O episódio do podcast "Cemet Cast" introduz a "Semana da História Preta", um evento online exclusivo para pessoas negras que, em junho de 2025, discutirá processos de descolonização africana e o centenário de figuras como Malcolm X e Frantz Fanon. Em seguida, o apresentador narra o mito kemético da criação, começando com Atum, a divindade solar que emerge do caos. Atum gera Shu (ar seco) e Tefnut (umidade), que, por sua vez, dão origem aos amantes Geb (a Terra) e Nut (o Céu). Seu abraço era tão intenso que não deixava espaço para a vida. Por ordem de Atum, Shu se interpõe para separá-los, permitindo que o sol (Atum) navegue pelo céu e vitalize a Terra. Nut engole o sol ao anoitecer, que renasce de seu ventre ao amanhecer como Khepri, completando o ciclo diário. O mito ensina lições profundas: a vida depende de uma comunidade organizada de forças complementares (não idênticas), a dinâmica do tempo e da criação é cíclica e espiralar, e a incompletude é inerente à existência. O apresentador critica visões superficiais de "comunidade", defendendo que, na tradição africana, ela se assemelha a uma família hierárquica com funções definidas, voltada para a geração e manutenção da vida.
Boa,
boa, boa, boa, boa.
Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda.
Estamos na área com cemet cast, o seu podcast de filosofia africana sempre aplicada nessa vida cotidiana.
Eu me chamo dessa linha dowoma lunguokoto.
Eu sou membro da organização pela autonomia do povo preto que o lunguokoto.
E já faz aí uns 2 anos que eu venho tocando o projeto Rick, hit de filosofia africana sempre no.
E de trazer a tradição do pensamento africano, a tradição do nosso pensamento negro, para a gente refletir nossa condição de vida preta já é.
Estamos no meio de um feriadão às vésperas de uma das coisas que eu mais gosto aqui do locotor, que é a semana da história preta.
Do que que você trata a semana da história preta?
O dessalin toda última semana do mês, o que no locotor dá 5 aulas online sobre a história africana e trazendo.
Personagens, Datas comemorativas do mundo negro e do continente, a diáspora da antiguidade aos dias de hoje.
Nesta edição de junho de 2025, nós falaremos dos processos de descolonização de alguns países africanos.
Traremos debates sobre passagens das vidas de Malcolm, Max Patrício, lulumba, Franz fanon e Robert Williams, em ocasião do Centenário deles, além de Datas do presente mês que são marcadas por episódios importantes para a nossa comunidade.
A semana da história preta do Quilombo coto é exclusivo para pessoas pretas.
E para você participar é bem simples, é só você acessar o formulário de inscrição que eu vou deixar aqui.
Na descrição do vídeo, aproveita que o episódio ainda nem começou e já vai adiantando o seu lado e preenche, no episódio de hoje eu quero conversar com você sobre um dos mitos mais impressionantes das histórias sagradas, que é médicas, mas que costuma passar.
Bem batidos frente a outros mais famosos, como é o caso de heru ao sari aos 7, que você também deve conhecer em termos de Horus, Osíris e isis.
Eu tô falando do amor entre Gaby, a Terra e nute o céu, que contém importantes lições sobre ancestralidade, comunidade e vida.
E se eu tiver feito bem nesse episódio?
E eu acho que eu fiz ele bem.
Eu tenho certeza que ele vai passar a ser um dos seus mitos favoritos também pela beleza narrativa e a Riqueza filosófica contidas nele.
Depois você me conta aqui embaixo, nos comentários, o que que você achou Combinado?
Então Bora que vamos, pois o episódio 82 do cmet cast está no ar e vai conquistar seu coração.
Quando tudo era escuridão, abismos ilimitado e o puro caos, uma partícula tomou consciência de si e emergiu para a existência.
Essa partícula era Atom.
A partícula solar que emerge do caldo caótico num Atom manifestou se do caos a partir de um movimento organizado.
