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Destaque do Ciência USP #40: Como cães utilizam diferentes tipos de vocalizações para se comunicar?

from Ciência USP - USP

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Destaque do Ciência USP #40: Como cães utilizam diferentes tipos de vocalizações para se comunicar?

O Destaque do Ciência Usbi explora como cães se comunicam com seus donos, baseando-se em um estudo publicado pela Universidade Federal de São Paulo e pela Universidade A. I. Marcele, na França. A pesquisa investiga como os cães, diante de comida inacessível, utilizam sinais visuais e sonoros — como olhares e latidos — para convencer seus donos de que desejam a recompensa. Os resultados indicam que os choramingos ocorrem principalmente quando o cão olha para o dono, sugerindo que esses sons têm função de chamar atenção. A domesticação acelerou o desenvolvimento de habilidades comunicativas, reduzindo a agressividade e aumentando a tolerância social. Embora os cães tenham um vocabulário vocal diverso, com sons que mudam conforme o contexto (brincadeira, agressividade, pedidos), o significado exato desses sons ainda não é totalmente compreendido. A inteligência canina é vista como adaptação ao ambiente, não como um dom de raciocínio complexo. Cães demonstram sensibilidade a gestos, expressões faciais e tom de voz humano, aprendendo palavras e reagindo a modulações emocionais. Entretanto, a área ainda precisa avançar, com foco nas experiências de vida e no temperamento, pois esses fatores moldam significativamente o comportamento comunicativo. O estudo reforça a importância de pesquisas científicas para mudar práticas equivocadas na relação entre humanos e cães.

