O podcast "Vazante" explora a história da usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo, revelando os impactos profundos que ela teve no Brasil. O desaparecimento das Sete Quedas, uma das maiores cachoeiras do mundo, foi causado pela inundação do reservatório, não pela falta de água, mas pela alteração do fluxo do Rio Paraná. A construção da usina ocorreu em um contexto de ditadura, com forte envolvimento de grandes empreiteiras, que lucraram com o projeto e negligenciaram os direitos sociais e ambientais. O impacto foi devastador para os povos Guarani, que perderam territórios e identidade cultural, muitos dos quais foram excluídos por critérios de "indigenidade" baseados na linguagem falada. Além disso, foram registradas mais de 12 mil crianças nascidas de relações entre trabalhadores da usina e mulheres que trabalhavam em prostíbulos, conhecidas como "órfãos de Taipu". A energia produzida por Itaipu é essencial para o país, mas o custo humano e social é alto: violência, desigualdade, exclusão e trauma. O podcast, com base em pesquisas e entrevistas com comunidades afetadas, mostra que a energia não é apenas um fenômeno técnico, mas um sistema de poder que apaga memórias e vidas locais, especialmente nas periferias. A narrativa é construída como uma jornada por diferentes regiões do Brasil, conectando a história energética com a realidade social, política e cultural do país, destacando que o modelo de energia baseado em grandes hidrelétricas é profundamente injusto e que muitas histórias ainda estão esquecidas.
"Rádio guarda chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir"
O dinheiro poder, né, acabou então, deixando entrar em extinção
Essa grande beleza natural
relembrar as sete quedas através de focos e vídeos
é despeitar a saudade de um tempo que não volta mais
Quem viu, viu, quem viu, vai relembrar agora
Você está ligado que a maior cachoeira do mundo sumiu
E que essa cachoeira ficava no Brasil
Imaginar a maior cachoeira do mundo sumindo
foi o que mentiguou a conta essa história
Mas o que me pegou mesmo
foi quando eu descobri que essa não era uma história
só de cachoeira gigantescas desaparecendo
Percebem que ela tem tudo a ver comigo
e com você também, com seus vizinhos, com a história do nosso país
no passado, no presente e no futuro
a uma história que mistura as coisas corriqueiras com tramas complexas
coisas simples, tipo apertar em torreptor de casa
e fazer uma lâmpada de ascender
e esquemas envolvendo gente poderosa
decisões políticas econômicas que influenciam aquilo que a gente é hoje
no Conto Sociedade
O desaparecimento das sete quedas é só um dos cius de um grande e mareiado
Aqui, vamos falar de energia sobre aetricidade, mas não só
uma história sobre escolhas sobre quem fez as escolhas
e sobre quem não pode escolher sobre o que fica
e o que desaparece, o que ilumina e o que apaga
É uma trama que liga o Brasil de norte a sul literalmente
e para te contar sobre ela
eu vou te levar numa viagem por todas as regiões do país
visitando lugares e conversando com pessoas
para entender a distribuição de eletricidade no Brasil
Seja parou para pensar na dimensão em complexidade
que é produzir levar energia para mais de 5.500 cidades
num território continental de mais de 8 milhões de quilômetros quadrados
Bom, depois de imaginar e pesquisar muito sobre isso
eu fui ver de pé
Não foi por a casa que o Brasil apostou nas hidroenéticas
poucos países do mundo reúne uma combinação de fatores geográficos
tão favoráveis para gerar energia a partir da força das águas
Mas o que eu descobri mostra que muito do que a maioria das pessoas
acha que sabe sobre de elétricas é incompleto ou falso
E como a própria eletricidade no sentido físico e científico
também é bem misteriosa para a maioria das pessoas
Como será que uma repreza de água milhares de quilômetros de São Paulo
manter os computadores da faria anima funcionando
E aqui eu estou falando de energia elétrica, mas também de capital financeiro
Essa conexão envolve muito mais coisa do que só entre aspas eletricidade
Esse é o vazante
Um podcast que mostra como a energia quilomino Brasil também apaga memórias, rios e vidas
Nesse episódio a gente vai te levar até o sul do Brasil para entender uma das maiores obras do planeta
Eu sou Thiago Servan, vou estar contigo nessa jornada sonora
te mostrando como água e energia tem tudo a ver
Mas a gente sabe que essa combinação de energia com água também pode dar choque
Alguns satais
O fato de me interessar por uma boa história na novidade
Eu trabalho com pesquisa e com audiovisual
Então por profissão e paixão eu já só atenta aos causos das pessoas e lugares que conheço
E isso me faz encontrar algumas histórias esquecidas ou escondidas
Algumas inclusive propositalmente escondidas
E aí elas é mergem
Foi assim que eu soube do desaparecimento da maior cachoeira do mundo
Na verdade a gente foi para lá por uma viagem mal planejada
Erramos
A gente decidiu que a gente ia pegar um ônibus no TT
Descer até o Shui
Fazer uma viagem de busão que ia demorar por 24 horas
Se o ônibus não tivesse quebrado já na viagem dida
E aí a gente teve problemas
Além de planejar mal a viagem a gente ficou totalmente engenheiro
Nossa perta não funcionava
E a gente não teve outra opção
E aí como que a gente foi para em força lembrando
Lembrando
Nessa edificação de dinheiro o cartão de crédito não funcionava
A gente no outro país sem conhecer ninguém
Fomos para a rodoviária de Buenos Aires
E lá a gente conseguiu comprar uma passagem de busão para a foia do iguaçú
E aí a única opção que a gente tinha de dinheiro
A gente ainda falteira do com o Brasil
E lá a gente conseguiu sacar o dinheiro
E aí eu lembrei que eu conhecia a tinha uma conhecida em força
Uma pessoa que eu tinha conhecida de pai
Que estava estudando não e não
E aí a gente palma nem essa espelha
Fomos para lá para casa dela
E chegando lá a gente ouviu falar do passei nas cataratas do iguaçú
Que é imperdível e animudir
Depois de voltar, trocando ideia com a galera de lá
Da onde a gente estava hospedado
E claro que a gente estava muito impressionado
Porque assim, não sei se você que está me ouvindo já foi lá
Mas é uma coisa realmente fascinante
E aí foi a primeira vez que a gente não falou de 7 quedas
Sim
Depois de ter ido visitar as cataratas
Eu lembro que o que me intrigou foi que a gente chegou na casa dela falando
De como a gente tinha ficado impressionado
Que aquela coisa cabulosa de queda dago
Uma coisa meio indescriptível mesmo
E ela falou "Nossa, imagina que tinha uma coisa maior que aquilo
E não tem mais, e essa foi uma coisa que ficou na minha cabeça
Como assim, não tem mais
Tipo como que tinha uma cachoeira daquele tamanho
E não tem mais, que aconteceu, sabe
E foi assim, sem querer
Começou com uma viagem mal planejada
Uma parano improvisada e um comentário solto
Daqueles que você quase deixa passar
Mas que por algum motivo fica
Bom, já deu pra perceber que eu não estava sozinho
Como sobre a história das 7 quedas, né?
