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Ep.91 - Por que algumas emoções parecem maiores do que a situação?

39m 59s

Ep.91 - Por que algumas emoções parecem maiores do que a situação?

Neste episódio do "Podeceste Umguiando", a equipe de psicólogas Patricia Lopes, Daniela e Mayara explora como as emoções que surgem diante de situações cotidianas — como mensagens não respondidas, críticas ou atrasos — podem se tornar intensas e mesmo desproporcionais. A discussão mostra que o que realmente acontece é frequentemente pequeno, mas o que se sente dentro de nós pode ser muito maior, gerado por expectativas, medos ou traumas antigos. A psicologia analítica, inspirada em Jung, ajuda a perceber que não é necessário eliminar ou reprimir essas emoções, mas sim entender por que elas são tão importantes para nós. O foco é aprender a ouvir a própria psique como um caminho de crescimento, não apenas como um problema a resolver. A equipe reforça que a reação imediata — como mandar uma mensagem de raiva ou desistir de um relacionamento — muitas vezes é impulsiva e não reflete a verdadeira complexidade do momento. Em vez disso, é preciso pausar, fazer perguntas como "o que realmente aconteceu?" e "o que aconteceu em mim?", para separar fato de experiência emocional. A ideia é criar um espaço de observação, sem julgamento, onde a emoção seja compreendida como um sinal de algo mais profundo. O episódio é enriquecido por obras como "O Tempo de Tempo", "Ourso" e "After Sun", que mostram como situações pequenas podem gerar reações profundas. A pintura "O Grito" de Munch é citada como símbolo do como a emoção afeta o mundo ao redor — não apenas o indivíduo. O foco final é que a psicologia não ensina a não sentir, mas sim a ouvir o que sentimos, para compreender o que aquilo revela sobre nós. Assim, o público é convidado a questionar: quando uma emoção parece grande demais, é necessário agir imediatamente ou descobrir por que ela é tão significativa para nós? A resposta está em ouvir, reflectir e compreender, em vez de reagir.

