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#ep39 Diário de Campo (como faz?)

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#ep39 Diário de Campo (como faz?)

O texto discute o diário de campo como uma técnica de pesquisa essencial na antropologia, diferenciando-o do caderno de campo. Enquanto o caderno é usado para anotações rápidas e fragmentadas durante o trabalho de campo, o diário é uma narrativa mais completa e estruturada, escrita ao final do dia. Ele inclui data, local, descrições de eventos, conversas, comportamentos, sentimentos do pesquisador e reflexões, permitindo documentar de forma rica e precisa as observações e interações com o contexto social e cultural. O exemplo do diário de Malinowski, publicado postumamente, é citado como referência para entender essa prática, apesar das controvérsias que gerou na antropologia. O diário de campo também ajuda a registrar mudanças de percepção ao longo do tempo e a gerar insights para a análise etnográfica. A narradora compartilha sua própria experiência, destacando como eventos cotidianos, como uma propaganda de carro de som, podem revelar aspectos importantes da pesquisa, como a gramática local sobre velhice. Ela enfatiza a importância de incluir no diário tanto observações objetivas quanto subjetivas, como o estado emocional do pesquisador, pois isso influencia a interpretação dos dados. No final, o diário de campo é visto como um espaço para organizar ideias e construir uma descrição densa, essencial para a produção de etnografias e teses.

