O podcast explora a figura de Carlos Magno como centro da formação do Império Carolíngio, destacando sua influência política, administrativa e religiosa. A transição da dinastia merovíngia para a carolíngia foi mediada pelo apoio do Papa, consolidando uma aliança entre rei e igreja, evidenciada em documentos como os capitulares e a iconografia vaticana. Carlos Magno implementou estruturas burocráticas, padronizou a moeda (denário) e promoveu o uso do latim, fortalecendo o governo e a administração rural. O modelo do grande domínio descreve a organização agrária, onde senhores controlam terras e coletam tributos, sendo um passo precursório, mas não idêntico, ao feudalismo. A análise de fontes primárias, como polípticos e anais, revela detalhes da vida rural e da economia, mas enfrenta desafios de interpretação. A memória de Carlos Magno é profundamente influenciada pela história moderna: na França, seu nome é usado como símbolo nacional durante a Revolução e na era napoleônica; o nazismo reutilizou sua figura como base para ideias de unidade alemã e cristã; e debates sobre a adesão da Turquia à UE refletem ainda hoje a tensão entre a identidade europeia e a religiosidade. O programa destaca que figuras históricas como Carlos Magno são continuamente apropriadas para construir narrativas políticas e identitárias no presente, evidenciando a complexidade da relação entre passado e presente na construção da Europa.
Bom dia, ouvintos. Começamos aqui mais um episódio de estudos medievais, o podcast
produzido pelo laboratório de estudos medievais da Universidade de São Paulo. Meu nome é
Erik Sion, estou aqui com Thiago Ribeiro e Victor Sobreira, que também são membros do laboratório
aqui da USP e, bom, primeiro lugar, eu gostaria de agradecer aos dois por aceitar o convite de
participar do programa, sejam bem-vindos. Digo mesmo, muito obrigado pelo convite e espero que
seja uma conversa bem interessante. Olá, Erik, muito obrigado pelo convite. Bom, a gente vai falar
hoje sobre a Europa de Carlos Magno e até por isso que eu convidei os dois porque eles são especialistas
esse recorde, inclusive, se vocês quiserem conferir depois o currículo deles, a gente vai deixar o link para
currícululates, que seria o currículo acadêmico que a gente usa aqui no Brasil, na plataforma do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Scientific Tecnológico, o CNPQ. Isso também vale para os episódios
anteriores e os episódios suturos. A gente sempre vai deixar esse link disponível dos participantes para
vocês ter uma ideia, as publicações, dos títulos, enfim, um currículo bem completo não deixa de conferir.
Nós vamos falar nesse período, mas mais especificamente vamos darem fazer ao Carlos Magno, porque ele é
um assunto atual, ele é um assunto popular, seja na academia quanto também fora dela, ele ainda é
usado por países da Europa como um símbolo da sua identidade coletiva, ou como um símbolo também
do próprio continente europeu. Não é à toa que o nome de Carlos Magno também é o nome do prédio
da Dima das Sedes da União Europeia em Bruxelas. Nós também temos, por exemplo, o Prêmio
Carlos Magno, cediado em a Coisgrana, que é conferido a aqueles que realizaram contribuições para
a União Europeia. E nós também temos o Prêmio Carlos Magno, dado pelo parlamento europeu, para
aqueles que de alguma forma contribuíram para a União do continente ou então para a identidade coletiva da
União Europeia. Enfim, como a gente pode ver então, é um tema popular, é um tema atual que para
te organizar esse programa agora, seria interessante fazermos uma divisão. Primeiro lugar,
iremos falar do Carlos Magno como figura histórica e seguida a memória de Carlos Magno,
é quais são os mitos, quais são as lendas, enfim, o que se diz a respeito dele, o que se usa
como a propriação para construir narrativas agora no presente. Então, Victor e Thiago, vocês podem
falar para mim sobre quem foi Carlos Magno? Como você bem poutou, Eric? Carlos Magno
é uma figura bem conhecida, inclusive fazendo uma ponte com episódio anterior do podcast, para quem
jogou Cruzei Dersking 2, há uma expansão dedicada exclusivamente ao período de Carlos Magno
para se ter uma ideia. Carlos Magno foi, normalmente, o segundo
Rei Carolíngel, sucedendo seu pai, Pepino Obreve. Embora tenha sido o segundo, ele provavelmente é
o mais conhecido por conta de seu longo reinado, que foi de 1668 à 814 data da sua amorte.
E nesse período foi fundamentado muito daquilo que se conhece como o reino e depois empere o
Carolíngel. Você falou de Carolíngel, agora deixe de tirar uma dúvida com vocês. Na escola, a gente
vê muito falar da Dina Chameurovíngia, Dina Chacarolíngel, até depois a Capitinha. Como foi essa
transição da Dina Chameurovíngel para a Carolíngel? No final, o que aconteceu com a
Dina Chameurovíngel. Há toda uma discussão sobre essa transição de nástica, mas na
estrografia francesa os últimos reis merovíngios que também receberam o apelho de reis endolentes,
uma certa ideia de um enfraquecimento desse poder real contra um fortalecimento que
eram chamados dos prefeitos do palácio, que estava aí Carlos Martel, que era o pai de Pepino
Breve, e depois sim o Pepino Breve. Uma coisa importante de pautar nessa troca de nástica é o
papel do Papa. Então, quando se há uma troca de nástia, quando o Pepino, o Breve é declarado
rei dos francos, ele é feito com o apoio do Papa. Então, se busca uma legitimidade externa o reino,
se busca uma outra figura de poder para legitimar essa transição de nástica e essa subituição.
Uma estrografia um pouco mais traducional como disse, coloca que os, digamos, Pepino Breve,
Carlos Martel geram governantes de fato, e a confirmação do Papa oficializou essa troca de nástica.
