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HeF 014 - Oriente e Ocidente: a construção de um conceito

from História em Fontes - Podcast

23m 24s

HeF 014 - Oriente e Ocidente: a construção de um conceito

O programa apresenta uma reflexão sobre a construção histórica da divisão entre Oriente e Ocidente, desmistificando a ideia de que essa divisão é natural. Mostra que o nome "Europa" surgiu de uma princesa fenícia, do continente asiático, indicando que o Ocidente tem raízes orientais. A história entre Europa e Ásia é antiga e rica em trocas culturais, linguísticas e religiosas, o que contrasta com a narrativa escolar que enfatiza relações apenas com a América. O conceito de Orientalismo é explicado como um sistema ocidental que idealiza o Oriente como "atrasado", "barbaro" ou "oposto ao progresso", em função de interesses políticos e coloniais. Esse estereótipo é evidente na cultura pop, como nos filmes e quadrinhos, onde o Oriente é apresentado como ameaça ou inimigo. O programa destaca que o Orientalismo não é apenas sobre Ásia, mas também sobre como os próprios brasileiros e populações locais são percebidos através de lentes ocidentais e preconceitos. Aprofundar esse tema permite uma reflexão sobre nossas próprias percepções, medos e preconceitos, ajudando a desvendar como os conceitos de civilização e progresso foram moldados pelo Ocidente. O conteúdo é complementado por recomendações de leitura e filmes, como o livro de Eduardo Saíd e os filmes *Sniper* e *Aladdin*, para que o ouvinte analise a representação orientalista com uma perspectiva crítica.

