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Estudos Medievais 23 - Heresias

from Estudos Medievais

77m 27s

Estudos Medievais 23 - Heresias

A ideia de heresia tem raízes antigas e evoluiu significativamente ao longo da Idade Média. Originalmente, o termo grego "heresia" significava "tomada" de posição ou cidade, sem conotação negativa, e no início do cristianismo, o próprio cristianismo era considerado uma "heresia judaica". A partir do século 3, o conceito foi transformado, com a heresia associada à heterodoxia e a ortodoxia definida como a verdadeira fé. A heresia, no contexto medieval, não era um erro natural, mas uma escolha intencional, definida pela autoridade eclesiástica. A identificação de quem era herético dependia fortemente do ambiente religioso e político. No século 11, movimentos como os valdenses e cátaros surgiram, mas o termo "cátaro" foi construído pela Igreja como uma invenção para unificar e criminalizar práticas diversas. As heresias escolásticas, no entanto, mostram um fenômeno intelectual onde mestres de escolas usavam a lógica para interpretar a fé, sendo acusados de heresia por desafiar a hierarquia eclesiástica. A narrativa histórica sobre heresias é profundamente apoloética, criada para legitimar a ortodoxia e reforçar a autoridade da Igreja, refletindo tanto a religiosidade quanto os interesses políticos da época. Assim, a heresia não foi apenas um fenômeno teológico, mas um instrumento de controle social e de centralização da fé.

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11033 Words, 66629 Characters

