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EP02 | Quem matou a política?

49m 27s

EP02 | Quem matou a política?

O episódio investiga como o crime organizado se infiltra na política brasileira, usando Cabedelo, na Paraíba, como exemplo. Facções criminosas como a Tropa do Amigão dominam territórios e exercem pressão sobre eleitores por meio de coação, ameaças e controle econômico. O político Dinho foi eleito com apoio direto do crime, recebendo cargos e influência, mas percebeu o perigo e tentou se afastar. A justiça eleitoral, com pouca capacidade de atuar em casos complexos, permite que os criminosos se fixem na política. A rede de controle é sustentada por vínculos entre líderes criminosos, políticos e agentes públicos, como a secretária Flávia Monteiro, que atua como ponte. A cidade vive um estado de tensão, com cidadãos evitando áreas de risco e a destruição de casas por ameaças. O caso revela um modelo replicável em outras regiões do Brasil, onde o crime organizado não busca governar, mas conquista poder econômico e territorial, distorcendo a democracia e minando o monopólio do Estado sobre a violência e a ordem. O episódio conclui que o crime organizado já matou a política local, transformando a vida cotidiana em um estado de medo e dependência.

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6974 Words, 39638 Characters

Portuguese
Esse episódio faz parte de uma audiocéria e original áudibol. A temporada completa já está disponível na áudibol. Acesse agora ao site áudibol.com.br, faça sua conta e teste grátis por 30 dias. Outras meses, se você for membro Amazon Prime. Os episódios de "Keymatua Política" vão ser veiculados no fide do escafandro sempre a segunda as feiras. Os episódios de escafandro continuam saindo normalmente a cada 15 dias, sempre as terças para financiadores e as quartas para o público geral. Oi! O primeiro organizado está em todo o canto. Está nas biqueiras da Cracolândia, nas bancas de jogo do bicho, está nos golpes do WhatsApp e nas lojas falsas do Instagram, está em grandes redes de combustível, está lavando dinheiro em bares, padarias e instaurantes. E está, claro, na política, e na política, ele é especialmente perigoso, porque o crime organizado não se preocupa com hospitais e crushes, com políticas públicas, com o equilíbrio do orçamento. O crime organizado só se preocupa em ganhar mais e em crescer sem limites. Mas apesar de eu saber que ele está lá espalhando os tentáculos pelos carpets do congresso, envolvendo os tornos elos ainda livres de dispositivos eletrônicos dos nossos parlamentares, eu não sabia por onde começasse a investigação. Eu não sabia que ponta puxar, mas eu conheci um cara que podia me ajudar com isso. Eu sou jornalista 24 anos. A Lândia abreu 15 anos dedicado ao jornalismo investigativo e especificamente a cobertura do crime organizado. A Lândia reportagens de fôlego sobre o crime organizado, o A Lândia abreu tem dois livros reportagens que viraram clássicos. Taba essa branca, sobre um dos maiores traficantes de drogas do país e rota caipira sobre o tráfico de cocaína em especial no centro sul do Brasil. E não deu outra, quando eu fui conversar com a Lândia, ele me mostrou o caminho pra investigação. Aplicar a estratégia básica de começar por baixo pelas pontas, mas um porquê, se o crime organizado da matândia política, ele está começando assim por baixo ou pelas beradas. Está começando no nível local, com prefeituras e câmeras, mas eu acho que isso não vai parar aí. A tendência que daqui a pouco, nós discutamos isso de um nível político, mas elevado, falando já em Assembleias Lativa, em Executivo Estadual e até órgãos de representação Federal. O Alami falou de dois marfos importantes nesse processo. O primeiro foi a operação avajato, na verdade uma decisão que veio no meio da operação avajato. Em algum momento da avajato nos julgamentos, o Suprementro do Nófio Deral decidiu que quando a propina era destinada a caixadores eleitoral, obrigatoriamente levava a competência do julgamento daquele caso pra justiça eleitoral. Quando você tem uma situação de peculato, organização criminosa, extorsão e etc., ligada a um contexto eleitoral, é tudo puxado pra justiça eleitoral. Isso criou um problema, porque a justiça eleitoral foi feita pra garantir que os candidatos não passem do ponto em campanhas publicitárias e que as urnas eleitorômicas estejam no lugar certo na hora da votação. Só são juízes temporários que de dois em dois anos assumem o caro como um extra. Aqui vai dizer que o mandato básico é de dois anos, mas os juízes podem ser recondosidos e ficar até quatro anos. De qualquer forma, a justiça eleitoral não tem como acompanhar investigações longas, multifacetadas, muitas vezes com braços que se estendem pra além do território nacional. Casos complexos, envolvendo facção criminosa, veja bem, estão sendo julgados por uma justiça que não tem essa competência, não tem essa capacidade. E aí, tem o segundo marco, que pode ser visto como um reflexo desse primeiro, como um momento em que é anabolizado por uma justiça fraca, o crime organizado se enraizou de forma inédita na política, as eleições municipais de 2024. De 2024 é um marco que a gente tem que anotar na nossa história. E assim, a gente tem um contexto geral, mas eu queria um exemplo palpável, um caso em que a gente pudesse mergulhar fundo. Quando eu falei sobre isso pro alã, ele pediu um tempo pra pensar e algumas semanas de pôs. Olha, tomar as. Vê com a resposta. Um caso, uma cidade me chamou muito a atenção, que é a cidade de cabedelo na paraíba crudada, vizinha de João Pessoa. Antes de a gente ir pra cabedelo com alã, eu queria te falar sobre uma particularidade das investigações jornalísticas relativos ao crime organizado, porque os jornalistas não têm os mesmos poderes da polícia ou do ministério público. Eu não tenho, por exemplo, o poder de quebrar si gilho, telefônico, temático, fiscal ou do encario. Ele também não tem como recorrer a uso da força se necessário, quase nunca portam arma e não podem contar com o reforço policial quando a coisa aperta. Quer