Oi, eu sou a Luisa Guerra
Também trabalho com o audiovisual, com pesquisa
Tava junto com o teago naquela viagem que a gente foi fizgado por essa história
E esse assunto virou uma pequena obsessão entre nós, né
De lá pra cá a gente foi acumulando informação trocando figurinha
Sobre os desobramentos da pesquisa
E a gente produziu essa série pra compartilhar o que a gente aprendeu nessa caminhada
Quando fomos parar em fós-de-guassu
A gente se já sabia que as hidreléticas causam grandes impactos
Nofazia nir três anos da inauguração da usina hidrelética de Belo Monte
Que seja deve ter oido falar justamente por conta dos inúmeros problemas dessa obra
O projeto de uma hidrelétrica na razônia brasileira tem provocado polêmica
Pelo alto custo ao ambiente e as comunidades riberinhas do Rio Chingo
A graviduz operários da obra da hidrelétrica de Belo Monte já dura cinco dias
Os mais de dez mil trabalhadores reivindicam o reajuste salarial e melhores condições de trabalho
Naqueles anos se falou muito sobre isso
E quanto mais a gente pesquisava, mas via que não era Belo Monte
Nem uma ou outra hidrelétrica de forma isolada
Era um problema gigante, esparado por todos os cantos do país
Problemas aliais do plural e que já vinham de muitos anos
E aí a história das setequeras apareceu
Foi a faculha que levou a gente olhar para a escua atenção
Quando a gente viu os debates sobre o modelo energético brasileiro
Alguma coisa não fazia sentido
Ou pelo menos parecia muito contra a história
A conta no fecha
A crise hidrica avança
Os projetos de hidrelétrica se multiplicam
O planeta colapsa
E o consumo de energia explode
E aí, oito anos depois de ter ido para a pura casa em Fáiduguaçu
Chegou a hora de voltar
Eu percebi que precisava começar a puxar esse fio por lá
Não só porque foi lá que eu me encontrei com a história do desaparecimento das setequeras
E de como ele simboliza este tema
Mas também porque é lá que fica usina de taipu
E aí agora a gente voltou lá
Com que você se sentiu assim
Voltando para a Fáiduguaçu depois de 2019
É, de 2019 para 2016
Muito a coisa mudou
Mas eu tive a mesma sensação de chegar numa cidade fronteira
Porque ali é onde se encontres territórios do Brasil
para a Guai. E também chega numa cidade bastante turística e com atrações que claramente
não soltou focado no moradores. Um turismo bem elitizado com o ingresso caro, inclusive,
enquanto a gente estava lá, o hit da semana era em inauguração de uma estatua de cera
do Ratinho Junior. Não, não era do Ratinho Junior era do Ratinho Pai.
Mas a nossa volta para foias não foi para rever as cataratas ou para visitar as atrações
turísticas que pipoca um pro lado. A sensação que tivemos sozenas e ares para construir
os episódios da série foi meio montar um cabra-cabeça, sabe? Conforme você vai juntar as peças,
a imagem se revela mais completando. A gente decidiu contar essa história assim, mostrando
as diferentes peças que ajudam a visualizar a imagem do que é o nosso modelo energético em
seus diferentes fragmentos. E começar a pitar e pula era incontornável.
1, 2, 3, 4, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, foco.
A energia que imove o progresso das grandes nações é metaprioritária do governo brasileiro
que unis forços com o paraguai para a construção da maior hidrelétrica do mundo na fronteira
dos dois países.
Em ambiente solênico e histórico é assinado o tratado de mucua com operação, o contrato
de financiamento da obra da Itaipu binacional no valor de dois pídeons de dólares e também
assinado.
E Itaipu foi, durante 21 anos, a maior hidrelétrica do mundo. Foi uma construção tão grande
que o que foi feito ali ainda não tinha se despermentado pela engenharia na história
da humanidade.
"Em plena execução dos trabalhos homens brasileiros e paraguais, na grande tarefa de escavar
para desviar o rio, do que levará os 50 meses, são 22 milhões de metros cúbicos de
material escapado. Um consórcio de empresas brasileiras e paraguais se encarregam do serviço."
"Eu passei meses lendo e ouvindo sobre a salsina, vendo números, dimensões e escalas,
mas nada me preparou para ver o que eu vi."
"O senhor não pode entrar com grônio e armas brancas e armas de fogo."
"Não, não, não, não, não, não, não, não pode ter esse marco de chave, não pode ter. É porque o que acontece?"
"A auto não é mais gente."
"E quando a gente está aí daqui, tudo quando a gente se refere a gente está aí, ele não é pra ter morro brasileiro, nem pra ter morro paraguai, ele é o território neu, pronto."
Bom, de neutro não tem nada. As relações ali são mais complexas por ser uma hidrelétrica binacional.
Mas aquilo que eu te falei de não ter voltado para fósforas para ver as atraças turísticas não é totalmente verdade.
Um dos passeis mais procurados é oferecido justamente por Itaipu.
Mediante pagamento do ingresso, claro, você pode conhecer a usina de perto ou melhor, de dentro.
"Nós vamos conhecer um pouquinho da área interna e da área externa da usina."
"Lá tem entre o ar da área industrial e que vai ser obrigatório à utilização dos capacetes."
"Eu aviso para vocês na hora que for necessário, por enquanto tem um ônibus em movimento, peço pra ter uma lesão sempre sentados."
"Penvotando vidas curiosidades nas paradas, nós ficamos à disposição, tá certo? Dá pra ser, eu prometo."
"Itaipu é difícil de explicar. É grande no nível que escapa."
"Mas vai começar a aparecer no horizonte à estrutura da barragem, e pra construir, pelo isso que vocês estão visitando hoje, foram desde seis anos de trabalho."
