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EP #005 - TRAJETÓRIAS PERIFÉRICAS | MÔNICA FRANCISCO

65m 16s

EP #005 - TRAJETÓRIAS PERIFÉRICAS | MÔNICA FRANCISCO

Mônica Francisco, nascida no Morro do Borel (RJ), compartilha sua trajetória de vida como mulher preta, periférica e evangélica progressista. Sua infância foi marcada por brincadeiras nas ruas e pelo trabalho da mãe como lavadeira, o que a levou a se engajar na luta por moradia e saneamento após as chuvas de 1988. Ela estudou em escolas públicas e formou-se em Ciências Sociais pela UERJ, defendendo o ensino público como pilar de sua formação. Mônica atuou em rádios comunitárias, associações de mulheres e projetos de economia solidária, como o “Passadeiras Comunitárias”, voltados para geração de trabalho e renda para mulheres periféricas. Trabalhou em programas de urbanização de favelas (Favela-Bairro, PAC, Morar Carioca) e monitorou a implementação das UPPs no Borel. Em 2012, liderou o “Ocupa Borel”, um levante contra remoções que se tornou referência. Sua militância abrange direitos humanos, segurança pública e comunicação popular. Hoje deputada estadual, Mônica enfatiza a importância de trazer as margens ao centro, conectando sua história à luta coletiva por justiça social e valorização das periferias.

