Como a guerra no Irã fortaleceu a China no cenário global?
7m 42s
A análise de Marcelo Nínio, de Pequim, destaca como a guerra no Irã, iniciada em fevereiro, beneficiou a China economicamente e geopoliticamente. Ao contrário do temor inicial de que o barril de petróleo pudesse chegar a US$ 650, os preços permaneceram em torno de US$ 100, graças à decisão chinesa de reduzir pela metade suas importações de petróleo do mercado externo entre fevereiro e junho. Como maior importador mundial, a China conseguiu conter a demanda e estabilizar os preços, um papel tradicionalmente exercido pelos produtores da OPEP. Isso foi possível devido a anos de preparação, incluindo reservas estratégicas gigantescas e investimentos massivos em energias renováveis, como solar, eólica e nuclear, que reduziram sua dependência de combustíveis fósseis. O interesse chinês em segurar os preços não é apenas econômico, mas também estratégico: evitar uma recessão global que prejudicaria sua economia exportadora e fortalecer sua segurança energética, uma meta histórica para reduzir vulnerabilidades a intervenções externas. Apesar de rivalidades com os EUA e o Japão, a China prioriza a estabilidade. Assim, o conflito, que pretendia enfraquecer a China, acabou consolidando seu poder como fiel da balança no mercado petrolífero, demonstrando como a demanda de um grande importador pode ditar os termos da economia global, uma ironia histórica que reflete sua ascensão como potência econômica.
[Música] -C, P, pelo mundo, com Marcelo Nínio. [Música] -Com a gente agora, Marcelo Nínio, diretamente de Pequim na China, é Marcelo bem-vindo, mas uma vez tudo bem? -Tudo bem, Fernando, em você. -Tudo bem, tempo e temperatura em Pequim, vamos lá. -Tamos mais ou menos 30 graus aqui, a sombra. -É no verão, Fernando. -É legal. Nínio, hoje a gente vai falar sobre energia sobre o petróleo, porque a guerra no Irão aumentou o poder da China no cenário global em várias formas, e uma delas é muito surpreendente, uma muita atenção, porque o país ganhou poder sobre o preço mundial do petróleo. Conta pra gente, como é que isso aconteceu? De que forma? -Fosé, Fernando, a gente conversou sobre isso aqui, desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel e Irã em Fevereiro, existe um certo consenso entre os analistas de que, de um lado, os americanos são os principais pernedores, de outras China, tá entre os que saíram ganhando com esse conflito. E não só em termos de prestígio, como, digamos, a potência confiável, mas também no setor econômico, porque aumentou o valor da indústria de energia renovável em que a China é líder global. E o um efeito inesperado dessa guerra, justamente, e talvez também pode se desenhesejado pra quem começou, né, que foram nos Estados Unidos, é ter consolidado a China como uma espécie de fiel da balança no mercado global de petróleo, com um controle sobre os preços do barril. E como é que é isso? Porque isso aconteceu. Entre Fevereiro e Junho, a China reduziu pela metade o volume de petróleo que compra do mercado externo. Então, como a China é o maior importador de petróleo do mundo, isso ajudou a reduzir a demanda e consequentemente e vittou uma disparada no preço do barril. No início da guerra, havia um temor de que o preço do barril de petróleo chegar a 650 dólares, que é um patamar inédito, só chegou perto disso na crise econômica global de 2008 ou mais até devido ao fechamento do estreito de hormônio, por onde passa, por onde se movimenta um quinto do petróleo mundial. Mas os preços do petróleo nunca passaram, ficaram ali no patamar dos 100 dólares, isso em grande parte graças à queda na importação da China. Claro, houve outros fatores também, foram encontrar as rotas alternativas pelos produtores do Oriente Médio, teve também uma liberação de petróleo de reserva de emergência de países como Estados Unidos, Japão, mas o fator principal foi a intervenção, foi a ação da China. Antes da guerra, para se ter uma ideia, a China importava mais petróleo que a Europa entende e teve uma redução significativa nesses últimos meses. E por que que ela conseguiu ter essa capacidade de contenção sem afetar a sua economia? Fernando, primeiro, como a gente já conversou aqui, a China se preparou para um momento de crise como esse. A cumulou uma reserva gigantesca de petróleo, também há anos o país vem se afastando da dependência dos combustíveis forças, com um ter investimento muito grande de energia renováveis, como solar, é ólica e nuclear. E esse investimento agora está se mostrando vantajoso. E não só do ponto de vista econômico, mas eu político, porque a China, esse poder, um poder que costuma ser e costuma ser ainda, mas do, principalmente, dos produtores de petróleo, da OPEP. E Fernando, só para concluir, não deixa de ser uma ironia, porque no início da guerra, dizia que um dos objetivos dos Estados Unidos, o Takao Irã era enfraquecer justamente a China, porque Irã é um fornecedor importante de petróleo, também o alheado político da China, é importante no Oriente Médio, pois bem, não só o regime milianiano, não caiu, como a China ficou mais poderosa em áreas inesperadas. Foi um cálculo tremendamente equivocado que provavelmente o presidente do Estados Unidos da Trump nunca vai admitir. Agora, Marcelo, qual que é o interesse da China em segurar o preço do petróleo? Por que faz isso? Fernando é uma pergunta que, como é difícil saber exatamente como a China opera? Uma pergunta que não tem uma resposta clara tem realmente intrigado os analistas. Afinal, pensando, vão pensar do ponto de vista da rivalidade geopolítica, talvez fosse até do interesse da China, deixar rolar uma crise energética global, queria causar ainda mais danos, é na reputação do Estados Unidos, queria ser acusado, e de seu