"Abre-la de início, vamos de 1975, e vai até 1991."
"Prebenço a televisão, a escadação de um canal pra desviar o curso do Ombio, não tinha como chegar aqui e lançar o Congresso, por ouvir o passando no meio do caminho."
"Então, durante três anos, de 75 a 70 e oito, nós tivemos aqui em torno de 10 mil trabalhadores."
"A escadação do canal, na Margem Esqueira, no Rio Paraná, na Rocha, de dois quilômetros de extensão, de 90 metros de profudidade."
"Quando esse canal fica pronto, eles mudam todo o fluxo do Ombio, do seu leitor natural, tá esse canal de desviu pra esse canal, foi escapado."
"Isso a toda a redução do Ombio seca tudo, drena toda a água, dancó do meio, e aí começa o lançamento de concreto pra esse abanagem aí na frente."
Mesmo tentando descrever, um do conto.
"Ai, nós passamos para o auge da construção, tá? Era um 40 mil trabalhadores diariamente passando pelo canteiro de obras."
"Em quatro anos, gente, de 78, 82, esse tarevão foi evido, a barragem tem quase oito quilômetros de uma ponta ultra e ela chega a 196 metros de altura."
"O perdo de 65 londais, do Tertur, até a construção."
E junto com o nosso espanto, vinha a voz da guia, explicando, dando números e mostrando coisas que nem nas nossas pesquisas a gente tinha visto.
"E essa aqui que nós vemos bem de batindo e agora a gente está usando pra chegar lá no topo, é a barragem de envolcamento.
O curioso dessa parte aqui, ela é feita somente com elementos naturales. Então aqui no meio, não tem ferro, não tem gaso e não tem concreto, ajudando a segurar a água e a braga.
"É só a linha, a argila e muita rocha do lado de choio."
"E essa rocha toda veio lá deixá-la surca no canal de Tertur, nada a primeira está pela construção."
"Vesta hora a gente estava dentro do ônibus que parecia menúsculo subindo por essa montanha cabulosa de pedra empilhada, em direção ao topo da barragem,
onde você consegue ter a vista do reservatório."
E ali, do topo da barragem, que é tipo uma avenida que fica em cima do paredão que segura toda a água represada, a gente também conseguia ter uma vista que dava uma sensação meio de máquina do tempo, de um lado, aquele lago gigantesco, do outro, o leito do rio.
O passado e o presente, o presente e o futuro, um grande passado pela frente, enfim.
Mas a vista que a gente tem do lado esquerdo é o que existia aqui do lado direito, está o rio ele come da direita para a esquerda no lado disso.
Então o rio era daquela largura naquele rio e deu aqui atrás do bem.
O pessoal chegou, construiu esse paredão no meio do rio, bloqueia passage do rio.
Ele começa a chegar aqui atrás, não tem bloa de passar, ele vai enxendo e vai indo para os margens, aladão no progessário.
Então nós criamos de forma artificial e a gente vê esse nível de 120 metros entre os especificos do lago e os especificos do rio.
E é isso que a gente usa para completar a turbina. Essa queda de água te faz 120 metros lá dentro da população.
Não sei se você conhece o livro "Viagem ao Centro da Terra", resumindo bem conta a história de um grupo de aventureiros que entra pela cratera de um vulcão rumo ou misterioso interior da Terra.
Quando a gente entrou na barragem foi descendo até o eixo de uma das 20 turbinas da ozina, lembrem na hora desse livro do Julio Venn.
Conforme a gente entrando e descendo pelos elevadores da barragem, dava uma sensação de estar indo para o profundesa do planeta.
Aqui embaixo é um pouquinho mais abafado, um pouquinho mais fúbido e o barulho é bem alto.
Então ficamos uns 3, 4 minutinhos para olhar, tirar foto e subimos juntos, tá? 92 rotações por minuto é a velocidade de uma ou de meia por segundo mais ou menos.
Quem quiser tirar foto para dar lila vai estar ali, podem se revisar. Quem quiser tirar sob celular também fica a vontade.
Eu lembrei que no livro do Julio Venn os viajantes acabam encontrando noce anos condido no Centro da Terra e tá e pude certar forma e meio isso.
Tem muita água, 29 bilhões de metros cúbicos, é tipo 29 bilhões de caixas da água de meu litro.
A gente ouviu falar de rearia, de concreto, de escavação, de turbinas, de récordes, de números tão grandes que pareciam impossíveis.
E ali, com tudo isso, era difícil não pensar o que precisou acontecer para isso existir.
Você já tentou imaginar um trabalho dessa proporção, a construção da maior hidrelética do mundo acontecendo na prática na década de CT.
O general José Costa Cavalcante, diretor-geral da Itaipu Pina Nacional, após ter assinado
contrato de 40 milhões de dólares para o abastecimento de energia da zona da futura central
hidrelétrica percorre o canteiro de obras.
Então, Itaipu é uma obra de atitadura, o principal projeto do regime foi durante muito tempo
de mora hidrelétrica do mundo, né, mora de energia do planeta, foi superado pelas
chinesas hoje, com a liderançalita de três gargantes.
Para falar sobre as grandes obras de atitudeira militar, a gente foi conversar com Pedro.
Bem, eu sou Pedro Campos, eu sou professor de história da Universidade Federal Cural
do Rio de Janeiro, porra, minha pesquisa doutorado, eu me dobro sei sobre a relação do empresariar
com a ditadura estabelecida com o Ovo de Estado de 1964.
A partir dessa pesquisa, o Pedro publicou o livro "Estrénias Catedrais, as empreiteiras
brasileiras e a ditadura civil militar, que ganham um prêmio já butindo as 15".
Entendeu Itaipu também, entender esse Brasil das grandes obras e dos grandes interesses
e o trabalho do Pedro ajudou bastante.
Então, Itaipu é essa grande hidrelétrica, construído ali de meado, da década 70, a meado da
década 80, que traz uma série de gigandas sim polêmicas e aspectos contobestes na sua
implementação.
Tende vista que ela é uma obra que, enfim, vai apriar muito de valor, ela está borçada
em 2 bilhões inicialmente, termina com o custo superior a 20 bilhões de dólares, é uma
obra que era uma carela internacional, porque é uma obra binacional em que o Brasil paraguai,
é uma obra que mais de 100 trabalhadores morrendo em acidente de trabalho ao longo da sua
construção, é um empreendimento que beneficia tanto as grandes consulturas, a gente consabe
pela obra, oi seja o amêndio de rúlio durante o TR da Camarro Correia, a 7ª e a CBTO,
que foi incorporada depois pela Odebrez, e também outros grupos empresariais envolvidos
como os fabricantes de equipamentos eletromecânicos, estupinas e os equipamentos elétricos
que são utilizados ali naquele projeto.
