Speaker 1Boa noite, esta é a CNN Brasil, este é o WW. É do tipo explícito a foto do abraço apertado entre o presidente Lula, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Mota, na saída de um almoço hoje no Palácio da Alvorada, no qual se formalizou o principal acordão político do momento. Lula e os presidentes das casas legislativas fecharam um pacto de cunha eleitoral, no qual Mota e Alcolumbre prometem acelerar assuntos que Lula considera decisivos para vencer as próximas eleições. Em troca, Lula promete apoiar cada um deles para ficarem onde estão, caso seja reeleito. Em Brasília, tem gente de todo tipo menos bobos. E como não são bobos, vale a pena perguntar, Mota e Alcolumbre estão entregando primeiro para receber depois? Só se fossem muito bobos. A chave para o acordão está do outro lado da praça, no STF. É lá que tramitam os inquéritos que assombram tanto Lula quanto Alcolumbre e Mota, com suas perigosas ligações com o ex-banqueiro com prisão preventiva por comandar um grupo criminoso. Os supremos poderes do Supremo incluem também a capacidade de fazer com que investigações andem mais. Ou andem menos depressa. Em função de conveniência política, na qual a Suprema Corte está mergulhada e não é de hoje. A principal conveniência política no momento é a aposta por integrantes do Supremo, pelos presidentes das casas legislativas, por dirigentes interessados na manutenção das emendas parlamentares, numa vitória de Lula. A vitória está garantida? Não. A eleição, neste momento, está aberta. Mas, na foto do abraço, os três sorrirem, como se dissessem: "Juntos, venceremos". No WW de hoje, vamos falar também do acordo firmado pela Meta por viciar adolescentes nas redes sociais, é bilionário em dólares, e do acordo entre Irã e Oman sobre o trânsito no estreito de Hormuz. Acordo. Ju Sara Soares, boa noite para você em Brasília. Thaís Heredia, querida, ao meu lado. Igualmente, Caio Junqueira, boa noite. Os presidentes Lula, Davi Alcolumbre, do Senado, Hugo Motta, da Câmara dos Deputados, oficializaram o acordo para avançar com uma série de propostas de alto interesse eleitoral para o governo. A celebração desse acordo veio depois de um almoço no Palácio da Alvorada. Confira a reportagem de Aline Bechetti.
Speaker 2Foi com muitos abraços que o governo selou o andamento de medidas importantes para a agenda do presidente Lula.
Speaker 3E eu fiquei muito feliz. Tanto o companheiro Alcolumbre, Davi, decidiu colocar esses temas na pauta de votação, como o companheiro Hugo também.
Speaker 2A principal vitória do Planalto envolve a celeridade na votação da medida provisória que encerra a chamada taxa das blusinhas. O imposto de 20% contra mercadorias de até 50 dólares era impopular e um motivo de desgaste na gestão econômica de Lula. A MP expira no início de setembro. Mas para a validade, a taxação sobre os produtos retornaria em plena campanha eleitoral. Hugo Mota e Davi Alcolumbre prometeram instalar uma comissão mista para analisar o texto, o mais rápido possível, durante o esforço concentrado dos parlamentares na próxima semana. O grupo terá a presidência do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais. Os presidentes comemoraram o andamento.
Speaker 4Então é uma vitória não só das pessoas que mais precisam do Brasil, que compram o Brasil através dessas plataformas, compras de até 50 dólares, são hoje o grande volume de compras do país.
Speaker 2Além da taxa das blusinhas, a reunião desta quarta-feira definiu o avanço de outras pautas estratégicas para o governo, entre elas, o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, o PL dos minerais críticos e o Redata. Sobre a mudança na legislação trabalhista, o senador e o relator. O relator do texto, Omar Aziz, deve enviar o parecer até a próxima quarta-feira. Mesmo com o esforço, a votação no plenário deve ficar para novembro. Na segurança, o senador Rogério Carvalho vai apresentar o relatório no mesmo dia para a votação na Comissão de Constituição e Justiça. No caso dos minerais críticos, Alcolumbre diz que pretende construir um acordo e concluir a deliberação na semana de esforço concentrado. Os temas são de forte interesse do governo. Especialmente no período eleitoral. O Planalto aposta nessa agenda para angariar votos e fortalecer o discurso. O andamento das medidas marca a reaproximação recente entre Lula e Alcolumbre. Depois de meses sem conversas, os dois retomaram as articulações em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Para Alcolumbre, o retorno ao diálogo é uma vitória da democracia.
Speaker 5Esse meu pronunciamento, exaltando a possibilidade das instituições democráticas republicanas terem a capacidade de dialogar em relação aos temas importantes do nosso país.
Speaker 1A reportagem foi de Aline Beckett, perdoe Aline, pronunciei seu sobrenome errado quando te apresentei. Jussara, vamos lá, os cínicos, velhos repórteres como eu, não compram uma palavra do que Alcolumbre acabou de dizer. Instituições democráticas, uma ova, eles fizeram um acordão político na base de convergência de interesses e um dos principais a escapar de investigações, todos ali. Bom, mas vamos lá, fizeram um acordo político, não há dúvida nenhuma a respeito disso. Inicialmente, lá atrás, um jantar na casa de um ministro do STF. Esse acordo político significa que tipo de isolamento da candidatura de Flávio Bolsonaro?
