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Estudos Medievais Perfil 05 - Francisco de Assis

70m 38s

Estudos Medievais Perfil 05 - Francisco de Assis

Francisco de Assis é uma das figuras mais influentes do cristianismo, cuja vida e carisma estão profundamente ligados ao contexto histórico e social de sua cidade natal, Assis. A cidade, marcada por tensões políticas entre nobres e burguesia, desempenhou um papel decisivo na formação de Francisco, especialmente durante sua prisão e na experiência de conflito com os leprosos, que se tornou um ponto crucial de sua conversão. O carisma franciscano, baseado na "minoridade" — vida de pobreza, obediência e humildade — é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma ruptura com a Igreja. Francisco demonstrou absoluta submissão à hierarquia eclesiástica, o que o protegeu de ser considerado herético, mesmo diante de movimentos de vida marginal. Sua produção escrita é limitada, com poucos textos autênticos, e a memória de sua vida é construída de forma fragmentada e diversa por tradições geográficas, com conflitos entre versões oficiais (como a "Legenda Maior") e outras que refletem a experiência dos primeiros companheiros. Hoje, Francisco transcende o campo religioso, sendo influenciado pela cultura popular e ambiental, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, como no Brasil e nos Estados Unidos. Ele é visto como um símbolo de empatia, cuidado com os vulneráveis e diálogo com a natureza, tornando-se um personagem universal de grande ressonância cultural e identitária.

