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Episódio 8- Audiodescrição

44m 0s

Episódio 8- Audiodescrição

Neste episódio recebo consultor em audiodescrição Felipe Vieira Monteiro e dialogamos sobre as nuances da audiodescrição. O Felipe é Mestrando em Educação, cultura e comunicação em periferias urbanas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; O mesmo é autor de 4 livros com as temáticas, pessoa com deficiência visual, acessibilidade, música e áudio descrição; Professor de música a mais de 29 anos; Atua como consultor em música, acessibilidade cultural, acessibilidade web e como consultor em audiodescrição.

Transcription

6212 Words, 36519 Characters

Inclusão Cast, com André Viesba. Vamos dar início em mais um episódio de nosso podcast Inclusão Cast, e hoje eu rei falar sobre um tema muito importante sobre a áldio descrição. Você sabe o que é a áldio descrição? Para abordar esse tema comigo, recebo amigo Felipe Vieira Monteiro. Felipe, seja bem-vindo. Oi André, eu muito obrigado aí pelas palavras iniciais, antes de mais nada, quero me apresentar aqui. Meu nome é Felipe Monteiro, eu tenho deficiência visual, 43 anos, tenho 1,70 metros. Eu sou homem branco, de pele morena clara, cabelo, sobre a sele, e olhos, castanhos escuros. E, de só por curiosidade, hoje eu estou com uma camisazul, eu já ouvi do preto, e estou aqui na minha sala, atrás de mim uma cortinha beijo branca. Obrigada, André, pelo gentil convite, estou muito contente de estar podendo falar um pouquinho mais sobre a áldio descrição. Pessoal, Felipe, ele é mestrando em educação, cultura e comunicação em periferias urbanas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O mesmo é o tour de quatro libros com as temáticas, pessoa com deficiência visual, acessibilidade e áldio descrição. Professor de música, há mais de 29 anos, ele é a tua como consultor em acessibilidade cultural, acessibilidade web e consultor em áldio descrição. Corrigo do Felipe é extensor, e realmente é uma pessoa que veio para trazer aqui para gente bastante conteúdo e bastante conhecimento. Felipe, então, para dar início, conta para gente um pouquinho o que seria a áldio descrição, como ela surgiu? Pois, André, nossa, super importante falar sobre isso, né? Então, a áldio descrição é um recurso de acessibilidade comunicaçãoal. Ela é uma tecnologia assistiva, né? E ela está inserida no escopo da tradução. Ela é classificada como uma tradução impersemiótica, porque nós podemos converter as informações visuais e informações verbais, ou seja, informações do signo visual para o signo verbal. Então, a parte daí a gente já consegue ter uma noção de que a áldio descrição ela pode estar inserida em diversos locais em diversos espaços, tem uma infinidade de possibilidades, porque nós vivemos numa sociedade visocêntrica, ou seja, nós estamos inundados por imagem a todos os lugares onde nós estamos dentro de casa, no nosso prédio, no nosso bairro, na nossa rua, enfim, na nossa cidade, na escola, na universidade, no trabalho, em qualquer local onde nós vamos, nós temos aí informações visuais. Então, por isso, na escola de descrição se apresenta como um recurso aí de grande importância, né? E é bom frisar que esse recurso ele surgiu na década de 70, lá em Meados, da década de 70, nos Estados Unidos, né? E a priori, ele foi pensado para pessoas com seguir, né? Pessoas cegas. Mas, como passar do tempo, esse recurso foi desenvolvendo. Sabe, André? É, sua exploração já traz para a gente um norte do que seja a audiorescrição, e o ponto é muito importante, né? Como você disse. Hoje, na nossa sociedade, a gente tem muitas questões que são realmente extremamente visuais. E aqui você já começou a trazer para a gente também um pouquinho sobre as pessoas que são as beneficiárias dessa audiorescrição. Existem outras pessoas que também se beneficiam da audiorescrição? Pois, André, então, como eu falei, ela foi criada a audiorescrição, ela foi pensada para os cegos, somente para os cegos, né? E por isso que o termo é a audiorescrição. É uma palavra só. Tudo escrito junto, né? Porque é uma descrição através do audiorescrição. Então, foi pensada dessa forma. Mas, com o passar do tempo, percebeu-se que a audiorescrição, ela beneficia outros públicos também, ela começar pelas pessoas com baixo a visão, né? Que compõe aí o universo das pessoas com deficiência visual. Mas outros públicos também, né? São beneficiados aí pela audiorescrição, a gente pode citar vários, né? As pessoas com deficiência intelectual, síndrome digital, transtorno do espectro do altismo, os monoculares, pessoas surdos cegas, pessoas com desilexia, fs de atenção, as pessoas