Speaker 6William, os repórteres um pouco mais novos também têm muita dificuldade de acreditar nesse discurso, nesse argumento de que é um acordo para a democracia, porque esse sentimento de democracia, ele só vem, só é chamado, conclamado quando a situação começa a ficar ruim para todo mundo. Então, esse basicamente é o pano de fundo, lembrando que tudo começa, pelo menos o avanço deste acordo começa naquele jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com a presença também de outro ministro do STF, Cristiano Zanin. E aí teve ali a aproximação com a Columbre e tudo que a gente tem visto até a imagem de hoje, que quando Lula posa para foto ali, dizendo "talvez juntos para sempre", chamando inclusive a Columbre e Hugo Motta de companheiro, segundo os relatos dos colegas que estiveram lá. William, a questão aqui é o quanto que esse movimento aponta também por uma sensação de que este grupo... É, ao tentar se blindar, também vai com tudo, vai com tudo apostando na vitória de Lula. Agora, a grande questão é se essa aposta realmente está certa, o que a gente vê das pesquisas, embora a gente costume tratar ainda o presidente Lula como favorito, até porque está no poder, é que se der errado essa grande questão e aí precisa ver também, como diz meu colega Caio, a caixa de ferramentas e de maldades também que Flávio Bolsonaro, eventualmente no poder... O Rogério Marinho, que é senador e vai tentar disputar o Senado também, a presidência do Senado a partir do ano que vem, então é um jogo, uma aposta alta diante do cenário que a gente está vendo, mas neste momento talvez seja a coisa mais importante para esse espírito que eles estão buscando de blindagem para todos eles.
Speaker 1Caio?
Speaker 7É, eu não diria isolamento do Flávio Bolsonaro, eu diria que a imagem deixa clara quem está de um lado, quem está de outro. Em primeiro lugar, a forma final de um acordão político que se iniciou por uma iniciativa do Supremo Tribunal Federal, claramente intervindo ali no processo político, ao juntar e unir Davi Alcolumbre com o presidente Lula, estou falando do ministro Alexandre de Moraes, porque ele que liderou esse processo, e essa imagem de hoje é o ponto final, ou intermediário talvez, desse processo político que o ministro do Supremo deflagrou e acabou. Pelo menos até agora, sendo positivo, tem ali um acordo de… todo mundo está ganhando um pouco. O presidente Lula ganha agendas eleitorais, populares, fim da taxa das blusinhas, PEC 6 para 1, ainda que não aprove, mas ela entra na pauta no momento em que a eleição está empatada, imprevisível de saber quem vai ganhar. Hugo Motta ganha um apoio mais enfático para eleger o pai senador, esse é o único interesse dele.
Speaker 1Que é a de uma oligarquia política regional.
Speaker 7Exatamente, Davi Alcolumbre ganha um apoio do presidente Lula numa eleição dificílima para o Clécio, que é o governador da Amapá, que tende a perder a eleição para o doutor Furlan, que era o prefeito de Macapá, em primeiro turno. Então fica mais ou menos ali, um dá aqui, outro dá ali, acolá, e constrói esse acordo político. Mas eu não vejo isolamento do Flávio, eu vejo um alinhamento de forças de um governo de ocasião. Ou governantes contra a principal candidatura adversária. Não significa que vai dar certo, isso aí depois que abrir a urna que a gente vai saber.
Speaker 8E o Alexandre de Moraes ganha o que nessa jogada, né, Agnésia, nesse pacto, que é uma coisa que a gente tem falado muito? Talvez ele ganhe o compromisso de Alcolumbre de não, se Alcolumbre for reeleito para a presidência do Senado, senta sobre qualquer pedido de impeachment para ministros do Supremo. O Alexandre de Moraes é o ministro mais citado, isso tem nas pesquisas sendo feitas aí na praça, o ministro do Supremo é o ministro mais citado pela maioria dos candidatos como o alvo de um processo inédito de impeachment contra o ministro no Senado. William, só quis pegar esse gancho aqui, antes de interromper sua pergunta. Então, vamos... É, rigor faltou ele na foto. É, exato, mas a pergunta que eu acho que todo mundo se faz hoje é a seguinte, né, ele já entrou na articulação por ele, não vai sair, não foi uma atuação casual, única e de uma situação específica, e não foi nada republicano, foi secreto, a gente descobriu depois.
Speaker 1Pegando a tua linha, Thaís, quer dizer, há uma convergência óbvia de interesses dos personagens ali que nós vimos na foto, faltou um na foto, os quatro personagens, três estavam na foto, de sobreviver como seja possível a uma série de investigações e escândalos que têm uma capacidade muito grande de causar dano. Vamos deixar por aqui. Agora, há um paradoxo nisso tudo, Jussara, aí, que eu queria trazer você na conversa. Mota não tem maioria na Câmara hoje. Alcolumbre dificilmente tem maioria hoje, e a julgar, pelas mesmas pesquisas que eles leem e que nós lemos, não terá. No dia 4 de outubro, na noite, no dia 4 de outubro, a gente já sabe como é que é a composição do Senado. Então, que aposta é essa?