Transcription

9717 Words, 59810 Characters

Portuguese
Olá, sejam bem-vindos aos estudos medievais, o podcast do laboratório de estudos medievais. Meu nome é Rafael Bosch, pesquisador de pós-autorado do núcleo Ospido Laboratório. Neste episódio da série perfil, discutiremos uma das figuras mais populares da história do cristianismo, Francisco de Assis. Francisco, natural da cidade de Assis, na atual Itália, nasceu entre 1331 e 1882, e após uma juventude marcada pelo desregramento, aderiu a uma vida religiosa de pobreza absoluta. Seu exemplo passou a ser seguido, e qual o passar dos anos, milhares de pessoas aderiram a Francisco, dando início ao movimento popular de grande sucesso. Canonizado em 1228, apenas dois anos após a sua morte, Francisco de Assis figura entre os santos mais cultuados da contemporaneidade. Pra discutiremos a vida, a obra, o impacto, e o mundo de Francisco de Assis, tem o prazer de apresentar André Pellegrineiro, pesquisador do laboratório de teoria e história das mídias medievais em seu núcleo polista, André é licenciado e mestre em história pela Universidade de Estadol de Londrina, e doutorando a história pela Universidade de São Paulo, encoto tela com um doutorado em história, antropologia e religiões da Universidade Roma-la-sapiência, além de estudantes da Escola Superior de Estudos Medievais e franciscanos da Pontificia Universitar Antoneano em Roma. Tendo realizado estagens de pesquisa na Universidade Autônoma de Quirétaro, no México, e na Universidade de Aglistura de Roma-la-sapiência na Itália, sua trajetória acadêmica é marcada por pesquisas do franciscanismo com diversos artigos sobre o tema, dentre os quais destacam. Uma montagem caligramática do século III, a Benedictio Fátri Leonidata de Francesco de Assis, e letras e a Aureolas, a lógica das iniciais nos manuscritos do espelho da ordem dos menores francesquina de Jacobo Oddie, publicados respectivamente em 2019 e 2022. André, é um prazer recebê-lo. Sou eu que ele agradeço a fé pelo convite, serão prazer de alugar contigo e com os ouvintes do podcast e estudos medievais. Aqui é agradeço muito a umadamente o convite. Parabenizo também pelo excelente trabalho que tem sido feito na divulgação científica da história medieval no Brasil. Muito obrigado pelas palavras. É. André, não há como dissociar a trajetória de francesco de Assis de sua cidade natal. Como afirmou o estreador André Voxer, Thomas é de a quino apenas pela virtude de seu nascimento, já francesco esteve ligado com Assis com toda a fibra de sua existência, lá na seu, morreu, e foi sepultado. E por mais que constantemente esteve pregando em outras regiões, pra Assis ele sempre retornava. Então, André, podremos começar com um panorama geral sobre Assis durante o período de vida de francesco, qual era a importância de Assis e sua relação com as outras cidades italianas de sua região, e de que modo a trajetória de francesco foi impactada por ela. Rafael, Assis é um ótimo exemplo, uma espécie de microcosmo das transformações da região da Itária nos séculos 12 e 13, que viu fortalecimento das comunas e de suas elites econômicas locais, como intensificação, por exemplo, das trocas comerciais, com outros espaços de Europa e com o florecimento de uma cultura laica e vulgar. E a própria formação de francesco em sua juventude muito se relaciona a própria história política da cidade de Assis. O chamado o movimento "comunal" foi caracterizado pelo processo de emancipação das cidades da tutela de senhores homonarcas e pela afirmação política de novas elites econômicas, como os mercadores, por exemplo, associados às elites tradicionais. No caso de Assis, em 1660, cerca de 20 anos antes do nascimento de francesco, o imperador Frederico I havia emancipado a cidade da subimissão do Ducado de Spoleto, que é a época que era comandado por um tio de Frederico I. Assis era uma das fronteiras desse Ducado na direção de Perúdia, e foi constituída como com o dado autônomo, cuja administração, foi confiada à própria elite local. Quando havia embora Assis fosse autônomo, ela matava uma relação muito íntima e de certa dependência com o imperio. Sabemos, por exemplo, a partir de registros escritos, que Barba Ruive esteve em Assis entre 1707 e 1886. Barba Ruive, Frederico I, governou até 1890, quando foi substituído pelo seu filho, Henry XVI, que assumiu o trono de 1690 até 1797, quando ele morreu inesperadamente por doença ou por envenenamento. A sua morte inesperada quase desagregou o poder imperial na Itália Central, e diversas cidades da região entraram uma espécie de abolição, também Assis, cidade francesco. Em Assis, o chamado "Ominis Populi", e isso é o "Os Homens do Povo", aqueles que não eram nobres, categoria que compreendia também a nova burguesia mercantil, sem surgir contra os descendentes da velha nobreza feudal, que eram conhecidos como "Os Boni-Ominis", "Os Homens de Bem". Provavelmente, mais leais, a manutenção do Império. Nessa insurgença, parte dos nobres foi morta, e outra parte forgou para Perúdia, da cidade vizinha. Nessa altura, devido, o jovem francesco provavelmente participou desses eventos, e ele pode ter o combatido ao lado dos homens do povo, aprendendo, então, a arte bélica, e considerando até mesmo a necessidade de fortificação da cidade, o ofício de pedreiro. O Metieu, que posteriormente seria muito útil em um período de sua conversão, quando ele se dedicou a reforma de igrejas e de capelas enruínas. Em um parte desses nobres, Siria Fujó em Perúdia, a tensão interna logo se transformou uma guerra entre as duas cidades, que são muito próximas, distantes, apenas 20 quilômetros uma da outra, com o cenário, portanto, que gerava uma preenção constante, porque é um ataque poder ser planejado e realizado no mesmo dia. A batalha de colestrada em 1202 marcou fim da guerra com a derrota da cidade de Perúdia, e sabemos que Francisco participou dessa batalha, e derrotado foi mantido em carcerado na cidade de Perúdia, por mais de um ano. Segundo uma tradição geográfica, embora Francisco não fosse nobre, mas burgues, ele tinha sido preso junto a alguns nobres, que se colocaram da parte de Assis, porque ele teria bons modos e costumes nobres. Assis é portanto uma espécie de microcosmo dessas transformações, e a sua história política marca profundamente a experiência de Francisco. A tradição geográfica concorda na compreensão da vivência no carcer, como um ponto de mudança na vida de Francisco, quando ele teria passado a se comportar diferente, perdendo interesse pelas farras, juvenis, pelas festas noturnas, e iniciado a questionar esse modo de vídeo e o seu modo de pensar o mundo. É muito feliz essa referência ao André Voucher, porque é de fato uma relação muito intima. Entre memória de Francisco e a cidade de Assis, também por uma espécie de dinâmica topológica de seu culto, que do culto que se desenvolve a partir da figura de Francisco, que é baseado na circulação do próprio personagem. O historiador da arte, Michelibate, compara o culto de Francisco e a cidade de Assis, a mesma lógica do culto, a Cristo e a Terração, onde a devoção à personagem é marcada por uma certa geograficização daquele culto, daquele personagem, e os espaços de atuação em vida se tornam também espaços de culto. Assim, por exemplo, Assis é marcada ao este pela Basilica de São Francisco e a Leste pela Basilica de Santa Clara. Em baixo, no vale umbro, pela porciúcula e ao alto, no modo sub-basio, pela eraimteria dos carceres, de modo que, de fato, uma relação muito intima que marca, seja a vida de Francisco influenciada pela cidade de Assis e, posteriormente, Assis que se torna, como na tradição política da própria cidade, a cidade será fica. No final das contas, vive em função mesmo, considerando o caráter comercial do culto a Francisco. Bom, agora que sabemos a respeito do espaço em que Francisco viveu, vamos no central de sua figura. Adre, o que a gente sabe é a respeito das origens de Francisco? Você já deu alguns indícios, mas quais eram as condições materiais nas quais vivia sua família? Bom, Rafael, os médiia vai escrever muito sobre família de Francisco e sobre a sua formação de juvenil. Todavia, a maior parte desses registros é Tardil, e parece não ter sido baseada em nenhuma tradição precedente e supostamente perdida. A memória mais próxima, a morche de Francisco, isso é o que ele texto conhecido como Vida, Roberto Francisco, escrita por Tomás de Tielano em 1228, propriamente em função da canalização do Santos naquele mesmo ano, nada fala sobre a infância de Francisco. E a narrativa de Tielano começa com o seu processo de conversão, quando ele deveria ter por volta de 25 ou 24 anos. Ou seja, o primeiro culto a Francisco se interessava muito pouco, quase nada pela sua família. após a segunda metade dos anos 40, de século 13, e, como produção de novos as geografias, sugiram mais detalhes sobre a família e sobre a infância de Francisco. Mas que é importante notar desde já, são inseridos de um contexto geográfico que é chamado pelo historiador Giovanni Grado Merlo como militante. Isso é cada geografia e se coloca um momento muito específico da disputa pela memória de Francisco, de modo que o santo nesse texto é sobretudo a projeção arquética daquele conflito. Ora, de um lado temos esse dado, mas de outro lado essa disputa pela memória obviamente não desses legitimas fontes, mas é necessário escrutiná-las considerando esse contexto de produção. Considerando portanto, isso surge em novas informações, como por exemplo, o nome de sua mãe que deveria ser segundo um desses textos "pica" e que ela teria origem nobre francesa, ou então a tradição segundo a qual Francisco teria nascido, enquanto seu pai Pedro de Bernardone estava em viagem profissional, ele era um marcante de tecidos, ele estava em viagem à França. E uma vez tornado da França teria desejado chamar o seu filho de Francisco, ou seja, o francês, o pequeno francês, em detremento de Pedro que seria o nome original dado pela sua mãe. Mas como dito, todas as informações são de uma tradição bastante posterior. Seu pai, sabe da mente, era Pedro de Bernardone, inclusive a vários registros na cidade de Assis, de documentos outros que não ligados a Francisco que citam seu pai, e sabemos como