Go back

EP 01: O que significa e porque é urgente falar de tecnologias humanas no fazer pesquisa?

80m 54s

EP 01: O que significa e porque é urgente falar de tecnologias humanas no fazer pesquisa?

O primeiro episódio do podcast "Desbravadoras" apresenta um grupo de pesquisadoras que propõem repensar a pesquisa a partir das "tecnologias humanas", ou seja, valorizando a subjetividade, os afetos e a complexidade dos seres humanos. Luisa Futuro, Carmencita, Monique Lemus e Está Correia compartilham suas trajetórias — do cinema à antropologia, do artesanato à academia — e criticam a predominância de métodos reducionistas, como o foco exclusivo em números, hipóteses binárias e metodologias ágeis, que ignoram a riqueza das experiências humanas. Elas apontam que essa abordagem, comum em empresas de tecnologia e marketing, muitas vezes engaveta pesquisas e não enfrenta a realidade de forma honesta. Como alternativas, destacam práticas como o uso do diário analógico, a observação etnográfica (inspirada em Malinowski) e o estranhamento, que permitem deduzir, refletir e conectar conhecimentos. O projeto nasce de um incômodo com a hierarquia de saberes e a soberania dos dados, defendendo uma pesquisa mais lenta, contemplativa e comprometida com a pluralidade. As pesquisadoras enfatizam que a verdade não está apenas nos números, mas também nos afetos, nas histórias e nas subjetividades, e que é preciso "escavar" saberes para transformar o fazer pesquisa em um ato ético e humano.

