O Clube da Novela celebra seu primeiro ano com episódios especiais, lives com jornalistas, descontos e a bolsa Chiquérima para assinantes. No segundo ano, espera-se uma temporada especial com episódios em vídeo e uma masterclass da Marspe Escola, além de brindes exclusivos. A narrativa central foca na história de Mario e sua cobra de boia, que mora no galinheiro com as galinhas. Inicialmente, ele defende uma convivência pacífica, mas o conflito entre ele e a esposa, Inês, surge por medo de risco de leishmaniose transmitida por mosquitos palha. A descoberta de que a cobra está em contato com vetores de doenças transforma a história em uma investigação científica. O grupo de pesquisa do Rodrigo Gurgel identifica a presença de flebotomínios, que podem transmitir doenças graves, levando a uma reflexão sobre a segurança do ambiente. A decisão de retirar a cobra do galinheiro é tomada após a reforma do local e a redução da infestação. A narrativa mostra que o desejo de observar animais selvagens pode gerar apego emocional e questionar práticas de convivência com a natureza. O episódio termina com a reflexão de que o respeito à vida selvagem exige distância, ética e cuidado com os riscos biológicos.
Oi, branca-viana aqui.
E você acredita que já faz um ano que a gente lançou o clube da novela?
Teve muita coisa legal nesse tempo.
Episódios bonos do rádio novela-presenta,
Episódios antecipados do apresenta e de avestruis máste,
Lives com os nossos repórteres, descontos bem bacanas com as nossas marcas parceras,
além, claro, da bolsa Chiquérima da rádio novelo que os assinantes ganham.
Bom, e eu tô passando aqui pra agradecer você que foi a assinante de primeira hora
e fez parte desse primeiro ano com a gente.
E também pra dizer pra você que ainda não assinou que vai ter tudo isso
e muito mais no ano 2 do clube.
Pra começar, a gente tá preparando uma temporada especial do fim da meada
com alguns episódios em vídeo e, como sempre, os assinantes recebem os episódios antes.
Tem também uma máster class que o pessoal do Marspe Escola tá preparando só pra quem é do clube da novela.
E lógico brindes, porque a gente adora brindes.
Quer renovar o plano anual, ganha um caderninho lindo feito só pra gente pelas 15 books,
um lápis e uns adesivos bacanérrimos pra você sair por aí mostrando que curte boas histórias.
E pra quem tá chegando agora, o presente é uma bolsa linda da novela.
É isso, vem ou continua no clube da novela com a gente.
- No rádio. - No rádio.
Bem-vinda, o rádio novela apresenta.
Eu sou a branca viana.
Você conhece aquela frase "As regras foram feitas pra serem quebradas"?
Se a gente pensar nessa frase ao pé da letra, ela não faz sentido nenhum.
É claro que as regras não foram feitas pra serem quebradas.
As regras foram feitas pra serem obedecidas.
Pra ordenar as coisas, pra criar padrão, pra proibir algum comportamento que faz mal pros outros, ou que é perigoso.
Mas claro, a gente sabe que tem regras que já nasce a arbitraria.
Regras que prejudi com algum grupo ou que privilegiam outro.
Ou regras que alguém com um pouco de poder conseguiu imblacar, mas que não fazem sentido pra maioria das pessoas.
E tem também as regras que ficam caducas, que já fizeram sentido em algum momento quando a configuração do mundo era diferente,
e que depois, ela é simplesmente, não precisa mais existir.
Tem regras implícitas que não tá em nenhuma constituição, em nenhum estatuto, em nenhum código,
mas que é quase da ordem do bom senso.
E são tantos os exemplos possíveis que eu nem vou me arriscar aqui, porque eu aposto que você já tá imaginando vários.
Mas mesmo quando a gente tá falando de regras legítimas que tem razão de existir, sempre vai aparecer uma situação que desafia aquela regra.
Essa semana, a gente tem duas histórias de pessoas tentando desafiar as regras do jogo, ou do universo, às vezes até do senso comum.
Quem começa é a Sara Zobel.
O bote de uma de boia foi uma das coisas mais impressionantes que eu já vi na vida.
Acho que foi ali por 2006, 2007, quando eu tava na graduação em biologia.
E teve uma aula que levaru a gente pra observar o processo de alimentação de duas serpentes.
Uma era venenosa, se eu me lembro bem, uma cascavel, e a outra não era.
A outra era uma de boia.
A turma toda entrou numa sala onde tava um dois tanques de vidro grandes, cada um com uma cobra.
As janelas estavam fechadas e algumas das lâmpadas apagadas dando um efeito de meia luz.
Aí, um técnico de laboratório chegou com dois camundongos vivos e colocou um ratinho em cada tanque.
O professor falou pra todo mundo ficar em absoluto silêncio.
Porque se as cobras estivessem qualquer sinal de estresse, elas não iam comer.
Dava pra sentir a tensão, não é?
A cascavel foi rápida.
Ela de cara foi atrás do camundongo e inac! Mordeu.
E aí foi pra um canto do tanque esperar o veneno dela paralisar o bicho.
Já de boia era outra categoria de predador.
Ela se movia como se fosse feita de pedra, muito de vagar.
Ela se aproximava do camundongo milímetro por milímetro de um jeito calculado.
E ele nem parecia perceber que tinha uma cobra ali.
E aí ela chegou bem perto, bem perto mesmo, encarando ele.
E o camundongo continuou com cara de que nem tinha visto a cobra.
Eu prendi a respiração.
E no movimento mais rápido que eu já vi, ela se enrolou nele completamente.
Acho que foi coisa de menos de um segundo.
Pro camundongo foi uma morte rápida.
Pra mim, foi um susto tremendo até engoliuar.
Foi aí que eu entendi que a de boia é tipo uma artista da caça.
Eu nunca vou esquecer aquela cena.
Talvez essa admiração seja um dos motivos pelo qual a história do Mario me chamou a tensão.
No nome é Mario Barroso, eu sou biólogo, eu tenho 57 anos.
Um Mario escreveu pra gente alguns meses atrás.
E essa história que eu mandei pra vocês, ela tá acontecendo hoje.
Que é que é uma de boia morada, uma galinha.
E não, essa não é uma situação metafórica, um lobo entre as ovelhas, algo assim.
Um Mario é esposa dele, a Inés Miranda, são biólogos e moram em Brasília.
E eles têm um sítio que fica logo depois da divisa com goiais.
Mais ou menos uma hora de carro do apartamento deles.
Eles costumam passar alguns dias lá toda semana.
Os dois trabalham com meio ambiente.
E eles acharam legal tentar aplicar no sítio o tipo de coisa que eles viam no trabalho.
Esse sítio, ele é um meio laboratório, laboratório entre aspas, claro.
De vivência, da burocracia, nas necessidades do que você precisa fazer.
Se você for fazer tudo certinho.
Então eles foram atrás de obter todas as autorizações necessárias,
fazer a gestão de água e energia de forma sustentável,
regenerar a mata, tentar aplicar as melhores práticas de plantil.
E até certo ponto, eles conseguiram.
Mas quando chegou a hora do serviço pesado mesmo.
Tudo que a gente tem todo errado.
O próprio criabélia, tentou fazer orca, tentou fazer plantil de coisa.
É tudo de errado.
Nós temos uma dedicação de fim de semana.
Então eu passo a dia no enfrento do computador
e aí achava que eu ia pegar no trator
e fazer o serviço no fim de semana.
O que eu consegui foi uma hernia de cervical,
que eu fiquei na semana de cama.
Mas teve uma coisa que funcionou.
Então a gente, uma coisa que a gente conseguiu fazer
é ter um galinheiro.
Elas põem ovos, são galinhas poederas.
Elas põem os ovos, a gente usa os ovos e elas ficam felizes.
Imagina, livres, elas têm um lugar para dormir.
O galinheiro, onde ela tem comida, tem água, etc.
Mas elas andam por todo o ciclo.
Foi a única atividade.
Então dizem, consistente que a gente conseguiu manter esses anos todos.
E o Mario me contou, como uma certa de boia,
escolheu morar nesse galinheiro.
Ela apareceu meio sorrateram tempo atrás
e foi vista por um funcionário.
E aí, sumiu.
O Mario ficou com medo que alguém pudesse matar
ou se livradas de boia
e pediu para o pessoal do sítio não fazer nada.
E ele, que estava morrendo de vontade de ver a cobra,
ficou esperando ela das caras de novo.
Um dia, essa de boia vai aparecer.
Um dia, essas de boia vai aparecer e apareceu.
Apareceu dentro do galinheiro.
E daí, de um tempo para cá, essa está vendendo
todo dia no galinheiro praticamente.
Exatamente.
Exatamente.
E ela fica perto do comedoro, perto da água, ou ela vai pro perto.
E ficou por lá.
Só que a história que o Mario queria me contar
não era uma história de natureza selvagem, de presa e predador.