Portuguese
Olá, seja bem-vindos aos estudos medievais, o podcast do laboratório de estudos medievais da Universidade de São Paulo, meu nome é Diego Pereira e no episódio de hoje trataremos de algo que faz parte do nosso imaginário comum sobre a edade média, as eresias. Discutiremos a origem desse conceito, a aplicação dile ao longo da edade média e como algumas eresias em particular foram tratadas pelo poder eclesiástico. Para isso, entrevistaremos o pesquisador Rafael Bosch Batista. Rafael graduado em história pelo Universidade Federal de São Paulo, Mestre e doutor pelo Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é pesquisador de pós-doutorado pelo Universidade de São Paulo e membro do laboratório de estudos medievais. Suas produções são centradas nos estudos sobre a escola e a heresia entre os séculos 11 e 12. Olá, Rafael. Bom dia. Muito obrigado por acertar a participar do podcast. Um dia de rego, eu que agradeço o convite para mim é um prazer imenso conversar com você aqui hoje e também é um prazer imenso poder contribuir com o projeto do podcast de estudos medievais. Rafael, o tema do podcast são as heresias medievais e quando nós falamos de heresias, nós normalmente começamos a tentar conceituar essa palavra, que de vez em quando aparece, mas nós não sabemos muito bem o que ela significa. Então a gente pergunta, o que é originalmente a heresia de onde ela vem? Então, Diego, é interessante ser hoje a gente, fiz uma pesquisa nas redes sociais pelo termo "heres" ou mesmo "heresia", a gente vai encontrar diversas mensões e sempre com a connotação negativa, como algo condenável, mas como você já deixou anterver na sua questão, esse não é o sentido original da palavra, o termo "heresia", ele é de origem grega, ele remete ao verbo "Hairil", que significa tomar, então nesse sentido "Haires" é da onde vem a heresia, diz respeito de maneira bem geral, a ideia de tomada, seja de uma posição ou seja de uma cidade. Então, por exemplo, tanto aeródoto quanto do cídeis, tidos para muitos como os primeiros historiadores conhecidos, eles vão utilizar o termo ali no século 5 anos de Cristo, em ambos esses sentidos que eu falei, então, tanto com uma tomada de cidade, ou mesmo uma tomada de posição ou ideia, só que pouco a pouco o sentido do termo, ele passa a aprender mais para esse significado, especificamente a escolha para uma determinada posição, ou a escolha filosófica, a gente consegue ver isso em diversos autores, como, por exemplo, políbeo, dioníso de alicarnaço e sexto empírico, e como não poderia deixar de ser, essa transformação também toca a experiência religiosa, então Joseph, um historiador judêo do primeiro século de anossaeda e uma das principais fontes históricas do período, ele usa o termo para se referir às principais sectas judaicas do período, quais eram os fariseiros, os fariseiros, escênios e os gelotes, né? E de maneira bem semelhante, no atro dos apóstoles, que é o quinto livro do novo testamento e que deve ter sido escrito entre o primeiro terceiro século da nossa era, além do termo raíresse de se referir a essas sectas judaicas, o próprio cristianismo é apresentado dessa forma, né? Ou seja, o cristianismo em suas primeiras eras, era uma raíresse judaica, uma heresia judaica, era heresia dos nas arenos, então, o que isso quer dizer, né? Quer dizer que o cristianismo era uma nova e diferente interpretação proposta daquela proposta, perdão, pelos judeus em relação ao antigo testamento, né? Uma interpretação baseada na certeza de que as promessas desse livro se realizaria na figura de Jesus, tido como Cristo, Messias. Bom, até agora como a gente pode ver raíresse, ela não tinha, o termo não tinha uma connotação pejorativa nesse período inicial, né? É, pelo contrário, em alguns contextos ela podia ser usada de maneira, a palavra para ser usada de maneira positiva. A raíresse, em determinadas ocasiões, podia ser desejável. E é o caso do sexto empírico que eu mencionei agora há pouco, né? No século 12 da nossa era, ele afirmou que o pironismo, uma vertente filosófica sética, ele estava lutando para ser considerada como uma raíresse. E, para tanto, para ele ser considerada dessa forma, ela precisaria ter uma doutrina coerente fundada em princípios racionais que propiciavam a reflexão e a discussão filosófica. Então, a gente foi parar para pensar a denominação raíresse para o sexto empírico. Ela significava o pertencimento a uma espécie de elite intelectual. Só que, no entanto, nesse mesmo período, a raíresse ela já começava a causar preocupação nos autores cristãos. E a gente precisa ter em mente que uma das principais características dos primeiros textos cristãos é uma insistencia muito pesada na ideia de unidade e concordância em torno de uma mensagem delimitada. Isso vai ficar evidente em algumas das epístulas Paulinas que foram escritas na década de 50 e início da década de 60 da nossa era. Por exemplo, na sua primeira carta atimote, Paulo, um dos apósonos escreve que ordenou que nenhuma outra doutrina, que não a de Cristo, fosse ensinada. E ele também associou os adeptos de qualquer outra doutrina, a soberba, inveja, blasfeme, a perversidade. E por isso seria necessário afastar-se dessas pessoas. Que maneira similar em uma, em suas epístulas gálatas, ele escreveu, e aqui eu sinto, ainda que nós, um anjo do céu preguem um evangelho diferente daquele que eles programamos, que seja maldiçoado. Fim de citação, né? Então, como eu já mencionei, essa não era uma preocupação exclusiva de Paulo. Há uma série de autores cristãos que trataram do tema de maneira muito similar, com foram os casos dos bispos Clemente de Roma, Inácio de Antioquia e o Policarpo de Esmirna. Então, fica claro que, no contexto do cristianismo, a existência de raíresse, ou seja, interpretações distintas daquela ativa como fundadora, era inadimissível. Isso fica particularmente evidente quando o campo semântico da palavra Erezia foi aproximado daquele de um outro termofundamental pra gente compreender a história do cristianismo, que é heterodoxia. E assim como Erezia, a origem do termo heterodoxia, ela é grega, e ela é fruto da junção de duas palavras. É heterodoxa. Bom, como você já deve imaginar, é hetero, é aquilo que difere o diferente. Doxa é um, a gente pode traduzir como um conjunto de opiniões ou crenças comuns que são partilhadas. No entanto, as similariidades entre heterodoxia e Erezia param por aí, porque até onde a gente pode rastrear o primeiro uso de heterodoxia, que é de platão, inclusive, era um, em um sentido que o pejorativo, heterodoxia, era entendido como tomar um pelo outro de modo formar um opinião falso, então era um engano que formava um opinião falso. Os primeiros autores cristãos vão utilizar o termo de maneira muito similar. A heterodoxia, ela vai ser associada ao que era atido como entre aspas, doutrinas estranhas. E a gente encontra esse uso, por exemplo, já mencionada Episplod Paulo Atimote e uma carta também do Bispodante Okia, que eu já mencionei. E vai ser imedios do século 3, que o termo Erezia começa a ter o significado que conhecemos hoje em dia. Eu, Zebe, de Cesareia, imedios desse século, vai ser importante pra isso por duas razões. Em primeiro lugar, ele vai associar diretamente Erezia a heterodoxia, porque a seu ver seriam os mestres heterodoxos, os responsáveis pelo surgimento das Erezias. E em segundo lugar, preusébio, aqueles que se dedicavam a refutar a combater esses mestres heterodoxos, seriam os defensores da fé ortodoxa. Ao contrário que a gente poderia esperar, o Antónimo de heterodoxia não é homodoxia, que a gente poderia traduzir como uma opinião igual, mas sim ortodoxia, né? Ortonos do grego, ela pode ser traduzida como correto verdadeiro. Eu, nesse sentido, a ortodoxia é a crença correta, é a leve verdadeira. Desse modo, eu retomo a pergunta que você fez e me fez jogo, e aqui a gente precisa fazer uma distinção fundamental. O que é Erezia? Por mais que tenhamos diversas definições de Erezia na idade média, elas diferem pouco entre si. De maneira geral, a Erezia é escolha de uma interpretação distinta daquela tida como ortodoxa, ou verdadeira. Só que não é entanto definir aquilo que é tido como herético, é mais complexo. Uma vez que a ortodoxia cristã estava em plena construção por assim dizer, durante a idade média. Essa é uma construção que devia muito as Erezias, já que elas ajudaram a delimitar as fronteiras entre a eterodoxia e a ortodoxia. Então, as palavras do Apóstol Paulo e aqui o Sito convém que a Erezias para que se veja o que se deve aprovar em ser a recitação, né? Mas aqui é muito importante terimente que o processo de construção da ortodoxia cristã foi um processo profundamente social e político, de modo. que um posicionamento tido como ortodoxo em algum determinado contexto pode não ter sido interpretado da mesma maneira em um outro contexto. Portanto, a definição daquilo tido como heresia está diretamente relacionada à sua geografia religiosa e política. Rafael, você fala de escolha, você fala de posicionamento, e isto inclusive é Paulo, os epísoos que vão escrever, e também os ebra de vocês ali. Quem é que vai tomar esse posicionamento? Quem são as pessoas? Quem é que ensuma? Quem é que pode ser um hered? O hered, Diego, é de maneira geral aquele que, de uma verdade universal, faz uma seleção consciente, seja para duvidar e negar, ou pelo contrário, para enfatizar em detrimento conjunto dessa verdade. Mas podemos dizer que, para alguém ser considerado como hered, há três equisitos. Em primeiro lugar, é preciso ser cristão. Técnicamente, judeus e musulanos eram considerados como infiões, pois não aceitavam a entre aspas verdade e cristã. Por isso, eles não eram tido como heredes, mas é interessante que em determinados contextos, isso pode variar. É possível, por exemplo, encontrar menções no século II e a musulmanos como heredes. Mas, e aqui, o repito, judeus e musulanos não são, técnicamente, heredes, mas sim, infiões. Já em segundo lugar, o hered, ele precisa ter sido administrado, ou seja, precisa ter sido repreendido. Aquele que creem algo que não é verdadeiro sem saber que está no erro, ele não pode ser considerado como hered. Só é um hered aquele que já tem sido avisado sobre seu erro, persiste nele. O hered, portanto, é o sujeito que se obestina no erro. E essa é uma definição que está presente desde a tradição testamentária. Por exemplo, no livro de títulos, a gente tem que é preciso, primeiro, admoestar o hered, ou seja, alertar o hered. E caso ele persista no seu erro, a gente precisa se afastar dele. Então, portanto, desde o princípio, as marcas do hered, vão ser a desobediência, o orgulho e até em musia. Nesse sentido, a heresia é uma escolha egoísta, que se opõe a uma obediência altruísta aos ensinamentos de Cristo e a autoridade apostólica. E aqui, a gente chega no terceiro e mais importante requisito. A heresia, ela não é um dado da natureza, pronta a ser descoberto. O hered, ele só se torna a hered, através de uma decisão deliberada. O hered, ele só é hered, aos olhos do outro, e sempre do outro. Então, nesse sentido, a gente pode dizer que a heresia é debatida, ela é negociada. E, sobretudo, isso é o fundamental, ela é construída por esse outro. E aqui, a gente precisa deixar bem claro, quem é esse outro? Esse outro é autoridade eclesiástica. É igreja. Portanto, o hered é acima de tudo aquele que foi definido como tal pelas autoridades eclesiásticas. E tal definição, não era somente repaltada pela dimensão teológica do que estava em jogo. Como eu já falei anteriormente, aqui, a identificação do que é tido como heresia ou de quem é qualificado como hered, vai depender tanto da geografia religiosa do fenômeno quanto da sua geografia política. É excelente, foi o que nós falamos de heresia, do que é hered, imagino que nós resolvemos agora um quadro. Nós ficaríamos conseguimos imaginar as características de uma hered, mas quando a gente fala de idade médio, não são sono do de mil anos, e quando nós olhamos para a idade médio, se nós olhamos agora, nós encontramos em todos os períodos da idade média, em quais momentos que ele fala de heresia na idade média. Todo o período que se convencionou da denominar idade média se falou em heresia. Só que isso não quer dizer que ela foi a mesma nesses dez séculos. Ela não foi concebida e empregada da mesma forma. Seus os sociais, políticos, religiosos foram muito distintos, por isso e por mais óbvio que isso pareça, para compreender porque alguém ou algum posicionamento é tido como herético, a gente precisa observar esse fenômeno nos processos históricos mais amplos. Tipo isso, eu repito, a heresia foi uma constante no período medieval. Por essa razão não é de se treinar, que ela foi descrita como a hidra de lerna, é uma criatura mitológica cujo o corpo de dragão era acompanhado por várias cabeças de sepente que caso de captadas se regeneravam. Então eram assim que as autoridades e que eles acham que é incarável e apresentavam heresia. Por mais de captada que fosse, a heresia ela sempre ressurgia com outras fases. E aqui é interessante a gente notar que essa hidra, ela nem sempre foi igualmente violenta, ou dito de outro modo. Durante a idade média, a gente pode dizer que houve momentos de surtos heréticos períodos em que os relatos sobre heresia se multiplicam, em que ela parece estar por toda a parte. Já em outros momentos, a gente quase não se fala em heresia. São dois períodos de grande referência herética. O primeiro deles tem início junto do próprio cristianismo e dura até finais do século 5. Já o segundo tem início no final do século 10 e se prolonga até o