Transcription

9954 Words, 57150 Characters

Portuguese
[Música] Esse é o primeiro episódio, a primeira conversa das bravadoras. A pesquisa a partir do ponto de vista da tecnologia humana. Desbravadoras é uma união de mulheres pesquisadoras que tem um intuito de colocar luz sobre um paradigma, um ponto de vista, teorias, pensadoras e possibilidades multidisciplinares que conseguem a subjetividade humana como parte potente do aparato dos seres humanos e do seu estar e transformar o mundo. No episódio de hoje, falaremos sobre o que significa e porque é o gente falar de tecnologias humanas no fazer pesquisa. Desbravadoras. [Música] Eu sou a Luisa Futuro, eu tenho o metro 68, estou aqui no Rio Grande do Sul nas montanhas em canela, com muita lã e muito ar-condicionado, que faz frio. Uma roupa meio de pijama de segunda, mas aquela conchego para começar a semana no melhor estado. Eu sou uma pesquisadora, em considerar uma flanãs por andar e ser mandar ilha do ver e observar e viver. Sou a mestre de sociologia em crítica social pela Universidade de Longues Agotesmiths e sou uma verdadeira entusiasta da humanidade das humanidades digitais e eu entendo o afeto como uma ciência. E por isso eu entendo a inteligência artificial, como uma tecnologia criada e composta por nós seres humanos. Agora eu passo a palavra para o meu colega pesquisadora, a Carmencita. Boa noite, Carmencita. Boa noite, Luisa. Estou sentindo muito honrada de estar com vocês antes mais nada. Meu nome é Carmencita. Eu tenho 42 anos, eu estou falando de Florianópolis, Santa Catarina, sul do Brasil. Sou pesquisadora, mais ou menos, uns 15 anos. Iniciei o meu processo de na área de cinema, na área do documentário. Trabalho com um pesquisa na área de comunicação para as marcas de todo o Brasil e algumas marcas robais e neste momento, doutorando da Universidade do Rio Grande do Sul, o Urgis com muito orgulho. Eu estou com uma camiseta cinza, quentinha com um lenço rosa, com algumas texturas em azul marinho e vermelho. As cabelos estão nos ombros castanhos e um óculos num tom acobriado no tom marrom. Neste momento, passa a bola para nossa colega Monique Lemus, que fala de um outro lugar desse nosso país, nossa colega pesquisadora. Oiês, Monique Lemus. Também estou bem quentinha, falando de São Paulo, com meu aquecedor e uma lantinha cinza no pescoço, muito frio. Tem os cabelos transados, sou uma mulher negra de pereclara e então num rabo de cavalo, metade raspado também. Eu, como a camiseta também, comecei no cinema, estudei direção cinematográfica, saí de la produtora, feproteira por muitos anos, depois no meio do caminho, comecei a estudar sociologia política, informei e apaixonei por antropologia, transformei todas as formas de fazer produção, por uma necessidade de atentar os olhares do marketing para as pessoas e sigo fazendo isso hoje em pesquisa estratégia, trazendo uma tradução mais potente dos dados e um olhar um pouco mais aprofundado e complexo como nós seres humanos. E é isso muito apaixonada pela potência das traduções, muito feliz de estar aqui. Nesse momento eu passabola para a nossa próxima colega que está no outro extremo do Brasil, num dos lugares mais promissores desse Brasil para a Amazônia. Ela vai contar um pouquinho de como ela se sente num lugar que tem internet, neste momento precaria, mas em condições de muito poder, muito achar ela vai contar sua história, é uma das desprevadoras, mulher que erreira, forte, maravilhosa. Neste momento doutorando também, eu acho que vai poder contar um pouquinho mais da sua história. Meu nome é esta correia, sou doutorando entre o Poulogio Social, sou mestre antropologia, pesquisa sobre mulheres desde a minha graduação, atualmente pesquisa na UFRN sobre mulheres viajantes, o tema de pesquisa do doutorado e a minha proposta é fazer uma mitinografia, uma pesquisa muito situada em que eu consiga entrar em contato com outras viajantes e conseguir compreender formas de viajar, formas de estratégias de deslocamento e como as subjetividades dessas mulheres se constroem em torno da viagem, de muxila e das viagens ditas independentes. E eu faço essa bordagem a partir da ideia das viagens de muxila. Eu sou uma mulher amazônida, sou viajante também, então quando eu pesquisa sobre outras mulheres que viajam, eu inevitavelmente estou falando também sobre a minha experiência como viajante, porque isso me atravessa de uma forma muito significativa, já que eu venho de um lugar em que as pessoas estão acostumadas a ver como lugar de visitar e não como um lugar de onde as pessoas saem para viajar, então está em contato com esse mundo ter esse sentido de vida cosmopolita e pesquisada também sobre outras mulheres viajantes. Me faz repensar sobre a minha própria condição de mulher viajante e também do meu lugar. Eu sou para antes, não sei se eu estava do pará, no interior do estado do pará e na zona rural. E isso também traz algumas particularidades para minha história, para minha vida e para minha construção da minha subjetividade. Está muito ligada com isso, com ser interiorana, com ter essa ancestralidade, por sante, a partir dessas vivências rurais no interior da amazônida, que é um lugar muito complexo, a amazônia é um universo muito complexo. E além de pesquisadora viajante eu também sou artesã, então costura caderno, costura histórias, faço caixasse de jambua artesanal, que é uma erva amazônida. Então eu também bebo muito nessas raízes, das minhas ancestralidades para construir minha subjetividade, a minha trajetória e as minhas agências, a minha forma de ser, de estar no mundo. Passa a bola para então a nossa colega e ativistas as causas da mudança, a Luisa Futuro, com o seu nome, já disse. Eu acho que ela, o intuito de fazer esse podcast veio de uma necessidade muito grande da gente poder conversar, discutir e traduzir um pouco das nossas anseias, os nossos desejos. Queria saber um pouquinho da Luisa de onde, como é que ela se sente desse lugar, de poder fazer pesquisa e de onde traduzir essa perspectiva das tecnologias humanas, como um momento em que ela acredita que precisa de alguma maneira a cedito e como ela acredita que precisa ser dito tudo isso, pela Luisa. Bom, gente, eu acho que tem uma origem muito genuína das coisas, é realmente um incómodo, é sentir que as coisas elas podem ser mais e a gente quer pesquisadora e estar nesse universo tanto no mercado como academia, a gente enxerga, a gente está vivendo essa transformação da pesquisa, do fazer pesquisa às vezes em, às vezes é muito numa sigla como o "yuxi", o "x", o user experience, é uma metodologia que nasce ali. das ciências sociais, nas que hoje faz muito parte do design, o design é uma metodologia, uma disciplina, né? Grande e o suficiente que precisa barcar e consegue abarcar grandes disciplinas. E aí, nascer realmente de um cômodo, que eu acho que eu já tenho um. É um pouco a raiz assim do meu fazer as coisas, fazer pesquisa, escrever, fazer a teografia, que é um pouco a sair arqueados pensamentos. Eu acho, eu acredito nessa frase assim, que a verdade ela vem em números. Eu acredito que isso é uma velha, é uma grande máxima, uma velha máxima, mas a tal que nunca é numa cultura de dados, na verdade. E essa predominância desse modelo de pensar, esse modelo cognitivo baseado, no projeto nacionalista, no cartesionismo, ele já é dado a muitos séculos antes de existir em geniaria, os sistemas computacionais. Mas de alguma forma, dentro do universo de pesquisa lidando com a tecnologia e com produtos de tecnologia, eu sinto que isso tá ainda mais forte ao mesmo tempo que a gente tá no mundo multidisciplinar. A hierarquia das engenharias, da conversão do número, do dado como apenas um número, ele é muito soberano. Isso é maravilhoso nos dar essa cultura que a gente tem hoje de grandes empresas que a gente adora e também odeia e que faz parte tudo isso. Mas por achar que a gente pode, como pesquisadoras, e além do MVP, do mínimo viable product, que a gente pode ir para fazer lava-bul-product, se falar de amor e falar de afeto, e pensar em soluções para problemas que talvez não estejam cabendo na forma como a gente tá tende a fazer as coisas agora. Então a ideia com fazer parte desse projeto que me motiva muito a desafiar essa ideia de um pensamento soberano apenas uma forma de pensar e poder agenciar novas teorias, novas práticas que são motivadas por uma forma humana de fazer a ideia. Acho que uma coisa que a gente vai falar muito aqui é o que é humano, que como a gente está evoluindo, como isso está, não está dado, isso tem que ser criado, na verdade. Então de uma forma bastante resumida, ainda que não simples, eu acho que vem desse incomodo e vontade de poder fazer mais complexo, mais profundo e transformar a partir dessas possibilidades. E aí, queria ouvir de vocês assim, né, Monique? Bom, acho que pra gente quebrar que esse geograo assim, de repente, começa a ir Monique dizendo o que que te faz, qual é a origem assim que te motiva, que te inspira até aqui com a gente conversando sobre o tecnologia humana e pesquisa. Eu acho que pra mim vem de um lugar muito genuíno de incomodo também, parecido com o meu, acho que eu dou meu lado um pouco mais do bagurão de comunicação e também de produção. É numa irritação, eu diria, com os brifens e com os clientes de buscar em. Primeiro de não saber o que eles estão buscando e depois de se contentarem com os lugares muito reducionistas, muito dedutivos, mas também não tanto, uns lugares muito impobrecidos da própria verdade e uma construção de auto-verdades e nenhuma coragem de fato enfrentar a verdade, né? Muitas vezes não se assume o público que seu produto tem ou, enfim, fica negando esse movimento, não comunica direito, criam movimentos a partir de desejo ou de status e não de forma realista, então, incomoda muito essa. esse sonho colonizado de lidar com a realidade, mas as realidades que eles mesmos escrevem, que eles mesmos inventam. Do meu lugar eu critico muito pessoas que ficam falando sobre prêmios e coisas desse tipo, eu falo, cara, foram seus que inventaram esse prêmio pra te dar inclusive. Então, de que premiação que você está realmente ganhando e construindo, né? Então, acho que a pesquisa pra mim vem nesse lugar de como é que a gente consegue realmente pisar no chão e falar com as pessoas e aí olhar pra humana, inclusive pra reconstrução dessa ideia de humano, num lugar de potencialização e de pluralização, né? Um seminário, o Galto estava falando também, mas de de maior complexidade entender que é sobre sentimentos também, é sobre afeto, não leço a sobre números e é num lugar mais acessível e muito mais simples de alguma forma e muito mais objetivo também quando você simplesmente arruma, arruma não, assume a realidade, essa propria, e lida com ela de fato, com carinho, com compromisso, sobretudo. Então, esse é absolutamente meu lugar no mundo e eu queria ouvir da Carmencita agora, por favor. Que bacana, Munique, que bom poder te ouvir e entrar num pouco no papo com um diálogo mesmo, que é a proposta do nosso projeto. Quando você falou a palavra crítica, me deu muita vontade de poder assim pegar no teu abraço, te acolher e dizer que realmente a gente precisa levantar algumas bandeiras e fazer um trabalho mesmo de escavação, de arqueologia, de alguns saberes e repensar alguns saberes que estão aí sendo colocados como ditos, como o pressupostos já praticados do sistema e um deus, que foi uma das minhas grandes motivações, também com a Luisa desse movimento, é poder pensar nos métodos ágios. Falando do ponto de vista, de um mangúcio muito grande, em que a gente vem de uma sociedade que está passando o Tatuente, de dez pessoas