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Ep. 01 - Cansei de esperar a hora certa

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Ep. 01 - Cansei de esperar a hora certa

A reflexão sobre por que adiamos o que queremos fazer começa com um questionamento profundo: por que não começamos o que desejamos? A narrativa revela que a procrastinação é alimentada por medos de julgamento, perfeição e falta de preparo, o que cria um ciclo de autoexclusão. A inspiração de Michel de Montaigne é central: ele demonstra que o controle é uma ilusão, pois a vida é incontrolável e o medo de perder o controle gera angústia. A experiência pessoal de uma doença súbita reforça essa ideia, mostrando que a fragilidade humana é real e que a vida é mais simples do que pensamos. A inveja das pessoas que vivem projetos novos se transforma em bússola de coragem para agir. A ideia de que tudo começa difícil e melhora com a prática também é destacada, assim como a necessidade de se aceitar como insignificante, mas maravilhoso, diante do universo imenso. O autor conclui que, ao abandonar o medo de viver e aceitar a imperfeição, é possível viver com mais liberdade, coragem e autenticidade. A motivação final vem da compreensão de que todo mundo vive com seus próprios desafios e que, ao contrário do que pensamos, ser insignificante é uma dádiva.

Transcription

2450 Words, 13105 Characters

Portuguese
Por que adiamos o que queremos fazer? Oi, bem-vindo ao meu podcast, esse aqui é o pára de draminha e aqui eu não vim parar de fazer drama, tá verdade? Eu até potei esse nome, mas eu eu fiquei bem cansativa. Será que realmente eu vou parar de drama? Eu não vou, né? Mas eu eu nem consigo. A ideia é pegar os meus dramas. As minhas reflexões, os meus problemas. E aí refletir sobre eles. Como se fosse assim, aquela conversa que a gente tem com uma amiga, que vocês começam falando sobre roupa e quando vê, vocês estão tipo AI, porque a gente existe tipo, não, não, não é exatamente isso, mas tá. A ideia é algo desse gênero, tá? Eu vou tentar manter os episódios entre 15 a 30 minutos, que é o tempo que eu normalmente escuto de podcast, normalmente quando eu estou lavando a louça ou quando eu estou numa esteira. Então eu vou tentar fazer nesse nesse tempo. Que bom que você veio hoje. Eu vim aqui trazer um questionamento que é super dramático, mas eu vou tentar desmanchar ele. De uma forma leve eu vou tentar. E justamente sobre tentar esse episódio, quantas coisas tu já adiou na tua vida porque tu achou que tu não tava pronto? E aí eu respondo ele com a minha vida em si, tá? Eu amo conversar, eu amo refletir e passar horas falando. Então a ideia do podcast sempre existiu. Mas eu nunca me sentia pronta, nunca era a hora certa, não tinha tema perfeito, não tinha. Eu não tinha tempo, eu não me sentia segura. Eu eu achava que eu só falava porcaria e eu não conseguia criar um nexo entre tudo que eu tinha para falar, sabe? Só que daí eu fui percebendo que às vezes, até quando fazia sentido, não era bom o suficiente. E eu pensava muito que não tirar o banheiro do papel. Me permitiria continuar no meu estado de conforto e segurança, enquanto tirar o projeto do papel me colocaria num lugar em que eu poderia ser julgada. Eu poderia errar coisas que obviamente vão acontecer, mesmo que eu não grave um podcast. Mas essa era a ideia e com isso veio a procrastinação. E assim, procrastinação no Google. Significa fuga de sentimentos ruins associados a uma tarefa. O problema é que é muito gostoso pro clachina Ah, deixar pra Júlia do futuro. Só que a Julia do futuro tem os mesmos problemas da Julia do presente. Então, a Julia do futuro vai sentir um medo do julgamento, vai sentir medo de errar, enfim, milhões de coisas. E aí vai se tornar cada vez mais difícil. Porque eu acho que quando a gente tem uma ideia, quanto mais a gente se afasta dela, mais difícil ela se torna. E isso se passaram anos. E tudo isso porque eu não estava pronta. Então, respondendo essa pergunta que eu fiz lá no início com essa resposta, é, é um exemplo, né? De algo