século 15. Isso não quer dizer no entanto, que entre esses dois períodos, houve qualquer tipo de controversa do trinal ou mesmo a menção heresia. Por exemplo, no século 8 temos relatos de que na península iberica houve a deciminação do adocionismo, uma doutrina não trinitária, e por isso considerada como herética pelas autoridades ecclesias. Ainda nesse século só que na Poula França há um outro relato que menciona um certo adeuberto, que teria sido o desposto do seu cargo por conta do seu comportamento não ortodoxo. Ele teria supostamente vendido como relíquia esperança das suas unhas e fios do seu cabelo. Já no século 9 a gente tem uma controver seu carística entre passa-cazio radiberto e ratrâmo de corb, que embora não tenha tido qualquer menção formal heresia, no século 11 esse debate vai ser retomado e vai ser marcado pela troca de acusações de heresia. Portanto, fica claro que o momento entre esses dois períodos de grande e fervescência herética também teve suas controversas doutremais. No entanto, tudo parece levar a crer que as formas de cilidar com posições doutrinais etorodoxas entre o século 7 e o século 10 se deverou menos ao recurso da heresia e sua repressão e mais uma tentativa de reintegração e corressão dessas posições. Ótimo, vamos falar então sobre os dois períodos, seja o período iniciado do início do cristianismo e depois do século 11. A começar pelo primeiro, o que foram essas heresias? O que foram as primeiras heresias do cristianismo? Tiego, os primeiros séculos do cristianismo são marcados pela identificação de dezenas heresias, isso se deu em grande medida porque o cristianismo estava se formando e precisou limitar suas fronteiras doutrinais, especialmente em relação aos credos politeistas em relação ao monoteismo judêo que comparada ao cristão pode ser entendido como radical. Afinal de contas, o deus cristão, ele é uno e trino ao mesmo tempo. E isso abriu uma infinitude de possibilidades de interpretações, a respeito das relações entre os três componentes da trendade e como eles constituiriam uma unidade. E a medida que aqueles que vieram a ser considerados como os pais da igreja estabeleciam essas relações, as interpretações divergentes foram especificadas, catalogadas, enquanto elas iam se amontoando e sobretudo elas estavam sendo combatidas. Isso fica, particularmente evidente, a partir do século 2 de nossa era, com o surgimento de um gênero literário dedicado ao fenômeno, que são os tratados heresiólogicos. O primeiro dele é de autoria do bispoir e neudilhão titulado contra as heresias e que foi escrito por volta de 180, que é um testemundo das diversas tendências doutrinais daquele período. Se a gente avança um pouquinho para o século 5, agostinho de Pona, ou mais conhecido como Santa Gostinho, ele chega a catalogar em uma da suas obras a existência de 88 heresias diferentes. Mas por hora, voltemos ao Herineu e ao século 2. O seu contra-heresias, como eu disse, é um retrato das diversas tendências doutrinais daquele momento. O objetivo da sua obra é o combate à refutação da posição dos guinósticos. E para isso, ele vai linkar uma série de sistemas que, aqui em interessante, ele próprio qualificou como guinóstico. E aqui em interessante notar que essa qualificação é um tanto artificial. Uma vez que a gente não consegue comprovar o caráter guinóstico de alguns dos posicionamentos mencionados por Herineus. E os guinósticos, eles não possuíam uma homogeneidade. Eles compuíam vários movimentos simcréticos que absorveram diversas traduções intelectuais e religiosas da época. Por exemplo, a filosofia lênica e em especial platão, cultos pagãos, judaísmo ou então, nascentes cristianismos. Os guinósticos, e aqui também interessante, não foram alvo apenas de Ireneu, mas, no geral, os primeiros textos antiharéticos do cristianismo foram direcionados a eles e atacaram o fato dos guinósticos, e aqui sempre bom lembrar que essa homogeneidade pode ser artificial. Então, eles vão atacar o fato dos guinósticos de defender a existência de uma verdade acessível apenas a poucas pessoas, e também por defenderem que Cristo apenas pareceu ter sofrido na cruz, ao invés de ter sofrido de verdade. Uma das principais questões em jogo nos primeiros séculos do cristianismo foi estabelecimento de uma precisão a respeita da natureza divina e humana de Jesus Cristo. Isso a gente retome em breve. O que cabe em mencionar aqui e voltando a Ireneu novamente é que um dos aspectos mais interessantes da sua obra é que nela é que se estabelece que o combate contra as heresias, desrespeito a hierarquia eclesiástica, cabe aos bispos defenderem a fé cristã, uma vez que ela é garantida pela sucessão do carismo e psicopal. Afinal, os bispos descendem diretamente dos apósticos, portanto, desde o seu princípio, o que estava em jogo em meses de debate sobre a heresia era a tradição apostólica, a autoridade e a psicopal e a catolicidade, ou seja, o consenso a respeito dos aspectos ou trinais do cristianismo. A partir do século IV de nossa era, a gente consegue notar uma mudança bastante interessante no âmbito das heresias e, de maneira geral, um momento divirada na história do cristianismo com a conversão de Constantino, em Perador Romano e no ano seguinte o editor de Milão que garantiu a liberdade de cultos aos cristãos. Antes de Constantino, aqueles que escreviam sobre e condenavam as heresias eram eles próprios sujeitos à condenação e perseguição por conta da sua fé. Após Constantino, o combate heresia passa a contar com um apoio poder circular. Então é interessante a gente notar que a invenção da heresia é anterior a criação dos métodos das formas dos meios de perseguila. Aliás, a noção de heresia surge em meio à perseguição que o próprio ministro estava sofrendo. Já em 312, a gente tem um exemplo bem interessante do uso do poder circular com a atuação direta de Constantino. O então, em Perador, ele supervisionou um grupo de esbiscos que estavam resolvendo uma disputa pelo Bespado de Cártaro. Dos partidos envolvidos, aquele que saiu perdendo acabou sendo posteriormente tachado como heresias do natistas e teve isso, aguentar investidos dos exércitos imperial, que levaram com fisco de igreja as tidas como do natistas e uma série de assassinatos. É interessante que a origem da disputa entre esses dois partidos remonta as últimas perseguições que os cristãos do norte da África sofreram. No governo do emperador de oqueceano, as forças imperiales obrigaram o clero Cartaginense a entregar seus textos sagrados. Com fim da perseguição, a comunidade que está na região se viu dividida em relação à reação a entrega dessas obras. Para a parte dessa comunidade, aqueles que haviam sucobindo por as demandas imperiales eram traidores do cristianismo e, por isso, eles teriam perdido toda essa autoridade espiritual e, consequentemente, todos os sacramentos por eles administrados haviam perdido o seu valor. Já para outra parte da comunidade, a autoridade do bispo, que é transmitida, repito pela sucessão apostólica, ela nunca seria perdida, independente das ações ou qualidades pessoais do bispo. A comunidade se rompe de vez quando em 311, Ceciliano, cuja o seu superior havia cilinetificado como um desses traidores, eleito bispo de cártago. O partido opositor, em resposta, resolve eleger seu próprio bispo, e é nesse contexto de plena sissão que Constantino interveiu em favor de Ceciliano e o partido opositor é eletificado como herético. Além de ter se envolvido diretamente no combate e, porque não, na execução daqueles tidos como heredis do natistas, Constantino também presidiu o primeiro concilho econômico do cristianismo, o concilho de Iniciaia realizado em 325. Entre tantas coisas, um dos seus objetivos foi por fim aos debates cristológicos do período, em especial posição diário, um diácono da Alexandinha que estava se tornando muito popular. A sua interpretação propunha uma profunda distinção na treindragem entre o pai e o filho, sendo esse último inferior ao pai, porque o pai era atiro como o único Deus. O concilho, ele condenou como herética, essa posição, que ficou conhecida posteriormente como areanismo, e o concilho também vai estabelecer que o pai e filho, eles partilhavam de uma mesma substância. O grande problema é que a solução proposta em Iniciaia ela esteve longe de resolver as dúvidas de os debates. Deus pai e Deus filho, realmente possuiam apenas uma essência ou possuiam essências similares. De Jesus Cristo, ele possui uma natureza humana e divina ao mesmo tempo, ou ele possui duas naturezas distintas. A gente poderia falar em três pessoas distintas na trindade como uma única substância, ou isso seria uma forma de triteismo. Dessas questões surgiram uma infinidade de interpretações e muitas delas, cedo ou tarde, foram classificadas como heréticas, com foram os casos do Apolinarismo, Nestorianismo, Euticianismo, Monofisismo, entre outros. Além disso, o fato do areanismo ter sido condenado como herético não significou o seu fim. Uma vez que parcelas consideráveis da Europa haviam sido convertidas ao cristianismo e um momento com a areanismo não era tido como herético, e portanto, partilhavam dessa interpretação. Pois se é por essa razão que Gregório de Turus pode falar em uma coexistencia do areanismo e do cristianismo no final do século 6. Mas é fato que pouco a pouco as menções a existência da heresia vão hariando até ressurgirem com grande intensidade na virada do século 10 pro 11. Então, aqui cabe repetir o que eu já falei. As heresias tiveram um papel fundamental na história da igreja. A através dela delimitou-se aquilo que passou a ser entendido como a doutrina correta cristã. Portanto, o que estava em jogo e meia construção das heresias nesse primeiro momento foi estabelecimento de um consenso do ultrinal e também o respeito à tradição apestólica e consequentemente a autoridade episcopal. Afael, no caso dessas heresias antigas, você resumiu muito bem agora no final, né? Está em jogo um consenso do ultrinal. A partir do século 11, esse novo momento de effevescência de heresias na Europa medieval e cristã, a partir desse momento quais são as heresias, o que são as heresias a partir do século 11 e quais são as diferenças delas em relação a essas antigas? Bom Diego, eu vim. A gente volta ouvi falar de maneira acertiva sobre heresias com a obra "Histórias", escrita no início do século 11 pelo Monge Raul Glaber. Em seu texto, a gente tem o relato de quatro casos de heresia. A gente tem o caso do campanês leotardo, né, que se recusou a pagar o dísimo e convenceu os seus vizinhos a fazer o mesmo, ele expulsa a sua mulher de casa, ele ataca a cruza e a imagem de Cristo. E após ter sido abordado pelo bispo da região, ele acaba recorrendo a suicídia, né? O segundo caso é o devilgado, que é um clérgo que havia se encantado de tal modo pela gramática, que ele havia começado a ensinar doutridas contrárias a fé com base nas obras de virgilho, orácio e juvenal. Seus ensinamentos teriam sido o proponsoor de um movimento herético que teria sido, enfim, debelado com o fio da espada, com execução de várias pessoas. Já o terceiro caso, é o caso do Castelo de Malforte, na atual Itália, em qual um grupo de homens e mulheres que compartilhavam seus bens, exaltavam a castigaidade e praticavam o jejum. O último caso é o de Orleans, no qual o rei Roberto Pio ordenou que 14 cônegos da catedral da cidade fossem condenados à fogueira, no que é o primeiro caso conhecido de condenação de herégesa, esse tipo de execução. O Raul Glaber, em sua obra, ele procurava sinais, sejam eles positivos ou negativos do mileno da encarnação, da paixão de Cristo. Por essa razão, não seria de todo absurdo, a gente imaginar que os seus selatos sobre heresias que estavam em meio a outros selatos de crise de fome, cannibalismo, etc. foram criados justamente ou distorcidos para serem apresentados como estáis sinais. Só que o interessante é que os casos os joelhas e de mão forte mencionado. também aparecem outras fontes do período. Além disso, há relatos de um quimpo caso de heresia nesse período, que não é mencionado por Hogwarts. Nesse caso, um grupo de leigos defendiam posições a respeito da Ocaristia e do Batismo, que seriam heterodoxos. E aí, o Bispa da Região após confrontar esse grupo e convencer-los e seus erros teria feito esse grupo pedir perdão, de modo que eles são reintegrados à fé correta. Dos relatos que temos a respeito desses casos, uma coisa salta aos olhos. A heresia nesse momento é uma preocupação dos monjes. O discurso antihéético desse momento é, em sua essência, um discurso monástico. Os monjes se viram de uma religiosidade lega que se baseava na imitação dos apóstos, era sustentada em jejums e preces continuas. Essa religiosidade passa a rejeitar o sacramento da miss, uma vez que a liturgia cada vez mais escantiava os leigos em função de um corpo que eles acham que estava crescendo no momento. Por fim, graças ao avanço, por mais ínfimos que eles tenham sido do letramento, isso permitiu com que essa religiosidade lega pretender esse ter acesso direto aos conhecimentos bíblicos. É inegável que o poder sacerdotal estava avançando pela Europa nesse momento, mas é igualmente inegável que esse poder estava encontrando a resistência. Se a gente avançar algumas décadas, a gente vai ver que a questão de herosia se torna cada vez mais complexa. E um momento em que a igreja se via em processos de reformas internas e de plena embate contra o império, a heresia foi um importante instrumento político. Então partidários do imperador foram com alguma frequência acusados de heresia. Além disso, uma das formas utilizadas