Speaker 6Uma tentativa de ter o apoio do presidente Lula num movimento que, se o presidente Lula se reelege, pode aí ter, como dizem, essa neutralidade do Centrão hoje nessa disputa nacional, na presidencial, de repente mudar os ventos lá depois para 2027, e aí eles terem o apoio do governo e fazer a diferença na reeleição deles para o Senado e para a Câmara. A aposta é essa. Além, claro, dos benefícios... ...imediatos, como o Caio já citou, que são as eleições, as questões regionais, tanto para Alcolumbre, no Amapá, como para o Gomota, na Paraíba. Esse é o ponto aqui. Agora, eu só queria voltar um pontinho na questão de Alexandre de Moraes, que passa também por essa nova configuração do que se espera de 2027 no Senado, que é, pelo que a gente vê, uma tendência, um esforço da direita de eleger uma grande maioria. E aí, sim, essa... ...eleição, se de fato se concretizar um Senado majoritariamente de direita, bolsonarista, e aí, sim, pode aumentar a pressão, especialmente sobre o ministro Alexandre de Moraes, que há muito tempo vem aí sofrendo vários pedidos de impeachment.
Speaker 1Caio, no caso agora, se a gente considera a posição dos dirigentes partidários, certo? Nós vimos a posição dos presidentes das casas legislativas. Dirigentes partidários é alguma coisa um pouquinho diferente. Onde é que eles estão nesse acordo de hoje?
Speaker 7Bom, primeiro que está todo mundo esperando ver para onde vai o rumo da eleição. E a imprevisibilidade da eleição, se vai ser Lula ou se vai ser Flávio, o presidente, os jogou para a neutralidade. Em princípio, o que a gente tem de informação é que os dois lados tentaram, de alguma maneira, o apoio desses dirigentes partidários, mas, diante dessa imprevisibilidade, eles acabaram... Não se concedendo. Eles estão observando. Agora, sim, William, o Davi, ele ter o apoio do Lula, e se o Lula ganhar, ele vira um candidato forte. A força do Davi... Eu conheço esse personagem há muito tempo, desde a origem, desde quando ele não era conhecido. Em 2018, eu morava em Brasília ainda, e é um personagem que sempre me instigou a... De onde vem o poder do Davi Alcolume? Porque você não sabe o que ele pensa. O que ele pensa do Brasil? Qual é o projeto de Brasil? O que ele pensa de reforma administrativa, de reforma tributária, de reforma previdenciária? Ninguém sabe. E não dá entrevista também. E aí, conversando com os senadores, eu fui compreendendo, ao longo desses anos, que ele atende muito os senadores. Pequenos desejos e pequenos pedidos. Ele, a equipe dele... Ah, eu preciso de uma ajuda ali no MDA. Não é? Não. No MAPA, no Ministério da Agricultura. Eu preciso de uma ajuda ali no TRE, não sei de onde. Eu preciso disso aqui. E ele é muito carismático para dentro do Senado. Então, por isso que, para ele, se o Lula for reeleito, e ele tendo uma máquina como o Poder Executivo próxima a ele, ele consegue desenvolver essa coleta de votos internos para...
Speaker 1Eu só quero submeter a descrição que você faz do personagem a uma realidade de fato. Você descreve esse personagem, no fundo, sob o seguinte manchetinha. O que é a força dele é a teia de influência. Agora, a teia de influência com a maioria... Eles são favores. Ok. Com a qual ele cria influência. Sim. E ele testa uma teia de influências. Aí está na sua descrição a base do poder dele. A base da influência dele é a troca de favores políticos. Como? Se ele vai ter a oposição de maioria.
Speaker 7Então, mas se a gente for compreender que... Na última eleição dele, que foi agora, depois do Pacheco, ele foi eleito com o apoio da bancada bolsonarista. A que foi com o Rogério Marinho foi mais apertada. Mas ele consegue. Não tem só gente impoluta ali. As pessoas, ainda os que defendem o impeachment do Alexandre Moraes ou do Toffoli, elas também têm seus interesses comezinhos, que são atendidos em sua maioria, pelo Davi, e bem atendidos. Então, assim, o fato de eventualmente, possivelmente, ter uma maioria super bolsonarista no Senado ano que vem, defendendo impeachment de ministro do Supremo, não necessariamente vai transformar essa ideia, a força, num impeachment de ministro do Supremo. Ainda mais se o Davi for o presidente, ainda mais se o Lula for o presidente, porque o Davi vai conseguir, de alguma maneira, fazer essa política interna, que ele faz muito bem feita, com os senadores atendendo os pedidos e as demandas dos senadores. E mesmo os senadores bolsonaristas votam nele. E vamos lembrar que o Davi, ele é uma cria do Onix Lorenzoni, que era o ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, lançado na disputa contra o Renan Calheiros. Eu lembro que era um sábado, eu passei o sábado lá, acompanhando essa eleição, que ele sentou na cadeira. E aí deu aquele rebu todo, com a Cátia Abreu e tudo mais. O Davi, ele é um fruto do governo Bolsonaro na origem, que foi se adaptando conforme esses poderes foram se alterando. É um sobrevivente, ele não é...