Transcription

6620 Words, 36306 Characters

Portuguese
Este apodeceste unguiando, o podeceste do instituto e unguiando sobre Psicologia Nalítica. Nós já falamos sobre conceitos e unguianos, relações e diagnósticos. Essa parte é temporada, a psique movimento, nós queremos meu gulhar mais profundo. Vamos olhar para a vida psique, como ela realmente é. Viva dinâmica, inconstante transformação. Porque talvez cuidar de si, não seja apenas encontrar respostas, mas aprender a escutar o processo que está acontecendo dentro de nós. Um convite para deixar de olhar para si apenas como problema a ser resolvido. E começar a escutar a psique como um caminho. Eu sou a Patricia Lopes. Eu sou a Daniela e fomagada. E eu sou a mayora Suguaia. Nós somos psicólogas e umguianos e convidamos você a ver com a gente nessa jornada. Olá, esse é mais um episódio do podeceste umguiando. Aqui no podeceste nós falamos de Psicologia Nalítica, de maneira prática e descomplicada. Tenta-nos por que as ideias do Iung e das croções que fazem parte da nossa vida. Vamos conversar aqui. Você já recebeu uma mensagem dizendo assim. Oh, depois a gente precisa conversar. Acabou dia em nunca. Acabou dia. O céu se tornou cinza. É bem isso, né? A pessoa escreveu gente cinco palavras. Mas você já pensou em 50 possibilidades. Nossa, dá uma angústia, né? A gente não para de pensar naquilo. Você tem de desfocar. Você tem de se concentrar em outra coisa. Mas aquelas palavras aparecem na mente. E o WhatsApp veio para complicar mais, né? Quer, você fala assim, pode falar que a pessoa respondia. Isso não respondia. E aí, sendo aquele, aquelas desses quinhos não ficam azul. Nunca. Atilengo mais angustiante. Socorro. Ou um outro exemplo, né? Alguém fez uma crítica assim. Relativamente simples sobre alguma coisa que você fez. E mesmo que. Você sabe que não foi nada demais. Aquilo fica na cabeça também durante horas, durante dias. Foi uma crítica construtiva, né? É, estava ótimo e instava ótimo. Aquilo estava ótimo. Só esse aqui que você pode mudar pronta. Só esse aqui. Exato, né? Parece que foi uma ofência pessoal, né? Falou do seu valor naquele detalhe. Ou sei lá, talvez você tenha se irritado demais porque alguém se atrasou. E você também fica naquele estado de raiva muito tempo. Ou ficou muito triste. Porque uma pessoa não respondeu sua mensagem. Você foi ignorado. Como os jovens dizem, você levou ghosting. No caso dos relacionamentos. Levou ghosting, essa é tudo por favor. Ghosting é quando. Quando a pessoa desaparece. Ah, olha, eu estou por fora dessa. Eu tenho pacientes jovens, eles me ensinam. Ai, falando, tá me dando Love Bomb. Olha o que é Love Bomb. É tipo jogando muito amor, tá ajudando muita corda. Para você ficar muito apaixonado pela pessoa. Eu estou tentando ele formar a aula. Eu estou lá ainda. Se quiser, não tem muito o que eu entender. Não, minha subrímpica se quiser, nem se quiser. Só me serve. Ai, meu Deus. Socorro, mas voltando aqui. Acho que um outro exemplo que a gente pode pensar, né? Um angústia enorme, sabe? Que você fica, às vezes, naquela situação. Que quando você olha de fora, parece pequeno. Mas tem uma coisa curiosa, né? Muitas vezes, depois de sentir tudo isso, a gente ainda se julga. Ai, não era para tanto. Ai eu exagerei. Nossa, porque que eu fiquei desse jeito? Ai, eu não devia ter me abalado tanto. Eu só arranha disso. Eu fico pensando, depois nossa, nesse caso, né? A pessoa fala que precisa conversar. Eu fico pensando em meu roteiro, na minha cabeça, o que eu falo, o que eu não falo. Eu já fiz a conversa inteiro, só não sabe. Eu fiz a conversa, o diretor deu gravando, a ação, vamos lá. Foi tudo ensaiado na minha cabeça. E a pessoa, depois, não faz nada do roteiro que eu planejei. Aí fica com raiva de mim mesmo. Você gastou um tempo da sua vez. Sim, a energia, pensando, caramba. Porque eu gastei tanto energia que esse assunto. Que era só isso. Nossa, eu fico com raiva de mim mesmo, depois. Eu aconteceu isso comigo. Eu estava no meio da atendimento, faltava 10 minutinhos para acabar. E aí, o celular estava em cima da mesa. Sim, minha mãe me ligou e ela estava com meu filho, né, andava vi. Primeiro, Deus, minha mãe me ligou. Aconteceu alguma coisa. Já pensei em mil e uma possibilidade. Estava com as tróficas na minha cabeça. Aí, quando eu acabei de entender, eu fui tentei voltar ali, ficar tranquila. E aí, quando acabou, eu fui afelhar, não calma. Ele até tudo bem, não precisa correr, né? Eu acabei de armassá-la. Aí eu liguei com ela a fona. Não, porque ele estava muito com medo. Porque acabou energia aqui em casa e ele ficou com medo escuro. Falei "nossa, já tinha matado a criança, meu pai, que foi buscar no escola". Eu já tinha pensado em mil possibilidades, tem regas todos, né. Ele só tinha ficado com medo escuro. E já estava até calmo quando eu liguei. Já tinha passado. E aí, a gente sempre fala, né, porque algumas emoções parecem muito maiores. No que a situação aconteceu. Acho que é um bom tema aí para a gente conversar, né. Vamos falar sobre isso, então. E o que a psicologia tem com isso? Bom, e como a psicologia pode nos ajudar a pensar nessas situações? Primeiro, talvez seja importante separar duas coisas que no dia a dia ficam muito misturadas. Uma coisa é o que aconteceu, realmente. E outra coisa é aquilo que aconteceu em nós. Vamos pensar naquela mensagem. Então, depois precisamos conversar. O que aconteceu? Você recebeu uma mensagem, só isso. Mas o que aconteceu em você? Talvez você tenha sentido medo, ansiedade, tenha começado a imaginar uma briga, uma demissão, fim de relacionamento. Talvez tenha pensado que você fez alguma coisa errada. Que você tenha passado a tarde, você ficar tentando ali, né. Descobrir que nem você valorou, né. Pensando em mim uma situação do que realmente aconteceu. Então, temos uma situação que é relativamente pequena, né. Um lado de fora. E uma experiência que foi enorme dentro de você. Mas geralmente é aí que a gente diz, nossa, eu tô exagerando. Será que eu tô mesmo? Então, aí se a gente tivesse conversando com Jung, vamos imaginar em isso, né. Ele não tivesse tão preocupado com decidi-se a emoção. Tá proporcional ou