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Comunismo

34m 48s

Comunismo

O episódio aborda o conceito de comunismo a partir das obras de Karl Marx e Friedrich Engels, diferenciando-o de visões simplistas. O comunismo é definido como a doutrina que busca a libertação do proletariado, classe formada por quem vende sua força de trabalho por um salário. Marx e Engels argumentam que o capitalismo é uma ditadura da burguesia, onde os donos dos meios de produção exploram os trabalhadores. Para superar isso, propõem uma revolução proletária que instaure o socialismo — uma fase de transição com Estado controlado pelos trabalhadores. Nesse período, a propriedade privada dos meios de produção seria abolida gradualmente. O objetivo final é o comunismo: uma sociedade sem classes, sem Estado e sem exploração. O episódio esclarece que o comunismo não defende a expropriação de bens pessoais, mas sim dos meios de produção. Também destaca que, para Engels, o comunismo pleno só seria possível em escala global, e que experiências históricas como a URSS não atingiram esse estágio. O apresentador reforça que sua abordagem é didática, baseada em fontes, e incentiva o estudo de diferentes autores para uma visão crítica.

Transcription

4674 Words, 27438 Characters

Portuguese
É possível imaginar o futuro sem capitalismo? O modelo econômico e social que vivemos é o único possível? Essas são apenas algumas perguntas que podemos nos fazer quando estudamos com mais detalhes o que é o comunismo. Eu sei que esse é um daqueles assuntos que está na boca de quase todo mundo, que começa a se interessar por política e que vive brigando na internet. Mas além disso, o comunismo também é usado por muitas pessoas para botar medo ou esperanças, dizendo que ele está chegando a qualquer momento. Muitas pessoas nem ouviu episódios e já está mexingando, eu sei, mas apesar de ser um tema extremamente polêmico, eu peço a você um voto de confiança, porque o meu objetivo aqui não é doutrinar ninguém. O meu objetivo aqui, como professor de história, é só falar sobre esse conceito a partir de fontes confiáveis e de autores que definiram o que é o comunismo. Eu acho que desse jeito aumentam as chances de falarmos sobre o objeto estudado com muito mais honestidade, sem caírem espantálios ou falsas equivalências. Mas antes de começarmos, eu quero deixar uma coisa bem clara aqui, tá? Se você espera que esse vai ser um episódio completamente imparcial, 100% sem viés, eu lamento te dizer que eu não estou fazendo isso. E não que eu vou atentar, eu vou tentar com certeza, mas eu acho que é uma ilusão achar que através de uma fontes, um episódio, um livro, um autor, seja possível ter uma perspectiva completa e imparcial sobre o que é o comunismo. A minha sugestão que eu sempre dou aqui no história meia hora é que se você quiser ter uma perspectiva mais completa de diversos ângulos e perspectivas diferentes, você tem que ler autores diferentes. Não caem nesse papo de imparcialidade, todo discurso é ideológico. E se você quiser filtrar essa ideologia, a melhor forma é você ouvir discurso diferentes através de autores diferentes. Mas, enfim, gente, eu entendo que a educação tem um papel fundamental em qualquer mudança social que a gente some em ter. E é por esse motivo que toda a quarta e todo sábado eu estou aqui com vocês. Quando eu trago ideologias políticas no história meia hora, é no sentido de ensinar-los o básico. Para vocês construírem com seus próprios estudos e vivências, o caminho que vocês acharem mais coerente. O episódio de hoje pode ser entendido como uma última parte de uma pequena série de três episódios que eu já lancei. E eu recomendo fortemente que você siga esses três episódios. Tem um episódio sobre capitalismo ou vilá, depois vai pro episódio sobre socialismo ou vilá, e depois vem para isso aqui. Mas é claro, você consegue ouvir só isso aqui e entender o que a comunismo se preferir. Mas eu acho que os três episódios, lado a lado, bonitinho, juntos, eles ficam muito mais pedagógicos. Se você é novo por aqui, ou não manja tanto de política, você pode