O episódio do podcast "Margens do Caderno" aborda a ambição sob uma perspectiva crítica, desafiando a visão tradicional que a associa a ascensão rápida, visibilidade e produtividade excessiva. A apresentadora Fernanda Lassale reflete sobre como as redes sociais distorcem esse conceito, transformando a busca por sonhos em uma competição pública e exaustiva, sem linha de chegada. Ela introduz o termo "ambição tranquila" (quiet ambition), que valoriza realizações alinhadas ao ritmo pessoal, saúde mental e tempo de qualidade, sem abrir mão de competência ou propósito. Exemplos incluem profissionais que abrem mão de cargos altos para cuidar da família, mudam para o interior ou priorizam hobbies em vez de renda extra. A discussão também destaca diferenças culturais: no Brasil, influenciadores digitais exercem forte influência sobre padrões de consumo e estilo de vida, enquanto em outros países esse fenômeno é menos intenso. Por fim, o episódio aborda como a Geração Z está redefinindo o sucesso profissional, recusando promoções que comprometam o equilíbrio vida-trabalho, o que obriga empresas a repensarem estratégias de recursos humanos. A mensagem central é que a ambição não precisa ser barulhenta ou exaustiva; existem formas silenciosas e corajosas de buscar realização, respeitando limites e valores individuais.
Questionando a Ambição Tradicional e Suas Definições
Ambição será que eu tenho?
Será que você tem?
Nos ensinaram que a ambição é subir mais alto, mais longe, cada vez mais rápido.
E pode ser que, por essa definição, muitas pessoas se perguntem se são ambiciosas ou não, porque parece que elas não se encaixam muito nisso.
Será que toda ambição brilha?
Será que existem ambições silenciosas?
Será que existem ambições que não viram um destaque no LinkedIn, uma manchete nos jornais ou um post incrível no Instagram?
E se para algumas pessoas a ambição for justamente o contrário do que nos ensinaram, e se a verdadeira coragem estiver em baixar o ritmo?
Oi, eu sou Fernanda lassale e este é o margens do caderno, um podcast sobre tudo aquilo que a gente pensa, sente a rabisca, mas nem sempre publica aqui eu venho falar comigo e com você sobre o que fica nas entrelinhas da vida real.
Já vamos no episódio 7 da primeira temporada do margens do caderno.
Dá para acreditar nisso, gente?
E eu quero, antes da gente começar o nosso tema de hoje, aproveitar para agradecer você que está escutando, que está aqui desde o primeiro dia ou que chegou ao meu podcast agora graças ao compartilhamento de alguém.
Ou pelos algoritmos?
Enfim, não me importa, mas muito obrigada por ter cedido um espaço aí do seu tempo pra mim.
E é muito importante contar com seu apoio.
Eu sei que você pode estar vendo da televisão ou simplesmente escutando rápido enquanto vai pra algum lugar ou faz alguma outra atividade, mas se você puder aí dar um espacinho pra me dar um like, um comentário, dizer o que você tem achado, se você quiser propor algum tema pra gente conversar, vai ser ótimo.
Eu vou adorar saber a sua opinião.
Para poder melhorar o margens do caderno a cada dia e deixar ele ainda melhor para você, tá bom?
Não esquece que você pode me seguir nas redes sociais.
Estou em todas elas como fella sale e.
E que também existe o Instagram do podcast margens do caderno.
Por lá você confere não apenas os cortes do episódio, mas você pode ver também posts relacionados ao conteúdo, os livros ou outras indicações que eu dou por aqui.
E a gente pode se alimentar ainda mais das nossas conversas.
Como as Redes Sociais Distorcem o Conceito de Ambição
Agora vamos para o tema do nosso episódio, que está anotado aqui no meu caderno.
Aconteceu uma situação específica que eu já vou contar para vocês daqui a pouco e fez com que eu anotasse essa palavra aqui porque eu pensei, preciso.
Conversar disso lá no podcast, que é justamente ambição.
Eu sempre achei gente que essa palavra tem um peso muito forte e nos últimos tempos comecei a pensar que existe até uma distorção digital por trás dela.
Ambição para mim é uma palavra de 2 caras assim, sabe?
De um lado tem a força, a determinação, o propósito, o movimento para conseguir alguma coisa.
