O capítulo "O Amor Não É Tudo o Que Você Precisa", do livro *Deuses Falsos* de Tim Keller, analisa como o amor romântico se tornou um ídolo na sociedade moderna. Keller argumenta que, ao perder a fé em Deus, as pessoas passaram a buscar no romance e no sexo a transcendência, o significado e a redenção que antes eram encontrados na espiritualidade. Essa idolatria do amor, que ele chama de "romance apocalíptico", transforma o parceiro amoroso em um deus, uma fonte de salvação pessoal. No entanto, nenhum ser humano pode suportar esse peso, levando inevitavelmente à desilusão e à escravidão. A história bíblica de Jacó e suas duas esposas, Lia e Raquel, é usada como ilustração. Jacó, carente de amor e afirmação, deposita toda a sua esperança em Raquel, tornando-se vulnerável ao engano e à exploração. Sua idolatria por Raquel causa décadas de sofrimento familiar, privilegiando seus filhos e destruindo o coração de Lia. Lia, por sua vez, tenta desesperadamente conquistar o amor de Jacó através dos filhos, mas cada nascimento aprofunda sua solidão. Keller conclui que, quando o amor é colocado no centro da vida, ele se torna um deus falso que exige submissão total, distorce a percepção e leva à autodestruição, mostrando que a busca pelo amor como redentor é, na verdade, uma forma de escravidão.
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DEUSES FALSOS DE TIMOTHE KELLER CAPÍTULO II O AMOR NÃO É TUDO O QUE VOCÊ PRECISA A BUSCA PELO AMOR O anseio humano pelo amor verdadeiro sempre foi celebrado em canções e narrativas, mas em nossa cultura contemporânea ele tem sido ampliado em um grau assombroso.
O teatro musical está repleto de canções de um amor feliz e realizado, mas algumas revelam o lado obscuro dessa busca moderna.
Em Being Alive, do musical Company, um homem se apaixona por uma mulher e canta que ela
que só o romance me servirá de apoio para estar vivo, me dará vida.
Esse homem tem de passar de um relacionamento exaustivo para o próximo, pois é o único modo de sentir-se vivo.
Na canção Bewitched, uma mulher reconhece que o homem pelo qual se apaixonou é um idiota e a decepcionará, mas diz, desvairada de novo, Fascinada de novo, sou uma criança novamente com um sorriso bobo a choramingar.
Os cantores dependem demais de se sentirem apaixonados.
Sem algum tipo de relação romântica, mesmo que da espécie errada, a vida lhes parece não ter sentido.
Nos primeiros dias de meu ministério pastoral, conheci uma mulher chamada Sally que tivera a infelicidade de nascer bela.
Já na infância, ela percebia o poder que era capaz de exercer com sua atratividade física.
A princípio, usava a beleza para manipular pessoas, mas no fim, as pessoas a usaram para manipulá-la.
Passou a se sentir-se impotente e invisível. a menos que algum homem estivesse apaixonada por ela.
Não suportava ficar só.
Em consequência disso, dispunha-se a permanecer em relacionamentos com homens abusivos.
Por que suportava esse tratamento?
Ela começou a procurar nos homens o tipo de afirmação e aceitação profundas que só Deus poderia oferecer.
O resultado foi que se tornou escrava do amor.
Hoje em dia, ouvimos alguém dizer, ó, meu chefe é um feitor de escravos.
Mas isso é apenas uma metáfora vaga.
Alguns chefes conseguem dificultar as coisas para você, mas os verdadeiros feitores de escravos desconhecem limites.
São capazes de fazer literalmente qualquer coisa que quiserem com você, surrá-lo, estuprá-lo ou até matá-lo.
De igual modo, Sabemos que algo bom se tornou um Deus falso quando as exigências que impõe a você ultrapassam os limites apropriados.
Fazer do trabalho um ídolo pode significar trabalhar até arruinar a saúde ou infringir as leis a fim de seguir em frente.
Fazer do amor um ídolo pode significar permitir que o ser amado explore e abuse de você ou talvez cause uma terrível cegueira para as patologias no relacionamento.
Uma ligação idolátrica pode levá-lo a quebrar promessas, a racionalizar indescrições, ou atrair outras alianças a fim de se manter agarrado a ela.
Pode motivá-lo a violar todos os limites justos e adequados.
Praticar a idolatria é ser um escravo.
Há um relato na Bíblia que ilustra como a busca do amor pode tornar-se uma forma de escravidão.
Trata-se da história de Jacó e Leia, Lia, em Gênesis vinte e nove. embora muito antiga, nunca foi tão relevante.
Sempre tem sido possível converter o amor romântico e o casamento em um Deus falso, mas a cultura em que vivemos torna ainda mais fácil o erro de transformar o amor em Deus ou de sermos arrastados por esse amor e depositar toda a nossa esperança de felicidade nele.
A promessa do Messias Conforme estudamos no último capítulo, Deus veio até Abraão e prometeu redimir o mundo por meio de sua família, mediante uma linhagem de descendentes.
Portanto, a cada geração, um filho seria escolhido como representante da linhagem para andar com Deus como líder da família e transmitir a fé para a geração seguinte.
