Ep. 105 - Cansaço no trabalho e o sentido da vida - com Dr Bruno Benites
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A transcrição relata a conversa entre a médica Regina Chamon e o hematologista Bruno Beniths, focando no estresse no ambiente de trabalho, especialmente na área da saúde. Bruno compartilha sua experiência pessoal de esgotamento durante a residência, que o levou a buscar práticas como acupuntura e meditação. Isso inspirou a criação de um ambulatório de terapias complementares no Hemocentro da Unicamp, onde oferecem acupuntura e meditação para pacientes, priorizando a escuta e o cuidado integral, não apenas o tratamento técnico da doença. Eles discutem a importância crucial de os profissionais de saúde terem espaços para autocuidado e conversas que vão além das demandas técnicas, para evitar o burnout. A conversa também aborda a gestão do tempo no trabalho, enfatizando a necessidade de priorizar tarefas, criar agendas realistas com espaço para imprevistos e questionar o senso de urgência constante, como estratégias para promover bem-estar e um ambiente laboral mais saudável e sustentável.
"Ei, você aí que tá me ouvindo? Por algum acaso você já se enche o estressado no ambiente de trabalho?" Eu aposto que sim. Quando eu estava fazendo a especialização e hematologia, que na medicina a gente chama de residencia médica, eu me sentia muito, mais muito estressada mesmo. Chegava em casa, de assim já também com as pernas doloridas, a cabeça cheia, o coração apertado e o estômago vazio. Eu precisava fazer só três coisas nessa volta do trabalho. Come, tomar banho e dormir. Na maioria dos dias eu só conseguia fazer duas. E não, eu nunca fiquei sem tomar banho, não. Viu? Essa fase da minha vida foi ben desafiadora, assim como é com todo mundo que começa a vida profissional, né? Mas esse período também me trouxe muitas riquezas, conhecimento científico, experiência prática de como ser médica, e uma quantidade enorme de pessoas queridas. Uma dessas pessoas queridas é o Bruno Beniths, médico hematologista e acupunto irista, instructor de meditação e fundador do ambulatório de terapias complementares do hemocentro-nicup. E o Bruno também foi meu calor de faculdade. Olha, todos os dias eu atendo pessoas que me procuram porque se sentem estressadas e precisam de ajuda. E meu coração fica bem quentinho quando vejo o Bruno seguindo um caminho que se importa com a maneira com as pessoas que são tratadas no ambiente de trabalho. Um outro quentinho aqui no peito é quando vejo o Bruno, meu aluno do curso de meditação na prática clínica, levando essa prática para o serviço público de saúde. Na conversa de hoje, falamos sobre a importância de se ter tempo para conversar com o paciente sobre seus sentimentos e a vida e não só sobre os emes e remédio. Falamos sobre a necessidade de profissionais saúde tenerem espaços para o autocuidado e não só o foco na técnica do trabalho. O Bruno ainda falou sobre como criar um ambiente de trabalho saudável e que promouvo bem estar dos funcionários e como gerenciar melhor o tempo e as demandas para evitar o acúmulo de estresse e o burnout. Se você é novo por aqui, essa Regina Chamon, médica, autora do livro, meditação e saúde e apresentadora aqui do podcast de estresse. Além de atender pessoas que querem se cuidar de um jeito mais humano e natural, eu também treino profissionais saúde que queiram ensinar os seus pacientes a terem uma vida menos estressada. Faço isso porque o acredito que saúde é algo que a gente cultiva todos os dias. Eu estou lá no @doutora-sangibon no Instagram e você pode saber mais dos meus cursos no www.reginaxamon.com E se você é a habituê da casa, já é o 20 aqui do desestresse, vem vindo para essa nova conversa. Olha, todas as apresentações feitas, vamos para o nosso bate-papo que está bom demais da conta. Uma boa escuta por aí. Bruno, obrigada por estar aqui no desestresse. Para quem está ouvindo, eu já contei um pouquinho, da onde a gente se conhece, queria te falar que eu fico muito feliz de ver o trabalho que está fazendo. Porque somos filhos da mesma faculdade e eu fico muito orgulhosa de ver o quanto você, a maria, a palinha, a turma inaunicampa. Tenho feito um trabalho muito bonito com os pacientes e também com os colaboradores. E eu acho que um pouco do nosso tema hoje, a gente falar um pouco sobre essa questão do estresse no ambiente de trabalho. Então queria que você me contasse um pouquinho, como está sendo essa sua experiência aí na Unicamp? E como você chegou nisso? Como que esse projeto surgiu na sua cabeça? Fico super feliz de estar aqui hoje. Eu estou muito feliz com esse convite. Estou naquele momento, Sã, que vira convidado. Muito legal. Então eu acho que tem tudo a ver com a minha própria história profissional. Vou contar um pouquinho os deus do comecinho. Eu fui daqueles que queria ser médico desde criança. Tinha brinquedo de médico, uma letra de médico. E às vezes tinha aquela coisa que eu queria ser cientista. Então, acabei moldando depois a minha vida no colégio, e tal, com um foco que eu queria fazer medicina na Unicamp. Porque tinha pesquisa e eu podia fazer as duas coisas. E aconteceu. E foi acontecendo depois fiz a residência, da clínica médica, depois da hematologia. E eu terminei a residência. Tenha acabado, assim, sabe? - Sim. - Você sabe. - Muito bem. - Sem muito bem essa experiência. E acabei assim. Eu acho que oito quilos mais magros, desanimados, não tinha vontade de fazer nada. E com uma certa desilusão, assim, com a medicina. Porque, para mim, eu estava fazendo um cuidado. Que não era tão legal. Eu tinha uma sensação de que na época, a gente não falava tanto de cuidados paliativos, de cuidados no fim da vida. E a gente tinha muitos pacientes nessas condições. Eu tinha uma sensação que ficava lutando contra a morte, sem fim, e dando mais remédio, mais que minha terapia. E para mim, tinha uma coisa intuitiva ali, ainda não muito técnica, que aquilo não era o melhor que a gente podia fazer. E aí, o meio que. Eu juke o fugido aquilo, sabe? E fui para a área burocrática, digamos, assim. Foi trabalhar com um banco de sangue. Eu acho que é um pouco o que rolou com você também. A gente meio que daí se escondeu numa salinha, não dou para ver pacientes. Fico aqui com as burocracias. Mas ficava aquela formiginha ali, porque também não era bem o que eu gostava de fazer completamente. E aí, depois de uns anos, acabei voltando para a clínica no ambulatório de Anemia Falsiforme. E aí, eu fui me encontrando de novo. E são pacientes crônicos que têm muita dor, muita ansiedade também, por conta da dor. E eu tinha um exemplo em casa, que