Ele escreveu para a gente um conto bonito
sobre o respeito à natureza
e a busca de uma convivência pacífica entre as galinhas,
a de boia e humanos.
No caso, ele mesmo.
O e-mail tinha frases como.
Porque não podemos deixar que um bicho escolhe onde ele quer morar.
Tem uma de boia morando no galinheiro
e ela vai ficar morando lá o tempo que ela quiser.
O Mario explicava que até o momento
nenhuma galinha tinha se ferido.
A de boia e as aves estavam em paz juntas.
E ele tinha decidido não intervindo a situação.
Mais uma parte de mim, talvez uma parte mais calejada pelo mundo,
ficou com a pulga atrás da orelha.
Tipo, como assim a cobra morando no galinheiro
num esquema viva e deixa viver?
Me parece uma questão de tempo
até que alguma coisa desse errado.
Pelo menos para uma ou mais galinhas.
Bom, no mínimo,
eu achei que essa coisa da de boia podia rendeu uma historinha curiosa.
Uma nedota meio engraçada, tipo o inimigo moral lado.
E foi por isso que eu resolvi marcar essa conversa com o Mario.
Eu queria saber onde isso ia dar.
E a gente ainda vai chegar lá.
Mas eu já te adianto que essa história me levou por caminhos que eu não esperava.
E quando você descobriu que ela tava no galinheiro
só a primeira reação não foi lá se vão minhas galinhas.
- Que que você pensou? - Não.
O Mario faz parte de um grupo de WhatsApp de erpetólogos.
Pessoas que estudam répteis.
E o que ele fez foi. E eu já tava entendi pro grupo e falei, "Oh, ela só.
O que que tem aqui no sitio?"
E aí, todo mundo falava.
Ela vai cuidar sua galinha.
Ah, cuidado com os pintinhos e não socar lá, entendeu?
- Está aqui de boa, né? - Mesmo com os alertas dos colegas, o Mario não se preocupou.
A cobra era jovem e relativamente pequena ainda.
Ela tinha um metro e vinte de complemento e o diâmetro de um copo americano.
As galinhas eram adultas e pareciam grandes demais para ela.
Então, ele decidiu deixar a cobra lá e começou a visitar o galinho toda hora para observar ela.
Eu comecei a ver um pouco do comportamento dela.
Então, eu fiz alguns registros dela se alimentando.
E ela se alimenta muito frequentemente dos lagartos que moram no galheiro.
Então, eu tenho fotos dela comendo o que a gente chama de calando.
Ela fica muito temperada, né?
Ela fica mais ativa durante o começo da noite e muitas vezes ela está parada e tem um monte de peninhas em volta dela.
Porque muitas coisas que ela come são os passarinhos que vão comer a ração da galinha.
Essa história de monitorar e fotografar de boia virou meio que um hobby para o Maddie.
Direto, ele mandava no grupo imagens um relato sobre o que a cobra andava fazendo.
Eu não precisa tirar agora, ela está bem lá.
Eu não sei se ela estava lá antes do galheiro, mas a gente chegou lá e construiu o galheiro.
Eu não vou tirar a cobra só para tirar.
Não vou pegar ela e levar para outro lugar só para levar só para ter um lugar livre de cobra.
Sabendo que é uma cobra que não tem veneno, que é uma cobra, que não. A gente que é uma cobra que não vai comer as galinhas.
Ele me contou que um dos critérios para tirar a boia de lá e devolver ela para mata
seria se ela crescer esse apunto de poder comer uma das pobres galinhas.
Quando a gente põe o nome dos bichos, ele não dê tudo, né?
Então as galinhas têm nome.
As boias não têm nome, a gente decidiu que não vai potear o nome, né?
As galinhas são de estimação.
Uma inclusive tem o nome de Inês, que é o mesmo da esposa do Mario.
Ele me falou que é só porque as duas têm personalidades parecidas.
As duas gostam de ficar explorando.
Mas a cobra não é de estimação.
E o Mario fez questão de insistir que a cobra não tinha e não ia ganhar nenhum apelidinho.
E você falou que a cobra vocês decidiram dar nome, por quê?
Ah, porque ela não é um pé.
Ela não é uma imobstinja.
Gente, ela é um bom bicho do mato, né?
É a de boia, precisa dar nome para ela.
Para os outros bichos a gente criar outros tipos de vínculo, né?
A de boia é uma coisa mais do respeito do moto, então, eu não fico pegando-me ela,
não fico tocando ela, mas quando eu vou lá e tira uma foto, eu vou levar assim que eu faço.
E ok, eu entendo que a de boia é selvagem, e que a gente tem que respeitar o lugar desses bichos na natureza.
Mas para ser bem honesta, até esse ponto, eu achei que a história estava indo por um caminho meio previsível.
Foi quando a coisa mudou.
Bom, esse é o lado legal, então, eu tenho onde assim, em diário, em minha convivência com a de boia, ela tá bem.
Esse é a parte legal, interessante, né, bacana.
Mas tem uma parte também que é um conflito que agora eu tenho em casa.
O conflito que ele fala é com a Inês, a Inês humana, a esposa dele, que lembra também a bióloga.
E foi só aí que ele me falou que ela não concorda com ele quando o assunto é a de boia.
Você quer conversar com Inês? Ah, ela tá aí, se ela quiser falar comigo, adoraria.
Ela vai cantar outra história. Nessa hora eu fiquei curiosa.
Será que a de boia no galinheiro era mais do que uma história de suposta harmonia entre espécies tradicionalmente opostas?
Será que um drama familiar estava se desenrolando por trás dessa suposta convivência pacífica entre presa e predador?
Oi, Sarah. Tudo bom? Tudo bem.
Não, então o Mario estava me contando na história da de boia.
E daí ele falou que você tinha todo um outro lado dessa história.
Eu tenho, eu tenho outro lado da história.
Me conta.
Basicamente, a Inês não compra nem um pouco a ideia utópica do Mario de que a de boia possa ficar morando por tempo indeterminado no galinheiro.
Então, só queria que ele pegasse a de boia.
Ele levou para a mata, mas não deixa ali num galinheiro, entendeu?
Ela quer a de boia fora de lá, o quanto antes?
E você tem essa conversa com Mario sempre, porque. Sempre eu brilvo com ele, porque ele adora via de boia lá.
Ele adora ir lá, chegar e olhar e via de boia.
E o que a de boia está fazendo?
Eu bem que pensei que o Mario tinha se apegado a cobra bem mais do que ele tava querendo admitir.
E aí, Inês tinha um motivo mais pessoal pra querer a de boia fora do galinheiro.
Tudo começou quando ela tava na graduação e trabalhava como curadora da coleção de serpente da Universidade de Brasil.
Então, a gente organizou toda a coleção.
Eu sabia todas as cobras que tinham a na coleção.
Porque o meu dever era, como estudante, era o meu estágio.
Eu tinha que tirar todas as cobras, classificar todas as cobras, colocar todo mundo.
Todas as espécies juntas, blah, blah, blah, blah, blah.
No final de semestre, eu sabia todo mundo que tava ali e quem não tava.
Foi quando, numa saída de campo, Inês encontrou uma filódria.
Que é uma cobra verde, um tipo de cobra se pôr.
Eu falei, "Não tenho na coleção".
Ela se empolgou e decidiu levar o espécieme pra coleção.
Só que na hora de pegar, a cobra murdeu a mão dela.
E aí, eu levei uma picada da cobra.
Ela me picou aqui, no dedo.
E aí, eu pensava, "Bom, se eu puxar a cobra, eu vou perder a arcada".
E aí, eu não consigo chegar na espécie.
Sim.
Na hora, Inês ficou mais preocupada com manter os dentes da cobra intactos
pra identificação correta da espécie.
Do que, com o fato de que eles estavam fincados na mão dela.
E aí, ela tomou uma decisão, vamos dizer ruim.
E aí, eu fiquei esperando a cobra acabar de colocar o veneno dela.
Pra não perder a espécie.
E a hora que ela tirou, ela tirou a boca que estava meio torta, assim.
Aí, ela inoculou todo o veneno.
E eu fiquei olhando aquilo, pensei, "Ah, eu vou ter uma reação inflamatória, não vai ser nada".
No final, vai dar tudo certo.
Na época, Inês e muitos outros epetólogos
não classificavam esse tipo de cobra com uma serpente que tinha um veneno considerável.
Uma coisa que mudou logo em seguida.
Depois de um acidente mortal com uma criança.
E aí, o meu dedo foi ficando preto, ficando preto.
Foi ficando bem melhão aqui.
O meu gando começou a enchar.
Aí, eu liguei pro meu professor, que dava venenos animais a flacintão.
Eu fui picada por uma filóderas.
E tá ficando o feio.
Ele nem saiu correndo pro hospital.
A Inês chegou no hospital muitas horas depois da picada.
E lá, não tinha sorro pra essa cobra específica.