dito que ele era comerciante de tecidos e, independente de uma suposta influência materna, sabemos que Francisco teve em sua juventude contato com a cultura francesa, sobretudo através dos romances de cavalaria. Francisco foi fortemente influenciado por essa cultura, uma característica muito evidente em seus escritos, por exemplo, frequentemente comparava os seus companheiros aos cavaleiros da Tavola Redonda, ou então a virtude da pobreza é uma dama que, portanto, deveria ser cortejada. Se a tradição ligada à influência materna de francesco, é historicamente frágil, há muitos motivos para destacar outros pontos de sua formação cultural intelectual. A já citada cultura cavalairezca, que faria com que Francisco dejejar se tornara um cavaleiro, um miliskrist, após a sua conversão, mas também a cultura burguesa. Filho de comerciantes, ele provavelmente teve uma educação formal, aprendeu a ler através do salterio, frequentou a igreja para o que é a audição Jorge, em Assis, mesmo igreja em que é uns depois ele seria ser apultado provisoriamente, e embora Francisco em seus próprios textos se declarasse um homem simples idiota, idiota que, no sentido latino da palavra, ou seja, ignorante e letrado que não recebeu uma formação formal, ele possui uma formação intelectual média, aquilo que o paleógrafo armando petrute chamaria de "CML Fabiatizado Funcional". Isso era capaz de ler e escrever em função de uma demanda profissional, no caso ser filho de comerciantes e ser um futuro comerciante. Ele sabia por tanto fazer contas, escrevei e revisar textos breves, mas não ia muito além disso. Uma formação voltada ao comerciante, portanto, marca de sua família, marca de seu pai, marca dessa cultura burguesa ascendente na cidade de Assis, que na prática era voltado para o ofício. E, no caso de Francisco, soma-se a essa cultura, essa influência nobre, não de sangue, mas através da literatura, certamente do convívio, também próximo a elite, a ciência, vale destacar que a ciência era uma cidade relativamente pequena e que Francisco, em função do próprio ofício de comércio de tecidos, de ver ter contato íntimo com essa cultura nobre. André, agora eu quero abordar um ponto que a gente já tocou brevemente. A gente sabe que a trajetória de Francisco pode ser dividida em dois momentos, um primeiro marcado por seu cara terbundano e um segundo marcado pela recusa da materialidade de pobreza extrema. O que te sabe a respeito desses dois períodos? E, sobretudo, o que teria levado a esse ponto de inflexão na vida de Francisco? Vai, como dito anteriormente, Francisco, você converteu por volta dos seus 24, 25 anos, mas ao contrário de outros santos, a sua geografia não é marcada por um grande evento de conversão por um ponto de mudança, mas vem apresentado nos teços com um processo marcado por diversos eventos. A guerra, um sonho com um palácio de armas, o momento em que ele se desluda de ajudar a cidade, de seus pais do Bispo, na cidade de Assis, o abandono da casa paterna, um coloque que ele teria tido com o crucifixor de São Damian, e tantos outros episódios que são lembrados na tradição geográfica, como eventos de importância nesse longo processo. Mas, a respeito de sua conversão, mas que qualquer outro texto de caráter geográfico ganha destaque a lembrança autobiográfica do próprio Francisco, naquele texto conhecido como o testamento, texto que teria sido escrito próximo a sua morte, provavelmente auxiliado por algum frate próximo, e onde, brevemente, Francisco, relemora episódio de sua vida, muito brevemente faz referência a sua conversão, e sugera os frades da conselha de como levar a vida diante sem a sua presença. No testamento, ao contrário da tradição a geográfica, Francisco localiza e cite um evento em particular, o encontro com os leprosos. Eu gostaria de ler esse trecho bastante breve, disso Francisco iniciando o testamento. O senhor assim consendeu a mim, freio Francisco, de iniciar a fazer penitência, pois, estando no pecado, excessivamente amargo, me parecia ver os leprosos, e o mesmo senhor me conduziu ao meio deles e eu fiz misericórdia com eles. E, afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo se transformou em doçura da alma e do corpo. E depois, eu saí do seco, ou seja, ele teria este convertido saído do mundo. Na memória do próprio Francisco, a uma encontro com os leprosos, não esses milagres relatados na tradição a geográfica, que foram responsáveis pela sua conversão. E aqui é muito interessante olhar atentamente aos termos escolhidos por Francisco. Ele disse ser muito que era muito amargo ver os leprosos, verbo ver que no latinho, no contexto do latinho de então, não fazia referência ao simples ato de enxergar, mas de conhecer de ter consciência de e ação de ver se segue ao fazer misericórdia com eles, que, diferentemente de agir por misericórdia ou term misericórdia, implicando compartilhamento da mesma situação. Uma visão que, de certa forma, é compartilhado pela geografia, segundo a qual, segundo a tradição geográfica, Francisco teria determinado momento nesse processo de conversão, vivido junto aos leprosos. Embora ele não fosse doente. A caridade para com os doentes em particular com os lepros era como uma desperitualidade de cristã da partida de média, ainda mais da espiritualidade burguesa do período que deveria doar em uma pequena parte de seus bens, em forma de esmola, para garantir o comprimento dessa virtude. A novidade de Francisco, porém, relembrada por ele que marca a primeira geração franciscana e esse ponto de mudança, e que também, de certa forma, colabora na transformação da mística na baixa de média, é encontrada marginalidade e no sofrimento, espaço ocupado pelos leprosos, o espaço para atendria, para conversão, para o processo de divinização ou de santificação do homem. A gírdia com misericórdia com os leprosos é um ato de caridade. Fazer misericórdia e viver com eles por sua vez é reelaborar o contato com um divino, que, segundo Francisco, transformaram a margo em do sor. E essa espécie de penitência deificante ganhou grande repercussão nas primeiras gerações de frades, que atuaavam intimamente no cuidado com os leprosos, vivendo com eles e que depois, segundo o processo de clenicalização da própria ordem francescana, aos poucos esquecido é abandonado. Nesse ponto e com essa percepção, segundo Francisco, ele sai do século, ou seja, de conseguir arrumpar suas relações com as preocupações do mundo, a partir não da caridade, mas do compartilhamento de uma mesma situação de vida. Como você me enchilou na sua resposta, a gente pode ser que talvez contra a própria vontade do francesco, ele acabou fundando um movimento que atraiu milhares de seguidores que posteriormente se torna uma ordem. Quais eram os fundamentos desse movimento? Então Rafael, quando eu comentei sobre a cidade de Assias, eu disse que a cidade se dividia entre duas grandes facções, nobres e não nobres. Os bônios homens, os nobres, eram também conhecidos como maiores e os não-nobres como minores. Tradicionamente a gente liga o francescanísima noção de pobreza, mas a proposta de vida de francesco de Assias não era a simples pobreza, a pobreza por si só, mas aquilo que ele chamava que que a tradição franciscana chama de "minoridade", ou seja, "ser menor". Na regra não-bulada, por exemplo, Francisco deixe a clara aos seus frades. O carisma deles era ser menores, serem menores e submissos a todos. E mais, essa forma de vida, segundo Francisco, era nada além da forma do Santa Evangelo. Como apresentado por ele também no testamento, quando em determinado momento, a personagem Francisco disse que, uma vez que o senhor teria conselhido companheiros, ninguém dizia a ele o que ele deveria fazer, mas o próprio altíssimo teria revelado essa forma de vida, segundo a Evangelo. Os tão conhecidos, três votos franciscanos, pobresa, obediência, caixidade, seriam. Então, um simples desdubramento da vida minoritária, da vida como menor, viver como menor, implicaria também essas condições. Uma vida que, por sua vez, era legitimada por essa espécie de revelação do próprio Deus, como o simples seguir do Santa Evangelo. Passada a conversão de Francisco, a sua vida pública passou a atrair a atenção dos demais, e logs formou em torno dele, a chamada a primeira fraternidade, a prima fraternitas, um nuclear original de irmãos que compartilhariam essa mesma vida. Em 1909, esse grupo decidiu ir a Roma solicitar autorização pontificia pra viver o seu carisma, e a chamada a forma do Santa Evangelo. A época em nosso terceiro, depois de algumas semanas de insistença e de um sonho profético, teria conselhido a Francisco a aprovação oral para essa forma de vida. E é possível que, acompanhando essa aprovação oral, tenha exigido uma espécie de forma de vida de texto, simples que codificasse essa proposta, um texto bastante breve, formado sobretudo por citações bíblicas. Que, como se vê na tradição geográfica, marcaram processos de descoberta do carisma francescando. Há diversos episódios no processo de conversão, em que Francisco ouvam episódio ou lei determinado versículo na Bíblia, e esse versículo é apresentado como norte por seu carisma. No entanto, nós não conhecemos esse suposto texto que teria existido em 1219. Anos depois, em 1221, depois de um período na Terra Santa, em que Francisco se encontrou consulta o Malik alcamele, Francisco teria renunciado ao governo da Ordem, que foi confiado então a Freia Elias. Nesse mesmo capítulo geral que elegeu Elias, Francisco recebeu a missão de escrever uma regra escrita pra guiar a vida dos frades. Uma regra que não foi bulada, ou seja, não foi autorizada por roma daí ela sequenciada como regra não bulada. O núcleo principal dessa regra de 1221, provavelmente incorpora a proto-regra de 1219 e que codificaria essa chamada "forma do Santo Evangelho", ampliando a partir da jurisdição criada nos capítulo gerais, entre 1219 e 1221. Dois anos depois, ou seja, de 1223, Francisco teria produzido um texto definitivo, chamada "regra bulada". Texto normativo, aprovado pelo capítulo e posteriormente em 29 de novembro de 1223, aprovado pelo pontifes, honor e terceiro, através da Bula, Solet, Anuere. Embora o quarto conselho de latrão, aquele de 1215, tem estabelecido