Go back

Conservadorismo Pop

42m 45s

Conservadorismo Pop

O episódio explora o surgimento do conservadorismo pop no Brasil, como resposta ao caos, incerteza e deslocamento da vida cotidiana provocados pela globalização e pela pandemia. A mudança é vista como um fenômeno pendular: após avanços tecnológicos e culturais, há um retorno às tradições familiares, de gênero e religiosas. O resgate da família, o reforço de papéis masculinos e femininos e a volta à moda modesta são exemplos dessa tendência. O autor destaca que esse movimento é social e cultural, não biológico, e muitas vezes reproduz ideias de culpa ou limitação para mulheres, especialmente no que diz respeito à maternidade e ao trabalho. Apesar disso, existem correntes contrárias, como as religiões de matriz africana, que promovem modelos mais abertos de gênero e diversidade. O fenômeno é amplamente observado entre jovens e gerações mais velhas, mostrando que as mudanças sociais seguem ciclos. A análise também destaca a importância da reflexão crítica: o conservadorismo não é simplesmente "vindo de trás", mas uma resposta ao descompasso do mundo atual, exigindo que marcas e indivíduos entendam os discursos que sustentam e os impactos que causam. Ainda assim, o movimento não é homogêneo nem total, e a diversidade de experiências, especialmente em questões de gênero e raça, mostra que a sociedade brasileira está em um processo de complexa e constante reconfiguração cultural.