Speaker 1Um sobrevivente que julga que a sua sobrevivência, o seu continuar exercendo a sua capacidade de sobrevivência, como você descreveu, agora está nas mãos de Lula, Thaís.
Speaker 8William, primeiro, é interessante entender o seguinte: o Senado, ele vai ser bolsonarista, se Lula ganhar. Se o Flávio Bolsonaro ganhar, o Senado vai ser um Senado da direita, porque hoje a gente já está vendo que ninguém quer colar no Flávio Bolsonaro, ele está completamente isolado. Mas é óbvio que, por conveniência, esse mesmo Senado que vira bolsonarista, como uma característica de uma oposição forte ao presidente Lula, se Lula ganhar, mas ele vai ser, não vai ser um Senado bolsonarista se o Flávio Bolsonaro ganhar, eu acho que esse desenho está claro. Do ponto de vista... É interessante o Caio falar que ninguém sabe o que o Davi Alcolumbre pensa, porque isso explica e justifica o fato do setor privado, por exemplo, que sempre teve uma abertura para ser ouvido em momentos de propostas mais sensíveis para a economia.
Speaker 1Como a seis por um.
Speaker 8Como a seis por um, não consegue. Você pode perguntar para qualquer empresário que conseguiu, inclusive, ir ao Senado conversar, conversar com os senadores e tal, dizer: "Mas o que que pensa? Qual foi a sinalização?" Não existe sinalização, existe o reconhecimento de um personagem que escuta, mas que não sinaliza nem o que pensa, nem o que é melhor, o que não é pior. O Davi Alcolumbre tem perfeita noção do erro que ele cometeu quando ele aprova a proposta lá de aposentadoria especial para os agentes de saúde, e aqui eu não estou discutindo quem merece ou não, é uma questão de sustentabilidade das contas. Mas ele também não deu ouvidos para a equipe econômica ou para as pessoas que estavam alertando para aquilo. Então, ele toma decisões políticas de acordo com essa rede de interesses que ele atende.
Speaker 1Jussara, eu tenho um minuto e não é força de expressão, é um minuto mesmo, desculpe. Lula está comemorando já?
Speaker 6A eleição, acho que longe disso. Esperando que este encontro, entre com Hugo Mota e Davi Alcolumbre, de fato, seja ali o que ele esteja esperando para virar esse momento difícil que todo mundo reconhece, que são essas crises envolvendo Lulinha e seu ex-chefe de gabinete. Mas ainda está difícil comemorar.
Speaker 1Jussara, obrigado. Começando por você, boa noite. Igualmente, Thaís, Caio, muitos peças para os meus colegas. A gente vai trocar completamente de assunto depois do intervalo. Nós vamos falar da meta, aceita pagar 17 bilhões de dólares em ação sobre vício infantil em redes sociais. Até já. Obrigado. Boa noite, Davi.
Speaker 9Boa noite, William. Prazer imenso estar aqui de volta falando com você.
Speaker 1Lourival Santana, bem-vindo a bordo. A meta, a dona do estraganho do Facebook, fechou um acordo bilionário para encerrar um processo em que a empresa é acusada de viciar, de propósito, crianças e adolescentes. Confira.
Speaker 10O acordo encerra um julgamento federal na Califórnia. Serão pagos R$ 16,7 bilhões. Milhões de dólares a Estados americanos em um processo que acusa a empresa de incentivar a dependência de adolescentes das redes sociais. Mas o valor pode aumentar se outras big techs também aderirem. A dona do Instagram e Facebook ainda terá que impor limites diários de uso para crianças, restrições de uso durante a noite e reforço de medidas para impedir que crianças acessem conteúdo com restrição de idade. O acordo vem depois de um acordo com a Comissão de Saúde, de derrotas da meta em outras ações. Em março, um júri do Novo México concluiu que a empresa havia enganado consumidores sobre a segurança de suas plataformas. No mesmo mês, houve o primeiro julgamento de uma pessoa individualmente contra a meta e o Google por dependência de redes sociais. Um júri de Los Angeles concluiu que as empresas foram responsáveis por causar depressão e ansiedade à autora da ação. Países de todo o mundo estão limitados ao uso de redes sociais para os jovens. No ano passado, a Austrália proibiu que menores de 16 anos acessem redes sociais. Dinamarca, França, Alemanha, Índia, Indonésia e Malásia, entre outros, implementaram regras semelhantes. No mês passado, a União Europeia deu o primeiro passo em direção à sua própria proibição, que seria a mais abrangente do mundo.
Speaker 1Davi, algumas das medidas com as quais a meta concordou são, em terceiro, o uso de redes sociais para os jovens. O que você acha de isso? Realmente, eu vou ser um especialista na sessão, por favor, você me corrija. Nunca vistas antes. Eles estão concordando, por exemplo, que adolescentes vão ser limitados a permanecer numa plataforma por apenas duas horas por dia. Toda vez que um usuário abaixo de 18 anos no Instagram, no Facebook, tiver mais de 15 minutos consecutivos usando a plataforma, vai receber um aviso na tela. E, em terceiro, vão ser removidos... determinadas ferramentas que psicólogos fazem a conexão disso com comparações sociais negativas. Isso é possível? Vai funcionar?
