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Cartões postais do fim do mundo

71m 24s

Cartões postais do fim do mundo

O episódio do podcast "Novelo" narra a organização de uma expedição jornalística à Selva de Darien, uma região entre Colômbia e Panamá que se tornou rota crítica para imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos. A repórter Carol Pires, que coordenou a equipe à distância, explica como surgiu a ideia: a imigração é um dos temas mais importantes da década na América Latina, e Darien é o ponto mais perigoso dessa jornada. A equipe incluiu o fotógrafo Tomás Suprote, a jornalista Nata Ligayon, o ex-soldado Adam Crateham e o artista plástico Fabrício Brambate, escolhido por seu olhar fresco. Eles entraram na selva em abril de 2024, junto com 825 imigrantes que pagaram US$ 350 a guias do crime organizado. A travessia, que muitos acreditam durar dois dias, na verdade se estende por muito mais tempo, com imigrantes abandonados na fronteira panamenha, onde enfrentam grupos criminosos, falta de água e comida, e doenças como "pé de trincheira". A equipe, equipada com suprimentos especiais, acabou se envolvendo na história, dividindo talco, comida e alertando sobre cuidados com os pés. O relato destaca a exploração e o desespero dos imigrantes, contrastando com a retórica política que os criminaliza, e mostra como a reportagem buscou transmitir a experiência humana por trás dos números.

Transcription

10555 Words, 57846 Characters

Portuguese
- Novelo. - Novelo. Está começando o raso novelo apresenta. Eu sou a branca viana. No episódio de hoje, a gente vai atravessar uma selva. E eu sei que eu às vezes chego aqui falando em alegorias e metáforas, mas essa é uma selva de verdade. A selva do Darien, que fica entre a colombia e o paramá. Quem guia a gente nessa viagem é a nossa repórter Carol Pires. Esse podcast é um oferecimento da WISE, o jeito certo de pagar no mundo todo. Quando você viaja pro exterior, ou está se preparando por uma viagem inesquecível, sempre chega aquele momento, a hora de converter os gastos para a moeda local. E sabe qual é o erro mais comum? Viajar pagando com cartão de crédito. Na hora pode não parecer nada, mas o custo da conversão pode assustar quando a fatura chegar. A solução viajar com cartão da WISE. Com ele, você pode pagar em mais de 40 moedas com a taxa de câmbio comercial, a mesma que você vê no Google. Você pode converter e manter o dinheiro na conta já na moeda que vai usar no destino. Depois é só pagar sem se preocupar com cotação ou tarifas. Ah, e você também pode sacar dinheiro em mais de três milhões de caixas eletrônicos no mundo todo? Faça parte das mais de 15 milhões de pessoas que pagam globalmente do jeito certo. Quem sabe, vai de WISE. Pacho app da WISE hoje, termos e condições se aplicam. A ideia de entrar no Darien foi minha, mas não fui eu quem atravessou a selva da morte. No final de abril desse ano, eu estava numa fila no aeroporto do Panamá, junto com uma das pessoas que eu convencia fazer isso. O artista plástico Fabrício Brambate. A gente estava na fila do Haio X e foi chamado para a revista. Eu estava arrumadinha de causa social, um cardigan, com uma bolsa discreta. E ele meio. maltrapilho. Crocs, sols ficados uns pés, um short sujo, uma camisa branca escrita Panamá, que eu tinha comprado para ele numa loja de suvenir. A mala dele estava bem suja e cheira no mal. Mas o que puxou a gente para aquela revista foi uma faca, que estava no meio da mala dele. Eu fiquei ansiosa e fui explicando para o policial que Fabrício tinha acabado de voltar de uma trilha, que era uma mochila de acampamento. E ele só começou a acreditar na história com um grilo gigante morto caiu no chão no meio da revista. Ficamos nós quatro ali, o segurança, o Fabrício, o grilo e eu. E eu só conseguia pensar em como aquela cena toda era surreal. Eu estava ali porque eu tinha combinado de esperar o grupo do outro lado da fronteira. Já que a ideia de enfiar eles naquele inferno tinha sido minha. Tomá, só pegou aí e falou, "Pareceu uma oportunidade aí que eu acho que vai ser muito incrível e tudo, o darieno." Quem me apresentou para o Fabrício foi o Tomácio Prote, um fotógrafo. E falou do darien, darien, eu tinha um chí, não tinha que ler nada mesmo. A gente tinha ido num samba, um final de semana, assim, de tarde. Mas como assim, ele falou, "Não, é um lugar." Para a gente ir, que tem outros imigrantes, e tentando explicar assim, meio num samba, não tem um. E eu falei, "Não, tá bom." Eu não sabia que o Tomácio tinha feito um convite para o Fabrício assim no meio do um samba. Mas deixa eu explicar