dizer, é um trabalho arriscado, apesar disso, ele quase sempre tem que ser feito em campo. Porque se eu não fosse conhecer aquela realidade, eu não teria subsídio suficiente pra conseguir fazer uma reportagem competente sobre esse assunto, né? E assim, na primeira semana de agosto de 2025, o alã de abril pegou um avião do Rio de Janeiro onde ele mora hoje pra João Pessoa, capital da paraíba. Aloguei um carro em João Pessoa, pra ter mobilidade, pra conhecer os barros dominados pela facções. Além do carro e de um par de gravadores, o alã de abril contou com outra elemento essencial quando se vai investigar o crime organizado. Um parceiro. Como é que você tá? Na pós? A gente vai chamar esse morador de cabedelo de Pedro, mas esse não é o nome real dele. Como vivenhar as ocupadas pelo crime, ele tem medo de se identificar. Por isso, a voz dele também foi modificada digitalmente. O jovem, cara. Você não põe a esperar aí? Não, tranquilo. Mas antes de adentrar nas áreas ocupadas de cabedelo, eu acho importante dar um passo atrás pra entender por que cabedelo. Como é que você chegou a esse lugar especificamente? Calogaram bem específico, né? Houve uma operação da Polícia Federal no ano passado que investigou exatamente a associação de uma dessas facções criminosas, com o prefeito, o vice-prefeito e pelo menos dois vereadores de cabedelo. E esse ficou sabendo por causa da operação, por fonte da Polícia. Exatamente. Certo. Bora pra cabedelo então. Cabedelo é uma península grudada por terra, achou um pessoa, a Leste, o Oceano Atlético e a Oeste, a FOS do Rio Paraíba. Exatamente no meio dessa península, corta a BR 230, que é a transamazônica, veja só, é o ponto zero da transamazônica em cabedelo. Do lado Leste, você tem os barros nobres, que são os barros a Beramar, e do lado Oeste, você tem os barros pobres, por que? Porque a área que é limitrofial a FOS do Rio Paraíba é uma área de manga, não tem apelo turístico nenhum, e essa área é ocupada quase na toda extensão dela por barros mais pobres. Essa divisão da cidade em dois é um quadro que se repete em tantas outras cidades do Brasil e do mundo, mas não foi por causa dele que o Aland abriu viajou a cabedelo, foi por causa de outra divisão, menos óbvia, mais radical, uma divisão que tem a ver com a ocupação do território, por facções criminosas. O Aland explicou que hoje, cabedelo está dividida entre duas facções, a nova ou caída e a tropa do Amigão, só que assim, essa divisão não é igual, só tem um barro que é da nova ou caída, que é o Jardim Renacer, todos os outros são da tropa do Amigão. E se você está achando esse nome "nova ou caída familiar", bom, não é por acaso. Nova ou caída surge no pós 11 de setembro de 2001, primeiro surge à ou caída, ou caída não é como se escreve como um mente, a organização terrorista, ou caída, mas é como as pessoas de menos letramento entendem essa organização terrorista, ou virou por caída. Quando eu escutei esse nome pela primeira vez, ele me pareceu uma piada, o humor brasileiro está em todo o canto, porque não estaria também no crime organizado, mas, com o formador eu olhava a fundo, nesse caso, eu e entendendo que era mais do que isso. Ainda que sejam bravatas, que sejam exageros, os nomes das facções. são uma forma de mostrar poder. E como resposta, os inimigos da Ocaida fundaram uma fação com um nome ainda mais megalomaníaco, que pudesse alarmar de ainda mais poder. Uma organização chamada Estados Unidos. Obviamente Estados Unidos é para combater a Ocaida, certo? Quem combate a Ocaida é os Estados Unidos. Essa é a lógica do. É a teocalítica norte-americana e do Oriente Médio transplantada para a realidade para a ibana. O mundo tem hoje mais de 8 bilhões de pessoas. Todas elas conectadas por uma rede invisível e entre em cada de tecnologia que tornou a comunicação imediata. Contidades incontáveis de decisões são tomadas a cada fação de segundo e cada uma dessas decisões modifica a realidade de forma instantânea. O mundo nunca foi tão complexo. Essa complexidade crescente tem desafiado a nossa capacidade de organização. Tem desafiado em especial uma das pedras fundamentais dessa organização. A política. Líderes de diversas partes do planeta têm cada vez mais dificuldades para oferecer respostas e são frequentemente punidos pelas onas. Muitas vezes a impressão que se tem é que a política foi ferida de morte. Eu sou Tomás, que é a Verine. E nessa série original áudio boa em parceria com a Rádio Escafando e a Rádio Gorda-Chulva. Eu vou acompanhar alguns dos maiores repórteros do país em investigações para tentar responder a uma pergunta em que é tente. Quem matou a política? O suspeito da vez. O crime organizado. Para entender como o cabedelo foi fatiada pelas facções criminosas e como isso pode se relacionar com a morte da política, eu tive antes de entender um personagem central dessa trama. Flávio de Lima Monteiro. Fatoka para os íntimos. O Fatoka era líder da Nova Ocaida, uma facção que surgiu da divisão da Ocaida. Ele tem uma longa ficha criminal. A primeira notícia de uma prisão dele foi em 2012. Na época, a segunda justiça, o Fatoka já tinha comandado facções criminosas e mandado matados afetos. Em 2018, ele foi um dos 92 presos que fugiram em uma rebelião que culminou com a explosão do portão principal da penitenciária. Até então, era uma liderança da Nova Ocaida, mas ele estava naquela ocasião procurado pela justiça com muitas ações penais, muitos mandados de prisão e aberto. E o que um facionado faz quando sente o círculo da justiça se fechando? Procure uma facção maior. Ele procura a proteção do comando vermelho. E o comando vermelho é rival da Nova Ocaida. O Alama explicou que na paraíba, diferente do que acontece com outros estados, o comando vermelho e o PCC não conseguiram se fixar por causa da reticência das facções locais. Então, quando buscou essa ajuda, o Fatoka teve que dar as costas a cabedelo. Ele é muito pressionado, procurado pelas forças do Estado, busca a proteção do comando vermelho e se refugindo o Rio de Janeiro, onde ele está até hoje. E por que o comando vermelho da guarinha