Speaker 9Olha, William, esse é o grande desafio. O Mark Zuckerberg, quando ele perdeu esse caso, fez o acordo, ele deu essas diretrizes sem dar muito detalhe. É claro que fica muito mais fácil prometer e muito mais difícil implementar isso no próprio design da plataforma. Que é possível? É possível. Agora, a gente precisa entender como que isso vai ser feito e com quais diretrizes isso vai ser aplicado. Porque uma das questões, por exemplo, que no Brasil, através do ECA Digital, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente no âmbito digital, pede é que toda conta de adolescente ou criança tenha uma conta dos pais ou do responsável ligado, por exemplo. Então, isso é possível. Agora, isso fere na cerne do modelo de negócio do Facebook, que era o quê? Era ter os usuários engajando e produzindo dados para que justamente eles pudessem virar alvos de anúncio, de anunciantes. E isso é uma das grandes questões desse julgamento. Então, assim, ele vai ter que parar de usar crianças e adolescentes como alvos de comerciantes que estão ali na plataforma. Então, isso é possível desde que equilibre ali um pouco o próprio algoritmo da plataforma.
Speaker 1Esse é um aspecto relevante desse acordo de hoje, muito relevante, que tem a ver diretamente com o usuário. Agora, há outro, queria ouvi-lo sobre isso, Lorival, que me parece ainda de maior repercussão, que é o que isso vai significar do ponto de vista regulatório ao redor do mundo, não só dos Estados Unidos.
Speaker 11A gente está vendo nascer o resultado de uma disputa judicial que a meta não quis que se prolongasse, e os desdobramentos ainda são difíceis de medir. Mas, em primeiro lugar, vamos deixar claro, é um passo importante diante da quase total falta de regulação, ou total falta de regulação que havia, que há nos Estados Unidos hoje. Então, foi preciso o que eles chamam de uma litigação, de uma disputa, de uma disputa judicial, e é normal na cultura americana resolver as coisas dessa forma. Agora, existem vários pontos de atenção aí. Por exemplo, os pais ou responsáveis podem desativar uma parte desses limites. Como pai que convive com outros pais, isso me preocupa muito, porque eu vejo pais muito condescendentes nessa questão, porque as redes sociais acabam sendo uma forma de ocupar os filhos, ou de distrair os filhos, e facilitar, entre aspas, o trabalho dos pais, que podem, então, também mexer nas suas redes sociais, nos seus celulares, ou trabalhar, ou se divertir, ou beber, ou fazer outras coisas, e não dar atenção aos seus filhos. Então, essa é uma fragilidade muito grande no acordo. A meta, obviamente, estudou muito, e já chegou pronta com essa solução, depois de estudar algo que seria, possível para ela fazer. Mas existe um outro ponto de atenção também. São 18 bilhões, só se YouTube, Snapchat e TikTok aderirem. Se não, são 12,7 bilhões, 70% só. Isso se aplica também à evolução dos compromissos, porque se essas outras, os concorrentes aderirem, aí a meta se compromete a passar o horário de banimento, das redes sociais para menores de idade, em vez de meia-noite às 6, que é o compromisso de hoje, para 10 até às 7. E também essas duas horas cairiam para uma hora por dia, o que seria bastante interessante. Só que o que acontece? Apenas 1% do modelo de negócios da meta depende dos menores de idade. Já no caso de YouTube, TikTok, principalmente, e Snapchat também, que, aliás, a líder desse mercado, esse movimento que permitiu essa disputa judicial, o filho dela se suicidou por causa do Snapchat, essas plataformas dependem muito mais dos adolescentes do que a meta. Então, veja que a meta deu um checkmate nos concorrentes. E por que tudo isso é preocupante? Porque demonstra o quanto é uma questão de competição de mercado.
Speaker 1Tem dois pontos. Tem esse ponto que você está ressaltando agora, ao final da sua intervenção, que é a competição de mercado. Os modelos de negócio levam aos comportamentos dos algoritmos. Isso é um fato conhecido, é quase um dogma. Agora, tem um outro ponto que eu queria ouvi-lo agora, Davi. A gente vê o resultado de uma decisão judicial, que a empresa afetada fez questão de, olha, vamos passar logo por isso, porque a gente tem a perder mais ainda. Qual é o grau de pressão social que levou a uma decisão judicial dessas?