Transcription

1372 Words, 8564 Characters

Portuguese
[música] Destaque. Duciência usbi. [música] Calma, calma. Eu já tô chegando. Que que você quer ali, neu? [música] Hmm, eu acho que é a sua bolinha tá aqui. Achei, ó. Toma. [música] Ué, não era isso que você queria? Não deixa eu ver. É comida, então. [música] Ah, acho que já sei. Você quer tomar banho? [música] Eu sou o Dennis Pajeko e no Destaque do Ciência Usbi. Nós trouxemos o nosso melhor amigo para o estúdio para falar, entre aspas, sobre os diferentes tipos de vocalização canina. Em um estudo publicado no periódico, a plight, animal behavior science, pesquisadores da Universidade A. I. Marcele, na França e da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Realizaram um estudo sobre como cães utilizam sons diferentes para se comunicar com seus donos. Principalmente quando há conversa, envolve comida. Para explicar melhor como essa pesquisa foi realizada, de que forma ela pode nos ajudar a entender o comportamento canino, o reporter caiu césar Pereira, conversou com a cultura do artigo Carine Savali, professora e coordenadora do laboratório de etologia canina, da Universidade Federal de São Paulo, e doutora aqui pela Instituto de Psicologia da Usbi. Oi Caio! E aí, DNAs e ouvintes? Apesar de ainda não se saber uma data certa, desde que foram domesticados a milhares de anos, os cães estão bem presentes em nossas vidas. Tudo mundo que já deviam cãozinho sabe, como o chamado melhor amigo do homem, pode ser bastante expressivo. Entender melhor como se comunicar com essas expressões e outros comportamentos, foi um dos objetivos de carine. A pesquisa que eu conduzi no meu doutorado, buscou investigar como o cão se comunica com o doutor diante de um alimento que ele quer muito, mas que está inacessível, numa altura inacessível que ele não alcança. E, portanto, ele precisa dar cooperação do doutor para ter acesso a este alimento. Então, nós colocamos os cães nessa situação, diante de um alimento desejável e inacessível, e observamos que sinais comunicativos, ele apresentou em direção ao seu doutor, em direção ao alimento, para entender como funcionava essa dinâmica comunicativa. A verdade é que a relação entre homem e cão é um evento raro e talvez único na história do reino animal, um evento que incluiu adaptação muto entre cães e humanos. A domesticação é um processo evolutivo pelo qual os cães passaram para se tornarem adaptados ao ambiente humano. E há muitas hipóteses e discussões e polêmicas nessa área, sobre o papel da domesticação no comportamento do cão atual. Mas eu acho que podemos dizer que esse processo ele levou especialmente quando comparado com o ancestral do cão, há uma redução da agressividade, um aumento da tolerância social, e especialmente essas habilidades comunicativas que foram aí potencializadas nessa comunicação inter-espécie entre as duas espécies foi potencializada na domesticação. A pesquisa revelou que parte dos comportamentos mais usados pelos cães para pedir comida envolvia olhares, especialmente a alternância entre olhares para o dono e para a própria comida. Apesar dos sinais visuais ter aparecido bastante durante a pesquisa, se constatou que eles também utilizavam vocalizações, os famosos latidos. Mas também observamos que alguns cães utilizaram vocalizações para se comunicar com o tutor. Então essa foi uma das constatações que nós fizemos. Alguns cães também usaram vocalizações e o que o estudo recente publicado, procurou estudar, foi justamente quais as características acústicas dessas vocalizações dos cães nessa situação. Em especial, nós queríamos verificar se havia alguma diferença entre as vocalizações usadas quando esses cães olhavam para o tutor e quando eles olhavam para o alimento. Como você pode imaginar, os tipos de somos que nossos amigos caninos emitem são bastante variados, depende da situação do ambiente e, claro, eles têm diferentes propostos. Seja para pegar uma bolinha, pedir comida ou mesmo fugir do banho, podemos sugerir que eles tenham, digamos, um vocabulário bastante diversificado. Os cães possuem um grande repertório de vocalizações latidos, esses choramíngos, rosnados, os próprios únicos, como você comentou entre outros. E aí, são usados em contextos diferentes. Por exemplo, as vocalizações usadas em um contexto de brincadeira são diferentes daquelas que os cães usam num contexto de agressividade. E nós humanos somos capazes de diferenciar essas vocalizações. Então, para dar uma ideia do tipo de informação que nós usamos para distinguir esses diferentes tipos de vocalizações, são utilizados, por exemplo, parâmetros acústicos que avaliam se o som é mais grave ou mais agudo. O significado exato dessas vocalizações, a ciência ainda não sabe com certeza. O que conseguimos observar a analisar é que tipo de vocalização utilizada e quando a carine explica um pouco melhor. Um base nisso nós podemos até inferir qual o significado, mas não que nós possamos, de fato, saber o exato significado. Nós vimos nessa pesquisa, por exemplo, que os cães usaram as vocalizações do tipo Choramingos. Eles usaram mais quando estavam olhando para o tutor. Então, o que nós sugerimos, né, que essas vocalizações do tipo Choramingos deve ter um significado de chamar a atenção para si, do cão chamar a atenção do tutor para si. Uma questão que deixa as pessoas com uma pouga atrás da orelha quando o assunto é comportamento canino, envolve inteligência. Os filmes séries e outros produtos mediáticos, em geral, muitas vezes nos vêm da imagem de animais super geniales, capaz de tomar destes ones e resolver problemas super complexos. Apesar de serem bastante espertos, devemos tomar cuidado e utilizar o termo inteligência para animais. O que para a gente pode parecer algo inteligente é muitas vezes parte do processo de adaptação desses animais ao ambiente. Inteligência é um conceito mal compreendido e muitas vezes mal aplicado. Envolver múltiplas funções e múltiplas habilidades. O ambiente impõe muitos desafios diferentes. E nos animais, eles precisam conseguir alimento, se proteger, se localizar, no espaço, memorizar, aprender. Então muitas habilidades são necessárias para que um indivíduo tenha sucesso, seja capaz de solucionar problemas que o ambiente impõe. Graças às pesquisas científicas, cada vez mais entendemos esses animais. E isso é essencial para que possamos mudar práticas equivocadas que fazem parte da nossa convivência com eles. Ao longo dos últimos 20 anos, a área de etologia canina avançou bastante. E muitos desses avanços incluam estudos sobre as habilidades comunicativas dos cães, como, por exemplo, como eles são sensíveis aos gestos humanos. Eles seguem nos gestos humanos. Eles percebem a nossa postura corporal. Eles são sensíveis às nossas expressões emocionais. Eles são capazes de nos compreender muito nesse ponto de vista de comunicação não verbal. E também eles são capazes de aprender uma quantidade enorme de palavras quando estimulados de forma correta. Então eles também aprendem um pouco da nossa linguagem verbal. Eles conseguem, por exemplo, discriminar a tonalidade de voz. Eles preferem a fala melódica, aquela que nós usamos, parecida com os anos com bebês humanos, sabe? Apesar disso, a professora reforce que ainda é muita coisa para a gente estudar. O foco da área daqui para frente é entender melhor o processo de aprendizagem e as experiências que os animais passam ao longo de sua vida. Então, muito já se sabe sobre as habilidades comunicativas dos cães, mas, de fato, ainda muito que se estudar e muito que se compreender, especialmente com relação a essa diferença das experiências de vida. E formas de aprendizagem ao longo da vida, como a experiência de vida do cão e os diferentes contextos em que ele pode viver influencia essas habilidades comunicativas. Então, eu vejo muito os estudos se direcionando para esse foco agora, de olhar para a influência das experiências de vida e também do temperamento do cão desse desenvolvimento dessas habilidades comunicativas. O destaque é parte do podcast Ciência Uspi. Toda quenzena, a gente explica uma notícia que entregou o mundo da ciência com ajuda de pesquisadores da Uspi. A composição musical e a edição desse episódio são do André Leite, Mariana Franco, Lívia Pegoraro e Angelica Peixoto, com supervisão do Guilherme Ferentine. A reportagem e a narração são do Caio César Pereira, com produção minha Dennis Paixeco e participação especial do Linel. O Ciência Uspi ou a produção do Jornal da Uspi, você pode nos encontrar na arra de Uspi e na internet no seu aplicativo favorito de Poge Caches. [Música] Destaque do Ciência Uspi.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Estudos mostram que cães usam olhares e vocalizações, como latidos e choramingos, para se comunicar com seus donos, especialmente quando desejam comida inacessível.
  2. O comportamento comunicativo dos cães aumentou pela domesticação, com redução da agressividade e aumento da tolerância social e habilidades de comunicação interespécie.
  3. Cães utilizam vocalizações de tipos distintos dependendo do contexto
  4. A ciência analisa características acústicas, como graveza e agudeza, para identificar diferenças nas vocalizações em situações específicas.
  5. A inteligência canina é melhor entendida como adaptação ao ambiente, não apenas como capacidade de resolução de problemas complexos.
  6. Cães são sensíveis a gestos, posturas e expressões emocionais humanas, demonstrando compreensão de comunicação não verbal.
  7. A aprendizagem linguística dos cães inclui discriminação de tom de voz, preferindo a fala melódica, semelhante à de bebês.
  8. O futuro da etologia canina foca nas experiências de vida e no temperamento, que influenciam diretamente as habilidades comunicativas dos cães.

