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Ilana Pinsky: longevidade e saúde mental

from Podcast da Semana

39m 44s

Ilana Pinsky: longevidade e saúde mental

A conversa entre Isabelle Moreira Lima e a psicóloga Ilana Pinsky explora a dimensão humana da longevidade, movendo-se além do simples desejo de viver mais anos para focar na qualidade de vida. O foco está em viver bem, com saúde mental, em todas as etapas da vida. O senso de propósito é apresentado como algo dinâmico, que evolui com o tempo e se conecta às relações humanas, não apenas a metas específicas. A saúde social, especialmente as interações intergeracionais, é destacada como essencial para o bem-estar, tanto para jovens quanto para idosos. A depressão e a demência em idades avançadas são criticadas por serem normalizadas, mas destacadas como condições tratáveis, com base em prevenção e apoio social. A reserva cognitiva — fortalecida por atividades mentais, físicas e sociais — é apresentada como uma possibilidade real de retardar o envelhecimento cerebral. A ideia de finitude é vista como organizadora, ajudando a definir metas e prioridades. A discussão também reforça a importância de políticas públicas e ações individuais para melhorar a qualidade da vida em longo prazo, destacando a necessidade de envolvimento com comunidades, política e relações humanas. A mensagem final é que a longevidade é um processo coletivo, que envolve todos os públicos e que deve ser abordado com empatia, prevenção e conscientização.