estar se perguntando por que eu coloquei essas três ideologias e modelos econômicos. É em sequência, e eu não falei que o capitalismo é o contrário do comunismo. A questão é que, para os autores que falaram sobre o comunismo, o comunismo não é o contrário do capitalismo. Para eles, o comunismo é o estágio final do capitalismo. Bom, mas vamos desacelerar um pouco e ir com mais calma. O final do século XVIII e o início do século XIX foram marcados por diversas transformações sociais e políticas. Provavelmente, uma das mudanças mais impactantes tenha sido a revolução industrial que começou na Inglaterra. Foi a partir desse fenômeno que a artesão esforou perdendo seu espaço nas cadeias produtivas e fábricas foram ocupando esse lugar. O trabalhador agora precisava trabalhar por um salário, e se não fiz esse isso, não tinha mais como garantir a sua subsistência. Dentro das fábricas, ele foi submetido a um tipo de trabalho bem exploratório e desgastante, fazendo com que esses trabalhadores se entendessem agora como um grupo que tinha coisas em comum. O chamado "proletário" é aquele que, então, precisa vender suas horas de vida em troca de salário. Quem criou alguns desses conceitos foi uma dupla chamada Calmarx e Frederick Angels. E nós já falamos bastante sobre eles lá no episódio sobre socialismo, e eu fiz um episódio biográfico sobre Calmarx. Se vocês quiserem um sobre o Engels, é só pedir lá nos comentários no último post do Instagram do História Meora. É no @históriameora. Marx e Engels passaram a estudar essa sociedade que estava se modificando, e através desse estudo, puderam chegar algumas conclusões importantes sobre o que vamos trabalhar aqui hoje. Se fomos usar as próprias palavras do Engels para definir o que é comunismo, ele disse o seguinte em um trecho do seu texto, princípios básicos do comunismo, escrito em 1847, "Abre aspas", o que é o comunismo? A resposta, o comunismo é a doutrina das condições de libertação do proletariado. Fecha aspas. O cara foi direto e reto, né? Só que para compreender essa resposta de um dos maiores teóricos que já passaram nesse mundão, precisamos esmeir o que dividir essa frase para conseguir compreender cada ponto. Em primeiro lugar, o que é uma doutrina? O historiador Ian Neves do canal História Pública publicou um vídeo sobre comunismo e ele me ajuda bastante nesse episódio. O Ian lembrou que ultimamente a palavra doutrina vem sendo muito mal usada e acabou tendo uma connotação negativa e muita gente quer ser afastar desse termo. Só que doutrina, nada mais é, do que um conjunto de princípios, de bases que sustentam alguma coisa. Beleza, então, o que Engels está dizendo é que o comunismo é o conjunto de princípios que traram a libertação para os proletários. A pergunta que você pode se fazer nesse momento é "mas libertar as pessoas do que". O que Marx e Endos vão defender é que o proletariado será livre das classes. Mesmo que a gente esteja muito acostumado a usar o termo "classes sociais" para se referir às pessoas pobres, classe média e rica, de acordo com Marx e Endos, classe não é isso. Para esses autores, após o capitalismo industrial, o que existe é a burguesia e o proletariado. A burguesia é a galera que adona dos meios de produção. Enquanto o proletariado são todas as pessoas que precisam de salário para sobreviver. A melhor forma de explicar isso é a seguinte, não importa com o alto seja o seu salário. Se você for demitido hoje, você consegue ficar sem salário por quanto tempo. Se a sua resposta for dias ou meses, eu tenho uma notícia para você, você é proletário. Pois vende as suas horas de vida em troca de dinheiro de um salário. De forma resumida, se você recebe salário, você é um proletário. O comunismo, então, é esse modelo em que a sociedade não é mais organizada por classes. Existe uma frase bem famosa de Marx que dá um complemento a esse objetivo do comunismo. Marx diz o seguinte, abre aspas. O comunismo pretende acabar com a exploração do homem, pelo homem. Fecha aspas. Você só está ouvindo o "Stora em Mé" hora, por conta da internet. Isso é maravilhoso. Porém, um dos