Ordenado, regular e constante, esse movimento é circular, cíclico e expansivo, e como resultado, ele gerou uma trajetória inespiral e para cada nova volta em torno de si, cada retorno ao ponto inicial desse movimento, aton trouxe consigo outras partículas dispersas, fazendo com que elas entrassem em movimento igualmente circular, cíclico e expansivo.
Atom foi a divindade, o nacher, iniciador da ordem cósmica como conhecemos e responsável pela criação de uma família enorme de outros nacher que vão viver uma verdadeira epopeia espiritual.
Ao fim dela, os astros, o céu, a natureza, as plantas, os animais e os seres humanos serão criados e existirão em vistas de realizar a vida.
Essa longa história, que é médica, sobre a origem do mundo, é repleta de episódios e hoje eu vou contar um dos meus favoritos, o amor de Gaby inute, de seu movimento ordenado cíclico e espiralar, Atom fez nascer 2 divindades na sua masturbação ou, como outros dizem, de seu espirro, shoo e tefnit.
Shu, o filho de Atom era o ar seco tefnut o arkent.
Shu habita as zonas intermediárias, tudo aquilo que está entre as coisas, sendo ao mesmo tempo a força que abraça e que separa, que delimita e que liga 2 partes que não estão em contato.
A filha de Atom era o arumido, a chuva e o orvalho da manhã.
Tefinut é aquela cujo nome significa o próprio espirro do céu.
A água expelida pelo alto para molhar o baixo.
Shu e tefinut são filhos de Atom, o seco e a umidade são filhos do Sol, além de irmãos.
Shu e tefnout são amantes e desse amor nasceram outras 2 divindades, Gaby, a Terra e nute, o céu.
Gaby e nute nasceram da fraternidade erótica de shu e tefnoot, ao contrário do que pode sugerir a língua portuguesa, a Terra de nome.
Em Cambridge, Gaby era o homem enquanto o céu.
Recebia o nome de nute e, portanto, a mulher.
Ambos se amavam como irmãos e amantes, assim como seus pais shu e tef nude, e ambos se amavam como irmãos e amantes, assim como os seus pais.
Só que, diferentemente de shoo e tefnut, Gabe e nute se amavam perdidamente, tanto que nute não queria deixar de deitar seu longo corpo azul sobre Gabe, assim como Gabe não deixava que nute de seu corpo verde também se levantasse.
Só que Atom precisava navegar pelo céu para energizar a vida sobre a pele fértil de Gabe.
Gabe e nut eram mais irmãos que amantes.
E se um sobre o outro continuasse, o mundo colapsaria, pois não haveria espaço para vida no mundo começar.
Então áton ordenou que o seu filho, o ar seco, penetrasse entre Gaby e nute, e assim permitisse que ele, áton, pudesse navegar com sua barca, e assim preenchesse de vida toda a Terra.
Chu obedeceu e se enfiou entre os seus filhos Gaby e nute.
E separou os 2 amantes.
Com isso, permitiu que o grande sol acendesse ao céu e de lá banhasse de luz à Terra.
A separação forçada de Gaby e nude fez os irmãos amantes sofrerem muito.
Gaby profundador chorou e chorou e chorou e com suas intermináveis lágrimas, os oceanos e mares gerou.
Nute buscando se livrar da presença ostensiva de áton, não podendo competir com a sua presença entre ela e seu irmão, uma amante Gabe, e ainda sustentada pelos braços de seu pai, shu engoliu o áton quando ele se aproximou do Horizonte Oeste.
Ao fazer isso, shu não conseguiu sustentar a força que nute adquiriu, e ela assim conseguiu se deitar sobre Gabe.
Mas o dia não pode impeirar só nem a noite ser eterna.
E assim áton, que tinha sido engolido por nute após 12 horas, renasceu de dentro dela, só que não mais pela boca, mas pelo seu ventre.
Áton foi engolido por nute e por nute.
Foi parido na manhã seguinte ao ser parido nessa manhã.
Aton não renasceu sob forma imperiosa, como de costume, mas como um sol nascente, e esse sol nascente foi desde então chamado queply, e por isso queply que junto à aton e a-ha.