E, no caso da dinastia carolíngel, ele chegará a constituir o império carolíngel. Como foi essa
formação? Como o Victor bem pontou, existia uma aliança entre os princípios carolíngios
e a cúria romana, desde a unção de Pepino Breve pelo Papa o esteva um segundo em meados do século
do que estava. No Natal do ano 800, o Papa leu um terceiro coro, o Carlos Magno, com imperador,
numa visita que este fez a Roma para tal propósito. A diversas interpretações na estrografia
por este ato, seja uma formulização de uma autoridade que já existia, sobre boa parte da
Europa ocidental, seja a instrumentalização da religião para fins políticos. Em que pezem as
diferentes interpretações, foi a partir de então que passou a existir, de fato, o império carolíngel.
É interessante também acrescentar essa aliança entre os carolíngios e os papas em Roma,
deixou algumas marcas. Então, uma das salas mais famosas no Vaticano, as salas feitas por Rafael,
tem uma sala específica só para o século nono e num dos afreços que tem nessa sala,
está a coração de Carlos Magno. E também consegue ver outras obras, por exemplo, no Vaticano,
então o mosaico, com o São Pedro, Carlos Magno, tem São Pedro com uma figura principal e maior,
e Carlos Magno e o Papa Leão terceram os pés de São Pedro, simbolizando essa aliança entre
os carolíngios e o Papa. Então, no caso, falando do Carlos Magno em si, qual foi a contribuição
dele para o reino carolíngio? Eu digo, em questão de expansão militar, de uma, posso dizer,
de burocratização da forma de governas, podem falar um pouco de como funcionava esses dois pontos?
Sim, a gente conhece hoje o período carolíngio e isso se dá muito pela atuação do Carlos Magno
como governante. Não só por conta do que você bem falou da expansão territorial, obtida de forma
geral pelas guerras travadas, ao longo de todo seu reinado, como as guerras sacsonicas que duraram
mais de 30 anos, mas também pela questão administrativa. Carlos Magno fomentou uma estrutura de governo,
com ira aqui as vezes a gente especializados que atuavam por todo o império. E eu acho que nesse
movimento também, lembrado outros questões como uma preocupação com a produção de moedas no
império, uma tentativa de unificar os pesos e o conteúdo de ouro e cobre dessas moedas,
lembrado também a reforma no latim que acontece nesse período. Muito importante, sempre os
especialistas em latim marcam bastante a mudança que acontece em período carolíngio em relação a língua.
Muitas vezes, Carlos Magno é lembrado como um governante muito preocupado com a educação,
ou um dos primeiros a voltar a se preocupar com isso, na Europa ocidental. Então, os sando
na verdade são muitos frontes de estudos e diárias que os especialistas em geral relacionam
como o Thiago disse, né? Não, Carlos Magno não tinha feito tudo isso, mas permitiu, fomentou e criou
bases para que isso continuasse pelo menos nas décadas seguintes. No caso, a moeda corrente no
império carolíngio era o denário, o denário de prata. E o que os estudos observam é que nesse
período, principalmente do século 8 ou século 9, você tem uma série de reformas monetárias
sendo feitas. E a gente consegue ver que há uma padronização bem levada dela, seja no peso,
seja nas figuras que iram nas fáceis de cada moeda e até mesmo na composição química da
liga metálica. Então, foi algo bem impressionante mesmo que não só Carlos Magno, mas como os seus filhos,
seus netos conseguiram passar. Óbvio que isso depois de um século começa a arruir e outras
formas de de cunhar moeda aparecem no continente. Vamos só, eu tenho uma curiosidade, vocês falaram
nessa questão da administração e da brocracia? Como que era feito então as decisões do governo?
Existe algum tipo de reunião? Existe um parlamento? Carolíngio, como é que era? Que instituições?
A gente pode falar. Olha, não existe um parlamento propriamente dito, tal como conhecemos
hoje em dia, como Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Mas existe um sim, assembléas
gerais, nas quais os grandes personagens do reino fossem eles láxicos ou eclas e áxicos, se reuniam
para discutir e decidir sobre matérias importantes para o reino. Então, se existia necessidade de combater
um determinado inimigo, essas reuniões planejavam minimamente essas campanhas, como logística,
contingente e líderes de campanha. Acho que é importante estar cá também que não existia
a ideia de uma capital, né? A capital onde o rei estava, onde eram tomadas todas as decisões,
isso também gera uma característica de sumirovíngios, então as acebreias ocorriam onde o rei estava,
não tinha um espaço obrigatório para isso ocorrer. Claro que havia algumas cidades onde o rei
passava mais tempo, principalmente durante o enverno, como é o caso da cidade de a quiz grana que é
onde até hoje se encontra a catedral construída por Carlos Magno e até mesmo que acredita ser o trono
do Carlos Magno. Você falou dessas uniões que você tem e os agentes eclisiascos e você também
tem outras outras figuras políticas ali e aí vem uma dúvida qual era a relação do governo
de Carlos Magno com a igreja, porque como a gente discutiu no Podia Cacha anterior sobre as
cruzadas, as formas recreje no século 11 e 12 é o movimento de
de fato, o igreja tenta consolidar uma estrutura institucional com o Papa no topo, enfim.
E a gente começa a pensar em igreja como uma instituição, mas antes disso não.
Então, como é que se dava no Império Carolíngia, a relação entre política e religião?
Olha, Eric, é complicado pensar em política e religião como assuntos completamente
separados quando analisamos esse período.
Isso não quer dizer que devemos invalidos como categorias analíticos, mas ao refletir
sobre a época Carolíngia é, no menino difícil, estabelecer uma clivagem precisa entre ambas.
Dito isso, no caso do governo de Carlos Magno, a relação entre a autoridade e a religião
se deu de modo sobre posto.
A coração imperial, como falado antes, é um bom exemplo da situação.
E também aqueles grandes personagens do reino que mencionei a pouco são tantos seculares
quanto eclesiástico, ou seja, homens da igreja como bispos a ser bispos e abades.
Ou seja, tanto os valores cristãos quanto a própria estrutura da igreja fizeram parte
do governo Carolíngia de alguma forma.
