EP 02: Projetos e referências que materializam as tecnologias humanas no fazer pesquisa.
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O segundo episódio do podcast "Desbravadoras" reúne quatro pesquisadoras que discutem projetos que materializam as tecnologias humanas no fazer pesquisa. Carmencita, antropóloga de Florianópolis, introduz o conceito de uma arqueologia da pesquisa que une ideias, mulheres e novas formas de produção de conhecimento. Esther, doutoranda em antropologia social, fala de seu projeto artístico na Amazônia, que investiga saberes ancestrais de mulheres rurais, como técnicas de extração de óleo de andiroba e uso de ferramentas manuais. Ela destaca a importância de trazer esses conhecimentos à luz por meio da arte e da fotografia. Carmencita, por sua vez, compartilha um estudo etnográfico sobre um projeto internacional no Paraná, que promove a criação de galinhas caipiras por famílias agricultoras. A pesquisa revelou como essas famílias investem em bem-estar animal e qualidade de vida, gerando ovos de alto valor e novas perspectivas econômicas. Munique, pesquisadora de São Paulo, menciona o "Institute of Black Imagination", uma plataforma que valoriza a imaginação como tecnologia humana e ferramenta de reconstrução de mundos, especialmente para pessoas negras. O episódio reforça que a pesquisa é um processo coletivo, lento e transformador, capaz de unir academia, mercado e saberes tradicionais, promovendo mudanças significativas na sociedade.
[Música] Esse é o podcast de esbravadoras, a pesquisa, a partir do ponto de vista da tecnologia humana. Um manhã, um para colocar o luz sobre o paradigma, um ponto de vista, teorias, pensadores, pensadoras, e possibilidades multidisciplinares que conseguem, a subjetividade humana como parte potente do parato dos seres humanos de estar e se transformar no mundo. Por episódio de hoje, episódio 2, a gente aterriza, ou se propõe aterriza um pouco mais as coisas falando sobre projetos referências que materializam as tecnologias humanas no fazer pesquisa. Basicamente, o que a gente vai fazer hoje aqui é compartilhar exemplos e referências de projetos que compreendem essa junção, essa linda amalgama entre pesquisar e capturar tecnologias humanas ou capturar a humanidade. [Música] Bom, obrigada, Luisa, a turna nos apresentar, assim, todos nós falo do sudo país, meu nome é Carmencita, e vamos começar nos apresentando, então. Falo de Florianópolis, nesse momento, estou com uma vusa verde com um lenço amarelo, sou antropóloga, e estou nos desbravadoras com um objetivo de trabalhar uma arqueologia da pesquisa, pensando sobre união entre ideias, entre molheres, para poder pensar esse Brasil a partir de novas oportunidades, de novas pesquisadoras, e refletindo sobre novas propostas, também, de se fazer pesquisa, de se construir formas de se adequar tanto a academia, questões da ciência, e o mercado trazendo oportunidades para todas nós, poder também não somente refletir sobre todas essas oportunidades, mas também materializar as nossas construções e ações dentro dessas nossas formas de fazer pesquisa dentro da ciência social. Bom, eu passo a palavra para esteir, que está falando do norte do país, é uma pesquisadora que a gente honra muito dentro desse grupo. Esteir conta para a gente onde está, que é em Tuése, e como é que a gente pode pensar esse viés de desbravador através de Ti? Oi, eu sou esta Correia, sou doutoranda e antropologia social. estou em Castanhão, uma cidade no interior do Pará agora, estou na casa de uma amiga, e estou falando, estou gravando aqui, direto da cidade de Castanhão, e eu sou uma experimentadora, acho que eu gostei desse termo muito recente de me auto-denominar como uma pesquisadora, mas que também é experimentadora. Então, para mim, ser uma desbravadora tem tudo ver com isso, com experimentar, com explorar, com ver possibilidades onde poucas pessoas podem perceber, por uma perspectiva ocidental, ou mais fechada, então eu tento fazer essas experimentações, e aí tentar, desde a arte misturar, com antropologia, então isso me possibilita experimentar e desbravar, conhecer isso que tem aqui, principalmente na amazônia, que é o cenário que me entanta, é o que me move, então eu sou essa experimentadora, sou essa desbravadora. Obrigado, Ster. Eu acho que a lupa pode ser apresentar, para depois apresentar a Munique, que é a nossa outra pesquisadora, a colega que está em São Paulo. A luta também está na Serra, do sul do Brasil. Eu acho que ela pode contar um pouquinho, para a gente também, de onde e de que lugar, ela desbrava-se Brasil nosso. Oi gente, que bom, que estamos aqui, que estamos aqui com esse compromisso, sem estar no Google agenda, isso é sim muita tecnologia humana, para fazer um encontro, fazer-te aqui com vocês, com a estere agora, junto, muito feliz mesmo. Eu falo aqui de canela, da Serra Gaúcha, eu estou vestindo uma blusa branca, estou com um cabelo amarrado, sem franja, estou aqui meio de pijamas, assim, não pijamas, essas roupas meios, que a gente, que é nenhuma coisa, nem outra, que a gente acho que na pandemia, descobriu essa roupa, que não é nenhuma coisa, nem outra, assim, meio uma casa, talvez. Do ponto de vista desbravadora, acho que eu conecto muito com a estere, a gente do explorar, de experienciar, de explorar, de a partir de um olhar muito curioso, também, como eu comentei no episódio anterior, de descontentamento, de achar que podemos mais, de que merecemos mais, e de que as coisas podem ser diferentes, tal qual nos ensinaram, assim, a perceber a humanidade, fazer pesquisa, como trabalhar, como marcar um compromisso com hoje. Então, acho que explorar, experimentar, são palavras bem, bem valiosas, para essa, para essa jornada, que requer muita curiosidade, e passa a palavra para municar, direto desse pé. É isso. É isso. É uma nequilemos, pesquisadora. É, então, é um palo, faz muito frio hoje, mas também fez um sol lindo, quente digno de