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56. Culturalismo: Franz Boas

48m 58s

56. Culturalismo: Franz Boas

O episódio explora a trajetória de Franz Boas ao longo da sua jornada de geógrafo para antropólogo, centrando-se na análise do mito como expressão vital da cultura inuit e de povos da costa do Pacífico. Ao contrário do pensamento evolucionista que via os mitos como vestígios primitivos ou produtos de uma mente inferior, Boas os reinterpreta como narrativas simbólicas que regulam a vida social, a economia e as relações entre os seres humanos e o ambiente. Ele demonstra que os mitos, como o de Sedgina, não são estáticos, mas dinâmicos, com elementos que se difundem e se adaptam ao longo do tempo e nos diferentes contextos culturais. Essa visão transforma a antropologia em uma ciência historicista e crítica, que valoriza a criatividade e a especificidade de cada cultura, rejeitando a ideia de hierarquias evolutivas. Boas reforça que cada mito é um documento vivo da história e da invenção cultural, revelando como os povos reinventam e reorganizam símbolos comuns. Assim, sua análise do mito se torna um método poderoso para compreender a diversidade cultural e a complexidade da mente humana, marcando um ponto fundamental na formação da antropologia moderna.

Transcription

7323 Words, 44265 Characters

Portuguese
Olá, viajantes! Bem-vindos ao Antropoquesti, um podcast que vai te levar a singrar os mares da antropologia. Eu sou o Fred Lúcio e vou acompanhá-los por essa maravilhosa viagem pela ciência do ser humano. Em nosso percurso, vamos parar em pequenas ilhas do conhecimento, sempre encorados por uma pergunta que orientará a nossa inspiração. Prontos para embarcar comigo? Então vamos nessa, pessoal! Estamos em nossa terceira expedição, uma navegação pelo mito, episódio de hoje, o mito na perspectiva culturalista Franz Boas. A história de Sedgina e o Fumar na ativa mítica traduzida e adaptada de um trecho do livro Centro Esquimol, publicado em 1888 por Franz Boas. Da ração, Cristiane Cotei. Em tempos distantes, não o tempo que se conta nos calendários, mas aquele que não entende, inicio, nem fim, quando a Terra ainda era jovem e o céu e o mar não conheciam separação clara. Era a época em que o gelo avançava como um servivo, cobrindo tudo em seu silêncio branco. E o vento não apenas soprava, ele decidiu o caminho dos homens de Tava se haveria vida ou morte. Nesses tempos, a beira de uma costa solitária vivia um inuk com sua filha Sedgina. A esposa já havia partido para o mundo dos mortos. E pai e filha levavam uma vida silenciosa, recolhida ao frio e ao mar. Sedgina cresceu bela e de toda parte os jovens vinham pedir sua mão. Mas seu coração permaneci ao tivo, entocado, recusando um a um. Foi então quando os gelos da primavera começaram a se partir, que um fumar, have do mar e rante das tempestades, surgiu voando sobre as placas de gelo e a proximão se dissedna com um canto sedutor. Vem comigo, disse ele, vem a Terra das aves, onde não existe fome, onde minha atenda é feita das pelas mais belas. Tu repousarás sobre macias peles de urso. Meus irmãos os fumares traram tudo que desejares, suas penas de cobrirão, sua lamparina terá sempre olho, sua panela jamais ficará sem carne. Palavras assim não puderam ser recusadas por muito tempo. Seduzida Sedgina partiu com ele sobre as águas vastas. Mas ao chegar em a Terra do fumar, após longa e penosa travessia, Sedgina percebeu que for enganada. Sua nova morada não era feita de peles finas, mas de restos de peixe, furados e mauxeirosos, por onde o vento e a neve penetravam livremente. Seu leito não era de peles macias de rena, mas de couro duro de morça, e o alimento em veja bondância reduzia-se a peixes miseráveis trazidos pelas aves. Logo se eu deu conta de aqui, em seu orgulho, havia rejeitado os rapazes e nuí que lhe teriam dado uma vida digna. Então em sua tristeza ergueu o canto. Aja o pai, se soubesse, quando miserável me encontro, viria-se a mim e partiremos juntos em teu barco sobre as águas. As aves me olham com desdei, com uma estrangeira que sou, ventos frios rujem ao redor de minha cama, deu-me apenas alimento pobre, vem, ó vem e leva-me de volta à aja. Passou-se um ano, quando os ventos mornos voltaram a agitar o mar, pai de sédina atravessou as águas pra visitá-la. A filha ou recebeu em júbilo, suplicando o que elevasse para casa. O pai, ao ouvir sobre sofrimentos da filha, decidiu vingar-se. Matou o fumar e colocou sédina em seu kayak. Juntos deixaram para trás, a terra que lidera tanta margura. Mas quando os outros fumar-es regresaram e encontraram morto companheiro e desaparecida sua esposa, ergueiram-se em busca dos fugitivos. Seus gritos cortaram o céu, e até hoje é possível ouvir o lamento dessas aves nas tempestades sobre o mar. Logo avistaram o barco, combater diasas convocaram uma tempestade violenta. O mar se levantou em ondas imensas, prestes a engolir pai e filha. O pai tomado pelo medo, decidiu lançar sédina as aves para pasiguá-las. Atirou ao mar. Sédina, desesperada, agarrou-se a borda da embarcação com todas as forças. Então pai, cruel, sacou a faca e cortou-lhe as primeiras falanges. Os dedos caíram ao mar e transformaram-se em baleias e as unhas em barbas de baleias. Sédina resistiu, segurando-se ainda mais firme. O pai cortou mais. Das segundas falanges nasceram as focas. Por fim, ao descepar os tocos restantes surgiram as focas barbadas, que nadaram em cardúmes pelas água geladas. Sédina gritava e seu corpo era tragado pelas água geladas. A tempestade, então, se acalmou, pois os fumários julgaram que Sédina havia perecido. Quando Sédina fundou, já não era apenas uma jovem, mas a rainha soberana das profundezas, senhora dos ribanhos marinhos. Desde então, Sédina abita o fundo do oceano. Seus filhos longos flutuam como algas e maranhados pela raiva e pela bandônio. Quando ela se irrita, prendem entre os filhos dos ribanhos marinhos e nenhum animal se aproxima dos caçadores. A fome com dar odeia e nada pode ser feito. É nesse momento que os chamãs entram em trânsi e descem até sua morada. Eles atravessam as camadas de gelo e escuridão, passam por monstros de olhos amarelos, por correntes que puxam como mãos invisíveis, por sombras de baleias tão grandes quanto montanhas. Até que chega um diante de Sédina, ela os recebe com olhar frio, cabelos densos e cheios de nós, o corpo envolto no silêncio pesado das profundezas. O chamãs então se filham diante dela, tiram pentes, feitos de ouça e conchan e começam a