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Flávio Bolsonaro e os evangélicos pós-Dark Horse

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Flávio Bolsonaro e os evangélicos pós-Dark Horse

A participação de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus em São Paulo foi marcada por contradições: ele afirmou estar no evento como cristão, não como pré-candidato, mas fez um discurso político-religioso, mencionando "guerra espiritual" e afirmando que o "mal será expulso do governo". O evento ocorre em um momento delicado para sua pré-campanha, após crises como a associação à ameaça de tarifas dos EUA (após encontro com Trump) e o caso Dark Rossi, que envolve contratos da prefeitura de São Paulo. Pesquisas Datafolha mostram queda de Flávio entre evangélicos (de 49% para 42% no primeiro turno) e na intenção geral de voto (de 35% para 31%), enquanto Lula oscilou para cima. Lideranças evangélicas, como Estevão Hernandes, demonstraram dissidência, sinalizando preferência por outros nomes da direita, como Tarcísio de Freitas e Michele Bolsonaro. O discurso de "guerra espiritual" é uma estratégia para manter o segmento evangélico, usando linguagem religiosa para evitar declarações políticas explícitas. Apesar da queda, analistas consideram que o impacto pode ser reversível, dependendo dos próximos acontecimentos e da disputa pelo voto evangélico, que é transversal e influenciado por fatores como ética e economia. A participação de Flávio na marcha reflete a tentativa de reconquistar apoio perdido nesse segmento crucial para a direita brasileira.

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5226 Words, 30508 Characters