Eles queriam dar pra Inês sorro pra picada de Jararaca.
Enfim, eu tive que assinar um termo junto com o meu professor,
que ele falou, "Não, pode assinar o termo.
Você não vai tomar um soro antipotrópico, que você vai passar muito mal".
Mas no fim, peraí, no fim, você não tomou nenhum soro?
Não, no fim, não também nenhum soro.
Passei mal a semana inteira.
Minha mãe disse que eu tinha horas que eu não falava coisa com coisa.
Felizmente, depois de uns dias, a Inês melhorou.
Isso tudo pra contar.
Que aí o meu viral em relação às obras se elevou.
E eu entendi que é preciso ter um. A minha relação com elas é muito mais de respeito.
Você tá aí, eu tô aqui, eu te respeito, você me respeito.
Eu não vou te colocar na coleção.
Porque antes era tudo muito. Sabe, andava com cobra pendurada.
E não, depois desse acidente, eu vi "Ops, eu fui negligente, eu abusei, eu trapecei uma linha".
A Inês passou a ter outra postura quando se trata de bicho selvagens.
O tipo que exige uma admiração, mas também uma certa distância.
E, de novo, a Jibóia não é venenosa.
Mas ela não deixa de ser uma predadora poderosa.
Que pode eventualmente pegar algum animal da fazenda.
Até mesmo um gato, o cachorro.
E também tinha um outro motivo pra Inês que era a Jibóia fora do galinheiro.
Pintinhos.
Algumas das galinhas estavam ficando velhas.
E aí, Nês queria colocar mais pintinhos no galinheiro.
E qual a chance dos pintinhos tarem a salvo da Jibóia?
Nem uma, né.
Então, pra você, a Jibóia no galinheiro, ela não é esse símbolo da convivência pacífica.
Não, ela vai comer as galinhas.
Ela vai comer os pintinhos que eu quero ter.
Ela já tá comendo escalandos lá.
Então, assim, eu não acho que é uma convivência pacífica.
E, pra você, é uma questão do de tempo, até ela pegar um galinho.
Mas, ófio, porque ela vai crescer.
Ela tá lá comendo todos os galandos.
Ela vai crescer.
Então, foi assim que a conversa acabou.
Era meu vêmbro de 2023 e o Mária e Nês iam passar mais tempo no cítio no fim do ano.
E aí, eu fiquei de falar com eles depois que eles voltassem.
Será que o Mária ia convencer a Nês a deixar a cobra lá, seguindo a filosofia de
viva e deixe viver?
Ou será que a Nês ia vencer a batalha e a Jibóia ia voltar pro Mato?
Será que as galinhas iam ficar seguras?
E os pintinhos, essas eram as cenas que eu esperava para o próximo capítulo.
Só que, poucas semanas depois, ainda antes do Natal, eu recebi uma mensagem do Mário
no WhatsApp.
E foi aí que eu percebi que, assim como corpo, sinuoso da Jibóia, essa história tinha
pegado uma curva.
Nesse meio tem.
o Mario continuou fotografando a de Boa.
Na verdade, ele até intensificou as visitas.
Não, imagina, ele não tava pegado, não.
E foi aí que ele viu uma coisa diferente.
Então, você começou a visitar o galinheiro à noite por. Pra ver a de Boa, pra ver está tudo bem, tinha nenhum problema.
Se ela tava se alimentando, se as galinas estavam incomodadas com ela.
Então, tirar as fotografias, que é sempre legal tirar fotografias dos bichos.
E aí, eu vi essa questão dos misquitos.
A de Boa tava coberta de mosquitinhos.
Mas eram muitos, mesmo, em cima do corpo e até da cabeça dela.
Alguns com sangue dentro.
Ele me mostrou as fotos, era impressionante.
E claro, ele também mandou as imagens pra aquele grupo de WhatsApp
onde ele fazia uma espécie de diário das de Boa.
E os erpetólogos do grupo ficaram surpresos.
Porque, segundo eles, não é comum ter registros de mosquitos em serpens.
E aí, eles falaram, "Ah, isso aí é uma coisa ilusitada."
Tenta coletar os mosquitos.
E aí, eu me provisei um aspirador em tomológico.
É um fuma.
Perião.
Um pote de plástico, fiz dois furos.
E aí, ele saiu uma mangueira e você chupa por um tubo.
Faz uma pressão negativa no vidro.
E da mangueirinha vai coletando os mosquitos.
Você cõe uma gase no. Alguma coisa, você não comem mosquitos.
Pra ele não comem mosquitos.
E. Fiz assim, meia hora.
Se você cõe da velha lá no seite, eu fiz um aspirador.
Fui lá na cobra que tava cheio de mosquito.
Aspirei.
Aspirou direto da cobra.
Aspirei direto da cobra, em cima da cola.
Coletem em cima da cola.
E. é muito.
Muito.
E tinha um vidrinho, eu acho que é uma foto.
E aí, depois em 70, isso foi num saldo, num domingo.
E no grupo, um dos biólogos sugeriu.
Mario, você devia mostrar isso para o Rodrigo Gurgel.
O Rodrigo é um pesquisador da Universidade de Brasília
que trabalha com insetos que transmitem doenças tropicais.
Tipo um mosquitos, barbeiros, etc.
Então, o Mario mandou as fotos pra ele.
E a primeira reação do Rodrigo foi.
Meu Deus, que foto bom!
Porque tirou as fotos muito boas, sabe?
Esse aliás é o Rodrigo Gurgel.
E é verdade que as fotos do Mario são muito boas.
Inclusive, tão lá no site da Rádio Novelos, se você quiser dar uma olhada.
Ok, a segunda reação dele foi.
E aí na hora eu logo vi, falei, "Bom, flebotomínio se alimenta de mamífero, de galinha."
Dio, ou seja, mamíferos diários.
Agora, em répteis, é menos comum.
E em Jibóia, muito menos, não existe.
Ninguém escreveu isso pra Jibóia ainda.
O Rodrigo na hora identificou aqueles insetos como algum tipo de flebotomínio.
Que também é chamado de mosquito pália.
Na verdade, os flebotomínios não são bem mosquitos.
Mas eles são bem parecidos pra gente que não é especialista.
Eles são sugadores de sangue e podem transmitir doenças graves.
No Brasil, tem 270 espécies.
É o país com maior de invencidade de flebotomínios do mundo.
E aqui no D.F. tem 35.
E qual a importância deles?
Eles transmitem lechamaniose, são vários tipos de lechamaniose, lechamaniose visceral.
Que aqui mata, tem lechamaniose cultânea, que dão feridas na pele, pode espalhar, pode ser disseminada e tal.
E é muita gente que pega lechamaniose todo ano.
A estimativa é de mais ou menos 1 milhão de pessoas que pega lechamaniose todo ano no mundo todo.
E o Brasil está entre os países, entre os 10 países, com o maior número de casos de lechamaniose.
Ela não tem como ser eliminada e reticada.
Porque sempre vai ter alguma umíprio que o lechamaniose sempre vai ter algum flebotomínio voando por aí.
Então a gente tem que conviver com o lechamaniose e fazer com que ela não vire uma epidemia.
Logo na segunda-feira, o Mario foi cedo no laboratório do Rodrigo com o vidro de mosquitos palha que ele tinha aspirado.
O Rodrigo ficou bem empolgado.
Eu acho legal, porque assim, o que poderia ser uma simples observação se transforma numa pesquisa, se for bem orientado.
Para tentar transformar essa simples observação em pesquisa, o Rodrigo precisava de mais dados.
E para isso, ele precisava de mais flebotomínios.
Então ele mandou o Mario de volta com umas armadilhas para fazer mais capturas.
Na primeira armadilha foram 300 flebotomínios.
E na segunda armadilha, 700 e pouco foram mais de mil flebotomínios capturados em apenas duas noites.
O galinheiro estava mesmo lotado de flebotomínios.
Qualquer especialista chega ali e fala, é um criador de flebotomínio.
Por quê?
Porque o solo sem estar assimitado com muita matéria orgânica, que são as festas da galinha.
E com aquela palha que ele colocou lá tudo misturado, isso favorece um criador para as larvas dos flebotomínios.
E, no caso, o sangue das galinhas também garante o lanche das fêmeas dos mosquitos palha adultos.
E você conseguiu identificar a espécie que o Mario coletou já?
Sim, a gente. isso é fresquinho.
Ele já analisaram uma parte da amosta.
E por enquanto. A gente identificou já uns 20 e todos os 20 eles eram de uma espécie chamado evandromia lente.
Essa espécie, essa evandromia lente, já tinha sido detectada aqui no D.F.
E não é a espécie principal vetora da Lechimaniose, essa notícia boa.
E eles estão continuando a pesquisa para ver se também tem outras espécies na coleta.
Comas que costumam transmitir a Lechimaniose.
Mas o Rodrigo está ainda mais animado com outra possibilidade.
