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Governo se reorganiza com a crise do STF

52m 34s

Governo se reorganiza com a crise do STF

The transcript is a Brazilian news program covering three main topics. It begins with two casino advertisements for Crown Coins and SpinQuest, both free-to-play social casinos. The central segment examines how the STF crisis has pushed the Lula government to reorganize its electoral strategy. Leaked messages from banker Daniel Vorcaro revealed extensive contacts with Supreme Court justices, including Cássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, and the son of Luiz Fux. The government responded with an electoral benefits package: a 15% Bolsa Família increase, weight-loss pens via the SUS, and support for ending the 6x1 work schedule. Analysts noted the government regained momentum, targeting women and low-income voters who had drifted away. Both campaigns now advocate judicial reform, though with different proposals. A legal expert warned the STF could face a quorum crisis if multiple ministers are investigated. The final segment discussed the U.S. sending MQ-9 Reaper drones and military aid to Latin America under Marco Rubio's "Shield of the Americas" initiative, with analysts warning Brazil faces a delicate geopolitical situation and must adapt its foreign policy to the new reality.

Transcription

7947 Words, 46194 Characters

English
Speaker 1crown coins winning never sounded so good what would you do if you won big at crown coins casino
Speaker 2real people win real prizes every single day hi this is michael from dallas and i won 40k and
Speaker 1finally renovated my home visit crown coins.com sign up in seconds enter code crown and get a free lucky wheel bonus you may win up to 10 000 sweeps coins crown coins.com that's c-r-o-w-n coins.com no purchase needed code valid for new users only void were prohibited by law 18 plus
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Speaker 5hola boa noite esta é a cnn brasil e este é o ww se teve um efeito concreto da crise do supremo tribunal federal na campanha foi a reorganização do campo do presidente lula ela ocorre em três frentes na primeira o governo se aproveita da bem-sucedida estratégia dos seus aliados na corte de abrir o conteúdo do celular de daniel vercaro e expor a relação do banqueiro com outras autoridades como caço nunes marques alvejado por suspeitas que se comprovadas são graves demais para quem ocupa uma cadeira no supremo na segunda frente o governo promove uma campanha de descredibilização de andré mendonça que segundo pesquisas tem impactado a percepção do eleitor sobre o ministro e sua atuação no caso eleitoral e na terceira frente o governo usa a máquina do estado para inaugurar um pacote de bondades eleitorais contando claro com a ajuda dos aliados no supremo para validá-la é impossível hoje arriscar quem vai ganhar a eleição mas a anunciada queda de lula no abismo junto com alexandre de morais até agora não aconteceu ao contrário o governo aproveitou a crise para se reorganizar na disputa da vida árvore de hoje a gente vai falar também dos planos militares de dono da América Latina participa do programa hoje aqui da Avenida Paulista o Guilherme Russo cientista político e diretor de inteligência da quest bem-vindo meu caro muito obrigado é um prazer tá aqui falar com você e com a Thaís prazer é tudo nosso Thaís Red obrigado bem-vinda e lá de Brasília a Jussara Soares nossa analista de política vamos lá o contra-ataque da ala pro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal implicou mais nomes do Supremo no caso master numa reação até agora pelo menos positiva para o governo Lula a pressão da crise sobre o planalto diminuiu e o presidente voltou a ganhar espaço no noticiário com novas medidas do seu pacote de bondades
Speaker 6eleitorais a reportagem é de Carol Rosito mensagens do celular de Daniel porcaro revelaram tratativas para hospedagem de um ministro do STF identificado como KN no carnaval de 2025 no Rio de Janeiro a república federal suspeita que o beneficiado era o ministro Cássio Nunes Marx porcaro teria reservado uma casa luxuosa para Cássio e um desembargador outros vazamentos mostraram que o ex-banqueiro Daniel porcaro se reuniu com o ministro Gilmar Mendes do STF no dia onze de abril de dois mil e vinte e quatro o encontro teria sido intermediado pelo empresário Chiquinho feitosa que a época era do ministro do STF para tratar de precatórios do setor sucroalcooleiros em nota o ministro afirmou que a audiência ocorreu no seu gabinete na sede do Supremo com a presença dos advogados do Master e não em espaço privado Gilmar votou contra os interesses de porcaro na sessão que julgaria a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes Dias Toffoli se declarou impedido ele teve serviços com o fundo ligado ao Master por meio do resort Taiaia no Paraná momentos antes do julgamento vazaram mensagens do celular de porcaro implicando o filho do ministro Luiz Fux o advogado Rodrigo Fux mantinha relação de proximidade com o então banqueiro e o tratava ao telefone como irmão as revelações mostram uma ampla rede de contatos diretos e indiretos de porcaro na mais alta corte do país e o contrato com o ministro porcaro foi preso no dia onze de abril de dois mil e sete horas depois do ataque dos aliados de Moraes além de dar um respiro para o ministro ameniza a pressão da crise no STF na campanha de Lula que voltou a ganhar destaque pelas ações do governo além do anunciado aumento de quinze por cento no Bolsa Família Lula prometeu que o SUS vai distribuir canetas emagrecedoras para a população que vive com a obesidade Lula ainda aposta no fim da escala seis por um que pode ser pautada no Senado entre o primeiro e o segundo de setembro da eleição em mais um programa para resolver o problema do endividamento da população vamos lá
Speaker 5Guilherme vamos pelo final vamos por partes esse pacote de bondades ajuda olha Caio primeiro a
Speaker 7gente começou a semana com o governo embaixo é preocupado com STF a gente agora termina a semana com o governo pautando é essa medida de bondades claramente o Lula reagindo ao mau momento e a gente tem sim a expectativa é de que as mulheres que estavam começando a rejeitar mais o governo e também pessoas com renda mais baixa olhem para essas medidas e respondam de forma positiva para o governo então obviamente tem que esperar a pesquisa que vai sair na semana que vem mas a expectativa é de que isso seja positivo para o governo por um eleitorado que votou muito para o presidente em 2022 de novo mulheres mais pobres e agora estão cada vez voltando menos presidente então temos que esperar para ver mais expectativa é que tá bem direcionado para o grupo que o
Speaker 5presente precisa de novo do apoio hoje o Sara você que sentimento você capta aí no governo você capta um sentimento de desespero de medo de cautela ou de otimismo nesse final de semana