Não atoa, depois da coroação imperial em 800, Carlos instulava si mesmo nos documentos
que sobreviveram até nós como, entre aspas, Carlos o mais seria no Augusto, coroado por
Deus, imperador e pacificador.
Olhando também para a documentação, a gente percebe que o próprio Carlos Magno se coloca
como um rei cristão e como um rei cristão que também é responsável pela salvação das
almas das pessoas.
Então como Tiago disse, é bem difícil separar essa questão da política e religião.
Por outro lado, muitas vezes a gente consegue identificar na documentação, por exemplo,
bispos que são responsáveis pela justiça da cidade e da região que ele controla.
E até mesmo, que é o meu caso, é a minha especialidade, temos relatos de abades que vão
para a guerra junto com os reis carolíngios.
E até mesmo são pegos refeens durante uma batalha junto com seus soldados.
Então, realmente, se quiser entender esse período, precisa fazer uma análise cruzada
de gamos e talvez até realmente tentar abandonar essa clivagem clara e, talvez, óbvia para
nós hoje em dia entre política e religião.
Gostaria de retomar um pouco essa questão do espaço, principalmente porque tocamos
um assunto das conquistas territoridades imprendidas por Carlos Marm.
A Europa governada por ele abrangia boa parte do que conhecemos hoje como Europas Dental,
numa superfície que se estima cobrir em torno de 1 milhão de quilômetros quadrados,
indo do Rio Ebro, na atual Espanha, até o Elba, na fronteira da Tual Polônia.
Mas esse espaço é importante ressaltar, não é uniforme.
Ele tem suas particulares idadeis locais.
A região da Baviera é diferente da marca da Espanha, assim como a região de Benevento
que na Itália é diferente da Frize, mas ao Norte.
Nesse sentido, o governo de Carlos Marm, foi novador, porque é sob ele que se estiu
em um tipo de agente real, chamado Mistos, que são agentes escolhidos pela cor de real
e enviados em missão pelo reino e depois em pé.
Representando a autoridade de Carlos Marm, fosse realizando julgamentos, fosse ouvindo
demandas locais.
Eu só gostaria de se reforçar um ponto que o Thiago falou, se a gente fazendo as comparações
do território ocupado, controlado por Carlos Magno, o que é o União Europeia hoje,
muitas regiões estariam excluídas, como quase todo a Peninsulebérica, todo sul da
Peninsuletálica, que naquele momento estava num conflito entre um ípero bizantino e os
lâmicos, seria de fora ainda ilhas britânicas, países escandinavos, então quando faz essa
comparação, com Carlos Magno, como pai de Europa, é importante pensarmos, refletimos
um pouco o que Europa é essa, que espaço esse, como o Thiago já destacou todas as diferenças
de cada ponto desse grande espaço.
Começando então o nosso segundo bloco, como de prax, a gente vai discutir um pouquinho
as fontes primárias que os historiadores usam para poder reconstituir esse passado,
trazer essas explicações, essas téssis e modelos, enfim, então a gente fica a vontade
agora para apresentar alguns documentos e explicar um pouco sobre as problemáticas deles
e que tipo de informações podem ser retiradas de cada um.
Sobre os documentos do período carolíngio e o tempo de Carlos Magno é incluso, obviamente,
essa questão interessante, porque a profusão da documentação escrita nesse período é significativamente
maior àquela dos séculos anteriores, para se ter uma ideia.
Entre os séculos 6 de 8 alvo foram produzidos na Europa occidental cerca de 1800 manuscritos,
entre completos e fragmentos, ou seja, somente em alguns poucos textos que se sobreviveram.
Soma para o século nono conta-se ao menos 9.000 manuscritos, entre esses estão não só
obras datadas neste momento, mas também aquelas recuperadas da antigüidade, como em vigilho
e a literatura cristã dos pais das gregas e transcritos pelos escribas caronígios.
Isso não leva de volta ao que o Victor apontou sobre cultura, letramento e o papel da escrita
no governo dos carolíngios.
Alcoguino, o monge natural da atual Gran Bretanha e um ganho de electoral da época foi
convidado para o Carlos Magno para leicionar na Escola Palatina de Acois Grande, o palácio
onde residiu o próprio imperador.
Dito isso, uma documentação original do período carolíngio que gostaria de comentar são
os capitulares.
Eles são atos normativos, oriundos da Corte Real, que tratam de matérias diversas, como
a administração do reino, legislação, questões religiosas entre outros.
Lembra do que comentei sobre as assembléas dos grandes personagens do reino, onde se encontrava
um condes, duques, bispos, abades e muitos casos do rei?
Os capitulares seriam de alguma forma os registros das decisões tomadas nessas assembléas.
Essas decisões seriam dispostas em capítulos, daí o nome desse tipo de documento, e teriam
força de norma.
Isto é, uma regra deveria ser obedecida e aplicada por todo o rei, por todo o território
carolíngio.
Um exemplo é o capitular de Bolônia de 811, que em seu capítulo 10, proibia venda
de armas e armaduras para estrangeiros sem a permissão da Corte ou de seus agentes.
Outro é o capitular geral para os enviados reais de 802, um dos primeiros capitulares
promulgados após a coração de 800, e que prevê diversas medidas administrativas para
o agora em perro carolíngio.
Uma delas, a obrigação por partes dos súditos masculinos maiores de 12 anos, dos juramentos
de fidelidade ao emperho e acelso oberando.
Carlos Margo não tem um grande destaque em relação a esta documentação, pois ao menos
130 capitulares são associados a sua corte, falar ao menos porque esta é uma das particularidades
dos estudos capitulares.
Não se sabe quantos realmente existiram, pois nenhuma no escrito original deste documento
chegou até nós.
Tudo que temos em relação a ele são cópias posteriores, e como tal requerem estudos específicos
de como foram produzidos e transmitidos.