Transcription

7684 Words, 41652 Characters

Portuguese
[Música] Olá, eu sou o Michel Alcofurado, antropólogo, pesquisador, e estou aqui! Mais uma vez para começar mais um caos cash. Você sabe que esse é o espaço de fritação de 10 do grupo consumoteca, onde a cada 15 dias a gente volta para pirar o cabeção com você. E agora, né, você já está acostumado, não precisa ficar repetindo, tem você, tem elas, tem essas imagens maravilhosas, tem tudo isso que a gente tem a oferecer. Minha, nós voltamos, hein? Voltamos, eu sempre venho. Ah, é queira, não. Desde a gente deve ter um episódio, que a gente tem essa bobera que a gente não conta, né? Todo mundo faz esse episódio 150. Eu não sei, outro dia eu contei, já esqueci. Mas tem contos anos, né? A gente começou em 2018, tá? Antes de virar. 7 anos de classe. Ai, porque é. Meu pai já não está ouvindo muito, outro dia que ele voltou. Ah, mas isso passa, né? Quando você começa aparecendo no jornal, tua mãe, teu pai vai lá, ouve, segue, mostra pra família, e depois dá. Nossa, total, eu fiz esse dia, eu gravei com a Flávia Leessandra, eu fui falar pra minha volta todo empolgado. Vamo, vou gravar um futeco, a Flávia Leessandra. Ah, meu mamãe não vai, vai ficar com o quê, já te for. Querida. Sim. Com você? Meu querido. Meu querido. Primeiro, meu pai perdeu a fé nesse jornal, né? É um brazo. É um cara maravilhoso. Agora, a gente saiu no valor, é a primeira vez, ele falou. A capa do Valar ficou grande. E aí ele achou ruim. Ele perdeu a credibilidade do Valar. Não jornal. Não jornal. Não foi o agente. Não foi o agente, não. Fageu na pele deu, a frase maravilhosa, o quê que ele falou, Maria? "Ei, essas pesquisas aí que vocês fazem, seus pesquisas que. O que meu pai achava que não trabalhava com só fazer reunião de inteiro, né?" Fadei a Marina em dinheiro, então ele trabalhava levando para o matéculo de computador para uma planilha. E aí, Marina passava o dia inteiro em qual? Porque ela já trabalhava em home office antes disso. Que ela morava na mansão e. Tem um ponto, né? Negoti só fazer reunião. E aí, ela cava em qual, né? Portamento, Big Brother, o que que vai acontecer? De a ação. E aí, o mais maravilhoso de tudo é que ele falou, "Gente, mas você fala aí a minha dúzia de coisa no matéculo de computador? Faz essas pesquisas e sai na capa do Valar recordou." Ele já foi muito fácil, entendeu? Isso foi muito cabrou. Não, já não é mais o que era antes, entendeu? Então, pai, está conservador. O quê? Então, pai, está conservador, então. Ah, não, mas depois ele curtiu. Não, meu pai. Ele é, assim, ele primeiro, ele resiste quando ele vê que não vai ter jeito. Ele embarca no movimento. É conservador. É, é um conservador. É um conservador. Acho que ele tá na onda. Como todo os pais precisam ser. Isso é um outro aspecto importante, né? Pai, mãe, precisa mandar e filho. Também pai, precisa ser mais conservador com filho. Não, meu pai. Eu acho que você vai ser mais conservador que eu. (risos) Já são, gente. (risos) Vamos que vamo. Olha, a gente vai bater um papo sobre essas ideias, né? A gente tem lidado aí diariamente. Tem sempre uma linha tendo entre coisas que a gente acha que já superou e coisas que a gente quer buscar pra voltar no tempo, voltar no passado. E nesse mundo é dominado, né? Por plataformas de táis, por checar a gente de fato, se por aí vai. Que vão marcando a nossa maneira. A gente tem sempre uma sensação de que. É. Os absurdos pululam. Todos os momentos por aí a gente não sabe mais o que é verdadeiro, o que é falsos. O que é que é notícia e o que é só um boato, o que é que tá no grupo do Instagram e o que é assunto do momento. Vocês dois aí, que absurdo isso é dominar a vida de vocês. O meu absurdo é antigo. Vou começar. Aquele áudio da padaria que me marcou até hoje. Com seu esvaldo. Lembra? Caio Machuva no Rio de Janeiro. Ah, é. E aí, aquela é coisa maravilhosa, né? E aí o Fulano, que era um funcionário de uma padarim em Botafogo. Ele mandou um áudio pro patrão, que o patrão achou um absurdo que ele não ia trabalhar. Porque a rua dele tava com água até a zentura. E aí ele disse, mandou áudio, é seu esvaldo. Não coloca aí. O seu esvaldo, não sei o que é. E aí deu dois dias. Era um grupo de humor que tinha inventado aquilo. Isso tinha acreditado. Eu tinha acreditado. Eu adoraria que fosse verdade, né? Porque eu achei que Belforrosho. Dá até uma tristeza. Porque eu achei que Belforrosho tinha se transformado na nova lembrada. Na nova lembrada. Na nova lembrada. Eu acreditei na foto do Papa. É me. Eu acreditei também. Gente, eu achei que tão bom aquilo. Eu queria acreditar, né? Eu achei que tão bom afligente, isso é o que é genial. O que a gente tava vivendo esse momento do mundo. Eu queria muito, assim, que fosse verdade. Ai, outro dia eu tava repassando para o meu pai. Um vídeo do Sena, que era feito com ridículo. Depois eu repensei, era feito com inteligenciação de fake. Porque agora tem, né? E aí eu fiquei isso mesmo e ele falava isso. E meu pai é superfone de forma a um, falando o Sena. E depois eu vi, não. Isso aqui já ia de ficar aí, né? Achava que era coisa de gente mais velha, mas. Então. Essas tecnologias, essas mudanças todas, né? Vão mostrando que os grupos sociais, a cultura e a sociedade, vai avançando numa velocidade enorme, mas nunca é um caminho linear, homogênio e todo mundo segue na mesma toada, né? E aí, hoje, o pessoal, tá. Ao contrário de estar desesperado para saber qual é a próxima novidade, tem gente que tá lidando com esse novo de forma diferente. Isso tem mudança, você sabe? Tá mais do que na hora da gente dar no "Meus Bois". Boi. o Boi. No "Meus Bois". Marina Ruaia, qual o nome do "Boi de hoje", hein? O "Boi de hoje" é o conservadorismo popular, Michel. Ah. Sei que tá ir cantando a bola desse tema faz tempo, já? Pra quem segue o conteúdo dela. Mas a gente tá falando aqui, de um momento de resgate as tradições. Uh-huh. E a pegou essa ideia de "O mundo antes era melhor e mais organizado", como resposta de um mundo de extrema instabilidade, em certeza. Então, um volta, um cresce, né? Ganha um público, é como se a gente cresce um terreno fértil, pra resgatar e se apegar um saldozesmo de no mundo ou anteriores, isso não acontecia. Então, a gente, se você tiver com a sensação, aí no seu grupo próximo, acho que hoje a gente já deu pra notar. Acho que hoje era uma especulação de que tá voltando no movimento conservador, as pessoas estão falando de tradição. Isso em todas as gerações, de fato, tem motivo. Tem sinais aí, pra que isso aconteça. Ah, isso tá atravessando a sociedade toda, né? Não é nada gostado dos mais verdes, como passado. Ah, câncer de mudar, câncer de querer saber qual é a nova dancê do TikTok. Eu vou ficar preso aqui, é o fantástico, sei lá. Estamos falando do azer aqui, mas do bumer a usar. Estamos falando de galera jovem, repensando papel de família e tradição e toda uma questão aqui da gente pensar o conservadorismo nesse lugar também. Só que como está falando do pop, tudo que volta, nunca volta 100% igual. Volta com uma nova roupagem, com novos nomes. É como se voltar a ser um pensamento antigo com uma embalagem nova. E isso que tá acontecendo. Olha, você já sabe, mas eu não