Transcription

6579 Words, 36488 Characters

Portuguese
Quando a gente começa a falar de querer viver mais e mais e mais e mais anos, a gente tem que pensar para aqui, o que queremos fazer com esses anos que nós teremos a mais? Ficamos dessa corrida aí de querer chegar ao que é 100 anos, eu fico vendo volta em mês, 100 anos, 120 anos, que ótima. O que faremos desse tempo, o que faremos por nós, o que faremos pelos outros? Vamos pensar sobre isso e daí voltamos a questão de metas, voltamos a questão de objetivos de vida. O que é preciso fazer para garantir uma boa longevidade? E o que isso significa? Não é só viver muito, mas viver bem, inclusive com saúde mental. É sobre isso que eu converse com a psicóloga Ilana Pinsky. Essa que você ouviu aí no começo, a convidada desta edição. Eu sou Isabelle Moreira Lima, e você está ouvindo o podcast da semana, que a cada sete dias traz um tema novo para você. A Ilana Pinsky é psicóloga, tem graduação e mestrado em psicologia pela Universidade de São Paulo, e doutorado em psicologia médica pela Universidade Federal do Estado de São Paulo. Ela foi pesquisadora em colúbia na Organização Mundial de Saúde, na Organização Panamericana de Saúde, na Universidade Federal de São Paulo e na Fundação Azual do Cruz. E a autora também de diversos livros, entre eles, longevidade hoje, que ela escreveu em parceria, concharam San Simón e foi lançado neste ano pela editora Fósforo. No papo que você ouve já já, a Ilana fala sobre saúde mental e longevidade. A conversa gerou em torno da importância de socializar, inclusive com pessoas de idades diferentes. A gente falou também sobre como é possível acumular uma reserva cognitiva para ter uma velhice mais plena, e por que é tão importante conversar sobre o fim da vida e colocar as coisas intespectivas? Ovia aí meu papo Coelho! Ilana que prazer ter você aqui no podcast da semana, obrigada por ter topado bater esse papo hoje. O prazer é meu, adoro falar sobre esse assunto. Ilana, você é uma das autoras de um jevidade hoje, que é um livro que trata de muitos aspectos da longevidade e relaciona o Censo de Propósito a Boa Saúde Mental. Eu achei que esse era um bom tema pra gente começar a nossa conversa hoje. Como encontrar propósito quando a gente atinge metas em diferentes áreas da vida? Olha a sorte que a gente tem de poder dizer que a gente está alcançando metas em várias áreas da vida, né? Então eu penso que, uma das coisas que talvez ajude a gente a gente separar um pouco metas de senso de propósito, porque talvez metas seja mais uma coisa de objetivos específicos que a gente tem. Eu quero fazer isso da minha carreira ou eu quero ter isso na minha vida pessoal ou talvez alcançar, fazer tais tipos de atividades físicas específicos, correr, sei lá, três maratonas ou algo do gênero. E senso de propósito seria talvez uma coisa mais ampla que vem paralelo às metas. Talvez depois, ou que a gente alcançou algumas delas, e que diferente das metas não precisa ser tanto, talvez, uma questão de listas, mas mais uma questão ampla que a gente vai trabalhando e mudando durante a vida toda. Então, por exemplo, podem ser, inclusive, acho que às vezes o nome fica tão grande que as pessoas acham que vocês vão acordar e pensar como que vão mudar o mundo. E aí elas ficam presas nesse medo de escolher um senso de propósito equivocado que não vai ajudá-las e elas não vão alcançar. E eu acho que isso é um erro e deixe as pessoas apenas mais aflitas, né? Então, senso de propósito pode ser qualquer coisa, sabe, Zabel? Pode ser coisas ligadas a objetivos nesse momento de vida, podem ser coisas que vão acontecendo na medida em que a gente vai mudando. Eu vejo, por exemplo, muitas mulheres que têm filhos e, de repente, não há que o senso de propósito ficar sendo o soco da dos filhos, mas coisas relacionadas à infância que começam a aparecer como propostos de vida relacionados a outras pessoas, também, outras mulheres, também, outras famílias também, tudo não é apenas exemplos, né? Ou pessoas mais velhas que passam por determinados momentos de vida e querem dar de volta algumas desses conhecimentos a trazer junto a outras pessoas que não poderão ter isso, né? Ou se não, outras coisas específicas e coisas que sempre a gente teve interesse, mas a gente não entrou nela. Então, acho que tem uma diferença nisso tudo, mas de qualquer maneira eu penso que a gente não vai pensar como listas e a gente deve pensar como algo e pode mudando no decorrer da nossa vida. Outro tema importante que eu vendo o livro para uma boa vida é a sociabilidade. E eu queria te ouvir sobre um conceito que aparece no livro, que é o da saúde social. O que é isso? Exatamente assim, ela necessariamente tem a ver com encontros ao vivo. Acho que eu outro lugar que a diferença de conceitos às vezes ajudei não para encher as paciências das pessoas, mas simplesmente para a gente separar uma coisa da outra, né? Então, quando a gente fala de saúde social e a gente entra na ideia de solidão ou de isolamento social, por exemplo, né? Então, o isolamento social seria que as pessoas, entre nós, que realmente não tem ninguém. Ou não tem quase ninguém com quem elas podem contar de forma geral. A solidão já seria mais uma sensação de desconexão, em que você pode estar lá naqueles locais dotadas de pessoas em voltas de você, e na verdade você sente que você não tem ninguém que realmente conecte com você, com quem você possa de fato repartir as coisas, que realmente te compreenda. E isso daí é sofrido de uma maneira diferente do isolamento social, e a saúde social abarca tudo isso e mais algumas coisas. É muito desafiador dos relacionamentos sociais. Eu acho que todo mundo vai concordar comigo, não é uma coisa fácil não, né? Mas a verdade é que, em geral, somos mesmo animais sociais, que o principal da vida, a gente vai percebendo em muitos momentos da vida, são os relacionamentos humanos e são as maneiras com que a gente pode, a gente recebe dos outros, a gente é compreendida, a gente compreendidos outros, a gente dá de volta. E eles acabam tendo papéis absolutamente essenciais nos vários momentos da vida desde, por exemplo, ajuda pra gente em momentos que a gente tá precisando. E, portanto, o isolamento social é um problema, não só quando a gente