E do outro lado, eu acho que ela tem uma carga de excesso de produtividade tóxica, de comparação e até mesmo de culpa.
E se a gente for olhar para as redes sociais, eu acho que aí então é que esse conceito bagunçou de vez, sabe?
Hoje parece que se você não chegou naquele lugar onde.
Todo mundo muito entre aspas, onde todo mundo chegou, parece que se você não foi, né?
Não está naquele nível, você não tem ambição, você é um fracassado, você não tem determinação, você não é disciplinado, você literalmente não tem ambição, você não sonha por mais, então você não realiza e aí é onde eu acho que a gente precisa parar para pensar um pouco, sabe?
Porque parece que a internet transformou o tal do siga os seus sonhos em.
Em uma corrida pública, em uma maratona assim, onde a todo momento as pessoas precisam competir umas com as outras, inclusive nós.
Até já temos um episódio aqui nessa primeira temporada que fala do efeito das redes sociais no que os estudos estão chamando de cérebro apodrecido, que não chega a ser um diagnóstico, mas é exatamente as consequências de tanta influência, de tanto conteúdo e do vício das telas.
Tem causado mesmo no nosso cérebro, na nossa capacidade de crítica, de pensamento e até de interpretação das coisas.
E o maior problema é que essa corrida, né?
Essa maratona por trás da da, do, do conceito de ambição.
Ela não tem uma linha de chegada, né?
Nunca tem um fim.
Quem está sempre visível, cada vez tem que ficar ainda mais visível, porque se não é esquecido.
E a.
Aquela pessoa que só quer paz em algum momento.
Eu acho que eu acaba se perguntando, como eu também já fiz algum dia.
Se está vivendo certo, sabe?
Se.
Se está desistindo o tempo inteiro, se se você não é uma pessoa acomodada de repente.
Se, sei lá, você pode estar só respirando e não vivendo de verdade, aquelas crises meio existenciais que em algum momento todo mundo já viveu, vai viver.
E aí eu sempre fico pensando que isso tem um peso maior para nós, que somos da geração Millennium.
Porque nós somos justamente aquela geração que viveu a transição, né?
Do analógico para o digital.
Então nos venderam o mundo.
Cheio de sonhos, de possibilidades, de Liberdade, de Conquista e que não é muito assim ou é assim até a página 2, não?
Nós da geração milênio, nós crescemos acreditando que o sucesso era uma equação matemática que funcionava mais ou menos assim, trabalho duro, mais talento, mais autenticidade, é igual a realização.
E aí eu não preciso nem dizer para vocês que a conta não fechou, né?
Por isso tem tanta gente que está frustrada e está se comparando o tempo inteiro, a conta não fecha.
E isso por coisas óbvias, né, gente?
O mercado mudou.
Da geração dos nossos pais para nossa, a estabilidade cada ano muda de conceito, de categoria ou fica menos acessível?
E a comparação com a vida alheia ou com as vidas supostamente perfeitas que a gente acompanha no mundo online?
Virou rotina.
Eu estava até conversando com os amigos esses dias sobre o fato de que nós nos acostumamos a medir a competência ou o sucesso pelo pelo barulho ao redor que está acontecendo, sabe?
Pelo tanto de movimento ou pelo tanto de de furor que aquilo está causando.
Como se o barulho, né?
O excesso é, é é esse Monte de evento, esse Monte de coisa, o tempo inteiro.
Fosse o sinal claro.
De um resultado, de uma ambição, de um resultado de algo que deu certo, de um sonho que foi perseguido.
Mas também existe o que a gente já falou aqui AA aquela frustração silenciosa, né?
Que que é o silêncio por parte da maioria das pessoas de que seguir um sonho, conquistar esse sonho custa caro demais.
E.
E aí a gente volta naquela pergunta, como equilibrar essa conta?
Descobrindo o Conceito de Ambição que Respeita Seu Ritmo
Como nós podemos continuar sendo ambiciosos, né?
Porque a ambição bem canalizada, ela é algo positivo.
Então, como conseguir ser ambicioso sem achar que tudo aquilo que nós temos ou queremos, porque os sonhos são individuais, as motivações são diferentes para cada pessoa, sem achar que tudo isso é pouco comparado ao que a gente vê por aí.
Tem tanta exaustão por trás desse assunto que nos últimos meses ele ganhou até um termo Internacional, que é o quaireum biction, que traduzindo é ambição tranquila.
