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Episódio 1 - Guardiãs das Sementes e das Florestas

from Narrando Utopias

26m 32s

Episódio 1 - Guardiãs das Sementes e das Florestas

O podcast "Mulher e Semente da Vida" apresenta histórias de mulheres indígenas e camponesas que agem como guardiãs da natureza, especialmente da semente criola, da floresta e da terra. As mulheres, como Giovana, Justina, Nina, Geni, Kerechu e Noely, compartilham suas práticas de cuidado com o meio ambiente, como a recuperação de sementes tradicionais, trocas comunitárias e reforestação com espécies nativas. Essas ações não apenas preservam a biodiversidade, mas também fortalecem a identidade cultural e a resistência diante da ameaça das sementes transgênicas e da desflorestação. O trabalho é profundamente ligado à fé no cuidado com a natureza, como reflexo de tradições espirituais, especialmente no Guarani, onde o milho branco simboliza uma missão de alimentação e consagração. O podcast é resultado de um projeto interdisciplinar, realizado durante a pandemia, com entrevistas feitas remotamente, respeitando as dificuldades de acesso à internet e às áreas remotas. Ele destaca a importância do feminismo interseccional, conectando lutas por justiça social, ambiental e de gênero. Ao unir saberes tradicionais com ações concretas, o trabalho dessas mulheres demonstra que a sustentabilidade e a justiça são possíveis quando o cuidado com a natureza é centralizado no cotidiano.

