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COMPULSÕES DIGITAIS

89m 29s

COMPULSÕES DIGITAIS

A discussão aborda a expansão das compulsões digitais para domínios como finanças, apostas, chatbots e compras, destacando que a lógica da dependência está programada nas próprias arquiteturas tecnológicas. Os palestrantes criticam a normalização desses excessos, que transformam necessidades humanas legítimas em circuitos de engajamento economicamente exploráveis. Eles ressaltam que a tecno-adição não é apenas uma questão de estímulos intoxicantes, mas uma dependência de um cenário onde o eu se sente continuamente atualizado e confirmado, explorando vulnerabilidades humanas. A psicanálise é convocada para explicar a compulsão à repetição: o sujeito não busca o prazer pleno, mas sim a promessa de um gozo que nunca se entrega, fixando-se em um objeto que gera um ciclo vicioso de insatisfação. A discussão também aborda o conceito de tecno-feudalismo, onde as plataformas controlam o acesso e extraem trabalho gratuito (dados, atenção), enquanto os usuários são capturados. O caso de Kaley, que processou Meta e YouTube, é citado como um marco na reação social contra a negligência das big techs. Conclui-se que a adicção depende tanto do potencial do objeto quanto do contexto de uso, e que a compulsividade é projetada, exigindo uma crítica estrutural que vá além da culpabilização individual.