apresentei, mas vou apresentar de um jeito claro aqui. Marina Ruali tá esfaragem, uma rede de pesquisa do grupo consumoteca. Tá esfaragem pesquisadora. Especialista em comunidades, em consumo feminino. Uma das maiores do Brasil, vamos entrar de cabeça dentro desse conservadorismo pop. E Marina, são 3 grandes desdobramentos que você observou ai nos estudos que vocês têm feito. Um é o retorno da tradição, que volta a diferente. Resgate das tradições, então coisas que a gente tinha perdido costume, vamos falar disso. Segundo, reforço dos papéis de gênero. O menino esvesta em ver azul, menino esvesta em roda. É, energia feminina em masculina. E a pessoa que imbega aquele sim, ou, sem nenhuma energia masculina, que diz que as empresas precisam de energia masculina. Quem aguenta, né? Logo ele, né. Logo ele, né. E a gente tem também o Reggate do Pensamento religioso, que não tô falando de uma religião específica, mas de uma volta, algumas religiões e da. Sente falta dos dogmas dessa coisa de que alguém te diz como é o mundo. O organismo mundo, essa coisa deu do papel da fé. Pessoal, entrou numa guerra gigantesca pra inventar sozinho o sentido pra vida, descobriu que é um trabalho danado, né. E eles vão dar pais, né. Com pra bíblia, como tá coxando uma bíblia agora? 14 nove anos, você foi do Malafaia? Tá mais pronto. Tá tudo pronto, não precisa de esforço. Mas vamos começar do começo. Resgate das tradições. Resgate das tradições é justamente a gente pensar essas tradições voltando como um efeito colateral. Um efeito colateral de um mundo globalizado e de centralizado. E tem aí o fator pandemia, não meia dessa história também, porque você, eu sei que como antropólogo, vai ser que defender os rituais, né. Rituais organizam a gente. Então, a medida que você vai tendo contato com outras culturas, e tudo vai se descentralizando. E ainda vem uma pandemia no meio que a gente deixa de fazer tudo a mesma hora do mesmo jeito, com hora pra comer, com jeito pra comer, com jeito de vestir roupa. E abraça esse discurso, do pod, tudo de qualquer jeito. A gente sente um certo vazio, sente perdido. Porque quando você tem hora pra fazer tudo junto, você sente pertencendo de certa forma. Então, como é feito de pessoas que tão ali se sentindo perdido nesse mundo, onde está tudo muito incerto? As tradições voltam a orientar a gente, a dar esse senso de eu faço parte de uma comunidade. Eu tenho um propósito maior. é difícil você se apegar de todas as tradições porque você tem que ver com o vazio muito grande da suas próprias escolhas. Então, tradições elas têm esse lugar. Então a gente vê famílias que estão voltando até o momento do churrasco de domingo, ou na tal, tem que voltar a ser muito celebrado, ou repensar o dress code no escritório que estava liberado e agora tem que usar daquele jeito e de fazer reunião. - Que preguiça. - Então, estamos muito para esse lado. - Porque lá não dá para frente, né gente? Eu vou estar para trás para aqui. - Tem até um conceito que surgiu aí na ciência política chamada Janela de Overton. - Quem foi? Quem é? - E é o tal do, e aí que é o ex vice-presidente do Centro de Políticas Públicas de Macknack no Michigan, que é o Josef. - O que foi levado a consideração? - Vamos ouvir um gringo aí, né? É um gringo, mas acho que tudo isso, essa robustês, toda para dizer que, de fato, o mundo ali age em pêndulos, né? - Essa janela de discurso é que você fica. O mundo, quando vai pro lado muito liberal e a gente acessa muito a liberdade, a gente não consegue as vezes lidar com essa liberdade toda. - E aí, fim, dá para pensar em protiscaminhos assim. Na filosofia, tem lá o Existencialismo lá, que o Sartre fala que você, a liberdade é uma prisão, né? - Você tem que lidar com as todas próprias escolhas. Então, às vezes, sentir que tem algo que te organiza faz de você voltar a valorizar o mundo tradicional. - É mais fácil, né? - Opa, opa. - Eu me lembro que, uma vez, eu fui ainda a primeira vez, era 2012. - E aí, eu fiquei muito chocado, o que era um lugar muito conservador assim, no sentido de você. Não tinha bebido ao qual é que em todos os lugares, carne era impensável, você comer. - Boa parte dos gestarantes eram vegetarianos, né? Não tinha nem carneiro, que em alguns lugares você ainda encontra muito menos frango, né? - Por todo o impacto era um lugar muito conservador em 2012. E aí, eu voltei, sei lá, algumas vezes, mas eu me lembro que em 2020, eu voltei e já tinha internet no celular, para todo mundo, e já tinha Uber. - E a minha experiência foi completamente diferente no país. E quando eu ia pro shopping, eu via loja de lingerie, assim, vitrine, bondas, com calcinha, em shopping. - E eu disse, caraca, ganhei já está muito moderna. E aí, falar com os meus amigos indianos, eles disseram, não, assim. - A gente já teve moderno, ainda é assim. A gente volta por conservadorismo, para tradições indústrias, depois a gente avança, a moderna, depois volta, e isso aqui. - E assim, a gente vai seguindo. E esse é um movimento que você está trazendo, aí não saber nem que tinha a nome de alguém, né? - É isso, as sociedades, elas vão avançando e vão voltando para trás, né? - E eu sinto que tem uma. Enfim, a gente está vivendo aí também esse anti-wolk, né? Então. - Muita chatisa, mesmo tempo, um ano só, né? - Muito, gente, está difícil. E também é isso, né? As religiões crescendo de alguma maneira aumentam também as tradições, né? Porque as religiões também pautam nos nossos discursos, pautam as roupas, pautam quem pode casar com quem. Então é, também, no Brasil, acho que a pesquisa fala que é 2030, né? Que nós vamos irá um país majoritariamente evangélico. Isso muda significativamente a nossa cultura, né? - Muda. E você tem pesquisada dessa, isso, né? - Tem pesquisada moda modesta, que não é só em relação a a religião, né? Mas é essa cultura das mulheres justamente voltarem a se cobrir mais. Que tem tudo a ver, também, com as traduais, que é essa volta das mulheres tradicionais. - Acudamos dos filhos da carne. - Seis filhos, fazendo o pão e, enfim, abdicando desse espaço público, né? Então, as mulheres parando de trabalhar fora de casa, né? Deixando de ter trabalho ser vulnerados. E eu fico pensando muito sobre isso, assim, sim, 2030, que vamos virar uma sociedade. E majoritariamente evangélico, será que vamos perder também parte dessa cultura brasileira latina de pele de fora? Como é que a gente vai lidar com isso? E tudo indica que sim, né? - O que eu acho mais interessante nesse movimento que você coloca da moda modesta, que não é uma transformação da moda numa moda Gospil, né? Como se houvesse, tivesse que ter uma loja Gospil, né? Ai, Gospil, a gente achou ai, tem a música Gospil, vai ter a loja de roupa Gospil. Não, é uma transformação, na maneira como a sociedade brasileira, a extensão de uma forma ou outra, vai pensar a moda onde todo mundo fica mais Gospil, de algum modo, né? - É justamente isso, é pop, né? Então, eu vejo, por exemplo, em saios, é muitas vezes de moda monfumana, de Nike, de Apple Watch. Então, é realmente pop, deixou de ser cafona, né? Assim, durante muito tempo a moda evangélica tinha esse etiqueta mais cafona, né? Principalmente para quem