Escala 6x1 e o mundo do trabalho - com Ricardo Antunes
49m 12s
Andrea DiPi encerra sua participação no programa "Pauta Pública" após 119 episódios, anunciando a transição para Cláudio Jardim na próxima temporada. O episódio especial, marcando o 150º programa, aborda com profundidade a precarização do trabalho no Brasil, um tema central para a temporada de 2024. Com a participação do professor Ricardo Antunes, o programa analisa como a escala 6 por 1, a terceirização, o trabalho em plataformas e a exploração digital colocam os trabalhadores em situações de extrema instabilidade. O debate aborda a fragmentação da classe trabalhadora, a falta de direitos, o aumento da jornada de trabalho e a exploração por meio de algoritmos. O professor destaca que o novo proletariado de serviços, com trabalho digitalizado e sem proteção legal, é uma realidade global, mas com forte presença no Brasil. Ele ressalta que, apesar da precarização, há mobilizações sociais, como sindicatos de entregadores e trabalhadores de plataformas, que mostram que a luta por melhores condições é possível. O episódio encerra com a reflexão sobre a importância de continuar lutando por uma vida além do trabalho, com direitos, dignidade e autonomia. A produção é creditada à Agência Pública e à Rádio Guarda-Chuva, e o programa promete retornar em janeiro de 2025 com novas conversas e temas relevantes.
[Música]
Olá, ouvintes, eu sou Andrea DiPi, começa agora mais um pauta pública.
Mas, na verdade, não, não é só mais um episódio.
Hoje é um programa especial por dois motivos.
Acho que o primeiro, o que tem que contar é a minha companheira de microfones a 119 episódios.
Oi, claro, dá essa notícia para o pessoal, porque eu não estou preparado para dar.
Oi, ouvintes, pois é, gente.
O episódio de hoje começa num outro tom, não tom na verdade de despedida.
Hoje eu estou saindo me despedindo aqui dos microfones do pauta pública,
onde eu estrei no comecinho de 2022 na nossa segunda temporada do programa.
E nossa, de lá para cá, foi tanta coisa.
A temporada de conversas que nos ajudam a reimaginar o Brasil,
conversas que não podemos mais adiar,
várias, várias entrevistas muito marcantes para mim.
E também muitos comentários de vocês, ouvintes, que eu tenho aqui quentinho no coração.
Eu estou saindo do pauta pública, porque eu vim fazer um estrado fora do país,
e aí preciso me dedicar aqui para os estudos, para o documentário que eu quero desenvolver.
Mas olha só, queria muito agradecer pela escuta e companhia de todos vocês
e dizer que sigo por aqui.
Assim, como quando eu entrei, foi o Thiago Dominice, que passou a bola para mim.
Agora, eu vou passar a bola aqui da loucção para Claudio Jardim,
que na temporada do ano que vem, vai apresentar o pauta pública do lado da Andredipe.
Então o pauta, com certeza, continua em boas mãos.
Mas, gente, a segunda motivo pelo qual esse episódio é especial e tem um tom diferente,
é porque ele é o nosso programa número 150.
Então é realmente um duplo marco na história desse podcast.
Bora então tocar esse programa especial, que também fecha a nossa temporada de 2024.
Bora, Dibi.
Fazer o quê, né, claro?
Os ouvintes assim como a gente vão ficar triste e com saudades, com certeza.
Mas logo menos, a gente vai ouvir mais da clare por aí.
Tem sido um enorme prazer dividir os microfones com você, esse tempo todo,
minha amiga.
E agora, bora pros trabalhos.
Pois é, bora pros trabalhos, porque o trabalho é justamente o tema
que a gente escolheu para fechar a temporada de 2024 do pauta.
Tem uma perfeitamente adequada aqui para as conversas que não podemos mais adiar.
Ao longo dos últimos anos, as formas e relações de trabalho foram mudando de maneira muito rápida,
em vários setores se transformando em relações mais precalizadas instáveis.
A gente tem a Uberização, a gente tem a Pejotização, a Tercerização, a Quarteirização,
menos Direitos, menos estabilidade, menos coletividade, mais individualidade,
condições menos dignas.
Um trabalho que parece que só aumenta e não garante melhorias de vida ou possibilidades
de avan social como antigamente.
Pessoas demitidas por algoritmos, professores demitidos via pop-up no computador,
entregadores se acidentando e até morrendo enquanto fazem entregas,
e no meio disso tudo a exastiva e super comum escala 6 por 1.
Seis dias de trabalho para um descanso.
Um absurdo que foi normalizado e que enviabiliza que as pessoas que fazem essa escala
consigam cuidar de outras coisas tipo da vida.
Vale dizer que a escala 6 por 1 no comércio geralmente cai em dias de semana e é dependendo
em prego a folga ainda escalonada, ou seja, cai em dias diferentes da semana,
tornando impossível qualquer tipo de programação.
E vida além do trabalho é justamente o nome do movimento que colocou essa prática em cheque,
liderado pelo vereador HIKI SEVEDO.
Hoje ao lado da deputada Erica Hilton, HIKI está frente dessa luta pelo fim da escala 6 por 1 no congresso.
Uma pauta tão importante pela sociedade que pode ser a primeira grande movimentação
da esquerda com a pelo a população em anos.
Nessa época de fim de ano, de fechamento, reflexão e perspectivas para o ano seguinte,
a gente fica a trazer reflexões sobre o que está por trás da precarização do trabalho
e também dos movimentos que estão serguindo contra isso.
E aí a gente tem o prazer enorme de receber aqui no pauta pública, o professor Ricardo Antunes.
Ricardo é professor titular de sociologia do trabalho no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas,
da Unicamp, Universidade de Estaduá de Campinas.
É também autor de vários livros entre eles, o Uberização, o trabalho digital, indústria 4.0.
O Ricardo Antunes escreveu tanta coisa que a gente vai deixar aqui na descrição do episódio
as credenciais dele que já está apostos aqui, mas antes um recado.
Gente, agora a gente vai pausar aqui no pauta os episódios inéditos para esse fim de ano.
Mas o fim de novo vai parar, assim como a gente fez nos outros anos, durante o recesso,
o pauta vai trazer episódios especiais que compilam algumas das mais importantes conversas
que tivemos ao longo do ano.
Então segue aí onde você estiver nos ouvindo e continuo recomendando um programa
porque tem coisa fina, vindo por aí.
Uma aproveita ao clima de natal e nos idade presente e cinco estrelas no Spotify ou na Apple,
que só ajuda muito a na visibilidade.
Mas dados recados, vamos para essa conversa importantíssima.