grandes problemas que vivemos por conta da jeito sociais é que tudo pode ser relativizado e acaba perdendo o seu significado. O comunismo é um conceito extremamente complexo, difícil de ser entendido e mais difícil ainda de ser explicado. Quando Marx e Engel se debruçaram sobre o estudo do capitalismo, eles perceberam que além de existir em classes dentro dessa sociedade, uma das bases do capitalismo, consistia no fato de que uma dessas classes sociais sempre estava a serviço da outra. Isso não acontece porque uma galera é mais inteligente e bem vestida ou sabe outras línguas. De acordo com os teóricos que estamos nos baseando, esse processo de dominação existe porque uma dessas classes é dona dos meios de produção. Um meio de produção é aquilo que é necessário para executar um trabalho. Por exemplo, o dono de uma fábrica era considerado o dono dos meios de produção, porque sem essa fábrica e seus aparatos seria impossível produzir a mercadoria. Como nessa teoria apenas uma das classes é dona desses meios de produção, o proletariado não tem outra opção a não ser vender suas horas em troca de um salário. Voltando para a resposta do Engels, a respeito do que é o comunismo, esse novo regime iria abolir essa relação onde uma classe tem os meios de produção, enquanto a outra classe. precisa se subordinar a primeira. Logo, quando esses autores estão falando sobre comunismo, eles estão se referindo a uma sociedade sem classes. E esse é um dos primeiros pontos a respeito do comunismo que precisa ficar claro. O comunismo defende uma sociedade sem classes. E eu sei que estou repetindo algumas frases e tal, mas a minha intenção com esse episódio é ser bem didático e explicar para as pessoas o primeiro passo do que é o comunismo. As ideias mais fundamentais, as peças chaves do que é o comunismo, eu vou ser um pouco redundante e repetir mesmo, tá bom? Bom, mais se Marx e Engels falaram que um dos pilares do comunismo é uma sociedade sem classes e consequentemente, sem a dominação de um ser humano sobre outro, como que se chegaria nisso? E é nesse ponto que eu preciso entrar um pouco naquele episódio que eu fiz sobre socialismo. Mesmo que eu aborda alguns temas aqui, eu recomendo fortemente que você ouça aquele material, porque você vai encontrar alguns assuntos tratados de forma mais ampla. Quando Marx e Engels começam seus debates com outros socialistas, eles vão desenvolver o que chamamos de "socialismo científico". Esse socialismo tem esse nome, porque se contra a põe ao socialismo utópico, que é o nome que o Marx deu ao socialismo defendido por outros teóricos que ficam apenas mais no campo das ideias, sabe? Não desenvolve um caminho muito claro de como chegar a esse socialismo. O socialismo teorizado por Marx e Engels, que é o socialismo científico, não só é diferente como afirma que uma mudança social vai acontecer. Para eles não é uma questão de "s" e sim uma questão de quando. Beleza, mas que mudança social seria essa? Eu estou falando da ditadura do proletariado. Eu sei que a palavra "ditadura" assusta bastante, porém, antes de você ficar com medo dos comunistas, se liga só no conceito de ditadura do proletariado que o Karl Marx defende. Para ele, o regime que nós vivemos hoje já é uma ditadura, só que uma ditadura da burguesia, e vamos tentar imaginar um exemplo. Quem tem mais força política, milhões de trabalhadores que acordam dia após dia bem sedinho, que precisam trabalhar para sustentar as suas casas e as suas famílias, ou meia-duse a de donos de bancos, que provavelmente tem o número do WhatsApp, do presidente, do ministro, do deputado, e por aí vai. O que eu quero dizer é que no modelo que vivemos hoje, mesmo com o proletariado sendo a maiorismo agadora, não temos tanto poder e influência do que um pequeno grupo de burgueses. Para Marx, isso define a ditadura da burguesia. Nesse sentido, a ditadura do proletariado seria marcada pela tomada do poder desse proletariado. Seriam esses trabalhadores que assumiriam as Rédias do Estado e as medidas seriam tomadas em favor da população, e não o contrário. Para esses autores, esse