pelos partidários do Papa para combater práticas, as práticas do casamento de padres, que é conhecido como unicolaísmo e da compra de cargos eclesiásticos, que é conhecido como a simonia, foi através do estabelecimento dessas práticas como heresia. Aliás, e é que é interessante que o combate e a simonia e a unicolaísmo em alguma medida, ela fugiu do controle de autoridades eclesiásticas, e os reformistas mais sedicais por assim dizer, serão eles próprios acusados como fósseis os apóstos por defenderem um modo de vida acético e vão ser acusados também de devacidão por seguir e atradissão apostólica de acolher tanto homens como mulheres e por isso eles vão ser classificados com heréticos. Se a gente avança para a primeira metade do século XII, ainda encontramos a existência ao poder sacerdotal em dois casos de heresia. O primeiro deles é o de Pedro de Bruí, que teria começado a pegar ali no início da década XII e ele supostamente recusava o batismo infantil, a existência de lugares consagrados, a eucaristia, a liturgia funerária e a cruz enquanto o objeto de adoração. E meio a uma das suas pregações, o Pedro ele teria iniciado uma fogueira para destruir as cruzes da cidade, no entanto, parte dos seus habitantes furiosos com a ação do pegador supostamente teriam arremeçado, ele nasixamos que ele mesmo havia sentido. E, ao segundo caso, é o do Henrique de Lausanne, que ele supostamente seria um seguidor do Pedro de Bruí, que não somente pregava posições muito similares do Pedro, mas ele também pregava contra as posses materiais dos bispos e contra o poder de atar e desatar dos acerdotes. E ao contrário do que supostamente aconteceu com o Pedro, o Henrique passa por processos formais de investigação e ele é condenado por Erezia em 1334, quando ele é obrigada a objorar dos seus posicionamentos. Mas pouco tempo depois, ele volta a pregar até que ele é condenado novamente em 1448, o casinho é que ele fica preso até o final de sua vida. De maneira geral, no século 12, o papado assumiu o protagonismo no combate às Erezias, o que se faz ver nos diversos concílios que dedicaram parte de seus trabalhos aos temas da Erezia e as budas publicadas sobre esse respeito. Em seus programas, a Igreja social não somente com uma instituição que nunca errou, mas também com uma instituição que ela nunca erreria. Além disso, aquele que não reconhece as decisões do papado seria visto como Erezia. Por isso, a partir da segunda metade do século 12, deixa de haver a margem para uma interpretação divergente das sagradas estruturas, ou deixa também de haver a possibilidade de que movimentos religiosos existissem sem uma autorização das autoridades eclesiásticas ou do papado. Esses movimentos, eles passam a receber nomes específicos atribuídos pelas autoridades eclesiásticas. E são vários, como, por exemplo, os patarinos, arnaldistas, Josephine, passagem, valdenses e cataros. Por uma questão de tempo, eu acho que vale a pena a gente centrar apenas nesses dois últimos que eu mencionei. Os valdenses, ou como também foram conhecidos, os pobres de Lyon, eles tiveram início com as pregações de um certo valdo. E sua trajetória, ela ilustra muito bem a postura que a igreja passou a tomar em relação aos movimentos divergentes. Em 1774, o valdo, que era um rico mercador na cidade de Lyon, se converteu e doou todos os seus bem-spares para os pobres, ele ordena que suas filhas se tornam monjas, que com a ajuda de alguns intelectuais ali da região, ele traduz a evangelha de São João para o Provençal, e passa a pregar sobre a pobreza. Ele e mais outro dos seus seguidores vão para um concilho em Roma solicitar oficialmente uma permissão para que ele pudesse pregar. O Papa permitiu a pregação com tanto que ele recebeu esse consentimento do seu archivismo, o que acaba acontecendo. E é interessante que esse consentimento acontece mediante uma profissão de fé do valdo, que é tida como ortodoxa. Até aqui, a história do valdo de seus seguidores é muito similar a do cérebro Francisco de Assis, que foi posteriormente canonizada. Francisco, ele era filho de um mercador italiano, ele também passa por um processo de conversão e acaba renunciando de seus bem-s e pregando, em favor, da pobreza evangelica. A trajetória do valdo do Francisco difere em dois pontos fundamentais. Como eu falei, o valdo recebe a permissão para pregar, após ter feito uma confissão de fé que foi considerada ortodoxa pelo Arcebispo, e valdo ele consegue pregar, com autorização e clesiasca, até aproximadamente 1882, quando o Arcebispo que havia atorizado ele a pegar faleceu. O seu sucessor, o sucessor do Arcebispo, não só a retirar a permissão de pregação do valdo, como também expulsa ele e todos seus seguidores da cidade. Apesar disso, o valdo e seus seguidores continuam a pregação com a defesa de que eles preferiam obedecer a Deus, ao invés de obedecer os homens. A pregação do valdo se expande e alcança diversas regiões da França e da Itália, o que leva a coronação dos valdenses como heréges em 1884. Então, a primeira diferença entre as trajetórias de valdo e de Francisco é que Francisco nunca defendeu que a pobreza era uma necessidade espiritual para todos os cristãos, incluindo as parcelas mais ricas do claro, ao contrário do que valdo supostamente pregou. A segunda diferença é que valdo e os valdenses se recusaram a reconhecer a proibição do arcebisco de Lyon, enquanto que Francisco repetidamente se submete a oportunidade eclesiástica. Então, nesse sentido, senti lembrar que valdo produziu uma profissão de fé que foi aceita, como ortodoxa para um arcebisco, fica claro que a desobediência e autoridade eclesiástica poderia ser identificada como heresia, independentemente do ortodoxia da posição em questão. Quanto aos cátaros esse termo é utilizado pela primeira vez, nesse segundo grande momento de heresias, em 1663, nos sermões de um monjo alemão. O monge vai se basear muito numa obra de Santo Agostinho, no qual o termo cátaro, cuja origem vem do grego e significa puro ou perfeito, foi utilizado para descrever alguns grupos tidos como heréticos no século IV. Imagem clássica que se tem dos cátaros, é que eles são produtos de uma pregação de missionários bogobilitas na Alemanha. O bogobilismo foi uma aceita cristanginógica que teria surgido ali em Meso, século X, e que de maneira bem geral, tinha uma leitura maniqueista do cristianismo. E aqui, o preciso fazer outro paralelo. O maniqueismo propõe uma profunda distinção entre o mundo físico e o mundo espiritual, de modo que se poderia falar na existência de dois deuses. Um bom, responsável pela criação do Espírito e um outro deus ruim, mal responsável pela criação da matéria. O maniqueismo foi um movimento de grandes sucenso, Santo Agostinho chega a ser adepto dele, Mas que posteriormente esse movimento é difícil. como heréticos nos primeiros séculos do cristianismo, voltando aqui ao Bognomilismo. Esse movimento teria tido um grande sucesso, no que é hoje a Alemanha, e ele teria se espalhado até chegar na atual França. Então, portanto, o catarismo, ele seria a vertente ocidental desse Bognomilismo, e eles desprezariam tudo associado ao Deus da matéria, o Deus do mundo físico. Além disso, eles recusariam todos os sacramentos da igreja, eles estabeleceriam os seus próprios sacramentos, além de terem também estabelecido uma organização herarca bem sofisticada, com bispos e uma divisão entre perfeitos, e daí vem o uso do termocátaro, e os simples crentes. Inclusive, esses perfeitos, eles praticariam um acetismo rigoroso, eles seriam contrários ao União Sexual, já que ela, supostamente, perpetuava a vida terrestre, uma ilusão satânica, e eles também praticariam três vezes ao ano a Quaresa. Quanto a partida, os crentes, eles não precisariam ser tão rigorosos, eles tinham regras para jejoar, e não podiam comer carne, ovos e leite. Só a principal obrigação seria adorar esses perfeitos, e alimentá-los, já que os perfeitos, eles não poderiam trabalhar manualmente. Como eu falei, essa é a imagem clássica que você tem dos cataros. O problema dessa imagem é que ela é cada vez mais contestada. A evidência documental que temos sobre esses supostos contatos direto entre movimentos de Europa Oriental e da Europa Cidental, e sobre uma suposta igreja catar, que seria muito bem organizada, é uma evidência documental muito fraca. A única fonte que não foi escrita por clélegos ocidentais e que indica esses contatos coriante europeu, e que mencionam uma estrutura e erárquica sistemática entre os cataros, parece, segundo os estudos mais recentes, ter sido um documento forjado. Além disso, o próprio termo catar, ele é muito suspeito. Ele só foi empregado pelos seus acusadores, e também não era o único termo empregado. Encontramos o termo simplesmente herégio, ou háubigências que faz referência à provenência geográfica desses supostos herégios. E os registros que temos em que aqueles tidos como cataros se identificam, eles próprios não utilizam termo cataro para se identificar. Então, de maneira geral, o termo cataro e consequentemente o termo catarismo, é uma invenção ecclesiástica, que buscou da conta e homogenizar um conjunto muito diverso de práticas e credos, que existiram ali entre os séculos 11 e 14 no interior da igreja ocidental, seja da região do reino a apenas libera, incluindo também a inglaterra. E essa invenção, ela foi capaz de construir um mito poderoso. E esse mito é a imagem clássica com o cabelo de apresentar o catarismo. A existência de uma igreja cátria, vinda d'Oriente capaz de ameaçar a verdadeira e sante igreja. Um dos objetivos da construção desse mito era de submetrar regiões que gostavam de alguma autonomia em relação ao papado. Isso vai causar uma atenção particularmente violenta no sul da França. Um legado papal foi enviado para a Toulouse, com intuito de atreir o seu comde, Raimundo VI, para a esfera de influência da Serra humana. No encontro, ele não foi nada mistoso e acabou com a escomunha do comde. O legado ao retornar para a Roma, ele é assassinado no meio do caminho, supostamente por um cavaleiro desse comde. Em resposta, a gente tem 1.09, o papa inocício terceiro, convocando a macrosada contra os heredis. E essa vai ser a primeira cruzada direcionada contra cristãos. O alvo da cruzada era justamente o condado de Toulouse, um principado independente e objeto de desejo. Tanto doceis da França quanto d'Angela Terra. E o papa promete terras do condado com o Prêmio aqueles que participassem da cruzada, o que foi incentivo bastante para alguns varões do norte da França. O Conde Raimundo VI, ele se reconciliu com a igreja assim que as tropas cruzadas se aproximaram de seus domínios. E isso permitiu que ele mantivesse seus bens. No entanto, o seu subrinho, um visconde, ele não se reconcilhou a tempo. E por isso ele acaba sendo atacado, preso e morrendo no cárcere. As suas terras e títulos foram consideradas como prêmio a um dos varões que participaram dessa cruzada. Essa forma, particularmente violenta no lidar com a heresia no sul da França, ela está diretamente relacionada à autonomia da região, seja no âmbito político ou religioso. Tanto para o papado, como para os seus vizinhos poderosos, o condado de Toulouse era algo que precisava ser soprimido. A heresia, que depende tanto de fenómeno sociais, quanto espirituais, ofereceu ao clero e aos varões da região os meios de submeter esse condado. Como deixei evidente a cruzada, o século 13 é marcado por um acirramento do combate aos movimentos divergentes. E o já mencionado papi no senso terceiro, ele assume um grande papel nisso. Como eu já disse, ele foi o responsável por convocar a cruzada contra os hereses no sul da França. Além disso, em uma das suas bulas, ele associou a heresia ao crime de léssima gestade. Permitindo com que as penas associadas esse crime pudessem ser utilizadas no caso da heresia. E entre essas penas estavam o confisco de bens, a exclusão de funções públicas e etc. No século 13, a gente tem também, já sobre pontificado de Gregorio Nono, a criação da inquisição entre 131 e 133. A inquisição era um organismo que dependia apenas do papo e que retirava do imperador, ou de qualquer outro detentor do poder público, a possibilidade de decisão e matéria doutrina, a equisição, ela respondia somente ao papo e permitia com que ele pudesse interferir em todos os lugares sobre o pretexto da defesa da fé. Sobre direção das ordens dominicana e franciscana, a inquisição produziu uma rica tradição textual com manuais, práticas e resumos, nos quais figuravam quase toda a população decidente do período. A confissão era tira como a prova superior, por essa razão os acusados eram forçados a dizer a verdade, mas essa era a verdade de seus juízes. A confissão era obtida por meio os bastante violentos, seja através do aparelho judiciário, da pressão carcerária e da tortura que vai ser legalizado em 1252. Entre 1280 e 1330, a gente pode falar em uma virada demonológica, no qual entrou em debate a possibilidade de práticas mágicas e invocações demoníacas serem consideradas como heresias. E aqui é interessante que o diabo até então não era um traço fundamental do cristianismo. Isso vai começar a mudar quando os teólogos passam a defender a possibilidade do estabelecimento de um sacramento diabólico. A através de um pacto acordado entre o heresio e o diabo. A consequência disso é que a heresia quer até então precisava ser espelícita para ser julgado e condenada. Ela poderia consistir agora no ato de estabelecer um contrato ou um pacto. Em outras palavras, a heresia poderia consistir na capacidade de engendrar as sociações e comploz. Isso vai levar