O episódio aborda a resistência escrava no Brasil imperial, destacando a Revolta de Carrancas (Minas Gerais, 1833) e a Revolta dos Malês (Bahia, 1835). Na primeira, escravizados assassinaram nove membros da família Junqueira, levando à execução de 16 rebeldes, um caso raro de condenação em massa. Já a Revolta dos Malês, organizada por africanos muçulmanos, resultou em 70 mortes e na repressão violenta das autoridades. Ambas as revoltas intensificaram o medo entre as elites, que endureceram leis contra escravizados e libertos.
A pressão internacional, especialmente da Inglaterra, que considerou o tráfico de escravizados pirataria, obrigou o Brasil a aprovar a Lei Eusébio de Queirós em 1850, encerrando o tráfico ilegal. O episódio também explora o movimento abolicionista brasileiro, que ganhou força após a Guerra Civil dos EUA (1861-1865) e a abolição gradual em Cuba. Figuras como André Rebouças, um engenheiro negro que libertou seus próprios escravos durante a campanha, simbolizam as contradições da época. Apesar da resistência das elites escravocratas, a luta dos escravizados e a pressão externa foram cruciais para o fim da escravidão no Brasil, que só ocorreria em 1888 com a Lei Áurea. O texto mostra como a rebelião negra, mesmo sem participação política formal, moldou as decisões legislativas e acelerou o processo de abolição.
[música] Eu sou o Thiago Rogero, esse eu pode que este do projeto querino, produzido pela Rádio Novelo. [música] Episódio 8, Democracia. [música] E aqui já é a casa principal, né? Esse como você está vendo aqui, era o famoso partinho escuro da casa. Aí é onde a pessoa tem a capela, os barão é participar da miss, e os escravos ficava aqui para participar da miss. Essa fazenda foi fundada em 1784. Fica perto de uma cidade do interior de Minas Gerais, chamada Cruzília. Esse que estava cofessando comigo é o atual gerente da fazenda, o áudivão da Silva. No passado, a fazenda pertencia aos Junqueira, uma família tradicional mineira. Gente muito rica. O nome da fazenda é Bella Cruz. E da família antiga, o que que era, por exemplo, o quarto principal, ficaram para lá para cá? Quanta história. Eu não sei te falar exato, mas conta a história que o homem foi assassinado desse quarto que está aqui. Que tem, eu não sei se você já leu lá, que quando fizer a revolta de carrancas, e aí as vieras escravos crescido, matou a todo mundo que está aqui na casa, e inclusive o filho, que é o, acho que chama, José Francisco Junqueira, que ele se trancou no quarto e ele é um dos escravos, o quarto da porta, a gope de machato e o cavaleiro catou a garrúche e matou ele na garrúche, né? A tira de garrúche. Um dia, em 1833, na hora em que o senhor chegou à roça para monitorar o trabalho, ele foi assassinado. Murtu pelos escravizados dele. Esse homem era um juiz de paz e também era filho de um deputado federal. O deputado é que era o dono das fazendas. Ele só não estava lá na hora da revolta porque estava na corte no Rio de Janeiro. O nome do deputado era Gabriel Francisco Junqueira. Ao todo, os escravizados mataram 9 pessoas da família dele, entre elas 3 crianças. O caso ficou conhecido como a revolta de carrancas, que era o nome dessa região de minhas gerais na época. Bom, eu sou Rogério Padre-Anacano, sou aqui, hoje eu sou proprietário aqui da Fazenda Bella Cruz. A família do Rogério não tem nada a ver com a revolta. Eles compraram a Fazenda em meados dos anos 2000 de um descendente do Junqueira. E foi muito interessante porque o meu pai gosta de vifussar essa parte histórica. Daí ele achou um inquérito policial da época da revolta de carrancas. É um inquérito policial bem grande e bem detalista de como eles encontraram a região. E daí a gente começou a ficar muito curioso pela história da Fazenda por conta disso, porque foi uma revolta bem marcante e violenta. E ela foi violenta porque tinha uma razão. E daí isso acaba explicando como as coisas eram aqui. Os relatos históricos demonstram que era uma situação muito difícil para os escravos e tudo mais. A revolta só foi abafada quando os escravizados seguiram para uma terceira Fazenda. Foram mortos, o líder do movimento, o nome dele era Ventura Mina e outros quatro escravizados. Isso tudo foi num 13 de maio. 13 de maio. Outros 31 escravizados que sobreviveram foram acusados de participar do Levante. Desexês deles foram executados depois de ter sido condenados a pena de morte. E isso é algo muito fora da curva para casos assim. Essa quantidade de gente condenada a pena capital. É que o período da escravidão tinha essa dicotomia muito louca. Por mais que pessoas escravizadas não fossem tratadas nem como seres humanos, elas eram um bem valioso demais para o senhor. A ideia que eles tinham descravo rebelde era que o rebelde de um dia é preso, punido e noto dele é colocado para a cota cana. Este é o João José Reis. Eu sou o professor da Universidade Federal da Bahia. Isso é o historiador, escritor. E ele está lembrando que o senhor descravo os preferia mil vezes castigar o escravizado do que simplesmente matar. Embora às vezes o castigo era tanto que a cabava levando a morte também. Era uma propriedade muito preciosa para estar sendo presa, compre pena, ser castigada e muito menos executado. E no caso da revota de carrancas, como seu vio, não foi um escravizado que foi executado. Foram 16. Foram os cinco que já tinham morrido no dia do confronto. O historiador Marcos Ferreira de Andrade, estudioso da Revota de Carrancas, já escreviu que a explicação mais razoável para essa quantidade de condenações à morte. É o fato de terem assassinado vários membros de uma família senhora ligada a elite política liberal moderada do império, que dava as cartas do jogo político naquele contexto. Uma sacra que se abateu sobre os junteiras trouxe pânico as elites regionais ao Parlamento e a Regência. Aquela era o período das Regências, né? A década de 1830. O Dom Pedro I tinha abdicado do trono em 31. O filho dele ainda era só uma criança e o governo estava sendo revesado nas mãos da claspolítica. Era um momento de atenção em todo o país, né? De novo aqui, os Jons R.s. Um período em que pouparam revotas regionais em diversos pontos do país. Agora é muito importante que esse é um período que há uma cúmulo, digamos assim, de uma onda muito grande de importação, de escravizado e africanos. E a gente falou sobre isso nos dois primeiros episódios. Na