processo só vai acontecer a partir de uma revolução proletária. Então, isso já é comunismo, e a resposta é não. Esse cenário que eu acabei de descrever para você é o socialismo que deve ser entendido como um caminho até o comunismo. É um degrau antes do comunismo, e aqui vai o segundo pilar do que é o comunismo. Já vimos que o comunismo será uma sociedade sem classes, e agora eu quero falar para vocês que o comunismo será uma sociedade sem estado. E nesse momento que muita gente está se mexendo na cadeira, está se agitando e está falando "poi, isso é uma falha na ideologia", porque toda tentativa de implementar o comunismo, o estado era muito forte. Gente, calma. Mas, a frente, eu vou falar um pouco dos governos que se basearam nessa ideologia, na ideologia comunista. Mas vamos devagar? Tavamos focar agora nessa questão do estado. De acordo com Marx e Engels, o estado existe com um único objetivo, legitimar e organizar a violência de classes. Para teoria comunista, como o estado está sob dominio e controle dos burgueses, a violência de estado é direcionada ao proletariado. Dentro dessa perspectiva, a violência existe e é algo natural do estado entre aspas. É algo que pertence a essa instituição para garantir que essas duas classes mantenham as suas diferenças. Em outras palavras, podemos dizer que a função principal do estado é garantir os privilégios da burguesia. E, moleca da Ano, estou falando que é algo que eu defendo. Eu estou explicando a teoria do Marx e do Engels, beleza? Porém, quando houver a ditadura do proletariado, a violência ainda vai existir. Porém, agora, em favor dos proletários, que são a imensa maioria da população. Eu sei que falar sobre violência e assuntos que se relacionam a isso, pode chocar muita gente. Mas o que a galera que estuda o comunismo a mais tempo do que o argumenta é que estamos tão acostumados a viver sobre esse modo de produção que imaginar uma possibilidade de romper com isso parece uma loucura. Quando o proletariado for o detentor do estado e consequentemente administrar os processos de violência estatal, os burgueses pouca a pouco vão deixar de existir. Porque, agora, serão eles que sofrerão a violência que antes era direcionada aos trabalhadores. E, agora, que vem o puldo gato. Quando a burguesia deixar de existir, o estado perde a sua função e também deixa de existir. Se o estado existe só para garantir que uma das classes mantenha seus privilégios sobre a outra, uma vez que essa classe é abolida, o estado também deixa de existir. Eu sei que até agora foi muita informação. E eu ainda quero falar sobre outras características do comunismo e de que forma que ele poderia ser aplicado, claro, de acordo com Marx e Engels. Mami do Aminutinho aí está a gente que daqui a pouco a gente volta e eu falo um pouco mais sobre leitura, socialismo, conceitos, disputa e revolução. Segura aí que é um minutinho só. O História Eméora é parceiro da Lórgia. Acesse loja.com.br é loja escrito L.O.L.J.A. e pesquise pela história eméora. Lá, você vai encontrar blusas, camisetas, regatas, moletons e muito mais produtos exclusivos do nosso podcast. Só tem no História Eméora e lá no site da Lórgia. Tem uma blusa que é uma mistura do lampianco, a quira, tem uma que é da cadeira laica, tem uma que o Street Fighter, só que configura históricas do Brasil. Gente, tem muita coisa irada por lá. Lembrando é claro que quando você compra um produto na loja, além de você ficar todo bonitã ou bonitona, você ajuda o História Eméora a continuar de pé. Então, obrigado. Acesse agora loja.com.br e pesquise por história eméora. Lá, você vai encontrar o site da Lórgia.com.br e digita na busca História Eméora. Valeu, gente. Abre aspas. Os comunistas são, pois, na prática, o setor mais decidido, sempre impulsionador, dos partidos operários de todos os países. Na teoria, eles têm sobre o restante da massa do proletariado a vantagem da inteligência das condições do curso e dos resultados gerais do movimento proletário. O objetivo mais próximo dos comunistas é o mesmo do que o de todos os gestantes partidos operários, formação do