E eu andei lendo vários artigos internacionais, principalmente porque eles também têm uma certa ligação com o estudo do comportamento da geração ZE esses estudos e artigos falam que esse desejo do ser humano de continuar realizando sonhos, de continuar conquistando suas coisas, ele permanece, mas para algumas pessoas.
Só vale a pena se couber, né?
Se esse sonho ou se essa realização couber no próprio ritmo da vida, que pode ser um ritmo muito mais contido ou muito mais lento do que para maioria.
E isso se denomina como uma ambição tranquila e no fundo, não é uma desistência, uma preguiça ou uma má vontade.
Não é apenas o discernimento ou até mesmo o autoconhecimento da pessoa.
Saber que, por exemplo.
É o Que Ela Quer, que determinados sonhos ou determinadas realizações não valem o preço que se paga.
Ou dela querer exatamente até uma vida mais simples, né?
E isso, traduzido no ambiente de trabalho, pode significar, por exemplo, que algumas pessoas, elas não medem o sucesso profissional.
É apenas pelo valor do salário ou pelo cargo que elas ocupam.
Muitas vezes isso nem importa.
O que vale para elas é, obviamente, ninguém vive de vento, tem boletos para pagar.
Porém, muito mais do que a visibilidade, os títulos, a exposição ou uma vida insana, ou uma correria, ou o tempo inteiro só falar disso ou só respirar trabalho, essa conta ela só vale a pena.
Ou esse crescimento só vale a pena se estiver associado a uma saúde mental, a um tempo de qualidade para o que ela gosta, para a família, para os amigos.
É um equilíbrio na conta, sabe?
Não é nem ficar esperando só a descoberta de um propósito para trabalhar e achar que é sucesso.
Se bem o propósito é importante, é muito gostoso quando quando você descobre ou pode colocar um propósito nesse caso na sua carreira.
Mas a gente sabe que só propósito em si ou só se apaixonar pelo trabalho, como as pessoas dizem, não enche barriga, né?
Então, essa ambição tranquila, né?
Esse termo, ele está muito mais ligado àquele tipo de pessoa que ela tem.
Ela sabe muito bem o que ela quer para vida dela, o que ela quer realizar, mas ela não abre mão.
Da saúde mental, do tempo de qualidade para ela, para as pessoas, para o que ela gosta.
E isso não quer dizer que ela não vai fazer as coisas com competência ou com propósito.
E que ela não vai dar o melhor dela.
E que em algum momento não vai ter que sacrificar alguma coisa ou se doar mais.
Porém, essa, esse sacrifício constante, essa exaustão, não faz parte do estilo de vida dela.
Ao contrário de outras pessoas, onde parece que a exaustão e o excesso de produtividade tem que estar ali o tempo inteiro.
E, honestamente, eu acho que existem muitos casos de ambições mais tranquilas.
É que de novo, por estarmos com o celular na mão o tempo inteiro nas redes sociais, ou se comparando com a grama do vizinho, que parece ser sempre mais verde, a gente não dá tanta atenção.
Ou não.
Nota tanto isso, né?
Mas, por exemplo, com certeza você conhece alguém que trabalhava numa grande empresa, que lideravam uma equipe, mas que pediu, por exemplo, para renunciar o cargo ou até mesmo mudar de carreira ou ficar sem trabalhar, porque para essa pessoa, o mais importante naquele momento ou a partir daquele momento era cuidar do filho, da filha, é?
Essa pessoa, ela ainda ama o que faz, eu não tenho dúvidas disso.
Mas ela escolheu Viver A Vida a partir desse episódio, né?
Que nesse caso é a maternidade, num ritmo que é sustentável para ela.
E.
E equilibrando valores que passaram a ser mais importantes.
Agora pode ser também que você conheça alguém que, sei lá, tinha um emprego numa cidade grande como São Paulo ou qualquer outra e trocou tudo isso por um trabalho home Office no interior.
Pode ser até que essa pessoa hoje ganhe menos do que ela ganhava.
Mas de repente é uma pessoa que voltou a dormir, voltou a cozinhar, voltou a ter tempo para os amigos, para si mesma, voltou a tocar violão, a fazer um hobby.
A vida ficou menor, vamos dizer assim, mas.