que a gente conhece, duas, entre o Ipanalt. E aí dentro dessa discussão, me vem dois paralelos, me vem a sociedade do desempenho, da produtividade, da rapidez, da agilidade, das questões, não ditas, e do outro lado, existe um movimento de observação, o movimento de contemplação, um movimento que pode mais calma pra alma. E isso não estou falando de um lugar romântico, estou falando de um lugar que inclusive tem mais ou menos praticamente um 100 anos, a gente pode falar de 1920, malinobes que indo pra Zili Estromboian, falando, um grande economista que se exigiu a sua pesquisa dentro de uma ilha que falava sobre novas economias, dentro de uma perspectiva de uma comunidade australiana. E ele queria entender em uma vacão econômica, ele não foi pra olhar pros aborígenes e tentar entender como que elas pessoas viviam simplesmente por interesse de conhecer hábitos e fazer uma aviagem e porque ele era um cara aventureiro, né? Ele realmente era um estudioso das economias e ele queria entender a inovação e ele foi olhar para a economia partir de novos comunidades. E ele fez um trabalho onde a grande tecnologia do seu trabalho de observação era se chamava de "Ares Campa". É o cara que começou a sintonizar todo o esquema de atinografia, a proposta de atinografia é o precursor desse movimento instituado pelo nome de atinografia por descrever e observar pessoas. E quando a gente volta, né, pra 2021, com o texto de metodologias ágias e burnout, a gente percebe que falta uma tecnologia muito simples e radicada nos nossos meios de pesquisa, sobretudo pesquisa de mercado e uma necessidade muito grande de observação. E nesse movimento que eu levanto a minha bandera com o movimento das tecnologias humanas, porque precisamos de maior observação, precisamos de maior observação de pessoas, hábitos necessidades e estúmios, até porque, até fazendo uma dobradinha com a própria Luisa, falando das perspectivas que inclusive a tecnologia, né, pensando em tecnologias que se sobrepõem às tentativas de uma tecnologia avançada como Google, se propõem já colocar, tem um grande desafio de trabalhar com tecnologias humanas, ou seja, cada vez mais próximo, tá aí a srir que não nos deixa mentir, altamente necessidade humana de chegar perto, de estar perto em contato conosco, para poder subsidiar questões relevantes sobre as pessoas, porque quem investe, quem coloca o algoritmo para rodar são pessoas, são pessoas que têm, enfim, levantes morais, que têm questões pessoais e quais são esses interesses, né, Muneek? Quem, pra quem são essas pessoas? Então eu gostaria de ouvir a Luisa, que tá muito ligada com essas tecnologias avançadas também, qual é o ponto de vista dela, falando de tecnologias humanas e pensando, eu trouxe Malinoves, tem certeza que a exterva é trazer também uma política avançada das tecnologias da antropologia, e do ponto de vista do ofício, do fazer, dos estudos da Luisa, acho que ela pode bastante contribuir para esse momento também. Então, até falar de uma coisa, mas agora eu tinha me falar de Malinoves, que eu lembrei mesmo de Darwin, né, porque Darwin na verdade é um grande cientista e uma pessoa que criou, né, essa teoria que é tão retumbante, que me inclusive tá sendo contestada, que é, ele foi, nas suas 1831, 1836, ele também foi financiada, fez essa viagem que gerou, né, suas grandes obras literárias, barra científicas ou científicas barra literária, e aí começar um pouco com, talvez, falar sobre teoria ou talvez metodologias, assim, sobre o instrumento do diário, né, sobre como esse lugar de um texto é um lugar de reflexão, de construção, de criação, de colocar a de da nome para as coisas que não existem de conseguir tatiar sentimentos, afetos, emoções, então eu acho que dentro de tantos ferramentas digitais de Mirobord, Nolshan, e eu acredito que o diário, seja ele, eu acho que eu só ainda não escrevei, porque acredito nessa conexão mais rápida que existe com a nossa cabeça e a caneta e o lápis, como o diário é um recurso muito importante nessa prática de tecnologias humanas e na forma que as coisas e de também refletia a partir delas, analisar a partir delas, como esse papel em branco, ele é um instrumento que começa a devida a essa prática de observação, de exploração. E aí, eu acho que é uma coisa que sempre em todos os projetos, para mim, quase cada projeto tem um caderno, começa com caderno, um bloco de notas, tem esse lugar de início e fim dentro de uma participação, analógica assim. E aí, outra coisa que também me chamam muita atenção, da nossa tecnologia humana, ou seja, do que a gente tem como seres humanos que é, sim, uma tecnologia dentro desse sistema, é essa ideia de estranhamento mesmo, a gente poder aprender as coisas, a gente entender o que é normal, o que não é, como a gente criticar, a gente perguntar por que isso, entender que a norma é, ela é criada todos os dias e a gente tem uma forma de poder romper, seja criando melhores coisas, melhores produtos, entendendo qual é o espaço ali em branco, que o espaço entre as coisas que não é o que já está dado assim. E aí, finalizando, acho que tem uma coisa muito conectada com essa ideia de, desse mundo, das startups, assim, da Tatadriva, que são pesquisas majoritariamente onde pesquisas quantitativas, pesquisas, aí, a teste a B, as experimentações que são dados dentro disso, de dados numéricos, e isso nos leva a pensar de uma forma que é através de pôteses. E as hipóteses são muito como que a Manicta Flança são binárias, ou é isso, ou é aquilo, ou é esse melhor que aquele, aquele é melhor que esse, qual o performance melhor, e aí entender que se perde um pouco dessa capacidade de dedução, assim, de que a dedução que acontece ela constrói coisas, né, ela junta pensamentos e a conexão desses pensamentos me leva a este lugar, este lugar é uma resposta, mas não é uma hipótesi. Então, eu fico pensando nisso assim, o quanto que a gente não tem que levar para dentro desse lugar, de fazer o dia de executar, produtos tecnológicos, de executar todos os tipos de produtos que eram não tão conectados com dados, como que a gente pode levar a essa forma de pensar mais dedutiva, que é, não é sempre parte do zero, né, é conseguir usar o conhecimento que a gente tem, eu acho que usar o conhecimento que a gente tem é uma forma, é uma tecnologia humana de fazer pesquisa, né, a gente não começava o zero, da gente, da onde a gente está e essa história certamente não foi começada nessa pesquisa, a gente sabe que as empresas tem milhões de pesquisas e aí a gente sempre meio que parte do zero, como é que a gente então começa a enganchar um pensamento no outro, essa costura, assim, é algo que não é fácil de fazer, mas eu acho que eu acho que a gente precisa questionar dentro desse modo ágil, esse modo de cansar sempre a partir de hipótesis, assim, sabe, e aí eu queria ouvir de vocês da Carmencita, porque ela dentro desse lugar, assim, de como fazer então, né, a gente está com assim corrompendo isso nos perturbo e a gente é motivada por isso, mas de que forma você consegue encontrar essa tecnologia humana, assim, decodificar ela através de teorias, metodologias, possibilidades, assim. Bom, uma das coisas que me fez fazer diferente dentro da perspectiva da pesquisa aconteceu, não por acaso, mas o destino mesmo, a forma de fazer pesquisa começou a acontecer de uma maneira diferente dentro da minha perspectiva profissional, em função de que todas as pessoas que trabalham normalmente com pesquisa ou elas vieram da área da publicidade, da área da comunicação, ou elas trabalham diretamente com a agência dentro da área de planejamento. E, na verdade, é o meu caminho, ele foi bem diferente, o meu caminho, ele veio da antropologia, né, e das perspectivas de pesquisa, que já estava conduciendo na minha vida naquele momento, isso em 2007, 2008, e eu entrei dentro do mercado da pesquisa, né, por, na verdade, a porta via marcas, assim, né, eu comecei a trabalhar diretamente com as marcas e eu comecei a perceber muito dentro da casa mesmo, dentro do lar, marca das pessoas, né, das empresas, o que aconteceu de fato com essas pesquisas e a maioria delas eram engavetadas. E aquilo começou a causar um incomodo muito grande, porque eram empresas que eu admirava muito, que faziam grandes discussões, mas que as próprias pesquisas que eram encomendadas elas eram engavetadas, por não utilizar um veículo, na verdade, de movimento, bastante humano, que é as oportunidades percebidas daquela pesquisa. Por exemplo, trabalhar com uma pesquisa qualitativa, a gente aumenta o raio de possibilidades. Então, até mesmo dentro da ciência de dados, que é algo que é muito legal, é muito poderoso para a gente estar vivendo seando hoje, porque dados é o que a gente mais tem. Mas o que fazer com eles estão todos dentro de novens engavetados, por exemplo, e o que fazer com eles? Então, uma das formas de poder trabalhar com pesquisa, foi de codificar, então, através dessas pesquisas engavetadas, possibilidades de pesquisa. Aí nasceu ao oxigênio, trabalhando com pesquisas já existentes, a oxigênio é a minha empresa, que foi fundada em 2010, em função dessas necessidades humanas, necessidades humanas dentro do mercado, para não dizer desespero, porque as pessoas, na verdade, não sabiam mais que fazer com pesquisa, e aí nasceu a possibilidade de pegar essas pesquisas, de codificá-las, e fazer com que elas pudessem existir, ou seja, serem sustentáveis e pararem de pé dentro do mercado, já que elas eram engavetadas, e tentar pensar em possibilidades viáveis. Então, é um jogo de vai volta, minha primeira pesquisa, ela teve 300 páginas, foi uma pesquisa que eu demorei mais ou menos umas quase três semanas na decotificação, porque era um vai volta de análise e observação, ressignificação com dados atuais, possibilidades de pesquisa. a gente entender cadeia produtiva dentro daquela empresa. E eu utilizei uma coisa que eu acho que eu posso passar a bola pra Munique, que fala muito da Munique, que eu acho que a primeira conversa que a gente teve, ela trouxe isso muito forte, que é uma tecnologia muito simples. Mas que logo de cara ela percebeu que era uma necessidade urgente do mercado, que é escuta. Passe a bola aí tão pra Munique pra falar um pouco mais sobre tecnologia humana e pra falar escuta. Estava justamente que me costumando pra começar a falar de escuta. Mas num lugar também da necessidade do silêncio, eu acho que falta. você falou observação, eu acho que falta tempo, mas num lugar muito específico de vulnerabilidade também. A escuta demanda isso pra gente. E aí eu sinto que falta escuta de todos os lados, do lado de quem contrata, do lado de quem lea a pesquisa de nossos pesquisadores, de como é que a gente vai abrindo também, é sempre uma negociação com desconforto, voltando pra malenovs que pra este enografia, depois como ela vai se desdobrando, é sempre sobre o desconforto. A pesquisa não é uma coisa gostosa, né? Você vai sempre encontrando o diferente negociando com outras complexidades e tudo mais. E eu sinto que agora conversando com várias pescladoras, vocês, inclusive, mas enfim, tem vindo um sentimento meio coletivo de. a gente. a gente lê muito o reporte, muita pesquisa, muitos dados, muito muito muito tudo. E acho que a gente vai ficando cada vez mais distante desse formato complexo de adquirir o próprio conhecimento de lidar com ele ali. E eu sinto, pelo menos, que a gente vai perdendo um pouco a agência, né? A gente não tá mais conectada com a complexidade em si, de como a gente monta os nossos mapas, e aí isso de ar de campo, da escuta, de ser um lugar muito mais nosso de retomar nossa agência sobre muitas coisas. Eu acho que também a gente