Assim, haveria outro filho que daria sequência, e mais outro, até o dia em que um dos descendentes de Abraão seria o próprio Messias.
Abraão gerou Isaac.
Anos mais tarde, a esposa de Isaac, Rebeca, engravidou de gêmeos e Deus falou por meio de uma profecia.
O mais velho servirá ao mais moço.
Significava que o segundo filho gêmeo havia sido escolhido para levar adiante a linhagem messiânica.
Apesar da profecia, o coração de Isaac se inclinava para o filho mais velho, Esaú, preferindo-o ao mais jovem, Jacó.
De modo irônico, esse foi o mesmo erro trágico que Deus havia poupado Abraão de cometer quando o chamara para oferecer seu único filho em sacrifício.
Por causa do favoritismo de Isaac, Esau cresceu orgulhoso, mimado, voluntarioso e impulsivo, ao passo que Jacó cresceu cínico e amargurado.
Chegou a hora de Isaac, já idoso, dar a bênção para o chefe do clã, que em rebeldia à profecia divina, ele pretendia que fosse Esau.
No entanto, Jacó se vestiu como o irmão mais velho, aproximou-se do pai, este quase cego, e recebeu a bênção de Isaac sem levantar suspeitas.
Quando Esau descobriu o que havia acontecido, jurou matar Jacó, que precisou fugir para o deserto a fim de salvar a própria pele.
A vida de Jacó estava em frangalhos.
Ele havia perdido a família e a herança.
Nunca mais veria a mãe e o pai com vida.
Jacó se dirigiu, então, ao outro lado do crescente fértil, onde muitos parentes de sua mãe e de seu pai ainda viviam.
Ali, esperava ao menos sobreviver.
O Anseio de Jacó Jacó fugiu para junto da família da mãe que o acolheu.
Seu tio Labão o contratou como pastor de alguns de seus rebanhos.
Ao perceber que Jacó tinha de fato habilidade como administrador, Labão lhe ofereceu o emprego de administrador.
Trabalharás de graça para mim por ser meu parente?
Diga-me qual será o teu salário?
Perguntou o tio.
A resposta de Jacó foi uma palavra.
Raquel.
Labão tinha duas filhas, o nome da mais velha era Leia e o da mais moça, Raquel.
Leia tinha os olhos sem brilho, ao passo que Raquel era bonita de porte e de rosto.
Porque amava Raquel, Jacó disse, por Raquel, tua filha mais moça, trabalhar em sete anos para ti.
Labão respondeu, é melhor dar a ti do que a outro, fica comigo.
Assim, Jacó trabalhou sete anos por causa de Raquel e estes lhes pareceram poucos dias, pelo muito que a amava.
O texto hebraico diz literalmente que Raquel tinha um corpo magnífico e, ainda por cima, era lindíssima.
Jacó ficou mais do que encantado por ela.
Robert Alter, o grande estudioso de literatura hebraica em Berkeley, Enfatiza os muitos sinais no texto que demonstram o quanto Jacó ficou perdido de amores, dominado por Raquel.
Jacó ofereceu o salário de sete anos por ela, o que, em moeda de época, era preço altíssimo por uma noiva, e estes lhes pareceu poucos dias, pelo muito que a amava.
Então Jacó disse a Labão, dá-me minha mulher, porque o tempo já se completou, quero unir-me a ela.
Alter diz que a frase hebraica é extraordinariamente direta, explícita e sexual para um discurso da antiguidade, geralmente discreto.
Imagine dizer a um pai, mesmo hoje, mal posso esperar para fazer sexo com sua filha, passe ela para mim agora.
O narrador está nos mostrando um homem dominado por um desejo ardente, emocional e sexual, por uma mulher.
Qual era a razão disso?
Jacó tinha uma vida vazia, jamais tivera o amor do pai, havia perdido o amor da mãe querida e, com certeza, não tinha nenhuma ideia do amor e cuidado divinos.
De repente, avistou a mais bela mulher em que já pusera os olhos e deve ter pensado
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Se eu a tiver, finalmente alguma coisa dará certo em minha vida miserável.
Possuí-la, consertaria tudo.
Todos os anseios do seu coração, por sentido e afirmação, se fixaram em Raquel.
Jacó era incomum para o seu tempo.
Historiadores culturais nos contam que, na antiguidade, as pessoas geralmente não se casavam por amor, mas por status.
No entanto, Jacó não seria tão fora do comum hoje.
Ernest Becker, ganhador do prêmio Pulitzer pelo livro The Denial of Death, explicou as diversas maneiras que as pessoas seculares têm lidado com a perda da crença em Deus.
Agora que pensamos estar aqui por acidente, e não por termos sido criados com o propósito, de que modo conferimos um senso de significado em nossa vida?
Um dos modos principais é pelo que Becker chamou de romance apocalíptico.
Voltamos-nos para o sexo e o romance a fim de que nos deem a transcendência e o significado que costumávamos obter da fé em Deus.
Discorrendo sobre o homem secular moderno, ele escreve Ele ainda precisava sentir-se heróico, saber que sua vida tinha importância.
Ainda tinha de unir-se a algum sentido superior que o absorvesse por completo em confiança e gratidão.