como foi que eu acabei enfiando eles e mais outras pessoas nisso. Eu vou te contar essa história como eu vivi ela, de longe. Que eu confesso é um lugar um pouco esquisito para mim. Como jornalista, eu estou acostumada a fazer a reportagem, a ver as coisas com os meus próprios olhos. Mas dessa vez, nessa reportagem especial, eu fiquei encarregada de coordenar a distância, a equipe que ia gravar tudo em primeira mão. A ideia de fazer uma reportagem sobre o Darien surgiu no começo desse ano, de 2024. Eu estava conversando com o amigo meu, que é a reporter, um baita reporter aliás, o John Leanderson, que escreve para a revista de New Yorker, e tem quase 50 anos de jornalismo nas costas. O John estava com a ideia de criar um projeto chamado Bum. Um veículo para cobrir a América Latina de um jeito novo. Ele queria fazer grandes reportagens, que ele apelidou de expedições, porque elas iam ser feitas por grupos, e não só por um jornalista. E a gente ficou pensando ali, que um dos assuntos mais importantes dessa década da América Latina, é a emigração. E para esquentar ainda mais a pauta, 2024 é o ano de eleição presidencial nos Estados Unidos, que é o grande destino dos emigrantes latinos. Então a ideia era fazer a primeira grande reportagem, a primeira expedição para o Darien. E por que o Darien? Tenta visualizar o mapa da América Latina. Lá em cima, na Amesfera de Norte, tem um México. E aí os países que vem descendo até o Amesfera de Sul, vão ficando cada vez mais estreitos. O Panamá aparece uma pontezinha que chega na Colômbia, ligando o corredor que vem da América do Norte, até a América do Sul. E é ali entre o Panamá e a Colômbia, que tal Darien. Um lugar sobre o qual eu sabia muito pouco. Como você explicou hoje em dia os seus amigos que também nunca tinham ouvido falar, e você conta que foi pra lá? É, então, como os brasileiros não conhecem muito, né, o Darien. É, agora eu conto um jeito bem prático, assim, que é um pedaço da trajetória dos emigrantes até os Estados Unidos, que fica entre a Colômbia e o Panamá, que é um pedaço intransitável, basicamente, você tem que fazer ele a pé numa céu extremamente perigosa. E aí eu fico tentando, de alguma forma, mostrar o qual um em esse lugar, né, o qual um perigoso, é, o qual um rível, é esse lugar, mas é muito difícil explicar por isso. No começo de tudo isso, meu conhecimento também não ia muito além disso, mas eu precisava saber muito mais que isso pra organizar a expedição pra lá. Então eu fiz o que qualquer reporte que se presa, faria. Eu fui ler, fui ver, e fui ouvir tudo que eu pudesse encontrar sobre o assunto. E geral, tento começar de trás pra frente, o que demais antigo eu acolhido encontrar até as notícias mais recentes. Eu achei a primeira vez que o Darié Enguip foi citado pelo New York Times. Saiu uma nota em agosto de 1957, dizendo que o Darié estava sendo entre aspas, um dos problemas de engenharia mais difíceis da rota planamericana, fecha aspas. A rota planamericana é uma estrada de 30 mil quilômetros que os Estados Unidos estavam planejando construir pra Idoalaska até Argentina. O Darié Enguip só deu as caras no New York Times de novo, quatro anos depois, em 1961. Numa reportagem que dizia que equipamentos de construção do exército dos Estados Unidos tinham sido enviados para o Panamá para tentar abrir a estrada. É impossible porque é filhado com ruggles, balas e mousas. Essa narração é dos filmes que eu achei sobre uma expedição feita nos anos 60. Dois grupos tentaram cruzar o Darié Enguip para provar que dava pra abrir uma estrada ali e filmaram. Um dos grupos conseguiu atravessar do Panamá até a Colômbia num Gipe. Levo 101 dias. Isso com apoio das forças armadas da Gran Bretanha, da Colômbia, do Panamá e dos Estados Unidos. Em 1973, 16 anos depois daquela primeira notinha, o New York Times publicou óbvio que não ia ter estrada nenhuma cortando o Darié. Só que hoje, tem. Uma estrada que não foi aberta por maquinários do exército americano, nem por carros desenhados pra enfrentar a terrenos hostis. Mas sem pelos peis de imigrantes desesperados, que enfrentam a selva, sequestros, roubos, estupros e a fome tentando chegar nos Estados Unidos por terra. Foi vendo um documentário da CNN sobre essa rota feito em 2023, que eu me convenci de que pra falar de imigração na América Latina, a gente ia ter que falar do Darié. Uma cena me pegou de uma mulher Venezuela na chamada Natalha. Ela tá segurando a filha dela, a Ana, uma criança de 12 anos, que tem epelepsia e alguma deficiência que o reporter num disco é. E tem que ser apelete de convulsos. A primeira foi a criança. Eu tenho uma filha de cinco anos que tenha autismo. E eu fiquei pensando o "quão desesperada" Eu teria que estar para levar ela para um lugar desse. Eu chorei muito imaginando ela ali no lugar da Ana. A segunda coisa foi isso que a Natalha falou de que ela achava que a travescia durasse só duas horas. Muitas pessoas vão pro Larian, sem saber o que elas vão encontrar. Ela são atraídas para lá. Por promessas de uma vida melhor e por gente que lucra com a travescia. Tem muita gente ganhando dinheiro com Dariën, explorando a esperância e o desespero dos imigrantes. Só no ano passado, meio milhão de pessoas cruzar essa região. 