foi muito absorvida por muitos lugares e métodos específicos do mercado e de jeito de fazer. Então eu acho que é uma retomada de uma escuta muito aprofundada, de um estado complexo e completo de vulnerabilidades ali, de assumir a própria ignorância também, porque eu acho que a agilidade vai fazendo com que a gente esqueça, que a gente pode estar nesse lugar. E eu acho que o seu pesquisador está inteira nesse lugar e assumi isso daí, tipo, eu não sei sobre um monte de coisas, eu vou justamente pesquisar. E contato do que eu aprendi sobre isso com leituras muito complexas, que vão muito além de quem eu sou, porque eu estudei um monte de coisa, mas de quem eu sou inteiro, de quem esse ser humano deu conta de ler. E vai cabendo cada vez mais quem a gente é em quanto humano, eles querem a parte racional, a parte linkadinha, a parte de ploma, mas como é que a gente retoma esse outro lugar? Eu acho e sinto que é muito nesse lugar do tempo da escuta. E isso me leva a poder pensar escua-ster, porque a ester é a mulher, é a pesquisadora que pensa a gência, a gência para que não conhece. É um conceito da antropologia que fala sobre formas de realização. Os que estão ali com o corpo todo aberto e no seu tempo também em condições de tempo para a sabertura, porque lembrando que a pesquisa ou pesquisadora em si, ele precisa estar completamente presente inteiro para poder pensar a pesquisa. Então passa a bola para a ester para poder pensar a gência e as tecnologias humanas que falam bastante sobre o tempo da pesquisa. A minha pesquisa de doutorado, para a minha pesquisa de doutorado, recentemente, não, a gente está perdido um pouco nessa anostão de tempo, mas em 2019, eu fiz uma primeira etapa da minha dinografia, a minha pesquisa, que é focado nessa subjetividade e nas agências das mulheres viajantes. Então, a antropologia me proporcionou isso, pensar sobre essas experiências por uma perspectiva agentiva, de pensar com essas mulheres viajantes, elas armam e articulam suas próprias estratégias desde uma organização, por exemplo, de um chilão ou de uma viagem de um chila, como um projeto pessoal, como um projeto de vida, e até execução, que é o caminhar, o viajar, o transitar ou se deslocar. Esse processo para uma mulher não é tão fácil, então, principalmente para as mulheres que viajam sozinha, e esse é um tópico que me interessa muito, porque eu também me identifico e valorizo muito a viagem sozinha e esse estilo de viagem foi muito importante na construção das minhas experiências. Então, eu foco isso justamente porque tem foco nisso, porque tem muito um material riquíssimo para pensar sobre as agências e as formas como as mulheres se articulam para organizar uma expedição. E o quanto é importante essa afirmação de uma viagem sozinha, já que a experiência das mulheres foi negada, essa experiência sozinha foi apagada da história das viagens, sempre foi pensado como uma viagem das mulheres sempre verrelacional, então estava sempre relacionada com a família, com pai, com o namorado, com o marido, e ainda é possível perceber, foi possível perceber e é possível perceber que muitas pessoas ainda se assustam ou têm uma curiosidade muito grande quando vem uma mulher, por exemplo, viajando sozinha e tudo mais. Então, isso traz uma série de questões para pensar essa circulação nas estradas e eu vivenciei isso numa viagem sozinha por quatro países da América do Sul, comecei pela Bolívia, Perú, passei pelo Chile e finaliza na Argentina voltando para um nordeste que é onde eu vivo, então eu tenho esse trânsito entre norte e nordeste e voltei com uma bagagem assim, mensa de conhecer quatro mulheres, cinco mulheres diferentes, cada uma com suas próprias articulações e suas próprias formas de viajar. Então, por exemplo, uma, duas mulheres que viajavam fazendo o arte de rua e uma outra colombiana que viajava o ministrando oficinas de cinema e também articulava nesse fazer dinheiro na estrada que tem alguma atividade em que é possível se dedicar e durante a estrada, na estrada para conseguir uma grana para seguir viajem. Então, dessas estratégias, muitas coisas interessantes, né? Então, uma viajante mexicana de primeira viagem que troucou a mala de rodinha por uma mochila quando chegou na quadrou e aí percorreu, é quadrou colombia, perú e depois retornou sozinha para o México. Então, muitas delas compartilham de essas viagens compartilham de muitas coisas assim como elas também se divergem, se diferem e muitos outros aspectos. Então, o mangueio, né? Para mim é um lance muito importante porque a partir do mangueio eu consigo pensar sobre essa arte ou essa habilidade de trabalhar enquanto viajar, de viajar, trabalhando e o mangueio é justamente isso, é uma forma de você sair para vender o seu artesanato, a sua arte e por outro lado, conseguir manter na estrada, conseguir manter um projeto de uma viagem e outros características como, por exemplo, o trabalho voluntário, que é muito importante para a viagem das mulheres, então, ele atravessa a viagem de quase todas as suas mulheres. Então, nesse mangueio que eu considero que acontece essa agência, essa forma de agir, de ir atrás, de conseguir esse dinheiro que é tão importante para se deslocar de uma cidade para outro, para comprar o moço do dia para pagar o rosto, para pagar o alojamento. Então. É uma característica, é uma categoria que atravessa essas diversas mulheres e assim como o trabalho voluntário, mas tem vários outros atravessamentos. Aí vem relações no momento, os afetivos, essa forma de encarar que é diferente dos relacionamentos afetivos e amorosos. Esse trabalho na estrada e principalmente essas características do que significa ser uma mulher que viaja a sozinho. E voltando a questão do tempo, me lembra que a Luisa acho que tem uma questão bastante importante pra falar sobre essa forma de fazer pesquisa com o tempo e as suas experiências também ligadas a essa revolução que os métodos ágios nos trouxeram, partindo do dangústia, como a munic mesmo falou que há uma necessidade de deslocamento e angústia pra se fazer pesquisa, há uma necessidade de estranhamento e se colocava um nerável a partir do que eu não conheço, porque isso é fazer pesquisa, investigação, mas do ponto de vista em que a gente perde sempre mais um todos os dias para os metodos ágios que foram absorvidos pelo mercado, quase que 90% das pessoas e pesquisadores dos quais a gente conhece foram capturados pelas petrodologias ágios. Por ser um processo de aceleração, mas também por contratar e subsidiasco a decisão de pesquisa hoje, como é que tem xarga tudo isso, Luisa, que está dentro da facio que é de na mão pra fazer mudança dentro desse movimento hoje, dentro dos métodos ágios, contratada dentro de uma empresa que trabalha com tecnologia, mas que te contratou pra trazer a diferença, não tenho dúvidas, então o que ele que te contasse um pouquinho isso pra gente. Eu acho que tem uma coisa do tempo realmente que ele está cada vez mais espremido assim, até era uma ideia de que eu já perdia um pouco das dias que eu faço pesquisa pra entender o que é muito tempo, o que é pouco tempo assim, 3 meses é muito a média, pouco, 1 mês é muito a média, pouco, é ao mesmo tempo que eu acho que os métodos ágios são super conectados a ideia de tempo é um método que é um tempo, ele também tem uma virtude que eu acho que é o tempo há rapidez de errar, então se vamos errar rápido, errar rápido, é melhor do que não errar ou até mesmo do que errar devagar assim, mas aí eu acho que entro um pouco também nessa ideia do MVP assim, de sempre buscar algo no mínimo, fazer sempre o mínimo, e eu acho que a gente tem fazendo como sociedade o mínimo justamente porque a gente parece que não pode exceder alguma medida, alguma percepção de tempo que parece ser muito, e tudo realmente parece bastante urgente, e até acredito que quando a gente pensa aqui como que a gente pode fazer isso, tecnologias humanos, conectar esses saberes, agenciar essa forma de fazer pesquisa, a gente sentindo essa necessidade de fazer isso agora, de fazer isso esse ano, de começar a ver coisas que estão acontecendo até o ano que vem, mas aí eu esses dias eu vi uma podcast, depois eu posso mandar ali no link que eu não vou ter aqui a referência, mas um pouco de como a gente pode se relacionar com o tempo, não com essa forma do horário de amanhã e tarde e noite, mas talvez entender, por exemplo, como cor, como cortei o lance, quando que é, quando o vermelho está entre o vermelho e o laranja que lugar é esse assim, e por que as reuniões no tempo ágilas têm que durar uma hora ou 45 minutos ou 50 minutos para a tempo ali do chitidágua, por que a gente não pode, tem que acharado muito isso, vamos ter reuniões de 3 horas, de 4 horas, fica puxado, sim, mas assim não é, por que o eslote de uma hora ele virou, o institucionalizou que as soluções elas acontecem nesse tempo, bem pelo contrário, então a gente tem um monte de reunião de uma hora e isso vira uma agenda, mas a gente não consegue, aí justamente ter esse espaço para não saber, porque como é que você chega numa reunião de uma hora sem saber, você tem muito pouco tempo para não saber, entendeu, você tem 10 minutos ali na metodologia, poucos passam para vulnerabilidade, porque não vai perder, perder, né, 10 minutos para falar de uma vida pessoal, para te conectar, para poder fazer uma discussão que entra em lugares, então, eu acho que tem todo um contexto de como a gente vem usando o tempo, que faz com que a gente não use ele com a profundidade que a gente poderia, que a gente até de alguma forma talvez já teve assim, e daí para encerrar essa ideia de tempo, a ideia de cronos e cairos mesmo assim, né, porque cronos é esse tempo que a gente sequente fica e cairos é esse tempo porque a gente pode qualificar, então eu sinto que a gente como trabalhadores do tempo e como que a gente pode trazer mais qualidade para o tempo qualificar o tempo, mas eu acho que olhar esse lugar do tempo mais qualificado é uma forma, é uma sim, também uma tecnologia humana desde sempre, desde quando, porque não faça contas o religião mapa, então acho que a gente pode também ter outros mapas que são outros etinerários e outros tempos para lidar com o tempo assim, e aí eu queria ouvir sobre tu, Monique, fala aí o que tu achou agora e me fala, dá pra engatar de alguma forma, tem um ponto só que eu queria comentar com o Monique, que eu acho que o tempo, tem duas coisas que me lembraram quando eu falo do tempo, primeiro do tempo, falando do tempo colonizado, eu acho que a gente pode discutir esse com o Monique, e tem uma outra coisa também que eu queria ouvir o tempo do Brasil, que é um tempo que tá lá no parar, eu tô aqui no sul, escuro, ela tá lá dia, então, Monique, começa falando desse tempo colonizado, Brasil, versus seus olhários sobre isso, e acho que a gente pode finalizar com o ester falando de um tempo do Brasil. Eu gostei muito de escalo e de como é que a gente qual fica o tempo, justamente porque as nossas noções de tempo são muito diferentes, eu gosto muito da filosofia africana, que o próprio sentido de futuro, para eles é um tempo que anda pra trás, da verdade, e a gente vai caminhando em outros sentidos, e pra trás não só, "ah, estão perdendo, tá, né, indo embora, as coisas, ou né, enfim descartando o tempo, e só seguindo sem olhar pra trás, mas é pra trás do sentido de, eu preciso construir o meu passado pra eu saber pra onde eu tô caminhando e a gente faz exatamente o sentido em verso, a gente caminha pra um futuro, a gente, os dentais, caminha pra um futuro que a gente não conhece, que eu tenho pânico, na verdade, que é um futuro de carros vadores, sem árvores, na