Isso ficou muito mais a cara dessa pessoa, sabe?
Pode ser que você conheça alguém que antes além de trabalhar, fazia freelancer, né?
Para complementar renda e decidiu abrir mão dessa segunda renda para, sei lá, realizar o sonho de escrever o próprio livro.
Ela nem sabe ainda se esse livro vai ser publicado, mas o simples fato de saber que agora ela vai ter tempo para poder se dedicar a esse projeto e criar é.
É colocar vida a um tipo de ambição tranquila que faz toda diferença para ela.
Minha Escolha de Não Viralizar e Diferenças Culturais na Ambição
Ou inclusive, no meu caso, eu vou aqui confessar para vocês que faz, vocês sabem, né?
Quem quem tá comigo há mais tempo sabe que só aqui para vocês.
Eu crio conteúdo há 14 anos, mas eu trabalho com marketing há 21 anos.
Então, criar conteúdo nos infinitos formados que ele já existiu, é está comigo desde sempre.
Mas desde que eu comecei a criar conteúdo para internet, há 14 anos atrás, até hoje, até hoje, eu escuto de influências que eu acabei conhecendo no caminho ou empreendedores que usam bastante as redes sociais.
Me falando assim, fê, eu não consigo entender como você, que tem todas as ferramentas de marketing, conhecimento na mão, como você não viralizou, como você não quis usar tudo isso para.
Para crescer, para ser mega conhecida, para viver disso e tal.
Mas é porque isso não faz parte da minha ambição.
Viralizar não é o meu sonho de vida.
Aliás, eu já falei isso até no meu Instagram.
Assim, o meu pior medo, ou, ou melhor dizendo, uma coisa que eu fujo muito é de viralizar.
Não é o que eu quero, porque para mim.
É o que eu busco realmente para minha vida.
É poder compartilhar conhecimento, conversar com as pessoas e tal.
E uso a internet claramente para isso.
Mas eu nunca tive a intenção de fazer disso o meu trabalho para outras pessoas.
Isso é o que brilha os olhos e deu certo para elas.
E é o que elas querem fazer.
Mas eu não quero, porque eu sei o preço que isso exige.
Para algumas pessoas, criar conteúdo pode ser a coisa mais fácil do mundo e viver de conteúdo.
Mas não é assim.
São horas renunciadas.
São sacrifícios feitos.
Tem uma parte.
Legal por trás.
Tem benefícios?
Tem privilégios?
Sim, mas também tem muita Renúncia de qualidade de vida, de tempo com a família, de exposição de pessoas se metendo na sua vida, de crítica, de de de muita exposição, de uma série de outras coisas que causam.
É depressão.
Ansiedade, inclusive, existem muitos influências criadoras de conteúdo renomado.
Que algum dia você seguiu, que fizeram uma baita diferença na sua vida e que hoje já nem trabalham com isso porque viveram as consequências de chegar nesse tal lugar de de ascensão, né?
Esperado por todos.
E eu vou dizer uma coisa aqui que talvez possa gerar um pouco de polêmica, mas não tem como falar de ambição sem falar de diferenças culturais.
E eu não estou apontando aqui.
Já quero deixar claro que não é um ataque a uma cultura ou outra, mas existem algumas coisas que são mais Fortes em determinada cultura do que em outras.
É inevitável.
E eu percebo muito isso depois de morar fora, né?
Existem diferentes tipos de ambição, diferentes formas de ver uma mesma coisa.
Mas eu percebo muito o quanto o status e até mesmo a ostentação é muito forte nas redes sociais brasileiras.
Muito forte.
Para vocês terem uma ideia, é muito diferente ser influencer no Brasil?
Do que ser influencer no Chile é do que ser influencer no Canadá.
É influencer nativo que eu digo, tá, não um brasileiro que vai para outro país e tal, porque a cultura brasileira continua indo com ele.
Mas é é muito diferente em vários países nesse sentido, porque, óbvio, existe a necessidade das marcas de usar os influencers para crescer.
Existe todo aquele conceito por trás do que é ser um influencer.
Algumas coisas ali preestabelecidas para a profissão.
Mas no Brasil, os influências realmente ditam uma cultura.
As pessoas seguem, as pessoas têm eles como padrão.
É inclusive, eles inspiram, como deve ser a casa de quem vai construir uma casa?