euforia da independência, na gana, na ambição desinfriada, os escravistas trouxeram muito mais gente escravizada pro Brasil. Quando começaram os tratados com a Inglaterra pra proibir o tráfico, os senhores compraram ainda mais pra poder fortalecer o estoque. Foi um volume tão grande que pressiona as tensões entre os escravos tanto que nesse período que vai entre 1836 e 1831 ocorre 16 revotas ou conspirações. E isso só na Bahia teve muita insurreição na Bahia nesse período. A maior e mais famosa delas foi em 1835. A revota dos Maleis foi uma revota de africanos. Tanto africanos escravizados como africanos e hibertos a revota de 1835 foi a trigésima primeira alguma coisa assim, né, das revotas. Então havia uma tradição rebelde importante. Os Jões R.Es escreveu um livro incrível sobre a revolta. Rebellhão escrava no Brasil a história do levante dos Maleis em 1835. Era foi organizada por negros Maleis, Maleis eram os africanos de origem a Europa, portanto, Nagos. E que vinham da região da costa da minha. É um litoral que hoje em dia a pertência e autouro é a pública do Benin e em Géria. Malei era a forma como eram chamados os africanos que eram muçulmanos. E a revota dos Maleis ganhou esse nome porque foi organizada por muçulmanos. Tudo começou na madrugada de um 25 de janeiro. Porque houve uma denúncia e a polícia saiu batendo na porta daqueles lugares apontados como sendo o local de reunião de africanos. E a polícia chega realmente num local onde havia um grande grupo reunido. E quando a polícia adentra esse local os africanos que lá estavam reunidos saem armados e tem uma primeira pequena batalha entre cerca de 60 rebeldes e a polícia. Então a partir daí há uma dispersão desses rebeldes. Ele se dispersaram pela cidade por Salvador. Esses homens eles têm pela cidade gritando que estará na hora de se levantar e outros africanos foram aderindo.
Espercóia é uma área muito grande da cidade salvador, e o que se ouviu, segredado nas guardas da cidade, foi morte aos brancos, viva na Goa. Só que no meio do caminho ficava o quartel da cavalaria, os soldados montados atacaram esses rebeldes que estavam saindo da cidade quando houve uma última batalha ali, né, que foi a mais sangrenta, morreram cerca de 70, talvez mais africanos, e a revolta basicamente foi tendo aí. Centenas de pessoas foram presas e 15 foram condenadas à morte. Mas houve a commutação da maioria dessas penas, foi transformada em outras penas como chibatadas, ou até a absorvação no segundo júri, que houve, e quatro pessoas foram executadas, foram fusiladas, deveriam ter sido enforcadas, mas não se encontrou ninguém que pudesse servir, que aceitasse servir como carrasco. Outras dezenas de pessoas foram expulsas do Brasil, mas só pessoas que já eram livres, nenhum escravizado. Porque os cravas eram mercadoritas, não é assim, implementantes, expulsar, porque é para adjudicar os senhores, mas as pessoas que foram expulsas eram exescrapos, liberta os africanos e foram expulsas de volta para a África. E essas duas revoltas, adicarancas e a dos malês, acabaram tendo um impacto enorme na legislação do período. Houve uma consequência muito grande em leis locais, sobretudo na porra, mas também todos os províncias de modo geral, que em rígia seram o controle não apenas dos escravizados, mas também dos liberta os africanos. É reforçar o controle e a repressão, a população negra de modo geral. E obviamente não eram as pessoas negras que faziam essas leis. Tinha um ou outro caso de algum político afro descendente, que a época podia ser lido como um lato, como o pardo, mas a classe política era majoritariamente branca, rica e comprometida com a escravidão. Boa parte dos deputados e senadores eram senhores escravos. Dom Pedro tinha caído, muita gente tentou radicalizar o momento, indo pro confronto agônico, inclusive os escravizados. Este é o Tamis Parrom, historiador e professor que a gente ouviu no segundo episódio. Essa polarização popular é a impurra, os conservadores para um es comum, ela pura o senso de coesão, solidariedade e autopreservação entre os donos do dinheiro e do patrimônio das riquezas privadas. Você tem aquele momento de mobilização no Brasil, mas a coligação das forças joga a favor da reação e não da realização dos anseios das classes subalternas e populares. Esse pessoal apostou no aumento da escravidão e reabriu o tráfico negrino e lágric-scala fez tudo isso ao mesmo tempo. E aí a gente chega naquele momento do total desrespeito a lei de 1831, quando o tráfico desgravisado estava proibido, mas continuou com força total num grande acordo nacional. Foram mais 19 anos de tráfico ilegal, de um dos maiores casos, senão o maior caso de corrupção sistêmica da história do Brasil. Até que uma nova lei, em 1850, a lei aos ébios de queiros, finalmente postfinha o tráfico, quase 20 anos depois da lei de 31. Houve um alinhamento muito especial de forças para que essa lei passasse. E por trás disso, estava de novo a Inglaterra, o principal império do mundo naquele momento que nas décadas anteriores já tinha lucrado muito com a escravidão e com o tráfico, mas que continuava com objetivos econômicos atuando pelo fim do comércio negro. A Inglaterra já estava participando da negociação de uma série de tratados que acabaram com o tráfico em vários dos nossos países vizinhos. Chile, Venezuela, Uruguai, México, isso foi deixando o Brasil cada vez mais isolado no cenário internacional. Daí em 45 o Parlamento Britânico subiu o tom e aprovou uma lei e a gente aprende ela na escola e abiu a aberdinho, que considerou o tráfico marítimo descravizados, pirataria. E deu autorização para a marinha britânica a prender esses navios. Ela patrulhou as águas territórias brasileiras, ela desembarcou-te, água, marinheiro, interra brasileira sem permissão do governo brasileiro. Ela fez um semi-blockerio do Porto do Rio de Janeiro, deixou os navios de guerra alinhados, deixando passar só a navio, que era obviamente destinado a Europa parando todos os outros. Em 1849-50, a grã-britã já tinha tomado ou destruído pelo menos 10 navios brasileiros. Todos em águas territórias brasileiras e alguns até encorados nos portos. Aí o Brasil declarou guerra. Não, a grã-britã é porque não é bogo, ao tráfico. Em fevereiro de 1850, os políticos brasileiros concluíram que a única maneira de contornar a situação e de evitar uma guerra era acabando de ver