Francisco de Assis é uma das figuras mais influentes do cristianismo, cuja vida e carisma estão profundamente ligados ao contexto histórico e social de sua cidade natal, Assis. A cidade, marcada por tensões políticas entre nobres e burguesia, desempenhou um papel decisivo na formação de Francisco, especialmente durante sua prisão e na experiência de conflito com os leprosos, que se tornou um ponto crucial de sua conversão. O carisma franciscano, baseado na "minoridade" — vida de pobreza, obediência e humildade — é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma ruptura com a Igreja. Francisco demonstrou absoluta submissão à hierarquia eclesiástica, o que o protegeu de ser considerado herético, mesmo diante de movimentos de vida marginal. Sua produção escrita é limitada, com poucos textos autênticos, e a memória de sua vida é construída de forma fragmentada e diversa por tradições geográficas, com conflitos entre versões oficiais (como a "Legenda Maior") e outras que refletem a experiência dos primeiros companheiros. Hoje, Francisco transcende o campo religioso, sendo influenciado pela cultura popular e ambiental, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, como no Brasil e nos Estados Unidos. Ele é visto como um símbolo de empatia, cuidado com os vulneráveis e diálogo com a natureza, tornando-se um personagem universal de grande ressonância cultural e identitária.
Olá, sejam bem-vindos aos estudos medievais, o podcast do laboratório de estudos medievais.
Meu nome é Rafael Bosch, pesquisador de pós-autorado do núcleo Ospido Laboratório.
Neste episódio da série perfil, discutiremos uma das figuras mais populares da história
do cristianismo, Francisco de Assis.
Francisco, natural da cidade de Assis, na atual Itália, nasceu entre 1331 e 1882, e após
uma juventude marcada pelo desregramento, aderiu a uma vida religiosa de pobreza absoluta.
Seu exemplo passou a ser seguido, e qual o passar dos anos, milhares de pessoas aderiram
a Francisco, dando início ao movimento popular de grande sucesso.
Canonizado em 1228, apenas dois anos após a sua morte, Francisco de Assis figura entre
os santos mais cultuados da contemporaneidade.
Pra discutiremos a vida, a obra, o impacto, e o mundo de Francisco de Assis, tem o prazer
de apresentar André Pellegrineiro, pesquisador do laboratório de teoria e história das mídias
medievais em seu núcleo polista, André é licenciado e mestre em história pela Universidade
de Estadol de Londrina, e doutorando a história pela Universidade de São Paulo, encoto tela
com um doutorado em história, antropologia e religiões da Universidade Roma-la-sapiência,
além de estudantes da Escola Superior de Estudos Medievais e franciscanos da Pontificia Universitar
Antoneano em Roma.
Tendo realizado estagens de pesquisa na Universidade Autônoma de Quirétaro, no México, e na Universidade
de Aglistura de Roma-la-sapiência na Itália, sua trajetória acadêmica é marcada por pesquisas
do franciscanismo com diversos artigos sobre o tema, dentre os quais destacam.
Uma montagem caligramática do século III, a Benedictio Fátri Leonidata de Francesco
de Assis, e letras e a Aureolas, a lógica das iniciais nos manuscritos do espelho da ordem
dos menores francesquina de Jacobo Oddie, publicados respectivamente em 2019 e 2022.
André, é um prazer recebê-lo.
Sou eu que ele agradeço a fé pelo convite, serão prazer de alugar contigo e com os ouvintes
do podcast e estudos medievais.
Aqui é agradeço muito a umadamente o convite.
Parabenizo também pelo excelente trabalho que tem sido feito na divulgação científica
da história medieval no Brasil.
Muito obrigado pelas palavras.
É. André, não há como dissociar a trajetória de francesco de Assis de sua cidade natal.
Como afirmou o estreador André Voxer, Thomas é de a quino apenas pela virtude de
seu nascimento, já francesco esteve ligado com Assis com toda a fibra de sua existência,
lá na seu, morreu, e foi sepultado.
E por mais que constantemente esteve pregando em outras regiões, pra Assis ele sempre
retornava.
Então, André, podremos começar com um panorama geral sobre Assis durante o período de vida
de francesco, qual era a importância de Assis e sua relação com as outras cidades italianas
de sua região, e de que modo a trajetória de francesco foi impactada por ela.
Rafael, Assis é um ótimo exemplo, uma espécie de microcosmo das transformações da região
da Itária nos séculos 12 e 13, que viu fortalecimento das comunas e de suas elites econômicas
locais, como intensificação, por exemplo, das trocas comerciais, com outros espaços
de Europa e com o florecimento de uma cultura laica e vulgar.
E a própria formação de francesco em sua juventude muito se relaciona a própria história
política da cidade de Assis.
O chamado o movimento "comunal" foi caracterizado pelo processo de emancipação das cidades
da tutela de senhores homonarcas e pela afirmação política de novas elites econômicas,
como os mercadores, por exemplo, associados às elites tradicionais.
No caso de Assis, em 1660, cerca de 20 anos antes do nascimento de francesco, o imperador
Frederico I havia emancipado a cidade da subimissão do Ducado de Spoleto, que é a
época que era comandado por um tio de Frederico I.
Assis era uma das fronteiras desse Ducado na direção de Perúdia, e foi constituída como
com o dado autônomo, cuja administração, foi confiada à própria elite local.
Quando havia embora Assis fosse autônomo, ela matava uma relação muito íntima e de
certa dependência com o imperio.
Sabemos, por exemplo, a partir de registros escritos, que Barba Ruive esteve em Assis entre 1707
e 1886.
Barba Ruive, Frederico I, governou até 1890, quando foi substituído pelo seu filho,
Henry XVI, que assumiu o trono de 1690 até 1797, quando ele morreu inesperadamente por
doença ou por envenenamento.
A sua morte inesperada quase desagregou o poder imperial na Itália Central, e diversas
cidades da região entraram uma espécie de abolição, também Assis, cidade francesco.
Em Assis, o chamado "Ominis Populi", e isso é o "Os Homens do Povo", aqueles que não eram
nobres, categoria que compreendia também a nova burguesia mercantil, sem surgir contra
os descendentes da velha nobreza feudal, que eram conhecidos como "Os Boni-Ominis",
"Os Homens de Bem".
Provavelmente, mais leais, a manutenção do Império.
Nessa insurgença, parte dos nobres foi morta, e outra parte forgou para Perúdia,
da cidade vizinha.
Nessa altura, devido, o jovem francesco provavelmente participou desses eventos, e ele pode ter
o combatido ao lado dos homens do povo, aprendendo, então, a arte bélica, e considerando
até mesmo a necessidade de fortificação da cidade, o ofício de pedreiro.
O Metieu, que posteriormente seria muito útil em um período de sua conversão, quando
ele se dedicou a reforma de igrejas e de capelas enruínas.
Em um parte desses nobres, Siria Fujó em Perúdia, a tensão interna logo se transformou
uma guerra entre as duas cidades, que são muito próximas, distantes, apenas 20 quilômetros
uma da outra, com o cenário, portanto, que gerava uma preenção constante, porque é um
ataque poder ser planejado e realizado no mesmo dia.
A batalha de colestrada em 1202 marcou fim da guerra com a derrota da cidade de
Perúdia, e sabemos que Francisco participou dessa batalha, e derrotado foi mantido em
carcerado na cidade de Perúdia, por mais de um ano.
Segundo uma tradição geográfica, embora Francisco não fosse nobre, mas burgues,
ele tinha sido preso junto a alguns nobres, que se colocaram da parte de Assis, porque
ele teria bons modos e costumes nobres.
Assis é portanto uma espécie de microcosmo dessas transformações, e a sua história política
marca profundamente a experiência de Francisco.
A tradição geográfica concorda na compreensão da vivência no carcer, como um ponto de mudança
na vida de Francisco, quando ele teria passado a se comportar diferente, perdendo interesse
pelas farras, juvenis, pelas festas noturnas, e iniciado a questionar esse modo de vídeo
e o seu modo de pensar o mundo.
É muito feliz essa referência ao André Voucher, porque é de fato uma relação muito intima.