Eles inspiram o estilo de vida, a rotina matinal, os hábitos de leitura, os hábitos de consumo, os sonhos, as viagens, os lugares que as pessoas querem conhecer.
Se elas querem ser empreendedoras ou não, se elas querem fazer 1000000 em 7 dias, conforme eu for falando.
Eu tenho certeza que você já viu um Monte de carinhas conhecidas Na Na sua cabeça.
E eu não estou aqui criticando isso.
Nem nem estou dizendo que isso é ruim.
Só estou dizendo que é muito forte o quanto os influencers no Brasil, eles ditam realmente padrões culturais.
E o quanto isso pode gerar ou um benefício, ou inclusive uma exaustão, a tal da maratona por trás da ambição que a gente comentou aqui no começo do episódio?
Enquanto que existem outras culturas, por exemplo, que os influencer nem ganham tanto assim como ganhariam, o influencer brasileiro nem tem tanto mercado assim para ele se expandir, porque eles não determinam a os comportamentos culturais com essa força potência.
Como acontece no Brasil.
Então, às vezes é importante também a gente olhar outras culturas.
É quando temos a oportunidade de morar fora ou de viajar ou de ler sobre elas.
Não para atacar a cultura brasileira, mas para a gente entender que não é o mundo inteiro.
Que vive uma percepção das redes sociais como a gente vive quando está no Brasil ou quando está imerso em uma outra cultura.
Aquilo é um recorte realmente.
Então, muitas vezes o que a gente denomina como as redes sociais são dessa forma ou a ambição está dessa forma, talvez seja só o recorte geográfico de um determinado lugar.
É claro que existem tendências que são mundiais ou não haveriam estudos, como o próprio término quaireambision.
É como vários outros que a gente já viu aqui no decorrer desses episódios.
Mas entendem o que eu tô falando?
É, existe uma força da internet na cultura brasileira de determinar como é esse mercado, de determinar quem são as celebridades, de determinar as influências realmente, o padrão de consumo, o que é, o que não é tendência, o que é cultura, o que não é cultura, que não é tão assim em outros lugares.
Então, sim, eu poderia.
O que é mais aí aí é que está a diferença.
Isso pode ser uma ambição muito forte para outras pessoas, não é a minha ambição, entende?
E eu acho que é isso que a gente precisa cada vez reforçar mais nas pessoas.
Não é porque algo é muito importante para você e que você persegue isso, não.
É porque aquilo para você é algo muito ambicioso e que te move e tal.
A outra pessoa vai ter o mesmo tipo de sonho ou aquilo vai fazer com que ela se movimente?
Talvez ela não dê importância para aquilo e está tudo bem.
Não significa exatamente que ela seja uma pessoa acomodada, que ela não tenha talentos, que ela não se esforce para outras coisas.
Ela está canalizando o tempo dela, a energia dela em outras coisas que ela valoriza muito mais.
E esses exemplos que eu falei aqui são histórias simples, mas cheias de coragem, de ambições tranquilas e.
E não deixa de ser também um certo tipo de ambição que não é valorizada ou bem vista pela sociedade, né?
Muitas vezes é vista como comodismo, como eu, como eu, acabei de falar.
Mas não deixa de ser também ambições de quem entendeu que sucesso sem paz não deixa de ser também um tipo de fracasso, sabe?
E se você meio que se identifica com a tal da ambição tranquila.
Você já deve ter percebido que não é todo mundo que que entende esse movimento e não se trata de de parar, né?
De uma pessoa que não aspira mais.
É simplesmente sobre escolher o que vale a pena continuar.
Geração Z e a Ambição Tranquila Redefinindo o Sucesso Profissional
Agora, é óbvio que também existem os seus dilemas, principalmente no mundo corporativo.
E agora vocês vão entender por que que eu anotei essa palavrinha ambição aqui nesse caderno para transformar num episódio?
Porque.
Hoje, atualmente, o ambiente corporativo, principalmente recursos humanos das empresas, está tendo que estudar mais a fundo esse conceito, né?
De quairean biction ou ambição tranquila para entender a nova geração.
Eu lidero pessoas.
Parte da minha equipe é bem jovem, está ali entre os seus 2730 anos, 25 anos, é bem jovem.