verões, assim. Então deu para dar alguns sorrisos, no meio de uma pandemia. Acho que enquanto desbravador, eu me encontro um lugar de muito curiosa, e acho que, de frustração com respostas curtas, também, ou com respostas simples demais, eu acho que, o que me alimenta é muito esse lugar da complexidade, mas, sobretudo, da coletividade, de como as perspectivas podem se complementar, e tornar as respostas mais potentes, como mais pessoas juntas, tão ornão resultado muito mais possível e real. Eu acho que esse lugar da curiosidade absoluta, incorrigível, é o que me mantém desbravadora. É lindo, manique. Que bom, está podendo estar aqui contigo, e podendo desbravar esse lugar, que é um lugar mais complexo, mas, quando a gente pensa numa complexidade, a gente pensa também, e em poder olhar as coisas na sua essência, olhar as coisas através da sua origem, e poder discutir, pensar sobre elas. A gente está no momento que é o momento de muita aceleração, de muita necessidade de agiridade, mas, quando a gente não complexifica, ou seja, a gente não pensa sobre origem dessas coisas, a gente perde todo um processo de poder enriquecer essas coisas, de forma mais acertiva, de poder repensar sobre as questões que estão inseridas dentro delas. E eu acho muito importante isso que você trouxe. Acho que é um momento de a gente poder realmente reunir forças, nesses domingos de encontro, para poder falar sobre importâncias. E aproveitando que tu já está com a fala, eu queria te perguntar sobre os seus projetos, suas referências, e onde tu enxerga possibilidades de tecnologia humana no mercado, e ou na academia, ou nas teorias, e como complexificar de uma forma mais efetiva. Existem marcas, existem empresas, existem trabalhos que os suistejos realizando que parte desse lugar, e se existe, como é que tu está realizando tudo isso? Ou como tu está pensando em transmitir tudo isso a partir das tecnologias humanas? Tem muitas coisas me alimentando nesse momento, sobretudo, um lugar muito grande dessa curiosidade, dessa frustração de falar, a gente precisou chegar no momento tão decisivo, que é uma pandemia, para começar a renovar os olhários, mas tudo bem que bom. Acho que é uma reunião de insatisfações, de olhar e falar, "Cara, não pode ser tudo tão rápido, tudo tão simples". E a gente não tem respostas, a gente precisa assumir a busca como um caminho também, e ter um olhar para isso, muito mais como um processo do que como soluções, e tem algumas coisas que têm me animado muito. Acho que um projeto que eu vi que me renovou esse carinho, com a pesquisa, e me deu de novo orgulho de estar nesse caminho, assim, é um que chama Institute of Black Imagination. É uma plataforma que foi criada numa mesa, mesmo é um projeto que resolve problemas complexos, e não tem por rápido. E essa foi a mesma coisa diferente, a realização, a matemensação, mesmo do sonho de um homem negro, que é o daário, e ele tinha essa ideia de. ele tem essa ideia, esse projeto, de permitir a imaginação as pessoas pretas, porque a humanidade, a elas é negada também, mas a imaginação, como uma tecnologia humana, como ela pode ser potente, né? Então, ele faz questionamentos muito maravilhosos de quem construiu esse mundo, quem desenhou isso, de
porque a gente não está se vendo nesse reflexo, nessa imagem. Então vamos se permitir de novo. E aí ele criou uma plataforma que reúne, que faz uma outra pesquisa, uma coradoria de tudo que nos é esse lugar de permissão à imaginação. E eu achei que ele não está maravilhoso. E ele tem ideia de criar uma escola e vários outros projetos do bramento desse, mas eu achei muito maravilhoso no momento desse a gente receber essa permissão. E ao mesmo tempo tem alguma uma pesquisa que permite coisas, que é isso. A solução é você abrir um processo que é absolutamente coletivo e potencializador e te permite a existência, te permite o sonho. E de um lugar que, enfim, a gente muito crer na que anas, assume aqui, de. A gente precisa assumir os sonhos como potência de construção de mundo, né? Eu acho que. Não sei isso, me renovou mesmo uma esperança. Esse projeto é um projeto que ficou sabendo, é uma referência a tua, ou é um projeto que tu trabalhou? É um processo que eu acompanhei a apresentação. O Partitivo foi uma mesa, foram cinco dias, aí me convidaram para assistir a apresentação final. Eu sou muito próximo das pessoas da mesa. E. o Partitipei da apresentação em sido resultado final e pude colocar meus opiniões, tudo mais. E foi muito bonito. O Partitivo de seu lugar foi uma mesa só de pessoas pretas, basicamente, então, me emocionou demais o projeto de construção tão. representativos e protagonizados por pessoas como eu, né? Excelente. Bom, passamos, então, para a Esther, Esther, que ia saber muito de ti, assim. Quais são os projetos. sendo uma doutoranda, partindo de um universo que está discutindo assim em sociais? Quais são os projetos que tu realmente está percebendo que estão colocando na mesa as tecnologias humanas que estão se propondo fazer diferente, a construir espaços diferentes? Ou se tu tem algum projeto teu que tu esteja fazendo isso para poder contar um pouco para a gente e poder discutir um pouco sobre esse lugar das tecnologias humanas? Então, eu estou realizando minha pesquisa de doutorado agora, que é uma pesquisa acadêmica, mas que me interessa também, também pela perspectiva artística, e é algo que envolve muito a minha subjetividade com mulher viajante, que eu pesquisa sobre mulheres que viajam também, mas eu escolhi trazer um outro projeto que eu estou desenvolvendo atualmente, né? Que não é um projeto apoiado pela Lei é o Disblank, que é aqui no estado do Pará, e eu estou desenvolvendo esse projeto junto com uma coletiva, são outras, somos quatro mulheres, que nos denominamos artistas pesquisadoras, então é um projeto artístico, e a gente está desde maio pesquisando, e assim o nosso foco principal é pesquisar sobre os saberes das mulheres rurais da