com baixo, o letramento e até os idosos. Então, só nesses públicos que eu citei aqui, você pode perceber que a audiorescrição ela pode beneficiar e a muito as pessoas, há muitos públicos diversos. Mas nós já temos caminhado aí para um pensamento, André, de que os recursos de acessibilidade, eles não devem ser direcionados para um público específico, né? Muito comum nós ouvimos assim, aí o Braille é para a pessoa cega. O piso podotátil é para a pessoa com baixo a visão. A janela de libras é para a pessoa surda, não. O recosto de acessibilidade, ele está aí a disposição para quem quiser utilizar, quem se se sente confortável em utilizar aquele recurso, se aquele recurso for útil para ele, eu costumo brincar, utiliza sem moderação. Então nós temos o grupo focal, o grupo prioritário da audiorescrição que é sim o de pessoas com deficiência visual, cegas e com baixo a visão, mas nós entendemos que o recurso pode ser utilizado por todos. Que legal Felipe, isso também traz a ideia do desenho universal, do quanto é importante, né, a gente fazer coisas para que qualquer pessoa que tem interesse se beneficie, e também usa sem moderação, que é o que você falou. Exatamente, é bem boa. Em quais espaços que atualmente que a audiorescrição já está inserida, então quais espaços que já se encontra onde a gente pode ter na audiorescrição hoje em nossa sociedade? Então antes de eu falar de basicamente dos espaços, acho importante falar de algumas categorias onde a audiorescrição pode estar inserida. Então eu posso começar pelas imagens estáticas, assim, o que são as imagens estáticas, né, são as fotografias, os desenhos, né, as ilustrações, os gráficos, as tabelas, fluxogramas, tons, charges, estão, tem uma infinidade aí de possibilidades, né, das imagens estáticas. Aí nós temos também as imagens genâmicas, aí eu falo dos filmes, né, longas, curtas, dos comerciais, dos shows, né, tem as visualas, tem uma possibilidade infinita também, né, de produtos áudios que estão aí nessa categoria de imagens genâmicas. Nós temos também as imagens estáticas, né, que aí nós podemos falar de materiais idáticos, né, que são tadas que trabalham com diversas texturas e que a audiorescrição pode vir ali complementar aquela exploração aptica, né, aquela exploração através do tato, temos, podemos citar os mapas tates, né, também podemos citar fotografias tates, então a audiorescrição também pode estar inserida aí nesse campo das imagens estáticas. E por fim, os eventos ao vivo, a audiorescrição também pode estar presente nos eventos no vivo. E aí nós falamos das peças, já atrás dos espetáculos de dança, os concertos, a apresentação de coros, né, natuto, infantil, shows, seminários, congressos, foram as aulas, as feiras, podemos falar de casamentos, partos, velouros, enfim, tem uma infinidade aí de possibilidades onde a audiorescrição pode estar inserida e todas essas situações, né, que eu já citei até agora já possuem o recurso de audiorescrição, né, audiorescrição na verdade chega no Brasil em 2003, né, em 2003 acontece o festival assim vivemos, é um festival super importante que traz vídeos, retratando a realidade das pessoas com deficiência, como um todo. E esse festival todos os filmes que são exibidos nesse festival traz o recurso da audiorescrição. Então lá em 2003 foi um marco assim inicial onde a audiorescrição começa a ser apresentada de forma profissional, né, no Brasil. Então, é, todos essas situações que eu citei aí pra vocês, né, elas podem contar aí e já contam com o recurso de acessibilidade, né, a audiorescrição. Tenho certeza que os nossos ouvintes estão gostando bastante e realmente estão adquirindo ali um e extremamente. muito rico através da sua fala, você tratou-se os mais diversos espaços que áudio de descrição já pode estar presente e aí você citou ali vários eventos e como que é composta essa equipe de elaboração para a audio-descrição? Existe uma equipe, mas existe? Existe muito importante você ter falado sobre isso, André, porque muitas pessoas, às vezes, têm contato com áudio de descrição, mas não têm uma ideia, uma noção da quantidade de pessoas que trabalham em pró desse recurso, do desenvolvimento desse recurso e é sempre importante ressaltar que é um trabalho complexo, é um trabalho árduo de muita pesquisa, de muito estudo e então a gente sempre tem que enalquecer essas pessoas que fazem parte da equipe de áudio de descrição, mas eu vou citar aqui três principais profissionais dessa equipe, que são o roteirista, o consultor e o narrador, eu vou falar dos três profissionais, eu tenho que dizer que todos eles necessariamente precisam ter formação de audio-descrição, fazer cursos e eu