desimpar assar cada fio, com gestos pacientes e reverentes. A cada nó desfeito, um animal é liberado, primeiras focas, depois as morças e por fim as baleias que emergem com o fôlego profundo. Só quando seus cabelos filham soltos, excede nace a calma. Só então, a casa retorna e o povo pode novamente viver. Assim se aprendeu, desde tempo sem data, que o mar não é apenas território de caça, mas morada de uma rainha deusa ferida. Cada animal caçado é parte de seu corpo e a vida só continua quando esse pacto é lembrado. A violência funda o mundo, mas é o cuidado que o mantenha em movimento. Olá pessoal, bem-vindos a mais uma etapa dessa nossa grande aventura pela fascinante ciência que é a antropologia. Nós estamos aqui de volta em mais um episódio do Antropoceste, continuando a nossa exploração pelos océanos profundos estigantes da antropologia. E nessa navegação nós estamos desbravando ilhas repletas de sabeles e trilhas de reflexões que construíram essa área de conhecimento sobrenais seres humanos, e esses seres tão fascinantes quanto cheios de mistérios. No último episódio nós percorremos o material de operas paisagens amplas dos Estados Unidos e exploramos o sujimento e a consolidação da escola culturalista. No precoz que nós fizemos, a gente procura entender ele em gerais como essa linhagem de pensamento da antropologia sergueu como resposta bastante crítica ao evolucionismo e como encontrou nos fanos boas a sua figura central. Isso também, como a gente já tinha visto, estava acontecendo com o funcionalismo, tanto na França quanto na Inglaterra. para a terra. A gente começou também bastante sobre como a proposta do particularismo histórico e do relativismo cultural, não gerou apenas conceitos abstratos, mas verdadeiras chaves metodológicas que redefiriram completamente o olhar da topologia, especialmente sobre alguns aspectos da relação entre ele e natureza e cultura. E também essa virada dessas duas escolas de pensamento contribuiu muito para a de construção de toda a sorte do enorme preconceito que foi endossado e também consolidado pela teoria evolucionista. Então juntas, essas duas escolas de pensamento da antropologia, o funcionalismo e o culturalismo mudaram radicalmente os rumos da nossa ciência e a maneira como nós todos, se chamadas as sociedades ocidentais ou se vocês quiserem eurocentradas, nós enxergamos esses outros do continente africano, america indígena, da Ásia, da Polinesia e por aí vai. Bom, então agora continuando a explorar os territórios dessas escolas de atropologia no encalço das pegadas do bolas e também um pouco sobremito, né, porque afinal de quantas nossas temporadas é sobre isso. A nossa navegação imaginária começa a entrar agora numa das regiões habitadas mais geladas do planeta, nós estamos no ciclopolar arte, lá no extreme anote do Canadá, mais precisamente na Ira de Bafin. Essa é uma das maiores hírias daquele enorme arquipélago, entre o Canadá e a Cronilândia, no extreme anote do continente africano. Acho que vocês conseguem se localizar mais ou menos no mapa, né? Essa hírias de Gantesca, a pessoa é habitada a milhares de anos pelo povo Inuit ou Inuit, se vocês quiserem, que antigamente era o chamado Esquimó. Acho que esse é o nome pelo qual a maioria de vocês conhecem esse povo. É um povo que molda a sua vida e a sua existência num diálogo bastante íntimo, bastante próximo, tanto com mar quanto com a neve, e também com a caça e com a pesca, com ciclos bastante incertos e exigentes do arctico. Esse povo, pessoal, fala o idioma chamado Inupitut, até difícil para anunciar, né? É uma língua meríndia, que pertence ao tronco linguístico com várias línguas, que vão passar praticamente todo o arctico. Indo da Groenlandia, passando para a Siberia, o Canadá, o Alaska, enfim, toda a parte norte. Aliás, é uma dica importante, vocês podem procurar alguns vídeos muito bacanas que tem na plataforma YouTube, por exemplo, de algumas pessoas do povo Inuit ensinando, dando algumas dicas de como são produzidas as palavras no seu próprio idioma. É bem interessante. Como tanto desses idiomas, essa é uma língua que carrega a paisagem nos lábios, dando nomeas águas, montanhas, nos animais, e os elementos da natureza que sustenta uma vida. E é justamente aí a nossa navegação nos trouxe até aqui, porque foi esse cenário tão duro e exigente quanto belo, que aquele emfranzboas de geógrafo chegou em 1883. Então ele chegou ainda como cientista da geografia, justamente em busca dessas certezas positivistas e deterministas de uma ciência natural do seu tempo. Como a gente vai ver ao longo desse episódio, o Bose encontrou em vez dessas certezas, um povo que transformava a hostilidade do ambiente, um poesia de sobrevivência, engenho, criatividade, em sentido. A gente vai ver também que foi exatamente aqui na ilha de Bafing, que ele deixou de ser um cientista das formas da natureza, para se tornar um observador de ouvido humano em toda a sua densidade. Foi aqui que boa se fez antropólogo, descobrindo que compreender o outro existe muito mais do que medir distâncias, catalogar relevos ou descrever climas. Existe escuta, humildade, e também disposição para aprender que existem muitas maneiras de ser humano. Mas calma com a pessoa, a gente vai desenvolver essas ideias aos poucos ao longo desse episódio. E se antes do Bose a comparação apreçada do evolucionismo buscava classificar culturas naqueles de graus de uma mesma escada evolutiva, esta convivência em Bafing, com o Zino-I, na medida que ele observava, experimentava a sofiticação dessa cultura, o Bose mostrou que na verdade cada cultura tem sua própria trajetória histórica. E nessa trajetória histórica particular são construídos os seus traços culturais, e esses traços devem ser compreendidos dos próprios termos da cultura que os cria. Eles devem ser compreendidos de dentro. Então, aqui nesse episódio, a nossa proposta era nós dosetemos um pouco mais sobre o preçamento de boas, e particularmente é sobre um aspecto que atravessa toda a sua obra e que vai nos interessar particularmente aqui. E que de quebra se tornou um ponto decisivo para a formação da antropologia estadounidense, que é análise que ele faz sobre o mito. E essa passagem pela ilha de Bafing foi fundamental para isso. Ao contrário do talor do Freze, ali do Levy Brook, foram os três evolucionistas que a gente analisou, para quem, como a gente viu na nossa exploração sobre evolucionismo, os mitos eram ressquícios de um passado primitivo ou tentativas racionais de explicar a natureza, o