desproporcional, né. Se ela exagerou ou não. Mas a pergunta seria, "Por que isso é tão importante pra você?" E essa pergunta é muito diferente. Eu posso perguntar pra mim, "Ah, será que eu tô exagerando?" Quer dizer que eu já tô partindo do princípio de que eu tô errado. E se eu pergunto, "Por que isso é tão importante pra mim?" Eu comece a despertar curiosidade sobre o que que eu tô sentindo. E onde é que isso pegou? Em mim. Porque, provavelmente, o que você entrar a mesma reação se fosse uma traçundo, senão não é tão importante pra você esse assunto, né. Não é. Ó, vamos pensar. Você faz um trabalho, mostra pra alguém. Aí a pessoa fala, "Nossa, ficou super bom, ficou ótimo. Tudo isso é escrever de um jeito legal. Podia só mudar essa partizinha aqui, podia melhorar. Nossa, a crítica que era simples, faz você ficar arrasado, porque nossa. Começa a sentir que, na verdade, a pessoa só falou aquilo pra me agradar. Que, na verdade, eu não sou bom, que o trabalho inteiro não ficou bom. Posso ficar com raiva da pessoa que fez a crítica, o que não é difícil. Depois você pensar, "Ah, não, cara, âmba. Foi só uma crítica, não é nada disso." Mas será que é isso mesmo? O problema não é o que a pessoa falou, nem como ela falou, mas o que a gente ouviu. E ela disse concretamente. "Podeia melhorar esse pedacinho aqui." E o que você entendeu? "Ah, eu não sou bom." Ou, então, "Ah, eu decepcionei." A pessoa estava esperando mais de mim. Se for o chefe, então, pronto. Não sou competente. Eu não sou tão bom quanto eu pensava, porque eu achei que o trabalho estava ótimo. Então, percebe a diferença entre o que acontece e o que chega na gente. Isso que você está falando, Dani, eu percebo. Hoje em dia, danoala, né, de educação emocional. E a gente fala. O goleman fala da inteligência emocional. Nas empresas, no dia. Eles tentam aplicar bastante feedback. Tem um nome lá aqui, que é o feedback. Que é justamente essa troca, né? Olha, você está fazendo isso super legal. Aqui, nosso super competente. Tem a habilidade, então, a área. Essa função que você desempenha super bem, mas, aqui, talvez, desse pontinho aqui, você precisa dar uma melhorada. Nesse outro, você precisa ajustar aqui. E ter essa troca. A gente, como ela recebe, toda uma estrutura ela totalmente. Nossa, só pior, funcionário do mundo. Mas, na verdade, a ideia, quando surge esse feedback, é justamente tentar ajustar pequenos pontos. Mas é também falar, olha só como você é bom. É pessoal, esquece todo mundo. Todos os cinco pontos bons. Fica com o único ruim. E é um movimento que está tentando. Mas tem da dificuldade de aceitar isso. Eu esqueço dos elogios e. E foco na crítica. E é engraçado que, se você perguntar para a pessoa, "Ai, mas você acha que você não tem nada para melhorar?" Ela vai falar, "Não, claro que eu tenho coisa para melhorar." "Ninguém é perfeito, todo mundo sabe disso." Mas não consegue sentir que alguém pode enxergar um pom. A mesma coisa. Que é mais frágil. A gente fica fragilizado. Exato, é engraçada nessa incluerência, porque eu sei que eu tenho pontos a desenvolver, mas eu não quero que o outro acham, eu quero que o outro percebe. Eu posso, só. Falar mal de mim, os outros não podem reclamar nada. É, porque se ele fala aqui, se ele perçare o ponto que eu preciso desenvolver, quer dizer que eu não estou performando como eu gostaria aqui, né? Verdade. E se eu tiver alguma questão, um complexo de prioridade ou algo do tipo, isso vai, vai duer na ferida, vai tocar na ferida. E aí a gente não está dizendo aqui, que existe uma explicação escondida ali, que a gente precisa descobrir, né? Ou que todo emoção precisa ser investigada até a gente encontrar alguma. Trauma, ela da infância, aquela vez, blah, blah, blah, que explique tudo, tá gente? Não é isso. A gente está falando de perceber que aquilo que acontece fora de nós, é como se encontrasse uma pessoa que já está vivendo uma história. Então, aquele acontecimento, ele encontra algo dentro da gente, ele encontra uma feridinha, né? Então, a gente não chega a fazer nas situações. A gente chega com expectativas, a gente chega com medos, desejos, experiências, enfim, relações, esperanças, expectativas. Expectativa é o que mais pega. Ah, expectativa pega demais. E talvez por isso, duas pessoas possam viver exatamente a mesma situação de maneiras completamente diferentes, né? E não só duas pessoas diferentes, mas acho que a mesma pessoa em contextos diferentes, em momentos de vida diferentes, né? A gente sempre idade que, no final, mas eu vou trazer esse filme de pando de fundo, é um dos filmes mais bonitinhos que eu já vi na minha vida. E eu sempre vejo as pessoas recomendando ele, porque ele é um filme que faz a gente repensar a vida mesmo e é um mesmo tempo. Um filme conforto, sabe? Não, eu filme pesado nem nada do tipo. O questão de tempo, já viram? Ah, é bonitinho. Mas é uma graça, siste, pátia, é muito bonitinho. O questão de tempo, já fica dica aqui pra vocês. É fofo. Não, é daqueles que faz a gente repensar a vida. Fugindo de filmes tristes? Não, tipo assim, tem alguns que acho maravilhosos, obras primas, mas é um assisto de novo, tipo. Vida é bela, menino do Pijama Lestrado, esse tipo de filme é um assisto de novo, porque. Muita coja-choro. É bonito mais pesado. É, eu já choro demais para um filme, uma vez, só imagina duas vezes. Esse é bonito, mas ela é vindo. É leve. O questão de tempo é fofo demais, recomendo. E não querendo dar spoiler pra quem vai assistir. Mas o moço, né, que o personagem principal do filme, tem um poder que é herdada, assim, inclusive, de voltar no tempo. Ele tem essa capacidade. Nossa. E é legal, isso, porra. Eu pensei que é legal que, agora, depois, eu não quero voltar no tempo. E aí é legal, porque, assim, já falando um pouco da conclusão dele, ele volta, às vezes, ele vai tentar corrigir. Alguma coisa que ele fez e tal. Mas, toda vez que ele tenta corrigir, alguma coisa muda. Porque. Se a gente tivesse feito algo diferente lá no passado, a gente não teria hoje, na situação com as pessoas, com a história de vida que a gente chegou. A gente tá no aquele momento, porque aconteceu uma vida, a gente disse, né, que