Transcription

2955 Words, 17385 Characters

Portuguese
No programa de hoje, você vai aprender sobre a construção de uma classificação que usamos até hoje. Você sabe por que o mundo é dividido entre "Oriente e Ocidente"? Existem de fato valores que cada um carrega? Você já ouviu falar sobre "Orientalismo"? Hoje vamos aprender muita coisa, então fica comigo que eu sou Viktor Alexandre e começa agora mais um história em fontes. [Música] Pessoal, antes de começarmos, eu quero lembrá-los que no nosso site já tem um estudo dirigido sobre o tema que vamos trabalhar hoje, ok? Aquela descrição tem um link direto para esse material, ou se você entra em "história" em fontes.com.br, você tem acesso a artigos e mais podcasts. Ah, e uma novidade? Caso você queira receber conteúdo exclusivo, cremos um canal no Telegram, lá você vai receber conteúdo complementar os programas, bastidores e etc. É só clicar aqui no link na descrição, ou acessar "t.me/história" em fontes. Mas vamos falar de história agora. Gente, com esse episódio, eu quero dar início aos nossos estudos sobre o continente asiático, o maior continente do mundo em território e em quantidade de pessoas. Existe uma grande demanda por estudos da Ásia. Atualmente, ouvimos muito falar sobre os conflitos entre Israel e Palestina, a China que tem se estabelecido como segunda potência mundial, sem falar na enorme diversidade cultural, religiosa e étnica que esse imenso continente abarca. Mesmo assim, você já parou pra pensar que sabemos muito pouco sobre a história da Ásia. Você acha que existe um motivo pra isso? Hoje vou encher a sua cabeça de perguntas, já estou avisando. Falando sobre o que você sabe em história, olha só uma coisa que é interessante. Quando estamos na escola bem em Pequetuchos, nós aprendemos sobre as primeiras civilizações do mundo, os finícios, os persas, os ebreus, os macedônios, os babilônios e onde essa galera estava, na Ásia. Geralmente, esse é um dos primeiros assuntos que aprendemos em a disse plana de história no colégio. Sabe quando voltamos a falar de Ásia na escola, só na idade média quando estudamos as cruzadas e as disputas com os mus humanos. Na época moderna, aprendemos um pouco mais sobre as índios orientais e às vezes sobre o império chinês. O que aprendemos sobre a expansão marítima e a colonização, ouvimos bastante a ideia que os ibéricos na Portugal e a Espanha chegaram na América quando tentavam encontrar um caminho para as índias. Você já parou pra pensar, porque os europeus queriam untando um novo caminho para as índias? O que tinha lá que fazia com que houvesse o investimento tecnológico, o financeiro e de pessoas para isso? Na verdade, essa corrida ibérica pelas índias e hoje nós sabemos e também eram por novos territórios. Significa que havia um imenso fluxo, não só de mercadorias, mas também de pessoas, ideias e cultura nesse período entre Europa e Ásia. Mas que acaba sendo só a história europeia que prevalece, e não essa relação entre Ásia e Europa. Até a história da África, muitas vezes, nós tratamos como se tivesse relação com a Europa e com a América apenas por meio da escravidão e outros produtos secundários do tráfico. Seram que os palvos africanos da costa do índico tinham comércio intensíssimos com a Ásia? Como foi no caso do Suahili, e de tantos outros que estavam ali na costa africando. Esse contato também pode ser verificado em tempos remotos através dos trabalhos arqueológicos. Ainda falando do Currículo Escolar, atualmente é muito falado sobre o Oriente do Médio, a própria China, que está tão empalto hoje em dia, final é o coronavírus, provavelmente o veículo lá, a China tem estornada a segunda potência mundial e econômica, como eu já disse. Enfim, você percebe como esse continente asiático é apenas pensado do nosso aprendizado de história. E a maior parte das coisas que eu te falei até aqui, provavelmente você não havia aprendido ainda. Bom, vamos começar a responder algumas perguntas que levantamos até agora. O tema desse episódio é Oriente e Ocidente. E para começar a contar como surgiu essa divisão, vamos voltar um pouco ao século primeiro depois de Cristo e te contar sobre o mito da criação da Europa. No livro "Metamorphose", escrito por Ovidio, que foi um poeta romano que nasceu no ano 43 antes de Cristo, conta-se que a Europa era o nome de uma princesa Fenícia, aquela região do Mediterrâneo que hoje é o Líbano, palestina e Israel. Esse povo é famoso pela suas artes de navegação e comercio. A princesa, por sua beleza, chamou a atenção de Zeus, o Deus Grego, que decidiu rapidá-la. Para isso, Zeus se transformou num "toro branco" e se misturou com os outros animais do rei, o pai do Europa, que estavam passando perto do mar, perto do rio. Ao ver o belo "toro branco" e "manso", Europa, a princesa, descuidada se aproximou, decorou o "toro" com grinaldas de flores e subindo seu lombo. Zeus aproveitou esse momento e se lançou muito rápido para o mar, levando a princesa para a ilha de Cretta, onde deu a luz a três filhos de Zeus, Minus, Rada Manto e Sarpedão, e foi a primeira rainha cretense, casando com o rei Astério. Minus, o filho da Europa, viria a ser o rei de Cretta depois de uma luta com o Sermon. A princesa também deu o nome ao velho continente. O nome Europa era aparentemente usado como o nome de uma região da trácia atual Turquia, mas, gradualmente, foi estendido até englobar a área atual. A área que conhecemos hoje o continente europeu. Foi eróduto aquele que é considerado o primeiro estudiador, a gente falou dele no episódio 13, que no século 5, antes de Cristo, foi o primeiro a chamar a Europa como se fosse todo continente. Eu vou deixar aqui na descrição dois quadros que retratam esse mito, beleza? Você pode clicar e ver a representação visual desse mito. Mas por que é importante conhecer essa história, conhecer essa mitologia? Bom, primeiro, de acordo com esse mito, a figura que dá nome ao continente europeu veio da Fenícia, ou seja, veio do continente asiático. Então aquilo que dá a origem ao que chamamos de Ocidente, veio do próprio Oriente. Segundo ponto que é importante apresentar é que a relação da Europa com a Ásia, ou se você até preferir, do Ocidente com o