Transcription

7462 Words, 43398 Characters

Portuguese
[Música] Sejam bem-vindos a mais um episódio do podcast trajetórias periféricas, memórias contra egemônicas. Esse é o nosso quinto episódio. Eu me chamo Váblavonso, sou professor de história e historiador. É aqui que você vai escutar trajetórias de vida que nos ensinam sobre uma história ou um. Em cada episódio, uma trajetória de vida diferente, periférica e contra egemônica. Com personagens pertencentes a grupos sociais historicamente invisibilizados. Mas que conquistam através de suas lutas o espaço de lisa de direi. É também aqui que você ouve muitas histórias de vida conectadas aos aspectos sociais o ítico de procurar de nossa sociedade. E se você quer saber mais sobre a ideia desse projeto, os conceitos que são trabalhados nele antes de escutar o episódio de hoje, é só clicar no nosso episódio piloto e introdução esses tendos. E está disponível em nosso podcast. Esse podcast está presente nas principais plataformas de álcool. Essa faz colher a sua preferida e dar o gulé. Bom dia, boa tarde, boa noite a todos que nos acompanham. Estamos iniciando mais um episódio do nosso podcast e hoje recebendo Mônica Francisco. Mônica Francisco é uma mulher preta, periférica, evangélica progressista, que a partir do seu lugar de fala faz ecuar as bodes periféricas, feministas, LGBTQIs, paviladas e de todas e todos que vivem no Rio de Janeiro. Nascida no Morro do Borel, nas Na Norte do Rio, Mônica tem 51 anos, é também para a estória evangélica, formado em ciências sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uéz. Militante dos Direitos Humanos, Mônica foi também a censura da vereadora Marielha Sãoco. Mônica, muito obrigado pela sua presença. Pablo, eu quero agradecer, quero dizer o quanto é importante, a gente poder falar um pouco sobre essas trajetórias contragemônicas, periféricas, paviladas, trazer as margens por centros. Então, espero que a gente tenha uma conversa boa e que esse papo reverberbe bastante. Obrigada pelo convite mais uma vez. - Eu quero agradecer. - Bom, Mônica. Já é de costume, sempre a primeira pergunta dos episódios do podcast, ser um pedido para os convidados começarem falando um pouco sobre o início da sua trajetória de vida. Então, queria pedir para você começar falando um pouquinho sobre a sua infância, de onde vocês vêm, a sua adolescência, as boas memórias, e também os desafios enfrentados nas primeiras fases da sua vida. - Como você falou na minha apresentação inicial, eu sou na sede criada no Morro do Borrel, sou da época que morro era morro, favela era favela. Hoje a gente tem favela, tanto morro quanto loteamento, planos, mas eu sou da época que eu era a nega do Morro. E é desse morro que completa 100 anos, esse ano, em 2021, a ocupação do Borrel é da década de 1921, não tem uma data, precisa, mas é desse ano. Então, eu venho dessa favela, desse morro, que fica na zona norte do Rio de Janeiro, da cidade do Rio de Janeiro, na Tijuca, Bairro, classe média, classe média alta, é a zona sul da zona norte, dizem alguns. E nessa favela no Morro do Borrel, eu nasci, me criei, cresci, toda a infância, nos becos e veelas, brincando na rua, acho que isso é uma memória importante de trazer para nossa conversa sobre as periferias, o quanto estar na rua era tão natural, para gente, para as crianças, hoje isso é um risco iminente, embora a rua seja o lugar do encontro, da brincadeira, da troca. Então, eu cresci na rua, correndo, brincando, todas essas brincadeiras, brincando de pique, brincando de amarelinha, de roda. Essa foi a minha infância, a minha adolescência também no Borrel, é permeada por ajudar a minha mãe, que era lauvadeira, então eu passei a minha infância e parte da adolescência, dentro do Rio Maraca-nan, que corta a Tijuca, passa em frente ao Borrel, e minha mãe lava a roupa, porque a gente não tinha acesso a água, em canada, e é nesse lugar que eu me forje na luta coletiva, já na juventude, em 1988, a partir das chuvas, daquele ano, que eram um problema, nas cidades do Rio de Janeiro, era um problema crônico. Alguma coisa não mutou ainda, nessa história, mas as memórias das perdas, das casas, desabando, das mortes, eram uma frequente. E é desse lugar que começa a minha luta, por uma hora de adequada, por direito, em 1988, quando a gente perdeu muita gente, parte do Borrel veio abaixo, essa favela, que tem um histórico de luta, como eu falei, eu faço parte dessa luta, inclusive, acho que é bacana, de dizer que a gente tem muito orgulho de que, a organização dos trabalhadores, e trabalhadoras do Borrel, de origem, a primeira organização, que hoje a gente chama de associação, mas a época, não era possível se nomear com a associação, foi a união, dos trabalhadores favelados, numa articulação, compartilhão, é o Partido Comunista Épica, tanto que o livro que registra as memórias da luta do povo do Borrel, escrita por mano, é o gomes, é prefaciada, por luz Carlos Prestes, e essa favela da origem, a organização de tantas outras, pelo direito do trabalhador, da trabalhadora Terra e a Moradia, e inclusive, influencia a criação, da então fafeg, a federação das associações favelas do Estado, agora, que hoje é a faférsia. Então, é desse lugar de luta que eu venho, uma luta mais coletiva, mais na rua, a partir de 1988, né? Numa vida atravessada pela insipiência, pela inconstância, e pela escassez das políticas públicas, principalmente, de torcer a sessão saneamento, a água, a sensibilidade, e só chega de alguma maneira, na metade da década de louventa, com o programa favela Báio. E a minha fase adulta militante, também atuando na igreja, e atuando na organização com as mulheres, depois eu faço parte de um projeto pionero, na Rádio e quanto mulher, na segunda Rádio do Borrel, que é a primeira data da década de 1950. E eu vou fazer Rádio comunitária, a segunda Rádio Rádio Post, a Rádio comunitária do Borrel, fundou um jornal junto com alguns companheiros, formando opinião, e é desse lugar que me constitui, eu entro na militância, da democratização, da informação à época, hoje é das mídias, a modernizada. E termo, eu fui comunicadora popular, depois nessa militância, eu me torno diretor da federação, das associações de Rádio como itárias, aqui do Estado Rio de Janeiro, vou ajudar a fundar Rádio, a garantir a acesso à informação, e a gente funda a nossa segunda Rádio, que é Rádio Grande de Juca, já uma Rádio com Dio, e foi uma outra experiência bem importante, já numa mobilização muito grande, como eu falei na atuação muito forte com as mulheres, e a gente vai organizando uma série de coletivos, criamos uma associação, a associação de mulheres do Borrel, Indiana, que é uma favela muito próxima, contigo, ao Borrel, e é desse lugar, esse lugar que me constitui. E veja, eu acabo passando também, veja, não basta só morar, e militar na favela também, secularmente, ou seja, meu ganha Pão, também passou a ser a favela, porque eu trabalhei em todos os programas de urbanização, a�a-quironia, de urbanização e urbanização de favelas, da cidade do Rio de Janeiro, e depois de um programa no âmbito do Estado, e foi o programa Água para todos. Veja, amoradia e o saneamento, sempre atrelados a minha existência, a ciência e a ciência enquanto favelada. E