falo no plural, não basta fazer um curso em audio-descrição, é importante fazer vários cursos, como em qualquer profissão é preciso se aprimorar, além disso, esse profissional precisa ter uma boa circulação em equipamentos culturais, quando eu digo equipamentos culturais, eu estou dizendo os teatros, os museus, as galerias, os cinemas e por aí vai porque a audio-descrição está muito inserida nesses contextos, então é importante que esse profissional tenha intimidade com esses ambientes culturais, além disso é importante também que o profissional da audio-descrição é um bom domino da língua, no nosso caso português e um bom vocabulário, porque a gente trabalha com texto tempo todo, a gente precisa muitas vezes pesquisar termos, sinônimos, adjetivos, enfim, então é muito importante que esse vocabulário do profissional ele seja fácil, então agora falando do roteirista, o roteirista geralmente é a pessoa que tem o primeiro contato com a obra, eu chamo de obra qualquer produto que vai ser acessibilizado pela audio-descrição, tá? Então o roteirista é uma pessoa que não tem nenhum tipo de limitação visual e essa pessoa vai ter contato com a obra e vai elencar os principais elementos daquela obra pra poder fazer a tradução, ou seja, pra converter a informação visual em texto, porque a audio-descrição, diferente de que muita gente pensa, ela é um recurso de acessibilidade, ou seja, ela vai dar acesso pra aquele usuário e aquele usuário vai ter acesso àquela obra através da audio-descrição, só que aquele usuário ele não vai ter a informação 100% daquela obra, porque não existe essa possibilidade, por mais que o profissional da audio-descrição tenha boa vontade e queira transmitir todas as informações visual, isso não é possível, né? Deixando bem claro que a audio-descrição fala não tem um intuito de substituir a visão, não é isso, é um recurso de acessibilidade, as pessoas vezes faz um pouquinho de confusão com isso, então por isso que é importante o papel do roteirista, porque ele vai decidir quais são os elementos mais importantes, por exemplo, ele pega uma foto do André, ele vai olhar pra essa foto do André e vai decidir quais são os elementos mais importantes naquela fotografia e vai traduzir as informações, então por isso que é importante o papel do roteirista, e aí ele escreve um roteiro que nós chamamos de roteiro parcial, chamamos de parcial, porque esse roteiro ainda não está pronto, quando ele completa essa fase do roteiro parcial, ele envia esse roteiro para um consultor em audio-descrição, quem é o consultor em audio-descrição é necessariamente uma pessoa como deficiência visual, aí pode ser uma pessoa cega ou uma pessoa com baixa visão, aí você vai me perguntar, mas por que tem que ser uma pessoa com deficiência visual, porque esse é recurso, quando ele foi pensado lá na década de 70, ele foi pensado para esse público, esse é o público foco, esse é o público prioritário que consome audio-descrição, e nós sabemos que esse público é o que mais consome audio-descrição, então ninguém é melhor do que uma pessoa que antes de mais nada, é um usuário da audio-descrição para poder revisar esse roteiro, dar sugestões, analisar esse roteiro, então o que o consultor vai fazer, ele recebe esse roteiro, ele já estudou a obra, vamos se for, se for uma obra audio-visual, o vídeo ele já escutou esse vídeo, já analisou, já tentou entender a história daquele vídeo, se tem uma história, tem vídeos que não tem história, mas tem vídeos que tem um enredo, então ele já está estudando aquele vídeo, já faz pesquisa sobre aquele filme entra no site, do filme, enfim, então já existe uma pesquisa que acontece enquanto esse roteiro parcial não chega, chegou o roteiro parcial, o consultor, ele vai lendo frase por frase desse roteiro, para entender se aquela frase está construída de uma forma, que ele consiga entender a imagem daquela obra, se está claro para ele, porque às vezes para o roteirista está claro aquela frase, mas quando chega para o consultor ele não consegue formar essa imagem mentalmente, então é muito importante que esteja claro essa sentença, então aí o que o consultor faz, às vezes a frase não está muito claro, ele vai trocar essa palavra, sugir essa palavra em vez dez, a vamos inverter a ordem nessa frase, a tu achando que essa frase está muito longa, a tu achando que essa frase dá muito curta, então esse que é o papel do consultor, ele faz isso no roteiro inteiro, terminou esse processo, ele reinvia o roteiro para o roteirista, aí o que o roteirista vai fazer nessa frase agora, ele vai ler as considerações do consultor, que o consultor já colocou ali no corpo do texto mesmo, e aí o que