Especial - A Recepção e Tradução das Obras de Lênin no Brasil
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A recepção e tradução das obras de Lênin no Brasil, entre 1920 e 1964, foram processos complexos e indiretos, profundamente ligados à formação da esquerda local. Inicialmente, as traduções eram feitas a partir de versões francesas ou espanholas, o que gerava confusões conceituais, como o uso do termo "maximalismo" para "bolchevismo". Os primeiros textos foram publicados por anarquistas, que mais tarde ajudaram a fundar o Partido Comunista Brasileiro (PCB). A difusão dessas ideias enfrentou grandes obstáculos: a censura de governos como o de Artur Bernardes, as altíssimas taxas de analfabetismo e o fato de que muitos militantes operários eram imigrantes com domínio limitado do português, tornando a leitura em grupo uma prática essencial. O Partido Comunista Argentino exerceu um papel crucial como mediador e centro difusor da teoria comunista para o Brasil e a América do Sul, dada sua tradição marxista mais antiga e consolidada. A pesquisa de Fabiana Lontra, discutida no podcast, destaca como a história da tradução é uma chave para entender a recepção das ideias comunistas, envolvendo também o estudo das edições físicas, dos tradutores e do contexto político que moldou essa trajetória.
A recepção de lênio no Brasil foi marcada por traduções indiretas, feitos muitas vezes a partir de dissuens francesas e espanholas, e também por confusões terminológicas que facilitavam confusões conceituais. Entender a história da tradução de lênio no Brasil é um elemento fundamental para entender a recepção de deios comunistas, marxistas, Bolsheviks, que deve se lembrar não deixar de encontrar diversos obstáculos a sua difusão, como as censuras e ideias de esquerda e a enorme taxa de analfabetismo que marcava população brasileiro. Para falar sobre essas diversas outras questões, recebemos Fabiana Lontra, mestre em estudos da linguagem e autor da licenciatação, as obras de lênio no Brasil, 1920 a 1964. Meu nome é Pietro Lobson e esse é mais um episódio do onto cast. Bom, bom dia, boa pare de boa noite, todo mundo do onto cast, obrigado pelo convite. Eu estou muito feliz de estar aqui, esse projeto acho muito legal mesmo, assim muito importante. Bom, eu sou Fabiana, eu comecei a me interessar pelo tema lá quando eu estava na minha graduação, na letra de Naúrgues, eu era do movimento estudante-o na época e eu tive um contato, claro, com os textos da esquerda, clássicos da esquerda, marx, lênios, enfim, a gente fazia curso de informação e eu acabava sempre me perguntando de onde é que vinha uma tradução em que a gente tinha acesso naquela época, se usava muito, acho que ainda se usou na verdade, o Marxist Archiv, que é o grande arquivo Marxista da internet que tem muitos textos gratuitos, enfim, mas a gente usava como fonte, não sabia muito bem de onde é que viam as traduções, coisas eram as fonte e ainda mais sendo no caso do leirem textos do ruso, porque certamente eram indiretas, não eram traduções diretas do ruso pro português, eu acreditava, tinha começado a pesquisar o assunto ainda, mas me parecia um pouco inseguro, assim, usar para uma formação teórica textos assim como uma fonte do vidoso, que a gente não conseguisse rastrear, um exemplo inclusive de como pode ser perigoso, simplesmente pegar um texto na internet e usar como uma fonte, assim, eu tive a oportunidade de traduzir alguns textos do trots que para um projeto que ainda não foi publicado, mas em um dos textos na verdade eu não traduzi, foi uma outra equipe que traduziu do inglês, mas pediram para eu coter já a tradução que eles fizeram do inglês para o português com o texto ruso, que eu trabalho com um ruso e pediram para eu coter já previstar tudo certo em relação ao fonte inglês com o fonte ruso, e eu comecei a ver o texto, estava um pouco estranho, assim, uma transição, um pouco brusca, e eu percebi que na verdade a fonte que eu existia um usado do inglês, omitia duas páginas do texto original, assim, e que eu achei o conteúdo original, porque eu fui atrás da fonte mesmo, em ruso, ali no site da biblioteca lá da rusa, enfim, e eu percebi como poderia ser realmente perigoso, né, a gente só pegar um texto e às vezes editar cortado, ou tenha um tipo de adulteração, que era uma coisa até que acontecia, assim, um pouco no passado, então, então, comecei a me preocupar sobre a questão da história da tradução, sobre a tradução dos textos políticos russos, e comecei a trabalhar nessa área, eu já era da área da terminologia, fazer a inicensção científica em terminologia, comecei a estudão da terminologia do lênin, na terminologia política do lênin, isso foi lá no meu TCC, e aí, quando fui promestrado, eu quis ir para essa área da história da tradução, que é uma coisa que é bem pouco trabalhada ainda no Brasil, mas que é um terreno muito ferte, muito interessante, existem vários trabalhos na área da história do livro, né, da história, realmente da área da história, né, que é sempre uma perspectiva histórica, então, por exemplo, trabalho do link conceco, da Marisa Midori, do Vinícius de Berte, que inclusive esteve num toquest, no episódio da imprensa comunista no Brasil, ele tinha feito um trabalho sobre a doutora calviana, né, então, nesse aspecto da história do livro, e que é muito interessante eu usei bastante na minha pesquisa, então, eu comecei a trabalhar com a história da tradução do lênin, né, pensando que também a tradução é um pouco a história da recepção, né, das ideias comunistas, da teoria comunista no Brasil, como isso se deu, então, meu trabalho tem um trabalho a vários aspectos, assim, tantas da questão da tradução, mas também das edições físicas, né, dos tradutores, quem eram os tradutores, quem eram os editores, qual foi a ordem dos títulos que chegou no Brasil, como é que isso pode ter interferido na recepção das ideias do lênino Brasil, como que a censura bloqueou também a recepção do lênino Brasil, enfim, quais foram os atores envolvidos e como que é a dinâmica política dos anos que, daí, o Recorte que eu fiz foi de 1920 a 1964, né, e como que é a questão política através de esses anos e foi moldando um pouco essa história. Aproveitando um pouco que estou ainda está se apresentando, a gente está no início, né, eu queria saber um pouco também da tua, acho que é do interesse geral, né, saber não só da toda a tradutora acadêmica, mas também da toda a tradutora militante, assim, que eu for um dos espaços que tu circulou e qual foi a experiência que tu teve. Então, eu comecei a minha história militante secundarista, né, foi lá em 2012, que aí na área secundarista, conheci um pouco da cultura marxista, assim, né, foi envolvendo com as ideias, me filhei a um parte do lídico. E aí, me envolvi muito quando eu entrei na Orgis com o DCE, na Orgis, com o centro acadêmico da letra, né, fiz parte de várias gestões aí, fez partidos conselhos, né, conselho universitário, conselho de insinupeis que existenção. E aí, também, aqui em Porto Alegre, né, naquele contexto lá de 2013, do bloco de lutas contra o aumento da passagem, né, de todas esses movimentos de rua que Porto Alegre teve, infelizmente hoje tá um pouco embaixo, né, mas, somente, tive muito envolvida nesses processos, principalmente nesses, nesses anos que Porto Alegre foi muito cabeça, assim, da luta contra o aumento da passagem. Isso foi uma parte bem importante, assim, da minha trajetória. Maravilha. Então, entrando agora já, propriamente no tema, né, quais são as características do momento político do Brasil, no momento em que as obras do lênio começam a ser traduzidas aqui, né, e quais são os textos escolhidos e selecionados para a tradução, o que essa escolha diz desse momento? Então, a história, o começo da história, né, das traduzidas do lênio no Brasil é uma coisa muito interessante, assim, mostra muito de como é que foi a história da formação da esquerda brasileira, né, porque eu comecei, o meu trabalho ele comece em 1920, mas vamos começar um pouco antes, né. No Brasil não ouvi assim, é. ideias marxistas, não ouvi marxistas mesmo antes da revolução russa, né, não havia essa tradição marxista como conseguiu haver em outros lugares, como, por exemplo, na Argentina. Então, o Brasil antes da revolução russa, tinha alguns socialistas autópicos, que também não era uma questão muito difundida, mas o que era mais forte era o anarquismo, o cinticalismo, né, como foi com a confederação operária brasileira, né, que fez a primeira grave geral no Brasil, então o movimento anarquista era muito forte, e foram as pessoas que realmente começaram a movimentar mais a esquerda brasileira no começo do século 20, e o que
