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Casas Bahia e a crise do varejo

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Casas Bahia e a crise do varejo

A crise da Casas Bahia reflete um colapso anunciado no varejo brasileiro, iniciado em 2022 com prejuízos trimestrais e agravado por reestruturações e pedidos de recuperação extrajudicial e judicial. A dívida de R$ 17,3 bilhões e o prejuízo de R$ 10 bilhões no último trimestre levaram ao fechamento de 298 lojas e possíveis demissões em massa. As causas incluem investimentos pesados em tecnologia e logística, efeitos da pandemia, juros altos e instabilidade econômica, além da competição acirrada com grandes marketplaces e varejistas internacionais. O professor Ricardo Meirelles destaca que o problema não é isolado: outras empresas como Marabraz, Americanas e GPA enfrentam crises semelhantes, todas impactadas pelo alto custo do capital e pela descoordenação entre políticas fiscal e monetária. O varejo, com margens baixas, é particularmente vulnerável, enquanto o endividamento das famílias reduz o consumo. Apesar disso, especialistas não veem risco sistêmico, mas sim uma competição de gigantes, com espaço para nichos regionais. A recuperação judicial pode levar a uma reestruturação, venda ou encerramento das operações, enquanto o cenário eleitoral de 2026 não deve alterar significativamente a situação, que depende de reformas fiscais para reduzir o custo do crédito e equilibrar a economia.

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5199 Words, 29710 Characters