A possibilidade de uma descoberta científica.
Se a gente encontrar o D.A. da G.B.O.A.
Número de estilo de evandromia lente, só aí já é o noto de pesquisa, já é novo para a ciência.
O Rodrigo precisa ter certeza de que os mosquitos palha estavam mesmo picando as de B.O.A.A.
E não só parando para descansar em cima dela depois de se alimentarem do sangue das galinhas.
E ele também quer ver se tem algum parasita nesse sangue.
Se esses filet botomínios estão picando as de B.O.A.A.A.
Será que eles podem transmitir alguma doença específica de serpentes?
Outra novidade. Seja com o parasito fosse.
E com essa mistura de bichos selvagens, bichos domésticos e humanos, todos morando muito próximos.
Ainda existe a possibilidade de um parasita conseguir pular de uma espécie para a outra.
O fato é que conviros esse é muito comum dos vírus pularem de animais para seres humanos, né?
E esse processo pode acontecer também com as flechimanhas e a gente tem que pensar nisso.
Claro, tudo isso ainda é especulação.
Ainda está cedo para saber a resposta para essas perguntas.
E o Rodrigo e os alunos dele ainda vão passar alguns meses fazendo os experimentos
para entender melhor o que estava acontecendo ali.
Mas agora, a história das de boias no galinheiro tinha virado outra coisa.
Não era mais um conto de convivência harmônica entre presa e predador.
E também não era mais um conflito familiar sobre deixar ou não deixar uma cobra morando com as galinhas.
Por acaso, o experimento do Mario de não interferir no local que as de boias colheu
e a fixação dele em documentávida da cobra
transformou o animal em objeto de estudo.
Ela virou uma novidade científica.
Quem sabe o primeiro registro de uma de boia picada por esse tipo de inseto?
Só que a possibilidade da de boia está sendo prejudicada por estar morando no galinheiro?
Por estar possivelmente sendo picada por mosquitos pália?
Quem sabe até exposta alguma doença ou até virando um vetor de doença em potencial?
Tudo isso pesou para o Mario.
E foi aí que ele começou a questionar a posição dele quanto a de boia.
Então, acho que eu estava mais empolgado com essa presença da fala do lado muito próximo.
Acho que tomar mais cuidado e ter menos interação, talvez, não sei.
Tudo no momento de rever um pouco o que eu fiz, de não ter tirado a de boia desde o começo,
e meus sentimentos aí de achar legal, de quase que manter o bicho nessa situação, dar um jeito de que ele ficar-se lá
para eu conseguir ficar olhando e registrando e tirando foto.
Então, esse meio termo, esse meio termo entre estar na natureza, curtir a natureza,
mas entender que ter uma distância que é importante, né, ter uma distância. Não vai para ter uma de boia no galinheiro.
O Mario estava repensando aquele discurso inicial dele,
de que de boias galinhas e humanos poderiam viver em harmonia sob um mesmo teto.
Será que ele chegou a acreditar mesmo naquilo?
Ou será que era na verdade uma desculpa para ele poder continuar habisbiliotando a de boia?
Para ele ter essa satisfação de ver um animal selvagem de pertinho.
E para ficar bem claro, eu não estou julgando o Mario.
Na verdade, eu entendo completamente ele.
Eu também não sei se eu ia resistir ao impulso de entre aspas, domesticar umas de boia.
Inclusive, eu, mesmo de longe, já tinha dado um nome para ela na minha cabeça.
Para mim, era a Jibra.
E depois de ver tantas fotos dela, eu comecei a gostar dela também.
Eu até mandei uma mensagem para ele admitindo a minha fraquisa.
E foi aí que a tal da ilusão da de boia sem nome.
Do bicho selvagem que dava para observar, sem se apegar, caiu totalmente por terra.
E você tinha um papo de que vocês não tinham dado nome para a Jibóia,
mas depois eu descobri que se estinha.
Não.
Eu não chamava ela de Gigi pra ninguém.
Só eu na minha cabeça, que chamava ela de Gigi.
-Sóiter da mente!
-E aí, nem jura que não chamava ela de Gerurim.
Na verdade, aí nem chamava ela de Gertrude.
Para aí, Gertrude, será quem?
Gertrude será a cobra do galinheiro.
É, porque eu chamava a gente não podia dar nome, né?
Porque quando você dá nome, você pega o bicho.
Então, a gente combinou que a gente não ia dar nome.
Mas eu tinha o meu nome, eu chamava ela de Gertrude.
Eu sabia que era balé, ela é essa história da cobra, não tem nome.
Então, até a Inês, que queria desde o começo devolver a de boia para a mata,
também tinha se apegado a bichinha.
A Gertrude, ou a Gigi, ou a Giba, enfim.
O que ficou claro para o Mario pra Inês
é que eles não podiam deixar aquela situação ficar daquele jeito.
Então o que eu fiz foi eu tomei uma decisão de reformar o galinheiro.
Eles decidiram colocar um piso de concreto para poder limpar melhor o galinheiro
e acabar com a infestação dos mosquitos páreas.
E nessa, a de boia ia ter que voltar para a mata.
Inclusive, no dia que ele foi tirar a de boia,
ele mandou para mim um vídeo que mostrava onde ela estava no galinheiro.
Esses daqui são os linhos da galinha.
E ela estava embaixo da palha de um ninho.
A galinha é praticamente sentada na cobra junto com os ovinhos dela.
É interessante aqui dessa vez.
Tem alguém escondido embaixo do linho.
Ela está aqui.
Imagina o que é fugindo dos mosquitos.
Até deu um quentinho do coração de ver a galinha as de boias juntas
em harmonia pela última vez.
E aí ele pegou a Gigi, Giba, Gertrude,
e levou ela para a mata, para longe do galinheiro.
Desde então, eles já fizeram outra coleta de mosquitos páreas
e a reforma parece ter resolvido a infestação.
E ainda ainda não colocou os pintinhos que ela queria colocar no galinheiro.
Mas quem sabe em breve?
E eu achei que a história ia acabar por aqui.
Mas. Depois da reforma do galinheiro, a Gertrude foi em bola.
Em belo dia, eu to tomando banho, arólico, arólico.
Pra cima, eu tenho uma barriga.
Assim, eu parei.
Era outra de boia.
Dessa vez, uma grandona, bem maior do que a Gertrude.
Mas essa do boia não tem nome, hein?
Não.
Vai ficar assim, será?
Mas o Mario já colocou uma armadilha fotográfica nela
pra não deixar passar nenhum momento.
Mas ela tá com a câmera trep, lá.
Tá.
Depois quero ver as fotos.
E a Inês?
Bom, a Inês, será que essa não tem nome já também?
Não sei, né?
Você não deu ainda, deu.
A Inês só balançou a cabeça que sim.
Qual que é o nome, Inês?
Não vai contar?
[Música]
Essa história foi produzida pela Sara Zalbell aos 45
do segundo tempo antes de sair de licença maternidade.
A filha dela chegou essa semana, seja muito bem-vinda.
Daqui há um tempo, a Sara volta ao apresenta.
E fica aqui uma recomendação geral.
Se você encontrar um animal silvestre na sua casa,
não tenta resolver o problema pra conta própria.
A melhor coisa a fazer sempre é acionar o órgão público
responsável da sua região.
Essa regra daí não foi feita pra ser quebrada não.
Você já ouviu falar do camparejador?
É aquele que tá nas séries policiais.
Entre os cachorros, ele é o que tem um dos melhores faros.
Parece que o Cão de Santo Humberto, arraça dele,
caso você tem interesse, só tá seguindo uma pista.
Mas na verdade, ele está reconstruindo toda a história,
quem fez o quê, onde, quando, e como.
Se o Cão de Santo Humberto já não fosse um camparejador,
poderia ser um ótimo reporter da revista Piauí.
Revista Piauí, 20 anos de farofiado.
Esse podcast é um oferecimento da Wise,
o jeito certo de pagar no mundo todo.
Quando você viaja pro exterior,
ou tá se preparando por uma viagem inesquecível,
sempre chega aquele momento.
A hora de converter os gastos pra moeda local.
E sabe qual é o erro mais comum?
Viajar pagando com cartão de crédito.
Na hora pode não parecer nada,
mas o custo da conversão pode assustar quando a fatura chegar.
A solução viajar com cartão da Wise.
Com ele, você pode pagar em mais de 40 moedas com a taxa de câmbio comercial.
A mesma que você vê no Google.
Você pode converter e manter o dinheiro na conta já na moeda
que vai usar no destino.
Depois é só pagar, sem se preocupar com cotação ou tarifas.
Ah, e você também pode sacar dinheiro em mais de 3 milhões de caixas eletrônicos no mundo todo.
Faça parte das mais de 15 milhões de pessoas
que pagam globalmente do jeito certo.
Quem sabe, vai de oiz?
Baixo o app da Wise hoje, termos e condições se aplicam.