para ele? O comando vermelho tem total interesse em expandir os seus fronteiros pelo Nordeste, nessa guerra com o PCC. A paraíba é uma área importante, é bom lembrar que a cabedelo é o único porto da paraíba por onde se sai droga, se entra droga. O comando vermelho é muito útil ter o apoio do Fatoka. Ainda que seja um traficante local, mas ele tem um poder muito grande naquele microcosmo. Só que como o Alan explicou, a Nova Ocaida não achou nem um pouco bacana essa ideia de ter um líder abrigado por outra facção, ainda que fora do território dela. Como consequência, o Fatoka foi expulso. E aí, o que fez o Fatoka? Segunda Polícia Federal, mesmo a milhares de quilômetros de distância de cabedelo, o Fatoka criou uma nova facção. A droga do Amigão. Porque o botapelho do dele é Amigão. Conforme esse caso, e assim, desenrolando, eu ia percebendo um detalhe que antes não era tão claro para mim. Porque a gente sabe que o poder do crime organizado está relacionado com o território. Seja para instalar abocas de fumo, seja para cobrar rego dos comerciantes, seja para garantir rotas de escuamento do tráfico. E no fim, a política também tem a ver com a dominação de território. Só que o Alvo aí não é o dinheiro do comercio local, não é o usuário de maconho ou cocaína. O Alvo aí é o voto. Mas eu estou me adiantando. Antes de falar do voto, eu preciso te falar das formas de dominação desse território. A mais comum pode parecer banal. São as inúmeras puxações nos bairros controlados pela troca do Amigão. Ainda que não existe nada de banal aí. Porque, diferentemente do que acontece no Rio de Janeiro, em cabedelo, não tem olheira do tráfico de fuzir uma laje. Ali, o domínio é menos ostensivo. E a puxação é a grande marca desse domínio. Está devagar, não? Pala, não cai. Dá pra patar, tirar uma foto inscrito também. Não, não. Não, não, não, não. Segundo a Polícia Federal, quando o Fatal carro um peu com a nova ocaida e criou uma nova facção, o resultado foi o de sempre. Guerra. O áudio mesmo assim. Foi 23, 24. A batalhamento, não é nosso dia. Às vezes 1, 3 na guerra. Nossa. Muita gente era da cidade. Quando a guerra refeceu, a cidade estava dividida. Só que ela não estava dividida por igual. Hoje, dois terços de cabedelo são controlados pelas taxões. Só que, desses dois terços, só um bairro é da nova ocaida. Todos os outros são da tropa do Amigão. O único bairro que resistiu a tropa do Amigão e que segue dominado para a nova ocaida é o bairro Renacer. Aqui a gente é a Renacer 3. Tem que ir. E o Renacer é um das erras mais que ele gosta de tempo. Mãe na frente tem a acomodação da gada, a área de fronteira, com a maré, né? Um roguilho. Foi parada, foi no final do meio inteiro. Foi feito um desfile e arma. Vai de 20 pessoas as várias passando para o principal do bairro e peixando as casas e dando dito passos. Que loucura. É. Era aqui nesse na principal. Peixando tudo e dando dito passos. São facções de tráfico de drogas, é isso? Ela sobrevive, essencialmente, do tráfico de drogas e do tráfico de armas eventualmente. E também do cláudio dos doda arma para proteger o território. Mas aí, sabe como é. Uma coisa leva a outra. O tempo, a facção ela passa a se dar conta de que ela poderia também dominar atividades econômicas desse território. E uma vez que ela exerça o controle armado, ela pode decidir o que se compro que se vende dentro daquele território. Certo? Que aí o controle econômico é um passo além. É aquela história da nadcomilícia, né? As facções, elas não só monopolizam a venda de droga, mas apenhar a venda de gas, a venda de TVA cabo, gato net, internet, etc. Não é nadcomilícia no sentido de que a milícia se fundiu com o narcotráfico. Não sentindo que o narcotráfico copiou o modelo das milícias, certo? Exatamente. E aí, de novo, uma coisa leva a outra. Não demorou muito tempo para que as facções percebessem que elas controlando a atividade econômica, elas também podem controlar o voto daquele bairro. É uma consequência natural, né? A milícia fez isso primeira vez, né? A milícia no rio é a precursor, é a pionera desse processo. Ela vai ser a primeira organização criminosa que usa o controle do território para captar a voto, e isso acontece já há 20 anos no rio. A questão é que as facções perceberam esse modelo e estão implantando esse modelo no Brasil inteiro, porque as facções têm capitalidade no Brasil inteiro que as milícias não têm as milícias estão restritas ao rio, ainda. Ainda. A gente está vindo sempre no país do ainda. Ainda não está tão ruim, mas vai pior. O FAPOCA percebeu isso com muita rapidez. Ele percebe que, primeiro, ele poderia construir uma bancada na câmara de vereadores de capitalidade. Segunda investigação da Polícia Federal, o FAPOCA começou esse movimento em 2020 quando ainda era da Nova Ocaida e ainda vi. ele vem em cabeteiro, ele começou aos poucos, pelas beradas lembra, e as beradas no caso se resumem a um vereador. Dinho, Dinho era um conterrano dele de cabeteiro também, segundo a polícia, com o nome escolhido, o fatoco começou a agir em duas frontes, coação e o dinheiro, e dinheiro investido na campanha, exatamente, dinheiro e coação na ponta do eleitor. Eu fiquei pensando na segunda parte desse sistema, a coação, porque eu volto a secreto, né? Vamos ver se você tá na frente da urna, ninguém sabe que número você dito ali. Então, como garantir que a coação funcione? Nos dados desagregados do Tribunal Reginaldo Eleitoral, é possível você saber em cada sessão, em cada colegio, a votação que o candidato teve. Quer dizer, na verdade, o voto é secreto, mas secreto mesmo, nas cidades grandes. Uma cidade de 60, 70 mil habitantes. Para você ter uma ideia, cabeteiro só tem uma zona eleitoral. Não tem como o voto se totalmente secreto, entende? O líder da facção, ele vai pegar depois aquela planele e vai cobrar. Não vai ser um jogo leve, vai ser um jogo pesadíssimo. E assim, ainda as investigações que apuram o caso, com o dinheiro e a coação do crime organizado, o dinho foi eleito, recebeu ou todo, 559 votos, o que o colocou em décimo segundo, na lista de 15 vereadores eleitos. E