Amazônia, então a gente está fazendo, fez três incorções, três incorções de pesquisa, em uma comunidade rural, que foi a comunidade que eu nascia, que no interior do Pará, e a gente foi atrás de saberes das mulheres, das mulheres dessa comunidade, porque a gente está interessado nesse tipo de saber, desse tipo de modos de fazer. Então a gente encontrou uma diversidade de tecnologias, ancestrais, então que eu posso chamar de tecnologia ancestral, então são modos de fazer, são modos de, por exemplo, retirar o óleo do Androba, que é algo muito valioso aqui na Amazônia, fazer a retirada do leite de coco, ou a forma como se relaciona com as plantas, é como se estabelece essa percepção de si, a partir da noção de saúde também, então diversas das pessoas, a educação, a trajetória educacional também, de vários dessas mulheres, então tudo isso faz parte de uma rede de saberes, que são amparados por essa tecnologia ancestral. Então eu fui explorar a casa antiga, desbravar a casa antiga do meu avô, está abandonada, já foi um tempo, e aí já parassem a casa super velha, mas eu fui lá e encontrei várias ferramentas dele, várias ferramentas em que ele media a madeira, que ele serrava a madeira com as próprias mãos, a partir de vários aparatos tecnológicos, mas que eram dominados por meio desses saberes, então achar algumas ferramentas de pensar "Pra que que serve isso? Eu não sei, pra que que serve." E a gente está pensando 50 anos atrás, que ele estava utilizando essas ferramentas 50 anos atrás, então a gente já falou de meia década, não é tanto tempo assim, né? Então esse tipo de agências de saberes, de modos de fazer, que foram super importantes para pensar, nesse universo dessa pesquisa, que a gente realizou na sua comunidade. Então esse projeto é o que está mexendo muito comigo, e então foram esse tipo de descoberta, de saberes, de pesquisa, e entender que eu consegui, eu que a gente conseguiu entrar, e conhecer, e principalmente trazer isso, trazer isso para a luz e entender este arte, da fotografia, por meio do vídeo, de forma que a gente consiga apresentar esse saberes e mostrar como eles são também socialmente relevantes, que eles fazem parte de modos de vida, de construção de subjetividade, e seus saberes que atravessam gerações, que estão aí, né? Então a forma, como por exemplo, a minha mãe, ela retira o olho da angiroba, ela usa algumas tecnologias assim, que eu fico a uso, que isso é algo, como construir um aparato desse, utilizando a telha, utilizando uma folha de árvore, utilizando um fio de algodão. Então esse tipo de agência, esse tipo de saberes que me faz, e faz eu me encantar, por pensar, de como essa tecnologia ancestral molda, é, nos modos de vida, de uma humanidade, de várias comunidades, em vários lugares, assim, desse Brasil profundo. Então eu queria apresentar esse projeto. Lindo, Esther, e até, repensando a partir da tua fala, porque a gente está aqui numa proposta de diálogo também, eu trago um estudo muito recente, que eu entreguei e faz em duas semanas, dentro da perspectiva do meu lugar, como a pesquisadora, que analisa mercado, repensa universos, e coleta através, em primeira mão, através de pessoas, através da tecnologia super humana da etnografia, que é possibilitar esses encontros, e esses. Esses análises desses saberes, através da observação participante, através de um trabalho que me deu muita, muita alegria de poder fazer parte, quando eu não se ex trabalho, inclusive em casa, sim, a minha filha chegou e comentou "Mãe, mas esse trabalho faz parte do teu mestrado ou faz parte do teu trabalho no mercado". Aí eu disse, na verdade, esse trabalho faz parte do meu trabalho no mercado. Porém, não é por a casa que ele chega. É justamente porque eu estou buscando e criando formas de poder pensar a pesquisa e através dessas tecnologias humanas, e levando realmente ao cabo, levando as séries mais, como a gente pode fazer isso. Então, uma das pesquisas que me deixou muito feliz nos últimos tempos foi um estudo diária, um estudo em uma área rural, fazendo também o dialogando aqui as questões da ester, que é um projeto de uma empresa internacional que se chama DSM, que é uma empresa que pensa a matéria prima para a agricultura e também através de químicas e questões alinhadas com ingredientes para a ração de alimentos, enfim. É uma empresa que fez um trabalho muito bonito na África e tinha um objetivo de desdobrar essas possibilidades de mudança no Brasil. E eu fui fazer um trabalho em tão de pesquisa para entender como é que eles poderiam adecuar esse trabalho que falavam, que trazia, que eliminava fome, que repensava a agricultura familiar através de mulheres, que poderiam que resgatavam o trabalho rural através de galinhas criadas em sua maioria soltas ou em gaiolas, dependendo do lugar, ela tem uma cultura diferenciada e proporciona condições também diferenciadas desse saber. Então, através dessa cultura da grande, que é sub-sidiada por muitas das condições da DSM, isso conseguia tomar um tono diferente da pesquisa. Então, o meu estudo no Brasil era poder pensar