Portuguese
Entenda a crise das Casas Bahia e o cenário do varejo As dificuldades começaram em 2022, com prejuízos nos resultados trimestrais. Aí vieram uma reestruturação e um pedido de recuperação extrajudicial, homologado em 2024. Nesse ano, os prejuízos aumentaram. Aí a informação da noite de domingo. Escancarou a crise. Pessoa 2 A Casas Bahia confirmou o pedido de recuperação judicial. Segundo o comunicado, a dívida da empresa está em 17 bilhões e 300000000 de reais. Pessoa 3 A recuperação judicial é um mecanismo previsto em lei para que a empresa tente evitar a falência. Ela continua a operar, mas ganha um prazo para negociar com credores e implantar um plano de recuperação e organização das finanças, que é supervisionado pela justiça. Pessoa 1 O pedido da Casas Bahia envolve 10 empresas do grupo. Ele veio depois de a rede anunciar um prejuízo de 10 bilhões de reais no último trimestre. No mesmo período do ano passado, o resultado foi negativo de 555000000. São 8 trimestres seguidos de perdas. Se o grupo vender tudo o que tem hoje, inclusive o que tem para receber, faltariam bilhões de reais para pagar os credores. Pessoa 3 O documento que pede a recuperação judicial aponta que a crise está ligada a grandes investimentos feitos desde 2019 em tecnologia, logística, lojas digitais, somados aos efeitos da pandemia nas lojas físicas. Segundo o CEO Renato Franklin, a piora macroeconômica, com fatores como os juros altos e a instabilidade que veio com a guerra no Irã e a eleição também pesou. Pessoa 4 A varejista confirmou o fechamento de 298 lojas e um plano que pode levar à demissão de até 3000 funcionários. Os cortes começaram na última quinta-feira, dia 13, e avançaram na sexta-feira. Ao todo, cerca de 28% da rede já foi fechada. Pessoa 1 O grupo hoje tem como acionista majoritária e controladora a gestora mapa capital. No primeiro semestre, eram 30000 funcionários e quase 770 lojas. Sindicatos como o dos comerciários de São Paulo estudam ações para tentar impedir demissões em massa. Pessoa 3 Os problemas da rede atingem também os estoques e a empresa tenta conseguir um empréstimo de um bilhão de reais para poder comprar produtos e repor o que precisa. Pessoa 1 Ontem, as ações da Casas Bahia caíram 33%. Desde 2020, o papel que valia mais de 400 BRL passou para 45 centavos. Segundo o CEO, o fechamento de lojas foi feito de uma vez para não gerar ansiedade por mais ajustes, mas ele falou que 2027 deve ser pior. Pessoa 3 A perspectiva lembra que o cenário do varejo é de múltiplas crises. Nesse mesmo fim de semana, uma concorrente da Casas Bahia também pediu recuperação judicial, a marabraz, que também justificou a medida com os juros altos e o cenário macroeconômico, a empresa tem dívidas de 140000000 de reais. E acesso ao crédito travado por disputas societárias. Pessoa 1 Nesse ano, processos parecidos foram feitos pela dona das marcas de decoração toque, estoque e Mobly e pelo grupo Pão de Açúcar. Pessoa 5 O grupo GPA, que é responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar no Brasil, anunciou que fechou um acordo com os principais credores e anunciou um plano de recuperação extrajudicial. O acordo, aprovado de forma unânime pelo conselho de administração, prevê a renegociação de cerca de 4 bilhões e meio de reais em dívidas. Pessoa 3 O café de hoje explica o pedido de recuperação judicial do grupo Casas Bahia e discute a crise do varejo no Brasil. A gente conversa com o economista Ricardo Meirelles de faria, professor da FGVE, pesquisador do centro de estudos em varejo e consumo. Pessoa 1 A gente já volta com A Entrevista. Professor, o que explica a crise que levou o grupo Casas Bahia a pedir a recuperação judicial? Professor explica as causas da crise e o futuro das Casas Bahia É uma dívida de 17 bilhões de reais. Isso não aparece da noite para o dia, né? Essa bola era cantada no mercado de alguma forma? Pessoa 6 Olha, a Casas Bahia tem uma especificidade como varejo, né? Ela AA estrutura dela, como o que que ela entrega de produto, como ela se foi estruturada ao longo do tempo. É um fato, né? Depois, o outro fato que específico para todos é que a estrutura de dívida dela, como todos os varejistas, isso é uma questão mais comum. É muito cara, então como todos os varejistas são. Então o que acontece é se você é uma varejista que já não tem uma estrutura operacional tão eficiente como ela no passado, por em função de muitas revoluções que ocorreram nesses últimas décadas, e você tem um curso de capital, um custo de como os economistas chamam o custo de funding, né? Ou como quanto custa você carregar essa sua dívida? Em último caso, é como você falou, é uma crise anunciada, né? É mais uma das varejistas. E sucumbiu a essa competição muito forte, aliado a um custo do capital. Quanto custa essa grande dívida que ela tem? Pessoa 3 Eu queria fazer uma pergunta mais BA, bá, professor, para a gente entender o que o que isso significa na prática e o que deve