130 mil eram crianças. E a gente é o John, a gente queria fazer um filme e um podcast contando essa história. Não que ninguém nunca tivesse feito isso. Mas todos os registros que eu vi tinham um distanciamento jornalístico em que eu sentia que faltava entender a dimensão do problema. Tinha sempre um reporter conduzindo a história algumas falas genéricas de imigrantes, mas eu queria que as pessoas conseguissem se colocar no lugar de quem está ali. Que elas sentissem, mesmo que só por alguns minutos, que eram elas dentro daquela selva. O John concordou comigo e aí a gente começou a pensar na equipe para a expedição. A verdade, eu fiquei responsável por encontrar as pessoas. Eu passei um tempão pensando quem poderia ir para lá, captar não só a informação e dados factuais, mas a sensação de estar lá. A primeira pessoa que eu escolhi foi o Tomás Suprote. Esse que estava empolgado, tentando comer seu fabrico de embarcar com a gente na missão, no meio do Samba. O Tomás é foto jornalista, e esse nome italiana é porque ele é realmente italiana. Mas ele vive no Brasil a um tempão e trabalha muito na Amazônia. A segunda pessoa, eu escolhi vendo aquele documentário da CNN que eu mencionei agora pouco. Quando eu terminei de ver o documentário, eu fui olhar os créditos. E numa lista de 15 pessoas só tinha uma mulher, chamada Nata Ligayon, uma jornalista americana de família colombiana. A nossa primeira ligação, a Nata lhe me contouca aquela mãe, Venezuela, que me deixou emocionada, levou a filha pro darien, porque ela já não estava conseguindo encontrar o remédio dela na Venezuela. Pensa que são essas pessoas que o ex-presidente Donald Trump chama de animais, e a coisa de terem indo para os Estados Unidos cometer crimes. Só para ganhar votos, explorando medo e a ignorância das pessoas. No caso da mãe Venezuela, também contou na decisão dela de pro darien, a informação falsa de que aquela travessia seria curta, fácil e barata. Tudo mentira. A Nata lhe me contou que essa tinha sido a reportagem mais exaustiva que ela já tinha feito. Ela perdeu muitos quilos e voltou para casa horrorizada. E aí, depois de ela contar tudo isso, eu falei, "Você toparia voltar pro darien e ela topou." A ver, hoje é lunes 22 de abril, sigue jogando na candida. Tinha uma dos semanas e a minha empezamos, ela viajou entre a hongla, e a sido um obstáculo, de trazer um obstáculo. A Nata lhe é cuidar de documentar o trajeto em áudio, contando como é a travessal da rien se é numa mulher. Ela também me apresentou um ex-soldado britânico, chamado Adam Crateham, que hoje trabalha como para médico acompanhando equipes de gravação em locais de risco. O Adam topou, sendo segurança e médico ao mesmo tempo. Para fechar a equipe, eu queria alguém que não fosse jornalista. E aí, que entra o Fabriço Brambate, o do Grilo Gigante, que é, lembrando, um artista plástico brasileiro, e o mais desafizado do grupo. Eu me chamo Fabriço, mas as pessoas me conhecem o Murso Morte, que é um apelido antigo, por conta de um trabalho que eu fazia, que era um desenho de um urso morto e tal. O Fabriço gravitava pelos muros de São Paulo, um urso branco, de trassofofinhos, todo em sanguentado, uns mortos por flechas, outros crucificados, antes do tomásso fazer aquele convite para ele no Samba, o Fabriço nunca nem te ouvi do falado da Rien, e era exatamente isso que eu queria, alguém com um olhar fresco, que fosse deixar a câmera ser conduzida pela própria atenção. E aí, quando eu conheci melhor o Fabriço, ele me contou uma história de como ele virou artista plástico, o que só reforçou minha convicção de que não podia ter se d alguém melhor que ele aí nessa aventura. É uma história meio engraçada, meio bizarra, nada a ver com o assunto bem sério que a gente está falando aqui, mas eu queria te contar, porque as coisas se conectaram para mim, depois que ele voltou do Darië. O Fabriço veio de uma família de classe média de São Paulo, o avô dele foi operário, os pais dele não fizeram ensino médio, e ele, por