ele concorda o roteirista concorda, ele já vai absorver ali no roteiro, já vai fazer alteração, o que ele discorda ainda, ele vai entrar em contato de novo com o consultor e eles vão debater até fechar esse roteiro, até concluir esse roteiro, então essa relação como em qualquer profissão, tem que ser uma relação saudável, tem que ser uma relação de confiança, não pode haver melindre, porque você quando mexe no texto de outra pessoa é algo delicado, então tem que ter essa afinidade para vocês falarem abertamente sobre o texto, então concluir dessa fase, o que a gente vai fazer, a gente vai enviar o roteiro para o narrador em audio-descrição, quem é esse narrador em audio-descrição, ele tem que ser um profissional da voz, uma pessoa que já tenha estudado técnica evocal, de queção, tem que ter uma boa adquição, tem que ter um bom timbre, vocal, uma boa projeção, uma velocidade equilibrada, de fala, enfim, então esse narrador que vai dar voz a audio-descrição, é muito comum, na audio-descrição, o roteirista, seu próprio narrador, ele exerce as duas funções, ele escreve o roteiro e depois ele mesmo narra, isso é comum, nós temos até com os sultores em audio-descrição que já fazem na ração também, então isso pode acontecer, não tem problema algum, e aí esse narrador ele pode dar voz a audio-descrição de duas formas, da forma gravada ou ou vivo, a forma gravada, esse narrador geralmente ele vai até um estúdio de gravação, chegando lá a voz dele é captada, e esse áudio da audio-descrição vai ser mixado com a obra, então vamos pensar num filme, tem lá o filme, os personagens, os personagens estão conversando, e a audio-descrição, ela tem que entrar nos intervalos entre as falas, a gente evita sobrepor as falas, a gente não coloca audio-descrição enquanto as pessoas estão falando, a gente coloca só nos intervalos, para a gente não sobrepor e não atrapalhar o entendimento, porque a gente além de ouvir audio-descrição, a gente tem que entender o enredo da obra, a gente só faz a sobreposição quando a informação visual é mais importante do que a informação verbal, vou te dar um exemplo, às vezes tem duas pessoas conversando sobre um assunto aleatório, um assunto a menos, e aí uma dessas pessoas discretamente abre uma gavita e pegam revolver, ali eles estão conversando sobre o outro assunto que não tem nada a ver com revolver e a pessoa vai lá e abre uma gavita para pegar um revolver, essa informação visual é muito importante porque aquilo ali vai definir o enredo da obra, e aí sim audio-descrição tem que sobrepor, então essa é a forma gravada, é mixada audio-descrição na obra, na forma ou vivo, o audio-descritor, narrador, ele vai até o local do evento, por exemplo, no concerto, ele está lá, na sala de concerto fazendo a narrador, ele vai lá, ele vai lá, ele vai lá. na ração da audio-descrição, numa peça de teatro, por exemplo, né? A peça de teatro está lá acontecendo e o narrador está narrando a audio-descrição enquanto a peça está acontecendo. Por que que é importante o narrador estar lá ao vivo enquanto a peça está acontecendo? Porque primeiro, muitos imprevistos acontece. Por exemplo, no teatro é muito comum, né? Eles estão lá no cenário, usavam uma almofada branca de última hora de algum problema lá, tiver que usar uma almofada vermelha. Estou só dando um exemplo, tá? E aí, esse narrador tem que estar tento para poder fazer essa alteração ali no momento. Além disso, o narrador também vai dar informações sobre a plateia, por exemplo. Quantas pessoas estão ali naquele ambiente, né? Reações que essa plateia tem durante o espetáculo. Então, por isso que nós defendemos que a audio-descrição, ela precisa ser ao vivo em eventos ao vivo. Não existe a possibilidade de fazer a audio-descrição gravada para eventos ao vivo por conta dessa atmosfera que acontece ali. Então, só basicamente esses três profissionais. Esse editor de audio, né, que trabalha nos estudos, é importante que ele tenha essa formação em audio-descrição também, porque ele tem que entender essa dinâmica da audio-descrição. Ela vai no, vamos dizer assim, no contra-fluxo, né? Então, ela tem que entrar assim nessa janelas de intervalo entre as falas, André. Felipe, muito rica sua fala na trás para a gente uma clareza. E o quanto que é importante, né, o papel desses três profissionais para que a gente consiga ter a audio-descrição ali dentro dos espaços, né? Como você comentou conosco, o quanto que esse profissional, ele precisa, muitas vezes, se doar mesmo, né? Ali o estudo, ele está ali bem alinhado também com o trabalho com a equipe. Então, esses três profissionais, eles são essenciais e possibilita. As pessoas que se beneficiam