Compõe a tríade solar do ciclo dos dias.
Também é o natcher da transformação e da manifestação aquilo que torna a ser e vem a existir.
Átomo emergiu do caldo caótico e deu origem ao mundo, sendo engolido pela noite.
Renasce sob a forma de quepri.
Assim, revive, renova e realiza o ato criador originário toda manhã desde então.
Gaby e noite continuam a Samar todas as noites quando áton é engolido por sua neta e navega por dentro dela até ser parido de seu ventre na manhã seguinte e após nascer quebre, acende ao céu e torna se á ao meio-dia e novamente áton no crepúsculo ao ser novamente engolido.
Nute se deita sobre Gabe, seu gémeo amante, e os 2 podem se amar e se amar até que desse amor novamente nascerá krepp do amor de Gabe nute outros 4 net nasceram all sar al 7 sequet in nabet hatch, mas este é outro episódio dessa longa história sagrada que é médica e que nós vamos deixar para um outro dia.
O mito do amor de Gaby e nute pertence a uma das cosmogonias mais importantes de Cambridge, o nome próprio do que os europeus chamam no Egito antigo.
Essa história é sagrada contém alguns dos ensinamentos mais fundamentais da filosofia quemética.
Em primeiro lugar, ela ensina sobre o princípio da comunidade como condição sem a qual a vida não pode ser gerada, mantida e expandida em segundo.
Esse mito nos ensina que essa comunidade não pode ser composta por partes idênticas, mas opostos, complementares, que da sua interação por associação ou dissociação, vão criar as condições para que a vida possa ser gerada.
Além disso, essa interação não será realizada de maneira linear, como se a evolução fosse uma eterna progressão, onde o posterior é melhor ou superior ao anterior.
Essa interação ensina que a dinâmica do mundo é cíclica e todas as etapas são pontos de uma trajetória espiralar nela, a vida é um estágio dessa estrutura, um ponto na grande curva que todos delineiam até retornarem para o Marco inicial.
E, por fim, essa interação própria dos Nature, as divindades dessa cosmogonia.
Indica uma das chaves de compreensão mais importante que podemos ter da mentalidade que é médica e que a tornou uma cultura tão duradoura e grandiosa.
A incompletude é a nossa condição de existência.
Vamos então ver cada um desses pontos.
A doce, por espirro ou por ejaculação, cria a tefnuthichu como primeiras criações da sua força vital. 2 filhos que também serão amantes e que vão gerar outros 2 seres nute e Gaby, outros 2 filhos que serão amantes e desse amor, outros 4 nacher nascerão.
Alçar.
Ao 7 sequet e nabet Hat toda essa configuração de natirus e estrutura em um panteão de 9 deuses, e tinha como principal lugar de culto a cidade, que é médica chamada iunu, ou como outros dizem, on e aqui cabe uma leve digressão para lhe explicar algumas questões relativas aos nomes.
A egiptologia, que tem seu viés eurocentrado, opta pela versão grega dos nomes queméticos.
E isso vai fazer com que a gente conheça a Cambridge, como o Egito antigo, e o nu ou on, como Heliópolis, como são 9 divindades, esse panteão será mais conhecido como Enéas de Heliópolis.
Mas como essa grande mitologia se trata de uma história de criação e Heliópolis é um termo grego, eu vou tratar desses 9 deuses e a história sagrada na qual eles estão inseridos pelo nome de cosmogonia de yunu.
Você até me desculpa essa leve digressão em torno de termos, mas a gente não pode fugir do fato de que as palavras têm poder.
Então, se a nossa história e tradição tem nome próprio.
Por que vamos usar as denominações estrangeiras?
Pois então, como eu vinha dizendo, o ato criador de Atom gerou outros 8 natieru.
Cada um deles corresponde a uma força da natureza, forças essas que, em conjunto, concorrem para estrutura e funcionamento do mundo, cada qual, com seu poder e a atribuição, agem para a ordem do cosmos.