Transcription

3453 Words, 20000 Characters

Portuguese
Nós consideramos guardiãs da ecemente, guardiã da floresta, porque a gente tem o maior respeito pela nossa mãe terra, pela água, pela semente criola. Esta é a voz da Giovana, e a entrevista com ela foi feito em 23 de junho de 2021. Durantes meses de mais junho deste ano, a equipe de pesquisa do mulher e sementão da vida entrevistou mulheres indígenas e camponesas que são os protagonistas desse podcast. Era a primeira vez que toda a equipe fazia um trabalho baseado em histórias lorais sem visitar o território e as mulheres entrevistadas, mas o mulher e sementão da vida foi feito durante o período de pandemia, o que nos desafiou a reinventar nos modos de produzir e criar. Todas as entrevistas foram feitas através de um aplicativo de vídeo conferência. Apesar das telas, cada encontro com as mulheres entrevistadas, era um momento de aquecimento no coração, pelas memórias vivas de luta e as narrativas de esperança partilhadas. A sensação ao vilas era de estar tomando um cafésinho quente com bolo na casa da voz, ou então um chazinho colhido direto da horta. Algumas mulheres não possuiam acesso fácil à internet, pois estavam literalmente no meio da floresta, é o caso da Giovana, que vive no acentamento no acre, outra se quer possuir energia elétrica, com a mina, uma quilombola do interior da Bahia. Por isso, mesmo com um trabalho de adição dos áudios feito pela Ilan Schmidt, alguns podem ter a qualidade um pouco comprometida. Esse é um podcast que conta histórias, histórias de mulheres que no presente estão semeando as sociedades que sonham, nas quais o cuidado atravessa todas as relações que permeiam a teia da vida na criação do bem-viver. Geni, Giovana, Juchina, Crechu, Mina e Noelin, mulheres indígenas e camponesas de distintas idades, cores, territórios e trajetórias, unidas aqui por um ponto em comum. Elas estão semeando em suas comunidades a respeito de solidariedade e a justiça. Eu sou inarafonseca e esse é um mulher e semeando a vida. Giovana, Juchina, Nina e Noelin, fazem parte do movimento de mulheres camponesas, conhecido também como NNC. Já a Geni e a Crechu são da Comissão Guaraní vírupa, conhecida como NNCGI. A Comissão Guaraní vírupa foi fundada em 2006 e está presente nas regiões sugesto deixo do Brasil, atuando em mais de 300 aldeias Guaraní. A CGI foi construída como mecanismo de atuação nos processos de demarcação de terras indígenas. O movimento de mulheres camponesas foi fundado na década de 1980 e tem uma brangencia nacional, organizado pelas mulheres do campo e é construído a partir do fenimismo de camponesa popular, ou seja, um fenimismo ligado às lutas de resistência das mulheres trabalhadoras camponesas pelo direito a terra. Muito que me motivou a entrar na luta, veio um pouco também da minha infância. A minha mãe é a camponesa, meu pai era a camponesa mas também pedreiro, enfim, a gente é presença direta no movimento de mulheres camponesas e na luta pela transformação da sociedade. Sempre tendo esse olhar da questão das mulheres como principal. Essa que a gente ouviu agora é a Noelie Velter Taborda. Ela mora numa cidade chamada Tunápolis no estremoeste de Santa Catarina e tem 40 anos. A Noelie é integrante da direção nacional do NNC. Na prática no NNC, todas as mulheres são consideradas guardiãs da Cimente, ou seja, as mulheres são estimuladas a trocar, guardar e plantar essemente crioulas em seus quintais produtivos mortas. A maioria das famílias não tinha mais todas as cementes que são necessárias para o seu quintal, né? E aí com esse trabalho todo foi feito uma recuperação das cementes, né? E foram seu nome engano mais de 70 variedades que foram recuperadas ao longo desse processo das oficinas, porque daí uma foi buscar com a mãe, com a avó, e foi juntando nesse sentido assim de que para a gente recuperar novamente essas cementes e fazer essa partilha, né? Então o movimento sempre trabalhou muito forte, esse sentido do recuperar, do compartilhar, do cuidado com o armazenamento, sempre pensando nessa lógica, né? O capital bem destrói todo, e aí uma das grandes preocupações nossas é as cementes transgênicas, né? Que elas vem destruindo. Diferente das cementes transgênicas, que são geneticamente modificadas em laboratório e não podem ser replantadas, as cementes crioulas são guardadas nas comunidades como uma herança e repassadas entre as gerações. As cementes crioulas são fundamentais para segurar o seu alimentar, pois preservam a biodiversidade, nutra em o solo, e respeitam o funco da natureza. Cada uma deixa as cementes que eleva as cementes que não têm, isso deu uma diversidade muito grande em todos os quintais, né? Então, e também é assim um pouco a prática das nossas atividades nacionalmente, né? Por exemplo, eu fui em Rondônia numa atividade, e daí um campeonês levantou e disse assim, essa é a justina aqui na minha casa, o meu radite é radite justina, porque veio o companheiro disse, ó, isso aqui foi produzido para uma companheira de Santa Catarina, a justina, e estou passando para frente com o nome radite justina. A gente acabou de ouvir a voz da justina e nem cima, mulher do campo de 65 anos. Ela mora em um município de quilombo, que fica bem no aeste de Santa Catarina. Justina sempre foi agricultura-camponesa e está no movimento desde a época da ditadura militar. Ela comenta que dentro do movimento de