Speaker 8e olha no final dessa semana o há um sentimento de que a campanha voltou para os trilhos que ela começou a ter um objetivo tem uma estratégia mais claro que não estava acontecendo até no início da semana concordo com Guilherme que essa o anúncio do reajuste de quinze por cento do bolsa-família deu um novo fôlego e ajudou o presidente Lula a pautar a discussão né o noticiário no fim dessa semana apesar da crise do STF tá longe de ser resolvida pelo menos volta a fazer com que o a campanha volte a falar de algo positivo e aí na esteira desse reajuste do bolsa-família a ideia da campanha petista é reforçar o discurso que o presidente Lula trabalha é atua e governa para o trabalhador para a população mais pobre e muito de olho neste eleitorado que sempre foi do presidente Lula mas as últimas pesquisas vinham chamando a atenção e preocupando o QG petista que havia ali um desgaste perdendo votos em áreas que sempre foram em em eleitores em grupo de eleitores que sempre foi um foram muito ligados ao presidente Lula Qual que era a leitura não dá numa eleição tão disputada como essa para abrir mão disso deixar para lá pelo contrário tem que evitar o escape desses eleitores Esse é um ponto aí que a campanha petista vai reforçar e trabalhar com frente sempre com discurso que a família bolsonaro trabalha para os ricos trabalha para os milionários e portanto apostar nessa comparação na prática né até isso parece que o governo fez do
Speaker 5caso do case Alexandre de Moraes aquela expressão fez o limão uma limonada fez uma lima um limão uma
Speaker 9limonada caríssima né é uma limonada muito caro porque hoje a gente já soube de mais medidas que estão para ver a gente até tratou disso aqui já né é o desenrola o que seria um desenrola três ou quatro se você considerar o programa para inadimplentes o governo desesperado querendo achar um jeito de fazer uma coisa mais direto que que é uma coisa mais direta é pagar a dívida das pessoas né É isso que tá em jogo a questão é que o governo está tomando medidas como por exemplo batalhar para aprovar o aumento do teto das meias nas microempresas individuais o que diminui a arrecadação então ele tá atuando nas duas pontas ele tá atuando na ponta do gasto e na de abrindo mão de receita se ele ganha eleição ele mesmo que vai ter que lidar com isso né hoje me chamou atenção porque a gente está assistindo a uma revisão constante do da previsão de crescimento mesmo para esse ano e para o ano que vem quiser uma percepção de uma desaceleração mais forte da economia o que pode acabar abrindo espaço para uma redução dos juros maior do que a gente está vendo hoje mas o Bradesco por exemplo que entre os dois grandes bancos era o que tinha um cenário mais otimista para economia hoje o Fernando honorato que é o economista-chefe fez uma revisão do seu cenário para o crescimento de um por cento no ano que vem o orçamento que o governo mandou para o Congresso Nacional prevê crescimento de dois e meio quase então a premissa do orçamento já está absolutamente equivocada e ainda assim vai tá com mais buraco do que já tinha então não é um cenário sustentável não é um cenário sustentável não é um Yes, yes. para a eleição não faz diferença.
Speaker 5Exatamente, e me chamou muito a atenção nessa semana, e a gente tem um dado aí que eu vou chamar, pedir para o Filipe pôr na tela, como esse humor das redes sociais mudou nos últimos dias em relação à crise no Supremo Tribunal Federal, segundo dados da APESAT, que a nossa colega, nossa amiga, minha amiga, Jussara Soares, publicou inclusive nessa semana. Começando pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele ainda continua com uma rejeição acima de 70%, mas o número de menções positivas ao magistrado na sede subiu de 3% em 4 de setembro para 11% em 16 de setembro, uma alta de 8 pontos percentuais. Agora, olha só a situação do André Mendonça. O número de menções negativas ao relator dos casos Master e INSS saltou 27 pontos no mesmo período. Já as menções positivas estacionaram próximas de 30%. Então, Rússio, de certa maneira, toda aquela expectativa e a leitura, nós também, inclusive, de que salvar Alexandre de Moraes prejudicaria o governo, mais ou menos. Não dá para cravar isso, pelo menos por enquanto.
Speaker 7A gente também faz um monitoramento muito parecido. Os números são muito parecidos com o que a Jussara trouxe. Vale falar primeiro... É na tela, inclusive. A gente tem um dado aqui muito importante, que é... Quando a gente olha para essa eleição, e falta muito pouco, faltam duas semanas para a eleição, então o tema importa muito. A gente estava vendo... Ao longo do tempo, a gente está vendo qual é a principal preocupação em relação ao Brasil pelo eleitorado brasileiro. E a segurança, a violência, é o principal problema há muito tempo. Mas a linha vermelha, que eu queria chamar a atenção, e aí o número 22, à direita, aqui da televisão, mostra que a preocupação com corrupção cresceu, essa pesquisa publicada na segunda-feira, mostra que o brasileiro estava muito mais preocupado com corrupção, o que é um produto, obviamente, da discussão do STF. Então, como a gente começou a semana? Com cada vez mais essa preocupação com corrupção, isso era muito ruim para o governo. Quando a gente fala de corrupção, o brasileiro associa isso ao governo Lula e junto com o STF, que Alexandre de Moraes, STF, Lula, ou seja, era um cenário muito negativo para o governo. E aí a gente, a Thaís, acho que alguém usou o termo desespero, o governo claramente começou a semana muito preocupado com as pesquisas, com a questão do STF, e agora muda muito de temática para tentar diminuir, porque a gente vê a corrupção. A gente vê a curva da corrupção crescendo e agora, saindo de pauta o STF, com, digamos, a não decisão do STF, isso vai realmente mudar de pauta, o governo vem com essa série de iniciativas para tentar mudar a narrativa, porque se ficasse na corrupção, a tendência era cada vez pior para o governo.
Speaker 5Então, mas na sua, eu já vou com a Jussara, mas na sua percepção, essa quase que neutralização, ela se deve ao governo pautar um pacote de bondades, caneta emagrecedora, ajuste do Bolsa Família, ou a pulverização de casos, mas nenhum, pelo menos para mim, comparável ao do Alexandre de Moraes, de longe, é o caso mais grave, sim, mas você aparece o ministro Cássio Nunes Marques, você aparece um encontro ali, um encontro acolá, você aparece o ministro do STJ já aparecendo, como que o governo consegue começar a semana num modo desespero e preocupação com o Alexandre, e ele neutraliza isso cinco dias depois?