é mais velho, mas quando a gente é mais novo e precisa de várias coisas. Mas também, realmente, nessa experiência extremamente humana da gente repartir as nossas alegrias, as nossas angústias, os nossos sofrimentos. Então isso daí está extremamente relacionado com uma longevidade interessante, com maior ou menor mortalidade, principalmente com a nossa saúde mental e geral de forma ampla. Isso está super documentado em termos de ciência. Você escreve no livro também sobre a importância das relações intergeracionais, que são benéficas tanto para os jovens quanto para os idosos. É fácil de entender isso na teoria, mas na prática, será que as pessoas se esforçam? Queria saber da tua percepção? Você dá um exemplo no livro de uma política pública em que as gerações interagem mais, mas será que a gente precisa desse tipo de ação, você lá, governamental, para que a coisa funcione? Hoje mesmo a minha cultura, a charos Simon, ela escreveu na folha, sobre exatamente a questão das políticas públicas para a questão da longevidade. Então sim, precisamos de mais esforços ligados a isso, e as vezes pequenas organizações, como exemplos que a gente dá lá no livro, em que estão no momento em que elas pararam de trabalhar e que elas podem ter mais o tempo dela para pessoas mais novas, fazem uma diferença gigantesca para os dois grupos, mas não absolutamente, a gente não faz o esforço suficiente, mas nem de perto. Nós não fazemos como políticas públicas, como governos, e certamente nós não fazemos também, devido a mente ainda, embora claro que alguns indivíduos façam. Essa relação entre as várias gerações é extremamente importante mesmo, por exemplo, pessoas mais velhas, elas têm a ter passado por uma quantidade de desafios, muito maiores que pessoas mais jovens, e elas tendem com isso, muitas vezes, a ter entido uma sensação de que dentro de desespero, e que muitas coisas se resolvem a médio longo prazo. Para a votar da o exemplo de como a gente está com o brasileiro nesse momento, pós eleição. E essa capacidade de ver as coisas, desse ponto de vista, que as pessoas mais velhas, muitas vezes têm extremamente útil para pessoas mais novas. Não para diminuir a intensidade, esse impulso, que as mulheres, as pessoas mais jovens têm, essa vida forte, essa querer tão grande que muitas vezes nós temos como jovens. Mas talvez para diminuir o sofrimento. Eu vejo muitas vezes isso em consultório, e eu tive na minha própria relação, eu tive sorte com as minhas avós. Os meus avós morreram sendo, mas as minhas avós foram figuras, eu mantém as cartas delas, em que elas falavam comigo e contavam das experiências delas, de uma maneira que me ajudava a pensar nos meus desafios de 20 anos, de uma forma diferente. É uma coisa de uma capacidade de colocar as coisas imprespectivas. Absolutamente isso. E isso é uma coisa que. a gente vê, inclusive se a gente tende a pensar muitas vezes, erroneamente as pessoas mais velhas, como elas sendo mais infelizes, e não é verdade se a gente vê em termos populacionais, não vou dizer individuais, tá? As pessoas mais velhas a sentar mais, elas muitas vezes, elas estão melhores do que as pessoas bem jovens, estão angustiadas, que tudo o que acontece com elas, elas têm aquele desespero de que não vão aguentar, que elas vão, elas não vão dar conta daquilo, que se elas vão mal numa prova, se termina um namoro, etc. Então parece aquela coisa desesperadora, por conta também da falta de experiência, e da falta de perspectivas, pessoas mais velhas podem trazer isso de uma forma muito carinhosa, e através das vivências que elas tiveram mesmo, que podem trazer um conforto muito grande para as pessoas mais novas. Mas se tem realmente, já que a gente vai encontrar as pessoas mais velhas, os jovens vão encontrar as pessoas mais velhas, se elas muitas vezes já estão fora do mercado de trabalho, e se não for em avós, por isso que a política pública também é importante. Bom, muitas vezes a gente encontra nas nossas próprias famílias, e a gente esquece que temos essas pessoas que estão nas nossas próprias famílias que podem fazer isso. Mas você tem razão, quer dizer, as políticas públicas, olha que fácil, e olha que oportunidade, políticas públicas e que realiza a relação com pessoas, que estão absolutamente capazes, e querem auxiliar, estão dispostas com toda a sua experiência, e que eu também vejo aqui no consultório pessoas, por exemplo, que estiveram super envolvidas agora, por exemplo, das eleições, foram a votar, e ter interesses, etc., e que podem ser conectadas, por exemplo, para emúmeras coisas, para mentorias de diversas formas, para rodas de conversas, para ensinar, atricou, entendeu? Para jogar bola, para uma série de coisas, e políticas públicas poderiam não tanto dificuldade ajudar que essa conexão possa ser feita. Agora você falou da felicidade, lembrei da história do gráfico, da felicidade, e na meia idade ele fica atinge ali um vale, e ele volta a subir com a idade mais avançada. Mas tem um assunto que é muito importante, que é a depressão nessa faixa etária dos idosos, e que é um assunto do livro. Você acha que a depressão nessa fase da vida é normalizada? Ou quem tem depressão também, a longo da vida, tem de apiorar nessa fase da vida, isso faz sentido ou não? Essa a depressão, inclusive as demências, que às vezes até alguns tipos delas se confundem com depressão, por suas características são extremamente normalizadas, mas não deveriam ser. A gente associa, isso é o idadismo, o ecarismo, às vezes eu me confundo com essas palavras, com a ideia de que a pessoa está mais velha, então ela está cagá, isso faz parte, ela fica com demência, fica deprimida, etc, tal, não, não faz parte, não. Isso deve ser tratado, isso pode ser tratado, as duas coisas deve ser prevenido, a ideia de demências também tem a ver, claro que tem muito mais chance de pessoas mais velhas, desenvolverem, porque as pessoas de como o cérebro vai se desenvolver do sim, mas não deve ser pensado de quem é inevitável, e a gente deve sempre pensar que isso está acontecendo, tem coisas que devemos fazer. Então, por exemplo, pessoas mais velhas, um problema da depressão, é a solidão mesmo que a gente está falando ou a isolamento social, quer dizer, a ideia de que a pessoa não serve para