principal causador dessa crise, talvez também, até prejudical, se o grande rival aqui na Asa, que eu Japão, e o Japão é totalmente dependente de petróleo importado. Mas tem outros interesses que provavelmente superam esses da rivalidade imediata. Primeiro, uma crise energética poderia causar uma receção global, isso não interessa a China. A economia da China depende muito de começa exterior e não interessaria que houvesse uma receção global. Segundo, essa queda na importação do petróleo e essa é uma meta antiga da China, já é uma meta que eles já incluíram, em planos, que eles elaboram há anos, a China investiu pesado na indústria de energias renováveis, se tornou bom ao produtor de veículos elétricos, por exemplo, panésolares, etc., não só por uma preocupação ambiental, que também existe, mas para reduzir a dependência, de fornecedores externos, aumentar a sua segurança energética. Então, no final das contas, se a China ganhou poder com a guerra, porque se preparou para uma emergência comunhassa e depois de anos sobre pressão dos Estados Unidos, também tem aqui um elemento histórico de traumas de intervenções externas, então tem uma entra aqui, que é permanente, que é de autosoficência, de reduzir a dependência externa. Agora, claro que fazer um balanço geral, dessa situação toda, uma análise geral para concluir, o papel que a China tem tido nos mercados de petróleo, essa capacidade de estabilizar os preços, é um reflexo, mais um reflexo da sua ascensão como potência econômica. Quanto mais a China cresce, como potência econômica, mais poder ela tem, digitar os termos da economia global, sem provir dizer, no mercado de petróleo, que o controle de preços era exercido pelos produtores, na Iéa, o controle de preços é exercido pelo oferta, mas agora nós estamos vendo também o poder da demanda, no caso de um importador do tamanho da China, o poder é determinante, Fernando, lei básica de mercado. - Perfeito, perfeito. Marcelo Ninho, mais uma vez, obrigada pela participação aqui na CBN, uma boa noite para você aí, até a quinta-feira que vem. - Um prazer Fernando, até a próxima. - Até a próxima.
Podcast Summary
Key Points:
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã fortaleceu a China como potência global, especialmente no setor energético.
A China reduziu pela metade suas importações de petróleo entre fevereiro e junho, evitando uma disparada nos preços do barril, que ficaram em torno de US$ 100, longe do temido US$ 65
Essa capacidade vem de reservas estratégicas acumuladas e de grande investimento em energias renováveis (solar, eólica e nuclear), reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
O controle da China sobre o mercado de petróleo inverte a lógica tradicional, mostrando que a demanda de um grande importador também pode ditar preços, antes dominados pela oferta (OPEP).
A China age para evitar recessão global, proteger sua economia exportadora e buscar autossuficiência energética, superando rivalidades geopolíticas imediatas.
O conflito, que visava enfraquecer a China, acabou consolidando seu poder em áreas inesperadas, como o mercado de petróleo.
Summary:
A análise de Marcelo Nínio, de Pequim, destaca como a guerra no Irã, iniciada em fevereiro, beneficiou a China economicamente e geopoliticamente. Ao contrário do temor inicial de que o barril de petróleo pudesse chegar a US$ 650, os preços permaneceram em torno de US$ 100, graças à decisão chinesa de reduzir pela metade suas importações de petróleo do mercado externo entre fevereiro e junho. Como maior importador mundial, a China conseguiu conter a demanda e estabilizar os preços, um papel tradicionalmente exercido pelos produtores da OPEP.
Isso foi possível devido a anos de preparação, incluindo reservas estratégicas gigantescas e investimentos massivos em energias renováveis, como solar, eólica e nuclear, que reduziram sua dependência de combustíveis fósseis. O interesse chinês em segurar os preços não é apenas econômico, mas também estratégico: evitar uma recessão global que prejudicaria sua economia exportadora e fortalecer sua segurança energética, uma meta histórica para reduzir vulnerabilidades a intervenções externas. Apesar de rivalidades com os EUA e o Japão, a China prioriza a estabilidade.
Assim, o conflito, que pretendia enfraquecer a China, acabou consolidando seu poder como fiel da balança no mercado petrolífero, demonstrando como a demanda de um grande importador pode ditar os termos da economia global, uma ironia histórica que reflete sua ascensão como potência econômica.
FAQs
A China consolidou-se como uma espécie de fiel da balança no mercado global de petróleo, ganhando controle sobre os preços do barril, além de aumentar seu prestígio como potência confiável.
Entre fevereiro e junho, a China reduziu pela metade o volume de petróleo comprado do mercado externo. Como é o maior importador mundial, isso reduziu a demanda e evitou uma disparada nos preços, que ficaram em torno de 100 dólares.
O país acumulou reservas gigantescas de petróleo e investiu fortemente em energias renováveis, como solar, eólica e nuclear, reduzindo sua dependência de combustíveis fósseis.
A China evita uma recessão global que prejudicaria sua economia, dependente do comércio exterior. Além disso, busca reduzir a dependência de fornecedores externos, aumentando sua segurança energética.
A China acumulou uma reserva gigantesca de petróleo e investiu em energias renováveis e veículos elétricos, visando autossuficiência e proteção contra crises externas.
Tradicionalmente, o controle de preços era exercido pela oferta, pela OPEP. Agora, a China, como grande importador, demonstra o poder da demanda, tornando-se determinante no mercado de petróleo.
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