Como não desperdiçar a nossa vida: por que o tempo está passando tão rápido?
24m 7s
O episódio discute a sensação comum de que o tempo acelera com a idade, propondo uma explicação que une física e psicanálise. Na infância, a novidade constante faz o cérebro registrar experiências densamente (como uma câmera filmando a 120 quadros por segundo). Na vida adulta, a rotina e o reconhecimento de padrões reduzem drasticamente esses "registros" (para 2 quadros por segundo), comprimindo a percepção do tempo. A neurose obsessiva, com sua busca por controle e aversão ao caos, agrava isso ao eliminar surpresas e imprevistos, que são fontes cruciais de nova informação. Baseando-se no físico Richard Feynman e no psicanalista Lacan, o apresentador argumenta que a chave para "desacelerar" o tempo é abraçar a ineficiência, sustentar o desejo e permitir-se o imprevisto e o "perrengue". Isso reintroduz novidade, fazendo o cérebro registrar a vida com mais intensidade e densidade, combatendo a sensação de que os anos voam. A conclusão é um convite à desorganização controlada e à abertura para experiências que sacudam a rotina.
Bem-vindas e bem-vindos à loucura nossa de cada dia. No episódio de hoje, a gente vai falar sobre como não desperdiçar as nossas vidas, porque o tempo passa tão rápido. Vamos lá, gente. Existe uma pergunta aqui. Se você ainda não fez, vai se fazer em breve. Ela costuma chegar num domingo à noite, ou quando a gente olha para uma foto antiga, e percebe que as pessoas nessas fotos já não existem mais daquela mesma maneira, ou quando a gente começa a pensar sobre as festas de final de ano, e percebe que o ano acabou sem nem sequer ter começado. Qual é a pergunta, né, gente? Para onde foi o tempo? Outro dia eu estava conversando com meu amigo Cícero, e ele me fez exatamente a seguinte pergunta. Guilherme, você já reparou que o tempo está passando mais rápido, que de uns tempos para cá o tempo está passando numa velocidade diferente. Olha que pergunta interessante, uma pergunta sobre a velocidade do tempo, e ele tem razão por vários motivos que eu vou explicar aqui hoje. Vamos lá, gente. Quando a gente é criança, uma tarde de verão durava uma eternidade. O dia em dia dava para construir castelos, travar guerras, assistir filmes na seção da tarde, conhecer novos amigos, brigar com os novos amigos, fazer as pazes e se tornar melhores amigos no mesmo dia. E quando a gente olhava para o relógio ainda eram duas horas da tarde. Hoje a gente pisca e é natal. A gente pisca de novo e completou 30, 40, 50 anos. Vocês estão me acompanhando, gente? Tenho certeza que cada um de vocês já passou por isso, por essa percepção. Muita gente diz que é biologia, que o metabolismo desacelera. Mas eu quero propor hoje uma bordagem, uma leitura totalmente diferente. Combinado, gente. Diferente, inclusive, dá psicanálise. Eu quero trazer hoje uma visão física de um físico que diga-se de passagem, eu preno o Nobel em 1965, por suas contribuições na teoria da eletrodinâmica quântica. E que é um físico absolutamente fora da curva, que eu admiro muito. Ele tem um estilo singular de transmissão da física, que eu tenho pesquisado cada vez mais. E o nome dele é Richard Fimman. Para você ter uma ideia da importância desse físico que esse físico teve na nossa história, na história da física, no seu primeiro, num dos seus primeiros seminários, até o Einstein estava lá frequentando a palestra dele. Aliás, a palestra do Fimman se não me engano em 1940. Contradizia uma parte da teoria do Einstein, da relatividade, mas o Einstein estava lá. E no final da palestra ainda foi falar com Fimman, falou, "Olha, muito interessante a sua teoria. É