mais nada, ela é vista, ela não é vista, ela não é chamada mais para as coisas, muitas vezes pode ser que a pessoa, por exemplo, ela super possa participar de muita coisa, mas talvez um pouco mais lentamente algumas situações, mas eu não quero atrapalhar ao ritmo das outras pessoas, então as pessoas mais velhas são excluídas, então não, não deve ser normalizado, e totalmente pode ser tratado. A relação à questão de piorar a qualidade, a questão, por exemplo, da depressão, não necessariamente em absoluto. Muitas pessoas, inclusive, elas se tratadas antes durante os outros períodos, elas podem ter um período ótimo durante esse período mais velho de 60 mais, ou até mais do que isso. Não devemos pensar que é uma coisa inevitável em absoluto, não é destino, é absolutamente tratável, e eu vou dizer essa curva, essa tal de curva, ela está ficando na verdade assim, ela só sobe mais velho, porque os mais jovens que antes tinham resultados melhores, eles têm estado muito deprimidos. A minha preocupação com pessoa de saúde mental é mais em relação às pessoas bem jovens, do que as pessoas mais velhas em relação à depressão, porque está um tom período de uma epidemia de depressão em relação aos jovens. E aí, a gente pensa na longevidade, quando a gente pensa na longevidade, a gente pensa mais no terceiridade e não na juventude, mas a longevidade, a saúde mental, da longevidade, ela deve ser trabalhada em todos os estágios, né? Esse é o ponto principal, inclusive é o ponto principal do livro. Eu acho que é o ponto principal do livro. A gente é engraçado que quando a gente falava assim, "Ah, escreve esse livro longevidade, ah, eu vou ler porque já estou nessa fase." Eu falava que fase. Que fase é a fase da longevidade, tá? E oudo emvelhecer, é outra, estou todo mundo tá emvelhecendo, tá? O meu subrinho de 11 anos está emvelhecendo, tá? Eu estou emvelhecendo. Então, e a longevidade é um processo de todos nós. Então, absolutamente, é uma coisa que a gente deve começar não a se preocupar, porque novamente eu quero trazer a ideia de que não é pra gente ficar só fazendo listas de objetivos, de formas, então, que eu vou prevenir todos os problemas no futuro. Mas de pensar sobre isso, sabe? De pensar, sabemos algumas coisas, né? Que talvez a gente vai falar daqui a pouco, que é, por exemplo, a questão de atividade física, de relacionamento sociais, de um bom sono, de não exagerar no álcool, não exagerar nas telas, de ter exercícios cognitivos que podem ser de vários níveis, de alimentação, que é um tipo de alimentação que possa ser melhor. Pra gente, uma série de coisas que podem nos ajudar nesse processo, mas a gente não deve tomar isso como apenas listas. A gente deve pensar nisso como uma vida inteira. Outra coisa muito importante, que talvez a gente falha da velha, mas eu não quero esquecer, é a questão da educação. Quando a gente pensa em algo que é muito importante para uma boa longevidade ou uma longevidade interessante, ou para a prevenção de provas cognitivos, é a gente ter uma boa educação, e aí o tempo de educação, mas também qualidade de educação desde cedo. E isso daí é algo que a gente já pode começar a pensar justamente desde cedo. Uma coisa que eu pensei de ouvindo agora, é sobre a indústria do bem-estar, que está crescendo demais. Como é que você vê a atuação dessa indústria em relação a longevidade? Olha, não é de se espantar que se tenha se tornado uma indústria, porque é algo que é importante para todos nós mesmo. A gente, felizmente, está vivendo mais tempo, é uma mudança muito grande, quer dizer, no começo dos anos 1900, a expectativa de vida era mais ou menos 40 e poucos anos, e agora é 70 e vários anos, quer dizer, é uma diferença muito grande, a gente é privilegiado. Essa é a verdade, de maneira geral, embora tem uma variação, mas não é a toa que se criou uma indústria de comerça. Qualquer situação que a gente vê, que as pessoas começam a se interessar por alguma coisa, colocamos o comercio na minha área de psicologia, por exemplo, você pode ter certeza que isso tenha acontecido bastante também. Eu vejo da seguinte forma, se a gente conseguir fazer os básicos, que é um pouco que a gente estava falando, a gente está comprindo a maioria dessas coisas. E essas outras coisas que vem aí como o último peptídeo da moda, ou a último banho frio, ou se não souro terapêlo, cada vez é uma coisa diferente, ou os CBDs da vida, que são teoricamente seriam bons, para absolutamente tudo, e preveniriam tudo, eu acho que um começaria realmente da gente começa com as coisas básicas, que elas não são tão básicas assim, porque elas são crônicas, são coisas que atividade física, alimentação, relacionamento social, todas essas coisas, a gente não dá a falar para a de vez em quando eu falar com a amiga, a gente está falando para uma coisa para a vida toda. Então, em geral, a grande maioria dessas coisas, embora não todas, elas vem como algo para angustiar as pessoas de que elas não estão fazendo, e se sentirem obrigadas a fazerem novas coisas, e alguém ganhar dinheiro com isso, muito mais do que algo que vai, de fato, beneficiar a todos nós e a outra coisa. Quando a gente começa a falar de querer viver mais e mais e mais e mais anos, a gente tem que pensar para que? O que queremos fazer com esses anos que nós teremos a mais? Ficamos dessa corrida aí de querer chegar o que é 100 anos, eu fico vendo volta e menos, 100 anos, 120 anos, que é ótimo. Vamos pensar sobre isso, e daí voltamos a questão de metas, voltamos a questão de objetivos de vida. No livro, a gente aprende que o foco da longevidade tem que ser esse real-spin, que vivem com qualidade, e não há problema. apenas acumular anos, mas na prática, para quem vive na correria, sem tempo, o que você acha que é o primeiro passo para cuidar do corpo da mente hoje mesmo com esse foco, dessa vida boa, longeva e boa, não só longeva. Isso é super importante porque o que a gente viu, por exemplo no Brasil, é que as pessoas estão vivendo mais tempo, sem dúvida, mas tem um tempo bem bastante grande, eu usou seu nome engano entre 10 e 11 anos e em que há uma diferença entre esse "Health's Pen and Life's Pen", ou seja, eu vou explicando para as pessoas, entre o tempo que a gente está vivo, e o tempo que a gente está vivo