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EP. 11 — Futuros possíveis são uma prisão para a imaginação

11m 30s

EP. 11 — Futuros possíveis são uma prisão para a imaginação

O autor critica o termo "futuros possíveis", comum em áreas de inovação e futurismo, por estar atrelado a condições materiais atuais que, em um sistema racista e capitalista, limitam as possibilidades para comunidades negras, periféricas e indígenas. Ele explica que sua abordagem como escritor de ficção científica e afrofuturista não se baseia em previsões ou tendências, mas sim em "impossibilidades" — futuros que rompem com o que é considerado viável pelo status quo. Cita exemplos históricos, como o quilombo de Palmales e as matemáticas negras da NASA, para mostrar que conquistas negras sempre surgiram de sonhos além do possível. Para ele, o afrofuturismo deve explorar o que está "além da imaginação", desafiando as estruturas de opressão. O autor pede que curadores e pesquisadores não o classifiquem no campo dos "futuros possíveis", pois sua produção literária e política reside no impossível, como ele mesmo exemplifica ao se tornar escritor de ficção científica no Brasil, onde isso não é uma tendência. O episódio encerra convidando o público a debater essa perspectiva na comunidade "Periferia do Futuro" no WhatsApp.

Transcription

1747 Words, 10415 Characters

Portuguese
[MÚSICA] Tem um termo que odeio na hora de falar do meu trabalho. Futuras possíveis. E aí, ele é um termo muito comum para a galera de inovação, de futuro, de tecnologia, de política. E, ocasionalmente, eu utilizado para da infasi, a ideia de novos futuros, novas possibilidades futuras, para comunidades negras, marginalizadas, riberinhas, indígenas e tudo mais. Então, ocasionalmente a galera vai me chamar para dar uma palestra. Eu que escrevo ficção científica, a fotofuturista, e tá lá futuras possíveis. Sem me perguntar o que eu acho sobre isso. Então, resolve gravar esse episódio para dizer para vocês o que eu acho dos futuras possíveis. Mas antes, os recadinhos muito legais, porque, como você viu, o podcast está mudando. Pode que este agora se chama periferia do futuro, exatamente porque já é o nome da comunidade que a gente tem no WhatsApp, como de já crescendo, carategente da India, eu queria entender porque a galera da India fica observando o meu podcast, a gente da Colombo, da Venezuela, eu gosto muito dessa intersecção na América Latina. E falta você que tá aqui me escutando para você não tiver na minha comunidade, clicando o link do WhatsApp e andando para lá. E a gente já discute, número dos futuros, ficando futurismo, futurismo indígena, futurismo que nasce na periferia ou a fotofuturismo. Então, por isso, esse podcast pode muito sentido que ele seja essa conversa sobre a periferia do futuro, onde a gente vai trocar algumas ideias aqui, sobre todas essas possibilidades que eu vou dizer para vocês, não na minha cabeça, não tem a ver com futuros possíveis. Até eu fiz um vídeo no Instagram, enunciando um pouco essa discussão. Eu acho que, primeiro, vamos tentar entender o que significa quando as pessoas utilizam esse termo. Eu fiz uma pesquisa bem rápida aqui. A gente, obviamente, agora chama de futuros possíveis. Todos os futuros que podem acontecer à partida com asções atuais, as terias com aqui, porque isso é muito importante para nossa discussão. Então, olha um conceito usado em áreas de estudos de futuro para quem não é do setor de comunicação, o novação do marketing, futurismo, é um campo de estudo dessa comunidade, nem doce, também, utiliza futurismo e tudo mais. Tranejamento estratégico e inovação para lembrar que o futuro não é único, nem inevitável. Agora, qual que é o meu problema com esse termo? Exatamente é nessa definição de futuros que podem acontecer a partir das condições atuais. A perspectiva de quem utilizam futuros possíveis está falando de que é para a gente parar de observar o futuro como uma coisa única e entender que ele é múltiplo. Os futuros possíveis são futuros possíveis para as pessoas de regra, são futuros possíveis para mulheres, são futuros possíveis para a comunidade LGBT. Então, eu entendo essa ótica, desse o que eu não estou empalhidando, ela não estou dizendo que ela é em falha daqui, que você nunca deve utilizar futuros possíveis, mas eu estou dizendo isso não tem nada a ver com o que eu escrevo enquanto escritor de ficção científica, a outro futurista, não é um termo que eu me apropriu para a minha construção de pensamento. Quem eu sigo na minha construção de pensamento é puramente ficionistas. Quando a primeira obra que escreveu sobre robôs e isso 1930, que é russa, na mencana, estava especulando sobre automatos, nem a palavra, exatamente automatos, que já é um conceito que eles tinham um pouco mais antigamente, mas ele é número chamou exatamente de robô. Quando estava especulando sobre o que seria um robô, é muito diferente do conceito de robô que veio surgir em 2006. Hoje, para a gente robôs, são agentes de inteligências artificiais também, sem contar aqueles automatos que têm o corpo de humanos e tudo mais, mas porque eu estou falando sobre isso? Porque o ficionista, quando ele constrói uma imaginação em de futuro, ele não só está preocupado, se aquela imaginação do futuro vai constituir uma realidade. Aqui, na verdade, é um princípio, uma ideia, um imaginário que ele utiliza para discutir temas que estão na sua cabeça, preocupações, utopias, distopias, para às vezes, necessariamente, esticar as bordas da realidade, esticar as bordas do que é possível, a ficção científica, ela é um gênero, que ela nasceu com a Marchele falando sobre vida após a morte, então ela é um gênero que ela tenta romper com as realidade possíveis, em essência, essencialmente a ficção científica, está falando, "Ah, o que existe hoje é uma inteligência artificial?" E se essa inteligência artificial desenvolvei amor, sentimento verdadeiro, você que existe essa discussão na ciência, mas eu estou aqui utilizando ela só para ilustrar para você o pensamento do que é a explicação. E se essa inteligência artificial, na verdade, foi uma inteligência alienígena que veio de um outro planeta, e se, de repente, essa