a proibição da produção de novas regras religiosas, os francescanos, mesmo após Francisco, quando indagados sobre a regra, baseariam a noção de que a regra de 1223 não é nada mais que a codificação que o elaboramento de um texto primitivo, aquele de 1219, portanto, precedente ao concilho. O fundamento principal do movimento de francesco, portanto, segundo ele próprio, é a minoridade em todas as situações. O que implica a pobreza, a minoridade econômica, mas essa condição de vida não seria nada além, segundo Francisco, do próprio evangelho. A atividade pastoral, apregação, a pobreza, a caixaidade, serviço de misericórdia, etc., seria, portanto, simples consequências dessa escolha evangelica primordial. Andrés, sabemos que em meados do século 1213, o ocidente medieval foi palco de surgimento de diversos outros movimentos, mas ou menos similares aos de Francisco. Dentre estes, muitos foram objeto de suspensões de heresia, e alguns deles chegaram a ser de fato condenados com heréticos. Tenho isso em vista, eu faço algumas perguntas. O movimento de francesco, ele levantou suspeitas e heresia, se sim, de que modo ele permaneceu como ortodoxo perante os olhos das autoridades eclesiásticas, e o que vai explicar o seu fator de atração? Francesco, francesco herégio é um dos temas preferidos pela historiografia. A historiografia que nem sempre, mas que muitas vezes tem baixa preocupação científica, que é mais interessada na polêmica, porque é não no comércio, do que no estudo baseado nas fontes. Existe uma quantidade infinita de livros, sobretudo nas últimas décadas sobre esse suposto francesco herégio. A compreensão de francesco como um líder no limiar entre ortodoxia e heresia, se deve sobretudo, a maleitura posterior e portanto anacronica da sua vida, a luz das experiências posteriores do próprio francescanismo. Algumas que de fato foram lidas como heréticas, me explico. São vários episódios na história franciscana em que um frade ou um grupo de frades foi considerado herégio. Elias de Cortona, por exemplo, se já citado primeiro ministro geral durante seu segundo governo, se aproximou de mais do imperador fredereco segundo, despertou a furia papal e foi considerado herégio. Também os chamados fratricieli. Por exemplo, um grupo de frades que defendiam a doutrina da pobreza de Cristo. Mesmo após as decisões de João 22, foram considerados heréticos, ou seja, a história franciscana marcada por esses personagens que, em uma espécie de vivência absoluta e literal da proposta de francesco, se esbarram na heresia. Por certa influência da própria história francescana cresce um misto historográfico sobre a proposta de vida, cresçando de francesco, começa a quase heresia, e essa leitura na crônica e alimentada por correntes da própria ordem se só no próprio contexto de então da Itália, que era fermento de movimentos heréticos. Quando se discutiu o tema, por exemplo, frequentemente a referência de comparação é com o catarismo. Sobretudo em função da insistência no movimento dos cataros, do segmento literal do Evangelho com o modo de vida, um discurso muito parecido com o discurso nesse ponto é de francesco. Porém, as diferenças são maiores que os pontos de convergência. Se os cataros, por exemplo, defendiam uma importante reforma moral da igreja, francesco era profundamente submisso a hierarquia. Novamente, a gente pode recorrer ao testamento onde francesco, o discurso, o senhor teria dado a ele uma fé muito grande na igreja romana, e é quem é importante citar o adjetivo romano e no sacerdotes, de modo que ainda que ele fosse perseguido por determinado sacerdote, ele gostaria de se submeter a ele. E segue francesco, dizendo que ainda que ele tivesse toda a sabedoria que tem o salomão, ele não gostaria jamais de pregar além da autorização, concedida pelo sacerdotes. E segue francesco, né, e eu sinto o francesco. E a este de aos sacerdotes, e a todos os outros, eu quero ter mer, amar e honrar como se fossem os meus senhores. E não quero neles ver pecados por que identificam neles o filho de Deus, e eles são portanto os meus senhores. Ainda que o carisma de Francisco das primeiras gerações pudesse gerar um certo constrangimento entre alguns sacerdotes, como a partir do tema da pobreza, por exemplo, a postura de francesco é de absoluta submissão à igreja, mesmo aos sacerdotes para o que a ex. Quanto a Roma Francisco foi, foi importante aliado da igreja romano. Dou exemplo, né, no senso terceiro ele realizou um importante reforma litúrgica, inclusive nos livros litúrgicos e proposa a uniformização do breviário, que a época variava em cada região. A adoção do novo breviário não foi simples e não foi rápida, tão pouco total, na Europa, mas foi bastante célere entre os francescandos em particular, que adotaram o breviário romano e difundiram esse texto de nocência, de modo que os francescandos se tornaram uma espécie de males estratégicas na circulação desse texto. Parece pouca coisa, mas o breviário é o livro mais utilizado pelo religioso cotidianamente. Adotar o breviário da Curia Romana implicava em difundir cotidianamente não sols textos evangélicos, contidos na casleituras, mas as leituras de tantos teólogos e padras da igreja que foram cuidadosamente selecionados e desejados por Roma. Nós conhecemos o breviário pessoal de francesco humano escritor de conservado na Básalíquia de Santa Clarinha cis, e que não atoa, segue a proposta romanda. É fácil compreender o porquê da atetação de lenho francesco, um personagem de fronteira. A testemunhos do período, que deixa muito evidente quanto a sua prática. proposta de vida poderia constranjar certos setores da igreja, mas justamente a condição de menoridade de anteriormente que a faça esse rico e a ideia de submissão absoluta à igreja. Agora, assim como os pregadores heréticos, Francisco era um personagem altamente popular, o seu conhecimento da cultura religiosa-marginal popular, com o exemplo da prática da sortes apostolaram que vem registrar em suas geografias, o fato de priorizar uma pregação em vulgar, o uso de uma certa tetralização durante as pregações, faziam dele um pregador de massas, e o seu eixo de segurança na ortodoxia, porém, era essa ideia de reitar o ser menor e ser submissão. Daí que ele não poderia ser herégio se a sua ideia se submeter absolutamente a própria igreja. "André, como fica evidente em sua fala, Francisco de Assis, além de seu pregador muito carismático, ele compôs alguns textos, o que se sabe sobre a produção escrita de Francisco, quantos textos a historiografia recuece, como de sua autoria, quais eram os temas de seu interesse?" Ele disse "Francisco, o Sialto definia idiota ignorante". Ele possui uma formação intelectiva bastante básica, tudo havia em direção com o trailer, com o trailer ele foi um grande escritor, em termos quantitativos mesmo. A primeira tentativa moderna de sistematização dos escritos de Francisco foi realizada por um frágil herlandês chamado Lucas Walden, que em 1635 publicou uma coleção de textos cujo autoria acreditava-se de Francisco. A época eram mais de 100 textos, Francisco, porém, não escreveu essa centena de textos, e hoje a historiografia reconhece cerca de 3 dezenas de texto. A última edição crítica de seus textos, editada por Carlo Paulates, em 2009, reuni 32 escritos reconhecidos como autênticos, e mais alguns outros textos conhecidos por tradição indireta, o chamado Gito, ou seja, o registro escrito de uma tradição oral de um discurso de Francisco. Todavia o campo segue aberto no ano passado, por exemplo, estudiosos Alexander Horovski, encontrou e publicou um comentário ao painosso que teria origem no próprio Francisco, que seria de Francisco, e embora um único texto é muito humano escrito desse texto, ou seja, bastante tardil, é um texto que apresenta muitos características e stylísticas e filológicas que poderiam muito provavelmente remontar ao próprio Francisco, uma discussão que segue aberto. De qualquer forma, um volume de textos consideravelmente grande para o mediano, e muito mais impressionante se considerarmos que Francisco, ao contrário de um tomar de aqui, no, por exemplo, não era considerado um intelectual. A pouca variação temática nos textos de Francisco, e frequentemente ele se repete, insistindo em temas como o caristia, o amor a igreja, a trindade e a já citada condição dos frases de submissão e de pobreza. Cerca de um terço dessa produção são de textos de oração, um segundo terço de cartas para privados ou para grupos ou circulares que deveriam ser lidos por todos os cristãos, e um último terço de caráter exortativo ou variante da regra. E que nos permitem não apenas conhecer espiritualidade de Francisco, mas a sua forma de relação com o governo da ordem, com os outros frades, em um momento em que a ordem crescia impressionantemente com frases comendo em vida, a maioria desses textos das últimos anos de sua vida, quando ele já não estava mais no governo da ordem, e passou a enviar muitas cartas para privados ou para grupos. Ainda que não no governo político, podemos chamar assim da ordem, Francisco nesse momento se tornava uma espécie de líder carismático, que não detinha o poder legal, mas era ouvido e reconhecido com uma grande autoridade por todos. Com esses escritos, nós conhecemos três textos autógrafos, são presentes em dois fragmentos de pergaminho, um deles conservado na catedral despoleto, e o outro fragmento que contém dois textos na basilica de assisto. Danálise paleográfica desses fragmentos, emergem informações bastante importantes sobre a cultura eletrada de Francisco. As textos ele escreve em latim, mas ele representa uma quantidade importante de erros, que posteriormente foram corrigidos pelo destinatário dos textos, freilhão, um amigo muito íntimo de Francisco, frade, e também uma espécie de secretário pessoal que o alceliava, sobretudo nos últimos anos de vida, quando já estava bastante doente. Embora, nesses textos, conhecendo a mão de Francisco, conhecendo portanto seu latim, ele demonstra em um latim bastante impreciso, ele era capaz de se expressar nessa língua. Muito se debateu sobre a modalidade de redação desses textos, e sobre a capacidade de Francisco de produzir-los em latim, por muito tempo a historografia, sobretudo