acontecer agora, né? A empresa pediu recuperação judicial, anunciou milhares de demissões, o fechamento de centenas de lojas. E aí, é, isso significa que a empresa está ganhando tempo para em algum momento não existir mais Casas Bahia ou que ela vai poder se reestruturar? Pessoa 6 Bom que o cenário futuro pode se desenrolar de diversas maneiras, né? O que era o varejo de 20 anos atrás? Aquelas lojas físicas, EE assim por diante, né? Isso já não existe tanto mais no sentido de é você hoje são os grandes e Commerce que. É uma escala monstruosa, uma distribuição eficiente e assim por diante, né? Então a falando de Casas Bahia pra você entender o quão eficiente as Casas Bahia são. Continuam sendo para ela fazer uma recuperação judicial, recuperação judicial, vai explicar. Olha, eu tenho, preciso tomar um fôlego, preciso renegociar minhas dívidas para eventualmente, no futuro, retomar de uma maneira diferente, menor, mais focada, um determinado nicho e assim por diante, né? Então a resposta é se ela vai conseguir se reestruturar e futuramente vier uma Casas Bahia 2.0. É uma possibilidade. A outra, o que vai acontecer ela vai é né? Vai renegociar, vai tentar se estruturar e eu possa eventualmente eu ser comprada, ou vamos dizer assim, o que tem de sua obra pode ser comprado por um segundo varejista ou mesmo encerrar as as operações. Agora, a recuperação judicial é uma sinalização difícil, né? Uma recuperação judicial já dá um sinal para credores e para o mercado de que as coisas não é, não saíram como planejado. Pessoa 3 Inclusive para os clientes, os que? Clientes ficam com com mais receio de comprar, por exemplo, uma empresa que pediu ou entrou com pedido de recuperação judicial. Pessoa 1 Comprar geralmente coisas parcelados a perder de vista, né, inclusive. Pessoa 6 Sim, exatamente. Sem sombra de dúvida, né? É a rádio peão. Você logicamente sai no jornal. Você, como comprovante, fala assim, mas por que que eu vou nas Casas Bahia? Se tem esse burburinha, não sei exatamente o que que é uma recuperação judicial representa para mim como consumidor final, mas já que eu tenho concorrente do lado que é, não ouvi nada de mal. Então, exatamente, essa é 11 sinalização muito ruim, né? Que afeta os diversos ramos da empresa, né? O tamanho do Grupo Casas Bahia e o risco sistêmico no varejo EE eu acho importante também, professor, a gente entender que que tamanho exatamente tem o grupo Casas Bahia hoje, né? Sem são. São várias marcas, né? Casas Bahia, uma delas tem ponto frio, tem extra.com, tem. Bartira, tem marcas inclusive de diferentes setores, marcas clássicas inclusive, né, No No imaginário do consumo brasileiro, e eu acho importante a gente dimensionar essa empresa, esse grupo, pra entender se. O mercado está diante de um risco sistêmico também, né? A dificuldade da Casas Bahia coloca o setor do varejo em risco. Pessoa 6 Olha, risco sistêmico é um termo forte, né, no sentido de risco sistema. Quando a gente fala, lembra do do 2008, né? Aquela questão toda, né, quer dizer, o que que é? Quem é o varejo? O varejo não é uma produção de aviões onde existem poucas empresas com mega olicopolizadas, né? Quer dizer, tem uma empresa que produz avião no Brasil e, portanto, essa empresa como é? É muito específica, tem uma margem, pode cobrar mais, né? O varejo, pelo contrário, existem muitas empresas no varejo, por ter muitas empresas no varejo, são extremamente competitivas e quando você é muito competitivo, você tem margem muito baixas, né? Dito isso, o que que acontece você hoje no Brasil? Você tem muita competição, houve uma revolução e houve 11 transformação tecnológica muito grande, que pode deixar varejistas no meio do caminho. Parece que o caso da Casas Bahia não é que ela seja uma grande marketplace, né? Pode ser médio, mas não é uma das grandes. Por outro lado, ainda tem a competição Internacional, que né, as como a gente vê muito, né? As chinesas EE, hoje as mídias sociais se tornaram indiretamente, varejistas, então é um cenário de mega competição, margens baixas. Aliado a isso, é aí que entra a tentativa da resposta do do custo sistêmico. Vem o custo Brasil, quer dizer, o alta tributação, custo da tributação e, principalmente, o custo da do capital, né? Quer dizer. Uma Selic que perdurou por por mais de 1 ano em 15% se adiciona 11 risco de crédito, o custo da dívida de 20% ao ano. É como é uma crônica de uma crise anunciada, que o varejo, né? Não é uma é. Quer dizer, não é só as Casas Bahia, né? Acabou de sair também AAA questão numa loja muito menor, obviamente marabraz. Depois a gente viu o caso da Americanas, que indiretamente é tentar resolver um problema via uma gambiarra, né? Quer dizer, um crime. GPA já já tem discussões. Então é exatamente. Não é um risco sistêmico, mas é uma crise anunciada de um custo de capital impraticável, né? A empresa tem uma margem pequena e toda essa margem é comida, por um custo financeiro completamente impeditivo, né uhum? Pessoa 3 E