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'Compra de supercomputadores é passo para autonomia do Brasil em IA'

11m 10s

'Compra de supercomputadores é passo para autonomia do Brasil em IA'

A entrevista com Bruno Santos, especialista em tecnologia, aborda a decisão do Brasil de adquirir dois supercomputadores, um americano e um chinês, por mais de dois bilhões de reais. Santos explica que, embora seja uma compra de hardware, ela reflete a crescente rivalidade entre EUA e China no campo da inteligência artificial. Ele cita um episódio recente em que o governo americano tentou restringir o acesso de estrangeiros a modelos avançados de IA, o que gerou alertas globais sobre dependência tecnológica. O especialista ressalta que a compra é um primeiro passo, mas não garante soberania, pois a cadeia de produção de chips é global e nenhum país controla tudo sozinho. Ele também compara o investimento brasileiro com os bilhões necessários para treinar modelos avançados, mostrando a discrepância. Santos explica que supercomputadores podem beneficiar áreas como agricultura, saúde e indústria, mas o impacto real dependerá do acesso democrático às máquinas. Ele conclui que o Brasil deve criar um sistema em torno desses computadores para extrair valor, evitando que se tornem equipamentos subutilizados. A entrevista termina com o especialista destacando a importância de definir quem terá acesso e como o país usará essa capacidade para inovação e pesquisa.