diferente da minha, mas é muito interessante." Tem outra coisa. O Fimman deu aula no Brasil, de física também, se não me engano em 1950. Mas, Guilherme, como a visão de um físico pode contribuir para o entendimento das nossas neuroses? O que isso tem a ver com a psicanálise? Fica aqui comigo que você vai se surpreender com o tamanho dessa encrenca, gente. Aonde a física encontra a psicanálise? Para quem está escutando a loucura nossa de cada dia pela primeira vez, meu nome é Guilherme Fát, eu sou psicanalista, e nesse podcast tratamos das nossas questões humanas de maneira descomplicada a partir do método psicanalítico. Considera-se escrever no meu canal do Instagram @guilhermefát e no meu site guilhermefát.com.br, onde sempre apresentam novos conteúdos, poquete aulas, cursos. São nesses canais também que eu faço agendamento de consulta, supervisões clínicas e palestras. Você encontra o link do meu WhatsApp lá no meu site. Tá bom, gente. Vamos lá. Vamos começar. Para começo de conversa, o Richard Fimman dizia que o tempo não corre. Ele é percebido. E a nossa percepção é escrava da informação. Para a gente entender isso, o Richard Fimman propõe uma metáfora interessante, gente. Para ficar mais fácil da gente entender, vou fazer uma metáfora aqui. Imagine que a nossa memória é uma câmera de cinema. Registrando tudo. O tempo todo. Então, na infância tudo é novo. Na nossa infância, tudo é absolutamente inédito. A textura de uma folha, o modo como a poeira dança, no raio de sol, o gosto inédito de um morango, a maneira como um cachorro corre, tudo é novo, tudo é novo, importante, e o nosso cérebro, em estado de alerta e maravilhamento, faz com que a nossa câmera filme tudo sem perder nada, ela registra tudo a 120 quadros por segundo. Cada detalhe é registrado. Por isso, quando a gente olha para trás, aquele tempo parece vasto, denso, esticado. Mas aí a gente cresce. E o cérebro da gente, que é uma máquina de sobrevivência e economia, começa a reconhecer padrões. Então, a gente está escovando os dentes para ir trabalhar, mas a gente já escovou os dentes mais de 10 mil vezes na vida. Já fez o mesmo caminho para o escritório, 3 mil vezes. Então, o nosso cérebro olha para essa rotina e decide. Eu já conheço isso. Não preciso mais gastar energia registrando tudo. A nossa câmera, então, baixa a taxa de registro para dois quadros por segundo, ao invés de 120 quadros como era na infância. Ela tira uma foto do café da manhã, nossa câmera, uma foto do crachá, na entrada da empresa, uma foto do jantar. E o recheio do dia é descartado. E aqui está a tragédia. Quando você olha para trás, o filme da sua vida, adulta parece um daqueles filmes mudos acelerados. Uma década inteira foi comprimida em 3 ou 4 imagens borradas. Então, me acompanhando. Agora, vamos entrar no consultório. Vamos falar um pouco da nossa neurose. Mais especificamente da neurose obsessiva, que é a maior parte de nós neuróticos possuímos esses traços. O neurótico obsessivo vive sobre o império da ordem. Ele acorda com um plano, um checklist, uma necessidade absoluta, quase religiosa de que nada saia do lugar. Nós neuróticos tentamos dar sentido a tudo o tempo todo. Porque para nós o imprevisto não é uma surpresa, é uma ameaça. Porque essa obsessão pelo controle, Guilherme? Porque o imprevisto é o que o Lacan, por exemplo, chamava de "real", que nos lembra da nossa falta, da nossa castração, em última instância da nossa morte, o obsessivo acredita que se ele organizar a vida perfeitamente, se ele eliminar o caos, o erro, ele está seguro. Ou seja, nós tentamos congelar o tempo para não ter que enfrentar o fim. Ou congelar o tempo e enganar a morte.