Boas convida a gente a enxergar os mitos como documentos vivos da história de cada povo, como uma expressão simbólica de experiências sociais, morais e até mesmo emocionais. Então, nesse terreno, que se revela não apenas as arrativas dos Ginoí, mas também do povo coquilo e do povo cinchin, que são povos que habitam a costa noroeste do Pacífico na região da coluba britânica, no Canadá. Com quem o Boas conviveu ao longo da sua traditória, e de quem ele coletou muitas informações do campo. E além disso, ele vai trazer a ideia de que os mitos também são toda uma base, uma nova forma para a gente poder pensar a diversidade cultural. Então, o pessoal, se no último episódio nós falamos bastante sobre o Boas como fundador institucional e também teórico do culturalismo, aqui nesse nosso encontro, eu vou convidar vocês nesse contexto todo que estou descrevendo, mas jogaram o nosso foco nele como leitura dentro dos mitos e da mente humana. Como alguém capaz de registrar histórias, como a história de Sédina, a Deusa do Mar, entre Ginoí e uma qual eu comecei o nosso episódio. Ou mesmo as narrativas de casamentos com serem sobrenaturais dos povos da costa noroeste do Pacífico. O Boas não foi somente capaz de registrá-la, mas ele transformou essas histórias instrumentos para poder pensar a cultura de uma maneira radicalmente diferente. É nesse ponto que a antropologia produzida por ele se torna muito mais do que ciência no sentido positivista do tempo. Essa história também é uma forma de reconhecer a dignidade e a complexidade profundidade das tradições humanos. Aliás, só fazendo uma pausinha aqui, pessoal, por falar no mito de Sédina, eu já quero aqui aproveitar para agradecer a minha amiga querida e já passeira do antropoqueixo de Christianico T pela narração da história no começo desse episódio. E ainda sobre essa narração do mito de Sédina que vocês ouviram aqui, eu também queria pontuar algumas rápidas observações. A primeira, pessoal, é que a música de fundo que vocês estão ouvindo, que vocês ouviram na ação, é o canto ritual do Ginoí, que eu encontrei pesquisando por músicas e noído YouTube. A segunda é que eu retirei esse mito, essa versão que vocês estudaram, diretamente daquela que é conhecida como a primeira monografia produzida por Boas, e que foi publicada como livro em 1888, entitulado de Central Schemel. Esse livro tem um capítulo inteiro que Boas dedica a esse mito e as suas variantes no ciclo polarático. Proindo aí as narrativas dos demais povos que habita o agroelândia e as outras rechões do ático, onde esse mito é muito comum e tem muitas variantes, como a gente sabe que acontece com os mitos. E claro, além desse capítulo, eu vou utilizar muitas outras informações aqui no episódio que eu retirei desse livro. Essa é uma das maravilhas da internet, né, pessoal? Eu estava pesquisando sobre esse mito, aí eu achei a indicação de que ele era analisado pelo Boas nesse livro, e seguindo a pesquisa, eu me encontrei o PDF do livro no site archive.org, que como se vocês dava em conhecer. Esse site tem muito material de domínio público e muita coisa bastante antiga, inclusive livros textos do século 19. O meu terceiro último ponto que eu quero ressaltar aqui é que essa é uma tradução livre que eu fiz a partir de uma das variantes do mito que eu tive desse livro. Mas existem outras detalhes diferentes, aliás, inclusive variando sobre o destino final de sédita, que não seria o mar, mas seria as profundezas da terra. Enfim, como a gente já conversou bastante como todo o mito tem suas versões, suas variantes, suas variações, vocês quiserem. Agora, aqui está aqui, é bastante fio, aquela que é analisada por Boas no livro. Como eu comentei bastante no episódio anterior, falar de frasboas, é como abrir uma janela para o momento em que entropologia nos Estados Unidos deixou de ser apenas um campo de curiosidades esóticas e se transformou numa disciplina sólida, numa disciplina, capaz de se colocar lado a lado com as ciências mais estabelecidas e consolidadas, especialmente no campo das ciências naturais. Então, inicialmente, essa antropologia também se colocou como a gente já sabe, no melhor estilo positivista. Então, a partir daí, eu quero retomar algumas informações sobre o Boas, que aqui vão contextualizar com mais densidade e a saverada dele da geografia para a antropologia. Como a gente viu, o Boas nasceu na Alemanha em 1858, e aí na Alemanha ele se formou em física e em geografia. Melhorendo também, nos estudos de uma outra área aqui no fim do século 19, buscava entender a relação entre estímulos físicos e a percepção mental, uma área chamada psicofísica. Aqui, pessoal, vale a pena a gente se deter um pouco para ressaltar um ponto importantíssimo, porque ele vai ser bastante agravante para a gente entender parte substantiva das preocupações posteriores do mundo. do Boas como antropólogo, e em particular sobre alguns aspectos do mito, como ele vai analisar, que é a questão da mente humana, como a gente também já sabe, o século 19 é o século de consolidação da ciência como referência do conhecimento, ao venho repetindo isso há muito tempo, e especialmente a partir do modelo das ciências naturais, é um momento aúrio do positivismo, tenho falado muito sobre isso, né? Agora, especialmente no final do século 19, havia uma eferva essência intelectual em torno do emigma da mente humana, as questões importantes como o que é a mente humana, como ela funciona, como nós podemos compreendê-la, tudo isso ocupava uma série importante, não somente na filosofia, mas sobretudo na acente psicologia, a gente viu, por exemplo, que esta preocupação estava bastante presente nos trabalhos dos evolucionistas, vocês se lembram? E também, o debate será tirado por esse assunto e influenciou até mesmo o Durkheim, então o que antes era território quase que exclusivo dos filósofos, com o avanço da psicologia, da ciência e da perspectiva positivista, também passou a ser invadido por novos métodos e novas linguagens científicas, como se a própria interioridade humana estivesse sendo dessecada em laboratórios, estivesse sendo analisada em consultórios e debatida em congressos científicos, então nesse cenário, nesse contexto, a psicofísica se desenvolveu como aquele campo de batalha bastante alinhado com a chamada psicologia experimental, que também nasceu da tentativa de midir a ponti entre os estímulos do mundo e as percepções subjetivas, e isso trouxe, para as sensas exatas, aspectos do fenômeno humano, que pareciam entendíveis as