com o saúde, e o que a gente quer viver esse tempo com o saúde, tá certo? A gente não quer viver um número grande de anos a maioria de nós, pudermos evitar evidentemente, sem saúde. Então isso é uma coisa muito importante, olha, sim, a gente vive na correria, mas na verdade, a gente for pensar muitos de nós, a gente gasta bastante tempo em coisas que talvez não sejam muito úteis para a gente, estou falando de forma geral, novamente. Então o tempo que gastamos, vamos lá pessoal, o tempo que a gente gasta nesse celular, o tempo que a gente gasta nas redes sociais, vendo um monte de coisas que são absolutamente uns dizeram tão úteis, vamos tirar esse tempo, até hoje em dia o nosso celular fala para a gente contemplar, a gente gasta nas redes sociais, por exemplo, e é um número de horas de gantesco. Se a gente puder, por exemplo, economizar nisso daí, a gente poderia utilizar essa grande correria que está todo mundo falando que tem, e eu não estou duvidando que muitas vezes nós temos. Mas eu sinto que muitas vezes a gente não percebe a maneira que a gente gasta o nosso tempo também. Eu vejo pessoas com que é um converso, que vem no consultório, que tem um dia a dia extremamente cheio de coisas para fazer, mas conseguem organizar o tempo delas de uma forma em que elas utilizam para coisas que são muitas vezes ficar calmos, sabe? Justamente você fazer as coisas com um pouco mais de tranquilidade, é parte desse good health spec da gente viver bem, tá? Por incrível que pareça. Por isso que desde o começo na entrevista, estou falando para a gente não ficar falando "listas" o tempo todo, a gente não fica se angustiando o tempo todo, se a gente puder ter um pouquinho mais de calma, eu puder escutar o que você está falando um pouco de tranquilidade, terminar de você falar para eu poder falar que é coisas que as pessoas já iam não estão fazendo. Isso tudo depende da gente, a de ministrar talvez um pouquinho melhor o nosso tempo, olha o que a gente gasta de uma forma que não é bacana e que a gente pode alterar e muitos de nós podemos alterar, colocar realmente um ponto importante para as relações interpessoais que são as relações mais importantes das nossas vidas, topar ficar algumas vezes tranquilo, aprender a diminuir o nosso ritmo, prestar um pouco mais de atenção às coisas que é uma coisa que a gente está perdendo a capacidade de concentração, eu acho que isso já é um caminho bastante legal. No Brasil, a gente tem uma questão que fiquei pensando ao te ouvir, da desigualdade social, que muita gente perde muito tempo no transporte para chegar ao trabalho. Isso é um atrapalho muito nessa ideia da lojevidade boa, né, com o HealthPan. Muito e isso daí é uma coisa que a gente também fala no livro do tempo todo, por isso que desde o começo a gente está falando sobre políticas públicas, então a gente sim, a gente vai falar da gente como que a gente, se a gente puder, no que a gente puder, a gente melhorar a nossa, o nosso período aqui na Terra, né, mas a gente, isso a gente só faz bem mesmo quando a gente é parte de uma comunidade que a gente é parte de uma comunidade, de qualquer maneira, e quando a gente trabalha isso, com os outros também, sim, a realidade do jeito que você está falando, e durante também um período da beidade como a gente estava conversando, não só as pessoas têm a desigualdade, mas também têm aí o papel de gêneros, né, as pessoas as mulheres, que muitas vezes tem muito mais a cúmulo de funções ao mesmo tempo, e a gente tem muitas vezes, por exemplo, na meiedade, que cuidados dos nossos filhos, ao mesmo tempo que a gente cuida de nós e dos nossos pais, né, e trabalha fora e outras coisas que a gente faz, essas realidades existem, e tem muita injustiça e o nosso país, realmente ainda tem bastante injustiça, apesar de, de muitas melhoras que existiram, né, mas ainda sim existem coisas que nós podemos fazer do ponto de vista individual, esses gastos de tempo em coisas que não nos acrescentam, e também tem coisas que podemos fazer do ponto de vista de saúde pública e de questões de políticas públicas gerais, tá, como o país e, individualmente também, eu estou conversando hoje no consultório com uma, com uma das vias pacientes que, que tem mais 75 anos, e ela está ficando muito mexida com as questões das eleições, e ela resolveu, por exemplo, Isabelle, começar a se envolver mais com questões de política pública, coisa que ela não faz, ela está voltada ou dia a dia dela, e eu acho que esse é um exemplo muito interessante, né, muitos de nós não pensamos dessa forma, né, a gente, do Brasil a gente ainda está engatinhando a minha sensação de ser cidadão, né, e eu acho que é longe de vida, por exemplo, que é o assunto de todos nós, porque no final todos vamos envelhecer, se a gente envelhece a piora ainda, vamos dizer assim, né, dá uma oportunidade para todos nós nos engatarmos disso e não precisa ser nada grandioso, pode ser nas nossas, nos nossos bairros, nas nossas cidades, com pequenas coisas, melhorando a calçada da nossa casa, inclusive, para as pessoas poderem passar, são coisas assim, que eu diria que podem melhorar a loja de vida de todo mundo, né, engraçado se ter contado dessa história, da sua paciente, porque nessa edição a gente tem também o conteúdo, que a gente está reunindo o depoimento de pessoas idosas ou dos netos parentes dessas pessoas que foram votar, e como foi essa experiência, quanto tempo eles não votavam, porque foram agora, e que são seres políticos também, né, na pede da idade, a gente pode ser um ser político, isso, o que, em ser um ser político, não deveria ser só um ser que torça-se para um time ou torça para outro time, na minha opinião, deveria ser um ser que pensa duma forma de cidadania, nós somos cidadãos, nós, então, inclusive, votamos, mas votar não é a única coisa que nós fazemos como cidadãos, porque eu sinto que no Brasil a gente ainda talvez fique muito voltado a isso, até porque não foi sempre que a gente pode falar no Brasil, né, mas tem muitas coisas que nós podemos fazer, inclusive cobrar os nossos representantes da medida em que eles são eleitos, né, mas fora isso tem várias coisas locais que a gente pode fazer, isso que você está falando é absolutamente essencial, e se isso está servindo para despertar