As grandes empreiteiras da Estadura não produziram só barragens, estradas e concreto, elas
também produziram fortunas bilionárias.
É, e está aí tudo, é isso, é uma, a gente fala que é um mosaic de violações, porque
em todas, é tudo esse benefício que eu enorme, para as grandes empreiteiras, que são
fabricantes, equipamentos eletromecânicos, várias denúncias envolvendo assim, ansituais,
e esse favoritimento de consumidores deve acontecer muito ao pressão pro lado, de
estabeleadores, assistentes de trabalho, de jornadas, existentes vidas, depois de domingreve,
muito de fortes as armadas, veículos militares, para a DBLAS GREVES, tortura de estabeleadores,
se voltaram contra o inglês, enfim, muitos processos muito valentos, fora as expropriações
todas e foram bastante, bastante implementas mesmo.
Não dá para falar do modelo energético brasileiro, nem dessas hidreléticas gigantes, sem
falar da administradura militar, porque não tem como entender, porque o Brasil apostou
nesse modelo de grandes obras, sem olhar para a forma como modelo foi decidido, financiado
e construído ao longo de décadas, aliás, como toda a história que a gente conhece sobre
a dutadura, a história este daí putei muita repressão e mutreta.
E tem esse caso, que é um caso realmente impressionante, que é do embaixador de Sejaubi, ali
em 1979, já tinha se aposentado em trabalho, no Ministério de Elação Exteriores, ele
vai para porce, o Estado ou Figueiredo, ministro de 1979, ali por seus intervontores,
todo mundo acaba revelando o que está construindo, está concebendo um docioso com a opção,
e uma semana depois ele aparece morto no Rio de Janeiro, na barra de júcar, um forcado
no clonco de árvore em condições muito semelhantes, já que a gente viu no caso, vai de
mereçóque.
Parece, claramente, macena armada, é o policial investigação, completamente, enfim,
é a desarra que aconteceu naquela época, vai dizer, foi um suicípio, a família não
comporta, e várias equipes policiais frequentam a casa dos Sejaubi, o docê, segundo reláduos
filhos, enfim, reláduos da família, o docê, que ele está montando, é estraviado nessas
decisões, né, o docê sovia a opção na obra, bom dia, tem drogas embora pra cá,
obrigado, e está e pua atingiu muita gente e de muita forma diferentes, se a tão diplomata
foi assassinado, imagino que aconteceu com os guaranis que moravam na região, pra entender
melhor, a gente foi conversar com quem viviu isso na pele.
Bom dia, profeiço, que nós estamos contando um pouco a história, mas primeiro eu vou contar
o meu nome, né, então o meu nome é Pedro, o EQ Talver, meu nome é Indígeno, eu não
meio, sempre no último, sobre o nome, né, então o que cruzive, eu vou falar sobre a
aldeia antigas, né, antes, antes e tá e pua, nós estamos na aldeia, o coelha coxinga, eu,
principalmente, né, e a gente, a gente não sabia que lhe arisei a separar, não é muito
importante pra nós porque nós se criamos ali pescando, né, e tem mato, tem que passando,
quando a gente precise aí, não reparar não a pescar, então foi assim depois que foi
um único aldeia que foi o Itaipui contra o Jacotinga, né, que vive ainda agora nesse aldeia,
muita aldeia, já não tem mais, já, antes do Itaipu, né, porque causa colonizadora,
né, que já saiu, já, né, e algum que tinha ainda aldeia, né, quando ele sabe que o
é a gente, né, e o pessoal, não, eu já, já dá medo pro baranino, tem que sair, né,
porque vai a gente, vai pegar tudo aqui, água, na semana que a gente estava em foias, a gente pegou
a estrada em direção à cidade de diamante do est, onde fica a terra indígena, tem corra
e tamara, pra contar a história do Itaipu, a gente tem que falar do povo avaguarani, aquele
histórico que ficou debaixo da água é considerada o coração da cultura guarani, do comércio
da formação de um povo que a partir das magas do Rio Paraná, foi se espalhando pela
América do Sul, e que viu o beço de sua cultura desaparecer nas águas do reservatórios
de Itaipu.
Eu estou.
Uma das coisas que chamou nossa atenção nos quase 150 quilômetros que sepanam, foias
de Guaçú, de diamante do est, é que durante o caminho inteiro, a estrada corta, plantações
intermináveis de milho, até onde olha o cansa, você só vem melhoral, às vezes, no meio
da plantação na beira da estrada, apareci uns hot doors que variavam entre propaganda
de agrotóxico e procedimentos téticos.
Aquela manhã de domingo, o Pedro tava com a família dele sentado no quintal conversando
e recebeu a gente muito simpático.
Então em os tenta e dois, já me apetando, nós temos que sair da li, porque a água vai
enxerna.
Eu falo assim que há dois, aqui há dois meio ou três meio, já půr o noido aí, a gente
não deixa assim pensar bem, colheu, um lugar para sair.
Então, eu vou tentei dois, saímos de lá, e há sete de junho, nós chegamos à lina,
mas não tem nada, não tem entrada, nem nada, não tem água, tem riozinho, mas é de quadro
projeto urbano.
Durante a nossa conversa, ele disse uma coisa que marcou bastante, que na cultura Guaroni, o ser humano tem que ser como satélite, perceber as coisas que estão em volta, registrar mundo que vive.
Como eu falei, não estou falando com a menina daqui mesmo estudando, que hoje nós já perdemos, não é que a gente quer perder, não é que nós queremos perder, nós já perdemos.
Conversando com Pedro, eu fiquei pensando, a gente está tão acostumado a ver filmes de fim do mundo, de apocalipse,
mas não tem ideia do que seria o fim do mundo para um povo.
Na tentativa de junta, mais informações para entender itai pu e a relação com os indígenas,
nos meses antes de prafordo do açú, a gente tinha feito outra viagem pra falar sobre esse assunto.
Hoje, Sara, tudo bem?
A gente chegou adiantado na Jissara.
A gente achou que ia demorar mais, mas posso repetir.
A Jissara é daquelas pessoas que dá vontade de ficar conversando por horas,
e foi isso que a gente fez com direita bolo de cenoura e café passado com canela.