organizando uma série de coletivos, ações de geração de trabalho renda, sempre atuando muito forte com mulheres. E em 2003, a gente passa a fazer uma atuação mais forte no enfrentamento às violações de Estado no âmbito da segurança pública, por conta da violência letal e deixado do Borneo 2003. A gente mais uma vez, um gavisa, uma ação potente. Eu posso dizer precisamente a primeira grande ação de favelas nesse tema que mobilizou praticamente um Rio de Janeiro inteiro, no Estado do Rio de Janeiro também. Uma época que você não tinha ainda, as redes sociais estão potentes como hoje. A gente mobiliza para fazer enfrentamento e nasce o movimento que posso identificar. Que transbordou do Boré e gerou uma série de organizações. Então, hoje, hoje, na luta, com uma rede de mães, com uma rede de movimentos comunidades contra violência, a gente potencializou uma série de lutas de ocupação, de movimentos de ocupação de luta por moradia, juntou a campacidade com os movimentos de luta pela terra. E é desse lugar que eu ganhei. É esse lugar que me costui e assinasse a luta, o ativismo e a militância. Um lugar de onde parte a sua luta, mas também de constantes presença, de sua luta lá. Ainda nessa primeira fase da sua vida, como foi a sua trajetória pelo ensino básico, onde você estudou e também nos contar um pouco mais sobre esses primeiros projetos que você participa no Morro do Boré. Como esses projetos foram importantes na sua formação, como pessoa, como mulher. O ensino básico, a minha vida inteira estudou em escola pública, tudo relacionado à educação na minha vida. Foi pública. Então, eu sou uma defensora ferrenda, ensino público, do acesso à educação pública. A gente fala gratuita, mas ela não é gratuita, ela paga com o nosso trabalho, com o nosso imposto, mas acessível a todos e todas as cidades radãos. Então, toda a minha história e minha trajetória, a relação à educação, foi pública. Então, eu estudo na escola barangeta, Curossana de Juca, depois de não mirar anti-barroso numa época, estou falando antes da Constituição de 1988. Estudei na escola general e eu clico de jifeguerido, depois a noite fui estudar no supletivo, era o de Porto Alegre, depois mudei para a sua desperheira, depois fazendo o pré-vestibular, primeiro, uma igreja católica, pré-vestibularca gratuito, na igreja nossa área da conceição, que é próxima ao Boréu, ali bem-petit. Então, consegui terminar o pré-vestibular, porque trabalho e tal, mas depois, a UERs de pública também, nossa gloriosa universidade do Estado Rio de Janeiro. Então, a minha infância e a minha adolescência e a minha fase adulta sempre no ensino público. Eu acho que é importante a gente falar disso aqui em tempos de desmonte, de ataque ao nosso sistema público de educação, que é um de melhores, né? E muito atacado. Então, acho que a gente precisa afilizar isso. E eu lembro na minha infância, a Quanta Escola foi importante, a biblioteca, o primeiro livro, lembro do meu primeiro livro, sempre gostei muito de ler, meu primeiro livro foi Casusa, que é, não é o Casusa Cantor, não, o Casusa é o título do livro. Quantava a infância de um, do autor, foi o meu primeiro livro, e aí começam a amor pelo livro, os divos que eram interior, mas o acesso foi na escola, na biblioteca da escola. Eu frequentei biblioteca pública na Tijuca, na rua Guapelinha, que é existe até hoje, a biblioteca pública, que é que a gente é aqui para a biblioteca para estudar, né, pegar livro, ver slide, fazer pesquisa. Então, eu frequentei a biblioteca para a escola e a biblioteca pública para pegar livro, legionar, fazer jincana de pesquisa da escola. Essa é o meu lugar na educação. E é bem interessante porque eu sempre achava que eu ia fazer história, né, porque eu era apaixonada pela minha professora de Gnase, que falava sobre história, e eu gostava muito, na sua estrape, a gente entendeu, na minha adolescência eu achava que ia fazer história, e eu lembro, lembrava dela falando do história, ela usava o colar, né, de imagem, ela falando da história, como escolar, os elos que se alimam, que se juta para construir o todo, e eu achava um barato. E essa foi a minha relação, né, até hoje com a educação pública. E na luta, na militância, na exações, sempre é truada a educação popular também, né. Isso é uma marca que passa pela minha vida, pela minha trajetória, pela exações. E quando você me provoca essa memória das primeiras ações que começaram lá em 88, ajudando com a trajuva, depois passa pela rádio, tinha um pouco disso, né, da força da educação, da leitura, de falar, e é bem interessante nesse país racista, né. As pessoas sempre se surpreenderam, nós vamos você falar tão bem, nossa, como você fala bem, isso é fruto da escola pública, isso é fruto, desse processo importante, né, da escola. Então, claro que a gente problematiza muito isso hoje, mas essa frase é muito ricoente, nossa, como você fala bem, como você é bem articulada, isso é, nossa, era muito recorrente, né. Ainda é, hoje, mas era muito recorrente. E desse lugar de falar muito, de conversar, de gostar de juntar pessoas, de articular ações, eu estou ali na rua, no coletivo, fui em Tia da Crest, também, trabalhei com crianças, trabalhei com crianças na igreja também, trabalhei circularmente, mas o foco do trabalho era umas mulheres, né. Entendendo esse lugar da mulher, de mobilizar todo um território, então, seja na rádio, seja na igreja, seja na associação de mulheres, na organização do grupo e aquele bairro, um braço que foi um grupo organizado para construir um projeto chamado Passe deiras comunitárias, que era um projeto de geração de trabalho emenda, né. Muito voltado para mulheres, de uma faixa etária entre 35, 65 anos, com poucas coloridades, com dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, para garantir que essas mulheres trabalhar assim, próximas de casa, para que garantisse também o cuidado, né, dos filhos, atenção à casa, a possibilidade de também, do fortalecimento econômico local, né, já faltado muito nos conceitos da economia solidária, né, uma das nossas lutas militantes, foi no movimento de economia solidária, é o de Cair da Sul, né, militante do movimento de economia solidária, é paltado no cooperativismo popular, né, na cooperação, na solidariedade, no respeito à escala humana, ao meio ambiente, essa relação com o lugar, com o local, né, as trocas, a solidariedade, então, sempre muito permeado. Então, foram várias ações, vários projetos, né, Passe deiras comunitárias, como eu falei, a organização da associação de mulheres, do Boréa-Indiana, depois o coletivo, mulher exigação, que se transformou, no grupo arteiras da grante júcar, né, foi já no âmbito da economia solidária, e foi um momento em impar, né, muita articulação ali na grante júcar, pensando geração de trabalho renda, pensando a questão da segurança pública, pensando uma é a normidade de temas, mas como centralidade a questão de gênero e as mulheres e o trabalho, né? Eu também organizei uma série de ações com as mães vítimas de violência, também com esse viés de geração de trabalho renda no âmbito do programa nacional, segurança pública e a cidade de Aní, o pronúncio, segurança pública com cidadania, porque muitas dessas mães não conseguem mais voltar para essas