nossas sensações, as nossas reações, as intensidades as nossas emoções, aliás, falando necessariamente entre esses dois campos, que é a psicologia experimental e a psicofísica, a própria psicologia experimental que tinha sido consolidado em laboratórios, como os do William Vultz, por exemplo, Likes, buscava observar a mente como se observam o fenômeno físico, observava por meio de experimentos controlados, cronometrados, por meio de estímulos visuais e de estímulos auditivos, então essa raposta de que os processos mentais poderiam ser analisados com a mesma precisão e com os mesmos métodos com que se estudam os movimentos de um pêndulo ou a queda de um corpo na física, por exemplo, é muito importante a gente terimente, que o doutorado do Boas era em física com foco em geografia, ou seja, a geografia aí, nesse momento, era totalmente uma ciência natural, então se aproximar desses aspectos da psicologia experimental e da psicofísica, não estavam tão distantes quanto possa nos parecer hoje, e ainda sobre esse contexto olha ainda que com outra curiosidade interessante, o próprio Darwin, quando ele publica um texto chamado a expressão das emoções do homem e nos animais, que aqui no Brasil já foi até editado por acompanhar das letras, ele abriu um caminho para esse pensamento evolucionista da mente, ele sugeria que os sedimentos de os modelos de pensar tinham raízes na história biológica da nossa espécie, se você se lembra ou na antropologia, esse legado ficou bem forte, nos autores evolucionistas que a gente analisou, como o talho do Freze, ele e principalmente levebrou o que era psicólogo lembram, esses caras se enxergavam no mito na magia e na religião, os ácidos de uma mentalidade primitiva ser superada pelo pensamento científico moderno. Um outro ponto importante que a gente não pode perder a divista, e sempre terimente sobre esse contexto, é que esse também era o momento em que nos corredores de Viena, o Freud já dava os seus passos inaugurais para a criação da psicanálise, o Freud colocou no centro da cena do debate intelectual sobre essa questão da mente humana, a ideia de inconsciente, a questão dos sonhos, dos desejos reprimidos, como sendo forças moderadoras da vida social e da vida individual, e como a gente sabe, a psicanálise começa a mudar um pouco essas chave positivistas dos estudos sobre a mente humana, mas isso a gente é pauta para outra conversa, não quero aprofundar aqui, mas esse contexto é importante, a gente tem. Bom, enfim, em resumo, pessoal, no que desespeito as leituras e as interpretações sobre a mente humana, como a gente está vendo, o século 19 foi um campo de batalha bastante intenso, né? De um lado, havia a perspectiva de uma sensação positiva, de uma sensação positivista, com esse desejo, com esse viais de quantificar, de medir e de objetivaramente, com a psicologia experimental, e com a psicofísica, e do outro com a psicanálise, que estava inaugurando o esforço de escutar aquilo que escapa essa regua, essa medição, ao cronômetro, como por exemplo o sonho, susrímbolos, os lapsos de memória e por aí vai. Então, nesse cenário, a antropologia que estava recendo não podia deixar de dialogar com esses debates. Afinal, era um debate sobre o ser humano fundamentalmente, e a gente viu muito isso nos trabalhos do Marinoves, que do Avonspitcher, por exemplo, no contexto da antropologia britânica, vocês lembram? Embora, bem da verdade, eles tivessem produzindo um momento bem posterior, aí, esse momento do Boz, eles não deixam de ser tributários diretos desse debate que estava acontecendo nesse momento. Isso tudo tem muito a ver, pessoal, diretam indiretamente, com essa guinada do Boz da geografia para a antropologia. Então, voltando a esse ponto, isso acontece justamente quando ele chega no carandá, levado pelo desejo de compreender a relação entre um ambiente físico e a vida humana, no adigo, a partir da cultura inui, como eu comentei agora a pouco. O objetivo inicial da expectação do Boz era realizar pesquisas geográficas, ele colotou o dado sobre o clima, sobre posição do sol, sobre as mares, sobre o gelo, e, sobretudo, ele fez levantamento estupográficos bastante detalhados da Costa Sudeste da Ilha de Bafi. Para você ser uma ideia, ele produziu o primeiro mapa da região, que foi baseado em edições geodesicas, um trabalho de grande impacto para a geografia da época. Então, em síntese em resumo, o seu interesse inicial estava focado estudar os sistemas de gel referenciamento dos inui. E foi justamente essa aproximação com a cultura inui, esse mercurio profundo, na cultura inui, que fez com que ele começasse a se despertado para o interesse que ia muito além das geografias física. O Boz passou a registrar sistematicamente os conhecimentos geográficos dos inui, inclusive pagando-lhes para que desenhassem mapas, eles estavam em nomes e lugares, que geografias são chamados por um termo técnico, toponímico ou toponímulo. Esses toponímicos revelaram padrões de acentamento, de migrações, distribuição de recursos e aspectos linguíticos dessa cultura. O Boz acolhe percebeu que esses padrões não eram aleatórios, mas eles revelavam elementos muito profundos da vida inui. Pois justamente, desse forço de compreensão, que era seu aquela monografia, que foi a primeira grande monografia dele, da qual eu tira inclusive o mito de seje na que vocês ouviram aqui, descentral esquimão. Aí, nesse trabalho, a gente já nota a transição do Boz do campo da geografia para o campo da antropologia. Esse estudo, sobre a forma como os inui percebiam e representava o seu próprio espaço, se tornou um pouco de virada importante na carreira do Boz. Por que ao fazer esse estudo, Boz percebeu que compreender o ambiente, esse dia também, compreender a cultura. Veja o que isso é super importante, porque Boz foi a bafim como geógrafo, interessado como já falei, né, na relação dos elementos climáticos do ambiente e nos recursos e a ocupação humana, e nesse processo, ele descobriu que o ambiente não podia ser entendido sem olhar todos os próprios inui. E foi isso que levou o Boz, a ultrapassar a audiografia determinista, que era muito vigente na sua época, inclusive, na sua própria formação, e daram seus primeiros passos a uma antropologia. Então, como vocês já estão percebendo, aqui entra outro ponto bastante importante. Essas ideias que começam a se desenvolver em Boas, e eu totalmente contra a muitas as ideias de centrais da época em que ele estava vivendo e que ele produzia. Tudo a ideia do determinismo geográfico