uma historografia mais gelosa da ordem, defendia o fato de que Francisco não contava com os celiários na redação desses textos, porque temia-se que, no processo de redação por um terciro, ou no processo de tradução, caso ele citasse os textos, em vulgar, poderia-se existir uma certa decorrupção desses textos, no momento em que eles fossem transcritos, acreditando que, talvez, Francisco não poderia verificar os textos depois de redigir isso. Também através de valiosos analis filológicas, autores como o já citado Carlo Paulati ou Giovanni Pottsi, demonstraram como as versões latinas que conhecemos hoje dos textos, e que não apresentam autógrafos, ou seja, ampla maioria da produção de Francisco, eles são textos que respeitam muito bem o lexico e o pensamento de Francisco de Assis, presente em outros textos e também da tradução a geográfica. Porém, Francisco ditava esses textos, uma modalidade padrão até para grandes escritores do período, Bernardo de Clara Valsitava os seus textos. Mas o seu conhecimento de latinha ainda que o rudimentar permitia verificar os textos após a redação, se a transcrição ou essa tradução, se o original fosse vulgar, teria respeitado o pensamento, nessa qualidade desses textos e as palavras que saiam da pena do copista eram fiéis, a ideia do autor, que como dito embora não reconhecido como intelectual, apresenta uma tradução manuscrito dos seus escritos bastante importante. Vale dizer que boa parte dessa tradução manuscrito é bastante numerosa, já no medievo, sobretudo a partir do século XIV, em que as espécies de coleções de escritos de francesco começam a ser produzidos por copistas em geral anônios, os quais nós não conhecemos, mas pelo menos 3 ou 4 grandes filões de coleções de escritos de francesco circularam nesse período, um século XIV e XV, de modo interdependente, dando a ideia de que, já no período, ao menos pelos próprios frades, os escritos de francesco ganham sentido no coletivo enquanto corpos de textos e não como textos individuais que teriam seu valor a partir de determinado contexto, mas que no conjunto permitiriam conhecer a personagem. André, agora eu gostaria de levar na conversa um pouco em direção ao legado de francesco de escritos, então nesse sentido, a gente pode notar na sua fala que parte do sucesso do francesco de escanismo se deu em alguma medida por conta do carisma de seu vida. Como o movimento lidou e seguiu em frente em relação à morte de francesco de escritos? Esse é o grande problema do francesco de escanismo, como lidar com a ausência do personagem que definiu o carisma, um carisma personificado em uma personagem. Roberto Lambertine e André Ata Barone, em um livro de 1989, no título desse livro, cunharam uma expressão muito feliz, o livro se chama "Depois de francesco, a herança difícil". E é muito feliz na minha leitura porque é uma das melhores formas de ler a herança de francesco de escritos, é difícil, difícil de replicar e difícil de manter viva, daí tantas tensões internas que se formaram dentro da ordem. Francesco defendia, por exemplo, que os frades não deveriam ter ou de repousar a cabeça, assim como os pássaros na leitura evangélica, ora mas como não formar igrejas e conventos em uma ordem que rapidamente se espalhou por Tuderoppa e que se somava desendo e somava de exenas de milhares de adepos. Como gerenciar um capítulo geral, que na cidade de Assis reunia 4,5 mil homens, uma cidade com população menor que os frades. Como defender a proibição da posta de bens, se para levar diante a proposta da pregação e de conversão das maças era necessário o mínimo de estrutura logística que permitisse essas viagens e a acomodação dessas personagens. Esse é o problema, essa era antes difícil. Ao final do testamento e essa altura nós já percebemos a centralidade desse texto, Francisco diz que o testamento desse texto deveria sempre acompanhar a regra, deveria sempre ser delíduo junto dela, porque esse tratável era um texto que recuperava a memória das origens, daí é a sua importância. Logo após a morte de Francisco em outubro de 1226, surgiram duas tendências bem distintas dentro da ordem, que já existiam com o Francisco em vida, mas que não eram facilmente perceptíveis em função da presença forte do Francisco. De um lado, uma aula mais segurista que defendia uma observação literal da regra de 1223, regra essa que deveria ser o segundo desejo do próprio Francisco, sempre acompanhado do testamento e dessa memória forte dos origens, e de outro lado, a maioria dos frades, que defendiam que a regra deveria ser glasada, deveria ser comentada e interpretada a luz das demandas históricos, ou seja, atualizada. Depois também que não reconhecia a vinculação automática entre regra e testamento. De um lado, frades que posteriormente seriam conhecidos como frades da comunidade, a maioria, de outro o chamado posteriormente como frades espirituais, os rigoristas. Claro, observando e respeitando atentamente as particularidades de cada contexto de modo generalizante, podemos dizer que a história francescana é a história da atualização dessas tensões, hora mais próximas à Roma, hora mais próximas à corrente rigorista. As geografias, à liturgia e inclusive as imagens, todas de cunhias geográfico, são imerses nessa constante tensão entre atualização e literalidade. Parte importante dessa corrente rigorista foi formada em torno dos companheiros de francesco de Assis da primeira comunidade, tendo a sua frente Leo, aquele aqui em francesco terei endereçados bilhetes autógrafos, e que se torna um importante defensor do rigorismo, e no qual nós encontramos o núcleo original, hoje perdido da chamada tradição à geográfica dos companheiros. Uma série de textos à geográficos, o século 13, que teriam surgido por influência ou por redação direta desses companheiros de francesco, e que apresenta a memória de um francesco fortemente rígido com a pobreza, que condena, por exemplo, a própria basilica de Assis, e que via com mal os olhos da transformação da ordem ao longo do tempo, francesco muito negativo, que via todas essas transformações como corrupção da sua própria memória. A atualização dos preceitos de francesco, porém, era vista pela corrente que defendia tal atualização, como vital para o segmento da proposta de vida de francesco de Assis, por exemplo, a respeito dos livros. Boa vetora de banho orégio cita em um determinado carta, que os frases deveriam ter livros porque eles precisavam pregar, uma vez que precisavam pregar, eles precisavam se formar, e portanto, estudar. E o livro, obviamente, era um artigo bastante custoso, né, da de média cuja posse, carregava uma certa noção de riqueza. A memória geográfica dos companheiros, porém, dessa aula rigorista, via na posse de livros uma aberação, que deveria ser abominado pelos frades. Segundo essa aula, segundo esses textos de geográficos ligados aos companheiros, o valor estaria nas palavras e não nos livros. Como a myriade de esfumaturas, nesses tomes de cinza, a difícilerança de francesco, é a tentativa ao longo da história de atualização para uma intenção, mas sempre a sombra com o risco dessa mutação demasiado. As grandes experiências de reforma na ordem frasecana, seja observante na metade do século XIV. Seja reforma capuchinha no início do século XV, não são nada além da atualização naquele contexto específico da ideia de preocupação com o francesco original que, supostamente, teria sido deteriorado pelos seus seguidores. Andre, como mencionamos no início do episódio, francesco de assist foi canonizado em 1228, apenas dois anos após a sua morte. Você poderia falar brevemente a respeito desse processo de canonização? Por quais razões, francesco de assist foi considerado um santo pela igreja e quais eram os grupos interessados em canonizá-lo? Nós sabemos pouco sobre o processo de canonização de francesco, e conhecemos pro outro lado, bastante bem, a cerimônia de canonização. As geografias oferecem uma descrição detalhada e viva da cerimônia que teria acontecido em assist com presença do Papa e de toda a corte de cardiais, mas fala muito pouco sobre o processo. Frequentemente, esse suposto processo de canonização de francesco de assist é comparado com aquele declara, que é a 250 do século XIII, ou seja, cerca de 30 anos, pouco menos após a canonização de francesco, daí a busca pela historografia de um processo sistematizado como foi o da pobre dama. Todavia, ou o processo de francesco não foi sistematizado e detalhado como aquele declara, como já eram os processos nos anos 50 do século XIII, ou menos provável esse processo esteço teria sido perdido. A segunda hipótese, considerando a fortuna da tradição manuscrito sobre francesco, é na minha leitura bastante improvável, a ideia de que esse texto teria sido perdido, haveria o menos uma cópia como resistiram tantos outros textos, a gente pode se perguntar então por qual motivo não haveria uma sistematização por escrita desse processo. Com a presença de um bispo, de uma combinação cardinalícia, de notários, de testemunhas, enfim. É que me parece mais convencente, é a de que considerando a proximidade de francesco com Roma, e com o Papa, e considerando também o fato de que nos anos 20, processo de canonização não estava em todo o codificado, mas era um processo de sistematização daquele próprio período, como demonstram, por exemplo, os estudos, já está do André Voxer, o Papa teria se encarregado pessoalmente, ou confiado a alguém próximo, uma espécie de processo pouco formal, além do mais, considerando-se a tentativa da reunião de uma espécie de relatórios de depoentes, como se faziam nos processos uns anos 40 e 50, que em teoria deveria ser realizada para a gente pessoas próximas a francesco, como os companheiros que viviam todos os dias com ele, a historiografia levanta a possibilidade que esses frades teriam se negado a depor em joramento, porque na década de 50, no processo de santa-claros, companheiros, aqueles mais próximos não figuram como depoentes, justamente em função da necessidade de joramento, mas são apresentados como merse systemos, ou seja, poderia ter existido também uma dificuldade no recolhimento desses depoentes que, no final das contas, sustentaria parte oralizada do processo de canonização, e