numa região que é localizada em Irati, perto próximo Curitiba do Paraná, quem são essas famílias que estão sendo beneficiadas por esse projeto, e quais os desejos, os sonhos, os saberes dessas famílias a partir desse dia a dia, de relação com a grande, dessas perspectivas também de vida dentro desse lugar, e como é que era lidar com essa produção cural através de uma agricultura familiar? Então foi projeto muito bonito. Era um 9 famílias estudadas, então eu fiz todo uma emersão encampo, como a gente faz com uma fase na antropologia, através da perspectiva da etnografia, fui para dentro dessa observação participante, convivir com essas pessoas, selecionei essas pessoas a partir do seu saberes, e isso é um ponto que eu acho que é uma virada epistemológica na pesquisa, que é repensar os critérios de quem a gente conversa, de quem a gente está estudando, quais são esses saberes na sua origem? Então a gente tinha 9 famílias, e antes de começar qualquer contato com essas famílias, eu queria conhecer quais eram as famílias. Então eu tive um filtrão que me proporcionou esse contato, que era um mediador dessas famílias e desse contato desse projeto. Então a gente sentou antes de mais nada, ele queria me mostrar as famílias diretamente, eu disse não, "Vamos de vai sentar, e eu quero que você me conta a história dessas famílias". E ele começou a me contar as histórias dessas famílias, e no meio disso ele me contou sobre uma veterinária, que se chama Daiane, tem 23 anos, e que entrou no projeto, porque o projeto não tinha nenhum tipo de remédio artificial, ou nenhum tipo de não respeito animal, que o projeto era um projeto que se adequava ao bem-estar animal, e ao respeito essas galinhas. E aí eu fiquei muito fascinada, porque a gente foi buscar, no caso, essas 9 famílias, com muito alecutoras desse processo, mas no final, quem, de alguma maneira, podia acertar e me trazer questões com relação à influência dessas famílias era Daiane. Então fomos até a Daiane, conversamos com ela, e ela trouxe toda essa ligação com essas famílias. Começou a ver contar a história de cada família, a história do porquê cada família estava alinhado com aquele processo, e foi um momento de escuta e de uma atenção muito profunda, ao que realmente estava acontecendo naquele lugar. E eu fui atravessada pela fé, eu fui atravessada por economia local, eu fui atravessada por ancestralidade, eu fui atravessada por maior parque de mapeamento, de curandeiras da região, do grande da parte do sul, da parte do Paraná, e todo esse sistema do sul do Brasil, um apeado pro geógrafo no Brasil. Então um projeto que eu acreditava que já era um projeto de propósito, que era poder entender quem eram os agricultores que estavam trabalhando a partir de uma perspectiva de galinhas criadas soltas, para poder ter suas grandes e seus ovos como um novo modo de vida, porque aquela região é uma região extremamente focada na indústria do fumo, e na sua maioria das pessoas ali que são produtores urais, eles vivem e convivem com fumo, e naquele momento eles estavam na verdade com um novo momento de vida, uma nova possa de vida. Era mais ou menos pessoas de 30, 50 anos, com uma esperança de vida, de qualidade de vida, alimento de ovos, de galinhas caipira, criadas soltas, com respeito e com bem-estar. Bom, resumindo o projeto, eu fui até quatro famílias, foram selecionados entre quatro famílias para esse projeto, e eu encontrei nesses famílias uma coisa que a gente busca em todos os projetos, pensando mercado, que era certeza de que tudo o que a gente está fazendo, ele não acontece a curto prazo, existem formas de se fazer esse trabalho. Então, todas as famílias fizeram um trabalho de investimento, esse investimento era diário, e ela sabiam que ela partiram da qualidade dos ovos, cuidar dessas galinhas, como parte da família. Então, todas elas investiam a curto prazo, nesses cuidados, para médio e longo prazo, ter qualidade em seus ovos, e poder vender esses ovos para a comunidade, matar a fome da região, e poder proveir mudanças de perspectiva de vida. E o grande sonho dessas pessoas era um poder contar sobre esse processo, ou seja, cadeia produtiva, eficiente de qualidade, de respeito à vida, e realmente trabalhando essa cadeia, né, produtiva. Ao final desse processo, a gente conheceu o prefeito, e conheceu pessoas da região que estavam ajudando, nessa condição toda de subsistência. Foi muito bonito, porque a gente acredita que, de repente, o que a gente está fazendo, é um diagnóstico, é uma posição de um lugar, é uma experiência que parte dessa inovação, podendo pensar, já é a stenografia, que é esse contato com essa experiência, em primeiro instância, não é, é uma fonte secundária, é um estudo de fonte primária, mas o que mais me chamou a atenção é poder fazer isso, de forma eficiente, e transmitir essa história dessas pessoas, que falavam sobre respeito à vida, falavam de ancestralidade, falavam de novas escuralidades, de economia local, a partir de orgânicos, a partir das suas tecnologias humanas, né, então, para finalizar só, uma delas entregava a chá de capim limão para as galinhas, afinal, tecnologia humana para ela, era deixar as galinhas calmas. O outro história é o do William, que ele cantava para as galinhas, através da sua cultura e a sensação capíra, porque ele acreditava que as galinhas faziam parte daquela cultura, e que se ela soubesse, que elas estavam pertencendo a cultura, elas vão ficar mais felizes. O outro colocava a música clássica para as galinhas, e falava sobre a paz que elas tinham que ter, né, e outra última história é a história de um casal que queria realmente empreender para poder ficar na rossa e não precisar sair daqui no lugar. Então, as histórias em primeira mão, eu acredito que sim, é uma das condições que a gente pode passem em sociais, trazer como tecnologias humanas, realmente, para o nosso processo de inovação e transformação do mercado. E essa é a forma das minhas experiências, dos últimos tempos, e dos meus mais de 15 anos de trabalho, eu posso dizer que esse foi um dos trabalhos mais bonitos que eu fiz, que se detizou, assim, e se encontre entre o rural e a academia, na prática, né? Ajeenciado por uma agência, que se chama mesa, não para a casa, o munic também. [risos] O localizado em São Paulo, então, assim, pessoas, e que o dono também, de alguma maneira, na pandemia, também ficou muito tempo dentro de uma zona rural, caipira, discutindo sobre coisas, então, nada por a casa. Tudo chega realmente em um momento muito especial, né? Mas falar de médio longo prazo, investimento em tecnologias humanas, partindo de uma ideia de não ser rápido, de não partir para uma conclusão eficiente, a curto prazo, mas investir curto médio, um prazo e entender essa narrativa, eu acho uma história muito bonita. Eu acho que eu me estendi, mas acho