inteligência artificial, como num conto que eu já escrevi chamada a Corre de seus olhos, foi plantada na nossa terra por uma divindade cósmica que está utilizando ela como uma porta para dominar todo o nosso comportamento e depois invadir as nossas mentes. Então, percebei seu pensamento da ficção científica. E quando eu vou falar de afrofuturismo, não estou falando de possibilidades para pessoas negras, não, não estou falando de impossibilidades. E é importante você reparar que estou falando de impossibilidades, porque na minha perspectiva, todo o futuro construído hoje de pessoas negras, que esse futurismo inclusive tendo a chamar de futuro possível, mas foi criado por facistas, isso não é uma literação futurismo nasce do fascismo italiano ou os futuristas se alinharam com o fascismo italiano. Durante o momento que você tinha um racismo científico, que ignorava que pessoas negras também podessem especular sobre o futuro, e é por isso que eu tomo o direito aqui de não abraçar a criticamente os conceitos que vem do futurismo tradicional. Por vários motivos, porque ele é docento, atualmente ele é válido o silício sento que o Estado unidense totalmente esses conceitos, e eu vou falar no episódio falando sobre isso, mas ele não fala sobre as impossibilidades das pessoas negras, quando o óleo para o que foi Palmades, um centro tecnológico de guerra de resistência cultural, Palmades era uma impossibilidade no Brasil. Toda a existência negra é uma impossibilidade que foi construída por pessoas que sonhavam fora dos cenários possíveis. Eu enxergo esse termo de possibilidades como ser seamento dos padrões, quais são as condições materiais para as pessoas negras existirem nesse momento? Essas condições constoem realidades impossíveis para a gente. Então, o áfito do futurismo que eu construo tenta as conectar com essa impossibilidade, e eu não estou falando só por mim que a mãe teve essa dotava a butter, que eu vou compartilhar com vocês que ela diz assim, olha, eu só queria escrever sobre coisas que uma mulher negra não poderia viver no Estado Unido da década de 60. Então, assim, o que uma pessoa negra pode viver hoje? O que esse mapeamento das condições atuais, esse estudo sobre essas possibilidades, sobre essas tendências disso, que a gente pode viver daqui a 10 anos? Isso não faz sentido para pessoas negras. Se as condições atuais dizem que daqui a 10 anos a negras só podem fazer isso, perifébio, só podem fazer aquilo. Se a tendência nos leva a esse caminho, essa tendência num sistema racista, capitalista, imperialista, é uma tendência limitada, uma tendência que nos leva para o limite. E aí, por isso, porque, para mim, futuros periféricos, futuros negros, pensamente, na minha especulação, deve partir de imaginário de impossibilidade, que futuros que não são alcançados, ainda é paramento humano, porque são esses futuros que não foram alcançados paramento humana, que precisam ser instalados no imaginário social, de que todo mundo não achestava que negos poderiam levar homens na lua e três mulheres negras, fizer das contas que conseguido fazer com que o astronauta saísse do nosso atmosfera, que pessoas não achestavam que negos poderiam trabalhar com ciência, pessoas não agitam que negos poderiam ser escritores de fixar o científica. Então esses imaginados tão dentro do que é possível, tão dentro dessa realidade, tão dentro das previsões, e talvez daqui a dois, três, quatro, cinco, dez anos, cinquenta anos, essa tendência é muito pouco, muito muito pouco, porque fascismo é o sistema dinâmico que se atualiza, e que tenta ir a gente viver isso na prática, na questão política, atualmente a gente tem que discutir sobre fascismo e sob nazismo novamente. As forças contrárias da opressão, elas ainda estão vivas, então, para mim, para minha experiência como escritor, eu atuo no campo de romper com os limites das possibilidades, e foi só por romper os limites da possibilidade que eu me tornei um escritor de ficção científica, num país, onde escrever ficção científica não é tendência, onde até hoje, se você fizer amapéamento e estudos de tendências comportamentais, você não vai ter uma pervisão para que nos próximos tinta, quarenta, cinquenta anos a gente seja uma sociedade que seja falando sobre ficção científica, com ela assim. por exemplo. Então eu me tornei escala hoje. Hoje isso é a impossibilidade. Eu não estou no campo das previsões do amanhã. Eu estou fora desse campo. Eu estou além da imaginação. Eu já tinha um nome de uma série clássica de ficção científica. Além da imaginação, é nesse lugar do além do possível que está e que reside a minha produção afro futurista. E é isso que eu queria falar para vocês. E eu acho que esse episódio ele é para geral um debate. Mas sim é uma oposicionamento de como eu vou lidar com isso. E vou deixar aberto para você comentar o que é o que vocês comentem. Não só aqui, mas na comunidade do WhatsApp também. Já tem alguns comentários muito interessantes que eu vou trazer e vou responder para vocês em alguns dos próximos episódios. Mas o que que eu disse aí? O que você acha agora depois de eu exibir essa minha perspectiva sobre o termo futuros possíveis. E se você me escuta e é curador ou pesquisador, por favor, não me coloque no campo dos futuros possíveis porque não é o lugar que eu estou nesse momento, não é o lugar que novos autores de ficção científica é negra das brasileiras e estarão. Até hoje é uma impossibilidade de viver como o escritor de literatura de ficção científica negra nesse país. Bom, até o próximo episódio. Encontro vocês na pediferia do futuro no WhatsApp.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O termo "futuros possíveis" é criticado por se basear em condições atuais, o que limita a imaginação para comunidades marginalizadas.
  2. O autor defende que a ficção científica e o afrofuturismo devem explorar "impossibilidades", rompendo com previsões racistas e capitalistas.
  3. Exemplos como Palmales e mulheres negras na NASA mostram que realizações negras surgem de sonhos além do possível.
  4. O autor rejeita ser classificado como "futuros possíveis" e convida curadores e pesquisadores a respeitarem essa perspectiva.