que é mais ou menos a mesma coisa que nós neuróticos tentamos fazer o tempo todo. Mas a física do Richard Feyman nos dá um veridito. Escuta com atenção. Quanto mais previsível é a nossa vida, menos informação ela contém. E, em teoria da informação, uma mensagem que você já sabe o que vai dizer, é um exemplo bom dia, automático ou uma rotina que se repete há anos, tem informação zero. E o tempo sem informação é um tempo que o cérebro deleta. Eu vou dar um exemplo claríssimo aqui. Um fragmento clínico modificado. Tá bom? Vamos lá para ficar mais claro. Aonde estou querendo chegar e o tamanho da encrenca que temos pela frente. Imagina o analisando, vou dar um nome de Ricardo. Ricardo chegou no meu consultório exausto, depois de umas férias de 15 dias na Itália. E ele me diz o seguinte, Guilherme, eu não entendo, eu estou exausto, voltando de férias, eu planejei tudo e eu não perdi um minuto, mas parece que eu nem fui para Itália. Eu piscei e eu já estava de volta no escritório. Olha que queixa, precisa, gente. E aí ele me mostra o que ele chamava de guia de sobrevivência, que era um PDF de 40 páginas. Para essa viagem de duas semanas, com as fotos de tudo. De cada prato que ele ia comer o mapa do trajeto exato entre os museus, o tempo estimado para cada experiência, cada lugar que ele ia visitar. Vocês estão me acompanhando? O que ele fez? Ele praticou de uma maneira cirúrgica, um isolamento do afeto. Ele separou a ideia da viagem, da surpresa de estar lá na Itália, de todo o resto. Ele já tinha visto a Itália inteira no YouTube, no TripAdvisor, quando ele chegou no coliseu, ele já tinha visto tanto antes pesquisado, isolado a ideia de surpresa. Quando ele chegou no coliseu, o cérebro dele deu um cheque burocrático. Ele apenas escaneou o coliseu. Ele não se surpreendeu de fato com aquela maravilha, porque aquilo era esperado. E como não ouve, vamos dizer assim, entropia, informativa, nada foi surpresa, nada saiu do trilho, o cérebro dele ligou com pressor de dados. Não é isso gente, ele filmou a viagem a dois quadros por segundo. O Ricardo não viveu a Itália, ele apenas conferiu se a realidade batia com o PDF dele. O tempo voou. E o tempo voou, porque ele eliminou qualquer imprevisto, qualquer surpresa, qualquer fricção que causasse algo novo. Hmm? Vocês percebem como isso tem relação com a teoria do Richard Fiman, como isso é explicado pela física? Seja reparou o que a gente mais lembra numa viagem na maioria das vezes são os perringues, gente. Na maioria das vezes são os perringues que a gente passou na viagem, que são as coisas que a gente mais lembra. São os imprevistos, os sustos, aquilo que não estava planejado, mesmo que não seja uma surpresa boa. Mas é o que exigiu mais da gente, no sentido de uma novidade, uma novidade muitas vezes absurda, que nos obrigou a fazer a nossa câmera interna, a registrar e gravar tudo em detalhes, porque bom ou ruim não importa aquilo era novo, onde eu estou querendo chegar. Vamos lá? A passo total é a entropia zero, e a entropia zero, que faz a nossa vida passar num piscar de olhos. A gente precisa, gente. Aprender a amar o perringue, eu vou repetir. A gente precisa aprender a amar o perringue. Não porque a gente seja amazouquista, mas porque o perringue é a única prova de que a gente não está apenas processando dados. A gente está, de fato, encontrando o real da vida, que é exatamente o que a gente tem de evitar o tempo todo. O firma, ele usa uma metáfora, uma imagem curiosa, que eu acho muito interessante que a gente pode usar aqui. Imagina a vida como uma salsicha do espaço tempo. Quando você é jovem e vive o novo, cada fatia dessa salsicha é diferente. Tem pimenta numa fatia, tem tempero na outra, tem uma textura diferente na outra. Você distingua e cada fatia, uma da outra. Cada fatia tem um sabor diferente, um sabor novo. Mas nós, neuróticos, aos poucos, transformamos nossas vidas numa salsicha processada e uniforme, uma salsicha onde a fatia de hoje é idêntica de ontem. Mesmo sabor, mesma textura, mesma coisa. E para o nosso aparelho psíquico, se duas coisas são idênticas, elas são a mesma coisa. O cérebro, ele funde anos de rotina no único ponto. E isso cai como uma lua para nós neuróticos. A neurose obsessiva, nós neuróticos obsessivos, tentamos evitar a morte se fazendo de