Entre memória de Francisco e a cidade de Assis, também por uma espécie de dinâmica topológica
de seu culto, que do culto que se desenvolve a partir da figura de Francisco, que é baseado
na circulação do próprio personagem.
O historiador da arte, Michelibate, compara o culto de Francisco e a cidade de Assis,
a mesma lógica do culto, a Cristo e a Terração, onde a devoção à personagem é marcada
por uma certa geograficização daquele culto, daquele personagem, e os espaços de atuação
em vida se tornam também espaços de culto.
Assim, por exemplo, Assis é marcada ao este pela Basilica de São Francisco e a Leste
pela Basilica de Santa Clara.
Em baixo, no vale umbro, pela porciúcula e ao alto, no modo sub-basio, pela eraimteria
dos carceres, de modo que, de fato, uma relação muito intima que marca, seja a vida de Francisco
influenciada pela cidade de Assis e, posteriormente, Assis que se torna, como na tradição política
da própria cidade, a cidade será fica.
No final das contas, vive em função mesmo, considerando o caráter comercial do culto
a Francisco.
Bom, agora que sabemos a respeito do espaço em que Francisco viveu, vamos no central
de sua figura.
Adre, o que a gente sabe é a respeito das origens de Francisco?
Você já deu alguns indícios, mas quais eram as condições materiais nas quais vivia
sua família?
Bom, Rafael, os médiia vai escrever muito sobre família de Francisco e sobre a sua
formação de juvenil.
Todavia, a maior parte desses registros é Tardil, e parece não ter sido baseada em nenhuma
tradição precedente e supostamente perdida.
A memória mais próxima, a morche de Francisco, isso é o que ele texto conhecido como Vida,
Roberto Francisco, escrita por Tomás de Tielano em 1228, propriamente em função da
canalização do Santos naquele mesmo ano, nada fala sobre a infância de Francisco.
E a narrativa de Tielano começa com o seu processo de conversão, quando ele deveria
ter por volta de 25 ou 24 anos.
Ou seja, o primeiro culto a Francisco se interessava muito pouco, quase nada pela sua família.
após a segunda metade dos anos 40, de século 13, e, como
produção de novos as geografias, sugiram mais detalhes sobre a família e sobre a infância
de Francisco. Mas que é importante notar desde já, são inseridos de um contexto geográfico
que é chamado pelo historiador Giovanni Grado Merlo como militante. Isso é cada geografia
e se coloca um momento muito específico da disputa pela memória de Francisco, de modo
que o santo nesse texto é sobretudo a projeção arquética daquele conflito. Ora, de um lado
temos esse dado, mas de outro lado essa disputa pela memória obviamente não desses legitimas
fontes, mas é necessário escrutiná-las considerando esse contexto de produção.
Considerando portanto, isso surge em novas informações, como por exemplo, o nome de sua
mãe que deveria ser segundo um desses textos "pica" e que ela teria origem nobre francesa,
ou então a tradição segundo a qual Francisco teria nascido, enquanto seu pai Pedro de Bernardone
estava em viagem profissional, ele era um marcante de tecidos, ele estava em viagem à França.
E uma vez tornado da França teria desejado chamar o seu filho de Francisco, ou seja, o
francês, o pequeno francês, em detremento de Pedro que seria o nome original dado pela sua mãe.
Mas como dito, todas as informações são de uma tradição bastante posterior.
Seu pai, sabe da mente, era Pedro de Bernardone, inclusive a vários registros na cidade de
Assis, de documentos outros que não ligados a Francisco que citam seu pai, e sabemos como
dito que ele era comerciante de tecidos e, independente de uma suposta influência materna,
sabemos que Francisco teve em sua juventude contato com a cultura francesa, sobretudo através
dos romances de cavalaria. Francisco foi fortemente influenciado por essa cultura, uma característica
muito evidente em seus escritos, por exemplo, frequentemente comparava os seus companheiros
aos cavaleiros da Tavola Redonda, ou então a virtude da pobreza é uma dama que, portanto,
deveria ser cortejada. Se a tradição ligada à influência materna de francesco, é historicamente
frágil, há muitos motivos para destacar outros pontos de sua formação cultural intelectual.
A já citada cultura cavalairezca, que faria com que Francisco dejejar se tornara um cavaleiro,
um miliskrist, após a sua conversão, mas também a cultura burguesa. Filho de comerciantes,
ele provavelmente teve uma educação formal, aprendeu a ler através do salterio, frequentou a
igreja para o que é a audição Jorge, em Assis, mesmo igreja em que é uns depois ele seria
ser apultado provisoriamente, e embora Francisco em seus próprios textos se declarasse um homem simples
idiota, idiota que, no sentido latino da palavra, ou seja, ignorante e letrado que não recebeu
uma formação formal, ele possui uma formação intelectual média, aquilo que o paleógrafo armando
petrute chamaria de "CML Fabiatizado Funcional". Isso era capaz de ler e escrever em função de uma
demanda profissional, no caso ser filho de comerciantes e ser um futuro comerciante.
Ele sabia por tanto fazer contas, escrevei e revisar textos breves, mas não ia muito além disso.
Uma formação voltada ao comerciante, portanto, marca de sua família, marca de seu pai, marca
dessa cultura burguesa ascendente na cidade de Assis, que na prática era voltado para o ofício.
E, no caso de Francisco, soma-se a essa cultura, essa influência nobre, não de sangue, mas através
da literatura, certamente do convívio, também próximo a elite, a ciência, vale destacar que a
ciência era uma cidade relativamente pequena e que Francisco, em função do próprio ofício de
comércio de tecidos, de ver ter contato íntimo com essa cultura nobre.
André, agora eu quero abordar um ponto que a gente já tocou brevemente. A gente sabe que a
trajetória de Francisco pode ser dividida em dois momentos, um primeiro marcado por seu cara
terbundano e um segundo marcado pela recusa da materialidade de pobreza extrema. O que
te sabe a respeito desses dois períodos? E, sobretudo, o que teria levado a esse ponto de inflexão
na vida de Francisco? Vai, como dito anteriormente, Francisco, você converteu por volta dos
seus 24, 25 anos, mas ao contrário de outros santos, a sua geografia não é marcada por um
grande evento de conversão por um ponto de mudança, mas vem apresentado nos teços com um processo
marcado por diversos eventos. A guerra, um sonho com um palácio de armas, o momento em que
ele se desluda de ajudar a cidade, de seus pais do Bispo, na cidade de Assis, o abandono da
casa paterna, um coloque que ele teria tido com o crucifixor de São Damian, e tantos outros
episódios que são lembrados na tradição geográfica, como eventos de importância nesse longo
processo. Mas, a respeito de sua conversão, mas que qualquer outro texto de caráter
geográfico ganha destaque a lembrança autobiográfica do próprio Francisco, naquele texto
conhecido como o testamento, texto que teria sido escrito próximo a sua morte, provavelmente
auxiliado por algum frate próximo, e onde, brevemente, Francisco, relemora episódio de sua
vida, muito brevemente faz referência a sua conversão, e sugera os frades da conselha
de como levar a vida diante sem a sua presença. No testamento, ao contrário da tradição
a geográfica, Francisco localiza e cite um evento em particular, o encontro com os
leprosos. Eu gostaria de ler esse trecho bastante breve, disso Francisco iniciando o testamento.
O senhor assim consendeu a mim, freio Francisco, de iniciar a fazer penitência, pois, estando
no pecado, excessivamente amargo, me parecia ver os leprosos, e o mesmo senhor me conduziu
ao meio deles e eu fiz misericórdia com eles. E, afastando-me deles, aquilo que me parecia
amargo se transformou em doçura da alma e do corpo. E depois, eu saí do seco, ou seja,
ele teria este convertido saído do mundo. Na memória do próprio Francisco, a uma encontro
com os leprosos, não esses milagres relatados na tradição a geográfica, que foram responsáveis
pela sua conversão. E aqui é muito interessante olhar atentamente aos termos escolhidos por Francisco.