Transcription

6909 Words, 37957 Characters

Portuguese
Maylo 21/10/1914 plantação às margens do Rio sábado 24 do 10 ontem fez uma semana que cheguei a maio. Durante esse tempo fiquei desorganizado demais. Terminei de ler Vanity fair e li o romance inteiro. Não consegui largar o livro. Foi como se eu tivesse sido drogado, contudo, trabalhei um pouco e os resultados não são ruins para uma, apenas uma semana, considerando-se as terríveis condições de trabalho, não me importo de morar com um missionário, especialmente porque sei que vou ter de pagar por tudo. Esse homem me enoja com essa superioridade branca dele, etc. Mas devo admitir que esse trabalho de missionário inglês tem lá seus aspectos favoráveis. Se esse homem fosse um alemão, sem dúvida seria absolutamente detestável. Aqui as pessoas são tratadas como uma decência e uma liberalidade razoáveis. Até o missionário joga críquete com elas e não se nota que ele as trata muito mal. Como a vida de um homem é diferente do que ele imagina, a ilha é vulcânica, cercada de Recife, de coral sobre um céu eternamente azul e em meio a um mar cor de Safira. Há uma aldeia, Papua, bem ao lado da praia juncada de barcos. Para mim, a vida entre alamedas de Palmeiras é um perpétuo feriado. Foi a impressão que tive a olhar do navio. Tive uma sensação de Alegria, Liberdade, Felicidade, mas depois de alguns dias dessa vida já estava fugindo dela. Para a companhia de esnobes londrinos de tacray, seguindo-se avidamente pelas ruas da cidade grande. Desejei estar no hard Park, em blusbury. Chego a gostar de ver os anúncios dos jornais de Londres. Sou incapaz de me deixar absorver pelo meu trabalho de aceitar meu cativeiro voluntário e tirar dele o melhor proveito. Agora vamos aos eventos dessas 2 últimas semanas. Olá, pessoal. Sejam bem-vindas, sejam bem-vindos, sejam bem-vindos a mais um episódio do antro. Como faz aqui? Quem fala é Ana Clara damásio e hoje a gente vai falar sobre, enfim, um tema que sempre perguntam, eu sempre falo, mas ainda é um mistério muito grande para quem está começando a fazer pesquisa, principalmente das pessoas que decidem usar um diário de campo como um instrumento. De registros de? E tem tudo em campo e vai fazer xenografia vai fazer pesquisa, vai construir trabalhos a partir dessa técnica de registro, que é o diário de campo. Essa técnica de pesquisa, que é o diário de campo, Hein? Mas vocês percebem, enfim, falando um pouquinho mais sobre a minha semana? É de pesquisa que a semana eu tentei transcrever é e tentei porque enfim, eu fui assolada por diversas outras coisas da vida. É? Tentei transcrever a entrevistas que eu fiz do campo. Agora, doutorado. E para quem está chegando agora, é justamente que eu tenho feito nos últimos meses com o antro, como faz que é? Está no doutorado em antropologia, tocando a minha pesquisa de campo agora, durante um ano e toda semana eu chego para conversar com vocês sobre algum aspecto, acontecimento do trabalho de campo, da pesquisa de campo, da minha pesquisa, do que eu estou fazendo, do que estou vivendo. E semana passada decidi falar do caderno de campo e a semana decidi falar do diário de campo, que para mim são coisas diferentes, como vocês verão. É, e não por acaso, nesse episódio de hoje que a gente vai falar tanto de área de campo, afinal, que é o diário de campo que é essa coisa quase Mística, assim, todo. Que todo antropólogo tem, mas que a gente nunca vê, circulando. Enfim, é uma técnica de pesquisa que parece também ser muito íntima e não por acaso eu comecei, né? O episódio de hoje, com um trecho e se você não conhece, eu acho que é um dos melhores caminhos para aprender a como fazer diário de campo ou entender o que é um diário de campo a como? Fazer um diário de campo, o que pensar sobre o que tem dentro de diário de campo que foi um trecho é do livro, né? Intitulado da coletânea intitulada um diário no sentido estrito do termo, né? Que é um, enfim, um livro que foi póstumo, né? Que foi publicado é dos diários de campo mantidos pelo malinowski que foi? Foram escritos durante o seu trabalho de campo nas ilhas tropriandeses, na papuo nova Guiné. Entre 1914 e 1918, né? E esse livro, né? Intitulado um diário no sentido estrito do tempo, foi publicado em 1967. Ele oferece de muito em muitos sentidos, gente, aí, por isso que eu falo que você tem que parar pra ler, né? Porque ele oferece uma visão íntima das experiências. Reflexões, né? E observações do Mali novo, que enquanto ele estudava EE produzia e fazia trabalho de campo, fazia xenografia, né? É, tentava entender o que a gente chamava de costumes, né? E da cultura dos habitantes. Das ilhas do que a gente ele chama, né? De trobriandeses? Então, é uma experiência muito imersível, porque malinowski, para quem está na antropologia, sabe que, enfim, é um dos dos pais, da etnografia. Um dos pais é no sentido moderno da palavra. É que cunhou e que estabeleceu é também a forma como a qual a gente faz etnografia até hoje ou como a gente entende o trabalho de campo e a gente tende a imersão no trabalho de campo e a gente. De como o diário de campo é uma técnica de pesquisa de registro extremamente potente para compreender aspectos da vida social, da vida cultural, é de uma população de uma comunidade, enfim. E eu escrevo de cadernos de campo, diário de campo e para os alunos eu sempre dou essa recomendação para entender diário de campo, comecem lendo os diários de campo do marinos que você consegue compreender mais ou menos. Como um diário de campo é feito, mas tem algumas questões também, porque, enfim, é uma obra póstuma, né? Ou seja, não não foi publicada pelo malinowski. É, e também gerou muito burburinho na antropologia à época, porque descentrou o olhar, né? De uma forma do teórico que a gente tinha que tinha. A tese produzida para um aspecto do mais novo, que mais íntimo, né? A pessoa como ele via o mundo, como ele compreendia, mas é o que a gente vai aprendendo sobre antropologia e fazer ciência também. Quem você é, diz muito também sobre o tipo de. De de ciência que você quer fazer de etnografia que você quer fazer e é muito bom, porque sempre peço para que leiam a tese do Malls, que em seguida os diários de campo em sentido estrito do termo, para que a gente compreenda também que um pesquisador, ele é perpassado por muitas outras. Questões por as pela sua