é fechonista, para o mercado de moda. O mercado de moda não queria vender para esse público. E agora, as marcas mesmo, quando não anunciam essa, é uma roupa modesta, elas se estão sim se construindo, em volta dessa roupa que não mostro tanto corpo. Então, por exemplo, uma grande tenência do ano passado foi sair a Lungadins. - Tem uma roupa evangélica. - Eu acho um russ, sempre achei. - Então vem com o nome modesto, mas vai ser que é um pedigar, sempre achei de um malgosto gigantesco, né? - Mas voltou. - Então, muito, quando foi aquela olhadão? - Não, mas teve uma época que foi a moda, a saia Disney. Tinha uma máquina inteira, todo mundo que era aquela na escola, sabe? Já até faliu. - Claro, né? - Porque é um horror saia Disney. Veja umas coisas mais ou menos com a idade. - Era uma saia Disney longa. - Tu tem saia Disney, não. - Não, é que você, uma pessoa conectada com um bom gosto. Eu sou. Eu não sou da moda Vodessa, né? Eu sou outra moda aí. Mas tem a ver com isso. Então, assim, é a Jesus, que é uma marca importante na Europa, tem uma categoria que é só de moda modesta, e não é roupas criadas para pessoas que não mostram a pele, ou que são determinadas ali, não. É um select, é uma curadoria. Porque, de fato, as pessoas estão voltando para esse lado mais tradicional e tem tido, mais vontade de ficar mais coberta. E, de novo, acho que a pandemia tem tudo a ver com isso, porque filmar que as pessoas caram mais em casa. Então, nada é só bom, só ruim. Essa moda modessa também libera as mulheres de terem que performar, ser que solidade o tempo inteiro, né? Também pode ser uma moda que é mais confortável. Enfim, que funciona se você emagrece em gorda, é menos sobre. Também, enfim, ficar se mostrando como objetificada, talvez. - É, o retorno à tradição também, né? - É, eu. Pode. Quando a gente fala de tradição no Brasil, acho que tem uma palavra chave aí, que é falar de família. E quando a gente fala de tradição, não quer dizer que você vai perguntar para alguém, vai falar, "Oi, você está mais tradicional e ela vai chegar com clarias e te dizer isso." Mas esse movimento vai chegando. E família é uma forma como a tradição volta essa ideia de que cada um tem um papel, de quem vai dizer o quê, enfim, e das coisas irem se ir organizando. Porque um dos discursos, que o movimento conservador traz, pra bater todo esse mundo liberal, que se perdeu, e as pessoas agora estão livres demais e estão estragando o mundo, é que se perdeu a família, que os liberais estão aí pra desmontar a família e a gente tem que resgatar e defender esse modelo, que é o seu da família brasileira, principalmente. E quando a gente vê nos estudos lá no adultopia, quando a gente foi lá tempo, né? O quanto tempo você se dedica pra que era da sua vida, depois de trabalho, é a relação familiar que vem ainda. Tá na espiritualidade do brasileiro, ficando amizade, ficando relacionamento amoroso, ficando hobbes de fora. Então acho que isso também é sintomático desse tempo. E tem um estudo feito recentemente da Glockeletes, que eles fazem um levantamento global, de vários movimentos que estão rolando no mundo, eles fizeram esse com 20 países. E eles vêm que mesmo como a gente. A gente vinha num crescente no mundo de valores liberais crescendo, e agora a gente voltou, está declinando, e a gente estava voltando tendências conservadoras, principalmente entre os homens jovens da geração Z. O homem sempre, né? O homem sempre. É quase nenhum. Foi ficando pior pra eles. Então não, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos. Pertas privilégios, né? Sim, eu acho que tem disputas de espaços de poder e pelas privilégios. Aí óbvio que tem um movimento conservador. Agora, tratando de um assunto que a gente vem sempre discutindo, que era no fato a coisa da primavera X, né? Eu acho que tem dois gapes aqui interessantes, né? Os mais jovens. Ah, essa disparidade muito forte de gênero entre meninos e meninas, em relação à perspectiva de mundo, e nos mais velhos também. E no meio os homens estão perdidos, né? Porque estão meio tentando se atualizar sem saber como. Então, mas é muito militante, né? Entre os mais novinhos. Ele não sabe se pinta unha, se desconstrói. É, mas eu sinto que é bom esse nome conservadorismo pop, porque essa roupagem pop, né? Essa cara mais cool e da moda do conservadorismo também faz ele passar por ambientes que ele não passava. Então, uma das coisas que eu tenho pesquisado é como as igrejas têm investido forte nas influenciadoras de moda modesta, no TikTok, porque é um lugar muito bom de trazer novos fiéis, né? Porque é no espírito do tempo, é divertido, é um tema que as pessoas jovens se interessam. Então, o conservadorismo, talvez, para os milênios, quando a gente tinha uma visão do conservadorismo, que ele era chato, que ele era fora de moda. E agora não, né? Eu conservadorismo está numa roupagem interessante, quer ser vendável, quer ser pop, quer estar na pauta. mesmo do dia, né? Quer estar inserido no, nas Trends? Quando eu comecei, eu até vim lá, quando você fez a Niu sobre moda modesta, aí eu fui pro TikTok, pesquisa. Aí é o ótimo que o TikTok você botou o pezinho no algoritmo. Aí ele abre uma bolha pra você. Então ele fala isso que você quer, então. E aí agora ele receba muita coisa. E eu continuo vendo que eu não consigo parar, continuo parecendo. Mas eu fui impactada por uns vídeos, assim, do, uma menina jovem, que é assim, ela cuidando da, da, da, da, da, da cozinha, o marido, o jantando, ela de avental, assim, toda arrumada, a cabelo de baby Lisa, assim, é menando, bebe, e a, e a, e a frá, e assim, um vídeo que viralizou, e era assim. Imagina quanto de propaganda foi preciso pra convencer as mulheres de que isso era ruim, sabe? É assim, ai. Conecer um que você cuidar da sua família era ruim, mas olha como isso é bom. Então tem ali um. E tem uma outra Trends no TikTok que rola também, que é assim. Cê lá, o marido botando um quadro, com a fradeira. Aí ela fala, a alegria que eu sinto quando meu marido não usa a Cropa, a gente não pinta a unha. E assim, gente, sabe? É um negócio meio túnel do tempo. Ela fala, como é bom gostar de homem com energia de homem. Aí ela é como estranda. Ela marca ação muito forte pra peixe gênero, né? Que é o ponto dois. Que é o ponto dois. Mas fazendo uma atenção com esse momento também que a gente viu, mas que são muito grande, né, das pessoas trans. Eu sinto que a gente nunca, na história do mundo, teve tanto espaço e pra discutir, né, inclusive isso. Se a gente falar que mulher é mulher cis, é uma mulher trans, né, até essa marcação, inclusive uma treta dentro do feminismo. Mas super importante, né, é claro pra mim que é um contraponto, né? É um fucolho, um outro. Sim, a força. E eu acho que até você comentou aí, mas talvez tem gente que não tá antenado. E pra gente avançar nessa questão dos papéis gênero, essa questão da agenda Woke. Que ela falou, que a agenda Woke é. É o nome que a gente dá pra esse movimento de despertar, de falar de diversidade, de olhar o mundo pra além das narrativas que eram únicas e deixar minorias trazer seu ponto. Acho que a agenda Woke é o nome que é direito a dar pra esse movimento, né? Sim, só. E eles começaram