Este episódio do podcast "Eu Quero Contar" aborda a violência psicológica contra a mulher, destacando seu caráter muitas vezes invisível e sua tipificação como crime pela Lei Maria da Penha. Através do relato de uma sobrevivente que sofreu controle excessivo, cárcere privado e agressões do pai durante anos, o episódio mostra como esse tipo de violência pode escalar para ameaças à vida. Dados do Atlas da Violência revelam que 81% das agressões contra mulheres ocorrem em suas próprias casas, e 31% dos casos envolvem violências múltiplas. A narrativa enfatiza a importância de identificar sinais como xingamentos, controle de horários e isolamento, que muitas vezes são normalizados. Para apoiar vítimas, é essencial oferecer escuta empática e livre de julgamentos, além de incentivar a denúncia anônima pelo Ligue 180. O podcast reforça que a violência psicológica, embora sutil, deixa marcas profundas e precisa ser combatida com informação, acolhimento e redes de apoio. A iniciativa "Eu Quero Contar" busca dar voz a mulheres corajosas e promover reflexão sobre a urgência de enfrentar a violência de gênero na sociedade.
Aviso de conteúdo e a missão do podcast
Este episódio contém discussões sobre temas sensíveis e que podem ser difíceis para alguns ouvintes.
Caso sinta que agora não seja o momento ideal para escutá lo, saiba que está tudo bem.
Sua saúde emocional é o mais importante.
Estaremos aqui pra quando quiser voltar.
Pessoa 2
Você já parou para pensar em como uma vida pode mudar drasticamente?
Pessoa 3
E se eu te dissesse que por trás de cada situação existem histórias profundas que muitas vezes não conhecemos?
Pessoa 2
Neste podcast, potencializamos vozes de mulheres corajosas que ousaram compartilhar suas vivências.
Junte se a nós para ouvir o relato daquelas que decidiram.
Pessoa 3
Eu quero.
Pessoa 2
Contar.
Pessoa 3
Eu quero contar.
Pessoa 2
Eu quero contar, eu quero contar.
Pessoa 3
Eu quero contar.
Eu quero contar.
Eu quero contar.
Pessoa 2
Eu quero contar.
Eu quero contar.
Eu quero contar.
Eu quero contar.
Fiquei em.
Pessoa 3
Cárcere privado e as minhas saídas, mesmo pro trabalho ou faculdade, tinham um horário e quilometragem do carro controlados.
Pessoa 2
A história que você vai ouvir faz parte dos 462 relatos que chegaram até Júlia toletini pela iniciativa.
Eu quero contar.
São vozes de mulheres de várias partes do Brasil que mostram problemas urgentes e que afetam todas nós.
Meu papel daqui pra frente é te acompanhar em cada reflexão.
Vamos nessa?
Violência psicológica: controle e enquadramento legal
Sofri violência psicológica e física por parte do meu pai.
Dos 15 aos 22 anos, além dos xingamentos, desmoralização, fiquei em cárcere privado.
E as minhas saídas mesmo pro trabalho ou faculdade?
Tinha um horário e quilometragem do carro controlados.
Pessoa 2
Sabe aquele sentimento de estar sendo controlada o tempo todo, como se alguém estivesse te observando?
Durante esse longo período, nossa sobrevivente não tinha permissão de viver as suas escolhas.
Ela vivia apenas as vontades de seu pai.
Esse controle excessivo da vida da mulher é uma das estratégias utilizadas pelos agressores que cometem violência psicológica.
Estamos falando daquele tipo de violência que muitas vezes passa desapercebida.
E que pode ser considerada natural porque ela ocorre num ambiente familiar, dentro da nossa rotina, no nosso trabalho ou até mesmo em nossa casa, assim como descrito nesse relato.
Pra se ter uma ideia, de acordo com asas da violência, 81% dos relatos de agressão feito por mulheres sobreviventes aconteceram nas suas próprias residências, demonstrando o alto nível de insegurança que muitas de nós vivemos em nossos lares.
E é por esse fato que a violência psicológica é considerada crime.
Enquadrada pela lei Maria da Penha também como violência doméstica.
Ela normalmente é praticada por parceiros íntimos, pais, parentes e amigos, e os agressores podem ser punidos com até 2 anos de reclusão.
É difícil ouvintes, mas pessoas próximas e que amamos também podem ser agressores, assim como vimos no início da narrativa.
Por isso, testemunhas, relatórios psicológicos, laudos médicos, arquivos de áudio, prints de conversa e gravações podem ser muito relevantes e são considerados provas.
Essas informações podem ser ferramentas essenciais para que possamos comprovar a violência que estamos vivendo nas nossas relações.
Escalada da violência: como identificar e apoiar
Por 2 vezes o espancamento.
Tinha o objetivo de tirar a minha vida.
Pessoa 2
Sim, eu sei.
Uma frase tão curta que expressa uma dor tão gigantesca.
Quanta angústia poucas palavras podem conter.
Muitas vezes a gente nem imagina que um xingamento que parece inocente vai escalar para algo tão Sério e que pode colocar a vida das mulheres, as nossas vidas, em risco.
Infelizmente, essa também é uma característica da violência psicológica.
Ela pode escalar ou não, mas quando ela escala, a violência física pode ser o próximo passo, causando ainda mais sofrimento.
Ou seja, o que antes não deixava marcas visíveis passou a ser uma ameaça real à vida da nossa sobrevivente.
Uma forma de exemplificar esse cenário no Brasil é que, em 2022, 31% dos casos registrados de agressões contra mulheres pelo Atlas da violência foram de violências múltiplas, o que significa que mais de uma forma de violência foi relatada pelas sobreviventes.