Um exemplo é a coleção de capitulares de Ansegiso, redigida em 827, que reuni capitulares
dos tempos de Carlos Magno e de Luzio Pedoso, seu filho.
Um ponto a ressaltar sobre a documentação trazida pelo Victor é que não podemos perder
de vista que a sociedade carolíngia, assim como outras do meu período, são sociedades
majoritariamente rurais, isto é, que se estabelecem a partir da exploração da Terra.
Obviamente existem núcleos urbanos, principalmente daqueles ligados aos palas reais espalados
por todo o território governado.
Mas ela é majoritariamente rural e daí a razão de documentos como os políticos existirem
e serem registros valiosos para os historiadores que se interessam por temas como economia,
administração e demografia da época.
E no estudo da economia do período, há muitas polêmicas envolvendo, tradicionalmente
os historiadores interpretaram como um período de decadência econômica, com avanço dos
humanos no Mediterrâneo, com fechamento desse comércio de longa distância.
Mas ao mesmo tempo é um tema muito difícil de estudar, a documentação não é abundante.
E um dos documentos muito citados e muito utilizados nesse debate são os políticos que,
da forma como eles existem, no século nono, são únicos, existem alguns documentos parecidos
anteriormente, mais exatamente do formato que é constituído no século nono, eles são únicos.
E aqui o flantipolíptico, se não estou falando dos quadros, tudo bem, de várias compostos
por várias telas, é outra forma de documento, é um documento administrativo que chegou
até nós apenas de domínios eclesiásticos, de mosteiros, e há uma fazeleitura desse documento,
sem pressão, que se dá que realmente era um documento de prática administrativa.
Então é identificado a região, o domínio que está sendo estudado, é dado uma descrição
da população por nome, então as pessoas são nomeadas, marido, mulher, filhos, o que eles
produzem e o que eles devem ao senhor. São documentos superistensos, o mais conhecido
dele é o políptico de Saint Germain de Pré, que é amplamente conhecido desde o século
19, quando se tem uma edição de um herodito chamado Guerrar. E a partir desses estudos
polípticos é possível, foram feitos, por exemplo, os únicos estudos demográficos que
você tem superior do que há muitas questões envolvendo, mas foram feitos a partir dos
polípticos, porque eles nomeiam pessoas, estudos sobre produção também, porque se você
e consegui imaginar que um certo
O camponês deve pagar uma quantia tal de trigo, de ovos, de porcos, por um senhor,
quanto ele precisa produzir para conseguir pagar isso, a mesma tentativa se estima a produção
por área, então um hectare de terra, quanto produziria de grãos naquela época.
Então são documentos riquíssimos com muitos detalhes e ao mesmo tempo de difícil compreensão.
Então, por exemplo, uma das dificuldades, essa comentação, são as unidades utilizadas,
as unidades utilizadas não sabem muito bem, então quando fala uma certa quantia de trigo,
o que quantia que é essa?
Está em litros, está em quilos, o que seria o equivalente hoje em dia, é difícil de saber.
Quando a gente está na graduação, um dos assuntos que estão muito relacionados a eles
é a questão do grande domínio carolíngio.
É engraçado porque quando eu estava discutindo com alguns colegas para a entrega de trabalhos
à matéria de medieval, eu percebi que muitos deles tinham uma dúvida em relação ao grande
domínio e o feudalismo, porque no cursinho ou na escola a gente vê que o feudalismo era
a maneira de se estruturar a sociedade, de se estruturar a distribuição agraria na Europa,
só que depois a gente vê que não era bem assim, e no caso carolíngio você não tem nada
como o feudalismo, não existe essa questão do feudalismo, mas a gente tem esse
modelo de organização que se era o grande domínio, o que ele seria?
Bom, esse nome é grande domínio, ele é quase uma descrição, então o que a gente consegue
perceber que em relação ao período merovíngio, começa a acontecer uma certa concentração
de terra na mão de alguns senhores, então a tamanho das propriedades ficam maiores em relação
ao período anterior, então por isso essa dominação de grande domínio que muda um pouco dependendo
da língua, é isso aí seguindo a tradição francesa, e o que seria exatamente nesse modelo
de grande domínio, a ideia é com o senhor controlando uma grande extensão de terras,
ele não teria condições sozinho explorar tudo que estava sobre o seu controle, então
uma parte ele mantia com ele, que era, digamos, o manso senhorial, e outra parte ele
cedia para camponeses, quem troca deveriam pagar algumas taxas para eles, essas taxas são
as mais variadas possíveis, podia ser em víveres, desde ovos, animais, grãos, podia ser
mesmo em moeda, e de novo, em de volta, para esse assunto, então se camponeses pagavam
seus senhores em moeda, quer dizer que havia uma circulação de moedas e não clatenebrosa
e idade média, sem nenhum tipo de economia, só uma economia de trocas, e até mesmo trabalho,
esse trabalho poderia ser o trabalho na terra, o senhor, poderiam ser trabalho de transporte,
existe até um interessante trabalho de um historiador belga, Jean-Pierre Devoix, que
ele estuda as redes de transporte desses grandes domínios, então acho que é isso que causa
muito essa confusão que você comentou, Eric, nessa obrigação do camponese com o senhor
e a troca, o que que vai acontecer? No historiografia tradicional, principalmente alemã,
muitas vezes o grande domínio é colocado, digamos, como um precursor do feldo, que vai
se formar a partir do século X, X, X, X, X, X, X, II. A questão do feldalismo foi muito
discutido, essa discussão começou na década 70, 80, e não vou entrar em detalhes, mas
o curioso dizer é que, como categoria analítica é pouco usada hoje em dia, dificilmente
receber historiadores europeus hoje usando o feldalismo como, digamos, a coluna central
da sua análise. Quando isso aparece, aparece a discussão com outros historiadores. Por
outro lado, o grande domínio continua sendo um modelo explicativo para o período
carolíndio, eu acho que os trabalhos de historiador que eu acabei de citar agora o Jean-Pierre
Devoix é um exemplo disso. Eu acho que a diferença entre os dois é que o modelo
de grande domínio está muito baseado nos políticos, então é quase que uma descrição empírica
daquilo que está vendo. Claro que é variações, de político por político, tanto que se
fala no modelo ideal de grande domínio, e o que realmente se encontra nas fontes, e
que é um pouco mais polêmico quando a gente vai discutir o feldalismo.