Speaker 7Esse caso do Banco Master, ele é muito simbólico, porque nos olhos da população, ele está envolvendo todos os lados. Por mais que o Alexandre de Moraes é um grande representante do escândalo, como tem gente da direita, gente da esquerda, agora diferentes juízes, é uma grande bagunça no olhar do eleitor. A gente escuta isso nos grupos locais, as pessoas não conseguem acompanhar tanta notícia, sendo muito franco, se a gente não consegue, então por mais que... E aí, Jussara, e como que a campanha do Flávio pega esse cenário, é uma campanha que apostou, né, no começo da semana, na terça-feira,
Speaker 5e aí, Jussara, e como que a campanha do Flávio pega esse cenário, é uma campanha que apostou, né, no começo da semana, na terça-feira, para mim, pelo menos simbolicamente, aquele pronunciamento à nação, entre aspas, porque foi no horário eleitoral gratuito do Flávio, o Flávio, Alexandre é Lula, Lula é Alexandre. E aí, pelos dados, aparentemente, não tem o impacto previsto, né, pelo menos até agora. Como que a campanha do Flávio pega todo esse cenário aqui que a gente traçou até agora, com dados, inclusive, e projeta essa reta final de campanha?
Speaker 8Olha, Caio, a campanha do Flávio Bolsonaro tem adotado uma estratégia de... Daqui para frente, nesses próximos 15 dias, até a votação do primeiro turno, evitar cometer deslize, evitar criar brecha para novos desgastes, e porque viu uma mudança na campanha do presidente Lula. Se a gente observar as redes, os programas de televisão e do rádio do presidente Lula, eles não querem também deixar para lá o caso Master como um todo, porque o que a gente vê a todo momento é tentando, insistindo em colar a imagem de Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, no caso do filme Dark Horse, né, do financiamento para o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas tem um outro ponto que o PT tem explorado muito, é tentando colar, embora não tenha tido muito efeito ainda pelos números das pesquisas, mas o PT vai seguir insistindo que o Flávio Bolsonaro é o único candidato ao Palácio do Planalto que é investigado por corrupção, evasão de divisa e lavagem de dinheiro. Esse é um ponto que o PT não vai abrir mão, não vai, quer deixar um pouco a crise do STF para lá, mas vai seguir insistindo. Qual vai ser a estratégia da equipe de Flávio Bolsonaro, que eu pude captar aqui com eles? É que eles vão ficar, tentar insistir na questão de trazer o assunto para a economia, voltar, porque tem dado certo. Enquanto o presidente Lula, sua campanha estava, parecia um pouco desconectada da realidade, falando às vezes da soberania, que não pegava muito, o Flávio Bolsonaro estava gravando isso para o mercado, na rua, e eles vão insistir. Com isso, tentar trazer o Flávio Bolsonaro para mais perto do eleitor e a avaliação deles é que foi essa postura que causou, inclusive, essa mudança ali, né, esse chacoalhão na campanha petista.
Speaker 5Agora, Thaís, eu tive essa semana com o pessoal do mercado e eu senti, eu já não sinto voto envergonhado neles, eu sinto adesão mesmo ao Flávio, é isso?
Speaker 9Não é total, eu acho que tem uma coisa, eu acho que... O que é mais palpável, concreto, é a rejeição ao Lula. Eu acho que isso já é muito escancarado. Eu vejo muita gente do mercado, não é nem com voto envergonhado, é aquele cara que fala assim, mas será que a gente não vai ter mesmo outra opção? Ah, vou viajar, não vou votar, né? Mas a rejeição ao Lula, eu acho que é incontestável, né? E esse eleitor do mercado financeiro, que não quer mais um Lula, não quer. Mas o Lula, de jeito nenhum, mesmo que ele rejeite Flávio Bolsonaro, porque há muitos que rejeitam o Flávio Bolsonaro, e eu estou falando de grandes bancos, grandes gestores, não estou falando da turma mais jovem, que essa é mais engajada politicamente, inclusive, mas eu não sei o que vai ser deles no segundo turno, que olhar para a urna e ter que resolver, entendeu? Então, eu vejo essa dificuldade, assim, de acreditar que a única opção... A única opção que existe hoje é a Flávio Bolsonaro. Quando o Flávio anuncia sua candidatura lá em dezembro do ano passado, houve uma reação fortíssima, tanto que ele demorou muito para começar a ser recebido pelo mercado. Ele só conseguiu um acesso maior a esses caras maiores quando o Marcelo Caet, que é amigo e é respeitado no mercado todo, consegue fazer um jantar aqui e levar as pessoas, né? Mas ele levou muito tempo tentando pedir encontro, pedir visita. Pedir conversa e a Faria Lima maior, a Faria Lima mais tradicional, mais antiga, fechada para ele.
Speaker 5Sim. Agora, o Russo, assim, Guilherme, vocês vão divulgar uma pesquisa semana que vem. Qual o dado? Não estou pedindo antecipação, não sei nem se você fechou e nem quero saber, tá? Mas, assim, qual o grupo que, não só na pesquisa de vocês, que eu gosto muito de... Eu vou direto no eleitor independente, né? Que vocês chamam. É ali que eu olho, é a primeira coisa, antes de qualquer coisa. É ali que a gente deve... Se atentar, porque é o eleitor decisivo, o eleitor moderado, o eleitor que foi no Bolsonaro em 18, voltou para o Lula em 22, é essa faixa? Ou você acha que eu tenho que ver São Paulo, Sudeste, Nordeste, voto feminino? Onde que é o principal ponto focal dessa pesquisa, por exemplo?
Speaker 7Cara, primeiro eu te falo, não está aqui, a gente está no campo começando hoje e vai até domingo. Então, não tem como antecipar. Mas a sua pergunta sobre o eleitor independente, na verdade, vai junto com o grupo demográfico que você está fazendo. Eu estava citando. Por quê? Porque o eleitor independente está muito no Sudeste. As últimas duas pesquisas da Quest mostraram onde a oscilação está acontecendo sempre nos independentes que estão no Sudeste, muito aqui na região metropolitana de São Paulo, região metropolitana de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro. É um eleitor que votou no Bolsonaro em 2018 e votou no Lula em 2022. Esse eleitor é o que está flutuando por quê? Porque o custo de vida, a inflação dos alimentos impacta muito as pessoas. E aí... Viu? vive num ambiente urbano onde a violência sempre tem um impacto muito grande. Ou seja, a vida estava muito ruim para esse eleitor que acreditou no Lula em 2022 e estava vendo o cenário piorar, mas esse eleitor também não gosta muito da família Bolsonaro, tanto que rejeitou em 2022. Então esse eleitor está muito na dúvida, ele continua na dúvida. A gente está vendo, não só na nossa, mas todas as pesquisas, uma oscilação que vai subindo e descendo e o tema principal, ele importa tanto, a gente está dizendo, se vai ser, vamos falar dos pacotes bondados ou vamos falar de corrupção? Porque na hora do vamos ver, vai ser justamente em qual desses dois candidatos? Lula ou Flávio, eu rejeito menos, eu acredito que o mundo vai ser menos pior. É uma eleição de rejeição, então continua olhando para os independentes e vai ser uma disputa de rejeição e nessa reta final, digamos, é quase quem gera a maior rejeição. Vai ser uma campanha de ataques negativos.