mulheres, há diversos tipos de troca, de cementes, de conhecimento, de ajuda mutua e de solidariedade. Mas, cota, você tem cementes de amendoim sobrando sim, então, então eu compro o livro para a senhora, senhora, me guarda empunhada, cemente de amendoim, então eu só quero dizer para vocês que há trocas das mais diferentes, assim, que é algo muito, muito, muito importante. Saindo da realidade do campo, do sudo país, fomos levadas por interior da Bahia, mais precisamente para a Santa Maria da Vitória, no Oeste, do Estado. Meu nome é Maria Madalena dos Santos, conhecida com Nina, e nasci no dia 22 de julho, de 49. E hoje, da manhã o mês façou, não sei quantos anos é isso, se bendar quanto. Eu vou, não vou brincar, é de 49. Nasci numa comunidade criola, ficar fundou dos criolo, que hoje é remanhecido de quilombo, e hoje é reconhecida como quilomola. Sou quilomola, quando eu fiz os meus primeiros vídeos, antes de ser reconhecida como quilombo, eu já falava que sou quilombo, sou da comunidade quilomola. Essa é a voz da Nina, a Nina mora numa comunidade chamada "olho d'água do barro", um local que ainda não possui energia elétrica. Pra entrevistar, ela se deslocou a Tessanta Maria da Vitória, na sede da Comissão Pastoral da Terra, o CPT. A Nina é uma contadora de histórias e poetiza, entre muitas outras coisas. Então, enquanto ela nos contava sobre a importância da cemente criola para sua comunidade, nós fomos diversas vezes presenteadas com poesias sendo recitadas. As vagas, a minha bisa que plantava, e até hoje a gente tem ela aqui, então, é tudo assim para a gente. Ou feijão, tem um feijão azul, que o meu pai, meu bisa, meu avô, meu pai, hoje o meu irmão, a gente continua a colocar de primeira nas cúlias, nos potinhos de cúlias, e hoje a nas garrafas pete, continua. Aqueles milho de fazer a pipoca, aqui chamado Milho Alho, aquele pequeninho que tem um dentinho assim, parece um dentinho de Alho! Ah! o meu avô trazia e quem fazia as pipoca nas cinzas quente. Então, como é que eu possa esquecer? Ai, que saudades que eu tenho a hora da minha vida, da minha força querida que usamos, não fazem mais. Eu nunca se vi ele de abril, né? Então, a semente criou-lo pra minha vida, pra minha idade e aí falo, eu sou guardiante nas sementes, por isso a minha casa lá é todo um lugar tem uma semente, uma semente no chão, assim, que ela pode ir pra um lugar que não, a gente coloca em cima da mesa, e quando tem mais de 20 anos, se a gente estava no encontro chamada aqui, quanto diáreas, e a gente fez um compromisso com o companheiro, que era da CPT aqui, e a que foi a semente na terra, ou em a semente na terra, não se querar, e o meu avô, então a gente fez um compromisso nunca, e o avô semente fora sempre a semente na terra, né, pra aquela semente, não sei pra gente, mas pra o futuro. Eu sou trabalho com oficina de criança, e assim, com trabalho, eu sou o meu oficina, a gente trabalha com a Agilha, ou semente, então eu sou guardiante nas sementes. No modo de vida Guarani, que eleixo conta a história da semente do milho branco, um momento que foi de muita emoção pra toda a equipe que estava presente. O milho branco, ele dá origem a todas as outras sementes, para o povo Guarani, o ritual de consagração do milho é fundamental pra que as sementes brotem novamente, e todos têm um alimento. A história do milho é também uma história de respeito, aos saberes dos mais velhos, aos demais seres vivos, e a diversidade que representa a própria natureza. Pra nós o milho, o milho, ele é um ser que no passado se sacrificou por nós, no passado ele andava junto com a gente. A história do milho mesmo fala que nasceu uma criança dentro da comunidade, e essa criança era diferente de todas as outras crianças, e era uma criança branca, bem branca, conforme ele foi crescendo, ele era diferente das outras crianças, ele não brincava com essas crianças, ele ficava mais junto com as pessoas mais velhas, não falava muito também, e ele só obedecia que os mais velhos pediam por fazer isso, ele ia fazer, pedia por fazer fogo, ele fazia, pedia para esquentar, para tomar a chumarrão, ele fazia, então ele era diferente, ele andava só junto com os mais velhos, até que ele quis falar que os líderes falaram que ele não ia permanecer muito tempo, porque ele tinha vindo para fazer uma missão aqui na terra, acabou falecendo, então toda a comunidade ali ficou naquela expectativa, ele entendeu que tinha acontecido com ele, porque ele tinha, ele era dele ser diferente, ele tinha acabado de falecer, e aí os líderes falaram, vamos fazer o seu putamento dele, vamos fazer o resto, vamos fazer o seu putamento dele, e vamos cuidar porque se ele veio para fazer uma missão, ele vai ter que fazer essa missão, e aí fizeram, e se putaram ele, e aí quando se putaram ali, uns dias eles foram ver, tinha nascido uma planta, e aí eles entenderam que aquela planta que tinha nascido era o alimento, então ele tinha vindo para alimentar, e aí os líderes recebiam essas mensagens das divindades, dizendo que eles tinham que cultivar essas sementes, porque essas sementes iriam alimentar nações, e aí a partir daí o milho, conforme ele foi sendo multiplicado, ele foi tendo várias cores, várias cores de milho, milha amarelo, um milho branco, um milho preto, um milho vermelho, e aí cada tempo era cores diferente que iriam produzindo desse milho, mas teve uma açafra do milho treinasseu todas as