Summary:

O autor critica o termo "futuros possíveis", comum em áreas de inovação e futurismo, por estar atrelado a condições materiais atuais que, em um sistema racista e capitalista, limitam as possibilidades para comunidades negras, periféricas e indígenas. Ele explica que sua abordagem como escritor de ficção científica e afrofuturista não se baseia em previsões ou tendências, mas sim em "impossibilidades" — futuros que rompem com o que é considerado viável pelo status quo. Cita exemplos históricos, como o quilombo de Palmales e as matemáticas negras da NASA, para mostrar que conquistas negras sempre surgiram de sonhos além do possível.

Para ele, o afrofuturismo deve explorar o que está "além da imaginação", desafiando as estruturas de opressão. O autor pede que curadores e pesquisadores não o classifiquem no campo dos "futuros possíveis", pois sua produção literária e política reside no impossível, como ele mesmo exemplifica ao se tornar escritor de ficção científica no Brasil, onde isso não é uma tendência. O episódio encerra convidando o público a debater essa perspectiva na comunidade "Periferia do Futuro" no WhatsApp.

FAQs

O palestrante critica o termo porque ele se baseia em condições atuais, que para pessoas negras e marginalizadas são limitadas por sistemas racistas e capitalistas. Ele prefere pensar em 'impossibilidades', que rompem com essas limitações.

Ele se baseia na ficção científica e no afrofuturismo, focando em 'impossibilidades' que desafiam as tendências atuais, em vez de prever futuros baseados no presente.

Ele aponta que o futurismo tradicional nasceu do fascismo italiano e ignorava pessoas negras, o que o leva a rejeitar criticamente esses conceitos e abraçar uma perspectiva afrofuturista.

Ele usa 'impossibilidades' para descrever futuros que não são previstos por condições atuais racistas, como a existência de comunidades negras ou escritores negros de ficção científica no Brasil.

A ficção científica rompe com os limites da realidade possível, explorando cenários além do previsível, como inteligências artificiais alienígenas ou divindades cósmicas.

Ele afirma que sua produção afrofuturista reside no 'além do possível', focando em impossibilidades que desafiam previsões limitadas por sistemas opressivos.

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