aí, claro que o crime organizado não tá interessado no projeto político do dinho, ou em como o dinho pode ajudar os habitantes de cabeteiro. O crime organizado tá interessado no poder, na contrapartida. E qual que é a contrapartida? Cargos na Câmara Municipal. Via de regra de São Funcionários Fantasmas, que nem aparece em na Câmara. E aí, sabe o que o crime organizado faz quando ele consegue uma mão no sistema político? Ele é avança para conseguir também o braço. E assim, o dinho conseguiu ser nomeado o secretário municipal de ação governamental da prefeitura, foi um passo importante no processo de filtração do crime na política de cabeteiro. Primeiro, porque mostrou que o dinho e, por extensão fatoca, tinha proximidade também com o prefeito Vitor Hugo do avante. E segundo, porque ao deixar a vaga de vereador na Câmara para sumir um cargo no executivo, o dinho multiplicou a influência do crime organizado na política local. Entram o suplente do dinho, na Câmara e o fató campia os seus cargos, porque o suplente mantém os mesmos comissionados que o dinho tinha e o dinho nomeia comissionados agora na secretaria. E aí, quando o crime organizado conseguiu a mão e o braço, ele partiu para os órgãos vitais. Só que em algum momento desse caminho, o dinho sentiu que estava demais. O dinho percebeu que ele estava completamente refém do fatóco, e ele decidiu tentar caminhar com as próprias pernas. Isso, segundo a P.F, aconteceu bem no momento em que o fatócoa tinha rompido com a la Volcaida e fugido pro Rio. Quer dizer, é provável que o dinho tenha visto esse movimento como o sinal de fragilidade do fatócoa, mas ele estava errado. E eu vou te contar sobre as consequências desse erro do dinho, mas antes, eu acho importante a gente pegar um desvio rápido para entender como o cabedelo é só um exemplo do que está acontecendo em toda a paraíba. Eu vejo a paraíba na verdade com a atividade, significa aqui uma das sóxões. Esse é o promotor de justiça da paraíba, Otávio, Celso, Gondin, Paulo, Meto. Santo, é que a região metropolitana e o pessoal a gente tem séries problemas de envolvimentos e agentes políticos com facção. O Otávio Gondin é coordenador do grupo de atuação especial de repressão ao crime organizado da paraíba, o Gáecu. Da sua percepção para onde nós caminhamos, assim, para daqui 20 anos, como é que vai estar na sua opinião? Se a gente não tomado determinadas medidas e corrigir determinados cursos, a gente vai estar num processo muito parecido com México, um processo de comunização. E a mexicanização que eu falo é que, de fato, você tem determinados territórios ocupados que o Estado não entra, tem aquela frase, né, que a Política e a Malfiessão ambos poderes que estrarem a sua força do controle do mesmo território. Por isso, ou entre em guerra, ou chego algum tipo de acordo. E é exatamente o que teste se desenha no nosso futuro, ou o Brasil combate e eu vai fazer o acordo. Esse episódio faz parte de um áudio sério original áudibol. Outras meses, se você for membro, armas um prime. Enquanto eu ouvi a história do Alan, a conversa dele com o promotor, eu lembrava de outra conversa que eu tive sobre si mesmo assunto com um cientista político Guilherme Casarões. Lembrava especialmente de um trecho em que o Casarões me falou sobre os vários tipos de dominação política a que o crime organizado se propõe. Tem grupos que me organizavam que quer governar e tem grupos que não querem. PCC não tem o menor interesse em virar a governo. PCC ele quer fazer o que ele ganhe a dinheiro. O sender luminoso no Perú nos anos 80 queria governar. O ramás que é governar. Mas o PCC ele não quer governar. Mas ainda assim ele quer fazer parte da política. Ele quer poder político pra ganhar benefícios financeiros. Exato. O segundo ponto é como é que se dá um relacionamento entre esse grupo de crime organizado com a sociedade que o circunda e com as instituições políticas que o circunda. Porque tem grupo e eu acho que o PCC por um tempo foi assim e outros grupos são assim também que eles estão operando as margens do Estado, mas eles não querem manter uma relação com o Estado. Você vai ter um ou outro informante pra polícia, você vai ter um outro mafioso que vai corromper ali um determinado departamento do governo, etc. Mas é uma relação de convívio muto, simbiótico em alguns momentos, mas ela não é estrutural. Outra coisa é quando pra viabilização dos negócios. Você precisa entrar dentro do Estado, entrar profundamente dentro do Estado aí uma ou outro história. Porque esse é um processo muito mais demorado, porque você precisa formar pessoas filhadas ao seu movimento, qualquer que seja o movimento, vão pensar no caso o PCC. Você precisa educar um grupo de jovens, deja a escola pra fazerem um curso de direito, pra pestar em concurso público, pro Ministério Público, para a juíze, etc. Pra que em algum momento você tenha juízes do PCC, você tem que formar pessoas pra ir em pra política ligadas ao movimento, pra que um dia você tenha vereadores do PCC, é claro. Você consegue fazer isso circunstancialmente, às vezes você consegue coagir alguém ou você consegue um placar alguém. Ele é um presidente, ele é um presidente, às vezes, pode, claro, pode acontecer. Então porque o Bolsonaro tem ligações, a família Bolsonaro tem ligações super próximas com o pessoal da milíciza, escritória do crime, por exemplo, certo? Então, mas é diferente de você dizer que o Bolsonaro foi eleito para atender aos interesses que se torna do crime. Isso num nível local é muito mais fácil de acontecer do que num nível nacional. Quer dizer, a tomada da política nível nacional é algo que leva tempo, que tem de ser feito a partir das beradas, que tem de ser visto como um projeto de longo prazo, ou um investimento de longo prazo. E tudo indica que o crime organizado já percebeu isso. Eles vem na política com a forma de investimento, né? O promotor Otávio Celso Gondin, Paulo Neto. O que é mais espantoso e que ele faça uma mais atenção é que aquelas pessoas que faziam a política em alto nível, prefeitos, deputados, governadores, senadores, que evitava esse