Speaker 5Pessoal, vamos dar sequência aqui nas notícias de Brasil hoje, diretamente relacionada a tudo que a gente está falando. Houve um pedido da defesa de Daniel Vercaro, encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para revogar a prisão preventiva do ex-banqueiro. Mais um sintoma aí de uma crise institucional da corte, que atravessa esse momento em pleno ano eleitoral, que também aumenta a atenção sobre o que os candidatos à presidência têm a propor em relação ao Poder Judiciário. Vamos entender esses dois pontos na reportagem.
Speaker 10Como a prisão de Daniel Vercaro é preventiva, a lei determina que a necessidade de mantê-la seja reavaliada a cada 90 dias. Mas, segundo a defesa do ex-banqueiro, o último período venceu em 31 de agosto, um dia antes de o ministro André Mendonça tornar público o relatório da PF sobre Alexandre de Moraes. Mendonça ainda é o relator do caso Master, mas o processo com a prisão do ex-banqueiro está remitido ao presidente do STF, Edson Fachin, desde 12 de setembro. Fachin tomou a medida em meio a uma guerra de decisões na corte, envolvendo Mendonça e também Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Mas, na prática, isso também paralisou o andamento do caso na corte. É nesse contexto que tanto as campanhas de Lula como de Flávio Bolsonaro defendem reformas no Judiciário. A campanha de Lula defende uma mudança mais ampla no sistema de justiça. Já a de Flávio concentra as propostas no STF. O PT cobra códigos de ética para todas as carreiras do Poder Judiciário e o endurecimento de penas para magistrados e procuradores, que cometerem corrupção, peculato e tráfico de influência em seus cargos. Lula também defende discussões sobre a fixação de mandatos para ministros de tribunais superiores, indo além da aposentadoria por idade. O PT propõe ainda recriar a Secretaria de Reforma do Judiciário, que estaria subordinada ao Ministério da Justiça e conduziria essa agenda no governo. Já a campanha de Flávio defende o fim da competência criminal originária do STF para parlamentares, com a transferência da justiça para o governo. e com a transferência desses casos para outras instâncias do Judiciário. Na prática, isso mudaria o foro por prerrogativa de função de deputados e senadores para instâncias como o Superior Tribunal de Justiça e os tribunais regionais federais. O candidato do PL também propõe uma quarentena de um ano para indicação de ministros de Estado ao STF e que parentes de juízes, desembargadores e ministros sejam impedidos de atuar no tribunal do respectivo magistrado.
Speaker 5Bom, participa desse segmento agora o Fauzi Chucre, que é advogado parecerista e doutor em Direito Penal pela Universidade de São Paulo. Bem-vindo, professor.
Speaker 11Boa noite a todos e a todas. Obrigado pelo convite, Caio.
Speaker 5Nós que agradecemos. Professor, a seu ver, estão presentes os critérios para o Vorcaro sair da prisão?
Speaker 11Bom, na verdade, só pode dizer isso quem tem acesso aos autos. Os autos são por aí. Eu tô brincando.
Speaker 5Os autos são por aí, né, professor? Me desculpe, foi uma brincadeira.
Speaker 11Isso acontece muito, é verdade. Olhando de fora, de uma maneira teórica, não parecem ser, neste momento, presentes os requisitos para que a prisão dele seja substituída por medidas cautelares não encarceradoras. Como nós temos no exemplo mais comum aí pela mídia, a questão da tornozeleira. Não é a única hipótese, mas é aquela que mais se identifica entre as pessoas que não têm conhecimento jurídico. Agora, há uma questão sobre um aspecto que foi comentado há minutos atrás, que é a revisão periódica das cautelares. Isto é algo diferente de estar ou não presente requisitos para a prisão. Porque a lei impõe, desde 2019, na reforma que foi denominada de pacote anticrime, uma revisão periódica a cada 90 dias. Regra esta que opera, no caso desse pacote anticrime, e a grande questão que se coloca é a seguinte. Como é que nós devemos interpretar a inação da Procuradoria-Geral da República em postular a continuidade da medida cautelar, seja ela em que espécie for? Este é um tema sério, porque ele está em discussão em vários aspectos hoje, inclusive nesse próprio embrólio profundo e de difícil desbaratamento, que é a situação do STF. Na verdade, nós precisamos colocar algumas coisas nos seus devidos lugares. A inação ou a ação a destempo, no caso do Ministério Público, precisa ser muito bem focada, porque isto tem consequências jurídicas. Nós tivemos, só para recordar um fato que à época foi muito grave, nós tivemos à época, por um ministro que já não está mais no STF, uma decisão que, diante da inação, do Ministério Público, soltou uma pessoa acusada de participar de organização criminosa.
Speaker 5Sim, o André do Rap, né? O senhor deve estar se referindo ao André do Rap, né?
Speaker 11Isso, exatamente, exatamente. E estou me referindo ao então ministro Marco Aurélio.
Speaker 1Sim.
Speaker 11O que estava em jogo ali? O que estava em jogo juridicamente? Era o fato do Ministério Público ter silenciado. E, diante do silêncio do Ministério Público, houve a soltura daquela pessoa. Depois houve uma reação, inclusive jurídica, muito forte contra a maneira como o ministro Marco Aurélio se pronunciou. Mas, do ponto de vista jurídico, o papel do Ministério Público no modelo constitucional de processo penal não se coaduna com silêncios. O Ministério Público precisa agir. E não pode o Judiciário agir no lugar do Ministério Público.
Speaker 5Professor, deixa eu te encaminhar a outra pergunta. Vou pedir só para o senhor ser um pouquinho mais breve. De uma segunda dúvida, o senhor coloca aí a questão do Ministério Público. Do processo em si, o processo em si, a relatoria está com o Edson Fachin, um pedido de vista, pelo menos um ministro já impedido, o outro suspeito, o outro potencialmente investigado. Como que sai disso aí? Vou te pedir só uma brevidade maior do que da sua primeira intervenção para eu poder rodar aqui a roda. Mas que cenário o senhor traça para esse processo?
Speaker 11O cenário que se traça é da ausência de uma norma, uma norma legal que venha a reger a matéria. Porque o Supremo Tribunal Federal tem um quórum mínimo para trabalhar. Esse quórum mínimo, num caso que não envolva questões constitucionais, é de seis ministros. Se nós tivermos, porque nós já temos dois fora do cenário, o Toffoli e o Cássio Nunes Marx. Se nós tivermos mais um fora, nós teremos uma situação gravíssima. Porque nós não temos norma para repor o quórum do Supremo Tribunal Federal. Haveria a possibilidade de nomeação do cargo que está vago para suprir isso. Mas se dois ministros forem investigados, Mendonça e Almeida, Alexandre de Moraes, aí nós não teremos quórum algum. Inclusive porque, numa investigação contra eles, medidas de caráter... constitucional precisarão ser tomadas e nós não teremos ministros suficientes e não há lei que preveja isso hoje. Já existiu no passado, mas não existe mais.