que, considerando a proximidade de francesco com o Papa e que com a corte de Roma, por dia facilmente não ser necessário. Algun processo formal mínimo deve ter existido, mas provavelmente bastante rudimentário e hipótesis da existência de um processo tradicional, na minha leitura bastante pouco provável. O fato é que o francesco foi canonizado muito rápido, e certamente a partir do interesse de 3 grupos da igreja, que garantiria a tutela e a continuação daquele manto alegórico que, no início da vida de francesco, cobrei a sua no desde, e que, de certa forma, caracterizava esse cuidado da igreja, do interesse dos frades, que a época gerou milhares e tendo seu líder como santo garantiriam assim a sua legitimidade religiosa, e a gente se somava um claro a elíste da própria cidade de Assis, que via a sua cidade ser transformada rapidamente em um centro de peregrinação muito importante, e logo a própria. e velozmente as próprias atividades de comércio, ligada a peregrinação, se tornaram fonte principal de sustentos da própria cidade de Assis. A logo da sua fala podemos perceber como há muitas incongruências em 3 diferentes tradições geográficas a respeito de francesco, também se os biógrafos modernos divergem consideravamente sobre sua vida, fiando-se mais ou menos em uma ou outra fote. André, você poderia falar um pouco sobre a construção da memória de francesco pelo seus agógrafos, mas também pelos historiadores modernos, é o aproveito pra perguntar, o que é a chamada questão francescana? Afel, como eu dizia, o problema da construção da memória de francesco de Assis pelos medivais, mas de certo modo também pelos contemporâneos, está ligado ao problema da já citada a herança difícil, e de uma certa autoconsciência francescana. Um monge beneditino no medievo, por exemplo, facilmente se alto reconheceria como um monge beneditino e no seu carisma a partir de um texto, a regra de sombento, a regra do norte moral e o norte da sua autoconsciência. os francescanos o problema era mais delicado, considera um da vinculação possível entre regra e testamento, ou seja, entre texto alto-biográfico de francisco e texto jurídico da forma de vida, além da própria atualização comentada da regra que queria uma aula dos frades. Um frades reconhecia, portanto, não tendo a regra com o elemento principal de identificação, mas com o próprio francisco. Não atou o termo franciscano, não era usado na idade média, provavelmente se termo remonta a meia do século 16 e ao meio protestante, fazendo referência aos frades. Os frades em geral preferiam se alto referência a invulgar com o termo frantesquino, ou seja, pequeno francisco, franciscinho, filho de francisco. Ser franciscano, portanto, era sermos espécie de outro francisco, o seu seguidor. Daí que, na rávida de francisco, era elaborar o arquete, por desse frade ideal, em cada momento. A famosa frase de Benedetto Crote, segundo a pauta toda a história e a história contemporânea, é muito válida para as geografias franciscanas no medíivo. Cada versão da vida de francisco criava um francisco contemporâneo e que serviria aquele grupo. Dão exemplo, no início do século 14, freio Angelo Clareno, partisse pedaçá-la regorista, escreveu a sua versão da história de francisco e dos franiscanos, a chamada história das 7 tribulações. Em que duas alas, segundo Angelo Clareno, viveriam uma atenção interna aos franiscanos, de certa forma, elaborando a geográficamente essa atenção que eu disse precedentemente. De um lado, dos filhos de francisco, do outro lado, os filhos de Elias, aquele freio que posteriormente teria sido condenado em função da sua proximidade com o Frederico Segundo. Segundo Angelo Clareno, portanto, francisco e os filhos de francisco são os participes do seu grupo, do grupo que corresponde a suas intenções e ao seu carisma. De francisco, a matradição geográfica muito abundantes, são mais de 10 textos no século 13, talvez não haja outro personagem em medieval mais biografado, e portanto, como esperado, cada geografia narra o francisco diferente, hora mais próxima roma, hora mais próximos companheiros, ou ao governo da ordem. Em 1263, Boa Ventura de Bainhoré de Ministro Geralde, então, Teólogo de Paris, consciente do problema dessa multiplicidade de vidas, propôs um novo definitivo texto sobre francisco, a chamada Legendamaior, que a partir do ano de 1266, ou seja, 3 anos após a produção texto, seria o único texto considerado lícido, por pelo menos uma década até 1276. Dessa ocasião, em 1266, quando seu texto foi considerado o único texto oficial, a ordem, reunida em capital geral, também previo a destruição de todos os outros textos precedentes, uma operação que explica a escasa tradição mão escrita dos textos pré-boaventurianos, ou seja, temos uma decisão em 1266 que previa a destruição de outros textos. Por muito tempo a esturografia fiel-se, sobretudo, no texto de Boa Ventura de Bainhoré de Turante, todo o século 1819, sobretudo, até início do 20. Já visto que era o texto, esse era o texto contra a edição mão escrita mais importante. Em 1894, um Teólogo historiador protestante, Paul Sabatier, publicou uma biografia de francescos, o seu vida de francesco de assist. Nós criticamos, ah, Paul Sabatier, é o início da moderno historiografia sobre francesco. Sabatier, no seu texto, preocupado sobretudo com a decisão de 1266, ela bora a ideia, segundo a qual os textos ditos, chamados por ele de "oficiais", seriam menos lícitos para o conhecimento do verdadeiro entre muitas aspas francesco. Porque sendo uma esturografia, uma tradição geográfica autorizada por Roma, seria mais preocupada com os interesses pontifícios do que aspas novamente com o verdadeiro francesco. Sabatier levando a cabo essa noção de 1266, como censura, passou a procurar junto a outros historiadores diversos outros textos sobre francesco que teriam sido censurados. Então, eles encontraram, sobretudo em biblioteques beneditinos, uma série de geografias que, anteriores à boa aventura, eram desconhecidas. Sorradores de saculuvinte, a partir de Sabatier, de certa forma, replicaram essa noção de que haveriam textos mais lícitos e textos menos lícitos, textos oficiais e não oficiais, qualificação que carregaria também um peso moral nesses textos. Nós chamamos de questão francescano, conjunto de estudos que estão preocupados, sobretudo após Sabatier, com análises da tradição geográfica e manuscrito desses textos, sobretudo textos século 13, já que essa decisão foi tomada em 1266, a fim de restabelecer as conexões e interdependências do texto. Em Sabatier, o problema era a ideia de legitimidade ou não legitimidade de um texto a partir do seu reconhecimento por Roma. Hoje, toda via, o problema é estabelecer as conexões entre esses textos, porque diversas dessas geografias não são bem datadas, sabemos que são da década de 40, da década de 50, da década de 60, mas identificar com a maior precisão esses anos ou mesmo o local de origem desses textos não é possível, de modo que não é possível ainda estabelecer interdependência, uma espécie de árvore genealógica de intertextualidade entre esses textos. Textos esses, inclusive, alguns deles ainda inéditos, que sequer foram publicados. Do ponto de vista histórico, o lógico é uma questão ainda aberta, é impossível adaptar esses textos e, portanto, compreender qual é relação entre eles e a sua dependência com esse interesse romano, com esse interesse boaventuriano. Railorganizar essas conexões perdidas poderia facilitar essa hierarquização de dependência, que toda via não é possível. Porém, é necessário destacar que é essa ideia e essa oposição entre textos oficiais e não oficiais entre um francesco dos companheiros e um francesco de Roma, entre um francesco corrompido e um francesco genuíno a uma leitura moderna desse conflito. É uma replicação da ideia que aparece a partir do século XIV dessa oposição entre as diferentes facções, que na prática parece que não existia entre os próprios leitores. Sinto como exemplo, um manuscrito X46 da biblioteca Augusta de Perúdia, um manuscrito que, no mesmo códice e contemporâneo, apresenta a legenda maior de boaventura, esse grande texto oficial, e apresenta também o texto conhecido como compilação de acisa, compilácio a ciências. Um texto cujo núcleo original seria dos textos perdidos de freilhão, portanto da tradição dos companheiros, e que apresenta entre a legenda maior e a compilação de acis, um francesco bastante diferente. Porém, o códice e a reunião desses textos é contemporânea, início do século XIV, final do século XIII, talvez, e viam lidos juntos, quer dizer, pros leitores medievais, a ideia de duas versões de Francisco sem que entre eles houvessem a incongruência era natural. Isso parece muito mais ser um problema moderno, iniciado, apesar da sua contribuição importante, a descoberta de novas vidas, iniciada pelo próprio pouça bati e por essa oposição. André, aqui vale retomar a minha fala do início do episódio. Francisco de acisa é uma das figuras mais populares do cristianismo na contemporaneidade. Por quê? Quais elementos compõem a sua imagem hoje e como eles fazem de Francisco de acisa um dos santos mais cultuados pelos católicos? Ótimo a questão, Rafael, e eu, de certa forma, estrapalda a própria pergunta. Francisco ele não é uma personagem popular apenas entre os católicos, mas ele se tornou, sobretudo nas últimas décadas dos personagens fortes, da cultura laica, no Brasil da cultura popular, brasileira fortíssima. Isso se deve, claro, em primeiro lugar ao papel dos francescãs na cristianização dos espaços no aeropeus, sendo o Francisco fundador é sempre um personagem forte do culto elevado a cabo pro francescãs. A isso se soma uma visão muito romântica da idade média e de francesco de acisa, aí dos séculos oito, o 19, que produziu essa literatura sobre a idade média idealizada e francesco nesse sentido, e nesse momento foi um dos personagens preferidos por essa historografia romântica sobre a idade média. Pasta pensar na influência dos fioretes, conjunto de textos sobre francesco, que mostra a sua relação muito íntima com os animais, um dos episódios mais conhecidos da pregação aos pássaros, mas sobretudo do encontro com o Lobo de Gúbil, de francesco teria feito ter esse