é o que a gente tá comentando. E aí, no final, ele percebe que ele nunca ia mudar nada, do que foi, porque se não ele não teria as pessoas, os vínculos, as situações, os aprendizados que ele teve. E é muito bonita, ele volta no tempo, não pra mudar. Mas pra conta em plas coisas saborear, né, de uma maneira diferente, entendendo que, sinto do passa, né, que às vezes, aquele momento que parece que foi tão difícil, a gente consegue ver de uma outra ótica, quando a gente entende que ele passou, a gente sabe que ele vai passar. Então, se duas pessoas podem viver uma situação, de maneira completamente diferente, uma pessoa também, né, pode viver umas duas situações parecidas entre aspas de maneira diferente, de acordo com como ela tá naquele momento, né? A gente pode passar uma situação na vida, quando a gente é mais novo e ela se repetir, mais lá pra frente, mas a gente já não é mais o mesmo. A gente olha aquilo e fala, é. Isso vai passar isso. Eu sei que eu tenho recursos pra isso. E esse filme acho que ele mostra de uma maneira ilustrativa, claro, metafórica, um pouco disso, né? Quando a gente já tem mais bagagem emocional, a gente consegue olhar as coisas de uma maneira diferente, ressignificar, né? E aí uma crítica, né, pode passar rapidamente por uma pessoa e permanecer dias com outra. Um silêncio pode ser tranquilo pra alguém, e um guste diante pra outra pessoa, né? Aquela história, você já vira aqueles memes, assim, né? O marido e a mulher comendo. Aí o cara tá quieto. Aí na cabeça dele é. Nossa, que gostoso que paz. Na cabeça dela é. Ele tá incomodado comigo, certeza. Que ele tá bravo comigo, porque aconteceu alguma coisa. E o cara lá na mente dele. Então o silêncio que às vezes pra alguém é extremamente ok, tranquilo, gostoso, confortável, pra outra ambústia em si, né? Uma mudança de planos pode ser apenas uma mudança pra uma pessoa e parece rejeição pra o outro, né? É correto dessa emoção. Mas o que essa situação passou a significar pra mim, né? O tamanho que ela tomou era a minha frente ali, como eu me relacionei com aquilo. Levar aquilo que sentimos a série, eu não significa que acreditar em tudo aquilo que sentimos. Então se alguém demora pra responder minha mensagem, como a gente falou lá no começo, e eu sinto que essa pessoa não gosta, mas de mim, o meu sentimento é real. Aqueles sofrimentos é real, né? E o preciso vale dar isso. Mas isso não significa que a pessoa realmente deixou de gostar, de precisa saber se parar. Não é o que é emoção e o que é fato. Se alguém vai te ficar no trabalho, eu me sinto bem competente com aquilo. Essa sensação é real da incompetência, né? Mas não significa que eu seja incompetente. Se alguém se atrasar e eu sinto que não sou importante, ela chegou atrasada porque nem tem outras coisas mais importantes do que eu. O sentimento de não sou importante existe, mas não é prova de que aquilo é realmente intenção do outro. Acho que quando a gente consegue fazer essa mudança de chavinha, a facilita muito, né? É difícil pra caramba, também, pra questão simples. Pois é. Porque na verdade, a gente precisa ouvir o que acontece dentro da gente, né? Mas não necessariamente obedecer aquilo que está acontecendo. Porque a emoção. ela pode induzir a gente a tomar alguma atitude do tipo. vai, faz agora, resolve isso, manda a mensagem. Ai, você tem que terminar essa relação. Você tem que se defender, você não pode passar por isso. Ou então, vai embora, você não pode ficar desse jeito. Mas a gente pode responder tudo bem, eu estou ouvindo a emoção, né? É uma conversa interna. Vósis da minha cabeça. Eu sei que é vósis da minha cabeça. A BDMC, vósis da minha cabeça. Escuto, mas, espera um pouco. É tipo bater um papo com a gente mesmo, né? Tongo chado, tonervos, olha, tonervosas. Eu queria que ele respondesse. Não respondeu, tá. Mas vamos esperar um pouco, vamos dialogar. Calma, senta aqui, vamos tomar um chá. Eu e as vósis da minha cabeça. E a minha cidadia, a angústia que aquela situação tá me trazendo. A gente, muitas vezes, ou vai para um extremo ou para o outro, né? Ou a gente escuta as vósis. Ou a gente quer fazer elas desaparecer, hein? É bobagem, é bobagem. Mas na verdade, a gente precisa conversar com elas. É validar o sentimento, a emoção que tá vindo. Mas não necessariamente agir, movido por elas. Porque quando essa emoção baixar, eu posso ter uma outra perspectiva. Não é que alguém vai me convencer. Eu mesmo vou conseguir enxergar a situação de um outro jeito. Aí sim, eu vou conseguir tomar atitudes que vão ser coincidentes. Eu falo muito isso com relação a situações de casal. Descução de casal é sempre um caos e, como diz a Vão França, ela é a mesma em todos os cinco continentes. É a mesma discussão. Em que é atrapelar o outro, vou poder falar as opiniões. Com as mesmas frases, ele não me ouve. Ela não me entende e a gente chega nisso. A questão é, quando a gente está nervoso, a gente vai reagir. E quando a gente reage, a gente causa no outro uma reação. Então, eu ver uma briga em que está tudo muito acalorado, como a gente diz. A emoção deixa a discussão acalorada. Então, é importante que a gente ouça o que a gente está sentindo e o outro está sentindo. Então, é nível 2, discussão de casal. Não é só eu comigo mesmo, mas eu com o outro. Só que, se eu consigo ouvir o que o outro tem pra dizer, por mais que eu não concorde, eu não preciso rebater tudo na hora. E é difícil fazer esse exercício. E é difícil fazer esse dia escutar quando você está com a raiva. Qual a raiva? Qual a emoção alegritando. Exato. Mas é o caminho que a gente vai conseguir chegar num acordo. Então, eu preciso ouvir o que o outro tem pra dizer. Quem está começando a dizer deve ser o que vai falar naquele momento. Eu preciso evitar interromper, eu preciso evitar tentar contrapor. Não, mas deixa eu só colocar um ponto. Não, não coloque nenhum ponto. Não contraponha, não mergumente. Escuta. Você vai ficar com muita raiva. Você vai querer brigar. Mas espera a emoção baixar. É emoção baixar, pode levar algumas horas, alguns dias, dois, três dias. E depois retoma a discussão. Lembra o que você falou? Você falou tal coisa? Você disse que se