vista e um futuro prateado, e esse outro sentido de futuro, e não só de futuro, mas de tempo, de vetor, de tempo mesmo, eu acho que traz um sentido de aterramento, pra as construções que a gente faz, que a gente não tem, e aí o que eu digo, é o tempo colonizado, é essa vida muito ágil, também, de "ah, tudo pra ontem, de tudo pra agora, e você não sabe pra quê, e não tem um grande compromisso com as pessoas, tem um compromisso sozinho com o tempo, com esse futuro prateado, que não cabe gente, inclusive, então é uma construção para o vazio e um caminhar para um abismo muito maluco, que eu acho que enquanto o pensador traeria esses tecnologios para esse lugar, acho que a gente precisa, inclusive, reconstruir essa ideia de tempo que a gente tá caminhando para um lugar de "tá, pera, mas como é que a gente faz caber gente em tudo, como é que cabem as pessoas inteiras aqui, e daqui a pouco, nessa construção, e a gente perdeu completamente esse sentido, chão, lugar, norte, o bates falabros, poderiam o caber aqui, acho que é isso, me comentário. E queria ouvir da estere, como é que se dá, então, essa pesquisa, quando a gente fala de tempo, pra falar de "brasis" dentro de um Brasil, porque a gente tá falando de uma perspectiva de mulheres, de esbravadoras, dentro de uma perspectiva de uma pesquisa qualitativa, em que tá enxergando a pesquisa, como necessidade, de incorporação de metodologias que incorporem, sobretudo, as tecnologias humanas, é uma necessidade urgente, e como a gente adiciona, né? essa fragmentação, pensar os brazis dentro do Brasil e essa necessidade de poder pensar um novo tempo, um novo olhar. Quando a gente fala de tecnologias humanas, a gente não deixa de falar também de um novo tempo, de uma nova perspectiva de tempo para as coisas e porque não falar de um tempo deslocado, tempo do sul, o tempo de São Paulo, o tempo do Pará, que são tempos diferentes, mas que unem pesquisadoras numa perspectiva de tecnologias humanas neste momento. Quando a gente fala, quando falo em fazer pesquisa no Brasil e na América do Sul, em contexto internacional, porque me interessa muito pensar um Brasil que está muito localizado dentro de uma América Latina, que na verdade não é uma América Latina, como diz a Lélia Gonzalez, é mais uma Métrica. Então, também tem essa ideia de abriá-la, como uma forma de repensar essa noção de territórica, a gente vive, que a gente abita e que às vezes o Brasil não consegue reconhecer dentro desse território, ser uma pesquisadora, a gente, uma pesquisadora que busca essas subjetividades, o que busca conhecer o que tem, o que essas subjetividades, como essas subjetividades estão sendo formadas ou ainda, como as pessoas estão construindo suas próprias experiências, a gente está falando de um contexto específico, se a gente estiver fazendo uma reflexão a nível global, porque eu falo a partir de uma regionalização, de pensar, a partir do que é ser uma mulher amazônica no mundo, e aí a gente sobe um degrau para pensar sobre um Brasil que se localiza dentro dessa Métrica ou dentro de abriá-la, e isso traz uma configuração social, forma de organização, forma de agência, que são muito particulares, porque a gente está falando de um território que foi invadido, de um território que foi saqueado, um território que é impobrecido, que foi impobrecido justamente porque foi muito saqueado, e um contexto no qual as agências precisam se desenvolver para que a gente consiga fazer, ou tendo essa própria forma de circular, de transitar, então, por exemplo, se eu puder dar um exemplo da minha pesquisa, é sobre isso, então é muito diferente você ser uma mulher que viagem pela América do Sul, ou de uma mulher que viagem, por exemplo, pela Europa, que a gente tem uma série de questões, aqui na América do Sul, que não vai aparecer num contexto de viagem na Europa, por exemplo, então a gente tem forma de organização social, particulares, e a gente está falando de diversas questões, a gente está falando desde a questão da violência, do acédio, por exemplo, na estrada, mas também de tapas das questões econômicas, e principalmente, no meu caso, que me interessa muito falar sobre as questões ideológicas, que viajar aqui pela América do Sul, nos faz descobrir uma América, uma América, o que não entra nesse imaginário global, não entra nessa ideia construída de modernidade, a partir da Europa, da Europa como centro, e isso traz questões tanto para aqui, por exemplo, viaja, circula, transita, como projeto, de viajar de mochila, mas também, isso traz questões para mim e para nós enquanto pesquisadoras, porque a gente precisa justamente desenvolver formas de agência, que nos permitam ter acesso a esses conhecimentos, a esses outros brasis, a essas outras América, o Améficas, então, estou falando sobre, por exemplo, vídeo uma universidade, eu estava numa universidade, em que não tenho os mesmos de nível de recursos, que outras consideradas grandes universidades, que estão principalmente no sucesso deste do Brasil, então, para mim foi muito desafiador, justamente porque eu fiz uma pesquisa, sem financiamento, só com a minha bolsa de doutorado, e então eu tive que colocar todas as minhas agências para funcionar, que eu precisava fazer minha pesquisa, precisava circular, precisava também, me manter segura consciente de que era uma mulher sozinha na estrada, e que isso trazia uma série de implicações, e o meu corpo estava em jogo, então, é necessário desenvolver agências, e aí a necessário desenvolver forma de transitar, pensar sobre os espaços de permanência, e meio de dejuacamento, e várias outras questões que vai surgindo nesse processo, então é dessa forma que essas agências me atravessaram, o me atravessam como pesquisadora, e aí eu continuo após essa primeira inerção ethnográfica em 2019, que aí quando eu desembarquei no Brasil, no início de 2020, foi um mês antes do início da pandemia, e aí aconteceu todo esse lance com a viagem, que passa a ser uma vilã, então, esse enclosuramento, e daí eu continuei muito na minha pesquisa utilizando, principalmente, um Instagram, que é um espaço super importante, tem sido um espaço super importante para falar de viagens, para pensar de viagens a partir de outras mulheres, e focando muito, focando muito nessas viagens de mochila, nessas viagens independentes, mulheres que se revindicam enquanto mochilairas, ou como viajantes, então, um Instagram foi e está sendo essa ferramenta, né, única, quase que única de pesquisa nesse contexto de enclosuramento, e tem sido uma ótima oportunidade também para refletir sobre essas dificuldades, para trazer toda uma construção visual que o FIS durante outras viagens, e trazer isso como material também, de pesquisa, um material de que envolve minhas memórias que envolve 10 anos de viagens de mochila, então, minha primeira viagem foi em 2011, e agora esse ano fez 10 anos da minha primeira viagem, então, eu, como uma canseriana, guardo todo esse, essas minhas lembranças, esse mesmo material de viagem, tantas fotografias, as histórias dos lugares, e é isso que eu tento postar como conteúdo ao mesmo tempo, que eu estou sempre atenta para esses outros conteúdos dessas outros mulheres viagens, e essas diversas formas que tem de articulação, ou formas de transitar, formas de viajar, e isso tem sido algo que é muito desafiador e que tem me atravessado de uma forma muito definitiva, definitiva porque, porque transforma. E trazer um pouquinho dessa ideia de futuro, porque quando eu falo de parar, me venho um filme lindo que é como eu beijarei os seus lindos lábios, não, é um título longo, alguém lembra de vocês como é que é esse esse filme? Enfim, é um filme que foi gravado em parar, é um filme que me tocou muito, porque fala de pessoas urbanas dentro de uma perspectiva de um lugar completamente natural, em que o olhar para a origem [MÚSICA DE FUNDO] é super carregado, a obrigada, Luisa. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. E quando eu falo de futuro, eu falo de olhar para a origem das coisas. Sabe, eu sinto isso muito dentro da minha perspectiva quando eu penso em tecnologias humanas e não é tão oitamente to levando isso de forma concreta para o meu doutorado, um estudo avançado de poder pensar esse exido das pessoas da cidade, para as horas do campo, o coral. E é um pouco de desolhar mesmo de voltar para as origens e que muito do que a Monique falou. Acho que nesse momento é uma necessidade urgente olhar o futuro, fazer com que a gente olha e propassado e que a gente possa achar possibilidades de mudança e para esse futuro, porque esse futuro pede alianças, pede novas formas de olhar e um novo tempo. E para finalizar a minha fala, eu passo para Luisa para falar sobre o futuro. Falar sobre o futuro é. Na verdade, falar sobre o tempo, eu acho que é uma das coisas mais. talvez já agredir a gente aqui, que talvez passá-nos transformar nessa forma de agenciar as coisas assim. E trazendo essa ideia realmente de uma perspectiva não colonizada, ou de colonizada, que é. Traga essa referência do tempo quântico, do Black, quanto um futurismo. Que. que foi uma. para mim, foi uma referência, é uma referência muito grande quando ela fala. é. se a gente imaginar, na fechar os olhos, então eu imaginar que o futuro está atrás e que o passado está na frente. E se a gente puder deslocar isso, o que que acontece? E é impressionante quando a gente pode fazer esse exercício em alguns momentos da vida, de decisões de olhar para as coisas, podendo fazer esse exercício de deslocamento. Eu acho que entender dessa forma. é uma forma de reparação também, porque se a gente só olhar para o tempo linear, a gente realmente não vai conseguir reparar absolutamente nada porque não tem como voltar atrás e os tempos a história está dada, né? Então isso é uma forma inovadora de poder olhar para o tempo e de poder agenciar o tempo de outra forma. E aí, falando um pouco mais. Na verdade, eu acho que. eu não vou falar mais muito mais não, acho que eu fecharia dizendo que tenha vejo o tempo e com a presença desse tempo, né? Que eu acho que é um pouco que a gente está fazendo aqui quando a gente tira esse projeto da vontade e mais do que isso, assim, a gente se encontra num sentido de que a gente não está sozinha nesse tempo acho, nesse tempo urgente, que a gente. E assim como nós, a gente já enxerga que tem várias outras pesquisadores, outras pesquisadores que estão vivendo isso, uma necessidade de poder fazer as coisas diferente e de questionar, de experimentar e de furar um pouco essa bolha, essa redoma, tão. Claro e transparente que parece que as coisas sempre foram assim a ponta de a gente achar doido que não é, né? Então eu acho que o futuro é sobre isso, é sobre a gente poder entender que a gente não está sozinho, que a gente é uma comunidade e que se a gente não movimentar em relação a isso, fica mais difícil disso acontecer, assim. Então eu acho que o que eu espero, assim, para esse futuro, a partir do hoje, é que a gente consiga movimentar e a PSP pode que este aqui é uma faculha para mostrar como tem muitas possibilidades e como tem muita vontade e demanda para isso. Em pessoas, em possíveis projetos, soluções, produtos, e também em relação à qualidade de vida desse trabalho digital, como que a gente faz esse trabalho digital ser de uma forma melhorar, evoluir e usar o nosso tempo para que a gente tenha mais tempo para pensar, construir, criar, e não só resolver coisas e pendências da rotina e tudo list, né? Não é só se obter o list, eu acho que a gente precisa criar uma outra forma de organizar as nossas coisas como é só uma lista que a gente vai checando, e aí, nessa derradeira, vou passar aqui a