própria biografia, pelo seu próprio tempo, pelas suas próprias perspectivas e que e tudo isso também ajuda a construir. É argumentos finais, textos e além de você ter a possibilidade de conhecer um ou outro, malinowski é produtor de diários de campo que escreveu a partir de diários de campo. Isso é muito bacano. Mas embora lá para o episódio de hoje, já falei demais e a gente vai falar muito mais hoje, né? Sobre o que é diário de campo, como eu faço diário de campo, como eu vejo o que é diário de campo. Eu falei no episódio passado a gente. Alguns pesquisadores encaram diário de campo, caderno de campo de forma, enfim diferente. Mas eu uso os diários de campo do Mali novos, porque eu escrevo num sentido muito parecido. É de diário de campo, como ele escrevia, que que eu quero dizer com isso? Onde eu coloco? Enfim, é impressões, reflexões, coisas que aconteceram no campo, bem nessa estrutura do que eu, dessa introdução que eu dei hoje pra vocês, né? Do que parece ser essencial para estar ali num diário de campo, para, enfim, de seguida é virar o material a ser analisado. E, a partir disso, gerar. Escritas e etnografias e trabalhos e teses mas Bora lá pro episódio de hoje do antro, como faz? Bom, e aí vem a pergunta clássica, né, gente? O que é um diário de campo, né? Um diário pra quem já escreveu, escreve diário é justamente um registo cotidiano e sistemático de coisas que aconteceram. Com você, de eventos significativos para o seu dia e o diário de campo é um diário enquanto você está fazendo trabalho de campo, você costuma escrever esse diário, né? E é um espaço de registro, é um instrumento fundamental, né? Utilizado por antropólogos para manter esse registo cotidiano da vida em campo, enquanto está se realizando. Pesquisa mas o diário de campo, ele não é utilizado só por antropólogos, né? Enfim, é pesquisadores de outras disciplinas é podem utilizar também, né? Como? Sociólogos, enfim. Historiadores, vai muito do que você quer fazer também com com esse diário de campo, com esse diário de pesquisa. Mas é uma ferramenta, é um instrumento de pesquisa, é que tem sua germinação e sua, né? Base criada com antropologia, né? No sentido que a gente utiliza diário de campo como mecanismo para compreender culturas, sociedades, contextos e tirar reflexões a partir desses mesmos diários de campo. E o que é que pode ser observado, né? No diário de campo. O que é que pode ser escrito no diário de campo? O diário de campo, e aí, para mim vem a principal diferença do caderno de campo para o diário de campo, como a gente conversou no último episódio, o caderno de campo, ele é utilizado para fazer essas anotações, né? Bem contextualizadas de frases de reflexões, de insides ao longo, né, do campo, mas o de raro de campo. Para mim, ele é um espaço para a construção de uma narrativa maior, não é onde todos esses aspectos foram observados durante o dia. Que bom, vamos para o seu caderno de campo que você ante campo, é feito para esses registros também mais rápidos assim, né? É, enquanto você está fazendo o trabalho de campo e no final do dia você vai escrever uma narrativa maior com essas observações que você colocou reflexões, frases, é coisas que chamaram a atenção e uma narrativa mais estruturada, né? E aí, nessa narrativa mais estruturada ao longo do dia, e aí parando o seu dia ainda, escreveu o seu diário de campo. E aí você coloca algumas, né? Coisas nele, como a data em que ele está sendo escrito. O local em que ele foi escrito, né? E aí você coloca naquele diário de campo nessa narrativa maior, o que você fez durante o dia que interessa e está vinculado à sua pesquisa? Porque como eu falei, a gente não consegue colocar absolutamente tudo o que a gente viveu no dia. Que se atém, né? E fica mais atento ao que dialoga diretamente com a nossa pesquisa, né? Então, o diário de campo é esse espaço para você registrar, né? No final do dia, as suas observações, as suas reflexões, as suas interações com as outras pessoas e as experiências, né? Durante aquele dia de campo, e aí, por isso você vai tendo vários diários de campo acumulado acumulados, né? Ao longo do seu campo eu lembro que na graduação até hoje eu tenho essa mania, né, de colocar assim diário de campo um diário de campo, 2 diário de campo, 3 nos arquivos. Que eu vou salvando, porque como eu falei no último episódio. Esses arquivos podem ser físicos, né? E aí está no fisicalidade, no sentido, né? De podem ser escritos no papel ou podem ser arquivos digitais. Ultimamente eu tenho feito meus diários de campo todos no Word, sabe? Caderno de campo é o meu caderninho físico lá de páginas que eu posso virar e rasurar e voltar atrás. Mas o diário de campo ele é mais sistemático, ele é mais é desenhado, ele é mais. Ele é mais narrativamente, acho que melhor construído, muito melhor do que o caderno. Não, porque meu caderno de campo é uma bagunça, e o objetivo central, né? Aí agora falando, o que é um caderno de campo, né? Pra que, né? O que que geralmente vai nele e qual é o objetivo principal dele, né, que é justamente documentar, né? De forma detalhada, de forma rica, de forma descritiva e precisa. As observações do pesquisador, né? E as interações e as reflexões e as experiências sobre o contexto social cultural? E geográfico, que que ele está pesquisando em que ele está inserido e que ele está aí tentando entender e compreender. Então cara de campo, caderno de campo, ó o diário de campo é basicamente isso, né? Para uma compreensão um pouco mais geral, para você ter uma ideia, é do que é, do que geralmente tem dentro e qual o objetivo dele. Agora de entrando um pouco mais no do que a gente tem, né? Dentro do diário de campo ou do que eu costumo colocar. É no diário de campo, então. No diário de campo e aí, pensando nessa narrativa maior, depois é de ver o meu dia em campo, né? Ele inclui anotações sobre a vida cotidiana das pessoas, né? O que eu observei? Ele inclui eventos importantes que eu vivenciei um dia. Ele inclui conversas e diálogos que eu tive com as pessoas. Ele inclui também não só o que as pessoas fazem a partir do que eu vejo, mas também os seus comportamentos. Né? E outros aspectos relevantes é que eu tenho observado naquele dia e o que que eu falo? Isso porque quando a gente escreve 1111 diário de Campo Maior e geralmente quando a gente vive em campo é provavelmente