a procedimentos excepcionais de inquérito e um recrudecimento da repressão dos tribunais intisitoriais, o que vai abrir as vías para que a gente pode chamar de loucura persecutória da igreja em relação às bruxas nos séculos 15 ao 17. Enfim, de maneira geral a gente consegue ver que as heresias, ou melhor, as práticas e os discursos antideréticos, foram fundamentais para a centralização da igreja e eles também foram instrumentos muito eficazes empregados para a defesa de seus interesses e especialmente no combate às resistências à igreja. Foi essa resistência e igreja e essas práticas eréticas que você comenta agora no século 11, elas parecem diferentes daquela senhora que nós vimos no próprio anterior de antiguidade, para elas parecem movimentos mais antigos e lesias mais antigos. E você, em seus pesquisas mais recentes em especial na tese de doutorado, você comenta sobre lesias que seriam adjetivadas como escolasitas. Também é esse período especialmente entre os séculos 11 e 12, mas que seriam diferentes dessas que você acabou de comentar. O que eram as heresias escolasitas? Um Diego e ouvinte, em primeiro lugar, é importante entender o que é escolasita. Eu entendo a escolasita como um movimento intelectual que surgiu com a complexificação da vinda intelectual ali na passagem do século 11 para o 12. Isso se deu graças em grande medida, a expansão da malha das escolas urbanas e a consequente ampliação do acesso a uma formação nas sete artes liberais, ou seja, no trível com a retórica, a lógica e a gramática, e no quadrível com a música aritmética, a geometria e a astronomia. Esse movimento intelectual, fruto do rompimento do monopólio monástico, deducação, passou a aplicar os princípios das artes liberais, para dar inteligibilidade ao mundo natural e sobrenatural. No que diz respeito ao campo teológico, os excolásticos realizavam um esforço de racionalização do cristianismo através do uso da lógica e da gramática. O objetivo era fazer da dita verdade revelada uma ciência ao buscar a espola como um conjunto de processos que respondiam a uma lógica e uma razão compreensível. De maneira geral, a historiografia encarou a escolasca como o maior aparato do processo de veridicção, ou seja, de determinar a verdade como uma atividade cultural e social. A escolasca, nesse sentido, era uma instituição que organizava a produção, circulação e consumo da verdade. Ela seria um braço da igreja, uma instituição de fé e de adesão à crença. A escolasca seria como uma profecia que se alto realizava na medida que o conhecimento produzido por seus procedimentos verdadeiros, só poderia resultar em algo verdadeiro. Nesse sentido, a escolasca era o principal instrumento em intelectual da igreja no combate às heresias. O problema dessa leitura é que ela homogeniza um movimento intelectual que foi bastante diverso. Em minhas pesquisas, eu pude notar que a partir do século 11 era comum que mestres de escola fossem acusados de heresia por pessoas exteriores a esse ambiente escolar. E além disso, a troca de acusação de heresia entre os próprios mestres e aqueles que aspiravam ser mestres era, igualmente, uma prática comum. É interessante a gente notar que a gente encontra na documentação termos específicos para categorizar essas heresias que surgiam no ambiente escolar. Como, por exemplo, temos o termo hereses dialéticos fazendo referência a dialética, uma das artes fundamentais, ou, como labyrinthos da França, que era uma referência ao fato desse sujeito serem muito confusos em suas argumentações. Eu estou entendendo como heresias colásticas justamente os possibilitornamentos concebidos no ambiente escolar e que foram tidos como heréticos. Em um período de aproximadamente 100 anos, ali entre 1950 e 150, diversas acusações foram feitas contra mestres de escola e, ao menos, quatro deles, que são o Bringara de Tours, fossilinha de compreens, Pedro Abelardo e Gilberto de Potier, passaram por processos formais de julgamento e condenação. Eu me pergunto o que levaram esses mestres a serem condenados, né? Bom, uma série de razões. Embora esses quatro casos sejam bastante diferentes entre si, todos esses mestres buscaram dar inteligibilidade através das arts liberais aos fundamentais muito estérios que norteavam o cristianismo. E isso era algo que, para muitos, deveria permanecer em tocado. Então nesse sentido o Bringara de Tours, eles buscou compreender o que ocorria em meio a transformação e o carístico. Enquanto que Rossellino, Abelardo e Gilberto, eles vão centrar as suas análises na natureza e nas relações entre as pessoas da Trindádio, para que eles aleios ao universo escolar, a defesa de que não só as ciências seculares poderiam ser aplicadas às questões divinas, mas também que se poderia produzir um conhecimento a partir delas, era considerado como um verdadeiro atro de sedição. A aplicação de categorias gramaticais e dialéticas por parte desses mestres foi interpretada como uma fronta, uma perversão da tradição intelectual católico, uma recusa à unidade eclesiástica. Outro ator que precisamos considerar é que, como eu já mencionei, o momento foi marcado pela complexificação da vida intelectual, decorrente da expansão da malha das escolas urbanas e a consequente ampliação do acesso e também do interesse e uma formação nas artes liberais. Escontesto muito específico, a posição do mestre de escola não só alcançavam crescente e status social, como também se mostrava cada vez mais lucrativa. Isso tudo se deu sobre controles institucionais muito frouxos, seja sobre os professores, seja sobre os próprios alunos. A mutificação das escolas e a mobilidade de seus frequentadores encorajaram o desenvolvimento de rivalidades cuja intensidade em diversas ocasiões fez que o debate escolar escapasse das salas de aulas para conquistar o espaço público. E nessas condições, a acusação de heresia era um meio muito eficaz você desestabilizar a carreira de um mestre com o objetivo de tomar o seu posto. E essa foi uma das razões por as quais esses mestres trocavam tantas acusações pra heresia. Além disso, justamente por conta desse crescente e status social, era cada vez mais comum que esses mestres fizessem parte da corte de nobres e que conseguisse reunir multidões e seguidores, algo que foi determinante na condensão desses quatro mestres. Beringário, membro da corte do Condijão-Jua, ele se vim em meio a conflito de nobres pelo poder regional, justamente por ser um cortesão. Atacar um mestre de escola da corte do Condi era em última instância atacar a autoridade daquele Condi. As coordenações de Pedro Belardo, Roberto de Ponte, por sua vez, cedera no contexto das consequências do fim do Sisma Papal de 130. Um Sisma que oposo o Papo inocente do segundo e aquele que posteriormente foi tido como antipapa na cleto do segundo. Nesse contexto, os partidários do vitorioso inocente do segundo fizeram de tudo pra manter a unidade aclesiasco em torno do seu pontifice. E usaram a heresia como um instrumento pra submeter os antigos partidários e a na cleto do segundo e aqueles que tivessem alguma associação com estes. Por mais frágil que fosse essa associação e foi o que acabou acontecendo com o Abelardo e com o Gilberto. Eu sei que o que vou dizer aqui vai só como se tivesse puxando a sardinha pro meu lado com o perdão da expressão. Mas eu acredito que o estudo disso que eu tenho chamado de heresiascolástica é fundamental pra gente compreender o que foi a construção das heresias a partir do século 11. A heresiacolástica tem uma particularidade fundamental que é a distinguir dos outros casos de heresia. Ao contrário do maior parte dos outros casos, nós temos acesso às obras produzidas por estes mestres que foram condenados por heresia. Em sua esmagadora maioria, as fontes sobre os movimentos ou os funcionamentos tido como heréticos são produzidos exclusivamente pelo aparelho aclesiasco, aquele aparelho que combateu esses movimentos e os funcionamentos. O que é um grande problema para o historiador afinal? Qual era o compromisso dos acusadores? Era o de retratar os seus acusados de maneira justa ou de construir um argumento ou uma memória em favor de sua própria autoridade? No caso da heresiacolástica, é possível com fazer um confronto do discurso antiretico com aquilo que foi produzido por estes mestres. E quando a gente faz isso, é possível notar que embora o discurso antiretico tenha se baseado nos posicionamentos de estes mestres. Esse discurso não tinha qualquer constrangimento em distorcer, falsiar, ou mesmo inventar posicionamentos que não possuiam qualquer respal do noble desses mestres. Portanto, fica mais do que evidente que para compreender a dinâmica das heresias, na idade média, é preciso ter em mente que, e repito que eu já falei aqui, só a heresia onde é a igreja quer que haja heresia. Nesse sentido, mas do que somente é uma questão do otrinal, a gente precisa situar o combate a aquilo tido como heresia em sua geografia política e religiosa, para que aí a gente consegue nitificar entender os conflitos teológicos e o políticos, no qual o fenomenerético se inseria. Rafael, você acabou de dizer que só a heresia onde a igreja quer que exista heresia. Nesse sentido, e a nossa conversa toda se baseou em uma ideia de idade média e uma região da idade média que a europeia e que é cristã para retomar o seu ponto, existe heresia também em outro contexto que não seja cristão que não tem a ver com essa igreja que nós estamos acostumados, o que eu quero dizer é o seguinte, existe heresia também para o judaísmo e para o islamismo nesse período da idade média. E uma primeira análise? Não. Uma vez que o termo heresia como eu discutido o início de episódio, é um termo que vem do grego e é um período de aproximadamente 5 séculos, ele acaba se cristianizando completamente. Portanto, o termo heresia não foi utilizado por judeus ou monssumanos medievais. No entanto, isso não quer dizer que o judaísmo ou islamismo não tivessem termos para se referir a uma espécie de não conformidade religiosa ou posicionamentos tidos como erróneos. Por exemplo, estudiosos modernos traduzem o termo "min" do hidráico como "ereja". Embora o termo originalmente corresponda a idólatra ou politeista, termo inclusive que foi utilizado para se referir a cristãos no período medieval. Além desse termo "min", outros termos são normalmente relacionados a heresia como "cofer", que pode ser traduzido como descrente, e há pículos que pode ser traduzido como "epicurista". O caso islâmico, a palavra "zandaca", é normalmente traduzida pelos estudiosos modernos como "ereja". Esse termo, ele vem do persa e era utilizado para descrever as várias formas de duas analisam naquela região, o Maniqueismo inclusive entre eles, né, entre elas. Pouca a pouco o termo Osandaqa vai ampliando o seu campo semântico e começa a incluir crenças perrivelmente erradas a ponto de interferir na ordem das coisas e em especial no poder político, além de utilizar em termos distintos para se referir a posicionamentos ou ações inconsiliáveis com os preceitos de suas respectivas festas. As formas pelas quais o judaísmo, islamismo, lidaram com esses fenômenos foram bem distintas das do cristianismo, a começar pelo judaísmo. Embora na atividade ele tivesse seus meios e sua tradição de punição aqueles que abandonassem Deus, com o processo da diaspora essa capacidade ela fica muito debilitada, em grande medida pelo status minoritário das comunidades judaicas durante o período medieval. No entanto, é preciso ficar claro que, por mais que os judeus medievais não possuísem um aparato tão poderoso quando os cristãos para poner aquilo tido como inconcebivelmente desviante, eles ainda assim o faziam como podiam, especialmente através da prática do banimento da comunidade. Quanto ao islamismo é atribuída a mal mesma profecia em que ele mencionou que os judeus eram divididos em 71 setas, os cristãos em 72 e que a comunidade dele seria dividida em 73 setas. Essa profecia ela ilustra uma postura mais tolerante do islamismo se comparada ao cristianismo em relação a uma diferença do trinal. No entanto, ao mesmo tempo é atribuída a mal-media, é a ideia de que toda a inovação é um erro e que todo o erro leva ao inferno. Ao contrário das estruturas eclesiáticas cristãs, o islam foi marcado por uma descentralização que desrespeita a autoridade religiosa e, ao poder, nesse sentido, a perseguição a posicionamento desviante podia ser o resultado de conflitos entre lideranças políticas e elite religiosa ou entre as próprias elite religiosas. É heresia, podia ser também em qualquer ensinamento ou escola de pensamento que a liderança política da região não apoiasse. Por mais de fuso que fosse nesse sentido, seja o heresia de membro da elite religiosa, um califo, um sultão, os regimes políticos e islâmicos possuíam os meios para poner os funcionamentos que eles próprios definiam como inaceitáveis. Afelho, até agora você falou bastante de coisas que permeiam o nosso imaginário, como a a figura deregica, como são as forveras, as combinações, a própria Inquisição. E de coisas também que nós não estamos tão acostumados a ouvir e dizer como é o caso das heresias escolasicas e até das heresias antes da Inquisiza. Como que essas heresias que nós comentamos até agora foram trabalhadas, como que elas foram lidas e interpretadas após a idade média, como que elas chegaram até nós, como que eles escreveram sobre elas, dicerem sobre elas após o período medieval. Tiego, o interesse pela história das heresias é muito mais antigo do que a disciplina histórica. A gente pode dizer que a narrativa histórica sobre aceitas heréticas