Portuguese
A presença de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus O discurso dos organizadores era de que essa Marcha Para Jesus não abriria espaço para discursos políticos, mesmo sendo o ano eleitoral. Pessoa 2 Um dos políticos convidados, o senador Flávio Bolsonaro chegou ao evento na quinta-feira, em São Paulo, dizendo que estava lá como cristão, não como pré candidato à presidência, mas no carro de som, falou o seguinte. Pessoa 3 Povo abençoado de Deus. Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano em nome do senhor Jesus. Amém. Pessoa 1 Ao lado de Flávio Bolsonaro estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital Paulista, Ricardo Nunes. O presidente Lula mandou como representante o advogado geral da união, Jardim Messias, que ficou do outro lado do trio. Outro pré candidato presidencial da direita, Ronaldo Caiado, passou no evento depois. Pessoa 2 Flávio buscou usar o evento como contraponto ao momento de crise na pré campanha. Na semana passada, ele foi associado à nova ameaça de tarifácio dos Estados Unidos sobre o Brasil, porque o anúncio da taxa veio dias depois de ele se encontrar com Donald Trump. Pessoa 1 Outra crise envolve o caso Dark Rossi, que teve como desdobramento mais recente a investigação de contratos da prefeitura de São Paulo com a dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. O caso Dark Rossi impactou as pesquisas sobre a eleição, como mostrou o Datafolha. Pessoa 4 É a primeira pesquisa realizada integralmente depois da revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o dono do banco master, Daniel von caro. Lula, do PT, somava 39% em abril, agora 40. Flávio Bolsonaro, do PL, tinha 35%. Agora tem 31. Pessoa 2 Entre os evangélicos, faixa em que a maioria é tradicionalmente alinhada ao bolsonarismo, Flávio Bolsonaro caiu de 49% das intenções de voto no primeiro turno para 42%. Lula oscilou de 25 para 28. No cenário de segundo turno, o movimento foi parecido. Pessoa 1 Quando o Datafolha perguntou se o caso deveria levar Flávio Bolsonaro a desistir da candidatura, 53% dos evangélicos disseram que não. No índice geral, com todos os segmentos da população, a maior parte das pessoas disse que sim, 48%, 44% disseram que não. Pessoa 2 Na tentativa de reconquistar apoios perdidos no segmento evangélico, o pré candidato do PL ainda cantou louvores na Marcha Para Jesus, falou de Israel e pediu orações para. Pessoa 3 O pai? Pessoa 2 Na sexta-feira, lançou um jingle que deve servir de mote para pré candidatura e que usa como fio condutor a fé e a defesa da família. Essa edição da Marcha Para Jesus chegou a reunir 34000 pessoas, segundo o monitor do debate político da USP, do cebrap e a ONG morin common. Lula disse aos organizadores que não foi ao evento para não passar a ideia de tirar proveito político de uma coisa sagrada. A folha mostrou que aliados temiam a acusação de abuso de poder religioso. O enviado do presidente, Jorge Messias, disse que a marcha não era lugar para comício. Pessoa 1 O café de hoje discute a relação de Flávio Bolsonaro com os evangélicos depois da crise na pré campanha. O teólogo Ronilso Pacheco, diretor do instituto de estudos da religião, analisa os recados da Marcha Para Jesus e trata do impacto dos casos Dark Rossi tarifácio nesse grupo da população. Pessoa 2 A gente já volta com A Entrevista. Análise dos recados e intenções de Flávio Bolsonaro na Marcha Ronilson Flávio Bolsonaro teve na Marcha Para Jesus na última quinta-feira, no que foi o primeiro grande evento público dele como pré candidato. Depois de 2 crises, né? A da revelação do pedido de dinheiro para Daniel alvorcaro e a da associação dele com a ameaça de tarifácio de Donald Trump. Como você avalia os recados que o Flávio quis passar na marcha? É qual era a intenção dele de estar ali. Pessoa 5 É, eu diria que a primeira grande intenção do Flávio. É na marcha. Primeiro é a manutenção de um segmento que é extremamente importante para o campo bolsonarista. Em especial, né? Para para a direita, de uma maneira geral, no Brasil. É uma performance que ele tem feito que não é de agora, né? Desde quando ele foi indicado candidato, ele tem feito esse movimento de aproximação com a igreja, participado de outras conferências. De conferência de Juventude, outros congressos evangélicos visitado, uma ou outra igreja, então tem uma manutenção desse segmento. Mas obviamente é a Marcha Para Jesus. É uma expressão diferente, uma manifestação diferente, por ser um evento Inter denominacional, com muita expressão e com muita repercussão nacionalmente. Então o primeiro é a manutenção desse segmento. Ele precisa, é muito crucial. E o segundo é uma mensagem clara de pedido de apoio, quase como um pedido de convencimento de que, a despeito de tudo que falam de mim, é, eu estou com vocês e eu sou o candidato de vocês, né? Toda a linguagem que ele recorre, toda a ideia que ele passa. É de manter essa associação entre Bolsonaro entre A direita e o segmento evangélico? É, certamente ele está plenamente ciente de que ele perdeu o espaço significativo. Quer dizer, ele teve uma maré de más notícias, um contexto, né, que foi significativamente prejudicial para sua campanha. Então, ele precisa recuperar essa posição. E para essa recuperação, o segmento evangélico é extremamente importante. Os recados e a dissidência das lideranças evangélicas Bom, e comunicação é sempre é uma via de mão dupla, né, Ronilson? Te pergunto, que recados o Flávio Bolsonaro recebeu das lideranças evangélicas e lideranças políticas na marcha? Aí eu pergunto? Isso porque, antes de discursar, ele se esquivou de jornalistas. Ele não confirmou se ele tinha falado com o Tarcísio de Freitas, que fez cobranças a ele por causa do caso master. E ele ainda ouviu o Jorge Messias, advogado geral da união, representante do presidente Lula. Dizer que na mesa de Jesus há lugar até para Judas, né? Pessoa 5 Sim, é. Eu colocaria isso dentro de uma fotografia maior. Eu acho que tem. É diferente de 2022 e muito diferente de 2018, quase que incomparável. Tem 11. Primeiro movimento de dissidência de das de grandes lideranças evangélicas, mesmo de direita, com relação a um endosso quase que incondicional. Ao bolsonarismo ou a família Bolsonaro é. Não acredito que seja