um tempo, foi publicitário, que já era uma profissão bem distante da realidade da família. Mas não é isso que eu quero fazer, eu quero ser artista plástico, quero trabalhar com as ideias que eu acredito e não com as ideias dos clientes, das marcas e tal. E aí eu abandonei o trabalho, o que já foi um grande choque para a família, como assim, você saiu do emprego, daquela coisa da carteira assinado e tal, né? O Fabriço, então, bolou uma ideia para convencer os pais de que eles tinham que apoiar a vontade dele de ser artista plástico. Era um experimento. E aí eu comecei a pintar uma série que chamava pensando na morte dos meus pais. E aí eu comecei a pintar um retrato deles mortos, né? Que era um exercício, meu, assim, que não era uma coisa assim, "Ah, não, um dia eu quero fazer uma exposição com isso." Parece uma massa de morte. Então, mas não era muito bem isso, porque era uma coisa meio da experimentação da arte mesmo, sabe? Tipo, isso eu pintar isso, como seria, né? E aí eram dois retratos deles super realistas, assim, né? deles dentro de um cachão, em tamanho real, assim, como se o cachão tivesse apoiado numa parede e os dois, né? -Tá manhã um real? -Tá manhã um real. Então eles estão assim, é uma tela super grande, assim. -Ceparadas. -Ceparadas tinha um pra cada, como se fossem lugares diferentes, ambientes diferentes, cores diferentes e tal, né? Então a minha mãe estava numa posição ali no cachão, o cachão tinha umas flores, eu já quis elaborar de um jeito e do meu pai de outro jeito, por exemplo, né? Quando a mãe dele viu o resultado, ela disse que ficou pensando que se ela morresse naquela hora, tinha muita coisa que ela queria ter feito, ainda não tinha conseguido. -Ficou nesse pensamento e tal, e o meu pai já não, assim, meu pai olhou assim, ele, e o meu pai, ele vivia pelado em casa, né? E aí eu bentei ele assim, e o meu pai especificamente ficou muito parecido, ficou extremamente parecido. E aí quando ele viu assim, ficou um tempo sem falar, falei "Ai, quer reachou, né?" Então ele. É, acho que sendo um presso muito preso, não ficou parecido não. O único comentário do meu pai sobre isso, foi isso falando que ele não estava parecido. A minha avó, por exemplo, na casa dela, nunca mais voltou nesse cômodo da casa, até hoje não entra lá, e ela nem chegou a ver, ela só pensava nele, eles mortos lá, então. -O fabrico pensava e pensa muito sobre a morte. E eu sabia que morte era uma coisa que ele tomava sua natal e o adam, e eu envemo muito pelo caminho. E o papel do fabrico ali era captar imagens para a gente fazer um curta metragem. O foco e uns reas crianças, que já são 20% dos imigrantes que passam pelo darien. Então, equipe completa, era hora de começar a expedição. Todos eles chegaram em Bogotá, a capital colombiana no dia 10, abriu de 2024. De lá, eles pegaram outro voo para uma cidade mais ao norte, e de lá, fizeram trecho de carro, outro de barco e mais um de carro, até chegar ao primeiro alcampamento, chamado Las Tecas. É ali a porta de entrada do darien. Todo o negócio da emigração ilegal dessa região é comandada pelo clandar elgulhofo, uma das maiores facções da colombia. A gente tinha um contato que negociou com eles a presença da equipe lá. Não tem como entrar sem isso. A condição era que só os imigrantes e um ser filmados. A gente estimou que a travescia levaram seis dias se tudo descer. Então nas malas, além de todo o equipamento de reportagem, tinha comida militar, barras calóricas, suficiente para o período, todo mundo estava com bota feita para a selva, com equipamento de acampar bem leves, com dois filtros de água super modernos e eletrólicos para manter a hidratação do corpo. E tinha o Adam lá com super kit de primeiro só corros e todo tipo de medicamento que dava para imaginar. A gente também alugou um aparelho que dava para mandar um pin de localização, sempre que eles encontraram uma clareira e que o céu tivesse limpo. O seguro de vida de todo mundo estava pago, combinado era que se eles ficassem 48 horas sem dar notícias, eu ia cionar o plano de resgate. E que eu e o John iamos esperar eles no fim da travescia no Panamá. São como a 5 de mañana. Ahoritas estão todos os migrantos esperando de trajeir um retén. E se anapem. que ficou fazendo um diário em áudio ao longo da viagem. Foi através das gravações dela e das imagens do fabricio do tomasso que eu consegui reconstruir um pouco do que eles passaram ali. Eles finalmente entraram num darien, de baixo de chuva, no dia 23 de abril, com um grupo de 825 emigrantes, que tinham pagado 350 dólares cada um para seguir pela rota. O governo Panamê, em Fala, em lucro de até 