irracial e também as ideias do evolucionismo. Então, quando Boz mergura fundo nessa cultura, na cultura inui, e começa a perceber essas relações entre o ambiente natural e as elaborações humanas, ou seja, a cultura propriamente dita, o seu pensamento vai sendo tomado por uma forte reação a essa irança do debate europeu, que estava acontecendo, de um lado sobre as relações entre meio ambiente e sociedade cultura, e do outro lado sobre a própria mente humana, sobre o próprio funcionamento da mente humana. E, no contexto desse debate, que ocorre essa consolidação no seu pensamento, da ideia de que, para compreender esses sistemas de classificação, era fundamental compreender a própria mente humana, e, por extensão, claro, a própria cultura. Vejam que aí, já abre um terreno totalmente diferente do que vinha sendo afirmado pelas tais deterministas, de que a cultura não é determinada por razões naturais, seja pelo ambiente geográfico, ambiente físico, seja por questões ligadas a biologia, as questões raciales que viam sendo debatidas também nesse momento. O fenômeno da cultura é um fenômeno totalmente autônomo com relação a essas interferências, vamos chamar assim da natureza. No máximo, ela pode ser influenciada por essas questões, mas jamais determinadas, jamais obrigatoriamente a cultura seguirá fatores da natureza. Então, no que diz respeito a questão da mente humana, diferente da perspectiva impreça pelo positivismo, na psicologia experimental, na psicofísica, como a gente viu, para boas, a mente humana não podia ser reduzida a hierarquias evolucionistas, ou a essência raciais. Isso era também o que afirmavam as ideias e terem. Terministas tão fortemente presentes no campo da geografia, por exemplo. Muito pelo contrário, a aposta do Boas foi odiar pra mente como algo inseparável da cultura, que era moldada pela própria história particular de cada povo, e a justamente desse ponto que ele se afasta das linhas dominantes do seu tempo, inclusive da psicanálise do Freud. Ele mostrava que a verdadeira universalidade da mente não está na repetição de estávidos genutivos, mas está da capacidade infinita de criar mundos distintos. Então, pessoal, é preciso reiterar aqui um aspecto que eu considero bastante importante, super importante, e é uma dificuldade que eu enfrento em sala de aula, por exemplo, porque as pessoas em geral têm uma mentalidade bastante retucionista, no que diz respeito a essa relação entre o meio ambiente, entre as questões biológicas, e o comportamento humano, sobretudo, manifestos por meio da cultura. E aqui a gente está diante de um primeiro grande pensador que veio justamente de uma área importante das ciências naturais, que investigavam as relações entre meio ambiente, e o comportamento humano manifesto pela cultura, que é o Boas, que vai subverter completamente uma ideia bastante consolidada, e que até hoje ainda é muito forte. Então, vamos reiterar e vamos compreender. As reis da natureza, óbvio, háagens sobre o ser humano, nas famos seres biológicos no naturais, estamos sujeitos a essas reis, mas elas não hagem como uma força determinante nos transformando em automatos, apenas respondendo a essas forças. Nós elaboramos, nós criamos sobre elas. O nosso comportamento não é uma reação automática a essas forças, a essas reis da natureza, e com isso, criamos muitos e ambientes completamente diversos. É isso, pessoal. Eu, inicialmente, consegui, antes de seguir na análise do mito, fazer uma reflexão mais detalhada sobre a questão dos determinismos, mas eu vou decidir fazer isso em um outro momento, no provavelmente no episódio separado, antes mesmo da Route Bandit, que é a próxima pensadora que eu tenho para ver isso no meu roteiro. Então, vamos começar a fechar esse episódio, falando sobre as considerações que o Boas faz sobre análise do fenômeno do mito. Bom, assim como para os outros temas com os quais ele trabalha, a análise que o Boas faz sobre o mito representa uma transformação bastante radical na antropologia como um todo. Isso, tanto do ponto de vista teórico, quanto do ponto de vista metodológico, e é revertindo sobre a articulação entre teoria e método que eu quero encerrar o episódio. Então, como eu venho assistindo ao longo de todo o episódio, diferentemente daquele foco universalista evolutivo do pensamento humano. Da maneira como era feita pelos pensadores evolucionistas, o Boas vai trazer as narrativas míticas para o terreno da história concreta e da vida social particular de cada sociedade. Agora, uma coisa importante que vale a pena resgatar no último episódio é que essa sensibilidade do Boas foi forjada, ela foi elaborada a partir de um trabalho de campo bastante pronuncioso que ele fez como a gente viu. Vamos lembrar que ele, junto com Malinoves, que são considerados os pais da etnografia como método da antropologia. E no caso do Boas, esse trabalho foi feita especialmente entre o Zinoite e da Ilha de Bafim. O Boas rejeitou com muito vigor, com muita força, o determinismo geográfico e o evolucionismo ocultural, a gente está vendo isso até o Penteiro. O contato direto do Boas com os povos Zinoite, os povos do Ártaro revelou pra ele que assim como o caçador não é escravo o passivo do gelo, mas é um artife secretivo de técnicas de transformação do meio ambiente pra que ele consiga habitar aquela vasta e bastante nóspica da região que é o artico, um narrador de mitos também não é vítima de ilusões primitivas como afirmavam os evolucionistas, ou seja, aquele portador de uma mente inferior. Mas pelo contrário, ele é um interprite bastante ativo do mundo, é um criador de sentidos e significados e que opera a partir de algumas chaves simólicas próprias que são manifesta das histórias alegóricas elaboradas que eles criam. Então, em oposição direta aos evolucionistas como o Eduardo do James Fraser, pra quem o mito era um resido irracional, ou pro leve brúl, né, que dizia que era o estágio mental transitório a ser dessuperado pela ciência, o Boas demonstrou que as narrativas míticas são parte constitutivas e uma parte vital da vida social do povo. Elas são sobras de irracionalidade, mas são os sistemas simbólicos bastante complexos e é por meio deles que os povos lembram, explicam, regulam e dão sentido a sua própria existência. Então nesse sentido o mito deixa de ser aquele resido a ser varrido pela ciência e passa a ocupar o lugar de evidência, é uma pista concreta de como as pessoas, como os lugares e como os tempos se enredam na vida social. E esse ponto de virada, a