Ele disse ser muito que era muito amargo ver os leprosos, verbo ver que no latinho, no contexto
do latinho de então, não fazia referência ao simples ato de enxergar, mas de conhecer
de ter consciência de e ação de ver se segue ao fazer misericórdia com eles, que,
diferentemente de agir por misericórdia ou term misericórdia, implicando compartilhamento
da mesma situação. Uma visão que, de certa forma, é compartilhado pela geografia, segundo
a qual, segundo a tradição geográfica, Francisco teria determinado momento nesse processo
de conversão, vivido junto aos leprosos. Embora ele não fosse doente.
A caridade para com os doentes em particular com os lepros era como uma desperitualidade
de cristã da partida de média, ainda mais da espiritualidade burguesa do período que deveria
doar em uma pequena parte de seus bens, em forma de esmola, para garantir o comprimento
dessa virtude. A novidade de Francisco, porém, relembrada por ele que marca a primeira
geração franciscana e esse ponto de mudança, e que também, de certa forma, colabora na transformação
da mística na baixa de média, é encontrada marginalidade e no sofrimento, espaço ocupado
pelos leprosos, o espaço para atendria, para conversão, para o processo de divinização
ou de santificação do homem. A gírdia com misericórdia com os leprosos é um ato de
caridade. Fazer misericórdia e viver com eles por sua vez é reelaborar o contato com
um divino, que, segundo Francisco, transformaram a margo em do sor. E essa espécie de penitência
deificante ganhou grande repercussão nas primeiras gerações de frades, que atuaavam
intimamente no cuidado com os leprosos, vivendo com eles e que depois, segundo o processo
de clenicalização da própria ordem francescana, aos poucos esquecido é abandonado. Nesse ponto
e com essa percepção, segundo Francisco, ele sai do século, ou seja, de conseguir
arrumpar suas relações com as preocupações do mundo, a partir não da caridade, mas
do compartilhamento de uma mesma situação de vida.
Como você me enchilou na sua resposta, a gente pode ser que talvez contra a própria vontade do francesco, ele acabou fundando um movimento que atraiu
milhares de seguidores que posteriormente se torna uma ordem.
Quais eram os fundamentos desse movimento?
Então Rafael, quando eu comentei sobre a cidade de Assias, eu disse que a cidade se dividia entre duas
grandes facções, nobres e não nobres. Os bônios homens, os nobres, eram também conhecidos
como maiores e os não-nobres como minores. Tradicionamente a gente liga o francescanísima noção de pobreza,
mas a proposta de vida de francesco de Assias não era a simples pobreza, a pobreza por si só,
mas aquilo que ele chamava que
que a tradição franciscana chama de "minoridade", ou seja, "ser menor".
Na regra não-bulada, por exemplo, Francisco deixe a clara aos seus frades.
O carisma deles era ser menores, serem menores e submissos a todos.
E mais, essa forma de vida, segundo Francisco, era nada além da forma do Santa Evangelo.
Como apresentado por ele também no testamento, quando em determinado momento,
a personagem Francisco disse que, uma vez que o senhor teria conselhido companheiros,
ninguém dizia a ele o que ele deveria fazer, mas o próprio altíssimo teria revelado essa forma de vida,
segundo a Evangelo.
Os tão conhecidos, três votos franciscanos, pobresa, obediência, caixidade, seriam.
Então, um simples desdubramento da vida minoritária, da vida como menor,
viver como menor, implicaria também essas condições.
Uma vida que, por sua vez, era legitimada por essa espécie de revelação do próprio Deus,
como o simples seguir do Santa Evangelo.
Passada a conversão de Francisco, a sua vida pública passou a atrair a atenção dos demais,
e logs formou em torno dele, a chamada a primeira fraternidade, a prima fraternitas,
um nuclear original de irmãos que compartilhariam essa mesma vida.
Em 1909, esse grupo decidiu ir a Roma solicitar autorização pontificia pra viver o seu carisma,
e a chamada a forma do Santa Evangelo.
A época em nosso terceiro, depois de algumas semanas de insistença e de um sonho profético,
teria conselhido a Francisco a aprovação oral para essa forma de vida.
E é possível que, acompanhando essa aprovação oral, tenha exigido uma espécie de forma de vida de texto,
simples que codificasse essa proposta, um texto bastante breve, formado sobretudo por citações bíblicas.
Que, como se vê na tradição geográfica, marcaram processos de descoberta do carisma francescando.
Há diversos episódios no processo de conversão, em que Francisco ouvam episódio ou lei determinado
versículo na Bíblia, e esse versículo é apresentado como norte por seu carisma.
No entanto, nós não conhecemos esse suposto texto que teria existido em 1219.
Anos depois, em 1221, depois de um período na Terra Santa, em que Francisco se encontrou consulta
o Malik alcamele, Francisco teria renunciado ao governo da Ordem, que foi confiado então a Freia Elias.
Nesse mesmo capítulo geral que elegeu Elias, Francisco recebeu a missão de escrever uma regra escrita pra guiar a vida dos frades.
Uma regra que não foi bulada, ou seja, não foi autorizada por roma daí ela sequenciada como regra não bulada.
O núcleo principal dessa regra de 1221, provavelmente incorpora a proto-regra de 1219 e que codificaria essa chamada "forma do Santo Evangelho",
ampliando a partir da jurisdição criada nos capítulo gerais, entre 1219 e 1221.
Dois anos depois, ou seja, de 1223, Francisco teria produzido um texto definitivo, chamada "regra bulada".
Texto normativo, aprovado pelo capítulo e posteriormente em 29 de novembro de 1223, aprovado pelo pontifes, honor e terceiro,
através da Bula, Solet, Anuere.
Embora o quarto conselho de latrão, aquele de 1215, tem estabelecido a proibição
da produção de novas regras religiosas, os francescanos, mesmo após Francisco, quando indagados sobre a regra,
baseariam a noção de que a regra de 1223 não é nada mais que a codificação que o elaboramento de um texto primitivo,
aquele de 1219, portanto, precedente ao concilho.
O fundamento principal do movimento de francesco, portanto, segundo ele próprio, é a minoridade em todas as situações.
O que implica a pobreza, a minoridade econômica, mas essa condição de vida não seria nada além, segundo Francisco, do próprio evangelho.
A atividade pastoral, apregação, a pobreza, a caixaidade, serviço de misericórdia, etc.,
seria, portanto, simples consequências dessa escolha evangelica primordial.
Andrés, sabemos que em meados do século 1213, o ocidente medieval foi palco de surgimento de diversos outros movimentos, mas ou menos similares aos de Francisco.
Dentre estes, muitos foram objeto de suspensões de heresia, e alguns deles chegaram a ser de fato condenados com heréticos.
Tenho isso em vista, eu faço algumas perguntas.
O movimento de francesco, ele levantou suspeitas e heresia, se sim, de que modo ele permaneceu como ortodoxo perante os olhos das autoridades eclesiásticas,
e o que vai explicar o seu fator de atração?
Francesco, francesco herégio é um dos temas preferidos pela historiografia.
A historiografia que nem sempre, mas que muitas vezes tem baixa preocupação científica, que é mais interessada na polêmica,
porque é não no comércio, do que no estudo baseado nas fontes.
Existe uma quantidade infinita de livros, sobretudo nas últimas décadas sobre esse suposto francesco herégio.
A compreensão de francesco como um líder no limiar entre ortodoxia e heresia, se deve sobretudo,
a maleitura posterior e portanto anacronica da sua vida,
a luz das experiências posteriores do próprio francescanismo.
Algumas que de fato foram lidas como heréticas, me explico.
São vários episódios na história franciscana em que um frade ou um grupo de frades foi considerado herégio.
Elias de Cortona, por exemplo, se já citado primeiro ministro geral durante seu segundo governo,
se aproximou de mais do imperador fredereco segundo, despertou a furia papal e foi considerado herégio.
Também os chamados fratricieli. Por exemplo, um grupo de frades que defendiam a doutrina da pobreza de Cristo.
Mesmo após as decisões de João 22, foram considerados heréticos, ou seja, a história franciscana marcada por esses personagens que,
em uma espécie de vivência absoluta e literal da proposta de francesco, se esbarram na heresia.