Atom é o grande sol, gerador de todas as coisas.
Chu domina o ar seco enquanto chefnut o ar húmido, nute os céus e Gabe a Terra, alçara a civilização enquanto alcet a cultura, sequet a destruição, ao passo que nabet Hat o lar das dimensões cósmicas as sociológicas, entre funções naturais e domésticas.
A cosmogonia de yonu representa uma comunidade espiritual e essa estrutura é uma comunidade não porque temos vários natiru reunidos, mas porque temos vários natiru organizados em torno de um propósito comum, cada qual com uma função definida, um domínio de ação próprio e com poderes devidamente distribuídos, para que onde se encerra o alcance de um, o outro o cubra e com.
Continue no cumprimento do propósito de todos.
Mais do que isso, essa comunidade de netiru é uma sucessão familiar, família essa que se organiza em hierarquia, onde os anteriores têm autoridade sobre os posteriores, para que a disposição em série desses netiru também represente uma cadeia de geração e realização da ordem cósmica.
E ainda tem um terceiro aspecto dessa cosmogonia que é por demais interessante.
Se você observar bem, essa sucessão dos net hirus se dá por dentro da mesma família, já que as divindades, ao mesmo tempo que são com sortes, também são amantes.
E essa característica da cosmogonia de unu ela não é casual, ela serve para ensinar que uma ordem criadora organizada em funções definidas e distribuídas e hierarquicamente.
Mente forma uma comunidade realmente forte se ela for edificada por dentro da mesma família.
Mas o que todas essas condições de vários natiru com aspectos diferentes, dispostos em uma organização de geração em geração por dentro da mesma linhagem familiar, tem como propósito a vida.
Pois assim como cada órgão funciona de acordo com as relações que ele tem com as outras partes do organismo para poder realizar a vida no corpo, cada netheru age com fim a propiciar a vida no universo das suas instâncias estelares, as dos lares.
E isso evoca nada mais, nada menos do que um dos valores mais fundamentais das filosofias africanas.
Aqui manifestam na cultura que é médica, em específica o princípio da comunidade.
Hum, comunidade.
Essa palavra aqui é tão falada por aí, da militância ao marketing digital para ele vender todo tipo de experiência desprovida de convivência, já que convivência exige tempo e se tornou só.
Mais um termo banal para reunir os pretos em torno de um produto, ao invés de organizá Los em torno de um propósito.
É talvez dos valores africanos menos apreciados pelo nosso grupo.
Hoje em dia eu sei que você jura que juntar vários pretos e eles fazerem alguma coisa já é uma comunidade.
Mas nem todo amontoado de pessoas negras vai ser comunidade.
Do contrário.
Você vai ter que dizer que o navio negreiro, a senzala, o canavial, a marquise, o presídio, o orfanato ou até mesmo manicômio são comunidades, não comunidade.
Exige a organização de uma coletividade que se compreende como pertencentes a uma mesma família, em torno de uma série de trabalhos onde cada um cumpre uma função para construir as condições para a vida.
Sua rede, seus contatos, seus seguidores ou mesmo seus clientes, eles não são sua comunidade.
Pois comunidade é família e família não desata laços como os nós de uma rede.
Família não bloqueia na lista dos contatos, família não exclui seguidores.
Família não descumpre acordos como se fossem prestadores de serviços e contratantes.
Você pode se desgarrar da sua família e até ser adotado por uma outra, assim como um órgão pode ser transplantado para outro corpo ou um animal e planta adaptado a um outro ecossistema.
Mas você jamais fará isso ileso.
E, ainda que o transplante seja bem sucedido, há sempre o risco de rejeição do organismo onde esse órgão do outro corpo foi inserido?
E entre o órgão e o corpo, qual será preservado?
O princípio africano da comunidade é assentado sobre a organização dos membros com funções e atributos definidos, membros esses dispostos em uma estrutura hierárquica e tendo como ponto de ligação os modos e afetos familiares, para que, no fim das contas, o valor do indivíduo e a sua noção de humanidade seja equivalente aos trabalhos.