Eu acho que é uma coisa extremamente interessante na história da tradução do Lenin no Brasil, é que o primeiro livro publicado é com um texto de Lenin que se chama "Luta pelo Pão", que foi um discurso de 1918, que ele que ele preferiu, ele foi publicado por um militante de anarchista, que se chama José Alves, ele depois, mais tarde, eu acho que esteve envolvido com um percebendo, não tenho certeza, mas era uma iniciativa anarquista, que chegou nesse texto e teve essa publicação, então usar anarquistas, na verdade, que, a partir do momento que chegar a revolução russa se inspiram na luta dos russos pela revolução, eles começam a importar essas ideias do comunismo e aí que se formam o PCB, os militantes que formam o PCB, primeiramente eram anarquistas, eles foram convencidos das ideias marxistas, mas foi uma coisa que chegou tudo muito junto, então, por exemplo, esse primeiro livro que foi "Luta pelo Pão" 1920 foi publicado por um anarquista e o segundo livro que foi em 1923, se chama "Cidadão e produtor", é uma entrevista do Lenin, é um jornalista americano, ele daí já foi publicado pelo comitê do PCB de Pernaum Bucu, então demonstra ali essa bem-esse momento de transição entre a questão anarquista e o começo do PCB, que é fundado em 22, e aí ele é reconhecido pela IC, pelo entreno nacional comunista em 24. Um livro que eu recomendo muito para quem se interessa por esse momento histórico específico, é o ano vermelho, que é a do Môniz Vandeira, meu bem-endradi, é um livro de 1980, eu usei ele muito, muito, muito na minha pesquisa, porque é justamente a história da recepção, da revolução russando Brasil, com muitos trechos de jornais, da imprensa na época e tal, e já vou aproveitar esse gancho para falar um pouco de uma outra pesquisa que eu fiz, que daí é na terminologia, que é sobre o termo bolchevismo e o termo maximalismo, porque ali nos anos 20, naquele comecinho, a verdade desde 17, a recepção da revolução russando Brasil, ela vem através da tradução das coisas, porque, enfim, nada era nativo do Brasil, a recepção de uma coisa muito específica que estava acontecendo na rússia, e aí começam a circular aos termos que eram totalmente néditos naquela época, como um bolchevismo, menschevismo, e havia uma confusão teórica e terminou, hoje, que é muito grande naquela época, porque as pessoas não entendiam que que era de onde vinha e o que queria dizer, né? Então nesse livro ano vermelho aparece várias vezes de o termo maximalismo, eu comecei a achar muito interessante ali, o que era esse termo, porque as pessoas estavam usando isso, e aí eu fiz essa pesquisa, é um artigo que vocês conseguem encontrar, se quiserem na internet, ele está nos cadernos do IAL, que é um instituto de letras da Urx, o nome do artigo é o termo maximalismo, uma abordagem terminológica e de acrônica, porque é terminológica e de acrônica, porque é pra falar da terminologia, e também numa perspectiva de acrônica de entender como é que o termo chega é utilizado e inclusive morre, porque o que acontece? O maximalismo é ele tentar você atradução de bolchevismo, só que a partir de um conceito mal interpretado, porque o que quer dizer bolchevique, ele vem da palavra "Bulchistvo", em ruso que é maioria, e menchevique é da minoria, que foi daquele raixa do Partido Operário do Sul, da Democrata Rousse, que vem ali lá no começo do século 20, enfim, aquela, aquele momento específico em que se cria o conceito de bolchevique, menchevique, e aí no Brasil, sem entender o que, na verdade, a maioria do bolchevique queria dizer, o programa máximo, programa máximo e programa mínimo, então, o maximalismo seria os adeptos do programa máximo, do leiling, mas não é exatamente isso, né? Então, o pessoal não entendia muito e começava a aplicar esses nomes, inclusive, existe uma união maximalista no Brasil, né? Foi um grupo organizado, inclusive, acho que foi um militante que também era anarquista e depois participou da fundação do PCB, que era o Abili de Nequete aqui do Urangido do Sul, inclusive, se não me falha memória, e eles começaram a usar esse termo, e a partir do momento que começou a se ter informações mais concretas da questão teórica mesmo, do que estava acontecendo na revolução russa, começaram a ter contato com os textos teóricos e conseguisse apropriar realmente do que era a teoria do bolchevismo, o que era a teoria do Lenin, aí parou de fazer sentido essa, o uso do termo maximalista e ele morreu, ele nunca mais foi utilizado, né? Tanto que a gente não vê hoje nos textos, nenhum texto sobre a evolução com o sal, enfim, os autores rusos e soviéticos esse termo, então é muito interessante também enxergar a tradução como esse recorte do entendimento teórico da época. Só te pediu um esclarecimento, então maximalismo era uma tradução inicial pra bolchevismo. - Exato. - E quais são os motivos que tinham erro de entendimento nessa tradução, qual era especificamente esse erro de entendimento? - Nossa, eles achavam até, eles se estavam, é um registro que eu te trago no meu artigo, que ouve quem tissece que o termo maximalista vinha de Maxingorck, que vinha do primeiro nome do Gorky, que é um autor soviético, né, que era amigo do Lenin, inclusive, mas que não tinha nada a ver, assim. Então, eles achavam que tinha de ver com um programa máximo dos bolchevics que seria a revolução, a, enfim, o comunismo em si, como se fosse o significado, só que bolchevics, em chevics, vêm da. do raixa, do partido operário social democrata rosto, então, é, é, vem literalmente no nome do rosto, é maioria em minoria, não tem a ver com a questão teórica e si, mas assim com a divisão ali, proporcional, né, entre os grupos. E inclusive, até, existe um artigo de uma pesquisadora de francês, que traz um pouco sobre a questão do nome Bolchevic, que me chevic também, e que se usava também muito na época, a questão também do escrista, que vindo do Jornal Iskra, que era o Jornal que o Lenin, que estava na época, tinha, bom, o Leninista também é um, é um termo que começa a surgir nessa época também, mas que aí vem a questão também da, é, do cultão nome, né, outras questões teóricas por trás assim, né, que usar o nome Bolchevic, não usar o nome do, do teórico como Lenin, né, então que seria uma coisa mais abrangente, e aí usar o Leninista seria mais de cultão nome, mas também em outros momentos da história, em outros lugares da história, isso não vai ser uma questão, então tem várias coisas por trás também, é dessa escolha terminológica. Maravilha, muito interessante essa, da maneira como tu vem colocando assim a questão de que havia pouco socialismo no Brasil, socialismo mais utópico, e aí é interessante, inclusive lembrar que a tradição anarquista no Brasil, ela na verdade não é indógena, ela vem muito com as grandes levas de migração de italianos, quando eles vem pra cá, então legal não tá aqui não era nenhuma coisa aqui, alpócton, né, ela vem quando, ela vem com essas levas de migração italiana principalmente, porque o anarquista é muito forte na italiana, então, tu deu esse primeiro contexto dos anos 20, e depois que o percebei foi fundado, né, como é que a coisa se desionou? Essa é a questão da emigração também, isso comentou é muito interessante, porque isso também é uma questão de tradução, né, se no Brasil os militantes, né, que seria o público alvo da tradução, às vezes nem falavam português, e os brasileiros incitiam taxas de alfabetismo tão grande,