Transcription

13090 Words, 75408 Characters

Portuguese
Durante muito tempo, a gente discutiu as tecnologições como um fenômeno ligado sobretudo as mídias sociais, a pornografia e os videogames. Só que a lógica da compulsão digital vem se deslocando cada vez mais para outros dominios. As finanças gamificadas e cheigem de cashbacks, as apostas e os mercados de previsões. O chatbots é a interface de inteligência artificial sem os quais parece que ficou meio impossível a gente viver. Claro, tem também os aplicativos de trading e, para muita gente, o irresistível jogo dos coupons e das compras online. São mundos híbridos entre a informação e o entretenimento em que parece que a gente está sempre a beira de criar algum tipo de dependência. Fissura abstinência, circulo vicioso, acesso hiperfacilitado, falta de regulação, um sistema de recompensa sequestrado, sacrifícios e perdas em tantas áreas da vida. Será ainda que tem como escolher usar, ao invés de simplesmente sentir usado? Não sentir que sua autonomia individual está sendo colonizada. Alguns usuários sesserem mais do que outros, mas a verdade é que o excesso está programado no próprio modo de uso. São arquiteturas que transformam as necessidades humanas, legítimas, em circuito de engajamento, econômicamente exploráveis. Oi, eu sou André Alves. Eu sou o Lucas Lídica, esse é o Vibes Análise, nosso video-crest, que tem um desafio de investigar, Vibes Submerças no inconsciente coletivo. Para quem ainda não conhece, eu sou o Lucas e eu, e os nossos estudos estão no perfil @flutevibes. E também na nossa newsletter que você pode assinar na plataforma do Substack. A gente também tem um grupo de trocas de novidade no Telegram, e se você quiser entrar, o link para participar está lá na descrição do episódio. E se você acredita nesse projeto e que manteio no ar no futuro, você pode se tornar assinante da Flutevibes, o link para assinar através do apoio é se está aqui na descrição, e aí você tem acesso antecipado aos episódios. Acesse a todo histórico de conteúdos pagos da nossa newsletter e também um cupão de desconto para as nossas seções em grupo. Então, esse ano a gente abriu um novo formato que tem sido bastante interessante. Um espaço para a gente conversar e seguir pensando juntos sobre os temas que a gente traz aqui. Cinco dias, depois de todo episódio, a gente faz um encontro online ao vivo para debatei algumas das questões, traz edicas de livros, filmes, artigos, outras referências, compartilhar relatos clínicos e também abrir para algumas perguntas do grupo. É isso aí. E o bate-papo coletivo desse episódio que você está escutando vai acontecer na próxima terça de 5 de maio a 7 da noite, mas você também pode assistir depois dessa data, porque o conteúdo fica salvo na plataforma para você ver quando quiser. Então, se inscreve e proporciona o link na descrição do episódio e a gente vai colocar uma elaboração coletiva em prática se conectando com outros ouvintes, vai desenhá-les e na nossa seção. Beleza. Então, vamos lá. Encara a esse tema de hoje. André, você sofre de alguma tecna adição ou compulsão digital. Mas Lucas, no estado atual das coisas, tem como a gente não está muito atravessado por alguma compulsão tecnológica. Acho que até tem, mas eu acho que é difícil mesmo. Ó, para começar, você sabe que eu sofre de um caso preocupante de Doom scrolling. Esse consumo desmedido de um pessimismo recreativo. Muito típico das redes, o tal do catastroficismo, o catastrofismo do coge, a gente já falou algumas vezes. Mas você sabe que eu fico lendo, escutando, assistindo, analises mais análises, de basicamente como a coisa ta feia. Sim, você sabe. Acho que todo mundo sabe, André. Eu acho que todo mundo sabe. Então, essa já exposa esse sintoma pro público, todo. Mas tem uma outra tecna adição que você conhece e que talvez não tenha exposto tanto ainda, que é além de uma compra bastante desmedida de livros online, eu tenho essa fixação em assinar nos letters. Obviamente não consigo ler nem metade de tudo aquilo que eu assino. E toda semana, me pergunto, porque de abus, eu não consigo parar de apertar o botão do subscribe ou do assinar. E também, porque eu sou tão refém desse prazer tão impobrecido, porque eu aperto esse botão e fico super animado esse estado com o que vem por aí, mas eu não consigo ler. Mas eu também não consigo parar. E eu acho que isso tira boa parte da minha paz nessa vida, terminalmente online que eu levam. Então, essa é uma compulsão digital com a qual tem sido difícil de lidar. É, hoje vamos de apocalipse, né? Sempre é um assunto good vibe. Eu pensei que a gente vai trazer nesse episódio com certeza dados e notícias, algumas teorias, não é pra gente esconder nada do que a gente andou pesquisando e descobrindo. Poupar ninguém, né? Mas também queria tentar não criar um clima radicalmente para não é com o conspiratório e pensar um pouco, pelo menos um pouco, como é que a gente pode fazer enquanto sujeitos, talvez de alguma forma vítimas de tudo o que acontece. Mas que ainda tem alguma agência sobre a própria vida, sobre o seu tempo, o seu dinheiro, e uma influência um da vida do outro também, mesmo diante desses grandes monopólios e forças ocultas que exercem esse poder sobre nós. Queria tentar fazer isso nesse episódio um pouco. Vamos tentar. Ou seja, que eu saio da chamada agora. Começa daí, então, qual que é a sua visão sobre esse tema das tecnologições ou das compulsões digitais, Lucas? Pra mim, eu sinto que esse é um tema tão urgente e tão importante e até meio omnipresente assim que a gente, ao mesmo tempo, desmerece um pouco. Uma sensação de que, já que não tem uma saída fácil, a gente vai meio que deixando assim mesmo e normalizando os absurdos. Tomar aqui um dia a gente vai para trás e tem aquela sensação do Joré para um filme antigo hoje e ver as pessoas fumando no avião, sabe? Que você pensa na nossa quepsurdo, como é que as pessoas viviam assim e isso era permitido. Tem um grande ponto dessa discussão que complexifica tudo, que essa tecno adicção é não essa uma questão de dependência de estímulos intoxicantes, mas uma dependência de um tipo de cena em que o eu se sente continuamente atualizado, confirmado e posto em jogo. E isso pode ser, e claro que isso é alguma medida positivo, mas também pode causar muito estrago, porque existe uma exploração da vulnerabilidade humana. Até onde que vai essa exploração? Lembrando que quem está explorando são outros humanos, porque tem esse fator meio curioso, a gente já viu vários críticos culturais, pessoas falando de como a gente começou a falar de tecnologia como um fator externo aos seres humanos, como se fosse uma entidade a parte. Com o vida própria, inclusive, eles querem que a gente acredite nisso, uma força, uma coisa incontrolável, o imaginário vem sendo construído por aí, porque isso tira bastante o nosso senso de agência enquanto seres que se encomcebeiram e desenharam e ainda são responsáveis por esses mecanismos e por essas máquinas. A gente mantém elas ligadas, produzindo todos os efeitos que elas estão produzindo. Essa visão de progresso sem retorno, como se não tivesse como voltar para trás do que foi descoberto, do que foi criado, ela pode ser muito enganosa, né? Porque como se não existisse mais a possibilidade de lutar pela ética, pelos acordos, pelas regulações, se fosse assim, o mundo já teria explodido com o abono claro. Ainda que ultimamente se esteja aparecendo que pode até acontecer, né? Talvez tudo isso esteja relacionado de alguma forma, inclusive, mas aí eu já tenho longe demais. Agora no campo das boas notícias, uma coisa importante é a história da Kaley, que está servindo como um marco. Certoamente, se foi uma inspiração para a gente nem conversou sobre isso, acho, né? Mas a Kaley ou KGM, como ela está sendo chamada, é essa garota de 20 anos que se tornou um símbolo da reação da sociedade contra a técnica no adicção, porque ela ganhou recentemente um processo, milionário contra meta e o YouTube que foram acusados de negligencia. Tudo isso a partir de provas que mostram que essas empresas sabem faz muito tempo, um mal que elas provoca nas pessoas, mas que elas não fazem nada para reverter isso. Semelhante é o que aconteceu com a indústria do cigarro nos anos 90. Então a gente precisa sair dessa imagem moralista do usuário sem disciplina e ser aproximado uma crítica mais estrutural das tecnologias comportamentais. E eu estava pesquisando aqui sobre o termo adicção na sua etimologia, fala de um estado de submissão, descravidão, por um tipo de dívida que te deixa preso ou submetido a alguém. Indo por uma associação semântica bem fácil, servidão, servos, servos, feudalismo, feudalismo, tecno-feudalismo. Tecno-feudalismo é o título do livro "Tuyones Varufáquio". que deu tanto o que falar desde que foi lançado no passado, mas ao mesmo tempo a maioria das pessoas também não parou exatamente para entender. A questão que se aborda ali é que no feudalismo não se trabalhava, era outro modelo, era servidão. Grandes famílias, muito poderosas com poder político, econômico, religioso, e a gente lembra daquela foto do passado da Post Trump, com todos os CEOs das Grandes Tax ali, entregando exatamente isso. E até a parte do religioso, agora a gente está vendo com imagem do Trump como Jesus, com a mão na cabeça do doente. Pelo que eu entendi, no tecno feudalismo as plataformas controlam o acesso a aplicativos e marketplaces e cobram pedágio sobre tudo isso. Elas não estão gerando um lucro produtivo como no capitalismo clássico, e sim uma renda por monopólio. Mas eu não sou economista, não vou tentar explicar isso melhor também para vocês, tem podcasts mais indicados para isso, o que a gente pode analisar aqui do nosso lado é que enquanto o consumidor tinha mais escolha, agora o usuário ele é mais capturado mesmo. E aí a gente trabalha entre aspas sem perceber. O sistema extrae trabalho gratuito numa escala massiva, os dados que você gera, a atenção que você oferece, sem falar no conteúdo que você produz e que mantém a máquina gerando, e antes que alguém reclame dos brecos comerciales desse episódio, vamos lembrar que as plataformas de streaming não pagam nenhum centavo para a gente estar aqui produzindo e divulgando esse programa. E ainda assim, ninguém, a gente não tem confirmações disso, mas tem muitas lendas e folclores de como os grandes poderosos das Big Text, educa os seus filhos com relação ao uso de eletrônicos, de ser super restritivo, com as plataformas, com games, que é a minhaquela história de que você produz o veneno para o mundo, mas não bota para dentro de casa, que em produz é grotóxico, tentando poder é queisitivo que pode comer comido orgânico. Mas André, eu quebrei um pouco a tradição de trazer a psicanálise para o começo e vou jogar para você então, como você acha que a psicanálise pode nos ajudar? - Apençada compulsão. - Olha, acho que de algumas formas, e você sabe que eu tenho gostado de fazer esse pariamento de episódios, e acho que esse daqui ele orna muito bem com o cultura do déficit de atenção, com o problema do dinheiro e também com o caminho do vício, que é um episódio um pouquinho mais antigo, em que a gente faz uma espécie de anatomia da adicção, que é um conceito que a gente vai trazer bastante hoje, mas eu pensei em a gente recorrer a psicanálise primeiro para pensar na compulsão, porque na minha praticatlinica, pelo menos, tem aparecido bastante essa ideia, e também muita gente online fica se quechando, como muita coisa anda compulsiva, e bom, a pornografia, o videogame, a substâncias, e o exercício físico, tem aparecido assim, lá no topo da lista, como você não desce para resistir, como você não desce para parar de repetir. E compulsão a repetição é um conceito ou uma ideia que o Freud vai trabalhar lá no além do princípio do prazer, um textur de 1920, em que ele estabelece para a gente duas ideias muito interessantes, primeiro que nem toda a repetição busca o prazer, e algo que ele vai depois evoluir bastante para a ideia de pulsão de morte, mas também que existe uma tensão constante entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Ou seja, muitas vezes o sujeito não consegue resistir a satisfação, e muitas vezes o sujeito não consegue resistir a destruição, e aí como a gente falou lá no caminhos do vício, toda a adição é uma tentativa de resolver o problema da pulsão com um objeto fixo. Tentar da conta desse sistema tão complexo de um jeito bastante reductivo, que é, então beleza, o caminho para a prazer é este e apenas este, ou o caminho para esse prazer, ou o caminho para o prazer, através desse objeto, ele é tão conhecido que eu vou recorrentemente ir a ele no lugar de tentar ampliar gramática dos prazeres. É uma coisa bem