Ricardo Antunes, um prazer de ter aqui no pauta pública, muito obrigado por aceitar
nosso convite.
Obrigado a Gadesu a você, a todos e todas que fazem esse programa é um prazer.
E lá o diano de muito trabalho, mas que sobrevivemos.
Então, o professor para começar a falar desse final de ano de muito trabalho,
queria focar na mobilização pelo fim da escala 6 por 1, que vem a imovementa
nesses últimos meses do ano. Essa pauta propõe uma mudança estrutural no regime
de trabalho e nas condições de vida dos trabalhadores.
Na medida em que vem a acompanhada da defesa de uma escala, 4 por 3, na 4 dia de trabalho,
3 dias de escanso.
Eu queria ouvir do senhor do ponto de vista do trabalhador, qual é a dimensão
dessas mudanças revindicadas?
O que que mudaria na estrutura com o fim de uma escala 6 por 1?
É uma questão vital, certo? O que é uma questão vital? A questão vital significa
dizer que se trata de algo que diz respeito a nossa vida, a nossa cotidianidade.
Vou dar alguns exemplos.
A produtividade capitalista aumentou no último século, ilimitadamente.
Calpola nios ou no meados do século passado, muito antes do que nós estamos vendo,
inteligência artificial, algoritmos, ele falou em ruim o satânico.
É uma máquina que não para de funcionar, pois muito bem, nós estamos vendo hoje
que a produtividade aumentou imensamente e paralelamente a isso, está certo?
Almentou a tecnologia imensamente, nós não falavamos a inteligência artificial a 100 anos atrás
e a jornada de trabalho também, em muitos casos, vem aumentando.
O que é uma aberração, porque o avanço tecnológico, para as empresas, o objetivo central, nós sabemos.
Eles dizem que é outro, mas é o objetivo central para as empresas do avanço tecnológico é ganhar mais,
produzir ter mais produtividade. Só que para classe trabalhadora, o avanço tecnológico deve ter pelo menos
alguma vantagem, e esta vantagem entre aspas, alguma compensação, não é vantagem.
A compensação é trabalhar menos. O que é a jornada de seis por um?
Clarissa, você trabalha seis dias por semana, oito horas por dia, está certo.
E cinco dias por semana, por oito horas por dia, e mais um dia da semana.
Você tem que completar a jornada de trabalho, e no Brasil, por lei, é 44 horas, então você trabalha
de segunda, sexta, oito horas no sábado, o dia pode variar, no sábado, no domingo, é o que for, está certo.
Você trabalha quatro horas para completar 44, muitas vezes do comércio, no serviço, é mais do que 44 horas.
E você folga um dia, quando você olha, por exemplo, o cenário europeu, norte-americano,
nós já temos há muito tempo lutas e reenvindicações e batalhas para reduzir a jornada de trabalho.
Aliás, esta é histórica. Eu digo, já temos há muito tempo no período recente.
Eu lembro quando eu estava trabalhando na Universidade de Sânsic, que está em Glaterra,
na década de 90, a França estava discutindo a redução da sua jornada de trabalho, isso é 25 anos atrás.
Mas no início do século 18, 19, para a Revolução Industrial, a jornada de trabalho de homens, crianças e mulheres,
às vezes chegava a 14, 16, às vezes até mais horas por dia.
Então, esta questão é uma resposta, se a tecnologia enriqueceu as classes proprietárias,
porque aumentou a sua produtividade, ela não beneficiu ao contrário, nós temos doenças tecnológicas que são de outro tipo.
É muito fácil olhar hoje em escala mundial e também brasileira, os adoecimentos mentais,
porque hoje, nem sempre é aquele acidente brutal do corte de uma mão, ele existe, ainda é trágico, que existe trabalho escrabo contemporâneo,
mas digamos assim, isto está em um nível muito menor do que um século atrás, mas você tem a sédio, depressão,
está certo, burn out, o que é o burn out, é uma doença que decorre do excesso de trabalho, o que é o burn out, a luz apaga, pacte, deu um chute, apagou.
Então, esta é uma bandeira tanto brasileira quanto o internacional, é uma bandeira da classe trabalhadora,
aí alguém pode perguntar, mas porque ela não tem sido levantada antes, aí tem um segundo ponto importante, Clarissa,
Se nós estamos num país.
que tem a nossa informalidade a próxima de 40%.
Se nós tivemos o desemprego, vamos pegar o período anterior a o lula,
o horror que nós vivemos aqui no período anterior de temer a Bolsonaro.
Nós tínhamos oito, nove, dez por cento de desemprego.
Às vezes, mais do que isto, mais do que isto, evidentemente que antes deu lutar
pela redução da jornada de trabalho, eu vou lutar por ter emprego.
Se eu não tenho nenhum, eu aceito até a informalidade.
Se eu já tenho a informalidade, eu vou procurar um emprego
com direitos para poder, em um momento de pandemia,
vejo que aconteceu na informalidade com a classe trabalhadora na pandemia.
Ela foi aqui mais morreu quanto mais próximo das periferias,
das áreas da informalidade maior, foi o índice de mortes, mulheres,
negros, negras, trabalhadores pobres da periferia.
Então, a bandeira da jornada de trabalho é muito importante,
porque ela coca neste tema.
Também, vocês aumentaram muita produtividade, nós.
Estamos trabalhando mais tempo,
estamos trabalhando isso em outra coisa que eu não falei ainda.
A tecnologia, ela aumenta produtividade
porque ela intensifica o ritmo de trabalho da classe trabalhadora.
A máquina me dá o ritmo.
Não sou eu que digo o ritmo da máquina.
É a máquina que me faz trabalhar no ritmo dela,
então os adoecimentos são maiores.
É, portanto, uma bandeira vital.
No caso brasileiro, para cumprir a jornada de trabalho de 44 horas,
que é a jornada legal pela costa de pessoa de 88,
que muitas vezes é mais, porque tem a hora extra
ter aquela coisa de trabalho num bar.
No restaurante, é hoje falto ficando.
Então, cobre aqui, papa, torna-se.
Que tempo esse jovem trabalhador tem para ver seus filhos,
para ver sua família, para sair com o companheiro ou com a companheira?
Está certo? Para estudar, porque dizem que você tem que se qualificar.
Se eu trabalho seis dias por semana, como é que eu vou estudar?
Quando? Do mingo?
E quando é que eu vou descansar? Do mingo não é descanso.
Em geral, é do mingo, para fazer as coisas que eu não fiz na semana.
Então, é uma questão decisiva e vital.
E é por isso que ela explodiu.