esse tráfico, cortando na própria carne. Quem assinou o parecer foi o ministro da justiça, o Elzeb de Queiroas. Por isso, o que a lei tem o nome dele. Sem o perigo permanente de uma guerra contra a grã-britã é o maior poder marítimo e militar da época. As elites do Brasil não teriam largado o oso. Literalmente os oso-so, os sangue, os músculos, daquelas pessoas, livres, trazidas como escravizadas e legalmente por país. Não teria largada. Se você tirar a grã-britã dessa equação, esquece. Não tem fim do tráfico em direto. Mas uma coisa que a gente não pode esquecer é o impacto que todas aquelas revolta de escravizados já estavam tendo sobre a classe política, sobre a população. Porque os africanos depois da revolta de 35, como se não já bastassem as outras revolta, começaram a ser visto e definidos como barbaros, que qualquer momento podia se levantar, matar as sonidas e assim por diante. E quando o João José Reis fala nessas outras revolta, a gente pode pensar não só nas da Bahia, ou na de Carrancas em Minas, mas também nas outras tantas que estavam acontecendo em outras partes do Brasil. Em 38, por exemplo, na região de Vassouras no Rio, estourou a revolta liderada pelo Manuel Congo. Centenas de escravizados fugiram de duas fazendas e se aquilombaram. A Guarda Nacional precisou intervir. Seis escravizados foram mortos e o Manuel foi condenado à Forca. 10 anos depois, na mesma região, a polícia descobriu um plano gigantesco de insurreição que ficou conhecido como a conspiração de 48. A ideia era matar todos os senhores e tomar o poder. Isso tudo a menos de 150 km da corte. Por isso que, pouco depois de assinar a lei de 50, o Eusebio de Queroz disse que alguns acontecimentos de natureza gravíssima. Produziram um terror que chamarei salutar porque deu lugar a que se desenvolveci e se fizesse sentir a opinião contrária ao tráfico. Os mesmos fazendeiros que até ali apreguavam a necessidade do tráfico eram os primeiros a contestar que era chegar do momento de dever ser reprimido. Ou seja, mesmo impedidas de participar das tomadas de decisão muito longe do controle do processo político, ali jadas de participar formalmente desse processo, as pessoas negras influenciaram essas decisões. E nas décadas seguintes, tudo isso seria determinante para conquista da liberdade. A Constituição do Embério do Brasil de 1824, por essa Constituição, se você nascer-se no Brasil livre ou se você tendo nascido no Brasil conquistasse a liberdade, você podia ser considerado cidadão. Isso não fica que você tinha direitos, civis, garantidos, direitos e missão àqueles de proteção da propriedade, ter a sua casa como um espaço inviolável, poder ir e vir. Mas olha só, você só era investido dos direitos políticos se você tivesse dinheiro, para você votar para você ser leito, você precisava ter dinheiro. Precisava comprovar renda e como eu falei mais cedo, não é que não tinha parlamentar negro nessa época. Até tinha uns poucos. Você tem uma presença de pardos, vou usar terminologia da época, né? Pardos imulatos no Parlamento. Um dia enorme era o Antônio Pereira Rebousas, era o que se chamava de um homem mestizo, filho de
de uma ex-escrevisada e de um português. Hoje, ele é mais conhecido pelos filhos dele, por seu pai dos irmãos rebossas. Mas ele era uma figura política influente do império. E como ele tinha outros? Você tem esses indivíduos em seridos no Parlamento, mas eles são fósseis individuais, eles não representam movimentos civis coletivos baseados na cor da pele. Será necessário o surgimento de um movimento agulacionista, o reunindo pessoas de diversas cores de pele, será necessário lutar dentro da escravidão contra a escravidão para que essas vozes que você identifica isoladas importantes, muito importantes, mas isoladas no Parlamento da década de 1330, 40, 50, 60, se torne vozes com impacto político, mais profundo no fim do império. Antes de começar a falar do movimento agulacionista, é importante entender o que que estava acontecendo no mundo naquele momento. Depois que o Brasil finalmente acabou com o tráfico descravizado. Só quatro lugares nas américas ainda não tinham abolido a escravidão. Os Estados Unidos e o Brasil, que eram independentes, e duas colonias da Espanha, Cuba e Porto Rico. Em 1861, começou a guerra civil nos Estados Unidos. E um dos principais motivos foi que um ano antes tinha sido eleito presidente, um candidato do norte do país, e que já tinha se mostrado favorável a abolição. Era o Abraham Lincoln. Daí os Estados do Sul, que eram escravocratas, começaram a declarar sua sessessão, a sua separação da União. Era nos Estados confederados. E a guerra começou porque eles queriam de qualquer jeito manter a escravidão. Daí aqui no Brasil, em 1963, o presidente do Instituto dos Adivogados Brasileiros apresentou pro Congresso uma proposta de "Leido Ventre Livre", que os filhos das mulheres escravizadas nascer sem livres a partir daquele momento. Isso foi em 1963. Os parlamentares não deram a menor pelota para ele. Lá nos Estados Unidos o norte venceu a guerra e a escravidão acabou por lá em 1965. Daí ficaram só. Brasil, Cuba e Porto Rico ainda com a escravidão. E o Brasil como a única nação independente, vergonha mundial. Nessa época, o imperador Dom Pedro II, que assumiu depois do golpe da maioridade, já estava mais de 20 anos no poder. Aí, em 1965, ele encumendou um estudo sobre medidas legislativas para emancipação. Dois anos depois, o imperador levou esse estudo para os ministros dele. Um monte de deputados, senador e tudo mais, era a proposta de uma "Leido Ventre Livre", mas com o tempo de serviços prestados para servir como indenização. As meninas que nascer sem ficariam livres quando competassem 16 anos e os meninos aos 21. Os ministros disseram que não achavam conveniente a ideia. E o projeto foi engavetado. Daí, estourou uma revolução em Cuba em 1968 contra o domínio espanhol. Alguns senhores chegaram a libertar seus escravizados para lutar pela independência da ilha. A Espanha ficou com medo de que o resto dos escravizados fosse recrutado pelos rebeldes. E para calmar os ânimos aprovou uma lei de abolição gradual da escravidão. Uma mistura de "Ventre Livre com Leidos Exagenários", estavam livres, os bebês e também os escravizados com mais de 60 anos, com um pagamento de indenização para os senhores. E isso deixou o Brasil com as calças na mão. O único país das