Se não tinha mais a Deus, como faria isso?
Uma das principais possibilidades que lhe ocorreu, como observou Otto Henck, Foi a solução romântica.
A autoglorificação de que necessitava em sua natureza mais íntima agora buscava no parceiro amoroso.
O parceiro amoroso se torna o ideal divino em que preencher a vida.
Todas as necessidades espirituais e morais agora passam a se concentrar em um indivíduo.
Em poucas palavras, o objeto do amor é Deus.
O homem estendeu a mão para alcançar um tu quando a concepção de mundo da grande comunidade religiosa supervisionada por um Deus morreu.
No final das contas, o que desejamos ao elevar o parceiro amoroso à posição de Deus?
Redenção.
Nada menos que isso.
Foi exatamente o que Jacó fez.
E como Becker ressalta, é o que milhões de pessoas estão fazendo em nossa cultura.
A música popular e a arte de nossa sociedade nos convidam a continuarmos agindo assim, a satisfazermos todas as necessidades mais profundas de significado e transcendência do nosso coração, como o romance e o amor.
Você é ninguém até que alguém o ame, dizia a canção popular. somos uma cultura inteira que interpretou essas palavras no sentido literal cultivamos a fantasia de que se encontrarmos nosso verdadeiro parceiro de alma tudo o que há de errado conosco será curado mas quando nossas expectativas e esperanças atingem essa dimensão como diz O objeto do amor é Deus.
Amante nenhum, ser humano nenhum, está qualificado para o papel.
Ninguém pode viver à altura disso.
O resultado inevitável é a amarga desilusão.
O poder do amor Alguns dizem que a análise cultural de Becker está ultrapassada.
Vivemos hoje a cultura da conexão virtual, em que os jovens converteram o sexo em algo comum, fortuito e isento de compromisso.
Menos homens e mulheres namoram de fato ou têm namorados e namoradas.
Atendendo ao interesse da igualdade de gênero, as mulheres começaram a dizer, merecemos nos divertir com nossa sexualidade, tanto quanto os homens.
Há uma pressão crescente entre colegas para o envolvimento sexual e sem grande compromisso emocional.
Então, certamente nossa cultura está se distanciando de uma esperança no romance apocalíptico.
No momento em que superarmos nosso puritanismo remanescente, argumenta-se, o sexo não terá grande importância.
Não aposte nisso.
Laura Sessions Stepp, no livro Sem Amarras, descobriu que os encontros casuais deixavam insatisfeitas a maioria das mulheres jovens, embora elas não estivessem dispostas a reconhecer isso perante seus colegas.
E há enorme ênfase que nossa cultura da beleza física e sexual desmente qualquer noção de que o sexo não tem muita importância.
Na década de mil novecentos e quarenta, C.S.
Lewis ouviu de muitos de seus pares na academia britânica que o sexo não passava de um apetite, como o apetite por comida.
A partir do momento que reconhecêssemos esse fato, diziam eles, e começássemos a simplesmente fazer sexo sempre que nos desse vontade, as pessoas parariam de ficar enlouquecidas pelo desejo por amor e sexo.
Lewis duvidou disso e propôs um exercício intelectual.
Imagine que você fosse para um país onde pudesse encher um teatro apenas levando um prato coberto para o palco e, então, bem devagar, erguesse a tampa a fim de permitir que todos vissem, antes do apagar das luzes, que ele continha uma costeleta de carneiro ou um pouco de bacon.
Você não acharia que alguma coisa deu errado nesse país em relação ao apetite por comida?
Um crítico comentou que, se encontrasse um país em que espetáculos de striptease desse tipo envolvendo um prato de comida fossem populares, concluiria que seus habitantes estavam morrendo de fome.
No entanto, Lewis continua em sua argumentação.
Não estamos famintos de sexo.
Há mais disponível do que nunca antes. mas a pornografia, o equivalente aos espetáculos de striptease, é hoje uma indústria de um trilhão de dólares.
Portanto, sexo e amor romântico não são apenas um apetite, como no caso da comida.
São muito mais significativos para nós.
Os biólogos evolucionários explicam que isso é inculcado em nosso cérebro.
Os cristãos explicam que nossa capacidade para o amor romântico origina-se do fato de sermos a imagem de Deus.
Talvez seja possível dizer que as duas coisas são verdadeiras.
De qualquer forma, o amor romântico é um objeto de enorme poder para o coração e a imaginação humanos.
Por isso, consegue dominar excessivamente nossa vida.
Até quem evita por completo o amor romântico, em razão de amargura ou medo, Na verdade, está sendo controlado por seu poder.
Certa vez, conheci um homem que dizia haver se decepcionado tanto com as mulheres que agora só se envolvia em encontros sexuais sem compromisso.
Deixaria de ser manipulado pelo amor, vangloriava-se.
Em resposta, argumentei que, se ele tinha tanto medo do amor a ponto de não poder tê-lo, significava que era tão escravizado por ele quanto se precisasse tê-lo.
Quem não pode tê-lo evitará pessoas que seriam parceiras maravilhosas.
Quem precisa tê-lo escolherá parceiros que não são adequados ou são abusivos.