lado da paz entre os habitantes da cidade de Gube, uma cidade próxima a 6, e um lobo ferósco que queria destruir a cidade. Francisco teria estabelecido um acordo com um lobo em que os moradores alimentariam um animal e um animal em troca não atacaria os habitantes da cidade. Quer dizer, surge no século XVIII, XVIX, uma tradição muito romântica ligada a Francisco de Assis e que se dissemindo muito em espaços não religiosos, e é também uma importante de assimilação sobre tudo em espaços marginais e de pobreza. Como defendido, por exemplo, pelo teólogo Leonardo Boff, na sua obra, Boff ele apresenta uma visão muito romântica também de Francisco influenciado pelo Tessos Fiorate, em que defende e explica oculta Francisco de Assis a partir da própria condição marginal no texto de Boff do Brasil. Então, Francisco seria muito popular no Brasil, segundo Leonardo Boff, em função da pobreza do próprio país, sobretudo em comunidades marginais. De fato, há uma presença muito importante, por exemplo, do culta Francisco de Assis em comunidades rurais, geralmente mais pobres. Então, de certo modo, essa assimilação a partir da condição de marginalidade parece explicar em grande parte o culta Francisco de Assis dos Estados Unidos, no primeiro momento de infecção pelo vírus da id, em que o grande pânico se espalhou pela sociedade. Francisco de Assis foi um dos personagens mais lembrados e mais cultuados, e é estudos sobre isso, em que Francisco, remolmorado como aquele que cuidou dos lepros, é comparado como aquele que vai amparar, que vai cuidar dos doentes pelos vírus da id. Além disso, há uma importante presença de Francisco na cultura laica. Retoma a influência do diálogo com a natureza, por exemplo, no uso do símbolo de Francisco por ambientalistas, como uma espécie de ambientalista medieval, aquele período que lido por essa história, que vê na idade média as raízes para movimentos modernos, identificaria nele a alguém preocupado com as criaturas. É óbvio que não há nenhuma noção de ambientalismo em Francisco de Assis, ao contrário, no seu texto as criaturas que são cinco frequentes, a natureza que é assim frequente, está ali por ser criação de vina, e sendo criação de vina deveria, tal como os homens reconhecer a importância do culto ao criador e servindo da melhor forma possível. Essa é uma noção extremamente relevante, importante de Francisco, que surge também nesse caso na cultura americana, partir dos anos 70, 80, com surgimento do discurso ambiental, Francisco é adotado como uma dessas figuras. Agora é muito interessante perceber como, de fato, uma figura que estrapola o âmbito religioso. Recentemente em uma publicação com o professor Angelita Vizali, da Universidade Estadual de Londrina, nós podemos fazer um levantamento de proprietários de imagens de Francisco de Assis na cidade de Londrina. Então, uma espécie de levantamento comunitário, e sobretudo a partir das comunidades religiosas mais estrapolando através de propaganda, através das redes sociais, também para outras pessoas, chegamos ao número de cerca de 30,40% de proprietários, de imagens de frasso de Assis, imagens de culto, imagens que são estatuetas, e que não são religiosos, que não são católicos ou tem intradista informação católica, mas não frequentam nenhum tipo de culto sistematizado. Ou seja, há uma presença de Francisco que tem um apelo que não é mais religioso, é uma espécie de Francisco que serviria como suporte a esse homem moderno. Bom, andré, eu vou deixar um espaço aqui para casa, você queira retomar algum assunto ou com um tema que você achou o peinete, e aproveita também para pedir se você poderia indicar alguma indicação bibliográfica para os nossos lovintes que se interessaram pelo tema. Eu agradeço pelo espaço, agradeço a iniciativa do LEM e com esse podcast muito interessante, e eu acho que um importante de perceber sobre a figura de Francisco de Assis nessa série Perfil do podcast, é entender a centralidade da sua figura para experiências que estrapolam na sua própria vida, assim como nós percebemos em outros episódios sobre Jona Dark, sobre a Gostinha de Pona, sobre Carlos Magne, que são personagens que são adotados por grupos como símbolos identitários, políticos, religiosos, o mesmo se coloca Francisco, é suimportância se dá, sobretudo, em função dos usos que foram feitos dessa personagem, de uso como o Dito Grado Giovanni Merle identifica como militante a partir dos frades nessas disputas nessas tensões internas, a uso hoje que é lá e com o uso que é político, com o uso que é religioso, o uso que é cada vez mais plural, retomando essas questões no último ponto sobre esses usos contemporâneos, é importante perceber como Francisco é uma figura que funciona nos discursos, em um mundo que vive uma crise constante, aí algumas décadas é um personagem que funciona muito bem para legitimar discursos, para amparar grupos marginais, e que daí é atualizado, que no final das contas está muito acostumado a pensar medievalismo como uso da idade média em cede discursos, da idade média, da história política, da idade média como ferramenta de legitimação de práticas contemporâneas, mas vale lembrar que o catolicismo e o seu santo são também uma forma de permanência e de atualização dessa memória medieval no mundo contemporâneo, para encerrar e atendendo ao pedido de vocês, gostaria de fazer referência a alguns estudos bastante importantes, disponíveis em português. O primeiro deles que é uma espécie de biografia, com todo o rigorismo, com todo o rigor historiográfico, mas bastante acessível de leitura bastante fácil, é um texto escrito pela historiadora italiana que arafrugou, falecida no ano passado, um texto que no Brasil foi publicado pela companhia das letas em 2011 e se chama Vida de Um homem, Francisco de Assis, é uma biografia com todo o rigor historiográfico, mas muito fácil de ser lida aqui, que lembra um românsi. No mesmo sentido, outra biografia bastante importante, disponível em português, mas publicada em Portugal é o livro de André Voché, Francisco de Assis, entre história e memória, que é uma análise bastante, aprofundada e dedicada a entender a experiência de Francisco e a história historicamente em comparação com outros personagens e também tentando desmistificar um pouco de toda essa sobreposição de camadas de leitura que houve, e um outro texto bastante importante em português, que não se senta somente em Francisco de Assis, mas na história da ordem, e no qual é muito perceptível esse reaproveitamento, essa disputa pela memória de Francisco de Assis, é um texto do já citado de Ivane Grado Merlo, o historiador italiano, que se chama, em nome de São Francisco, publicado do Brasil pela editoria vozes, e por último, além de sugestões de historografia, é importante sempre lembrada de retomar as fontes, de contas as fontes devem ser a primeira leitura sobre qualquer tema, sempre penso que o ideal é olhar primeiro para as fontes e para historografia e voltar para as fontes, e as fontes diversos textos a respeito de Francisco de Assis contemporâneos ou um pouco posteriores estão publicados no Brasil pela editoria vozes também, uma coleção que chama fontes frascas e clarianas, cuja edição atual é a terceira edição do ano de 2014, que é uma edição muito importante portada, disponível em português, embora ela dependa da tradução desses textos originalmente em latim pro italiano dos anos 80 e que posteriormente foi publicada para o português, então bastante distantes do texto original, mágica qualquer forma no Brasil e em português é a melhor forma de acessar esses textos, por último, como eu disse em 2009, Carlos Paulace produziu uma edição crítica dos escritos e franceses de Assis, com todo o rigor filológico que se espera, essa sua edição em 2009 foi publicada em italiano, em 2014 ela foi traduzida para o espanhol publicada em Roma pelos frades editores de Quaraki, mas em espanhol que se encontra facilmente se chama francesco de Assis escritos, em espanhol, na uma tradução para o português, para o português, nós encontramos seus escritos no volume de fontes franceses canas. mas, como de tão anteriormente, é uma edição um pouco datada. É isso, então. Agradeço ao Rafael, pelo convite. Agradeço a equipe do Lem. Agradeço a Marina, que está nos acessorando. E agradeço, principalmente, a você, o Vinte, que nos acompanhou em mais esse episódio dos estudos medievais. André, nós é que te agradecemos, e é uma roupa, honra, podeu ouvir você falar. Estou certos que os ouvintes também acham mesmo. Um aproveito para reforçar o Agradeço Mentor, equipe do Lem e a Marina, que nos acompanhou. E até o próximo episódio do podcast, gente. Até mais.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A trajetória de Francisco de Assis está profundamente ligada à história política e social de sua cidade natal, Assis, onde experiências de conflito entre nobres e burguesia moldaram sua formação.
  2. Francisco provavelmente participou de eventos como a guerra entre Assis e Perúdia e foi preso, momento que marcou uma transformação na sua vida e na sua visão do mundo.
  3. A conversão de Francisco ocorreu em um processo gradual, com eventos como o encontro com os leprosos, que representaram uma experiência de compartilhamento de sofrimento e transformação espiritual.
  4. O carisma franciscano é fundado na "minoridade" — a vida de pobreza, obediência e humildade — e é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma inovação herética.
  5. Francisco não foi visto como um herético por autoridades eclesiásticas devido à sua absoluta submissão à Igreja e à sua ideia de vida como minoria, que respeitava a hierarquia e a liturgia.
  6. A produção escrita de Francisco é limitada, com apenas cerca de 32 textos autênticos reconhecidos, e muitos deles são frutos de tradições orais ou redações de terceiros.
  7. A memória de Francisco é construída de forma dinâmica e divergente por diferentes tradições geográficas, com conflitos entre versões autorizadas por Roma e outras que refletem a experiência dos companheiros.
  8. Francisco tornou-se um símbolo universal, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, sendo adotado na cultura laica e ambiental como figura de empatia e cuidado com os outros.