A gente foi até casada dela, porque ela acompanhou de perto os meses que anteceder o fechamento das compotas de itai pu.
Ela estava lá no Paraná, quando as águas do reservatório subiram.
Eu percanso ao sim, com sê-lo indigenista-visionário.
Fomos ali para aqui trabalhar pegando o litoral açú,
aí também na grande São Paulo, e o litoral norte.
A gente fazia esse trabalho, assim, para a gente morando ali em Tai Gaén, como trabalhar com os Guaraní.
Primeiro trabalho, nós foi com os Guaraní.
E justamente quando nós estava nos lá, nós somos em 79,
79, 80, aí estava essa questão da itai pu.
A questão de itai pu chegou na Jissara porque o sim se mobilizou a partir da situação que estava sendo enfrentada
pelos águas Guaraní, na construção de Itai pu,
e em tudo que ela estava causando ali naquela região do Rio Paraná.
E o problema não se restringe ao lago e a barragem.
A área afetada vai se sprayando para que está em volta da repreza, e da empresa, né?
Quando as obras de Itai pu começaram na década de 70,
ainda tinha muitas tecorras, as aldeias nas magias do Rio Paraná, em toda a região.
E assim era uma situação muito danada, porque eles foram os últimos que saíram do lugar.
Eles conseguiram ficar assim a telhas, não sabe?
Então tinha essa taisagem, e também, por exemplo, fiação que tinha,
tudo tinha na estrada, tudo já retirado.
Sabe, era uma impressão assim meio. Uma que eu vou te dizer bem cadaverga.
Sabe aquela coisa assim fúnebra, que ele treinha assim, desse jeito, sabe?
E a comunidade pequenininha, a beira do Paranazão, né?
Na começão da verdade do Paraná,
um ex-socionário da Itai pu entregou fotos onde dá pra ver pickups
com o logo da empresa enquanto aldeias indígenas estão queimando no fundo.
Os funcionários da Itai pu posam pra câmera sorrindo,
numa lógica muito parecida quando o caçador que comemora presa batida,
uma atípica cena colonialista.
E isso tudo aconteceu no contexto, em que a própria Itai pu negava até mesmo o reconhecimento dos Guarani
como povo indígena ao originário daquela terra.
Era bem a época da ditadura, então eles não tinham nem sido considerados indígenas,
porque foi colocado na que fala lá de te me lembrar critérios de indianidade.
Tinha uma que tinha mais de 100 anos na Francisco.
E ela não sabia, ela só sabia falar Guarani.
Ela não sabia falar português, ela não sabia falar espanhol, só sabia falar Guarani.
Ela não conseguiu responder as perguntas.
Essa, por exemplo, não foi considerada indígena, entendeu?
Não é cura assim, uma coisa muito doida mesmo, né?
Os chamados entre aspas, critérios de indígenidade, definiram quem tinha direito à terra e ao reacentamento.
E aí entra mais um episódio desses episódios bizarros da história do Brasil.
Em 1981, o antropólogo Celho Horstein, que era filho de criação do gestador Ernesto Geisel,
foi enviado para a comunidade a vaguaraní de Okoi Jacotinha.
A equipe foi lá e fez o estudo inteiro em um único dia, usando questionários exclusivamente em português
e um sistema de pontuação criado dentro da própria funai.
O resultado foi divastador.
Famílias, Guaraniis acabaram classificadas como não indígenas e perderam direito ao território.
E foi nessa leva que a dona Francisco, uma senhora Guarani de 100 anos,
teve a sua indianidade negada, porque só sabia falar Guaraniis.
E os Guaraniis precisavam, os Guaraniis usavam Guaraniis de lá.
A região depois precisavam de compreender aquela coisa toda que estava acontecendo.
Vai achar isso aqui de água.
Vai achar não tinha, não tinha como estar com, entendeu?
O alô que tinha que ser vai conseguir um pedaço de terra pra eles.
A Jussara foi preparar na consime com a missão de correr contra o tempo,
porque nas versperas do fechamento da barragem pra formação do logo de Tai Poo,
a empresa não tinha feito um diálogo com o povo Guaraniis das dezenas de aldeias
pra explicar o que ia acontecer.
E eles não, na verdade, eles não entendiam também o que estava acontecendo.
Aquela coisa de que a gente tentava daí de explicar com pouco,
perra a gente falava de Guaraniis e tal, e falando uma linguagem de português.
Era difícil explicar e começar aquelas pessoas
a sair do território mineinar que ocupavam.
E era mais difícil ainda sem conseguir se comunicar pro caso da barreira do idioma.
Um lado falando português e outro lado falando Guaraniis.
E aí eles tiveram uma ideia.
Por que que veio a Frita Cassete?
Vocês lembram que eu falei do casal, esse que da terra indígena que foi demarcada,
na década de 80, tal, do Amói, né, porinho branco e do Nangeliano?
Quando perceberam que eles estavam sozinhos diante de uma missão quase impossível,
o Simi decidiu pedir ajuda por casal antônio o branco e a Angelina.
Eles eram chamados conhecidas entre o povo Guaranii
e já conheciam o ajustado do trabalho que ela fazia com os Guaraniis do Litoral de São Paulo.
Então daí, quando eles não podiam ir, gravavam a Frita Cassete.
Aí levavam a pra lá, os de lá ouviam
e depois conversavam e devolviam pros de cá, deitariri.
Eles ouviam e eles respondiam na mesma hora, não estava gravando.
Mas eles, no que estavam ouvindo, eles respondiam até, no seu quieto.
Aí vai até e falavam, sabe, assim porque funcionou muito bem, muito bem mesmo.
E a gente precisava de correr, inclusive, porque o negócio já estava por acontecer.
E era uma situação assim de fome, sabe, de fome, de violência física, né.
E a. numa das reuniões, por exemplo, em Brasília acompanhando a Cassete lá
e levantei e falei, porque o Parque Nacional deva assumo aquilo ali, é tudinho, tertulario Guaranii.
As cataratas, tudinho, tertulario Guaranii.
Ali também, onde eram certos quedas, também ali.
Prusava Guaranii, a chegada de Taipu causou aquilo que eles chamam
de Sarambi, o grande Sparramo, Sparramo de Água, Sparramo de Gente e de Muitos Sães.
Sarambi ficou sendo jeito que o povo Agua Guaranii fala do que aconteceu no Rio Paraná.