Se você tem medo demais ou se enamora demais do amor, ele assumiu um poder comparável ao divino, distorcendo suas percepções e vida.
Atrapassa O vazio interior de Jacó o tornara vulnerável à idolatria do amor romântico.
Quando ele se ofereceu para trabalhar sete anos por Raquel, quase quatro vezes mais que o preço comum de uma noiva, o inescrupuloso Labão, percebeu como o sobrinho estava perdido de amor.
Assim, resolveu tirar vantagem da situação.
Quando Jacó perguntou se podia se casar com Raquel, a resposta de Labão foi propositalmente vaga.
Na verdade, em momento algum ele disse, sim, negócio fechado.
Mas, sim, é melhor dar-lhe a ti do que a outro.
Jacó queria um sim como resposta e, E foi o que ouviu.
Mas a resposta não era um sim.
Labão só estava dizendo, acho uma boa ideia você se casar com Raquel.
Sete anos se passaram e Jacó procurou Labão para cobrar, dame minha mulher.
Como de costume, houve uma grande festa de casamento.
No meio da celebração, Labão levou a esposa de Jacó até ele, toda coberta de véus.
Já inebriado pelas festividades, Jacó se deitou com ela e tiveram relações sexuais.
Mas, quando amanheceu, lá estava Leia.
À plena luz do dia, Jacó olhou e viu que a mulher com quem consumara o casamento era Leia, a desinteressante irmã mais velha de Raquel.
Tremendo de ódio, ele procurou Labão e disse,
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Que é isto que me fizeste?
De modo tranquilo, Labão respondeu que Jacó deveria saber ser o costume daquela terra a filha mais velha casar-se antes da mais nova.
Se Jacó se comprometesse em trabalhar mais sete anos, acrescentou, ele ficaria feliz em incluir Raquel como parte do negócio.
Sentindo-se trapaceado e preso em uma cilada, Jacó sujeitou-se a mais sete anos a fim de se casar com Raquel, bem como Leia.
A devastação da idolatria Talvez nos perguntemos como Jacob pode ser tão crédulo, mas seu comportamento foi o de um viciado.
São várias as maneiras em que o amor romântico pode funcionar como uma espécie de droga para nos ajudar a fugir da realidade da vida.
Sally, a linda mulher enredada em relacionamentos abusivos, certa vez me disse, os homens eram meu álcool.
Somente se estivessem nos braços de um deles, eu conseguia encarar a vida e me sentir bem.
Outro exemplo é o homem mais velho que abandona a esposa por uma mulher bem mais nova no esforço desesperado de esconder a realidade de que está envelhecendo.
E existe o rapaz que considera uma mulher desejável apenas até levá-la para a cama algumas vezes, perdendo o interesse em seguida.
Para ele, as mulheres são só uma mercadoria necessária para o ajudar a se sentir desejável e poderoso.
Nossos temores e esterilidade interiores fazem do amor um narcótico, um modo de nos automedicarmos, e viciados sempre fazem escolhas tolas e destrutivas.
Foi o que aconteceu com Jacó.
Raquel não era apenas sua esposa, mas sua salvadora.
Ele a desejava e precisava dela tão profundamente que só ouvia e via o que queria ouvir e ver.
Por isso, tornou-se vulnerável ao engano de Labão.
Mais tarde, a idolatria de Jacó por Raquel produziu décadas de sofrimento em sua família.
Ele adorava e privilegiava os filhos de Raquel em detrimento dos de Leia, destruindo e afligindo o coração de todos, ao mesmo tempo que envenenava o universo familiar.
Temos uma expressão para descrever alguém apaixonado.
Ele adora o chão em que ela pisa.
Como isso pode ser destrutivo quando descreve uma verdade literal?
Vemos como a idolatria devastou a vida de Jacó, mas talvez o maior desastre de todos seja o que ocorreu com Leia.
Ela é a filha mais velha e o narrador só nos dá um detalhe importante a seu respeito.
O texto conta que ela tinha os olhos sem brilho.
Alguns presumem que sua visão era ruim, mas a passagem não diz.
Leia tinha os olhos sem brilho, mas Raquel conseguia enxergar muito bem.
Diz que Leia tinha olhos sem brilho, mas Raquel era linda.
Assim, é provável que sem brilho significasse que ela era vesga ou de má aparência por alguma razão.
A ideia é clara.
Leia era pouco atraente e precisou passar a vida inteira à sombra da irmã, uma mulher absolutamente deslumbrante.
Em consequência, seu pai Labão sabia que homem nenhum jamais se casaria com ela ou ofereceria dinheiro por ela.
Durante anos, ele havia se perguntado como se livraria de Leia para que Raquel, que alcançaria excelente preço, pudesse se casar.
Em Jacó, Labão encontrou a solução de seus problemas financeiros.
Identificou uma oportunidade e tirou o partido dela.
Mas veja o que isso significou para Leia.
A filha a quem o pai não queria era agora a esposa a quem o marido não desejava.
Chacó amava Raquel muito mais do que a Leia.
Ela era a moça que ninguém queria.
Leia tinha, então, um vazio no coração tão grande quanto o existente no coração de Jacó.
E agora, ela começava a reagir ao problema do mesmo jeito que o marido.