E ela hoje já tem, chegou a 100 milhões,
acho que as adesões do país,
porque ela toca ou cotidiano, do jornalista, do professor,
da professora, da cerca do metalúrgico,
da metallur, do trabalho barilbeirizado este,
e nós vamos falar disso depois, e este vive uma tragédia hoje.
Porque a jornada do trabalho barilbeirizado é sete por zero.
Seabara sete dias por semana, e zero dia, de descanso.
É mais brutal.
Então, eu diria que é a questão que faz com que ela ganhe força.
Agora, do ponto de vista das empresas,
como é que o fim da escala seja por uma afetaria, a acumulação,
o lucro dos empregadores?
Que que suma na estrutura das relações de trabalho no país?
As empresas vão dizer que o que eu estou falando não é verdade,
mas eu estudo a classe laboradora 50 anos, só 50 anos que eu estudo.
Eu comecei a estudar a classe laboradora em 1974, 1975.
As empresas dizem.
Elas dizem que elas estão feliz porque elas estão empregando.
Mas quando elas podem, elas dizem prédio.
Basta ter uma crise, elas dizem prédio.
Basta ter uma legislação do trabalho que é precarizante, elas apoiam.
Então, as empresas vão dizer que eles vão perder e vão desempregar.
Como dizimos os capitalistas inglês dos séculos de 18?
Então, a gente não empregar a classe laboradora de 18 horas por dia,
incluindo mulheres e crianças, nós vamos perder e vocês vão ser demitidos.
A luta ocorreu, as batalhas fizeram.
A classe laboradora foi reduzida de 18 para 16, 14 até chegar a jornada de 8 horas.
Então, as empresas, se pudessem brincar com uma palavra conhecida,
elas só pensam naquilo.
O que? O lucro.
E elas vão dizer que vão perder e vão demitir.
Mas como elas têm tecnologia hoje, você tem a inteligência artificial,
com mundo algoritmo, você tem condições de tornar o trabalho mais produtivo
e, ao mesmo tempo, mais digno no que dizer respeito à jornada de trabalho.
O que é a jornada 4.3?
Até você trabalhar 4 dias por semana, de segunda a quinta e descantar 3 dias.
Aí eu posso estudar.
Aí eu posso ver meu filho, minha filha, meus netos crescerem.
Eu, homem, eu, mulher, posso viver com um companheiro, com a companheira,
o mínimo de dignidade que a classe laboradora não tem.
Então, o 4.3 mutates mutantes, ou seja, guardadas as diferenças,
é o mesmo que você mudar a jornada de trabalho de 14 horas por dia,
do século 19 para 8 horas por dia.
Tem uma questão também muito importante, que é a seguinte, a sociedade contemporânea,
especialmente a sociedade capitalista que nós vivem,
o controle do tempo é crucial, quem controla o tempo de quem.
As empresas querem ter e usufruir o máximo do tempo de trabalho,
dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Do outro lado, a classe trabalhadora, ela só pode lutar pelo controle do seu tempo,
na medida em que consegue reduzir-lo para que eu possa ter.
É muito bom este movimento, né, uma vida além do trabalho.
Professor, eu queria pedir para o senhor ajudar a gente a visualizar que uma radiografia
do mundo do trabalho no Brasil hoje.
Agora, com o desemprego super baixo, as empresas falando que os trabalhadores
estão mais exigentes, estão dizendo que é um desafio contratar,
que características pesam sobre a maioria das relações e contratos de trabalho.
Veja bem, a primeira coisa que é muito importante é que o nosso desemprego é muito alto,
e lebaixo comparado ao que nós tivemos recentemente.
Final do governo Dilma, Temer, ele foi num crescendo, ele foi explosivo.
Num país que você tem 220 milhões de pessoas, você tem uma população ativa que passa da casa,
ou seja, apta para o trabalho passa da casa dos 6 milhões,
ct15% desempregados, 12% é uma explosão, são milhões de trabalhadores e trabalhadores desempregados.
Eu, por exemplo, recusa essa ideia, plena emprego, tem três pontos e meio por ser desemprego,
que a plena emprego, por favor.
Quando você tiver um trabalhador, uma trabalhadora desempregada, vamos ao limite, você não tem plena emprego,
o pleno emprego é uma impossibilidade hoje no capitalismo.
Agora eu entendi o que você falou, claro, nós temos desemprego hoje menor do que tínhamos
há dois anos atrás, há quatro anos atrás, etc.
E quais são as características do mercado de trabalho hoje?
Primeiro, a juventude, jovens, meninos, homens e mulheres, tem autos díveis de desemprego.
Ser e se qualificam para o trabalho, estudam.
Hoje, por exemplo, é um dado da recente de BGE das pesquisas,
a classe trabalhadora brasileira, o número de trabalhadores e trabalhadoras com ensino superior,
completo, é maior do que a década das atrais.
É por sempre que preciso falar em trabalhadores e trabalhadoras, porque é um traço muito importante,
que é a composição sócio sexual, étdica e racial do trabalho.
A classe trabalhadora tem corpo, tem sexo, tem geração, tem etinia,
sem o qual eu não entendo a classe trabalhadora.
Por exemplo, as mulheres trabalham mais.
A condição de trabalho hoje da mulher trabalhadora é mais precarizada aqui dos homens.
O que tipifica isso exemplarmente o trabalho e doméstico, que é uma herança da escravidão,
o Brasil, um dos raros país do mundo que eu conheço,
que tem essa massa de todos tenham as trabalhadoras domésticas em casa.
Eu vou pro eu, pera esteirou, não é assim, não.
No máximo, você tem alguém que faz a limpeza por um dia, por uma semana na sua casa e cobra por hora.
Você trabalha uma hora, ele cobra até dos euros ou dólares.
Se você trabalha um dia, a jornada já está previamente definida, é muito diferente.
Então, o que caracteriza o trabalho do Brasil?
Primeiro, uma sociedade de origem escravo ou crata, este é muito forte.
Tem uma parcela grande da classe dominante, que acha que só dá o entre empregos, já está valendo.
Direito, deve isso não conta tanto, é que nós temos um índice alto de escravisação moderna do trabalho.
Todos as vezes há denúncias de porões, muitas vezes porões urbanos, lembra-se,
das denúncias de escravidão ou escravisação do trabalho na indústria-testo,
aí no barro de boa retiro, nos subterrâneos,
vendendo para grandes grifes econômicas, grandes marcas globais,
que utilizam-se de trabalho, digamos, ultra precário.
Então, a precarização marca o trabalho brasileiro, ele é um traço constitutivo.
Isso é parte da nossa história.