como é que seria o público alvo da tradução, como é que a pessoa quer que leia. E isso era uma questão muito importante, nas primeiras momentos de tradução do lênim, porque realmente não havia muito espaço para a tradução do texto brasileiro, porque mesmo entre os operários brasileiros, por exemplo, tinha que ter um espaço de leitura para que alguém leia sem voz alta. E o grupo conseguisse ouvir e discutir, porque realmente não havia essa coisa de "da pessoa pegar e ler um livro", assim, as taxas de Anafabitismo realmente eram muito, muito grandes no Brasil, no começo do século I. E realmente, quem era a liderança dos movimentos, na anarquista, assim, de calistas, geralmente eram imigrantes que ainda estavam abrindo português, mas também que eram de idiomas que não necessariamente são os idiomas que começam a circular nos teus políticos, que vai ser o francês-viso-panhão, e é isso que você falou. Os militantes geralmente estão os italianos, tem outros militantes, como alhas, tem outros imigrantes, como os libaneses, na que eu casa minha família. Enfim, tantos outros, e ruso mesmo não tinha tanto, não tinha tanto imigrante ruso, não era uma coisa tão forte, então esse contato direto não existia, não tinha essa coisa com a língua, como tem com o italiano, alemão aqui no Brasil. Mas voltando para a tu pergunta, "Vou perceber foi fundado uma coisa muito interessante, já falando sobre as fontes das traduções no Brasil, é a questão da tutela do PCA, do Partido Comunista Argentina, nesse começo de história do PCB, porque o Partido Comunista Argentina, que vai mediar a entrada do PCB na Internacional Comunista, na terceira Internacional, e a Argentina é esse ponto de centro do comunismo na América do Sul, porque a tradição comunista Argentina era muito mais consolidada do que no Brasil naquela época. Por exemplo, na Argentina, a Fundação no Partido Socialista, que já a Marxista foi em 1896, então, PCA já é fundado por 1918, realmente muito junto com a revolução russa. Então, ele já tinha uma maturidade, ele já tinha um desenvolvimento muito maior que fazia com que também a IC confiasse, no Partido Comunista Argentina, como esse divulgador, esse ponto de difusão da teoria comunista na América Latina, na América do Sul. Um dado muito interessante que eu encontrei na minha pesquisa, é sobre as primeiras traduções de autor marxista russa na América do Sul, que foram Inguenosares do Pleihanov, que tem gente que pode conhecer pelo nome Plekanovo, mas na pronúncia mais próxima do Sul, é Pleihanov, que se pronuncia, que foi em 1898, 1903. Então, testos bem antigos considerando que, antes da revolução russa, um autor marxista russa era muito raro de se encontrar na América do Sul, assim, para acelhido em tradução. Isso era bem raro, né? E quando a gente tinha traduções, vai ser tradução mais francês, que circulava na América do Sul, porque o francês era a língua, franca da intelectualidade, como hoje a gente vê mais no inglês, mas na época não se falava inglês praticamente em nenhum lugar, assim, né? Era sempre o francês. Mas, enfim, voltando para a questão ali, posso perceber? É interessante já pensar um pouco sobre o contexto político brasileiro, né? Ali na época 1922, 1926 era aquele governo ator Bernardes, que ele deixou um permanente estado de cítio no Brasil, né? Muitas censuras, muita questão de tentar barrar materiais subversivos, barrar de fusão de qualquer tipo de material que pudesse incitar as massas, enfim, teve em 1924 a criação do Dops, que é interessante notar, que é uma coisa muito mais antiga de tadura militar no Brasil. E ali nos anos 30 começam um outro movimento que é muito interessante também, conhecer que é o adivento do trotesquismo no Brasil, né? Porque vai ser um Mario Pedroza, que inclusive vai traduzir bastante Lenin, ele era um militante que foi de perceber, foi para a União Soviética, para estudar, se aprofundar, e ele acabou conhecendo a teoria de trotsqu, e meio que trouxe o trotesquismo no Brasil, ele fez a Liga Comunista do Brasil, enfim, tinha também um outro grupo, que chamava até, acho que era, lembra agora, será a União Leninista, mas uma coisa assim que envolvia o nome Lenin, ele era trotesquista, mas eles, na verdade, usavam o nome de Lenin, no seu DNA ali, mas já numa oposição a está ali, a Ruma, que é o meu servético, estava tomando naquele momento, e ele vai criar junto com outros militantes ali, que também vão trazer Lenin, o Aristides Lobo, Miguel Macedo, eles vão criar unitas que é uma editora ligada ao trotesquismo, já aqui no Brasil, então vai ser interessante, porque vai ser ali um momento em que outros grupos também vão começar a trabalhar o texto de Lenin, de vulgar o texto de Lenin, e vai ser também, acho que pela Unita, assim não me engano, que vai ser publicado a estado e a revolução pela primeira vez no Brasil, mas ali nos anos 30, até por uma questão, que daí vai ser uma questão mais geral, assim do livro no Brasil, que depois de 1999, que tem o creche da bolsa nos Estados Unidos, acaba que isso ajuda a fomentar a indústria editorial, a indústria do livro no Brasil, porque antes se importava muito mais e daí precisou haver um movimento de substituição das importações, e então nesse momento que a indústria do livro começa a acontecer de fato no Brasil, e aí nos anos 30 vai ter uma profusão de traduções do Lenin através de diferença de todas, um fato que é bem diferente, assim, em relação outros momentos da história que eu estudei, porque Lenin vai ser publicado por 7 editoras diferentes, somente estouras que também não vão durar muito tempo, mas tem, por exemplo, uma que acho muito fascinante, que é a Selma, que é um acrônimo de Stalin em Deus Lenin e Marx, mas ela aparentemente teve uma vida muito curta, começa também a editora Calvino, que depois vai se revelar um braço do PCB, então várias editoras começam a ser apropriado o texto de Lenin para publicar, então quer dizer, existe mais interesse, de repente existe mais publiculheitor, pode se pensar, mas ali em 35 já tem o levante comunista do PCB que foi um fracaso, que acaba criando a Lei de Segurança Nacional, um momento de grande repressão aos comunistas no Brasil, é um fato que é muito conhecido, um exemplo muito bom desse momento da história, um dos meus livros preferidos que é memórias do cárcer e do graciliano-Romos, que foi preso nessa época por causa da Lei de Segurança Nacional também, e no livro Relato ali, praticamente ali está vip dos militantes comunistas no Brasil, acaba comemcionando até o Newton Freitas, que é um tradutor de Lenin, que dividiu a sala com ele, então a história vai fechando ali os pontos dos militantes comunistas da época, e em relação aos anos 30 também é interessante a analisão, ali já para a parte dos textos que são trazidos para o Brasil, é uma coisa que eu fui percebendo na pesquisa, parece que os textos eles iam chegando de trás para frente, os textos mais recentes da época estavam aparecendo