empregas, então eu fiz um trabalho com essas mulheres à época pelo César, que o centro de estudos de segurança e cidadania da Universidade de Canju Mendes e também em parceria com a Redeia, a Rede de Desenvolvimento humano, a gente organizou um centro comunitário na comunidade de Julio Otone em Santa Teresa e próximo do Mordes Braseeres, também com esse viés de geração de trabalho renda, com as mulheres e no caso da Julio Otone eram as mulheres e um trabalho com as crianças e as juventudes ali, a gente fez um trabalho muito forte de memória também, memória de favelas, muito fazendo um levantamento desse processo, não só no complexo do Borrel, mas nas favelas da Grante Juca, a gente tem uma série de ações e livros nesse sentido, a gente depois participou, indo muito no maior de cronológica, mas falando mais das ações do que localizando elas num tempo específico, a gente organizou, claro que isso coletivamente, eu estou falando da gente porque estou aqui me situando nesse processo todo, mas com muito protagonismo mesmo, de articular, de movimentar, mobilizar, e eu fico olhando falando a gente, a gente se durante muitos anos construiu e tem uma série de publicações e plano de desenvolvimento econômico social e cultural das favelas, do Instituto Nacional de Autos Estudos, no Eventual chamado Foram Nacional, que era tocado pelo ex-ministro Reis Veloso, criador da faperge, ex-ministro Reis Veloso, e com uma série de organizações faveladas, como eu te falei, eu também trabalhei em todos os programas de urbanização, eu trabalhei nova vela-barra, trabalhei no pouso que era uma das etapas, a etapa final na verdade de fovela-barra, que eu posto de orientação urbanística social, trabalhei no PAC Favelas, programando de aceleração e conhecimento, trabalhei não só no complexo boréu, mas trabalhei em outras favelas também, trabalhei na formiga, trabalhei no complexo de luturão, salgueiro, de São João, Macacos, Parque, é. Complexo dos Macacos ali, né? Parque de Elizabeth, São João é muito fovela, deixa eu te trabalhar em um morar carioca, que foi um dos últimos programas de urbanização, sob a coordenação do Ibasis, e o hora de supervisor do trabalho técnico social, trabalhar com memória, fazendo usando a nossa metodologia do Ibasis que a gente trabalhou lá, ver moras favelas, como eu falei, a gente implementou também, né? Descnoâmbito do morar carioca, a questão da memória de favelas, trabalhei no programa Ago pra todos, em muitas favelas, trabalhei em Parque, alegria, só pra citar algumas, trabalhei na barreira do Vasco, vindo do Mexicano, o Gaúga, que é dentro da barreira do Vasco, trabalhei Santa Marta, da Bajára Escabritos, da Vares de gastos, chapéu, mangueira, bavelhão, ó, só pra falar algumas. Alemão, complexo alemão, depois, né? Eu fui trabalhar com pesquisadorando no laborator territorial de Manguins, estou trabalhando em complexo de Manguins, Manguins, Hp2, Dezupe, Mandela 1, Mandela de Pedra, Mandela 2, né? Combatentes, trabalhei em complexo do alemão, Rosinha, fazendo pelo LTM, né? Primeiro, todo um levantamento, com a produção de um relatório de ministério da cidade, sobre o impacto do Parque Favelas, nessas, é, respectivas favelas, né? Com pra cusmangueiros, alemão, e Rosinha, depois, é, continuei fazendo já um, um trabalho de vigilância em saúde, a partir da educação popular, né? E do processo de organização de pequenas comunidades ampliadas de pesquisação, onde você junta todo mundo, da pesquisadores, favelados, favelados, maradões e instituições, é, e na luta, fui colunista de Jornal do Brasil, uma comunidade, durante quatro anos, uma coluna chamada comunidade em Pauta, Pautando a favela, mas a partir da favela, mas dialogando com o mundo, nesses quatro anos, e eu acho que eu não esqueci de muita coisa, mas nessa, assim, tem uma coisa que eu acho que é muito importante se a gente falar, a gente passou a fazer o monitoramento da intervenção, da unidade de polícia pacificadora, a partir da experiência de Santa Marta, 2010, complexo do Boréu, recebe a unidade de polícia pacificadora, e a gente organiza, né? O Leão da experiência que a gente acompanhou na cidade de Deus, da Criação do Comité Comunitário, a gente cria rede de instituições do Boréu, foi um marco também, é, pra fazer esse monitoramento desse diálogo, porque a gente entendi que o diálogo tinha que ser horizontal, irão de cima pra baixo, né? Porque pra nós era uma falasse de dizer que a implementação da república desse espaço viria a partir da implementação da OPP, ou até mesmo da OPP social, se já tinha escolas, já tinha equipamento público, o Crash, se era uma invernade, isso precisava ser feita em diálogo com os favellados e favelladas, em 2012, em que vem fazer 10 anos, a gente faz um levante, uma grande insurjeia, é o contratóco de recolher em posto ao Boréu e a gente faz o culpa Boréu, a gente vai a interesse, tá lá no YouTube pra todo mundo ver, foi um grande levante e foi uma ação que virou um monte de produtos, de pesquisa, trabalhos com o cruzão de curso, citação de mestrado, tese de doutorado, o ocupo Boréu foi um marco, completo de 10 anos, no ano que vem. E toque hoje deputada estadual, favellada nesse lugar, sopastora há pouco tempo, seis anos, mas evangélica mais de treino. Muito legal esses pontos que você foi tocando, é tentar ajudar as duas próximas perguntas elas se relacionam diretamente com isso, eu vou tentar fazer elas juntas, mas vou fazer uma introdução pra ficar inconectadas, porque elas têm muita ver, né? Você falou de vários projetos aí e esses vários projetos, imagino que eles tragam uma grande contribuição por desenvolvimento das periferias, né, pra essas pessoas. Ao mesmo tempo você citou movimentos como o ocupo Boréu, que foram de certa forma uma resposta, o toque de, aliás, que foram uma resposta, o toque de recolher impetrado pela USPP, né? Então quais são as duas perguntas, primeiro, qual é a dimensão que tem o desenvolvimento desses projetos para o desenvolvimento das periferias e como você enxerga ao mesmo tempo, a violência do Estado contra a população periférica das favelas do Rio de Janeiro e a resistência, e resistência desses moradores dessas regiões a tantas violações de direitos, né? Olha, essas ações são fundamentais assim, né? Primeiro porque elas marcam um protagonismo muito forte, da própria periferida, da própria favela, né? Acho que um pouco o miltonçantos fala, e nos mostraram quanto o local é capaz de responder com muita força, com muita potência, as suas próprias necessidades, as redes de solidariedade, as redes de cuidar e proteção, e as respostas, né? Porque são muitas necessidades, são muitas urgências, as emergências, e acaba que na ausência de uma política pública, é uma uma uma é uma implica mais efetiva, mais consistente. Você tem nos próprios faveladas e faveladas, e as mulheres são um elemento fundamental. Isso é claro que a gente enelaceona com as matrizes africanas da relação com a comunidade do matriarcado, como um elemento muito forte de coesão, de força e de resposta. Eu diria que essas ações são fundamentais, inclusive como possibilidade de existência e existência, como você traz na sua pergunta. Porque é também uma questão antológica, obviamente, você perceber a sua capacidade de