contemporânea, uma lógica solucionista, você precisa dizer o seu palavra, mas resolutiva de o que vai resolver o meu problema? O que eu faço com isso? A frase que a gente mais vê na clínica todos os dias. O do que a gente está falando, a gente está falando de gozo, ou de uma matriz muito gozosa, e bom, já nem sei quantos autores falaram sobre o império do gozo, mais de gozar, tem o Jacques Salamiller que escreve sobre a economia do gozo, que sistematiza um pouco a ideia do lacã, ter esse tipo de busca incessante pelo prazer que traz muito desprazer, que sacrifica a auto-preservação, enfim, e que o sujeito da compulsão parece que vai tentar resolver a falta de um jeito que se torna ainda mais insatisfatória, porque o que o sujeito, compulsivo, persegue não é o objeto em si, mas é aquilo que se promete e nunca se entrega. Acho que a pornografia é, para mim, o exemplo mais claro, que é o sujeito fixado na pornografia, não está necessariamente em busca de satisfação sexual, mas sim da promessa da sexualidade que ela nunca é totalmente corporificada. Então, o déficit de prazer é muito grande, e faz exatamente o sujeito se mantendo um circuito incessante muito repetitivo, essa é a economia do gozo, que é esse modo de satisfação muito paradoxal, o jacolamiller vai falar de um jeito bem interessante sobre isso, que é como fixa-se alguma coisa e alguma coisa que tem mais a ver com o excesso do que como prazer em si, por isso é compulsão a repetição, porque o sujeito fica preso no muito, no fazer de novo de novo, no comer mais e mais e mais, no correr mais e mais e mais, a gente que sempre gosta de investigar um pouco o universo do well, mesmo do bem-estar, muitas vezes a gente escuta sujeitos com uma relação muito gososa com o que se chama de bem-estar, no lugar de uma preservação ou de uma saúde, essa história do escuteixes dias, num grupo de pesquisa, do cara que acabou de conseguir correr a sua primeira prova de corrida, e a primeira coisa que dizem pra ele é "poxa, mas por que você não fez uma meia maratona?" e ele foi lá e fez a minha maratona e alguém na linha de chegada pergunta pra ele "pô, você fez meia, por que não fez uma inteira?" porque é uma relação bastante capturada pelo excesso e não necessariamente pela satisfação e não necessariamente pelo "agora tá bom", porque isso é prazer, o prazer também é "agora tá bom", aquele alívio que vem depois do sujeito conseguir atingir o prazer, alcançar o prazer, mas eu queria te ouvir um pouco sobre adicções, Lucas, como que esse comportamento mais amplo mesmo, porque eu sei que é um tema que seja estudou bastante e que pode nos ajudar. Sim, eu acho que antes de a gente entrar nas técnos e as compulsões digitais de fato, a gente pode pensar um pouquinho sobre adicção, sem medo, sem julgamento, é um assunto difícil, são muitos objetos pros quais a gente pode desenvolver algum tipo de dependência e que pode isso pode se analisar por diferentes abordagens, também, não uma dependência física, que imica comportamental, psicológica ou até espiritual. E é sempre bom a gente reforçar que isso acontece mais ou acontece menos em função de dois fatores que não excluem um ou outro. O primeiro fator é sobre a natureza do objeto, que a gente pode chamar aqui de objeto droga. Obviamente, alguns objetos drogas têm mais potencial, têm maior potencial, de gerar dependência e de causar danos do que outros. É a mesma coisa com a tecnologia, algumas tecnologias são desenhadas de forma que vão causar mais danos do que outras. Agora, o segundo fator diz respeito ao comportamento de uso, ou quanto esse uso é recreativo ou abusivo, o que existe de significado cultural e social respeito de se uso, o que se fala sobre esse uso, esse objeto, assim como o sentido pessoal e intransferível que cada um atribui ao uso, segundo aquele sujeito específico. Então, isso envolve o contexto em que você usa ou deixa de usar com quem você usa, com que frequência associado com o que e muitos outros fatores. Ou seja, você pode fazer uso de um objeto droga com alto potencial de adicção e não ficar tão adicto, assim como você pode ficar adicto de um objeto com baixo potencial de adicção. A adicção também sempre vai estar obviamente muito ligada a um fator que influencia tudo, e que não pode ser deixado de fora das análises e que é o acesso. Se você mora num país, num barro, numa rua, em que toda adolescente fuma uma conha, aquilo está ali muito disponível e convidativo, talvez até de uma forma coercitiva como um significante de pertencimento e pode ser muito difícil você resistir. Agora, voltando para o nosso tema, quando a gente tem a tecnologia no pior nível de acesso possível, o mais facilitado, aí, perconveniência, a invasão da tecnologia na nossa autonomia nas nossas decisões. Nos nossos hábitos diários, a tecnologia está nos lembrando hoje como é que a gente caminha, como é que a gente respira, se alimenta, toma água, dorme, se relaciona, que é o dilema de provocar demanda também, deixar os seres humanos mais isolados e assim vender mais AI-companions. É nos emburrecer para assim vender mais inteligência. É tudo que a Karen Hall trouxe no corajoso Empire of AI, de como o projeto em curso é ideológico. É distração e exploração de riquezas, mas o ouro desse impero colonial não está na terra e sim dentro de nós. Como diz o Tris and Harris, ex-designer de ética do Google, a compulsividade é projetada. A gente tem a explicação dopaminergica, que é bastante válida, mais difundida assim. A gente já provocou bastante esse tema no episódio culto ou autocontrole, porque ela tende a ser generalista demais, insuficiente, simplificada, às vezes, de um jeito que realmente não é o que a neurociência nos ensina. Então, o papel de dopamina foi sequestrado de uma certa forma, colocando a responsabilidade no sujeito, enquanto as estruturas, estão aí na mercado da cultura, agindo sobre nós. E aí, eu gosto de voltar para as teorias das adicções, que é como o objeto droga faz um tamponamento da falta. Uma espécie de obstrução. Isso não é tudo e não é simples de pensar também, mas eu acho que vale essa reflexão. O adicto ele usa o objeto droga com uma cola para juntar os pedaços de um eu, que está fragmentado. Eu não sei quem eu sou, eu sei quando eu uso. Isso é o livro "Eu em ruína". E aí, puxando o que você estava falando sobre repetição, dá para saber quando o comportamento se caracteriza, como pulsão de morte, quando vira uma busca repetitiva por goso, ou mesmo por uma espécie de inércia, que o Freud falava do estado de Nirvana, que acontece então a qualquer custo, e que vai nos destruindo aos poucos, e você vai sacrificando ou desistindo de uma série de coisas importantes no meio do caminho, inclusive do seu desejo e da sua vitalidade. Porque a sucessão mais direta que a gente faz é assim, compulsões digitais nos entregam então a satisfação dos nossos desejos. Mas será que exatamente isso? Um ponto decisivo para uma boa teoria das técnodexões é entender como os ambientes digitais não operam pelo prazer pleno, mas pela repetição de uma promessa incompleta. Que é bem o que você falou agora, então o usuário não permanece porque ele se satisface. Ele permanece, porque se ele se satisface, ele vai embora. Ela até pode voltar, mas ele vai embora. Ele permanece porque ele quase se satisface, que é a história do Nirmes, o quase ganho, ou quase perda. Porque mesmo quando você ganha dura pouco e você precisa demais, porque você não tem uma regência da velocidade do desejo e do prazer. O que você pensa sobre isso, como é que a nossa economia dos prazer está sendo capturada? Eu acho que através de uma ideia que você trouxe agora, Lucas, que é esse impulso a desistir da vitalidade. Fazendo uma leitura um pouco mais filosófica do nosso tema, lá no capítulo 2 do Realism Capitalista do Mark Fisher, ele desenvolve um conceito bem interessante que é o da "edonia depressiva". Ele foi observando nos próprios alunos, um estado que não era a anedonia clássica, que é aquela incapacidade de sentir prazer. Mas sim, uma incapacidade de fazer qualquer coisa, além de buscar o prazer. Tem aquela sensação de que falta algo, mas não se percebe que esse prazer ausente só pode ser encontrado de uma forma meio da nossa para o sujeito. Então se instala uma busca por gratificação instantânea através do consumo de informações, de imagens, de estímulos que não acabam. Pro Fisher, a gente, então, vai se tornando incapaz de se envolver em qualquer coisa que não seja gratificação imediata, que não seja parcial como você estava falando, que não seja programadamente em satisfatória. Eu acho interessante isso porque ele é bem polêmico, nessa colocação de que até mesmos adultos vão transformando as crianças e os adolescentes, em consumidores muito compulsivos e anedônicos, que não conseguem parar de perseguir o mesmo tipo de satisfação em satisfatória, de gratificação imediata. E é interessante isso porque se sabe que eu estava assistindo uma apresentação de um estudo sobre adolescência no Brasil, e um dos dados do estudo era que o tempo de tela dos pais acaba sendo maior do que os próprios filhos. Então nesse sentido é pelo exemplo que se aprende a tá capturado pela gratificação instantânea das telas. E me faz lembrar de um artigo muito. muito depre, que eu li para a pesquisa desse episódio, em que alguns pais vão relatando como eles sentem que perderam seus filhos pro Fortnite, o Game Online. Um grupo de pais canadenses que vai dizer que os seus filhos estão tão capturados, que eles não conseguem mais comer nem dormir nem tomar banho. E esses pais estão movendo uma ação conjunta contra a tech que criou o jogo. Mas se a gente pensa nessas figuras no gamer compulsivo, no investidor de bates, no trader das previsões, no tesão da pornografia online, a gente não tem pessoas que tão necessariamente totalmente entretidas e muito satisfeitas com que elas estão obtendo. Mas sim, presas nesse circuito de busca compulsiva pela satisfação, que como você estava dizendo, buscando o tecnofeldalismo, algo que esse sistema nega estruturalmente. E aí qual vai ser o produto disso? Um sistema que tá constantemente farmando a dependência. Só que tudo isso vai acontecer na chave da diversão, do intertenimento crônico, como a gente já repetiu tantas vezes. Mas tem uma filósofia espanhola que é a Remédios Zafra, em que ela vai falar como a desirusão, ela é enganada com um entusiasmo induzido. E essa palavra entusiasmo é muito interessante para a gente pensar. Tanto nessa ideia do Fisher, de uma edonia depressiva, porém, entusiasmada. E aí, seguindo na obra do Fisher, no desejo post-capitalista, ele fala sobre como o capitalismo não se limita só a reprimir o desejo mais. Pelo contrário, mas sim, aproveitar e redirecionar o desejo. Por isso que sim, eu acho que é capturar o desejo. Como se esse fosse um motor para explicar, por que a pornografia, os jogos, as bates, as apostas de uma forma geral, os mercados de previsões, vão dando uma sensação de liberdade e de diversão e entusiasmo, ainda que eles funcionam em uma estrutura de captura, que é. eu te prendo nessa ideia de que você está o tempo inteiro em busca de algo que não vai chegar. Mas acho que eu meditei, já trazendo os mercados preditivos, acho que a gente vai falar um pouco mais disso. Mas o que você tem achado do mundo das bates, do avanço, os mercados preditivos? Acho que dá até para explicar um pouquinho, né, do que é? Sim, mas antes disso, para manter a engrenagem do mercado rodando, a gente vai fazer um breve intervalo e voltamos num piscar de olhos com mais vibes anares. Então, vamos falar sobre excitação especulativa. A gente não está só vendo pessoas adoecerem em plataformas de apostas. A gente está vendo ou fingindo não ver uma cultura inteira, aprender e entender e desejar o mundo na forma de probabilidades monetizáveis. Polymarket e depois a CAUSE, que já dominou 90% do mercado estadounidense, né, uma coisa impressionante. A grande atenção hoje é se esses mercados de previsão, eles devem ser tratados com instrumentos financeiros ou como jogos de azar. Para quem não sabe como funciona na CAUSE, hoje tem 1 milhão de dólares em jogo, por exemplo, na aposta da presidência do Brasil, e que no momento está dando empate entre lula e flávia Bolsonaro. A Anapala Renuou tem 90% de apostas para ganhar o BBB, mas eu acho que quando sair esse episódio, essa aposta já vai estar meio velha. Hoje foi 93, hein, que eu chequei. Ah, se eu for olhar? É alguém está bem engajada aí, todo dia ele vai ver as apostas. O nível de especulação é tão extremo que você pode apostar quantos graus vai fazer amanhã na sua cidade, ou quantos furacões vão existir acontecer durante o ano. Essas plataformas estão virando um Google do futuro, onde