contato. Hoje esse contato está muito próximo, e a gente não sabe se esse contato se dá perassaturação do fenômeno ou, na verdade, pela percepção da necessidade do contato com o traficante para ter o sucessoitoral. Antes, o político que desejava o voto daquela comunidade, ou daquele barro mais pobre, ele lidava com o líder comunitário, né? O presidente da associação dos moradores, de um tempo pra cá, e a gente está falando de pouquíssimo tempo pra cá, cinco anos, talvez. Os polínticos começaram a lidar com os líderes das facções pra pedir voto. E aí, a conversa é diferente. Aqui, a gente precisa falar de uma diferença primordial entre o crime organizado e qualquer outro grupo de interesse. Porque ainda que o lobby não seja regulamentado no Brasil, a defesa de interesses de grupos determinados faz parte do jogo político. Acontece, nas melhores famílias, certo? A questão, nesse caso, é que o crime organizado vai fazer isso de maneira sub-riptícia, vai fazer isso de maneira sistemática, e, de alguma maneira, vai subverter a própria lógica do Estado muitas vezes. E o crime organizado tira o monopólio da violência do Estado. sobretudo isso. Essa é a diferença da FESP, da QT, com um PCC, porque o PCC além de está envolvido na política, além de querer participar, além de querer estar cada vez mais dentro das estruturas, ele tem um exército fora, né? A facção é violenta, a facção é ela se estabelece no território pelo medo, não pelo convencimento. Isso distorce o próprio fundamento da democracia, na medida em que se o presuposto basso da democracia, é uma pessoa um voto e que todo mundo tem direito das mesmas coisas, quando você tem dinâmicas que distorcem, que amplificam o poder de um determinado grupo, isso claro, é um problema democrático. E assim, a gente volta a cabetelo, uma cidade quase toda dominada pela facção criminosa tropa do amigão. A gente tem o líder das afacções condido pelo comando vermelho no Rio de Janeiro. E a gente tem um político que foi eleito com a ajuda do crime organizado, que cedeu a mão e o braço pro crime organizado, que percebeu que isso não ia ser suficiente e que resolveu que não queria mais fazer parte da brincadeira, e o que faz o político nessa situação é que ele vai pra TV, cara ouvintes, que ele vai pra TV. Ele vai publicamente nas emissões de TV, lá da Paraíba, e Denocia, ele é de mente, foi eleito com apoio do Fatouca mais no aumento mar, to sendo extortido pelo Fatouca. E por fim, o dinho é deixando uma camada mais na confusão, uma camada no melhor estilo de casos de família, porque não é entrevista pra uma TV local, ele disse publicamente que era cunhado do Fatouca, porque o Fatouca é casado com o irmão do dinho, que ele não contava a correação absolutamente violenta do Fatouca. Durante a investigação pra esse episódio, o Allan de Abril teve acesso ao depoimento que o dinho deu a justiça eleitoral. Ali, o esverador reafirmou que muita gente desconfiava, que o prefeito Vitorugo também tinha sido copitado pelo Fatouca. Ele teve um pizzaio que foi morto, só porque ele decarou, apoio a favela é vigulino, o compositor do Prefeito Vitorugo. Além disso, ele falou um pouco sobre a reação, segundo ele, comandada pelo Fatouca. Só que depois da Denocia, e da contratação do jasonerado na Prefeitura, o tráfico foi lá na minha casa. Primeiro, a mulher do dinho é ameaçada por telefonema, se ameaçada de morte. No segundo momento, a casa da sogra do dinho é irradiada e depredada, vidros quebrados, pixações, e depois a casa do próprio dinho também é depredada com pixações, pingamentos, a ele, a esposa, e vidros quebrados também. De uma hora para a outra, o dinho se viu com a cabeça prêmio. Ele chega aí para acessões da Câmara, e a polícia tem que cercar a Câmara para fazer um escordão de segurança, para que pudesse haver a sessão normalmente, porque os próprios variadores colegas dele esticam com muito medo, e uma vez o dinho estando lá todos eram vítimas em potencial. Então, é um momento de absoluta tensão, não, no cotidiano político de cabedelo. No último momento, o grupo do Fatoca invade a casa do dinho e destrói a casa do dinho inteira, não fica uma parede. Eu tenho uma foto que é muito chocante, só tem um bilar. Destrói não é modo de falar que quebrar nos móveis, quebrar as paredes. Tudo. A casa é completamente demolida. Provavelmente por isso, o depoimento que o dinho deu a justiça é bem diferente das declarações que ele deu na TV. Ele disse que nunca teve envolvimento com o Fatoca, que assim que ficou sabendo de tudo, denunciou o prefeito e exonerou os funcionários que foram recontratados pelo prefeito Vitor Hugo. O senhor, como variado, chegou a atender algum pedido de Fatoca em algum momento, dá do seu parede com ele? Não, nenhum momento. O senhor já nomeou alguém para a Fatoca? Não. Não, não, não, ou certeza não. Nessa altura, ele já havia fugido de capedê-lo, possivelmente fugiu também da paraíba e desde então ele é um homem macado para morrer. A fuga do dinho foi um marco importante para a cabedê-lo, porque, no fim, ela significa que ao menos incerta a medida a cidade de Capitulo ao crime organizado, entre o político aleito e a facção ganhou a facção. E o Fatoca, embora ele seja foragido longe da paraíba, ele tem muitas pessoas gerentes dele de atuão em cabedê-lo. E aí, vieram as eleições de 2024, e conforme a campanha avançava, avançava também um inquérito na polícia federal que tinha sido aberto a partir das denúncias do dinho. A enxima daquelas declarações do dinho, filhaquelações públicas, né? As várias dirigências, a polícia aprendeu o celular de uma mulher chamada Flávia Monteiro, que, segundo as investigações, era a pessoa que fazia a ponte entre o crime organizado e a política municipal. E isso, de novo, deu indícios de quem fluência do Fatoca e, além de um vereador isolado. E ela é uma moradora, só vingando do barro Jacaré, que é o barro base da tropa do Amigão, e ela que o Fatoca nasceu, cresceu, onde está o acenal de armas dele, que ele usa, inclusive, encontrou a polícia, contra a nova caida, enfim, é o KG deles, né? Ela tem cargo, como se onado