da audio-descrição, a ampliação da sua percepção daquela obra, como você diz. Então, assim, sensacional, muito bom. Felipe, eu acredito que os nossos ouvintes estejam se perguntando, poxa, mas aí? Como que eu, uma pessoa que talvez não tenha feito um curso sobre audio-descrição, posso fazer isso no meu dia a dia? E aí, eu pego aqui como exemplo, os professores que as vezes estão nas salas de aula, e as vezes tem uma luna com deficiência visual, e ele precisa descrever um dráfico, ele precisa descrever uma imagem. E aí, eu te pergunto, quais são as diretrizes, Felipe, para que a gente possa fazer a audio-descrição? E você tocou no assunto super importante, Andrea, que é o contexto educacional. Nós costumamos da formação, tanto para pessoas que têm o interesse em serem profissionais em audio-descrição, mas também, para essas pessoas que querem utilizar audio-descrição, como um recurso pedagógico, que é o caso como você está citando dos professores. Os professores, não necessariamente, precisam ser profissionais da audio-descrição, para utilizá-las em sala de aula. Esses professores podem utilizar audio-descrição como recurso pedagógico. E aí, o professor vai fazer o papel do roderista. E quem vai fazer o papel do consultor? O próprio estudante, o estudante, nesse contato com o professor, que vai dar esse feedback, vai dar o retorno pro professor. Ele vai dizer se a audio-descrição foi bem construída, se ele está entendendo, se ele não entendeu nada, se faltaram informações, mas a gente tem algumas diretrizes, na audio-descrição, nós costumamos dizer que a audio-descrição não tem regras e não tem mesmo. A obra que vai editar, qual vai ser o caminho que nós vamos escolher para a audio-descrever? Então, não tem muito uma receita de bolo não, mas tem umas questões que são muito importantes que a gente tem que prestar atenção. Quando eu comecei a minha fala, vocês perceberam que eu me auto-audio-descrivi. Eu uso esse termo auto-audio-descrição para as pessoas não fazerem confusão, porque é muito comum a gente ouvia as pessoas falando, "Vou fazer minha auto-descrição". Não está errado falar dessa maneira, auto-descrição, porque a pessoa vai fazer a própria descrição. Só que com isso o que acontece, muita gente confunde o nome do recurso. Acha que o nome do recurso é auto-descrição e não audio-descrição. Então, por isso, eu insisto nesse termo auto-audio-descrição para poder reforçar o nome do recurso. E é um trava-língua, mas é uma forma de reforçar o nome do recurso. E aí, quando eu fiz a minha auto-audio-descrição, o que eu fiz? Eu comecei falando das características físicas. Então, eu falei meu nome, falei que eu tenho deficiência visual, amidade, amiautura, falei a metinia, cor de telho, falei do cabelo, sobrancêle e olhos. Depois, então, a gente começa com as características físicas. Depois, o que a gente faz? A gente vai para as vechementas. Aí, eu falei que eu estava com uma camisa azul. Aí, na sequência, a gente fala dos acessórios. Eu falei que eu estava com fone jovido preto. E, por fim, eu falei do ambiente. Eu falei que eu estava aqui atrás de mim, tinha uma curtina beija e branca. Então, aqui a gente já tem vários diretriis da audio-descrição. Por que a gente usa essa organização? A gente vai de elementos que são mais permanentes para os que são menos permanentes. Então, eu comecei com as características físicas. As características físicas são permanentes. Mais permanentes, a gente demora muito a mudar as nossas características físicas. Agora, as vechementas, que foi o segundo item, que eu comecei a descrever, a gente já muda com uma certa frequência. Por exemplo, eu pôr uma camisa azul, eu uso durante o dia a camisa azul, mas amanhã eu já tô com outra camisa. Então, eu já tenho uma certa mudança aí. Depois eu falei dos acessórios, já é uma coisa que a gente muda mais rápido. Eu tô com fone jovido, daqui a pouco eu vou tirar esse fone jovido. É muito importante descrever o ambiente também. Não só dizer o ambiente que você está, mas falar dos elementos que compõem esse ambiente. Tanto ambientes internos, que é o meu caso, como o ambiente externo. A se é uma rua, se é um campo, se é um jardim, se é umavaranda, ou o ambiente interno, se é uma sala, se é uma cozinha, se é um banheiro, se é um quarto. Enfim, é muito importante você fazer isso. E aí, nesse contexto educacional, a dica que eu dou para os professores é a seguinte. Mas, você primeiro tem que estudar essa imagem. O que é o professor? Nós que somos professores, nós estamos muito acostumados com o plano de aula. O plano de aula, ele acontece antes da aula, antes das atividades. Então, a gente prepara antes, qual