sente assim? Então, eu pensei e me sinto. desse jeito, aí a pessoa vem de falar, ou a vez do outro falar, depende de quem começou, e a gente vai conseguir baixar a emoção sem ignorar, eu não tenho que deixar de sentir o que eu sinto, o outro não tem que deixar de sentir o que ele sente, mas a gente precisa se ouvir, para se ouvir, a emoção precisa baixar, precisa esfriar. Sim, é uma pausa, né, é uma pausa naquilo, depois eu volto, não deixar também de conversar, não tem que ser uma briga, é difícil, mas não tem que ser uma briga, e essa discussão não precisa ser um bate boca. E provavelmente, de que três dias a raiva já não vai estar, mas daquele jeito, então dá para voltar, conversar, né, é que a gente tem essa ideia de que não, seu tocar naquele assunto, automaticamente, é uma briga, é difícil, mas não tem que ser uma briga, e essa discussão não precisa ser um bate boca. E provavelmente de que três dias a raiva já não vai estar, mas daquele jeito, então dá para voltar a conversar, né, é que a gente tem essa ideia de que não, aquele assunto automaticamente, vai vir a briga de novo, não, a raiva já passou, vai vir isso a conversa, né. Exatamente, quando os dois estão com o objetivo de resolver a situação, a gente consegue manter, né, a cabeça assim. O problema é que a gente, em discussão muitas vezes, aí vem um ego e não quer resolver a situação, quer ganhar. Aí vira uma disputa, e a discussão de casava é ruim quando vira uma disputa, porque aí ninguém vai ganhar. Certamente ninguém vai ganhar, porque os dois vão ficar irritados, né. Então o importante é a gente conseguir fazer com que o outro seja ouvido, e a gente seja ouvido. Isso é o mais difícil, é a gente conseguir ter essa troca. E essa é a gente age dessa forma assim, que nem, você falou, né, numa discussão de casal, por exemplo, é muito, é isso, né, da emoção contra o que ela é no meu corpo, mas a gente age exatamente igual uma criança age, que nem meu filho hoje, que está na nervoso comigo, que é ter que sair de casa, e aí ele sempre faz isso, e ele fala, "É, como que é?" "Você é a pior mãe do mundo", acho que todo mundo que pensa assim. Fala aí, "Fala um gosto, mas de você, estou com raiva de você, não sei o que?" Fala aí, ele fala, "Ah, eu não gosto mais de falar, acho que não é que você não gosta, você está chateado." Ó, que vocês acabam, mas você pensa melhor assim, não sei o que você acha. Aí ele é calmou, ele fala, "Desculpa, mamãe eu gosto de você assim." Mas a gente deve esse momento, a gente pega, passa raiva, aí eu pregunto, ainda está precisando de alguma coisa, tudo bem que é conversar, o que aconteceu? Aí ele falou, "Tava chateado, não queria ir, não sei o que, mas passou ele, mas a gente faz isso adulto, né?" "Aduto, é um adulto, não quer mais saber, nunca mais falar com você, então acabou o relacionamento, né?" Joga a criança, né? Cala a criança, não era a cena, ou então fica quieto. - Que a quieta não fala nada? - Não, não, não, não. Fica sem conversar dois dias, depois fincha que nada aconteceu. - Ignora, pessoal. - É, sim, também. E não é um ignorar assim, ó, preciso pegar isso, friar, que não se chama um ignorar, não quer eu falar com você. - Não retoma mais, que você não exige. - Que também, aí depois eu vou, como se nada tivesse acontecido. Que também é bem infantil, como se estava com isso, né? Emburrar, é literalmente emburrar. E como cuidamos disso? Bom, e aí como que a gente cuida disso, né? Como que a gente cuida dessas emoções que parecem grandes demais? Primeiro, talvez seja importante a gente lembrar. Sentir uma coisa não precisa imediatamente agir a partir dela, né? A raiva não é uma boa conselera, não tem aquele ditado, é isso, né? Eu posso sentir uma raiva enorme e não mandar mensagem que eu estou contado de mandar. Eu adoro aquele método, digamos assim, é a pessoa tem um grupo com ela mesmo na WhatsApp, isso, né? Ela manda chingando e você, não sei o que, não sei o que, ela manda para ela mesmo. Porque pronto, né? Jogou a raiva ali um pouquinho. Desti louco, né? Dá ali um pouco. Calma, agora eu vou mandar a mensagem que realmente eu preciso endereçar para a pessoa. Só toma cuidado, porque é um belíssimo prato, prato falho, né? De mandar mensagem original para a pessoa, é, isso é um clássico. Você já virou aqui? Eu não ia ver na internet, você achou a rede. A pessoa pegou um áudio, que ela foi enviado a ela, super, ela nossa, não concorda nada com o áudio de que ela ouvi, o tal. Ela ia mandar para um colega, enfim, falando, né? Querendo dizer, "Ah, é que coisa ridícula que o Fulano falou?" Ela mandou para a própria pessoa, que falou. Aí a pessoa comentou "Por que você manda meu áudio para mim mesmo?" Ela foi para você ouviu que você está dizendo. [risos] Chei brilhante e falei "Olha que pensa muito rápido, né?" - Boa. - Para você se ouvi, o absurdo que você tá falando. [risos] E é isso, né? A gente não pode mandar mensagens às vezes, imediatamente. - Exato. - Não porque a gente tem que engolir sapo, não porque a gente tem que passar pando, né, igual o pessoal falo. Mas porque o que a gente comentou, né? No momento da raiva não vai ajudar em nada. Às vezes é melhor respirar um pouquinho e pensar melhor como mandar aquela mensagem para que se construa a partir daqui, né, as duas pessoas ali, né, na situação. Eu posso sentir medo e não tomar uma decisão naquele momento, sentir uma rejeição, né, sem concluir imediatamente que for rejeitado, porque esse também é muito doido, né? Eu tenho certeza que Fulano não quis me chamar. E já coloca certezas que você não to na cabeça da pessoa, você não sabe, né? Eu posso estar muito triste, por exemplo, esperar um pouco antes de decidir, né? Pra já dar nome, pra essa tristeza e falar "é por causa disso", não calma, vamos entender, né, melhor. Acho que é uma boa regra. É, quando a emoção é muito grande, a nossação não precisa ter o mesmo tamanho. Você pode sentir 10 e agir nota 3. Porque isso crie um espaço, né? E é nesse espaço que alguma coisa pode ser compreendido. Eu acho que uma outra opção é fazer algumas perguntinhas que ajudam a gente a direcionar tudo isso, né, que são bem simples. A primeira é o "que