a gente como cidadão, mas não só para ficar brigando a rede social, porque eu estou achando que está um pouco exagerado na minha opinião, a gente vai ter dado alguns passos para frente. Bem, mudando um pouquinho aqui de assunto, tem uma pergunta aqui também sobre a percepção de finitude, ela pode ser um bar que, quando você é jovem, recebe um diagnóstico, mas ela também é organizadora, né, da gente vê o que é prioridade, e eu queria te ouvir sobre isso, eu lembrei de uma matéria, uma reportagem que eu li do New York Times, que contava a história de três amigas que elas se reuniam, eram mulheres idosas, que se reuniam para falar das suas mortes, o que elas desejavam, o que elas queria que acontecesse depois com a família delas, e que isso, em vez de trazer medo, trouxe pais e tranquilidade, né, elas. Então, enfim, queria te ouvir um pouco sobre essa ideia e a perspectiva da finitude. A morte e a ideia que a gente vai morrer é absolutamente organizadora, a gente fala num livro da questão dos horizontes temporais, que na medida em que a gente vai se dando conta desses horizontes temporais, eu certamente jamais teria pensado nisso aos meus 20 anos, né, mas talvez seja interessante, a gente começar a pensar nisso, e a gente vai pensando, certamente, mais agora, os 59 anos, a gente vai refletindo quando a gente pode, sobre como que a gente quer passar esses anos, né, e esse tempo que a gente talvez ainda tenha, né, porque a gente está sempre achando que talvez a gente tenha, né. Então eu, por exemplo, acho bacana, eu passarei esse tempo conversando com você sobre esse assunto, eu poderia não achar, e poderia achar que o meu tempo é melhor gasto de outra maneira, eu não laxo, acho que isso é uma coisa importante. Então, essa questão, isso é organizador pra mim, é organizadora, a ideia de que eu escolho algumas coisas, porque eu sinto que talvez eu possa tocar algumas outras pessoas e possa ajudar outras pessoas, e isso mexe com o meu propósito de vida também, sabe que as coisas são todos conectadas. Então a ideia, a gente saber que a gente vai morrer, e principalmente a gente tem um pouco mais essa noção na medida que a gente vai envelhecendo é super importante, mas a questão das doenças, a gente é mais jovem também, também, extremamente organizador. Eu tenho outro exemplo do New York Times, mas também não só é uma, é uma jovem que tem agora 32 anos, que se chama Suleika, que ela descobriu aos 22 anos que ela tinha um tipo de leucemia, e desde então ela vem tratando essa leucemia, ela já teve vários tratamentos, né, transpaz de medula, e ela tem que viver cronicamente essa condição, e ela passa mal porque, cronicamente, ela faz que no terapio tempo todo, volta em metem, o transplante, etc., mas ela vive uma vida, que é uma vida completa, tá, dentro das limitações dela. com um cara muito interessante que é um músico de onbatiste. ela é uma pessoa que ela escreve de uma maneira muito interessante sobre as experiências dela, ela pinta quando os olhos dela não estão tão bons para ela poder escrever, ela se relaciona o tempo todo sempre que ela pode, ela realmente toca os corações, ela toca o meu coração, por exemplo, quando eu leio a experiência dela. E como eles existem várias outras pessoas com essa capacidade, não é que são heroinas, não é isso, herois, são pessoas que conseguem pensar a vida, me deu isso, eu tenho esse horizonte, eu espero que seja o mais cumprido possível, mas nesse tempo que eu tiver aqui, o que que eu quero fazer, como que eu quero tocar as pessoas e como eu quero aproveitar minha vida, e então é absolutamente organizador, é o tema que a gente deveria falar muito mais. Mas a gente tem medo, né, parece que ponto mais novo, mais bem, gente tem, eu não sei se, eu vejo muitas pessoas mais velhas também, e daí a gente não fala sobre, por exemplo, isso, com o que a gente quer fazer, assim, com a gente mesmo, a gente quer ser enterrada, cremada, o que quer fazer, enfim, outras questões ligadas, o que, como que a gente quer que um celular, o nosso deguero, se a gente tem, seja dividido, como que a gente quer que aconteça com a gente, se a gente ficar impossibilitado de tomar certas decisões, então eu vejo alguns médicos e algumas pessoas que trabalham com essa questão, a Camila Apion, ela escreve um livro que eu achei lindo sobre isso, em que ela fala de várias formas, é um diálogo que ela tem com a mãe dela, né, que ela é a sussão muito interessante, e daí ela vai colocando um monte de informações sobre questões ligadas à morte de uma maneira muito delicada, mas incisível, mas muito tempo eu achei, não sei se você leu esse livro, né, e que eu achei muito útil, porque a gente tem que falar sobre isso, essa coisa de não falar, só dar problema depois, só dar problema depois em termos de erança e dinheiro, em termos do que seria os desejos da gente, daqueles momentos que a gente não pode tomar as próprias decisões, sim, as pessoas têm medo disso, mas eu acho assim, absolutamente essencial a gente ir falando mais sobre essa questão. E o luto dos outros, né, dos amigos, os companheiros, quando uma pessoa longeva, lá na frente da vida, acumula esses lutos, esse é um fator que pode também avalar saúde mental, né, e que pode ser difícil numa vida longeva. É um fator super difícil, é tanto os lutos relacionados a pessoas que a gente vai perdendo, irmãos, companheiros, amigos, né, e até locais que a gente ia, coisas que a gente fazia, muitas vezes ter o luto até de sair do trabalho, né, a gente tem aquele sobrenome quando a gente trabalha em alguma coisa específica, alguma empresa, e a gente tira isso, é um muto também, né. Então, sim, é um desafio bastante grande. Isso daí é um grande desafio mesmo dessa fase da vida. A gente começa a muitas vezes a experiência há muito antes, mas é um desafio dessa parte da vida, mas também o que eu vejo, e não é sempre, é que muitas pessoas aí, mais velhas, a gente volta a questão da possibilidade das pessoas, viverem uma série de coisas difíceis e conseguirem superar, e talvez até achar caminhos outros. Então, é aí que relacionamentos, por exemplo, com pessoas, talvez mais jovens, pessoas que também surpreem que também se importam com você, é importante, né. Faz tempo que eu convencer, às vezes, eu brinco