pendendo para o lado de Lula ou campo progressista ou algum candidato de esquerda, mas minimamente se dissociando dessa vinculação quase incondicional. O racha, se é que eu posso dizer isso, estou falando isso com muito cuidado. O racha que nós temos aí nessa marcha é para Jesus, que aconteceu na última quinta-feira. Ele é 11 racha que a gente não via até as últimas marchas para Jesus. Quer dizer, você teve ali o Estevão Hernandes, praticamente um dos fundadores da Marcha Para Jesus, o principal nome ao lado do do do Messias, como a mensagem do Lula falando dessa desvinculação. Reafirmando, né, que ele não usufrui desses eventos religiosos como para poder não misturar as coisas e et cetera. Pessoa 6 Religiosa em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que tô tentando tirar o proveito político de uma coisa sacrata. Pessoa 5 É o estevernantes que foi um grande defensor também de Jair Bolsonaro, da campanha de Jair Bolsonaro e que dividiu durante muito tempo grande parte das das marchas para Jesus desde a eleição do Bolsonaro com ele no, no, no trio elétrico, no, no palco, antes antes de ser preso, obviamente. É, então você já tem ali 11. Divisão que é significativa. Grandes expressões como RR Soares ou Edir Macedo. Bispo rodovalle o nome de dorcilas Malafaia não foi o nome de destaque, como sempre é nas marchas para Jesus, notadamente no Rio de Janeiro, mas também em São Paulo e em Brasília. Então a gente vê que tem uma certa resistência, né, dessas lideranças que já acontecia. É antes de Jair Bolsonaro ser preso. E isso se repete ali, com Flávio, Flávio não consegue agregar de uma maneira incondicional quase todo esse campo dessas grandes lideranças. Pessoa 1 Flávio Bolsonaro tinha dito que não estava na marcha para fazer política, né? Mas ao discursar, ele falou em guerra espiritual no Brasil, o que é um tom parecido com o que Jair Bolsonaro usou no mesmo evento em 2022. Qual é o apelo desse tipo de declaração entre evangélicos hoje? É aposta nesse discurso religioso serve a quê nesse momento? A estratégia da 'guerra espiritual' no discurso político É isso é uma estratégia muito comum, né? A gente, aliás, eu tenho discutido isso bastante, inclusive nesse no nesse último livro, né? Do diálogos em tempos difíceis com o Michel German, é que o subtítulo, inclusive, é decifrando, a gramática religiosa da Extrema direita. Então isso entra no caso daquilo que nós chamamos de gramática religiosa, todos eles. É recorre a essa ideia de que o discurso não é sobre política, de que eles não estão falando sobre política, mas eles recorrem a uma gramática religiosa, ideias religiosas, conceitos religiosos, que é quase uma mensagem decodificada, né? Ela pode parecer uma coisa distópica, fora de contexto, até caricata. Para quem não é evangélico, para quem não é religioso, fica uma coisa quase como um meme pronto, mas que é uma linguagem com muita força, muita penetração e facilmente assimilada pelo campo evangélico. Então, falar sobre guerra espiritual não é uma coisa simples e qualquer para o segmento evangélico, é algo levado muito a Sério. É extremamente importante. É uma mensagem que é rapidamente assimilada. Grande parte desse campo evangélico entende que a ideia de guerra espiritual não é algo que está restrito no plano espiritual, mas algo que que se manifesta materialmente politicamente, aí de diversas maneiras, inclusive. É se materializando em grupos políticos específicos, em pessoas e políticas específicas, em lideranças políticas específicas. Então dá bem pra entender o que o Flávio quer dizer. É muito interessante. Isso porque ele se esconde de qualquer declaração política mais transparente, que inclusive pode comprometê lo, né? Em em termos até de justiça, de processo, de críticas. De respostas e et cetera. E ele mantém tudo no campo da religiosidade, no campo da espiritualidade. Então, ele tira a política de cena ou diz tirar a política de cena e coloca a religião em cena. Quando você tem um outro político, um outro candidato, que talvez use uma linguagem que é a mais política de um embate, que é mais político. Ele, inclusive, é visto de um com menos endosse, menos engajamento, porque o segmento evangélico se conecta mais quando alguém recorre de alguma maneira a bíblia e a linguagem religiosa. O impacto do carisma e sobrenome de Flávio Bolsonaro Você acha que há algo no Flávio Bolsonaro fora das manifestações? É de fé e do sobrenome que ressoe com o eleitorado evangélico. Pessoa 5 Olha, eu acho que sim, acho que sim. O sobrenome. E sem manter a performance do pai. Ou pelo menos, né? Dessa presença ostensiva e espaços evangélicos, eventos evangélicos, eu acho que tem pouco o que ressoa. Acho que ele é bem menos conhecido, ele tem bem menos carisma, não só na maneira como se comunica, como fala e tudo mais. Eu acho que o Jair Bolsonaro se comprometeu com mais coisas com a igreja e com o segmento evangélico que nenhum outro. É candidato brasileiro, né? Ousou fazer, até por respeitar o espaço, né, do estado laico e os limites da igreja, et cetera. É uma coisa que Bolsonaro não é, não respeitou, é tudo isso pra dizer que não é só sobre caisma, né? Eu diria que se é Flávio Bolsonaro desaparecesse hoje, o segmento evangélico que hoje viu o Flávio com bons olhos, é se volta imediatamente para Tarcísio, talvez ele atraia até outros do segmento evangélico que tem alguma resistência com o Flávio. Por questões pregressas, né? Sobretudo evangélicos do Rio de Janeiro. Pessoa 2 Você citou há pouco o apóstolo Estevan Hernandes, né? Que é é organizador, co fundador da Marcha Para Jesus. E a desconexão das lideranças evangélicas. Ou um talvez uma aparente desconexão de algumas lideranças evangélicas com o Flávio Bolsonaro e o Estevan Hernandes antes da marcha, falou a folha e. Criticou ali o Flávio, né? Disse que ele tem dado explicações desconexas sobre a revelação da proximidade dele com o Daniel vocaro, por exemplo. Mas ele destacou também que é prematuro medir o impacto disso entre evangélicos. O Datafolha mostrou uma queda, né? Do Flávio Bolsonaro, inclusive nesse segmento. Te pergunto se você concorda com essa visão do apóstolo Estevan Hernandes e se essa queda é reversível de alguma maneira. Pessoa 5 A julgar pelo tempo que nós temos ainda. A