palavra para esteir, para finalizando, brilhando a folga para a internet do Brasil e dizendo como que ela deslombra, como que ela gostaria de enxergar esse futuro, pensando numa pesquisa onde humanos cabem com mais facilidade que não só assim há contoveladas assim. Se é uma mulher amazônida, dessa amazônia para a encerrbérinha, traz uma característica particular nesses trânsitos e tensando principalmente os trânsitos internacionais, ou até mesmo os trânsitos dentro do Brasil, também em outros estados, que eu tenho que lidar com uma série de questões, uma série de perguntas sobre a amazônia que muitas vezes são perguntas carregadas de estereótipos, de preconceitos, então as pessoas sempre me perguntam se aqui tem muitas cobras e se, e não tem muitas cobras, a gente está falando de uma biodiversidade imensa, tem muitos uns quitos, as pessoas andam núrgues, então todo esse tipo de pergunta aparece nesses contextos de deslocamento, e isso faz parte dessa reflexão sobre o que é ser uma amazônida no mundo. Então eu tenho que lidar com isso e eu tenho que explicar também, que quando falamos de uma zona, de um lugar extremamente complexo, com forma de organização social, que é também extremamente complexo, não é questão racial, e que estão nos diversos âmbitos, e que há uma simplificação dessa ideia, como um lugar onde tem, como se fosse um lugar onde tem somato, rio, floresta, animais, peçolhientos, etc. e pouquíssimo conhecimento sobre as formas de organização, sobre as formas de conhecimento, e sobre a forma como nós pensamos o mundo, como nós no mês estamos em seridos juntos. E ser amazônida no Brasil, ser um outro Brasil, dentro desse Brasil, que muitas vezes foi, como diz uma música, muito conhecida aqui no Pará, um putado da Consência Nacional. Então, sempre que eu tenho que lidar com essas questões, e eu estou tentando fazer uma pesquisa, que faz parte de um projeto, que foi selecionada pela Leia de Blanque, de fazer um pouco esse. eu não gosto de falar resgate, mas de trazer a luz, essas múltiplas possibilidades e saberes, dos quais as mulheres amazônidas principalmente quer meu foco, eu pesquido sobre mulheres desde a graduação, que são detentoras de saberes que vivem em comunidade, que habitam os passos complexos, de trazer um pouco desses saberes, de mostrar isso de uma forma que valoriza isso, que centraliza também. Então, isso é um outro recorte, é um outro interesse também de pesquisa que eu tenho, de sobre pensar essas minhas ancestralidades. Então, de estar aqui, agora na Amazônia, como eu estou, na Casa da minha mãe, no interior, mergulhando nessa história ancestral e totalmente tentando conectar esse mundo tecnológico, esses outros saberes, então, centralizados nos subestes, e esse desconhecimento, a respeito de. daquilo que a gente é, daquilo que a gente produz, daquilo que a gente. Múlti pra escutar fadas. Então, eu estou nesse mergulho ancestral também, além da minha pesquisa de doutorado, mas que é um tema muito caro, porque nem me atravessa, eu atravessa no meu pesquisa, me atravessa em todos os instantes, qualquer lugar que eu estejo, eu tenho que falar sobre mim, falar de um jovenho, e quando eu falo de um jovenho, eu tenho que explicar de qual o Brasil que eu venho. Eu não venho do Brasil, do Rio, que todo mundo conhece, eu não venho do Brasil de Salvador, que todo mundo feita a Xiza, né? Eu venho ter esse Brasil aqui, dessa amazônia, que é uma amazônia rural, que é uma amazônia complexa, que é uma amazônia linda, e que convive também com muitos problemas sociais, e é importante que. que as pessoas conheçam isso, que estejam se entes disso, porque não cabe mais. Nesse imaginário dito moderno, já que construíram esse imaginário sobre a modernidade, é impossível que você continue escorindo essa contribuição armazônia, para esse modo de vida. E principalmente é impossível pensar que. que a amazônia não seja coisa muy políptica, que usa amazônia e das amazônicas, não seja um pessoal de uma políptica, isso também estão aí, que estão pesquisando em contexto internacional, eu estou aqui para falar isso. Estou pesquisando em contexto internacional, estou circulando pelo mundo, estou pensando em seu lugar, estou falando de uma amazônia plural. Então, esse é um Brasil esquecido, e é importante para mim é muito importante fazer isso. Me auto-localizar, que a noção de pertencimento territorial, para mim é muito importante. E isso só aflorou quando eu comecei a estar lá fora, quando eu comecei a sair, que as pessoas começam a me perguntar de onde eu sou. Eu tenho que explicar que não, que não tem só cobra, a pessoa nenta, que não tem só mosquito, e que tem várias formas de organização, que tem cidades, são cosmopolíticas que enfrentam os mesmos problemas sociais, que é as grandes capitais, que a gente sei lá, não anda de se pôr, que a gente não tem, já caré de estimação. Então, todas as coisas que fazem parte de um imaginário, um estereote, por criado sobre a amazônia, que não centraliza os humanos, não centraliza os seres humanos, não centraliza os raiz árvores, não centraliza os animais, mas o máximo em que se pensa sobre os humanos, é que aqui tem muito índio, e aí índio entre aspas, porque essa é uma visão super preconceituosa, mas de que aqui não se pergunta sobre as pessoas, que moram aqui, como as pessoas sorganizam? O que essas pessoas produzem? E as pessoas aqui estão produzindo, nós estamos produzindo, nós estamos produzindo conhecimento válido antes de chegar em os primeiros invasores, então isso está se repassando, está se perpetuando, isso já logo com outros saberes, saberes negros, então tem essa amazônia que é rafro, que é negra, e que também é índige, porque a gente tem esse cruzamento desse saberis afluos, dessa ancestralidade, que é afro, e que se cruza com uma sabedorena ancestral, que já habitava esse território, que são os saberes e índígenas, e é a forma, uma das formas que os indígenas contribuem para essa formação social, então é pensar sobre tecnologias, humanas, na amazônia, é pensar sobre isso, sobre as pessoas que estão aqui, que agem sobre sua própria realidade, que são seres humanos, que tem seres humanos que se organizam, que produzem conhecimento, e que também são capazes de criar uma narrativa sobre o mundo, e que não é só um lugar de visitar, é um lugar de onde as pessoas também saem, pra ir conhecer, pra refletir sobre si, e pra se autoralizar, dentro de um território, ou a partir de um território. Isso ainda é para finalizando com o chave de ouro, nossa pesquisadora de São Paulo, transformando as possibilidades ativas de pesquisa, com mais escuta, mais presença, um eniquilemos, finaliza-se, foi de que é este falando de tecnologias humanas, e o teu futuro, para nossa perspectiva de pesquisa. Eu acho que, pra além de tempo, e disso tudo bonito que Luisa falou, que faz todo sentido, eu acredito que faltam uma coragem de atualizar conceitos e formas de fazer um lugar muito ou usado mesmo, de repensar, de assumir que não está funcionando, como é que a gente recomece disso, de conseguir olhar para frente com construções, muito mais do que só com ideias, mas de visualizar mesmo o humano no futuro, ou o que é o humano no futuro, e o que é o humano ponto. E eu gosto de dizer que, pra além de tempo escuta, falta muito intenção e desejo, que eu acho que o desejo ele fica, geralmente, num lugar muito do fetiche, ou às vezes até de olhar só por exótico, mas acho que falta a gente desejar o próprio futuro e desejar essas formas de fazer de verdade, porque, enfim, a gente está aqui, porque a gente desejou fazer diferentes, porque a gente foi, além do incômodo, porque a gente superou os desconfortos, então, como é que a gente usa o desejo num lugar de libido, mesmo de transformação pra ele e falar, "Cara, não dá pra fazer assim, tem que me caber inteir aqui". E exatamente olhar pra isso como uma tecnologia também, que fica só num lugar muito limitado pra que essa energia, e como é que a gente recupera a própria potência dessa energia como transformadora também, a gente só consegue se deslocar com muito desejo, com muita intenção, principalmente pra tudo que é diferente. E aí, voltando um pouco para os sentidos da dinografia, eu acho muito importante torná-la mais acessível para quem está um pouco distante desse conceito, desse método, e talvez elaborar algo como um estado no mundo etnográfico, sabe, de profundamente desejando e negociando com um diferente, profundamente sentindo outro, desejando o outro, e o outro como tudo, como um dado, como uma nova tecnologia, como uma ideia diferente, porque eu acho que a gente simplesmente encerrou as barreiras, fechou as paredes pra tudo que é diferente, e fica uma disputa. Também muito binária, reducionista sobre o mundo, mas como é que a gente se torna ainda mais complexo, sabendo muito mais sobre os outros ou vindo muito mais, e desejando, sabendo negociar e absorver a diferente. E é isso me traz pra esse lugar de. a gente só consegue acessar outros sentidos de tempo e da diferença assumindo e entendendo outras linguagens trajetoras e, enfim, destino, sotakis, setes, ddds, então, como é que a gente abraça muito mais isso, inclusive nesse momento, que eu acho que a gente ainda menos em contato com as diferenças, e torna tudo isso mais sustentável, enquanto seres humanos, como é que as construções a partir daqui, só não se sentáveis, o sentido de pesquisador, de lideranças, de. acho que de tudo o sustentável, porque é um burnout que ele indica um esgotamento de muitos lugares das nossas tecnologias humanas, dessas potências que a gente está falando, simplesmente porque não cabe uma nesta formato, mas como é que a gente chega num informato mais sustentável de pensamento? Acho que visualiza a pesquisa nesta caminho aí para o futuro. Bom, finalizando, então, o primeiro episódio das desbravadoras, um movimento, projeto, barra, iniciativa de mulheres com muito desejo e muita agência, para fazer mudança na perspectiva de tecnologias mais humanas para os movimentos de pesquisa do nosso país e das marcas que a gente trabalha. Nos próximos episódios, vamos fazer os nossos deslocamentos, formas ativas de contar um pouco mais sobre como a gente está usando essa perspectiva de tecnologia humana, como forma ativa e prática dos nossos trabalhos, E também vamos apresentar. um pouco mais sobre possibilidades de marcas, empresas e metodologias acadêmicas que estão abraçando os tecnologias humanas e possibilitando a gente realizar isso de fato na prática. E até logo, até o próximo episódio de Desprevadores. Desprevadores.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O podcast "Desbravadoras" reúne pesquisadoras para discutir a pesquisa a partir do ponto de vista das "tecnologias humanas", valorizando a subjetividade, o afeto e a multidisciplinaridade.
  2. As participantes (Luisa Futuro, Carmencita, Monique Lemus e Está Correia) compartilham trajetórias diversas, incluindo cinema, sociologia, antropologia e artesanato, e criticam a hegemonia de métodos quantitativos e reducionistas na pesquisa de mercado e tecnologia.
  3. A iniciativa surge de um incômodo com abordagens que priorizam números, hipóteses binárias e rapidez (como metodologias ágeis), em detrimento da observação, da contemplação e da complexidade humana.
  4. Ferramentas como o diário analógico e o estranhamento são destacadas como "tecnologias humanas" essenciais para a pesquisa, permitindo dedução, reflexão e conexão com afetos.
  5. As pesquisadoras defendem a necessidade de "escavar" saberes, questionar normas e assumir realidades plurais, promovendo uma pesquisa mais ética, comprometida e próxima das pessoas.