primeiro, enquanto os mais antigos ainda não eram publicados, então por exemplo, está da revolução que eu mencionei antes, que é de 1917, foi publicado primeira vez no Brasil, 1933. A primeira edição do esquerdismo, a doença infantil do comunismo, e chega no Brasil com nome extremismo, a doença infantil do comunismo, então já vem uma outra questão de. tradução, que lembra muito a questão do maximalismo e boucher vismo, essa coisa de ter um conceito novo para traduzir e essa dificuldade de entender como é que isso vai ser colocado na língua portuguesa, então extremismo é uma tradução de esquerdismo que aconteceu lá em 34 e aí logo depois foi resolvido a ramai se usou extremismo para traduzir esquerdismo mas também já é um registro de como que o conceito começou a ser apropriado no Brasil, essa dificuldade de entendimento e extremismo que foi publicado em 1924 e o livro é de 1920. O imperialismo é tapas superior do capitalismo, foi publicado em 34 e é de 17 a revolução proletária, renegado cautos que foi publicado em 34 e é de 18 e uma questão que para mim sempre foi muito estranha, enquanto eu estava pesquisando, é o fato de o que fazer só chegou em 1946, que é um livro de 1902 só que para mim, assim, o que fazer enquanto uma pessoa que realmente estudou lênia assim, para mim acho que é um de ser mais fundamentais, é um manual do partido comunista assim, de tudo que tem de mais básico da teoria de lênia, eu acho que está em que fazer assim, questões de agitação e propagando, questões do partido, enfim, eu acho um texto muito, muito, muito fundamental e eu fico chocado de pensar como é que eram entendimentos de um partido comunista no Brasil sem ter uma tradução de que fazer, uma tradução que só chega em 1946, então, assim, será que ter suave circulando em espanhol, em francesse, se estava, então, era só pros quadros do partido, como é que isso chegava na base, será que as pessoas tinham acesso? Então são questões que, para quem está estudando a história, a história da recepção do comunismo, a história da formação da esquerda do Brasil, é muito interessante olhar para esse fato, quais são os textos teóricos que as pessoas efetivamente tinham acesso, garantidamente tinham acesso, quais que elas não tinham, será que isso chegava por cartilha, então, que é a que escrevia, como é que esse texto era formulado? Então, vários aspectos assim, que às vezes podem não ser notados, mas que quando a gente começa a estudar a história da tradução, a gente começa a perceber essas omissões, essas questões que podem impactar muito na formação teórica também da esquerda no Brasil, porque a grande questão é que não havia autores consagrados comunistas no Brasil, até mais ou menos a década de quarenta, isso é uma coisa que, o seu que fala, eu linconseco, um grande pesquisador também que traz um pouco disso, ele tem um livro muito bom chamar batalha dos livros e fala bastante também sobre a história do livro de esquerdo no Brasil. Então, precisava mesmo importar a teoria comunista no Brasil, então a tradução, a primeira forma, a primeira ferramenta de importação desses bem esculturais, que a gente vai chamar bem esculturais pro Brasil, então, conseguiu importar a teoria, conseguiu importar as ideias e consegui formar a partir disso uma coisa que vai ser própria do Brasil. Aí, já na parte de os anos quarenta, vamos ter outros elementos que também são muito interessantes da gente analisar, que com o entrada do Brasil na segunda guerra mundial em 1942, começa a ter essa ascensão do antifascismo, o perceber volta a crescer e com isso a gente consegue dizer mais textos de Lenin, a gente, como se estivesse trazido, mas há mais essa tradução do Lenin no Brasil, porque tem um momento de maior abertura por causa dessa simpatia que a gente começa a ter com a União Soviética pela questão da segunda guerra mundial. Então, ali em 43, 45, vai ter bastante publicação de Lenin e em 44 a atura fundada editora vitória, que vai ser um editor oficial do PCB, até ele, usando 60, mas também nessa época a editora calvino também se revela como um braço editorial do PCB, então o PCB está com duas editoras nos anos quarenta, que acabam publicando do placado, alguns títulos, que é uma coisa interessante também, porque publicam o mesmo título, mas com tradições diferentes, então assim, e eu não sei nem explicar, isso é uma coisa que ficou com um mistério aí na minha pesquisa, não sei nem explicar mais mostra que então que se tinha essa possibilidade, essa abertura de traduzir e publicar muitos títulos do Lenin nessa época, que também não vai ser tão grande ali, vai ser até 43, 45, que vai ter mais publicações até 49 ali, e aí vão ter alguns títulos que vão chegando, que ainda eram inéditos no Brasil, como eu falei, o que fazer, que vai chegar em 46, o materialismo em perocritismo, que a lá de 1909 vai chegar em 46 também, duas táticas, duas táticas da social democracia na Revolução Democrática, que é de 1905 também, um passo adiante das que é de 1904, então títulos que ainda não tinham chegado e que são mais antigos ali, né, das obras do Lenin, um exemplo inclusive de um título bem antigo que nunca foi publicado nesse período que eu ouço dele no 1924, é o desenvolvimento do capitalismo na Russia, né, que é de 1899, foi um primeiro de libros do Lenin, e que nunca chegou no Brasil nessa época, claro, é um livro que ele é sobre a questão na Russia, mas obviamente que é inteilevante também para pesquisa para a teoria Leninista, então também é uma omissão interessante de se ter em mente, né, que os militantes, enfim, a esquerda não tinha acesso, é um menos a tradução dele aqui no Brasil, então ali depois dos anos 50 vai ter um hiato até 54 de traduções do Lenin, tem umas questões mais da ordem prática ali, teve uma grande crise de casês no papel, algumas questões ali da história do livro mesmo, né, é más que depois em 55 a princípio ou ouvir algumas políticas ali de fortalecimento do mercado editorial ali com Jk, enfim, mas esse tipo de questão às vezes não é tão relevante para a questão da tradução política pelos outros aspectos que estão aqui, então, interessante de ter o dado ali que nos anos 40, a gente teve 19 publicações do Lenin, nos anos 50 foram só sete, e aí a partir de 1947, é só a vitória, né, a ditória vitória que eu comentei que foi criada pelo PCB, que começa a ser a única responsável pelas publicações do Lenin Brasil, nenhuma outra editora se envolve mais com esses títulos, é claro que uma questão política ali, né, porque para editoras comerciais não vale a pena se envolver com uma publicação que potencialmente poderia ser aprendida, assim, assurada, é sempre foi muito perigoso publicar Lenin no Brasil em diferentes momentos por diferentes questões políticas e diferentes conjunturas, então ali, depois os anos 30, a Lenin, aquele momento que eu comentei que várias editoras publicaram, aí a gente começa a ver que realmente só o PCB que coloca os focar atap ali, né, que se dispõe a publicar, a traduzir, a fazer circular o Lenin, aí é uma questão teórica, é uma questão de posicionamento mesmo, e até mesmo uma questão ali já dá a própria IC, né, de difusão do texto do Lenin entre os PCs, então era uma tarefa de gestação em propaganda, né, era uma tarefa militante que se publicasse Lenin, isso também é uma questão, né, que eu posso trazer depois um pouco mais adiante, e aí é editora vitória, a gente vê, ela foi fundada ali em 44 comitando, e ela foi se profissionalizando, assim, né, estupega o livro mesmo na mão que já nos dá 60, tem umas edições melhores, tem livros maiores, né, então ali, a aliança, Aliança, operar o componês é um livro com mais de 600 páginas, no Madison Bol.