Foi, digamos, assim, a classe trabalhadora conseguiu muitas conquistas, né?
Primeira greve que nós temos notícia, greve dos trabalhadores negros de salvador,
que faziam entregas carregadores em 1857-58.
Depois, nós tivemos, em 1967, como está duas greves importantes, aqui em São Paulo,
foram muitas lutas para que as condições de trabalho melhorar.
Só que, depois de um período, digamos, assim, de muitas lutas do Brasil,
vamos chamar de 30 até 88, longo período, o mundo virou de cabeça para baixo.
O trabalho que mais se expande hoje no mundo é o trabalho intermitente,
o trabalho em plataforma, o trabalho verizado, que singulariza esse trabalho.
Não tem jornada limitada, não tem direito nenhum, e você ganha infusão do que trabalho.
É por isso que eu entrevistei uma vez um trabalhador que me disse que trabalhou 20 horas por dia, sem parar.
Ao longo de 10 anos, que eu faço entrevista sobre esse,
um segundo, eu pensei que isso fosse impossível disso, eu já trabalhei um dia 24 horas por dia sem parar.
Então, o que caracteriza nosso contato de trabalho? A precarização.
E, com o tema, nós tivemos numa revolução, uma reforma trabalhista, uma contra-reforma trabalhista.
O trabalho intermitente, na época, eu disse a legalização do ilegal,
porque você vem e fica esperando um trabalho.
Em qualquer setor, hambúrguer, festifúrguer, hambúrgueria, festifúrguer,
tu plataformas, se eu não recebo chamada, eu volto para cá.
caso ainda paga a condução, ou paga o amoto que eu usei a gasolina e volto.
No trabalho em plataforma, as trabalhadoras e os trabalhadores
não ganham pelo tempo de esfera. Seu entro no shopping e vou fazer uma compra de uma roupa
e entro na loja. E o jovem que vai me atender, o jovem que me vai me atender,
tava sem clientela, ela vai me atender, não vai, vai.
Esse tempo que ela não tinha clientela, ela está recebendo, ela está no espaço de trabalho.
Ela ficou meio a hora sem interna em um cliente, vamos citar um exemplo qualquer.
Ela está recebendo, o trabalho intermitente, não.
E o trabalho para estar formizado também não.
Ele só começa a contar quando o relojinho controlado pelo algoritmo,
disse começou a corrida, aí sim, e veja.
Ah, então, mas ele não está trabalhando, ele não tem que receber, não.
Eu saio aqui de casa, eu amo 200 metros, eu tenho um grupo de 10 quise trabalhadores,
ele está esperando a chamada aqui. Se eles vão para casa deles moro na periferia, longe daqui,
e recebe uma chamada, eles é 40 minutos para chegar aqui, mas não pode, ele tem que chegar
em poucos minutos e não eles perdi. Se eles não chegaram no tempo que o restaurante
exige, eles perdem a chamada. E o celular se atrasou, já chamamos outro.
Então nós temos a intermitência, nós temos a oberização, nós temos a fraude da CLT.
São muito frequentes as fraudes, então as empresas bulam, bulam nas sérias,
não desce o terceiro, nos direitos, reduzem os salários, utilizando-se de subterfujos.
Então, a tendência que singulariza o trabalho no Brasil é o trabalho precarizado,
que é um traço aliás constitutivo da maioria esmagadora dos países do sul do mundo.
Eu vou te dar um exemplo mais absurdamente estupefato.
Eu saí do Brasil, que eu conheço bem. Eu conheço o mundo inteiro pesquisando a classe
trabalhadora e fui para Índia. Quando eu cheguei na Índia, depois de alguns dias,
eu não podia imaginar que eu veste um nível de miserabilidade e de exploração do trabalho
como na Índia, para quem mora como eu no Brasil, que conhece.
Porque ele é muito pior, até porque a Índia tem hoje um bilhão e 500 milhões,
o país mais populoso do mundo, a informalidade é incalculável e uma burguesia riquíssima.
Muito parecida nesse sentido com o Brasil, com a diferença que é um país,
de nós somos um país continental, eles são um país ainda mais potente da certa,
nas desse sentido, porque eles têm um avanço da indústria digital acentuado,
a indústria farmacêutica acentuada, então uma burguesia riquíssima.
E você tem situações conheçam bastante o México,
você tem um nível de precarização que singularizam os países do sul do mundo,
mas não só o sul do mundo, eu fui durante 10 anos,
professor da Universidade Cafôsca, em Deneza, num curso de Mestrado,
o Samada Master, sul Lavor e Migração, Mestrado, sobe trabalho e migração.
Então, na Itália, eu aprendi a ver a vida dos imigrantes italianos, homens e mulheres.
É que nem no Brasil, a classe de Amarador lá no imigrante não tem nenhum direito.
Ele paga a casa mais cara, porque ele vai morar na periferia, no barro mais pau pérrebro.
Só que, como ele não tem dinheiro para da fiança, o dono do imóvel,
o quarto que ele vai morar, se custa 500 euros, fala "não, você tem que pagar 1000 euros por mês,
quer que tenha outro que quer, porque com mil ele está garantido que se o imigrante não
consegui pagar, ele já ganhou 1.000, 2 alugueses".
Está certo, por exemplo.
Só para dar esses pegos trabalhos mais pesados, trabalho de noite, não tem direito nenhum.
E não para de se expandir, né?
A classe de Amarador é imigrante, é mundial, na Alemanha, é imenso contingente imigrante,
na França, na Inglaterra, em Portugal, na Itália, todos esses países que eu já conheço.
Então, o Brasil é um pouco uma fotografia ampliada desta classe de Amarador na informalidade,
com a burla dos direitos, está certo, com salário sub-remunerado, e ela só consegue
avançar quando organiza-se, com sindicatos fortes, ou com a autorgonização trabalhadora forte,
e se mobilizar por ontem durante esta audiência do supremo, talvez esteja se repetindo hoje,
em algumas cidades do Brasil, não poucas, estava vendo paralização dos trabalhadores entregadores,
porque eles estavam fazendo pressão lá para dizer "não somos trabalhadores, não somos autônomos".
Essa ideia que nós somos autônomos e empreendedores é um embuste. Seu digo que você é empreendedora,
você simplesmente não vai ter mais dinheiro do trabalho. Então, você é empreendedora,
e você vai ficar feliz, você vai falar " Agora, eu sou empreendedora", e ainda eu te faço,
comprar Amar, ao carro, a bicicleta, a moto, o celular, a bague, o uniforme estece individa,
e não sai mais dessa condição de um trabalhador ou de uma trabalhadora salário adendi individada,
que é considerada pelas empresas, de modo fraude o lento, como autônom e empreendedora,
para não te pagar direitos trabalhistas. Sei falar que ela também não paga o tributo,
os que deu um acinte. Então, entre as maiores empresas do mundo.