cores de um, então assim a gente tem essa espécie do milho, quer chamar o ati, para aí que é o migo pintar dinha, que ele é colorido, mesmo tem muitas cores com mesmo milho, essa é a voz da querer chú e chapiri, mulher indígena me biaguar a mim, de 41 anos, a primeira cunhã, coordenadora tenondeta, comissão guaranívero pá, e da comissão namongetá, ela mora na terra indígena, morro dos cavalos, que fica na palhoça, aqui em Santa Catarina, hoje ela integra também a coordenação executiva da PIB, a articulação dos povos indígenas do Brasil. O milho para nós é o mestre das sementes, ele tem essa força, traz essa força da espiritualidade para nós, então quando a gente tem a semente, e quando a gente consaga essa semente, automáticamente todas as outras sementes estão sendo consagradas, que a gente consaga a semente do milho, aí a gente planta, aí depois quando chega a colheita, a gente vai fazer a colheita, então a gente faz a consagração do milho, e a gente faz a consagração do alimento do milho. Quando a gente depois não te colhe, a gente faz o atismo da alimento, e é através dessa semente, que nós recebemos espírito e o nosso nome, por isso que nós cultivamos e buscamos essa questão da semente, por todo lugar a gente nunca perde, e as mulheres são responsáveis, são as guardantes da semente, então é por causa de nós, mulheres, e da semente do milho, que ainda existe, agora não mundo, porque nós somos responsáveis por essa origem. No norte do Brasil, nós conversamos com a Giovana Castelo Branco de 50 anos, que é quem abre esse episódio. A Giovana mora no projeto de assentamento da Reforma Agrária Valterácia, no município de Bujari, perto do Gilbranco no Acre, ela é coordenadora estadual do movimento de mulheres camponesas. Assim, eu conheci o MMC através da minha irmã, a NASA, que era do movimento, e era militante do MMC. Ela, através da sua ajuda, participando das lutas pela autonomia da mulher, pela aposentadoria rural, pelo reconhecimento das camponesas, como trabalhadora rural, pela licença maternidade, todas essas nossas conquistas, essa nossas conquista. Eu vi presenciei ela indo muitas vezes para a Brasília, muitas vezes participando de reuniões aqui no Acre. Eu tinha aquele despertar de ver, aquela luta dela, eu admirava muito. Sempre que tem encontro de mulheres, a gente faz, a gente tira aquele espaço para que haja troca de sementes, porque muitas vezes, no encontro de mulheres, vem mulheres de vários municípios. Então, cada um atrai suas sementes, mudas, e o que a gente produz. E aí, no final da reunião, no final do encontro, a gente faz a troca. Mas dentro dos grupos também, nos projetos de assentamento costuma, uma quereu uma semente, que a outra não tem, e tem esse intercâmbio, uma liga para a outra, eto e contato, e elas fazem essa troca, entre elas. Assim como a querechu, a Giovana, além de se considerar guardião de sementes, ela também se vê como guardião das florestas. E nos consideramos guardiões da semente, guardião da floresta, porque a gente tem o maior respeito pela nossa mãe terra, pela água, pela semente criola, porque como a gente sempre fala, nós não queimamos, não desmatamos, a gente procura produzir de uma maneira gurecológica sem agredir o meu ambiente. A gente costuma preservar a água, que tem lá naquela localidade. Então nós somos sim, guardiões da semente, guardiões da floresta também. Para essas mulheres, uma relação harmonica com a natureza é algo fundamental para o equilíbrio da nossa vida no ecossistema. No presente, ela já faz em práticas de cuidado e de recuperação com a terra, como é o caso do reflorestamento. O reflorestamento, que a gente costuma fazer aqui em casa mesmo, eu tirei uma parte que não vamos mais mexer. Vamos deixar a floresta ressugir, a floresta renacer. A gente já vê bastante árvores, revoltando como mulateiro, como freijote, alguns perdi cajar, alguns perdi poucos, aricurir e demais outras espécies que vem nascendo. Também, agora no começo do inverno, vamos colocar a parte da aris madeira, a parte da árvore que serve de alimentação para. os animais como copinho e outros para que eles possam ter a alimentação dele. Com isso, além da gente fazer a preservação do solo, a preservação da floresta, a gente vai ver ressurgia a água, né, que não, a gente não está vendo mais quase lá. Também vamos colocar outros produtos, como leigo hominose, como mudas de frutitras, de ortalícia, e sempre a gente faz esse processo. Em outras áreas que a gente vai plantar, nós costumamos colocar as leigo hominoses para que o solo como a mucuna, para que o solo se refaça e que, no outro ano, a gente possa plantar. É importante a gente destacar uma questão. O reconhecimento feito por essas mulheres indígenas ou componesas é despeças nativas, o que favorece a biodiversidade e a firtilidade dos solos, ou seja, é uma prática bem diferente do reforestamento com fins industriais que formam as florestas homogênios ou monocuturas de pinhos ou ecalitos. E que os especialistas já indicaram que esse tipo de reforestamento prejudico o solo e tende a criar desertos. A gente também conversou com o geninunes, que tem 30 anos e é uma indígena niandeva, a vaga araní. Geni também faz parte da Comissão Gora Nibirupá e acredita que o reforestamento é um exemplo de solidariedade entre os polvos. Dentro da nossa região, aqui, de sujo desde, esse enfoque, nessa cora da terra, nesse cuidado