Fez com ele o que Jacó fizera com Raquel e Isaac com Esau.
Colocou a esperança do seu coração em conquistar o amor de Jacó.
Os versículos finais da passagem estão entre os mais tristes da Bíblia.
O Senhor viu que Leia era desprezada e tornou-lhe o ventre fértil.
Raquel, porém, era estéreo.
E Leia engravidou e deu à luz um filho a quem deu o nome de Rubem, pois disse, porque o Senhor viu a minha aflição, agora meu marido me amará.
Ela engravidou outra vez e deu à luz um filho e disse, porque o Senhor ouviu que eu era desprezada, deu-me também este e deu-lhe o nome de Simeão.
Engravidou ainda outra vez e deu à luz a um filho e disse, Agora desta vez meu marido se unirá a mim, porque lhe dei três filhos.
Por isso deu-lhe o nome de Levi.
De novo engravidou e deu à luz um filho e disse, Desta vez louvarei o Senhor.
Por isso deu-lhe o nome de Judá.
E parou de ter filhos.
O que ela estava fazendo?
Tentando encontrar a felicidade e uma identidade por meio de valores familiares tradicionais.
Ter filhos, em especial naquela época, era o melhor meio para isso. mas não estava funcionando.
Leia havia apoiado todas as suas esperanças e sonhos no marido.
Se tiver filhos, então meu marido virá a me amar e, enfim, minha vida infeliz será transformada, pensava.
Em vez disso, cada nascimento o empurrou a mais para dentro de um inferno de solidão.
Dia após dia, Leia estava condenada a ver o homem por quem mais anelava nos braços daquela em cuja sombra vivera toda a vida.
Dia após dia, recebia uma nova facada no coração.
DESILUSÃO CÓSMICA Nessa parte da narrativa, muitos leitores contemporâneos se perguntarão onde estão os heróis espirituais nessa história?
A quem devo imitar?
Qual é a moral da história?
O motivo da nossa confusão é que geralmente lemos a Bíblia como uma série de relatos desconexos, cada um com sua moral, explicando como deveríamos viver.
Não é assim que acontece.
Ao contrário, a Bíblia consiste em uma única história revelando-nos como a raça humana chegou à condição atual e como Deus, por meio de Jesus Cristo, veio e virá para consertar tudo.
Em outras palavras, a Bíblia não nos oferece um Deus no topo de uma escada moral dizendo se você se esforçar muito para reunir toda a sua força e viver corretamente, pode ser que consiga.
Em vez disso, a Bíblia repetidas vezes nos mostra pessoas fracas, que não merecem a graça de Deus, não a buscam nem lhe dão valor, mesmo depois de recebê-la.
Se assim é a grande sucessão de acontecimentos históricos em que se encaixa cada narrativa bíblica individual, então, o que aprendemos com essa história?
Aprendemos que a desilusão cósmica predomina ao longo de toda a vida.
Você jamais viverá com sabedoria enquanto não entender esse fato.
Jacó declarou, basta eu conseguir Raquel e tudo ficará bem, e vai para a cama com aquela que pensa ser Raquel, porém o texto hebraico diz, literalmente, pela manhã, pasmem, era Leia.
Um comentarista observou acerca desse versículo.
Temos aqui nossa desilusão em miniatura, vivenciada desde o Éden.
Qual é o significado disso?
Com todo o respeito a essa mulher, de quem temos muito a aprender, significa que não importa em que depositemos nossas esperanças, pela manhã é sempre Leia, nunca Raquel.
Ninguém jamais declarou isso melhor que C.S.
Lewis em Cristianismo Puro e Simples.
A maioria das pessoas, se de fato aprendesse a olhar dentro do próprio coração, saberia que deseja muito e intensamente algo que não se pode ter nesse mundo.
Há todo tipo de coisa neste mundo que se oferece para concedê-lo a você, mas nunca cumpre a promessa.
Os anseios que surgem em nós quando nos apaixonamos pela primeira vez ou pensamos em um país estrangeiro pela primeira vez, ou tratamos de um assunto que nos arrebata pela primeira vez, são anseios que nenhum casamento, nenhuma viagem, nenhum aprendizado consegue satisfazer de verdade.
Não estou me referindo agora ao que comumente se chamaria de férias, profissões ou casamentos mal-sucedidos.
Falo dos melhores possíveis.
Houve algo a quem nos agarramos no primeiro instante do nosso anseio, que logo se desvanece na realidade.
Creio que todos saibam a que me refiro.
A esposa pode ser fantástica, e os hotéis e a vista excelentes, e a química pode render um emprego muito interessante.
Todavia, alguma coisa nos escapa.
Caso se case como fez Jacó, ao apoiar o peso de todos os seus anseios e esperanças mais profundos em cima da pessoa com quem está se casando, você a esmagará com suas expectativas.
Isso distorcerá sua vida e a vida do seu cônjuge de diversas maneiras.
Ninguém, nem mesmo a melhor pessoa do mundo, tem como conceder à sua alma tudo de que ela necessita.
Você pensará que foi para a cama com Raquel e se levantará e será sempre Leia.