na prefeitura, ela é muito bem relacionada politicamente na cidade e faz esse intercâmbio, ela que vem de apoio, ela é a linha de frente política do Fatoca, né? Entendi, uma relação espúbrica, vamos dizer assim, a secretária de relação institucionais do Fatoca. Justamente. É assim. Por isso. Na viagem que fez a cabedelo, acompanhado de um morador local, o Aland abriu e entrou nesse barro, onde ficou o acenal da tropa do Amigão. É um indítio bem de droga. É, onde ficou, não, muito ou com o KG do KG da Tabudama, né? Passar aqui, já é mais a risca. É, abriu mais a risca. A apreensão do celular da Fave Monteiro, braço direito do Fatoca, foi em setembro. Alguns dias antes das eleições que aconteceriam em outubro. Isso é para deixar tudo ainda mais tragicômico, no mesmo dia dessa operação da polícia federal a Flávia tinha estado no prédio onde morava o então candidato e posteriormente prefeito de cabedelo, André Coutinho. Mas, certamente, chantagemando o prefeito, no momento chave para a campanha, né? E assim, com o celular da pessoa que supostamente fazia a ponte entre a tropa do amigão e a política. E aí, se distrincha tudo, né? Estava lá todas as cobranças do Fatoca para o prefeito, o recado do Fatoca para o prefeito, as respostas do prefeito, se aprendem, inclusive, listas de servidores públicos comissionados da prefeitura com as respectivas indicações e aí do lado de dezenas delas havia as letras Ftk de Fatoca, ou seja, comprovando que realmente ele já tinha servidores indicados dentro da prefeitura e essa altura vale lembrar a cidade já estava totalmente dominada pela tropa do amigão, ou seja, o estado tinha perdido controle da maior parte dos territórios e aí já viu, né? Tava encaminhado o apoio do candidato ao prefeito dentro das áreas dominadas pela tropa do amigão. Você acha que o prefeito entrou nessa, porque ele não tinha como dar o entrar ou com uma afinidade? Eu acho que é uma inevitabilidade, só se elegeria prefeito e cabedelo, quem tivesse o apoio da tropa do amigão. Teu apoio da tropa do amigão era essencial. Se ele não fizesse esse acordo, o refal dele ia fazer, a questão é que ele chegou primeiro. O crito organizado, ele vai concorrer com o estado, ilharem e me casarões, ele vai querer enfraquecer o estado ou entrar onde o estado não entra com o objetivo de ganhar dinheiro, e nesse caso, o estado perdeu a disputa. Apesar da operação que aconteceu alguns dias antes da eleição, o prefeito fez um um sucessor, um dragotinho. Também do avante, que só para lembrar, tava no preju da Flávia Monteiro, suposto, ela, entre o Fatuaca e a Prefeitura, no dia da Ta Operação da PF. Ou seja, na prática, o prefeito da cidade, que manda, verdadeiramente, no cotidiano da cidade, é o Fatuaca, não é o Prefeito. Tença nisso. Uma cidade em que o Prefeito é sábidamente uma marionete de um líder do crime organizado. Um líder, que vale dizer, não tá nem no território que ele domina. Prefeito pode exercer o poder político oficial, mas ele tá subordinado, de alguma maneira, aos interesses na Fatuaca. Em agosto de 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra todos os políticos de cabedelo suspeitos de ter algum envolvimento com o crime organizado. A Juíza Tana, Cardeiro Rodrigues, acatou a denúncia e mandou caçar a chapa vencedora. Nesse momento, tá em grau de recurso no Tribunal Regional Eleitoral. Mas aí, enquanto o processo ainda corria, o crime organizado se movimentou. O Pedro, moradora de cabedelo, explicou o Buzilis Pralan, encontrou-los dirigir um pelo Barro de Camboinha. O principal aqui é o Barro de Camboinha. Foi o Barro onde teve aquela questão de filo. O prédio da Juíza. É onde ela mora e atingiu. O tiro atingiu a janela do promotor, que mora no mesmo prédio da Juíza que tá à frente do processo. Ninguém saiu ferido e ninguém foi preso. Mas o incidente adicionou uma pitada mais de tensão ao crime a jateixo da cidade. A Juíza tá andando subscorta hoje para você ver como o Estado hoje tá de joelhos, né, em cabelê. É um pouco Sicilia, assim, aplicada a cabelê. Segundo o ano de abreu, é bem preocupável que a chapa eleita com um apoio do fato da toca cabe sendo caçada. Vai ter uma nova eleição lá, possivelmente. E isso vai mudar alguma coisa? Tudo indica que não. Já articulações desse mesmo grupo político para colocar o novo candidato, que se fala que seria a esposa do prefeito eleito. Aliada do fatócoa também. Quer dizer, você não enxerga uma saída que não tem o fatóco ali. Não enxerga, vou honestamente não enxerga, ele tem uma poder absoluto. Segundo as autoridades que apuram o caso, o fatócoa tem poder absoluto em cabelê. E mais, tudo indica que as vigações dele com um comando vermelho se estreitaram. Quem ainda com essa facção tem a pouca presença no restante do estado, existem indícios de catrópia do amigão, tenha se tornado um braço do comando vermelho. O que faz do fatócoa, o líder do comando vermelho na paraíba. De qualquer forma, a gente pode afirmar sem muito medo de errar que o crime organizado matou a política naquele município. E essa morte se reflete diretamente na vida das pessoas. O Alami falou, por exemplo, de uma linha de trem que corta a cidade de ponta a ponta. E as pessoas do bairro renacer evitaram pegar esse trem se ele fosse mais ao norte da cidade, porque ia andar de cara com barros dominados pela tropa do amigão e eles poderiam ser de alguma maneira agredidos. Quer dizer, em cabedelo a organização da sociedade que a função básica da política se esfacelou a ponto de cidadãos não poderia mais circular em certos lugares. Posso ser abortado, eles vão ver meu celular, vão ver os conteúdos, e se tiver conversa a mim com facionais da nova caída, tocou um risco sério de ser agredido e até se assassinado em último instância. Em alguns pontos desses barros, nós não conseguimos entrar, por exemplo. Pessoas de fora não entram. Em alguns pontos mais sensíveis, é muito arriscado, como no Rio de Janeiro. O Estado perdeu controle de tarde do território, na paraíba também tem sido assim. A gente tem visto o que hoje existe já consolidado no Rio de Janeiro, na paraíba está