américas que não estava nem se preparando para a abolição. E é nesse contexto que toma força o movimento abolicionista por aqui. Nos anos 50, tem já três associações abolicionistas que aparecem, mas é só isso. São membros de política, de elite social que estão preocupados em aboli a escravidão paulatinamente. Esta é a Angela Alunso, historiadora e professora. Mas isso também não vai adianta porque não tem apoio popular. Então eu começo a contar essa história em 1868, porque eu acho que aí que realmente começa uma articulação que dá a origem, ao que se torna o movimento abolicionista, ao mesmo tempo em que há um impenho de uma aula de elite política dentro das instituições políticas para fazer o processo andar. E uma figura central nesse processo foi um engenheiro André Rebossas, o filho mais famoso do António Pereira Rebossas. Uma figura muito interessante porque ele pode dar um nó na cabeça das pessoas, o rebossas não é simples. Ele é negrum, ele é de uma família, obviamente, negrum, mas o pai dele prestou serviços ao império durante o processo de consolidação do segundo reenado. E o André Rebossas, o filho. Ele tem um projeto de aboli a escravidão, que é vinculado com um projeto de modernização do país, porque ele é um engenheiro, mas na casa dele tem escravos. Sim, na casa do André Rebossas, o intelectual negro, um dos principais nomes do nosso abolicionismo, a casa dele tinha escravizados. Logo que ele decide entrar na campanha, ele liberta outros abridionistas importantes, inclusive um joaquim cerra, o ruí barbosa, só liberta seus escravos bem mais para frente na campanha. Então também não era visto como uma contradição, você defender ideias abridionistas e você ainda possui escravos. Então esses fenômen são todos sempre muito mais complexos do que o bem-contromal também, né? E a gente já falou sobre isso. O Brasil era uma sociedade escravista. Tudo gerava em torno disso, pra ter dinheiro, pra ter poder, pra ter liberdade política, as pessoas tinham escravizados. O que não quer dizer que precisava ser assim, para sempre? O Rebossas tomou consciência disso. O que vai fazer a cabeça do Rebossas, de girar é um momento em que ele entende que ele é negro. Isso só vai acontecer mais tarde, já me dá 70, quando ele vai pros Estados Unidos. Ele não pode se hospedar em um hotel de elite, ele não pode assistir à ópera. E daí ele percebe que lá, não adianta ele ser um homem culto, ter boas conexões, sociais, etc. Que ele, inclusive, tem. Mas que ele vai ser tratado sempre a partir da cor da pele. E aí é que ele realmente se transforma no abridionista, sim, não só de mente, mas de coração. E aí é o momento em que ele vai fazer aliâncias com o José do Patrocínio, com Vicente de Souza. Dois grandes abolicionistas, dois grandes abolicionistas negros, o José do Patrocínio e o Vicente de Souza. A esposa do Vicente também foi bem importante, a Cassilda Francione de Souza. Ela é considerada a primeira mulher a participar abertamente das conferências abolicionistas, que eram eventos com participação popular que aconteciam por todo o país. Um outra abolicionista negro de destaque era o Ferreira de Menezes. E é óbvio que também tinham pessoas brancas entre os abolicionistas. Um nome bem importante, por exemplo, é o do Joaquim Nabuco. Mas espera que tenha um outro protagonista desse movimento que ainda não apareceu aqui. [Música] O Luiz Gama é negro como reboso, mas eles são absolutamente diferentes, porque o Luiz Gama é o único abolicionista que a gente tem uma narrativa formal que alguém que tenha passado por um processo de escravização. Ele não tem acesso a corte do operador. Então ele é um homem que vai se vincular a oposição política do império. Não existe ninguém com uma história tão incrível como o Luiz Gama. Eu vou resumir rapidinho, porque imagino que seja conheça. Ele nasceu livre em Salvador, filho de uma africana liberta a Luiza Maim. O Luiz foi separado da mãe ainda criança e quando tinha só 10 anos, foi vendido pelo pai que era branco. Mas o Luiz tinha nascido livre, não podia ser escravizado e nem podia ser vendido. Ainda assim, ele foi mantido em cativero a adolescência inteira. Até que ele aprendeu a ler e a escrever, descobriu que o que tinha sido feito com ele, era ilegal e conseguiu a própria libertação. E a partir daí, ele foi muita coisa, mas principalmente jornalista e advogado. E um ativista pela causa abolicionista. E assim, como se não bastasse tudo que ele já tinha feito,
e aí que entra para a minha parte mais incrível na trajetória do Luiz Gama. Ele usava aquela lei de 31, a lei dessa canagem, a lei pra inglês V, pra libertar no judiciário pessoas que estavam sendo escravizadas e legalmente. Porque é isso, lembra daquilo que o historiador Luiz Felipe de Alencastro chama de "O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira". Desde 1808, estava proibido o tráfico de pessoas secuestradas acima da linha do ecuador. Depois, em 31, foi proibido o tráfico de todas as pessoas africanas. Cada uma dessas quase 800 mil pessoas que chegaram desde então, mais os seus descendentes, cada uma dessas pessoas, foi escravizada e legalmente. Aí quando teve a lei e o Zebeu de Queiroz em 50, o governo, o judiciário e a sociedade brasileira poderiam ter feito justiça e finalmente libertado essas pessoas. Mas escolheram não fazer isso, o nosso pecado original. Então, quando a gente está falando de pessoas ainda escravizadas no Brasil nessa época, nas décadas finais de escravidão, quando o Brasil era o único país das américas que não estava nem discutindo a bolição, a gente está falando de uma massa de pessoas e legalmente escravizadas. E esse era o foco do trabalho do Luiz Gama no judiciário. Foi assim que ele conseguiu a libertação de centenas de pessoas. E tudo isso como um membro ativo do movimento abolicionista, que não parava de crescer e contava cada vez mais com integrantes também da parcela rica da população. Uma parte da elite política fala, "Bom, nós vamos ficar aqui sozinhos como os escravistas da América no limite do mundo, né?" E uma outra parte em ter minha guerra civil. Se a gente não fizer alguma coisa, a gente pode acabar no desfecho americano. E uma outra ameaça que pára sobre todo mundo é o que até ganhou um nome, né? É porque é o itianismo, que é um medo de uma revolução escrava. Afinal de contos, os escravos são maiores, se eles resolverem fazer uma