ou assim, uma capa, uma de a gramação. Então, a gente vê que a editora estava se professionalizando e é um investimento grande, publicar em primim um livro de mais 600 páginas. Então, também dá um indício de que havia, de repente, o publiculitor para isso, havia uma viabilidade econômica para isso. Então, são fatores que, mesmo que a gente não tenha acesso a dados de tiragem, de comercialização, só o fato de ter, já é um indício de que quer dizer que havia algum tipo de viabilidade para isso. Então, é interessante de pensar. Mas, é claro, ali, 61, a gente já começa a perder a nossa democracia, digamos assim, e um fato muito triste, que eu tive acesso aí nessa pesquisa, foi um iniciativa que foi abortada, infelizmente, já ali depois nos anos 60, de uma publicação das obras escolhidas do Lenin, que daí não seria pela vitória, seria pela civilização brasileira, que era que a editora do Lenin se ouveira, uma grande editora da esquerda brasileira, que seria uma tradução direta do rosto em três volumes traduzida pelo alvo, que viria a pinto, que era um filósofo, enfim, um intelectual, e eles estavam trabalhando nessa edição, tinham dois volumes traduzidos, inclusive de 13, eu não sei quais eram os textos que estavam incluídos, mas que foi totalmente aprendido e destruído pela força repressivasidade da dura militar. Então, a gente nunca mais teve acesso aí a esse trabalho que estava em vias de acontecer, ali nos anos 60, infelizmente, foi interrompido pela repressão, mas que teria sido, se tivesse acontecido, acho que em um dos esforços mais profissionais, mas sofisticados em termos de tradução mesmo, em termos de editoriais das obras do Lenin, mas que acabou não acontecendo. E aí já mostra que ele nos anos 60 realmente a viabilidade da tradução, da publicação, a luz do dia, digamos assim, já se tornou completamente interrompida pela ditadura militar, então aí o que vai acontecer vai ser uma difusão muito artesanal, por baixo dos panos ali, dentro das universidades, dentro dos espaços de militância, mas não vai ser uma questão editorial, com publicação, então a história é muito mais difícil de pesquisar isso, por isso mesmo que na minha descertação eu encerro por aí, porque aí teria que ter um nível de estudo de documentação ali, que eu não conseguiria alcançar, mas é interessante um dado depois que eu trago, já passando aí dessa linha do tempo que eu criei, mas que em 1978, Lenin foi um dos autores mais censurados do ano junto com dois autores de literatura pornográfica, então mostra aí como a censura permaneceu mesmo depois da reabertura, a Lenin, né? E aí depois usando 70 só para encerrar um pouco assim esse arco temporal que eu vou criando, aí volta a publicação de Lenin, mas já pela Alpha Omega, que vai pegar emprestado, as traduções da avante, né, que é a ditora do PCP do Partido Comunista Portuguesa, que começa a publicar Lenin depois da Revolução dos Cravos ali em 74, eles começam a publicar as obras escolhidas, e Alpha Omega vai publicando no Brasil essa tradução que é portuguesa, né? Mas que é feita diretamente do rosto, né, do rosto para portuguesa Luzitano, e aí depois essas traduções da avante vão continuar circulando no Brasil até hoje pelos livros da expressão popular, pelos livros da Boitempo, o arquivo Marxista na internet também usa as traduções da avante, então essa tradução Luzitano, né, que não é do Partido Brasileiro, mas que é direta, ou acaba circulando bastante e até hoje no Brasil. Olá, vocês está gostando da conversa? Se você curte o trabalho de divulgação científica e filosófica do Marxismo, e as discussões sobre a teoria social crítica ao capitalismo, feita pelo onto Keste, e quer ajudar para que esse trabalho continue fique cada vez melhor, considera se tornar um apoiador de nosso podcast, o onto Keste é um projeto produzido de forma voluntária por pesquisadores e pesquisadores Marxistas. Do ano a partir de 5 reais, você se torna o membro do grupo de apoiadores do podcast. Do ano a partir de 10 reais, você pode participar das lives do podcast, e do ano a partir de 20 reais, você concorda a sorteio de livros e mimos comunistas. Suas doações perióticas ajudam a manter nosso projeto gratuito e independente. Acesse apoia.se/ontokeste/todobuo para a manutenção e melhoria do nosso podcast. Essa questão que você falou que posteriora de tadura ou até a naditadura Lenin foi censurado, é um acredito que a altura mais censurada, a pessoa mais censurada na ditadura, foi uma autora de romãs pornográficos que era Lesbica e escrevia Romance Lesbica. E agora não vou lembrar o nome dela. Mas enfim, só uma curiosidade aí para ficar. Mas uma coisa que eu queria te perguntar Fabiana é pela sua exposição até agora, as táticas de divulgações das ideias comunistas no Brasil pelo perceber, elas passavam muito pela mídia em preça mesmo. Publicação de livro, de pamfleito, essa era mais ou menos a tática principal que se utilizava. Sim, com certeza, porque é. Bom, na verdade, é assim, um conceito básico Leninista é a agitação em propaganda. Então, a agitação em propaganda no século 20, vinha muito da imprensa do livro. E era uma encomenda mesmo da IC para os partidos comunistas. Então, havia muito esse movimento organizado, do que precisava ser agitado, o que era importante de divulgar entre os militantes. Então, a questão da editora, isso, de fundar uma editora, era uma encomenda, uma necessidade de todo o partido comunista tinha que ter a sua editora. Assim como o partido comunista francês tinha as edições de línguas transgeiras que se tornou uma grande fonte de traduções para toda América Latina. Por ser também uma vi oficial de divulgação. E a imprensa também é claro, a imprensa comunista era muito importante. Com a divulgação de folhetos, na qual eu falei a primeira, a primeira, a segunda tradução do Lenin no Brasil, era uma verdade uma brochura, não era bem um livro. Então, foi pelo comitê, do partido comunista de Pernaum Boco. Fazia também essas pequenas edições com um formato mais de cartilha, muito pamfleito. A mídia em pressa era um grande canal de divulgação do partido comunista. E, enfim, da esquerda também, como eu falei, também dos grupos trotes queistas. Era uma questão fundamental naquela época. A tradução da esquerda é muito literária. Inclusive, existe um estilo pamfleitário de escrever que é muito característico da esquerda. E não sei se fiquei pensando na uma das inovações do fascismo no século 20 foi utilizar o rádio. Não é, enfim, só uma questão aí para a gente pensar. Mas, seguindo, acho que agora entrando numa contribuição que é mais original, todo o trabalho original, mas, assim, acho que entra um trabalho teórico, que é de perguntar quais são as características específicas da tradução política. Em si mesmo, assim, qual é a diferença disso para a tradução literária, para a tradução de um sei-tecido científico, técnico, tem essa diferença. E eu acredito que essa diferença é trabalhada na literatura geral. Mas, se discute tradução política especificamente ou não muito, é uma coisa um pouco mais deixada de lado, assim. Essa pergunta é muito boa, porque realmente foi uma questão. Todo meu mestrado, assim, é uma questão solitária, até pensar a tradução política como tu comentou. Existe um estilo pamfleitário da esquerda. E eu também, nessa época, eu pesquisei bastante a questão do estilo mesmo, estilo do Lenin. Como é que se traduz o estilo do Lenin? Essa chamada ação, a questão da palavra de ordem, também que eu trabalhei muito no meu mestrado, são aspectos muito próprios do texto político e que não são pensados tão dos natos.