Por certa influência da própria história francescana cresce um misto historográfico sobre a proposta de vida,
cresçando de francesco, começa a quase heresia, e essa leitura na crônica e alimentada por correntes da própria ordem
se só no próprio contexto de então da Itália, que era fermento de movimentos heréticos.
Quando se discutiu o tema, por exemplo, frequentemente a referência de comparação é com o catarismo.
Sobretudo em função da insistência no movimento dos cataros, do segmento literal do Evangelho com o modo de vida, um discurso muito parecido com o discurso nesse ponto é de francesco.
Porém, as diferenças são maiores que os pontos de convergência.
Se os cataros, por exemplo, defendiam uma importante reforma moral da igreja, francesco era profundamente submisso a hierarquia.
Novamente, a gente pode recorrer ao testamento onde francesco, o discurso, o senhor teria dado a ele uma fé muito grande na igreja romana,
e é quem é importante citar o adjetivo romano e no sacerdotes, de modo que ainda que ele fosse perseguido por determinado sacerdote, ele gostaria de se submeter a ele.
E segue francesco, dizendo que ainda que ele tivesse toda a sabedoria que tem o salomão, ele não gostaria jamais de pregar além da autorização, concedida pelo sacerdotes.
E segue francesco, né, e eu sinto o francesco.
E a este de aos sacerdotes, e a todos os outros, eu quero ter mer, amar e honrar como se fossem os meus senhores.
E não quero neles ver pecados por que identificam neles o filho de Deus, e eles são portanto os meus senhores.
Ainda que o carisma de Francisco das primeiras gerações pudesse gerar um certo constrangimento entre alguns sacerdotes, como a partir do tema da pobreza, por exemplo,
a postura de francesco é de absoluta submissão à igreja, mesmo aos sacerdotes para o que a ex. Quanto a Roma Francisco foi, foi importante aliado da igreja romano.
Dou exemplo, né, no senso terceiro ele realizou um importante reforma litúrgica, inclusive nos livros litúrgicos e proposa a uniformização do breviário, que a época variava em cada região.
A adoção do novo breviário não foi simples e não foi rápida, tão pouco total, na Europa, mas foi bastante célere entre os francescandos em particular,
que adotaram o breviário romano e difundiram esse texto de nocência, de modo que os francescandos se tornaram uma espécie de males estratégicas na circulação desse texto.
Parece pouca coisa, mas o breviário é o livro mais utilizado pelo religioso cotidianamente.
Adotar o breviário da Curia Romana implicava em difundir cotidianamente não sols textos evangélicos, contidos na casleituras, mas as leituras de tantos teólogos e padras da igreja que foram cuidadosamente selecionados e desejados por Roma.
Nós conhecemos o breviário pessoal de francesco humano escritor de conservado na Básalíquia de Santa Clarinha cis, e que não atoa, segue a proposta romanda.
É fácil compreender o porquê da atetação de lenho francesco, um personagem de fronteira.
A testemunhos do período, que deixa muito evidente quanto a sua prática.
proposta de vida poderia constranjar certos setores da igreja, mas justamente a condição
de menoridade de anteriormente que a faça esse rico e a ideia de submissão absoluta
à igreja.
Agora, assim como os pregadores heréticos, Francisco era um personagem altamente popular,
o seu conhecimento da cultura religiosa-marginal popular, com o exemplo da prática da sortes
apostolaram que vem registrar em suas geografias, o fato de priorizar uma pregação em vulgar,
o uso de uma certa tetralização durante as pregações, faziam dele um pregador de massas,
e o seu eixo de segurança na ortodoxia, porém, era essa ideia de reitar o ser menor
e ser submissão.
Daí que ele não poderia ser herégio se a sua ideia se submeter absolutamente a própria
igreja.
"André, como fica evidente em sua fala, Francisco de Assis, além de seu pregador muito carismático,
ele compôs alguns textos, o que se sabe sobre a produção escrita de Francisco, quantos
textos a historiografia recuece, como de sua autoria, quais eram os temas de seu interesse?"
Ele disse "Francisco, o Sialto definia idiota ignorante".
Ele possui uma formação intelectiva bastante básica, tudo havia em direção com o trailer,
com o trailer ele foi um grande escritor, em termos quantitativos mesmo.
A primeira tentativa moderna de sistematização dos escritos de Francisco foi realizada por
um frágil herlandês chamado Lucas Walden, que em 1635 publicou uma coleção de textos
cujo autoria acreditava-se de Francisco.
A época eram mais de 100 textos, Francisco, porém, não escreveu essa centena de textos,
e hoje a historiografia reconhece cerca de 3 dezenas de texto.
A última edição crítica de seus textos, editada por Carlo Paulates, em 2009, reuni 32
escritos reconhecidos como autênticos, e mais alguns outros textos conhecidos por
tradição indireta, o chamado Gito, ou seja, o registro escrito de uma tradição oral
de um discurso de Francisco.
Todavia o campo segue aberto no ano passado, por exemplo, estudiosos Alexander Horovski,
encontrou e publicou um comentário ao painosso que teria origem no próprio Francisco,
que seria de Francisco, e embora um único texto é muito humano escrito desse texto,
ou seja, bastante tardil, é um texto que apresenta muitos características e stylísticas
e filológicas que poderiam muito provavelmente remontar ao próprio Francisco, uma discussão
que segue aberto.
De qualquer forma, um volume de textos consideravelmente grande para o mediano, e muito mais impressionante
se considerarmos que Francisco, ao contrário de um tomar de aqui, no, por exemplo, não
era considerado um intelectual.
A pouca variação temática nos textos de Francisco, e frequentemente ele se repete, insistindo
em temas como o caristia, o amor a igreja, a trindade e a já citada condição dos frases
de submissão e de pobreza.
Cerca de um terço dessa produção são de textos de oração, um segundo terço de cartas
para privados ou para grupos ou circulares que deveriam ser lidos por todos os cristãos,
e um último terço de caráter exortativo ou variante da regra.
E que nos permitem não apenas conhecer espiritualidade de Francisco, mas a sua forma de relação
com o governo da ordem, com os outros frades, em um momento em que a ordem crescia impressionantemente
com frases comendo em vida, a maioria desses textos das últimos anos de sua vida, quando
ele já não estava mais no governo da ordem, e passou a enviar muitas cartas para privados
ou para grupos.
Ainda que não no governo político, podemos chamar assim da ordem, Francisco nesse momento
se tornava uma espécie de líder carismático, que não detinha o poder legal, mas era ouvido
e reconhecido com uma grande autoridade por todos.
Com esses escritos, nós conhecemos três textos autógrafos, são presentes em dois fragmentos
de pergaminho, um deles conservado na catedral despoleto, e o outro fragmento que contém
dois textos na basilica de assisto.
Danálise paleográfica desses fragmentos, emergem informações bastante importantes sobre
a cultura eletrada de Francisco.
As textos ele escreve em latim, mas ele representa uma quantidade importante de erros, que
posteriormente foram corrigidos pelo destinatário dos textos, freilhão, um amigo muito íntimo
de Francisco, frade, e também uma espécie de secretário pessoal que o alceliava, sobretudo
nos últimos anos de vida, quando já estava bastante doente.
Embora, nesses textos, conhecendo a mão de Francisco, conhecendo portanto seu latim,
ele demonstra em um latim bastante impreciso, ele era capaz de se expressar nessa língua.
Muito se debateu sobre a modalidade de redação desses textos, e sobre a capacidade de Francisco
de produzir-los em latim, por muito tempo a historografia, sobretudo uma historografia
mais gelosa da ordem, defendia o fato de que Francisco não contava com os celiários
na redação desses textos, porque temia-se que, no processo de redação por um terciro,
ou no processo de tradução, caso ele citasse os textos, em vulgar, poderia-se existir
uma certa decorrupção desses textos, no momento em que eles fossem transcritos, acreditando
que, talvez, Francisco não poderia verificar os textos depois de redigir isso.