revolução, acabou. Então, a lei do ventre livre, ela é uma consequência desse jogo aí. A lei do ventre livre, essa gente aprende na escola também, né? Essa ideia de que a abolicção foi meio que gradual aos pouquinhos. Só em 71 que a classe política brasileira concordou com uma lei que concedesse alguma forma de libertação. Mas ainda assim eles resistiram, defendiam que os senhores precisavam ser ressarcidos. Daí quando a lei finalmente foi aprovada, tinham duas opções. O dono poderia libertar a criança quando ela completasse oito anos e aí ele receberia uma indenização. O dono manteria o jovem escravizado até que ele completasse 21 anos. Em 95% dos casos, os senhores escolheram a segunda opção. Ou seja, como todas aquelas crianças continuarem escravizadas por mais duas décadas, o impacto era quase zero. Essa lei não é aplicada, né? Todo mundo imagina sempre que as leis pra inglês vê são só lá, às do final do tráfico, mas não é verdade. Então de fato a lei do ventre livre não é uma lei que liberta. A liberta pouquíssima gente. Mas as pessoas negras também usaram essa lei a favor delas. Ou vivar os casos de mulheres negras, de mães, que entraram com ações no judiciário pra garantir a liberdade dos filhos com base na lei do ventre livre. Alegando que os senhores não estavam compendo a parte deles no cuidado daquelas crianças. E uma outra coisa é que entre os seus artigos, a lei autorizava o escravizado a formar peculho, a juntar dinheiro pra poder comprar a própria carta de alforria. Isso vai ser utilizado pelas associações abolicionistas pra liberar escravos. As associações abolicionistas agiam na prática, mas também trabalhavam a mente da população. Porque a escravidão era considerada um fenômeno normal. É a vontade de Deus. Então uma parte muito importante da campanha abolicionista foi produzir uma nova sensibilidade em relação à escravidão. Mostrar que ela era tanto de um lado, um fenômeno ilegal, porque o Brasil já tinha lei desde os anos 30 proibindo o tráfico. Como ela era? Desumana. O outro argumento deles era do progresso. A gente não pode avançar com uma instituição que arcaia quem compatível com o trabalho livre. E tudo isso foi preparando o terreno para o que acabou acontecendo no seara. A campanha abolicionista ganha a força na hora em que a lei do vento de livre mostra que não vai ser aplicado. Então, os abolicionistas começam a fazer pressão. E daí isso tá acontecendo quase que no país inteiro, mas em alguns lugares, a organização local dos abolicionistas é mais forte. Eu serai um desses casos. O José do Patrocínio e o André Reboças tinham começado uma articulação nacional pela abolicção. E o que eles fazem é fazer um experimento ali, da usar o Patrocínio Viaja pra lá, e eles fazem uma campanha de libertação de territórios. Então eles falam, "Bô, precisamos então criar um território livre no país." E o seara é isso, porque o seara tem essa combinação política favorável. O presidente da província era um abolicionista. E tem uma outra grande vantagem, né? O seara tem poucos escravos. O seara tá vivendo uma crise econômica. Violenta, também tá todo mundo vendendo seus escravos pro sul. Então a operação é mais fácil de fazer. E a última vantagem que também é bem significativa é que, como tá longe do Rio de Janeiro, que é a capital, demora de chegar a repressão. Os escravizados do seara tá mostrando vendidos para as regiões sudeste e sul do Brasil. Eles eram levados até a praia, embarcados em jangadas e levados para os navios. Em 1881, os jangadeiros, que eram homens livres e majoritaramente negros, se recusaram a fazer o embarque dos escravizados. O líder deles era o checo da Matilde, um homem negro que entrou para a história como o dragão do mar. E a partir daí, os abolicionistas começaram a libertar, cidade por cidade do seara. E aí, ao mesmo tempo os onais abolicionistas no Rio vão publicando uma cronologia, assim, né? Altham tanta cidade para serem libertados. Eles também faziam muito bom uso da imprensa. Então o resultado é que em 1884, o seara se declara a primeira província livre do país. Isso é uma grande crise política. Para tentar acalmar os ánimos, o primeiro ministro do Império enviou para a câmera é um projeto de lei para alforiar os escravizados com mais de 60 anos. É uma lei para que não haja a polição mais do que para libertar. Era para tentar postergar ainda mais a abolicção, só que ainda assim deu um que procou a danado. A lei do ventre livre, Aquela de 71, tinha criado também a obrigação de que os senhores matriculassem seus escravizados registracem eles. Muitos donos descravos, quando tinham matriculado seus escravizados, eles matriculavam como mais velhos do que eles eram de fato, para dizer que eles tinham entrado antes no país, antes da vigência da lei. Da lei de 31, da lei para inglês E. Já essa outra lei que estava sendo discutida. Quando a lei dizia que a Libertáis Carlos 60 anos estava na verdade libertando escraviz muito mais jovens de fato. E é isso que dá grande reação, que vem através dos clubes da lavoura, uma grande reação escravista. A mesma clássipulítica que editou os rumos do Brasil desde a independência. Daí o ministro que proposa essa lei, Caio, foi derrubado, assumiu um novo primeiro ministro e passou uma lei dos ex-agenairos. E na prática, ele estendeu o prazo. A título de indenização, os escravizados com mais de 60 anos, deveriam ainda prestar mais três anos de serviço. E ainda ele colocou um penduricalho pra que tudo isso comece a se valer só a partir de 87. Daí pros abolicionistas aquilo foi o estopim. Então quando chegem em 88, na verdade não estão vigindo nem a lei do vento de livre, nem a lei dos ex-agenairos. Então muita gente também diz assim "Ah, quando chegem em 88 tem a bulição, já não tinha mais escrava pra libertar". Não é bem verdade. Formalmente você tinha 700 e poucos mil escravos, mas de fato você tinha muito mais. Essa história que a gente conta normalmente que você vai abolir nesse gravidão gradualmente, não é verdade. Esse foi um processo que sem a mobilização política do movimento abolicionista, nenhuma dessas leis teria liberado esse gravidão por si mesmo, porque elas não estavam sendo efetivadas. Então sem apressão abolicionista contínuo ali, sabe-se lá? Quando é que isso teria sido aprovado, porque tinha projetado aprovando fim da escravidão até 1930. E as pessoas negras não iriam esperar.