Realizados em uma instituição que existe como parte de um complexo sistema que edifica uma nação.
É por isso que eu não boto fé naqueles que se dizem lideranças e intelectuais, artistas ou representantes dos negros.
Mais que os seus trabalhos estão vinculados a estruturas brancas e seu trabalho não é regulado ou responsável pela organização de pessoas negras para a melhoria das nossas condições de vida sem os brancos, seu estado e suas corporações.
E se eu fosse você?
Se.
Esse papo se pegou.
Essa visão começaria a repensar naqueles que seguem o toma como referência de militância e intelectualidade na nossa, ainda por construir comunidade negra
e onde se insere o amor de gay, bi nut nessa arquitetura vital?
Embora chu seja o ar que respiramos, a atmosfera de pensamentos e sentimentos onde paira o nosso espírito, ele não oferece o Esteio para os seres vivos se desenvolverem, apesar de tefnut ser a água a partir da qual a chuva molha a superfície e se acumula em meio a chu.
Ela igualmente não é densa o bastante para que as várias formas de seres viventes que emandam da energia de Atom possam existir e interagir entre si.
Ao darem nascimento a gib, o mundo adquire um espaço físico concreto materializado, com densidade suficiente para as plantas fincarem suas raízes, o.
Os animais repousarem suas patas e os humanos fixarem sua civilização.
Ao darem nascimento à noite, o mundo ganhou um teto que encobrirá a sua alma de estrelas a dançarem a incadência, a regularidade e correlação com os processos da vida, e um oceano celeste no qual abarca de átom poderá navegar e de lá energizar de vida e luz as suas criaturas para que a vida possa permanecer ali.
Comentada, forte e em expansão, Gaby e noite, ao serem gerados por tefno de chu, formam a morada da vida, o alicerce e o teto.
A base e a cobertura, o fundamento e a envergadura da vida que podemos alcançar enquanto criaturas.
O amor do céu e da Terra contém a filosofia da continuidade, já que dá o terreno a partir do qual a vida brota e se desenvolve, assim como a abóbada com o mapa da direção para realizar o que a cada forma de vida cabe.
E por ser morada, esse amor precisa ser o mais visceral possível.
Assim, não será uma ventania, terremoto, incêndio ou enchente que a levará embora.
E a única força capaz de superar a qualquer cataclisma é o amor.
Só que o amor de Gaby para cumprir a sua função na cosmogonia de nu não pode ser apenas um amor de completa comunhão a todo custo.
Do contrário, como o átom o Sol criador.
Vai vitalizar o mundo, então se faz necessária a intervenção de para dar esse espaço de respiro no fôlego do amor para que, aí sim, atam com seus raios solares.
Energize de vida e força todo o mundo.
Sem o Sol, não há solo fértil capaz de brotar toda a pluralidade de vida no mundo.
Sem a chuva, as sementes e os filhotes não podem se hidratar e metabolizar os nutrientes necessários à vida.
Sem o ar, os seres vivos não podem fazer as trocas gasosas fundamentais ao metabolismo e equilíbrio dos organismos.
Além disso.
A vida apresenta outra grande faceta para ser realizada, a regularidade do tempo e a proporção do espaço.
Se nude permanecesse ostensivamente deitada sobre Gabe, a vida não teria como brotar, se áton do céu jamais desaparecesse a vida não teria como ser gestada ao engolir áton.
Nute da fertilização de Gaby a escuridão da noite para gestar o renascimento na manhã seguinte, enquanto navega por dentro de nute átom, ao mesmo tempo se renova, se rejuvenesce e, como resultado, recrudesce ao momento fetal, no qual o grande ato criador se resume ao renascimento, e enquanto o quebre desponta do útero de nute, o Sol é parido do ventre do céu.
Ergue se no Horizonte à altura das águas e abre um caminho de luz sobre elas, até nós que saudamos, quebre em seu nascente, sem essa regularidade cíclica da luz do dia e a escuridão da noite, sem a proporção entre a vastidão do céu e a materialidade da Terra, tudo que viesse a vida não continuaria.