Também através de valiosos analis filológicas, autores como o já citado Carlo Paulati
ou Giovanni Pottsi, demonstraram como as versões latinas que conhecemos hoje dos textos,
e que não apresentam autógrafos, ou seja, ampla maioria da produção de Francisco,
eles são textos que respeitam muito bem o lexico e o pensamento de Francisco de Assis,
presente em outros textos e também da tradução a geográfica.
Porém, Francisco ditava esses textos, uma modalidade padrão até para grandes escritores
do período, Bernardo de Clara Valsitava os seus textos.
Mas o seu conhecimento de latinha ainda que o rudimentar permitia verificar os textos
após a redação, se a transcrição ou essa tradução, se o original fosse vulgar, teria
respeitado o pensamento, nessa qualidade desses textos e as palavras que saiam da pena
do copista eram fiéis, a ideia do autor, que como dito embora não reconhecido como
intelectual, apresenta uma tradução manuscrito dos seus escritos bastante importante.
Vale dizer que boa parte dessa tradução manuscrito é bastante numerosa, já no medievo,
sobretudo a partir do século XIV, em que as espécies de coleções de escritos de francesco
começam a ser produzidos por copistas em geral anônios, os quais nós não conhecemos,
mas pelo menos 3 ou 4 grandes filões de coleções de escritos de francesco circularam
nesse período, um século XIV e XV, de modo interdependente, dando a ideia de que,
já no período, ao menos pelos próprios frades, os escritos de francesco ganham sentido
no coletivo enquanto corpos de textos e não como textos individuais que teriam seu valor
a partir de determinado contexto, mas que no conjunto permitiriam conhecer a personagem.
André, agora eu gostaria de levar na conversa um pouco em direção ao legado de francesco
de escritos, então nesse sentido, a gente pode notar na sua fala que parte do sucesso
do francesco de escanismo se deu em alguma medida por conta do carisma de seu vida.
Como o movimento lidou e seguiu em frente em relação à morte de francesco de escritos?
Esse é o grande problema do francesco de escanismo, como lidar com a ausência do personagem
que definiu o carisma, um carisma personificado em uma personagem.
Roberto Lambertine e André Ata Barone, em um livro de 1989, no título desse livro,
cunharam uma expressão muito feliz, o livro se chama "Depois de francesco, a herança
difícil".
E é muito feliz na minha leitura porque é uma das melhores formas de ler a herança
de francesco de escritos, é difícil, difícil de replicar e difícil de manter viva,
daí tantas tensões internas que se formaram dentro da ordem.
Francesco defendia, por exemplo, que os frades não deveriam ter ou de repousar a cabeça,
assim como os pássaros na leitura evangélica, ora mas como não formar igrejas e conventos
em uma ordem que rapidamente se espalhou por Tuderoppa e que se somava desendo e somava
de exenas de milhares de adepos.
Como gerenciar um capítulo geral, que na cidade de Assis reunia 4,5 mil homens, uma cidade
com população menor que os frades.
Como defender a proibição da posta de bens, se para levar diante a proposta da pregação
e de conversão das maças era necessário o mínimo de estrutura logística que permitisse
essas viagens e a acomodação dessas personagens.
Esse é o problema, essa era antes difícil.
Ao final do testamento e essa altura nós já percebemos a centralidade desse texto, Francisco
diz que o testamento desse texto deveria sempre acompanhar a regra, deveria sempre ser
delíduo junto dela, porque esse tratável era um texto que recuperava a memória das
origens, daí é a sua importância.
Logo após a morte de Francisco em outubro de 1226, surgiram duas tendências bem distintas
dentro da ordem, que já existiam com o Francisco em vida, mas que não eram facilmente perceptíveis
em função da presença forte do Francisco.
De um lado, uma aula mais segurista que defendia uma observação literal da regra de 1223, regra
essa que deveria ser o segundo desejo do próprio Francisco, sempre acompanhado do testamento
e dessa memória forte dos origens, e de outro lado, a maioria dos frades, que defendiam
que a regra deveria ser glasada, deveria ser comentada e interpretada a luz das demandas
históricos, ou seja, atualizada.
Depois também que não reconhecia a vinculação automática entre regra e testamento.
De um lado, frades que posteriormente seriam conhecidos como frades da comunidade, a maioria,
de outro o chamado posteriormente como frades espirituais, os rigoristas.
Claro, observando e respeitando atentamente as particularidades de cada contexto de modo
generalizante, podemos dizer que a história francescana é a história da atualização dessas
tensões, hora mais próximas à Roma, hora mais próximas à corrente rigorista.
As geografias, à liturgia e inclusive as imagens, todas de cunhias geográfico, são imerses
nessa constante tensão entre atualização e literalidade.
Parte importante dessa corrente rigorista foi formada em torno dos companheiros de francesco
de Assis da primeira comunidade, tendo a sua frente Leo, aquele aqui em francesco
terei endereçados bilhetes autógrafos, e que se torna um importante defensor do rigorismo,
e no qual nós encontramos o núcleo original, hoje perdido da chamada tradição à geográfica
dos companheiros.
Uma série de textos à geográficos, o século 13, que teriam surgido por influência
ou por redação direta desses companheiros de francesco, e que apresenta a memória de um
francesco fortemente rígido com a pobreza, que condena, por exemplo, a própria basilica
de Assis, e que via com mal os olhos da transformação da ordem ao longo do tempo, francesco
muito negativo, que via todas essas transformações como corrupção da sua própria memória.
A atualização dos preceitos de francesco, porém, era vista pela corrente que defendia
tal atualização, como vital para o segmento da proposta de vida de francesco de Assis,
por exemplo, a respeito dos livros. Boa vetora de banho orégio cita em um determinado
carta, que os frases deveriam ter livros porque eles precisavam pregar, uma vez que precisavam
pregar, eles precisavam se formar, e portanto, estudar.
E o livro, obviamente, era um artigo bastante custoso, né, da de média cuja posse, carregava
uma certa noção de riqueza.
A memória geográfica dos companheiros, porém, dessa aula rigorista, via na posse de
livros uma aberação, que deveria ser abominado pelos frades.
Segundo essa aula, segundo esses textos de geográficos ligados aos companheiros, o valor
estaria nas palavras e não nos livros.
Como a myriade de esfumaturas, nesses tomes de cinza, a difícilerança de francesco,
é a tentativa ao longo da história de atualização para uma intenção, mas sempre a sombra com o
risco dessa mutação demasiado.
As grandes experiências de reforma na ordem frasecana, seja observante na metade do século
XIV.
Seja reforma capuchinha no início do século XV, não são nada além da atualização naquele
contexto específico da ideia de preocupação com o francesco original que, supostamente,
teria sido deteriorado pelos seus seguidores.
Andre, como mencionamos no início do episódio, francesco de assist foi canonizado em 1228,
apenas dois anos após a sua morte.
Você poderia falar brevemente a respeito desse processo de canonização?
Por quais razões, francesco de assist foi considerado um santo pela igreja e quais
eram os grupos interessados em canonizá-lo?
Nós sabemos pouco sobre o processo de canonização de francesco, e conhecemos pro outro lado,
bastante bem, a cerimônia de canonização.
As geografias oferecem uma descrição detalhada e viva da cerimônia que teria acontecido
em assist com presença do Papa e de toda a corte de cardiais, mas fala muito pouco sobre
o processo.
Frequentemente, esse suposto processo de canonização de francesco de assist é comparado com aquele
declara, que é a 250 do século XIII, ou seja, cerca de 30 anos, pouco menos após
a canonização de francesco, daí a busca pela historografia de um processo sistematizado
como foi o da pobre dama.
Todavia, ou o processo de francesco não foi sistematizado e detalhado como aquele declara,
como já eram os processos nos anos 50 do século XIII, ou menos provável esse processo
esteço teria sido perdido.
A segunda hipótese, considerando a fortuna da tradição manuscrito sobre francesco,
é na minha leitura bastante improvável, a ideia de que esse texto teria sido perdido,
haveria o menos uma cópia como resistiram tantos outros textos, a gente pode se perguntar
então por qual motivo não haveria uma sistematização por escrita desse processo.