reversibilidade da queda de Flávio nas pesquisas Até as eleições, isso. Isso É Brasil, né? Eu honestamente acho que isso é muito reversível. Eu acho que depende muito do que vem pela frente, de como o país fica, de como esse debate aquece é e, principalmente, de como o segmento evangélico é disputado, né? Eu tô colocando Como Ele É disputado, porque acho que nenhum outro segmento público no Brasil é tão assediado politicamente, sobretudo em anos eleitorais. Quanto o segmento evangélico, pelo menos tem sido assediado. Quanto o segmento evangélico, talvez esse ano, disputando ali com as mulheres, né? Que foram vistas, que estão sendo vistas quando como um grande trunfa, ser almejado por quem quer chegar à presidência em termos de em termos de votos, muito pela influência que teve nas eleições de 2022. Mas as as pesquisas também mostram uma coisa importante que é, né? O que muitos. Analistas, muitos pesquisadores, eu me incluo aqui entre eles, é falam constantemente sobre o segmento evangélico, inclusive questionando essa ideia do voto evangélico, né? Como se houvesse um voto e uma manifestação política que fosse feita única e exclusivamente com pertencimento religioso. E nem sempre isso é verdade. Então as pesquisas também, elas podem mostrar que o segmento evangélico como a maior parte da da sociedade brasileira, ela também é atravessada. Por outras questões, como algo importante pra endossar em um candidato? Acho que muito na linha do que o Estevão Hernandes faz. O que que ele faz? Ele mostra uma resistência, como que demonstrando é que ele tem 111 compromisso ético, que diante desse compromisso ético, o Flávio não teria dado respostas o suficiente. Mas ele deixa em aberto como é, a gente ainda não pode tomar. É todas as conclusões ou fazer uma vinculação direta entre uma queda entre os evangélicos e todas essas causas? Eu faria essa leitura geral assim pro segmento evangélico, porque é isso, né? A gente tá também tá falando de um segmento em que grande parte dele também tá ali, na base da pirâmide, na luta do dia a dia, acordando cedo, voltando tarde, até assentar uma informação de que, com a influência de um candidato brasileiro, os Estados Unidos fez uma perseguição. Vou colocar aqui nesse lugar, né? Porque eu já ouvi isso. De um vendedor de de loja, enfim, uma perseguição ao Pix, como um sistema de pagamento etc. Até que essas notícias elas vão meio que se consolidando na base popular, ela também vai ganhando tempo. É os. Pessoa 2 Grupos todos do eleitorado são, são transversais, né, Ronilson? E eu me pergunto também qual é o peso dos evangélicos, por exemplo, entre os chamados? Moderados ou independentes que os institutos e muitos analistas apontam como os verdadeiros elementos decisivos na eleição presidencial, aqueles que ora votam com o Lula, ora votam com o bolsonarismo, enfim, que são os pendulares aí. Pessoa 5 É, eu acho que, embora eu tenha dúvidas com a categoria independente, assim, muito pura e simples, quando eu ainda acho que ela está muito é, é vinculada como os Estados Unidos construiu essa terceira categoria, que não é nem democrata nem. E republicano. Eu acho que aqui a coisa é um pouco mais complexo, mas se valendo ainda dessa dessa categoria, seja moderada, ou seja, independente, é de fato os evangélicos. Eles estão meio que espalhados assim nesse meio eu diria que é 111, segmento que tem um grupo significativo de pessoas que votam com menos. Análises, né? Que vão sendo feitas previamente, com meses de antecedência. Como a gente está imerso nesse assunto desde o ano passado, grande parte do público desse segmento evangélico está dentro dessa parte da população, que faz menos análises e vai tomando as decisões o mais próximo possível. É então tem a ver com as os últimos acontecimentos da semana, os últimos acontecimentos do mês. O tamanho do impacto de uma determinada é decisão, inclusive. Ao contrário, né? Talvez imaginar que frequentar mais igrejas está em eventos mais evangélicos às vezes pode parecer consolidar o endosso do segmento e às vezes pode causar inclusive um desconforto de quase ir misturando. A fé de alguém com a política, uma coisa que alguém não gostaria. A gente tem muita gente marcado por essa experiência de 2018 e é e de 2022, né? Eu que vivo imerso nesse universo evangélico também. Então não é incomum você ver pessoas que têm uma memória no sentido negativo, dessa mistura de religião e política. Então é um segmento que é difícil prever, sabe? Pode ser muito determinante o que vai acontecer. Nas últimas semanas ou no último mês mais próximo da eleição? Lideranças evangélicas e a preferência por outros nomes Ronilson ainda falando sobre essa entrevista que o apóstolo Estevan Hernandes deu a folha, né, é? Ele diz lá que a chapa realmente ideal seria Tarcísio e Michele e que ele vê o Ronaldo Caiado como um excelente candidato também é. Que leitura é possível fazer desses acenos de lideranças evangélicas a outros nomes da direita? É pensando que o próprio Estevan fala que lá na frente a tendência é de que todo mundo vai apoiar mesmo o Flávio, né? Pessoa 5 É, pois é, é uma liderança, é religiosa fazendo o seu papel e transparecendo um pouco para onde vai o coração, né? Não tem nenhuma surpresa nesse nesse sentido. É, o fato é que Jair Bolsonaro impôs ao segmento evangélico e essas lideranças que lhe deram apoio quase que incondicional desde 2018, tirou deles AAA oportunidade ou a possibilidade de de incidir, de decidir, de tomar qualquer decisão, de fazer qualquer contribuição na construção de uma possibilidade em termos de chapa, em termos de candidatura. Assim como o Bolsonaro, como Jair Bolsonaro tirou essa possibilidade do próprio partido, do campo da direita. É quando ninguém esperava todo mundo, né? Achava que era improvável e inviável. Ele foi lá, abençoou Flávio Bolsonaro disse, vai, Flávio Bolsonaro foi e A direita não teve muita escolha. Ou a gente se adapta a isso aí, ou a gente vai ficar aqui batendo cabeça ou vai ter que construir, né? Um outro é um outro nome, um outro universo, como estamos tentando fazer, e a gente sabe que. O quão difícil tem sido pra esses outros nomes se consolidarem a ponto de ameaçar um segundo turno que não seja Lula e Flávio Bolsonaro? Quer dizer, se depende muito