820 milhões de dólares por todo o crime organizado que domina essa rota. Os emigrantes pagam aqueles 350 dólares para cobrir ajuda dos guias que vão andar junto com eles na selva por dois dias. E muita gente vai para lá achando que esses dois dias vai dar para atravessar o darien todo. Mas dois dias é o tempo que leva do acampamento de las tecas até a fronteira da Colômbia com o Panamá, justamente onde o caminho é mais fácil. Quando chega na fronteira, os guias dão "chau", dizem que Deus te bendiga e os emigrantes ficam a própria sorte. Do outro lado da fronteira, tem grupos criminosos especializados em sequestrar e roubar emigrantes. E muita gente, quando chega no Panamá, já está exausto, sem água, sem comida, sem dinheiro. [música] [música] O que guia o caminho da indiante são as margens do rio. Só que as margens, às vezes, se transformam em desfiladeiros. Tem horas que, para continuar, os emigrantes precisam cruzar para outra margem, enfrentando a correntesa. Caminhar sem escorregáva e ficando cada vez mais difícil. Como cada um anda num ritmo diferente, as centenas de emigrantes que saíram juntos começam a se dispersar. E as famílias com crianças e até cachorros de estimação, começam a ficar para trás. Depois que o sol começa a se pô, não tem mais como seguir em frente. A nossa equipe tinha equipamentos especiais para acampar, mas os emigrantes estavam levando lonas improvisadas umas baracas baratas. Para piorar o que já estava ruim, estava chovendo muito. Parece que não tinha mais nada completamente seco naquele lugar. A umidade não era só um incómodo, é um risco também. Não sei se você já ouviu falar em "Pede Trincheira". Tem esse nome porque foi diagnosticado em soldados na guerra. Se você não tira os sapatos molhados por pelo menos algumas horas do dia, a sua pele fica tomada por fungos e bactérias. A cura é relativamente simples, passa talco e esperar uns dias. Só que sem tratar, essa condição dói muito e pode ser gravar. Ela pode levar a imputação ou até mesmo a morte. E não poder caminhar no darienho também pode ser fatal. A sua comida acaba, sua água acaba, você fica desidratado. Tomar a água do rio também não é uma boa ideia, já que os rios agora estão contaminados pelo lixo deixado pelos imigrantes. A nossa equipe tinha levado bastante talco para pôrmos pés à noite e recuperar a pele. Além disso, eles estavam com uma bota feita para ter reno zúmbido. Mas os imigrantes não tinham nada disso. Muitos durmiam de tênis com medo de ter que correr no meio da noite. Logo nos primeiros dias, o pessoal da equipe começou a sair do lugar de observador. Não tinha como fingir que eles não estavam dentro da história, que eles não faziam parte dela. Então eles começaram a dividir o talco com que eles encontravam e alertaram todo mundo que precisava tirar o sapato só noite. Eles também conversaram e decidiram limitar a própria alimentação. Eles comiam só uma vez por dia. O resto eles passaram a distribuir para os imigrantes. Enquanto isso no Panamá, eu e o John passavam nos dias esperando algum sinal de vida deles. Porque depois que eles cruzaram a fronteira e entraram na parte mais desafiadora do Darien, o sinais pararam de chegar. Nenhum pin de localização chegava. O aparelho que a gente alugou, também deixava eles enviarem recados curtos. Mas nada. O dia 25 de abril começou, terminou, e nada. Eu pensei nas piores coisas. Eu visualisei na minha cabeça os cenários mais trágicos. Eu pensei no meu amigo Don Phillips, morto no Vale do Javari. Eu pensei no que eu diria as famílias da equipe. Eu pensei em como eu ia conseguir viver se tivesse acontecido algo irremediable com alguém ali. [Música] E aí, 46 horas depois o último contato, finalmente chegou um recado. Maltempo ontem continuando agora. [Música] Comviando em dio. Que todos acabem. Pero vi um grande inovado, nos fortalezado. Principalmente por em mim, que é a se lacauila huita, de afinal, a paulha com mida. Não terei broculpada. Muita gente vai largando o peso das coisas que tinha trazido para trás. Abandando barracas, roupas, documentos, álbums de família. O que era uma selfie tocada, hoje está cheia de lixo. Nessa altura, nas gravações da Natalie, o choro das crianças vai ficando cada vez mais constante. Era quase um ruído de fundo, misturado com o rio correndo e as lamores que em uma quenta mais aquel inferno. O Fabrício dizia que os pássaro já não cantavam e se ingritavam. No quinto dia de espetição, a nossa equipe cruzou com uma mulher, que tinha entrado um dariai no mesmo dia que eles. Quando eu ia gastar cá? Aqui, na servaia tem cinco dias. Cinco dias, e para dar