Com a presença de um bispo, de uma combinação cardinalícia, de notários, de testemunhas,
enfim.
É que me parece mais convencente, é a de que considerando a proximidade de francesco
com Roma, e com o Papa, e considerando também o fato de que nos anos 20, processo de canonização
não estava em todo o codificado, mas era um processo de sistematização daquele próprio
período, como demonstram, por exemplo, os estudos, já está do André Voxer, o Papa teria
se encarregado pessoalmente, ou confiado a alguém próximo, uma espécie de processo
pouco formal, além do mais, considerando-se a tentativa da reunião de uma espécie de relatórios
de depoentes, como se faziam nos processos uns anos 40 e 50, que em teoria deveria ser realizada
para a gente pessoas próximas a francesco, como os companheiros que viviam todos os dias
com ele, a historiografia levanta a possibilidade que esses frades teriam se negado a depor
em joramento, porque na década de 50, no processo de santa-claros, companheiros, aqueles
mais próximos não figuram como depoentes, justamente em função da necessidade de joramento,
mas são apresentados como merse systemos, ou seja, poderia ter existido também uma dificuldade
no recolhimento desses depoentes que, no final das contas, sustentaria parte oralizada
do processo de canonização, e que, considerando a proximidade de francesco com o Papa e que
com a corte de Roma, por dia facilmente não ser necessário.
Algun processo formal mínimo deve ter existido, mas provavelmente bastante rudimentário e
hipótesis da existência de um processo tradicional, na minha leitura bastante pouco provável.
O fato é que o francesco foi canonizado muito rápido, e certamente a partir do interesse
de 3 grupos da igreja, que garantiria a tutela e a continuação daquele manto alegórico
que, no início da vida de francesco, cobrei a sua no desde, e que, de certa forma, caracterizava
esse cuidado da igreja, do interesse dos frades, que a época gerou milhares e tendo seu líder
como santo garantiriam assim a sua legitimidade religiosa, e a gente se somava um claro
a elíste da própria cidade de Assis, que via a sua cidade ser transformada rapidamente
em um centro de peregrinação muito importante, e logo a própria. e velozmente as próprias
atividades de comércio, ligada a peregrinação, se tornaram fonte principal de sustentos da
própria cidade de Assis.
A logo da sua fala podemos perceber como há muitas incongruências em 3 diferentes tradições
geográficas a respeito de francesco, também se os biógrafos modernos divergem consideravamente
sobre sua vida, fiando-se mais ou menos em uma ou outra fote.
André, você poderia falar um pouco sobre a construção da memória de francesco pelo
seus agógrafos, mas também pelos historiadores modernos, é o aproveito pra perguntar, o que
é a chamada questão francescana?
Afel, como eu dizia, o problema da construção da memória de francesco de Assis pelos
medivais, mas de certo modo também pelos contemporâneos, está ligado ao problema da já citada
a herança difícil, e de uma certa autoconsciência francescana.
Um monge beneditino no medievo, por exemplo, facilmente se alto reconheceria como um monge
beneditino e no seu carisma a partir de um texto, a regra de sombento, a regra do norte
moral e o norte da sua autoconsciência.
os francescanos o problema era mais delicado, considera um
da vinculação possível entre regra e testamento, ou seja, entre texto alto-biográfico de
francisco e texto jurídico da forma de vida, além da própria atualização comentada da regra
que queria uma aula dos frades. Um frades reconhecia, portanto, não tendo a regra
com o elemento principal de identificação, mas com o próprio francisco. Não atou o termo
franciscano, não era usado na idade média, provavelmente se termo remonta a meia do século 16
e ao meio protestante, fazendo referência aos frades. Os frades em geral preferiam se
alto referência a invulgar com o termo frantesquino, ou seja, pequeno francisco, franciscinho, filho
de francisco. Ser franciscano, portanto, era sermos espécie de outro francisco, o seu seguidor.
Daí que, na rávida de francisco, era elaborar o arquete, por desse frade ideal, em cada momento.
A famosa frase de Benedetto Crote, segundo a pauta toda a história e a história contemporânea,
é muito válida para as geografias franciscanas no medíivo. Cada versão da vida de francisco
criava um francisco contemporâneo e que serviria aquele grupo. Dão exemplo, no início do século 14,
freio Angelo Clareno, partisse pedaçá-la regorista, escreveu a sua versão da história de
francisco e dos franiscanos, a chamada história das 7 tribulações. Em que duas alas, segundo
Angelo Clareno, viveriam uma atenção interna aos franiscanos, de certa forma,
elaborando a geográficamente essa atenção que eu disse precedentemente. De um lado,
dos filhos de francisco, do outro lado, os filhos de Elias, aquele freio que posteriormente teria
sido condenado em função da sua proximidade com o Frederico Segundo. Segundo Angelo Clareno,
portanto, francisco e os filhos de francisco são os participes do seu grupo, do grupo que corresponde
a suas intenções e ao seu carisma. De francisco, a matradição geográfica muito abundantes,
são mais de 10 textos no século 13, talvez não haja outro personagem em medieval mais biografado,
e portanto, como esperado, cada geografia narra o francisco diferente, hora mais próxima
roma, hora mais próximos companheiros, ou ao governo da ordem. Em 1263, Boa Ventura de Bainhoré
de Ministro Geralde, então, Teólogo de Paris, consciente do problema dessa multiplicidade de vidas,
propôs um novo definitivo texto sobre francisco, a chamada Legendamaior, que a partir do ano de 1266,
ou seja, 3 anos após a produção texto, seria o único texto considerado lícido, por pelo menos
uma década até 1276. Dessa ocasião, em 1266, quando seu texto foi considerado o único texto oficial,
a ordem, reunida em capital geral, também previo a destruição de todos os outros textos
precedentes, uma operação que explica a escasa tradição mão escrita dos textos pré-boaventurianos,
ou seja, temos uma decisão em 1266 que previa a destruição de outros textos.
Por muito tempo a esturografia fiel-se, sobretudo, no texto de Boa Ventura de Bainhoré de
Turante, todo o século 1819, sobretudo, até início do 20. Já visto que era o texto, esse era o texto
contra a edição mão escrita mais importante. Em 1894, um Teólogo historiador protestante,
Paul Sabatier, publicou uma biografia de francescos, o seu vida de francesco de assist. Nós
criticamos, ah, Paul Sabatier, é o início da moderno historiografia sobre francesco. Sabatier,
no seu texto, preocupado sobretudo com a decisão de 1266, ela bora a ideia, segundo a qual os textos
ditos, chamados por ele de "oficiais", seriam menos lícitos para o conhecimento do verdadeiro entre
muitas aspas francesco. Porque sendo uma esturografia, uma tradição geográfica autorizada por Roma,
seria mais preocupada com os interesses pontifícios do que aspas novamente com o verdadeiro francesco.