das circunstâncias pra é pra que isso não aconteça, né? Lula, Flávio, então, essas lideranças evangélicas, grande parte dessas lideranças evangélicas, eu tenho certeza que vinham a Michele com muito mais bons olhos, por exemplo, do que. É do que o Flávio, pela relação que ela tem com a igreja, pela maneira que ela, pelo engajamento que ela é capaz de criar, pela história, né? Pelo passado, pelo por ter menos vínculos políticos aí que possam ser, é pelo menos até agora, né? Questionados ou colocados num lugar num lugar duvidoso, sempre foi a pessoa cristã, reconhecidamente da família, né? Evangélica, realmente reconhecida da família, né? É e claro, né, que traz Oo público, o segmento feminino de maneira. De maneira muito forte, tem uma expressão nacional muito por conta própria, porque ela fez, por diversas vezes, 11 série de peregrinação por diversos estados do país, mobilizando a base evangélica, em especial as mulheres. Mas uma grande parte dessas lideranças, não todas, porque aí tem uma questão de misoginia, que é que tá implícita aí de muitas formas. Mas uma grande parte dessas lideranças evangélicas vem. É Michele, como um bom nome, mas entende também que isso é sobre política, né? E aí política, outra coisa, e talvez. O Flávio tem essa sagacidade e essa expertise política que a Michele não teria. É, o fato é que o Flávio não era a primeira opção de ninguém, né? Nem dessas lideranças evangélicas, nem de partido, nem de do de grupos de direita. E não era a primeira opção, é a primeira opção de ninguém. Então tem várias composições. A Michele ali colocada como como vice, o Tarcísio como nome principal, talvez fosse o grande nome. E, de fato, se nós tivéssemos esse nome hoje. Eu acho que o contexto eleitoral seria muito mais forte OPTEO Lula, teriam muito mais dificuldades com uma composição como essa, mas o fato é que Jair Bolsonaro frustrou todas essas possibilidades. O peso da corrupção e o caso Master para evangélicos A jornalista Ana Virgínia balucê escreveu uma análise na folha. Ronilson, que conversa um pouco com isso que você acaba de dizer. Ela apontou que nos bastidores das igrejas evangélicas, o Flávio Bolsonaro empolga menos do que o Jair Bolsonaro. Empolgava porque ele não tem o mesmo carisma e também porque ele é mais associado a escândalos de corrupção. Oo que me traz a pergunta se dá pra pensar que corrupção é uma coisa que pesa mais pro pro público evangélico? Como esse tema é tratado por lideranças e por fiéis? E eu pergunto isso também pensando que o caso master que liga aí Flávio Bolsonaro a Daniel vocaro. É cheio de camadas. Virou muito tóxico na política brasileira, é? Ele parece repercutir entre o público evangélico. Pessoa 5 Eu não classificaria que o público evangélico de maneira específica. Aqui é um daqueles casos em que eu colocaria o campo é evangélico atravessado por questões que atravessam toda a sociedade brasileira. Então é sim. A corrupção é um tema muito caro e muito importante para o segmento evangélico. Eu acho que ele ele é diferente hoje, acho que ele cai para o segmento evangélico. Hoje é diferente de como ele caiu, por exemplo, na época do mensalão, Lava jato, etc. Eu acho que tinha ali um outro engajamento, até a maneira como as campanhas e mobilizações foram criados. Quer dizer, eu vi muitas igrejas convocando, né? Os procuradores, o Deltan, EEE, outros nomes para falar sobre corrupção, combate à corrupção, não. A corrupção tinha ali uma associação. Entre uma ética evangélica, uma ética cristã e o movimento anticorrupção é, eu acho que esse tema não tem essa, essa mesma força, como nós vimos no Na Na Lava jato, mas é um tema de fato importante para o segmento evangélico, em especial para as lideranças evangélicas. Você pararia, você pararia inclusive esses 2 grupos? Eu acho que a liderança evangélica tende. A mobilizar mais o tema da corrupção como uma forma de de relevar determinadas questões para poder olhar para um candidato como alguém com algum compromisso, né? Com a justiça, com a legalidade, com é, com o pensamento coletivo, né? Na medida em que ele é, é mais combativo com relação à corrupção? É, eu acho que. A as lideranças evangélicas tendem a instrumentalizar mais a temática. Mas eu diria que grande parte da base evangélica ou da membrasia evangélica está olhando muito para o banco master. Menos pela corrupção é e mais pelo impacto é que tem de de alguma forma para o dia a dia das pessoas. Então acho que a associação, por exemplo, pensando no Rio de Janeiro, associação por exemplo do banco master, com o comprometimento, né? Do do da aposentadoria dos idosos e empréstimos e consignados. Eu acho que essas coisas que tocam mais das pessoas no dia a dia, elas atravessam mais, inclusive as pessoas evangélicas, do que Oo tema da corrupção como uma coisa mais geral ou mais é ou mais abstrata. A conexão entre trumpismo, tarifaço e identificação religiosa Outro motivo de crise na campanha de Flávio Bolsonaro é a associação com Trump. Com as ameaças da Casa Branca ao Brasil, né? O governo Trump tem se apoiado em um discurso religioso, inclusive nos ataques ao irana quanto esse componente? Falta a relação do bolsonarismo com o trumpismo raiz, né? O trumpismo Maga é. Num cenário de possíveis interferências de Trump na eleição em favor de Flávio, isso pode aparecer. Pessoa 5 Primeiro que Trump tem usado, né? Um discurso religioso? Eu acho que não. Que tem usado, né? O Trump usa desde sempre, em 2016. Primeiro andar de Trump é muito marcado por um. Por o uso da gramática religiosa, do extremamente religioso, ele é eleito significativamente por conta disso. eSIM, tem um tem uma conexão importante, né? Da direita brasileira e da Extrema direita brasileira com o governo americano e em especial, né, com a administração Trump. Passa muito por essa identificação religiosa também, né? Tem aí todo um apreço, né, por uma defesa quase incondicional a Israel. Não por acaso, vocês. Quero lembrar, né? Uma das muitas fotos que circulam, né? Do do, do Flávio. Ele está com a Bandeira de Israel, né? Essa ideia de Israel como uma nação central, né? Abençoada, que deve ser protegida, defendida incondicionalmente, porque isso traz a bênção de Deus pro país. Pessoa 3 Mas eu quero pedir a todos que orem pro Jair Messias