que vale a pena poder contar essa história. Lou, por favor, falando de zonas furais e de movimentos, está experimentando isso na pele, então conta pra gente, quais são as suas referências neste momento? - Oi, gente, eu vou falar de um projeto que ele está, um projeto, uma exposição que está em São Paulo, e com muita vontade de conhecer a exposição, acabei me escrever do lucurso, dos curadores, que é a Fabiana de Morais, e o Mocer dos Anjos, que é a Fabiana jornalista, a professora, ela escreve pro intercept, ela é também pesquisadora do núcleo de design da Universidade de Comunicação, Federal de Pernambuco, e o Mocer também é um grande pesquisador, os dois moram Recife, e eles criaram, então, essa exposição que reabriu o Museu da Língua Portuguesa, de cinco anos sem o Museu da Língua Portuguesa. - Eles criaram essa exposição chamada "Língua só", e basicamente, a Língua só é um projeto de alguns anos, ali deles, de pesquisa, nessa tentativa de tentar materializar a linguagem, então, eu acho que é, conecta aqui algumas coisas de vários projetos que vocês falaram de sobre transmitir, o que é, como é a importância, como que se dá a linguagem nos espaços de vida social, nas práticas do cotidiano, nas formas de protesto, na arte, na religião, e na nossa sobrevivência, sobre tudo, e o que eu gosto muito, e eu fiz essa aula com eles, o que eu acho que tem de mais rico, na cidade de tecnologia,
que é como estar falando bastante no projeto dela de construção de subjetividade, né? Então, absolutamente tudo e ela é esse grande nada que é em material, que a gente não pode tocar, e que é essa construção do que somos, do que do nosso devido, do que podemos ser, em todas as as formas de entender assim no mundo. E esse projeto tenta, então, falar sobre a linguagem a partir de um olhar muito brasileiro, muito vasto do Brasil, muito rico e também que eu acho legal assim que tem a ver com nessa coisa não sistemática, porque é um grande embaralhamento, a exposição, ela vai trazer desde o Leoniú, o som, desde o Miró, que é o que a gente imagina que pode imitar em ambientes como museu, mas desde o meme do saquinho de lixo, a embalagem de caixá, essa pessoa, as histórias de pessoas, eles contam dessa moça que foi entrevistada por eles, que é lá no interior de Caruaru, ela é dona Maria de Lourdes, o Evangelho, uma senhora de, uma senhora já, né, mais tipo deve ter seus 60, quase 70 anos, e ela diariamente escreve livros, esse alto intitula, uma escritora assim, né? Então pensar, o quanto quer dizer, a gente imagina essa linguagem dentro de um livro, dentro de uma editora, dentro de uma livrarim sampal, o que tem um café, um ofas de ordo lado e a gente imaginar essa mulher no interior, que ela impreve seus livros e vem de eles por um real, e ela todo dia escreve livros assim, né? Então, aqui ponto também isso não questiona a nossa cultura, né? O que que, como a língua e a forma de manipular a linguagem nos diz o que a gente pode ser, o que a gente não pode, mas também quem está fora desses lugares, talvez tenha mais poder aí de imaginação, de possibilidades assim, e muito bonito vendo eles, eles contarem assim, do desafio de fazer isso e de uma paixão assim, de poder, durante o desafio que é tentar falar sobre linguagem nessa, nesse escopo tão vasto, então subjetivo, de falar em todas as possibilidades que a gente pode materializar a linguagem, tentar materializar, trazer referências, trazer isso de todos os lugares, né? De olhar até esse olhar super, múltiplo, super vivo, super profundo, complexo, sistemático no sentido de ter muitas raízes assim, e levar isso pra, pra museu assim, como um grande projeto de pesquisa que serve a todos nós, pra entender a importância da linguagem, na nossa vida, de uma forma de muitas formas assim. É um projeto que eu não envolvi, que eu não, eu só conheci, mas que são aqueles momentos também que me dá uma grande saudade de estar em São Paulo assim, de poder ver como tem alguns acessos que nos transformam no estar no mundo assim, tanto aqui, eu tenho parte da natureza e comendo mais facilmente os orgânicos, mas como também poder, de repente, estar ali nessa exposição, conhecer, que acho que é uma coisa, fica até o tubro gente e tem vários links no YouTube, porque muitas coisas aconteceram online, por devido da pandemia, então tem muitas coisas em contos com versas que aconteceram ali, e que estão no YouTube da língua sol, todo museu da língua portuguesa. E acho que é isso, basicamente, um projeto de pesquisa, profunda, complexa, vasto que traz referências de muitos lugares, e que tem um espaço, num hipótese, num texto, se dá a partir da arte e no dão artístico também assim. Então, esses são aqui alguns dos motivos que me fazem escolher esse projeto tão legal. Sabe que olhando um pouco para que todo mundo falou, me veio na cabeça agora, que as trajetórias, falar de trajetórias, de histórias humanas, de histórias reais, e uma coisa que eu acredito muito, que eu venho cada dia mais pesquisando mais sobre trajetórias, sobre como bem falou a estérs, sobre agência, sobre realizações de pessoas, mas através desse ponto de vista, que é um ponto de vista muito da prática, da forma de se fazer pesquisa nas sociais, que parte desse lugar de primeira mão desse contato, e desse contato também que ouze, é atravessado pela escuta, desses histórios. Então, eu queria saber de começar pela estér, que está com o tempo dessa escuta, tenta para essa ancestralidade. Se existe uma teoria, existe alguma prática dentro desses seus projetos, que conectem esse processo teórico, essa discussão teórica, se tem alguma teoria, se tem algum teórico, se tem alguma prática de análise, que tu vem conduzindo para poder pensar essa linha de pensamento dessa escuta, tenta dentro dos seus projetos. Esse projeto, especifico que eu falei sobre essa tecnologia ancestral, não é um tema recente na academia, por exemplo, então, em termos de construção teórica, tem uma vasta