cá? Aqui, dorvia. Podia. Essa voz é do Tomás. A Maria contou que já estava parada ali há dois dias. Quê tem que ser aqui? - Sou lá, ou com. - O que é isso? O que passou? Bem, suje dele, o mecate, com a cuerda. E aí, mal, você vai partir na pia. Não pô, a camina. Quantos há me ter nestaus filhos? - 13. - 4 horas. A Maria Fernando Vidalis, tinha vindo da Venezuela, como a Prima e os dois filhos, uma menina de 13 anos, e um menino de 4. Já no segundo dia de travessia, ela estava dormindo na magia de um rio, quando o nível d'água subiu de repente, no meio da madrugada, e carregou as mochilas dela. Ele a Prima seguiram com as crianças, já sem comida nem água, aí, cansada, a Maria escorregou numa montanha, e ouviu o barulho de alguma coisa quebrando, como se fosse um lápis se partindo ao meio. - Só não. - Que? Como se se for a partir um lápis? É isso a coloquei a camina. Desesperação medo, eu desmiro. A Maria não conseguia mais caminhar. Ela esperava um pouco, talvez a dor passasse, mas ela só piorava. A Prima decidiu que ia continuar, para procurar ajuda, mas os filhos da Maria não quiserem deixar ela para trás. Talvez porque ele já tivesse entendido que isso seria um caminho sem volta. No caminho, a gente cruzou, inclusive com a osada de uma mulher que tinha quebrado pé. E além disso, a gente já tinha visto um outro corpo dentro de uma barraca, né? Também sozinho lá dentro da barraca. Não é só os corpos que a gente viu. Tem várias outras histórias que a gente ouviu de pessoas que tinham fraturado pé, nas machucadas, tido alguma complicação, ficado lá esperando a ajuda e ajudando um caveio. As pessoas falavam e se a gente escutava muito isso, que no Dariëi não resgatavam nem vivos nem mortos. Quando o Fabricio e o resto da equipe passaram pela Maria, eles ficaram sem saber o que fazer. A saída do Dariëi estava 12 horas da lir, mas estava todo mundo muito cansado para carregar a Maria. carregar o próprio corpo já estava difícil. O Fabricio já estava pensando em deixar até nosso equipamento eletrônico para trás. Atava numa situação física muito difícil, mesmo, de muita dor física, né? A gente estava comendo 250 gramas de comida por dia, sabe? Um malho. Uma vez por dito, eu estava assim super, eu perdi 10 quilos, nessa hora eu já tinha 10 quilos a menos, sabe? Então eu não tinha nem como imaginar fazer isso, não tinha nem como imaginar carregar ela. Aí a gente caminhou sei lá, mas uma meia hora para frente, eu não lembro exatamente mas eu imagino que um pouco assim e paramos num lugar para campar a noite, né? E beleza, ele estava lá montando um campamento e eu falando com as pessoas. Aí apareceram dois guias que estavam acompanhando a nossa equipe, carregando a Maria. Carregando ela, eles voltaram lá e carregaram ela e o J. carregou ela nas costas. E ele veio carregando, eu vi eles carregando, eles chegavam assim em exausta, assim, porque realmente era uma coisa muito difícil, ela é uma mulher grande, não era uma mulher pequena, ele veio assim, aí largou ela assim e caiu assim, completamente sem ar e tal, né? E essa hora eu me emocionei muito assim, me emocionei demais porque eles foram buscar ela, sabe? Tipo, foi um ato extremamente heróico assim. Eles se juntaram, encontraram uma barraca vazia, deixada por alguém que passou por ali antes e colocar a Maria lá. Foi a pior noite de todas, né? Estavam todo mundo muito mal assim, né? As pessoas não tinham mais barraca, não tinham mais roupa, não tinham comida, não tinha nada, estavam dormindo tudo sentada na chuva, sabe? Então, estava muito feio. O Adam, que estava com uma bolsa de primeiro socorro, aplicou uma medicação para a dor na veia da Maria e fez uma tala decente no tornozeiro dela, enquanto as crianças capotaram de sono. Depois que a gente deu o medicamento, eu falei e tal com ela, ela também tinha visto o corpo, ela também tinha visto os ossos, porque eles ficam expostos, tinham visto o corpo em decomposição na barraca, tinham visto as ossadas, elas estão toda a mostra. Então ela sabia o que significava, a filha dela sabia o que significava, sabe? O dia seguinte era o último dia dos guias com a nossa equipe. Dali, eles envolta para a colombia pela selva e a Nathalewada, o Tomácio Fabricio, e um siguis sozinhos, agora carregando todo o peso. Antes de seguir viagem, eles deixaram comida para marir para as crianças e umas pastilhas que serviam para limpar água. O Fabricio deu para ela os últimos 100 dólares que ele tinha no bolso e explicou para a filha dela de 13 anos, que ela tinha que pedir ajuda para todo mundo que passasse ali. Quem sabe um deles fosse um jovem andando sozinho com mais energia e força