no dia seguinte a gente vai ter outras coisas para fazer e eu sempre brinco que a nossa memória falha a nossa memória. Enfim, ela é muito seletiva também. Em alguns momentos do que a gente escolhe lembrar e do que a gente escolhe esquecer. E o caderno de campo, ele funciona como esse mecanismo pra no final do dia você construiu essa narrativa maior e aí? Um exemplo disso é que quando a gente tá convivendo com um grupo de pessoas ou com uma pessoa, é desse cara. Dentro de campo a gente coloca anotações, por exemplo, é eu coloco pelo menos me me atenho a isso, né? A roupa que a pessoa estava vestida, se ela veio me encontrar de carro, de ônibus, né? Como eu cheguei até essa pessoa se eu fui ao encontro dessa pessoa? Como eu estava me sentindo naquele dia, como ocorreu a nossa conversa sobre o que a gente falou, né? É e, principalmente, sobre o que a pessoa falou, que chamou a minha atenção também sobre o meu campo. É de pesquisa. Em onde entram essas conversas, esses comportamentos que a pessoa tem, se ela estava nervosa, se ela estava ansiosa, se ela estava chorosa, né? É assim como os eventos importantes, né saliens? Ele falava muito da importância dos eventos para análise. Da vida, né? É, enfim, de uma comunidade que a gente esteja pesquisando, tentando compreender. Então, às vezes, quando você vai para um evento aí pode ser. É uma sessão é da Câmara legislativa e Distrito Federal, né? Que você vai acompanhar e analisar e descrever aquele aquele dia, o aniversário de alguém, no meu caso, né? O Natal e o Ano-Novo da minha família, que são 2 eventos muito importantes para as reuniões, né? E aí, no final do dia, eu tenho que dar conta de tudo isso que eu vivi que foi importante. E que informou sobre a minha pesquisa, né? Sobre as pessoas com as quais eu eu estou convivendo e vivendo, né? E tudo isso que vai sendo anotado, né? Dia após dia, vai fazendo com que a gente tenha insights sobre o nosso campo, né? Reflexões sobre o nosso campo e a gente vai cumprir, começando a compreender coisas que talvez a gente não tivesse entendido antes de escrever esses diários animaterializar também as nossas ideias, porque eu hoje eu penso que o diário é como esse espaço de uma organização, maior das ideias que a gente tem. Aí quando a gente sai de campo, que a gente para pra ler tudo o que foi construído, a gente também vai perceber na nossa mudança. É de percepção sobre as pessoas, né? Com quem a gente conviveu em campo é sobre temas que a gente tinha e deu certo, não deu certo ou o campo me apontou outras coisas. Tudo isso vai aparecendo ao longo do diário de campo. É por isso que eu, usando 11 classificação do gerts, né? Importante a gente ter uma descrição densa, né, daquilo que a gente está falando, então no diário de campo, né? Nessa narrativa maior, ao final do dia. Quer se ater aos detalhes, se se ater a olhares é se ater ao que as pessoas estão dizendo, mas também ao que as pessoas estão fazendo. Então a gente vai ganhando, né? E eu falo também que escrever diário de campo a gente vai ganhando com o tempo. É formas estratégias, né, de lembrar melhor coisas que a gente viveu, né, de reter mais ideias e de construir textualmente também. Melhores descrições sobre aquilo que a gente está vivendo e fazendo e lidando com o trabalho de campo. Então a gente está pensando sobre o que entra, né? No diário de campo final entra tudo isso que eu estou falando. E aí depende muito do seu dia vivido em campo e do dia vivido, que vai trazer informações relevantes sobre o seu tema de pesquisa. Exemplo disso é de enfim, um dia fazendo trabalho de campo e agora vou usando esse exemplo do mestrado, porque ele foi muito emblemático para mim, que é de 1 dia lá em campo do Buriti, no Piauí. Quando eu acordo, né? Na casa da minha avó e a primeira coisa que eu escuto de manhã e eu estava enfim, cuidando dela. E aí eu colocava o despertador para fazer café da manhã e aí o despertador toca. Eu levanto da cama e a primeira coisa que eu escuto é um carro de som passando na rua E era um carro de som chamando para um evento na cidade aquele dia e o que me chamou atenção naquele carro, então, não era nem um evento, mas era a música que tocava, né? Era um tecladista, um artista que IA tocar bem famoso ali na região, que iria tocar e a música que ele usava, né? Nessa propaganda, nesse carro de som que estava utilizando era. Falo muita palavra vei velho, né? Vei vei, velho, vei velho e aí, né? Eu fiquei olhando assim, eu falei velho velho, velho, velho, mas que que engraçado isso tem a ver com a minha pesquisa, que é velhice, envelhecimento. Só que eu não tinha me atentado. Que é a ideia de velho e velho e velha nova, velha velha e por aí vai. Era uma gramática local, né? No sentido de de falar de pessoas nessa etapa da vida. Nesse momento do curso de vida e por aí vai. Mas o que eu quero dizer é que esse evento, essa cena que eu vivi de manhã, Ela Foi para o meu diário de campo no final daquele dia. Por isso que eu lembro muito bem dela assim. É quase 3 anos depois, é eu lembro dessa cena porque foi justamente isso. Ela marcou o meu campo porque a partir dali é quando eu voltei para ler os meus diários de campo. Eu percebi isso, que a partir daquela cena daquele momento, eu percebi que talvez a gramática local. Para falar de curso de vida, fosse outro, e não aqui, eu trazia, é comigo. Na minha bagagem é de. Distrito Federal de Brasília. Mais urbanizada, digamos assim, é urbanizada muito entre aspas, né? Então. Mas então, para vocês perceberem como essas descrições desses eventos, desses momentos significativos, essas conversas importantes desses comportamentos, dessas práticas ligadas ao seu tema de pesquisa, né? É o que vai entrando no seu diário de campo, né? No final do dia e aí, enfim, você termina um campo, como no caso do mestrado com? 90 diários de campo, né? 90 dias 90 diários de campo e, né, enfim, mais de 500 páginas para analisar, é? De tudo que eu vivi assim naquele, naqueles momentos e ver como eu construía narrativamente etnograficamente é a minha dissertação, o meu tema de pesquisa, né? Aí quando a gente está falando diário de campo, como essa técnica de registro, essa técnica de pesquisa que a gente pode utilizar, enfim, ou quer utilizar ou pretende utilizar, né? Ela tem alguns estilos de registro, né? É diferente. O que é que eu estou querendo