fazia parte da sua própria refutação. Tudo tem início no Ireneu de León, que eu já mencionei aqui, ele buscou estabelecer genealogias dos movimentos heréticos que surgiam no momento de sua vida. Então, nesse sentido, o que marca o início das narrativas históricas sobre as heresias é o seu caráter apologético. Ora, a sua função era de convencer os leitores de que o cristianismo ali defendido era o orthodoxo, era o correto, e esse tipo de interpretação marcabamente confessional ou seja, totalmente enviezada pela religião do estudioso, do escritor da narrativa, ela vai ter força até início do século 20, e isso não vai marcar apenas historiadores católicos. Protestantes também escreviam a respeito das heresias, mas com intúitos muito diferentes. Agora, se a gente focar aqui no universo católico, essas narrativas foram feitas para e pela história, e buscavam apresentar a heresia como um mal, um mal sempre presente que ia resistindo as diversas campanhas de erradicação. Embora a característica confessional foi um dos pontos definidores nessas narrativas por muitos séculos, isso não quer dizer que esses textos não respondiam a questões de seus contextos particulares. Por exemplo, no século XVII, houve muito interesse pela história das heresias, muito por conta dos problemas religiosos do período. Na França, a tolerância oficial, em relação aos rughenotes, acaba em 1685, o fim do édito de antes, na engolata da restauração dos estúrdes, em 1660, a gente vai ter uma grande supressão de sidentes religiosos, e nos territórios alemãs, alemãs no final desse século, a gente vai ser marcado pela proliferação de 100 milenaristas. Nesses movimentos de sidentes surgiam muito sujeitos que se diziam inspirados por Deus, e que baseavam em sua própria autoridade ao invés da igreja, e além disso, eles não popavam críticas agressivas contra a instituição equefesiástica. Nesse contexto de muitas tensões vão surgir diversas histórias das heresias como uma tentativa de resposta e também de combate a esses movimentos. Agora, se a gente avança por o século 19, a gente vai ver que o estudo da história das heresias, ele vai ser afretado de grande maneira com a elevação da história, com uma disciplina científica e universitária. Talvez a principal transformação desse sentido vai dizer respeito a importância das fontes de tas oficiais. Não é ato, portanto, que tudo sobre a inquisição vão ganhar muito importância nesse momento. Afinal, como eu já disse, esse foi um organismo que produziu um corpo do comentar muito distenso, mas ainda assim não é possível negar o seu caráter ainda apologético. Um momento de ferrada vai ser o século 20. Na década de 30 historiadores italianos de orientação marxista vão começar a introduzir o dado social à análise das heresias. Inspirados por esses trabalhos, historiadores como Jack Legoff, George B. Emanuela Dorri, eles vão tomar heresia como um fenômeno profundamente enraizado em problemas sociais, econômicos e ou políticos. No entanto, isso não significou para eles um apagamento do dado religioso. Tem de vista que muitas vezes o heresiarca, ou seja, aquele que produziu o posicionamento tido como o ético, era um clérigo ou alguém preocupado com problemas de natureza teológica. Além disso, a interpretação desses historiadores ela operava em torno de uma oposição dialética entre uma sociedade opulenta e as minorias marginais, ou entre o centro e a periferia. Aí, nesse sentido, o protagonismo nessas narrativas vai ser assumido por aqueles personagens que ou foram rejeitados pela igreja em razão do seu inconformismo, ou que foram afastados pelas estruturas normais do enquadramento religioso. Que personagens foram esses? Todos aqueles que eram particularmente abertos a novas ideias por conta de sua mobilidade e de seu desenhaisamento. A partir dos anos 1980, a análise dos excursos passou a ser a forma privilegiada da análise das heresias. E pouco a pouca, aquela oposição dialética entre o centro e periferia vai sendo abandonada. Nesse sentido, Robert Amur vai defender que heresia dada mais foi do que um instrumento, um dos instrumentos utilizados pela igreja, com o objetivo de instituir aquilo que ele denominou com uma sociedade persecutória, na qual a violência deliberada e socialmente sancionada por instituições públicas, judiciais e sociais, começa a se tornar a norma para lidar com grupos que fossem considerados como problemáticos pela autoridade eclesiástica. Já na década seguinte, nos anos 90, os historiadores tendeiram a se atentarem como o poder eclesiásco, que teria instrumentalizado a heresia para deslegitimar ou mesmo eliminar grupos ou partidos incómodos. Isso fica particularmente evidente nos trabalhos de uma historiadoria francês, chamada Monique Zernar. Suas análises se atentam ao fato de que é a maior parte das fontes na qual se fundamentam os estudos sobre heresia dos séculos 11 ao 13, são de um gênero literário muito específico, o gênero polemista e, seguindo a lógica desse gênero, seria preciso termos em mente que o conteúdo desses textos seria mais uma construção escursiva produzida pelo aparelho eclesiástico do que o reflexo direto das questões que teriam sido colocadas por aqueles tidos como heresias. É possível falar que a obra das Ernesto e seus colegas foi responsável por uma renovação metodológica que gerou diversas reflexões importantes, mas também que encontrou grandes resistências e geral debates que perduram até hoje. Uma das grandes questões é que, para alguns historiadores, enfatizar o caráter do construssão, se constr. discursiva do conteúdo dessas fontes, levaria ao risco de reduzir a agência do asdicidências ou dos dissidentes. Bom, o campo do estudo da história das heresias, ele é bastante prolífico e aberto às inovações metodológicas. Como eu tentei mostrar aqui, o tema das heresias medievais é bastante estigante e sem dúvida alguma complexo. Há uma infinidade de maneiras de como se interpretar o fenômeno herético na idade média. Nesse sentido, e para encerrar, em minhas pesquisas sobre os séculos 11 e 12, eu entendo as práticas e os discursos heréticos como instrumentos muito eficientes de eliminação de contestações políticas ou doutrinais e também como um instrumento de reafirmação da autoridade eclesiástica. Nesse sentido, o estudo das fontes referentes a esses discursos e essas práticas, eles só são bem compreendidos se a gente conseguir situar eles em suas respectivas deografias religiosas e políticas, porque só assim a gente vai conseguir identificar e compreender os conflitos teológicos e ou políticos nos quais eles se enceriam. E você comenta sobre alguns autores para quem está ouvindo episódio até agora e se inteira o seu tema, que é essa profundão um pouquinho mais no estudo das heresias medievais, o que você pode recomendar. Bom Diego, nas minhas recomendações, eu vou repetir alguma das obras que eu mencionei durante o podcast. Então, para os ouvintes que se interessaram pelo tema e estão começando nele agora, eu acho que uma excelente porta de entrada para se compreender as heresias medievais é o verbete heresia escrito pela Monique Xerner em 1999, em 1929, que foi publicado no dicionário temático do acidente medieval. Por ser um verbete, ele é um texto bem breve, mas que consegue oferecer um panorama amplo das heresias, especialmente dos séculos 11 ao 13, que é o período de especialidade da autora, mas isso não significa que ela não mencione por mais que brevemente o primeiro momento de verbete sincerética que eu mencionei aqui. Agora, se o ouvinte busca uma leitura de maior substância para se enxer, eu recomendo a coletânia inventar a heresia que foi organizada pela Monique Xerner e foi publicado originalmente em 1988, essa coletânia ela reúne uma série de arquitivos em que como eu mencionei durante o podcast, o discurso herético vai ser interpretado mais com uma criação eclesiástica do que o anseio daqueles tidos como heréticos, então os artigos da coletânia a partir dessa perspectiva vão dar conta desde as polêmicas do início do cristianismo, até reflexões sobre o poder da nomeação da denominação por parte da igreja em relação aos movimentos tidos como heréticos no século 13. Uma outra recomendação que eu faço em Liga Portuguesa também é o satanerético do Alambo Ro, que foi publicado originalmente em 2004 e assim como inventar a heresia ele saiu traduzido pela editora da Unicamp. O satanerético é uma obra particularmente interessante, ele vai tratada virada de monológica que eu mencionei durante o episódio, né? O livro Ro vai discutir como nessa virada a gente tem uma revolução do trinão que passou a entender o atos ou fatos como heréticos rompendo como uma tradição que existia desde os primordes do cristianismo, que concebia a heresia como uma opinião. Então vai ser nesse contexto que o pacto satânico vai ser considerado como meresia, e vai possibilitar com que a inquisição recrudecesse sua violência. E o que eu mais gosto dessa obra é que o seu ator, o Borrô, ele faz uma reflexão muito densa e herodita com uma documentação que é pouco conhecida pelos historiadores, e acima de tudo ele faz isso de uma maneira muito acessível, então recomendo demais essa obra. Infelizmente agora a gente tem que passar para recomendações em outros idiomas, e a primeira delas é uma obra chamada Heretic and Scholars, de um autôrio austríaco chamado Henrich Fischner, e foi publicado em 1998. A gente pode traduzir o título como heredis e heruditos. O objetivo da obra tem como objeto o século 11 ao 13 e se interessa por dois temas centrais do período, que é o ressurgimento das heresias e o surgimento da escola, então o objetivo do autor é compreender como e porque esses dois fenômenos são contemporâneos, e quais são as suas relações? Essa como vocês devem imaginar foi uma obra que impactou profundamente a minha formação, então eu recomendo completamente. A próxima obra que eu gostaria de recomenda também é a Formation of Persequilo que tem seu site do Robert Timberman, ela foi publicada pela primeira vez em 1987 e como eu mencionei durante o episódio, é nessa obra que o muro o autor, ele vai propor que a partir dos fins, a défense do século 11, a gente pode falar na formação de uma sociedade persecutória no cidente, uma sociedade em que a igreja comandaria uma ofensiva em que a violência ela seria deliberada e socialmente sancionada pelas instituições públicas jurídicas sociais e ela se tornaria o procedimento padrão para lidar com qualquer grupo, tido como o problemático pela autoridade que lesia, e embora essa obra não se dedica que, únicamente, as heresias, ela é uma obra fundamental e que é assim como o texto da Zernerga, eu recomendo aqui, a coletânea, gera debates acolorados e por isso ainda é uma obra muito atual. Por fim, a minha última recomendação é a obra Medieval Harris, de uma historiadora chamada Christine Ames, que foi publicada em 2015 e o interessante dessa obra é que ela aborda o tema das heresias a partir de uma perspectiva que ela busca comparar as experiências cristãs, islâmicas e judaicas, no que diz respeito às diferenças, digamos, inaceitáveis no âmbito das doutrinas, então, desse modo a autor vai defender que as heresias, elas não foram uma especificidade do mundo cristão, e desse modo ela busca delinear com as ideias daquilo que eu vou chamar aqui de heresia para facilitar, e como as reações a essas heresias foram se transformando com o passar derridade média nesses três contextos que são muito distintos, não só em seu âmbito religioso, mas também no seu âmbito político e econômico. Muito obrigada, Rafael Pelas Indicações, eu abrovei para lembrar os ouvintes que eles não precisam se preocupar em anotar os nomes, eles estarão todos na descrição do episódio do podcast no seu tocado, e agradeço, enfim, a Ué, que acompanha a gravação junto com José, e mais uma vez, a Rafael, que ela assista a entrevista e pela participação de um podcast do laboratório dos Medievals. Diego, eu aproveito também para agradecer novamente a Ué, que é o José, a você pela conversa muito prazerose, eu gostaria de agradecer tanto a organização do podcast, contamos ouvintes pelas atenção, muito obrigado, gente.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O termo "heresia" tem origem grega e inicialmente significava "tomada" de posição ou cidade, sem conotação negativa nos primeiros séculos do cristianismo.
  2. No início do cristianismo, o cristianismo era visto como uma "heresia judaica", uma nova interpretação da fé, o que mostra que a heresia era inicialmente um conceito positivo e aberto.
  3. A ideia de heresia foi transformada com o tempo, especialmente no século 3, quando passou a ser associada à heterodoxia e à defesa da ortodoxia como verdadeira e universal.
  4. A heresia, no sentido medieval, era um posicionamento intencional e consciente, definido pela autoridade eclesiástica, não por uma natureza inerente ao indivíduo.
  5. A definição de quem era "herético" dependia fortemente da geografia religiosa e política, e não era universal ou objetiva.
  6. Durante o século 11, surgiram movimentos como os valdenses e cátaros, mas o termo "cátaro" foi uma invenção eclesiástica para unificar e criminalizar práticas diversas.
  7. As heresias escolásticas, entre os séculos 11 e 12, representam um fenômeno intelectual onde mestres de escolas usavam razão e lógica para interpretar a fé, sendo acusados de heresia por desafiar a autoridade eclesiástica.
  8. A narrativa histórica sobre heresias foi profundamente influenciada pela religião e pela política, sendo apologética e tendo como objetivo legitimar a ortodoxia como única verdade.