as pessoas não buscam o que já aconteceu, mas sim, em probabilidades do que vai acontecer. E a realidade, inteira, se torna apostável. E aí a notícia de alguma coisa deixa de ser algo [MÚSICA DE FUNDO] para você compreender e passa a ser algo para ser monetizado. O evento deixa de ser uma matéria de interesse público. Ele é um vetor de posição especulativa. Agora vale pensar o quanto que é a multidão que está conduzindo dinheiro ou se é o dinheiro que está conduzindo a multidão. No geral, essas plataformas se apresentam como instrumentos sofisticados de inteligência coletiva, descoberta de preços e gestão de risco. Mas também são jogos. E a gente sabe como funciona as coisas no capitalismo de plataforma. As questões regulatórias é aquela história. A inovação digital frequentemente ela se legitima, alegando que não cabe nas categorias antigas. E ao mesmo tempo, usa esse não em quadramento para escapar das obrigações, que existiriam se o produto simplesmente fosse nomeado pelo que ele, efetivamente, faz. Então, nomear alguma coisa como mercado de informação em vez de aposta não é só uma questão semântica. É um rearrângio bem critino de responsabilidade. Então, a linguagem promete racionalidade e cálculo de inteligência, mas toda a técnica da arquitetura da experiência convoca. Esse tação, urgência, repetição, comportamentos compulsivos e potencialmente danosos. Acho importante ressaltar como tudo isso pega num lugar que é o do saber. E a gente com psicanalista se interessa muito para o lugar do saber ou do suposto saber. Que é a confiança que o usuário tem do seu conhecimento ou do seu palpite, e poder colocar essa prova é também um afago no ego. Não é só sobre fazer dinheiro. Tem toda uma indústria em uma lógica de exploração da competência, que produz no usuário uma sensação de queritados envolvendo as suas habilidades, refinando o seu julgamento, melhorando o seu desempenho. Então, o poder de especular é convertido em identidade, e o usuário é convertido em um espécie de gru. Então, o sujeito não ta só apostando. Ele ta se percebendo e se entendendo e sendo variedado como alguém que sabe ler os sinais, que é bom nisso, que ta melhor informado, que fez sua pesquisa, colocando um endivido num lugar muito privilegiado e muito perigoso, de poder apostar e ganhar o mundo ou perder o mundo também, com toda uma parapernalha que faz métricas de progresso, de feedbacks, de símbolos de maestria, que faz com que o sujeito continue ali investido em uma automagem performática. E agora me perdou em se eu estou generalizando e desculpa as mulheres que se empolgam com tudo isso. Mas isso tudo não parece muito apelativo, principalmente aos homens. Alguns dados. Apostas esportivas e jogos de azar 70% dos usuários são homens. Os homens também são quem aposta com mais frequência e valores mais altos. No trading especulativo, deitrade, cripto, homens são cerca de 80%. Tem um aspecto bem competitivo do "eu sei mais que os outros", eu estou mais atualizado, sou mais esperto, avançando esse jogo. A avalidação via performance e ganho, conversando com algumas formas bem tradicionais de masculinidade, da hierarquia, da comparação entre os pares, vitória, derrota. E falando nisso, tenho uma cindra em minha emergente que eu tenho visto por aí entre os homens, tanto em criatros em prender doores, como na clínica mesmo. Mas eu não vi ninguém ainda nomeando esse sofrimento. E que é uma pressão contínua e cada vez mais acelerada para você não ficar para trás, na corrida por adoção, aferramentas de inteligência artificial, e que você já devia estar usando. Eu queria chamar isso de transtorno do déficit de atualização, ou neurose de performance tecnológica, ou angústia da obsolescência. Tem o FIB Fear of Falling Behind, de medo de ficar para trás, que os outros já estão na frente, eles estão mais otimizados, eles vão ficar bilionários. E não você, porque você não está rodando a última versão de si mesmo. Você ainda não integrou todos os seus arquivos com o Claude. Eu tenho visto muitos homens, numa espécie de pre-burnout, por essa pressão de que existe uma tecnologia mais completa e complexa que vai facilitar toda a sua vida e salvar sua vida como mágica, mas voltando aos mercados preditivos, o que você descobriu sobre essa sonda? Eu sei que te interessa bastante se está todo dia checando os resultados, as apostas. Quando você já perdeu, não, Andrea? Então, quando você ganhou, a gente este episódio é patrocinado pela caixa. Não, não é. Pois é, curioso, porque toda vez que eu entro no Polymarket, viram ralo de tempo do qual não consigo sair, mas eu tenho um pacto comigo mesmo que eu nunca coloquei um real, juro. Eu só fico observando como que as pessoas estão lidando com os assuntos e pra onde elas estão indo e o lance da probabilidade realmente me captura bastante. Mas, se sabe que tem esse relatório conjunto de duas empresas, a Kay Rock, a Duna Latex, que foi publicado na Forbes, e segundo esse relatório, as plataformas, algumas das que você citou, mais outras, a caixa, a Polymarket, a Crypto.com, e a Maria de Alímitlis, e também a Opinion, movimentaram mais ou menos uns 44 bilhões de dólares em 2025. E existe uma previsão de que juntas elas vão bater um trilhão até 2030. Uniartimes vem chamando os apostadores de previsões de os novos traders de Wall Street, lá dos anos 80, mas agora, ou como se fossem os novos sujeitos mágicos do nosso tempo, tipos fundadores de startups nos anos 90, e os influenciadores dos anos 10. Então, os traders de previsão como uma espécie de novo arquete, e aí tem rolado muitos artigos e expôs, por exemplo, o Garden Publicor recentemente, os bastidores dos apostadores do Polymarket, que estão jogando mesmo com a guerra entre os Estados Unidos e Israel, versus Uira, e tem um ângulo muito interessante nessa matéria, nesse artigo do Garden, de como o mercado de previsões vem moldando as notícias, decidindo que a verdade, uma espécie de captura da verdade, pela especulação muito entusea as madas. Sabe que nessa pesquisa, eu fui sentindo, Lucas, que é como se a gente tivesse no episódio "The National Anthem" do Black Mirror, lá da primeira temporada lembra desse episódio, a Lerta Spoiler. Nesse episódio, o primeiro ministro britânico é chanto agiado por um sequestrador anônimo, a fazer sexo ao vivo com uma porca na televisão nacional, porca o animal mesmo. E caso ele não faz isso? Não é um episódio difícil. Exatamente. E caso ele não faça isso, a princesa da família britânica mais amada na série vai ser assassinada. E aí 1.3 bilhão de pessoas ao redor do mundo para tudo para assistir ele performar o ato. O "Twiste" do episódio, por isso que tem spoiler aqui, é que a princesa, na verdade, ela é liberta pelo sequestrador, meia hora antes do horário marcado para o primeiro ministro transar com o bicho. Só que ninguém encontra a princesa nas ruas e avisa o primeiro ministro que ele não precisa fazer isso porque estava todo mundo dentro de casa colado na tela assistindo o negócio acontecer. O que é interessante é que o coração desse episódio não é essa obscenidade ou mesmo o fetiche ou essas ofilias cancaradas, mas é o mecanismo de formação da opinião pública como uma força tão coercitiva. É isso que o Polymarket faz. O "Acauche" ou enfim todas as plataformas. Só que isso é disfarçado de mercado financeiro como você estava falando muito bem. É mascarado nessa brecha. No Black Mirror, a opinião pública é um mecanismo de pressão. No Polymarket, a opinião pública é um ativo negociável. No Black Mirror, a opinião pública participa do processo de produção do resultado, assim como nas plataformas de previsão. O mercado vai movendo a realidade no lugar de prever a realidade. Quantas notícias têm vazado sobre políticos, empresas e pessoas que têm tomado decisões para fazer com que os apostadores do Polymarket ganham mais dinheiro. Então, no final das contas, o que é curioso ou um pouco. Ou muito preocupante, é como essas plataformas fazem tudo isso sem parecer que são jogos de azar. Elas vão convocando muitos códigos de outros universos que vão enganando a nossa. O nosso bom senso. Se costrando nossa autonomia e nosso senso crítico. Porque parece dados pesquisa ou mesmo esse afago no ego de estar certo, como você estava descrevendo. Quando, na verdade, assim, não tem nada de modelagem de mercado ou de análise política. O que tem aqui é uma subversão da imagem cultural do jogo de aposta, ou do jogo de azar, fazendo com que isso pareça mais intelectual. reformulando as chances como probabilidade ou transformando risco em sites. E aí a interface contribui bastante para isso, né? Porque tem as animações, tem as tabelas, tem os gráficos, tudo vai parecendo meio mercado financeiro, só que é como se fosse o novo gamification, que é alguns análises que estão chamando de gamble ficação das finanças ou batificação das finanças. É talvez o melhor exemplo que já tenha aparecido sobre o que a gente vem chamando de caceno cognitivo a um tempo aqui na float, porque assim como nas mídias sociais as plataformas vão explorar a vulnerabilidade cognitiva e também esse disfarce, especialmente para quem está mais cansado. Sabe o episódio que você descreve a imagem de um trabalhador, garí de rua, que no lugar de estar assistindo o produçal no arpoador, ele está jogando no celular. E como a gente ficou com essa imagem na cabeça durante muito tempo, é um modelo de negócios que ele é construído em cima do extractivismo da compulsão. E acho que aqui a gente tem a principal diferença para o caceno, porque nunca ceno tradicional, o usuário ele aposta contra a casa. Nessas plataformas o usuário aposta contra outros usuários. E aí, acho que não dá para a gente fazer esse episódio sem falar sobre a achochana Zubov, que escreveu o tal do capitalismo de vigilância, do que a gente falou muitas vezes. O André fica falando para a gente fazer um episódio sobre hiper-vigilância, e eu sempre respondo, mas André é todos os episódios já não são sobre isso. É, mas não é mais sobre vigilância, né? É sobre manipulação. É sobre ajustes, orientações, essa modulação do comportamento por meio desses sinais muito subliminários dessas recompensas, dessas previsões, e tudo a favor do lucro. Então, tem umas falas, tem umas entrevistas da Zubov, que eu leio em que ela fala sobre o vício como um produto do capitalismo de vigilância. Junto com a saúde mental, é, danificada, com as notícias falsas, com a manipulação comportamental na larguescala. Para ela, esses não são bugs do sistema, mas sim, as consequências diretas do modelo econômico. E aí, muita gente vai usar o trabalho dela como um ponto de partida para pensar que não é mais o capitalismo de vigilância, que captura a atenção para estraidados, mas sim o capitalismo da dopamina, que é um sistema que promove ativamente a distração e vai estimular o vício como o principal mecanismo de captura do valor. Então, do que a gente está falando no final das contas, da compulsão como algo que é cultivado e monetizado? É uma mudança que ela parece sutil, mas ela não é sutil. Porque se o mercado de bens de consumo construiu a ideia de persuasão, as text consolidaram o consumo da compulsão. Essa é a história de como a gente deixou de ser consumidor para se tornar usuário. Essa palavra que seja convocou também. Como você acha que esse, essa lógica do jogo vem impactando as adicções Lucas? Eu gostei que você falou da game ficação, porque nos anos 2010, a gente falava tanto sobre isso, estudava tanto sobre isso, todo mundo muito empolgado com essa tendência que prometia invadir o mercado em todos os lugares, parecia muito divertido. A gente foi aceitando e internalizando isso de uma forma bem gênua, o que a gente vê recentemente e tem alguns artigos. Eu vou colocar os links na nossa newsletter. Falo sobre como nesse cenário, o jogo foi deixando de ser uma atividade separada, delimitada, localizada em certos espaços momentos, e sim filtrou na textura ordinaria da vida digital. A gente chegou num ponto em que o mundo inteiro começou a funcionar como esse cacino contino, portátil e omnipresente, ainda que às vezes não pareça, porque a gente não está falando só das apostas literais. Quando eu e você aqui a gente decide um tema do vibes e análise, é uma aposta. É um investimento do nosso esforço, nosso tempo, custos reais. Claro que muitas vezes a gente não faz apenas o que a gente acredita que vai dar mais visibilidade e repercussão. Às vezes a gente quer fazer temas que simplesmente a gente quer fazer, a gente quer estudar, a gente acha importante e tudo mais. Então às vezes não vão bombar, fazer sucesso, serem compartilhados e tudo bem. Mas de qualquer forma, você sendo mais ou menos autoral ou comercial, a gente está sempre se