E são pessoas muito talentosas, pessoas que tiveram acessos a colégios incríveis, que falam 2 ou 3 idiomas, pessoas que estudam muito, pessoas que são já mesmo tão jovem, super especialista na área, na área delas, que estão buscando todos os dias crescer, que são assim, meu Deus, talentos assim incríveis, sabe?
E eu já ofereci para elas a oportunidade de crescer dentro da empresa, de ter uma ascensão, de assumir um próximo cargo, de assumir um projeto mais desafiante e tal.
E já recebi, inclusive, de uma dessas pessoas, um não, 3 × 3 vezes.
E a pessoa não queria.
Ela queria continuar Na Na empresa, mas ela não queria essa ascensão profissional.
Coisa que se você muito provavelmente perguntar para algum millennial.
Dificilmente vai passar.
E aí quando você entra para investigar o que que está acontecendo, você percebe ali que existe realmente uma mudança geracional de não querer, não necessariamente estar trabalhando por promoções.
Não necessariamente querem um novo cargo, um novo título.
Não estou dizendo que todos sejam assim, tá?
Mas existe esse público também, né?
Onde a questão não está no status, eles não medem o sucesso, se se chegam a ser gerentes ou não.
É se vão a determinados eventos ou não, se tem determinados títulos profissionais ou não.
São pessoas que preferem mais o equilíbrio, poder dar o melhor delas em algo que elas possam controlar, em ser super especialistas no que elas fazem, mas não necessariamente estar liderando pessoas, projetos, coisas e ir crescendo nessa forma hierárquica, né?
Dentro da dentro das empresas, elas estão buscando ou.
Outras coisas que geralmente envolvem a saúde mental, o tempo de qualidade, poder investir em projetos pessoais e muitas vezes são profissionais que se sentem culpados ou ameaçados da empresa, por exemplo.
Não estou falando aqui, eu trabalho, tá?
Mas as empresas em geral mal interpretarem o que elas querem dizer, como preguiça, como falta de vontade, como falta de ambição, de não querer crescer, de não querer fazer a empresa crescer, quando na verdade não é isso.
Elas só não querem subir a mesma escada que todo mundo vem subindo há anos para dizer que aquilo é sucesso.
E com essa experiência, né?
Bem de perto que que eu passei, eu comecei a pensar que talvez não se trate nem de subir ou descer uma escada.
Talvez se trate apenas de construir o seu próprio andar, o seu próprio piso ali, sabe?
E agora as empresas vão ter que começar a pensar mais nisso, né?
Em pessoas que querem dar o melhor delas, que querem continuar somando para aquele negócio crescer, mas que querem viver outras coisas também, que não necessariamente estão buscando esses cargos, esses títulos, essas coisas.
Que tipo de benefícios elas vão oferecer?
Como elas vão reter esse funcionário?
E acho, inclusive, que é um questionamento que várias indústrias vão ter que fazer até para o consumidor final.
Talvez hoje as pessoas já não queiram aquela academia renomada, cheia de aulas, cheia daquilo, cheia disso.
Talvez elas queiram simplesmente um espaço onde elas possam compartilhar com as pessoas ou simplesmente algo ali minimamente funcional para os objetivos que elas queiram.
Redefinindo o Sucesso Pessoal e o Poder de Escolher uma Vida Calma
Agora, independente do país onde a gente viva, tenha crescido onde a gente nasceu.
Eu acho que é super importante nós, a essa altura da vida, começar a nos perguntar ou redefinir o que é sucesso para nós, não em base ao que nos dizem sobre o que é sucesso.
E essa pergunta é muito necessária, porque você mesmo pode se surpreender com a resposta, talvez o que era sucesso para você a 10. 15 anos não seja sucesso mais para você hoje.
Nós vamos mudando com o tempo, então é ainda mais necessário se fazer se auto perguntar algumas coisas para não ficar a mercê do que é dito nos lugares.
Não tô nem falando agora só de internet, mas daquilo que te venderam como sucesso profissional, sucesso familiar, sucesso com seus filhos, sucesso de relacionamento, de amizades, de conquistas, de patrimônio.
Porque talvez a gente tenha confundido mesmo ambição com velocidade.
Mas velocidade nem sempre é direção.
É só um ritmo que foi marcado ali.
E eu já experimentei várias vezes na minha vida situações em que para crescer eu precisei desacelerar.
E esse crescimento pode ser tanto profissional, monetário como pessoal mesmo.