Speaker 9Olha, o que levou essa decisão chegar nessa questão de, olha, de uma decisão sem precedentes foi que, antes, a meta, ela sempre era processada devido ao conteúdo que circulava nas plataformas. Nos Estados Unidos, a gente tem aqui uma lei chamada 630, que protege a plataforma de quem publica o conteúdo. Ou seja, se um conteúdo é publicado por terceiros, o terceiro que é o responsável por esse conteúdo, né? Só que agora, o processo aqui é sobre a funcionalidade e a operacionalização do algoritmo por trás das plataformas. Ou seja, como que a plataforma é arquitetada pra gerar todas as questões de saúde mental, né? Como depressão, suicídio, enfim. E daí, quem que saiu pra falar, pra fazer essas denúncias, né? Porque tudo isso, tudo que acontece através de um algoritmo é protegido por segredos de negócio, segredos do Gipardo. patente. Saiu dali um gerente de segurança, principalmente da área de proteção e cuidado, que conhecia como ninguém como que o algoritmo funcionava. O nome dele é Arturo Bejar. E ele foi o denunciante principal desse caso. Então, o Mark Zuckerberg, como ele já fez no passado, como, por exemplo, quando a Frances Haugen fez um depoimento perante ao Senado americano, fazendo algumas denúncias, o Mark Zuckerberg falou, ela é só uma gerente de produto, ela não entende a engenharia do algoritmo, então não pode falar isso com firmeza. Agora, o Arturo é um gerente justamente da área de proteção e cuidado. Então, ele falou questões e provou com questões que era irrefutável. Por isso que o Mark Zuckerberg não quis prolongar muito, porque ele sabia que ele ia perder. E essa multa, que só para o Facebook seria 12 bilhões, poderia chegar a 200 bilhões de dólares. E a primeira vez que a gente vê uma multa chegando aí nos bilhões, antes ficava ali nos milhões, onde que não feria muito o bolso do Mark Zuckerberg. Com 12 bilhões, já se pode falar que feriu bastante. E agora, isso mostra um precedente, ou seja, mostrou que realmente a plataforma, ela não só desenvolveu um produto... Que causava danos, mas como eles sabiam e que foi projetada justamente para causar danos e nada foi feito. Isso vai gerar, com certeza, outro tipo de processo em que a materialidade da prova já foi comprovada aqui nesse julgamento. E isso vai abrir não só nos Estados Unidos esse precedente, mas em outros países que vão se acelerar para fazer a proteção, se não dos seus cidadãos, de uma forma geral, mas das suas crianças e dos seus adolescentes. Por exemplo, no Brasil, a gente tem um produto que é um produto que é um produto que é No Brasil, mais de 80% da população no Instagram é de adolescentes e adultos jovens. Ali no seu, até os seus 25% dos 25 anos, desculpa. Então, é um mercado que, pelo menos para o Brasil, é extremamente importante. Então, um tipo de acordo como esse é uma admissão de culpa e que todos os países que estejam, todos os legisladores que estejam assistindo isso, devem sim se preocupar e correr para os seus meios legislatórios para justamente fazer as regulações para proteger os seus cidadãos.
Speaker 1Exatamente o ponto, Davi, sou grato por você trazer isso aqui. Isso vai reforçar claramente, não vou intervir se eu estou usando talvez a palavra errada, mas impulsos por parte de autoridades regulatórias, estados, contras, plataformas.
Speaker 11Sem dúvida, porque o restante do mundo é muito mais rigoroso nessa questão do que os Estados Unidos. Então, os Estados Unidos, essa questão toda é regida por uma legislação de 1996, o ato das telecomunicações, que assegura aquilo que o Davi estava explicando na primeira intervenção dele, que há uma neutralidade das redes e quem é responsável pelo conteúdo é quem publica. E está havendo um deslocamento da interpretação, isso as redes estão sendo responsabilizadas porque ficou provado que elas conscientemente estão viciando, criando dependência nas pessoas em geral e nos menores de idade em particular. A União Europeia já está trabalhando uma legislação bastante rigorosa, ela já criou uma regulamentação para as plataformas digitais de maneira geral, mas agora focando nesses aspectos, nesses mecanismos que geram o vício, como o chute. O scroll contínuo, não tem fim, você vai andando a tela sem fim. O autoplay, você não apertou play e um vídeo começa a passar. E a contagem de likes. A contagem de likes, que agora vai ser restringida para os menores de idade nas plataformas da meta. Enfim, uma série de instrumentos que eles usam para viciar as pessoas. Então, acho que sim, na União Europeia, talvez na Ásia, aqui nas Américas também, na América Latina, serão dados passos com base nessas evidências que foram aceitas pela justiça americana.
Speaker 1Eu estou encerrando esse segmento. Muito obrigado, David Nehmer, antropólogo da tecnologia, professor do Departamento de Estudos de Mídia, lá na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, pela participação aqui no programa. E boa noite para você aí nos Estados Unidos.
Speaker 9Boa noite, William. Boa noite, Lourival. Sempre um prazer.
Speaker 1Lourival, continuamos juntos. Vamos para o intervalo. Depois disso, o Leo e o Elman negociam um tipo de canal de navegação no Estreito de Hormuz. Até já. Voltamos ao intervalo da WWW. Conosco agora, Dani Zahedin, que é professor de Relações Internacionais, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC de Minas Gerais, Obrigado, Dani, por estar conosco. Boa noite.
Speaker 12Boa noite, William.
Speaker 1Vamos ao assunto. As autoridades do Irã e de Oman afirmam ter chegado a uma proposta para estabelecer um tipo de rota temporária pelo Estreito de Hormuz. Confira na reportagem da nossa correspondente em Washington, Mariana Gian Giacomo.