proletariado em classe, derrubamento da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado. Fech aspas. Essas palavras foram escritas por Karl Marx e Frederick Engels em um manifesto publicado em 1848, intitulado, manifesto do Partido Comunista. Para muitos pesquisadores, esse pequeno livro é considerado um divisor de águas quando o assunto é política. Uma parte desse trecho que eu li pra vocês é apenas um reforço de tudo que já falamos até esse momento, só que tem uma diferença. Marx e Engels inicia um este texto se referindo aos comunistas. E não sei se você conseguiu pegar isso, mas ao longo do episódio, eu falei basicamente de um conceito de um projeto de sociedade. O que o Marx e Engels fazem aqui é dar nome a um grupo de pessoas. Para eles, os comunistas são aqueles que não só acreditam nesse novo modelo de sociedade, como também trabalham ativamente pra que essa transformação aconteça. E os comunistas só fazem isso formando proletariado em classe de acordo com o manifesto. Isso quer dizer que mesmo que alguém seja um proletário que depende do seu salário pra viver, enquanto esse sujeito não se enxerga e não se reconhece como tal, nenhuma mudança social ou levante, vai acontecer. Quando falamos sobre a revolução socialista, estamos falando de um processo que não vai cair do céu, ele vai ser construído. Nós terminamos o último bloco, falando a respeito de alguns pilares do comunismo. E encerramos em um clima tenso, falando que a violência do Estado, que antes era usada pela burguesia, passará a ser usada pelo proletariado. Logo, uma consequência dessa ação será afirmar que o comunismo busca ser um tipo de sociedade em que a propriedade privada não existirá mais. O filósofo Jean Jacques Rousseau, que eu sempre fala aqui no podcast e que tem um episódio sobre ele aqui no Fide, foi um dos primeiros a desenvolver a Tese, de que a origem de boa parte das mazelas humanas está na existência da propriedade humana. Ele escreveu isso no livro "A origem da desigualdade entre os homens". Esse é um outro tema bem delicado que sempre vem a tona quando falamos de ideologias políticas, principalmente as ligadas a esse tipo de Tese. Quando os comunistas falam que querem abolir a propriedade privada, geralmente quem escuta logo pensa que os seus bem-speçoais, como o seu celular, a sua casa na praia ou seu carro, serão expropriados serão roubados por outras pessoas. E a questão, gente, é que essas coisas não são as propriedades privadas que os teóricos do comunismo estão se referindo. Quando Marx e Engel se referem a propriedade privada, eles estão pensando em propriedades que estão relacionados ao trabalho de terceiros, ou seja, a propriedade privada na perspectiva comunista está intimamente ligada aos meios de produção que eu falei agora pouco. Um exemplo bem bacana que facilita o nosso entendimento é o seguinte, os milhares de hectares de terra pertencem a poucos burgueses ligados ao agro-negócio. Negar a propriedade privada é dizer que a imensidão de terra será da população como um todo, e não apenas de um pequeno grupo de burgueses. Lembrando que eu tô explicando a teoria comunista, tá? Eu não tô falando o que eu acho que é certo ou o que eu acho que é errado. Eu tô só trazendo pra vocês o que o comunismo defende e pra você aprender. Mas de qualquer forma, gente, mais uma vez precisamos nos recorrer ao Engels. Em seu livro sobre as doutrinas do comunismo, ele argumenta que essa mudança em relação à propriedade privada acontecerá durante o socialismo, que é aquele modelo de transição pro comunismo. Engels diz o seguinte, abre aspas. A revolução do proletariado que com toda naturalidade se vai aproximando, só a pouco e pouco poderá, portanto, transformar a sociedade atual. E somente poderá abolir a propriedade privada quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso. Fech aspas. A através dessa e de outras obras de Marx e Engels, podemos compreender de forma mais ampla o que estamos chamando de comunismo. Resumidamente, podemos dizer que o comunismo é uma ideologia política e social que se baseia em doutrinas que defenda