Transcription

1629 Words, 9601 Characters

Portuguese
[Música] Diretamente de Austin, Bruno Santos com a gente, Bruno boa tarde e bem-vinda. Boa tarde, eu já estava com saudade de você. Bem-vinda de volta. Obrigado, obrigado. Bruno, a gente vai falar sobre a decisão do Brasil de comprar dois supercomputadores, um ligado à rota tecnológica americana e o outro, veja só a chinesa, por mais de dois bilhões de reais. É uma resposta, a rivalidade entre os Estados Unidos e a China, ou é apenas a compra de um hardware? Então, é, obviamente, uma compra de um hardware, mas é bem mais do que isso, né? É uma tentativa, realmente, de responder a essa realidade que a gente. Estamos vivendo, que é, de cada vez, uma maior animosidade na competição entre China e Estados Unidos e, sobretudo, a visão de que aí é uma ferramenta estratégica dentro dessa competição. E aí, eu acho que a melhor maneira de entender essa decisão, Fernando, é resgatar um episódio que aconteceu esse ano, em junho, quando o Antrópique, que é a empresa, uma empresa de inteligência artificial, uma das mais valiosas do mundo, que fica cediada aqui nos Estados Unidos e é a criadora daquele modelo de inteligência artificial do Clod, informou que recebeu, informou seus usuários, que recebeu uma diretriz do governo americano para restringir o acesso de estrangeiros aos modelos mais avançados da empresa. A medida, ela não durou muito tempo, ela foi suspensa, mas ela levantou uma alerta no mundo todo. E. porque? Porque esses modelos, eles são modelos altamente sofisticados, é muito diferente daquele ar que a gente usa no dia a dia para acelar, revisar um e-mail ou alguma coisa do gênero. Ela é uma tecnologia que permite a execução, por exemplo, de ataques cibernéticos, sem você precisar de pessoas, a própria avai lá e executa isso. Então, quando isso aconteceu, o Washington demonstrou pro mundo que ele, que bom, o governo não estava mais tratando o acesso de determinados países, determinados indivíduos e estrangeiros a esses modelos, como uma questão trivial, mas como uma questão de segurança nacional. E aí, quando eles voltaram atrás, o mundo inteiro ficou um pouco chacoalhado, porque desmorou a ideia de que aí avançada era como se fosse um serviço neutro de assinatura, onde você podia lá, assinar e contratar da forma que você achasse mais conveniente. Passou a mensagem pro mundo de que bom, alguém tem o botão de ligar e desligar. Alguém pode limitar o meu acesso da noite por dia ao determinado modelo. Então, nesse ambiente que a decisão brasileira ganha peso, o plano brasileiro de inteligência artificial, ele previa, inicialmente, a compra de um supercomputador, de uma grande máquina. E agora, essa semana, ministra do Sianan Santos e o presidente Lula anunciaram que o governo que é comprar dois computadores, um desses mais potentes do mundo, potencialmente um americano em um chinesse e vai estar aí na faixa de 2 bilhões de dólares. Então, a lógica que está por trás disso é a lógica brasileira de sempre, de colocar, de não colocar todos os ovos da mesma sexta. O racional é CPKIN. Se a relação com o Pekin se deteriora, eu tenho outro. Se a relação com o Oche, então se deteriora, eu tenho uma outra alternativa aqui, um pouco isso. Agora, tendo essas duas máquinas rodando em solo brasileiro, e significa que a gente tenha tão sonhada, ou teria tão sonhada inteligência, a soberania da inteligência artificial? Ou é só primeiro passo? Não, é só um primeiro passo, e eu acho muito importante, a gente elaborar um pouco mais o que isso significa ter soberania de inteligência artificial ou não ter. Primeiro, porque assim, comprar um supercomputador é um passo super importante, mas obviamente. A mesma coisa que você comprar uma avião, estacionar no seu aeroporto, e as peças de reposição daquele avião, a forma. A atualização do painel de voo, o próprio treinamento do piloto, não depende só de você. Então, acho que é importante a gente diferenciar capacidade de uso de uma tecnologia, de controle da tecnologia. E aí, eu acho que é importante notar uma coisa que eu repipo sempre, Fernando, que é assim. soberania em inteligência artificial é algo e ilusório, não existe isso, nem pros Estados Unidos, nem pra China. Por quê? Porque quando você vai falar da construção, por exemplo, da produção de um chip avançado de "A", que é aquela pecinha pequena, que funciona quase como um motor dentro desse sistema, só pra produzir aquela pecinha, você faz uma viagem pelo mundo todo, assim. Você faz. você vai. você tem uma participação americana na capacidade de construir, e você tem a máquina que impreme esses circuitos, ela fica só na olanda, só existe na olanda, a fabricação dos chips, fica concentrada em Taiwan, você tem uma grande parte da cadeia, da memória, que vem da Coreia de Sul, sem contar os minerais pra fazer essa pecinha, que vem de muitos países, inclusive do Brasil, e passam pela China pra processamento. Então, é uma cadeia tão complexa que ninguém consegue controlar isso sozinho. Além disso, o Brasil não tá nesse contexto disputando o mesmo jogo financeiro das grandes potências, nesse contexto de compra de supercomputadores, só pra te dar uma dimensão. Hoje, pra você treinar os modelos de inteligência artificial, avançados, como esses que eu comentei que forem os bloqueados da UnTrop, você precisa de mais ou menos 50 bilhões de dólares, isso dá mais ou menos 270 bilhões de reais. Isso é, muitas vezes, mais do que o plano inteiro de inteligência artificial que o Brasil tá colocando. Então, tem essa discrepancia. Por isso, eu acho que o Brasil tá caminhando e tomar a que a gente consiga consolidar essa visão, pra construir uma visão de autonomia, uma visão de. bom, chamamos isso de soberania, porque faz sentido politicamente chamar isso de soberania, mas a gente entende que soberania é saber de quem eu dependo, pra quê, em quais condições? Que tem consciência de que não significa que eu não vou depender do mundo, e vou conseguir fazer a minha, a minha, completamente em casa, porque isso é um sonho que nunca vai ser realizado. Deixa só, é, deixar claro aqui, são dois bilhões de. isso. Reais ou dólares? De reais, que o investimento brasileiro nessas duas super máquinas, o investimento anunciado, foi de dois bilhões de reais. Mas você sabe que eu recentemente tive em Luxemburgo pra conhecer um super computador chamado Melu, China, Meluxina. E eu vou te falar, fui lá, entrei lá, cloque a toquinha, tal, aquela coisa toda, fui ver as máquinas, eu não entendi nada, eu não entendi nada, eu não entendi nada, eu não entendi juros pra você eu tentei, eu perguntava, aí falo em "peta-flop", se eu não sabia o que que era, não é a área. Então eu queria saber o seguinte, pra quem tá nos escutando, se dá dão comum, dono de uma empresa comum, empresário comum, vai servir pra que uma máquina comum essa que não Brasil. Então um super computador, acho que não é um grande del que nem o meu aqui na frente, acho que é um pouco diferente de isso. Um prédio, assim, negócio maluco, e tem muita questão ambiental envolvida, e vocês falaram bastante, só até entendi um pouco, mas agora assim, no cotidiano, no meu cotidiano, vai em fluência em quê? Então é um computador com uma capacidade de bizarra, de processamento, de informação e de cálculo. É uma usina, uma grande usina de cálculo, e se imagina assim, problemas ultra-complexos, matemáticos, por exemplo, pra testar novos medicamentos, identificar a probabilidade de surtos, de pandemias, etc. Se alguns cálculos levariam uma quantidade muito grande de dados, pra calcular tudo aquilo, seria necessário, sei lá, seis meses, esses super computadores conseguem fazer de forma muito mais rápida. Além disso, eles podem treinar, apoiar o treinamento de modelos de inteligência artificial. Então, assim, você pode utilizar ele pra inteligência artificial, mas você também pode utilizar ele pra fazer ciência, ciência básica. Então, na agricultura, por exemplo, os pesquisadores hoje, do INEP, instituições brasileiras de pesquisa podem lá utilizar esse computador pra melhorar a forma como eles estão prevendo, por exemplo, o efeito do eu-ninho na Safra Brasileira, o efeito das secas, das pragas, a chance de aumento de diminuição de produtividade, na saúde pode apoiar pesquisas de novos medicamentos, previsão de surtos, desenvolvimento de novas vacinas, na indústria mesma coisa. E aí, eu acho que a sua pergunta, como isso impacta a vida dos brasileiros, Eu acho que entro uma pergunta que todo mundo e a sociedade brasileira deve se fazer a medida que o Brasil. e a dequilha esses computadores e tal, é se perguntar quem vai ter acesso. - Sim. - Se vai ser. Vai ser. Vai ser criar uma plataforma, uma forma das pessoas acessarem esse. Essa capacidade. Miraculosa, assim, de cálculo, ou se vão ser só um grupo restrito. Então, elas estartá pequenas do Brasil todo, as universidades do norte e no dordeste, vão ter as mesmas condições de acessar esse material, o que vai definir esses detalhes. Eu acho que o teste é um pouco esse, entendesse a gente vai usar esses supercomputadores como uma forma de ampliar nossa capacidade de pesquisa, nossa capacidade de inovação nas empresas, ou vai ser só, que é elas capedrais no deserto, que vão ficar lá perdendo valor ao longo do tempo. É muito difícil manter isso. Então, espero que o Brasil consiga criar um sistema em torno desses computadores para realmente estrair valor deles. Perfeito. Bruno Assanto, mais uma vez obrigada pela participação, aqui no CebriPeloMundo, toda a sexta-feira com a gente, obrigado e bom final de semana. Obrigada, Fee. Um abraço, bom dia. -Adessa semana que vem. -Adessa semana que vem.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O Brasil decidiu comprar dois supercomputadores, um de rota tecnológica americana e outro chinesa, por mais de dois bilhões de reais.
  2. A decisão é vista como uma resposta à rivalidade entre Estados Unidos e China, especialmente após um episódio em que o governo americano tentou restringir o acesso de estrangeiros a modelos avançados de IA.
  3. A compra é apenas um primeiro passo para a soberania em inteligência artificial, pois o controle total da tecnologia é ilusório, dado que a cadeia de produção de chips envolve vários países.
  4. Supercomputadores podem ser usados para ciência básica, agricultura, saúde, indústria e treinamento de IA, mas o acesso a eles será crucial para gerar valor.
  5. Especialista destaca que o Brasil precisa criar um sistema em torno dessas máquinas para que não se tornem "catedrais no deserto", e alerta que o investimento é pequeno comparado aos bilhões gastos por grandes potências.