produzir um espaço extremamente criminalizado e andrelino-campus que foi professor da nossa universidade, da Uégea, da Faculdade de Educação. Infelizmente, nos deixou alguns anos o professor andrelino-campus, geógrafo, professor da Faculdade de Educação da Uégea, no seu livro do quilomba-favela, ele fala dessa produção dos espaços criminalizados, esse lugar criminalizado com essa carga de estigmatização e que consequentemente produz as suas respostas, também, ela mesma, por exemplo, se a gente folhar para o processo de organização para a ajuda humanitária, que as próprias favelas fizeram entre elas, claro, numa articulação com muitos atores externos, mas foi a própria favella que se salvou na pandemia. Isso é fundamental para resistência, para a efetivação da possibilidade de ser, de dar manutenção da sua humanidade, e é, para mim, um processo de resposta contra as violações que se sobrepõem por conta da criminalização, da estigmatização, mas, sobretudo, do racismo estrutural, que contamina a espiritualidade, essas pessoas são criminalizadas, logo elas também, é um processo que se retroalimenta. A estigmatização do espaço, a estigmatização das pessoas, a estigmatização das pessoas, a estigmatização do espaço, é muito localizada, o lugar da favella e das periferias, é o lugar da exclusão, inclusive da exclusão, da possibilidade de ser. Cidadão é a cidadania mutilada que o Newton St. fala muito bem sobre isso, a cidadania mutilada, é uma mutilação da cidadania desse grupo populacional, o que não acontece com as camadas médias, que de alguma forma, conseguem pagar por uma coisa. Então, o racismo que estrutura as relações no Brasil, ele traduíse também nas relações institucionais, com esse contigente populacional preto e pardo, claro que os brancos pobres que vivem nas periferias, eles também são alvo da violação do Estado, mas isso não bate tão forte nesses corpos, que tem uma possibilidade de passar em um corpo branco, ele consegue circular na cidadia tranquilamente e passar-se, por exemplo, por alguém das camadas médias e dependendo de onde está localizado, circular tranquilamente diversas ambientes, mais sofisticados, um corpo negro, um corpo pardo, um corpo com mais características fenotypicas pretas, tem muito mais dificuldade, é alvo de maior criminalização e brutalização, ou seja, o Estado elenca, o lugar da exclusão, seja exclusão nas implementações políticas, seja a própria exclusão dos corpos, acho que isso é muito fruto, essa brutalidade do Estado, essa violência do Estado, ela é fruto do racismo, mesmo, mesmo, e que fica mais severa ao longo do aprofundamento, das crises do capitalismo, é a gente ver o quanto descarte dos corpos, se acelera e aumenta, porque você não tem mais uma capacidade de reclusão e de controle desses corpos, se aumenta a militarização dos espaços, se aumenta o encaceramento, mas isso não dá conta da contenção, porque esses corpos estão sempre buscando respostas, eu falei ainda há poucas saídas para as suas necessidades, e isso também é uma insurgencia, né? E o óbvio, o Estado ele cada vez é mais cruel, cada vez é mais violento, ele tenta cada vez mais ampliar a contenção desses corpos, então asções como esses são fundamentais para dar dignidade, para garantir dignidade, até mesmo dar alto preservação de si, sua existência, não é a toa que a fala recorrente entre favelados, favelados, favela é potência, a gente é isso, a gente é aquilo, o sentido positivo, sempre na tentativa de reafirmação de si, de uma espécie de limpeza moral também, o Luiz Antônio Machado falava muito, fala disso nos seus trabalhos, embora nós teríamos com a gente fisicamente, que ele chama de sensabilidade violenta, porque ele tem mais violência no trânsito do que era a própria favela, vamos lá, mas onde é o lugar o loco, onde está localizada, a pecha, o estigma da gênesia da violência, era favela, né? O velho medo do morro desse, então essa socialidade violenta, e essa necessidade pela limpeza moral, que o professor Machado chama a atenção da gente, ela é constante também nessas falas, olha que tem trabalhador, a gente fez isso, a gente fez aqui, a gente libou, a gente está nesta ética também, tem uma chuva, tem uma enchente, algo do tipo, está todo mundo ali, dos redes solidariedade, tentando dar resposta, né? Você, na sua fala, dá pra perceber muito, a sua dimensão também da cientista social, né, referência social, é muito bacana isso. E assim, tem o lado da mãe da cientista social, que ele vai se falar também um pouquinho mais, né, como foi essa formação pela UERD, né, a UERD tem um histórico também, são grandes de luta e de protagonismo, né, no combate ao racismo, no protagonismo nas leis de cotas, como foi a sua experiência, como uma mulher preta periférica, numa universidade pública e na UERD, né? E também, vou fazer de novo duas perguntas em uma, a outra dimensão da mônica, que é a dimensão religiosa, né, você também, é uma pastorevangelica progressista, organizou, e aí, ele corrida se eu tiver errado desde 2013, a comunidade apostólica cristã Gilead, Natijuca também, então essas duas dimensões, a mônica cientista social, que se forrou na UERD e a mônica pastorevangelica progressista. Que loucura, né? Mas se esse religião não são antagonistas. Não, de modo. Não mesmo, não mesmo. É bem legal que você deixa essas coisas juntas, eu podia perder essa, né? É. E uma coisa reafir uma outra todo o tempo, né? Essa dimensão espiritual, pessoal, que nos ajudam para ampliar os olhares dos fenômenos sociais, as injustiças, em tensões colocadas entre os grupos humanos. e desde tempos e memoriais, isso nos ajuda a entender um pouco essa construção de sociedade com a xista misógena preconceituosa, excluo dente, racista, e é óbvio que a chegada à universidade é muito importante, porque ela, acima de tudo, essa tem uma instituição que é pioneira na implementação de cotas e eu estava discutindo no IBASE, o que o brasileiro de análise sociais econômicas, foi criado pelo Bettinho, marco-esarruda, e outros intelectuais, para pensar a democratização do Brasil, e da fora do Brasil e base nasce fora do Brasil, e no Brasil vai discutir todos os processos que infelizmente a gente está discutindo hoje, racismo, exclusão, fome, e tantas outras coisas mais, direita a cidade, a acesso à educação, a criança na rua, e pensar esse processo de redemocratização do Brasil, então a gente estava pensando essa discussão de cotas discutindo a cartilha, cotas para quê? Eu lembro que na época tinha uma peça publicitar onde você guarda seu racismo, provocando os debates ainda ali, e chegar nessa universidade que é pioneira, no debate de cotas e na implementação, das cotas raciais, com o coletivo, que é o de negrir, ocupando espaço, tendo privilégio da inauguração do espaço, do de negrir, que é o coletivo negro, estudante da UERGE, ter uma aula com a bidez do nascimento, foi o último evento presencial, que eu tive prazer de estar com um professor, senador, ativista, e referência a bidez do nascimento, na UERGE, para dar pra gente essa possibilidade, então foi o Marco, foi um desafio também, estudar, não tinha bandejão, não tinha comida, sem grana, com tantas dificuldades, com tantas outras estudantes, que ainda passam por isso, não é? Não ficou