ainda é nessa linha, né? Pra pra gente entender o tamanho daquilo de que a gente está falando. A importância do varejo para a economia brasileira Eu queria te perguntar, quanto o setor do varejo é importante para a economia se ele é um indicador? De saúde é econômica do país. Uma coisa tipo, se o varejo está aquecido, o país está indo bem. Estou muito. Pessoa 6 De dúvida. O varejo representa 10% do PIB, né? A gente é um setor também que emprega muito logicamente o varejo. Dentro do varejo existem pequenas, médias e grandes empresas, né? Dos mais diferentes setores, né. Todos dividem uma mesma conjuntura brasileira, né? No sentido de. E que todas enfrentam um curso capital totalmente impeditivo, né? Não só empresas do varejo que estão se mostrando vulneráveis a esse curso de capital, né? Recentemente, aí a Raizen a. Pessoa 7 Raizen tem 35 usinas de açúcar, etanol e bioenergia no país, 70 terminais de distribuição de combustível, 8000 postos Shell operados por revendedores parceiros e 45000 funcionários. Com uma dívida de mais de 72 bilhões de reais, a empresa fez um pedido de recuperação extrajudicial. O processo leva em conta débitos de 65 bilhões, o que configura a maior recuperação extrajudicial já registrada no país. Pessoa 6 O valor de mercado das empresas aparecem e o varejo com essa margem pequena, todos estão sofrendo essa realidade aí, né? Quais as semelhanças entre as crises no varejo? Em diferentes momentos da nossa conversa, o senhor já apresentou aqui outros casos, né, de recuperação judicial, de de crise em gigantes do varejo e em representantes menores do varejo de diferentes setores, né? É, no fim de semana teve o caso da marabraz, que também pediu recuperação judicial, como a Casas Bahia, uma dívida de 140000000 bem menor, né? E tem outros casos que que você citou mesmo, né? Americanas? É Marisa Tok&Stok Saraiva, Pão de Açúcar, que é o GPA. É claro que há erros de gestão isolados, há fraudes, como o caso das Americanas é, mas é difícil acreditar em em questões isoladas quando há tantos casos, né, professor? Quais que são as principais semelhanças entre o caso da Casas Bahia e esses outros? Pessoa 6 AA grande semelhança do varejo é o varejo. É um setor econômico extremamente competitivo. O varejo é uma intermediação que 1 e 1 distribuição entre vai lá, o varejista recebe do do da indústria, coloca no seu centro de distribuição e vai distribuindo ao longo do tempo precificando atendendo, né? Ao mostrando o showroom e assim por diante, né? Então. É essa questão é, se você não for operacionalmente muito eficiente, né? Logicamente, você vai ter é de você vai ter sempre do lado direito de um Balanço contábil. É como que a empresa se financia as suas operações com capital próprio ou capital de terceiros. Ou seja, a dívida, né? O ativo do do Balanço é sempre uma questão é, qual é a tecnologia dela? Quantas lojas ela tem, quantos caminhões ela distribui, quais os softwares que ela tem, né? Como que a gente costuma ensinar é Oo funding. Quanto custa, né? Então, a questão do varejo brasileiro é, se você não for extremamente eficiente quando você chegar no curso de capital. Esse custo capital vai te engolir completamente, você vai ter prejuízo, esse prejuízo vai se amontoando, esse prejuízo vai acumulando a dívida e você não sai disso, né? Pessoa 1 E há empresas que estão sendo eficientes, né? Não é que está todo mundo quebrando também no varejo, não. Pessoa 6 Sem dúvida, sem dúvida. A revolução tecnológica e a adaptação do varejo E esse essa é é outra questão importante, a revolução tecnológica das últimas décadas para quem é um pouco mais ferido, como eu. Quer dizer, o que que era o varejo antes? Você IA na loja física, de repente se tirasse você, se ele levava a televisão na nas costas, né? Hoje que você compra na televisão, você você compra hoje que amanhã você quer a televisão em casa. Então AA tecnologia, o GPS, a velocidade da informação é tão rápida que alguns grupos econômicos, né, que foram eficientes nesse sentido, dessa evolução, hoje são extremamente eficientes e competem num nível, né, esses grandes marketplaces. Conseguiram vencer essa revolução tecnológica, né? Eu IA. Pessoa 3 Perguntar isso para o senhor, o que que elas fizeram, né? Para conseguir se adaptar? Se é só uma questão de de uma inclusão tecnológica ou de uma evolução tecnológica, ou se há outras questões que o senhor mencionou, por exemplo, antes, questões relacionadas a distribuição, isso também está ligado a tecnologia ou está ligado também a um, a um espalhamento geográfico? Porque eu fico pensando que vários desses marketplaces tem. É depósitos em tantos lugares que você consegue entregar muito rapidamente produtos, chega muito rápido ao consumidor, enfim, Oo que que essas empresas fizeram para conseguir se manter e para conseguir continuar caminhando? Tudo? Pessoa 6 Isso é tecnologia, né, no sentido de que se você tenha o melhor especialista em logística. E o que que ele vai