colocando a prova, testando a interessância desses temas e de nós mesmos com a nossa audiência. Olha que eu não falei comunidade, falei audiência. Então existe um etos que é esse conjunto de costumes do nosso tempo, que é esse de participar continuamente de um idioma coletivo de excitação e risco. É o risco de você postar uma selfie e receber muitos elogios ou nenhum like ou cinco likes da sua tia e do seu melhor amigo. Agora voltando para as tecnologições especulativas, o Timotifon que é um psiquiatra de edições da universidade da California. Ele faz uma comparação bem forte, ao lembrado impacto do crack em relação ao cocaína. O crack é um derivado à cocaína e essa analogia é interessante porque ele mostra que certas mutações no mesmo produto tornam ele muito mais potente e com mais poder de capturar e viciar as pessoas do que o seu da sua forma anterior. E aí no caso de uma caixa da vida, o jogo ele deixa de ser chamado encarado como um jogo e vira como a gente estava falando, previsão, investimento. Uma chance de fazer uma jogada inteligente, de exercir a sua autonomia individual. Tudo isso num risco que parece muito miniaturizado, como uma interface amigável, incorporada ao cotidiano e o fong relata que é maior parte dos casos de adicção em mercados preditivos que chegou na clínica. São homens, brancos, jovens de 18-24, muito bem educados, tecnologicamente habilidosos, provenientes de famílias estáveis, tudo num contexto super conectado, avançado, universitário e ele diz que o novo sujeito da adicção apostadora é aquele que a primeira vista parece muito bem adaptado ao novo capitalismo digital, jovens rápido, alfabetizado tecnologicamente, financeiramente aspiracional, immerso em fraternidade e culturas de performance e aí as apostas deixam de parecer uma prática limitrofe meio desesperada e passam a ser encaradas em senadas como um comportamento ordinário inteligente, socialmente aceito e convenhamos até um pouco inevitável. Você acha que dá para sair ou escapar dessa grande jogatina? Eu acho difícil, Lucas, porque a gente não está lidando com quem opera dentro da lei, pelo contrário, como você muito bem descrever ou a gente está falando de muitos agentes que estão aproveitando as brechas da lei ao mesmo tempo que eles se propõem como lei ou se propõem como dentro das regras, ou mesmo como se houvesse regras, como se gente soubesse quais são as regras. Eu concordo muito com a sua analogia que você trouxe sobre a cocarina e o craque, porque muitas vezes o funcionamento desses dispositivos parece ser uma evolução muito mais perigosa de como os algoritmos foram construídos, que a gente não fazia ideia de como eles operam. E aí eu tenho ficado bastante tomarrado pelo trabalho da Catherine Liu, que é uma teórica cultural que estuda diversas assuntas e que vem falando num curso dela e até não substaque sobre uma ideia de capitalismo gangster. Eu ia falar gangster agora quando estava falando que opera fora da lei é essa sensação mesmo. Essa sensação. A mafia? É a mafia, a gente não sabe com quem está lidando. Ela fala de como as plataformas tipo Polymarket, mesmo as Betes, mas não só, né, tem também esses grandes supermercados da sexualidade que se tornaram as plataformas de pornografia online e que tudo isso vai se apresentar como investimento, como entretenimento, quando na verdade são cassinos, como a gente sabe, que não são só psicologicamente manipuladores, mas são estruturalmente criminosos e é muito cínico, porque por um lado vai se sequestrar totalmente a capacidade de autocontrole do usuário e por outro lado vai dizer no final "jog" como moderação. Como a Catherine Liu discreve, essa é a mais legítima face do gangsterismo do colarinho branco e você falou de colarinho branco, né? Você está descrevendo esse novo sujeito da adicção que é o sujeito do colarinho branco e não como uma lógica bastante liberar opera tanto tempo, né? Que é só fazer o extractivismo de uma determinada parcela da população. E aí você falou né é a mafia e o que é o gangster? É aquele que vai operar esquemas organizações que lucram bom sistematicamente, eu ia falar compulsivamente com o tráfico com a extorsão, com jogos, com o roubo, com a prostituição, sempre na brecha da lei. E eu acho essa definição boa pelo seguinte, porque vence e pluriferando muitos aplicativos e também creators, coaches que vão vender cursos e métodos para te ajudar a deixar de consumir pornografia, por exemplo. para te ajudar a sair da silada das Betes. E não é uma quantidade pequena de pessoas que têm sofrido com a compulsão. Tem aquele estudo do Papo de Homem com a ONU, o sonhando os homens do futuro, aquele estudo sobre meninos, em que, bom, foram entrevistados quatro mil jovens brasileiros, e um em cada cinco meninos adolescentes se desviciado em games e pornografia. Na mesma pesquisa, 46% dos meninos, ou seja, quase metade, afirma o que gostariam de ter ajuda para a celebrar do vizem-pornografia em games ou em celulares. Eu não sei se acompanhou esse pequeno escândalo do Quitoer, que é um app que promete ajudar homens a parar de ver pornografia. Em 2016, o app acabou vazando dados de 600 mil usuários sobre frequência de masturbação, sentimentos em relação à pornografia, a dados pessoais, dados sensíveis, confissões escritas dos usuários em momentos de vulnerabilidade, quando eles apertam um botão de socorro que tem no app. E aí, um pesquisador independente, descobriu que todos os dados expostos foram expostos numa falha muito básica de configuração, e que os criadores foram avisados em setembro de 2025. Eles prometeram corrigir o erro, não fizeram nada. E aí, a New York Magazine publicou um perfil sobre a vida luxuosa dos fundadores do aplicativo, um aplicativo que expôs os dados de pelo menos 100 mil menores de idade. Então, como a gente sabe, os dados valem dinheiro. Então, olha que exemplo interessante. E muito apavorante, que é um sistema que explora não só a dependência, mas também os dados de quem está tentando sair da dependência. Por isso que a única definição é o gangsterismo mesmo, porque parece um tipo de agiotagem. É mais do que o golpismo que a gente vem descrevendo alguns anos. É como se a gente tivesse diante de uma transformação moral muito grande, retomando o que você disse no começo. Eu acho que essa exploração muito ambígua ela também está presente nas bates de uma forma geral. É, para a gente expandir ainda mais a complexidade desse tema, vamos cutar o Davin Emmer, que é antropólogo da tecnologia e professora e pesquisador da Universidade da Virginia. Não é a Virginia Fonseca, gente, não respeito em rapaz. Eu chego esse crescimento das tecnologias de adicção, menos como um desvio individual e mais como um princípio organizador do chamado capitalismo de plataforma. Então, não se trata só de aplicativos atraentes ou de uma rede social, que indústria, um uso intensivo, mas de um ego-system inteiro desenhado para capturar a atenção, produzir hábito, transformar permanência em lucro. E essa dependência, ela não é só psicológica. Ela também social, econômica e também infraestrutural. Acho que esse é o ponto aqui. Hoje, a gente trabalha, se informa, te manda em vimbo, hoje, busca um potentecimento dentro dos mesmos sistemas que nos monitoram e nos estimulam o tempo todo. Acho que por isso que me interessa menos moralizar o usuário e mais perguntar o tipo de modelo de negócios, de arquitetura técnica, a simétria de poder, torna essa dependência, quase uma condição de vida cotidiana. Quando a tecnologia passa a organizar, não só o consumo, mas também o tempo, o afeto, e até mesmo a sua previvencia, eu acho que nós chamamos de vício, deixa de ser um problema individual e passa a ser um problema sistêmico, ou seja, cultural e político. Uma das questões que é muito abordada na literatura sobre adicção e vício, principalmente em jogos, jogos de chance, casinos, é que, foi um avanço dos estudos, as pesquisas, provar que isso é um problema de vício também, porque você tira a questão moral do usuário, ou seja, antes, muito se falava que o usuário era mal caráter, era ruim, ser viciado. Hoje se entende que é uma patologia, só que virou uma questão que a indústria das apostas se apropiou desse discurso para falar que, "OK, se te trausser o número de viciados perante a população que joga, é um número muito pequeno". E realmente é só que, ao olhar o vício, eles evitam olhar em todas as outras consequências que acontece, dedido ao uso desse jogo de aposta, ou de casinos. Então, no livro que eu estou escrevendo, eu não vejo o vício como uma questão causadora, mas uma consequência, assim como a bandona familiar, por exemplo, a violência automéstica, a depressão, a questões de saúde mental, infelizmente o suicídio, tudo isso quando você traz dentro das consequências desse vício que é gerado por design nessas plataformas, você entende que o vício realmente faz parte de um conjunto de consequências que a indústria, por muito tempo, quer individualizar o usuário, ou seja, falando, "Se você é viciado, é porque eu tenho outras questões nas suas vidas que está causando isso, não é o jogo de aposta". É uma tática muito conhecida, por exemplo, da indústria do tabaco, que, por antes, muito tempo negou que o tabaco viciava e explicava que, se alguém ter algum tipo de problema, por exemplo, o câncer, foi por outras questões, na pê, o tabaco. E tiver a mesma lógica chegando agora com a política das Big Textas, grandes empresas de tecnologia. Se você é viciado numa plataforma, não é por causa da plataforma, mas sim, porque você tem outras questões na sua vida e está te levando a comportar dessa forma. Então, é uma estratégia retórica que já bem conheciam os tribunais e que hoje, devido aos últimos casos e últimos julgamentos, não tem colado muito. Cassino, em si, continua proibido. Mas a lógica do jogo, o Tabete, ela é muito pior, porque ela quem me fica o jogo, ela traz as lógicas de vício das plataformas digitais, pro Cassino, pro jogo. E aí, essa epidemia, que é interessante ao conversar com os meus interlocutores, eu conversei com mais pro livro, foram 69, mas ao longo de dois anos, foram cerca de 160, 170 pessoas, com experiência nisso. E as pessoas que auto se declaravam obriciados ou que as pessoas que falavam que ainda estavam ativas, jogando, quando perguntadas o que elas gostariam do que acontecer se resolveu o problema, porque todos os identificavam o problema, um 95% falaram que é pra baní, é pra baní, bet. Mesmo eles jogando ainda, gostando de jogar, ou mantendo o certo vício de acordo com eles definiram, baní, a solução deles era baní. Alguém usou falar, vamos colocar o limite de gasto por CPF para que você gati só a 150 reais, mas isso não vai passar, porque não é do interesse das plataformas, não tem nada pros usuário, não pagou para o serviço, não pagou para um objeto, para um artefato, não tem nada de retorno. Dito dessa relação dos brasileiros com as betes, eu acho que é importante sair tanto desse moralismo quanto da ideia de que tudo se resolve com a educação fenossera, que é possível. Não é por aí, o que eu tenho visto é que elas se encerrem em rotinas marcadas por precaridade, em dividamento, promessa de mobilidade, uma cultura digital que naturaliza o risco como forma de imaginar o futuro. É essa uma grande questão que eu tenho analisado, é como que as betes sequestram a possibilidade de uma pessoa de imaginar o seu futuro. E ao sequestrar, ela coloca isso em aposta, porque se você pede, o futuro que você imaginou não é possível. Se você ganha o que é raro, não ganha o que você imaginou, você também vai perder. Então, um fetamento aqui precisa combinar a revolução forte, sobre publicidade, batrocínio, influenciadores, você vê um jogo de futebol hoje, você vê batrocínio de bet na camisa dos dois times, em torno de todo o campo de futebol tem bet, o nome do campeonato brasileiro é de uma bet, o intervalo do jogo, você é sua bet. Chegar e imaginar uma vida fora de uma bet, se você gosta de futebol, está muito difícil. No carnaval, a mesma coisa, você vai pro carnaval, é bet aqui, é bet ali, eu fui comprar uma cerveja de uma vez, saindo no bloco de carnaval no Rio de Janeiro, o vener doo entre uma venda e outra, jogava o pixigayo que recebeu, está a venda de uma cerveja, para ver se ele conseguia, de repente, no outro dia, voltar com a mesma infraestrutura. Nós temos a bet aí, e o que está acontecendo às duas grandes paixões nascionais, o futebol e o carnaval. E isso mostra muito como que essa política tem machucado bastante, todas as nossas abordadas sobre cuidado, proteção social, e apoio para que já está indivitado. No Brasil nós temos os suos, nós temos o capis, mas não está dando conta, porque não foi desenhado para atender essa