O senhor fala de precarização, e eu queria continuar um pouco nesse assunto,
porque por mais que a gente considere normalizado no Brasil, por exemplo, a terceirização das atividades fins,
as coisas mudaram. O senhor mencionou ali, em 2017, a reforma trabalhista, do Temer,
e teve também a lei da terceirização. Eu queria ficar um pouquinho mais nesse assunto,
e te perguntar que evidências a gente tem de que a situação se precalizo a partir dessas mudanças.
Ah, evidências nesse sentido, quais são elas?
Por que as empresas terceirizam? Calas têm um discurso delas, eu não sou. eu não sou sociólogo de empresas, eu sou sociólogo do trabalho. Primeiro, elas pagam menos a classe trabalhadora, na medida em que elas têm uma empresa terceira,
com a qual eles vão saber se é um contrato, ela vai contratar a classe trabalhadora
para a empresa A, a empresa A, busca uma empresa. Terceira de subcontratação, ela vai contratar de todo o tipo,
de arquitetos advogados até trabalhadoras domésticas. Por exemplo, de limpeza,
na minha universidade, é que todo o trabalho de limpeza da universidade é feita por trabalhadoras,
de limpeza terceirizadas. Eu conheço depoimentos de trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas,
que já me disseram que não tem férias há anos. Porque se eu sou demitido de uma empresa antes das sérias,
eu vou correndo tentar pegar a outra, que eu não posso ficar sem trabalho, entendeu?
Como é que eu posso ficar um mês parado, se eu não tenho pagamento das sérias legitimamente dados?
Porque é claro que a terceirização tem uma leslação secumprida,
mas se a CLT é bulada nas empresas que têm trabalho seletista,
imagina o nível de froxidão que permite bular a terceirização.
Então, se você perguntar para uma trabalhadora da limpeza aqui da Unicamp,
você está contente com esse trabalho, ela vai dizer, claro que eu estou contente, sim,
porque ela não te conhece, até porque o trabalho é sempre melhor do que o desemprego.
O desemprego é o flagelo mais brutal, porque você não tem o que comer, então ela vai dizer,
"Não, estou bem aqui, agora se eu perguntar, você gostaria de ter direitos como eu tenho
ou ficar com os direitos que você tem, você gostaria de ser funcionário à pública da universidade,
ou você prefere ser terceirizada da limpeza, ela vai falar para o professor, que pergunta a professor,
o sorrinho parece que estuda ou se eu sabe melhor do que eu a resposta, você está entendendo.
A precarização é assim devastadura, dando é que a minha amiga graça duro, que anos atrás,
professor esquisadora, o trabalho falou em um artigo que nós publicamos juntos também,
mas ela já tinha usado essa expressão antes, epidemia da terceirização.
Tem empresas hoje que são inteiramente terceirizadas.
A pergunta que não quer calar é porque melhor para o claste trabalhador ou porque eles lucram mais,
a resposta com a criança, 3, 4 à lucidade, já com coaglos de lucidez, ela sabe,
é porque ele quer ganhar mais, papá. Claro, ele é esperto, ela está vendo o carro dele sempre melhor,
está sempre de carro bonito, o dono da empresa e quanto a claste trabalhadora está ralando.
Mas tem um outro problema grave, a terceirização tem um sentido político.
Se eu tiver uma empresa de qualquer ramo, 3, 4, 5 tipos de contratos e trabalho diferentes,
a claste trabalhadora não consegue se juntar, é difícil.
Porque, ah não você é terceirizado, ah não você é intermitente, ah não você é meia,
ah não você então é uma confusão que faz bem para as empresas, porque a claste trabalhadora
não se junta a terceirização, é também uma resposta política para fragmentar a claste trabalhadora,
além de ser uma resposta econômica para explorar mais a claste trabalhadora.
Nesse processo de expansão do proletariado de serviços,
a terceirização é vital para você enfraquecer a claste trabalhadora.
Então, por exemplo, os grandes bancos reduziram enormemente o número de bancários e bancários
da grévia de 1985, se me lembra bem no Brasil, há 2750 e um milhão de bancários do Brasil e bancárias.
Hoje você está num banco só tem máquina e os bancos trouxem o bancário e a bancária está no
calcê-ter que nos atende com as telefones.
Ganhando menos, frequentemente, tem dos seus direitos burlados e com muita dificuldade para
organizar os sindicatos, e é muito difícil você fazer uma grévia, é muito raro
dos bancários que estão trabalhando com os terceirizados que estão na calcão dos calcê-ter,
porque esse sofre a repressão, o bancário tem direitos que tem um sindicato.
Os tercerizados de geral não têm, ou têm frages organismos sindicais, frequentemente são organismos
quando têm algumas vezes são patronais, são embustes patronais, entende? Então é em si por si
em todos os sentidos mais precarizados, em todos os sentidos.
O último exemplo, você vê a classe trabalhadora doméstica no Brasil, mais de 6 milhões, predominante
mulheres, predominante mulheres nele, uma luta secular de mais de um século para
eros direitos do trabalho. Muito bem, se você vai contratar uma empresa de terceirização
ou hoje uma empresa de plataforma, que piora ainda? Essas duas trabalhadoras terceirizada
ou a platformizada, elas não têm os direitos do trabalho que a trabalhadora doméstica
eu sou obrigada a pagar, porque elas estão num outro âmbito e da plataforma não têm direito
nenhum, ela vai fazer o serviço para cabo dia, ela não sabe quanta ela vai receber direito?
É certo que funciona assim, a você vai receber, nós tiramos 25% e você fica com 75%.