morto. A gente se retira da fricção da vida. A gente evita o desejo, porque o desejo é sempre um risco, um desajuste, algo que sacode os nossos átomos, como diria "femã". A ironia, na gente, se tem uma ironia, é que ao tentar evitar a morte através da imobilidade, a gente acelera a percepção de definitude. Vocês estão escutando o tamanho da encrenca, eu vou repetir. Ao tentar evitar a morte através da imobilidade, o neurótico obsessivo acelera a percepção de definitude. Ele mata o tempo para não ser morto por ele e acaba descobrindo que não soubrou nada para contar. Se a gente quer rakear a percepção do tempo, a gente precisa desconfiar dos nossos próprios rótulos. Infelizmente, a neurose obsessiva, um dos traços, é a tentativa de transformar o mundo num dicionário. Um dicionário estático, onde a gente dá nome e sentido para tudo. Antes da coisa acontecer, a vida é o que acontece entre essas definições. Então, olha que interessante, gente. A ideia central do Fiman reçou com o fim de humanálise lacaniana. Eu vou repetir a proposta do Fiman, do físico reçou o fim de humanálise para o Lacan, que é abrir mão da segurança do sentido para poder reencontrar o prazer de descobrir, é trocar a certeza do rótulo pela posta subjetiva da experiência, gente. Isso não é pouca coisa, mas aí você pergunta mais gilherme, como a gente, então, recupera o tempo. Como a gente volta a filmar, a 120 quadros por segundo. Ao invés de dois quadros por segundo, Fiman diria, "Seja ineficiente". "Lacan diria, sustente o seu desejo, por incrível que pareça, esses dois dizeres estão relacionados". A ineficiência é necessária, gente, porque desejar e sustentar um desejo não tem nada a ver com ser eficiente. Nós, neuróticos criamos um equívoco, dentro da cultura, do caldo cultural que a gente vive, onde ser ineficiente é um pecado. Mas a ineficiência é o que gera fricção. É quando a gente erra o caminho, quando a gente se permite a confusão de aprender algo que não domina, quando a gente aceita o balanço desordenado dos átomos, gente, como diria Fiman.
A nossa honestidade intelectual de admitir a ignorância fundamental, o Fimanteu uma frase muito emblemática que ele dizia assim, "abri aspas". E o prefiro ter perguntas que não podem ser respondidas do que respostas que não podem ser questionadas para psicanálise, mais precisamente, no final de um trabalho analítico, isso é definição de um sujeito que não está totalmente esmagado pela neurose. É o sujeito que suporta a falta e esse é um dos balizadores de final de análise. Nós, neuróticos, tentamos preencher a falta com sentido. Tentamos tapar o buraco do real com definições, com nomes. O tempo só desacelera quando a gente abdica de ter que saber tudo. A gente sofre mais do excesso de sentido do que da falta de sentido. Já falei disso em outros episódios. Quando a gente se permite não ter que dar conta de um saber total antecipado, nós criamos a possibilidade de podermos olhar de novo, descobrir algo novo, olhar novamente, e olhar de novo é o que aumenta a taxa de quadros da memória. É o que devolve a fricção à alma, gente. Nós cometemos o equívoco de supor que a paz está na ordem. Mas a ordem total é a morte psíquica, é o silêncio onde nada acontece. O segredo para uma vida que a gente sente como não apenas longa, uma vida interessante, intensa, saborosa, prazerosa, não está em somar anos, um ano atrás do outro. Mas densificar a experiência. É preciso ingetar cause no sistema. Se você sente que o tempo está voando, talvez seja porque você está sendo bom demais e imprevisível. Talvez você tem organizado tanto a sua vida que não sobrou espaço mais pra você nela. Eu convite em a minha provocação hoje, desorganize-se um pouco. Confunda os seus circuitos, aprenda algo que te faça sentir burro de novo, caminhe por uma rua onde você possa se perder. Abrasse o perrengue, porque é no susto, na fricção e no imprevisto que a câmera do nosso cérebro volta a ligar no máximo. Gente, precisamos ser mais ineficientes. Não deixa a sua vida ser uma sucessão de fatias idênticas. Faça barulho, sacuda os seus átomos. Porque no final das contas, a única coisa que a gente leva é a memória dos momentos que a gente perdeu o fôlego e não daqueles momentos em que a gente apenas economizou a respiração. Um beijo pra todo mundo e até logo.