demanda. Então, no fundo, a posta cresce quando ela passa a parecer uma das poucas saídas imagináveis desse futuro que foi limitado por ela própria, sabe? Então, se o horizonte de ascensão tiver bloqueado, se o trabalho, né, por exemplo, cada vez mais estável, servida cotidiana, forranizada, promessos de ganho rápido, a bet deixa de ser uma insensão e viram-se em forma. Por isso que, em ventais, o problema da bet, ela existe uma questão sistemática, de infraestrutura social, trazendo um pouco assim, mas quis analises aqui, de que os vacos que o capitalismo criam e fucou falando que não existe e vá com o poder, as betes fazem justamente isso. Você tem um sistema capitalista neoliberal que vai criando as precaridades, vai criando o trabalho precário, acessa a saúde precário, e todos esses vacos acabam sendo prechidos pela as beques, porque elas conseguem especularizar a esperança. Ou seja, a esperança de um trabalho melhor, já que o trabalho que é o único que eu tenho especalizado, a saúde que eu tenho é acessa de ser especalizada. Então, preciso especular a minha esperança para ver se eu consigo não. Isso tem trazido muito um detimento, tanto individual quanto do tecido social brasileiro. O que me preocupa é justamente a generalização dessa lógica apostadora, como forma de organização da vida social. Quando o horizonte coletivo, vamos decir, ele é substituído por atalhos, volatilidade, recompensa instantânea, a separação de vessidores e propagadores. O tecido social aqui se pobrece. Isso corroi a ideia de compromisso, de construção lenta, de solidariedade, até mesmo de demografia, porque tudo passa a ser vivido, como o competição permanente e oportunidade individual. É um mundo em que o risco é privatizado, o fracácio é moralizado, e a promessa de futuro deixa de ser compartilhada. Esse futuro já está sequestrado. Tem vez de fortalecer vínculos duradouros, instruções capazes de se sentar a vida comum, essa lógica produz ansiedade, para dizer recentimento e uma inação cada vez mais frágil do tempo. A poça nesse sentido não é só uma prática econômica, ela vira uma forma de imaginar as simências e os outros. E é preciso deixar muito claro que o mercado pedeitivo virou uma expressão gourmet de bet. Não tem como sair disso. E essa questão dos mercados pedeitivos já está deixando um legado muito sério, principalmente em nosso ecossistema informacional. Por exemplo, nos Estados Unidos já acordam entre a caoxica, a CNBC e a Fox. Também tem a Polymarchet, que é conhecido, tem a pôdeo com o Taot Jones, que é torno do nosso e John, ou enfim. Porque eles levam probabilidades em tempo real para TV, em sites, produtos jornalísticos. E isso desloca parte do ecossistema informacional para uma lógica de que o mercado está pacificado vira quase que um fato em si, ou seja, com a chance de circular um certo evento, uma certa notícia. Ou seja, o risco é transformar o debate público em um títico de probabilidade. Ou seja, em vez de você ir lá verificar um fato ser real ou não, você traz qual a probabilidade daquilo ser real ou não, e você apresenta essa probabilidade, baseada nas apósas, como a verdade. E isso é de uma desassociação da realidade muito grande, e é um perigo muito grande. Isso é desinformação baseado, amplificado pelas lógicas da plataforma, e pela questão capitalista. Pede um pouco tato com a realidade, com a noção de relação, com o outro, com a natureza, e com esse mundo real. Tudo vira esse especulativo, a especulação vence por a questão factual. Muito legal escutar o Davi, sempre metido com pesquisas muito fascinantes. O artigo que ele escreveu na folha, um pouco sobre esse livro, no qual ele está trabalhando, é muito bom, porque ele fala sobre como as bets são essas infraestruturas financeiras paralelas que não oferecem só entretenimento, mas também uma possível renda a mais. Essa é a promessa, uma engrenagem fundamentada na promessa de recuperação. Mesmo quando o usuário perde, existe esse pote de ouro prometido. E aí fiquei pensando, escutando da Vílugas, que no primeiro livro dele, que é a tecnologia do primido, no capítulo 4, ele faz uma reflexão muito boa sobre como o uso das mídias sociais nas comunidades periféricas, muitas vezes é um recurso de libertação. É uma forma de tentar resistir a favela, no sentido craseado aqui do "A", que é tentar criar outras possibilidades de existência e de socialização. Mais com as bets, o negócio é bem diferente, porque a promessa é a da oportunidade, mas a realidade é o individamento, tanto emocional quanto econômico. Ou seja, é uma tecnologia de captura da autonomia, como a gente disse no começo, que promete liberdade, mas ela entrega a prisionamento. Então nesse sentido, é muito interessante quando da Vílvia vai apontar que a gente está falando de um sistema de conversão da precaridade em especulação. Como você percebe que a compulsão de talvem se conectando com algumas das nossas angústias e sofrimentos? De várias formas, e eu pensei em três aspectos. O primeiro deles é sobre como essa intoxicação eletrônica, apesar de geradanos, ela também pode ser um paliativo pro sofrimento cotidiano de qualquer sujeito pobre mortal. Eu percebo em mim bastante isso, sabe? Em fases que eu estou disgustoso com alguma coisa, com algum sofrimento mais acentuado. Eu deito e rolo no tempo do celular. Faço menos as coisas que eu sei que não fom do me fazem bem, pro meu corpo, pro minha mente, pro meu emocional, porque é um jeito muito tentador e conveniente de burlar angústia. E você falou do "Dum scrolling", para mim tem uma coisa que pode até só falando, assim, muito egoísta e meio alto centrada, mas você pode relativizar as suas próprias dores pessoais individuais. Se você tiver hipnotizado por um scroll de desgraças globais e tragédias do mundo, isso te distrai, isso porveriza e relativiza os seus incômodos que são talvez mais pessoais, talvez não, os incômodos que são mais pessoais e acessíveis, e que talvez esteja na sua mão, se eu vai tratar na análise, ao mesmo tempo que gera uma sensação de impotência e desesperança. "Ah, tá, o Trump tuitou isso, e agora?" "Quem você faz com isso?" Você se informar o tempo inteiro, a infodemia, vai te ajudar como na sua vida. O segundo ponto é a forma como a gente percebe que as pessoas estão se conectando em excesso com inteligência artificial para tentar lidar com as suas dores de uma forma muito prática. E esse tratando de doenças, por exemplo, a gente tem um episódio que a gente lançou sobre cybercondria. Esitima-se que 12% da população tem a chamada ansiedade de doença, ou hipocondria, e que 40 milhões de pessoas por dia pedem orientações médicas para inteligência artificial. Nivou comentar sobre orientações psicológicas e conselhamento terapêutico porque esses dados são muito deprimentes. Mas sim, a inteligência artificial vai te ajudar a aprender mais sobre o seu caso, sobre medicina, mas também existem histórias que são muito problemáticas e assustadoras de casos onde a espiral não acaba. E se torna uma compulsão. Eu tava lendo sobre esse cara no artigo do de Atlântico que pegou resultados de exames que ele fez, que indicava uma possibilidade dele ter câncer. Aí ele ficou alimentando essa conversa com o chat TFT todos os dias sem parar. E mesmo depois que o médico acigurou ele que ele tava bem, ele não acredita no médico. E ele continuou vivendo e explorando a possibilidade da doença junto com o chat TFT. Porque virou uma adicção, com base numa condição que ele tem de hipocondria. É uma adicção alimentada pela tecnologia, porque a tecnologia não quer que você pare de falar daquele assunto. Ela quer estimular mais tempo de tela, mais informações. Escreve um chat, assunto até ele virar uma espiral da qual você não consegue mais sair sozinho. Olha aí a captura da cor gente falou antes, não é alimentada? É captura. E a dependência com a inteligência artificial tem sido apontada como estruturalmente muito mais perigosa que as mídias sociais, porque ela entra num campo de dependência emocional e também de desempenho cognitivo. Voltei-meia parece de novo aquela história das psicózes, que estão sendo induzidas pela interação excesiva com AI. São umas ondas nesse fala sobre isso, e depois se para te falar, tem umas matérias que parecem umas matérias pagas para dizer que tudo isso é espéculo-sanco, não é verdade. Então deve ter muita coisa bizarra acontecendo, que a gente não tem ideia e que estão sendo censurados do debate público. E o terceiro último ponto que eu tenho sobre sofrimentos e angústias é como pode ser interessante aproximar a tecnologia da teologia, e do entendimento do poder de estruturas religiosas e toda a problemática que existe com fiais e seguidores que são fervorosos, porque esse movimento todo de adoração, tech, e de como os smartphones e inteligência artificial não são só boas ferramentas, mas são recursos cultuados de uma forma parcional e ilusória. A gente vai ficando mais e mais submetido, mas também aliviado, as vezes até sentindo-me abençoado de ter sorte de viver num tempo com tantas tecnologias a nós favour, e aí muitas vezes o deslumbre, substituir a crítica, a idolatria, a báforo bom senso, e a devoção pelo próximo update vai anestesando a desconfiança, e a suspeita que você tem que ter dos riscos envolvidos, porque viram paraíso artificial muito tentador, isso tem até um termo "tech-nognose", acreditar que a verdade a salvação e até o amor podem ser algoritmicamente produzidos. É o caminho para imortalidade digital, e fica uma coisa de questionar ao oráculo, mas, em mesmo tempo, não questionar a sabedoria soberana do oráculo, porque a sugestão se torna, tem um cálculo ali que é sagrado, que está sendo codificado de forma muito perfeita, revelado na sua interface, que é uma espécie de templo para qual a gente reza. Em nome da terra prometida, a gente concede a servidão voluntária, e a promessa de redenção qual que é, é a eliminação total da dúvida, do erro e da lente dão. E da imperfectão humana, finalmente graças a Deus, e ao dísimo de cento e quinhem reais por mês dependendo da cotação do dólar. Bom, acho que a gente pode fazer uma pausa para comuncar e fazer um belo intervalo, a gente continua já já com mais vibes e análise. Falando em pausa e detox, é um assunto muito importante para esse episódio, eu fico pensando assim que a gente fala muito de como ficar rodando o scroll, "Infinito é uma perda de tempo", todo mundo concorda com isso, né? De fato é, os números são assustadores de que você vai ficar mais 20 ou 30 anos olhando para sua tela, mas a gente vai viver mais e vai olhar mais para tela, então os números só aumentam. Mas talvez, ao invés de estar perdendo tempo, seria interessante a gente pensar que, de forma inconsciente, a gente está acreditando que está ganhando tempo, ganhando tempo para não se haver com outras coisas. Coisas que talvez a gente esteja com dificuldade de enfrentar, coisas que talvez seja mais importantes e que se torna importantes, inclusive porque a gente vai evitando elas e aí vira escape, vira pro clastinação. É claro que é bom poder dar essas fugidas, mas como é que a gente pode estabelecer esses limites quando a internet nos entrega um mundo sem limites? E nisso, o sistema intermitente de recompensa vai sacrificando a nossa capacidade de sustentar continuidade. Isso nos afeta em muitos aspectos da vida. Tendo todo um debate hoje, cada vez mais forte sobre o scroll infinito de que ele deveria ter um fim, eu fiquei lembrando de uma entrevista que eu dei a uns 5 ou 6 anos atrás, eu nem lembro para quem. E que eu acho que não foi publicado em nenhum lugar, porque devem ter achado que era uma grande viagem, como acontece às vezes comigo. Mas eu fiquei criando ali junto com o entrevistador, como que seria imaginando, assim, uma rede social que tivesse um recurso do que a gente chama na psicanálise de escansão. Fora da psicanálise, na linguística, o que é escansão? É uma contagem de sílaba, parecido com a contagem de sílaba, mas nasa também, porque ela valoriza o som, o ritmo e a cadência, e você percebe como que o som organiza um sentido e não ao contrário. Mas, enfim, o laca pegou isso e trouxe como uma técnica de intervenção que faz um corte interrompe o discurso do paciente, no momento significativo, ou num significante, para evitar a falação que vem por cima depois, para disfarçar. Então, é um tempo de parar e absorver tanto a repetição de um sentido como a possibilidade de produção de um novo sentido. Puxando para a técnica no adicção, como seria esse período de resfriamento? Eu fiquei imaginando, nessa entrevista, perdido no tempo, porque não sei onde foi parar, se poderia existir uma media social que tirasse as pessoas da inércia. Tanto da inércia, daquele momento