No segundo ato, a barba de rubira traz uma história de um universo de regras bem diferente.
Sai o sitio, saem as galinhas, as de boias e os mosquitos e entra.
Bom, deixa que a barba de rubira te conta.
Toda semana, parece no meu celular aquela notificação
sobre o meu tempo de uso do aparelho, sabe?
Aparece para você também.
Se o tempo de uso nos últimos 7 dias, foi de uma média de x horas.
Claro que não vou espou um número que aparece aqui pra mim.
Mas, toda vez que eu recebo essa notificação, eu quase caiu pra trás.
E eu tenho certeza que eu não sou única.
A função dele de ligações, inicialmente, era pra isso pra gente fazer ligações pro outro.
Eu não uso, eu fico em pânico, não é sem uma ligação.
Mas, enquanto a partir da uso, ele pra tudo na minha vida.
É uma dependência gigantesca, né?
Esse é o Rafael.
Eu sou o Rafael novenuto, tenho 39 anos e sou de São Paulo.
O Rafael, assim como eu, assim como você também, eu imagino,
tem uma dependência gigantesca do celular.
Hoje em dia, ele trabalha com redes sociais.
E aí, não tem jeito mesmo. Tem que estar conectado o tempo toda.
Mas mesmo no resto do tempo, e mesmo antes de trabalhar com isso,
ele já tinha um certo fascínio pelo aparelho.
Esse foi meio que um site, porque nisso desgatei a minha história com celulares.
E o quanto desse JT1, numa época que não era tão presente, assim na sociedade, né?
Eu já devia ter, mas era muito caro.
Eu lembro que tinha algumas pessoas que rejeitava a ideia de ter um celular,
achavam que poderia ser uma moda passageiro, quase ninguém tinha assim, né?
Essa época longínqua, mesosóica, em que o Rafael era adolescente,
é o cenário da história que eu vou te contar hoje.
A gente tá falando de maera de caostas de a cintura baixa, de cabelo espetado,
de prisilinhas de borboleta, de estrasse, em absolutamente tudo,
de Britney and Justin de lookdings combinando no VMA, de Renete de escada.
Eu tô falando do começo dos anos 2000.
E eu vi as pessoas lá no celulares de Joaquinha, assim,
tudo mais, achavam maravilhoso, né?
Olha que besteiro, hoje em dia, tem um jogo super elaborado, assim, né?
Daquela época eu vi o jogo da cobrinha, né?
A dependendo da cidade, eu aposto que você também te inveja daquele seu amigo
que andava por aí ostentando um celular noque,
que trocava de rington e como que troca de roupa,
que ficava jogando cobrinha na mesa do bar,
só pra fazer inveja em todo mundo.
A Lina, virada do Millenho, o Rafael tinha um sonho.
Eu tinha um trabalho simples, era caixa de mercado, né?
Eu tava eva numa estra, então o salário era bem baixo.
Então, eu tinha modições de ter um celular mesmo, né?
Era 2003.
O Rafael tava com um 18 pra 19 anos.
Quando ele não tava no caixa do mercado,
ele tocava numa banda de roque e tinha também uma rádio pirata.
E que nem boa parte dos jovens daquela época,
ele era telaspectador acido da MTV.
Assim, eu gostava mais dos pregulhos alternativos, né?
Então, eu gostava muito de ver o lado B,
que mais para que eu foi apresentado pelo formo massário,
depois que eu tava aqui de vinho.
Esse é o lado bem voltando e estamos sendo embalados
por Primo Scream, né, só?
Aí começou a entrar algumas coisas que também viraram meio moda, né?
Pra que era o pior de slipes do mundo,
o resultado do Marcos Mion.
Jago, jago, parque.
O que ele fala aí, fala aí, fala.
Pessoal, eu lá pedi desse clipe, é melhor, cara.
Ah, o início do Hermes Renato, né?
Eles eram oídros, a gente ficava repetindo os bordões dele.
Nossa, gente, nossa, hein?
Eu gravava vídeos VHS com os clips,
e daí não tinha YouTube, então a gente se reunia
e ficou vendo os programas gravados em fita VHS da MTV.
Era nosso YouTube da época.
A MTV Brasil estreou em outubro de 1990.
Mas foi ali, entre o fim da década de 1990
e o começo dos anos 2000, que o canal viveu o auge.
Agrade de programação não pareci nada
com os outros canais abertos da época.
Era um cenário de baixosamento,
mas com bestética e cônica
e uma energia meio de calz controlado
em toda a programação.
O sonho de todos os jovens colados
que tinha sinal de MTV em casa era CVJ.
Realmente tem uma contação muito especial de vindo na minha vida.
Mas tinha um programa de sessão.
um processo que o Rafael assistia meio no sigilo.
"Está no armazô, fica comigo!"
O programa que tenta unir casais.
"Eu fico comigo, a gente assistia, mas era meio vergonho de falar, né?"
"Quero acresar, muito trusco, né?"
"Eu quero ir engraçado mesmo, assim."
O "Fica comigo" era um programa de namoro.
E foi apresentado pela Fernanda Lima de 2000 a 2003.
Aqui você pode encontrar sua companhia, sua alma, gêmea.
Muitas vezes não tem nada a ver, não dá certo, mas a gente tenta.
E tem alguns casais que estão juntos até hoje pra mais de ano, já.
Então você até a madrinha de casamento daqui uns dias.
O formato era razovelmente simples.
Cada episódio tinha um querido ou uma querida,
que era o jovem solteiro cobiçado da vez.
Essa pessoa ficava escondidinha no aparte separado do estúdio.
Enquanto isso, a Fernanda Lima recebia, no palco principal, alguns pretendentes,
que eram pessoas que tinham se escrito no programa interessados no perfil do querido ou da querida.
Aí daquele puxadinho escondido no estúdio, o querido conseguiu ouvir tudo.
E conseguia também interagir com a apresentadora e com os pretendentes,
mas ele não conseguia ver nenhum deles.
Aí o programa ia fazendo várias dinâmicas, testando a lábia
e a compatibilidade dos pretendentes com o querido.
E afinal, de cada uma dessas dinâmicas, iam rolando eliminações.
Até sobre a só um escolhido.
Mas uma coisa que me achou uma atenção principalmente em o programa,
era que tinha pra todos os participantes.
Não era só pra que vencia, né?
O fato de você participar, você ganhou.
Era o Kit-Bah, que era o Kit-Datin.
O "Bla" era uma espécie de chart, né?
Uma sala de batipapo que a Tinha criou.
Na era mesozóica do início dos anos 2000, não tinha o WhatsApp, não tinha Tinder,
mas tinha salas de batipapo.
Então eles presentavam com esse Kit, né?
Que vinha o celular, vinha. A não lembra o que vinha de complemento?
Kit-Bah, como presente de participação,
aqui dentro tem um telefone.
Ele já faz parte da galera a blá.
O apelido deles está na sua tela, você pode mandar uma mensagem.
Pelas gravações da época, é difícil ver mesmo
o que tinha de complemento no tal Kit-Bah.
Era uma mochilinha com várias coisas dentro.
O celular e uns outros brindes.
Mas sim, o celular. Meu Deus, não o celular.
Eu acho que a gente queria ter. Você tem tal celular, né?
A gente é tudo ferrado, não tinha grana, não tinha nada, né?
Aí eu falei, "Meu Deus, eu sei o que eu faço, eu sei o besteiro, né?"
A gente tem que estar participado.
Lembra que era a internet descada, né?
A gente não tinha grana pra ter uma banda larga.
Então era depois da minha noite, é bem madrugador.
Isso é nada, a gente tá molhada lá no site nem que vir.
Aí você entrava e tinha um catálogo das pessoas
que se candidataram pra ser o Kit-Bah.
Eles acham uma tequilhida ou a tequilhida, né?
Aí tinha que se ver uma história sobre você, etc.
Eu não lembro mesmo do Kit-Bah.
Já que se vendei, senti seu mês.
Você tinha que se vendei?
Naquela madrugada, o Rafael escolheu uma das queridas
que apareciam no site da MTV,
fez o possível pra se vender como um bom partido
e se inscreveu pra participar do programa.
Tudo isso não impulso, sem contar pra ninguém.
Eu tava conhecendo, mas falei, "Cara, eu vou tentar."
Eu quero ver o que vai relar aqui no celular, olha.
Bom, e o que rolou foi que. Eu falei com uma coisa lá que convenceu pelo visto, né?
Porque dias depois, recebam o telefonema, né?
Fala, "Felas, você foi aprovado.
De gostou do seu perfil."
Aí. Fiquei de dar o retorno na ligação.
E agora era da verdade.
Só que tinha um porém.
Então, namorava.
Justa esse era o problema, né?
O Rafael tinha namorado.
Ele não se inscreveu, não fica comigo atrás de romance.
Ele tava de olho mesmo, era no jabado pra assinador.