Por isso, o primeiro passo é identificar.
Entender que aquele xingamento diário não pode ser normalizado, que alguém que quer escolher as roupas que você vai vestir e controlar onde você vai, não está sendo cuidadoso ou amoroso, está sendo abusivo e praticando violência psicológica.
E pra quem está próximo?
Se você perceber que uma mulher está passando por esse tipo de violência.
Tente compreender que ela provavelmente não estará confortável em compartilhar toda a sua história e, por isso, será preciso ter, antes de tudo, empatia se interessar de verdade por essa mulher que precisa ser ouvida.
A violência psicológica pode não ser visível, mas o nosso apoio livre de julgamentos deve ser.
Não sabemos como a sobrevivente está no momento atual.
Podemos apenas desejar que ela tenha contrato, segurança num lar em que a sua vida escolha sejam guiadas pelos seus sonhos e vontades.
Podemos desejar que ela tenha saúde e que tenha amigos e familiares com os quais ela possa confiar, que tem encontrado sua rede de apoio e criado relações Fortes e verdadeiras, repletas de amor e respeito.
Conclusão, rede de apoio e créditos do episódio
E lembre se você não está sozinha.
Queridos ouvintes, chegamos ao fim do episódio nos colocando em profunda vontade de acolher a todos e todas que já passaram por algum tipo de abuso ou violência.
Sabemos da urgência em termos mais trabalhos, incentivos, metodologias e pesquisas que nos direcionem pro entendimento profundo sobre as razões dos índices de violência contra a mulher.
Serem tão altos e exponenciais.
Esse podcast é uma tentativa de resposta.
Tá urgência?
Bom, foi ótimo ter você aqui pra ouvir esse relato tão importante e a partir dele, repensar a nossa estrutura de sociedade.
Espero que a gente se veja de novo no próximo episódio.
Até lá, esse podcast é realizado pela iniciativa eu quero contar.
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Arroba eu quero contar.
A lei Maria da Penha prevê 5 tipos de violência contra a mulher, física, sexual, moral, psicológica e patrimonial.
As violências moral e psicológicas são muito sutis, às vezes até silenciosas, caso você saiba de alguém que esteja sofrendo violência no relacionamento, denuncia anonimamente ligando no 180.
Equipe voluntária roteiro, Veronica Elias, Marina Melo e Talita Raíssa.
Análise de conteúdo, Manuela Lessa e Beatriz serrano.
Vozes de Carla Martins e Marina Melo.
Edição, Camila Anselmo.
Direção criativa, Gabriela tiltchevski e Barbara Rodrigues.
Podcast Summary
Key Points:
O episódio aborda a violência psicológica contra a mulher, destacando seu caráter muitas vezes invisível e sua tipificação como crime pela Lei Maria da Penha.
Relatos de sobreviventes mostram que o controle excessivo (horários, quilometragem do carro, cárcere privado) é uma forma comum de violência psicológica, podendo escalar para agressões físicas.
Dados do Atlas da Violência indicam que 81% das agressões ocorrem na residência da vítima, e 31% dos casos envolvem múltiplas formas de violência.
A identificação precoce e o apoio empático, sem julgamentos, são fundamentais para ajudar mulheres em situação de abuso.
O podcast "Eu Quero Contar" busca dar voz a mulheres corajosas e incentivar a denúncia anônima pelo Ligue 180.
Summary:
Este episódio do podcast "Eu Quero Contar" aborda a violência psicológica contra a mulher, destacando seu caráter muitas vezes invisível e sua tipificação como crime pela Lei Maria da Penha. Através do relato de uma sobrevivente que sofreu controle excessivo, cárcere privado e agressões do pai durante anos, o episódio mostra como esse tipo de violência pode escalar para ameaças à vida. Dados do Atlas da Violência revelam que 81% das agressões contra mulheres ocorrem em suas próprias casas, e 31% dos casos envolvem violências múltiplas.
A narrativa enfatiza a importância de identificar sinais como xingamentos, controle de horários e isolamento, que muitas vezes são normalizados. Para apoiar vítimas, é essencial oferecer escuta empática e livre de julgamentos, além de incentivar a denúncia anônima pelo Ligue 180. O podcast reforça que a violência psicológica, embora sutil, deixa marcas profundas e precisa ser combatida com informação, acolhimento e redes de apoio.
A iniciativa "Eu Quero Contar" busca dar voz a mulheres corajosas e promover reflexão sobre a urgência de enfrentar a violência de gênero na sociedade.
FAQs
A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos: violência física, sexual, moral, psicológica e patrimonial. As violências moral e psicológica são descritas como sutis e muitas vezes silenciosas.
Você pode ligar para o Disque 180, que é um canal de denúncia anônima. A denúncia é gratuita e funciona em todo o Brasil.
A iniciativa 'Eu Quero Contar' coletou 462 relatos de mulheres de várias partes do Brasil, servindo como plataforma para dar voz a sobreviventes e expor problemas urgentes que afetam todas as mulheres. O podcast é uma tentativa de resposta à urgência de entender as altas taxas de violência.
Xingamentos diários, controle de roupas e de locais de saída, e imposição de escolhas são sinais de comportamento abusivo, não de cuidado ou amor. Esses atos configuram violência psicológica.
Tenha empatia, interesse-se genuinamente por ela e ofereça apoio livre de julgamentos. É importante compreender que ela pode não se sentir confortável em compartilhar toda a história de imediato.
Não, a violência psicológica pode escalar ou não, mas quando escala, a violência física pode ser o próximo passo, como ocorreu no relato da sobrevivente que sofreu espancamentos. Em 2022, 31% dos casos de agressão contra mulheres no Brasil envolveram violências múltiplas.
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