em uma sociedade igualitária, sem classe sociais, sem um estado e sem a propriedade privada. E, resumindo bastante, é isso. Toda argumentação que eu fiz com vocês até agora foi para basear e sustentar conceitualmente essa frase. Uma coisa que você pode se perguntar agora então é, o mundo já viveu o comunismo, e essa pergunta tem duas respostas. Sim, e não. Calma que eu não estou em cima do muro ou algo do tipo, deixe explicar. Vamos começar com o "não". De acordo com o próprio Engels, o comunismo só existirá quando for aplicado em escala global. Beleza, mas de onde eles tiraram isso? Bom, temos que lembrar mais uma vez que Marx e Engels escreveram as suas téssis na segunda metade do século 19. A essa altura, muitos países ainda estavam engatingando em seu processo de industrialização. A expectativa desses autores era que as revoluções começarem a pipocar nos países com capitalismo mais avançado. Pois, nesses lugares, as contradições eram mais evidentes. E, com contradição, eu quero dizer que estamos falando de sociedades capitalistas que produzem riqueza, produzem mais máquinas e a sua população começa a entrar na miséria extrema e trabalhar sob péssimas condições. Engels afirmava que quando todos os países desenvolvecem esse tipo de contradição, a revolução seria inevitável. Não é a toa que o manifeste do Partido Comunista termina com a famosa frase "Trabalhadores do mundo Univos". De acordo com Marx e Engels, o comunismo parte de uma "abri aspas", revolução universal e terá, portanto, também um âmbito universal. Fech aspas. Nesse sentido, o mundo ainda não sabe o que é o comunismo. No máximo, podemos chamar o Nian Soviética, Vietnã, Cuba, Coréia do Norte-China, de experiências socialistas, porque tiveram em seus países processos específicos a respeito do Levante Popular. Tendo em mente que essas foram algumas experiências socialistas, vemos que em cada localidade, alguma liderança interpretou do seu jeito os escritos de Marx e Engels e buscou moldar a realidade local, uma vez que a revolução internacional ainda não tenha acontecido. Na verdade, quando a União Soviética existia, havia uma grande expectativa por parte de alguns militantes que conforme os soviéticos cresciam e aumentavam a sua rede de aliados, uma revolução global poderia acontecer em algum momento. O fato é que com a dissolution da União Soviética, em 1991, essa expectativa teve que dar alguns passos para trás, e os comunistas reconheceram que é preciso reconstruir todo o campo revolucionário mais uma vez. Bom, mas eu disse que existia um cenário em que a resposta para a pergunta se já existiu ou não comunismo é sim. E eu digo isso porque alguns autores sustentam a ideia de que existiu um comunismo primitivo. E quem fala isso é o escritor J. Harari Segal, ao dizer que abre aspas. Essa forma social de produção existiu. Durante muitos milênios na vida de todos os povos, sendo a mais primitiva etapa de evolução da sociedade. Foi nesse período mesmo de comunismo primitivo que começou o desenvolvimento da sociedade. Os homens viviam em estado selvagem, alimentavam-se de vegetais que encontraram ao acaso legumes frutais silvestres raízes. A descoberta do fogo foi de muita importância, pois permitiu ampliar as fontes de alimentação. Fecha aspas. De acordo com essa tese, comunismo primitivo é praticamente o estado natural de todo o ser humano, os o fluindo da natureza sem a necessidade de estabelecer cercas ou criar clases que separavam esses humanos. Você pode encontrar essa definição ao se referir aos povos nativos das américas, por exemplo, pois em muitos desses povos existia uma coletivização das terras. Na verdade, em muitos casos, a ideia de propriedade privada chegou junto com os europeus no continente. Já autores como Richard Pipes afirmam que o comunismo primitivo pode ser encontrado na gressa antiga, pois era possível observar algumas sociedades que dividiam as terras e viviam sem clases sociais. Com surgimento do cristianismo, algumas pessoas defendem que princípios cristãos de abdicação de riquezas e compartilhamento de bens também podem ser encarado como