para tirar ela de lá o mais rápido possível. O fim da trilha pela mata não é o fim do caminho. No lugar que eles chamam de piráguas, quem chega precisa pagar 25 dólares para ser levado até o posto de migração para na manha. Lá, quem se conhece pelo caminho se encontra, se abraça, lamenta as histórias que ele não teve a mesma sorte. Dilar, a equipe pegou um tax para capital do Panamá. Eu e o John estavam esperando eles na estrada. No dia seguinte, cada um seguiu para sua casa. É o e o Fabricio voltamos juntos para São Paulo, no mesmo avião. Quando a gente estava esperando na sala de embarque, depois de passar para aquela revista e jogar o grilo morto no lixo, o Fabricio recebeu um vídeo pelo WhatsApp. Alguém tinha gravado a Maria. Nesse vídeo, a Maria está dentro de uma barraca com uma camisa cinza bem suja. O cabelo dá para todo bagunçado e o filho dela de 4 anos está sentado do lado dela, sem coéca vestindo uma camiseta de adulto. A situação deles já estava bem pior do que o Fabricio tinha visto 3 dias antes. No dia seguinte, já em casa, o Fabricio recebeu outra mensagem, agora de uma mulher na Venezuela. Ela era irmã da Maria e queria saber se ele sabia dizer onde ela estava. O marido da Maria estava pensando em cruzar o da Maria para tentar salvar ela. Eu pensei que era melhor ligar para o Senafro, o órgão migratório para na manhã e alertar sobre o caso da Maria. O Senafro estava na minha cabeça porque a gente tinha pedido autorização para documentar a travessia dos imigrantes por meses. A gente queria ter ido legalmente, mas essa autorização nunca saiu. Não deve ser do interesse do governo do Panamá mostrar que as famílias estão morrendo no território deles. Nem é interesse da colombia a admitir que um cartel de drogas lucra com a emigração e legal, sem nenhuma resistência das autoridades. Assim como não é do interesse da Venezuela e do IT, reconhecer que são das suas nacionalidades a maioria dos imigrantes passando pelo darien. Mas a gente pensou que o Senafro ia ficar numa saia justa, se eles dão resgatar se uma pessoa que a gente tinha gravado e que a gente estava informando que corria perigo. E aí depois me passou, acho que umas três quatro semanas ela me mandou uma mensagem. Como está a llamópera, não é que encorta a rica. Ela estava na costa rica, já estava fazendo a cirurgia para o pé e aí ela comprou com 100 dólares que eu dei, ela comprou um celular, roupa, coisas assim, tudo. Eu me comprei esse telefone, e comprou comida e está do bem entre o que cabe porque o dolor não me deixa. Aí ela estava querendo voltar para o quadrador, retornar aos niños a adequadores. Porque né, já não ia mais conseguir fazer, atravessar até o México. Porque de verdade eu não me sinto capacitada para continuar com eles, as pernas não me dá. Depois, a gente sobe que não foi o Senafron, nem o Exército, que salvaram a Maria. Foi um grupo de indígenas que tinha um ido com a missão de salvar outra família e incluiram ela no resgate. Essa e outras histórias do Darién não ficaram ali. O Fabrício continuou mantendo contato com vários imigrantes além da Maria. Depois do Panamá, eles ainda iam ter que cruzar, nicar água, Honduras, água temala e um México até chegar a fronteira sul dos Estados Unidos. Há 2 mil quilômetros da lí. Eu fiquei pensando naquela cena do aeroporto. Daquela hora em que o Fabrício teve que tentar explicar a prosigurança por onde ele tinha acabado de passar e por quê? Como é que você faz para comunicar essa experiência? Como é que você faz para explicar o que é essa caminhada pelo vale da morte? Essa era a missão que a gente tinha, final. De achar um jeito de fazer as pessoas se enchirem aquilo e se importarem. Como depois chegar em casa, de lavar roupa, a mochila, o Fabrício continuou com o Darién entranhado por muito tempo. Não só na memória, mas assistindo e reassistindo todas as imagens que ele tinha captado ali, na missão de editar o documentário e tentar comunicar o que ele viveu para outras pessoas. De encontrar um fio condutor que resumisse aquela experiência. E o que mais ficou com ele foi essa coisa das famílias. De como Darién engolhas famílias e o quanto elas precisam lutar para conseguir sair da lhe unidas. O filme que a gente fez é difícil de ver. Ele só tem 12 minutos. A gente nem chama de documentário na verdade, mas sim de filme de terror. O Fabrício pensou no filme como se fosse uma historinha de criança. Mas é uma história de horror em que o Darién é um monstro. Eu vou contar uma história de terror. Uma história de personas desesperadas, humigadas, abandonar os seus vidas destroçados. Darién engolha os seus filhos, come