Mas aí quando você vai fazer a conta, nunca é isso, sempre é diferente, tem um trabalhador
despreender todo mês eu sei certinho, o berido em platform, todo mês eu sei certinho quanto
que a empresa pega, é um milagre, é um milagre dos algoritmos, a tragédia e que os algoritmos
são programados pelas grandes empresas, o algoritmo é um religinho infernal controlado
pelas grandes empresas, o algoritmo não é controlado pela classe trabalhadora para melhorar
as suas condições de viver, e o terceirizado então é assim, por isso quando o TMR da sua
governo de conta reformas, no primeiro momento ele acabou com a de junativa da terceirização,
a atividade meio e fim, acabou, generalizou tudo, e depois do finalzinho dos extertores
do seu triste trágico governo, ele tomou mais uma medida, foi aprovada, está certo, pelo
Congresso de terceirização também no setor público, o que é a sintoso, do som exemplo,
o setor público é só tem uma mata por favor, esse é o senso comum, é o liberal mais
rastacoeira, houve no governo Bolsonaro, houve um trabalhador do SUS que impediu uma
negociata daquelas escabrosas de grandes quantidades de vacinas, ele fosse terceirizado,
ele ia denunciar, ele não é louco, dois mil e vinte e quatro foi um ano intenso, mas
muito gratificante para a pública e a equipe do pauta, a gente trabalhou muito para
produzir episódios relevantes, originais, escutar vozes de peso, que nos ajudassem a ter
as conversas que a gente não pode mais adiar, olhar para os elefantes na sala, e esse episódio
foram feitos graças a ajuda de pessoas como você, que nos escuta, acompanha, faz doações
para manter esse podcast de pé, desde quando ele começou, aqui vai então muito obrigada,
e se puder, nos ajude a fechar o ano com mais energia para 2025, você pode fazer um
fix de presente de natal e estímulo pro ano que vem para contato à rouba à pública
ponto org, obrigada.
Professor, eu queria justamente falar mais sobre o seu livro, né, que foi lançado em 2018,
com o título "U privilégio da servidão". O que você vai dizer com isso? Pode explicar
para quem nos escuta, o que exatamente esse novo proletariado de serviços digitais? E
de que maneira esse tipo de esquema de trabalho conforma hoje a nossa sociedade?
Quando eu terminei o privilégio da servidão, em finalzinho de 2017, eu estava incluindo
a Universidade de Cafôsca, estava um período como Professor Visitante, então eu tinha
que dar aulas e eu podia, estava terminando o livro, eu tinha o texto pronta e não tinha
o título, e o livro, o título não vinha, eu tinha os dez títulos da minha cabeça, mas
nenhum eu gostava, e eu estava lendo ao Berca Me, aquele livro primeiro, "Oh, meu gosto
muito de ler a literatura". Aliás, a literatura, além de ser espetacular, ler boa literatura,
ela ajuda a entender o mundo, tem coisas que nós não sabemos explicar e a literatura nos
a gente, eu estava lendo lá e de repente o Camídei diz assim, o livro primeiro homem,
"Oh, imigrante, argelino". Não é exatamente isso, era essa ideia, o imigrador, o trabalhador
da Argelha, está certo que imigra e tal, o trabalhador lá, ele só tem férias quando se
acidenta, só consegue descansar quando passa mal, ele só vai ter um momento de regosejo
quando está desempregado, e aí ele diz, "Mas ou menos assim, é o privilégio da servidão".
Aí eu falei, achei o livro, "que que é o novo proletariado de serviços hoje, o novo proletariado
de serviços, da era de tal". Primeiro, todos nós trabalhamos com uma máquina digital,
seja um celular, seja esse computador que nós estamos falando, não dá mais, se eu chamar
o eletricista aqui, ele vai depender do celular para vir aqui, se não ele não vem, se eu ligar
para casadê, ele não atende mais de telecom, ninguém mais tem de telefonificos. Pra dar um
exemplo alimentar, dois, neste cenário, onde muitos de nossos trabalhadores e trabalhadoras
não temos mais direitos, porque somos aspas, autônomos e empreendedores, é mentira. Trabalha
autônomo é outra coisa, eu trabalho quando eu quero, eu cobro quanto eu quero, eu recebo
como eu quero, e eu não sou obrigado, mas na Uber também assim, é mentira, se eu recusar
cinco chamadas na 99 hoje, trabalho oberizado, vale para Uber, 99, Glovo Deliveroo, olhando
o mundo, se eu recusar cinco na 99 hoje, eu levo cinco dias de bloqueio, então eu posso
recusar, mentira, está certo? Eu tenho um cálculo na Uber, que disse que eu estou próximo
de ser um mau trabalhador, eu sou avaliado, sou avaliado negativamente, eu posso ser sumariamente
bloqueado, então não tem autonomia nenhuma, e empreendedorismo é outra coisa, empreendedor
é uma figura, tem um milhão, dois milhões, cinco milhões, trabalhar vida inteira, ganhei
bem, era gerente, eu gosto de cozinhar cozinhar comida francesa, então eu quero montar o restaurante
francese de ilúcio, então eu jogo dar dois milhões, faço um belo restaurante francese, vou ganhar
muito dinheiro, que eu vou me tornar um dos melhores da minha região, do meu estado, do meu
país, está certo? E vou ganhar muito dinheiro, este é um empreendedor, o chum Peter falaba
que a classe empreendedora é classe burguesa, ela tem dinheiro e ela investe, trabalhador
que está na informalidade, que compra um carro sem ter dinheiro para dar entrada, que compra
uma moto ou a luga, porque não tem dinheiro sequer para comprar uma bicicleta, que compra
duras pelas e pagando a prestação o celular, que até a beg tem que pagar, ele não é empreendedor,
é um vilipêndio, é adulterar pobre do aurelho, o arque de Holanda, delas, dicionários que
está aqui no meu livro, você vou ver lá, o que empreendedor é outra coisa, o que é trabalhador
autônomo é outra coisa, todo trabalhador e toda trabalhadora, sonha por autonomia, você
vai perguntar para você se gosta, você gostaria de ter plena autonomia no seu trabalho,
isso vai claro, eu também, e nós estamos numa profissão que a autonomia é relativa, mas
ele é mais próxima do que alguém que tem que trabalhar 24 horas por dia, entende? Então,
a tragédia é que setora é esse, o novo proletariado de serviço, nós não tínhamos calcêntem
no século XIX, calcênteles pode na década de 80, 90 do século passado para cá,
ele é marketing, a indústria hotelera que se explodiu, nós já tínhamos o proletariado
tradicional de serviços, as indústrias hotéis, da certo restaurantes, shopping, mas isso
sofreu uma profunda mutação, hoje você tem Airbnb, você tem uma massa de mercado livre,
cânia, tem para todos os gostos e desgostos, este trabalhador deste setor não é nem o antigo
trabalhador, que ainda existe por óbvio que está na fábrica montando esse celular, e não é
nem aquele trabalhador da água indústria que está controlando uma máquina que corta a cana,
ele está no setor de serviço, que no passado era público, água, no meu tempo de jovem, agora