no passado, infelizmente, mas um momento histórico, onde você já tinha uma primeira turma, que estava saindo, e que estava deixando já um legado, e muitos alunos se debrançando, pra olhar essa experiência, quanto a universidade tinha sido benso-sedida, e foi fundamental, inclusive, na representatividade, não fazia ela também, porque como desvio uma rei, quando você está na universidade, isso não é só pra você, quando você é uma pessoa negra, uma pessoa desquebrada de fazê-la, de preferiria, você está ali levando uma constelação com você, você está levando a tia, né, do bolo, você está levando aquela favela toda, você está levando aquela comunidade toda, pra dentro da universidade, porque é isso? Você não vai ser um cientista social, um antropólogo, um cientista político, um historiador, você não vai ser um educador, você não vai ser um pedagogo, você não vai ser, como o teu colega que está estudando com você, que tem um ponto de partida, que é um lugar de privilégio social, que é branco, ou branca, ou que vem de uma família, que pode não ser abastada, ou rica, mas de uma família onde já tinham pessoas que já haviam passado pelos bancos universitários, você não vai falar igual, eu não vou falar igual, a minha amiga letícia freixo, porque não é parente do freixo, não. Por exemplo, que é das ONU Sul do Rio de Janeiro, que já chegou pra fazer ciências sociais, na sua segunda universidade, da sua segunda faculdade, vinha de uma primeira formação, bem novinha, então, eu não vou falar igual a ela, uma garota das ONU Sul, que tem outro ponto de partida, que viajou o mundo inteiro, a minha linguagem é outra, a minha linguagem é da favela, quebrada, meu jeito de falar a minha forma, inclusive de trazer a teoria, de inserila na minha fala, é outra, sabe? Eu vou falar alguns dialectos da universidade, do mundo acadêmico, mas não vai ser igual a minha amiga das ONU Sul, sabe? Isso é maravilhoso, porque a universidade, ela tem que ser isso, ela tem que ser. Essa relação, por isso a universidade pública, é ensino pesquisa, extensão, ela tem que abraçar, e que bom que hoje você tem, os que antes, na minha época era chamado de autores fora do eixo, Europa, você tem uma profusão de autores e autores, que são o eixo, que estão notiando, que estão explicando, você tem um imbembi que ajudou a falar, "A explicar o que ele não soube dizer", o que o fucor, o que ele não soube dizer, o fucor deu as pistas assim, eu falou "um sei o que é isso", e eu imbele e falou "peu sei sim, vamos lá, tá aqui, ó". É necropolitica, vamos embora, vamos lá, vamos organizar essa bagaça e brigada, fucoto foi legal, mas já, tchau. A gente gosta de você, a gente vai te ler, a gente vai conversar com o tigo, que é tão cara legal, é importante, mas a gente conseguiu dar. E a gente. E não é mais fora do eixo, sabe? Que bom você ver a nossa galera da universidade, você é propriando e falando desses autores e traz. E obrigando a universidade, e eu erge um polo, e é fundamental. Não é a toa que é atacada, né? Como é? E isso é maravilhoso, porque isso dá a possibilidade garante a representatividade, pelo menos de sonhar. Eu lembro que eu conversava com uma mulher e manguinhos e ela falou "a gente queria só ter a possibilidade de sonhar", porque às vezes a gente tem a possibilidade de sonhar. Sonhar e entrar na universidade, sonhar e ser professor, professor de universitario, sonhar. Sear. Não quero ser nada, mas eu quero que pelo menos sonhar, que um dia eu posso, olha. Se o Pablo, se a Mônica, então eu também posso. Então isso é importante, nessa dinâmica de. de pessoa que vem da margem, da periferia. E a dimensão religiosa, também não está descolada disso, né? É. Como eu falei. É. A materialização, na prática, de cotidiana, de vida, na relação com as pessoas, com os grupos em sociedade, de imprimir um olhar com mais empatia, com mais possibilidade de álcool, né? Alguns podem falar "eu amor". O amor, né? Traterno, o amor, pelo próximo, pelo semelhante. É. Mas eu diria que nos ajuda a ter uma leitura de mundo, a fé, a forma de de lidar com ela, de trabalhar com ela no antepessoal, ajuda a garantir, em sociedade, é. As regras dos patos que a gente construiu em sociedade. Então. É óbvio que a gente tem uma táque, né? O Estado Laico, o Direito Individual, as liberdades e individuais, né? Eu acho que a minha figura também ajuda um pouco, com todas essas esturas que me constituem, há também ser representativa desse lugar, de respeito ao Estado Laico, a possibilidade de ser uma parlamentar, né? Que atua dentro das regras, em sociedade, da. né? na doqueção. os preceitos da política institucional. Então, não está dissociado, não. Ajuda a ter uma capacidade mais ampliada de entender a necessidade de uma sociedade que estabeleça uma política pública, que efetive a justiça social, a garantia de direitos, o Estado democrático de direito, que faz uma leitura racional, porque a fé ela precisa ser racional, inclusive, é uma premissa dos textos bíblicos, inclusive, que a fé seja racional. Olha aí, que ela seja racional. Então é importante que a gente hoje seja essa figura para mostrar também que pastor e pastor não é lugar de poder de estatos, de usar essa pata de cor de jacaré, de mostrar com pedra, de não sei o que, preciosa, de terno, com corte de talhão. Não tem problema. Você tem dinheiro, trabalhou para ter, lá, e comprar o seu terno de corte de talhão. Que bom, para bem, é isso que é bom. Fique lindo com seu terno, mas isso não é a premissa para ser pastor, em pastor. Isso é mais uma lógica, uma organização interna do serviço interno, a sua organização religiosa, no campo cristão, no meu caso, e no lugar de poder de estatos ou de domínio sobre o direito desejo das pessoas. Incrível, incrível, estou adorando de algo que estou aprendendo, bastante. Muito bom. Mônica, a gente está se encaminhando para o final da nossa conversa. Tem mais dois perguntinhas. Apenúltima, você, em 2016, foi convidada pela Maria Alifranco, para integrar a equipe no mandato dela de vereadora. Você integrou o grupo de favelas, colaborou com a construção do primeiro encontro direito à favela na Maria, e passou a participar de uma forma mais direta do que se chama política partidária, não sei nem se chama melhor termo, mas o que essa experiência de convírio com a Maria Alif e a sua luta, te trouxe de aprendizados e qual a diferença que você enxerga na sua situação anterior desde ser de movimentos sociais em projetos comunitários para a atuação mais recente nessa política dita política partidária. Olha, acho que a alifuência da figura específica da Maria Alif, da experiência da mandata da Maria Alif, é muito presente porque é a primeira experiência de mandato que eu tenho, não tenho outro paradigma. Então, acho que é muito parecido porque não é igual, vejo, é muito parecido porque. Porque você tem uma dinâmica que é muito da favela de mulher preta, então tem muitas coisas muito próximas, essa garantia de que você use os espaços em que você pode para dar possibilidade de outras pessoas de ter em trabalho também. E para mim, que são militantes nesse campo da geração de trabalho renda, tem uma datra maravilhosa, você pode gerar trabalho renda para principalmente com mulheres. Então, essa garantia de