Então, se a sua ambição for simplesmente viver uma vida mais calma com coisas que você tenha sob controle.
E não sobre tudo aquilo que aparece para você na internet, na TV, no, no seu vizinho, onde seja, tá tudo bem.
Você não é necessariamente um acomodado, você não é uma pessoa sem visão.
Você só precisa mesmo ir aceitando de que talvez você encare a vida de uma outra forma que não é massiva.
Mas se é relevante para você, se traz os resultados que combinam com seus valores.
Tá tudo bem?
Você só está sonhando com o tipo de sucesso que ainda não inventaram uma métrica para medir.
Chegamos naquele momento do episódio, que é o quadro lembrete, onde eu indico aqui algum material, música, documentário, livro, enfim, que tem a ver com esse assunto para você desenvolver mais aí quando o episódio acabar.
E hoje?
E eu quero indicar esse livro fantástico.
Comece pelo porque ele é um livro que, se bem em boa parte dele, está pensada em carreiras profissionais, em liderança ou em ou em como as empresas devem se posicionar para crescerem cada vez mais.
Ela tem.
Ele tem muitos insights sobre a vida pessoal e sobre ambição de um modo geral, que é justamente para você começar a se perguntar o porquê de tudo que você decide na sua vida.
Então, na próxima vez em que você, por exemplo, questionar algo sobre o seu trabalho, por quê?
Por que você trabalha com o que você trabalha?
Por que você decidiu que para ter sucesso na sua vida, ou que sucesso na vida é aos 40 anos, estar casado, com filhos em tal cargo, et cetera?
Por quê?
Por que você acha que ganhar mais dinheiro vai te dar mais Felicidade?
Não estou dizendo que o dinheiro não traz isso, mas é justamente essa a provocação que o livro traz tudo.
Tu começa com um porquê e geralmente a gente faz o contrário.
A gente começa com o quê e o como.
Bom, então o quê seria?
Por exemplo, eu eu sou muito talentosa para tocar piano.
Como eu faço isso?
Com o piano da marca, tal que a madeira é de tal jeito para trazer uma sonoridade específica e ao melhor, melhor piano do mercado e tal.
Mas dificilmente a gente pensa no porquê.
Porque eu toco?
Porque eu decidi esse hábito e não outro.
Porque eu detectei que eu tenho mais talento para isso do que para para qualquer outra coisa.
E nesse mundo onde a gente fala de ambição ou esfregão, o que é uma verdadeira ambição?
Uma ou uma ambição válida na nossa cara o tempo inteiro?
Começar pelo porquê das coisas.
É fundamental.
Acho que você já começou a entender que uma ambição tranquila não é falta de desejo, mas é um desejo com consciência.
Tá tudo bem?
Se ao invés da casa num centro urbano numa grande metrópole capital, você preferiu morar no campo, tá tudo bem.
Se ao invés de ser um empreendedor milionário e trabalho enquanto eles dormem, não fez nenhum sentido para você?
Tá tudo bem se você quer continuar sendo.
Um profissional CLT?
E se dentro dessa profissão, inclusive, você não quer ter o cargo máximo da empresa ou o caminho que parece que é o que todo mundo faz, se você se sente bem exatamente em continuar o resto da sua vida no mesmo cargo que você ocupa hoje, se ele tem intenção, se ele tem propósito, se ele te dá estabilidade, se ele funciona para empresa e se você está feliz, se você é o típico perfil de ambição tranquila, onde eu também me encaixo.
Você só tem que saber que continua sendo uma ambição, que continua sendo um desejo de querer chegar, mas chegar num lugar onde pra você é bom de ficar.
E olha, eu vou te dizer mais.
Talvez o futuro pertença a quem for ambicioso o suficiente para escolher o simples, porque parece que o simples está sendo esquecido.
E é por isso que a gente está vendo tanta gente pressionada, doente, com ansiedade, com tantas coisas.
Tantos novos diagnósticos todos os dias por essa exaustão, cobrança e comparação que está aí na nossa frente todos os dias.
E talvez o novo luxo seja exatamente esse, escolher uma vida que caiba no nosso próprio corpo, no nosso próprio ritmo.
Esse foi mais um episódio do margens do caderno um lugar que eu venho para pensar alto e junto com você, para a gente questionar o óbvio para a gente normalizar algumas coisas, para a gente tentar cada dia mais voltar para o simples.