literatura falando sobre os saberes populares, e isso está muito relacionado a esse espaço, esse território que pode ser um território tradicional, e assim, essa área que eu estou me aventurando agora, que estou explorando, a complexidade da relação de raciagens na Amazônia, e pensando que aqui, falar de pessoas negras, é muito mais complexo do que complexo, é com qualquer lugar do Brasil, dizer que a gente tem particularidades aqui, porque, por exemplo, existe muito forte esse cruzamento entre saberes indíndicos e saberes tradicionais dos fogos negros. Então, por exemplo, nessa comunidade há um cruzamento muito grande desse saberes, então, é isso que me interessa teoricamente, respeito sobre isso, de pensar como é complexo falar sobre a falandoização social, que a partir de uma teoria, porque, se a gente estiver falando sobre as relações raciagens, alguma teoria essencialista, por exemplo, não vai dar conta, e porque a gente está falando de pessoas que, por exemplo, não pertencem atinicamente a nenhum povo indígena, mas a gente não tem mais como negar a imensa participação na formação social na Amazônia de povos indígenas. E o que acontece, no meio disso, tudo se forma a categoria parga, em que se busca essa alternativa, que é uma categoria altamente questionável, e que deixa uma lacuna muito grande para pensar o que significa, então, isso que chamaram de pardo, e quais são esses apagamentos também que têm sobre a participação indígena nesses saberes. Nessa formuldade, havia um cruzamento entre formas de conhecimento, tanto em indígenas quanto afro. Então tem que longos na região, então tem a forte presença de pessoas negras, mas também tem os saberes, assim, indígenas que são irritantes no cotidiano e a forma de pessoas organizarem econonicamente, de vida, a forma de sobrevivência. E aí, desde os saberes relacionados à mandioca e a feitura da mandioca, que aí perpaça tudo na economia e aí vem a culinária, parece que é muito mais onido, que é muito dependente, muito baseada, no cultivo da mandioca, então, no meio de tudo, tem esse cruzamento que eu chamo de afro indígena, nesse contexto amazônido. Então, para avançar esse projeto, eu estou indo principalmente por essa linha teórica mesmo, de complexificar o que significa pensar sobre as relações raciais, nesse contexto, aqui no contexto da amazônia, de saber que é diferente, existem particularidades da forma como essa relação a esse dão aqui no pará, ou então, em Salvador, ou no Rio de Janeiro, ou no Rio de Janeiro. Então, é tentar trazer essa particularidade para dizer, olha, a gente está interessado em mostrar que tem umas particularidades aqui e a gente quer que isso seja levado em conta. Lindo, está erra, picada. Munique, eu fiquei pensando quando estou falando a ideia de imaginar, eu fiquei pensando se tem alguma linha teórica, alguma discussão que você coloca em prática, para poder pensar tudo isso, se tem alguma referência alinhado, e eu sei que tem também algumas das suas práticas através, é um também antropologia visual, a questão de documentário, e esse processo de imaginar também é um processo de enxergar diferente, Então conta pra gente um pouquinho.
Você tem alguma linha, até a hora e alguma discussão que você possa trazer para o nosso debate, que complemente bastante dessa tua grande diferença aí dos últimos tempos. Eu comp�ço que eu não tenho uma grande lista de nomes que construíso, porque não é um tema novo. Vou colocar em suar, tem que treinar, que trazendo muito isso. Eu leio muitos indígenas num geral, muitas pessoas negras, trazendo esse pensamento, acho que, França Fanon, a grada quilomba, fala muito disso, da potência da imaginação como coção de futuro. Mas eu acho que tem um lugar prático, talvez, para mim, que seja mais importante. Tem uma frase que eu não vou lembrar agora, "Ceja das Joyce Betts" ou "The Rosanna Bodies". Mas que elas dizem que o futuro já chegou e não está bem distribuído no Brasil, que eu acho que, para além de pensar em imaginação, eu tento trazer sempre para o lugar mais prático de tipo, não é um discurso tão acessível, no lugar de, ainda é muito abstrato, ainda é muito pouco palpável compreender, inclusive, Crenac. Eu não sinto que é uma coisa que já está tão bem assimilada de, "Ah, e o sonho são potentes, eles são consertores de futuros, eles constrói a nossa realidade, eu acho que tem uma dificuldade de muito grande, de entender que isso é muito real, absolutamente cotidiano". É isso, você precisa imaginar para que alguma coisa exista, você precisa, enfim. Então, eu tento trazer isso mais para o que eu estou construindo. Então, a minha referência vem desse lugar de, enfim, estudar esse nema, trago muitas traduções para esse lugar de assumir vídeo, também, como um formato, para as minhas entregas, para além de sódo-report, como a Lorde disse, para não tentar fazer a pesquisa ser tão restrita ainda. Então, eu acho que eu tento traduzir de formas mais múltiplas. Então, eu acho que renomear e organizar, por exemplo, é como eu posso traduzir isso um pouco mais. No exemplo que eu dei de Instituto de Black Imagination, tem essa, é uma plataforma que literalmente é uma constelação no site, em que eles vão organizando, enomeando conceitos, então ancestralidade, e toda uma curadoria de obras de arte, de discussões, de textos, de referências, que vão atualizar esse debate sobre a centralidade de hoje, ou poder, ou coisas desse tipo. Então, nas minhas pesquisas, eu trabalho muito com esse lugar de atualizar o conceito, de renomear coisas, de utilizar a linguagem, como formas de multiplicar e potencializar essas traduções que eu tenho feito. Então, acho que escolhas que eu vou fazendo são muito mais potentes do que exatamente referências nesse sentido. Então, esse lugar de nomear para mim tem sido muito importante, uma escolha que eu faço muito é de não tentar não complexificar, a forma de escrever inclusive para aquela seja mais palpável, mais