que eu fui adiando justamente porque eu não me sentia pronta. E depois disso eu simplesmente desisti um pouco da ideia, só que eram 2 vídeos recentemente. Que me deixaram muito reflexível. E eu pensei, Ah, porque não vou mudar ali, né? Michel de Montaigne e a vida incontrolável E na verdade, deixa eu contextualizar, tá? O primeiro vídeo é um vídeo do livro ensaios, de Michelle montaigne, que é um filósofo. E no vídeo foram ditas várias frases assim que eu. Fiquei bem impactado. E aí eu anotei para poder compartilhar, porque realmente me pegaram em lugares do meu ritmo como se fossem vários socos. E eu acho que vale a pena assim, sabe? Para pensar sobre essas frases, a primeira era, isso tudo que te foi ensinado sobre se importar demais foi exatamente o que tá te impedindo de viver. E eu percebi que tudo tudo que eu tava pensando, todos os obstáculos que eu tava colocando pra mim, era porque eu queria ter o Controle Absoluto de tudo, da perfeição, do tempo certo, do tema certo de tudo, e isso é impossível. Justamente porque o ser humano, ele gosta muito da previsibilidade. E a previsibilidade ela é quase que impossível na vida toda. Às vezes a gente consegue manter uma rotina, sabe? Tipo acordar, tomar um tal café da manhã. Eu amo, eu amo cordar e comer uma mãozinha com aveia, e daí? Pãozinho com ovo. E aí é isso, sabe? Mas vai ter dias que eu não vou conseguir acordar no horário certo para conseguir comer um pãozinho com ovo. E está tudo bem, sabe? Vai ter dias que não vai ter pão, vai ter dias que não vai ter ovo. E esse exemplo foi horrível. Mas a ideia é que a gente não vai conseguir ter 100% da certeza de que vai dar. Todos os dias vão ser iguais ou vão ser exatamente como a gente quer que eles sejam. E o Michel de Montaigne? Ele fala justamente sobre a vida, o controle ser uma fantasia, porque a vida é incontrolável. Então a gente persistir tentando controlar coisas como o destino ou a opinião dos outros ou o futuro, vai nos causar só angústia. Então, a ideia dele é que a gente aceite o fluxo da vida. E isso é muito bonito aí nessa pegada de controle. Ele também fala sobre a importância dos nossos próprios pensamentos assim, porque nisso, por exemplo, de controlar o futuro, ele fala, a minha vida esteve cheia de terríveis desgraças, a maioria das quais nunca aconteceram. Então, a gente acaba moldando a nossa vida com base em coisas que podem acontecer e sofrendo por isso, porque a ansiedade é isso. A gente sofre por antecipação, né? Além de outras coisinhas. Mas, enfim, é isso, basicamente. E acabo me encaixando muito nisso. Sério, antes de gravar esse esse podcast, né, esse episódio. Eu estava pensando, bar, e se ninguém gostar AI vai ficar horrível. E se ficar horrível? E se me julgarem? E se julgarem um Monte de comentários horríveis. Eu não tinha nem gravado o meu episódio, então eu estava com vários ICSICS entre aspas na cabeça e com medo das pessoas me odiarem, sendo que não tinha nada concreto. Então ele falou, vou citar outra frase, o homem não é tão ferido pelo que acontece eSIM por sua opinião sobre o que acontece. Porque por mais que exista todas essas possibilidades, eu dar uma importância gigante para esses e se muda tudo. Se eu não desse tanta importância pra esses e se eu também não desse tanta importância pra caso isso de fato acontecesse, então, por exemplo, aconteceu. Eu botei o episódio, muita gente me julgou em mim, botou um Monte de comentário horrível. Eu não preciso dar uma importância tão grande pra isso, sabe? Se minha opinião sobre isso for Ah, acontece ou Ah, irrelevante, sabe? Vai ser muito melhor pra minha própria vida. Eu espero que isso tenha feito sentido, porque na minha cabeça fez. Mas continuando, todos esses pensamentos dele fazem sentido quando a gente olha pra história dele, porque o mais interessante é que o Michel, grande amigo Michel, parece que ele tá não o Michel de montene. Ele pensou tudo isso. Por causa de um susto, ele quase morreu de um acidente de cavalo. E foi aí que ele percebeu a fragilidade absoluta da vida. Ele viu que nenhum