Bolsonaro, orem pelo nosso Brasil, que vai voltar a ser uma nação. Irmã de Israel. Pessoa 5 Então, muitos desses acordos, dessas conexões, elas sim, elas acontecem a partir desse lugar da gramática religiosa e dessa identificação. É agora. Eu acho que isso toca mais as lideranças, as lideranças religiosas, em especial políticos com identidade religiosa e menos a membresia, né? Ali do dia a dia é anão ser, obviamente, pela relação com Israel. É, eu acho que essa essa defesa de Israel, ela faz uma comunicação mais geral, segmento evangélico, tem muito apreço por Israel, muito zelo por Israel, muita resistência de fazer qualquer crítica. Israel, a gente No No, no meio da discussão, mais do campo da pesquisa, a gente fala do Israel imaginário, né? Porque é um pouco imaginando o estado de Israel hoje sobre Netanyahu como Israel bíblico, como se ainda fosse OOOO rei Davi que tivesse lá governando Israel, etcetera. Mas essa defesa Israel pega, né OOO Tarcísio já fez uso dessa imagem, já apareceu com Bandeira de Israel, também já fez declarações em defesa de Israel. Então isso se torna um artífice extremamente importante que conectam essas 2 direita. Vamos lembrar né, que OOOO administração Trump está cheio de lideranças que expressam, né? Esse lugar. Desse cristianismo ultraconservador muito forte, né? O inclusive o próprio Peter rexer, o secretário de defesa, o secretário de guerra, como quiser, como quiser chamar, tem expressado, né? Os seus laços, suas relações, a sua influência, né? De um de um pastor ultraconservador que que inclusive defende teocracia, EE etcetera. Muito influente na Casa Branca e que é praticamente um conselheiro do do, do, do hexter. Então nós temos muitas comunicações entre lideranças EE pastores ultraconservadores americanos fazendo essa ponte. É no Brasil, seja em Congresso, seja em reuniões fechadas, em conferências, seminários, etcetera. É então sim, essa associação é muito próxima. Ela usa de uma gramática religiosa e ela tem SIM 1 impacto e um endosso muito grande do segundo. Momento evangélico? Destaques: Parada LGBTI+ de SP e eleição no Peru A 30ª edição da parada do orgulho LGBTI mais de São Paulo teve tom político dominado pela defesa do voto em candidaturas que lutem pela garantia de direitos dessa população. Também foi marcada por críticas à queda de patrocínios ao evento. O tema desse ano era a rua convoca, a urna confirma. O trio elétrico principal teve discursos de nomes da esquerda, como as deputadas federais sâmia Bomfim e Erica Hilton, do psol. Érica pediu por pressão sobre o Senado para acelerar a tramitação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6 por um. Além de falas contra ataques da Extrema direita, os discursos miraram um projeto de lei que tramita na Câmara municipal de São Paulo. O texto que ainda vai passar por segunda votação, que é proibir a presença de crianças e adolescentes na parada e fazer com que ela aconteça em local fechado. Outras falas criticaram a diminuição nos patrocínios pro evento. Na comparação com 2025, houve menos trios e uma redução de 60% no financiamento privado. A prefeitura de São Paulo, na gestão de Ricardo Nunes, também diminuiu os recursos repassados em 500000 BRL. No meio das cores do Arco-Íris, muita gente optou por vestir verde e amarelo, seja pelo clima de Copa do Mundo, seja pelo de eleições, como uma forma de crítica ao bolsonarismo. Artistas como Gloria Groove, Pabllo Vittar e Melody se apresentaram. Segundo o monitor do debate político da USP do cebrap e a ONG morin Coman, a parada do orgulho teve 37000 pessoas no horário de pico. Se você quiser saber mais, o episódio de sexta-feira do café tratou da ofensiva contra direitos LGBT. É só voltar aqui no feed. As pesquisas de boca de urna divulgadas ontem, depois do segundo turno da eleição presidencial no Peru, foram inconclusivas e indicam um empate técnico entre keyko Fujimori e Roberto Sanchez. Mas a direitista keyko, que tenta ser presidente pela quarta vez seguida, aparece numericamente à frente. O instituto Ipsos disse que ela teria alcançado 50,7% dos votos e Sanchez, da esquerda 49,3%. A pesquisa datum mostra uma diferença ainda menor, 50,5, a 49,5%. Mais de 27000000 de peruanos foram às urnas ontem. Quem for eleito vai ser a décima pessoa no cargo de presidente em 10 anos. A disputa no segundo turno também foi entre o legado do ditador Alberto Fujimori e o do ex presidente Pedro Castilho, hoje preso por uma tentativa de auto golpe. Keiko é filha de Fujimori e concorreu sob o lema volta Fujimori, volta a ordem. A referência à crise na segurança pública, Roberto Sanches, prometeu um indulto a Pedro Castilho. O primeiro turno, em abril, foi marcado por caos na votação e na apuração. A definição de quem disputaria o segundo turno demorou mais de 1 mês. Quem vencer deve lidar também com um Congresso hostil, que destituiu 4 dos 9 últimos presidentes. Os partidos de keiko e Sanchez têm as maiores bancadas, mas não há maioria. Créditos e despedida do Café da Manhã Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, uma parceria entre a folha e o Spotify. Pessoa 2 Eu sou o Gustavo Simon. Pessoa 1 E eu majé flores. Pessoa 2 A produção é de Laura Lever e a edição de som de Rafael concley esse episódio, os áudios de SBT news, TV Globo, Jovem Pan News, InfoMoney e Márcia para Jesus. Pessoa 1 Até amanhã. Pessoa 2 Boa semana até.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Flávio Bolsonaro participou da Marcha para Jesus em São Paulo, tentando se apresentar como cristão e não como pré-candidato, mas fez discurso com tom de guerra espiritual e crítica política.
  2. O evento ocorre em meio a crises na pré-campanha
  3. Pesquisa Datafolha mostrou queda de Flávio Bolsonaro entre evangélicos (de 49% para 42% no primeiro turno) e na intenção geral de voto (de 35% para 31%), enquanto Lula oscilou para cima.
  4. Lideranças evangélicas, como Estevão Hernandes, demonstraram dissidência e resistência ao apoio incondicional a Flávio, sinalizando preferência por outros nomes da direita (Tarcísio, Michele, Caiado).
  5. O discurso de "guerra espiritual" é uma estratégia para manter o segmento evangélico, usando linguagem religiosa para evitar declarações políticas explícitas e se conectar com esse eleitorado.