Uma outra documentação original do período carolíndio, e que tem grande destaque à época
de Carlos Magno, são os anais históricos. Tratam-se de registros dos acontecimentos selecionados
pelo analista, ocorridos nos anos sobre os quais se dediquem os anais.
Espirado nas tabas passcais, que seriam uma ferramenta para se prever quando aconteceria
a paz para ao longo dos anos, essa forma e o propósito desse registro foram se transformando
ao longo do período carolíndio, a ponto de termos documentos como os anais reais dos francos,
se servem entre outros propós, como uma propaganda do governo carolíndio, uma vez que cobrou
o período de ascensão da dinastia, a partir de 741 com a morte de Carlos Martel, e 829,
antes da crise do governo de Luís do Viedoso.
Bom, por fim, acho que um outro corpo documental importante de se mencionar nessa época são
as cartas, os estudos epistolográficos. Primeiro, de novo, que a gente já comentou,
é um período que percebe um certo ressurgimento desse documentação, século VII, século
8, a quantidade de cartas que nós temos são poucos, não há muitas cartas, raras,
coleções, e, no século 9, a partir de século 9, a gente vê um ressurgimento desse tipo
de registro e desse tipo de coleção, que acaba sendo muito importante para uma melhor
compreensão do período. Então, o que eram essas cartas, como que elas chegaram até nós?
A grande maioria chega por meio de coleções, então, né, o teago mencionar o cuino,
temos as cartas de o cuino, temos de guinhar do outro personagem importante do período,
e mesmo de personagens menos importantes, digamos, intermediários, que, por exemplo,
o Lupo de Ferrier, que eu estudei no meu doutorado, que era um abad de um mostero médio
próximo de Paris. E essas cartas chegaram por meio grande parte de coleções, né, então,
os próprios autores das cartas guardavam em arquivos e, ao longo da sua vida, faziam
um livro, né? Então, havia uma certa seleção dessas cartas, o que deveria entrar nessas
coleções, e a ideia é que as cartas servissem de exemplo descrita, né, como se fosse
um modelo descrita de cartas, mas também deixasse um registro da vida daquele autor. No caso
de Lupo, que eu conheço melhor, as cartas começam exatamente quando ele entra em contato
com a guinhardo, que é um grande personagem da época, e as últimas cartas falam do período
que ele estava doente, né, já para morrer. Então, apesar de não seguir uma ordem cronológica,
as cartas, né, tem uma abertura grandiosa e tem o final. E, né, em cada um desses textos,
a quantidade de informação é a mais variada possível. Então, a gente encontra desde
observações sobre cometas que passavam, que passaram o determinado período, discussões
sobre o latim, agradecimentos, apresentes e descrições do que eram esses presentes,
informações também sobre movimentação do exército, né. Então, quando a gente fala dessa
questão, o Thiago falou, né, dessa guerra constante no período carolíngico, um caros
magno, a gente tem informações cartas, né, e tal mês, o exército deslocou para até
a região com tantos homens, levando tanta quantidade de equipamento e de comida. E até
mesmo disputas, né, informações detalhadas sobre as disputas, disputas de porterra, disputas
políticas, disputas pela proximidade do rei. Então, também é outro corpo bem importante.
Além das grandes coleções, depois a gente tem algumas cartas que acabaram chegando
até nós, digamos que uma forma um pouco mais solta, né, com reunidas cartas de diversos
autores e diversos períodos e que acaba tornando um estudo um pouco mais complicado.
Vamos lá, então, para o nosso terceiro bloco. E a gente vai deixar, então, esse espaço
é reservado para falar um pouco sobre as pesquisas mais atuais, os debates contemporâneos.
E, bom, acho que Thiago, se quiser começar.
Bom, Eric, pensando em tudo o que falamos até agora, é possível imaginar que uma figura
como o caros magno já foi bastante investigado pelos estudiosos. Listas e listas de biografia
podem ser redigidas se pegarmos toda a produção esturográfica em que consta o nome deste monarque.
Dito isso, gostaria de destacar duas produções recentes. A primeira, publicada em 2019,
fala muito do momento em que vivemos. Afinal, o historiador não é desligado do tempo em que vive.
Trato de do livro de um autor, já mencionado pelo Vitra, que se chama Jean-Pierre de Roar,
e em seu livro entitulado, Lanartur e Lerroar, em Vironumon, povoar e societe a Lâgea de
Charlemagne, em que ele pensa as relações entre a natureza e o rei. Para isso, ele faz de um lado
investigações sobre o clima, se valendo de análises deandro ecológicas, que é o ritmo
de crescimento dos Arnais das Ávores e o depósito de sufato, em diços de sentimentação
de nuvens vulcânicas. Isso porque sabemos o clima impacta na produção agrícola e, como comentando
zetoriormente, sendo esta uma sociedade majoritariamente rural, as consequências são imediatas.
De outro lado, ele estuda as medidas tomadas pelos principios carolíngios e em especial
Carlos Magno, para lidar com a ocorrência dessas crises climáticas e suas consequências
para sucessitar.
um livro muito interessante e que demonstra, de maneira bem profunda, as possíveis interrelações
entre diversas áreas do conhecimento humano, como história, geologia, biologia, física e química.
Não é interessante que você comentou dessas outras fontes que ele usa, fontes que estão
ligadas a outras disciplinas como a biologia química, e que também que me lembra, né, a gente
comentou ali no primeiro bloco do programa das moedas, que é justamente se caráter
disciplinar que a história tem contra as matérias, até matérias que talvez para fora da
academia não seja tão óbvio que a história dialogue, né. E na curiosa porque esse tipo de abordagem,
esse tipo de estudo, mostra que é possível então analisar as nossas fontes textuais em relação
com outros tipos de fontes que não são apenas textos, e que permite a gente visualizar
a novas coisas, né, desse contexto que a gente está estudando.