a se chamar diante Woke, né? E até aquele menino conservador do Brasil, que é o deputado mais jovem, do Brasil. Nicolás Chereira. Ele, acho que é um dos. No Instagram dele, ele pelo menos há pouco tempo usava, então ele iria terrasia isso. E também o Brasil Paraléia, nesse moço do G4 aí. Você lá qual o nome dele é o melhor que não diz isso? É, melhor que você. Não tem que vosar o corte. E aí tem essa questão com o Trump assumindo? Acho que esse movimento ganha força não tem como. E eu acho que a galera perde o medo de falar o que pensava. Então muitas empresas que estavam investindo em diversidade eram tevinhos que faltavam pra falar, "Não, vamos abandonar essa pauta". Então já tem várias empresas ali. A própria Disney, que andou fazendo muitos filmes e preocupado com diversidade, já falou, já teve discurso do CEO falando que acho que. Só tem mais um filme aí pra gente aproveitar, que vai ter protagonista negra e tudo mais. E agora, vamos voltar para o que é antes. E o que eu acho tosco desse movimento, que essa busca das tradições, né? Não é a busca por uma tradição entendendo que você vai valorizar um mundo que foi construído por um determinado grupo de pessoas, no determinado momento do tempo. Ah, sempre uma busca por um essencialismo, né? Como se a diferença entre homens e mulheres tivesse na biologia, nos hormônios, na energia. Com quem que se ocorre, nesse corre com o lobo, ocorre com o celular com quem? Tem sempre essa coisa doida, né? De uma busca. Mas eu entendo que tem um movimento de conservadorismo ligado Muitos movimentos de direita. E aí eu acho que a eleição do Trump e no Estados Unidos, o papel do Lamasque, a derrubada das agendas de diversidade, né, que eles chamam Chique, que é no Brasil de DNA, não é, DNA? E aí, é. Não DNA, que é. Diversity and inclusion. Ah. DNA, né? Geralmente, quem fala com esse jeito não anda com um lugar muito diverso, né? Mas é as agendas de DNA, dentro das grandes organizações, mas tem também, não acho. Não, não, não, progressismo, né? E aí, na esquerda, eu acho que essa busca, dessa maternidade, é muito forte atrelada com o comportamento do corpo das mulheres, né? Então, tem que ter parte normal, porque é assim que é assim desde sempre. Tem que ter com a dola, porque é assim que as mulheres conectavam, tem que ter, tem que ter, tem que ter. Podemos combinar que o tem que ter do conservadorismo, né? É do conservadorismo, né? Tudo que tem que ter, não deveria ter, né? É, e pode ter. Vamos trocar o tem que ter, pelo pode ter. Tem que amamentar nos. Mas é muito louco, como vai fazendo, né? Assim, eu tenho filho há 10 anos. E aí, há 10 anos, essa discussão do Partitano era muito novo. E tinha uma junta com essa conversa do Partitano Tral, tinha uma conversa muito forte de antivacs também. Então, é isso, né? As coisas são pendulares mesmo, né? Hoje em dia, a gente entende como antivacs, é totalmente conservador de direita, mas. Mas já foi raribou, né? Já foi de sangueiro, claro. Eu, quando tive um Miguel, eu tive ali um batiboc com pediatra humanizado de que ia vacinar, sabe? Assim, era um negócio meio não, mas eu não vai vacinar assim. Mas então, é um pêndulo mesmo, assim, uma ideia que. A ideia são sequestradas, né, assim, de um lugar pro outro. Nós não estão num campo ou no outro. É importante ficar nisso. E essa conversa de "tem que" com as mulheres, é um jeito muito fácil de fazer a mulher voltar para o ambiente doméstico, né? E abrir mão dos espaços públicos. Porque, na hora que você fala para uma mulher, que ela tem que ter um parto natural, que ela tem que ser a principal cuidadora, que ela tem que amamentar de tal e tal jeito, é. você mexe num lugar da culpa, do amor, né? Dessa construção social da maternidade, que é muito forte. Estamos muito longe de melhorar essa conversa, né? E aí é muito fácil, né? A gente vê aí os números das mulheres que saem do mercado de trabalho, obviamente, porque o mercado de trabalho não é construído para mães, mas também porque se sentem culpadas de deixar, né? As crianças. Então. E um inferno, né? É. É um inferno, né? Mas são discussões profundas, né? Eu sinto que toda vez que a gente começa até a discussão, principalmente de maternidade, de um jeito muito. Sim, não, certo? É errado. A gente está em um conservadorismo, que as pessoas são das nuances, gente. É, de uma valorização de uma maneira como corpo, como a maternidade se dá, sendo que a gente só teve essa essa maternidade através de vocabulário da cultura, né? Total, até a pouco. Essa é a ideia que. Não tem como. É, do espírito materno é totalmente uma construção cultural, não tinha, a mãe abandonava as crianças, assim. Ai, começou e achou o saco da trabalho e deixou ir, né? As crianças não sobreviviam, né? Foi uma construção para que a humanidade continuasse. Então. Não é. Não está dado. Ah, Margaret Midd, é uma antropóloga que fez muito sucesso, talvez tenha sido a primeira antropóloga pop no mundo, assim. Ela fez uma carreira super tradicional dentro da academia e chegou a momento que ela escreveu um livro que se chamava "Macho e Fêmea". E ela ficou famosíssima, porque ela foi a primeira grande pesquisadora a pensar sobre a adolescência no Estados Unidos de um jeito pop. E ela tem um documentário que eu adoro que se chama "Growing Up" e "Samoa", que também dá um nome do livro. E ela vai mostrando como. No momento que a criança sai de dentro da mulher, em diferentes culturas, já tem cultura ali atuando para caramba. Sim. Então, uma chora junto, sei lá, e se isso é um sinal de que você ficou muito feliz que seu filho vê ao mundo. A outra pega bota aqui em cima e leva, puxando pelas pernas. O outro tem que vir, sei lá, um sacerdote, fazer um ritual para que a criança entra no mundo. Então, não existe a maternagem, sem ser através de vocabular da cultura. Não, tem culturas que é isso. Em várias mulheres, amamento ao mesmo bebê, que, de fato, de ver a cena, gente, porque eu, que é uma mente e três, está trabalho, um jovem, um jovem. Outras horas, juntos, você postou, né? São. É, são 1960 horas, um trabalho full-time e amamentar. 100 meses, né? É um ano. E amamentação 1800, eu acho que são esses números. É isso, é um trabalho, gente. Um trabalho não remunerado, né? Silvia Fedrite. Tem uma influenciadora que era super militante de toda essa coisa da maternidade, como a natureza, enfim, rejigatar, a energia. E eu acho que ela teve algumas questões, separou, enfim. E aí, eu lembro que ela fez um poste comentando que ela de gente coberta que a natureza era misógena. Eu achei interessante, porque é cultura, né? Como é que a gente devate isso, sem pensar ali, na cultura. É esse determinismo da natureza da biologia. Toda vez que vier, fique de olho. Fica de olho, fica de olho. Porque é todo culpa da cultura. É toda culpa da cultura. Mas, é, Marina, pra gente já ir caminhando aqui pro terceiro ponto, né? A religião, como está a escola, quando estava falando de moda modesta, tem um papel importantíssimo, né? Essa busca pelo tradicionalismo, por esse conservadorismo pop. Não como despertar, foi isso que fez a gente ficar mais conservador. Mas eu acho que o discurso religioso, ele é uma ferramenta fácil, né? Sim. Pra gente voltar