Summary:

Francisco de Assis é uma das figuras mais influentes do cristianismo, cuja vida e carisma estão profundamente ligados ao contexto histórico e social de sua cidade natal, Assis. A cidade, marcada por tensões políticas entre nobres e burguesia, desempenhou um papel decisivo na formação de Francisco, especialmente durante sua prisão e na experiência de conflito com os leprosos, que se tornou um ponto crucial de sua conversão. O carisma franciscano, baseado na "minoridade" — vida de pobreza, obediência e humildade — é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma ruptura com a Igreja.

Francisco demonstrou absoluta submissão à hierarquia eclesiástica, o que o protegeu de ser considerado herético, mesmo diante de movimentos de vida marginal. Sua produção escrita é limitada, com poucos textos autênticos, e a memória de sua vida é construída de forma fragmentada e diversa por tradições geográficas, com conflitos entre versões oficiais (como a "Legenda Maior") e outras que refletem a experiência dos primeiros companheiros. Hoje, Francisco transcende o campo religioso, sendo influenciado pela cultura popular e ambiental, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, como no Brasil e nos Estados Unidos.

Ele é visto como um símbolo de empatia, cuidado com os vulneráveis e diálogo com a natureza, tornando-se um personagem universal de grande ressonância cultural e identitária.

FAQs

Assis é um microcosmo das transformações políticas e sociais da Itália no século XIII, com forte influência do movimento comunal e tensões entre nobres e burguesia. A história da cidade moldou diretamente a trajetória de Francisco, especialmente durante sua juventude e período de prisão.

Francisco nasceu em uma família de comerciantes de tecidos. Seu pai, Pedro de Bernardone, era um comerciante, e a família tinha vínculos com a cultura burguesa. A infância de Francisco foi marcada pela influência da cultura francesa e do comercio, além de uma formação intelectual básica, com capacidade de ler e escrever para fins profissionais.

A conversão de Francisco ocorreu por volta dos 24 ou 25 anos, marcada por um encontro com os leprosos. Ele descreveu como ver os leprosos como algo amargo, mas que, ao praticar misericórdia com eles, transformou-se em doçura. Esse ato foi fundamental para o início de sua vida de pobreza e de caridade.

O movimento foi baseado no conceito de "minoridade" — viver como um menor, submisso a todos, com pobreza, obediência e humildade. Essa forma de vida era entendida como a simples aplicação do Evangelho, e não apenas como pobreza material, mas como uma forma de vida cristã e de santificação.

Embora houvesse tensões e interpretações heréticas, Francisco não foi visto como herético. Ele demonstrou absoluta submissão à Igreja e aos sacerdotes, e foi um aliado da Igreja Romana. A sua forma de vida, embora radical, estava alinhada com a hierarquia da Igreja, evitando conflitos com as autoridades eclesiásticas.

A historiografia reconhece cerca de 32 textos autênticos, como cartas, orações e textos exortativos. Muitos dos textos foram escritos em latim e demonstram uma forma de linguagem simples, com erros que foram corrigidos por amigos como Frei Leão, indicando que Francisco era capaz de escrever, mesmo com pouca formação intelectual.

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