Quando eu descobro que uma cachoeira desapareceu, a primeira reação, pelo menos a minha,
é de imaginar que ela secou.
Até porque, de uns anos para cá, é comum vercêna de rios gigantes do Brasil secando,
como aconteceu em 2024, com o Rio Negro lá na Amazônia.
Só que, no caso da Sete Quedas, foi exatamente o contrário.
A maior cachoeira em volume de água do mundo não sumiu para o falta de água.
Ela sumiu porque foi afogada.
Os logo que era muito usado na época era visitantes que acabe.
Eles não acreditavam que as águas subissem a tal ponto que cobricsem a Sete Quedas
e a que envessem aqueles pontos onde eles estavam.
Eu não acreditar, porque achava que era muito alto, os paredões de peda e tal.
os canais passavam lá embaixo, agora o que vai mexer tudo isso aqui, então né? Eu não acredito.
Quando as comportas de taipo fecharam, ela asseguraram o fluxo da bacia do Rio Paraná,
que se conectam o sistema gigantesco de água superficial e subterrâneas,
incluindo a Cuifre Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo.
As sete-quedas eram complexos de cachoeiras parecidos com as cataratos do igossu,
só que 9 vezes maior. E aqui vale um detalhe importante, não era cachoeira mais alta do mundo,
era maior em volume d'água. Não existia outro lugar do planeta por onde passasse tanta água em que
é da livre. A vazão média era de 13.300 metros cúbicos por segundo, produzindo mais de 13 milhões
de litros de água passando a cada segundo. É como se mais de 13.000 caixas d'água de 1000 litros
fossem despejadas continuamente, sem parar. O barulho das quedas podia ser ouvido a mais de 30 km de
distância. Mas as sete-quedas eram muito mais do que um fenômeno geológico. Para os Guarani,
aquele lugar fazia parte do coração do seu território ancestral, um marco espiritual e cultural
construído ao longo de milhares de anos. E não eram só os indígenas que tinham uma relação profunda com
as quedas. Para quem vivia na região, elas eram parte da identidade local. Durante décadas, a cidade
de Guaira recebeu tantos visitantes que chegou a ser um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil
atraindo a gente do mundo inteiro. E talvez a parte mais difícil de imaginar seja essa. Uma paisagem
de construída ao longo de milhões de anos desapareceu em poucos dias. Depois do fechamento das
comportas, as águas subiram muito rápido, e duas semanas depois, as sete-quedas já estavam
completamente submersas. Hoje, na paisagem, é como se elas nunca tivessem existido.
Então, quando o inundou, de repente parecia que só tinha virado o cemitério, porque era um silêncio mortal.
Bom, a ponta dessa história já te contei. O sumíço das sete-quedas entrou pro límbulo da memória do Brasil,
e quando aparece, ou emerge, quase sempre nesse lugar, o sacrifício necessário.
Complicado, gente. Complicado demais. Mas se for ver também, a gente está aqui nessa energia,
tudo ligado aí na sua casa assistindo a gente, a energia que vem tudo de Taipu, graças a construção
da barragem da usina de Taipu, se não fosse isso também. São dois pés e duas medidas, duas coisas que
têm que ser analisadas, ou a beleza e a natureza acaba sendo prejudicada para poder, então, fazer
a construção para trazer conforto, para trazer qualidade, o dia a dia, o trabalho, que a energia
proporciona para todos nós seres humanos. O famoso, os cinjos ficam os meios.
O problema é que, na história do Brasil, os meios são sempre os piores possíveis, e os cinjos também.
Oi Luisa, não tem problema nenhum, a gente pode se encontrar quando você estiver por aqui, a gente marca,
se encontra, só não sei se eu tenho tanta informação quanto a assista diz que eu tenho. Eu sei que eu tenho
muitas críticas com relação a Taipu e isso eu sei. Essa com quem a Luisa estava marcando em
encontro é a dona Elsa. E a assista, que ela fala no áudio, é a Cecilha Angilele, professora de
arquitetura urbanismo e pesquisadora das relações entre território, moradia e movimentos populares na
Unila, a Universidade Federal da Integração latina americana, que fica lá em Fóio do Gossu. O trabalho
da Cecilha ajudou a gente a entender como impacto da construção de hidreléticas, começa no momento da
decisão da implantação, depois construção e desenvolvimento e nunca mais se encerra. A assista fez a
ponta entre nós e dona Elsa justamente pra gente entender como os impactos através de um tempo carregando
traumas e desigualdados. No dia de encontrar dona Elsa, combinamos um fim de tarde. Quando a gente
desceu na feijinidereço que ela tinha mandado, ela já estava sentada do lado de fora esperando a gente.
O Indireço não era da casa dela, era de uma biblioteca comunitária.
Aqui tem um pouco da história da comunidade. Se foi feito em 2017, uma extensão da Unila contando um pouco das maisvelas de fósseis.
A gente queise encontrar dona Elsa pra entender a partir da perspectiva de uma lideraça comunitária, o que significa
viver na periferia da cidade, sobre poder de uma empresa como Itaipu. Eu sou Elsa Mendes, tenho 66 anos, sou mãe de quatro
filhos naturais, um filho adotivo, quatro netos, duas bisnetas, moram em Fóio do Gossu desde 92. Ou seja, eu tenho uma
trajetória muito ampla em Fóio do Gossu e desde 97-98 eu começo a me envolver com as mazelas de Fóio de Gossu.
E estudar um pouco, entender o contexto de Fóio do Gossu e aí a gente inicia por um processo de ciclos. Fóio de Gossu é uma cidade de
75. Decada de 70, regime militar, quem vem, dona Itaipu. Itaipu veio, regime militar se agregou, vilávia e vilacê.
A vilávia os meia boca, vilávia os bombas da boca e a vilacê os coisas nenhuma.
A esta obra de uma hidroelétrica se anunciada que o território já começa a mudar e foi isso que aconteceu em Fóio,
que recebeu mais de 100 mil pessoas nos primeiros dez anos da construção de Itaipu, enquanto poucos ganhavam conforto,
infraestrutura e oportunidades, muitos eram empurrados para as magens da cidade. Dá pra ver bem essa segregação no mapa.
A vilacê, a primeira ser construída, era dos operários. A vilávia reunia técnicos e profissionais especializados.
E a vilávia era reservada para os diretores e autiscalão da empresa.
Cidade nova fica em Fóio de Gossu, fica pertinho de furnas e também de Itaipu, porque nós ficamos pressado nesse mínimo.