mais 40 anos pela liberdade. Elas foram lá e derrubaram a escravidão. Oi, aqui é o Thiago Rogero. E eu estou aqui para te contar uma novidade. O projeto querinho pode que este produzido pela Rádio Novelo, que lançamos em 2022, acaba de virar livro. Se você já ouviu o podcast, vai encontrar muita coisa nova no livro que é pela editora Fosforo. Eu passei mais de um ano escrevendo e pesquisando novas informações. Se você nunca ouviu o podcast, o livro também é para você. O projeto querinho, um olhar afrocentrado sobre a história do Brasil, já está a venda nas livrarias e no site Fosforoeditora.com.br. Esse primeiro ministro que assumiu indicado pelo Dom Pedro II era o barão de cotegipe, um escravista baiano. No meio da ascensão abolicionista, com o país tomado de eventos abolicionistas, associações abolicionistas, você nomeia um escravista, então os abolicionistas falam, "bão, agora não vai dar para continuar fazendo, só o que a gente vinha fazendo." Eles tentam, mas as conferências públicas são desbaratadas por milícias, às vezes pela própria polícia, abolicionista são perseguidos. Agora é realmente a hora de fazer, já tenho se arar livre mesmo. Então vamos incentivar os escravos a fazer o que na verdade os escravos por si mesmo sempre fizeram. Quer fugir, né? Em toda a oportunidade. Então o que acaba acontecendo agora é o que eu chamo de fucas coletivas orientadas. Não é que os abolicionistas inventam fenômeno, mas é que eles organizam a fuga. A estratégia bem sucedida no searate, libertação da província, acontece também no Amazonas e quase acontecem vários outros províncias que liberam, declaram liberar as várias outras cidades, no que o plano do sul, em Goiá. E aí tem relatos de fuga, em que daí os próprios escravos recebendo essa informação, eles também começam a organizar as próprias fuga. Então você tem um momento de desorganização da ordem escravista. Isso é importante também para mostrar esse cara ter popular do movimento abolicionista brasileiro. Paralelamente a política tida como oficial a dos espaços de poder havia toda essa ação política popular que acontecia nas ruas, nas fazendas, nas matas. No interior de São Paulo, na região de Itu, teve um grupo de fugitivos que saiu de diversas fazendas da região. E vai ganhando a desões, vai atravessando cidades. É uma massa de verios, crianças, homens, mulheres que vai indo. Vai ficando todo mundo de cabelo em pé, em prenação, vai noticiando. E quando chega na Serra do Mar, o governo imperial do barão de cotegipe, manda fosilar. Atira. É um morticinho do qual o próprio exército em seguida se envergonha. É um avendo decisivo, porque choca o país, bais também porque o próprio exército, daí o pareixão deudora, manda uma carta para Isabel. O Pedro II estava doente e foi para Europa se tratar. A filha mais velha dele, a princesa Isabel, tinha assumido a regência. E ela recebeu essa carta do comandante do exército, informando o quê? O exército não vai mais caçar escravos agido. Nós não vamos participar disso. Então, o que acontece nessa hora? A monarquia perde o apoio das forças amadas para continuar mantendo escrovidão. Tinha uma corrente dentro do exército que se recusava a cumprir o papel de capitão do mar. Por achar uma função englória. Ao mesmo tempo, a igreja também, vendo que a coisa está acirrada, vários bispos começam a declarar apoio à bolição. Daí em Itapira, no interior de São Paulo, um inglês e um americano que tinha um lutado na guerra civil, dois Estados Unidos, os dois eram confederados, eram escravistas. Eles incitaram a população local a lide Itapira, a linchar um delegado de polícia que era a bolicionista. A elite social da cidade vai a casa dele e lincha o delegado. Bateram nele até a morte. Isso foi em fevereiro de 88. Então é também um evento de grande proposta e que dá essa notícia. Acho que sobre tudo para Isabel, que é quem está querendo herdar o trono, de que não vai dar para segurar. Não vai dar para segurar. Sem um exército, sem a igreja e com os conflitos correndo, é o que está acontecendo nos bolicionistas tão se armando e os gravistas tão se armando. É invés para o tíquia civil. Vésperas de uma guerra civil. O barão de cotegipe pediu demissão e a princesa Isabel nomeou outro conservador, mas agora com a incombencia de abolir a escravidão. Não tinha mais jeito. Os deputados e senadores se reuniram em regime de urgência para votar a lei da abolição. Durante a semana de tramitação em que eles ficaram negociando qual seria o texto da lei? Reboças. Excreviu a lei. Reboças é o André Reboças, que era muito próximo da família imperial. Então ele foi lá nos ministros. Embora fossem inimigos, anteriores dele foi na princesa com as ideias dele. Põe uma linha aqui, tirou uma linha ali. Ele tinha um projeto do que ele chamava de democracia rural, porque era isso, era dividir a terra. E tinha um projeto de concessão de direitos plenos, para os exescrados. Projetos abolicionistas era um projeto que incluia uma reforma do funcionamento da vida social, um corporação do proletário escravo, a nação brasileira. Converter, de fato, uma pessoa que tinha sido criada sob escravidão, não cidadão capaz de ler, escrever, trabalhar, ter a sua própria terra, ter seus próprios direitos. A negociação continuou e o projeto, enfim, foi para votação. E ainda teve deputado senador que votou contra entre eles o barão de cotegipe. Mas a maioria foi a favor, e a lei, enfim, foi aprovada. Num domingo, num 13 de maio, de 1888, a princesa Isabel sancionou a lei aúria. O texto dizia assim. E era só isso que dizia essa lei. Uma 50 palavras. Essa opção da coroa é uma opção que, de certa maneira, salvou uma parte do escravesse. Porque o que eles fizeram não foi aprovar o projeto do Rebolsas, nada passou. A única coisa que pode ser consensuada é que estava acabada a escravidão no Brasil. Não se dizia como se implementar isso. Não se dizia o que ia acontecer com os escravos. Não se dizia como seria os contrastos da barra da hipodante. Mamba, você deveria ter tido uma série de, digamos, disposições transitores para dizer juridicamente o que acontece com cada cot. Não ouve nada. O