a audio-descrição não é diferente. Não dá para você fazer uma audio-descrição de improviso. Por mais que a pessoa tenha a prática, ela vai deixar informações. Ela vai faltar informações. Então, é muito importante que esse roteiro seja preparado com antecedência. O professor, que já tem o ápito de montar o plano de aula, ele já vai inserir o roteiro da audio-descrição dele ali naquele plano de aula. Já para ficar pronto, quando chegar no momento da aula, ele só faz a leitura daquele roteiro. E esse é o caminho correto. E aí, o que ele tem que fazer? Ele tem que estudar essa imagem. Ele vai olhar para a imagem e ver quais são os elementos que mais chamam a atenção. Ele vai começar do que está atraindo mais ali naquela imagem. E ele vai começar a descrever por ali. Geralmente, na primeira frase do roteiro, a gente faz uma manchete de jornal, sabe? Então, a gente pode dizer assim, fotografia, vertical de um menino jogando bola. Pronto. Nessa primeira frase, eu dei só um contexto geral. Eu não dei detalhes de nada. Mas a gente já consegue entender sobre o que é essa fotografia. Já sei que é uma fotografia na vertical de um menino jogando bola. Não falei nada do menino, não falei nada da bola, não falei nada além disso. Mas, nessa primeira frase, eu já consegui entender o contexto. Aí, a partir da segunda frase, você vai detalhar esse menino, falar das características físicas, falar da roupa dele, depois falar da bola e falar do ambiente onde ele está. Então, é mais ou menos assim que a gente faz. E isso, de certa forma, como você falou, de certa forma, não, né? Acho que a gente pode trazer como uma formação mesmo, né? É um recurso pedagógico que vai auxiliar muito no processo de aprendizagem, ensino, né? Então, contribui bastante para o aluno que está ali no ambém dos comar, para que ele realmente possa ter a compreensão do todo. E absorver-lhe os conhecimentos, ter a interação e também conseguir ter uma participação durante essa aula, durante os espaços de discussão, bons polegas. Porque é uma vez que tem essa visualização dessa imagem, realmente fica um pouco mais difícil. Então, quando a gente traz esse recurso pedagógico, da aula de defensão, a gente também está possibilitando uma participação mais ativa desses estudantes, dentro da sua turma, junto com a sua equipe. Você trouxe para a gente no início os espaços onde a audiorescrição já está presente. E aqui, hoje a gente tem nas redes sociais, a #parasegover. O que você acha dessa # como funciona essa # você pode trazer um pouquinho também para o nosso público? E isso é, essa # é uma hashtag muito importante. Essa hashtag ela foi criada pela professora Patricia Braille. É uma professora baiana e ela é conhecida como professora Patricia Braille por conta de ser revisora Braille. E ela, quando criou essa # lá em 2012, eu costumo dizer que ela não abriu as portas para a sensibilidade. E sim, escancarou as portas para a sensibilidade nas redes sociais. Porque até então nós não tínhamos nessa perspectiva de descrição de imagens nas redes sociais. Então, quando a Patricia Braille cria essa # ela cria um movimento muito importante dentro das redes sociais. E a gente sempre tem que reverenciar essa atitude dessa professora, que foi muito importante, é um marco muito importante. E é tão importante essa # # que contempla, ela foi utilizada por grandes empresas como a própria Google, a Coca-Cola, né, sites do governo. Enfim, muita gente usa essa # até hoje. E a proposta dela vai muito mais além do que só # ela propõe que todo mundo poste suas imagens nas redes sociais e descreva essas imagens. Só que com o passar do tempo, como em tudo, que nós temos na sociedade, as coisas evoluem, tudo evolui. E essa # hoje em dia já criou uma certa polêmica por conta da terminologia. A gente não vai ter tempo hoje para entrar nessa discussão, que nem é o foco, mas algumas pessoas já discutem, mas para a SEGO ver, a audio-descrição não tem a pretensão de fazer nenhum SEGO enxergar. E aí, quando fala só de SEGO, e aí SEGAS. Você está só falando do lado masculino e o lado feminino. Aí, já tem outras pessoas que ali, os outros públicos, né, porque você fala para a SEGO ver como se só SEGO fossem beneficiados pela audio-descrição. E as pessoas, aí, outras pessoas já vieram com outra #. Ah, para todos os verem. Mas aí, já vê outra polêmica também, é para todos os verem, mas e as pessoas não binárias. Então, tem várias discussões aí em relação a #. Mas eu acho um movimento super importante. E quando eu me pergunto assim, Felipe, qual é a # que você acha mais adequada para ser utilizada aí nas redes sociais? E eu sempre aconselho colocar # à audio-descrição. Por