com as minhas amigas da minha idade, eu falo, olha, eu também estou fazendo muitas amizades com pessoas mais jovens, porque eu quero ter pessoas, eu quero ter pessoas que tragam perspectivas de várias idades, e por essas razões, por todas essas razões, entendeu. E tem outras coisas também, as vezes as pessoas estão, algumas se aposem, estão num certo período, eu não me aposentei, a pessoa parece para mim que está numa fase da vida que é diferente da minha, apesar da idade ser a mesma. São desafios, e a gente deve, a gente vai sofrer com isso, porque a gente tem, se a gente tem boas relações, a gente vai sofrer com isso sim, mas a gente tem outros, outras possibilidades, outros relacionamentos, e outras coisas que pouca gente pode e não substituindo. Mas eu diria assim, fazendo parte da nossa vida também, por isso que é importante, a gente tem uma vida que é ampla, e é uma vida que cabe, muitas outras coisas ao mesmo tempo. No livro, vocês falam de reserva cognitiva, e eu queria te perguntar o que é isso, como é que ela ajuda a nossa vida, agora, da juventude, na infância da juventude, e na velhice também, como é que é possível alimentar essa reserva cognitiva, se é só lá na frente ou desde sempre, como é que é? A gente, eu acho que ainda tem muita essa ideia, mas temos ainda mais de que a gente tem aquelas capacidades daquele cérebro, aquelas células nervosas, os neurônios, eles funcionam de uma maneira e com o tempo, eles só pioram. E que, portanto, está no nosso destino, só temperadas de memória, de capacidade, de concentração, de capacidade de resolver as coisas, e, na verdade, se foi descobrindo, e é uma coisa muito bela, e, na verdade, foi a razão, principalmente, eu acho que fiquei interessado a ansale de longevidade, que foi a minha acautora que me trouxe para essa área, eu vou dizer, apesar dela ter quase 20 anos, a menos do que eu, o que é interessante também, né? Que é a ideia de que não existe, então, existe essa possibilidade de reorganização neuronal, que faz com que o cérebro possa resistir a essa baixa dos ataques que a gente vai sentir. Vamos dizer, eu falo de ataques, que a gente vai ter de um decorrer do tempo, que poderiam levar a uma redução da nossa cognição. Muitos desses ataques seriam ligados a doenças de o cérebro, várias delas de mensas, mas existem outras doenças também. A reserva cognitiva é uma poupança que a gente tem, e que a gente vai desenvolver numa medida em que a gente viva, na verdade, viva como, viva ativamente, em que a gente leia, em que a gente conversa, em que a gente fique curioso, em que a gente discuta coisas num grau de mais complexidade, não fique só na superficialidade, em que a gente sim faça atividade física e todas as outras coisas que são essenciais, porque são questões vasculares, um pece do cérebro, mas que a gente aprende a novas coisas, que a gente não pensa, eu estou muito velho pra isso, muito velho pra aquilo. Se idadismo que a gente falou vem muito da gente mesmo também, vem dos outros, mas vem muito da gente. Então, todas essas coisas e mais várias outras que não precisam ser só a gente ficar fazendo novas matérias na faculdade, elas são coisas que vão estabelecendo essa capacidade de uma poupança que a gente vai tendo cerebral, vamos dizer assim, uma capacidade cerebral, que nos ajude nos momentos em que o nosso cérebro possa sofrer essas interferências, vamos dizer essas doenças cerebrais. Isso não quer dizer evidentemente que a gente vai prevenir todos os tipos, por exemplo, de demência, que isso não é possível, até porque parte disso é genética, uma parte importante, mas também porque a gente não chegou nesse ponto, mas ela é possível sim, a gente adiar e a gente reduzir esse desenvolvimento. Então, é uma coisa belíssima e dá muita esperança, eu acho, pra todos nós, pra mim me deu, pelo menos. A ideia de que não é destino, a ideia de que tem uma série de coisas assim que muda com o tempo, por exemplo, a minha capacidade de concentração certamente reduziu, eu tenho que fazer mais uma coisa por vez, mas eu continuo conseguindo fazer uma série de coisas, e coisas muito bem, e ter uma série de outras coisas que eu sinto que a gente vai ganhando com o tempo. Então, eu acho que esse é um conceito muito bacana, e por isso que eu convido as pessoas a conhecer em mais. maravilha, super obrigado, Lana, foi muito bom te ouvir. Adorei também, eu adoro falar sobre esse assunto e eu espero que tenha sido útil pra todo mundo que tão bem. Se você gostou deste podcast, eu te convido a ouvir outros episódios. A gente já falou com psicóloga e escritora, Charon Sansimon, também sobre longevidade, com a jornalista e escritora Silvia Ruiz. O papo foi sobre a menopausa sem censura, e com o Geriatra Alexandre Calache, a gente falou sobre a importância de se ter um envelhecimento saudável e com alta sociabilidade. Nas principais plataformas de áudio, como dizer, o Spotify e o Apple Podcasts, e também no canal da gana no YouTube, você escutou o podcast da semana. Ah, e não deixa de seguir a gente na sua plataforma favorita e se inscrever no YouTube também. Com o roteiro e apresentação de Zabel e Moreira Lima, este é o podcast da semana. Há cada sete dias um tema novo pra você. Até semana que vem! [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. A longevidade não deve ser vista apenas como acumular anos, mas como viver com qualidade, com saúde física e mental.
  2. O senso de propósito é diferente das metas
  3. A saúde social, incluindo relações intergeracionais, é fundamental para a qualidade de vida e a saúde mental em todas as idades.
  4. A depressão e a demência em idosos são normalizadas por preconceitos, mas devem ser tratadas como condições graves e preveníveis.
  5. A reserva cognitiva — fortalecida por atividades mentais, físicas e sociais — pode atrasar o envelhecimento cerebral e melhorar a velhice.
  6. Relações interpessoais, especialmente com pessoas de diferentes idades, trazem propósito, apoio emocional e perspectivas valiosas.
  7. A consciência da finitude ajuda a organizar a vida, definindo metas e prioridades de maneira mais significativa.
  8. Políticas públicas e ações individuais são essenciais para promover uma longevidade saudável, inclusiva e com maior conexão social.