que a monarquia fez no fim foi deixar que cada proprietário, no limite, gerisse a sua própria transição para o trabalho livre. Por isso que os movimentos negros chamam o que aconteceu de abolição inconcluza. Porque os abolicionistas queriam muito mais. Queriam o fim da escravidão, claro, mas um fim que fosse acompanhado de projeto, de medidas compensatórias. Aliás, em muito lugar no Brasil demorou a chegar a notícia da abolicão. Teve senhor que simplesmente impediu que os trabalhadores soubessem da novidade e manteve enquanto pode aquelas pessoas escravizadas mesmo de forma legal. E a igualdade de direitos, como a gente vê os jornais todos os dias, até hoje não aconteceu no Brasil. Então nesse sentido, o projeto "Reboças" até hoje é um projeto que não se realizou. Mas nem por isso a gente tem de menosprezar o 13 de maio. Por mais que não tenha sido tudo que poderia ter sido, teve muita luta, muita luta negra, muito sangue negro derramado para que esse momento finalmente acontecesse. Para que o Brasil enfim se tornasse o último país do acidente a tornar a escravidão ilegal. Como a ángela aluncio já disse, se não fosse pelo movimento abolicionista, teria demorado ainda mais. Pode não ter sido da forma completa, mas muita gente foi libertada. Uma liberdade que como está no Samba da Mangueira de 2019, não veio do céu e nem das mãos
do exabel. A monarquia não abriu mão da defesa da escravidão, por bom da arte, por bom coração, por decisão, política. Ela abriu mão por total incapacidade, insuficiência de manter, porque as duas instituições de fato estavam coladas. Um dia da votação, da lei, o cotégio faz um discurso sem profético, né? Mas é uma profecia que qualquer um podia fazer naquele dia, quer dizer, a monarquia está baseada nesse escravidão. Então, caindo a escravidão, a monarquia vai caindo junto também. Ela não tem onde se apoiar. Ela era baseada no apoio do Senhor e dos escravos, dos grandes proprietários de terra. Ela está abandonando os proprietários, ela vai também cair. E foi isso que aconteceu. Revolta-os com a bolição, os representantes dos escravistas no Congresso começaram a defender a indenização para as perdas financeiras que eles tiveram com o fim do trabalho escravo. Pouco mais de um ano depois da leória, os escravistas eram a base de apoio do golpe num 15 de novembro que derrubou o império e instituiu a república. E o projeto de exterminar a parcela negra da população tomou forma. Um dos primeiros atos do novo governo provisório só quatro dias depois do golpe foi fazer um decreto mantendo a proibição de direito ao voto para os analfabetos. Isso tinha sido instituído nos anos finais do império. Só podia votar quem sobesse ler e escrever, e menos de um terço da população brasileira sabia ler e escrever. Agora pensa, numa sociedade que por mais de três séculos dificultou e por vezes chegou até abarrar o acesso de pessoas negras ao ensino, quem que você acha que estava sendo alijado de novo dos seus direitos políticos. Essa proibição só foi cair junto com a ditadura militar no período da abertura política em 1985. E no período republicano, a lógica era essa, já que não dava mais para escravizar as pessoas negras, o foco era a eliminação. Começaram a ser implementadas uma série de leis antinegros e a gente já falou sobre algumas delas nos outros episódios, como as de perseguição às religiões de matriz africana, por exemplo. Tinha um ditado nessa época do começo da república que dizia assim. A liberdade é negra, mas a igualdade é branca. Tudo isso de braços cruzados. Eles queriam acabar com a gente, mas a gente está aqui mais da metade da população. Desde que a primeira pessoa africana foi trazida para esse território indígena, tanto séculos atrás, foi o nosso por nós que garantiu a nossa sobrevivência, das pessoas negras, dos nossos povos originários, de todo mundo que não se encaixa no padrão dos detentores do poder, no padrão do homem branco. Foi o nosso por nós que garantiu que a gente tivesse humanidade e liberdade. E foi assim na saúde, na educação, em moradia, no trabalho, na cultura, na luta pelos direitos humanos, na luta por um país melhor para todos. Não sopras pessoas negras, para todos. Se não fosse por nós, não teria saúde pública para todo mundo. Não teria filho do porteiro e da trabalhadora doméstica de todas as cores, de todas as raças, entrando na universidade. As pessoas negras não construíram só toda a riqueza do Brasil. Elas construíram a própria democracia do Brasil, ainda que não seja nem de longe o Brasil que a gente sonhou. O Brasil que a gente merece. Um fato de que a vida negra vale menos quando não vale nada vem se agravando ainda mais depois da própria bolição. Aqui de novo, o João José Reis, historiador e professor. O que pense bem? Antes da bolição, o escrava era a propriedade. Então ele tinha o senhor que tinha interesse direto em preservar essa propriedade. Depois da bolição, não tem mais isso. Então, é uma população realmente que está entregue e assorte. Você pode dizer, por mais que se denuncie, é impressionante isso. Por mais que se esclareça, por mais que os meio de comunicação hoje estará engajado no discurso de denúncia do racismo, de promoção, da inserção do negro na sociedade. Você tem lá o sagento da marinha que simplesmente vê o seu vizinho, que era negro, entendeu, chegando em casa. Ele acha que lá era um bandido porque ele tinha aberto a bolsa dele, a fumustira dele para pegar uma chave, cara. Um sagento da marinha matou o vizinho na porta de casa na região metropolitana do Rio de Janeiro. O atirador disse que confundiu a vítima, um homem negro, com um bandido. Ele atira três vezes, não, não, três vezes. É óbvio se o cara fosse branco, ele não iria tirar. É óbvio. Assim como se esse migrante fosse branco, né, fosse um português, um espanhol, um maniano, ele não seria espancado aquela maneira brutal. E os policiais municipais não iriam simplesmente das costas, o que está acontecendo. Testemunhas do assassinato do jovem Congolês Moise, na praia da Barda de Juca no Rio, desceram que guardas municipais não fizeram nada para evitar o crime, mesmo tendo sido