pessoa não é apenas teórico, mas é também metodológico. Então, em vez de perguntar o que o mito é, de forma mistrata, o Boas organiza uma prática de pesquisa que parte do registro fiel de campo e chega a comparação histórica, capaz de reconstruir trajetórias, no préstimo esculturais, váriasções esculturais, ele coleta muito para as versões da mesma história, na língua original, com dados de performas e do contexto em que elas acontecem. Vamos lembrar que aquela monografia, que a primeira monografia do Boas que já se tem aqui de centro-esquimo, era um trabalho meticuloso, um registro meticuloso de mitos na língua original. E assim como outras obras suas, esse trabalho tinha como objetivo muito mais do que colecionar a folkora, tratava-se na verdade de compreender como que esses elatos expressavam uma cosmologia, a ética e até mesmo uma economia de um pouco. Então, esse trabalho mostra o método do Boas operando no seu detalhe, o pegar o exemplo do mito de sédio, que é com o que a gente começou esse episódio. Essa história de sédia é situada por Boas como eu chute uma economia ritual, além dela ser a senhora das presas, era da origem, né, as caças ou os animais que os imunicassam, sédina também governa um dos destinos dos mortos. Então, com isso ela se torna uma figura invocada nas celebrações sasonais, em que a comunidade come em silêncio pensando nela, bebe água ritual e renuva laços de reciprocidade, não ciclo o dia no novo que incluia pagar e reacender as luzes, como se fossem pequenos sois, como um só novo. O Boas mostrou que essa história vai muito além de um simples mito etiológico, que são mitos de origem, e aqui no caso, explicar o origem dos animais. Essa história é uma gramática prática que organiza a vida, no autônio os chamanzializam rituales para descer em trans e até a morada de sédia, né? Penteasse os cabilos emaranhados, se lembra o que o mito derra sobre isso, né? Que é um ato simbólico que libera os animais pra casa, e a segura com isso a subsistencia da comunidade. O mito, portanto, articula relações de gêndaro, lembra o sacrifício da filha pelo pai, articula economia, fala da caça e da abundância da caça e da escasseis, e como devolver a abundância nesse período de escasseis, fala sobre moralidade, lembra que o mito fala sobre a quebre e a restauração de tabus, e, de uma certa maneira, fala amplamente sobre a cosmologia, a soberaninha do mar, a soberaninha da tempestade, os elementos que expressam a força da natureza, então, com tudo isso, o mito funciona como o eixo de regulação social e também de regulação emocional. Ele vai regular condutas, ele dexa calendários, ele autoriza mediações chamânicas, então, ele não é uma alegoria deslocada, é uma gramática prática da vida marinha, da vida ritual e de uma certa maneira do afeto coletivo entre as pessoas. Então, esse mito serve como um exemplo de holográfico bastante paradigmatico, não é toque, como disseu Boas Gaston, capítulo inteiro, falando sobre ele, fazendo análise desse mito. Existe um outro texto do Boas, que eu consegui que está disponível para dar um load na internet, e eu consultei para preparar esse episódio, é um texto que se chama "Desdevelopment of hotels and myths", o desenvolvimento de focloir e do mito dos mitos. É um artigo do Boas publicado em 1916 que está naquela base de dados de journal store, e não está lavada no olho, está aberto para dar um load. Nesse artigo, o Boa se tisa de forma bastante brilhante, essa virada que ele propôs. Aquilo que circula entre os povos não são essências universais, mas são pequenos núcleos de ação, que ele vai chamar de incidentes, são de temas, que viajam longos distâncias, e se espalham amplamente, e ao se enraizar em histórias e territórias particulares, vão adquirindo marcas próprias, vão adquirindo peculiaridades características. É por isso que, pro Boas, não faz sentido buscar aquelas leis universais dos evolucionistas, a partir de semelhanças superficiais, e nem manter fronteiras ígidas entre o mito e o conto, por exemplo. Esses materiais passam de uma forma a outra, vão variando e se entrelaçam se transformando muito a mente, o que deve orientar a análise comparativa, então não é aquela escada evolutiva que classificaria esses mitos e essas histórias em estágios evolutivos, mas seria esse mapa vivo de difusão, de adaptação, e de uma remodelagem histórica, que vai revelando como cada cultura realabora, do seu jeito, da sua maneira, com um repertório compartilhado de motivos da ativos, ou de temas da ativos, se vocês quiserem. Esse tema que eu estou abordando nos traz um ponto super importante e que vale uma breve reflexão. É sobre a relação de frasboas com outra corrente importante do seu tempo, o chamado "difusionismo". O bomo é frequentemente lembrado, como o grande opositor do evolucionismo cultural, a gente está falando sobre isso o tempo inteiro. Agora, o que é interessante é que ele tem um movimento, ao mesmo tempo, de aproximação e de distanciamento, com relação ao "difusionismo". E esse movimento ajuda a gente a compreender a singularidade à especificidade da proposta do Boas. Explica muito rapidamente o "difusionismo" cultural é uma corrente de interpretação dos fatos da cultura, bastante forte, bastante vigorosa no final do século XIX e também no início do século XX. Em linhas bem gerais, essa corrente defendia que a semelhança entre diferentes sociedades não eram explicadas por uma evolução mental comum e universal, como previam os evolucionistas, mas elas eram explicadas pelo contato e pelo emprestimo de elementos culturais. Até esse central dessa teoria era de que elementos da cultura, como técnicas, crenças, mitos e até mesmo as instituições, surgiam a partir de determinados focos ou determinados centros de origem, como eles chamavam, e a partir daí elas se espalheavam por outras regiões do planeta, então em contraste com o evolucionismo, que viu os fatos da cultura como etapas de uma mesma escada universal de evolução da humanidade, os difusionistas afirmavam que a diversidade cultural resultava de processos de circulação e de adaptação com ponto um grande, um verdadeiro mosaico de áreas culturais que eram terigadas por rotas de difusão. O Boas compartilhava de parte desse olhar, mas ele vai elaborá-lo de forma bastante própria. Nesse texto que eu me sorrei para vocês, o desenvolvimento dos folclores e dos mitos, ele afirma que aquilo que ele chama de incidentes, que são os núcleos narrativos ou os motivos dos contos, os temas que os contos trabalham