em específico, mas também de alguma forma uma inércia na sua vida, e que te alertasse quando você está virando um zumbi. Que provocasse o usuário a ir embora e levar para casa na linha do corte lacaniano, vai dormir e pensar nisso. Tipo, espera, isso que você está curtindo ou isso que você comentou, você não pode deixar passar e diluir com scroll. Vai repetir, vai digerir, vai fazer a sua parte agora, vai fazer alguma coisa com isso. Mas, para as plataformas adictivas, a pausa é inimiga. O usuário não pode ter muito tempo para metabolizar a sua perda, para recalcular o desejo, ou simplesmente sair de cena. Por isso que tem essa continuidade que é artificial, depois de uma posta vem sempre outra posta, depois de um vídeo vem sempre outro vídeo. Depois de uma busca ou consulta, sempre tem mais, sempre tem outra pergunta que se sugere, um outro aprofundamento. Então, a tecnodicação vai se alimentar dessa substituição do tempo de elaboração, pelo tempo de circulação. O que você acha, Andrea, tem alguma saída nesse sentido? Talvez, álulcas, porque, ao mesmo tempo, esse técnopessimismo que a gente habita hoje, ele me é mais palatável do que o técnopessimismo da década passada. No sentido em que parece que o rei está pelo menos um pouco no, e a gente não está mais tão tomado por um otimismo alianante. Eu tenho acompanhado com um certo satisfação, essa trend que tem rolado no Instagram e no TikTok, sobre as pessoas fazendo recortes de coisas absurdas que os CEOs, ou os executivos das companhejos de tecnologia, dizem a céu aberto como se eles pudessem dizer isso. O Peter T. or Sam Altman, todos esses tech bros que vão metralhando absurdos e falando coisas que deixam bem claras as intenções, nada otimistas ou constructivas ou reparadoras, que estão por trás de empreendimentos multitrilionários. E você falou mais sobre sujeitos adaptados, muito bem adaptados, e tem uma série de autores que, ao longo dessa pesquisa, deixam bem claro para mim como adicção, tanto ao consumo, as apostas ou mesmo substâncias, ela é parte do tecido psicossocial dessa lógica capitalista, onde há capitalismo a verade e que são, e que, nesse sentido, o compulsivo e todos nós somos meio compulsivos, não é o fracasado do sistema, mas sim o sujeito que levou a série demais as ofertas que o sistema faz. E acho que a gente precisa se dar conta disso, a gente precisa trazer para consciência esse sintoma coletivo de que, quando a gente está muito tomado por bets, porque a gente tomou a série demais o dinheiro e a possibilidade do atalho pros ganhos. Ou quando a gente está fixado na pornografia online, é que a gente levou muito a série, a ideia de que a imagem da sexualidade pode substituir a corporeidade da sexualidade. Ou que a gente levou muito a série, a ideia de que a nossa falta existencial, a nossa angústia que nos acompanha diariamente, pode ser de alguma forma substituída por uma compra desmedida na chá em. Ou no mercado livre ou no iFood, ou sei lá onde. Então, no final das contas, a compulsão é uma operação ideológica para manter o sistema intacto, seja o sistema do mundo, quanto como esse sistema habita a gente, como o grande outro, mora dentro de nós. Porque o modo dominante da nossa existência hoje é a adicção. Para a galera que é um pouquinho mais velha como a gente vai lembrada aquele termo "crackberry". Como era viciante ter um blackberry aquele telefone com um tecladinho. Naquela época, o vício no celular era uma metáfora. Hoje é literal demais e parece que isso se instalou de um jeito dopamínico demais. O "chamona" não é um pesquisador que a gente já estou aqui várias vezes. ele aponta como as subjetividades atuais elas são construídas na compulsão e é por isso que o nosso espírito do tempo está tão obcecado pela sobrenadade. O declínio do consumo de álcool é uma forma da gente tentar recuperar o controle. A obsessão do elunes com limpeza, detox, purificação, abstinência, é uma forma da gente tentar recuperar alguma forma, alguma modo de vida menos tomado pela compulsão. Só que o vício, mais compulsivo, a compulsão que toma os nossos dias é a das nossas telas. E esse fato é muito incômodo, mas a gente não pode tirar isso da consciência. E por isso que achei tão interessante a sua ideia, alucas que queria ouvir essa entrevista agora depois você falou dela. Mas é como é que a gente ativamente pensa em construir formas para conseguir desmontar pelo menos pausa o motor do capitalismo farmaco pornográfico da subjetividade como diria o preciado, alguém que a gente não poderia deixar de citar no episódio sobre compulsões. Bom, isso é o máximo de otimismo que eu acho que consigo produzir. Pois é, a gente prometeu, né? Eu penso assim, é um assunto difícil, dá um pouco de vezes de culpa, de vergonha, tem um passo a passo muito bobo assim, mas que é a primeira você reconhecer que existe um problema, consegui falar isso em voz alta, falar disso na terapia, falar com as pessoas próximas, pedir ajuda, tomar algumas providências para pelo menos não piorar. E aí fazemos esforço para tentar revertir esse quadro, e se perguntar que tipo de consequência que essa adicção está gerando, que função será que esse objeto droga está exercendo na sua vida. E o que você está abrindo mão? Por causa disso, o que você está perdendo de vida? É para sair do tédio, ou está criando mais tédio? É para sair da rotina, ou está só sustentando uma rotina? O risco desses comportamentos que são muito estreitos, sem espaço para as exceções, quando tudo fica muito serializado, automatizado, isso exclui o eventual, o recreativo, o divertido, e alimenta um curto circuito das nossas defesas mentais, evitando que a gente lide com alguma coisa que é importante. A Joyce McDougle fala de uma curtina de formassas sobre a totalidade dos nossos afetos. Em termos práticos, a gente sabe como é irritante, quando alguém vem com um manual de instruções, aquela coisa de consciência corporal, fácil e alinhamento postural, alongamento, eles são importantes, né? A serer de calvo, você fica olhando a tela, Andrea, você já meditou hoje. A gente sabe que essas falas têm boas intenções, mas às vezes elas são muito engenas ou até irritantes, né? Numa linha meio, "tô me banhos curtos para economizar a água enquanto um recurso do planeta". Agora o que pode ser mais admissível de fazer é se observar para perceber como que tal o seu senso de autonomia. A gente tem um universo inteiro de agência dos herários e para as obrigações, mas quando você tem alguns minutinhos livre, o que você faz com esses minutinhos, ainda dá para decidir alguma coisa, quais são as opções que existem? A mais fácil, o que está na nossa mão, a gente já sabe, né? Mas qual que pode levar você para um estado mental e emocional, mais leve ou mais saudável? E como é que a gente pode se ajudar também uns aos outros, porque as políticas públicas elas são lentas e bastante corrompidas por todo esse lobe empresarial? Então acho que existe uma responsabilidade de nós, uns com os outros. E Março agora entrou em vigor a éca digital, né? Com o estatuto Digital da Criança da Dolecente, que estabelece regras aí para as empresas de tecnologia, que envolve menores de 18 anos. Então, em novos formatos de controle de idade, com reconhecimento facial, novas restrições que prometem uma infraestrutura social mais regulada. Mas no interpessoal, a gente tem um papel de cuidar de alugar uns com os outros sobre essas compulsões digitais, como se fosse qualquer outra adicção, os idosos, assim. Como é que a gente pode resgatar os idosos, o que ainda existe de vida, em tantos idosos que estão capturados por uns com o infinito? É um lugar de companhia, de diversão para eles, talvez sim. A gente precisa de lugares de refúgio, de relaxamento, mas será que está funcionando mesmo com escape, com o alívio? Será que esses lugares, para as quais a gente está fugindo, não estão só nos hyperestimulando, ou nos cansando, ou nos pressionando ainda mais? Eu acredito que a gente se alivia um pouco, se for menos sobre usar ou não usar. Ao mesmo horas de uso, isso é relativo também, mas é alguma coisa sobre a nossa intenção e presença enquanto a gente está ali usando. O quanto a gente está sendo sugado e treinado, o quanto a gente está fazendo um uso que talvez seja enriquecedor, criativo, ou mesmo produtivo, que seja, ou divertido? Mas que não sejam o uso apenas pelo uso, pela facilidade e conveniência do uso, porque você nem sabe o que fazer se não estiver usando. Então, boa parte da potência adictiva das tecnologias do nosso tempo, está a entirar a sensibilidade, desensibilizar a relação do sujeito com o custo. A gente falou muito de custo de dinheiro hoje aqui, né? O custo attentional, o custo financeiro, o custo temporal e o custo afetivo. A tecnologia é um próspera quando o sistema torna opaco a real conta da experiência. A sua conta que está saindo aqui não são soldados, há um cálculo muito maior e você não sabe tudo o que você está entregando para eles. E de novo, a gente não espera que tudo fique na conta do sujeito, mas o que cada um pode fazer, será não é? Pois é, acho que a gente deixou evidente de muitas formas como a gente acredita que esse é um sintoma social. Mas acho que a gente tem que ser bem psicanalista para pensar nessa história, Lucas. Porque para psicanálise, não adianta nada a gente só eliminar o sintoma sem conseguir escutar o que ele diz. Porque, na melhor das hipóteses, isso vai ser só trocar uma compulsão pela outra. E como a gente sabe, o sintoma fala. A compulsão, geralmente, é uma solução que o sujeito encontra para um problema que muitas vezes ainda não deu para não me há. Muitas vezes ainda não deu para falar sobre isso. E aí, o tratamento, bom, muitas vezes não vai ser necessariamente só interromper a repetição, mas criar as condições para aquilo que se repete possa ser dito. Qual é a nossa crença de que a fala vai substituir o ato? Por isso que a sensação livre é tão importante no tratamento psicanalístico, por isso que é o método, por isso que a gente não dá conselhos, a gente abre espaço entre um impulso e o ato. Então, se tem uma coisa que dá para fazer, fala sobre as suas compulsões. Coloca a palavra no que não é pensado, apenas repetido. E muitas dessas coisas que a gente falou, o sujeito geralmente faz sozinho, incilêncio e afogado em culpa e vergonha. Colocar a palavra nisso é fundamental para que a gente consiga interromper o impulso repetitivo. O acã fala sobre um deslocamento do foco do sintoma para a posição do sujeito em relação ao goso. E a questão clínica não é por que você faz isso, mas o que que se goso faz por você? O que que se goso de protege? E muitas vezes o goso da tecnicompulsão ou da compulsão digital protege o sujeito da palavra. Aquela história que você falou que achei muito boa sobre ganhar tempo para não ter que dedicar tempo aquilo que é insuportável de manter no tempo presente. Então, se a compulsão geralmente nos protege de um mangúcio é muito fundamental, o encontro com a falta, com desejo do outro, com a nossa divisão subjetiva, enfim, a lista vasta, a nossa hipótesia psicanalítica é que a fala, a escuta e a elaboração nos oferecem uma possibilidade de transformação no lugar da compulsão à repetição. E claro, de novo, isso não pode ser encontrado apenas na psicanálise, mas isso pode ser encontrado. Se de alguma forma a gente topa a fala, a escuta e a elaboração. Porque aí quem sabe, a gente consegue construir uma existência, que ela não seja só uma compulsão digital. Ela não seja só a repetição do mesmo personagem, mas sim a criação de uma nova possibilidade, quem sabe a tarde, de uma nova vida. Porque não, de novo mundo. Vamos ficar por aqui? Vamos. Seguir pensando, falando e larguem-se celular. Até mais. Tchau. Até a sessão em grupo. Até lá. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. A compulsão digital expandiu-se para além de mídias sociais, pornografia e videogames, abrangendo finanças gamificadas, apostas, chatbots e compras online.
  2. A dependência tecnológica é caracterizada por fissura, abstinência, círculo vicioso e um sistema de recompensa sequestrado, onde o excesso está programado no próprio modo de uso.
  3. A discussão crítica desloca o foco do usuário "sem disciplina" para uma crítica estrutural das tecnologias comportamentais, comparando-as à indústria do cigarro e ao conceito de tecno-feudalismo.
  4. A psicanálise explica a compulsão como uma repetição que busca o gozo paradoxal, não o prazer pleno, fixando-se em um objeto que promete satisfação mas nunca a entrega.
  5. A adicção depende tanto da natureza do objeto (potencial de dependência) quanto do comportamento de uso, contexto social e significado pessoal, sendo o acesso hiperfacilitado um fator crucial.