Oriente, é extremamente antigo. Se você pensar historicamente, a Europa se relaciona a mais tempo com a Ásia, como um todo, do que com o continente americano. Logo, a troca cultural, material, religiosa é muito maior com a Ásia. Um exemplo desse contato prolongado foi a invasão dos moros, os muçulmanos, na península ibérica, o que chamamos hoje Portugal e espanha. Essa ocupação mora durou quase 800 anos, então você imagina o quanto da cultura, arquitetura, e até do idioma de Portugal foi impactado por isso, e, consequentemente, o próprio Brasil. Você sabia que no dicionário Royce existem na língua portuguesa cerca de 700 palavras de origem árabe? A Royce e a Suca são alguns desses exemplos, eu vou deixar aqui na descrição uma lista para você conhecer mais palavras no português de origem árabe. Pessoal, quando falamos da divisão do mundo entre Oriente e Ocidente, precisamos entender que isso não é algo natural, ou seja, é uma invenção humana. A gente pode afirmar que é uma construção histórica, que com o tempo se modifica e se adapta. Essa classificação, a divisão, como você preferita, bom, segue alguns critérios que nem sempre são absolutos, e tem muito a ver com as relações de poder e com o modo de narrar a história. Existe o critério cultural, mas como vimos antes, a cultura europeia está intimamente ligada à asiática, existe o critério geográfico que usa o Meridian de Greenwich para dividir o que é Oriente e Ocidente, e também o critério étnico. Exatamente esses critérios convencionais, eles refletem interesses de apoliticos onde ocidente, geralmente, chegou a Europa e os Estados Unidos, e o Oriente é Ásia como um todo. Nesse divisão, o restante da América, a África e Oceania ficam de fora. Inclusive, tem uma cena muito interessante no filme "Bacural", film brasileiro, que dois personagens brasileiros estão numa cena numa mesa conversando com americanos, e os brasileiros dizem assim, "Nos somos do sul do Brasil, uma região muito rica com colones alemãs e italianas, nós somos mais parecidos com vocês pra falar a verdade", aí engraçado que o americano vira pro outro e fala assim, mas eles não são brancos, são como eles podem ser como nós, nós somos brancos. Nessa cena, exemplifica como uma divisão de Oriente e Ocidente, não é algo natural e sim uma construção humana e muitas vezes subjetiva. Nessa cena, os moradores do sul do Brasil se consideravam tão desenvolvidos e civilizados quanto os americanos, enquanto os moradores de bacural, uma cidade minúscula do interior do Rio Grande do Norte são tratados com inferioridade, talvez você chegou até aqui e pode estar se perguntando, mas espera aí então, eu consigo ver claramente uma divisão entre o que é Oriente e o que é Ocidente. Bom, se você pensou isso, eu quero te apresentar o que é Orientalismo. Nós, encerramos o bloco anterior, falando sobre a percepção do que é Oriente e Ocidente. Aqui, vamos aprender um pouco sobre o conceito extremamente importante pra história, popularizado pelo historiador Eduardo Saíd, chamado Orientalismo. Saíd escreveu um livro com o nome de seu conceito chamado Orientalismo, o Oriente como Invenção do Ocidente. Bom, o título do livro é meio que alto explicativo, mas uma das definições que o autor dar esse conceito é a seguinte, abre aspas. Orientalismo não é uma fantasia europeia sobre Oriente, mas um corpo elaborado de teoria e prática em que, por muitas gerações, tem se feito um considerável investimento material. O investimento continuado criou o Orientalismo como um sistema de conhecimento sobre o Oriente, uma rede aceita para filtrar o Oriente na consciência ocidental, fecha aspas. Eduardo Saíd conceitua Orientalismo basicamente como a produção cultural, teórica, filosófica que o Ocidente faz sobre o Oriente. Orientalismo é formado por produções acadêmicas, percepções populares ocidentais e, pro Eduardo Saíd, o Orientalismo vai ser entendido com uma invenção intelectual e estética sobre o Oriente. Então, uma coisa passará ser muito comum, a dicotomia, por exemplo, passado, versus futuro, modernidade, diversos atraso, civilização, versus barbari, liberdade, diversos opressão, estagnação, versus progresso e claro, sendo que se é o Ocidente a falar sobre o Oriente, é claro que o Ocidente vai puxar a sardinha para si, buscando encaixar-se nos conceitos de progresso, futuro, civilização, liberdade enquanto o Oriente seria o local desse oposto. Bom, antes de continuarmos, eu preciso conceitar um pouco mais as bases da teoria do próprio Saíd. Eu comecei ao programa mostrando as relações do que hoje chamamos de Oriente e Ocidente, ou Europa e Ásia, são muito antigas. Mas o momento em que o Orientalismo vai começar a se fundamentar, será na colonização que os países da Europa vão fazer na África e na Ásia no século 19. Essa neocolonização, mas para frente eu quero fazer um episódio sobre esse tema, viu? Foi fortemente marcada pelo protagonismo da França e da Gran Bretanha nos territórios asiáticos e africanos. O Saíd vai dizer o seguinte, abri aspas. Até o início do século 19, o Orientalismo era experimentado pela Gran Bretanha, França e o Oriente, mais especificamente a Índia e as Terras Bíbricas. No Pós II na Guerra, os Estados Unidos vão tomar esse papel, fecha aspas. Talvez o que deixa mais claro como funciona o Orientalismo, seja olhar as ações dos Estados Unidos no século XXI e também no século XXI e sua íntima relação como o Oriente. Seja na Guerra Fria disputando politicamente o poder, com a União Soviética, seja na Guerra do Vietnã ou nas disputas no Oriente Médio e mais recentemente as guerras comerciais com a China. Em todos esses casos podemos perceber como os inimigos dos Estados Unidos são retratados na cultura pop. Por exemplo, se você assistiu rock 4, o filme do Rock Balboa, aquele filme que luta contra o Ivan Drago ou o Russo, a gente consegue ter uma imagem bem estereotipada de quem é o Russo. Ficando nos filmes também, se você assistiu o filme bom dia a Vietnã, Guerra ou Terror, são alguns exemplos de como os inimigos dos Estados Unidos são retratados. Se você tem muitos trabalhos estudando o Orientalismo na indústria cultural norte-americana, seja nos filmes ou até nas HQs, inclusive