que realmente aconteceu?" E tentar responder apenas aquilo que você sabe. Volta pra realidade e responde a pergunta, o que aconteceu? E a pessoa, bom, pessoa não responde a minha mensagem. Esse é o ponto que aconteceu, é o fato. É o fato, né, é o fato. Não vou dar imaginação, né, o que realmente aconteceu. Meu chefe que te comam o meu trabalho, tá? Esse também é um fato, eu teve uma crítica. Meu amigo cancelou o encontro. Ou meu parceiro chegou atrasado. Tá, então agora eu sei o que é real e vem a segunda pergunta. E aí o que aconteceu em mim? Quando isso tudo aconteceu? Fata aconteceu o que que chegou em mim. Eu achei que era importante, eu me senti incapaz. Eu achei que ele não queguia me encontrar. Então, a emoção também traz alguma informação importante que eu preciso olhar. É, eu senti que não era elevado em consideração. Parece uma diferença pequena, tudo isso, mas não é porque a gente começa a separar o acontecimento daquilo que realmente a gente sentiu, do que foi produzido em nós. E aí a gente consegue observar o que está por trás daquela emoção. Adi, no primeiro ano, né, eu treinei isso no primeiro ano, era observação, sem inferência. A criança está sentada em burrada, a professora vinha e dizia, "Não, você não sabe se ela está em burrada." A criança aí é para o extremo, né, quando a gente estava exerçando. A criança está sentada olhando a 45 graus para o chão com os braços cruzados. É isso que eu sei o que ela está sentindo, eu não sei. Então é um pouco fazer esse exercício, qual é o fato? O Chefe criticou o último parágrafo do meu relatório. Se eu sou péssima, é uma inferência minha, e a gente tem que tentar não fazer as inferências. E aí a gente acrescenta uma terceira pergunta, né, depois de entender o que aconteceu com a gente. Porque isso é tão importante, porque isso pegou tanto. Eu fiquei muito mal, porque essa pessoa não respondeu a minha mensagem. Sem tentar explicar o que aconteceu em mim, eu imaginar, porque isso ficou tão grande para mim. Ah, é porque eu achei que ela não queria falar comigo, é porque eu achei que ela quisesse me afastar. É entender o que isso causou em mim, para eu tentar me aproximar mais do ponto delicado, né, daquilo que é o meu ponto mais frágio. Em algum momento, a gente percebe que já não está mais falando da mensagem, da crítica do relatório. A gente está falando sobre outras coisas, né, sobre vínculo, sobre reconhecimento, sobre pertencimento, sobre medos que às vezes começaram há muito tempo, não tem nada a ver com aquela situação, né. Sobre coisas que a gente quer manter sem entocadas, né, que a gente não quer mexer. É. A gente não quer mexer na nossa imagem. Perfeita. Cada por alguma coisa que alguém fez, que nem é essa questão da mensagem, a gente nem é sobre mensagem, é sobre como eu tenho uma malta imagem distorcida sobre mim, e o que o outro fala, que às vezes não é nada, e ativem em mim, mas para mim é grande, é porque eu tenho uma malta imagem ali que pode estar distorcida, né. O outro está vendo sobre mim, né. E quando a gente faz essas perguntas, a gente não precisa chegar numa conclusão. Isso que eu acho que é o mais importante, né. Ah, tá, então, isso me fez sentir, não pertencendo, então quer dizer, não quer dizer nada. Não sei o que quer dizer. Deixa a pergunta em aberto, acho que isso abre mais possibilidades e observando, né. Percebeja é o importante. A gente não já é difícil. É. É como quando a gente trabalha com sonho na sessão ruim. É a pessoa traz o sonho, se esforça a nota, a gente converse sobre o sonho. Às vezes a gente come a hora falando sobre o sonho e a pessoa diz, "Ah, então, mas o que quer dizer?" Não sei o que quer dizer, mas olha só, quantas coisas a gente já visitou a partir das imagens desse sonho. É sobre essas coisas que a gente visitou que o turinconcente está falando. O que ele está falando? Vamos deixar em aberto. Vamos ver o que é feito isso causa. E deixar em abertas, deixa a gente meio incomodá-lo, a gente quer fechar conclusões. Mas a gente só precisa perceber. Vamos formar tudo, emoção e investigação, né? Às vezes você está irritado porque está cansado. Vamos simplificar também. É, um charuto, é um charuto às vezes. Às vezes aquela situação realmente foi desrespeitosa, isso também é importante. E é legal quando a gente, às vezes, até como psicólogo consegue validar para o paciente. Não, é, sim, mas isso que você está sentindo é muito ok, né? Porque é uma situação, eu imagino como foi difícil para você. Muitas vezes eu já vi o paciente desabando, como se fosse autorizado, se sentir mal, enfim. Porque, quando você é alguma coisa, que às vezes a pessoa segura muito, né? No contrário até, para não se sentir aquela emoção, porque é, não, pode ser coisa da minha cabeça. E poxa. É. Às vezes também foi uma situação realmente muito pesada e a pessoa fala nossa. Exato, trazendo dessa forma. E aí conversar, colocar um limite, né, sair de uma situação de ajuda, enfim, tudo isso também é muito importante. Uma coisa concreta também. E quando essas emoções se tornam muito frequentes, muito intensas, né, ou inclusive começam a trazer sofrimento, que é importante ali para a vida da pessoa, claro, né? A gente, a psicoterapia, pode ajudar justamente como um espaço para olhar para essas questões com mais cuidado, né? Não para ensinar você a não sentir pelo amor de Deus, nunca é isso. Mas para aquilo que você sente possa ser ouvido, sem precisar tomar conta de tudo, sabe? Conhecia muito essa entrapia de casal, né, mas eu vejo pessoas que fazem que eu tenho uma conhecida aqui, a terapia de casal, psicóloga, terapia de casal, e ela fala as pessoas que eu fico que fazem e me conta também, que tem muito disso, né? Ah, qual é o sentido da terapia de casal, justamente isso, eu vou, porque quando eu estou na discussão com o meu companheiro, na companheiro é caloroso demais, eu não consigo raciocinar, né, que a gente falou de dar essa pausa e esperar passar. Mas lá na terapia é esse momento, né? Ali as asas até te pejei muito na pessoa, mas ali na terapia eu vou ter a oportunidade de falar sobre a mesma coisa, de uma forma organizada, porque eu preciso organizar como eu vou