dizer com isso? Que a gente pode usar diferentes abordagens de registro, né? Porque a gente tem a nossa narrativa maior e essas narrativas. Eu costumo fazer com o início e meio e fim. Eu gosto de. Por exemplo, colocar como meu dia começou, como eu estava me sentindo, é o que aconteceu no dia anterior. O que que eu acho que eu deveria investigar mais? Em campo nova, perguntas que eu deveria fazer novas questões que surgiram, então eu sempre começo meu diário de campo falando muito de mim, né? De como eu estou naquele dia, do que deu certo no dia anterior do que não está dando certo, porque eu acho que essas anotações não é, é sobre a gente também. Onde entra a perspectiva é de cada pesquisador, não é para mim. São informações importantes para saber como eu vou lidar com aqueles dados. Para eu saber se o que né, que os dados que eu concedi naquele dia também são reflexos de como eu estava naquele dia, né? Se eu quis conversar com as pessoas ou não, se eu fiquei mais no meu canto observando, né? Então eu acho importante, pelo menos para mim. Funciona muito registrar como eu estou me sentindo ou como eu me sentir durante aquele dia de trabalho de campo e, em seguida, ir para os dados. Não é daquele dia das pessoas com quem eu conversei, de eventos que eu observei, de coisas que chamaram minha atenção e depois finalizar meu diário de campo. É no terceiro ato. Pensando justamente o que que eu preciso é investigar mais o que que eu preciso chamar mais atenção do campo, né? É para mim, né? Que que eu preciso estar mais atenta? Quais novas perguntas surgiram e para qual caminho? Eu estou indo e o que é que eu não estou entendendo também? Então todas as confusões também para mim, como eu, que eu chamo de tipo de confusão, quando a gente está em campo, não é, mas processos que a gente não está entendendo naquele momento, mas mas que é importante também deixar cristalizado ali. Em algum momento do campo? O que é que aquilo faça sentido e te gere outras questões é outros pontos para você pensar agora, pensando nessas diferentes abordagens, né? De registro, ali nas, nas anotações escritas, né? A gente também pode fazer desenhos, como eu falei sobre o caderno de campo também. E gravações de áudio e vídeo e fotografias, né? É meu diário de câmbio, do mestrado. Ele era repleto de fotografias e lembro também aquela ideia que eu falei de um diário gráfico, né? Que a professora Carina kuschner sempre fala e toca sobre essa possibilidade, né? De pensar em como desenhos e pensar como fotografias também somam essas anotações escritas que a gente faz quando a gente está fazendo um trabalho de campo. Então eu lembro que no mestrado. Uma mescla assim muito grande de fotografias ao final do diário de campo. Depois dessa narrativa maior, então é interessante a gente também levar em consideração que outras formas de registro de né, de mundo de perspectiva também são relevantes para o nosso diário de campo. E a gente também tem que ter uma. Como a gente sempre está falando aqui, né, gente? Sobre uma reflexão crítica e um alto inconsciência no processo de manutenção do diário de campo, né? De pensar, porque é que eu estou pensando em determinadas coisa? E o que que eu falo sobre isso? Porque é importante entender porque a gente tem o nosso sistema de pesquisa, o nosso olhar é puxado para para determinadas direções, enquanto a gente está fazendo trabalho de campo. Mas entender por que que determinadas coisas chamaram minha atenção. Por que que determinadas coisas deixam de chamar a minha atenção em campo e porque é que tudo isso diz também sobre o que é que eu estou tentando entender e que tipo de pesquisadora eu sou? Então tem a nossa autoconsciência e no momento que a gente está registrando. É também saber que a gente não vai dar conta de registrar absolutamente tudo, mas que naquele momento a gente tomou a decisão de registrar. É o que é mais importante pra gente, porque como a gente fala que também é exaustão, né? As perspectivas de experiências pessoais, né? De um pesquisador, elas podem influenciar a escrita no diário, né? Elas não podem, né? Elas influenciam dia que não acordo. Bem indica que eu acordo é menstruada. Por exemplo, quando eu tô de TPM, são dias que não são muito bons pra mim fisicamente. Incômodos físicos eu sinto cólica, eu estou menos comunicativa, eu estou menos disposta a comunicação, então são dias que tendem anão render muito bem para mim, né? É influencia diretamente No No meu trabalho, na forma como eu vou trabalhar. Assim como dias que eu estou mais eufórica, eu posso ter outro tipo de comunicação. É importante pensar sobre os nossos processos, é o que eu falei um pouco no episódio sobre bio ritmo, né, de escrita, de como os nossos processos pessoais e o nosso corpo e a nossa vida influencia diretamente, é tanto. Também no nosso? É processo de trabalho em em campo e também sobre a nossa escrita, do nosso diário de campo daquele dia. E por último, mas não menos importante, pessoal é, eu sempre brinco que em qualquer técnica de pesquisa é, a gente tem os nossos, as coisas muito bacanas, mas a gente também tem os nossos desafios, né? Uma das coisas mais bacanas é do diário de campo. É porque o diário de campo bem mantido e alimentado mesmo sabe escrever com vontade no final do dia. E enfim, ter boas descrições, ter boas informações ali, ele pode fornecer uma base bem sólida para as análises que você vai fazer depois do seu trabalho de campo, né? E pode contribuir para uma compreensão realmente mais profunda, mais aprofundada, de determinado fenómeno cultural ou social que você está tentando entender, né? Então é eu sempre brinco que fazer diário de campo dá muito trabalho, escrever todo dia para quem vive em campo ou para quem está fazendo trabalho de campo semanalmente, né? Ou sistematicamente, dá trabalho? Escrevi porque geralmente são textos mais longos, mas vai gastar mãos e mãos e mãos. Então o diário de campo, por exemplo, de 12 páginas, 13 1415 páginas de 1 dia, né? Então eu passei assim quase 34 horas escrevendo sistematicamente em diário de campo. Mas ele serve como uma ferramenta fundamental, né? Pro pesquisador, monitorar o próprio envolvimento também, né? Em campo e a própria perspectiva durante o trabalho de campo, o que promove eu brinco, né? Ao final do trabalho de campo, uma capacidade de Reflexividade, né? E