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Cúpula dos BRICS: ausência de Lula e os principais destaques da declaração final

7m 41s

Cúpula dos BRICS: ausência de Lula e os principais destaques da declaração final

A cúpula dos BRICS, realizada na Índia, terminou sem a presença do presidente Lula, que participou das três edições anteriores. O Brasil foi representado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. Dos dez países permanentes do grupo, apenas Brasil e Emirados Árabes Unidos não enviaram chefes de Estado ou de governo. A ausência brasileira, motivada pelo contexto eleitoral e político sensível, diluiu a participação do país e abriu espaço para maior destaque do RIC — Rússia, Índia e China —, incluindo a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos, num contexto de tensões fronteiriças entre os dois países. A declaração final teve três destaques principais. Primeiro, criticou firmemente o unilateralismo econômico, as sanções unilaterais, tarifas e barreiras comerciais, num recado direto aos Estados Unidos, sem citá-lo nominalmente. Segundo, defendeu maior uso de moedas nacionais no comércio entre os membros para reduzir a dependência do dólar e a vulnerabilidade a sanções, embora nenhum mecanismo comum tenha sido efetivamente criado. Terceiro, sobre o Oriente Médio, pediu máxima contenção, reconhecimento pleno da Palestina como Estado e criticou deslocamentos forçados e uso da fome contra civis. Além disso, discutiu-se a integração entre o PIX brasileiro e o UPI indiano, visando intensificar o comércio bilateral, que tem crescido de forma coordenada, com destaque para o setor farmacêutico e os medicamentos genéricos.

Transcription

986 Words, 5845 Characters

Portuguese
Speaker 1CBM Pelo Mundo, com Filipe Figueiredo.
Speaker 2Oi Filipe, boa tarde.
Speaker 3Olá Tati, olá Fernando, boa tarde a vocês, boa tarde a todos os nossos ouvintes aqui da CBN.
Speaker 2Cúpula dos BRICS terminou, foi na Índia e não contou com a presença do presidente Lula, que nas três edições anteriores esteve por lá. Foi sentido essa ausência, Filipe?
Speaker 3Então Tati, o Brasil foi representado pelo Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. Dos dez países permanentes do BRICS, apenas Brasil e Emirados Árabes Unidos não enviaram chefe de Estado ou chefe de governo. O outro foi os Emirados Árabes Unidos, que enviou o filho do MBZ. Então ele é o chefe do Conselho Executivo, ele é o herdeiro do trono, o futuro líder dos Emirados Árabes Unidos, por assim dizer. A ausência do presidente Lula se dá devido ao fato de que o Brasil está em uma situação de desigualdade, está num contexto eleitoral, de véspera de eleições, e também num contexto político bastante sensível, e isso vocês podem explicar e comentar muito melhor do que eu. Então é claro que a presença do chefe de Estado do Brasil é sempre o mais desejável, é sempre a prioridade, e isso acaba transformando a presença brasileira, acaba diluindo um pouco a presença brasileira. O aspecto mais notável dessa ausência do Brasil foi o fato de que isso abriu um espaço maior para as comunicações entre o chamado RIC, Rússia, Índia e China, inclusive foi a primeira visita do Xi Jinping à Índia em sete anos, e os dois países nos últimos anos tiveram episódios de tensões com escaramuças fronteiriças, a guerra entre Índia e Paquistão ano passado, Paquistão, que é um grande aliado chinês, então essa presença do líder chinês foi bastante significativa, e a ausência do presidente Lula acaba diluindo um pouco a participação brasileira, por motivos naturais, infelizmente.
Speaker 1Filipe, tivemos uma declaração final nessa cúpula, o que você destaca?
Speaker 3Olha, eu acho que nós temos aqui que fazer três destaques principais, tá, Fernando? O primeiro deles é o fato de que a nota, a declaração final, ela foi muito firme em criticar o chamado unilateralismo econômico, ou seja, criticou o uso de sanções econômicas de forma unilateral por países, criticou tarifas e barreiras comerciais, criticou a falta de multilateralismo econômico, a paralisação do OMC. Em outras palavras, foi um gigantesco recado direcionado aos Estados Unidos, embora sem falar diretamente nesse nome. Lembrando que, como o país dos BRICS hoje está o Irã, e também a Rússia, a Rússia é um membro fundador, e por que eu cito esses dois países? Porque a Rússia é, sobre algumas métricas, o país mais sancionado do mundo, desde a invasão da Ucrânia, e o Irã é alvo de diversas sanções pelos Estados Unidos, nos últimos anos, se intensificando nos últimos meses. O segundo ponto de destaque é que a declaração final defendeu maior uso de moedas nacionais no comércio entre os países dos BRICS, ou seja, para diminuir o uso do dólar, consequentemente, diminuir a vulnerabilidade desses países em relação às sanções dos Estados Unidos, mas não foi dessa vez que um mecanismo de comércio comum foi... resolvido, foi declarado. Lembrando que, né, existe muito sensacionalismo sobre essa chamada moeda comum dos BRICS, não é uma moeda comum, é apenas um mecanismo ali de conversão monetária para facilitar o comércio. E o terceiro ponto é sobre o Oriente Médio, né, já que a declaração pediu máxima contenção, pediu por um reconhecimento pleno da Palestina como Estado associado à ONU, defendeu a solução de 2018... dos Estados e criticou deslocamentos forçados e uso de fome contra populações civis. Então, o Oriente Médio, até pela presença do Irã no grupo, foi, talvez, o principal tema, né, dessa declaração final, do ponto de vista político e geopolítico.
Speaker 1Felipe, só uma questão com relação às transações monetárias. Falaram em unir PIX com o sistema que é o da Índia, que é o UPI. Como é que se discutiu isso?
Speaker 3Então, o Banco Central brasileiro tem conversas, tanto com a Índia, quanto também com o Banco Central europeu, para unir sistemas de pagamentos digitais. No caso da Europa, seria o aceite de PIX por bancos europeus, por estabelecimentos financeiros europeus, devido à grande presença de brasileiros no continente europeu, sejam residentes, sejam turistas. No caso indiano, é o fato de que a Índia já... A Índia já possui um sistema de pagamentos muito parecido com o PIX, que é o sistema que você citou, e essa união de sistema de pagamentos visa, especialmente, a intensificação do comércio entre os dois países. O comércio entre Brasil e Índia tem se multiplicado, nos últimos 20 anos, últimos 15, 20 anos, num processo que é muito curioso, porque é um processo que é coordenado, que é feito, começou com um nível governamental. Vem, digamos assim, de cima para baixo. Por quê? Porque Brasil e Índia não são países vizinhos, nós não temos uma diáspora indiana muito grande no Brasil. Então, os dois países têm intensificado esses mecanismos de diálogo, e hoje, Brasil e Índia são parceiros comerciais em muitos setores, e talvez pensando no nosso ouvinte, o que a gente mais possa destacar é a indústria farmacêutica. A Índia e o Brasil, a Índia é um grande polo farmacêutico, e Índia e o Brasil são parceiros, há décadas, no processo que culminou no que nós chamamos de medicamento genérico. Inclusive, nós temos a entrada de farmacêuticas indianas no mercado brasileiro nos últimos anos. Então, essa integração de sistemas facilitaria essas transações comerciais entre os dois países, que têm crescido muito nos últimos anos, embora, claro, a Índia ainda não seja um dos top 5 parceiros do Brasil.
Speaker 2Felipe Figueiredo está conosco às segundas. Nosso CBN pelo Mundo. Obrigada, Felipe, por hoje. Um beijão para você. Boa semana para a gente.
Speaker 3Beijo, Tati. Beijo, Fernando. Um abraço a todos os nossos ouvintes e até semana que vem. Até, Felipe. Obrigado.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A cúpula dos BRICS foi realizada na Índia e não contou com a presença do presidente Lula, sendo o Brasil representado pelo ministro Mauro Vieira.
  2. Dos dez países permanentes do BRICS, apenas Brasil e Emirados Árabes Unidos não enviaram chefe de Estado ou de governo.
  3. A ausência de Lula abriu espaço para maior protagonismo do RIC (Rússia, Índia e China), incluindo a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos.
  4. A declaração final criticou o unilateralismo econômico, sanções unilaterais, tarifas e barreiras comerciais, num recado direto aos Estados Unidos.
  5. A declaração defendeu maior uso de moedas nacionais no comércio entre os países do BRICS para reduzir a dependência do dólar.
  6. Sobre o Oriente Médio, a declaração pediu máxima contenção, reconhecimento pleno da Palestina como Estado e criticou deslocamentos forçados.
  7. Discutiu-se a integração entre o PIX brasileiro e o sistema UPI indiano para facilitar transações comerciais entre os dois países.
  8. O comércio entre Brasil e Índia tem crescido nas últimas décadas, com destaque para a indústria farmacêutica e medicamentos genéricos.