contar isso para terapêuta, e a pessoa está ali do meu lado também me escutando, e aí eu falo "não, sábado, eu estou ouvindo que eu falei". Realmente, eu fui muito desrespetoso, ou eu exagerei ali, né, na emoção que eu estava sentindo, também fui desrespetoso com a forma que eu usei, ou não sei lá, e na frase que eu coloquei, na intensidade, tal. Então isso ajuda também, né? A organizar, na verdade, casar, porque te organizar a fala, o senti, e tudo mais. E às vezes o contrário também, né, nossa, eu não tinha ideia de que ele me via dessa forma, né? Ou que ela me via dessa forma, né? Ela nunca fez esse elogio diretamente para mim, né? Nunca falou que me valorizava dessa maneira, né, porque a discussão vai sempre para o que está ruim, e não para o que está bom. - Aham! - Exato. Muito bom, é um ótimo exemplo a terapia de casal. [MÚSICA] Para esse episódio temos algumas sugestões de obras que conversam bem com essa experiência de perceber como aquilo que aconteceu dentro de nós pode ganhar dimensões muito maiores do que aquilo que está acontecendo fora. Talvez a parte mais bonita seja justamente perceber que nenhuma emoção precisa ser simplesmente eliminada. Bom, vamos lá para as sugestões, então. A primeira sugestão é o filme "Pestre Lives" ouvidas passadas, ele é de 2023, ele concorreu, né? O Oscar ganhou alguns prenses, né? E é uma estraga muito delicada sobre encontros, escolhas e possibilidades. E é interessante justamente porque muitas das emoções intensas que aparecem no filme não aparecem de grandes acontecimentos, então a gente precisa de grandes acontecimentos para emoção ver, né? Margem antes daquilo que uma situação passou a representar para aquele personagem. Então é legal para a gente também entender que isso acontece no cotidiano, né? A segunda dica é a série "Ourso". E ele vai falar sobre, apesar de se passar, principalmente dentro de uma cozinha ou restaurante, vai mostrar muito bem como situações cotidianas também ou cobranças e pequenos conflitos do dia a dia podem despertar reações muito maiores do que aquilo que está acontecendo no momento real. Uma outra sugestão é o After Sun, que é um filme da Charlotte Wells, é um filme também muito delicado que vai falar sobre memória, relação como acontecimentos aparentemente que pequenos podem carregar significados muito maiores quando são revisitados a partir da nossa experiência. Então, gente, são obras bastante diferentes entre si, mas que continuam com essa nossa conversa aqui sobre emoções e tudo mais, tá? Eu trouxe hoje uma coisa que a gente nunca trouxe, né? A gente sempre traz uma música, uma poesia, hoje eu trouxe uma pintura, por si bastante conhecida, eu acho que vai ser uma exploração interessante, mas para quem não conhece dá para buscar e vai encontrar com facilidade, né? E essa obra, ela expressa muita essa sensação, de como a gente se sente e como a nossa volta toma a mesma proporção. É uma pintura muito conhecida, chamou o grito do Edward Munk, é provavelmente você já viu essa imagem, mas senão procura aí na internet que você vai ver. É uma figura que mostra em primeiro plano uma pessoa com as mãos próximos do rosto e a boca perda. Mas é muito interessante na pintura que não é só a pessoa que parece angustiada, a paisagem volta dela, parece angustiada, né? Parece tudo se contorce, o céu, as linhas parecem um pouco unduladas, e tudo ao redor da pessoa parece que tá acontecendo com ela também, né? Ou o que tá acontecendo com ela tá acontecendo com o cenário. E algumas emoções fazem exatamente isso com a gente, né? Acho que ela representa muito a sua sensação de quando algo nos toca, algo não fica só dentro da gente quando dói. Parece que a gente muda o jeito de enxergar o mundo, a gente enxerga o mundo diferente quando a gente tá tocada pela emoção, né? Então quando a gente tá com medo, o mundo parece muito ameaçador, quando a gente tá se sentindo rejeitado, parece que todas as atitudes são de rejeição, né? A gente começa a perceber sinais em tudo o que acontece a nossa volta, então dessa maneira parece que por algum tempo a paisagem muda quando a gente olha na perspectiva dessas emoções, né? Os óculos que a gente usa pra enxergar o mundo parece que mudam. Então isso significa que aquilo que tá acontecendo com a gente é mentira, não, mas talvez não seja o que tá acontecendo em volta. É a maneira como a gente tá vendo, né? O que eu falo, são os óculos que a gente tá usando, e esse é um movimento que a psicologia convida a gente a fazer, né? Não só tentar entender o que a gente tá sentindo, mas tentar entender o que essa maneira de sentir tá dizendo sobre o nosso funcionamento, e como a gente pode lidar com isso. Bom, e esse foi mais um episódio do podcast "Um Guiano" com o roteiro e curadoria da Dani, da Mayara e da Pati, assim como a edição de som, e a produção, e essa danografia, e o figurino, e tudo mais. A gente se vira por aqui, né? Mas as nossas artes e divulgações são produzidas pela I processo artes da Raquel Fomagálim, muito obrigada Raquel. Não se esquece de visitar o nosso site psicologia.com.br e também conhecer os nossos outros conteúdos lá do Instituto de Um Guiano combinado. Falem com a gente pelo e-mail, pode que este um [email protected], manda suas dúvidas, comentários, críticas, e claro, sugestões de temas para os próximos episódios. E a pergunta de hoje é "Quando uma emoção aparece grande demais, será que a gente precisa imediatamente fazê-la diminuir?" Ou podemos primeiro descobrir por quê aquilo se torna o teu importante para nós. A gente se vê no próximo episódio. Até lá. Tchau, tchau. Até lá. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. A psique humana responde intensamente a eventos simples, transformando-os em experiências profundas devido às expectativas, medos e desejos internos.
  2. É fundamental distinguir o que realmente aconteceu do que sentimos dentro de nós, pois a emoção pode exagerar a realidade, mas não necessariamente reflete o fato.
  3. Ao ouvir a própria emoção como uma conversa interna, em vez de reagir imediatamente, permite-se uma reflexão mais clara e a possibilidade de escolhas mais equilibradas e saudáveis.