um tipo de comunismo. Porém, estudando para esse roteiro, eu vi que alguns especialistas nos escritos da Bíblia afirmam que não se pode considerar uma experiência comunista pois a propriedade privada era reconhecida, tanto que algumas pessoas vendiam suas terras para depois dividir. Para esses autores, o foco desse cristianismo inicial é diminuir a pobreza e não questionar a propriedade privada, ou seja, tem um debate bem interessante aí. Mas de qualquer forma, na história da igreja católica, até vemos alguns exemplos de ordem religiosos que durante a idade média compartilhavam suas terras e vendiam propriedades. No ano de 1516, um filósofo inglês chamado Thomas Moore escreveu um tratado chamado utopia, que falava de um modelo de sociedade, onde a propriedade seria comum, e os governantes dessa sociedade administrava uma propriedade a partir da razão e não pela busca do lucro ou algo do tipo. Rapaziada, o que todos esses exemplos que eu trouxe para vocês têm em comum é que em menor ou maior grau, eles foram bem sucedidos quando aplicados. Experimentos com pequenas sociedades isoladas conseguiram viver dividindo as terras, com todo mundo sendo donos do processo de produção, de alimentos e tudo mais. Porém, os comunistas irão dizer que essas experiências isoladas não foram capazes de emancipar ou de libertar a classe de vida. trabalhadora, mas esse tipo de crítica vai surgir daqueles comunistas que são mais focados aos textos do Marx e do Engels. Mas mesmo não sendo um sistema política que chegou a ser colocado em prática, pelo menos de maneira plena, podemos dizer que muitas pessoas têm horror a qualquer tipo de pensamento que seja próximo ao comunismo. E você já se perguntou por que isso acontece? É claro que existe uma parcela da população que vê aqueles exemplos que eu citei pra vocês, comunhão soviética, cuba, viatinã e fala "poi eu não quero isso pra mim". Mas também existe uma boa parte da população que simplesmente caem propagandas e em discursos anticomunistas há muitos anos. E esse discurso anticomunista fica muito evidente em períodos eleitorais, onde simplesmente qualquer coisa vira comunista desde aborto até crime organizado. E eu espero que com esse episódio você tenha entendido quais são as bases de fato do que é e do que não é o comunismo. Dica qualquer forma, eu quero fazer um episódio exclusivo para os apoiadores focado nessa questão da propaganda anticomunista, como surgiu e como que ela vem sendo usada até hoje. Se você quiser ouvir, é só clicar no link da descrição ou acessar apoia.se/historemayora e lá você pode escolher o seu plano de apoio se você quiser e puder. Mas mesmo sendo um conceito complexo e cheio de particularidades, não dá pra achar que o comunismo pode ser ignorado em ser um sentido histórico. Desde que foi concebido, diversos grupos da sociedade têm trabalhado para que esse novo modelo de sociedade seja colocada em prática, porque para essas pessoas a nossa realidade precisa ser transformada urgentemente. Mesmo que você seja alguém que detesto o comunismo, eu acredito que todos nós podemos fazer a pergunta. Qual modelo de sociedade nós queremos que exista amanhã? Seuames, muito obrigado por ter ouvido até aqui. Meu nome é Victor Soares e sou professor de história e você acabou de ouvir o história em melhora. Você sabe, eu sei todo mundo sabe que esse tema vai dar confusão, vagar a bom do me xingar, minha família vai ser fendida, vocês estão ligados. Então me ajuda aí, compartilhe esse episódio, passo um pano pra mim, vou precisar de um soninho. Demorou compartilhe esse episódio, manda pra aquele seu amigo, por favor do seu grupo, a do WhatsApp, grupo do condomínio, bota uma treta no grupo do condomínio, manda esse episódio lá e fala, o que vocês acham? Tá ligado? Vai arrolar um clima, vai ser maravilhoso, ou você pode postar também lá no Instagram. E aí se me marca no @StaramMeyhora ou no Twitter também, eu agradeço muito quando vocês compartilham, eu te espero que vocês tenham gostado. E se você quiser, se você quiser, pode ir. E se você quiser, pode ir. Até semana que vem! Irá valer!