Sabatier levando a cabo essa noção de 1266, como censura, passou a procurar junto
a outros historiadores diversos outros textos sobre francesco que teriam sido censurados. Então,
eles encontraram, sobretudo em biblioteques beneditinos, uma série de geografias que, anteriores à
boa aventura, eram desconhecidas. Sorradores de saculuvinte, a partir de Sabatier, de certa forma,
replicaram essa noção de que haveriam textos mais lícitos e textos menos lícitos, textos
oficiais e não oficiais, qualificação que carregaria também um peso moral nesses textos. Nós
chamamos de questão francescano, conjunto de estudos que estão preocupados, sobretudo após
Sabatier, com análises da tradição geográfica e manuscrito desses textos, sobretudo
textos século 13, já que essa decisão foi tomada em 1266, a fim de restabelecer as conexões
e interdependências do texto. Em Sabatier, o problema era a ideia de legitimidade ou não legitimidade
de um texto a partir do seu reconhecimento por Roma. Hoje, toda via, o problema é estabelecer as
conexões entre esses textos, porque diversas dessas geografias não são bem datadas, sabemos
que são da década de 40, da década de 50, da década de 60, mas identificar com a maior
precisão esses anos ou mesmo o local de origem desses textos não é possível, de modo que
não é possível ainda estabelecer interdependência, uma espécie de árvore genealógica de intertextualidade
entre esses textos. Textos esses, inclusive, alguns deles ainda inéditos, que sequer foram
publicados. Do ponto de vista histórico, o lógico é uma questão ainda aberta, é impossível
adaptar esses textos e, portanto, compreender qual é relação entre eles e a sua dependência
com esse interesse romano, com esse interesse boaventuriano. Railorganizar essas conexões perdidas
poderia facilitar essa hierarquização de dependência, que toda via não é possível. Porém, é necessário
destacar que é essa ideia e essa oposição entre textos oficiais e não oficiais entre
um francesco dos companheiros e um francesco de Roma, entre um francesco corrompido e um francesco
genuíno a uma leitura moderna desse conflito. É uma replicação da ideia que aparece a partir
do século XIV dessa oposição entre as diferentes facções, que na prática parece que não existia
entre os próprios leitores. Sinto como exemplo, um manuscrito X46 da biblioteca Augusta de Perúdia,
um manuscrito que, no mesmo códice e contemporâneo, apresenta a legenda maior de boaventura,
esse grande texto oficial, e apresenta também o texto conhecido como compilação de acisa,
compilácio a ciências. Um texto cujo núcleo original seria dos textos perdidos de freilhão,
portanto da tradição dos companheiros, e que apresenta entre a legenda maior e a compilação de acis,
um francesco bastante diferente. Porém, o códice e a reunião desses textos é contemporânea,
início do século XIV, final do século XIII, talvez, e viam lidos juntos, quer dizer, pros leitores
medievais, a ideia de duas versões de Francisco sem que entre eles houvessem a incongruência era
natural. Isso parece muito mais ser um problema moderno, iniciado, apesar da sua contribuição
importante, a descoberta de novas vidas, iniciada pelo próprio pouça bati e por essa oposição.
André, aqui vale retomar a minha fala do início do episódio. Francisco de acisa é uma das figuras
mais populares do cristianismo na contemporaneidade. Por quê? Quais elementos compõem a sua imagem
hoje e como eles fazem de Francisco de acisa um dos santos mais cultuados pelos católicos?
Ótimo a questão, Rafael, e eu, de certa forma, estrapalda a própria pergunta. Francisco
ele não é uma personagem popular apenas entre os católicos, mas ele se tornou, sobretudo
nas últimas décadas dos personagens fortes, da cultura laica, no Brasil da cultura popular,
brasileira fortíssima. Isso se deve, claro, em primeiro lugar ao papel dos francescãs na
cristianização dos espaços no aeropeus, sendo o Francisco fundador é sempre um personagem
forte do culto elevado a cabo pro francescãs. A isso se soma uma visão muito romântica da
idade média e de francesco de acisa, aí dos séculos oito, o 19, que produziu essa literatura
sobre a idade média idealizada e francesco nesse sentido, e nesse momento foi um dos personagens
preferidos por essa historografia romântica sobre a idade média. Pasta pensar na influência
dos fioretes, conjunto de textos sobre francesco, que mostra a sua relação muito íntima
com os animais, um dos episódios mais conhecidos da pregação aos pássaros, mas sobretudo
do encontro com o Lobo de Gúbil, de francesco teria feito ter esse lado da paz entre os habitantes
da cidade de Gube, uma cidade próxima a 6, e um lobo ferósco que queria destruir a cidade.
Francisco teria estabelecido um acordo com um lobo em que os moradores alimentariam
um animal e um animal em troca não atacaria os habitantes da cidade.
Quer dizer, surge no século XVIII, XVIX, uma tradição muito romântica ligada a Francisco
de Assis e que se dissemindo muito em espaços não religiosos, e é também uma importante
de assimilação sobre tudo em espaços marginais e de pobreza.
Como defendido, por exemplo, pelo teólogo Leonardo Boff, na sua obra, Boff ele apresenta
uma visão muito romântica também de Francisco influenciado pelo Tessos Fiorate,
em que defende e explica oculta Francisco de Assis a partir da própria condição marginal
no texto de Boff do Brasil.
Então, Francisco seria muito popular no Brasil, segundo Leonardo Boff, em função da pobreza
do próprio país, sobretudo em comunidades marginais.
De fato, há uma presença muito importante, por exemplo, do culta Francisco de Assis
em comunidades rurais, geralmente mais pobres.
Então, de certo modo, essa assimilação a partir da condição de marginalidade parece explicar
em grande parte o culta Francisco de Assis dos Estados Unidos, no primeiro momento de
infecção pelo vírus da id, em que o grande pânico se espalhou pela sociedade.
Francisco de Assis foi um dos personagens mais lembrados e mais cultuados, e é estudos
sobre isso, em que Francisco, remolmorado como aquele que cuidou dos lepros, é comparado
como aquele que vai amparar, que vai cuidar dos doentes pelos vírus da id.
Além disso, há uma importante presença de Francisco na cultura laica.
Retoma a influência do diálogo com a natureza, por exemplo, no uso do símbolo de Francisco
por ambientalistas, como uma espécie de ambientalista medieval, aquele período que lido por essa
história, que vê na idade média as raízes para movimentos modernos, identificaria
nele a alguém preocupado com as criaturas.
É óbvio que não há nenhuma noção de ambientalismo em Francisco de Assis, ao contrário,
no seu texto as criaturas que são cinco frequentes, a natureza que é assim frequente, está ali
por ser criação de vina, e sendo criação de vina deveria, tal como os homens reconhecer
a importância do culto ao criador e servindo da melhor forma possível.
Essa é uma noção extremamente relevante, importante de Francisco, que surge também nesse
caso na cultura americana, partir dos anos 70, 80, com surgimento do discurso ambiental,
Francisco é adotado como uma dessas figuras.
Agora é muito interessante perceber como, de fato, uma figura que estrapola o âmbito religioso.
Recentemente em uma publicação com o professor Angelita Vizali, da Universidade Estadual
de Londrina, nós podemos fazer um levantamento de proprietários de imagens de Francisco de Assis
na cidade de Londrina.
Então, uma espécie de levantamento comunitário, e sobretudo a partir das comunidades religiosas
mais estrapolando através de propaganda, através das redes sociais, também para outras
pessoas, chegamos ao número de cerca de 30,40% de proprietários, de imagens de frasso
de Assis, imagens de culto, imagens que são estatuetas, e que não são religiosos, que
não são católicos ou tem intradista informação católica, mas não frequentam nenhum tipo de
culto sistematizado.
Ou seja, há uma presença de Francisco que tem um apelo que não é mais religioso, é uma
espécie de Francisco que serviria como suporte a esse homem moderno.
Bom, andré, eu vou deixar um espaço aqui para casa, você queira retomar algum assunto
ou com um tema que você achou o peinete, e aproveita também para pedir se você poderia
indicar alguma indicação bibliográfica para os nossos lovintes que se interessaram pelo
tema.
Eu agradeço pelo espaço, agradeço a iniciativa do LEM e com esse podcast muito interessante,
e eu acho que um importante de perceber sobre a figura de Francisco de Assis nessa série
Perfil do podcast, é entender a centralidade da sua figura para experiências que estrapolam
na sua própria vida, assim como nós percebemos em outros episódios sobre Jona Dark, sobre
a Gostinha de Pona, sobre Carlos Magne, que são personagens que são adotados por grupos
como símbolos identitários, políticos, religiosos, o mesmo se coloca Francisco, é suimportância
se dá, sobretudo, em função dos usos que foram feitos dessa personagem, de uso como
o Dito Grado Giovanni Merle identifica como militante a partir dos frades nessas disputas
nessas tensões internas, a uso hoje que é lá e com o uso que é político, com o uso
que é religioso, o uso que é cada vez mais plural, retomando essas questões no último
ponto sobre esses usos contemporâneos, é importante perceber como Francisco é uma figura
que funciona nos discursos, em um mundo que vive uma crise constante, aí algumas décadas
é um personagem que funciona muito bem para legitimar discursos, para amparar grupos
marginais, e que daí é atualizado, que no final das contas está muito acostumado a pensar
medievalismo como uso da idade média em cede discursos, da idade média, da história política,
da idade média como ferramenta de legitimação de práticas contemporâneas, mas vale lembrar
que o catolicismo e o seu santo são também uma forma de permanência e de atualização
dessa memória medieval no mundo contemporâneo, para encerrar e atendendo ao pedido de vocês,
gostaria de fazer referência a alguns estudos bastante importantes, disponíveis em português.