Essa decepção, essa desilusão cósmica se faz presente a vida toda, mas nós a sentimos especialmente nas coisas em que mais apoiamos nossas esperanças.
Quando, enfim, se dá conta disso, há quatro coisas que você pode fazer.
Uma delas é culpar tudo o que o decepciona e tentar passar para outras coisas melhores.
Esse é o caminho da idolatria continuada e da dependência espiritual.
A segunda coisa que você pode fazer é culpar-se e martirizar-se dizendo, tenho sido um fracasso por alguma razão.
Vejo todo mundo feliz.
Não sei porquê, mas eu não estou feliz.
Tem alguma coisa errada comigo.
Esse é o caminho da auto-aversão e da vergonha.
Terceiro, é possível que você culpe o mundo.
Talvez você diga, maldito seja todo sexo oposto.
Nesse caso, você se torna duro, cínico e vazio.
Por fim, como disse S.
Lewis, ao término do excelente capítulo sobre a esperança, você pode reorientar completamente o foco de sua vida para Deus.
Lewis conclui, se descubro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo é capaz de satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo, algo sobrenatural e eterno.
As idolatrias masculina e feminina.
Jacó corre atrás do sexo apocalíptico.
Leia, a conservadora, tem filhos e tenta encontrar sua identidade no fato de ser esposa, mas ambos se frustram.
Ernest Becker explica o porquê.
O fracasso do amor romântico como solução para os problemas humanos tem relação com grande parte da frustração do homem moderno.
Nenhuma relação humana suporta o fardo da divindade.
Por mais que idealizemos e idolatremos o parceiro amoroso, é inevitável que ele reflita a decadência e imperfeição terrenas.
Afinal, a que aspiramos ao elevar o parceiro amoroso a essa posição?
Queremos nos livrar de nossos defeitos, de nossos sentimentos de nulidade.
Queremos ser justificados, descobrir que nossa existência não foi vã.
Queremos redenção, nada menos que isso.
É desnecessário dizer que nossos parceiros humanos não podem nos dar essa redenção.
As idolatrias masculinas e femininas estereotipadas no que diz respeito ao amor romântico são becos sem saída.
Costuma-se dizer que homens usam o amor para encontrar sexo e mulheres usam o sexo para encontrar o amor.
Como em todos os estereótipos, há alguma verdade nisso, mas essa história revela que esses dois deuses falsos decepcionam.
A buscar da legitimidade à vida, casando-se com uma mulher fisicamente bela, Jacó entregou o coração a uma mulher para cuja imaturidade e deficiências estava cego.
O falso deus de Leia não era o sexo.
Ela tinha acesso ao corpo do marido, é evidente, mas não ao seu amor e compromisso.
Queria tê-lo apegado a ela, a alma dele colada à sua.
Mas não aconteceu.
Ela ficou restrita a uma vida rasteira e miserável.
Em nossa cultura moderna tem havido uma consciência crescente de que muitas mulheres são vítimas da idolatria do compromisso.
Em uma resenha para o New York Times do filme Ele Não Está Tão Afim de Você, Manola Dargins lamenta que Hollywood continue nos apresentando filmes sobre jovens mulheres em que o desejo feminino parece, em grande parte, reservado a sapatos, sinos de casamento e bebês.
Uma das personagens femininas vai para seu primeiro encontro e depois telefona a uma amiga a fim de lhe contar que ela achava que a noite havia sido ótima.
Nesse meio tempo, o rapaz está em casa, ligando para outra mulher.
A autora está certa em observar que as mulheres que transformaram em ídolo o romance e o grande casamento com o príncipe encantado acabaram escravizadas aos próprios desejos.
Elas aconselham a abandonarem a idolatria amorosa típica e a adotarem a versão masculina.
Mas, como vimos, todas as idolatrias escravizam.
As idolatrias amorosas masculinas viciam os homens em serem independentes, de modo que possam namorar à vontade. sem assumir compromissos.
As idolatrias amorosas femininas, como a resenhista demonstra, tornam-nas viciadas e dependentes, vulneráveis e fáceis de manipular.
As duas são formas de escravidão.
Elas nos cegam para que não sejamos capazes de fazer escolhas de vidas sábias.
As duas distorcem nossa vida.
O que podemos fazer, então?
O grande avanço de Leia Nessa história triste, Leia é a única que passa por algum progresso espiritual, embora isso só ocorra no fim.
Observe-se primeiro o que Deus faz nela.
Uma das coisas que os estudiosos de hebraico notam é que em todas as suas declarações, Leia apela para o Senhor, ou seja, ela o chama pelo nome de Iavé.
O Senhor, Iavé, viu a minha aflição, diz ela no versículo trinta e dois.
Como ela conhecia Iavé?
Elohim era a palavra hebraica genérica para Deus.
Todas as culturas da época tinham alguma ideia geral de Deus ou de deuses, mas Iavé era o nome do Deus que se revelara a Abraão e, mais tarde, a Moisés.
Ele havia prometido a Abraão abençoar a terra por meio de sua descendência.
O único jeito de Leia saber sobre Yavé era se Jacó lhe tivesse contado acerca da promessa dirigida ao avô dele.
Portanto, apesar de seus conflitos e confusão, ainda assim ela buscava um Deus pessoal de graça.