Podcast Summary

Key Points:

  1. - O comunismo, segundo Marx e Engels, é a doutrina da libertação do proletariado, visando uma sociedade sem classes. - A sociedade capitalista é vista como uma ditadura da burguesia, onde os donos dos meios de produção dominam os proletários. - O comunismo propõe uma transição pelo socialismo (ditadura do proletariado) até chegar a uma sociedade sem Estado e sem propriedade privada dos meios de produção. - A propriedade privada, para os teóricos, refere-se aos meios de produção (como terras e fábricas), não a bens pessoais. - O comunismo pleno só seria alcançado em escala global, segundo Engels, e nenhum país o implementou totalmente até hoje.

Summary:

O episódio aborda o conceito de comunismo a partir das obras de Karl Marx e Friedrich Engels, diferenciando-o de visões simplistas. O comunismo é definido como a doutrina que busca a libertação do proletariado, classe formada por quem vende sua força de trabalho por um salário. Marx e Engels argumentam que o capitalismo é uma ditadura da burguesia, onde os donos dos meios de produção exploram os trabalhadores.

Para superar isso, propõem uma revolução proletária que instaure o socialismo — uma fase de transição com Estado controlado pelos trabalhadores. Nesse período, a propriedade privada dos meios de produção seria abolida gradualmente. O objetivo final é o comunismo: uma sociedade sem classes, sem Estado e sem exploração.

O episódio esclarece que o comunismo não defende a expropriação de bens pessoais, mas sim dos meios de produção. Também destaca que, para Engels, o comunismo pleno só seria possível em escala global, e que experiências históricas como a URSS não atingiram esse estágio. O apresentador reforça que sua abordagem é didática, baseada em fontes, e incentiva o estudo de diferentes autores para uma visão crítica.

FAQs

Comunismo é a doutrina das condições de libertação do proletariado, que busca uma sociedade sem classes, sem Estado e sem propriedade privada dos meios de produção.

O socialismo é um estágio de transição para o comunismo. No socialismo, há a ditadura do proletariado e a abolição gradual da propriedade privada, enquanto o comunismo é a fase final, sem classes e sem Estado.

É a tomada do poder político pelos trabalhadores, que usam o Estado para favorecer a maioria, em contraste com a 'ditadura da burguesia' atual, onde uma minoria domina.

Sim, mas apenas dos meios de produção (como fábricas e terras), não de bens pessoais como celular ou casa. O objetivo é que esses recursos sejam de toda a sociedade.

Não plenamente, pois Engels afirmou que o comunismo só existiria em escala global. Experiências históricas foram tentativas de socialismo, não o comunismo final.

Para Marx e Engels, o Estado existe para legitimar a violência de classes. No comunismo, sem classes, o Estado perde sua função e deixa de existir.

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