planejamento ou preocupação obsessiva teria salvo ele do acaso. E foi aí que ele soltou a mão do controle. Como um susto de saúde mudou minha perspectiva E talvez tenha sido por isso que eu me identifiquei tanto. Eu me identifiquei tanto porque quando estualizando assim, eu sempre fui uma pessoa muito saudável. Eu como super bem, eu faço atividade física como água, então é algo que eu tinha sob controle assim, sabe? Nunca tive muitos problemas de saúde, sempre fui um motivo de orgulho, inclusive, mas o nada. O ano passado eu tava tri bem e aí num dia. E no outro eu não consegui botar o pé no chão, sentia muita dor, você era uma dor assim, sem palavras, e só que daí, como eu sempre fui saudável, eu pensei, não, certo, estou bem, relaxa, eu aguento. Aquela coisa também do eu aguento, que é muito perigoso. Sério, não, não recomendo pra ninguém, porque eu fui levando e fui levando no início, passou uma semana que eu passei. A semana entrou com a perna para cima e chegou um momento que a dor ela era insuportável. E aí, graças a Deus, eu vi a minha amiga. Ela me olhou e falou assim, amiga, tu tem que pedir um ultrassom de urgência, vai no pronto atendimento. E aí eu pá, né? Meio que levei no outro dia ainda eu deixei para outro dia, assim fui para o pronto atendimento. E a noite tinha começado na panturrilha, né? E já estava na perna inteira assim, mas eu estava com trombose. Eu estava com trombos, que estavam desde a plurrilha até a virilha e na hora eu fui internada assim, sabe? E eu eu tinha marcado um churrasco. Como assim internação? Mas foi assim, foi um baque. E eu? Eu percebi assim durante anos eu me preocupava com a produtividade, com a carreira, com um canal idade certa, com ter filhos na idade certa. E de repente eu tava numa cama de hospital e aí eu só queria sofrer, viver. É engraçado, é engraçado, não, não vou travar, escutar. Mas, enfim, foi um negócio assim que foi um baita baque, sabe? Eu? Eu saí do modo automático naquele momento assim, e eu percebi que realmente, às vezes a gente acha que está sob controle e não dá. Quando eu me recuperei, eu me dei conta que eu não podia deixar. Medo de viver, me prender em nenhum sentido, porque a gente não sabe. Eu imagina, eu sempre fui saudável. Como é que eu IA imaginar que Do Nada eu podia ter morrido assim? Porque poderia ter dado vários problemas em consequência dos tronbos? Use a inveja como bússola para se arriscar mais Mas. Antes disso, assim, eu eu via as pessoas fazendo algo novo, assim, começando uma faculdade, um curso novo, um podcast, gravar vídeos. Eu sentia inveja. E pra mim assim, minha inveja nunca foi algo ruim. Eu vejo a inveja como como meio que um. Meio que uma bússola. Assim me mostra o que que eu estou desejando fazer, sabe? E nesse momento eu não estava desejando começar uma faculdade da nova, um curso ou essas coisas que eu citei ali. Eu estava desejando ter coragem de fazer uma coisa nova, sabe? E tentar fazer, né? Porque é sobre isso, é sobre tentar, porque eu não estava nem conseguindo tentar. Então a inveja era das pessoas que conseguiam. E aí apareceu 11 outro vídeo. E eu lembro que eu falei de 2 vídeos. Esse outro vídeo era um vídeo totalmente assim, aleatório também no Instagram. E ele tinha, sei lá, 10. Eu facilmente passaria ele um dia qualquer. Mas ele me pegou de um jeito. Que, sei lá, me motivou assim, era uma mulher, tá? E ela falava assim, tem a cara de pau? Nem sempre quem é melhor atinge os melhores lugares, eSIM aquele que se arrisca mais. E eu pensei, cara, tipo, porque que eu não tudo isso que a gente, a vida é tão. Tipo, 1 hora a gente vai morrer, tudo bem? Ah, eu tô entrando num numa coisa muito intensa, mas a vida é tão simples, sabe? Às vezes a gente realmente complica. Eu tava com do que que eu tinha tanto medo, sabe? Porque querendo não nada é mais assustador que morrer. Talvez eu tenha pesado clima de novo, mas. O ponto é que a gente precisa de coragem pra viver. E é sobre isso, é sobre viver, ter novas fases, ter novos momentos, se permitir, sabe? Até porque aquele clichê bem coach, mesmo