usar? Algoritmos matemáticos ultrassofisticados para definir quantos pontos de de de centros de distribuição vão existir, qual é OA rota de entrega, se vai ter uma frota própria, 11 frota de leasing, uma frota, tudo isso é tecnologia, né? Outra questão que a gente pode chamar de tecnológica é o desinvestimento daquela estrutura antiga de lojas físicas, né? Porque a loja física no passado era a Riqueza do varejo. Hoje a loja física no sim pode ser um grande custo, um ônus financeiro, né? Eu tava, por exemplo, discutindo hoje com meus alunos sobre a questão do setor financeiro da 2030. Anos atrás, o valor de um banco era a capilaridade das agências bancárias. Hoje tem banco que não tem agência, tá uma transformação tecnológica ao longo das décadas. Que muda completamente o que é valor agregado da empresa e o que que deixa de ser valor, né? Aliado a isso, finalmente é, são esses grandes marketplaces tecnológicos, né? Ou seja, hoje o marketplace vende todos os os ramos do varejo. As empresas que não acompanharam vão ficando ao longo do tempo, né? Até isso em economia tem muito dessa questão, né? Destruição criativa, né? Sofrida. Mas ao longo do tempo, vão ficando os mais ineficientes, né uhum? O futuro das lojas físicas e a experiência do consumidor O senhor falou dos bancos outro dia eu contei ao meu companheiro que eu não IA mudar do banco x para o banco y porque o banco x tinha mais agências e mais capilaridade. Ele me falou. Em 2026, você está falando em capilaridade, mas eu, eu, eu tive essa conversa e estou trazendo ela para cá porque assim, eu acho que a experiência de ir a um lugar, seja o banco, a loja, é uma outra experiência. Às vezes eu me sinto meio sem lugar nesse mundo. Quando eu falo que eu gosto dessa experiência. O senhor acha que isso vai acabar? É o que pode ser um diferencial para fazer, por exemplo, as pessoas. Irem a uma loja do setor do varejo. Existe ainda alguma experiência que justifique eu sair da minha casa e ir até a loja? Olha. Pessoa 6 Eu acho que melhor fazer essa. Em vez de fazer uma pergunta dessa de um professor de meia idade, faça essa pergunta para um jovem de 181920 anos, né? Do sentido se um jovem de 1920 anos entra em alguma loja, então eu não tenho. Não sei se o jovem, né? Essa é uma. Eu tenho 2 filhas. Na faixa dos 20 também, que eu vejo muita caixa chegando em casa e né, e não vejo elas irem muito na loja. Eu vejo, né? Vejo uma experiência das minhas filhas, você compra um sapato, não gostou, 15 minutos depois você está indo no correio e devolver, né? Entregar essa transformação muito grande, né? Que eu acho que hoje em dia muitas empresas que no passado eram, né? Referência também, o caso dos Bahia. Que tá sofrendo dessa transformação tecnológica, né? Por exemplo, Magazine Luiza sei por alto, né, que a Magazine Luiza sempre teve um centro tecnológico de informática muito bom, há muitas décadas. Então a sensação que dá é, por exemplo, o magalu conseguiu dar esse Salto econômico também está sofrendo na competição. Como, como, né? Mas parece que tá num patamar, parece, não está num outro patamar. Os erros de competição das grandes empresas de varejo É eu, eu fico pensando, o senhor já falou, né, que é 11 setor altamente competitivo. É, fico pensando quais foram os os erros de competição que que essas grandes empresas que têm passado passaram por essas crises, cometeram porque, enfim, Oo juro está alto. EE, as Casas Bahia sofrem com isso, mas a Amazon também sofre com juros altos, com crédito caro. Claro. São empresas de de portos diferentes, é a Amazon, Mercado Livre, são é gigantes globais, né? É que nunca tiveram lojas físicas, né? Mas as Casas Bahia, a magalu, mesmo lojas que já faliram, tipo a Saraiva, investiram também em em logística, investiram em centros de distribuição, investiram errado, investiram depois. É o que que aconteceu exatamente pra que elas não conseguissem acompanhar esses outros gigantes que, enfim, são mais eficientes no fim das contas, né? Das. Pessoa 6 Alternativas que você colocou aí, então a melhor resposta talvez é essa. Não conseguiram acompanhar, por exemplo, AEA Amazon, né? Quem acompanhou AEA Amazon, a Amazon era essa gigante que levou 20 anos dando prejuízo, mas é, ele tinha um carro funding da americano barato. Ele conseguiu convencer que ele IA se tornar um gigante mundial, né? Depois que esse gigante se consolidou. Esse gigante leva, leva embora a solvência operacional dessa empresa, né? Então, como aquela história, né, ser empresário no Brasil não é para amadores, né? Porque se está num setor competitivo e ainda assim com o custo Brasil, custo tributário, o custo logístico e mais, OA questão do custo do capital, né? Do da taxa de juros tão altas, né? Se você não tem, de repente uma perna lá fora com, né? Por exemplo, as chineses, que têm grande apoio e governamento. Tal, tem funding diferenciado, tal. O erro é, não é nenhum erro, né? Talvez o erro é assim, muitas vezes você não enxergou, dormiu