Summary:

A discussão aborda a expansão das compulsões digitais para domínios como finanças, apostas, chatbots e compras, destacando que a lógica da dependência está programada nas próprias arquiteturas tecnológicas. Os palestrantes criticam a normalização desses excessos, que transformam necessidades humanas legítimas em circuitos de engajamento economicamente exploráveis. Eles ressaltam que a tecno-adição não é apenas uma questão de estímulos intoxicantes, mas uma dependência de um cenário onde o eu se sente continuamente atualizado e confirmado, explorando vulnerabilidades humanas.

A psicanálise é convocada para explicar a compulsão à repetição: o sujeito não busca o prazer pleno, mas sim a promessa de um gozo que nunca se entrega, fixando-se em um objeto que gera um ciclo vicioso de insatisfação. A discussão também aborda o conceito de tecno-feudalismo, onde as plataformas controlam o acesso e extraem trabalho gratuito (dados, atenção), enquanto os usuários são capturados. O caso de Kaley, que processou Meta e YouTube, é citado como um marco na reação social contra a negligência das big techs.

Conclui-se que a adicção depende tanto do potencial do objeto quanto do contexto de uso, e que a compulsividade é projetada, exigindo uma crítica estrutural que vá além da culpabilização individual.

FAQs

São comportamentos repetitivos e excessivos ligados ao uso de tecnologias, como redes sociais, apostas, compras online e chatbots, que podem gerar dependência. A lógica da compulsão digital se deslocou para áreas como finanças gamificadas e aplicativos de trading.

Freud fala da compulsão à repetição, onde o sujeito busca um objeto fixo para lidar com a falta, mas não alcança satisfação plena. É uma busca incessante por prazer que traz desprazer, como na pornografia ou no consumo excessivo.

É um conceito do livro de Varufakis, onde plataformas controlam o acesso a aplicativos e marketplaces, cobrando pedágio e extraindo trabalho gratuito dos usuários, como dados e atenção. Isso gera uma renda por monopólio, semelhante ao feudalismo.

Segundo ex-designers do Google, a compulsividade é intencionalmente projetada para maximizar engajamento. As arquiteturas digitais exploram vulnerabilidades humanas, transformando necessidades legítimas em circuitos de exploração econômica.

Kaley, uma jovem de 20 anos, ganhou um processo milionário contra Meta e YouTube por negligência, provando que essas empresas sabiam dos danos causados pela tecnologia, mas não agiram para revertê-los, similar ao caso da indústria do cigarro.

É importante reconhecer que o excesso está programado no uso, mas podemos exercer agência sobre nossa vida, tempo e dinheiro. Buscar regulação, ética e acordos coletivos, além de refletir sobre o desejo pessoal, ajuda a reduzir a captura pelas plataformas.

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