Summary:

A ideia de heresia tem raízes antigas e evoluiu significativamente ao longo da Idade Média. Originalmente, o termo grego "heresia" significava "tomada" de posição ou cidade, sem conotação negativa, e no início do cristianismo, o próprio cristianismo era considerado uma "heresia judaica". A partir do século 3, o conceito foi transformado, com a heresia associada à heterodoxia e a ortodoxia definida como a verdadeira fé.

A heresia, no contexto medieval, não era um erro natural, mas uma escolha intencional, definida pela autoridade eclesiástica. A identificação de quem era herético dependia fortemente do ambiente religioso e político. No século 11, movimentos como os valdenses e cátaros surgiram, mas o termo "cátaro" foi construído pela Igreja como uma invenção para unificar e criminalizar práticas diversas.

As heresias escolásticas, no entanto, mostram um fenômeno intelectual onde mestres de escolas usavam a lógica para interpretar a fé, sendo acusados de heresia por desafiar a hierarquia eclesiástica. A narrativa histórica sobre heresias é profundamente apoloética, criada para legitimar a ortodoxia e reforçar a autoridade da Igreja, refletindo tanto a religiosidade quanto os interesses políticos da época. Assim, a heresia não foi apenas um fenômeno teológico, mas um instrumento de controle social e de centralização da fé.