para as escrituras. Em qualquer religião, tem esse papo, né? Precisamos voltar para as escrituras. E voltar para as escrituras no capitalistaismo, é a tradição. Voltar nas religiões PT encostais. É a tradição. No hinduísmo, é a tradição. Onde tem o voltar é conservador, né? E aí, o pensamento religioso li entra isso, né? Conto mais, incerto, tem um porque a gente vive. Conto mais dúvidas a gente carrega. A religião é que o que dá uma calanto, porque a na fé é sobre, e além das dúvidas. Teve até o filme que foi indicado também, é hoje crescendo, que é o Conclave. Que é um filme muito bom, não é? É muito bom esse, que eles estão ali. O filme todo é essa disputa do papado quando o papa morre e aí o processo. Mas é da escolha do Bergo. A escolha. A escolha do próximo, aquele ritual que eles ficam isolados e aí chegam aos cardiais. E tem uma cena do filme, assim, que é um discurso que eu achei muito bom, que tem o cardiaio que conduz tudo ali. E ele tem que dar quase que uma humilhia, uma fala que vai inspirar ali os futuros candidatos à papa. E ele fala. Eu, só. Ele fala assim, eu defendo das dúvidas, a gente tem que querer o mundo com dúvidas. Porque quando não houver mais dúvidas, não vai ter religião. E não vai ter porque as pessoas serão devolta, sabe? Então, acho que ele dá essa questão nada. Então, tem tudo a ver isso, desse "regate a religião". Porque já está difícil a gente convê com nossas escolhas e com tanta coisa. E tem um lado bom disso, aqui, não é a gente criticar a religião, mas acho que a gente entendeu isso como um movimento social. E como esse "regate" ele vai em certas religiões, ela vai ainda mais trazendo essa coisa da volta do gênero. E tudo isso aí que a gente está falando. E não tem uma dúvida mesmo, assim, que eu fico pensando. Não tem, também, esse empoderamento fortalecimento. Enfim, essa perda de preconceito talvez com as religiões de matriz africana. A gente também não entra numa atenção com esse conservadorismo, porque é religião. Mas é uma religião que sempre foi muito discriminada no Brasil, né? Então, é também um poloposto a esse conservadorismo. A intolerância religiosa é muito forte agora e crescente no Brasil. O conto do "regate" das tradições, né? E sinto que as religiões de matriz africana fazem isso, sustentam muito esse outro polo, né? Então a gente vê dois fevereiros, salvador, como se tornando cada vez mais, cada ano, eu sinto que fica ainda mais. uma festa ainda mais forte de cultura brasileira. Que vai. a gente estava brincando que vira e a manja a palusa. Mas eu tenho um lado bom disso, que é esse portalecer. Mas eu acho que é um retrato clara da maneira como a sociedade brasileira, ali, da consequências do de origem do povo afo brasileiro, do povo negro, ou seja, com a palavra que o pessoal quiser do momento. Tem um artigo que eu adoro da Lélia Gonzalez, pra mim, um artigo que mudou a minha vida, nunca mais eu cheguei de um jeito. o mundo do mesmo jeito que se chama racismo, sei que se chama racismo da sociedade brasileira, na cultura brasileira. é tudo que a gente entende como cultura brasileira, não é brasileira, é preto. Sim. Só que a cultura brasileira vai capturando esse negócio, levando pro vocabulário do que que é brasileiro. Então, pra mim, o exemplo do Emmanuel já é um caso clássico desse, né? É um do Camdo Blair, era preto pra Chuchu, era um movimento dos pescadores pretos no rio vermelho, e ano poesando viram um negócio brasileiro. E que é o tipo de brasileiro que tá indo pro rio vermelho no dois fevereiros? Branco. Branco. São Paulo, sobretudo, publicidade também, tem que ir pra Corte. É, entendeu? Branco. Então. entendo que é o assim, é que. Lélia vai falar também em relação ao português, né? A gente não fala português no Brasil. A gente fala preto-guês. Agora, esse preto-guês que a gente fala, que é cadenciado, que é cheio de vogais, que as consuantes, elas estão amulecidas, né? Que os doberto-freiros já falavam no Casa Grande Cezála, ele é visto como um português brasileiro, mas ele não é brasileiro, ele é preto, né? Uma junção das tradições, das línguas africanas, pra cá, isso tá em tudo, né? Isso tá em tudo. O futebol brasileiro é preto, né? A oção é preto, mas a gente gosta de botar, como se isso tivesse um símbolo nacional. Ah, feijoada, né? Como símbolo da identidade nacional é preta, né? A bunda, né? Como símbolo da sociedade brasileira, e aí tem vários antropólogos pensando isso. É preto, é. mais. É, não, mas eu quis fazer esse. Essa. Porque a gente fala religião, religião, mas as religiões de matriz africana, elas entram em outro lugar, elas não entram nesse lugar do conservadorismo pop. Não, acho que elas sempre foram modernas pra Chuchu. É isso, eu acho que. E ficam fazendo essa tensão, segurando sozinhas em outro porro. Não, as religiões de matriz africana sempre foram modernas há de infinito, em relação às questões de gênero, então a uma sexualidade sempre teve presente dentro das religiões de matriz africana, isso nunca foi problema. A transgeneridade, gêneridade, então as tradições sempre tiveram um lugar dentro dos terreiros, um matriarcado, né, então as grandes mais de Santo da Bahia, desde os anos 40, estão sendo estudadas pelos antropólogos, né? A Rutelante, que é uma antropóloga americana, vem pra cá, eles queriam ver um livro que é uma obra prima, que se chama a cidade das mulheres. Que é isso, assim, é um. Por que que modelo é esse de religião? E mesmo os modelos do pecado, né? E, ó, é do pecado, é do bem mal, né? É muito maravilhoso, toda a construção cosmológica. Muito mais aberta, em nada que isso aqui. Sim, não, e eu fui checar aqui, porque acho que é legal, como dado quando a gente fala desse crescimento do conhecimento religioso, o Brasil sempre foi considerado um país católico, apesar da gente saber que culturalmente católico do que quem, de fato, vai a igreja ali, todo domingo, mas o evangélico está passando, né? E aí, cada ano aí, o último senso revelou isso, aí teve um crescimento que você sentiu um por cento do último pra cá, então de gente declarando o evangélico, então acho que tem essa correlação e acho que se a gente olhar pros fenômenos como o café com Deus-Pai, que é o podcast mais obteto. E é o mais obtidigo portuguesa também, sabia no mundo? E o livro mais vendido, de não ficção. É impressionante. Se você falar mal deles, eles se revolta. Não pode dizer que é um absurdo, se eu livro mais vendido. O outro é que eu vou matruir. O Marcelo Rubén Spai vai fazer um pouco de ótimo, porque o livro dele tem que ser segundo, ele falou entre o café. O gay entre o café com Deus-Pai e o outro café lá com o café com o Seguer, então eu aqui, sabe, que foi ainda estou aqui. Ainda estou aqui, então eu estou a aproveitar o faralhido do livro dele. É, mas é impressionante. Eu sinto, enfim, eu acho bastante impressionante esse crescimento. E sinto que está toda a sociedade brasileira, a política, a economia, a comunicação, todo mundo olhando pra isso, tentando estudar, entender. Muito bom, hein? Adorei. Bagunçamos o roteiro, mas passamos por tudo. Foi quase uma de pais aqui, né? A gente se o quer, eu vou me dando de assuntos. Eu vou me deixar. Seguir um flow, e vão