Eu.
Eu espero que você tenha gostado, comenta.
Aqui pra mim, eu adoro quando você deixa a sua opinião e a gente se encontra por aqui no próximo episódio, no próximo rabisco, onde a gente tenta aí se encontrar todo mundo junto e ter uma vida um pouco mais simples, mais descomplicada.
Está fazendo falta?
Não está não.
Podcast Summary
Key Points:
A definição tradicional de ambição como sucesso rápido e visível é questionada, especialmente diante da distorção causada pelas redes sociais.
O conceito de "ambição tranquila" (quiet ambition) propõe que a realização pessoal pode ser alcançada sem exaustão, priorizando saúde mental, tempo de qualidade e ritmo próprio.
Exemplos de ambição tranquila incluem renunciar a cargos altos para cuidar da família, mudar para o interior ou abrir mão de renda extra para projetos pessoais.
Diferenças culturais influenciam a percepção de ambição
Gerações mais jovens, como a Geração Z, redefinem sucesso no ambiente corporativo, recusando promoções que comprometam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Summary:
O episódio do podcast "Margens do Caderno" aborda a ambição sob uma perspectiva crítica, desafiando a visão tradicional que a associa a ascensão rápida, visibilidade e produtividade excessiva. A apresentadora Fernanda Lassale reflete sobre como as redes sociais distorcem esse conceito, transformando a busca por sonhos em uma competição pública e exaustiva, sem linha de chegada. Ela introduz o termo "ambição tranquila" (quiet ambition), que valoriza realizações alinhadas ao ritmo pessoal, saúde mental e tempo de qualidade, sem abrir mão de competência ou propósito.
Exemplos incluem profissionais que abrem mão de cargos altos para cuidar da família, mudam para o interior ou priorizam hobbies em vez de renda extra. A discussão também destaca diferenças culturais: no Brasil, influenciadores digitais exercem forte influência sobre padrões de consumo e estilo de vida, enquanto em outros países esse fenômeno é menos intenso. Por fim, o episódio aborda como a Geração Z está redefinindo o sucesso profissional, recusando promoções que comprometam o equilíbrio vida-trabalho, o que obriga empresas a repensarem estratégias de recursos humanos.
A mensagem central é que a ambição não precisa ser barulhenta ou exaustiva; existem formas silenciosas e corajosas de buscar realização, respeitando limites e valores individuais.
FAQs
A ambição tranquila é um termo internacional que propõe realizar sonhos e conquistas, mas apenas se eles couberem no próprio ritmo de vida, sem sacrificar saúde mental, tempo de qualidade e relacionamentos. Diferente da ambição tradicional, que foca em subir cada vez mais alto e rápido, ela valoriza o discernimento e o autoconhecimento, não sendo vista como preguiça ou desistência.
A geração Z está recusando promoções que exijam sacrifícios excessivos, priorizando equilíbrio e bem-estar. Por exemplo, jovens talentosos podem dizer não a cargos de liderança para manter um estilo de vida sustentável, desafiando a lógica tradicional de ascensão contínua e forçando empresas a repensarem suas políticas.
Ela afirma que viralizar não faz parte de sua ambição pessoal, pois conhece o preço da exposição: renúncia de qualidade de vida, tempo com a família, críticas e riscos à saúde mental. Prefere compartilhar conhecimento de forma tranquila, sem buscar o crescimento acelerado que outros influenciadores almejam.
No Brasil, influenciadores digitais ditam fortemente padrões de consumo e estilo de vida, gerando uma maratona de comparação e exaustão. Em países como Chile ou Canadá, esse impacto é menor, mostrando que a visão de sucesso é um recorte geográfico e não uma verdade universal.
Exemplos incluem profissionais que renunciam a cargos de liderança para cuidar da família, pessoas que trocam grandes cidades por home office no interior para ter mais qualidade de vida, ou quem abre mão de renda extra para se dedicar a projetos pessoais, como escrever um livro.
As redes sociais transformam a busca por sonhos em uma competição pública e exaustiva, sem linha de chegada. Millennials cresceram acreditando que trabalho duro, talento e autenticidade levariam à realização, mas a conta não fechou, gerando frustração e culpa por não alcançarem o sucesso visível online.
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