Speaker 5Bom, e aí faz o quê, doutor? Desculpa, numa situação dessa.
Speaker 11Eu posso lhe dar um caminho pedindo só um tantinho, uns segundos a mais. Está bem. A saída para isso é uma reforma regimental do Supremo Tribunal Federal para voltar à redação original do regimento interno, que era do artigo 40, que previa a convocação extraordinária, em caso de deficiência de quórum, por ministros de um outro tribunal, que à época, sobretudo, era o antigo Tribunal Federal de Recursos, e hoje é o STJ. Esta é a saída mais digna do ponto de vista jurídico e que resolve o problema.
Speaker 5Perfeito. Thaís, você se dedicou hoje bastante às propostas na mesa de reforma do Judiciário. O que você captou? Até no seu programa, na Hora H, se tratou bastante disso, a forma como as campanhas abraçaram esse tema. O professor coloca uma possibilidade de reforma, não deixa de ser um item para suprir um vazio legislativo. Do que está aí? O que você captou de tendência, Thaís?
Speaker 9A Juliana Lopes ajudou, ela que trouxe a separação, ela trouxe a proposta do Eduardo Braga, que é uma proposta, que é uma PEC que já está encaminhada, e outras duas elaborações de propostas, uma do PP, uma do PT, ou seja, uma do Centrão, uma do Partido do Governo, ambas que tratam mais especificamente da magistratura, do Poder Judiciário. Então, tem lá. Mandato, idade mínima, tem até pauta de diversidade de gênero, distribuição mínima de gênero ali entre magistrados homens e mulheres, uma leitura, por exemplo, de Eduardo Braga, que tem a ver mais com conduta, com questão ética e moral. Agora, nas minhas conversas com os senadores, que estão tentando levar essa pauta para frente, encontram algumas dificuldades. Primeiro, o Davi Alcolumbre não está... O Senado está fechado e o Davi Alcolumbre não está sinalizando, ele já deu um sinal do tipo, olha, eu posso até encaminhar depois do primeiro turno. Existe uma preocupação do Senado, independentemente da proposta, parecer omisso e inerte nisso tudo. Então, mais do que o mérito do projeto, eu sinto uma necessidade de atuação política nesse caso. E essas são aquelas situações, Caio, que você cobre política há muito mais anos, você sabe que é o caldo... Para sair uma coisa maluca. Sim, sim. Quando o protagonismo é mais importante do que a discussão do mérito.
Speaker 5O Jussara, você sente que... Todo mundo fala na reforma do judiciário. Todo mundo, né? Até os empresários. É, exato. Mas, assim, as campanhas, principalmente, e a campanha do PT, principalmente, pela ligação ali com o Alexandre de Moraes, encontrou uma saída ali de defender reformas do judiciário. É discurso ou você sente que, de fato, estará na agenda... Na agenda do país em 2027, uma reforma do judiciário?
Speaker 8Caio, é um discurso eleitoral. O tamanho dessa crise, a proporção que ganhou com as críticas a ministros do Supremo furando a bolha que antes estava restrito na direita, obrigou governistas, petistas, o próprio presidente Lula a se encaminhar por uma defesa de uma reforma do judiciário. Esse é o ponto. Então, virou uma da direita à esquerda. Todo mundo quer falar. De reforma do judiciário, mas cada um com a sua proposta. Agora, o grande ponto aqui, Caio, que não é uma decisão de um presidente. Depende do próprio Congresso e também do apoio do próprio judiciário, que a gente viu em 2023, no auge ali, no primeiro mandato, no primeiro ano do mandato do presidente Lula, toda a crise envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, a direita insistindo com a epítema de ministro do Supremo. O ex-presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco, propondo discutir mandatos para ministro do Supremo Tribunal Federal, idade mínima, e o que a gente viu naquela época era um embate que se tornou entre o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e, por exemplo, Gilmar Mendes, decano da Corte, na época, presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, dizendo que não via conveniência dessa discussão. E aí, é importante lembrar que a reforma do judiciário de 2004 foram 13 anos até ser aprovada. A gente precisa colocar isso aqui para ver que não é tão simples assim, a não ser que essa crise continue exposta e isso possa ter alguma mudança no comportamento, levar a própria Corte a fazer uma reflexão e dar encaminhamento a isso. A gente lembra que o próprio Supremo Tribunal Federal também tem um grupo para discutir algum tipo de reforma, mas também não avança. E aí eu lembro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, assumiu a Corte, prometeu um Código de Ética, defendendo um Código de Ética, e ele não tem apoio de quase nenhum de seus pares, principalmente nessa aula de Gilmar Mendes, criticando exatamente isso. Então, não é algo tão simples. É um discurso eleitoral, porque está numa crista da onda, é o assunto dessa eleição, mas é difícil prever se isso vai ter vontade política, coesão e se vai ter a anuência do judiciário para seguir com isso.
Speaker 5Me parece um pouco as agendas de reforma política.
Speaker 9Eu ia falar isso, a reforma do judiciário. O judiciário virou a nova reforma política. Por quê? Porque o problema está no judiciário. O judiciário virou o problema.
Speaker 5Guilherme, deixa eu jogar a última lá para ele, se me permite, me desculpe. Professor, em um minuto que eu tenho aqui na grade, que o meu editor-chefe está me apontando aqui no meu ouvido, é necessária uma reforma do judiciário?
Speaker 11Totalmente. No que diz respeito, sobretudo, ao mandato para ministros das Cortes Superiores, que já é um tema debatido há mais de 20 anos. Embora sempre sufocado. E nesse caso específico, para solucionar esta questão concreta, é necessária uma reforma do regimento interno do Supremo, que cabe ao próprio Supremo. Aí não é necessário o parlamento.
Speaker 5Bom, dei um tempinho aqui. Esse tema não é pop, né? Para a campanha?
Speaker 7Esse tema é para evitar o problema. Nesse momento, os dois estão jogando para não apanhar.
Speaker 5Para evitar uma acusação de omissão.
Speaker 7Exatamente. Os dois estão tentando só não apanhar um do outro lado. Neste momento, com as propostas, como o Justara falou, neste momento, você tem que colocar a proposta só para não perder esse jogo.
Speaker 9É, e é nesse caldo que sai uma coisa ruim.
Speaker 5Bom, vamos lá. Guilherme Russo, cientista político, diretor de inteligência da Quest. Muito obrigado, meu caro. Eu vou aproveitar, deixa eu pegar aqui também a credencial do professor. Cadê? Onde está? Não sei onde está. Aqui, ó. Pronto, achou. Fauzi Shukri, advogado parecerista e doutor em Direito Penal pela Universidade de São Paulo. Obrigado, professor. Bom final de semana, viu?
Speaker 11Obrigado. Um bom trabalho.