Se você chegar no final dessa rua, já é, hoje não é mais furnas, hoje não é mais eletrobras, hoje é a Áxia.
Por que, de 2019 para cá, a furnas foi privatizada e a eletrobras já repassou para a frente,
porque não compete a pobre brasileiro ter competência sobre o seu território.
Quando eu mudei para cá para a cidade nova, a minha casa fica na parte baixa do bairro.
Quase a rua que vem da Unila, o barulho 24 horas por dia no meu ouvido me perturbava muito, me perturba muito até hoje.
Mas a gente aprende a conviver com as coisas ruins também, né?
A gente tem que ser adequado, não tem outra alternativa.
No Cidade nova, muitas famílias vivem ao lado de alguns principais liões de transmissão de energia do país.
Estruturas de altíssima atenção que transportam a eletricidade produzida por Itaipu para outras regiões.
E além das linhas de transmissão de eletricidade, Donael só conhece de perto ou outras marcas deixadas por Itaipu.
Os prostíbulos de Foz de Guassu se ampliaram muito rapidamente e esse é um ciclo por onde passam as grandes obras de infraestrutura de barragens.
Sejam naves barragens, sejam na mineração, esse é um ciclo que se perpetua desde o Brasil em pé.
Donael só trabalhou visitando e entrevistando mulheres que tinham sido prostituídas.
Algumas delas ainda meninas durante a construção de Itaipu, e que depois disso nunca conseguiram sair da condição precário de vida que tinha.
Fechada ao dentro do prostíbulo porque elas não tinham liberdade de ir e vir.
Veja de militar, então elas estavam ali a disposição nas sextas feiras.
Final do expediente em Itaipu encostavam os ônibus, lotava de homens e eles iam pro prostíbulo e os ônibus retornavam no domingo final da tarde para buscar-los.
Com uma excursão, é como se fosse uma excursão.
E os ônibus quem tudo isso era para a princesa?
Os ônibus de transporte de trabalhadores. Agora, Itaipu deixou um rastro de maldade absurda, absurda, absurda, absurda.
Feta a ideia de quantos órfãos, filhos de prostitutas.
Em foge de guassul, que nunca souber, não tem o nome do pai na assistida do alinacimento,
e essa é uma erança maldita.
Normalmente, quando a gente fala sobre grandes barragens, os impactos costumam ser medidos em números.
Contas hectares foram alagados, quando se megawod foram gerados.
Mas quando a gente conversa com pessoas como dona Elsa, percebe que existem impactos que não cabem nenhuma planilha.
É difícil saber quantas crianças nasceram das relações entre barrageiros e mulheres que trabalhavam nos prostíbulos da região durante a construção de Taipu.
Mas existe um dado que impressiona.
Em apenas duas décadas, mais de 12 mil crianças foram registradas em foio do guassul, seu nome do pai na assistida do alinacimento.
Essas pessoas são conhecidas até hoje como os órfãos de Taipu.
No nosso último dia em fois ainda faltava conhecer um lugar.
Oi, bom dia.
Bom dia.
Tudo bem?
A dona Maria se arrastou, olha aí.
É?
É.
É.
Aqui.
Aqui é um dado bastante, mas não dava pra embora sem passar no quilomboorta do seu zé e da dona Laid.
Bom Maria, vamos começar então.
Ah.
Gente, a gente já tá agradando você aí, né?
Eita!
Como cabalharia?
Ah, não.
Ah, não.
Sim.
Depois seleciona aí.
É.
Meninas.
Agora nós vamos gravar.
[Risos]
Então, amigo, eu sou a Maria Serrátia do Santos, sou o que o presidente desse quilombo,
né?
A gente veio parar aqui nessa região da Vila C, porque meu pai pela terceira vez, a terceira. Quarta vez, estava prestando serviço pra empreiteira da Taipu, na época de construção da Taipu, né?
Eu começou a reflore estar com frutas, por exemplo, se você sair da uma volta aí, o que vocês mais vão encontrar é pé de fruta.
Manga, inclusive?
Meu Deus, você é manga que nem os passam aos bichos, ninguém dá conta de comer, né?
Quando o produz bastante.
Faz anos que o quilombo é algo de um processo de integração de posse, movido por Taipu, com apoio de pessoas influentes e da prefeitura.
Eu perdi muito sonho, perdi muito sonho, consegui ficar muito tempo engasgando, engolindo aos poucos na hora do almoço, no jantar.
Agora, até quando nós não sabemos, porque enquanto não resolver essa questão com o índice,
todo mundo certinho, deixar todo documentado, isso não vai acabar a gente sabe que não.
Mas assim, hoje eu tenho uma segurança muito maior, muito mais tranquila do que lá atrás em 2018.
Porque primeiro, lá atrás a gente não tinha ninguém, né?
Aí chegou com a pressão todo mundo junto.
E lá atrás a gente não tinha conhecimento dos direitos que a gente tinha hoje, a gente tem bem mais conhecimento.
E além dessa pressão política e jurídica em cima do quilombo, a Maria também falou sobre a relação de Taipu
com as memórias daquele território e com as memórias da própria empresa.
Não aparece o nome do índice lá, aparece não.
É a mesma coisa.
Por exemplo, gente, eu acho um absurdo, ninguém comentar nos principais homens que botou a mão na máscara
e arriscou as suas vidas para construir que dá ali.
Mas se eu quiser ir lá, ele tem que pagar para entrar para ver.
Outra coisa, uma coisa que eu questiono muito aqui em Fosso.
O que que acontece?
Gente, a maioria do povo dessa cidade trabalhou a construir nessa usina.
Mas vocês já observaram quantos que a gente paga na energia aqui nessa cidade?
É um absurdo.
Mas assim, a luta até chegar aqui foi grande.
A gente continua ainda, né?
Que ainda não terminou essa guerra, essa batalha, essa luta.
A gente ficou bom tempo conversando.
Depois ela mostrou o quintal com as plantações e onde é organizado os centros de memórias.
Toda semana, o crômo recebe turma de estudantes que vão lá por ouvir histórias, entender os ciclos da natureza e participar das atividades.
É um lugar com a criação psiscana no terreiro.
Um monte de passarem cantando em volta e barulho de água corrente.
Um refugio de mata, que nem parece que você está bem no meio da cidade, entendo a vilacê de Fosso Gossú,
colado nas grades que demar com a propriedade da Idraneta.