Sim, e isso dialoga muito com outro exemplo que gostaria de destacar sobre a produção
acadêmica recente. Trata-se do projeto "The Manking of Charlemains Europe",
um banco de dados disponível online e de acesso gratuito que compila os cartulares produzidos
durante o reino de Carlos Mime. Esse possibilita não só sua leitura, mas também obter dados
pros opográficos e sócio econômicos dos sujeitos envolvidos nesses documentos, ou seja,
é possível obter, na através dessa iniciativa, diversas informações sobre esses documentos
e o sujeito neles mencionados. Uma vez que os cartulares se caracterizam por registrar
em forma de manuscrito, transações diversas, uma venda de terra entre dois interessados
ou doações de bens à igreja. Depois ele passa o link para você colocar no post para os ouvintes.
Claro, claro, a gente vai disponibilizar essas informações e com outros links de projetos,
todos na página do site, os ouvintes que tiveram interesse podem ir atrás esses projetos.
Então, vamos explorar agora a memória de Carlos Magno, que dentro disso a gente encontra
então as lendas, as histórias que circulam em volta dele, que muitas elas são funcionais,
muitas elas são construções posteriores do período, e apenas ser saltado, eu acho que
vocês vão falar de uma maneira muito mais detalhada do que eu, que esse tipo de construção
de memória de Carlos Magno é um produto moderno contemporâneo, isso gera feito desde a idade média.
Bom, é interessante você mencionar isso, Eric. Também foge um pouco daquela imagem
de historiador, que sozinho, perdido no arquivo, na historiador indiálogo com diversas ciências,
e também, na cada vez mais, a pesquisa histórica deixa de ser feita por um historiador sozinho
e passa ser feito por grandes equipes, seja pela complexidade do tema, seja pelo volume de fontes analisadas,
e eu acho que o Thiago tem um exemplo bem interessante sobre isso.
Sim, a memória de Carlos Magno é um tema trabalhado desde seu contemporâneo.
Mencionamos anteriormente os anais reais dos francos, mas outro documento, que é exemplar disso,
é a vida de Carlos Magno, ou Vita Carole, em latim, escrita por eiginário em meados dos anos 820.
Seguindo ou modelos romanos de louvoras imperadores conhecidos como panejírico,
eiginários escreve um dedicar dos acardos Magno, e este documento tornou-se uma das fontes primárias
para se pensar à vida do imperador.
Logico, temos que observar as intencionalidades de ginário, ainda mais considerar que ele não só frequentava a cor de carolinha,
servindo tanto Carlos Magno quanto seu filho Luís, mas também era um primo do próprio Carlos Magno.
De qualquer forma, fica evidente que a memória de Carlos era algo trabalhado desde então,
e acredito que o Vitor pode comentar sobre momentos posteriores, inclusive na modernidade, né, Vita?
Como é, ao longo da idade média, a idade moderna, a memória de Carlos Magno na esquecida pode passar por,
dependendo da região, do século por acilações, alguns momentos elovados, alguns momentos sedados como um mal exemplo,
mas olhando mais especificamente para a história contemporânea, a gente pode retomar na polião, por exemplo.
Na polião, quando ele assume poder e poem prática o seu objetivo na exitoração imperador da França, de forma alguma,
ele vai se colocar como continuador da dinastia daquele momento.
Afinal, toda a revolução tinha sido feita contra aqueles reis, e não era possível que na polião associasse a sua imagem aquela família.
O que faz então na polião? Ele se separa, se distancia desse embate político contemporâneo, ali do final do século XVIII,
e retoma a figura de Carlos Magno, de um grande imperador ligado, segundo na visão daquele momento, a história da França.
Um exemplo disso é a própria invasão de Acuís Grana, que já havia sido mencionada no início do programa,
que era uma das principais cidades, e onde está a catedrar o trono de Carlos Magno, e se acredita também onde ele foi enterrado,
quando as forças de Napoleão invadem a Acuís Grana, eles limpo toda a cidade e levam todos os objetos relacionados a Carlos Magno para Paris.
Com tudo, após a coroação e a consagração de Napoleão, ele retorna muitos desses objetos para a Acuís Grana,
como o sinal de respeito à memória de Carlos Magno.
Acho que o outro ponto que é igual, mas é semelhante também, é na polião, com toda a polêmica, ter sido consagrado pelo Papa, imperador.
Assim como já acontecia com os carolíngios, e avançando um pouco mais, então, isso aqui, estou falando a passagem de 18 para 19,
senti fora para a história do século 20, tem uma passagem complicado de se entender, mas muito interessante para essa discussão,
que é recuperação que o nazismo, e principalmente que Hitler faz da figura de Carlos Magno, como um grande imperador alemão,
que teria criado as bases de uma primeira Alemanha Unida, talvez reforçando essa ideia de Hitler, de Unido ou da Germânia,
e também uma certa identidade cristã.
Hitler chega até mesmo a comemorar o tratado de Verdun, o tratado de Verdun, ele é a divisão do Império entre os netos de Carlos Magno,
que aconteceu em 843, então em 1943, meio sem anos depois, Hitler faz uma comemoração a esse evento,
e chega até mesmo a mandar a produzir algumas porcelanas comemorativas que a figura central é Carlos Magno,
num lado, a gente tem o selo, que aparece alguns documentos de Carlos Magno, e do outro o símbolo nazista,
e no verso dessa porcelana enlatin a identificação tanto do Carlos Magno e do período que viveu como do Hitler.