minha mãe é a cuputurista. E aí, eu sempre via como as pessoas saíam da lido consultório dela bem melhores, inclusive com problemas supercrônicos de fizes e, de repente, começava a dar uma outra cor pra vida. Sim, eles iam melhorando e falei, "O que tem coisa aí?" E eu já me tratava desde adolescente com ela também. Eu sentia como várias coisas da minha vida mudaram. Eu tinha um quadro de enxaqueca crônica que melhorou muito, até sumida, depois de um tempo. Então, acabei me tornando a cuputurista também. Eu já tinha uma prática de meditação como o autocuidado desde 2017, mais ou menos. E aí, fui também instrumentalizando fiz primeiro meditação na prática clínica que abriu, assim, minha mente do que estava pra eu fazer, inclusive, ali, no ambulatório sul. E aí, em 2021, a gente conseguiu implementar esse ambulatório lá no Emo Centro de terapias complementares que era focado, inicialmente, indo essas falsifórmes. Mas acabou que a notícia foi espalhando e aí, hoje, a gente atende os pacientes de todas as sub-specialidades, que estão incolidados paliativos, os que passam no tratamento um cológico e aí, lá, a gente faz, principalmente, a urículo terapia, que é muito legal, inclusive, pra lidar com sintomas daqui em meu terapia, com essa parte de estresse e ansiedade relacionado a doei, a sangessônia, e também meditação. Então, no passado, também me formei instrutor no curso de facilitadores, tive prazer de ser de novo aluno da Regina e do grupo professor Roberto, foi uma super experiência. E aí, nesse meio do caminho, eu acabei assumindo a coordenação, também, né, do fiz parte da coordenação demonstra dentro, desde do finalzinho de 2020. E aí, um negócio pegou, sabe? Porque eu que me achava muito equilibrado, tranquilo, levava a vida numa boa, fui atropelada, assim, por uma valenche, um trator, que passou na minha vida, assim. Porque eu estava com uma situação muito complicada, que é você, a BASTC de Sangue, mais de ser termos pitais aqui da nossa região, numa época de pandemia. Então, assim, me sentindo responsável por um processo imenso, e aí pegou, né? Aí, eu comecei a ter, assim, um sintomas de ansiedade, mesmo umas batedeiras, no meio do dia, uma coisa assim, no volda conta. Eu sempre dormi super bem, e aí, comecei a acordar quatro, às vezes três da madrugada, e não conseguia voltar a dormir, pensando já em tudo aquilo que ia acontecer. E foi ficando cada vez mais pesado, assim, hoje eu vejo que eu estava ali com o pezinho no burn out, no sentido que começou a acabar o brilho das coisas, assim, sabe? Não tinha mais vontade de fazer nada. E pegou pra mim que eu estava com tepesentos funcionários na minha aba, que estavam muitos deles nessa mesma pegada. Alguns já com o aspatamento por questões psiquiátricas, ou por questões físicas, mesmo que são decorrentes dessa sobrecarga do trabalho. Então aquilo apitou pra mim que eu precisava fazer alguma coisa, merei o alto biográfico, assim, mas, dizendo também como isso estava pegando para as pessoas. E aí que a gente começou a ter. a ser um saa nesse projeto que ainda não aconteceu, a gente está nessa fase de preparação, mas a ideia é trazer um programa de gestão dos estresse pros funcionários, baseado e inerociência, o que a gente sabe da mente, o que a gente sabe das armadilhas, inclusive que a mente prega na gente ainda mais nesse mundo, cheio de tecnologia, de informação, um bom tanto de filosofia, porque eu acho que eu sempre acreditei no poder da leitura, da gente aprender com quem já passou por essa experiência aqui na Terra, então misturando um pouco disso, de stoicismo, de logo terapia, foi algo que encontrei no meio do caminho, eu vi até que você teve um episódio recente aqui que foi muito legal, falando do Victor Frank, que eu adoro a ideia, eu acho que ajuda muito a gente, me ajudou muito, então tem um pouco de neurociências, um pouco de filosofia, uma parte prática, tanto assim de como lidar mesmo na prática, como eu organizo a minha agenda, como eu faço o meu cronodrama, ficar mais adequado pra aquele dia, e práticas de resiliência mesmo, de relaxamento, mesmo de meditação, pra gente também ter uma caixinha de ferramenta ali, pra lidar melhor com tudo isso, então saiu de uma coisa que pegou muito pra mim, mas que o Victor tava pegando por uma galerinha, e agora a gente tá começando a mexer nisso, tive uma primeira experiência com os médicos residentes, que foi muito legal, e agora a ideia nesse próximo semestre fazer uma coisa mais ampla, pros funcionários, em geral mesmo. O Bruno, você traz várias coisas legais nessa sua história, e eu me reconheço em muitas delas, porque eu tive uma experiência muito parecida com a sua, nesse fim da residência, aí vai fazer banco de sangue, porque não aguenta, olha pra aquele sofrimento, sem recurso pra lidar, e eu vejo como é importante esse trabalho que você propôs com os residentes nesse ano, da gente oferecer ferramentas que não são ferramentas apenas técnicas de saber qual é a melhor que meoterapia, de saber funcionar uma medula óssea, mas são ferramentas da vida, porque se a gente não cuida disso, a gente não tem capacidade de cuidar do outro, e muitas vezes na nossa formação, médica, técnica, isso é uma coisa que é totalmente atropelado, né, a gente não tem recurso, e a falta do recurso gera essa percepção muito grande de estresse, porque você não tem como lidar com aquela demanda. Então isso é uma coisa que eu acho maravilhosa da sua falha, eu me reconheço muito nela, outra coisa que eu acho muito bonita, porque eu ouço muitas pessoas me falam nesse hoje, né, depois de quase 20 anos de formada, eu trabalho só nos sistemas implementares de saúde, eu atendo paciente só, no meu constróio particular, paciente convenio, na clínica em que eu trabalho, são pacientes de convenio, no meu constróio particular, só consultas particulares, na clínica aqui, onde eu trabalho com oncologia, pacientes de convenio, e aí eu ouço muitas pessoas falando assim, "Ah, mas no sul é diferente, não dá pra fazer isso no sul, e o que você tá trazendo aqui na nossa conversa é "dá pra fazer isso no sul", tem como fazer isso no sul, né, porque esse cuidado é um cuidado que ele precisa estar disponível, pra qualquer pessoa em qualquer contexto, e ele não é nada que demande da gente, um recurso tecnológico muito grande, ele não, ele, claro, a gente precisa conhecer algumas técnicas, mais são técnicas que em geral, tem um custo de aplicação muito pequeno, eu queria saber se isso faz sentido aí pra vocês dentro de um, que vocês estão basicamente atendendo pacientes do sul, e é um ambulatório que acontece, né, então como isso acontece? Eu também