no ponto, o conselho ou aquele grupo de controladores, de repente, muito, muito. Caso tem disputas internas, essa disputa interna leva um delay, né? Muitos grupos econômicos falem por conta de uma disputa interna que você cada um pensa num rumo. E enquanto você está discutindo, disputando a sua ideia no conselho, chegou um grupo econômico com um tsunami tecnológico e levou a tua empresa, né? Ou seja, a tua capacidade de competir, né? Risco de monopolização e impacto para o consumidor E. Pessoa 3 E qual é o problema disso para o consumidor? Como é que isso chega para o consumidor se, por exemplo, a gente caminhar para uma monopolização do varejo? Não sei se o senhor vê esse risco, mas o que que isso poderia significar? Pessoa 6 Eu acho que está muito longe o varejo, muito longe de uma de uma olicopolização de que essas essas margens do varejo possam aumentar e que então eu acho que para o consumidor, o varejo é um dos poucos lugares onde a mega competição. Então o preço que você está pagando é um preço com uma margem muito pequena. Então eu não vejo, né? Não consigo visualizar que mesmo com todas essas transformações tecnológicas, vá haver uma concentração no varejo, né? É, vai ser uma competição de gigantes, né? E obviamente, o marketplace é uma coisa, é uma, né. São esses gigantes que vendem de tudo, né? Outra coisa são setores varejistas regionais ou menores que tem o seu nicho específico, né? Então são eficientes em escolher um nicho, portanto, tem uma. Uma tecnologia para atender aquele nicho. E consegue, né? As duras penas conseguem, estão ali lutando fortemente, né aquela? Pessoa 1 Pessoa que quando quer comprar uma geladeira, trocar de geladeira, precisa ir lá ver a geladeira antes de comprar, né? Sou eu, essa pessoa isso. Pessoa 3 Talvez eu também. Pessoa 6 É, vai medir exatamente, sem dúvida, né? E o mais trágico é quando você vai ver uma geladeira num concorrente, compra da outro, né? Então você vê que também tem essa questão, né? OOO varejista faz um esforço de manter uma loja tal, você vai ver e compra na outra, mais barato. Então, ser varejista, ser um empresário varejista, um executivo do varejo, é uma tarefa extremamente árdua mesmo, né? Descoordenação fiscal e monetária afeta o varejo E lógico mesmo que nós estamos falando também, é um cenário que essa taxa de juros IA desembocar nisso mesmo, né? Não é o assunto. Da nossa conversa. Mas essa descoordenação entre a política fiscal e a política monetária, né? Oo setor fiscal, Tesouro, o setor público não faz a sua tarefa de de eu tentar gerar um certo superávit primário. E o banco central, com isso, acha que que o Marco Selic, ele vai conseguir trazer a inflação para baixo? Você vê que não, não conseguiu. E aí, e o e o efeito colateral disso são essa, é é esse cenário devastador de recuperações judiciais de todos os segmentos. Varejo mais claro ainda pela margem baixa, né? Pessoa 3 Bom, eu acho que a gente conseguiu mapear bem várias questões, vários gargalos. Hoje, vários desafios para o varejo é que estão colocados. O senhor já mencionou? Quais segmentos do varejo sofrem mais com a conjuntura? É. É, eu queria perguntar se algum segmento, algum setor sofre, em especial com essa conjuntura. Porque a gente falou de marcas de setores bem diferentes, né? É lojas de eletrodomésticos, de roupas, de livros. É supermercados, né? Se a gente pensar no grupo Pão de Açúcar, enfim. Algum segmento enfrenta mais dificuldades com essa conjuntura que o senhor descreveu o? Pessoa 6 Pano de fundo do curte capital é, é ruim para todos, é trágico para todos, né? Nesse é nesse sentido, é é para todos. Cada setor específico e varejo tem um desafio, é próprio. O setor de alimentação hoje tem sofrido com a perda de imagem das bets, né? As pessoas, famílias, deixam de comer, reduzem Oo gás no supermercado. Para comprar no supermercado, troca. Pessoa 3 O supermercado para apostar, né um? Pessoa 8 Levantamento da Confederação nacional do comércio mostra que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, as plataformas de apostas online retiraram cerca de 143 bilhões de reais do varejo brasileiro a cada um bilhão de reais gasto em apostas. Cerca de 0,7% do faturamento do comércio varejista é reduzido. É uma. Pessoa 6 Tragédia e é culpa de um governo, culpa de uma elite brasileira. Quer dizer, mais uma crise. Quando? Quanto vamos esperar para reverter essa? Essa questão, né? Então, ou esse varejo, depois varejo, o vestuário, ou outros problemas, a competição com o setor externo. Então, cada segmento do varejo tem 11 especificidade, tem os seus, as suas agruras, ou seja, a sua competição operacional e com um pano de fundo, um custo financeiro, todas iguais nessa, nesse custo é muito alto. Relação entre endividamento familiar e crise do varejo No Brasil se falou muito nos últimos meses, professor, sobre o endividamento das famílias, né? A gente chegou a fazer episódios sobre esse tema aqui no café. Um deles, inclusive, sobre