Pois 1 hora o alimento faltaria, assim como dificilmente se reproduziria e não haveria Terra onde a semente seria cultivada.
O sexo sozinho não gera.
Precisa da longa noite de gestação para que o óvulo fecundado vire um bebê.
Cavar e plantar, por si só, não gera uma árvore.
Necessita da escuridão e umidade do fundo da Terra para brotar a frondosa árvore tão desejada.
Uma ideia não se converte em produtos sem o trabalho duro na escuridão que a oficina oferece.
A vida não acontece só pela disposição do espaço.
Do tempo e das atividades que produzem as coisas.
É preciso o silêncio, a escuridão e o repouso para fazer valer o trabalho da criação.
Essa é a lição de circularidade para que a vida possa ser renovada, continuada e multiplicada em abundância por toda a eternidade.
Eternidade essa que nenhum ser vivo experimenta sozinho.
Mas como parte de uma grande cadeia de ancestralidade que começou muito antes dele e continuará após sua existência.
Mas se engana quem pensa que esse processo é linear.
Ele não obedece a um caminho reto, onde passado, presente e futuro são pontos estanques que não se ligam anão ser pelo meio essa dinâmica de existir, onde o que está no alto se deita sobre o que está no baixo.
O que era luz se torna sombra, e dessa sombra brota luz.
Ela não conduz o tempo como uma escada ascendente, onde o novo sempre supera o antigo.
Não por acaso, é chu, o pai de nutt, que abre espaço para atum poder cumprir seu papel cósmico.
O tempo para filosofia, que é médica, é cíclico e se estrutura como uma espiral.
Ele gira, retorna, se repete, mas nunca no mesmo lugar.
Cada ciclo traz o que já foi, mas sob uma nova forma, assim como Atom, que renasce todo dia, jamais o mesmo.
À noite ele é engolido por nute, viaja dentro dela.
Ao amanhecer, nasce de novo, agora como quebre o Sol que se transforma, a vida que se manifesta.
É esse ciclo, onde cada retorno é diferente para aqueles que trabalharam durante o contorno, que gera evolução pelo paradigma que é médico de pensamento, pois se tudo fosse linear, a vida seria apenas um acumulado de dias e não a experiência de viver dia após dia, a eternidade de ser vivo e realizar na vida a nossa existência enquanto criaturas do grande Deus solar átom.
Nos episódios 5758 e 59 do cambiccast.
Eu tratei da condição de incompletude da existência humana, própria filosofia africana.
Naqueles episódios, eu contei para você como essa noção se constrói em uma série de argumentos que tiramos das mitologias africanas quando as analisamos em comparado, em geral, o entendimento é o seguinte, é comum as mitologias africanas, que é a origem do mundo CDA, partir de uma fonte criadora e que vai gerar todas as outras divindades.
Essas divindades serão responsáveis por agir nos diversos aspectos da natureza, da sociedade, do organismo e da psicologia humana.
Essas divindades serão mais poderosas que os próprios seres humanos, por exemplo, mas jamais tão poderosas quanto o ser supremo.
Primeiro, porque se as divindades fossem completas e tivessem todos os poderes cósmicos, seriam todas idênticas e, portanto, uma só.
Segundo, que se tivessem todas as divindades, tivessem todas as forças, seriam tão poderosas quanto ser supremo, e o próprio criador deixaria de ser supremo, já que supremo é que nem topo e apenas um pode estar nesse lugar.
Terceiro, que se elas fossem todas dotadas de todas as forças, assim como ser supremo.
O próprio mundo seria o próprio ser supremo, e até mesmo a distinção entre elas e o ser supremo se diluiria.
No fim das contas, a incompletude das divindades é uma dádiva do criador, para que elas possam ter uma existência própria e contribuam de maneira única na grande ordem cosmológica.
E isso não é diferente entre os humanos, pois pense você que os humanos são seres vivos, assim como as plantas, os animais, e de uma compreensão filosófica nossa.