Pelo menos foi isso que ele me disse
quando ele me contou essa história 20 anos depois.
E eu acreditei.
Mas naquela época, não era a mim que ele tinha que convencer.
Eu tenho uma namorada.
Eu vou participar do programa.
O que eu faço?
Minha namorada chama "Vovira", né?
A gente tinha que ir um namoro nascer dos meus 15, 16 anos. Lembrando que nessa época, o Rafael tinha 18.
Então, ele ouvira namorável até que há bastante tempo, né?
Pra os parâmetros de um namoro adolescente.
E não é como se ele pudesse só dar um megué
e não falar nada pra ela, né?
Tipo, ele ia parecer na TV.
Falei.
Eu virava em casa.
Escolto uma coisa, né?
Eu vira também era telespectador acido da MTV
e também assistiu, fica comigo.
Mas claro que ela nunca tinha imaginado ver o próprio namorado
no palco da Frenada da Lima.
Como assim? Como assim?
É fazer.
Mas eu queria vencer no ar.
Estava ligado com que te plaça, né?
Ela ficou boa, falando. Sério.
Mas a gente começou a risar da gestação.
Ela falou, "Tá bom, eu vou aceitar, cara, mas. "
"Mana, se você não fizer passar vergonha, que já vai passar vergonha, né?"
"Tudo não sabia que a gente namorava."
"Mas, você sempre fez uma casal vergonha de traição, mano, você tá ferrado comigo, cara."
Bom, eu achei justíssima a reivindicação de não ser corna em rede nacional.
O Rafael também achou.
Então, ele ligou de volta pra MTV
e confirmou a participação dele no programa.
A produção passou pra ele todas as informações de data e de horário
e disse que ele podia levar dois acompanhantes.
"Esse pode levar duas pessoas, tá? Falei a legal."
"É, foi assim, aí, foi junto?"
"O lógico. Eu vou ter que ir junto."
A Elvira, anamorado do Rafael
e acompanha a gravação do programa "Alvivo, direto da plateia."
Aí, quando Rafael passou os nomes dos acompanhantes pra produção,
ele não falou da relação entre eles, claro.
E junto que Elvira é também uma amiga do casal pra dar uma apoio moral.
"É, eu já comecei a divulgar, a gente me perguntava, "Pô, mas eu via, eu falei, não, tudo certo."
A Elvira vai junto, a gente negociou e não tem problema.
"Tava tudo certo que eu vira, mas o Rafael precisava de uma estratégia."
"Porque ele tava indo num programa de namoro, mas não era pra arrumar um namoro."
Aliás, o objetivo ali era conseguir num programa de namoro
sem acabar com o namoro que ele já tinha.
"Então, eu já copinei com ela. Fala com a Elvira. Pode deixar que meu."
"Eu vou fazer o. "
"Todo as decisões inversas. Tudo o que é fraciar?"
"Cê gosta disso?"
"Ah, né, eu não gosto."
"Eu fui o caminho de ser o cara chato, né?"
No dia da gravação, o Rafael foi sozinho.
Eles outros participantes tinham que chegar um pouco mais cedo, pra passar Ali, pelo Stalin,
pra conhecer a equipe do programa.
"A gente fica em uma salinha. Aí tava num camarinha com essas outras pessoas, né, tudo bom assim hoje."
A Elvira e a amiga íam só depois, com o nome na Alissa de acompanhantes na portaria.
Mas ali pra dentro, era como se eles não se conhecerem.
"Eu sou uma pessoa em tímida, tava muito nervoso, muito nervoso mesmo."
Mas esse encontro com os outros concorrentes, e a Fernanda Lima, que ela entrou no camarim,
e fez se apresentar, ela foi super simpática, ela é maravilhosa.
Então que projelo, deu uma livre assim.
"Eu tava muito nervoso, né, só deu uma baixa de bola, deu uma relaxada."
"Libar, tá com fica comigo, programa mais romântico da televisão brasileira."
"Vamos tomar a nossa querida de hoje. O nome dela é Vivian. Ela tem 20 anos. Vem pra cá, Vivian."
"A Vivian era querida da vez."
E o Rafael era um de quatro pretendentes que estavam lá, teoricamente, pra tentar conquistar o coração dela.
"E ela se apresenta. Depois a chamando um um, eles o revelam a ordem, né?"
O Rafael foi o penúltimo entrar no palco. O terceiro, entre os quatro pretendentes.
"E se vou chamar o próximo interessado na Vivian, ele tem 18 anos, o nome dele, Rafael, também pode entrar a Rafael."
"Já tinha tido um cara chamado Rafael, entre os dois primeiros pretendentes que entraram."
"Oi?"
"Tudo bom?"
"Bem, trumem."
"Satímido?"
"Não, é muito, não."
"Não muito, vai tendo troco assim, como uma bolsa."
"Não, é só um modo, só, assim, porém."
"É porque esse começo não é complicado, né?"
"É, é muito público assim, é muito caral."
"Tou bom, né, ó?"
"Valem de olhar, por favor, todos os olhos para o lado."
"Faz quando ele não tá aqui, vai poder conversar com ele um pouco."
"Eu tava muito nervoso."
"E esse nervosismo durante o programa foi, os primeiros tendo uma maneira muito forte."
"Por que eu ficava com um jeito. É muito verguloso, fica assim, ó."
"Fazer umas caras de tido e um, assim."
"Vive, é um seguinte, como dois Rafael's? Vamos, Rafael?"
"Um, uma vou chamar de Rafael, tu vou botar um apelido, pode?"
"Mandês."
"Topete?"
"Topete?"
"Eu pode ser, não, beleza."
"Topete?"
"Não, é muito legal."
"Ele tem um topete, ou tu prefere algum outro?"
"Não, eu gosto de ser do topete."
"Topete?"
"Eu usava um topete com o cheio, eu vivia com o gel."
"Era 24 horas da não gel."
"Eu fazia um memo de topete, assim, espetado, sabe."
"Levava o meu tempo, eu seria iluque."
"Pu, tá, levei um pouquinho."
"Ele me cagou de manhã, acordava e compra um pão e passava o gel."
"Topete, então pode ser um topete?"
"O Rafael, ou melhor, o topete, tava claramente nervoso."
"Mas que é médio ali."
"Eu não sei por que é raio, eu já disse, mas eu já falei como só plateia."
"E tudo que eu falava, eu me atimidei, aquela era gostava, então."
"Ele não tem celular, ele não tem desinvoltura em frente às câmeras,
ele não tem interesse na querida, mas ele tem o povo."
"Vamos começar aqui o jogo da verdade com os quase interessados preparados."
E aí, o Rafael tinha que andar naquela corda da bamba.
Triblar o nervosismo e convencer a querida de que eles não eram um bom match
sem parecer um babaca completo.
A estratégia que ele bolou foi tentar mostrar para a Vivian
que eles não tinham nada em comum.
"Ah, ela gosta disso?"
"Então eu não gosto."
"Poxa, que pena."
"Rafa é o topete."
"Tu tatuaria o nome da Vivian?"
"Tu tatuaria?"
"Nosque chato tem um orbedo de agulha."
"Ah, não comigo não, agulha."
Já vivem uma doira tatuagem.
É.
Mano, eu sou completamente chute tatuagem.
Fala aí, Rafael, o nome de uma banda que tu não gosta.
Que eu não gosto?
Não gosto de chalebrão de CPM, de detonar outras imensias.
Não gosta.
Não adi nada atual.
Tu gosta, vida.
Puta, meu gosto.
E aí, se a Vivian te convidasse para ele no show dessas bandas que ela gosta, tu iria com ela?
Que se pagasse para mim?
Se pagasse?
Se pagasse.
Se pagasse.
Então, ele não iria no show contigo, tá?
Tudo bem?
Ela ficou meio tristeinha, né?
Só para deixar registrado.
Eu, uma baita, foi de Charlie Brown Junior, tô com a Vivian nessa.
Mas eu realmente não era muito famoso.
Mas deixa eu perguntar. Que banda ser mais curte assim, have?
É curto, Elvis.
Porra?
Elvis, eu rei.
Opa, eu gosto das bandas que já passaram, que deixo ficar. Não, eu gostaria de ter o quino dele, mas não é mais espetadinho, assim, mais bobinho.
É o dele mais só na frente.
Ah, eu tivesse o quino dele, pude sucesso.
Lembrando que a Vivian estava em outra parte do estúdio.
Então ela não conseguia ver o tal topete.
Que não, não parecia nada com a cabelaira do Elvis.
Estava mais para a integrante do NSYNC.
Mas a plateia estava vendo o topete.
E estava gostando.
Topete, estou a ver.
Topete agora vou chamar de Elvis.
Toma, topete, Elvis.
Toma.
Só que o música que eu estou com a Vivian?
Ou Elvis está muito aplaudida, hein?