Após anos dando luz a filhos, enfim houve um avanço.
Quando deu à luz a seu quarto filho, Judá, Leia disse, desta vez louvarei o Senhor.
Havia um tom de desafio nessa afirmação.
Ela era diferente das que Leia havia feito depois de outros partos.
Não há menção alguma a marido ou filhos.
Parece que, finalmente, ela tinha removido as esperanças mais profundas do seu coração de sobre o marido e os filhos e as colocado no Senhor.
Jacó e Labão tinham lhe roubado a vida, mas quando Leia entregou o coração para o Senhor, teve a própria vida de volta.
O noivo verdadeiro Não deveríamos olhar apenas para o que Deus fez na vida de Leia.
Temos de olhar também para o que Deus fez por ela.
Talvez ela tivesse uma ideia de que havia algo de especial naquela criança.
Talvez uma intuição de que Deus havia feito algo em seu benefício.
E foi isso mesmo.
Com certeza, o autor de Gênesis sabia disso.
A criança em questão era Judá.
E em Gênesis quarenta e nove, somos informados de que será por meio dele que o rei verdadeiro, o Messias, um dia virá.
Deus havia vindo ao encontro da menina que ninguém queria, a mal amada, e a tornado mãe ancestral de Jesus.
A salvação veio ao mundo não pela bela Raquel, mas pela desprezada, a mal amada.
Deus gosta de tomar partido dos desfavorecidos?
Não.
Esse presente maravilhoso concedido a Leia significou bem mais do que isso.
O texto diz que ao ver que ela não era amada, o Senhor a amou.
Esse é o Deus que salva por graça.
Os deuses das religiões moralistas favorecem os bem-sucedidos e os que superam expectativas, aqueles que sobem a escada moral até o céu.
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Já
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Jesus, O Deus da Bíblia é aquele que desce a este mundo para efetuar uma salvação e concedernos uma graça que jamais obteríamos por nós mesmos.
Ele ama o indesejado, o fraco e o mal amado.
Ele não é apenas um rei e nós, seus súditos.
Não é apenas um pastor e nós, as ovelhas.
É o marido e nós, sua esposa.
Sente-se encantado conosco incluindo aqueles dentre nós que mais ninguém nota.
Eis o poder para vencermos nossas idolatrias.
Muita gente no mundo não encontrou um parceiro romântico e precisa ouvir o Senhor dizer, sou o noivo verdadeiro.
Só existe um par de braços que lhe dará todo o desejo do seu coração e esperará por você no fim dos tempos.
Basta você se voltar para mim e saber que o amo agora.
Todavia, não é somente quem não tem um cônjuge que necessita enxergar em Deus o nosso cônjuge perfeito, mas também quem o tem.
Essas pessoas precisam disso agora. a fim de salvar seu casamento do peso esmagador das próprias expectativas divinas.
Se você casar com alguém esperando que ele seja um Deus, é inevitável que esse alguém o decepcione.
Não que você deva tentar amar menos seu cônjuge, apenas deveria conhecer e amar mais a Deus.
Como conhecer o amor de Deus com tamanha profundidade a ponto de liberar nossos amados e cônjuges das expectativas com que os sufocamos?
Olhando para aquele a quem a vida de Leia aponta.
O homem que ninguém queria.
Quando Deus veio à terra em Jesus Cristo, ele era mesmo o filho de Leia.
Tornou-se o homem que ninguém queria.
Nasceu em uma manjedoura.
Não tinha beleza para que o desejássemos.
Veio para os seus e os seus não o receberam.
E no fim, todos o abandonaram.
Jesus clamou até para seu pai.
Por que me desamparaste?
Por que ele se tornou o filho de Leia?
Por que se tornou o homem que ninguém desejava?
por você e por mim.
Ele tomou sobre si nossos pecados e morreu em nosso lugar.
Se nos comovemos profundamente com a visão do amor dele por nós, nosso coração se afasta de outros pretensos salvadores.
Paramos de tentar nos redimir por meio de atividades e relacionamentos porque já fomos redimidos.
Paramos de tentar transformar pessoas em salvadoras, pois temos um salvador.
A única maneira de despojar o coração de uma antiga afeição é mediante o poder expulsivo de uma nova.
Assim, não basta mostrar ao mundo o espelho de suas imperfeições.
Não basta se apresentar com uma demonstração da natureza desvanecedora de seus prazeres para falar à consciência das loucuras que o mundo traz.
Em vez disso, busque todo o meio legítimo para descobrir o acesso a seu coração pelo amor daquele que é maior que o mundo.
Um dia, Sally me contou que recuperou sua vida.
Encontrou um conselheiro que, de modo acertado, chamou sua atenção para o fato de que ela estava procurando sua identidade, sua salvação, em homens.
Em vez disso, o conselheiro a orientou a dedicar-se a uma profissão e tornar-se economicamente independente como maneira de desenvolver sua autoestima.
A mulher concordou plenamente que precisava alcançar independência financeira, mas rejaçou o conselho de buscar autoestima.
Eu estava sendo aconselhada a desistir de uma idolatria feminina comum e a adotar uma idolatria masculina comum, ela disse.