tenho, né, a prática privada fora da Unicamp, mas eu acho que o grande pulo do gato é isso, são práticas que demandam conhecimento e tempo, né, o recurso financeiro, digamos assim, que eu uso lá, que sei lá, são as cristais da Uri Cluterapia, é uma coisa que, nossa perto de uma quino terapia, de uma bolsa de sangue, de uma cirurgia, não tem nem como comparar, né, demanda da gente ter juntado ali uma galerinha que tinha o conhecimento, ou que acabou se formando no meio do caminho até inspirado por essa necessidade, e um tempo que a gente reservou pra fazer isso, né, até engraçado porque a hora que esse ambulatório acontece de quarta-feira tarde, né, e aí os pacientes chegam a primeira vez, a gente já fala, olha, aqui talvez a gente fale um pouquinho, mas a ideia não fica falando tanto de que remédio, do ambiente assim, meio, diferentão, né, e justamente por isso, porque é muito papo, eu acho que a medicina tem que lembrar, nós, da área da saúde, temos que lembrar que uma parte essencial do cuidado médico, do cuidado de saúde é conversa, né, e é muito louco que eu estava um dia falando com a Paulinha e com a Mari, o quanto às vezes a gente faz uma consulta, e a consulta foi inteira uma conversa, e ela acaba sem um receito ar e uma prescrição objetiva de remédio, e aí a gente no começo fica assim, meu, será que eu fiz alguma coisa? Porque a gente é tão treinado nessa coisa técnica, de que tem que ter um desfecho de um remédio, de uma prescrição, de um encaminhamento, de um exame, sei lá, que só ter conversado, só, né, entre aspas, parece muito pouco, mas às vezes a pessoa sai realizada, ele, nossa, eu precisava que você tivesse me falado isso e que eu pudesse ter falado também. Porque tem uma coisa, né, que eu sinto e que eu tenho conversado muito lá, é que quando surgem alguns tópicos na consulta, a gente, na nossa formação técnica, médica, a tendência da uma fugida, né, ele está falando que, também, é tão ansioso que está compensamento na cabeça, que não está dormindo, pra gente entra numa zona ali, desconforto, né, assim, é diferente do lado, do mador, uma coisa que você dá um remédio, mas essas coisas são muito mais sutil e muito mais difíciles, e essas são justamente as que a conversa pega, as que eu vejo que essas técnicas de aumento pegam, essas técnicas de auto percepção, né, o mundo está tão corrido que ninguém mais percebe o que o corpo tem pra dizer e tem muita coisa pra dizer, né, e se a gente não escuta, ele vai começar a gritar, né, e é aí que vários problemas acontecem. Então, foi esse espaço no sul da gente ter tempo pra conversar, pra falar de respiração, de como melhorar o sono, de como tratar melhor os pensamentos que ficam ruminando na cabeça, e definitivamente isso afeta o desfecho da doença de base, né, você tem que dormir bem, pro remédio fazer feito legal, você tem que comer direito, você tem que fazer exercício, você tem que se relacionar bem com as pessoas ao seu redor, e isso é parte essencial da saúde, que você inclusive frisa muito aqui, e eu acho que é isso que a gente tá chegando, tentando chegar, né, e chegar na verdade um retorno, né, porque isso era a medicina, né, parece que a gente tá dando uma mega volta na história pra voltar pra essência, né, eu acho que essa é a sensação que a gente tá tendo. É, eu costumo falar isso, né, é o que a gente vê, ouvi muitos nomes, cuidados parerativos, medicina integrativa, medicina de estilo de vida, gente, as coisas não são de sobrenome, isso é medicina, você cuidada a pessoa como uma pessoa integral que tem várias esferas da saúde dela, isto é medicina, a gente não precisa dar um sobrenome pra isso, mas a gente foi pro lugar tão técnico que agora a gente precisa desse sobrenome, né, pra retomar esse cuidado. Você faz aquela consulta, né, que em 20 minutos você conta tudo sobre a doe, você e o último tratamento, e como que funciona, e tá, isso é importante, óbvio. Mas às vezes acaba consulta e aquele paciente tá sustado, tá, tá, isso é muita coisa, né, e precisa digerir isso e tem que ter esse espaço do papo, né, tem que ter tempo, a gente precisa ter tempo, né, eu acho que essa questão do tempo é muito importante, tudo vai engatando uma coisa na outra, mas às vezes 10 minutinhos ali que você reserva só pra falar do que tá acontecendo, de como ele tá sentindo, é aquilo que vai ser a sereja da consulta. Eu acho que isso vale também, né, bruno esse tempo, para o nosso próprio ambiente de trabalho, retomando a questão, né, do olhar, do profissional de saúde, ou enfim, de qualquer pessoa que tá em um ambiente de trabalho. Porque muitas vezes no ambiente de trabalho a gente não encontra esses espaços, não tem tempo pra gente falar sobre outras coisas que não coisas técnicas do trabalho, e aí a sensação que eu tenho um pouco assim é que a gente vai ficando sufocado, tem alguma coisa dentro da gente que, "ou é uma sobrecarga?" porque tem muito trabalho sendo feito, "ou é uma sobrecarga?" porque eu sinto que o trabalho que eu tô sendo feito tá sem sentido para mim, porque eu tô ali muito na coisa técnica e perdei um pouco o brilho, como você falou, que eu acho que é essa experiência que a gente tem um pouco quando sai da residência médica, ou pelo menos que eu tive, e quando a gente propõe essas práticas, que são práticas de auto-observação, que são práticas que quebram um pouco o ritmo do trabalho, a gente tá criando esse espaço e um espaço seguro, isso acho que é importante a gente falar não, um espaço seguro, sem julgamento, em que a gente pode ali olhar para outras coisas que não são a coisa técnica do nosso trabalho, para a gente sair um pouco dessas sensações de sufoco, né? E essa coisa de parar pra pensar, né? Porque às vezes a gente tá fazendo a mesma coisa a mim, ex-esou a ano, assim, aquilo tá super sobrecarregado, e existiriam opções simples da gente mudar, então, recentemente estava, por exemplo, com uma profissional que