Os minerais, assim como as forças da natureza, são formas de vida.
O ser humano, único entre os seres vivos mortais, dotado de vontade de palavra, é aquele responsável por manter a ordem da natureza, a continuidade da existência das outras formas de vida.
E a força dos deuses através dos cultos.
Mas isso não faz de nós superiores, já que a continuidade da nossa forma de vida depende da continuidade de todas as outras formas de vida.
Sem falar que é do fortalecimento das outras formas de vida que a nossa será fortalecida e vice versa e mesmo entre nós, em todas as nossas pluralidades biológicas e sociais.
Nós alimentamos uma relação de interdependência entre nós, tal que o fortalecimento de um será o fortalecimento de todos, assim como o enfraquecimento de todos será o enfraquecimento de um.
Se pegarmos novamente o mito de Gaby e nout, a vida nesse mundo não seria possível sem essa interdependência do macho e da fêmea.
Se colocarmos gib em nute na perspectiva da grande família, que é a cosmogonia de yunu, a gente vê que o mundo como conhecemos não seria possível, já que uma série de forças necessárias a sua atividade e ordem também não existiriam.
O homem depende da mulher tanto quanto a mulher depende do homem para a vida acontecer.
Homens Fortes e mulheres fracas não fazem famílias Fortes.
Mas famílias quebradas, mulheres Fortes e homens fracos não constroem igualdade de gênero, levam uma nação aos frangalhos.
A oposição complementar nos leva a viver em comunidade para que, pelo laço de solidariedade e reciprocidade, a gente supra as necessidades e desejos uns dos outros com justiça e equilíbrio.
A vida em comunidade faz com que a nossa condição de incompletude individual seja superada na diversidade organizada em um propósito comum, obedecendo a uma hierarquia dada pela função de cada um em vista da vida de todos.
Indivíduos Fortes são extremamente importantes para a comunidade, mas igualmente danosos quando agem pelo individualismo, esses não põem suas habilidades únicas a serviço de todo.
Mas buscam fazer com que todos satisfaçam as suas necessidades individuais.
Ao mesmo tempo, uma comunidade forte é imprescindível para ver indivíduos desenvolvidos ao máximo em suas capacidades, pois o que há de melhor na comunidade servirá para nutrir e fazer crescer cada potencialidade inerente a cada um, se nute não for suficientemente estrelada e firme lá no alto.
A barca solar de Atom não terá por onde navegar para iluminar e energizar de vida ao solo.
Se geb não for suficientemente sólido e fértil, nem mesmo toda a luz do Sol do dia, nem mesmo todo o amor do céu à noite será capaz de fazer fecunda vida na Terra.
E nenhum desses seriam capazes de criar uma morada da vida que fosse funcional o bastante para que a civilização nascesse de al sar e al set se shu we tefnut enquanto forças intermediárias entre o alto e o baixo, não fossem a coluna de sustentação dessa arquitetura da vida que o mundo é.
E que vemos representada de maneira única na cosmogonia de unu.
A incompletude é uma dádiva do criador para que cada força da natureza tenha uma identidade própria.
Na grande família cósmica, a incompletude é uma dádiva do seu supremo, para que os seres humanos possam se desenvolver em sua máxima plenitude, pela convivência uns com os outros e com todas as outras formas de vida.
Gabby nuts são a maior história da morada da vida que só o amor é capaz de construir.
Amor esse, por outro lado, que esses irmãos amantes ensinam que só trará essa tão desejada vida quando realizar por dentro da sua família, por dentro da sua própria nação, pois acreditar que o amor é um ato do mero desejo individual, reduzi lo a satisfação individualista e não elevá lo a sua função sagrada.
De perpetuar a vida da sua comunidade.
O que é o podcast do projeto de filosofia africana que eu venho tocando há pouco mais de 2 anos.
Além desse programa, eu também promovo estudos online, realizo cursos e dou aulas particulares de filosofia africana.