de consciência crítica, e não só em relação a você mesmo, como pesquisador, mas sobre o seu tema de pesquisa e como as pessoas estão pensando determinada coisa e fazendo, né? Determinada coisa é uma da é uma, é brilhante, sabe? É uma ferramenta que te dá uma. Acho que uma compreensão, não por acaso, de áreas de campo, é muito queridinho entre antropólogos e entre outros, né? Pesquisadores, mas porque realmente é uma é uma técnica de pesquisa, é uma ferramenta de registo que, ao longo do tempo te dá enfim. É um material para você compreender o seu tema de pesquisa e o que você viveu com as pessoas e os dados que foram construídos. Como as pessoas é de uma forma única, né? E é por isso que o diário de campo. Ele é um recurso muito valioso que vai ajudar a gente a registrar, a analisar, a interpretar, né? Os dados e as experiências e as observações durante o nosso trabalho de campo. E vai contribuir, né? Para que, enfim? Estudos etnográficos. Mais completos, precisos e preciosos. É e mesmo então, eu sempre estranho, é pessoas que gostam. Não gostam de escrever diário de campo, não gostam e porque eu não? Eu não consigo fazer pesquisas sem o diário de campo, como o meu aliado ali, o meu, enfim, é o meu confidente, o meu, né? Espaço de registro de tudo que eu tô tentando entender sobre um tema de pesquisa, né? Mas tem esses desafios. Como eu falo, né, que é de manter muito bem esse diário de campo. É ao longo de meses, né? Mas a gente consegue fazer assim. Se você também, né? Está empenhado exatamente nisso. É um diário de Campo Bom, diário de campo ao longo do tempo e não dá para fingir que não dá trabalho. Dá muito trabalho. Você ter um dia no campo bem cansativo, chegar em casa e ficar horas e horas escrevendo. Mas eu também acredito que é isso que faz com que a gente tenha ao final de meses bons dados e coisas. Que a gente não vai esquecer e eventos que a gente não vai esquecer em sites que a gente não vai esquecer e conversas que a gente não vai esquecer. E eu já lembrei justamente hoje daquele dessa cena de né? Eu em campo e levantando da minha cama e indo preparar o café da minha avó EE ouvindo a primeira coisa, né? Ao longo do dia que eu escuto é justamente esse carro de som. Eu não esqueço dessa cena porque tenho ela descrita no meu diário de campo, porque Ela Foi muito bem escrita. Eu Acredito que sim, Ela Foi muito emblemática para mim, marcou meu trabalho de campo, então daqui a 20 anos, por exemplo, eu vou ter esses mesmos registros, é porque eu descrevi naquele dia e a memória hoje não lembraria daquele dia, sabe? É como no dia em que eu vivi, então é por isso que é importante isso não é dar a mão da. Tempo para o lápis, dar tempo para caneta e escrever seu diário de campo. Como diria o Guedes, baseado em uma descrição densa. Que é um, enfim, algo que eu gosto muito. É uma ideia que eu gosto muito. De inscrição densa do Goethe, né? E que isso vai possibilitar que você consiga trabalhar bem posteriormente e lembrar de todos os dados que foram construídos em campo. Bom gente, eu sei que depois que a gente fala de como fazer ou de como eu faço um diário de campo ou do que é um diário de campo, sempre vem a pergunta, do que que eu faço depois, né? Que eu escrevi um diário de campo, tantos um não, né? Tantos diários de campo e posteriormente preciso analisá Los, né? É onde eu entro que a gente chama de análises de dados, né? E quando a gente fala de análise de dados, que é uma etapa crucial da pesquisa de qualquer pesquisa, a gente está falando de às vezes, a gente analisa A Entrevista. A gente analisa, é survers a gente às vezes, analisa dados estatísticos e a gente também analisa diários de campo entre diários de campo a gente muitas vezes, né? É sempre relacionado ao nosso tempo de pesquisa ao nosso tema de pesquisa. A gente procura muitas vezes recorrências, né? É de coisas que a gente viveu de episódios que a gente viu de dados, de conversas, de diálogos, de observações que informem sobre o nosso tema de pesquisa, né? Então vou dar um exemplo, o meu primeiro. Diário de campo em canto, em Buriti. Foi justamente uma briga que eu tive com a minha avó. Assim que eu cheguei em Canto do Buriti e eu colocava e escrevia o diário de cavalo. Naquele dia, depois da briga que eu tive com ela, que era justamente sobre essa chegada em campo Buriti. Essa briga que eu tive com ela e de como eu eu, eu falava assim, gente, eu vi que para pesquisar, para fazer uma pesquisa sobre envelhecimento e velhice, aqui em Canto do Buriti eu não vim aqui pra pra tá brigando com a minha avó pra tá com a minha mãe e minha tia falando pra eu vigiar a minha avó, né? Falando pra eu tomar de conta dela, inclusive virou uma palavra, uma categoria chavechave na minha. Dissertação, isso de tomar de conta. E eu ficava assim, nossa, mas que confusão, que, que coisa chata. Eu vim aqui pra lidar com os problemas da minha pesquisa. Eu não vim aqui pra lidar com problemas de família. Né? Não vim aqui para policiar a minha avó como eu falava nesse primeiro diário de campo, foi escrito em 2019 e eu lembro que eu escrevi sobre esse dia e esse primeiro diário de campo desse primeiro dia só fez sentido quando eu saí de campo. No final da pesquisa, porque eu estava tão confusa assim. Eu falava, gente, como é que eu entrei nesse campo pensando que IA fazer uma coisa? Eu acabei pesquisando a minha própria família, acabei imerso nas narrativas da minha própria família sobre e a partir delas, né? Falar no contexto do descanto do Buriti, ali do Piauí. O que era envelhecimento, o que era velhice, o que é o melhor, o que era cair para a idade, o que era tomar de conta o que era ser uma véia velha e uma velha nova e todas as categorias tomar de conta é velha, velha, velha, nova, velha menina, né? Todas essas categorias de priorização da vida foram aparecendo no campo conforme eu IA escutando as pessoas, eu só pude ficar atenta a essas categorias que foram surgindo do campo. Eu só fui de ficar atenta ao que é que ela, minha confusão inicial naquele primeiro dia da. Né? No final do campo, que é, eu assumi que eu estava pesquisando na minha própria família, porque eu tinha os diários de campo para acompanhar tudo isso. Então é eu usei inclusive essa história desse diário de campo desse primeiro dia para abrir o capítulo metodológico da minha dissertação, que é