Summary:

A participação de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus em São Paulo foi marcada por contradições: ele afirmou estar no evento como cristão, não como pré-candidato, mas fez um discurso político-religioso, mencionando "guerra espiritual" e afirmando que o "mal será expulso do governo". O evento ocorre em um momento delicado para sua pré-campanha, após crises como a associação à ameaça de tarifas dos EUA (após encontro com Trump) e o caso Dark Rossi, que envolve contratos da prefeitura de São Paulo. Pesquisas Datafolha mostram queda de Flávio entre evangélicos (de 49% para 42% no primeiro turno) e na intenção geral de voto (de 35% para 31%), enquanto Lula oscilou para cima.

Lideranças evangélicas, como Estevão Hernandes, demonstraram dissidência, sinalizando preferência por outros nomes da direita, como Tarcísio de Freitas e Michele Bolsonaro. O discurso de "guerra espiritual" é uma estratégia para manter o segmento evangélico, usando linguagem religiosa para evitar declarações políticas explícitas. Apesar da queda, analistas consideram que o impacto pode ser reversível, dependendo dos próximos acontecimentos e da disputa pelo voto evangélico, que é transversal e influenciado por fatores como ética e economia.

A participação de Flávio na marcha reflete a tentativa de reconquistar apoio perdido nesse segmento crucial para a direita brasileira.