Assim como o pai dizia, eu costumo dizer também.
Aqui, a gente não só alimenta a ser uma, são todos tipo de vida.
Vem pra cá, é fácil, é um gambá, é tudo com o que vem aqui com o homem, né?
É um suco, é uma fruta, é um prato.
A pessoa chega aqui, às vezes a gente está almoçando, vamos almoçar também.
Porque aqui é que nem coração de mãe, né? Chegou-ta em casa.
É assim que funciona esse lugar.
A gente foi recebido com um suco de acerola, colhido do quintal.
E isso ficou com a gente, esse fresco.
Nessas andanças, a gente também viu muita coisa bonita,
descobriu um monte de coisas interessantes.
Achiu de gente construindo caminhos, lutando, buscando outras possibilidades.
Esse foi só o começo da viagem.
No próximo episódio, a gente vai pra mazônia.
No coração das discussões sobre o futuro do planeta,
em um dos centros mais intenso de disputas sobre energia e clima.
Vamos te contar sobre um lugar que também está nesse limbo de esquecimento,
e que esconde uma das histórias mais controversias da energia no Brasil.
Uma hidrelétrica que é considerada um dos maiores desastres da nossa história recente.
E que levanta uma das perguntas mais desconfortáveis dessa série.
Será que a energia que a gente chama de limpa?
É limpa mesmo.
Nesse episódio, contamos com a ajuda dos professores.
Cloves e Brigante, Cecil Angilelli e Daos Marina de Oliveira.
Um agradecimento também ao Camilo Terra.
As principais referências da nossa pesquisa tão disponíveis na descrição do episódio.
E ois a guerra, fizemos a pesquisa, produção, capitalização de áudio e roteiro da série.
A gente é da oficiracambarar e trabalhar com pesquisa, audiovisual, entre outras coisas.
A mentoria do projeto é da Sara Zoubel.
A edição e sonorização ficou por conta do Caio Santos e do Pedro Jensu da Agriopodcastes.
A trilha sonora original é da Estela Desrini e do Amor Medrado.
No nosso Instagram, vazante podcast, que em postagens com informações extra sobre o trabalho e equipe,
além de imagens que fomos captando ao longo da produção.
vazante é um podcast original apoiado pelo Instituto Serra Pileira.
Até a próxima.
[MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
O desaparecimento das Sete Quedas, uma das maiores cachoeiras do mundo, foi causado pela inundação do reservatório de Itaipu, não pela falta de água, mas pela alteração do fluxo do Rio Paraná.
A construção da usina de Itaipu envolveu grandes impactos sociais, ambientais e culturais, especialmente para os povos indígenas Guarani, que perderam territórios e identidade ancestral.
A obra foi construída em um contexto de ditadura, com forte envolvimento de grandes empreiteiras, benefícios para empresas e desvio de responsabilidade social e ambiental.
O modelo energético brasileiro, baseado em hidrelétricas, é profundamente ligado a processos de exclusão, violência, desigualdade e violação de direitos humanos.
O impacto da construção de Itaipu se estende além da construção física
A energia elétrica, embora essencial, é um símbolo de poder e controle que também apaga memórias, histórias e vidas locais, especialmente nas periferias e comunidades marginalizadas.
O podcast "Vazante" investiga a complexa relação entre energia, política, poder e memória, mostrando como grandes obras de infraestrutura moldam territórios e identidades.
A história de Itaipu não é apenas técnica ou energética, mas uma narrativa de resistência, luta e memória coletiva, que envolve comunidades, povos indígenas e trabalhadores.
Summary:
O podcast "Vazante" explora a história da usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo, revelando os impactos profundos que ela teve no Brasil. O desaparecimento das Sete Quedas, uma das maiores cachoeiras do mundo, foi causado pela inundação do reservatório, não pela falta de água, mas pela alteração do fluxo do Rio Paraná. A construção da usina ocorreu em um contexto de ditadura, com forte envolvimento de grandes empreiteiras, que lucraram com o projeto e negligenciaram os direitos sociais e ambientais.
O impacto foi devastador para os povos Guarani, que perderam territórios e identidade cultural, muitos dos quais foram excluídos por critérios de "indigenidade" baseados na linguagem falada. Além disso, foram registradas mais de 12 mil crianças nascidas de relações entre trabalhadores da usina e mulheres que trabalhavam em prostíbulos, conhecidas como "órfãos de Taipu". A energia produzida por Itaipu é essencial para o país, mas o custo humano e social é alto: violência, desigualdade, exclusão e trauma.
O podcast, com base em pesquisas e entrevistas com comunidades afetadas, mostra que a energia não é apenas um fenômeno técnico, mas um sistema de poder que apaga memórias e vidas locais, especialmente nas periferias. A narrativa é construída como uma jornada por diferentes regiões do Brasil, conectando a história energética com a realidade social, política e cultural do país, destacando que o modelo de energia baseado em grandes hidrelétricas é profundamente injusto e que muitas histórias ainda estão esquecidas.
FAQs
As Sete Quedas eram um complexo de cachoeiras no Rio Paraná, consideradas as maiores em volume de água do mundo. Elas foram afogadas por causa do aumento do nível das águas do reservatório da usina de Taipu, que foi construída para gerar energia, submergindo completamente o local em poucos dias.
A construção da usina de Taipu afetou profundamente os Guarani, que consideravam as Sete Quedas parte do seu território ancestral e espiritual. As águas do reservatório submersas o local, desaparecendo a paisagem sagrada e causando perturbações culturais e emocionais na comunidade.
As hidrelétricas causam grandes alterações ambientais, como a submersão de áreas naturais, deslocamento de populações, perda de biodiversidade e avaria de ecossistemas, especialmente em regiões com rios e áreas de floresta.
O Brasil apostou em grandes obras de hidrelétricas durante o regime militar, como forma de desenvolvimento econômico e de gerar energia para o país. Esse modelo foi impulsionado por políticas de desenvolvimento nacional e apoio a projetos de grande escala.
A construção da usina gerou deslocamentos forçados, segregação social, violência e exploração de trabalhadores, incluindo mulheres que foram empregadas em prostíbulos e crianças nascidas de relações entre operários e mulheres da região, conhecidas como 'órfãos de Taipu'.
A história da energia no Brasil está interligada a decisões políticas, econômicas e sociais, onde grandes obras como a usina de Taipu não só geram energia, mas também moldam a geografia, a cultura e os direitos dos povos locais.
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