é pública, isso tem bem empresa pública, luz, energia elétrica, previdência, saúde,
hoje tudo isso está privatizado, escolas, o governo do Estado está propondo no processo,
que privatização e financieração do Estado, da educação pública, assim, todo esse segmento
compõe esse novo proletariado de serviços da era digital, cujo risco maior que corre
é o das empresas, não cumprirem, a legislação protetora do trabalho, no Brasil, isso vale para
todos os países do mundo, porque a guerra é global, que valia pro proletariado, o industrial
e a do indústria que elas vão dizer, não, mas esse é diferente, ele é autônomo, se é autônomo,
ele não tem direito, este é o embuste, se você aceitar que é autônomo em empreendedora,
você não tem direito a um mês e meio atrás, eu para muita fé, minha felicidade, eu fui convidado
para uma audiência na Câmara Municipal de São Paulo, online, que eu moro em campinas, aqui ao lado da Unicamp,
hoje é um artista, de qualquer setor teato, televisão, novela, como é que chama dublador,
tudo da indústria cultural, isso tem que fazer projeto de empreendedor para sobreviver,
ele não tem mais contrato de trabalho, é vergonhoso, que é o frila fixo no jornalismo,
é o frilance que virou fixo, é uma birração terminológica do lexico,
os trabalhadores jornalistas, jornalistas e o jornal criaram, eu sou frila que virou fixo,
o que que é isso, eu posso dizer o que que é isso, você parece que é frilance,
mas como você só trabalha como frilance, você não tem direito a os direitos, você não recebe,
os direitos do trabalho, é simples assim, isto está esparramado professores,
hoje? Tem empresas, faculdades privadas são. podia comparar com fábricas de salsicha,
mas salsicha de marco-alidade, tá certo? Elas podem ter outro dia ser notícia em São Paulo que uma
aula de um professor dado online por gravação, o professor tinha morrido e a aula dele continuava
sendo reproduzida, porque eu dou uma aulas milhares, pode ouvir. Então, eu não preciso mais contatar
a professor, eu não preciso mais contar o contato munitores, e não tem mais professor. E que bom
o mundo que nós vamos parar. E aí vem a inteligência artificial. O que que diz o site da OpenAI? Existe
dois tipos de inteligência artificial, a forte e a fraca. A fraca significa o seguinte, a inteligência
artificial é feita para aprender toda a sensibilidade e inteligência humana e fazer atividades humanas,
digamos assim, de uma forma ainda não absoluta, por isso a inteligência artificial fraca. Se eu tenho que
ir para São Paulo, como terei que ir quinta-feira, para um lugar que eu não conheço, eu vou ligar
que o ex e uma arte de inteligência artificial, um algoritmo vai me levar para o lugar, porque eu não
lembro como é que eu entro naquele lugar em São Paulo. Uma savida é programada hoje por
inteligência artificial até nas coisas cotidian. Só que a OpenAI dizia isso a humana atrás, que tem
a inteligência artificial forte, que aquela que é capaz de fazer tudo. E ela dizia a humana atrás,
é o sito no meu livro, "Rice Bergs Adeliva", o trabalho nas plataformas digitais, o primeiro capítulo,
o que nós temos, digamos assim, neste caso, nesta modalidade. Todos os trabalhadores e trabalhadoras
que são contratados, tá certo? Eles estão fora da leislação protetora do trabalho. Estão excluídos,
então você teria uma explosão do novo proletariado de serviços da era digital, e se você folhar todas
essas empresas, doventa e nove cabe-fi, globo de libero, iFood, Airbnb, mercado livre,
workana, Amazon Mechanical Terp, todas elas têm essa massa de entreregadores que não têm direitos,
e não só entreregadores. Hoje você contrata pela Amazon Mechanical Terp, tradutores, arquitetos,
workana também, projetos, se acerta um projeto com alguém que faz para você, essa pessoa não tem mais direitos.
Então você criou um novo proletariado de serviços, que é diferente do proletariado industrial,
porque, no serviços, muitas vezes, você não precisa ter necessariamente um galpão e um espaço fechado.
Então, você tem uma situação onde você criou uma realidade nova, que é o proletariado de serviços,
só que você não tem mais o mundo industrial, mas você tem uma indústria de serviços.
Eu, por exemplo, no meu estudo, todos os meus livros, eu nunca falei que nós estamos numa sociedade impós-industrial.
Consideram erros, porque nós temos a indústria de transformação, a indústria mineral, a indústria n'agricultura,
que a indústria nós agora adentramos da indústria de serviços Amazon, é um armazém monumental e menso no mundo,
se parramado no mundo, alabama, Estados Unidos, você vai para outros pais, você tem aqui no Brasil, você tem tantas outras partes do mundo.
É claro que é um trabalho não de transformação, mas é uma prestação de serviços que foi privatizado, mercadorizado,
gera lucro e frequentemente mais valia.
Este é um novo proletariado de serviços que mais se expande no mundo, o trabalho que mais se expande no mundo
hoje é um novo proletariado de serviços.
E por que o privilégio da servidão para fechar aquele que conseguiu um trabalho teve o privilégio de se tornar um cérebro?
É uma provocação.
O dominante do proletariado de serviços é o trabalho baixo e precarizado e digitalizado, algoritmosado, etc.
E agora para fechar aquela pergunta sempre difícil, né?
Tem caminho para sair disso, tem como ter vida além do privilégio da servidão em um mundo do trabalho cada vez mais controlado.
Tem, claro que tem.
Se não, eu te digo francamente, apesar da simpatia dessa nossa conversa, eu não estaria trabalhando.
E eu também faço isso, tem nesse iceberg da deriva, eu desenvolvo três tezes e um hipótese.
Esse novo proletariado de serviços, você teria, por exemplo, em 2021, na Amazon, uma primeira tentativa de criação de um sindicato em Alabama.
A empresa conseguiu impedir os subterfugios, porque por leios, os sindicatos pode ser criados.
Mas em 2022, eles criaram na Grande Nova Iorque, o primeiro união dos trabalhadores da Amazon.
Nós estamos tendo graves das Starbucks nos Estados Unidos, que também vale tudo.
Esse novo precarado de serviços nos Estados Unidos, e esse precarado de serviços é global, entendeu?
É só brasileira, é global.
2019 é um primeiro encontro mundial de trabalhadores da Uber, que é um sindicato.
Primeiro de julho de 2020, que nós tivemos. O breque dos apps, o breque dos apps entrará para a história da classe trabalhadora brasileira.
Eu sei do que eu estou falando, porque eu estudo isso há 50 anos, como a primeira greve dos trabalhadores Uberizados no Brasil,
que parou várias capitais do exigido, melhores condições de trabalho.
Foi nesse contexto que nasceu, por exemplo, a aliança nacional dos entregadores de aplicativo, a aliança, como eles chamam.