Summary:

Neste episódio do "Podeceste Umguiando", a equipe de psicólogas Patricia Lopes, Daniela e Mayara explora como as emoções que surgem diante de situações cotidianas — como mensagens não respondidas, críticas ou atrasos — podem se tornar intensas e mesmo desproporcionais. A discussão mostra que o que realmente acontece é frequentemente pequeno, mas o que se sente dentro de nós pode ser muito maior, gerado por expectativas, medos ou traumas antigos. A psicologia analítica, inspirada em Jung, ajuda a perceber que não é necessário eliminar ou reprimir essas emoções, mas sim entender por que elas são tão importantes para nós.

O foco é aprender a ouvir a própria psique como um caminho de crescimento, não apenas como um problema a resolver. A equipe reforça que a reação imediata — como mandar uma mensagem de raiva ou desistir de um relacionamento — muitas vezes é impulsiva e não reflete a verdadeira complexidade do momento. ", para separar fato de experiência emocional.

A ideia é criar um espaço de observação, sem julgamento, onde a emoção seja compreendida como um sinal de algo mais profundo. O episódio é enriquecido por obras como "O Tempo de Tempo", "Ourso" e "After Sun", que mostram como situações pequenas podem gerar reações profundas. A pintura "O Grito" de Munch é citada como símbolo do como a emoção afeta o mundo ao redor — não apenas o indivíduo.

O foco final é que a psicologia não ensina a não sentir, mas sim a ouvir o que sentimos, para compreender o que aquilo revela sobre nós. Assim, o público é convidado a questionar: quando uma emoção parece grande demais, é necessário agir imediatamente ou descobrir por que ela é tão significativa para nós? A resposta está em ouvir, reflectir e compreender, em vez de reagir.

FAQs

Porque aquilo que acontece fora de nós encontra algo dentro de nós, como medos, expectativas ou traumas, que ampliam a intensidade da emoção.

A psicologia nos ensina a separar o que realmente aconteceu do que sentimos dentro de nós, permitindo uma análise mais clara e objetiva das emoções.

Não, é possível sentir fortemente e esperar a emoção esfriar para tomar decisões mais equilibradas e conscientes.

É a resposta à pergunta sobre como a situação afetou emocionalmente, criando um espaço para entender o que aquilo acionou dentro de nós.

Ela permite que as pessoas expressem suas emoções de forma organizada, escutem com empatia e reconheçam seus próprios comportamentos reativos.

Porque cada pessoa interpreta a situação de forma diferente, com base em seus medos, expectativas e experiências emocionais.

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