e teve um colapso. Um colapso no sentido de que chegou pra mim, olha, hoje eu estava indo levar meu filho na escola e assim estava uma semana, a rebatadora de coisa e eu sentei no carro, olhei pra chave e eu não sabia o que eu tinha que fazer. E isso é o que a gente sabe que acontece. Você esgotar tudo o seu organismo consegue lidar e chegar no colapso mesmo, assim. Agora não tenho mais de gastar tudo que tinha nessa bateria pra eu lidar com estresse, né. E aí a gente começou a conversar e como a gente tem pequenas coisas que dá pra fazer, né, só que o mundo ficou tão acelerado que a gente acha que não pode, né. Então, é, a gente recebe o dia inteiro, o WhatsApp e o email e vem aquela sensação de que eu preciso atender aquilo tudo, né. Parece que a gente vai ficar devendo alguma coisa. E até o sentido de urgência, né. Hoje em dia as pessoas estão tendo umas urgências que se a gente para pra pensar, um tem nada de urgente. É só uma coisa de purem cidad, porque tá tudo tão acelerado e a gente tem que dar conta nisso. Então a nossa conversa passou por, olha, vamos ver essa agenda. O que que é de fato urgente? Você não tem espaço nenhum entre uma coisa e outra. E essa é essa reunião. É um negócio que vai acontecer daqui um tempão. Então vamos deixar pra semana que vem? Ou pro mês que vem. E aí você vai ter essa uma orinha pra você sentar com calma, ler os seus emails, atender aí uma pessoa ou outra que realmente seja uma urgência. Porque se a gente tem aquela agenda que é fechada da sete da manhã, sete da noite, a gente não tem espaço pra lidar com imprevisto. E os imprevisto vão acontecer. E aí você vai adicionar uma camada de tensão ali um dia que já tá super ter. Então são pequenas coisas assim. Deixar um espacinho pro imprevisto. E se o imprevisto não acontecer, que ótimo é um espacinho pra você ir lá na copinha tomar um café, reencontrar um amigo que faz um mês que você não vê. Mas precisa ter esse cuidado com o tempo. Eu vejo que a gente tá na sociedade de responder tudo e às vezes, espirrando ansiedade nos outros. Eu acho que por exemplo, o WhatsApp é uma mega ferramenta super interessante pra gente poder se comunicar e tal. Mas o quanto que ele agrega de ansiedade e às vezes a gente não percebe. Eu tava falando recentemente que a gente não usa nos atraves. Talvez pra quem é mais novo vinho, o espareza muito louco. Mas houve o momento da vida que não existia um celular. E aí, se a gente tinha alguma coisa pra falar com alguém, a gente ia que ligar no telefone fixo. E aí pra você ligar no telefone fixo de alguém, dez da noite ou no fim de semana pra falar de trabalho. Tinha que ser uma coisa, assim, meu, deu ruim mesmo. A casa caiu e não vai dar pra esperar até amanhã quando a gente se encontrar no escritório. Hoje, esse WhatsApp permite que a gente mande isso 11 da noite, se eu quiser. E aí tem aquelas mensagens que nem olha. Eu tô mandando agora. Você só vê amanhã, mas eu vou mandar porque se não eu vou te ser. E aí, meu Deus, você já olhou aquilo. Você já ficou ansioso por uma coisa que você podia ter em dormir tranquilo e só ver amanhã. Então, olha como a gente tem que cuidar com o que a gente tá fazendo com os nossos companheiros e colegas, de trabalho. Quanto que a gente pode estar caindo nisso, que faz mal pra gente, a gente tá fazendo pros outros também. Eu acho que eu quero muito trazer essa reflexão, do grupo. O que a gente tá fazendo, que a gente tá piorando uns aos outros ou que a gente podia estar dando a mão e melhorando a vida um do outro. Acho que tem que ter muito essa pegada coletiva. Eu acho que isso aqui em um episódio do 13, mas vou falar de novo que pra mim é um conceito tão maravilhoso, que eu acho que vale repetir. Eu falei isso no episódio 101 sobre conexões. -Ei, foi ótimo. -Na época da pandemia, eu assisti uma aula da academia americana de saúde integrativa e o professor estava falando sobre estresse. E aí ele trouxe um exemplo assim pra mim, foi muito maravilhoso, que ele falava, quando a gente tá sentindo ameaçado, quando a gente tá sobrecarregado, quando a gente tá sob estresse, a gente tende a ficar muito alto centrado, porque a gente precisa garantir a nossa própria sobrevivência. Então, quando a gente tá muito estressada, a gente não consegue olhar a pessoa que tá do nosso lado, a gente não consegue ter esse olhar comunitário, né, esse olhar de. Eu vivo dentro de um grupo. Ao passo que quando a gente tá se sentindo seguro, quando essa ameaça, né, a nossa sobrevivência, ela diminui a segurança, para gente se olhar da conexão. Deixe-me cuidar do outro, porque esse outro estiver bem otomento ou bem. Então, a gente passa a ter esse pensamento de viver em comunidade e proteger a comunidade. Então, isso que você tá trazendo, eu acho que a gente vai um pouco nesse lugar, né, a gente precisa, obviamente, se cuidar. Mas quando a gente tá estressada, é muito difícil a gente vencer essa barreira de não dar alto proteção. E aí a gente começa a espirrar pra todo mundo mesmo, essa afirir muitas pessoas que estão ao nosso redor. E aí, de novo, eu vejo a importância muito grande da gente trazer pro ambiente de trabalho práticas que nos coloquem nesse lugar fisiológico, não só psicológico, mas nesse lugar também fisiológico de segurança, porque aí que a gente começa a funcionar com o time, né? Então, eu vejo como essenciais essas práticas assim, no nosso. no nosso rotino. Tem uma teoria que eu acho muito legal, eu acho que a gente já teria conversado dela há muito tempo atrás, que a teoria pode vagar, que é do. Ai, boa, brua, eu queria muito falar disso. Muito legal, né, é o professor Stephen Portes, ele é um psicólogo. Eu acho muito interessante o que ele fez, né, porque a ideia dele começou estudando a evolução do sistema nervoso ao longo das espécies de animais, né? E aí, que ele coloca aqui nós, né, uma mífera superior de nós seres humanos, né? Tamo no ápice dessa evolução e temos todas as camadas do cérebro. E ele fala que nós somos seres sociais, né? Então, nós desenvolvemos ao longo dessa evolução um sistema de engajamento social. Então, eu consigo, de forma muito automática e bastante antânnea, olhar para você e ver se você está me dando tranquilidade para a gente começar um papo, ou se aquilo é o estilo e é melhor eu sair correndo e fugir, né? Isso assim, muito útil, o jeito que você olha a intonação da voz, como mestre o hombro, o nosso cérebro foi se impregnando dessas características ao longo do tempo, então isso é muito automático para a gente. E aí, a gente nasce, já vai treinando isso com a mãe, por exemplo, né? Com essa conexão, isso vai aprimorando aí ao longo da vida. Então, ele diz que a gente precisa para ter tranquilidade, para ter segurança, para ter as nossas funções ideológicas funcionando legal, que venham esses sinais de tranquilidade do ambiente. Quando não acontece isso, a gente desce um nível, né? Eira a queia do cérebro e entra naquela atitude de luta ofuga, né? Que é do nosso sistema empático e que já está ali nos outros animais, né? Então, por exemplo, os peixes, né? Que ficou ali se trombando no mar, por exemplo, né? Alguns outros mamíferos mais inferiores, eles não têm tanto engajamento social, porque eles estão sempre nessa coisa da preservação da vida, né? Sempre o olhar é de ameaça, então não relaxa e não evolui, né? Porque você não tem espaço para pensamento assim, mas