Speaker 5Justara e Thaís Herédi, excelente final de semana, minhas amigas. Vamos lá. Daqui a pouco, os planos militares de Donald Trump na América Latina. Até já. WW de volta. Participam agora o Gunther Hutzit, professor de Relações Internacionais da SPM, da Universidade da Força Aérea. Bem-vindo, professor. Boa noite, Caio.
Speaker 12Obrigado pelo convite. Prazer em estar aqui. Prazer é nosso.
Speaker 5E o Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola do Comando Maior do Exército. Sandro, bem-vindo, meu caro. Obrigado, Caio, pelo convite. Prazer estar com você na bancada e também o meu amigo Gunther.
Speaker 13Obrigado, Caio. A gente se vê amanhã. Até amanhã. Até amanhã. Tchau. Boa noite a você e toda a nossa audiência. Boa noite.
Speaker 5Os Estados Unidos voltaram parte das atenções à América Latina nas últimas semanas. Depois de uma série de visitas do secretário de Estado, Marco Rubio, a países da região, os americanos passaram a enviar drones para operações contra o narcotráfico. A reportagem é de Mariana Janjácomo.
Speaker 14Fontes da CNN afirmam que os militares americanos estão encaminhando diversos equipamentos do modelo MQ-9 para a América Latina. A principal função seria a coleta de informações. Além disso, ele realiza ataques de precisão e dá suporte aéreo em missões. Os armamentos realocados estavam operando na África. O movimento faz parte da estratégia americana de operações militares contra o narcotráfico pelo continente. A princípio, as ações devem ocorrer no Equador. Além de maquinário, o Departamento de Estado também deseja ampliar a ajuda financeira. O governo Trump deve remanejar 52 milhões de dólares em orçamento militar para aliados na região. A verba sairia de fundos antes destinados para outros países, como o Iraque e aliados da OTAN, como a Eslováquia. A medida vem após a mais recente visita do secretário de Estado, Marco Rubio, por países da América do Sul. Na semana passada, ele esteve na Colômbia, no Equador e no Peru, países alinhados com as visões geopolíticas da Casa Branca. Essa foi a quinta viagem de Rubio pela região desde que assumiu o cargo. O chefe da diplomacia dos Estados Unidos viu Bogotá, Quito e Lima aderirem ao chamado o Escudo das Américas. A iniciativa, que teve início em março, reúne líderes conservadores e tenta coordenar ações para combate ao crime. Ao lado da recém-eleita Keiko Fujimori, Rubio comemorou o avanço do grupo. O movimento do governo americano faz parte de uma estratégia mais ampla de controle do hemisfério. Trump decidiu pela retomada da interferência pelo continente, inclusive com o uso de força militar no Caribe. Além dos aspectos de segurança, ele tenta afastar a influência da China. O líder chinês, Xi Jinping, já demonstrou irritação com a postura americana, que chamou de ingerência. Na próxima semana, Xi Jinping vai desembarcar em Washington. Para uma série de reuniões com Trump. O chinês, entretanto, deverá afaltar a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, que ocorre no mesmo período.
Speaker 5Gunter, o que significa esse envio desse tipo específico de equipamento para cá e como que ele se encaixa nessa mudança de política de segurança dos Estados Unidos para a região?
Speaker 12Bom, antes de mais nada, não me surpreende, porque as pessoas esquecem que Marco Rubio também é. O National Security Advisor, ou seja, o assessor de segurança nacional, que é responsável pela elaboração da National Security Strategy, essa política de segurança nacional americana, que estabeleceu a hemisféria ocidental como a zona mais importante de interesse americano e que também é de interesse próprio de Marco Rubio. Então, é um processo de escalada que vem fazendo de importância e de ação americana, mudando e trazendo uma estrutura e um conhecimento de combate ao terrorismo que os americanos usaram, principalmente no Iraque, Afeganistão e várias partes da África. Portanto, é efetivamente essa militarização que a reportagem mostrou e que está demonstrando que as ações americanas vieram e vieram para ficar aqui na região, ações militares.
Speaker 5Agora, Sandro, são equipamentos... São equipamentos pesados, né? Se puder, inclusive, explicar um pouco as características desses equipamentos, indicando aí que o Washington vai entrar com tudo no combate às facções.
Speaker 13Ah, Caio, como bem colocado pelo Gunther, as operações vieram para ficar. Então, vou colocar apenas uma medida técnica desses equipamentos. Então, por exemplo, o drone, o MQ-9 Reaper, ele pode ficar no ar, em alguns casos, por até 12 horas. Até em algumas versões mais novas, 18 horas no ar. Ele carrega mísseis do tipo Hellfire, um míssel que é utilizado, foi utilizado com muito sucesso, de maneira muito eficaz pelos Estados Unidos na guerra global ao terrorismo, para eliminar a liderança de grupos terroristas, para fazer ataques de precisão. Então, ele está trazendo isso também para as capacidades na América Latina. Então, a gente teve, além desse giro do Marco Rubio, uma série de... de acordos que os Estados Unidos assinaram com Colômbia, com Equador, com Panamá, com Costa Rica e outros atores da região que têm se aproximado dos Estados Unidos para obter esse apoio a enfrentamento de organizações criminosas. E isso oferece uma porta para o Washington entrar e garantir essa estratégia definida na sua National Security Strategy do início desse ano, de que o hemisfério ocidental é dos Estados Unidos. Então, Caio, quando você coloca drones que podem operar por 12, 18 horas, com capacidade de lançar mísseis, quando você traz aviões do tipo AC-130 Spectre, que também tem uma grande capacidade de voo, uma grande autonomia, com muita munição, você tem claramente o Washington sinalizando que vai pegar muito mais, de uma maneira muito mais firme no combate a essas organizações. O Equador é um campo que tem sido falado, mas a gente também tem que lembrar que, nessa semana que se encerrou, o Abelardo de Lais Prielha, o novo presidente colombiano, acabou de fechar um acordo com os Estados Unidos para a presença desses drones em bases colombianas e, inclusive, esses drones sendo utilizados para apoio a ações colombianas de enfrentamento a diversos grupos que fazem e trabalham com essa questão do tráfico de drogas e que são olhados pela legislação colombiana como grupos terroristas. Então, isso acaba oferecendo a perfeita cobertura jurídica para que o Washington possa intervir. Além disso, a gente também deve ver um maior incremento de efetivo, mas isso é menos noticiado, também de capacidade de inteligência, capacidade de operações especiais para o apoio a essa campanha americana. Agora, Gunther, e o Brasil nisso?