FAQs

Flávio utilizou a 'gramática religiosa' da extrema-direita, que emprega conceitos evangélicos como 'guerra espiritual' para transmitir uma mensagem política de forma codificada. Isso permite que ele critique o governo e peça apoio sem fazer declarações políticas explícitas, evitando comprometimentos legais ou críticas diretas.

No contexto evangélico, 'guerra espiritual' não é apenas uma metáfora, mas uma crença de que forças espirituais se manifestam materialmente, inclusive na política. Para muitos evangélicos, a ideia de expulsar o 'mal' do governo é levada a sério e conecta-se rapidamente com a retórica de Flávio, que se apresenta como um agente divino contra inimigos espirituais.

Não, segundo o teólogo Ronilso Pacheco, Flávio tem menos carisma e é menos conhecido que o pai. Seu apelo depende mais do sobrenome e da performance em eventos religiosos, mas, se ele desaparecesse, muitos evangélicos migrariam para Tarcísio de Freitas ou outros nomes da direita.

Essas lideranças criticam as explicações 'desconexas' de Flávio sobre o caso Dark Rossi e mostram preferência por outros nomes, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro. Isso reflete um 'racha' no apoio incondicional ao bolsonarismo, embora não signifiquem apoio à esquerda, mas sim uma abertura para outras candidaturas da direita.

Sim, é considerada reversível, pois depende de como o debate político evoluirá e do assédio político ao segmento evangélico. Muitos evangélicos decidem o voto perto da eleição, influenciados por eventos recentes, e a lealdade ao bolsonarismo ainda é forte, com 53% deles achando que Flávio não deve desistir da candidatura.

Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes estavam ao lado de Flávio, enquanto o representante de Lula, Jorge Messias, disse que a marcha 'não é lugar para comício'. Além disso, Estevam Hernandes, cofundador do evento, criticou Flávio publicamente, e outras grandes lideranças evangélicas, como Edir Macedo e R.R. Soares, não deram destaque a ele.

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