que a partir de você você consiga gerar trabalho renda, dar dignidade, as pessoas a possibilidade de ter dignidade de trabalhar para caramba, mas saber que está tranquila para pagar a sua conta, comprar a sua comida. A Maria tinha muito isso e de aloga muito com essa minha militância da vida, a possibilidade de você ter cada vez mais corpos como os nossos ou pão dos espaços institucionais. A responsabilidade é uma coisa, eu falava muito para a Maria isso, até brincava e falava gente. Eu fui docilizada pelo mundo de trabalho, porque a gente trabalha para. É coisa do trabalhar para caramba, isso é uma característica das mulheres de regras da gente trabalha, a gente está ali. E era muito engraçado porque a gente trabalhava para caramba, saía tarde, uma afluição de trabalhar na manhã, tem de novo todo mundo aqui, não tem essa não, fazia uma atividade todo mundo acabar, cansado. Ah, a gente está cansado porque não tem nada de cansado na manhã, a gente está aqui de novo, foi lindo, maravilhoso, foi um sucesso, show de bola, mas a manhã trabalha continua. E uma coisa que é muito, muito interessante, eu ficava nervosa com a agenda da Maria. E eu falava, gente, vamos ver essa agenda da Maria, ele está muito pesado, muito apertada, e ela aí tudo, e em tudo. E hoje, eu faço a minha coisa, e eu entendo que eu falo, não, a gente tem compromisso, as pessoas votaram e até que acho que não votaram, a gente tem compromisso com as pessoas, olha, as pessoas estão esperando, as pessoas sabem, então, assim, você querer realmente responder para todo mundo e atender aos pedidos, aos convites, passa por esse compromisso, que é o compromisso com nós, povo, porque é maior dentro dos convites das ações, vem do nosso povo. Então, aí se você é esse gente, não, a gente tem que ir, mano, dar um jeito, a gente passa, fala, aí você está cansado, você chinga para caramba, você reclamar, "Ah, meu Deus, mas aí você vai, todo mundo já está saindo, "Vou, eu não vou, eu não vou, eu não vou, eu tenho que ir, "Ah, eu tenho que ir, eu tenho que ir, eu estou morrendo, eu estou saindo sangue para os olhos, "Vai, então tem muito disso, e é o que eu percebo de diferença por isso que é o processo da política. Cara, eu vou te responder de outra forma, a gente traz uma forma de atuação política para este espaço, isso é o tradicional, seja do parlamento, seja, estou partido, e eu estou falando por mim, mas eu acho, pelo menos o que eu percebo, a gente atua de uma outra forma, é outra coisa completamente diferente. Eu acho que a gente precisa olhar mais pra essa experiência, porque eu atuo aqui, claro que não é um movimento social, sabe? Mas porque tem outra pedada, você está dentro da estudualidade, não tinha um partido, mas as relações, a gente impreme uma outra forma de ser que de fazer a política, é uma outra ética, é algo diferente, eu não sei se são as mulheres negras, e aí ficou muito forte, a política com afeto, não é que a gente é bomzinho, que é dano beijinho, jogando fôr, de as pessoas, não é isso também, não é um idilho na montanha, que eu li a muita que eles livrinhos da banca de jornal, ela é um que era idilho na montanha, não é aquela coisa do romance, idilho na montanha, que a gente briga, fala, "mas você tem aquela coisa, sabe, de estar junto, um convondão, eu até me policia muito, porque mulher preta ter essa coisa de manzona, aí eu falo, essa pessoa não é meu filho, não é minha filha, eu dou bronca, aí eu sou problema, eu preciso fazer ter a pé, porque as pessoas não são meus filhos, tende, e outra coisa, eu esqueço às vezes porque é real, as pessoas têm uma relação com você, de chefeia também, e aí eu falo "im, gente, eu não tenho protocolo nenhum, às vezes acho que eu faço umaonde coisa, então acho que a gente traz uma outra coisa para esse lugar, mas com muito compromisso, com muita ética". com muita relação, a relação que a gente traz com o movimento social dessa dinâmica de constituição coletiva, eu costumo brincar, eu tinha um pastor que ele falava assim, aqui na igreja, passou maravilhoso, falecido, já, ele falava assim, a nossa igreja é maravilhosa, aqui todo mundo trabalha, metade contra, metade já favor, mas não tem ninguém parado, e é muito engraçado, que é errão, mas brincadeiras, então assim, é muito compromisso, seja na atenção, seja na alegria, é muito compromisso, é muito comprometimento e comprometimento com as causas também, né, que cada um é um universo, cada um traz uma pauta, agrega, ajuda a pensar, eu tive muita dificuldade porque, inicialmente, porque eu sou uma pessoa multifacetada, né, eu adoro falar isso, entro com uma professora de antropologia que eu tive falecido, já, clar a mapa, porque no topólogo adora essa palavra multifacetada, aí eu lembro, falei porra, fazer o texto na prova, vou estar multifacetada em tudo, mas é real, se eu tivesse falando da Bíblia, eu diria "multifórnia", e aí eu ia falar da multifórnia, saber do rio, e aí, você tem uma série de trajetórias, uma trajetória só, isso acaba em esse dia, na sua forma de atuação, na produção, eu achava, se muito louca, eu não consigo me ver numa coisa só, então, a gente traz isso também pra esse lugar, é muito rico, acho que a gente, e quando eu falo, a gente fala as mulheres negras, as verdades, trouxeram uma outra dinâmica para a política nacional, e isso é fato, e como fala a mônica francesca é irreversível, é certeza, e que bom, que bom, né, bom, por último, ela fez um tempo, ela, às vezes é um pouco geral, mas também mais reflexiva, quais dos aspectos, você é mais valoriza na sua trajetória até aqui, como fundante de quem você é hoje, da mônica francesca atual, eu acho que eu sou uma grande articuladora, assim, eu falo isso antes, eu não falava isso não, porque eu gosto de, e não é porque, não é uma coisa arrogante, e ela admitida, não é, porque eu gosto de juntar as pessoas, articulata do mundo, juntar, sei lá, e eu acho que eu sou, e tenho uma capacidade de diálogo muito forte, isso marca muito, e isso é parte desse aprendizado do chão da flabela, eu uma capacidade de estratégia, então assim, eu acho que se aprendendo a ser uma pessoa articuladora, assim. Em todos os lugares, isso marca. Mas. e esse processo agregador. E o coletivo, isso é fulmante. Isso que me botou na rua em 88. Isso que me forja na coletividade, na articulação. E não agregar. Eu adoro juntar articular, pessoas. Eu fui botar no meu currículo de articulador, capacidade de articulação, de articular pessoas grupos. Muito obrigado, mãe. Foi incrível a nossa conversa, nossa bate-papos. Agradeço demais, ter topado, sem entrevista. E, se você quiser deixar alguma espalda. É, eu tinha um tio do grande articulador, mas que me tira não. Duas teias, cheio original. [Risos] Eu falo com a minha amiga aqui, de araça. Colégue da Bandata. Mônica, muito obrigado. Você quiser falar alguma extração? Acho que não, sei. Foi uma medida aí. Foi bem. Bom, agradecer também a todo mundo que nos acompanha até agora, né? E nos encontramos em outros episódios. Obrigado. Obrigada, Fabo. Beija, nome, pra ti. Mônica, beijão. Vou mandar depois a carta de sessão lá pra. Pra ela, tá bom? Obrigado. E um excelente fim de dia, você ainda vai ter uma outra live, né? Então, muito obrigado aí pelo seu tempo, tá bom?