começando. É verdade, prontos, assim, nesses barros, assim. Por exemplo, um barro que de pouca saí. Você pode perceber que as ruas são bem larras, realmente, só que saí da mesma do barro, só essa, aquela coisa que tem ele para andar. É verdade. Pode ir para a cinza aqui. É tanto que se faça isso, então não entram. Tem isso aqui interessante. Só muito bem. Entram quem sai. Sempre. Se a comença, se não é. Entendi. Geralmente, tanto aqui, quando já caréia, quando isso vem dar o fombo do ataque. E já vem, já tirando. É. Entram, tem dois carros do pessoal armado. E é comum, pessoal, dar tropa de tentativa. Sim, dar cá aqui. Como eu disse lá no começo, o Alan de Abreu é especialista em cobrir crime organizado. Recentemente, ele tem mergulhado fundo nesse processo de infiltração na política. Foram poucos os estados onde eu não encontrei nenhum exemplo de facção tentando entrar na política. E essa entrar na política acontece de máscara de duas formas. Ou a facção tenta a forma bancada. Ela patrocina candidatos específicos. Ou ela vende o apoio político no território para um determinado candidato. Que nem sempre é faccionado. Segundo o promotor o Octavio Neto, a tendência que nas eleições de 2006, essa situação se é grave. Tem todas as variáveis para que isso aconteça. O reprutamento, o investimento de determinadas candidatos por quatro as facções. Este fato é um futuro provável. O Alan de Abreu procurou todos os envolvidos citados na reportagem para ouvir o lado deles. O atual perfeito de cabedelo, André Coltinho, respondeu por nota. Dice que confia integralmente na justiça e que, ao final, a verdade e a justiça prevalecerão. A suspeita de seu elo entre prefeitura e fatoca, Flávia Santos de Lima Monteiro, também respondeu por nota, escrita para a defesa dela na operação ambassã. Afirmou que as provas corridas pela polícia não são suficientes para evidenciar o elo da investigada com fatoca, e que a investigada não possui qualquer grau de parentesco com prefeito investigado e não mantei contado físico ou telefônico com ele. Quando eu conversei com o Guilherme Casarói em sobre o crime organizado como suspeito de matar a política, ele me falou de um livro do cientista político italiano Norberto Bobio, o futuro da democracia. E ele vai dizer que uma grande dificuldade de qualquer estema democrático de ser genuinamente democrático, que ele está sempre tensionado por forças que não estão jogando o jogo de dentro, mas estão colocando muitos limites para o jogo de fora. E aí ele vai falar do crime organizado das mafias e de como que você tem ali um desafio não só democracia, mas a própria lógica do Estado, porque o pressuposto básico do Estado, como a gente o entende hoje, é que o Estado ele tem um monopólio de determinados atributos a começar pela violência física. O Estado aqui tem a preogativa de dizer o que é legal, o que é legal, o que é certo, o que é errado e punir de acordo com as leis vigentes. O Estado tem poder de polícia efetivamente. A partir do momento que você tem um grupo dentro do seu país ou às vezes transnationalmente, porque isso também acontece cada vez mais, que estabelece a suas próprias regras, que estabelece seus próprios normos, seus próprios parâmetros do que é certo ou que é errado. E passam a desafiar as leis vigentes, um pouco que é a lugar que seja e se torna um problema real. E aí o Guilherme Casarões chegou a um ponto que é central nessa investigação, que tem a ver com o objetivo do crime organizado, que não é dominar um território não é matar a política, não é ganhar a foto, isso tudo é o subproducto da atividade criminosa, o que o crime organizado quer é ganhar dinheiro, é ganhar poder econômico, e isso está profundamente ligado com a política. Quem manda em qualquer sistema político no limite é quem ainda tem poder econômico. Obviamente que existe sempre uma atenção de quem ainda tem poder militar e quem ainda tem poder econômico, uma geralmente essas forças andam juntas ou elas convivem. E se é um desafio pro campo progressista, né, sei lá, para combater a desigualdade, por exemplo. Porque o poder econômico ele está andando de mão dada com o poder real. O poder econômico anda de mãos dadas com o poder real, a força da grana, o suspeito mais óbvio de todos os suspeitos, que na verdade pode até se disturbar em mais de um. Suspeitos, que como você vai descobrir, se continuar comigo dessa investigação merecem episódios só para eles.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O crime organizado está infiltrando-se na política brasileira, especialmente em cidades como Cabedelo, onde facções criminosas controlam territórios e influenciam eleições por meio de coação e apoio financeiro.
  2. A facção "Tropa do Amigão" domina grande parte de Cabedelo, enquanto a "Nova Ocaida" se mantém apenas em um bairro, com o líder Flávio de Lima Monteiro (Fatoca) sendo um importante ponto central da rede de controle.
  3. O político Dinho foi eleito com apoio direto do crime organizado, recebendo 559 votos e sendo nomeado secretário municipal, mas percebeu o risco e tentou se afastar após o desmantelamento da aliança.
  4. A justiça eleitoral não tem capacidade para investigar casos complexos envolvendo crimes organizados, o que permite que os líderes criminosos se instalem em estruturas políticas sem serem punidos.
  5. A inexistência de controle estatal sobre territórios pobres leva à desorganização da sociedade, com cidadãos evitando áreas onde há atividade criminosa, e até a destruição de casas e ameaças diretas à vida.
  6. O processo é replicável em toda a Paraíba, com o crime organizado usando estratégias de "bancada" e "apoio político" para ganhar influência, e estabelecendo vínculos com órgãos públicos e políticos.
  7. A investigação revela que o grupo do Fatoca tem uma rede política e militar organizada, com a secretária Flávia Monteiro atuando como ponte entre facção e administração municipal.
  8. O crime organizado não busca governar diretamente, mas ganha poder econômico e controle territorial, o que, por sua vez, distorce a democracia e enfraquece o Estado.