FAQs

O termo 'heresia' vem do grego e significa 'tomada', ou seja, a escolha de uma posição ou ideia. Na antiguidade, não tinha conotação negativa, mas sim um sentido geral de escolha ou tomada.

No período inicial, o cristianismo era visto como uma 'heresia judaica', uma interpretação diferente da tradição judaica. A existência de interpretações distintas era aceita, até que a ideia de unidade e ortodoxia se tornou fundamental.

Heterodoxia é um termo grego que significa 'diferente da opinião comum'. A heresia, por outro lado, é uma escolha de posição doutrinária que é considerada errada pela igreja. Ambos evoluíram para significar algo que difere da fé ortodoxa.

Um herético é alguém que, sendo cristão, persiste em uma crença errada após ser advertido. Ele deve ter sido repreendido, obstante seu erro, e sua posição é vista como desobediência à autoridade eclesiástica.

A heresia era vista como uma ameaça ao consenso teológico e à autoridade eclesiástica. Com o tempo, tornou-se um instrumento político e social para consolidar a fé ortodoxa e controlar o pensamento dos cidadãos.

Movimentos como os valdenses e os cátaros foram destacados. Os valdenses defendiam a pobreza e a simplicidade, enquanto os cátaros tinham uma leitura maniqueísta do cristianismo, rejeitando sacramentos e praticando um rigoroso rigor espiritual.

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