Ou seja, mesmo falando das coisas que. Para ser contraditória, para ser o oposto dela. Eu fazia de um jeito que as pessoas começam a dar risada, gostar, e tudo mais.
O auge da popularidade do Rafael, com a plateia, foi uma hora em que ele cantou um trechinho de uma música do Elvis.
Alves, a pedido da Fernanda Linha.
C-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c-c
[música]
E talvez por isso, mesmo com as respostas todas erradas,
o Rafael foi passando de fase no programa.
Chegava a hora de eliminar um participante e ele ficava.
Sucesso total para qualquer pretendente que realmente
tivesse lá pelo motio do programa, né?
Mas não para o Rafael.
Porque no meio de toda a plateia vibrando com a performance dele,
tinha uma pessoa que não estava gostando nada dessa história.
Aí o video estava diferente assim para mim. E eu ia participando,
ela está ria, assim, algumas partes assim.
Mas quando eu ia passando de fase, eu dava uma olhadinha para ela.
Eu sabia ela assim, ela estava com o pena que bancara assim,
pra põe-la nos braços, assim, com a cabeça,
e ela ficava voando assim para lhe um tipo muito bravo.
E eu ficando, ficando, ficando, né?
Quando Rafael viu, já era parte final do programa.
E a decisão tinha ficado só entre ele e um outro participante.
E para essa senhora, analisando bem,
o outro cara foi muito melhor.
Ele era melhor de Chaveco, ele falava bem,
parecia estar realmente interessado na querida,
eles tinham coisas em comum.
E eu não sei se foi a imagem do Elvis,
ou se foi a influência da plateia.
Mas na decisão final, a coisa desandou de vez.
A pergunta é, com quem tu fica com o topete, com o topete.
Aí nessa hora eu lheio para a minha vida.
Ela ficou mesmo assim.
Ali da plateia, a eu vira, estava fuzilando Rafael com os olhos.
Porque ela já conhecia o formato do programa, né?
E ela já sabia o que estava por vir.
Porque aí, nessa parte final, que eles fazem.
Eles colocam uma venda nos seus olhos
e você pergunta para a querida, no caso de viver.
Viver, fica comigo.
Se ela quiser escarco comigo, ela não veja para a boca.
Se ela não quiser, essa não veja na poche.
Mas você não quer arriscar essa parte.
Eu falei, "Meu Deus, não posso arriscar, vai te arrumar na boca."
O Rafael precisava se livrar dessa com mais rápido possível.
A boa notícia é que ele tinha um plano.
Aí eu pensei do nada, mas isso até aí. No golpe de mestre, entre a gravação de um bloco e outro do programa,
o Rafael tinha cutucado o outro finalista.
Aí eu falei, mano, se liga,
tá vendo aquela menina na plateia?
A ponto para eu vira.
Tá vendo aquela menina lá?
Porra, não para de melhar, cara.
Tochina ela é uma bocadinha assim, uma dava.
E ela repetiu e estava lendo para mim mesmo, mas com ódio.
Não tinha ser nenhum.
Tava plantada semente.
E nisso, vamos bocado final que eu morrendo de medo.
Viver, um seguinte.
Agora tu vai lá conhecer o topete.
Espero que vocês consigam.
O sigós tem que ter gosto de dele, que descer,
tu quase seja muito feliz.
O amor é lindo.
A cena é a seguinte.
É o ápice de todo episódio.
Música de romance.
O Rafael e a querida,
estão os dois em cima do palco, vendados.
E a querida vai tirar a avenda dela
para poder ver o escolhido pela primeira vez.
Só que o Rafael não podia deixar a coisa, chegar a esse ponto.
Eu queria ser meio. realmente, eu fui participar, ganhei meu celular e fui embora.
Acabou. Era só isso, né?
Não queria que tivesse a proporção que teve.
O Rafael, difícil esse momento, né?
Eu não sei, também é um distante, né?
Desistente, né?
Eu comecei a falar com uma voz muito fina ao rio.
Eu não sei.
Acho que eu não vou ficar com ela não.
Por que é?
Eu não sei, acho que não tem um rolão com a combinação.
Assim.
Antes de besar, tu acha?
Acho que é.
Aí começa a ficar morto da inteira pra ganhar uma faca.
Tudo não se entender.
Desistente, o que está acontecendo nesse problema, mãe?
Não, não chama a polícia militarra que é por favor pra me ajudar.
Aqui é o preciso abrir um parentes.
Tudo bem que o Rafael fez o que ele podia ali no palco pra não ser o escolhido.
Mas a pobre da vive não merecia a humilhação de ser rejeitada em rede nacional, né?
Ela não tinha nada a ver que história.
E o cara tava ali supostamente porque tinha-se interessado por ela.
Oh, desculpa aí, viva!
Viva, hein!
Eu desculpri com o que ele quer ficar.
E foi a minha semintinha?
Não, ela viu uma voz do alênha que ele queria ficar com aquela menina ali.
Olha o que está com a mão no joelho ali, ó. Ela sabe que é com ela.
Ali da coxia, o outro finalista soprou pra ela que tinha uma menina na plateia
em que o Rafael tava interessado.
Aquele coxixo tinha dado certo.
Aí a Vivi Andiz, que também não queria ficar com ele mesmo e nem com mais ninguém.
Ela até que segura bem a pose.
Mas dá pra ver que ela ficou meio chateada e com razão.
Ficou um clima, ó.
Ah, uma curiosidade, né, foi o Durkut.
Eu procurei ela e acho como deu uma mensagem de desculpas pra ela não aceitou.
Isso depois, né?
Na hora ali, pelo menos ela não saiu de mãos vazias.
Tá aqui um kit blala, tem um telefone já aqui dentro, se você quiser.
Mande uma mensagem apelida alta na sua tela.
Aí a querida sai do palco e o programa vira do avesso.
O Rafael continua lá.
É um negócio a seguinte, esse programa me surpreende a cada dia, é impressionante.
Alguri aquela falou que queria ficar aí, aquela lá que tá com a mão no joelho.
Quer?
Vem cá.
Nisso, eu vi a décida plateia pro palco.
Sorrindo mais meio encabulada.
Como é que tá o nome?
Eu vi, né?
Tu viu, já viu ele antes?
Não, nunca.
Nunca.
É o vira?
É.
É o nome.
Você tinha visto a lá na plateia?
É, deixa ela muito bonita.
Então vamos colocar uma música DJ.
Capricha aí.
Não deve ter Elvis aqui, ele não trouxe.
Tem vez de fazer a versão final de beijar, eu fiz.
Eu faço com a Vira.
Eu vira de uma hora pra outra, ela virou.
A querida do nosso programa.
Fala pra ela o nome desse programa.
Vira, fica comigo?
Aí ela vai latir a minha fé e me dá mal beijão.
Falei ali eu fazendo um pro coração assim.
E isso é o programa.
Aí a gente estava indo embora por uma saída do programa.
Tudo mais. Nisso,
soube um cara que ele era. Eu sempre vi ele nos bastirei em um tv, um produtor, eu acho.
A gente tava descendo esse cadê que subiu o programa assim?
E falou assim. Você se conhece?
Mas não, não.
Fala verdade, você se conhece?
E eu era desbogada assim.
Não, acho que não.
Acho que ele vai ter pesquisado alguma coisa.
Lembra?
Aí o Vira tinha ido pro plateia como um dos acompanhantes
que o Rafael podia levar pra gravação do programa.
Eu imagino que ali no estúdio, eles não tinham mais o controle exato
de quem era o acompanhante de quem, quem tá passando onde e tudo mais.
E o Rafael e o Vira mantiveram a história de que eles não se conheciam até o fim.
Foi só quando já tava nos dois no metrô indo pra casa,
longe de todo mundo, que eles finalmente respiraram ali viados.
E aí puderam rir um pouco da coisa toda.
Porque no fim. deu tudo errado, né?
Mas. deu tudo certo.
Mas eu certo, que basta a forma causando o programa, mas ganha mais celular.
Não na mão não ficou em dia.
No final das contas.
a missão foi cumprida, ele ganhou o tão sonhado celular, um Nokia 3310, versão 2000.
Aquele que era pequenininho, mais pesado, azulzinho, indestrutível.
E ele, para minha surpresa, além da função de ter joguinho de cobrinha, ele tinha um jogo de nafinha.
Ele não jogou incrível de nafinha, assim, sabe que esse joguinho que vai cravinho a vônia tirando?
E passava de fase, todo mundo que deu olhar o celular e mexer.
"Oh, deixa eu jogar esse joguinho aí, claro, usa aí, então virou o sucesso."
O mais louco é que foi o seguinte, o programa demorou para passar.
Tipo, meses depois.
Eu achava que pelo que eu fiz, que eles não ia passar o programa.
Mas passou.
Um dos meses depois, o Rafael chegou em casa do trabalho e a irmã dele contou que o episódio tinha ido ao ar nem te vi.