Summary:

O primeiro episódio do podcast "Desbravadoras" apresenta um grupo de pesquisadoras que propõem repensar a pesquisa a partir das "tecnologias humanas", ou seja, valorizando a subjetividade, os afetos e a complexidade dos seres humanos. Luisa Futuro, Carmencita, Monique Lemus e Está Correia compartilham suas trajetórias — do cinema à antropologia, do artesanato à academia — e criticam a predominância de métodos reducionistas, como o foco exclusivo em números, hipóteses binárias e metodologias ágeis, que ignoram a riqueza das experiências humanas. Elas apontam que essa abordagem, comum em empresas de tecnologia e marketing, muitas vezes engaveta pesquisas e não enfrenta a realidade de forma honesta.

Como alternativas, destacam práticas como o uso do diário analógico, a observação etnográfica (inspirada em Malinowski) e o estranhamento, que permitem deduzir, refletir e conectar conhecimentos. O projeto nasce de um incômodo com a hierarquia de saberes e a soberania dos dados, defendendo uma pesquisa mais lenta, contemplativa e comprometida com a pluralidade. As pesquisadoras enfatizam que a verdade não está apenas nos números, mas também nos afetos, nas histórias e nas subjetividades, e que é preciso "escavar" saberes para transformar o fazer pesquisa em um ato ético e humano.