o peso do parcelamento do consumo. Aspiracional nisso tudo. A gente tratou aqui também nessa nossa conversa de parcelamento. É como alguém que estuda mais o setor empresarial. Em em que caixinha você vê o endividamento pessoal? Que que relação dá para estabelecer entre esses 2 fenômenos? AA crise do varejo e uma crise de endividamento pessoal familiar? Dá. Pessoa 3 Para estabelecer uma relação. Pessoa 6 Total o setor, pessoas jurídicas, empresas financiam a sua estrutura do seu ativo via um Balanço entre. É capital próprio, capital de terceiros, que é endividamento. Estão sofrendo e chegando num numa rota de recuperação judicial, porque já não tem mais estrutura para bancar isto. Então é o custo de financiamento das empresas. Paralelo a isso, são as pessoas físicas, que também têm o seu custo de capital. Eu para comprar um carro, eu para comprar um imóvel, eu para comprar um eletrodoméstico, tomo crédito e. E o meu crédito é esse custo aberrante, né? Então assim, nós esse café nosso. Não dá pra gente falar de todas as especificidades do custo do crédito. Mas o fato é, tanto o crédito de pessoa física quanto o crédito da pessoa jurídica são créditos impagáveis, né? Que numa rota não vai dar. Então é o mesmo problema. É a mesma crise anunciada tanto na PJ quanto na PF. Crescimento do varejo e cenário eleitoral no Brasil É alguns meses, vocês divulgaram, né? Na FGV, é um relatório sobre o desempenho do varejo. É, vocês têm feito isso trimestralmente, né, professor? O setor fechou 2025 com crescimento de 1,6% no Brasil e o relatório de março de 26 estimava um resultado de mesmo patamar para 2026 e para 2027. Lembrando que o relatório, né? Lembra que esse ano vai ser intenso e volátil e que o acaso é pesa bastante. Queria encerrar nossa conversa perguntando, professor, se essa perspectiva de crescimento se mantém pensando que é, enfim, um ano eleitoral em que muitos acasos aparecem e tendem a deixar alguns cenários mais voláteis, né? Pessoa 6 Para o final do ano, já são 5 meses. A gente mantém essa, essa nossa projeção para o fim do ano, que logicamente é muito mais baixo do que foi 2 anos atrás. Então, logicamente é o que nós estamos vendo. É um realmente um enfraquecimento do volume, né? De vendas foi de. Pessoa 1 4% o crescimento em 2024, né você? Pessoa 6 Vê, né? Quer dizer muito menor nesse ritmo, né? Então isso é está mostrando, né? Quer dizer, essa. Esse endividamento das famílias e endividamento principalmente das famílias, né? Quer dizer, do lado da do volume de vendas, né? Por outro lado, não. Eu acho que a questão eleitoral não vai afetar a questão do varejo. Não tem. Se seja o candidato, o presidente atual ou o candidato da oposição que ganhe, não vejo que vai mudar esse cenário agora. Sem dúvida, um dos 21 dos 2, não. Os 2 candidatos terão que afrontar essa questão fiscal. Né? E depois conversar com o banco central, convencer o banco central, olha, eu vou fazer uma reforma. Se a reforma vai conseguir o mercado, para que essa taxa, esse custo, né, da dívida, tanto de longo quanto de curto prazo, caia para um patamar razoável, que gera um mínimo equilíbrio macroeconômico. E nós não estamos vendo 2002, 1026. Mas eu não vejo que o cenário eleitoral, não vejo que isso vai mudar a situação do varejo. Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas A Petrobras confirmou ontem a descoberta de petróleo no poço morfo, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A presidente da estatal, Magda chambriar, disse que ainda não sabe quanto o petróleo existe no local, mas afirmou estar extremamente otimista. A fase de exploração do poço deve terminar em até 20 dias. A Petrobras quer perfurar outros 3 poços na região e mais 5 em áreas vizinhas. Esses pedidos ainda aguardam autorização do Ibama, segundo chambriar. Essa etapa vai indicar o potencial real da área. A empresa busca novas reservas porque prevê que a produção do pré sal atinja o pico por volta de 2034. Hoje, ela responde por 80% do petróleo produzido no Brasil. A exploração na Foz do Amazonas é marcada por controvérsias e críticas de ambientalistas e pesquisadores. A área técnica do Ibama chegou a recomendar o arquivamento do processo, mas o órgão decidiu liberar a licença em outubro de 2025. Às vésperas da cop 30, em Belém, presidente Lula participou do evento de ontem no Amapá. Ele defendeu a pesquisa, chamou a descoberta de passaporte para o futuro e afirmou que o governo vai continuar cuidando do meio ambiente. Agradecimentos e créditos finais do Café da Manhã Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, uma parceria entre a folha e o Spotify. Eu sou. Pessoa 3 A Gabriela Mayer e eu. Pessoa 1 Gustavo Simon a. Pessoa 3 Produção é de Giulia peruso, Jéssica Cruz, Laura Lever e Pamela Queiroz e a edição de som é de Rafael concler, esse. Pessoa 1 Episódio os áudios de GloboNews Metrópolis, SBT news, Band times Brasil CNDCETV Câmara obrigada. Pessoa 3 Pela companhia e até amanhã, tchau.