Podcast Summary

Key Points:

  1. Mônica Francisco é uma mulher preta, periférica e evangélica progressista, nascida e criada no Morro do Borel (RJ), que se tornou deputada estadual e militante dos direitos humanos.
  2. Sua infância foi marcada por brincadeiras nas ruas e pelo trabalho de sua mãe como lavadeira, o que a expôs desde cedo à luta por moradia e saneamento básico, especialmente após as chuvas de 198
  3. Ela estudou toda a vida em escolas públicas e se formou em Ciências Sociais pela UERJ, destacando a importância da educação pública e da leitura em sua formação.
  4. Mônica atuou em diversos projetos comunitários
  5. Ela trabalhou em programas de urbanização de favelas (Favela-Bairro, PAC, Morar Carioca) e monitorou a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Borel.
  6. Em 2012, organizou o levante “Ocupa Borel” contra a remoção de moradores, que se tornou referência acadêmica e política.
  7. Sua trajetória conecta luta por moradia, segurança pública, direitos das mulheres e comunicação popular, sempre a partir da perspectiva favelada e contra-hegemônica.

Summary:

Mônica Francisco, nascida no Morro do Borel (RJ), compartilha sua trajetória de vida como mulher preta, periférica e evangélica progressista. Sua infância foi marcada por brincadeiras nas ruas e pelo trabalho da mãe como lavadeira, o que a levou a se engajar na luta por moradia e saneamento após as chuvas de 1988. Ela estudou em escolas públicas e formou-se em Ciências Sociais pela UERJ, defendendo o ensino público como pilar de sua formação.

Mônica atuou em rádios comunitárias, associações de mulheres e projetos de economia solidária, como o “Passadeiras Comunitárias”, voltados para geração de trabalho e renda para mulheres periféricas. Trabalhou em programas de urbanização de favelas (Favela-Bairro, PAC, Morar Carioca) e monitorou a implementação das UPPs no Borel. Em 2012, liderou o “Ocupa Borel”, um levante contra remoções que se tornou referência.

Sua militância abrange direitos humanos, segurança pública e comunicação popular. Hoje deputada estadual, Mônica enfatiza a importância de trazer as margens ao centro, conectando sua história à luta coletiva por justiça social e valorização das periferias.

FAQs

O podcast explora trajetórias de vida de grupos sociais historicamente invisibilizados, conectando histórias periféricas e contra-hegemônicas aos aspectos sociais e políticos da sociedade.

Mônica Francisco é uma mulher preta, periférica, evangélica progressista, nascida no Morro do Borel, no Rio de Janeiro. Ela é formada em ciências sociais pela UERJ e militante dos direitos humanos.

Ela cresceu nos becos e vielas do Morro do Borel, brincando na rua, mas também ajudando a mãe, que era lavadeira. Essa vivência a forjou na luta coletiva por direitos.

Em 1988, após as chuvas que causaram perdas e desabamentos no Morro do Borel, ela começou a lutar por moradia adequada e direitos, envolvendo-se na organização comunitária.

Ela estudou toda a vida em escolas públicas, incluindo o pré-vestibular gratuito em uma igreja católica, e se formou em ciências sociais na UERJ, uma universidade pública.

Ela participou da fundação da Associação de Mulheres do Borel e Indiana, do grupo Arteiras da Grande Juca, e de projetos de geração de trabalho e renda para mulheres, como as Passadeiras Comunitárias.

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