Summary:

O episódio investiga como o crime organizado se infiltra na política brasileira, usando Cabedelo, na Paraíba, como exemplo. Facções criminosas como a Tropa do Amigão dominam territórios e exercem pressão sobre eleitores por meio de coação, ameaças e controle econômico. O político Dinho foi eleito com apoio direto do crime, recebendo cargos e influência, mas percebeu o perigo e tentou se afastar.

A justiça eleitoral, com pouca capacidade de atuar em casos complexos, permite que os criminosos se fixem na política. A rede de controle é sustentada por vínculos entre líderes criminosos, políticos e agentes públicos, como a secretária Flávia Monteiro, que atua como ponte. A cidade vive um estado de tensão, com cidadãos evitando áreas de risco e a destruição de casas por ameaças.

O caso revela um modelo replicável em outras regiões do Brasil, onde o crime organizado não busca governar, mas conquista poder econômico e territorial, distorcendo a democracia e minando o monopólio do Estado sobre a violência e a ordem. O episódio conclui que o crime organizado já matou a política local, transformando a vida cotidiana em um estado de medo e dependência.

FAQs

O crime organizado domina territórios, exerce coação sobre eleitores e influencia decisões políticas para garantir poder econômico, substituindo ou comprometendo o controle do Estado local.

Elas criam campanhas de coação, financiam candidatos, usam líderes locais como ponte e garantem o voto mediante ameaças, como em casos de vereadores e prefeitos.

É a situação em que o Estado perde o controle de territórios ocupados por facções criminosas, criando um modelo semelhante ao do México, onde política e criminalidade se misturam e o poder é exercido fora da lei.

Ao dominar áreas, as facções controlam comércio, serviços e transporte, e com esse controle, passam a decidir quem pode votar e como o voto será contado, influenciando diretamente a política local.

Eles recebem cargos públicos, mas são submetidos a ameaças e extorsões; muitos acabam sendo expostos ou se afastam, mas a influência do crime permanece no sistema político.

Por mostrar claramente como o crime organizado domina a política local, com influência direta sobre prefeitos, vereadores e até a segurança da população.

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