E ela tinha gravado tudo em VHS para ele poder ver e revê depois.
Foi o próprio Rafael, quem subiu o vídeo no YouTube uns anos atrás.
O link está lá no post desse episódio no site da Rádio Novelo.
Mas toda essa história dos bastidores que ele contou aqui, ele nunca tinha revelado para nenhum curioso nos comentários, tá?
A gente ouviu em primeira mão.
E ficou tudo bem com a vira, também teve problemas do mais.
Eu queria muito ter ouvido também, deu vira como foi toda essa confusão da perspectiva dela.
Por que que ela topou essa loucura, como foi para ela, está vendo tudo ali, da plateia, e depois do palco, do nada.
Mas, infelizmente, a eu vira faleceu, já tem alguns anos, por complicações relacionadas a diabetes.
Ele e o Rafael ainda ficaram um bom tempo juntos depois do programa.
Foi um namoro do lecente bem longevo.
E ele lembra até hoje da relação deles com muito carinho.
Acho que assim, entre ídias e voltas assim, totalizou mais ou menos uns 10 anos de namoro.
Foi uma boa parte da vida, assim.
Tivemos muitas histórias e essa, com certeza, foi uma delas lá.
A história de quando o Rafael ou Ludbrio, a MTV, a Fernanda Lima, e os telas spectadores brasileiros,
para realizar o sonho de ter um celular com o jogo da cobrinha para chamar de seu.
Eu imagino que hoje, com uma verdade revelada, a MTV não vá atrás do Rafael afin de acertar as contas.
Primeiro, porque a emissora daquela época já nem existe mais.
E segundo, porque já se passaram 20 anos, acho que o crime já deve ter prescrito.
Mas se alguém se sentiu leizado nessa história toda,
pare dizer que, talvez, o karma já tenha cuidado disso.
Um dia estou lá com a vira, com os trocadinhos opôs, você vão passear no choque, rolei de jovem, né?
Aí, dois molacos saindo do matrilha lá, alternativa. Minha saltária levada.
Com a celular da nota, vai ficar comigo.
Eu fiquei muito triste, cara, eu fiquei "posa, aí fica comigo, passei a ficar outra coisa pra poder".
Aí, a vira falou "pô, mano, fala, eu acho que é algo, acho que é consequência divínia isso aí, né?"
Essa história foi produzida pela Barbar Robira.
Em 1993, artista Tomi Otak foi convidada a criar o cartaz da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Na hora de apresentar a arte, disse que cinema, pra ela, era tempo e movimento.
Pois esse tempo e esse movimento chegam aos seus 50 anos.
De 15 a 29 de outubro, a Mostra faz a sua quincuagésima edição.
Com 391 títulos de 93 países espalhados por cinemas e espaços culturais da cidade.
Tem retrospectiva do diretor James Drake, que assinou o cartaz deste ano,
e do produtor Português Paulo Branco com algumas das mais de 300 produções dele.
Tem os filmes que levaram a Palma de Oro em Cânei e o Leão de Oro em Veneza, Restauros,
filmes sobre música, séries e uma mostrinha com 21 filmes pra crençada.
E tem coisa pra ver fora das salas.
A exposição "Tempo e Movimento", com espografia de Daniela Thomas,
conta aos 50 anos da Mostra no Solar Fabio Prado, com entrada da gratuita.
E o acervo, um site novo e aberto a todos, reunia a história da Mostra
e informações sobre quase 12 mil filmes.
A programação completa e os ingressos tão no aplicativo da Mostra.
O link tá na descrição do episódio.
Obrigada por escutar mais um episódio do rádio novela presenta.
No post desse episódio, no nosso site, tem belas imagens da Gibóia, Giba, Gertrude e Gigi,
e um link pra conferir na íntegra a performance do Rafael no Fica comigo.
Lá no site da rádio novelo, a gente também tem uma seção chamada em via uma pauta.
Caso você queira o sugerir uma história pra gente contar aqui no podcast.
E se você quiser receber um lembrete no seu e-mail,
toda vez que tiver episódio novo no ar e de quebra ainda fica sabendo dos livros,
viram misi-afim, que a nossa equipe anda curtindo, aproveita pra assinar a nossa newsletter.
E eu vou lembrar aqui de novo que os episódios do rádio novela presenta tão disponíveis
nos principais aplicativos de áudio.
Você pode seguir a gente nos Spotify, no Apple Podcasts, no Amazon Music,
na Diz era só favoritar e também dá pra se inscrever no Google Podcasts, no Questbox e no canal da rádio novelo no YouTube.
Se você for recomendar ou comentar sobre algum episódio nosso nas redes sociais, marca a gente.
Nosso perfil é a roba, rádio novelo, tanto no Twitter quanto no Instagram.
O rádio novelo apresenta é um original da rádio novelo.
Tem episódio novo, toda quinta-feira.
A direção criativa é da Paula Skarpin e da Flora Tom Sodevô
e a produção executiva é do Guilherme Opendre.
A gerença executiva é da Marcela Casaca e a gerença de produto é da Juliana Yeager.
Nosso produtor de sênior são o Victor Hugo Brandalize, a Evelyn Argenta, a Biagmarãs e a Sara Zolbel.
As produtoras da nossa equipe são a Barbara Rubira, a Natalia Silva e a Julha Matos.
A checagem desse episódio foi feita pelo Bruno Lima.
Desse episódio, a gente usou o músico original de Quico de Nute e também da Blue Dot.
A mixagem é do Pepaca Sound.
O desenvolvimento de produto e audiência é feito pela Bia Ribeiro.
O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento
e a nossa analista administrativa e financeira é a Tayna Nogueira.
Obrigada e até a semana que vem.
[MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
O Clube da Novela completou um ano com episódios especiais, lives, descontos e a bolsa Chiquérima para assinantes.
No segundo ano, será lançada uma temporada especial com episódios em vídeo, além de uma masterclass da Marspe Escola.
Assinantes recebem brindes como um caderno lindo, lápis e adesivos da 15 Books.
A história de Mario e a cobra de boia no galinheiro evidencia uma convivência pacífica entre espécies, mas desencadeia conflitos familiares e científicos.
A cobra foi descoberta com mosquitos palha, que transmitem leishmaniose, levando a novas pesquisas científicas e questionamentos sobre a segurança do ambiente.
O Mario debate a ideia de convivência entre humanos, animais domésticos e selvagens, refletindo sobre o respeito à natureza e a distância necessária.
A decisão de retirar a cobra do galinheiro foi tomada após a reforma do galinheiro e a descoberta de infestação de vetores de doenças.
A história mostra que o desejo de observar animais selvagens pode gerar dependência emocional e questionar princípios éticos de convivência com a natureza.
Summary:
O Clube da Novela celebra seu primeiro ano com episódios especiais, lives com jornalistas, descontos e a bolsa Chiquérima para assinantes. No segundo ano, espera-se uma temporada especial com episódios em vídeo e uma masterclass da Marspe Escola, além de brindes exclusivos. A narrativa central foca na história de Mario e sua cobra de boia, que mora no galinheiro com as galinhas.
Inicialmente, ele defende uma convivência pacífica, mas o conflito entre ele e a esposa, Inês, surge por medo de risco de leishmaniose transmitida por mosquitos palha. A descoberta de que a cobra está em contato com vetores de doenças transforma a história em uma investigação científica. O grupo de pesquisa do Rodrigo Gurgel identifica a presença de flebotomínios, que podem transmitir doenças graves, levando a uma reflexão sobre a segurança do ambiente.
A decisão de retirar a cobra do galinheiro é tomada após a reforma do local e a redução da infestação. A narrativa mostra que o desejo de observar animais selvagens pode gerar apego emocional e questionar práticas de convivência com a natureza. O episódio termina com a reflexão de que o respeito à vida selvagem exige distância, ética e cuidado com os riscos biológicos.
FAQs
O Clube da Novela é um programa que oferece episódios exclusivos, lives com repórteres, descontos com parceiros e brindes para assinantes. Os membros recebem os episódios antes do lançamento e têm acesso a conteúdo especial, como a bolsa Chiquérima.
Para quem se inscreve pela primeira vez, o presente é uma bolsa linda da Rádio Novela, simbolizando a entrada no clube.
Na temporada especial do fim do ano, serão lançados episódios em vídeo, com acesso exclusivo para os assinantes.
A Master Class é um programa preparado pela Marspe Escola, destinado exclusivamente aos membros do Clube da Novela, com conteúdo educativo e especializado.
Ao renovar o plano anual, os assinantes recebem um caderninho lindo feito especialmente pela 15 Books, um lápis e adesivos bacanos para mostrar o seu gosto por histórias.
A cobra de boia no galinheiro atraiu atenção de especialistas por estar com infestação de mosquitos palha, que podem transmitir leishmaniose. O caso levou a uma pesquisa científica sobre a possível transmissão de doenças entre animais selvagens, domésticos e humanos.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.