da terra, especificamente pensando que a matatilante é uma das mais atigidas, senão, o bioma mais afetado. Então, a gente tem feito bastante esse enfoque. E isso, assim, mostra muito como que a nossa pauta se interliga com a de vários polvos também, que estão pela luta pela terra. Os projetos de reforestamento da matatilante que estão trazendo vida novamente ao território indígena Guarani, do Morro dos Cavalos. Espeças nativas brotam do solo, assim como a própria água? Eu estou muito sinfeliz, mesmo, muito feliz, muito animada, muito focalestida, porque, como eu falei, a terra ela é muito generosa, ela retribui muito rápido, assim, com a gente. A gente tinha uma estimativa de cinco, seis, sete anos, a gente começava a ver esse resultado dentro da terra indígena, mas não, a gente já está tendo esses resultados de todas as espérias, né? Tanto dessa parte da alimentação, né, que é uma delas das recuperações de nascentes, que a gente já tem nascentes jorrando, assim, sabe? Acava que quedas, lago, descendo, assim, e participação das crianças, dos jovens, que a gente foi no espaço, viu que estava seco, não tinha mais água, e que hoje eles vão, né, a gente desde o primeiro olhinho da água, e quando a gente começou a jorrar, a gente voltou com as crianças, olhamos, e falou, "Molha, está vindo água, né?" Tanto para hoje a gente vê que ela montanha de água descendo e não dá para acreditar que era que não tinha água nesse espaço, né? Nós também ficamos animadas com a quereixo. Nem é o momento de crise, saber que existem mulheres por todos os canos do Brasil, organizadas por uma sociedade mais justa, encheu a nossa coração de esperança durante as entrevistas. Esse podcast de certa forma também tem esse objetivo, "esperançar". No próximo episódio, Geni, Giovanna, Justina, Kerechu, Nina e Noely, irão nos contar histórias do trabalho que ela já tem desenvolvido em seus territórios para semiar esse futuro de mais justiça de gênero e sociambiental. Será que existe uma relação entre sementes criolas e a construção desse mundo mais justo, diversa e afetuoso? Esta é meu sonho de um dia, por exemplo, todos nós comemoraram, falamos que a gente conseguiu fazer uma boa parte, né? A gente conseguiu reflorestar boa parte, e nesse reclore a estamento a gente tinha todos os povos, indígenas, não indígenas, todos participando para um bem-viver de todo mundo, essa conscientização. Então, meu sonho é isso, sabe, de trazer todo mundo junto, a gente pensar junto sem ferir, sem interferir na vida de ninguém, mas a gente fortaleceu uma ou outra para que a gente consiga viver bem. [Música] Mulher e sementa a vida faz parte do projeto na Randa Autopia, uma iniciativa de puentes para imaginar um futuro feminista interseccional e inspirador. A ação é coordenada pelo portal Catarina, em parceria com grupo prosa, da Universidade Federal de Santa Catarina. Agradecemos a consultoria do movimento de mulheres camponesas e da coleção Guarani e Virupá. Se você ficou curiosa para saber um pouquinho mais sobre essas mulheres, ao longo das próximas semanas uma série de entrevistas com ela e será divulgada no nosso site, catarina.info e nas nossas redes sociais, a roba portar o catarina. Para não perder nenhum episódio do nosso podcast feminista, assim eu fiz. [Música] Eu sou inara Fonseca, pesquisador e roteirista desse podcast. Avandres amante e jornalista e também assina pesquisa e o roteiro comigo. A iloisa carning do Mingos é cientista social e também copoiza a equipe de pesquisa. A Ilane Schmidt é responsável pela montagem e edição. O nosso identidade visual é da Lara, Benedette e as ilustrações da Maria Augusta Escopéu-Bónera. A trilha que se chama encontros foi gentemente cedida pela cantora, dandar a manuela. Para esse episódio, agradecemos à colaboração de Elisandro Maurício Brick, Taís Abrandão Comber e Adriane Canaã. Até a próxima. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. As mulheres indígenas e camponesas são vistas como guardiãs da semente e da floresta, baseando-se em um profundo respeito pela natureza, especialmente pela terra, água e sementes crioulas.
  2. O podcast "Mulher e Semente da Vida" documenta histórias de mulheres como Giovana, Justina, Nina, Geni, Kerechu e Noely, que lutam por justiça social, respeito ao meio ambiente e preservação da biodiversidade.
  3. As sementes crioulas são passadas de geração em geração, representam um saber tradicional e são fundamentais para a sustentabilidade alimentar e a conservação da vida em comunidades.
  4. O trabalho de recuperação de sementes foi feito por meio de oficinas, com a recuperação de mais de 70 variedades, promovendo trocas, solidariedade e cuidado com o conhecimento ancestral.
  5. As mulheres praticam formas de reforestação com espécies nativas, diferentemente das monoculturas industriais, preservando a biodiversidade e o equilíbrio ecológico do território.
  6. A tradição do milho branco é central no pensamento guarani, simbolizando uma missão espiritual de alimentar a humanidade e consagrando a vida comunitária.
  7. O projeto é parte de um movimento feminista interseccional que valoriza o papel das mulheres na construção de um mundo mais justo, sustentável e solidário.
  8. O podcast foi produzido durante a pandemia, com entrevistas feitas por aplicativo, respeitando as condições de acesso e fortalecendo o vínculo entre as mulheres e suas terras.