E, por fim, ainda dentro dessa relação entre o nacional socialismo e a memória de Carlos Magno,
tem, foi criado durante a Guerra, durante a Segunda Guerra, o Regimento Carlos Magno, ou inglês, foi lembrando como de Vision Charlemagne,
que na verdade, era um destacamento do exército alemão formado por franceses, defendendo Hitler,
e que é um dos últimos destacamentos a se render em Berlin, então ele é formado mais na metade final da guerra,
e chega até o fim, defendendo Hitler nas batalhas finais.
Uma outra questão ligada à memória de Carlos Magno, recuperada no século 20, é essa ideia de Carlos Magno ser pai de Europa.
Embora ele tenha sido visto assim por seus contemporâneos, afinal ele governava sobre o reino de Europa,
e os poetas do Instituto Lavon como pai e o farol da Europa, no século 20, essa ideia foi ressignificada.
Acredito que o Victor possa falar melhores.
É bem interessante essa história, porque Carlos Magno é sempre identificado como grande imperador cristão.
Por outro lado, a União Europeia é fundada em bases completamente liques, sem nenhuma referência à religião,
e tudo, os debates sobre novos países membros, o debate da religião não está ausente.
E o grande exemplo que se tem recente, dessa história recente dos últimos 50 anos, é a Turquia,
porque desde a década de 60, se havia a previsão da Turquia fazer parte da Europa,
da ideia da Turquia, digamos como uma das cidades berço do cristianismo, se a gente pensar em Antioquia por séculos parte do Império Byzantino,
então faz parte de toda essa história, mas ao mesmo tempo, uma semana desde o século 15.
Então é um debate interessante, porque mesmo da previsão da Turquia fazer parte da União Europeia,
só em 1999 que realmente é reconhecido à Turquia com um país candidato, que poderia ser estudado,
e poderia ser discutido sobre a entrada na União Europeia, que é muito polêmico,
porque justamente um dos argumentos que vai ser utilizado contra a entrada da Turquia não é a questão política,
não é a questão de discussão, realmente a Turquia é um país democrático ou não,
se a Turquia cumpre com os requisitos econômicos preentado da União Europeia,
é justamente a afirmação que a Turquia é um país muito humano,
e que não deveria fazer parte da União Europeia,
numa pesquisa em 2004, por exemplo, 67% das pessoas na França foram contra a entrada da Turquia na União Europeia,
e no mesmo ano, o membro da Comissão Europeia é um belga,
Ele afirmou que os valores universais de Europa
que são os valores fundamentais do cristianismo e perderão força com a entrada de um grande país
no sumano com uma turquia. Então, declaradamente, um político europeu se coloca contra a entrada da
turquia usando o cristianismo como argumento principal. Então, a gente percebe que esse passado e essa
identificação é uma simples questão de memória ou sua história, mas tem grandes influências e
consequências no debate com o político contemporâneo. Com certeza, até para complementar essa questão de
a apropriação de personagens históricos, em 2018, o presidente da França, a irmã Norma Con,
recebeu o prêmio Carlos Magno, e isso foi usado pela extrema direita francesa para fomentar ainda
mais discursos de ódio e pureza cultural entre aspas. Então, Friso, o Con importante é refletir
um sobre o papel que essas figuras históricas se representam para o nosso presente.
Bom, a gente então vai passar para as referências bibliográficas, e apenas ser saltando que a nossa
discussão hoje foi muito mais em cima da figura de Carlos Magno, e a questão da política de economia
não impera o carolíngio. É claro que a gente tem planos para que, em um futuro episódio, a gente possa
discutir mais os aspectos culturais, aspectos sociais do período carolíngio, e, enfim, vamos então agora para
a recomendação.
Então, para o nosso ótimo aparte do podcast, vamos fazer algumas recombinações bibliográficas,
dias somedos que a gente não conseguiu trabalhar por conta da nossa limitação de tempo. Bom,
Tiago, você gostaria de começar?
Posso começar sim, Eric. Bom, é importante começar pontuando que, infelizmente, a produção
bibliográfica em português sobre Carlos Magno é bem reduzida. Encontam-se poucas obras
traduzidas ou originais que se dedicam exclusivamente a esse personagem. Dito isso,
eu recomendo duas obras em português. Ambas fazem parte da coleção em estudos medievais da
ditura da Nick Camp. Embora não tratem somente de Carlos Magno, elas fazem menção a ele e
a seu período para explorar os objetos trabalhados em cada uma delas. A primeira é a Cavalaria,
da Germania Tiga, a França do Céculo 12, de Dominique Bertelimin. Ela trata, como diz o nome,
da ideia de Cavalaria e o reinado de Carlos Magno é importante na argumentação justamente porque,
segundo autor, foi nele que se formaliza uma primeira ideia de ética Cavalaria-esca, uma vez que
foi nesse momento que se observa um dos primeiros testemunhos de fidelidade, que é aquele mencionado
anteriormente quando falamos do capitular geral para os enviados reais de 802. A outra obra é
o legado de Roma, iluminando a idade das trevas, de Cruz Rickan, onde esse historiador inglês
repensa as eranças do Império Romano. E Carlos Magno ganha destaque na reflexão, uma vez que foi
sob seu nome, que é a ideia de Império, foi retomada no ocidente desde o século 5. Já em
inglês transgeira recomendo uma nova biografia de Carlos Magno lançada em 2019, chamada King
and Emperor, a New Life of Charlemagne. Escrita por Janet Nelson, uma das maiores especialistas no período
carolígio que existem, e professor Emédita do King's College de Londres. Certo, acho que o Thiago
mencionou nessa dificuldade das obras em português, e gostaria de lembrar de um livro de Jean-Favier,
que o título é exatamente Carlos Magno. É uma obra, é um grande compêndio, trata tanto da vida de
Carlos Magno quanto alguns problemas historiográficos, como eu trouxe a recuperação da memória
do imperador, com um problema que esse livro está esgotado. Então, com um pouco de sorte,
pesquisando um pouco nos sebros, é possível encontrar, é uma obra importante de ser lembrada.