Summary:

A entrevista com Bruno Santos, especialista em tecnologia, aborda a decisão do Brasil de adquirir dois supercomputadores, um americano e um chinês, por mais de dois bilhões de reais. Santos explica que, embora seja uma compra de hardware, ela reflete a crescente rivalidade entre EUA e China no campo da inteligência artificial. Ele cita um episódio recente em que o governo americano tentou restringir o acesso de estrangeiros a modelos avançados de IA, o que gerou alertas globais sobre dependência tecnológica.

O especialista ressalta que a compra é um primeiro passo, mas não garante soberania, pois a cadeia de produção de chips é global e nenhum país controla tudo sozinho. Ele também compara o investimento brasileiro com os bilhões necessários para treinar modelos avançados, mostrando a discrepância. Santos explica que supercomputadores podem beneficiar áreas como agricultura, saúde e indústria, mas o impacto real dependerá do acesso democrático às máquinas.

Ele conclui que o Brasil deve criar um sistema em torno desses computadores para extrair valor, evitando que se tornem equipamentos subutilizados. A entrevista termina com o especialista destacando a importância de definir quem terá acesso e como o país usará essa capacidade para inovação e pesquisa.

FAQs

A compra é uma resposta à crescente rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, buscando não depender de um único fornecedor para tecnologia crítica de inteligência artificial.

O investimento anunciado é de dois bilhões de reais, não dólares, para adquirir as duas máquinas.

Não, é apenas um primeiro passo. Soberania em IA é ilusória até para grandes potências, pois a cadeia de produção de chips e componentes é global; o Brasil terá capacidade de uso, mas não controle total da tecnologia.

Ele pode acelerar pesquisas em áreas como agricultura, saúde e indústria, por exemplo, prevendo efeitos climáticos na safra, desenvolvendo novos medicamentos e vacinas, e melhorando a produtividade industrial.

Isso ainda será definido. A preocupação é se o acesso será amplo, incluindo universidades de todas as regiões, ou restrito a um grupo pequeno, o que determinará o valor real dessas máquinas.

Em junho, a empresa Anthropic, criadora do modelo Claude, recebeu uma diretriz do governo americano para restringir o acesso de estrangeiros aos seus modelos avançados, o que mostrou que a IA avançada não é um serviço neutro e pode ser limitada por decisões políticas.

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