Summary:

A cúpula dos BRICS, realizada na Índia, terminou sem a presença do presidente Lula, que participou das três edições anteriores. O Brasil foi representado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. Dos dez países permanentes do grupo, apenas Brasil e Emirados Árabes Unidos não enviaram chefes de Estado ou de governo. A ausência brasileira, motivada pelo contexto eleitoral e político sensível, diluiu a participação do país e abriu espaço para maior destaque do RIC — Rússia, Índia e China —, incluindo a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos, num contexto de tensões fronteiriças entre os dois países.

A declaração final teve três destaques principais. Primeiro, criticou firmemente o unilateralismo econômico, as sanções unilaterais, tarifas e barreiras comerciais, num recado direto aos Estados Unidos, sem citá-lo nominalmente. Segundo, defendeu maior uso de moedas nacionais no comércio entre os membros para reduzir a dependência do dólar e a vulnerabilidade a sanções, embora nenhum mecanismo comum tenha sido efetivamente criado. Terceiro, sobre o Oriente Médio, pediu máxima contenção, reconhecimento pleno da Palestina como Estado e criticou deslocamentos forçados e uso da fome contra civis.

Além disso, discutiu-se a integração entre o PIX brasileiro e o UPI indiano, visando intensificar o comércio bilateral, que tem crescido de forma coordenada, com destaque para o setor farmacêutico e os medicamentos genéricos.

FAQs

O Brasil foi representado pelo Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Lula não compareceu.

O Brasil vivia um contexto eleitoral e político sensível, o que tornou a ausência do chefe de Estado necessária.

A declaração criticou o unilateralismo econômico, defendeu maior uso de moedas nacionais no comércio e abordou a situação do Oriente Médio, incluindo o reconhecimento da Palestina.

Criticou o uso unilateral de sanções, tarifas e barreiras comerciais, em um recado direcionado aos Estados Unidos, sem citá-lo diretamente.

Defendeu-se maior uso de moedas nacionais para reduzir a dependência do dólar e a vulnerabilidade a sanções, mas nenhum mecanismo comum foi criado.

O Banco Central brasileiro conversa com a Índia para unir o PIX ao UPI, visando facilitar e intensificar o comércio entre os dois países.

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