Podcast Summary

Key Points:

  1. - A Casas Bahia pediu recuperação judicial em 2024, com dívida de R$ 17,3 bilhões, após oito trimestres consecutivos de prejuízo. - O grupo fechará 298 lojas e pode demitir até 3.000 funcionários, afetando cerca de 28% da rede. - A crise é atribuída a investimentos desde 2019, pandemia, juros altos, instabilidade macroeconômica e alta competição no varejo, incluindo marketplaces e concorrentes internacionais. - Outras empresas, como Marabraz, Americanas e GPA, também enfrentam dificuldades, evidenciando uma crise setorial ligada ao custo do capital e à descoordenação fiscal e monetária. - O varejo representa cerca de 10% do PIB, e o endividamento de famílias e empresas agrava o cenário, com projeções de crescimento fraco para 2026 e 2027.

Summary:

A crise da Casas Bahia reflete um colapso anunciado no varejo brasileiro, iniciado em 2022 com prejuízos trimestrais e agravado por reestruturações e pedidos de recuperação extrajudicial e judicial. A dívida de R$ 17,3 bilhões e o prejuízo de R$ 10 bilhões no último trimestre levaram ao fechamento de 298 lojas e possíveis demissões em massa. As causas incluem investimentos pesados em tecnologia e logística, efeitos da pandemia, juros altos e instabilidade econômica, além da competição acirrada com grandes marketplaces e varejistas internacionais.

O professor Ricardo Meirelles destaca que o problema não é isolado: outras empresas como Marabraz, Americanas e GPA enfrentam crises semelhantes, todas impactadas pelo alto custo do capital e pela descoordenação entre políticas fiscal e monetária. O varejo, com margens baixas, é particularmente vulnerável, enquanto o endividamento das famílias reduz o consumo. Apesar disso, especialistas não veem risco sistêmico, mas sim uma competição de gigantes, com espaço para nichos regionais.

A recuperação judicial pode levar a uma reestruturação, venda ou encerramento das operações, enquanto o cenário eleitoral de 2026 não deve alterar significativamente a situação, que depende de reformas fiscais para reduzir o custo do crédito e equilibrar a economia.

FAQs

A recuperação judicial é um mecanismo legal que permite à empresa evitar a falência, continuando a operar enquanto negocia com credores um plano de reestruturação supervisionado pela justiça. Já a recuperação extrajudicial é um acordo direto com parte dos credores, sem a mesma intervenção judicial, como no caso da Raízen.

A empresa precisava repor seus estoques e comprar produtos, mas a crise afetou sua capacidade de crédito. Esse empréstimo seria essencial para manter as operações funcionando enquanto o plano de recuperação é negociado.

As compras parceladas continuam válidas e os clientes devem manter os pagamentos, pois a empresa segue operando. Porém, a recuperação judicial pode gerar receio nos consumidores, que podem evitar novas compras, agravando a situação financeira da empresa.

A Casas Bahia tem uma dívida muito maior, de R$ 17,3 bilhões, e envolve 10 empresas do grupo, enquanto a Marabraz tem dívida de R$ 140 milhões. A Marabraz também citou juros altos e cenário macroeconômico, mas com acesso ao crédito travado por disputas societárias.

As plataformas de apostas online retiraram cerca de R$ 143 bilhões do varejo entre 2023 e 2026. Cada R$ 1 bilhão gasto em apostas reduz cerca de 0,7% do faturamento do comércio varejista, afetando principalmente setores como alimentação.

Custo de funding é o custo de carregar a dívida de uma empresa, ou seja, quanto ela paga para se financiar. Com a Selic alta, esse custo pode chegar a 20% ao ano, comendo as margens já baixas do varejo e levando a prejuízos acumulados.

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