Summary:

O podcast "Mulher e Semente da Vida" apresenta histórias de mulheres indígenas e camponesas que agem como guardiãs da natureza, especialmente da semente criola, da floresta e da terra. As mulheres, como Giovana, Justina, Nina, Geni, Kerechu e Noely, compartilham suas práticas de cuidado com o meio ambiente, como a recuperação de sementes tradicionais, trocas comunitárias e reforestação com espécies nativas. Essas ações não apenas preservam a biodiversidade, mas também fortalecem a identidade cultural e a resistência diante da ameaça das sementes transgênicas e da desflorestação.

O trabalho é profundamente ligado à fé no cuidado com a natureza, como reflexo de tradições espirituais, especialmente no Guarani, onde o milho branco simboliza uma missão de alimentação e consagração. O podcast é resultado de um projeto interdisciplinar, realizado durante a pandemia, com entrevistas feitas remotamente, respeitando as dificuldades de acesso à internet e às áreas remotas. Ele destaca a importância do feminismo interseccional, conectando lutas por justiça social, ambiental e de gênero.

Ao unir saberes tradicionais com ações concretas, o trabalho dessas mulheres demonstra que a sustentabilidade e a justiça são possíveis quando o cuidado com a natureza é centralizado no cotidiano.

FAQs

Ser guardiã da semente significa cuidar, preservar e compartilhar sementes crioulas, como herança cultural e forma de respeito à natureza e ao território.

As sementes crioulas preservam a biodiversidade, nutrem o solo, respeitam os ciclos naturais e garantem alimentação autossuficiente e sustentável.

Durante encontros e reuniões, as mulheres trocam sementes, mudas e conhecimentos, promovendo um sistema de solidariedade e troca de recursos agrícolas.

O milho é considerado um ser espiritual que veio para alimentar a comunidade; sua consagração é fundamental para a vida e o equilíbrio do ecossistema.

O reforestamento com sementes nativas é sustentável, promove biodiversidade e recupera o solo, enquanto o industrial cria florestas homogêneas e prejudica o solo.

O cuidado com a floresta e a água melhora a qualidade ambiental, restaura nascentes e fortalece a vida comunitária e as relações entre gerações.

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