É a primeira entidade que se propõe a representar, mais amplamente os trabalhadores de aplicativo.
É um aumento espetacular, porque o proletariado na Inglaterra, ele não se organizou no primeiro dia,
foram anos para fazer uma greve.
Antes de fazer greve, eu ouvi na Inglaterra, eu chamado ludismo.
Que que era o ludismo? Entrava uma máquina, dimitia sem. Entrava uma outra máquina na semana seguinte,
o meio seguinte, dimitia mais 200.
Outra máquina tem dimitia na quarta e falava um quebra essa máquina, que passou na quebra as máquinas.
O seu líder, Ned Lude, foi morto. Em praça pública, para mostrar que a classe trabalhadora tem que saber que o lugar dela é que fica quietinha.
Mas ela não é assim, não. Ela criou movimento artista, a carta do povo, na década de 40 na Inglaterra.
Ela criou sindicatos, partidos. Ela fez a jornada à luta histórica do proletariado norte-americano pelas 8 horas de trabalho.
E o novo proletariado de serviço, eu tenho estudado bastante isso. E uma vez que eu sito no privilhado da servidão inesseis e bergos aderíveis,
que é uma nova morfologia do trabalho. É uma classe trabalhadora com tendências que são constantes e outras completamente novas.
Ela gera também novas luta sociais. Quem viver verá.
Professor, muito obrigada por falar com a gente hoje. Foi um prazer te ouvir falar desse assunto, que é tão importante para a gente também, para todo mundo que está escutando.
Um abraço a vocês, da Ótimo.
Este podcast é uma parceria da Agência Pública com a rádio guarda-chuva. Joralismo para quem gosta de ouvir.
Chegou a hora da gente recomendar um programa da rádio guarda-chuva para você imendar no só playlist depois do pauta.
Se você quiser continuar no clima e ouvir boas conversas histórias impactantes, conheça os outros programas que fazem parte da rede de podcastes da rádio guarda-chuva.
Na rádio escafandro, você tem mergulhos narrativos sobre temas que importam nos nossos tempos.
No Ciência suja a história de fraude científicas e como a própria ciência atua para resolver esses casos.
O vida de jornalista traz histórias de profissionais e reportagens que marcaram a nossa história. Sempre em episódios muito bem produzidos.
Além de vários outros programas para todos os ouvidos.
Procure no site da rádio guarda-chuva, que algo com certeza vai te interessar.
[Música]
E chegamos ao fim de mais uma temporada do pauta pública. Muito obrigada a você que ficou com a gente até aqui.
Eu me despeço de vocês, gente. Agora é real e oficial.
Mas o pauta que foi apresentado por mim em Flareça Levy, seguirá em 2025 sendo apresentado pela Andréa Deep ao lado da Cláudia Jardí.
Nessa temporada de 2024 eu e a Deep cuidamos da pauta e da entrevista do programa.
A produção foi do Ricardo Terto e da Estela Diogo.
O Terto é também quem editou e roteirizou todos os programas.
A arte e identidade visual foram feitas pela ta inagom salves.
Da comunicação e coordenação das redes sociais, Lorena Morgana e publicação no site transcrição por Analice e Rafael Alhibero.
A trilha sonora original foi composta pelo Pedro Vittúrio, a coordenação da produção
e a edição de pautiquechas da pública da Cláudia Jardim.
Pauta pública é uma produção original da agência pública de jornalismo investigativo.
A gente se vê e se ouve por aí, gente.
Semana que vem, começam os episódios especiais do Pauta de Fingeano e o programa volta em janeiros de 2025 com episódios inéditos.
Um beijo, gente. Até!
Um beijo claro, um beijo ouvintes. Vamos que vamo, em 2025 eu tô de volta e o Pauta também trazendo ainda mais novidades.
Bom fim de ano pra vocês, se quem bem e até a próxima temporada.
Podcast Summary
Key Points:
Andrea DiPi anuncia a saída do programa "Pauta Pública" após 119 episódios, passando a bola para Cláudio Jardim na próxima temporada.
O episódio é especial por marcar o 150º programa e o fim da temporada de 2024, com foco no tema do trabalho precário e suas consequências sociais.
O professor Ricardo Antunes destaca a precarização do trabalho no Brasil, especialmente por meio da terceirização, algoritmos e jornadas como a escala 6 por 1, que afetam diretamente a vida e saúde dos trabalhadores.
Summary:
Andrea DiPi encerra sua participação no programa "Pauta Pública" após 119 episódios, anunciando a transição para Cláudio Jardim na próxima temporada. O episódio especial, marcando o 150º programa, aborda com profundidade a precarização do trabalho no Brasil, um tema central para a temporada de 2024. Com a participação do professor Ricardo Antunes, o programa analisa como a escala 6 por 1, a terceirização, o trabalho em plataformas e a exploração digital colocam os trabalhadores em situações de extrema instabilidade.
O debate aborda a fragmentação da classe trabalhadora, a falta de direitos, o aumento da jornada de trabalho e a exploração por meio de algoritmos. O professor destaca que o novo proletariado de serviços, com trabalho digitalizado e sem proteção legal, é uma realidade global, mas com forte presença no Brasil. Ele ressalta que, apesar da precarização, há mobilizações sociais, como sindicatos de entregadores e trabalhadores de plataformas, que mostram que a luta por melhores condições é possível.
O episódio encerra com a reflexão sobre a importância de continuar lutando por uma vida além do trabalho, com direitos, dignidade e autonomia. A produção é creditada à Agência Pública e à Rádio Guarda-Chuva, e o programa promete retornar em janeiro de 2025 com novas conversas e temas relevantes.
FAQs
Andrea DiPi está saindo do Pauta Pública para se dedicar a estudos e ao desenvolvimento de um documentário, marcando o fim de sua participação como apresentadora.
Claudia Jardim assumirá o papel de apresentadora do Pauta Pública em 2025, substituindo Andrea DiPi.
É um duplo marco: marca o 150º episódio do programa e o fim da temporada de 2024, com um tom diferente de despedida e reflexão.
O tema central é a precarização do trabalho, com foco na escala 6 por 1, na terceirização e no novo proletariado de serviços digitais.
É um regime de trabalho em que os trabalhadores trabalham seis dias por semana e têm um dia de descanso, o que gera superexploração, adoecimento e falta de tempo para a vida pessoal.
A tecnologia aumenta a produtividade e intensifica o ritmo de trabalho, fazendo com que os trabalhadores sejam obrigados a trabalhar mais tempo sem direitos de proteção ou descanso.
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