abstrato, para conexão e tudo mais. Isso, né? Essa luta ofuga seria que ele não se estresa, né? Eu fico nesse ambiente controlado e fugindo o tempo inteiro. Só que as coisas podem piorar, né? E ele fala que tem um outro nível que a gente pode descer e que ele dá um exemplo que eu acho muito interessante, que é o das tartarugas. Se eu tô nessa coisa da luta ofuga por muito tempo, de uma forma muito intensa e chega um momento ali que eu esgotei tudo que dava e que eu entendo que a ameaça é muito maior do que eu vou conseguir lidar, é o momento do colapto, né? E o exemplo da tartarug, eu acho muito interessante, que ela se recolher ali no casco, tipo assim, seja o que Deus quiser, tô aqui, é o que dá para fazer. Porque eu vejo que é o nosso estágio do Bernalte, né? Eu não consigo sair da cama hoje para fazer nada, né? Acabou a minha pilha tá ali no talo, né? E aí ele conta, né? O professor Stephen Porcis, que a gente tem que subir essa escada de volta, né? Sai desse colapso absoluto, voltar para uma coisa ainda tensa que a luta ofuga e aos poucos e voltando para a harmonia, né? E eu acho que pro ambiente de trabalho a gente tem que refletir nisso, né? Como é que tá esse nosso sistema de engajamento social ali? Tá que eu tô emburrado, né? O tempo inteiro, será que eu sou um chefe que fica só mandando sinal de agressividade, de ameaça, né? Qual é o ambiente que eu tô criando ali para que elas pessoas se sintirem confortáveis ou não com isso? Cara, e é coisa tão simples, né? É assim, se eu chego e falo bom dia, dão sorriso, eu tô super ativando esse sistema de engajamento social. Se eu vejo alguém que tá ali no canto, meio cabez baixo, tá? Eu vou lá e pergunto, viu? Quando você é alguma coisa, tem alguma coisa aí que eu posso te ajudar, uma super ativação desse sistema de engajamento. E por outro lado também, né? Se eu fico só dando feedback negativo, se eu só fico puxando aquelas pessoas até o limite delas, eu tô esaurindo todo esse sistema e invariávelmente elas vão começar a cair nessa ladeira, né? Fescada, até o estágio ali da Pertaruga, que. e é o pior que a gente pode chegar. Então eu acho muito importante essa coisa da dinâmica social. Inclusive da gente ter esses espalhos, né? Vamos sim fazer festa juneina, vamos sim fazer festa tinha de fim de ano, amigo secreto, sei lá, comemorar todos os aniversários com polinho, eu acho que isso tem que ser muito incentivado, porque é o momento que a gente vai dar aquela respirada e voltar para a nossa, a nossa alma é o meu estásia para a nossa sensação de segurança uns com os outros, né? É isso super importante. E às vezes a gente fica com a sensação que essas coisas todas são fíruas, né? A ONU MEMIMIMI. E a ONU MEMIMIMI, né? E na verdade, é exato, quem reclama é MIMIMI. Então eu acho que hoje eu vejo que isso acontece não só no ambiente de trabalho, mas acontece muito no ambiente de trabalho, a gente tira a nossa humanidade, a gente se desumaniza para conseguir estar naquele ambiente. E aí voltar a humanizar, eu li um livro muito legal que chama Silêncio. É um cara que é explorador e aí ele vai fazer uma jornada de exploração no artico, o seu nome endano. E aí, enfim, ele tá ali, um momento, ele congela, o pé dele congela. E aí ele fala no livro que a dor de descongelá é tão grande que às vezes ele preferia ficar congelado. E muitas vezes isso acontece na nossa vida, né? É ficar com o cara. Você virou ali a tartaruga. Às vezes, é tão difícil sair da li, é tão doloroso que você fala "meu Deus, será que não é melhor eu ficar aqui dentro?" Ou às vezes a gente tá num ambiente de trabalho que você fala "pô, já tá tudo tão desumanizado aqui, vai dar tanto trabalho, vai doer tanto, mudar, será que vale a pena?" E no fraque, vale a pena, né? Mas a gente precisa ir ganhando essa consciência e são coisas tão simples que a gente precisa fazer, né, Bruno, que eu acho que às vezes a gente não valoriza o que é simples. Mas é isso, especificamente a gente tá falando "Está no simples, num bom dia, não sou risco, colocar monômbro de alguém, né?" Não tem nenhuma tecnologia, não tem custo, nenhum, né? E eu acho que você tocou numa coisa logo quando a gente começou a conversar, que é na questão do sentido. Às vezes a coisa fica tão mecanizada, tão apertada no tempo, porque você não consegue mais ver o "porque" de "tá fazendo aquilo?" Que é a história, como a gente falou do próprio Dr. Vitor Frontio, né? O sentido ele tá nas pequenas coisas. E o sentido não é que você tem que fazer um trabalho, que vai ganhar um premio Nobel, entendeu? Tem muito sentido no trabalho da faxinera, da recepcionista, do motorista, de todo mundo ali, né? Todo mundo faz parte de uma engrenagem. Tem um texto que eu não lembro de quem é que eu acho muito bonito, que ele fala, né? Ele passa na frente de uma construção de uma catedral, na França, eu não sei se tinha a própria no Trédano, alguma outra catedral, e ele pergunta, né, para uma pessoa, "Ah, o que que você tá fazendo aí, né?" E aí, um deles fala, "Ah, eu tô aqui empilhando pedra." E aí, o outro fala, "Eu tô construindo uma catedral." E eles estavam fazendo a mesma coisa. Mas a gente tem que conseguir ver lá longe, né, que a gente é um pedaço de uma engrenagem. Ninguém tá ali à toa, ou é dispensável. E a gente precisa resgatar esse sentido nas pessoas, né? Porque às vezes a coisa tá tão pesada, tão mecânica, que eu só vou fazendo. E no fim do dia eu tô esgotado, não vi propósito nenhum naquele resultado, né? Eu acho que o sentido é algo que precisa ser muito resgatado, hein? E isso se relaciona muito, eu percebo aqui, Bruno, da minha experiência pessoal, profissional, mas também dos meus alunos e dos pacientes que eu atendo. Isso tem muita relação com o tempo. Quando a gente não tem tempo, né, você tá ali só fazendo, fazendo, fazendo, fazendo. É muito difícil a gente dar esse zoom alto, né? Espaz pra trás e falar, "Nossa, tem sentido isso que eu tô fazendo, eu preciso fazer isso, tem outro jeito de eu fazer." Então essa semana, por exemplo, que a gente tá gravando o podcast, eu tirei uma semana de pausa das minhas atividades profissionais, né? Porque quando eu tô muito ali no meio do dia a dia que a roda já tá girando, eu não consigo refletir sobre as coisas que eu tô fazendo, eu não consigo, às vezes, sentir o que tá bom, o que tá ruim, o que poderia ser diferente. Então, como eu não tenho férias tão próximas, eu vou pegar uns dias pra, sabe, arrumar guardar roupa, cordar um pouco mais tarde, ler um livro e pensar se tem sentido essas coisas que eu tô fazendo. Se é esse o caminho que eu quero continuar seguindo. E sem culpa, né? Eu acho que uma coisa que