Summary:

A conversa entre Isabelle Moreira Lima e a psicóloga Ilana Pinsky explora a dimensão humana da longevidade, movendo-se além do simples desejo de viver mais anos para focar na qualidade de vida. O foco está em viver bem, com saúde mental, em todas as etapas da vida. O senso de propósito é apresentado como algo dinâmico, que evolui com o tempo e se conecta às relações humanas, não apenas a metas específicas.

A saúde social, especialmente as interações intergeracionais, é destacada como essencial para o bem-estar, tanto para jovens quanto para idosos. A depressão e a demência em idades avançadas são criticadas por serem normalizadas, mas destacadas como condições tratáveis, com base em prevenção e apoio social. A reserva cognitiva — fortalecida por atividades mentais, físicas e sociais — é apresentada como uma possibilidade real de retardar o envelhecimento cerebral.

A ideia de finitude é vista como organizadora, ajudando a definir metas e prioridades. A discussão também reforça a importância de políticas públicas e ações individuais para melhorar a qualidade da vida em longo prazo, destacando a necessidade de envolvimento com comunidades, política e relações humanas. A mensagem final é que a longevidade é um processo coletivo, que envolve todos os públicos e que deve ser abordado com empatia, prevenção e conscientização.

FAQs

A reserva cognitiva é uma poupança mental desenvolvida ao longo da vida por meio de atividades como leitura, conversas, exercícios físicos e exposição a experiências complexas. Ela ajuda a proteger o cérebro contra doenças e perdas cognitivas no futuro, permitindo uma velhice mais plena e saudável.

Conversar sobre o fim da vida ajuda a definir desejos, como o tipo de sepultamento ou a forma de tomar decisões em casos de incapacidade. Isso traz tranquilidade para o indivíduo e para os familiares, evitando conflitos e melhorando a saúde mental.

Saúde social refere-se à qualidade dos relacionamentos humanos e à sensação de conexão com os outros. É essencial para a longevidade, pois pessoas com laços sociais fortes têm menor risco de depressão e melhor bem-estar emocional.

A interação entre jovens e idosos fortalece o senso de pertencimento, oferece experiências valiosas aos jovens e transmite sabedoria aos idosos. Essa troca é benéfica para ambos os grupos, promovendo empatia e desenvolvimento emocional.

Não, a depressão em idosos não é normalizada. É um problema tratável, muitas vezes causado pela solidão ou exclusão social. O combate envolve prevenir a solidão, promover atividades sociais e buscar ajuda profissional.

Metas são objetivos específicos, como correr três maratonas, enquanto o senso de propósito é mais amplo e evolui ao longo da vida. Ele envolve ações significativas, como ajudar outras pessoas ou compartilhar experiências com a família.

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