Speaker 12O Brasil está numa posição praticamente se vendo cercado. Como você também falou, as ações americanas na região aqui vêm de aproximar desses governos de direita que são abertamente pró-Estados Unidos, começando aqui desde o Paraguai, passando também pelo Equador, já negociações com Bolívia, então o alto comando das Forças Armadas, especialmente do Exército, vê isso com preocupação, vê a possibilidade de ações militares americanas nas nossas fronteiras. E que são fronteiras extremamente porosas, são fronteiras em que você não tem o marco efetivamente tão facilmente visível e delimitado. Boa parte disso é de floresta, floresta amazônica, tem até de cerrado, mas a maior parte é isso. E que uma parte desse narcotráfico vem para o Brasil para ir para a Europa, não necessariamente para os Estados Unidos. Mas isso para o eleitor americano não importa. O que importa é que o governo americano está tomando atitudes, aquilo que ele prometeu na eleição. Então a gente tem que entender que esse combate ao narcotráfico não é uma ideia de imposição do governo Trump II, é resultado dessa percepção da sociedade americana que quer esse combate ao narcotráfico. Aqui a gente fala de violência, violência urbana. A violência é violência ligada ao narcotráfico. Então o Brasil está numa situação extremamente delicada em que combinar todos os instrumentos de negociação entre governo americano e brasileiro, mas especialmente, Caio, acho que o governo brasileiro precisa entender que a realidade mudou e não adianta ficar olhando o mundo com lentes antigas. Aqui eu brinco. Um software antigo. Um software de uma época antes de Trump, que eu chamo da era da globalização. Portanto, começa no próprio palácio do Planalto ter que mudar o seu entendimento, os seus discursos, porque o Sandro pode explicar melhor do que as relações militares entre o Brasil e os Estados Unidos continuam ainda muito boas.
Speaker 5Qual o seu olhar a essa posição brasileira, Sandro?
Speaker 13Uma posição extremamente delicada, Caio, uma posição extremamente delicada porque a gente tem, por exemplo, nesse momento, Paraguai, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e a gente de certa maneira pode até colocar a Venezuela, por mais incrível que pareça, nesse cenário, uma vez que a gente tem esse acordo entre o governo americano e o governo de Delcy Rodrigues na Venezuela, então você já tem, de certa maneira, um arco de governantes ideologicamente ligados a Trump. Seja por simpatias ideológicas diretas, e aí também se coloca nisso o presidente Milley da Argentina, ou por conveniência, como é o caso da Delcy Rodrigues na Venezuela. Então, quando a gente observa esse cercamento americano, essas ações americanas, a declaração que saiu essa semana dizendo que o Brasil não combate o narcotráfico da melhor maneira possível, isso é um instrumento muito forte, claro, de pressão sobre o governo. A gente também tem que considerar a questão eleitoral. Como o Gunther muito bem disse, quando é publicada a National Security Strategy, lá no início do ano, e foi dito isso, muita gente se chocou, muita gente fez declarações apaixonadas, dizendo, olha, é inadmissível que se tenha isso, mas a questão é a seguinte, nós, e eu venho dizendo aqui em diversas participações aqui no programa, a geopolítica bateu a porta do Brasil, e não quer dizer apenas em grandes tensões, em grandes conflitos entre estados, como a gente tem visto. Também nessas questões, a geopolítica bate a porta do Brasil. Então, é importante que a gente tenha a percepção do que é real hoje, do que é o real interesse do governo Trump. Eu tenho dúvidas se essa estratégia é efetiva, a gente já tem números dizendo que a apreensão de drogas que vem por essas rotas do mar, especialmente do Pacífico, oriundas do Equador, tem diminuído, e isso não necessariamente seria por um combate feito pela administração a Donald Trump, mas sim porque as rotas utilizadas pelo narcotráfico teriam achado outros caminhos para chegar aos Estados Unidos. Então, isso inclusive sendo dito por especialistas americanos, até mesmo militares. Então, é importante ao Brasil tentar entender esse quadro, esse cenário, para criar, não só perceber como ele pode produzir respostas a esse cenário, não só aos Estados Unidos, mas ao próprio desafio da criminalidade, e também, talvez, criar um programa conjunto de atuação com os vizinhos. Porque a gente sabe que na política não existe um vácuo de poder. Então, se ninguém ajuda os vizinhos nossos a lidarem com esses problemas, nós estaremos abrindo a porta para a atuação de outros atores que não são da região e que virão nem sempre com os melhores interesses.
Speaker 5É isso que eu queria entender, Gunther, a sua visão. Nós estamos, Brasil enquanto Estado, obrigados a aderir a esse ato? A esse arco, independentemente de quem ocupar o Palácio do Planalto, não há uma alternativa, ou há um caminho do meio, ou há algum outro tipo de parceria a ser feita se o Brasil não quiser aderir 100% a esse modelo cujo laboratório, se eu não me engano, principal é a do Equador?
Speaker 12Olha, Caio, a gente tem que ter um olhar para o mundo com os dois pés no chão. A realidade está próxima, não adianta brigar com ela. Não adianta brigar com ela. Não adianta brigar com ela. A única superpotência do mundo em que deixou claramente que a região do hemisfério ocidental é do seu interesse e que vai agir. Aí, a vinda desses drones aqui é a parte mais visível, é a grande manchete. O Sandro mesmo já falou agora há pouco que há outras ações que estão já acontecendo e que não chamam tanto atenção. Portanto, é uma realidade posta. A gente tem que saber trabalhar com isso. A gente tem que tirar a política interna, a política ideológica da política externa. Saber trabalhar com todos os instrumentos do governo para conviver com essa realidade. Cooperar naquilo que nos interessa. Combater o narcotráfico é do interesse da sociedade brasileira, não tem como negar isso. Mas também você ter os seus próprios limites. E sem dúvida alguma, se conseguisse fazer isso antes que os americanos o fizessem, seria o melhor. Mas a interferência ideológica proibiu isso agora. Então, é saber conviver, cooperar onde puder, onde houver o nosso interesse e seguir caminhos próprios aonde puder.
Speaker 5Senhores, muito obrigado. Um excelente final de semana a vocês. Começando pelo Gunther Hutz, professor de Relações Internacionais da SPM da Universidade da Força Aérea. Gunther, bom fim de semana.
Speaker 12Eu que agradeço. Bom fim de semana a todos.
Speaker 5Sando Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando Maior do Exército. Sando, bom final de semana, meu caro. Obrigado. Obrigado a você, Caio, o convite. Um bom final de semana a você.
Speaker 13Algum teria toda a nossa audiência.
Speaker 5WW termina aqui. Eu continuo mais um pouco agora no Grande Debate com a Juliana Lopes e com a Jussara Soares. Mas, pra você que nos acompanhou até agora aqui no WW, uma boa noite e um excelente final de semana.
Speaker 1Tchau, tchau.
Speaker 3Tchau, tchau. E você nunca vai ficar com fome de novo.
Speaker 4A SpenQuest é uma casina social livre de jogo. Apoie onde é proibido. Visite spinquest.com para mais detalhes.