se você ficar até o final eu vou te indicar um material falando sobre Orientalismo, Marvel e DC. Se você assistiu os filmes Donuts 80 como Rambo, sabe exatamente os símbolos e os estereótipos apresentados. O americano é sempre aquele fortão lutando por liberdade e por vários valores patrióticos lutando contra um Vietnã mita completamente maluco, quase selvagem e extremamente perigoso. Você pode estar pensando que isso é só um filme de entretenimento, mas os filmes, a cultura pop também carrega o que a gente está conceitando aqui de Orientalismo. E isso é um dos pontos que sustentam o Orientalismo. A através de um produto cultural nós estamos vendo como o outro é, seja ele oriental, seja ele chinês, seja ele um latino, mexicano e etc. O que eu quero deixar claro aqui é que temos um conceito do que é Oriente por uma lente ocidental que muitas vezes faz juízos de valor e juízos morais. Assim levar em consideração os próprios agentes que estão sendo estudados. O termo é Orientalismo, mas não necessariamente se aplica apenas aos orientais. Podemos ter esse tipo de análise de várias formas. Como nós aqui do Sul do Brasil enxergamos que é do Nord Nordeste. Nós respeitamos as particularidades, diferenças culturais, religiosas e de costumes de cada região de cadestado. Quando você vê alguém de turbante, por exemplo, a primeira coisa que vem na sua cabeça é um terrorista, a resposta foi sim, para essas duas perguntas, estudar o Orientalismo talvez te ajude. Em última análise, aprender e estudar o Orientalismo é aprender sobre nós mesmos. Ao refletimos de fato quem é o outro, temos a oportunidade de olhar para os nossos conceitos formados e buscar quais são as origens desses pensamentos a aprender a questioná-los. Inclusive essa é uma das atividades principais dos turiadores, porque eu penso isso dessa forma. Será que isso é natural, é desde sempre, quais são as ideias, filmes e livros que ajudaram a formar aquilo que eu acredito? quais são os medos que eu trago daquele que é diferente de mim? Esse medenatural eu fui levado a sentir isso, essas são apenas algumas reflexões que podemos fazer ao aprendermos o que é Orientalismo. Falar sobre Oriente e Ocidente dá muito plano para a manga e as abordagens são bem variadas. O meu intuito hoje era te passar o que é o consento de Orientalismo e como ele pode ser aplicado no nosso cotidiano, nas coisas que lemos, vemos e assistimos. Como eu disse no começo, essa foi apenas uma introdução sobre a história do continente asiático. Todo esse conteúdo foi baseado em uma das aulas de história de uma universidade. de pública. O meu trabalho aqui é apenas compartilhar todo esse conteúdo com você, mas, como eu sempre digo, isso é apenas uma introdução ao assunto. Caso você quer aprender mais sobre esse tema, eu vou te indicar alguns materiais. O primeiro material, claro, não podia deixar de ser, é o livro orientalismo do Edward Saide. Não tem como falar desse conceito sem recomendar esse autor e esse livro tão importante. Inclusive, a quinha descrição tem um link desse livro, se você comprar, não se fizer qualquer compra na Amazon através desse link e você vai estar ajudando muito a gente, tá bom? Não vai acrescentar nenhum valor no sua compra, mas através do nosso link, a gente ganha uma comissão dessa compra, tá bom? Bom, como eu disse, se você ficou até aqui, eu quero te indicar um trabalho sobre orientalismo e HKS, era que é da Marvel, eu dá de si. Esse trabalho foi feito por duas alunas da graduação lado anofesp, elas analisam os personagens orientais representados ao longo dos anos na Marvel, na DC. As últimas indicações também eu vou deixar como um desafio para vocês. Eu quero indicar dois filmes e esses filmes eu quero que você assista nessa perspectiva orientalista, se você já assistiu, assiste de novo, assim que acabar esse podcast para você ver se você enxerga os personagens, enxerga o roteiro, enxerga todo a trama de forma diferente, tá? O primeiro é o filme sniper americano, tem na Netflix e o segundo é Aladdin, um filme da Disney que foi lançado no passado, não me engano, tem na Amazon Prime e vide, tá bom? Então o meu desafio para você é assistir esses dois filmes sobre a perspectiva orientalista. Pessoal, é isso, só lembrando que já tem disponível, o estudo dirigido desse episódio para você, professor, usar com seus alunos. Espero muito que você tenha gostado desse episódio, caso queira, você pode compartilhar esse programa com algum amigo seu ou nas redes sociais. Você pode seguir o Instagram @história em fontes, e depois de ouvir, comentar o que achou e acessar história em fontes.com.br para mais conteúdo. Se você tem alguma dúvida, se você quer mandar um comentário pra gente, é só escrever no nosso meio contato @história em fontes.com.br. Esse roteiro foi feito e apresentado por Victor Lechandre, a produção e revisão é feita pela Lua Nandrade e a taciana garrido faz a revisão, história gráfica e produz o estudo dirigido. Muito obrigado por me ouvir até aqui, nos ouvimos no próximo programa. Fiquem em paz! Fui! [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. A divisão entre Oriente e Ocidente é uma construção histórica e cultural, não algo natural ou inerente ao mundo.
  2. O nome "Europa" provém de uma princesa fenícia, do continente asiático, mostrando que o Ocidente surgiu da influência asiática.
  3. A relação entre Europa e Ásia é antiga e intensa, com trocas culturais, linguísticas e religiosas que vão além da relação com a América.
  4. O Orientalismo é um sistema de conhecimento ocidental que idealiza, estereotipa e classifica o Oriente como "atrasado" ou "barbaro" em comparação ao Ocidente.
  5. O Orientalismo é evidente na cultura pop, como nos filmes e quadrinhos, onde o Oriente é retratado como oposto ao progresso, liberdade e civilização.
  6. Essa construção reflete interesses políticos e de poder, especialmente durante a colonização e a Guerra Fria.
  7. O entendimento do Orientalismo nos ajuda a questionar nossas percepções, medos e preconceitos sobre culturas diferentes.
  8. Estudar o Orientalismo é uma forma de refletir sobre como os próprios conceitos de "civilização" e "progresso" foram moldados pelo Ocidente.