embora. Marina Dica, tem Dica aí, porque está tendo que lidar com esse conservadorismo? Eu acho que você já, como você fez essa resumo da contradição com a sociedade brasileira, porque eu acho que toda marca, quando a gente vai falar desse assunto, ela quer o. Sim ou não, né? E aí, eu tenho que ser conservador ou não, eu tenho que ser isso ou aquilo, e gente. Não vai, né? Somos mais florestais do que isso. Você vai conviver daqui pra frente cada vez mais um mundo onde esses polos coexistem, e aí você como marca tem que entender onde você quer entrar, que discurso você quer sustentar, né? E com quem você quer falar, né, pra poder. Não, não, não vai agradar todo mundo. É, sinto que cada vez mais, mais do que quando a gente viveu a era de horror da. né, da discussões das equidades, enfim. Agora, mais do que nunca, as marcas precisam saber qual é a conversa que elas vão entrar, né? Com esse conservadorismo próprio, Backlash é muito maior, então saiba sua conversa. Não deixe de ter a sua conversa, mas qual é a conversa? Não vai dar pra entrar em todas. Tive um momento, né, que as marcas queriam esperar darmente entrar em todas as conversas e ser todos. Tipo, não vai dar, vai ter que escolher a sua. Não dá pra sustentar uma conversa que você não dá conta de manter, e também, quando você escolher ir pra um caminho antes conservador, por toda uma questão do que é a tua marca, do que é o teu público, ficar naquele medinho do boycott, porque vai ter um grupinho que vai ficar, meu Deus, porque tem isso, né, porque a onda conservadora, ela trabalha com essa ideia de boycotar, que a gente sabe que é um negócio que vem em ondas ali, e as pessoas não. É, apanhando o que é, não vou deixar de consumir, mas você tem que entender o que você, já entra preparado nessa arena. É isso. Maravilha, adorei, já falamos, vamos continuar falando mais, né? Jogando a roda. Tá esfaraz, que trazes. Não sei o que indicar, gente. Não tem referência. Não trago referências. Não, eu vou falar das traduais, acho um bom caminho pra olhar, porque é onde conservadorismo pop me preocupa. É. É o gênero, é uma das coisas que eu pesquiso, e. Sinto que é. É o tema do teu mestrado, né? É o tema do meu mestrado, e é muito perigosa essa conversa, principalmente, porque as traduais, elas são mulheres que ficam falando pra as outras. Não saírem de casa, só ficarem tendo trabalhos dão remunerados, mas elas estão sendo remuneradas no Instagram, né? estão fazendo public, estão vendendo os produtos dos maridos, então, eu acho que quero dar essa dica. Olha, as traduais conheci olhar de. de gênero e de. E mesmo de negócios mesmo, assim, as traduais estão ganhando muito dinheiro. Então, pensar que isso também não é só um conservadorismo, né? Isso é também uma azinha aí do capitalismo, um jeito de ganho dinheiro. Muito bom. Mas olha na roale. Olha, eu vou indicar o documentário que está na Netflix da Marta Estuarts. Ai, muito bom, Marta! De bom nome é só Marta. Me conta mais, que eu não sei se. É muito interessante. Você vai gostar. É muito bom. Porque eu acho que ela foi total esse movimento anos atrás de falar enquanto o tinha todo o movimento começando uma onda de mulheres, no mercado de trabalho, o geração X e tudo mais. E ela fala com essa mulher e cuide do seu lar e. Só que ela era uma mulher empoderada e ela foi. - Ela foi a primeira mulher bilionária. - É, ela foi considerada uma das primeiras influenciadoras quando não existia essa palavra, porque ela se entendeu como produto. Só que o produto dela era essa mulher, essa vida perfeita, e ela tinha uma opção. Eu não tinha ideia de como ela era obcecada com perfeição, e ela usava palavra-perfeição. Então essa coisa de ter a louça, de botar a mesa, de cuidar da casa, de botar o ambiente da casa e da rotina, ali como o conteúdo, que a gente vê hoje, ali com a galera fazendo trend no TikTok, eu acho que ela entendeu isso com aqueles livros que ela faz. - Amando do it yourself. - É, ela é mãe desse movimento. - E ela foi. E é exatamente o que a gente está falando da Stroudwives, ela fala para as mulheres. Fica em casa, faça um pernil perfeito, não sei o quê, mas ela foi a primeira mulher bilionária, ela transformou isso num produto. E foi massacrada, né? - É, foi massacrada e tem toda a história lá que eles vão contar, porque estão do mercado de investimento, e quando também separou, porque aí também a família é perfeita. - Ela não era mais. - Ela não era tão perfeita assim, enfim. E aí, acho que é bem interessante ver como tem essa coisa dos pêndulos, mesmo, e é um documentário interessante. - Olha, minha dica é um livro, hein. Eles abetem bate em ter. Eu acho que é assim que fala. Ela é uma feminista e pensadora francesa. E ela publicou um livro que me foi indicado por Chris Bates, lá do Mamilos, que é a mulher e a mãe, conflito a mulher e a mãe. Vou repetir, conflito a mulher e a mãe. E ela, como uma feminista do passado, ela chama a atenção que essa coisa das mulheres contra a madeira conformula, essa coisa das mulheres. - Tem que ler isso. - Tem que ficar em casa, essa coisa das mulheres tá bagunçando todas as conquistas que as feministas tiveram nos últimos tempos. E como é que esse discurso naturalizador da maternidade na real, é uma prisão, é uma aula bem feita, escrita, malinha. Parece superapena. - Junto com esse, eu vou indicar o da Vareia Cornelho, que eu sempre falo. - Que tá lá, meu, não li ainda. - Manifesto anti-maternalista, nessa mesma linha maravilhosa, assim, teve filho, tem que ler. Lê antes, tem. - Lê antes, lê antes. Então já sabe, lê antes de ser reproduzir, ler livros, né. Muito bom. É isso, gente. Obrigado, hein. Vamos ficando por aqui. Tchau, tchau, tais. - Até. - Maria da Rualhia, um beço. - Até, um beço. Eu me jogue, eu forado, fico por aqui também. Tchau, tchau. Até a próxima.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O conservadorismo pop está emergindo como uma resposta à incertezas do mundo moderno, com um retorno às tradições de família, gênero e religiosidade.
  2. Movimentos como o resgate das tradições, reforço dos papéis de gênero e o renovamento do pensamento religioso estão se tornando visíveis em todas as gerações, especialmente entre os jovens.
  3. A pandemia e a desregulação digital contribuíram para um sentimento de vazio, incentivando o retorno a rituais familiares e práticas tradicionais como o churrasco ou o dress code rígido.
  4. A moda modesta, historicamente vista como "cafona", ganha força como parte do conservadorismo pop, especialmente entre mulheres que buscam cobertura e segurança no cotidiano.
  5. O conservadorismo não é uma busca por essencialismo biológico, mas sim um fenômeno social que reforça estruturas familiares e culturais, muitas vezes com efeitos de exclusão ou limitação de espaços públicos.
  6. Há uma tensão entre conservadorismo e diversidade, com o crescimento de religiões de matriz africana que resistem ao pensamento tradicional e promovem modelos mais abertos de gênero e sexualidade.
  7. O fenômeno é pendular
  8. As marcas precisam entender qual discurso sustentar, pois o conservadorismo pop gera boicotes e tensões, exigindo sensibilidade para não se tornar alvo de rejeição.