da tradução porque a teoria da tradução no Brasil, a gente pensa muito na parte literária mesmo. Então, inclusive como referência ao teórico, assim que eu usei no meu trabalho, eu usei um autor que chama Itamar Yvanzorra, que ele é bem famoso no universo da tradução, mas acho que não é tanto propósito ao que é mais da história, enfim, que sei que ouve esse podcast, mas ele fala da teoria dos policistemas, ele, na verdade, é um pesquisador da cultura, ele se coloca como um pesquisador de estudos culturais, mas acaba sendo muito utilizado no meio da tradução, porque realmente faz muito sentido para nós utilizarmos a ótica dele para entender esses processos, porque ele pensa, e isso vai ser muito útil para pensar a tradução do lênio. Na questão dos sistemas literários, mas assim, Itamar Yvanzorra ele vem do formalismo rússil, e o formalismo rússil não faz essa distinção entre literatura e texto não literário, assim, não precisa se pensar nessa ótica, assim, então isso até ajuda para a gente não ficar fazendo esse tipo de distinção, porque não vai ser útil para nós nesse caso. Mas então ele fala da questão do repertório, né, então assim, uma cultura que não consegue inventar alguma coisa, né, que vai importar um repertório através da tradução, então como a gente tinha pensado, o Brasil não tinha um repertório comunista, ele não tinha um repertório marxista, ele precisava importar isso, porque ele não era como tinha como ensinado mesmo autóctone, né, então ele vai usar a tradução para importar os bem esculturais do que ele não tem, mas ele quer ter acesso, né, que é começar a criar dentro da cultura brasileira, e aí vai fazendo essa transferência, que essa importação bem sucedida de uma teoria de um bem cultural dentro de uma cultura, então essa questão da tradução vai ser essencial para pensar como que a gente consegue importar conceitos, e aí a gente vai pensar também isso na questão da terminologia que eu comentei, né, quando a gente vê um termo confuso, é porque o conceito daquilo ainda está em vias de importação, né, se a gente não consegue traduzir um conceito é porque realmente ele é tão estranho a nossa cultura, que a gente ainda não tem os meios de entender o que isso quer dizer, e de como é que a gente vai aplicar isso dentro da cultura brasileira, né, então com os exemplos que eu dei ali de Bolshevismo, de Esquerdismo, e tal que hoje são termos muito consolidados, mas que quando entraram eram coisas que a gente ainda estava tentando entender e tentando achar analogias dentro do Brasil, de como é que a gente ia ficar esses conceitos dentro do que a gente já tinha aqui, né, então a tradução tem esse papel fundamental, né, de conseguir trazer ideias novas para dentro de uma cultura, e também uma coisa muito interessante para pensar nessa questão da
ção política, é a questão da interferência, né, de como é que essa importação se dá, né, porque para outros para outras áreas, como seria o caso da tradução literária, né, a gente vai pensar os movimentos ali, esses que eu comentei na importação, da transferência, da interferência de uma literatura em outra, e geralmente são movimentos mais fluidos, assim, ou desorganizados, de centralizados, ou às vezes assim, o Brasil importava muito a tradição francesa, né, para formar a sua tradição literária brasileira e a cultura francesa estava a leia a isso, né, mas com a tradução política, os movimentos são muito diferentes, são uma coisa realmente muito própria da tradução política, e a internacional comunista que vai ser esse grande catalizador que vai organizar tudo isso, então o que que acontece é com a criação da união soviética, né, já em seguida se cria a internacional comunista ali em 19, e com um conceito claro, né, da agitação propaganda, e como é que a gente vai difundir a cultura comunista como é que a gente vai criar novas revoluções no mundo, então como a gente tinha que é uma coisa da esquerda, essa questão de usar a mídia, de usar a imprensa, de usar o livro para fazer agitação, então era uma coisa muito clara a internacional comunista que era preciso exportar os livros, os textos da teoria, para conseguir formar as esquerdas nos os lugares no mundo e assim criar mais revoluções, né, então se cria um serviço de edições assim que a a isso é formada, é um serviço que é ali entre Leningrado e Berlin, né, naquela época o próprio Lening que ainda estava vivo naquela época, né, acreditava que a Alemanha seria o berço da próxima revolução comunista, né, tinha se muita esperança na época, infelizmente nunca se concretizou, né, mas se usou a libera Leningrado como um centro dentro da Europa para servir como um articular, um articular da difusão da teoria comunista em outros lugares, depois esse centro se tornou a França, né, com o seu partido comunista não sei se foi fundada ali nos anos 20 e aí surge que eu tinha comentado antes as edições, em línguas estrangeiras, né, tinha as edição sociales internacionales que também foi um ápice do movimento editorial marxista ali, pelo menos até a segunda guerra mundial, e aí essa linha editorial que era então organizada pela IC é que vai editar a linha editorial das editoras que vão usar esses livros como base de tradução, né, então acaba aqui a internacional comunista dito a linha editorial do PCF ali, né, da editora do PCF e os países periféricos da América Latina usando a editora do PCF como fonte das suas tradições por ser francês, por ser a língua de difusão da intelectualidade, acabam também usando essa linha editorial, então fica um movimento articulado entre as esquerdas mundialmente e esse tipo de articulação das fontes é uma coisa que não se vê necessariamente em outros ramos da literatura, do texto científico, enfim, então isso é uma coisa original da tradução política, né, essa questão que vai para além da tradução em si, que vai muito mais para a questão de política, mas pensando que realmente o texto ali não é uma coisa separada da cultura, né, o texto faz parte da cultura e a gente usa ele como um aferramento para entender a cultura política, a história, né, então é realmente a tradução para entender esses movimentos que são muito maiores e não pensar a tradução somente como um texto, né, como eu falei, entender a tradução do Lening no Brasil, entender a recepção do Lening como teórico dentro da cultura brasileira, então por isso que é um trabalho que não se fecha somente a questão da tradução do texto em si eu acho que isso é importante de se ter em mente é perfeito, então voltando à história, né, com as fórmulas principais atores, agentes desse processo de tradução aqui no Brasil Então esse é um ponto que foi um grande esforço de pesquisa ali durante a minha acertação, justamente de conseguir rastrear a história dos tradutores do Lening no Brasil claro que também tem a questão dos editores, enfim, mas em vários momentos os tradutores também eram os editores assim, né, então por exemplo ali no começo, né, com começo do PCB, os formadores do PCB e a surgido Pereira, né, enfim, aquela primeira leva de militantes, eles eram os tradutores, editores, de se fazer um todas as tarefas ao mesmo tempo, né, para conseguir formar esse primeiro, essa primeira base teórica do Leninismo no Brasil mesmo, né, e eu coloco na minha acertação essa questão da figura do tradutor militante, né, assim como o Vinicius de Barti vai falar do editor militante, né, quando eu vou falar ali do Calvina, da editoro Calvina, eu entendo que o tradutor militante é uma figura específica, figura própria dessa questão da tradução política Por ser essa figura aqui, não é simplesmente um trabalho de tradução, é um trabalho