Speaker 13Autoridades do Irã e de Oman afirmam que o acordo pretende estabelecer uma rota temporária, retirar as minas e garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Hormuz. Mas os detalhes sobre os planos ainda são escassos e contraditórios. Segundo a mídia estatal iraniana, o projeto fecharia uma rota autorizada pela ONU na costa de Oman, fazendo com que os navios passassem por águas iranianas em ambas as direções. Já um comunicado de Oman não mencionou o fechamento dessa rota. As negociações ajudaram na queda global dos preços de petróleo pelo terceiro dia consecutivo. O barril do tipo Brent teve uma desvalorização de 0,16%, sendo comercializado a 82 dólares. Na política, a parceria entre Irã e Oman aumenta as tensões com os Estados Unidos. Donald Trump ameaçou bombardear Oman se o país, segundo ele, entrar no caminho das negociações com Teheran. A ameaça veio depois de Oman, um parceiro histórico de Washington, questionar ações de Trump durante a guerra. O presidente dos Estados Unidos, que pressiona pela passagem de navios por Hormuz, disse que o bloqueio norte-americano ao estreito está funcionando. E acrescentou que mais de 20 embarcações passaram pela rota nas últimas 24 horas, reforçando que a via está aberta, apesar de o Irã negar a afirmação. Trump também anunciou na última terça-feira que todas as minas colocadas por Teheran nas águas internacionais do estreito teriam sido removidas. E ressaltou o plano de sancionar países que mantêm relações comerciais com o Irã como forma de vencer o conflito.
Speaker 12William, se a gente pega que antes do dia 28 de fevereiro nós tínhamos ali 150, 160 navios passando por dia e agora o presidente Trump fala que passaram 24 e que ontem passaram 14 ou 12, nós temos uma realidade que pressiona o mundo. Então, o estreito está fechado, não é verdade? Quando ele também afirma que retira as minas em águas internacionais, de fato, deve ter tido algum... algum trabalho de retirar esses tipos de minas, mas nas águas territoriais do Irã, elas ainda estão ali. Então, eu vejo que é uma discussão que desloca a questão militar que se mostrou não produtiva, que não alcançou os objetivos principais dos Estados Unidos, derrubar o governo, discutir questões nucleares, para o estreito. Só que o estreito ainda continua sob comando, do Irã. Então, o estreito continua fechado, existe ali ainda uma disputa tit-for-tat, toma lá, dá cá, mas os dois lados são pressionados, os Estados Unidos pressionados pela própria ordem mundial, pelo preço do petróleo e pelas eleições de novembro, e o Irã pressionado também pela questão econômica, inflação, etc. Mas a realidade é que o estreito continua fechado e o mundo continua refém desse conflito, esse conflito congelado, mas sem fim.
Speaker 1Essas conversas entre o Romã e o Irã, elas sugerem para a gente um cenário que muitos descreveram, em função dos princípios básicos de geopolítica. Os Estados Unidos podem ir e voltar e atacar o Irã, mas os países que estão lá são vizinhos do Irã. Assim como a gente fala do Brasil e da Argentina, a gente pode gostar ou não gostar da Argentina, mas nenhum dos dois países vai sair do lugar que está. Então a gente pega o Irã, Emirados Árabes Unidos, que tem uma treta severa com a Arábia Saudita, Arábia Saudita, as outras monarquias, e eles estão na cara do Irã. Então o que a gente entende... que está acontecendo, é que não importa o que o Trump diga, faça ou anuncia que vai fazer, esses países ali em volta estão falando direto com o Irã.
Speaker 11Estão se visitando mutuamente, enviando chanceleres para as capitais. Inclusive, hoje, toda essa movimentação foi por causa de uma reunião entre o Abbas Harati e o Badr al-Busayr, os chanceleres de Irã e Omar. E, de fato, eles prefeririam ter um arranjo entre eles quando eles percebem que o guarda-chuva americano acabou servindo de para-raio e atraindo os ataques iranianos. É claro que existem rivalidades entre eles que não serão superadas, mas eles precisam de um modus vivendi. E os Estados Unidos estão jogando agora, tentaram... Vamos fazer esse movimento em relação à questão econômica e tal. Foi um certo tiro de chumbinho que eles deram. Mas há uma movimentação interessante que os resultados a gente terá de observar, que ontem o John Radcliffe, diretor da CIA, esteve em Moscou. E existem várias especulações sobre qual é a negociação. Quando um diretor da CIA vai a Moscou é porque... É uma discussão sobre inteligência, geralmente uma advertência. Como foi o John Burns em novembro de 2021, pouco antes da Rússia invadir a Ucrânia. Não deu muito certo a missão do John Burns. Mas, nesse caso, além de advertir a Rússia a não dar um passo em direção a chamar o blefe da OTAN, porque existe essa mobilização de militares russos no sentido, talvez, de atacar um país dos Bálticos para desmoralizar. Desmoralizar a OTAN. No campo do Irã, aparentemente, o recado pode ter sido assim. Vocês estão dando inteligência para o Irã, que está usando essa inteligência contra nós. Parem de fazer isso, senão nós vamos partir para consequências econômicas mais severas contra vocês. Então, existe uma certa atividade por parte dos Estados Unidos no sentido de tentar pressionar o Irã. Os Estados Unidos já entenderam, o governo Trump já entendeu o seguinte. As midterms, a influência, o impacto negativo da crise do Irã sobre as eleições de 3 de novembro é irreversível. Então, já que é irreversível, vamos trabalhar pensando num prazo um pouco mais longo. Nós não vamos conseguir resolver isso para salvar as midterms, então vamos usar uma estratégia um pouco mais longa de pressão total econômica, já que a pressão militar não está dando certo.