para fazer família e fazer. É antropologia, né? É etnografia em campo, Buriti e Piauí. E foi muito interessante pensar como essa história de toda essa confusão não é de como é que um problema de né? De família, virou um problema de pesquisa, de como é que essa briga com a minha avó, com a minha tia, com a minha mãe? E tudo estava atrapalhando. A minha pesquisa era o que eu pensava à época, né? É só virou um fato relevante para eu pensar o desenvolvimento da minha própria pesquisa, porque era uma história que eu tinha escrito no meu caderno do meu diário de campo, por exemplo. Então aí a gente percebe, quando a gente vai analisar os dados, né? Quais histórias a gente usa para explicar um fato que aconteceu? Qual cena no campo a gente usa para falar sobre velhice, envelhecimento, qual conflito, né? Briga de vizinhança que eu presenciei que eu vi, que eu acompanhei o desenrolar, me informam sobre as relações de vizinhança daquele bairro, me informam sobre solidariedade entre mulheres, me informam sobre violência, enfim. Geracional, que ocorre naquele bairro. Porque, enfim, filhos, né ou estranhos batiam nas pessoas? Enfim, né, tudo isso ficava registrado nos diários de campo e ao final do de campo. Quando eu volto para tudo isso? Eu consigo vislumbrar o que é essencial, como por exemplo, a categoria cair para a idade que aparecia, né? Os velhos, que na cidade tem velho demais, ih, todo lugar tem velho, mas não tinha envelhecimento, não tinha velhice, mas tinha velho. O que me dizia me ajudava a complexificar, inclusive a ideia que eu tinha, de velhice, envelhecimento e somar de uma outra forma, né? É pro meu, por esse campo de estudo, pra pra esse campo de estudo sobre envelhecimento, que era estar atenta à categoria das pessoas, é o que as pessoas estão vivendo e estão fazendo então. E a gente vai aprendendo isso. A gente entende como fazer isso. Depois que a gente tem os diários de campo, então sempre falo pra. Diminuir a ansiedade enquanto a gente está pesquisando confiar no diário de campo, confiar na observação, participante, confiar, né? Nas nossas descrições, no que a gente está vendo, vivendo sobre o nosso tema ali em campo, que quando a gente para para ler tudo, o instante coisa que a gente escreveu isso o tanto diário de campo que a gente escreveu, a gente consegue ver que dali eu consigo escrever textos maiores, narrativas maiores, eu consigo, enfim, fazer etnografia. Bom, pessoal, e esse foi o episódio do antro, como faz de hoje. Diário de campo é, e aí? Enfim, acho que esses 2 episódios que eu fiz agora sobre caderno de campo, diário de campo eles é complexificam. Aquele primeiro episódio que eu fiz sobre caderno de campo diário de campo, que eu acho que eu estava falando mais, muito mais da diferença entre os 2 do que realmente o que é um diário de campo, que é um caderno de campo. Como fazer essas 2 peças que eu considero peças diferentes? É, mas antes de terminar o episódio de hoje, eu gostaria de responder 2 perguntas de 2 ouvintes que, enfim, como vocês sabem, eu sempre deixo. Aberto no episódio uma caixinha de pergunta para quem queira saber é sobre mais, né? Sobre enfim, tudo que a gente está falando, conversando aqui. Dúvidas, sugestões, críticas e por aí vai. E o Mateus Ribeiro? Ele me perguntou, né? Ele falou assim, muito legal. Episódio, sou da área de saúde coletiva e fiquei na dúvida, os projetos de antropologia não precisam ser submetidos ao Comité de ética? Então, Mateus, a gente submete, sim, é os nossos projetos, ao Comité de ética, é uma das prerrogativas para que muitas pesquisas na etnografia ocorram. E muitas vezes a gente também submete em conjunto com o nosso orientador. Abrir entrando no projeto de pesquisa dele, mas a antropologia, ela tem outras discussões sobre ética, de pesquisa, sobre consentimento, né? Sobre, enfim, autorizações para entrar em campo que não vem só do comitê de ética, vem também das pessoas e a gente tem uma longa discussão sobre isso. A Cláudia Fonseca fala muito sobre ética, de pesquisa, sobre comitês, de é de ética. Então vale a pena dar uma olhadinha caso você tenha mais interesse em saber como a antropologia lida com esses temas e essas questões. E o Arthur Flávio? Ele perguntou quais os autores que tu costumou usar para pensar etnografia. Enfim, eu falei que a etnografia não é coisa simples, né? Arthur é, mas os episódios, episódios, os autores que eu costumo utilizar muito, né? Pra pensar como eu, como fazer xenografia como eu faço a xenografia é principalmente o gerts, né? É o Goethe. Ele me ensinou muito sobre etnografia, sobre descrição, sobre textualidade na antropologia, sobre texto etnográfico, então o Gates me ensina, me inspira muito nesse sentido, e a Marisa perana ela complexifica para mim a ideia do que é etnografia, né, de que a etnografia não é método, então são 22. É formas de etnografia que podem estar um pouco distantes quando a gente fica numa torcida de time, sabe, querendo escolher um ou outro um ou outro. Mas eu acho que pra mim são ideias muito mais que se complementam. É a como pensar etnografia, como pensar confecção de áreas de campo, como pensar texto na antologia, como pensar referencial teórica e a importância de saber a história da antropologia. Então são os 2 autores com quem eu mais dialogo para pensar etnografia. Então é isso, pessoal? Muito obrigado pelas questões. Quem tiver mais dúvidas, questões, é só mandar que eu sempre vou responder. Ao final dos episódios é muito obrigada pela companhia. Eu sou Ana Clara damazi, eu estou sempre aí pelas redes. Twitter é Instagram como arroba underline da Clara arroba underline. Clara damásio e eu sempre deixo aqui na descrição do episódio o meu contacto e nos vemos nos próximos antro como faz nos próximos episódios. Semana que vem estarei de novo. É por aqui, eu vou ter uma semana shape, vai ter o Congresso Internacional de de ciências sociais é na Universidade de Brasília. Eu vou estar participando ativamente, então vai ser uma semana de dar uma pausinha no campo, mas a gente também poder falar de outras coisas a partir. Dessas nova semana que eu viverei enquanto estou fazendo também trabalho de campo, mas também fazendo outras coisas. Beijo, beijo pessoal, bom Descanso é boa vida. Bom viver bom caminhar, fiquem bem e a gente se vê semana que vem. No episódio do anto, como faz? Fui.