Inicialmente a tradição quemética, inclusive no mês passado eu realizei um curso online que se chamou as origens queméticas da filosofia cristã e a turma que chegou no encontro em povo tanto sobre estudar a filosofia quemética através dos mitos que estamos montando um ciclo de estudos só sobre teologia quemética.
Ele vai se iniciar agora em julho, vai até dezembro, com encontros mensais para a gente discutir o que foi estudado nas aulas gravadas e textos que eu deixarei disponível.
De estudo prévio ao longo do ciclo.
Então, se você deseja aprender sobre a nossa tradição de pensamento junto dos nossos, vou desenvolver um estudo personalizado a partir da filosofia africana comigo.
Me chama lá no meu Instagram que eu vou deixar aqui na descrição do episódio, tá bom?
Não deixe de seguir o programa para sempre ser notificado assim que sair um novo episódio.
E também aproveita para indicar o episódio de hoje, aquele Pretinho, aquela pretinha que vai gostar de brincar de céu na Terra.
Com você, sexta que vem eu estou de volta.
Está bom com mais um episódio do Cambridge, o seu podcast de filosofia africana aplicada à nossa vida cotidiana.
Até até.
Podcast Summary
Key Points:
O episódio apresenta o mito kemético da criação, focando no amor entre Geb (a Terra) e Nut (o Céu), e como sua separação forçada por Shu (o ar) permitiu a ordem cósmica e o ciclo diário do sol.
A narrativa ilustra princípios fundamentais da filosofia africana, como a comunidade organizada, a complementaridade dos opostos, a dinâmica cíclica e espiralar do tempo, e a incompletude como condição da existência.
O apresentador contextualiza o mito dentro do "Quilombo Coto", um projeto dedicado à filosofia africana aplicada, e anuncia a "Semana da História Preta", um evento online exclusivo para pessoas negras que discutirá descolonização e figuras históricas.
Summary:
O episódio do podcast "Cemet Cast" introduz a "Semana da História Preta", um evento online exclusivo para pessoas negras que, em junho de 2025, discutirá processos de descolonização africana e o centenário de figuras como Malcolm X e Frantz Fanon. Em seguida, o apresentador narra o mito kemético da criação, começando com Atum, a divindade solar que emerge do caos. Atum gera Shu (ar seco) e Tefnut (umidade), que, por sua vez, dão origem aos amantes Geb (a Terra) e Nut (o Céu).
Seu abraço era tão intenso que não deixava espaço para a vida. Por ordem de Atum, Shu se interpõe para separá-los, permitindo que o sol (Atum) navegue pelo céu e vitalize a Terra. Nut engole o sol ao anoitecer, que renasce de seu ventre ao amanhecer como Khepri, completando o ciclo diário.
O mito ensina lições profundas: a vida depende de uma comunidade organizada de forças complementares (não idênticas), a dinâmica do tempo e da criação é cíclica e espiralar, e a incompletude é inerente à existência. O apresentador critica visões superficiais de "comunidade", defendendo que, na tradição africana, ela se assemelha a uma família hierárquica com funções definidas, voltada para a geração e manutenção da vida.
FAQs
É um evento exclusivo para pessoas pretas que ocorre na última semana do mês, oferecendo 5 aulas online sobre história africana, com foco em personagens, datas comemorativas e processos de descolonização.
Para participar, basta acessar o formulário de inscrição disponível na descrição do vídeo e preenchê-lo.
O episódio aborda o mito do amor entre Gaby (a Terra) e Nute (o céu), explorando lições sobre ancestralidade, comunidade e vida na cosmogonia kemética.
Áton é a divindade solar que emerge do caos, iniciadora da ordem cósmica e responsável pela criação de outras divindades, como Shu e Tefnut, que deram origem ao mundo.
O princípio enfatiza que a comunidade deve ser organizada como uma família, com funções definidas e hierárquicas, visando a melhoria das condições de vida coletiva, não apenas um amontoado de indivíduos.
Foram separados por Shu (o ar) para que Áton (o Sol) pudesse navegar pelo céu e energizar a Terra, permitindo que a vida brotasse e se desenvolvesse.
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