Speaker 1Você está supondo duas coisas aí. Uma, que o Trump tenha uma estratégia. Sim. E um horizonte mais longo. Coisa que a gente até aqui relutou em constatar. Sim. A primeira premissa é a sua. A segunda está implícita no seu argumento, é que a China colabore. Dani, a China está colaborando?
Speaker 12Ela colabora. Colabora ativamente com o Irã. E ela colabora de maneira pública. Porque ao anunciar o dia D das sanções contra o Irã, a China vai responder de imediato. E isso é importante para a China. Não só porque importa 90% do petróleo iraniano, mas porque na sua ordem multipolar, é muito importante que o Irã continue sendo essa cabeça de ponte que ela é para a China, ali no Oriente Médio. Não é mais tão forte do ponto de vista desse crescente xiita como no passado, mas é um ponto de resistência clara. A proposta unipolar ou multipolar desbalanceada dos americanos para o mundo e para o Oriente Médio. E para ela é essencial que o Irã continue existindo, que esse regime continue existindo, para que ela possa estimular o sistema mundo. No sentido de limitar a possibilidade desse mundo unipolar ou multipolar desbalanceado continuar existindo. Então, eu vejo que o maior desafio é até que ponto os americanos teriam coragem de implementar ações que atingissem os chineses, em razão do seu comércio e relações com o Irã. Porque seria um tiro de bumerangue, não é? Lançar um bumerangue. Porque atingir empresas chinesas grandes seria atingir empresas americanas, seria atingir a própria economia americana.
Speaker 1Há um ponto, e aí a gente sempre fica admirado, quando a gente olha para a China, e vê que, estrategicamente, eles, em geral, estão um passo adiante. No caso do fornecimento de petróleo do Irã, eles criaram uma tal reserva que lhes permitiu até agora, em um momento, e é o que os especialistas dizem que explica que o Brent não esteja permanentemente acima dos 100 dólares. Ele esteja onde ele está, em torno dos 80, apesar, como o Dani e você descreveram, o estreito de Hormuz está virtualmente fechado. A China deveria sofrer com isso. Por que ela não sofre? Porque ela tem uma reserva estratégica de petróleo que permitiu ela ficar sem esses 2 milhões de barris de petróleo por dia, que não estão passando nesse momento como antes passavam, o estreito de Hormuz. Agora, o jogo da China, como o Dani estava descrevendo e você também, em relação ao Irã, pressupõe que a China, sim, esteja, de algum momento, disposta a peitar os americanos.
Speaker 11Hoje mesmo já houve declaração do governo chinês repudiando as sugestões, insinuações, porque o Scott Bassett, secretário do Tesouro, não mencionou a China na segunda-feira, quando... anunciou o seu, entre aspas, dia de econômico, mas, como a própria imprensa especulou, e ele falava dos países que têm negócios com o Irã e tal, e o maior deles, obviamente, é a China.
Speaker 1E todos ali do Golfo.
Speaker 11É. Então advertiu a China, disse, não vamos aceitar medidas ilegais relativas ao comércio e tal. E eles têm uma carta muito forte nas mãos, que são os minerais críticos, né? Em setembro do ano passado, quando estava vendo no auge daquela guerra tarifária, eles lançaram mão disso e os Estados Unidos tiveram de recuar das tarifas e tal. Os Estados Unidos também estavam bloqueando o acesso deles aos chips da Nvidia, e aí houve essa troca, e os chineses voltaram a liberar licenças de exportação de minerais críticos, e os Estados Unidos liberaram o acesso deles. Os Estados Unidos também estavam bloqueando o acesso deles aos chips da Nvidia e baixaram, congelaram aquele tarifácio que o Trump havia feito, que chegou a 150%, né? Então isso já foi testado e já funcionou para os chineses, né? Então, realmente, os americanos estão com muito pouca margem de manobra.
Speaker 1Eu estou encerrando aqui o segmento. Eu queria agradecer a você, Dani Zaredini, que é professor de Relações Internacionais e diretor do Instituto de Ciências Sociais. Da PUC de Minas, pela participação. Muito obrigado, boa noite, Dani.
Speaker 12Boa noite, prazer, foi tudo meu, William. Um abraço.
Speaker 1Eu vou igualmente, sempre um prazer tê-lo a bordo. Obrigado, boa noite. Para mais conteúdo sobre os temas que a gente trata aqui na TV, procure a página do WW no site da CNN Brasil. Agora sim, essa edição fica por aqui. Obrigado e boa noite. Transcrição e Legendas Pedro Negri