Summary:

O episódio explora o surgimento do conservadorismo pop no Brasil, como resposta ao caos, incerteza e deslocamento da vida cotidiana provocados pela globalização e pela pandemia. A mudança é vista como um fenômeno pendular: após avanços tecnológicos e culturais, há um retorno às tradições familiares, de gênero e religiosas. O resgate da família, o reforço de papéis masculinos e femininos e a volta à moda modesta são exemplos dessa tendência.

O autor destaca que esse movimento é social e cultural, não biológico, e muitas vezes reproduz ideias de culpa ou limitação para mulheres, especialmente no que diz respeito à maternidade e ao trabalho. Apesar disso, existem correntes contrárias, como as religiões de matriz africana, que promovem modelos mais abertos de gênero e diversidade. O fenômeno é amplamente observado entre jovens e gerações mais velhas, mostrando que as mudanças sociais seguem ciclos.

A análise também destaca a importância da reflexão crítica: o conservadorismo não é simplesmente "vindo de trás", mas uma resposta ao descompasso do mundo atual, exigindo que marcas e indivíduos entendam os discursos que sustentam e os impactos que causam. Ainda assim, o movimento não é homogêneo nem total, e a diversidade de experiências, especialmente em questões de gênero e raça, mostra que a sociedade brasileira está em um processo de complexa e constante reconfiguração cultural.

FAQs

O conservadorismo pop é uma forma moderna e popular de voltar às tradições, utilizando linguagem e estilos que atraem públicos jovens e contemporâneos. Ele se manifesta em temas como o resgate de papéis de gênero, moda modesta e valores familiares, mas mantém uma roupagem atual, como no TikTok ou nas redes sociais.

A pandemia e a desorganização do mundo moderno criaram um vazio de pertencimento. As pessoas voltam para tradições familiares e rituais porque esses hábitos oferecem sensação de pertencimento, segurança e propósito em um tempo de incerteza e instabilidade.

O conservadorismo pop influencia a moda com a crescente popularidade de roupas modestas e o retorno ao dress code tradicional. Em relação aos papéis de gênero, há um reforço do papel feminino como cuidadora da casa e do homem como agente de energia, criando uma nova dinâmica familiar.

Sim, a pandemia acelerou o retorno ao lar, aumentando o contato com tradições familiares e reduzindo o tempo de atividades sociais. Isso gerou um desejo de estabilidade e rotina, o que alimentou o movimento de voltar aos valores tradicionais.

Sim, várias religiões, especialmente as evangélicas, estão fortalecendo o discurso de tradição e valores. O retorno às escrituras e à fé é visto como uma resposta ao mundo moderno, com o apelo à segurança e ao sentido da vida.

É um movimento pendular. O mundo avança em direção à modernidade, mas, em certos momentos, volta para tradições, como o que se observa com a moda, os papéis familiares e o retorno à fé. Esse ciclo mostra que os valores não são estáticos, mas se alternam.

Chat with AI

Loading...

Pro features

Go deeper with this episode

Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.