Podcast Summary
Key Points:
A percepção de que o tempo passa mais rápido na idade adulta está ligada à redução de novidades e à rotina, que faz o cérebro "registrar" menos informações.
A neurose obsessiva, com seu controle excessivo e aversão ao imprevisto, acelera essa sensação ao eliminar surpresas e reduzir a "entropia informativa".
A física de Richard Feynman e a psicanálise lacaniana convergem
Summary:
O episódio discute a sensação comum de que o tempo acelera com a idade, propondo uma explicação que une física e psicanálise. Na infância, a novidade constante faz o cérebro registrar experiências densamente (como uma câmera filmando a 120 quadros por segundo). Na vida adulta, a rotina e o reconhecimento de padrões reduzem drasticamente esses "registros" (para 2 quadros por segundo), comprimindo a percepção do tempo.
A neurose obsessiva, com sua busca por controle e aversão ao caos, agrava isso ao eliminar surpresas e imprevistos, que são fontes cruciais de nova informação. Baseando-se no físico Richard Feynman e no psicanalista Lacan, o apresentador argumenta que a chave para "desacelerar" o tempo é abraçar a ineficiência, sustentar o desejo e permitir-se o imprevisto e o "perrengue". Isso reintroduz novidade, fazendo o cérebro registrar a vida com mais intensidade e densidade, combatendo a sensação de que os anos voam.
A conclusão é um convite à desorganização controlada e à abertura para experiências que sacudam a rotina.
FAQs
Na infância, tudo é novo e o cérebro registra muitos detalhes, criando memórias densas. Na vida adulta, a rotina e a falta de novidades fazem o cérebro 'deletar' períodos previsíveis, comprimindo a percepção do tempo.
Quanto mais previsível e controlada é a vida, menos informação nova ela contém. O cérebro ignora o que é repetitivo, fazendo com que o tempo pareça passar mais rápido, como em um filme acelerado.
Feynman propõe que o tempo é percebido através da informação nova. A psicanálise lacaniana complementa isso, sugerindo que abrir mão do controle e do sentido excessivo permite viver experiências mais densas e desacelerar a percepção temporal.
Imprevistos e situações inesperadas geram novidade e exigem mais atenção do cérebro, que registra esses momentos com mais detalhes. Isso cria memórias mais vívidas e faz o tempo parecer mais extenso quando relembrado.
O neurótico obsessivo busca controle total e evita surpresas para se proteger da ansiedade. Isso elimina a novidade, fazendo o cérebro 'apagar' períodos rotineiros e acelerando a percepção de que a vida passa rápido.
Significa abraçar os imprevistos e as dificuldades, pois são eles que trazem novidade e fricção à vida. Essas experiências forçam o cérebro a registrar mais detalhes, desacelerando a percepção do tempo e tornando a vida mais memorável.
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