O primeiro deles que é uma espécie de biografia, com todo o rigorismo, com todo o rigor historiográfico,
mas bastante acessível de leitura bastante fácil, é um texto escrito pela historiadora
italiana que arafrugou, falecida no ano passado, um texto que no Brasil foi publicado pela
companhia das letas em 2011 e se chama Vida de Um homem, Francisco de Assis, é uma biografia
com todo o rigor historiográfico, mas muito fácil de ser lida aqui, que lembra um românsi.
No mesmo sentido, outra biografia bastante importante, disponível em português, mas publicada
em Portugal é o livro de André Voché, Francisco de Assis, entre história e memória, que é
uma análise bastante, aprofundada e dedicada a entender a experiência de Francisco e
a história historicamente em comparação com outros personagens e também tentando
desmistificar um pouco de toda essa sobreposição de camadas de leitura que houve, e um outro
texto bastante importante em português, que não se senta somente em Francisco de Assis,
mas na história da ordem, e no qual é muito perceptível esse reaproveitamento, essa disputa
pela memória de Francisco de Assis, é um texto do já citado de Ivane Grado Merlo,
o historiador italiano, que se chama, em nome de São Francisco, publicado do Brasil pela
editoria vozes, e por último, além de sugestões de historografia, é importante sempre lembrada
de retomar as fontes, de contas as fontes devem ser a primeira leitura sobre qualquer
tema, sempre penso que o ideal é olhar primeiro para as fontes e para historografia e voltar
para as fontes, e as fontes diversos textos a respeito de Francisco de Assis contemporâneos
ou um pouco posteriores estão publicados no Brasil pela editoria vozes também, uma
coleção que chama fontes frascas e clarianas, cuja edição atual é a terceira edição
do ano de 2014, que é uma edição muito importante portada, disponível em português, embora ela
dependa da tradução desses textos originalmente em latim pro italiano dos anos 80 e que posteriormente
foi publicada para o português, então bastante distantes do texto original, mágica qualquer
forma no Brasil e em português é a melhor forma de acessar esses textos, por último, como
eu disse em 2009, Carlos Paulace produziu uma edição crítica dos escritos e franceses
de Assis, com todo o rigor filológico que se espera, essa sua edição em 2009 foi publicada
em italiano, em 2014 ela foi traduzida para o espanhol publicada em Roma pelos frades
editores de Quaraki, mas em espanhol que se encontra facilmente se chama francesco de Assis
escritos, em espanhol, na uma tradução para o português, para o português, nós encontramos
seus escritos no volume de fontes franceses canas.
mas, como de tão anteriormente, é uma edição um pouco datada.
É isso, então. Agradeço ao Rafael, pelo convite. Agradeço a equipe do Lem. Agradeço a Marina, que está nos acessorando.
E agradeço, principalmente, a você, o Vinte, que nos acompanhou em mais esse episódio dos estudos medievais.
André, nós é que te agradecemos, e é uma roupa, honra, podeu ouvir você falar. Estou certos que os ouvintes também acham mesmo.
Um aproveito para reforçar o Agradeço Mentor, equipe do Lem e a Marina, que nos acompanhou.
E até o próximo episódio do podcast, gente. Até mais.
Podcast Summary
Key Points:
A trajetória de Francisco de Assis está profundamente ligada à história política e social de sua cidade natal, Assis, onde experiências de conflito entre nobres e burguesia moldaram sua formação.
Francisco provavelmente participou de eventos como a guerra entre Assis e Perúdia e foi preso, momento que marcou uma transformação na sua vida e na sua visão do mundo.
A conversão de Francisco ocorreu em um processo gradual, com eventos como o encontro com os leprosos, que representaram uma experiência de compartilhamento de sofrimento e transformação espiritual.
O carisma franciscano é fundado na "minoridade" — a vida de pobreza, obediência e humildade — e é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma inovação herética.
Francisco não foi visto como um herético por autoridades eclesiásticas devido à sua absoluta submissão à Igreja e à sua ideia de vida como minoria, que respeitava a hierarquia e a liturgia.
A produção escrita de Francisco é limitada, com apenas cerca de 32 textos autênticos reconhecidos, e muitos deles são frutos de tradições orais ou redações de terceiros.
A memória de Francisco é construída de forma dinâmica e divergente por diferentes tradições geográficas, com conflitos entre versões autorizadas por Roma e outras que refletem a experiência dos companheiros.
Francisco tornou-se um símbolo universal, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, sendo adotado na cultura laica e ambiental como figura de empatia e cuidado com os outros.
Summary:
Francisco de Assis é uma das figuras mais influentes do cristianismo, cuja vida e carisma estão profundamente ligados ao contexto histórico e social de sua cidade natal, Assis. A cidade, marcada por tensões políticas entre nobres e burguesia, desempenhou um papel decisivo na formação de Francisco, especialmente durante sua prisão e na experiência de conflito com os leprosos, que se tornou um ponto crucial de sua conversão. O carisma franciscano, baseado na "minoridade" — vida de pobreza, obediência e humildade — é apresentado como uma realização do Evangelho, não como uma ruptura com a Igreja.
Francisco demonstrou absoluta submissão à hierarquia eclesiástica, o que o protegeu de ser considerado herético, mesmo diante de movimentos de vida marginal. Sua produção escrita é limitada, com poucos textos autênticos, e a memória de sua vida é construída de forma fragmentada e diversa por tradições geográficas, com conflitos entre versões oficiais (como a "Legenda Maior") e outras que refletem a experiência dos primeiros companheiros. Hoje, Francisco transcende o campo religioso, sendo influenciado pela cultura popular e ambiental, especialmente em contextos de pobreza e marginalidade, como no Brasil e nos Estados Unidos.
Ele é visto como um símbolo de empatia, cuidado com os vulneráveis e diálogo com a natureza, tornando-se um personagem universal de grande ressonância cultural e identitária.
FAQs
Assis é um microcosmo das transformações políticas e sociais da Itália no século XIII, com forte influência do movimento comunal e tensões entre nobres e burguesia. A história da cidade moldou diretamente a trajetória de Francisco, especialmente durante sua juventude e período de prisão.
Francisco nasceu em uma família de comerciantes de tecidos. Seu pai, Pedro de Bernardone, era um comerciante, e a família tinha vínculos com a cultura burguesa. A infância de Francisco foi marcada pela influência da cultura francesa e do comercio, além de uma formação intelectual básica, com capacidade de ler e escrever para fins profissionais.
A conversão de Francisco ocorreu por volta dos 24 ou 25 anos, marcada por um encontro com os leprosos. Ele descreveu como ver os leprosos como algo amargo, mas que, ao praticar misericórdia com eles, transformou-se em doçura. Esse ato foi fundamental para o início de sua vida de pobreza e de caridade.
O movimento foi baseado no conceito de "minoridade" — viver como um menor, submisso a todos, com pobreza, obediência e humildade. Essa forma de vida era entendida como a simples aplicação do Evangelho, e não apenas como pobreza material, mas como uma forma de vida cristã e de santificação.
Embora houvesse tensões e interpretações heréticas, Francisco não foi visto como herético. Ele demonstrou absoluta submissão à Igreja e aos sacerdotes, e foi um aliado da Igreja Romana. A sua forma de vida, embora radical, estava alinhada com a hierarquia da Igreja, evitando conflitos com as autoridades eclesiásticas.
A historiografia reconhece cerca de 32 textos autênticos, como cartas, orações e textos exortativos. Muitos dos textos foram escritos em latim e demonstram uma forma de linguagem simples, com erros que foram corrigidos por amigos como Frei Leão, indicando que Francisco era capaz de escrever, mesmo com pouca formação intelectual.
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