e se abrir para o inesperado.

Essa habilidade se aplica diretamente à vida, onde cada escolha é única e imprevisível. A crítica ao controle excessivo e à ansiedade mostra que a sociedade moderna, com a fragmentação do tempo e da atenção, afasta a sensibilidade humana. O erro, ao invés de ser visto como falha, é apresentado como uma ferramenta essencial para inovação e crescimento, tanto no teatro quanto na vida pessoal e profissional.

A prática de improviso também desafia a imagem tradicional do homem como "certo", sempre correto, e mostra que a verdadeira força humana está na falibilidade, na disponibilidade e na capacidade de aceitar o que não está no plano. O exemplo do palhaço — que cai, mas é visto com riso — simboliza a identificação com a vulnerabilidade humana. A discussão conclui que viver com presença, escutar o outro e se abrir para o improvável é o caminho para uma vida mais autêntica, consciente e profunda.

FAQs

O improviso é a capacidade de reagir ao momento presente sem planejamento prévio. É relevante porque ensina a aceitar o imprevisto, desenvolver a presença e lidar com a incerteza, o que é essencial em relações, carreiras e decisões diárias.

Praticar o improviso aumenta a tolerância à incerteza, algo que está ligado ao aumento da saúde mental. Isso ajuda a desacelerar o medo do futuro e a se conectar com o momento presente, reduzindo a ansiedade que surge do desejo de controle.

O que foi preparado é rígido e não se adapta ao momento. O presencial, por outro lado, é fluido e reage à realidade imprevista, gerando experiências autênticas e vivas, como a vida real exige.

O princípio do 'sin' significa aceitar uma ideia ou proposta do outro e construir a cena a partir dela. Isso promove a colaboração, a escuta ativa e a criação coletiva, sem tentar controlar o rumo da cena.

A prática de improviso ensina a viver com presença, escuta e abertura. Isso permite que as pessoas aceitem mudanças, sejam mais flexíveis e desenvolvam uma sensibilidade maior para o que está acontecendo ao redor delas.

Suprimir o ego permite que o outro se destaque e brilhe. Isso cria um ambiente de confiança e colaboração, onde a criatividade e a conexão humana são verdadeiramente vividas, ao invés de serem controladas por expectativas pessoais.

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