que? Porque é uma forma de, além de você disponibilizar a descrição ali das imagens, você difundiu o nome do recurso. Porque, infelizmente, Andrea, tem muitas pessoas, principalmente da comunidade de pessoas com deficiência visual que nem nunca ouviram falar essa palavra à audio-descrição. Então, a gente ainda está no processo de difundir o recurso. Fazer com que as pessoas têm o conhecimento do recurso, porque deve ter muito usuário por aí, que necessita desse recurso e não sabe que esse recurso existe. Então, é uma forma de nós difundirmos a # à audio-descrição. Nem é a # ad, que às vezes a gente vê por aí, mas geralmente são profissionais da audio-descrição, que coloca a sigla ad, mas essa ad não é assim, então, clara para todos que estão acessando, né, Andrea? #A audio-descrição. E aí, o que você tratou assim? É realmente fundamental. Porque a gente precisa difundir, realmente, o recurso, o nome é a tudo recurso, né? A # para #ver para todoserem é extremamente válida, mas olhando pela perspectiva que você trouxe, também fácil de fazer todo o sentido, utilizar a #A audio-descrição, porque a gente vai estar difundindo, realmente, o recurso. E, de certa forma, também, Felipe, eu entendo que valorizando o trabalho das pessoas, que se devrussam para poder fazer a audio-descrição, né, os três fanatos. Então, realmente é extremamente importante. Felipe, estou muito feliz, né, com a sua participação, com a riqueza de conteúdos que você trouxe para nós. Você comentou, durante a sua fala, sobre cursos, sobre áudio-descrição. Então, esses cursos, como que funciona, se tiver alguém que está nos ouvindo e tiver interesse, em procurar uma plalificação, procurar esse curso para poder passar por esse processo formativo, como que funciona atrás para a gente também por a gente lesar? Então, é, na verdade, a gente ainda não tem, infelizmente, a gente não tem cursos, assim, então, sistematizados em áudio-descrição. Mas eu posso indicar alguns locais que as pessoas podem procurar para ter, pelo menos, o ponto apenas inicial. O primeiro lugar que eu posso acitar é o Instituto Benjamin Constant. Principalmente, agora, nesse período de isolamento social, eles começaram a disponibilizar os cursos de áudio-descrição remotamente. Então, você entra no site do Benjamin Constant, que você vai encontrar lá informações sobre o curso de áudio-descrição. E é importante lembrar que o curso de áudio-descrição é o mesmo para a roteirista, para a consultura e para a narrador. É o mesmo conteúdo, todo mundo faz o curso junto, só muda a perspectiva. Quem vai se formar em roteirista vai elaborar o roteiro. Quem vai se formar em consultor vai revisar o roteiro. Quem vai se formar em narrador vai narrar esse roteiro. Mas o conteúdo é sempre o mesmo. Então, um lugar é o Instituto Benjamin Constant. Nós temos aqui no estado do Rio de Janeiro, só de Resende, no interior de Rio de Janeiro. Na verdade, eu tenho duas casas. Tenho aqui em Resende e tenho na capital no Rio de Janeiro. Temos uma fundação chamada CCR, e essa fundação oferece cursos de extensão, cursos à distância. E um dos cursos que a gente oferece é a introdução áudio-descrição. Esse curso é mais voltado, assim, para o contexto educacional. Prioriza aí os professores, principalmente da rede, mas fica a dica aí também. É só procurar a fundação CCR, que vocês encontrem informações sobre cursos de áudio-descrição. E tem cursos aí, agora, pulverizados também. É sempre importante estar buscando aí nas redes sociais, nos sites, alguns formadores e ministram cursos de áudio-descrição pontuais, assim, de curta, duração, de média, duração. E temos também os cursos de especialização em áudio-descrição. A primeira turma de cursos de especialização em áudio-descrição foi em juiz de fora, pela Universidade Federal, de juiz de fora, foi entre os anos de 2014 e 2015. Depois nós tivemos a segunda turma, que foi pela Universidade Estadual do CERA, que foi o curso de tradução áudio-visual, acessível áudio-descrição. E atualmente está acontecendo a terceira turma de especialização pela Pouque Minas. Esse curso começou em março desse ano e, provavelmente, vai ter já mais uma turma por próximo ano. Então é isso, as pessoas têm que estar antenadas aí para poder encontrar esses cursos também. Felipe, que legal! A gente tem aqui várias possibilidades. Quero te agradecer por todo o conhecimento que você nos trouxe nesse episódio. Eu estou muito feliz com a sua participação. E aí, Felipe, antes da gente concluir, eu quero deixar aqui pro pessoal e acredito que você também compartilha da ideia, que a gente estava conversando um pouquinho antes de iniciar a gravação do