de agitação e propaganda, um trabalho muito maior, com um peso muito maior, e embora, claro, muitos vão fazer a tradução, vão começar a fazer tradução por uma questão realmente financeira ali, né, a complementação de renda, havia muito essa tarefa de tradução entre jornalistas, escritores, né, pessoal da intelectualidade, para complementar renda, próprio lênim traduziu textos também, quando estava no exílio ali, para ter uma fonte de renda, isso é uma questão, mas então a gente vai, a gente consegue, inclusive, a partir, né, desse rastreamento dos nomes que estavam envolvidos com a tradução de lênim, ter uma amostra dos militantes do Brasil, né, em diferentes épocas, em diferentes grupos, mas que foram extremamente importantes para conseguir formar, né, esse maluncio alterórico para esquerdo brasileiro, então alguns nomes assim que eu gostaria de destacar que, bom, antes de mais nada, eu queria só falar que assim, eu fiz um levantamento de, eu tentei achar todos os tradutores nesse período que eu selecci a Neide 1926-64, né, não conseguir chegar a todos, mas dos que eu consegui rastrear, um dado muito interessante, aqui, a maioria era nordestina, tá, não tinha muitas pessoas ali dos centros mesmo, tinha vários nomes destinos, pessoas do norte, enfim, vários lugares do Brasil, a maioria era jornalista escritor, né, dessas tarefas de intelectualidade mesmo, né, dois foram deputados, inclusive, no Brasil, isso é bem interessante, e claro, a maioria acabou ligado ao perceber, porque como eu comentei, a maior parte dos livros foi editado pela editora vitória, que era diretamente ligado ao perceber, então os traduzores envolvidos eram militantes fazer um partido dos quadros do perceber, mas antes disso, quando eu tinha comentado ali sobre aquela formação do grupo trotiscista com a editoraunitas, alguns nomes muito relevantes assim, né, da história da esquerda brasileira vão ser um Mario Pedroza, né, que eu comentei trotiscismo pro Brasil, de certa forma, né, foi um grande intelectual, e trabalhou, né, para a formação dessa editora também, o Aristides Lobo, que vai ser também um grande intelectual da esquerda brasileira, e ele, inclusive, traduzia na prisão, né, a gente tem registros que ele praticava atividade de tradução na prisão, de amostra muito como é um trabalho específico, isso da tradução política, né, porque envolve esses aspectos que realmente são muito diferentes da tradução de qualquer outro tipo de texto, assim, né, mostra como as consequências são muito mais graves, né, para quem traduz política, aí quem são os atores envolvidos na tradução política, né, o que eles estão fazendo, aqui tipo de perigos, eles estão expostos, né, são fatores, no de interessantes de se analisar, é um outro nome que eu conheci nessa pesquisa, não sabia antes das estências dessa pessoa, é o Abiguar Bastos, que foi deputado, né, ele foi um estudioso do Folclore, ali da cultura do Norte, ele é do Pará, se não me engano, ele foi amigo do Carlos Prestes, inclusive escreveu um livro sobre o Prestes, foi tradutor também de várias outras que é da Lina época da editora Calvino, então um grande nome teórico no Brasil também, e nem da que também era do Norte, um grande nome, ela era poetiza, escreveu um livro de ficção, outra escritora também foi ali na paim, que traduziu Lenin, ela foi um expoente do realismo socialista no Brasil, digamos que o PCB queria também criar o seu modelo do realismo socialista, e ela enquanto escritora de ficção tentou fazer esse movimento, ela foi apadrinhada de certa forma pelo Grasciliano Ramos, que revisava os textos dela, dava dicas, dava um direcionamento ali do ficoção dela, e ela acabou sendo muito traduzida para vários países, pra União Soviética, pro Vietnã ali, para vários países socialistas, então ela teve também essa relevância ali na questão literária também, né, então é muito interessante de conhecer essa obra de também conhecer esse outro aspecto de divulgação de esquerda, que daí não vai ser pelo texto político, mas vai ser por esses bem esculturais da ficção, né, do teatro, do cinema, soviético, enfim, que aí são outros fatores que seriam muito bons também de estudar, e são um pouco estudados no Brasil, ali na paim tem poucos pesquisadores que pesquisam a loja no Brasil, mas é muito interessante, acho que ela deveria ser uma autora até mais divulgada. O Edson Carnero, que também vai estudar a cultura brasileira, ele, principalmente a questão à fubrasileira, né, é um homem negro que vai produzir textos sobre a história do negro no Brasil, sobre vários aspectos, sobre pelo Moutos Palmares, então ele também vai trazer abusões teóricas muito importantes, assim, enquanto autor, então assim, a gente vê que são pessoas de grande calibre, assim, teórico, e que traziram lênim ali, talvez nem eram tradutores assim, né, então não se dedicavam tanto a tarefa de tradução, quantas tarefas, né, de escrita mesmo, mas que estiveram envolvidos nesse processo, então foi muito interessante conhecer essas histórias, conhecer esses nomes, que acho que são todos apagados um pouco da história hoje do Brasil, que deveriam ter mais pesquisa, mais relevância, Azulei Calenbert também foi a primeira mulher a compor o comitê central do CBR, o Renato Guimarães também que compôs do CEC, foi preso, tem uma autobiografia também, que vai falar sobre a militância dele, enfim, tem muitos militantes históricos que foram presos, que foram torturados, que estão envolvidos nessa história da tradução do Lerinho no Brasil, então esse aspecto para mim foi muito importante de pesquisar e de conhecer, porque realmente os tradutores ali que eu consegui repertória que não eram envolvidos com política, realmente é minoria, quase nada, né, então todos estavam envolvidos com a esquerda, todos tinham as suas contribuições originais também para a esquerda, além da questão da tradução, mas, claro que a contribuição da tradução não é uma coisa menor ou secundária, eu acho que é uma coisa central, não estou também fazendo corporativismo porque sou tradutora, mas realmente acredito nisso, então então são todos nomes que, para além de ser tradutores, eu acho que também deveriam ser resgatados assim, acho que quem tiver interesse de pesquisar, vai encontrar muita coisa, sim, muito, muitas contribuições, então deixa aí uma grande dica para quem tiver interessado em pesquisar autores aqui no Brasil de esquerda, porque realmente há muito quando para a mãe nesse aspecto. Agora Fabiana Criote perguntar sobre uma conclusão desse percurstudo, qual é o estado atual das traduções de Lerinho no Brasil hoje, principalmente, mas também como é que está a a conclusão sobre Lening no Brasil hoje, sobre a história da recepção dele, sobre o pensamento dele, o que tu puder dizer para nós sobre isso? Bom, eu tinha comentado lá quando eu estava fazendo aqui ali percurst histórico que a gente hoje no Brasil, eu tenho usado muitas traduções davantos, no lado dos anos 70, do Instituto Comunista Português, para ler Lening hoje no Brasil, né? Então ainda hoje é muito comum a gente vê as publicações que são, só uma adaptação da tradução do Porto Resulositano, ali para a expressão popular, pela boa e tempo também, né? Que faz um trabalho com a coleção arsenal Lening, que eu sei que alguns títulos.