assim ele é muito real. Assim, a gente não precisa ter um medo de viver eSIM de acordar com 80 anos cheios de arrependimentos. Não tenha medo de viver, abrace sua insignificância Além disso, né? Vale dizer que nada é perfeito desde o início. Tudo é difícil e às vezes até ruim. E tá tudo bem, né? Acho que esses tempos escutei uma frase, eu não sei se é verdade, tá? Eu vou. Talvez seja uma fake news, mas o Lucas modri aqui tem de tudo, filosofia, futebol, mas enfim, o Lucas modri tinha falado que. É tudo questão de prática, sabe? A gente vai melhorando e óbvio que não foi só o Luca que disse isso, Mano. Enfim, tudo que a gente faz no início é é difícil, sabe? Eu acho que a ideia que eu tenho é aperfeiçoar esse podcast, assim como aperfeiçoar outras coisas na minha vida e tudo, tudo a gente vai pegando experiência e melhorando. E inclusive, né, uma coisa pra mim que que me deu um pouco de motivação foi que eu fui no cinema e eu vi um filme de um diretor muito renomado, se eu não me engano, na pele Steven Spielberg. Não sei. AI você tá falando bobagem. O filme é dia d é um filme de alien porque foi namorado, foi uma alien e gente, que. Horror que horas os filmes que eu vi na minha vida que não tem pé. AI, desculpa se alguém gostou do filme, você não tem pé nem cabeça, é tudo conveniente demais, não faz o mínimo sentido. Então assim, ó, e eu fico com uma base de expectativa, e assim é o filme é muito o filme do Steven Spielberg, eu faço um filme ruim, então a gente também, AI, não sei nem se o filme é dele, tá, mas enfim. Eu também posso fazer um podcast ruim. E o último ponto de motivação é que tá todo mundo vivendo a própria vida. Todo mundo tem seus problemas, as suas prioridades e tudo mais. E a gente, como diria a lelinha de gostosas, também choram. A gente tem que abraçar a nossa própria insignificância. Eu acho que isso me motiva muito. Assim, eu penso assim, gente, ninguém. Por que que eu preciso me preocupar tanto com isso? Sabe o que os outros pensam? Com sei lá, com todos os medos que eu podia ter, sabe? Eu sou literalmente insignificante e isso é maravilhoso. Então, inclusive, ver filme de arens me lembra isso o tempo inteiro. Porque gente, o universo é imenso, tá? O universo é gigantesco, então eu sou só mais uma e tá tudo bem e tu também. Então para de dormir e vamos viver.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A procrastinação surge quando temos medo de julgamento ou de errar, e isso nos faz adiar projetos por sentimentos de insegurança.
  2. Michel de Montaigne mostra que a vida é incontrolável e que o medo de perder o controle gera ansiedade, enquanto aceitar o fluxo da vida traz paz.
  3. A identidade com a filosofia de Montaigne foi intensificada pela própria experiência de doença, que mostrou a vulnerabilidade humana e a necessidade de se arriscar.

Summary:

A reflexão sobre por que adiamos o que queremos fazer começa com um questionamento profundo: por que não começamos o que desejamos? A narrativa revela que a procrastinação é alimentada por medos de julgamento, perfeição e falta de preparo, o que cria um ciclo de autoexclusão. A inspiração de Michel de Montaigne é central: ele demonstra que o controle é uma ilusão, pois a vida é incontrolável e o medo de perder o controle gera angústia.

A experiência pessoal de uma doença súbita reforça essa ideia, mostrando que a fragilidade humana é real e que a vida é mais simples do que pensamos. A inveja das pessoas que vivem projetos novos se transforma em bússola de coragem para agir. A ideia de que tudo começa difícil e melhora com a prática também é destacada, assim como a necessidade de se aceitar como insignificante, mas maravilhoso, diante do universo imenso.

O autor conclui que, ao abandonar o medo de viver e aceitar a imperfeição, é possível viver com mais liberdade, coragem e autenticidade. A motivação final vem da compreensão de que todo mundo vive com seus próprios desafios e que, ao contrário do que pensamos, ser insignificante é uma dádiva.

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