podcast, deixar um espécie de um convite mesmo. Não é nenhuma atividade, é um convite para que os nossos ouvintes, na sua próxima publicação na rep social, após ouvir o nosso episódio, para que eles possam fazer áudio-descrição daquela foto em que você postar. a hashtag. Aqui é o que você. Aqui é o que você se sentir mais confortável. Então, o hashtag para "sego ver", o hashtag para todoserem ou a hashtag áudio-descrição. Aí, aquilo que a pessoa se sentir mais confortável, vocês podem estar utilizando. É isso mesmo, Felipe. Isso é isso, tá? A certíssima, eu apoio totalmente esse movimento, então, quando você for postar uma imagem, eu dê uma dica, começa com a sua própria imagem, posta uma foto sua, você vai descobrir coisas inimagináveis, quando a gente começa a olhar para nós mesmos, assim, com mais detalhes, a gente começa a descobrir coisas, fucha, como que é mesmo o meu cabelo, como que é a minha sobrancelha, que são detalhes que muitas vezes passam despercebidos no nosso dia a dia. Então, é um bom treino e uma boa iniciativa, e não tem amido, o importante é a gente começar de algum lugar, o aperfeiçoamento vem com o tempo como em qualquer outro trabalho. Preciso prática. Então, mas tem que começar de algum lugar, dá uma olhada. insides, conteúdos que já tem o recurso da audiorescrição para poder ter uma noção e começar a descrever também. É muito importante esse recurso, principalmente aí nas redes sociais, né, André? Exatamente, Felipe, antes de concluir, deixa para o pessoal o seu site, para as pessoas que também quiserem te acompanhar, eu acho que é super válido, né? Porque como você também é um profissional, você tem ali vários conteúdos que podem contribuir para esse processo. Sim, obrigada aí, antes mais nada, pela oportunidade de poder divulgar meu site. E eu vou deixar uma dica aí de leitura, já de anti-mão. Eu lancei ano passado, no final da ano passado, o livro no mundo da audiorescrição. Esse livro, André, na verdade ele é voltado assim, quando eu idealizei esse livro, pensando no público infantil. Mas depois que esse livro estava pronto, eu percebi que além do público infantil, ele atende aí a qualquer idade, porque é uma leitura rápida, que é um livro curto, é fácil e que toda a família pode lejuntos, quem com os amigos, enfim, quem quiser. E você tem uma noção geral aí do que é a audiorescrição, as possibilidades da audiorescrição, como ela pode ser disponibilizada. E aí você entrou no meu site, você consegue baixar gratuitamente, os meus livros são todos gratuitos. Então, não tem desculpa para não ter esse material, André. E aí você consegue baixar a versão em PDF com a audiorescrição, então aí para os usuários que usam leitores de telas, que são aqueles softas, que convertem informação textual em áudio sintetizada, eles conseguem fazer a leitura do texto do livro e também a audiorescrição. Mas nós temos também o formato em áudio com a audiorescrição, e aí temos também o áudio sem a audiorescrição, porque tem crianças aí que depois que houve algumas vezes com a audiorescrição, preferem ouvir sem a audiorescrição, e temos também o formato dele em libras e com legenda para surdos insurdecidos. E é tudo gratuito, eu sempre peço para as pessoas que compartilhar esse material, não para divulgar o meu nome, mas sempre a difonde o recurso, que essa é uma das minhas lutas, sabe André? Então, eu peço assim para as pessoas, a gente compartilha tanta coisa nas redes sociais e nos aplicativos de troca de mensagem, né? E eu acho que não custa nada, entrar lá no site, pegar o link e joga lá naquele grupo da família, sabe que você joga o link lá e sai correndo? Então, eu costumo brincar com as pessoas, faça isso, que já vai ajudar bastante a gente, quem sabe nesse seu compartilhamento vai chegar até uma pessoa que realmente precisa da audiorescrição e nem sabia que isso existe. Então, meu site é muito fácil, André, consultor Felipe Monteiro.com.br, é bem simples, consultor Felipe Monteiro.com.br, e lá vocês vão encontrar outros livros, todos gratuitos, artigos, trabalhos, conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho, enfim. Pode consumir sem maderação. Felipe, sensacional, né? Tinha agradeço mais uma vez pela participação, pela riqueza do que você nos apresentou aqui hoje. E vamos juntos nessa jornada, né? Essa jornada não pode parar, é como você falou, é uma luta que nós temos e eu sempre finalizo os episódios dizendo isso, né? Que esse foi mais um episódio do nosso inclusão cash. E seguimos juntos nessa jornada. Você ouviu inclusão cash com André Viesba, o seu canal de informações de inclusão social.

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