apresentam uma ampla distribuição que vão atravessar regiões e até mesmo continentes, mas a medida que eles se enraizam determinados contextos particulares, determinadas regiões e determinadas populações, vão adquirir refeições locais, vão adquirir peculiaridades que são bastante características. Então, o resultado não é a reprodução de um modelo único e, muito menos, um simples vestígio da origem, mas uma trama de recombinações criativas. Nesse sentido, a análise comparativa, ela não deve se orientar para uma escada evolutiva que vai classificar essas sociedades em estágios, mas por esse mapa vivo de difusão, de adaptação, de remodelagem. Agora, como eu disse, o Boas abraçou parcialmente essas ideias. A diferença fundamental de Boas Blue difusão clássico está na sua recusa em pensar esses setos fixos como sendo origens únicas para esses fatos da cultura. Para Boas, a difusão não é uma explicação pronta, mas é um processo que precisa ser documentado empiricamente. Os materiais culturais não circulam como cópias inalteradas, eles vão se interessando, vão se transformando o acado em contra. O Boas reconhece que há uma circulação trans-regional desses núcleos narrativos dos contos, como, por exemplo, o casamento com animais, a viagem ao mundo dos mortos, elementos que, como a gente viu, estão presentes na narrativa da história de sédina. Então, Boas Blue insisti que a comparação deve reconstruir as traditórias e essas variações e jamais se reduzir tudo a uma única matriz originária. Daí a importância de fazer o que ele fez, de coletar sobre o mesmo momento, sobre o mesmo núcleo, várias versões diferentes dos povos que narram essas histórias. A gente pode dizer então que Boa se apropria da noção de difusão, do conceito de difusão, mas ele vai colocar a serviço de uma antropologia que tem um caráter historicista e profundamente que ela ativista. Enquanto o difusão clássico é o difusão rígido, buscava mapear certos círculos culturais e explicar a diversidade pela dispersão a partir de alguns poucos centros, o Boas vêm a difusão a oportunidade de destacar a criatividade das culturas quando elas elaboram repetórios que são compartilhados. Então, mais do que se perguntar de onde veio, tal ou tal fato cultural aqui no caso nós estamos analisando o motivo do mito, interessa por Boas e investigar o que se tornou esse motivo não da terminada contexto cultural. Nesse deslocamento, antropologia do Boas ganha bastante força. Cada mito é um documento vivo da história e da invenção. É um registro de como diferentes povos reinventam continuamente suas erenças simbólicas que estão circulando pelo mundo. É um pouco pessoal da lógica da antropofagia que os modernistas troceram para a cultura brasileira. Nós usamos apropriamos determinados elementos culturais, mas nós nos reinventamos e elaboramos, produzindo elementos que são diferentes e que por isso se tornaram típicos da cultura brasileira. Então foi nesse espírito que o Boas registrou as narrativas inuíte, que revelam a fui dessas fronteras entre humano e não humano. Então, histórias de casamento, que são tabul, como a da jovem, que se uniam cão e gera descendentes híbridos, não são fábulos absurdas, mas são elaborações simbólicas sobre alianças, sobre transmissões e até mesmo sobre os limites do palentesco. Relato de viagem chamânica ao mundo dos mortos, atravessando a camada de gelo, o legitima, o papel dos especialistas religiosos como os mediadores entre uns mundos. Os contos etiológicos sobre a origem de acidente de geográficos, por exemplo, ou sobre o homem-lua que regula amarece e também os tabul sexuais, conectam os ciclos cósmicos a normas sociais e acuam valores de compaixão, de reciprocidade. Então, para Boas, essas histórias não são expressões densas de uma coisa política. São modos de pensar e de organizar as erações entre humanos, animais e as demais forças naturais. Então, o sérni da contribuição teórica de Boas na análise do mito está justamente em concebendo o mito, não como uma peça fixa de uma linha evolutiva universal, mas como um organismo vivo em constante movimento. A sua comparação histórica e meticulosa demonstrou que esses motivos narrativos, né, casamentos com seres dão-manos, decida ao mundo subterrâneo, com os cantos homologos, era se difundem amplamente, mas em cada nova região são remontadas, são recombinadas e são adaptadas. Então, pessoal, uma mesma trama pode aparecer com diferentes áreas do artigo e da costa da unidade do pacífico com versões diferentes, hora com heróis ajudando por baleias, hora por cães, hora por águias. Então, essa constatação levou Boas a substituir a cada ideia de uma busca por supostos estados universais por uma verdadeira cartografia de variações, que reconstrua per custos históricos de difusão, de empréstimo e de reenvenção. E a sametáfora da cartografia combina bem com o Boas Geógrafo. E nesse trabalho de detalhamento e de reconstrução, que o mito nas mãos do Boas vão se transformar não apenas em objetos de estudo, mas em um verdadeiro método para compreender a história e a criatividade das culturas. E, claro, assim como ele fez com mito, que é o nosso foco aqui, também é possível com outros elementos da cultura, como a língua, ele vai estudar bastante as valiações linguísticas, a religião e o parentesco, por exemplo, que podem ser analisados por essa mesma chave. Pessoal, eu acho que com essas aflições a gente já pode terminar o episódio sobre Boas, eu lembrando que aqui a gente refocou fundamentalmente na análise do mito. Então, possivelmente no próximo episódio, eu vou expandir um pouco dessa reflexão, falando sobre os determinismos. Até porque, esse momento é importante, porque quando nós formos discutir a questão do racismo e, sobretudo, o racismo científico no século XIX, entender a lógica do determinismo é bastante importante. Aliás, não só a questão do racismo, mas, sobretudo, a questão de gênero. Então, talvez, por isso, eu acabe fazendo já na sequência, antes da root Benedict, que seria a próxima antropóloga, como eu disse, na análise sobre os determinismos no século XIX. Então, muito obrigado pela sua companhia e até o nosso próximo encontro, pessoal. Um grande abraço! Este foi o Antropoceste, um podcast que é uma viagem pela antropologia. Eu sou Fred Lucio, filósofo, antropólogo e professora universitário. Se você curtiu, siga no Facebook e Instagram @antropoceste. E siga-nos também na sua plataforma de podcast e ajude nos advogarem suas redes. Muito obrigado, pessoal, e até a próxima parada!