Podcast Summary

Key Points:

  1. - O diário de campo é uma técnica de registro fundamental na antropologia, utilizada para documentar observações, reflexões e interações durante o trabalho de campo. - Diferencia-se do caderno de campo: o caderno é para anotações rápidas e fragmentadas, enquanto o diário é uma narrativa maior e mais estruturada, escrita ao final do dia. - O diário de campo inclui data, local, descrições de eventos, conversas, comportamentos, sentimentos do pesquisador e insights, ajudando a compreender o contexto cultural e social. - A leitura dos diários de campo de Malinowski (publicados postumamente em "Um Diário no Sentido Estrito do Termo") é recomendada como exemplo para entender essa prática. - O diário de campo permite documentar mudanças de percepção ao longo do tempo e gera material para análises etnográficas posteriores.

Summary:

O texto discute o diário de campo como uma técnica de pesquisa essencial na antropologia, diferenciando-o do caderno de campo. Enquanto o caderno é usado para anotações rápidas e fragmentadas durante o trabalho de campo, o diário é uma narrativa mais completa e estruturada, escrita ao final do dia. Ele inclui data, local, descrições de eventos, conversas, comportamentos, sentimentos do pesquisador e reflexões, permitindo documentar de forma rica e precisa as observações e interações com o contexto social e cultural.

O exemplo do diário de Malinowski, publicado postumamente, é citado como referência para entender essa prática, apesar das controvérsias que gerou na antropologia. O diário de campo também ajuda a registrar mudanças de percepção ao longo do tempo e a gerar insights para a análise etnográfica. A narradora compartilha sua própria experiência, destacando como eventos cotidianos, como uma propaganda de carro de som, podem revelar aspectos importantes da pesquisa, como a gramática local sobre velhice.

Ela enfatiza a importância de incluir no diário tanto observações objetivas quanto subjetivas, como o estado emocional do pesquisador, pois isso influencia a interpretação dos dados. No final, o diário de campo é visto como um espaço para organizar ideias e construir uma descrição densa, essencial para a produção de etnografias e teses.

FAQs

Comece pelo seu estado emocional no final do dia, descrevendo como se sentiu, o que deu certo ou não no dia anterior, e depois progrida para eventos, conversas e reflexões relevantes para sua pesquisa.

O caderno de campo é para anotações rápidas e fragmentadas durante o trabalho de campo, como frases e insights. Já o diário de campo é uma narrativa mais estruturada e reflexiva, escrita ao final do dia, que organiza essas anotações em uma descrição densa e coerente.

Sim, o diário de campo é uma técnica de pesquisa que pode ser utilizada por sociólogos, historiadores e outros pesquisadores, adaptando-se ao objetivo de cada estudo.

Inclua data, local, descrições detalhadas de eventos, conversas, comportamentos, emoções e interações, além de reflexões pessoais. Foque no que é relevante para sua pesquisa, como roupas, contextos e significados culturais.

A memória é seletiva, e o diário de campo ajuda a documentar e organizar ideias, permitindo que você perceba mudanças de percepção e insights ao longo do tempo, evitando esquecimentos.

A publicação humanizou Malinowski, revelando suas falhas e subjetividades, o que descentralizou a imagem idealizada do pesquisador e mostrou como sua biografia influencia a produção científica.

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