pega muito é a culpa pelo descanso. Por quê? Gente, assim parece que que é uma coisa, inseridamente, algumas pessoas falam isso, né? Que férias, né? Pra quê? Que perda de tempo. Então eu tirar um dia na semana, ou meu, curtiu fim de semana, né? Onde que a gente esqueceu que fim de semana era pra isso, né? Porque tem que esparramar essa aceleração. E o quanto a gente precisa respeitar isso, né? Eu quando saio de férias e viagem, eu coloco lá, não sabe, a fibrinha, né? Férias, né, gente? Ó, tô aqui de férias. E todas elas alguém finge que não vê, né? Porque é impossível não ver. Então, por que a gente tá fazendo isso? E eu fiz essa reflexão sempre. Essa demanda que chegou mesmo com a fibrinha de férias tinha que ser eu. E, óbvio que não, a gente não é indispensable, nenhum de nós. E eu acho que é importante a gente lembrar isso. Nós não somos insubstituíveis, nem dispensáveis. É, a gente tem esse direito de descansar. E sim, né? Nós temos o direito de ter substitutos da instituição. Lidar com isso quando a gente tá fora. Lidar com isso quando a gente fica doente, inclusive. Eu acho isso muito chocante hoje em dia de que as pessoas, eu vejo por aí, muitas vezes, vão trabalhar se arrastando porque, não, hoje era um dia importante. Como é que eu vou falar que eu tô com dengue, gente? Você vai falar exatamente assim. Hoje não vai dar. Eu acho que é uma coisa que ficou tão devido ao morte, né? E por uns resultados assim que não são devido ao morte. E eu acho que muita essa reflexão da culpa do cuidado, a gente precisa bater nesse martelo, sabe? Outro dia eu tava ouvindo um episódio de um podcast que eu gosto muito, que é o Feel Better, Live Mark, foi inclusive um podcast que inspirou das estresseis e existi, né? Eu ouvi, eu achava tão maravilhoso falar a gente aqui no Brasil, tem que ter alguma coisa assim, as pessoas têm que ouvir isso. E o Rung and Chatter, que é o apresentador, ele é médico, ele tava entrevistando o Gabor Matei. Legal. Eu li recentemente um livro muito legal dele, que é o método normal. E aí ele falava assim, ele é médico, né? Ele falava assim, gente, o paciente. Ele não precisa de você, ele precisa de um bom cuidado médico. Tá tudo bem, você saia de feiras, tá tudo bem, outro médico atender. E não é você que é essencial na vida dessa pessoa. Às vezes eu acho que a gente entra nesse lugar alto-centrado, né? De que, "Ah, o meu paciente, a minha profissão, o meu trabalho gente, isso é algo comunitário." Tem muitas pessoas que precisam ser capaz de fazer o que você faz, pra que a gente possa sobreviver, porque senão a gente fica desse jeito, desmilim huido que a gente tá hoje, né? E, em especial, na área médica da saúde, assim, eu acho que isso pega muito, né? A gente tem que tomar cuidado até com uma certa prepotência, né? De como a gente pode mudar a vida dos pacientes. E no fundo, a gente precisa lembrar que o tratamento é ele que faz, né? A gente ajuda ali com as ferramentas, com as orientações, com o que tem, mas não é bem a gente que cura ninguém. Tem organígios ali que é curado ou não? Muito pelo que ele tem propriedação para se curar ou não, né? A gente entra quase como um acessório ali, né? E a gente precisaria ter essa humildade de entender como a gente é esse acessório e isso que você falou. Não tão essencial assim, como a gente se coloca, né, nesse papel. E quando a gente não é essencial, eu experiência isso quando eu fiz 40 anos e eu resolvi tirar 40 dias de férias. Pital, ali no meio da pandemia, não dava fazer nada, não dava fazer férias, não dava viajar, falei "vou tirar 40 dias de férias" e vou descansar, vou pensar na vida. Até porque fazer 40 anos dá um choque, né? Eu acabei de fazer, me deu um. Nossa! Eu achei bem reflexivo. [risos] Mas eu compato esse corpo. Mas aí eu resolvi tirar esses 40 dias. E quando eu fui sair de férias, eu falei "Meu Deus", mas isso as pessoas perceberem que eu não sou essencial. Que que vai acontecer? Acho que eu não vou mais ter entrega quando eu voltar, não vou mais ter pacientes que querem acompanhar comigo, eu fiquei meio ali, sabe assim? Caraca, que que vai acontecer? E foi tão gostoso, Bruno, perceber que eu realmente eu não sou essencial. Mas quando eu voltei as pessoas, queriam a minha presença ali. Não porque eu era insubstituível, mas porque as pessoas gostavam de mim, porque a gente tinha uma relação boa, porque eu fazia parte de um grupo de pessoas trabalhando que pensam do mesmo jeito. E não é muito melhor a gente estar ali por esse motivo do que é porque eu sou insubstituível. Não, isso vale muito mais. Para mim é. Com certeza. Tem um valor muito maior, né? Eu acho que é legal a gente fazer essas pausas, porque. Tras esses novos olheares, né? Que às vezes a gente na turbillhão não consegue ver. Eu acho que a importância da pausa tem muito. Muito distem que ter essas brechinhas, né? De não ficar engatando uma coisa com a outra, fazer um detox da coisa eletrônica e tecnológica. Eu acho que tem muita gente que não percebeu o quanto esses aplicativos todos, essas mídias todas sugam, assim, a nossa bateria de um jeito que. muitas vezes a gente não percebe, precisa parar para pensar. E eu acho que a gente só consegue perceber quando a gente já faz tão pouco dessas atividades ou desses aplicativos, enfim, tecnologias, porque enquanto você está ali usando a coisa vai se instalar em tão de vagardinho que você não percebe muito o impacto daquilo, né? Então às vezes precisa, essa semana eu fui almoçar com duas amigas e eu esqueci meu celular dentro do carro. Gente que delícia ficar duas horas sem celular. Parece que o tempo passou diferente, sabe? Então a gente faz essas experiências também, eu acho que é muito legal. Quem está ouvindo aqui a gente não tem que fazer o que a gente está falando. Faça suas experiências e encontre o seu jeito, mas investiga essa coisa que o Bruno Fláio queria ser pesquisador. Acho muito legal ser pesquisador da gente mesmo, né? Investir, como que isso funciona para mim? Como que é no meu corpo? Como será que é ficar duas horas sem o celular? Como será que é ficar um final de semana desconectado do mundo, só aqui na minha casa fazendo minhas coisas, né? Eu acho muito legal isso que você falou também que não existe uma regra universal que vai ser legal para todo mundo, né? É a gente, por exemplo, a superintusiasa de meditação, de práticas contemplativas e tal e eu realmente adorei, acho que tem um grande valor, mas se você acha que aquilo não é exatamente o seu perfil, tem outros jeitos de canalizar isso, né? Inclusive, a história é, eu sou muito agitado para fazer essas coisas, então vamos agitar, né? Faz um esporte, faz