penetravel, palatável, palavras nesse sentido, mas que seja mais múltipla, mais fácil mesmo, porque acho que uma coisa que a pesquisa foi por muito tempo, foi enxata, fechada, e como é que a gente muda isso? A minha orientadora, uma mentora querida, que fez a bela Calil, que é uma das, só, para mim, hoje, das maiores históricas do Brasil, ela está construindo uma pós agora em entropologia, coisa desse tipo e ela fala, cara, não adianta nada se a gente não compartilhar o processo. Então, vou fazer uma pós que todo mundo que tiver lá vai construir comigo, que os debates que me trouxerem eu vou vir e vou mudar na grade, e eu vou comprar essa discussão e coisas desse sentido. Então, acho que a imaginação é esse lugar, é você tá trazendo ela para o real. Se o discurso bateu para mim, como é que eu atropelo e ele atravesso materializando? Acho que é isso. Excelente. Lembrou isso um conceito que eu usei no trabalho e que nesse trabalho com as galinhas criadas soltas e essa discussão sobre a agricultura familiar, que é o conceito de bem-viver, que é um conceito que tá a superenconstrução, assim, ele vem do ecuatoriano, que se chama Alberto Acosta, que é um economista, mas que vem trazendo essa discussão sobre o conceito de bem-viver através das práticas entre a relação da cultura e as formas de se viver perto da natureza e poder construir formas de se viver melhor, sobretudo pensando à procedência e histórias de vida que tenham relação com essas dinâmicas que se fundamentam entre humanos e a natureza, acho que a discussão que a gente a cada dia tá repensando mais, eu acho que isso que crinaca de alguma maneira vem discutindo também, esse olhar sobre o ponto de vista da natureza, mas aí me enviei também uma questão da própria Luisa trazendo essas multireferencialidades e facilitando o acesso, que o que você falou também da escrita, Múnique, que é a possibilidade de gente acessar rapidamente questões que são altamente complexas, como fazer um livro, como viver da escrita, como ser escritor no Brasil e poder pensar isso através do modo superâneo do fazer, como se realizar e construir isso através de modos, também de pontos de vista diferentes. A gente traz, por exemplo, uma pessoa que vive num lugar muito simples e vive através da escrita, mas cruza isso com arte e bota isso dentro do museu. A gente pega questões de museu e leva para dentro e traz dentro de uma dinâmica mais acilitada, para pessoas, abre museus, abre discussões, constrói disciplinas, novos cursos que facilita o MSS. E aí, acho que para a gente finalizar e poder contar um pouco, finalizar com esse tom um pouco também do que as nossas referências trazem de também teorias e são iluminadas por nossos repertórios também de teoria. Acho que seria legal o risa de trazer alguma coisa que te também te comoveu e pode trazer para essa grande referência. Morou muitos anos em São Paulo. Hoje na série a tua referência foi de São Paulo. Acho que isso também tem a ver com o ponto de vista. Legal, eu estou provocando ação. Acho que aqui o que me trouxe muito uma nova visão, uma forma de colocar cultura popular no lugar extremamente do modo de fazer isso, uma cultura popular que se dá todo dia, ali trazendo as ferramentas das tecnologias ancestrais que a série comentou. A cultura popular é isso, são modos de viver, modos de fazer e de resistência e de democracia, de política. Então as vezes a gente tem essa nação de que a cultura popular é, ou às vezes pode ser algo longe da academia, longe da teoria. E às vezes também como uma coisa como se fosse soft light, assim não, e a cultura popular ela é desbravar. Ela não é uma coisa feita para anestesiar ela é. Ela é o que ela é, o que as pessoas são e como elas vivem, e como elas fazem, como elas se comunicam. Então acho que a cultura popular, eles trazem isso na linguagem de várias formas, trazendo histórias, trazendo o maracatú, pessoas do Brasil todo e fora da arte com a arte, com o meme, com aquele plano de prato que a gente compra na tipo "deu" seja lovado, assim, para mostrar como a cultura popular é esse eterno fazer do que a gente é como sociedade brasileira, e o quanto que isso tem vidas atrás disso, e dores e sofrimentos e contextos e contestações em relação a isso. Acho que tem uma lembrea dessa frase da Carolina de Jesus que fala "Fome amarela", e que trairia agora, pensando assim na teoria, eu escutaria ela como uma referência teórica da linguagem nesse sentido para poder dizer como ela já há muito tempo, já conseguia falar sobre um problema que a gente estava vivendo hoje com metade, mas a metade da população, no risco, na emmenência de passar "Fome", que é só na grande miséria humana, e mostrando como isso te dá através da linguagem amarelo, ver o mundo amarelo, ver o mundo de uma outra forma, ver o mundo de uma outra forma ou talvez seja, inclusive, impedido de viver algum mundo ou parte do mundo por fome. Então acho que a linguagem e a cultura popular desmultos sobre a resistência e como a linguagem a cultura popular no Brasil, ela está muito além da teoria na academia, mas ela debate, ela contesta, ela progride e ela nos ajuda a sair desse lugar de anesteseado, assim, que a gente tá ou que o cotidiano nos leva nos convida sempre a estar nesse lugar assim. Então, na verdade, essa volta, assim, para outro lado,