FAQs

Desbravadoras é uma união de mulheres pesquisadoras que visa iluminar paradigmas, teorias, pensadoras e possibilidades multidisciplinares, destacando a subjetividade humana como parte potente dos seres humanos e sua capacidade de transformar o mundo.

O primeiro episódio discute o que significa e por que é importante falar de tecnologias humanas no fazer pesquisa.

Participam Luisa Futuro (do Rio Grande do Sul), Carmencita (de Florianópolis), Monique Lemus (de São Paulo) e Esta Correia (da Amazônia, interior do Pará). Todas são pesquisadoras com formações diversas, como sociologia, cinema, antropologia e comunicação.

A motivação vem de um incômodo com abordagens reducionistas e cartesianas na pesquisa, que priorizam números e dados em detrimento da complexidade humana, além da vontade de integrar afeto, observação e subjetividade.

A observação é considerada uma tecnologia humana essencial, inspirada em métodos como a etnografia de Malinowski, que valoriza a imersão e a contemplação para entender hábitos e necessidades, indo além da rapidez dos métodos ágeis.

O diário é uma ferramenta analógica de reflexão e criação, enquanto o estranhamento permite questionar normas e explorar espaços em branco, promovendo uma abordagem dedutiva que conecta pensamentos e gera novas respostas.

Chat with AI

Loading...

Pro features

Go deeper with this episode

Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.