chamados para intervir. Quando eu vejo esses casos, eu penso nisso, digo caramba, esse é pior do que a época dos caravíso. Como a gente ouviu ao longo desses oito episódios, se tem uma política pública constante, eficaz e longeva na história do Brasil, é o racismo, uma política de estado que ainda está em vigor. Embora este seja o último episódio do podcast do projeto Quirino, não é nem de longe o último capítulo desse projeto, que está só começando. O Quirino foi pensado como um projeto multiplata a forma para refletir sobre a história do Brasil, como tudo isso explica o Brasil atual, mas também o futuro. Que país nós queremos ser, podemos ser, devemos ser. Que país nós merecemos ter? E o podcast foi o ponto de partida para tudo mais o que o projeto vai estornar. Por isso, fique ligado em projeto querido.com.br para continuar acompanhando essa jornada. A gente começou o podcast lá no primeiro episódio com uma frase do fotógrafo e ativista Januário García. Existe uma história do negro sem o Brasil. O que não existe é uma história do Brasil sem o negro. E eu quero terminar com o morte da campanha da coalizão negro por direitos, o grupo que reuni organizações, entidades e coletivos dos movimentos negros brasileiros. A frase é, "Enquanto o ver racismo, não haverá democracia". E já passou da hora do Brasil ser de fato uma democracia. O projeto querino é apoiado pelo Instituto Ibiraptanga, o Podqueste foi produzido pela Rádio Nouvello. O nosso site projetoquerino.com.br reunitou todas as informações sobre o projeto e conteúdo adicional. O site foi desenvolvido pela AE. Eu te convido a conferir também todo o material do projeto querino que está sendo publicado pela revista Piauí, nas bancas e no site da revista. Este episódio teve pesquisa de Gilberto por Sidônio, Rafael do Minguz Oliveira e Angelica Paulo que também fez a produção. A edição foi do Luca Mendes, a sonorização da Julia Matos e a finalização da Pipoca Sound. A checagem foi do Gilberto por Sidônio e a músico original do Victor Rodrigues Gias. Estratégia de promoção, distribuição e conteúdo digital, Bia Ribeiro. A identidade visual é do Draco Imagem. Os transcritores das entrevistas foram Guilherme Povoas e Rodolfo Viana. A loucução foi gravada no Estúdio da Pipoca Sound com trabalhos técnicos de Luís Rodríguez. Consultoria enroteiro de Mariana Jaspe, Paula Escarpín e Flora Thompson Devô, com revisão de Inatalha Silva. Consultoria em história e naelópis dos Santos. Produção executiva, Guilherme Alpendre. A execução financeira do projeto é do Espis Instituto Sincronicidade para Interação Social. Idealização, reportagem, roteiro, apresentação e coordenação de Agu Rogero. E se eu pisou.
o áudios de TV Globo e SBT. Agradecimentos a Maria Lise resinde de Carvalho, a Rogério Nakano, a Oal Divanda Silva, a Luana Carvas, a Maillara Moreira e a Almateus Coutinho. E a você que nos ouviu até aqui, muito obrigado.
Podcast Summary
Key Points:
A Revolta de Carrancas (1833) e a Revolta dos Malês (1835) são exemplos de insurreições de escravizados que influenciaram a legislação brasileira.
A Revolta de Carrancas resultou na execução de 16 escravizados, um número excepcionalmente alto, que gerou pânico nas elites políticas.
A Revolta dos Malês, organizada por africanos muçulmanos na Bahia, levou a repressão e ao controle mais rígido sobre a população negra livre e escravizada.
A pressão britânica, combinada com o medo de revoltas, levou à Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico de escravizados após décadas de ilegalidade.
O movimento abolicionista brasileiro ganhou força a partir de 1868, com figuras como André Rebouças, que defendia a abolição gradual, embora ainda possuísse escravos.
Summary:
O episódio aborda a resistência escrava no Brasil imperial, destacando a Revolta de Carrancas (Minas Gerais, 1833) e a Revolta dos Malês (Bahia, 1835). Na primeira, escravizados assassinaram nove membros da família Junqueira, levando à execução de 16 rebeldes, um caso raro de condenação em massa. Já a Revolta dos Malês, organizada por africanos muçulmanos, resultou em 70 mortes e na repressão violenta das autoridades. Ambas as revoltas intensificaram o medo entre as elites, que endureceram leis contra escravizados e libertos.
A pressão internacional, especialmente da Inglaterra, que considerou o tráfico de escravizados pirataria, obrigou o Brasil a aprovar a Lei Eusébio de Queirós em 1850, encerrando o tráfico ilegal. O episódio também explora o movimento abolicionista brasileiro, que ganhou força após a Guerra Civil dos EUA (1861-1865) e a abolição gradual em Cuba. Figuras como André Rebouças, um engenheiro negro que libertou seus próprios escravos durante a campanha, simbolizam as contradições da época. Apesar da resistência das elites escravocratas, a luta dos escravizados e a pressão externa foram cruciais para o fim da escravidão no Brasil, que só ocorreria em 1888 com a Lei Áurea. O texto mostra como a rebelião negra, mesmo sem participação política formal, moldou as decisões legislativas e acelerou o processo de abolição.
FAQs
Foi uma revolta de escravizados em 1833, em Minas Gerais, onde os escravizados mataram nove pessoas da família Junqueira, incluindo três crianças, em resposta às condições severas de trabalho.
Ventura Mina foi o líder da Revolta de Carrancas, morto junto com outros quatro escravizados durante a repressão ao levante.
Foi uma insurreição de africanos muçulmanos em Salvador, em 1835, que resultou em confrontos violentos e na execução de quatro líderes após a repressão.
As revoltas, como a de Carrancas e dos Malês, levaram a leis mais rígidas de controle e repressão contra escravizados e libertos, aumentando a vigilância das elites.
A lei foi aprovada para acabar com o tráfico de escravizados, pressionada pela Inglaterra e pelo medo de novas revoltas, após décadas de tráfico ilegal desde 1831.
André Rebouças foi um engenheiro negro e abolicionista que defendia o fim da escravidão, apesar de sua família possuir escravos, e foi uma figura central no movimento abolicionista no Brasil.
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