Além dela, gostaria de indicar o meu próprio livro, que esse interesse um pouco mais sobre
economia, tem um livro publicado sobre o modelo do grande domínio, em que eu estudo, como eu
mencionei, o Político que são de Mandepre, que é um dos mai, que é o mais conhecido, e também
do Samberta, que é resultado da medicettação de mestrado. Então, uma discussão um pouco mais
tanto de teoria quanto de economia. E por fim, em inglês transgeira, gostaria de retomar uma obra,
já tem aqui alguns anos, já tem mais de 10 anos organizado pela Dioanne Story, que se chama
Charlie Mann Empire & Society, que na verdade é uma reunião de artigos, e que eu acho um bom começo
para estudo do assunto, porque os principais especialistas europeus sobre assuntos escrevem,
tanto alemães, franceses, ingleses, então, é um bom ponto de partida para se conhecer a discussão,
e também para se desconhecer os autores que trabalham com esse tema.
E com isso, então, a gente se encerra o programa de hoje, gostaria novamente agradecer a presença do Tiago
do Victor, e também agradecer aos ouvintes por terem escutado a gente até aqui.
Bom, Eri, que eu agradeço o convite, e pela oportunidade, está aqui discutindo um pouco
sobre carolíngios com vocês, e espero que os ouvintes gostem da nossa conversa.
Um abraço.
Bom, muito obrigado pela oportunidade aqui de conversar um pouco sobre o nosso sistema de pesquisa,
e também coloco inteiramente a disposição futuramente para quem tiver mais curiosidade,
e quiser conversar sobre o assunto.
Obrigado.
É isso, gente. Até a próxima.
Podcast Summary
Key Points:
Carlos Magno é uma figura central na formação do Império Carolíngio, consolidando o poder real com apoio do Papa e estabelecendo a ligação entre política e religião.
O período carolíngio viu a criação de uma estrutura burocrática com assembléias de nobres, bispos e abades, e a padronização da moeda e do latim, além da expansão territorial até o Elba.
A relação entre política e religião no Império Carolíngio é inseparável, com a coroação de Carlos Magno como "imperador por Deus" e a presença de figuras eclesiásticas nas decisões governamentais.
Documentos primários como capitulares, polípticos e anais fornecem dados valiosos sobre a administração, a economia rural e a vida cotidiana, embora apresentem dificuldades de leitura por unidade de medida.
O modelo do "grande domínio" descreve a organização agrária, onde senhores controlam grandes extensões de terras e exigem tributos, servindo como precursor da estrutura feudal, mas não sendo o mesmo.
A memória de Carlos Magno é construída ao longo da história, com influência na política moderna, como nos movimentos de nacionalismo e na apropriação da figura como símbolo de Europa.
O nazismo e o pensamento de que Carlos Magno foi "pai da Europa" foram usados para promover ideologias de unidade nacional e identidade cristã, mostrando como figuras históricas são reutilizadas.
A inclusão da Turquia na União Europeia gera debates sobre a religiosidade da Europa, mostrando como a identidade histórica de Carlos Magno é ainda influente no presente político.
Summary:
O podcast explora a figura de Carlos Magno como centro da formação do Império Carolíngio, destacando sua influência política, administrativa e religiosa. A transição da dinastia merovíngia para a carolíngia foi mediada pelo apoio do Papa, consolidando uma aliança entre rei e igreja, evidenciada em documentos como os capitulares e a iconografia vaticana. Carlos Magno implementou estruturas burocráticas, padronizou a moeda (denário) e promoveu o uso do latim, fortalecendo o governo e a administração rural.
O modelo do grande domínio descreve a organização agrária, onde senhores controlam terras e coletam tributos, sendo um passo precursório, mas não idêntico, ao feudalismo. A análise de fontes primárias, como polípticos e anais, revela detalhes da vida rural e da economia, mas enfrenta desafios de interpretação. A memória de Carlos Magno é profundamente influenciada pela história moderna: na França, seu nome é usado como símbolo nacional durante a Revolução e na era napoleônica; o nazismo reutilizou sua figura como base para ideias de unidade alemã e cristã; e debates sobre a adesão da Turquia à UE refletem ainda hoje a tensão entre a identidade europeia e a religiosidade.
O programa destaca que figuras históricas como Carlos Magno são continuamente apropriadas para construir narrativas políticas e identitárias no presente, evidenciando a complexidade da relação entre passado e presente na construção da Europa.
FAQs
Carlos Magno foi o segundo rei dos Carolíngios, sucedendo seu pai Pepino Breve. Ele consolidou um império que abrangia grande parte da Europa Ocidental, sendo o período de seu reinado (814) marcado pela expansão territorial, burocratização do governo e fortalecimento da autoridade imperial.
A relação entre política e religião era profundamente interligada: Carlos Magno se identificava como 'imperador coroado por Deus' e muitos documentos mostram que os bispos e abades atuavam como agentes de governo. A coroação imperial em 800, por exemplo, simboliza essa aliança entre a igreja e o poder real.
Carlos Magno implementou uma estrutura burocrática com assembléias de grandes personagens do reino, como duques, bispos e abades. Também promoveu a padronização da moeda (denário), reformas linguísticas no latim e a criação de políticos que detalhavam a produção e as obrigações dos camponeses.
O grande domínio é um modelo de organização rural onde um senhor controla terras amplas, cedendo parte a camponeses que pagam taxas em grãos, ovos ou moedas. Ele não é o mesmo que o feudalismo, que só se desenvolveu no século X, sendo um precursor dessa estrutura social.
Ele é simbolizado como um dos fundadores do Império Europeu e sua figura é usada em instituições como a União Europeia, por exemplo, no nome do prédio da Díploma das Sedes em Bruxelas e no Prêmio Carlos Magno, que reconhece contribuições para a unificação europeia.
As principais fontes incluem os capitulares (atos normativos), os polípticos (documentos de produção agrária), os anais históricos e as cartas. Essas fontes permitem reconstruir aspectos da administração, economia e vida cotidiana do período.
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