Summary:

O programa apresenta uma reflexão sobre a construção histórica da divisão entre Oriente e Ocidente, desmistificando a ideia de que essa divisão é natural. Mostra que o nome "Europa" surgiu de uma princesa fenícia, do continente asiático, indicando que o Ocidente tem raízes orientais. A história entre Europa e Ásia é antiga e rica em trocas culturais, linguísticas e religiosas, o que contrasta com a narrativa escolar que enfatiza relações apenas com a América.

O conceito de Orientalismo é explicado como um sistema ocidental que idealiza o Oriente como "atrasado", "barbaro" ou "oposto ao progresso", em função de interesses políticos e coloniais. Esse estereótipo é evidente na cultura pop, como nos filmes e quadrinhos, onde o Oriente é apresentado como ameaça ou inimigo. O programa destaca que o Orientalismo não é apenas sobre Ásia, mas também sobre como os próprios brasileiros e populações locais são percebidos através de lentes ocidentais e preconceitos.

Aprofundar esse tema permite uma reflexão sobre nossas próprias percepções, medos e preconceitos, ajudando a desvendar como os conceitos de civilização e progresso foram moldados pelo Ocidente. O conteúdo é complementado por recomendações de leitura e filmes, como o livro de Eduardo Saíd e os filmes *Sniper* e *Aladdin*, para que o ouvinte analise a representação orientalista com uma perspectiva crítica.

FAQs

O Orientalismo é uma construção cultural e intelectual do Ocidente sobre o Oriente, que envolve teorias, estereótipos e percepções que moldam a visão ocidental do Oriente.

Essa divisão não é natural, mas histórica e artificial, baseada em critérios como geografia, cultura e poder, que mudam ao longo do tempo e refletem interesses políticos e narrativos ocidentais.

O Orientalismo cria estereótipos como o Oriente sendo atrasado, barbaro ou opressor, enquanto o Ocidente é visto como moderno, avançado e civilizado, mesmo que essas ideias não sejam verdadeiras.

Filmes como 'Bom Dia, Vietnã' ou 'Rock 'n' Roll' retratam o Oriente como selvagem, perigoso ou inimigo, reforçando estereótipos que são parte do Orientalismo.

Segundo o mito de Ovidio, a Europa foi nomeada por uma princesa fenícia, que veio do Oriente, mostrando que a origem do Ocidente está ligada ao Oriente.

O Orientalismo leva a julgamentos de valor, como achar que a Ásia é mais tradicional, atrasada ou violenta, enquanto a Europa é vista como moderna e progressista.

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