um desafio, aí alguma coisa física, algo que tenha sentido para você, né? Não precisa ser exatamente uma meditação, uma yoga, algo que são as coisas que vem na mente automaticamente quando a gente pensa em relaxar e se encontrar, né? Mas tem muitas maneiras, muitos hobbies, né? Eu acho que você já falou bastante também em relação, por exemplo, artes, né? Pintura, escrita, tem muitos outros maneiras da gente focar ali a nossa atenção e que é quase uma prática meditativa, né? Eu parar tudo que está o meu redor e focar naquilo e eu acho que o símbolo que isso traz, né? Isso é o meu momento, eu estou aprendendo uma coisa nova, eu estou felá, melhorando o meu corpo, minha saúde e consigo transitar entre um dia de trabalho, muito desgastante, muito cheio de demanda e equilibrar isso e recarregar essa bateria com alguma outra atividade que tenha sentido para mim, né? E eu acho que tudo que a gente fala hoje tem que ter essa toada individual, né? E na medicina, inclusive, né? A gente acostuma aquela coisa de um remédio para todo mundo, mas não é isso, né? Cada pessoa e cada momento da vida de cada pessoa, né? Eu também mudo a cada dia, né? Coisas que faziam sentido para mim 10 anos atrás, hoje são outra coisa, né? Eu acho que até as nossas histórias profissionais dizem isso, né? Que a gente pensava com vinte, já não tem nada a ver com que a gente pensava com 30 e com 40, né? E se permitir também, né? Quando eu comecei a fazer essa reviravolta, quero trabalhar com práticas complementares, quero trabalhar com estresse relacionado ao trabalho, me veio um pouquinho dessa pulguinha, né? Pô, mas você já está quase com 40 anos, você está querendo fazer que eu vira volta agora, né? Mas gente, vamos pensar pelo outro lado, tá? Se eu estou fazendo 40, então quer dizer que eu vou trabalhar pelo menos mais uns vinte, vinte e cinco, né? E aí eu vou ficar carregando essa mala de sofrimento e não vou dar chão se mudar, né? Então nunca tá arde, a gente viu aonde gente, não estava numa faculdade com 60 e o quanto isso é grandioso, inclusive pros jovens que estão ali do lado, né? Eu acho que nunca tá arde para fazer nada. O Bruno, já que você to conectar assunto uma curiosidade que eu tenho, né? Você tá ilidando com estudantes de medicina, residentes, bem mais de perto do que eu estou. Você acha que essa turma que tá se formando agora no cuidado com a saúde, né? Esses médicos que estão vindo dessa geração. Eles têm uma cabeça diferente da que a gente tinha quando a gente se formou. Eu acho que a gente se formou no momento ali que nem se falava muito, né? Sobre nada disso que a gente tá falando agora, né? Então eu acho que a gente nem teve muita chance de ver essa caixinha de ferramentas. E eu vejo que agora, claro, tem uma coisa muito de perfil individual, né? Tem alguns que eu vejo que são mais ligados nisso, tem outros que talvez não ligam tanto. E tem muita coisa da idade mesmo, né? Eu vejo que que vejo até por mim, né? Quando tinha 20 poucos anos eu tava naquele motio ou sobreviver ou se divertir, né? Eu acho que muito dos escapis, né? Eu acho que você também, na residentes, sério, saí, encontraga, galera, BB, né? Era o que dava, né? Eu acho que era o que tinha ali. E agora eu acho que eles estão verendo que tem outras coisas, né? E a gente sentiu ali que tinha uma abertura pra falar disso e discutir essas coisas, né? Como é que eu converso, como é que eu lido com uma notícia ruim, como é que eu lido com um paciente que não vai querer fazer esse tratamento e eu aceitar que aquilo é dele, né? E eu respeitar isso e essa coisa dos momentos, né? Eu acho que a gente tem que cuidar muito disso, porque nós do grupo CENER, digamos assim, né? Precisamos estar. Ai, gente, não fala isso, o grupo CENER, pelo amor de Deus. CENER, eu acho que a gente tem que ter esse cuidado de não cair pra trás também, né? Porque estamos aqui nós, mas eu ainda vejo que tem alguns profissionais mais reales que tão sofrendo com isso, não tão percebendo, que tão sofrendo, e tão ainda replicando essas coisas deleterias, né? De da celebração, da demanda técnica, do dongata tempo com isso, é besteira. Então eu acho que nesse momento a gente tem que cuidar de olhar para os mais novos e dar essas ferramentas e fazer também com que os mais velhos entendam que isso é importante, que precisa ter, né? Que é muito do trabalho que eu vejo aqui da Mari, da Paula, de sim, eles vão parar um dia para a gente falar disso tudo, desenvolver essas habilidades que não tão do currículo, e que, sim, nós queremos colocar nesse currículo porque elas vão fazer falta lá na frente, né? E a gente sabe muito bem como faz essa falta, né? É algum momento. Nossa, muito. O Bruno, conta pra turma que tal vinda a gente aqui do seu podcast? Ah, então ele começou bem despertencioso, né? Porque a ideia é como a gente tava montando esse programa de controle do estresse ambiente de trabalho, eu comecei a pesquisar muita coisa, lê muita coisa e comecei a preparar uns materiais e eu queria testar, né? Então eu queria testar como que se chegava para as pessoas, se tinha sentido, se a linguagem é legal, se realmente condizia com o que eles estavam vivendo, né? Então mandava pra alguns supervisores, da área administrativa, da área de cuidado direto, enfim. E aí eles começaram a me perguntar "Eu posso espalhar isso pra outras pessoas, eu gostei tanto, isso que você falou, eu já comecei a aplicar hoje, eu queria que mais gente soubesse e tal." E aí saiu de ser um áudio que eu tava espalhando ali pelotzap e deixei ali compilado, não fiz grandes alarde, né? Não espalhei isso porque ainda tava em fase de teste, né? Bem artesanal, assim, feito em casa, mas aí acabou que cada dia que eu olho, eu tenho algum seguidor novo, alguém que tá se interessando, alguém que tá pedindo até tópicos específicos, então ele tá no Spotify, chama circuito Soma, que é o nome desse programa que a gente tá montando lá. Qual a ideia de ser um circuito? Porque a pessoa pode percorrer aquilo ali, não tem uma ordem específica, não tem um, é o que ressouar com você naquele momento e o circuito pressupõe que a gente possa percorrer ele várias vezes, conforme a gente precisa. E o Soma, no sentido de que eu tinha acabado de reler o livro do Aldo's Fox, "A de Mirável Mundo Novo" e lá no livro ele fala do Soma, que é uma pila que os trabalhadores ganhavam no fim do dia para tipo, assim, esquecer da vida, né? A vida era super sofridas e no fim do dia eles tomavam aquilo e eu achou muito louco que eles creveu aquilo, sei lá, de 1920, 1930 e é basicamente o que a gente chamaria hoje de antidepressivo, álcool, droga ou qualquer coisa assim. E aí, esse nome meio ironico, né? Onde a ideia aqui não é um Soma para esquecer da vida, justamente para pensar na vida e maneiras novas de fazer as coisas, né? E ainda ser um papel aí, um fator de Soma, né, para onde você tá, né? De agregar coisas novas aquilo que a gente falou hoje, né? De ser uma presença positiva, né? De ativar de uma forma boa, os sistemas de engajamento social das pessoas que estão ao nosso redor, né? Então é um projeto que tá no comecinho, mas que eu cuido assim com muito carinho, sempre fico pensando o que a gente pode trazer ali, ele reflete muito do que a gente vai trazer nesse programa lá na empresa mesmo, né? Muito bom, enfim, tá maravilhoso, gente, ou são aqui no Spotify, sei lá, tá só no Spotify, também, o outro é o Spotify, também. Só no Spotify, então o ou song no Spotify é muito legal, eu ouço vir e mexe ouço lá os episódios do Bruno e o Bruno tem um perfil no Instagram também, que ele pode. que proposta coisas muito legais, então quem está ouvindo a gente, acho que vale seguir como que é uma roba lábvio. É Bruno de Benitez, desde o dato. Bruno de Benitez. Vou deixar aqui também o link na descrição do episódio e tem sempre coisa muito legal por lá. Bruno, adorei. Tem alguma coisa aqui? Se eu queria falar que a gente não falou. Ai, eu adorei também retos, por favor, feliz com esse momento. Realizados, não criaram, não saem feliz assim. Gente, a Unicamp já mais imaginou que isso aqui ia acontecer. Veja prazer se parei. E você não que imaginou isso. Essa galera está muito louca, falando essas coisas e bem todo sentido. Mas eu acho que a mensagem que eu queria deixar, acho que de tudo que a gente falou é isso da coletividade. Eu acho que eu li uma coisa de dia de que o Bernalte não cura sozinho. A gente cura no coletivo, a gente precisa se das mãos e ter tempo pra prestar atenção em volta da gente. Porque tem muita gente precisando de ajuda e as pessoas só oferem muitas vezes caladas. Por causa de tudo isso, né? Porque vão achar que é meme e meme, vão achar que eu sou fraco. E quem tem Bernalte, quem sofre por estresse, é justamente quem é muito forte. Porque vai aguentando, vai pegando mais atividade. É aquela pessoa que o chef vê, que resolve e ainda mais coisa. E são pessoas que têm a regua muito alta até do perfectionismo da entrega. Então a gente tem que atentar. Pra ver se não tem gente ali sofre, que a gente precisa pegar na mão e falar "olha, tem um outro jeito, vamos tantar aqui, vamos olhar pra sua agenda, vamos ver o que você tá fazendo, que outras pessoas pudiam estar fazendo. Se a gente precisa dividir isso aí com mais alguém, se a gente precisa te melhorar as suas condições aqui na empresa, pra você ter que fazer melhor, então acho que a mensagem é essa. Olhar com atenção e com tempo pro nosso ambiente, pra quem tá junto, pra quem pode estar precisando de ajuda. Até aqui, talvez de uma forma meio tópica, o ambiente de trabalho fique tão legal de supar de acontecer. Eu acho que foi pequeno, foi a grande, dá no mesmo, então vamos com a grande. Com certeza, e a partir do sonho grande, que a gente vai dano passo pra chegar lá, né? Então, adorei, adorei meu querido muito, muito, muito obrigada. Ai, obrigado, rei, muito feliz, muito muito. É, muito bom. O conteúdo de spotcast não se destina constituir ou ser um substituto para a conciliamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento, procure sempre o conciliamento do seu médico ou de um profissional de saúde qualificado para esclarecer quaisquer dúvidas que possa ter sobre uma condição médica. Nunca desconsidera o aconselhamento médico profissional ou adiar sua busca por algo que você ouviu nesse programa.
Podcast Summary
Key Points:
A experiência pessoal de estresse e burnout durante a residência médica levou à busca por abordagens mais humanizadas e integrativas na medicina.
A criação de um ambulatório de terapias complementares no serviço público (Unicamp) oferece acupuntura e meditação, focando no cuidado integral e na escuta do paciente.
A importância de espaços para autocuidado e conversas significativas no ambiente de trabalho, tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes, como forma de prevenir o esgotamento.
A necessidade de gerenciamento do tempo e da agenda para reduzir a sensação de urgência constante e criar resiliência frente às demandas profissionais.
Summary:
A transcrição relata a conversa entre a médica Regina Chamon e o hematologista Bruno Beniths, focando no estresse no ambiente de trabalho, especialmente na área da saúde. Bruno compartilha sua experiência pessoal de esgotamento durante a residência, que o levou a buscar práticas como acupuntura e meditação. Isso inspirou a criação de um ambulatório de terapias complementares no Hemocentro da Unicamp, onde oferecem acupuntura e meditação para pacientes, priorizando a escuta e o cuidado integral, não apenas o tratamento técnico da doença.
Eles discutem a importância crucial de os profissionais de saúde terem espaços para autocuidado e conversas que vão além das demandas técnicas, para evitar o burnout. A conversa também aborda a gestão do tempo no trabalho, enfatizando a necessidade de priorizar tarefas, criar agendas realistas com espaço para imprevistos e questionar o senso de urgência constante, como estratégias para promover bem-estar e um ambiente laboral mais saudável e sustentável.
FAQs
É importante criar espaços para o autocuidado, gerenciar melhor o tempo e as demandas, e praticar técnicas como meditação e respiração para evitar o acúmulo de estresse e o burnout.
Práticas como meditação, acupuntura e a criação de ambientes de trabalho saudáveis promovem o bem-estar. Além disso, reservar tempo para conversas significativas com pacientes e colegas é essencial.
Promova espaços seguros e sem julgamento para discussões não técnicas, incentive pausas e gerencie agendas com folgas para imprevistos. Isso ajuda a reduzir a sensação de sufoco e sobrecarga.
A conversa é uma parte essencial do cuidado, permitindo abordar sentimentos e aspectos da vida do paciente além dos sintomas físicos. Isso pode melhorar significativamente os resultados do tratamento.
No sistema público, essas práticas são implementadas por meio de ambulatórios especializados, como o de terapias complementares, focando em técnicas de baixo custo que demandam principalmente conhecimento e tempo dos profissionais.
Sinais incluem ansiedade, batimentos cardíacos acelerados, insônia, perda de interesse nas atividades e sensação de esgotamento constante. É crucial buscar ajuda e ajustar hábitos ao perceber esses sintomas.
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