são traduzidos diretamente do rosto e outros são cotegiados, né? Envisão essa produção do português do Zitano e cotegam com original ali para fazer atualizações com qualquer tipo de correção também. Então, eu acho que a coleção do arsenal Elin é uma das um dos esforços assim de publicação do Lei, mais recentes ali, mais organizados que tem sido feito pela Boitém a pôde, né? Eu acho que a Boitém também tem vários esforços importantes de divulgação do Lenin um livro que, pra mim, é um dos meus livros de cabeceira, né? Que é reconstruindo o Lenin do Tamás Krauss. Foi publicado pela Boitém. Oé, é uma das melhores biografias do Lenin que existe hoje em dia. É recomendo muito a leitura também para quem quiser essa profundá-se no pensamento dele, na atragitória, enfim, um livro muito completo. Outras editoras menores também com a palavra-palavra estão fazendo também suas publicações, né, de alguns textos, às vezes que nunca foram publicados. Enfim, uma questão importante de se ter em mente, é em relação ao Lenin, que era um autor muito, muito mesmo. O profico, né, ele escreveu demais as obras completas dele, que são, nós acho que as obras completas em ruso tem 55 volumes, tá? Ele tem mais de 13 mil documentos assim, então assim, a gente nunca vai chegar no Brasil até a tradução de tudo que o Lenin já escreveu. Isso é impossível, porque realmente ele produziu demais assim, né? Então é uma questão que a gente sempre vai ter a acessão uma parcela do que ele tem escrito, mas é interessante atualizar, de ter uma tradução direto do original do ruso. Isso é uma coisa muito importante. Acho que agora que a gente tem começado a pensar mais assim no Brasil na questão da tradução direta, até porque tem muito tradutor de ruso no Brasil hoje, né? A gente tem cursos de tradução de ruso como na o hospital, então existem profissionais muito capazes para fazer isso. É uma questão de força editorial que claro em volta de dinheiro, né? É uma questão que tá paralenta, mensual da vontade. É um outro livro que eu gostaria de recomendar em 2024, a gente fez 100 anos da morte do Lenin, né? Que morreu no 1904. E o Osvaldo Codiola, que esteve no longtoqueste também, né? No episódio sobre a operação condor, ele organizou um livro que chamou "Legada de Lenin", que eu tive oportunidade de contribuir também com um resumo dessa minha de certa ação. E com outros grandes autores, né? O próprio link conceito que eu mencionei aqui antes, o Tamás Kraus que mencionei aqui antes, o Angelo Cegrilo, que é também da do Rúso Ali da U, o Spiné, vários autores muito relevantes, sim, que tem essa coletânea, nessa compilação de vários textos que tratam do Lenin de alguma forma, sim, também traz um pouco dessa atualização de como é que tá o estado da recepção do Lenin no Brasil hoje, né? Acho que essa questão da recepção ela nunca acaba, né? Então é uma história sempre em construção, assim, como a gente viu antes, né? Como o ritmo das publicações dita o que a gente sabe sobre o autor, o que a gente tem acesso sobre o autor, então mesmo em 2025 que a gente tem um recorte de Lenin, né? Do que chega dele no Brasil e clarom o autor que hoje em dia eu acho que tá um pouco mais embaixo assim, eu acho que o todo o legado da União Soviética, ainda uma questão muito delicada, assim, né? Que tá sempre em análise, mas é muito importante, né? Para entender o que foi a esquerda mundial, que é a esquerda do Brasil, eu acho que é inevitável passar por Lenin, então continua sendo relevante e atual, entender essa história mesmo que seja para criticar, mesmo que seja para encontrar essas lacunas, né? Eu acho que é uma questão também de entender o que foi traduzido, é também conseguir entender o que a gente já conseguiu fazer, o que que a gente deixou de fazer, né? Isso que deixou de ser traduzido, como é que isso afetou o entendimento da teoria, como é que isso afetou a prática também, né? Porque todo Lenin é teoria e prática, né? Então, acho que também a recepção é um resultado dos livros do que foi atribuído a ele, né? Porque uma questão também que eu nem. Eu não cheguei a comentar, mas em vários momentos eu fiquei um pouco indúvida sobre a autoria mesmo desses textos que foram publicados, principalmente os livros que eu não tive acesso, né? Por serem muito antigos, por não conseguir achar uma edição física, não conseguir rastrear o original em rosto, né? Que é uma coisa que eu sempre tentei fazer. Não vai saber se é que Lenin escreveu isso mesmo, mas de qualquer forma, o que ele. O que foi atribuído a ele também, né? Foi usado como uma base para a esquerda na época, então é importante saber, né? Mesmo que não tenha sido ele que escreveu, a gente tem que entender que se foi atribuído a ele, então quer dizer que foi entendido que Lenin disse isso, então que quais são os rumos que a gente foi tomando enquanto teoria, enquanto, né, como a recepção da teoria, a partir disso. E também enxergar o que que não foi traduzido para entender as lacunas e como é que a gente consegue preencher as lacunas e enfim, pesquisar e conseguir criar mais, eu laborar mais a partir disso, sim. Então acho que é isso, sim, que eu tenho para trazer para vocês, acho que é uma coisa que está sempre em andamento, tem que gostaria muito de que tivesse um estudo da questão mais da imprensa mesmo, né, desses textos menores publicados em jornais militantes e coisas assim, porque eu acho que com certeza havia uma recepção até maior, que o livro ensina, né, um texto menor, certamente circulava mais, então entender a circulação de textos, conseguir entender o que os militantes tinham a saia, só acho que é uma coisa muito importante. Então, é isso, sim, um esporço de pesquisa que tem que continuar para a gente conseguir chegar a mais entendimento a partir disso. Ótimo. Então ficamos por aqui com mais um maravilhoso episódio no Tocqueste, esse foi um crígio, né, a gente do podcast agradece muito Fabiana, esse trabalho de pesquisa é importantíssimo para que a esquerda se conheça um pouco melhor, para quem se interessa por esse assunto, gostou desse assunto, desse episódio, escute o episódio que a gente tem aqui, a imprensa como o início da Brasil e ficamos por aqui. [Música]
Podcast Summary
Key Points:
A recepção inicial de Lênin no Brasil ocorreu por meio de traduções indiretas, frequentemente do francês e espanhol, e foi marcada por confusões terminológicas (como "maximalismo" para "bolchevismo") que refletiam um entendimento teórico incipiente.
A difusão das ideias comunistas enfrentou obstáculos como a censura, o alto analfabetismo e o fato de que o público-alvo (militantes operários) muitas vezes não tinha o português como primeira língua, sendo a leitura coletiva uma prática comum.
O Partido Comunista Argentino teve um papel de tutela fundamental na mediação entre o PCB e a Internacional Comunista, servindo como centro de difusão teórica na América do Sul, onde a tradição marxista era mais consolidada do que no Brasil.
A história da tradução de Lênin está intrinsecamente ligada à história da formação da esquerda brasileira, começando com anarquistas que publicaram os primeiros textos, passando pela fundação do PCB em 1922 e pela posterior influência de correntes como o trotskismo.
Summary:
A recepção e tradução das obras de Lênin no Brasil, entre 1920 e 1964, foram processos complexos e indiretos, profundamente ligados à formação da esquerda local. Inicialmente, as traduções eram feitas a partir de versões francesas ou espanholas, o que gerava confusões conceituais, como o uso do termo "maximalismo" para "bolchevismo". Os primeiros textos foram publicados por anarquistas, que mais tarde ajudaram a fundar o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
A difusão dessas ideias enfrentou grandes obstáculos: a censura de governos como o de Artur Bernardes, as altíssimas taxas de analfabetismo e o fato de que muitos militantes operários eram imigrantes com domínio limitado do português, tornando a leitura em grupo uma prática essencial. O Partido Comunista Argentino exerceu um papel crucial como mediador e centro difusor da teoria comunista para o Brasil e a América do Sul, dada sua tradição marxista mais antiga e consolidada. A pesquisa de Fabiana Lontra, discutida no podcast, destaca como a história da tradução é uma chave para entender a recepção das ideias comunistas, envolvendo também o estudo das edições físicas, dos tradutores e do contexto político que moldou essa trajetória.
FAQs
A recepção foi marcada por traduções indiretas, frequentemente feitas a partir do francês e espanhol, e por confusões terminológicas que geravam equívocos conceituais. O primeiro livro publicado foi 'Luta pelo Pão' em 1920, por um militante anarquista, refletindo a transição do anarquismo para a formação do PCB.
Os anarquistas foram os primeiros a importar e publicar textos de Lênin, inspirados pela Revolução Russa. Muitos deles posteriormente se converteram ao marxismo e participaram da fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922.
'Maximalismo' foi uma tradução inicial e equivocada para 'bolchevismo', baseada na ideia de um 'programa máximo' dos bolcheviques. O termo surgiu de um mal-entendido conceitual e deixou de ser usado quando se obteve maior clareza teórica sobre a teoria leninista.
Os principais obstáculos foram a censura governamental, as ideias de esquerda serem reprimidas e a alta taxa de analfabetismo da população. Além disso, as traduções eram frequentemente indiretas e de fontes não verificadas.
O PCA atuou como mediador e tutor do PCB junto à Internacional Comunista, servindo como um centro de difusão da teoria comunista na América do Sul devido à sua tradição marxista mais consolidada em comparação com o Brasil.
O governo de Artur Bernardes (1922-1926) estabeleceu um estado de sítio permanente, com forte censura para barrar materiais considerados subversivos. A criação do DOPS em 1924 também dificultou a circulação dessas obras.
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