Summary:

O Destaque do Ciência Usbi explora como cães se comunicam com seus donos, baseando-se em um estudo publicado pela Universidade Federal de São Paulo e pela Universidade A. I. Marcele, na França.

A pesquisa investiga como os cães, diante de comida inacessível, utilizam sinais visuais e sonoros — como olhares e latidos — para convencer seus donos de que desejam a recompensa. Os resultados indicam que os choramingos ocorrem principalmente quando o cão olha para o dono, sugerindo que esses sons têm função de chamar atenção. A domesticação acelerou o desenvolvimento de habilidades comunicativas, reduzindo a agressividade e aumentando a tolerância social.

Embora os cães tenham um vocabulário vocal diverso, com sons que mudam conforme o contexto (brincadeira, agressividade, pedidos), o significado exato desses sons ainda não é totalmente compreendido. A inteligência canina é vista como adaptação ao ambiente, não como um dom de raciocínio complexo. Cães demonstram sensibilidade a gestos, expressões faciais e tom de voz humano, aprendendo palavras e reagindo a modulações emocionais.

Entretanto, a área ainda precisa avançar, com foco nas experiências de vida e no temperamento, pois esses fatores moldam significativamente o comportamento comunicativo. O estudo reforça a importância de pesquisas científicas para mudar práticas equivocadas na relação entre humanos e cães.

FAQs

Os cães usam olhares, especialmente alternando entre o dono e a comida, além de vocalizações como latidos e choramingos para chamar a atenção.

Sim, o estudo observou que os cães usam mais choramingos quando olham para o dono, o que sugere que esses sons têm o intuito de chamar a atenção do dono.

Sim, os cães demonstram sensibilidade a gestos, expressões faciais e tonalidades de voz, indicando uma comunicação eficaz entre cão e dono.

A domesticação reduziu a agressividade dos cães, aumentou a tolerância social e potencializou suas habilidades comunicativas com os humanos.

Não, ainda não se sabe o significado exato, mas pode-se inferir o contexto com base nos padrões acústicos e nas situações em que os sons são usados.

Sim, utilizam diferentes sons como latidos, rosnados e choramingos, dependendo do contexto, como brincadeira ou para pedir comida.

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