Podcast Summary

Key Points:

  1. Franz Boas, ao estudar a cultura inuit na Ilha de Baffin, abandonou a visão determinista da natureza e da cultura, passando a ver a cultura como um fenômeno autônomo, moldado pela história particular de cada povo.
  2. Para Boas, os mitos não são resquícios primitivos ou ilusões, mas expressões vivas da vida social, simbólicas e emocionais, que regulam ações, rituais e relações entre humanos, animais e natureza.
  3. Boas transformou a análise do mito em um método rigoroso e histórico, destacando a difusão e adaptação de temas narrativos, rejeitando a ideia de escada evolutiva e valorizando a criatividade e invenção cultural.

Summary:

O episódio explora a trajetória de Franz Boas ao longo da sua jornada de geógrafo para antropólogo, centrando-se na análise do mito como expressão vital da cultura inuit e de povos da costa do Pacífico. Ao contrário do pensamento evolucionista que via os mitos como vestígios primitivos ou produtos de uma mente inferior, Boas os reinterpreta como narrativas simbólicas que regulam a vida social, a economia e as relações entre os seres humanos e o ambiente. Ele demonstra que os mitos, como o de Sedgina, não são estáticos, mas dinâmicos, com elementos que se difundem e se adaptam ao longo do tempo e nos diferentes contextos culturais.

Essa visão transforma a antropologia em uma ciência historicista e crítica, que valoriza a criatividade e a especificidade de cada cultura, rejeitando a ideia de hierarquias evolutivas. Boas reforça que cada mito é um documento vivo da história e da invenção cultural, revelando como os povos reinventam e reorganizam símbolos comuns. Assim, sua análise do mito se torna um método poderoso para compreender a diversidade cultural e a complexidade da mente humana, marcando um ponto fundamental na formação da antropologia moderna.

FAQs

O mito de Sédina é uma narrativa cultural inuit que conta a jornada de uma jovem que é enganada por um fumar e, ao ser retratada como uma rainha marinha, torna-se símbolo da relação entre cultura, natureza e mito. Ele exemplifica como os povos interpretam a realidade de maneira simbólica e criativa, sendo um dos fundamentos da abordagem culturalista da antropologia.

Franz Boas rejeitou o evolucionismo e o determinismo geográfico, defendendo que cada cultura tem uma trajetória histórica única. Ele propôs compreender as culturas a partir de seus próprios termos, mostrando que a mente humana e a cultura são frutos de um processo histórico autônomo e criativo, não determinados pela natureza ou pela evolução.

Os mitos são vistos como documentos vivos da história cultural, expressões simbólicas de experiências sociais, morais e emocionais. Para Boas, eles não são resquícios primitivos, mas elementos centrais da organização social, regulando comportamentos, rituais e relações entre humanos e natureza.

Boas acredita que os mitos têm núcleos narrativos que se espalham entre culturas, mas ao se enraizar em contextos locais, sofrem transformações e se adaptam. Essa difusão não é linear nem fixa, mas um processo vivo de recriação e reinterpretação, o que reflete a criatividade e a diversidade das culturas.

O mito funciona como um sistema de regulação social, organizando rituais, calendários, sacrifícios e normas. Ele conecta ações cotidianas com a vida simbólica, como a caça, a religião ou a relação com os mortos, mostrando como a cultura organiza a existência coletiva.

Enquanto os evolucionistas viam o mito como um resquício primitivo ou um estágio inferior a ser superado pela ciência, Boas o considerou um fenômeno vivo, vital e simbólico, que expressa a compreensão e a organização de uma sociedade em seu contexto histórico e cultural.

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