os seus pés, rouba suas coisas, decompõe os seus sonhos. Tudo vira um delírio febril. Na maioria dos casos, os imigrantes que se infiam nesse inferno estão fugindo de outros infernos, de guerras, de conflitos armados, da fome e da violência. Seja violência política, violência econômica, violência familiar. Em 2019, 8.500 pessoas cruzaram Darién. E aí, por pressão norte-americana, muitos países da América Central começaram a restringir cada vez mais a concessão de vistos. Então, não dá pra chegar de avião no México, por exemplo, e por terra pra fronteira americana. Pra muitos imigrantes, o país mais perto por terra que os aceitas em visto é o Ecuador. E aí, eles precisam cruzar o Darién e vão driblando os postos migratórios pelo caminho. Em alguns dos casos, como Panamá e Acosta Rica, os próprios governos fretam ônibus e cobram os imigrantes pra deixar em eles na próxima fronteira. Preferem passar o problema de antes do que ficar com os imigrantes parados no território deles. O resultado. O resultado foi esse pulo de 8.500 em 2019 para o recorde de meio milhão de pessoas cruzando daria em 2023. A previsão é de que até o final de 2024, 800 mil pessoas façam essa rota. E a tendência migratória é de piora, já que as mudanças climáticas também estão forçando as pessoas a se mudar. E não adianta fechar essa rota, porque outras vão ser abertas. E não importa o qual o intransitável é o caminho. Não tem discurso populista, não tem muro, não tem medidautoritária nenhuma, que vai conseguir impedir as pessoas, de buscar em um lá, de onde elas não precisem mais fugir. Essa foi a Caró Pires. O podcast que a Caró menciona é o No Vengan, que foi produzido aqui pela Rádio Novelo e pelo Bum. Ele é apresentado pela Nataliga Lão em Espanhol. Dá pra ouvir em qualquer tocador de áudio ou no site www.bum.press. Lá você também encontra um vídeo em 360 graus da equipe na viagem ao Darien. O filme é o maldito Darien, assinado pela Caró Pires, pelo Fabriz O Brambate e pelo Tomás O Prote. Com produção executiva do John Lee Anderson, você consegue ver no site www.bum.press e também no YouTube com legenda em português. Durante todo mês de junho, os episódios do Rádio Novelo apresentam chegam a você com o Patrocínio da Erló, líder mundial e essence. Quem gosta de uma boa história sabe que os melhores capítulos de uma viagem costumam acontecer quando a gente sai da rota turística, mas para se perder com segurança realmente mergulhar na cultura local, seja achando aquele restaurante escondido no México ou entendendo uma placa de sinalização em toqueo, para tudo isso você precisa estar conectado. Antigamente, a primeira coisa que a gente fazia ao pousar era caçar um balcão de aeroporto para comprar um chip ou implorar por uma senha de Wi-Fi. Quem nunca se pegou gastando seu portunhão num por favor la senha. Mas você sabe que isso não precisa acontecer, né? Hoje em dia, dá para usar a Erló, a líder de essence do mundo. É um chip digital, você baixa o aplicativo, compra um pacote entre os mais de 200 destinos disponíveis em Stalo e Sim e já sai do avião com internet. Sem taxa surpresa de Romain. Não precisa nem pausar o podcast que você estava ouvindo. A Erló tem pacotes locais, regionais e globais e a instalação é super simples e leva poucos minutos. Então, na sua próxima viagem já sabe. Tem a internet ilimitada neste verão com Erló.com. Aiaiaia.com No episódio dessa semana a gente está mandando cartões postais do fim do mundo. No caso do Darien é o fim do mundo, não fim de mundo. Uma tragédia humanitária num lugar remoto onde não era nem para ter tanta gente assim. E no nosso segundo ato, um ser chega de um universo distante com recado potencialmente apocalíptico. Quem conta é o Victor Hugo Brandelize. Outro dia, eu trombei com uma história de peixe. Um peixe, marinho, bem peculiar. Geralmente, eu não ligo muito para peixe. Eu não tenho aquário, eu não sei nome de peixe. Não é muito a minha. Mas esse peixe, eu preciso dizer, que me fiz gol. É um peixe que vive em águas profundas. O peixe ósseo mais longo do mundo. Ele pode chegar a 9 metros de comprimento e ele nada na vertical. Pensa comigo, 9 metros, altura de um prédio de 3 andares. 3 andares de peixe se movendo, de pé, pelo seano. Eu imagino um moai, sabe? Uma dasquelas cabeças gigantes da ira de pássica se deslocando pelo fundo do mar. Vindo na direção de um desavizado. Sabe pra lá? Pra quem tem medo de coisas do mar, tipo eu, dá até um negócio. Mas esse peixe, com jeito esquisito, ele é bem raro. Em 100 anos, ele tinha sido visto só 19 vezes na costa da California, que é um estado que registra essas aparições. