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Ep. 10 - VIVIANE MOSÉ - o erotismo na poesia e na filosofia

from erōtikós

67m 3s

Ep. 10 - VIVIANE MOSÉ - o erotismo na poesia e na filosofia

O documentário *Eróticos* explora a relação entre o corpo, a vida e o erotismo como fundamento da existência humana. Vivian Emozé, entrevistada, defende que o herótico — o estado em que o corpo se perde e se une ao mundo — é essencial para viver com plenitude. A vida verdadeira não está nas tarefas ou no consumo, mas na sensação viva do tempo, do corpo e do mundo. O erotismo, entendido como um estado de complementação entre corpos, desafia a civilização que controla o corpo com racionalidade, medo e limites. A cultura indígena e negra oferece um modelo herótico, onde o corpo se une à natureza, gerando força e sensibilidade. A poesia é apresentada como o espaço onde os três erotismos se encontram: o erótico do corpo, o sagrado do amor e o prático da vida. A linguagem tradicional, com sua gramática de exclusão, distanciou o ser humano da natureza; o herótico, por outro lado, revela a conexão real com o mundo. A saúde, segundo a reflexão, não é cura de doenças, mas produção de vida, atraindo o corpo, o tempo e a intensidade. A sociedade precisa reconhecer que o erotismo, especialmente nos idosos e nas culturas não dominadas, é uma força de vida, não um problema. O documentário convida a reavaliar os mitos, a descolonizar os imaginários e a viver com intensidade, radicalidade e coragem, vivendo o herótico como a essência da humanidade.

Transcription

10312 Words, 56194 Characters

Portuguese
O herótico é quando o corpo se perde de si, e se olha de fora sem a sua identidade. Então o que é produzir saúde? É estimular esse herótico, que é a relação da gente com a vida. O herótico é vida. Entende? Então queremos um caminho herótizante, se queremos retornar com a potência de vida que já tivemos e que perdemos, nós temos que diminuir a nossa paixão pela racionalidade, socrático, platônica, distotélica, cartesiana, na verdade especialmente, para nos vincularmos a esse saber que sempre foi excluído, sabe? Heróticos é um documentário que fala sobre amor, sexualidade, erotismo, nichos, clínicos, estéticos e políticos. Vem com a gente nessa série de conversas com artistas e pesquisadores, que ampliam os mitos geros, para que possamos descolonizar imaginários e reflorestar nossos desejos. Olá, prazer, eu sou a Maírez Com bate, psicóloga e pesquisadora, e a entrevistada de hoje é Vivian Emozé, poetiza, psicóloga, psicanalista, mestre e doutora em filosofia, autora de diversos livros e mãe do Davi, um artista e pesquisadora de múltiplas potências. O meu primeiro contato com a Vivian e foi pela poesia. A anos os seus teços me comovem, me come e me movem nas descontrações da palavra que ela bem sabe fazer. Vivian imensina sobre o amor e o tempo, esse último, o maior dos comedores, e a quem a gente pode olhar nos olhos para erotizar a vida. E a deseja de que você se deixa levar por essa pessoa tão inspiradora, que vem ampliar nossa escuta para a era, na filosofia e na poesia. Como você se chama? Me chama Vivian Emozé. E o que te chama? A vida me chama, respirar, caminhar, existir em si. Pra mim é o que há de mais excitante provocador, estar vivo, que não é apenas sobreviver, manter um nível de vida, não é vida em excesso, vida em transbordamento, vida como fonte de alimento. Você tem uma frase que diz que é preciso viver a vida, não nas tarefas da vida, não é algo assim? Sim, mas ou menos uma frase tirada de uma entrevista, mas fala que o importante na vida é viver a vida e não nos afaseres nas tarefas. Porque, na verdade, a gente confunde vida com civilização, a gente acha que vida é comprar, pagar, se vestir, ter curtido na rede social e num restaurante, a gente acha que isso é vida. Na verdade, isso é o jogo civilizatório, a vida sempre diz respeito às galáxias, não é possível pensar a vida sem pensar o infinito. Só é humano, só tem existência, é humano, porque você está vivo como uma pessoa e não tem existência, existir é além de viver, se perceber vivendo. Isso é o que todos homossapem, sabe fazer, mas nem sempre gosta. Então, quando você vive, se vive vivendo necessariamente, você vê a finitude, quem não tem compreensão da morte, quem não carrega a clareza da morte, como limite necessário, todos os dias da sua vida. Não está vivo, está vivendo o processo civilizatório e ele acontece para você esquecer a vida, entender a vida como esse processo, e isso é que, de fato, a gente precisa fazer. Ao contrário, a gente terceiriza a vida para civilização. Então, a gente acha que a gente está sofrendo que perdeu um amor, dói muito, perdeu um amor, mas a gente está sofrendo pela morte em si. Quando você é mudado embora de um trabalho, está sofrendo pela morte em si. Então, a civilização, ela substitui as grandes questões, por questões medíocres, mesquinhas, que dizem respeito a um bigo. Então, esse é o desafio, se relacionar com a vida e não com as distrações que a civilização cria para você não existir. O que você tem feito brilhar os olhos hoje? Me faz brilhar os olhos e existir. Vejo de anacê, me sensibilizar. Agora, o meu tema contemporâneo é análise do contemporâneo, trabalho com inovação. Eu faço leitura da civilização, esse é meu trabalho. Então, isso mexe os olhos e ver na civilização dois prédios, um irruínas e um em construção. Eles são o mesmo? Exatamente. Então, hoje, o que me encanta é ver o prédio que nasce as lutas identitárias, a transformação do corpo com a questão de diversidade de gênero, o amor de diversidade de gênero. Eu amo esse corpo que se transforma, eu amo as mulheres que abrando todas as barreiras, eu amo os negros, estando espaço, existindo e trazendo a sabedoria profunda, que a cultura nega traz a cultura negra indígena. Então, eu amo ver o mundo nascendo desses escombros e não olho pro desabamento. Mas o que me mexe os olhos é o mundo que nasce dos escombros desse mundo que anda desabando. Com certeza, com certeza, porque a força da vida é uma força herótica. Não tem como você me pergunta o que realmente te agrada na. o que que te chama a atenção, o que que te pulsa, e eu disse a vida. Então, a vida, ela é necessariamente o que expande, o que se abre, e essa expansão, ela é herótica, porque o herotismo é o que caracteriza o humano, diferente de todos os outros animais, é o herotismo, não a razão. A racionalidade é um modelo construído moral, e a gente chegou nele até pelo nosso desenvolvimento herótico, mas o que caracteriza o humano é quando ele passa a fazer sexo de frente. Porque quando o homem pegava a mulher por trás, eu estou falando caso de uma relação heterossexual, reproduziva, clássica, era por trás. Então, isso podia ser sem olhar. Quando sexo passa a ser de frente, e você passa a olhar nos olhos, a relação sexual deixa de ser natural, e se torna herótica. Ela não apenas acontece para reproduzir, e nem muito menos para produzir prazer imediato. Ela acontece como a junção de duas subjetividades, produzindo um estado de complementação. Isso é o herotismo de fato. Isso só fala me traz o primeiro texto que eu liceu, que é o vida tempo. Quando você fala que quem anda te comendo é o tempo, né? Que anda me comendo é o tempo, e por trás, e aí olha pela frente, aquilo me tocou de um jeito, assim, tanto pela profundidade da poesia, quanto pela irreverência, né? Quando eu li, eu falei, nossa, tu conhece essa mulher, faz muitos herros. E você citou, eu nunca tinha assado dessa maneira, você citou dentro de um contexto que eu nunca tinha percebido. Porque eu ia meio muito antigo. Muito antigo, mas você encaixou exatamente na questão do por trás, e pela frente, era por trás, e me diminuia, me humilhava esse tempo, porque me dava ruga, porque eu não queria seguir, porque seguiria ficava velha, e de repente, quando ele me olha nos olhos, eu ando remoçando, porque aí o tempo passa a se relacionar comigo, me olhando nos olhos. É isso mesmo, é realmente uma mudança significativa. Você quer que eu falhe ele? Eu quero. Você sabe de qual? E todos. Eu decoro os meus poemas, eu faço escrevo decorando, porque eu acerto eles pelo som, então eu fico trabalhando pela. Pelo amor, porra. Quem tem olhos pra ver o tempo? Sobrando sucos na pele, sucos na pele, sucos, quem tem olhos pra ver o tempo, sobrando sucos na pele. O tempo andou riscando o meu rosto, como a navália fina, sem raiva nem rancor. O tempo risco o meu rosto com calma, eu parei de lutar contra o tempo. Mas sendo instante, acho que ganha de presença. Eu acho que é a vida andapação da mão em mim. Eu acho que é a vida andapação. E por falar em sexo, quem ainda me comendo é o tempo? Você bem que faz tempo, mas eu escondia porque ele me pegava força e por trás. Um dia resolvi encará-lo de frente de esse tempo se você tem que me comer, que seja com meu consentimento e me olhando nos olhos. Eu acho que eu ganhei o tempo de lá pra cá ele tem sido bom comigo, dizem que anda até remoçando. A gente tinha falado de começar a ter o ponto de fusão na sua voz, que é uma coisa que me chamou muito e está indo em argumento do projeto. O poema ponto de fusão ele é um poema que fala de alguma coisa, que a história do pensamento fala muito pouco e da psicologia também. Então, em geral, a gente pensa o humano como uma eterna falta, que é uma base física analítica. a gente nunca atinge a completude. Isso é a marca da psicanálise, mas de muitos autores na história do pensamento, pela morte, pela finitúria, como se a gente nunca conseguisse estar inteiro. Eu discordo disso, exatamente por causa do Jorge Batái, que é um pensador sobre o erotismo, e ele aponta essa complementação que ele chama de erotismo como um estado de complementação. Então, esse poema que eu vou dizer, ele diz exatamente dessa complementação que é possível. O humano pode, sim, se sentir completo inteiro. ♪ Tinha uma família, tem uma caída, tem uma na zona. ♪ Há um lugar onde chegar, um estado, uma postura onde tudo se completa. Assim, um lugar, uma alegria, onde não há mais letra. Tudo são mãos que se dão e não bíra. Há um ponto de fusão onde tudo se abraça e já não há mais frio na alma, apenas o calor do sagrado e do amor. Há aderido que separa. Há um lugar onde chegar, um estado, uma postura de tudo se completa. Há um ponto de fusão onde tudo se abraça e já não há mais frio na alma. Apenas o calor do sagrado e do amor há aderido que separa. ♪ Samiô. ♪ Batai tá sagrado, amor, só falta o sexo que tá numa morça, umas três dimensões do erotismo. Vamos lá, vamos no batai, me conta o seu amor pelo batai. Então, o batai, ele é significativo na minha trajetória pessoal. Porque eu sede nítia à vida inteira, eu sou uma especialista nítia. Mas o batai, que é do século 20, que foi o autor que trouxe o nítio. Por isso eu cheguei a ele, que foi batai, que retomou o nítio na França, na década de 50. Então, na década de 50 e 60, o nítio teve uma superimportância. Michel Foucault, Gille Deles, trazido pelo batai. O batai é um escritor, não é um filósofo, mas o livro dele, que se é um erotismo, ele traz um pensamento tão elaborado, filosóficamente, que ele passa a compor os grandes autores da história do pensamento. A contribuição que ele traz, ninguém trouxe, é inédita, por isso ele entrou pra história do pensamento. E o que contribuição é essa, é a contribuição do erotismo, que está presente na obra perotismo quando ele pensa o surgimento do humano, né, a humanidade. Então, o que caracteriza o erotismo pra batai? Os corpos se juntam, quando eles se juntam, eles têm alguma individualidade, mas a fricção dos corpos, no caso do erotismo dos corpos, faz você não saber quem é você e nem sabe quem o parceiro é. A junção desses corpos faz com que os dois não tenham mais limites, eles são uma coisa só. E juntos ou não necessariamente, mas preferivelmente juntos, eles dão salto para esse espaço, etério, esse espaço abstrato, virtual, que é o pensamento. Não só o pensamento racional, mas a capacidade de transformar as coisas em representação em imagem o erótico, é quando o corpo se perde de si e se olhe de fora sem a sua identidade. O retorno de um estado erótico é um retorno complementar e pleno de sentido, um sentido que não é lógico, mas ele é pleno de sentido. Para matar o humano, se torna o humano, ele tenta entender e leve os trôs, pensa muito isso também. Como é que o humano sai do estado natureza para entrar no estado de cultura? O trabalho, a consciência da morte e o erotismo é a triad que faz com que o humano sai do estado de natureza, mas é o erotismo grande em pulsionador dos outros dois. interessante. Agora, esse lugar do batalho da supressão do limite, ela também é um lugar que também mexe com os medos, não é? Não tem medo, não tem, não tem eu, o erotismo começa com a perda do eu, então se alguém se permite esse jogo erótico, ele não tem nenhum controle, não tem nenhum medo, o medo é anterior a isso, então eu já vivi isso uma vez, vi como é, não quero mais, então eu tenho medo e aí eu não me permito chegar a esse estado, mas não existe limite para esse estado erótico, ele diz respeito a o que é para você canal de chama de pulsão, o eu é a pontinha que você acha que você é aquilo, uma novidade abaixo daquilo que está tudo, a gente é o que a gente não sabe da gente, isso aqui nos fundamenta, necessariamente o eu é uma casquinha, pequenininha, então a gente mora no eu exatamente por ter medo dessas forças, dessas intensidades, mas quando ela surgem, não tem medo, não tem limite, não tem absolutamente nada, a gente arrebenta e vai, o que caracteriza o erotismo é literalmente a perda do eu, por isso que uma frase de batalha é, o estado erótico é o estado em que eu coloco meu eu em questão, necessariamente, eu poderia dizer para você, com a sua frase, que a humanidade tem medo do erotismo, isso sim, sabe, porque quando a gente é levada, a gente sabe isso, no estado de paixão, tanto que paixão é patos, e patos quer dizer algo doente, patologia vem da mesma palavra que paixão, então a paixão ela é não só algo delicada e difícil, como ela é o nosso problema, então o que que é existir é lidar com os excessos, o que são paixões, são excessos, se o meu eu é uma superficialidade, e se eu sou tudo que está abaixo, tudo que está abaixo, é anseia por aparecer, então eu passo o dia desde que eu acordo pegando causa de forças que eu sou e tentando administrar aquilo a marrar, a gente passa o dia marrando, para não fugir, para não escapar, porque você quer embora do trabalho, você quer, tudo você quer que não seja aquela ordem, então a gente passa a vida, o que diferencia se uma pessoa da outra, o modo como lida com seus excessos? Essa experiência da paixão, a gente tem conversado sobre isso, que também, eu vejo que tem uma diferença, até do jeito como a gente se coloca na experiência da paixonamento, que existe a paixão do patos, o de ser tomada, e que aí vejo uma base mitológica do heiros cupido, que flecha, ou das projeções românticas também aí, e tem o viver o heiros que eu acho que batar e fala também nos tipos de erotismo, dessa conexão que não vai estar tomado pela falta, aí me parece que não vai pro lugar de patos, você concorda? Não, paixão é sempre patos, mas aí a gente está diferenciando a experiência erótica que pode ser vida na paixão e sem a paixão, então, é isso. Porque o erotismo, ele diz respeito a três níveis, a paixão é um nível dos corpos, na verdade a paixão mais violenta não é dos corpos, é do amor, é de uma violência extrema pro batalho, né, uma violência extrema, Nelson Rodrigues, por exemplo, com toda agressividade que parece ter naquele texto, a grande questão do Nelson Rodrigues é o amor, como o amor é violento, esse é o tempo do Nelson Rodrigues, a violência é do amor, porque é verdade só, a questão do batalho é o seguinte, nós somos seres descontinos, eu não estou em continuidade com meus pais nem com meus filhos, eu sou outro ser, então todos nós somos seres descontinos com a vida e sofremos de uma solidão absoluta e profunda, por isso, o maior prazer do humano é ter um vínculo com outro, o que é o erotismo, é se vincular alguma coisa ou algo, essa vinculação extremamente prazerosa, porque ela nos dá a ilusão provisória de complementação que não há, não há, a gente nasce sozinho ou é sozinho, a solidão é o que marca a vida, esse é um dos temas que a civilização odeia, então o que acontece no caso do erotismo do sexo, como eu já disse, os corpos se juntam e promove uma complementação, aquela complementação mentira da solidão e me dá uma sensação extremamente grandiosa, e é real, há uma complementação real, de satisfação real, de plenitude real, no caso do amor é pior, porque no caso do amor não necessariamente há a complementação sexual, eu projeto a minha complementação no outro, na ilusão de um vínculo afetivo que não necessariamente é sexual, quando eu projeto no outro, a minha complementação da minha solidão, a minha grande dor, é terrível, porque se o outro vai embora, ele me leva com ele, então a dor de uma perda amorosa é muito superior a dor de uma perda sexual, é extremamente violento, que eu passo a projetar no outro dessa complementação, como quebra, não se quebra, o corpo quebra, da festa, dói, mas não tem o corpo, então chega o moro que se entende, mas na projeção moral não, você pode passar 30 anos, 40, uma vida inteira, com a mesma intensidade amorosa por uma pessoa que você não vê há 30 anos, então eu sou um ser sozinho, e eu me projeto no outro sexualmente, não é mole, uma facetamento sexual a gente sabe isso, a pais chão sexual dele, mas a amorosa é pior, porque o projeto no outro, e tem o terceiro que é a projeção sagrada, então quando eu acisto, no caso ele cita experiências mais drásticas, eu não vou nem entrar nisso, né, aquele fala que a grande experiência de erotismo é você perceber alguém morrendo, então isso é uma longa história, mas vamos reduzir isso para facilitar, A projeção religiosa. é quando você se percebe na natureza, como ser finito, mas você percebe próximo a tudo. Você ganha uma complementação, se sente pleno, encaixado com o movimento e o fluxo da vida. Isso nas experiências religiosas, que não são religiosas, são sagradas, que não tem a ver com religião. Tem a ver com o sagrado. Agora, as três formas de erotismo para o batalhe se reduz a uma. Você pode reduzir a uma, que chama a arte. A arte é o grande erotismo. A experiência artística, ela marca os três erotismos, ela quase pode substituir esses três erotismos. Então, o que a arte faz? Ela te tira do domínio, serviu a natureza, a sexualidade, que é serviu, a tudo isso que é serviu e te coloca num estado de virtualização, mas ainda com a presença física, que é esse grande estado de complementação da arte. Muito bom, é uma arte com corpo, né? É exatamente, exatamente então. Essa arte que o batalhe está falando, que ela é de fato a junção dos três erotismos, a gente nunca pode pensar essa arte como a gente está acostumado com a arte do mercado, com a arte do artista, não é a arte do artista, é a arte do humano que necessariamente é a artista. O que o Nietzsche fala disso? A arte, ela é própria da natureza e não do humano. O humano só é a artista quando ele entra em complementação erótica ou a natureza, porque a vida em si é um processo artístico, a vida é tomar a sua vida na mão e transformá-la na obra de arte, essa questão. Então, quando a gente vê a profusão de formas, que a natureza produz todos os dias, de manhã, de tarde e de noite, pessoas nascem, pessoas morrem plantas, nascem, morrem cores, o dia inteiro. Então a vida é um fluxo eterno e contínuo de criação e destruição. O humano faz parte, porque o humano não veio do céu, o humano veio da terra e do chão, da água, do vento, da chuva. Então o humano, criador, é o humano para o Nietzsche, que se vincula a esses processos de criação e torna isso singular. Essa é a arte. E aí entra um pouco no que eu vou tentando trazer também um projeto que é, quando você fala a humanidade, tem medo do erotismo, pode ser nesse lugar que é mais fácil controlar corpos desvitalizados, corpos sem o erotismo presente. E aí é que eu acho que tem um viás político de falar do erotismo, você pode falar um pouco disso, também. Sim, com certeza absoluta essa é a questão, porque o controle dos corpos é necessário. Se eu não tinha controle dos corpos, você não pode ter oito bilhões de pessoas no planeta. A gente finge um controle dos corpos e não tem, porque a gente está destruindo o lugar onde a gente vive, destruindo cultura. É necessário, para que há a civilização, a existente é de limites. Os limites não são mal, eles são bem fundamentals. Porque como eu sou fluxo em intensidade, eu lido com os meus excessos e vou canalizar, o limite é uma forma de impedir os meus fluxos e isso cria a cúmulo. E esse acúmulo é fundamental para que eu possa investir em direções específicas. Nós somos seres hidrelétricos. Quando a gente acumula forças, a gente ganha uma potência de ação mil vezes maior do que se o fluxo ocorre normalmente. É o investimento desse acúmulo que, de fato, nos faze além. Só que isso é o modo afirmativo de pensar os limites. Quando a civilização começa a produzir uma grande quantidade de pessoas vivendo em espaços menores, isso deixa de ser um limite afirmativo para ser uma castração da força. Essa inversão acontece porque a civilização não quer que a gente apenas canalize a nossa força para ir adiante. O objetivo começa o jogo social, poder, feio, triste, de direções dirigindo outros. Aí complica. Então, quando tem meia doze, meia doze pode ser mil pessoas. Mas, quando tem meia doze na direção, a despotensialização da vida, a de zerotização do corpo são condições primordiais para controle de pessoas. É pelo erotismo que nos controlam. Pelo erotismo dos corpos primeiro. Pelo erotismo do amor, mas também pelo erotismo sagrado. Porque as religiões são a morte do erotismo. E a gente vive três monoteismos que são absolutamente anti-eróticos. O islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Sagrado não tem nada a ver com religião, mas religião é o fim do sagrado. E aí, se a gente consegue resgatar esse erotismo, é algo que eu acho que vai trazendo essa vida, mas não é algo simples, porque também não é algo que vai vir de fora para dentro completamente. A erotidade realmente foi negada para controle do corpo, de corpos. Aí, eu alvo. É diminuir a intensidade dos corpos. Então, nós substituímos a intensidade que é o que nos produz da vida e produz alegria por felicidade. Felicidade é uma ideia. A alegria é uma pulsação física. A alegria é um transbordamento. Você está alegre quando você está planejando de vida. Isso implica intensidades e eroticidades. Você está feliz quando você atingiu o que a civilização diz que é bom atingir. Mas a felicidade não necessariamente produz satisfação. Ela produz uma idealidade e geral ela nunca chega. Esse modelo de substituir a intensidade pela felicidade diz erotizou. Aí, você pergunta, se eu acabei de dizer que as pulsões, as paixões não são controladas, o que aconteceu com a nossa eroticidade na civilização? Algumas coisas, uma delas é ter se transformado em violência. A violência civilizatória, que está nas redes sociais, que está na rua, antes que as pessoas se matam, ou se dizem coisas horríveis, a esse movimento de violência é a desordenação da eroticidade. Então, há algo herótico na violência nos assassinatos. Muita gente estuda isso, tem que ter uma eroticidade no modo como alguém corta o outro com a faca. Então, infelizmente, esses domínios se aproximaram. A gente tem uma sociedade hiperviolenta, porque não temos uma sociedade erotizada. Mas tem outra coisa. Nós passamos a elegeros erotizados. Então, hoje, nós temos os representantes do erotismo, que são os atores, os artistas em geral, os músicos, as pessoas que a gente elege na rede social. Então, há uma terceiraização contemporânea, daquilo que deveria ser de todos a eroticidade, a intensidade e a arte. Eu estava lembrando, com a gente teve coageninunes, ela traz muita coisa interessante sobre precisa de colonização. Quanto esse processo da colonização, que foi trazer as monoculturas, vai trazer determinadas narrativas dogmáticas do cristianismo, isso foi matando muito das narrativas indígenas, que são muito mais plurais. O projeto, ele tem esse desejo de ter mais espaços para essa pluralidade, sabe? Então, se convivéssemos com os indígenas, se olhásemos pros indígenas e pros negros, não apenas como um processo de compensação por tudo que aconteceu, não. Não é só isso, não. É muito mais do que isso. É que, na cultura negra, na cultura indígena, é como se tivesse o grande segredo que a gente perdeu. Mas perdemos um segredo que só quem tem são os negros indígenas, que é a relação com a natureza. Então, os indígenas têm uma palavra em antropologia, que é o sentido de participação. Ele se vê na complementação. Então, o estado de complementação é. O indígena não olha o rio, ele é o rio. Ele não olha a mata, ele é a mata. Então, o respeito pela natureza é belo por isso, mas não só isso. É que se ele é a natureza, ele se fortalece nela. E ela nunca é o abandono. Um rio quanto vai pular nela, e nunca vai dizer, eu não estou afim de você, que eu estou afim dela, não. Então, a relação com a natureza é uma relação de potencialização, de produção de vida e de aeroticidade. Isso é fundamental. Então, a cultura indígena é extremamente herótica. No caso dos negros, é alucinante. Porque a cultura negra que está basicamente fundamentada, nos olhos chás do candomblé, é de uma coisa inacreditável. Porque, se você é filho de engançã, como eu, o vento no seu rosto, a relação com o vento, eu conheço tudo de vento. Porque eu sei o que ele me diz. Agora você pode ser filho de o chum. Então, quando as pessoas começam a identificar a sua personalidade, o seu modo de ser, com alguns dos orichás, os orichás não estão fora do mundo. Você passa a se vincular ao mundo e se retroalimentar com as forças da natureza. Então, se queremos um caminho erotizante, erotizado, se queremos retornar com a potência de vida que já tivemos e que perdemos, nós temos que diminuir a nossa paixão pela racionalidade, socrático, platônica, distotélica, é cartesiana, na verdade, especialmente, para nos vincularmos a esse saber que sempre foi excluído, sabe? E se a gente não resgata essa cultura, nós estamos em risco sério distinção, o que nos tirará distinção é retomar a cultura negra indígena. Não como folclore, mas como necessidade. Na língua garani, não tem o pronome possessivo. Só as línguas antigas todas, quando você pega chinês, entendeu? Não tem, não tem japonês, não tem. O eu é típico da nossa lógica. calzá-lo, ele foi adquirido, as línguas antigas nenhuma tem eu, sujeito, verbo, predicado, é a base da castração da linguagem. O que nos afasta da verculação com a natureza é a relação com a linguagem, que basicamente passa por uma gramática, que é uma gramática de exclusão. Ou eu sou bonito ou feia, me desculpe, né, às vezes eu sou horrível, e às vezes sou belíssima, independe da luz, do dia. Pode coexistir, né. Exatamente, beleza e feiúrio, que é beleza e feiúrio. Certo errado, a gente acha que o põe, né, os dois estão juntos, a gente sabe que bem mal existe, todo mundo sabe. Agora onde um comece eu termina ninguém queidei. A gente começa a ir do binarismo, né, que é o que a gente finalmente, acho que tá começando a falar mais. Isso, quando a sociedade enrede, né, a sociedade enrede, ela é horizontalizada, mas a sociedade enrede, ela literalmente quebrou as polaridades na rede, não tem polaridade. Tem nos humanos que usam a rede. É outra coisa. Então daqui é duas ou três gerações, quatro, cinco talvez, que as pessoas já devem. Ah, cê era uma aglia muito tem paz e a voz, a polaridade vai ser uma piada, que a gente vai rir muito para lá, lembra quando bem o posto é mal? Lembra quando mulher se opunha o homem? Lembra quando o masculino se opunha o feminino? Nunca se opõe é masculino e feminino. Nunca eles estão em complementação, sempre tiveram, por isso a diversidade gêneros hoje é uma realidade. É muito interessante como tá vindo muito dos olhos, chás em quase todas as conversas. Eu não, eu não. A gente já fez. Eu tive várias ações com esse chú, com. Eu sou totalmente vinculado, muito vinculado. Eu ganhei um que rechu nas escolas, que eu peguei aquele tipo de gente, perta um exagerante, também não é assim, eu pensei. Cara, não é exagero, não. O que é que é chú? É a força bruta da natureza. Eu não falei que nós temos uma força, é chú, o nome, o nome da vida é chú, entendeu? Chú é a vida bruta, que vai ser elaborando a partir do movimento, é lindo. Ai eu amo, e minha defesa é essa, sabe, que é cultura, porque não é religião, porque essa coisa de eu deixar, ela é cultura, não é religiosa, entendeu? Não precisa acreditar, não é fé, entendeu? Tá lá, está vendo o mar, não tem dúvida, então se relacionar com mar e saber vincular aquilo à sua força é maravilhoso. Eu acho que tá muito mais incorporada, né, a experiência, muito grande. Muito mais, muito mais, isso me encanta, e tá me chamando super assim, você já começou com. Até muito com o viés mitológico grego, de repente eu tô assim, gente, não é essa mitologia, o que tá acontecendo? É, é, porque a Grecia, ela te dá uma referência, é primeiro, anterior a criação da razão, mas hoje é mitologia africana, que todo mundo vai entender o seu discurso. Ela tem a mesma característica da griga, não tem deus originário, entendeu? Não tem assim, alguém criou o mundo, sua filha daquele cara, não tem. Todos os deus brigam uns com os outros, igual na Grecia, então para ter alguma coisa, você conseguiu alguma coisa na Grecia ou na mitologia africana, eu preciso uma acordo de vários olhos chave. Não é um zinc cheguimando em todo mundo, ou chá lá, não tá lá mandando em todo mundo, não existe isso. Zeus, coitados, eu se dando a todinha em todo mundo briga, ele tem que atender a todo mundo, é muito legal. É completamente fora dos três minutéismos, eles são a castração. Para finalizar, os três minutéismos são filhos da lógica socrático platônica em busca da verdade, modelo piramidal, que não é modelo em rede, entendeu? Isso é a ideia dos três minutéismos. Isso pode ser um corte interessante, porque eu estou aqui decidindo, a gente vai decidir juntos depois, assim, se. Se eu vou colocar oéros, as versões geros do grego ali, oéros do caos, em oposição ananqueca na necessidade, eles são complementares, se você não dividir. Oéros, póros e pênios, oéros afrodir, oéros do torque. Isso aí, a pena são versões do platão, por exemplo, oéros e pênia é coisa do platão, que é quem criou a razão. Entendeu? É comprometido e fudida essa visão. É uma visão deturpada a do póros e pênia. Não existe. A mitologia grega não tem póros e pênia naquela. Aquilo é platão, é a visão do platão. O grego não pensava isso. Mas trazia o Deus primordial, na Sementucausa, um dos Deuses primordiais na Sementucausa. Não, mas isso aí é porque a mitologia grega é caótica. Numa ilha fala uma coisa. Não tem continuação. Não tem uma historinha, entendeu? Você vai numa ilha? Naquela ilha lá, aéros, na verdade, é a força que faz as outras forças se unirem para surgir a terra, que é a primeira força, a terra e o céu. Então, uranos e gaias, acontecem, porque oéros juntou forças indefinidas e fez com que elas produzissem forma. Isso é um modo de pensar, mas isso é uma ilha em um lugar. Outro lugar diz, não. Oéros, ele é filho de Afrodite. Entendeu? E Afrodite nasce do esperma e do sangue de urano, que cai no marco, onde ele é castrado. Isso são visões diferentes que combinam, entendeu? Não há três que se complementam. Quando você está falando de uma, as outras não existem, entendeu? Então, se pode ser mais interessante pegar essas que se conversam aí. Eu acho que você pode falar delas, não tem problema. Só que você que não é que nós temos um erotismo de poros IPN, e temos o outro, e temos o outro, a gente pode usar os três. Não. Nós só temos um erotismo e isso são narrativas diferentes, entende? Então, o erotismo para a agressia, independente das narrativas, o erótico é o que une. As forças, por exemplo, no Ixing, por exemplo, que é um livro chinês, que eu adoro, que é a base, pensamento de confúcio, é muito antigo, um livro de cultura popular. Ele fala do amor como aderir, então ele diz, "tudo para existir tem que produzir aderência de zão, que é esfermatosoide óvulo". Então, o que é o erótico é o que adere. Entende? É o que une. Exatamente a terra também. Exatamente. Então, o erótico na metologia grega é o que adere. Tem dois. Ele aparece lá para juntar as forças, mas aí é tudo sem forma, a própria oéreos não tem forma, e ele promove a junção das forças para produzir a forma, e tem oéreos, que é um cofletinha, que é o filho de Afrodite, e que como uma criança fica fazendo merda. Entende? Eu atingo, juntando pessoas que não têm nada a ver e produzindo sofrimento. Ele se complementam, entende? E o Boros Ipanha é o que vai trazer na verdade a ideia de que o amor é aquilo que nos leva a grande ausidade, aquilo que nos leva a maior sofrimento, que também está marcado com o mito de Afrodite. Também pode ser um caminho aqui, da gente trazer via poesia, oéreos e psiquês, então não está sentindo aqui também. É, porque oéreos e psiquês é como a gente vai se falando da passagem da natureza para civilização, sabe? Porque oéreos é um indefinido, é a força que une, não é? Psiquê, a gente está falando de interioridade. O humano não teve interioridade sempre. Entende? O interioridade tem a ver com memória, com virtualidade. A gente ganha consciência quando a gente ganha virtualidade, nós somos seres virtuais, né? Se não fosse nossa virtualidade, teremos desaparecido. O que é o pensamento? Não tem corpo? Só tem som, imagem. O que é o seu sonho? Você navega? Entende? Isso é literalmente a internet. Literalmente. Então a internet é a reprodução da natureza, a internet é errado. Ali é o humano reproduzindo o que nós temos de mais sofisticado. Nós somos seres em rede, o corpo funciona em rede. Não é o cérebro que está em cima coordenando o corpo. Não, isso. O cérebro é apenas o processador de informações. Eu penso com a perna, com sexo, com a cabeça, com a pele. E o cérebro só processa. Então a sociedade em rede, ela é uma expansão maravilhosa do humano. Se não fosse sociedade em rede, a gente está nem discutindo esse tema. A gente está discutindo isso porque você, na sua sensibilidade, percebeu o que é possível retornar esse aerótico. E você sente que pode, entende? E por que que a gente pode? Porque nós não somos mais bem ou mal, certo ou errado. A gente pode lidar com essa desintegração da eroticidade, sabe? Em relação à juventude e internet, é que nós não temos espaço sociais de corpo. Se nós tivéssemos uma rua onde pessoas pudessem evitar, as crianças iriam na internet e outro horário. Então obviamente isso atrapalha, né? Outra coisa para sobre isso logo. Ah, e os algoritmos? O algoritmo é a forma como pessoas que controlam os sistemas sociais sempre, se apropriaram da rede e nos controlam pelos algoritmos. Isso é óbvio, mas isso é o uso do poder do nosso sistema, entende? A gente tem que fazer política aprendendo a absorver essa tecnologia porque ela é nossa. Então ao invés a gente curar transtornos ou doenças psíquicas, como a gente está tentando, a gente deveria produzir saúde. Não se trata de curar doença, mas produzir saúde. Não só no psíquico, mas no físico. Então o que é produzir saúde é estimular esse herótico que a relação da gente com a vida, o herótico é vida. Entende? Então se queremos uma sociedade saudável, mas temos que diminuir radicalmente a medicalização da vida, então qual é o mal industrial que tem no mundo hoje? É a tecnologia e a segunda, a forma sêutica. Para mim, a maior destruição da eroticidade se dá pela medicalização e a medicamentalização da vida. Eu me curo da minha doença física, da minha doença psíquica. Eu posto uma medicação psiquiátrica, não só contra ninguém, não tem uma medicação psiquiátrica, já mais. Mas eu só toma uma educação psiquiátrica quando todas as minhas saídas de eroticidade, de vida e de arte não funcionam. Entende? Então, produzir vida e potencializar a vida, a intensidade, a vida circulando, a expulsa, qualquer doença. Psique que eu fisica. É, é tudo muito complexo. O buraco é mais embaixo, viver porrada e pancada as famílias, problemas de psique, famílias já nasce prontamente errada. Você já viu duas pessoas morando em uma casa transada, uma domina em uma cama e tem filha. Não, é estrutura. Isso é possível. Você conseguiu. Se você consegue, é milagre. Tem que ficar feliz. De consegue? É. Com essas desconstruções assim, de famílias também, né? Inguém consegue totalmente, entendeu? Então o casamento é insuportável, o trabalho, a vida. A gente veio aqui para expandir, não para ser feliz. A alegria está em participar do jogo, mas isso é de maturidade. Isso é uma dignidade que a gente tem que aprender quando vai crescendo. Sim. Você não aprendeu isso, nem eu nem você, mas os nossos filhos vão ter, porque eles vão ter que aprender. Desde muito pequenininho. Tem uma poesia sua, a família da mãe, o poema, uma parte que você fala, aquele corpo que se dissolvia na madrugada, agora dorme, abraçado, vive em família, mas sem pele permanece. O que você acessa aí quando fala desse lado mãe, que isso em pele permanece? Eu tenho um poema que é o que me identifica, o que é o que é mais uso, para me dizer. Não tenho pele, tudo me fere, sofrer de carne viva, de carne vida, eu sou, de carne vida. Eu tenho uma hipersensibilidade corporal que me faz sentir as coisas em excesso, entendeu? Então eu sou um ser sem pele. Eu faço palestra para três mil pessoas, eu me projeto nelas lá atrás. Eu consigo ir lá longe, entendi, eu me dissolvo nas coisas, né? Eu nasci no momento muito difícil para meus pais, muito para minha mãe especialmente, muito difícil. E quando o meu filho nasceu, estava no meu cole, fui amanhã os 40, a minha mãe, aquela mulher forte, poderosa, sou burbana, muito inteligente, mesmo tendo feito o quinto ano do ensino fundamental, e meu pai, outra pessoa muito inteligente, fez o supletivo ao primeiro segundo grau, mas uma casa alegre, intensa, sabe? Mas quando eu nasci, estava tudo errado, portanto eu demoria a vida inteira para entender, porque eu vivi numa família alegre, como eu trazia essa dor na alma, quando meu filho nasceu minha mãe, minha braça, e chora compulsivamente, me perde, perdão, como se fosse, ela estivesse cometido um crime, e eu falo por que estava falando isso, ela falou por que quando você nasceu, não tinha ninguém lá, ela falou chorando, eu não estava lá, até você ter dois, três anos de idade, não tinha ninguém com você, minha filha, eu não estava lá. Eu te dei peito dois anos, mas só tinha o meu peito, eu não estava lá enquanto eu tinha amamentável, eu tenho uma dor de alma insuportável, eu preciso desesperadamente do meio isolamento da minha solidão, eu fico plena profundamente sozinha, porque eu aprendi isso quando eu nasci, mas no meu suburbo, onde eu nasci, eu tinha uma família que nunca abria a mão de música, meu pai comprava no Beethoven, na banca de Jornal, que era aquela coisa de pobre, sabe? e voltava para a gente ouvir pela manhã, então eu cresci numa casa em que a gente passava dois meses na barraca de campes durante as férias, que antigamente era férias de dois meses, então isso tudo me deu força de vida, muita força de vida, me foi complementada a minha dor psíquica, como a potência de vida, então essas coisas elas vão acontecer na vida de todo mundo, todo mundo teve uma mãe, teve um pai, teve uma dor, então se você sofre profundamente, é porque você é humano, e esse sofrimento é belo, se eu tô sofrendo, é porque eu sou um ser em busca de expansão, eu tô querendo ir além de mim, então desunite o meu sofrimento é meu cão, ele que me dá dignidade, grandeza, me dá solidão, eu sei ser sozinha, então eu não me prostituo com qualquer relação, nem de amizade, nem de amor, você entende? Então o sofrimento é a nossa grande dignidade, a civilização tira o seu sofrimento, e que que ela te dá em troca, a promessa de felicidade, ridícula, só existe no marketing, então quando você compra uma blusa ou um sapato, quando você compra um pacote de viagens, quando você compra ou aluga uma casa nela, na propaganda dela, vem uma promessa de felicidade, não existe felicidade, existe a imensa alegria de encontrar uma pessoa que você nunca viu na vida, num aeroporto, num ponto de ônibus, isso é vida, a passagem, os encontros que a gente tá fazendo, e não ganhe perda, quantas vezes você ganha uma coisa distrói de sua vida, quantas vezes uma perda profunda, pode abrir sua vida como foi uma separação na pandemia, me separei durante a pandemia, tenho um livro novo sobre isso, de poemas, por que ir contra as dores e não viverlas com amor, por que não chamar sua dobro, botar ela na sua frente, e bater um papo com ela, o que você quer de mim, ela é sua, ela é tua marca, isso é que a gente precisa fazer, se a gente quer se libertar do domínio social e da submissão que a gente vive essa sociedade, é casar com o seu sofrimento, porque ninguém te submete a nada, você é livre, tem um amigo que os amorreus aos que ele falava, negador é mim, é mim, tava vendo minha travessão da emoção aqui no choro, mas a gente também tava falando de família de filho, isso é muito sabe, muitas camadas aqui, gente, deixa eu falar voltar uma coisa que eu não quero perder, que eu acho que tem a ver com a poesia e com a pandemia que tudo quer, e o da rio, se você tem uma poesia linda, né, conversando com ela, assim, é o amo e o da rio, amo, e eu achei muito linda só poesia falando do processo de envelhecer e conversando com a hilda, né, também, me vejo velha hilda, nas dobras do seu rosto, que me vejo possível, sob o tempo, a cortar a terra do meu corpo, e me vejo febril ainda, mesmo sem um antigo visto e a voz encorpada, feito as ranhuras do meu rosto anunciam, me vejo também o resto deste hoje esboço retocado de pó, neste ensaio forçado e nervoso de começo, às vezes dói no oso, o aviso imbezado no princípio de pele flácida, mas me fiz gair da esta vida, que escorre das bordas, mesmo quando a carne não dura, me agrada o dorço do vício, como um visgo que me prende a um fio, mesmo que eu tenho de voz, o que eu acho que tá presente aqui nesse poema e que tem muito a ver com hilda, aqui na verdade eu estou usando a metáfora do tempo, né, a hilda envelheceu com muitas marcas no rosto, nem aquilo era muito bonito pra mim, sabe, é que elas marcas, aquele caminho que ela traçava e naquele rosto tão, mas o que é pra mim é forte na hilda é que ela, com a sua eroticidade, ela traz essa pulsão de vida, mas ela também lida com o avesso dessa pulsão, ela não lida só com essa eroticidade aberta, expansível e alegre, ela lida com o nojo que tá presente nisso e com o sofrimento que tá presente nisso, então eu me vejo em consonância com ela, num tipo de afirmação da vida como ela é, acho que é hilda uma mulher que afirma a vida como ela é, sabe, ela não tá liseparando bondade, de maldade, feiura e os livros dela trazem essa eroticidade que beira o perverso, né, mas ela tá navegando na linha que separa as coisas, então como uma escritora corajosa, como uma artista, ela vai onde a gente gostaria de ir, ela faz como se fosse uma pesquisa, né, nas bordas da vida, nas bordas do corpo, no limite, nos limites, né, nas incruzas, nas incruzas, exatamente, aí que ela vai e ela é muito potente, extremamente potente, e finalmente o poema também fala da afirmação do tempo, né, me agrada, velho, se eu acho linda ficar velha, espero chegar aos 100 anos, pelo menos aos 90, fui lindo, sei velho, no tempo cada vez mais me faz melhor, eu vou fazer 60 anos onde que vem, mas numa alegria, fazer 40 foi onde minha vida começou, com 50 e dobrou alegria, né, eu tenho certeza que 60 vai ser um passo ainda mais amplo, sabe, de dizer que eu sou capaz de viver, que eu dei certo, dei certo quer dizer, era alegre, quer dizer gostar de acordar, né, tô 60 anos na gósa da vida, olha que coisa milagrosa, de nós pessoas envelhecem, desistindo, desistindo, largando ali, não, aí o danão. Então acho que aí tem a ver com conseguir envelhecer, com heros aqui, né, assim, vamos lá, tem douta, sofrer tem a morte, tem, vamos morrer, vai ter jeito, mas tem a vida, né, até que tem vida, realmente, a vida é o heros, vida é heros, né, e quando a gente fala de idade, né, o que seria idade, o que que envelhece uma pessoa? é a desistência. Porque se você envelhece, mas continua acessando eros, ou acessando o movimento, a vida em si, que a pulsação em movimento, você envelhece com outro corpo. As pessoas falam muito isso pra mim, "não, você vai fazer 60." Na verdade, eu tenho ruga, tenho ruga se você olhar bem. O que as pessoas acham que o pareço nova é a minha pulsação. Porque eu me sinto mais jovem hoje do que quando eu tinha 30 anos. Quando eu tinha 30 anos, o mundo ainda me pesava. Eu hoje não. É um alívio, não é? Eu concordo plenamente, vou fazer 60. E isso pra mim é o tempo só me abre, só me amplia, né? Proferindo o âmba que era o seu texto. Gente me acessiva, como é? Você possa falar isso? Pode, porra. Olha esse. Olha esse, poema, se não é um delírio de um baseado, uma conha, um chá de cogumelo, algo assim. Tipico de quem tem problemas psíquicos de limite. Podia estar errobando, podia estar imatando. Tá entendendo, né? Moli, não, veja só. ♪ Tirela to la to ler ♪ ♪ Tirela to la to ler ♪ Como um pássaro no braço do sofá, eu fico pasmando. Como um gato no tapete, um caramulho de planta, é uma planta. Plantas sabem respirar pessoas, mas vaso de sala não tem esse poderio. Mas eu sei também ficar em estado de biblô, um sinzeruimca, uma mesa sustentada em quatro pés. Quando comecei, eu só sabia paredes. Eu pasmava em estado delas brancas. Ser parede branca por dentro, esvazia e recomeça. Depois comecei a pasmar quase tudo em casa e vou me renovando em estado de vidro, em situação de porta, entre o dentro e o fora, que é pra um estado de casa, em caminha pessoa. Mas vivência de janela é perigoso e ainda mais fode andar alto, porque inspira a pássaro. E aí você viu como fica a gente não tem asa, o que a gente tem a mesma vontade em estado de guerra. Um campo de batalha é o ser de uma pessoa. Eu acho que o fício de ser gente recessiva. Pessoas são pessoas, o tempo é todo demais. Ser gente recessiva, gente recessiva e me falta. Agora, olha o delírio, tá? Fico pasmando, eu me projeto na porta, eu me torno a porta. Parece muito um experiência psicodérica profunda, né? Exatamente, mas é meu dia. Aí pros lados, entendeu? Depois você tem que me garra e me puxar de volta. Não tenho pele, não tenho contorno. Quem dá o contorno é a mão da mãe. Eu não ganhei contorno. Eu não sei onde eu começo e termino. E a sua experiência materna, porque aí, né? Fui. Aí surgiu uma mãe, então. É, surgiu uma mãe e a mãe veio com muita força. Mas se inscreveu por dia, lindas, ali, né? Também, assim, isso me tocou também. É, todas os poemas vem desse estado de disamparo. Ai, meu Deus, tá que eu tô lindo, tão triste olhe agora, hein? Então forte, nossa, toca muito. A gente se apaixonou. Mesmo, era mos os três agarrados. Era um escândalo naquela época na vila, porque a gente tava nem aí. Mas eu, eu acho que isso é muito, isso tudo é muito legal e muito legal que aconteça. Nesse caso, eu tinha 19 anos. Isso já no rio? Você tava em vitória. In vitória. E a gente morava na casa do de praia do pai dele, que foi embora pra Belo Horizonte. Então, tinha uma casa e o resto a gente se virava pra pagar. Aí, a gente teve essa história com a destaque, o que é o amigo dele de fora, essa história foi a coisa mais incrível. As pessoas na época não tinha ideia de trissar, isso não existia. A gente quase foi apedejado. A gente andava na praia de mandados três, não queria nem saber. Os três mandadas eram. E era uma mãe, essa pedra, é uma mãe. Os pedras ridiculous, né? Eu digo isso que é essa história. Eu está aqui. Eramos três. O sergio, eu e o está aqui, na praia, de mãos dadas. O sol, na pele e o sal. O peixe, no bar da vila, e o escândalo que as vezes causava nossa alegria e o mar, que não parava de se lançar contra a areia e outra vez e outra vez e aquela espuma. Na plenitude da pele, nossos corpos de mar, embriagados, eramos livres, plenos de sol e poesia. E a vida nos levando a lugares distintos. Um dia um carro, outro diferente, e nunca mais eu vou estar aqui. Nunca mais sua voz, roca. Se eu sou riso de dentes mildos, nunca mais sou luz. E eu, plenos de sol e poesia. Não e o mar aqui, e voltava. É sexo, né? E o mar aqui voltava na areia espuma, no fim ainda nos cima. Não é? Isso não acho que é uma pena que a gente ainda tem que ficar defendendo que não tem nada errado ainda. Mas hoje já é, tá? Algumas bolhas? Não, não, não. É que o trabalho com o nariz cenário. Então, a nariz cenário não é o que tá agora. É que você tá vendo a projeção, entendeu? Então, assim, pode durar e não ter retorno. Não é ainda, mas não é inevitável, entendeu? Ele tá vegou, tem uma sexualidade, entendeu? Todo mundo é meio homem e mulher, isso. Não tem que ver com o encontro também, não é? Isso é claro, como é isso. Então, isso hoje é totalmente diferente. Esses amigos, que eu tenho muito novos que fazem parte do grupo de teatro que eu estou nesse barco, muita gente, com menos de 30. Gente, eles não têm nenhum limite com nada, é uma coisa muito incrível. Eu acho que você é a força de eros. Exato por isso que eu falei que eu tenho o trabalho. Você tá entrando no lugar que é, você está afirmando a vida como potência de saúde. O eros é vida e é saúde. Eu ganho a alegria quando eu ganho a vida. E a vida você ganha, eu pego por encontros. Tem encontros que são bons encontros, quando a minha força compõe com a sua, a minha força se torna a sua, a sua minha. Então, eu me torno duas quando eu te encontro. Mas a minha força pode decompor a sua, nós duas viramos meio e não um. Mas esses encontros, as ideias moram 20 anos, uma ou encontro. Então, o encontro também, por exemplo, como livro, o encontro com a natureza, tudo são encontros. Então, o que que é viver é produzir encontros de intensidades que se compõem? E se afastadas que decompõem, entendeu? Então, a vida na gente, ela pode se desgastar e a gente envelhecer, porque a gente está investindo a vida em alimentos que não saciam, como dizem os tineses no Xing. Então, você vai estar eternamente com fome, e isso te desgasta. Se você procura alimentos que te saciam, existe saciedade. Nós não somos uma falta ambulante, como diz o Freud. Freud é maravilhoso, mas está errado. Nós não somos movidos pela falta. Nós somos vídeos pelo excesso. Então, se eu acesse a minha intensidade e consigo me alimentar de alimentos que me saciam, eu trago vida para mim ao invés de perder vida. Uma pessoa que aprende o que alimenta, se a chuva, se ao vento, uma pessoa que aprende o que diminui, certas pessoas, certos convidos, certos estudos, certas questões, essa pessoa passa a viver buscando fontes de vida e alimento. Uma coisa que no ocidente é muito marcante e que é uma das coisas que castram a vida, sabe, é acreditar que a sexualidade não está presente na velice. E por que que velho não transam? Ah, porque os homens ficam impotentes? Ficavam antes do viagra. Assim como as mulheres não podiam transar de tapilante concepcional, né? Então, não existe os primeiros, nem todo homem fica impotente com a idade, ponto 1, isso tem a ver com circulação sanguínea, com saúde, com exercício físico e tudo. Mas mesmo que fique, hoje a gente não tem mais esse problema com o viagra. Além do que, uma mulher pode namorar uma outra mulher e não tem penetração, não tem necessariamente precisa dessa coisa, então nada impede a sexualidade de velhos, mesmo muito velhos. A manutenção de uma vida sexual sem sombra de dúvidas, produce potencialização da vida, porque uma mulher de 80 anos, quando acabou de ter um orgasmo, ela é uma menina, como qualquer menina. Ela não deixou de ter prazer de pulsar, ela só tem rugas enquanto pulsa, mas qual problema? Então preconceito contra a sexualidade da velice, ela é realmente desistruturante, a gente tem que conquistar isso logo. Isso, não é isso, não é? Isso usávamos dessa fã. Vamos transar, por favor. Inclusive transar sozinho, né gente. Sabe? É outra coisa, sabe? O mito da masturbação, pelo amor de Deus, a pessoa parteigoso de berrar, você é masturbando, entendeu? Mas as pessoas acreditam que, "Ah, eu não tenho ninguém, mas pode ser sozinho, nem sozinha, há um preconceito religioso contra a sexualidade de velho". A pessoa tem vergonha. Quer que você fale do. Duas poesias vai pra gente ter, pra depois encaminhando o profeixamento, ou do que você sentia, e também o que quer. O amor não tem cabimento, o amor derrama pelos porros. O mais perto que pode chegar do sagrado, o amor torna o corpo aceso iluminado, a mar é muito mais do que ser amado. O amor é o que um nos pôr o zoom um. Formando este tronco de furos, somos feitos de falhas, vazados por micro vazios, mas temos medo de tanto mundo por dentro, medo do peito aberto, da mão aberta, medo dos pés por caminhar em muitas vezes sem chão, faltar, faltar, é preciso respirar fora da bolha, abrir as mãos, o peito, o coração, é preciso abrir o coração quanto atento. Ainda estamos aqui. Eu quero te ler um meu sucesso. Ah claro, um trecho, é um que acho que traz, você publica também? Não, ainda não, quem sabe depois do herótico, é lógico que eu vou explicar, tem a ver com essa escrita com a palavra, né? Quero marcar sua tela em azul e palavras, deslizar a ponta da caneta por entre os pobres que se abrem aos versos. No seu peito, escreverei sobre sítoles e diástoles. No ventre, eu vou marcar a base da poesia. Terminado que não acaba quando corpos preenche, eu vou te abraçar, borrando um pouco os escritos. Sentiu o seu toque bemol e a língua sostenida em nossa música dramática. É lindo, você me manda ele, eu já testei pra quem vou mandar. Você não vai falar antes, você estava dirigido. Pra mim, o herótico termina no texto. Termina no texto, entendeu? É a palavra. Termina ou? Termina no sentido de que eu come, eu age, entendeu? É o máximo. A síntese dos três erotismos é a poesia. Só que a poesia está presente nas artes plásticas, na música, que é poética. Então a poesia, ela não é literatura. A poesia é poesia, então, escrever, falar já é erótico. Tanto que você se excita com alguém falando. Então a palavra se falar já é escapar do domínio presencial pra uma expansão. A poesia é isso, só que sofisticadamente. Então escrever poemas e literatura, se dedicar esse texto, é extremamente erótico. É ele que produz essa vida, então você escreve, você está emanando isso, mas quem leita também, tá? Então todos nós, no fundo, resgatamos a nossa potência de vida muito em função de uma palavra plena. Como diz o Lacan, entendeu que é a palavra da Nálise, que é a palavra que é erotizada, é a palavra que não tem medo, é a palavra que não tem causalidade, sujeito predicada, poesia não precisa seguir gramática, é a emergência pura da fala pura. Ele é verdade. Exatamente, por isso que você vai fazer erotismo, mas o seu erotismo agora estou fazendo análise da outra. O seu erotismo vai terminar no seu texto, que é muito bonito o seu poem, eu não gosto de nada, tá? Você gostou mesmo? Eu gostei mesmo. Não gosto de nada, não, é muito raro eu gostei. Em geral, eu gosto dos antigos, entendeu? Mas a gente nova, é muito raro. A maioria escreve com ideia, não com palavra. E pois eu não é uma ideia, é palavra, é o modo como juntas palavras, e as suas palavras têm a sentir, elas têm potência, entendeu? Ai, que louco. Você leu uma coisa linda, que inteligente, né? Que a pessoa escreveu, inteligente, não é poesia, filosofia. Ai, vivendo muito brilho. Ai, eu adorei. Muito obrigada, sim, pela sua disponibilidade amorosa. Já sei, eu vou terminar falando um poem, mano. Porque eu falo muito ele, eu acho que pode ajudar. I, I, I, I. A partir de um dia, qualquer. Eu não estarei mais aqui, sob este sol de Inverno. Sobre esta luz sedutora a tocar minha pele. Eu não mais me moverei por esses espaços escondidos entre as coisas. Por esses sutis abismos para onde me guiei por minhas próprias mãos. E não exultarei, não transbordarei como de costume. A veral dia em que eu gosto na boca do café e do poema. Não mais encontrarão em mim um corpo, onde deitar. Os sons das matas, o vento nas folhas. Meu filho, dizendo "mãe", não mais prepararam meus ouvidos. O trânsito lento, as festas de rua, os banhos de mar. Continuaram sem mim. Então que o meu rastro, em forma de culto e de resa, em forma de mantra e de música, seja o registro de um amor. Incondicional pela vida, a esta vida absurda contra a ditória, intensa e profundamente bela. A esta vida, eu dedico meu melhor, seu ver melhor. As músicas do podcast são trechos das canções congou e paca leô de Lena Baúi, que é quem também vai assinar a criação musical do nosso filme. O documentário eróticos conta com pesquisa e direção de maírez com bate, direção de fotografia de Guta Gali, produção de Diana e Calisto, co-produção da espelho filmes e apoio do canteiro, campo de produção em arte contemporânea. A edição dos podcasts é de Mariana Leon e as músicas de Lena Baúi. Agradecemos a todas as pessoas queridas que nos acompanham na primeira parte da pesquisa, em especial as entrevistadas, a Biana, Alexandre Coimbra-Maral, Catarina Gusquen, Selca Volcante, Gaúpido, Jenny Nunes, Diana Leite, Lena Baúi, Pedro Ambra, Renato Nogueira e Viviane Mosé. Acesse todas as conversas, saiba mais sobre o projeto e sobre o filme, e compartilhe as suas impressões no eróticos.art, em nosso site e na página do Instagram. [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. O herótico é essencial para a vida, representando a conexão entre o corpo e a existência, onde o indivíduo se perde em si mesmo para se encontrar com a vida.
  2. A vida verdadeira não é a civilização, que prioriza tarefas e consumo, mas o ato de viver com intensidade, presença e sensibilidade ao tempo e ao corpo.
  3. O erotismo é o estado de complementação entre corpos, onde a perda do "eu" permite uma unidade profunda e uma experiência de plenitude, diferente da razão.
  4. A civilização desumaniza, substituindo a experiência de vida pela distração, controlando corpos e emoções para manter o poder e a ordem.
  5. O erotismo está ligado à arte, à natureza e à experiência de encontro com o outro, sendo o caminho para a saúde e a expansão da vida.
  6. A cultura indígena e negra traz um modelo herótico, onde o corpo se integra à natureza, criando um vínculo de potencialização e solidão transformada em força.
  7. A linguagem ocidental, com sua gramática de exclusão, afasta o humano da natureza; a linguagem antigas, sem "eu", permite uma conexão mais profunda com o mundo.
  8. A poesia é o ponto de fusão dos três erotismos, expressando a intensidade da vida, a sensibilidade ao corpo e a possibilidade de transformação individual e coletiva.

Summary:

O documentário *Eróticos* explora a relação entre o corpo, a vida e o erotismo como fundamento da existência humana. Vivian Emozé, entrevistada, defende que o herótico — o estado em que o corpo se perde e se une ao mundo — é essencial para viver com plenitude. A vida verdadeira não está nas tarefas ou no consumo, mas na sensação viva do tempo, do corpo e do mundo.

O erotismo, entendido como um estado de complementação entre corpos, desafia a civilização que controla o corpo com racionalidade, medo e limites. A cultura indígena e negra oferece um modelo herótico, onde o corpo se une à natureza, gerando força e sensibilidade. A poesia é apresentada como o espaço onde os três erotismos se encontram: o erótico do corpo, o sagrado do amor e o prático da vida.

A linguagem tradicional, com sua gramática de exclusão, distanciou o ser humano da natureza; o herótico, por outro lado, revela a conexão real com o mundo. A saúde, segundo a reflexão, não é cura de doenças, mas produção de vida, atraindo o corpo, o tempo e a intensidade. A sociedade precisa reconhecer que o erotismo, especialmente nos idosos e nas culturas não dominadas, é uma força de vida, não um problema.

O documentário convida a reavaliar os mitos, a descolonizar os imaginários e a viver com intensidade, radicalidade e coragem, vivendo o herótico como a essência da humanidade.

FAQs

O herótico é o estado de vida em que o corpo se perde de si e se olha de fora, vivendo intensamente. É o que caracteriza o humano, pois representa a conexão com a vida e a expansão da existência, diferentemente da racionalidade.

A civilização substitui a vida real por tarefas e distrações, reduzindo a intensidade dos sentimentos e do erotismo. Ela cria limites que controlam o corpo e o desejo, tornando a vida uma questão de sobrevivência e não de plenitude.

O amor e a sexualidade são formas de complementação entre corpos, onde a união produz um estado de plenitude. Quando o sexo é feito de frente, com olhar nos olhos, passa a ser herótico, pois há perda do eu e um estado de fusão com o outro.

O erotismo, segundo Batási, é o estado de complementação entre corpos que se unem, perdendo individualidades. Esse estado é uma forma de expansão, onde os corpos se tornam uma coisa única e o pensamento se expande para além da razão.

A poesia é uma forma de expressão que rompe com a lógica e a gramática, permitindo que a palavra se torne vivida e intensa. Escrever e ouvir poesia é um ato erótico, pois se abre ao mundo e ao movimento da vida.

A sociedade acredita que a velhice impede a sexualidade, mas isso é um preconceito. A sexualidade pode existir em qualquer idade, e o orgasmo de uma pessoa de 80 anos pode ser tão intenso quanto o de uma jovem.

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