Mas eu não queria tornar minha autoestima dependente do sucesso profissional mais do que dos homens.
Queria ser livre.
Como isso ocorreu na vida dela?
Sally deparou com Colossenses III, em que Paulo escreve A vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, também vos manifestareis com ele em glória.
Ela percebeu que nem os homens, nem a carreira profissional, nem qualquer outra coisa deveria ser sua vida ou identidade.
O que importava Não era o que os homens pensavam a seu respeito ou o sucesso profissional, mas o que Cristo havia feito por ela e como a amava.
Portanto, quando visse um homem interessado nela, em seu coração, Sally diria em relação a ele, você pode acabar se revelando um excelente sujeito e talvez até meu marido, mas jamais poderá ser minha vida.
Só Cristo é a minha vida.
Quando começou a agir assim, como Leia, ela recuperou a própria vida.
Essa disciplina espiritual lhe deu a capacidade para estabelecer limites e fazer boas escolhas.
E, por fim, para amar um homem pelo que ele é, não apenas para usar os homens com o intuito de sustentar a autoimagem.
Sally havia respondido à pergunta que todos precisamos encarar para viver da forma correta.
A quem posso buscar que seja tão belo para me capacitar a fugir de todos os deuses falsos?
Só existe uma resposta para essa questão, como escreveu o poeta George Herbert olhando para Jesus na cruz.
És meu encanto, minha vida, minha luz, beleza única para mim.
Podcast Summary
Key Points:
A cultura contemporânea eleva o amor romântico a um nível de idolatria, onde ele se torna a fonte principal de significado e identidade.
Tim Keller argumenta que, quando o amor se torna um ídolo, ele exige submissão total e leva à escravidão, permitindo abusos e exploração.
A história de Jacó e Raquel ilustra como a busca desesperada pelo amor pode cegar e levar a decisões destrutivas.
Jacó, carente de amor paterno e divino, projeta em Raquel todas as suas esperanças de redenção, tratando-a como uma salvadora.
O amor romântico, quando idolatrado, funciona como uma droga ou narcótico para escapar da realidade, resultando em escolhas tolas e sofrimento familiar.
Leia, a esposa rejeitada, também sofre com a idolatria ao tentar conquistar o amor de Jacó através dos filhos, sem sucesso.
A passagem bíblica não oferece uma moral simples, mas mostra as consequências devastadoras de se colocar o amor no lugar de Deus.
Summary:
O capítulo "O Amor Não É Tudo o Que Você Precisa", do livro *Deuses Falsos* de Tim Keller, analisa como o amor romântico se tornou um ídolo na sociedade moderna. Keller argumenta que, ao perder a fé em Deus, as pessoas passaram a buscar no romance e no sexo a transcendência, o significado e a redenção que antes eram encontrados na espiritualidade. Essa idolatria do amor, que ele chama de "romance apocalíptico", transforma o parceiro amoroso em um deus, uma fonte de salvação pessoal.
No entanto, nenhum ser humano pode suportar esse peso, levando inevitavelmente à desilusão e à escravidão. A história bíblica de Jacó e suas duas esposas, Lia e Raquel, é usada como ilustração. Jacó, carente de amor e afirmação, deposita toda a sua esperança em Raquel, tornando-se vulnerável ao engano e à exploração.
Sua idolatria por Raquel causa décadas de sofrimento familiar, privilegiando seus filhos e destruindo o coração de Lia. Lia, por sua vez, tenta desesperadamente conquistar o amor de Jacó através dos filhos, mas cada nascimento aprofunda sua solidão. Keller conclui que, quando o amor é colocado no centro da vida, ele se torna um deus falso que exige submissão total, distorce a percepção e leva à autodestruição, mostrando que a busca pelo amor como redentor é, na verdade, uma forma de escravidão.
FAQs
Jacó estava tão obcecado por Raquel que sua idolatria o cegou para os sinais de manipulação. Como um viciado, ele priorizou o desejo de tê-la acima da razão, aceitando o acordo para não perder a chance de casar com ela.
Algo se torna um ídolo quando suas exigências ultrapassam os limites apropriados, levando a violações de saúde, ética ou relacionamentos. No amor, isso inclui suportar abuso ou quebrar promessas para manter a relação.
Leia acreditava que dar filhos a Jacó o faria amá-la, mas cada nascimento aprofundou sua solidão. Isso mostra que tentar preencher o vazio interior com conquistas externas, como maternidade, não substitui o amor genuíno.
O termo, de Ernest Becker, descreve a busca por transcendência e significado no amor romântico, como se o parceiro fosse um deus. Jacó projetou em Raquel toda sua esperança de redenção, esperando que ela consertasse sua vida vazia.
Ele cita C.S. Lewis para argumentar que, se o sexo fosse apenas um apetite básico, não haveria uma indústria pornográfica de trilhões de dólares. Isso mostra que o amor e o sexo continuam sendo fontes de significado profundo, capazes de dominar as pessoas.
Keller dá o exemplo de um homem que evitava o amor por medo de ser manipulado. Isso mostra que tanto a necessidade excessiva quanto o medo extremo do amor indicam que ele se tornou um ídolo, distorcendo percepções e escolhas.
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