Podcast Summary

Key Points:

  1. The transcript opens with two casino advertisements — Crown Coins (sweepstakes casino with a free lucky wheel bonus up to 10,000 sweeps coins) and SpinQuest (a free-to-play social casino with slots and live dealer games).
  2. The main segment analyzes how the STF (Supreme Federal Court) crisis has prompted the Lula government to reorganize its electoral strategy on three fronts: exposing Daniel Vorcaro's phone contacts with justices, discrediting Minister André Mendonça, and rolling out an electoral benefits package.
  3. Leaked messages from banker Daniel Vorcaro revealed contacts with STF ministers, including Cássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, and Rodrigo Fux's son, showing a broad network of connections at the court.
  4. Lula's government announced a 15% increase in Bolsa Família, promised weight-loss pens through the SUS, and pushed for the end of the 6x1 work schedule, aiming to regain support among women and low-income voters.
  5. Analysts Guilherme Russo and Jussara Soares said the government regained momentum after a week of crisis, though the STF situation remains unresolved and the election is essentially a contest of rejection.
  6. Both Lula's and Flávio Bolsonaro's campaigns now advocate judicial reform, but with different proposals — the PT wants broader justice system changes, while Flávio focuses on limiting STF powers.
  7. A legal expert warned the STF may lack quorum if multiple ministers are investigated, suggesting a regimental reform allowing STJ ministers to sit in.
  8. The final segment covered the U.S. sending MQ-9 Reaper drones and military aid to Latin America under Marco Rubio's "Shield of the Americas," with analysts warning Brazil faces a delicate geopolitical situation.

Summary:

The transcript is a Brazilian news program covering three main topics. It begins with two casino advertisements for Crown Coins and SpinQuest, both free-to-play social casinos. The central segment examines how the STF crisis has pushed the Lula government to reorganize its electoral strategy.

Leaked messages from banker Daniel Vorcaro revealed extensive contacts with Supreme Court justices, including Cássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, and the son of Luiz Fux. The government responded with an electoral benefits package: a 15% Bolsa Família increase, weight-loss pens via the SUS, and support for ending the 6x1 work schedule. Analysts noted the government regained momentum, targeting women and low-income voters who had drifted away.

Both campaigns now advocate judicial reform, though with different proposals. A legal expert warned the STF could face a quorum crisis if multiple ministers are investigated. S.

sending MQ-9 Reaper drones and military aid to Latin America under Marco Rubio's "Shield of the Americas" initiative, with analysts warning Brazil faces a delicate geopolitical situation and must adapt its foreign policy to the new reality.

FAQs

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The crisis allowed Lula's government to reorganize by exposing Daniel Vorcaro's phone content, discrediting André Mendonça, and launching a package of electoral benefits to regain voter support.

Lula announced a 15% increase in Bolsa Família, promised weight-loss pens through SUS, and pushed for an end to the 6x1 work scale, aiming to appeal to women and low-income voters.

Lula's campaign defends a broad justice system reform, including ethics codes, tougher penalties for corrupt magistrates, and term limits for higher court ministers. Flávio Bolsonaro proposes ending the STF's original criminal jurisdiction for parliamentarians and a one-year quarantine for appointing ministers.

The U.S. is sending MQ-9 Reaper drones to Latin America, starting with Ecuador, to combat narcotrafficking as part of a broader strategy to control the hemisphere and counter China's influence.

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