levaria, acho que a masseria a cultura popular como um grande fenômeno assim que acontece e empurra e cria contestos assim sobrevivência de viver de modos de fazer, de modos de existidas. Liza, isso me lembra o próximo EP, nosso próximo episódio que são os modos de fazer pesquisa. No primeiro episódio, a gente discutiu o nosso ponto de vista sobre as tecnologias humanas, porque estamos discutindo sobre tecnologias humanas. Nesse segundo episódio, a gente traz práticas, referências, projetos e atualizações de coisas que a gente vem fazendo sobre a luz de teorias e sobre nosso próprio repertório. E o episódio 3 fala sobre práticas como nós estamos atualizando, repensando, criando modos de fazer pesquisa que realmente coloca no concreto, fala de próximos passos, como a gente pode realizar e como a gente está fazendo e atualizando práticas e metodologias e acionando isso para a nossa prática, para o nosso saber de fazer pesquisa. Então vai ser um episódio que vai falar de nossas práticas de metodologias e formas desses modos de fazer e muito bem colocado por ti, como um fenômeno, sendo uma necessidade urgente, a gente pode falar dessas práticas, que fala de processo, fala de urgências, fala de modos de construir pesquisa e porque não falar de inovação também. Então eu queria agradecer a oportunidade de mais um domingo aqui com todas e quem está nos ouvindo, todos e todos, podendo estar nos contextualizando nossas práticas de pesquisa e poder falar desses modos de fazer diferente pesquisa. Queria deixar uma funcional para cada uma se alguém que é comentar alguma coisa, quer falar alguma palavra, eu queria agradecer mais uma vez essa discussão e poder olhar para esse ponto de vista desse nosso Brasil, através de pontos de vista tão diferentes e poder construir pesquisa de uma maneira mais uma. Eu queria dizer que tão muito, muito feliz que finalmente deu certo. Nós quatro estamos juntas e gravando esse episódio, que acho que está com os todos ansiosos, que é o imedio prazer, tem com vocês aqui discutindo essas questões que eu acho super importante e nós falamos das nossas pesquisas e das nossas perspectivas também. E sobre o projeto, eu esqueci de falar no início, a gente tem uma página no Instagram, uma coletiva feminista, então pode ainda ser checado lá e da uma olhada que a gente tem um material visual super interessante, que é para que ilustra bastante, ilustra não só, mas fala muito de produtos processo que a gente está realizando, então é isso, hum beijo. Eu queria agradecer vocês para a gente estar conseguindo compartilhar pesquisa, porque é uma coisa que eu venho pensando e querendo ao meu tempo e é muito bom ter encontrado pessoas tão incríveis para fazer isso, que é, enfim, de só formas de potencializar, sigamos desbravando. Eu queria agradecer muito pela conversa pelo diálogo, essa baixa tecnologia humana que nos faz aqui entrar uma pessoa sair outra, eu acho que é essa grande transgressão aqui, que a gente vai desbrevando e seguimos desbrevando. "Gracias, agora nós temos uma editora do podcast, então já aproveitar para agradecer a Larissa Comforto, uma grande artista, mudicista, e que também pegou essa empreitada para desbrevar essa nova aula da criativa dela, que é trabalhar com editora de podcast. Então é isso, gente, se coiden e até a próxima." Desmato dores!
Podcast Summary
Key Points:
O podcast "Desbravadoras" propõe uma arqueologia da pesquisa que integra tecnologias humanas, subjetividade e transformação social.
As participantes (Carmencita, Esther, Luisa e Munique) se apresentam como pesquisadoras-experimentadoras, destacando a importância da curiosidade, da complexidade e da coletividade.
Esther apresenta um projeto artístico na Amazônia que resgata saberes ancestrais de mulheres rurais, como técnicas de extração de óleo de andiroba e uso de ferramentas tradicionais.
Carmencita descreve um estudo etnográfico sobre agricultura familiar no Paraná, focado na criação de galinhas caipiras, que promove bem-estar animal, qualidade de vida e novas perspectivas econômicas.
Munique menciona o "Institute of Black Imagination", uma plataforma que valoriza a imaginação como tecnologia humana e ferramenta de reconstrução de mundos.
O episódio enfatiza a pesquisa como processo coletivo e transformador, capaz de unir academia, mercado e saberes tradicionais.
Summary:
O segundo episódio do podcast "Desbravadoras" reúne quatro pesquisadoras que discutem projetos que materializam as tecnologias humanas no fazer pesquisa. Carmencita, antropóloga de Florianópolis, introduz o conceito de uma arqueologia da pesquisa que une ideias, mulheres e novas formas de produção de conhecimento. Esther, doutoranda em antropologia social, fala de seu projeto artístico na Amazônia, que investiga saberes ancestrais de mulheres rurais, como técnicas de extração de óleo de andiroba e uso de ferramentas manuais.
Ela destaca a importância de trazer esses conhecimentos à luz por meio da arte e da fotografia. Carmencita, por sua vez, compartilha um estudo etnográfico sobre um projeto internacional no Paraná, que promove a criação de galinhas caipiras por famílias agricultoras. A pesquisa revelou como essas famílias investem em bem-estar animal e qualidade de vida, gerando ovos de alto valor e novas perspectivas econômicas.
Munique, pesquisadora de São Paulo, menciona o "Institute of Black Imagination", uma plataforma que valoriza a imaginação como tecnologia humana e ferramenta de reconstrução de mundos, especialmente para pessoas negras. O episódio reforça que a pesquisa é um processo coletivo, lento e transformador, capaz de unir academia, mercado e saberes tradicionais, promovendo mudanças significativas na sociedade.
FAQs
São formas de pesquisa que integram a subjetividade humana, saberes ancestrais e a experimentação como parte potente da transformação no mundo.
É uma plataforma que permite a imaginação de pessoas pretas como tecnologia humana, criada por Dário, para resolver problemas complexos de forma coletiva e representativa.
Ela coordena um projeto artístico com uma coletiva de quatro mulheres que pesquisa saberes de mulheres rurais da Amazônia, como a extração de óleo de andiroba e modos de fazer ancestrais.
Ela realizou um estudo etnográfico com famílias rurais no Paraná para a empresa DSM, focando em agricultura familiar, bem-estar animal e saberes locais sobre criação de galinhas caipiras.
Elas valorizam processos profundos e coletivos, rejeitando respostas simples e rápidas, e buscam entender a origem das questões para enriquecer as soluções.
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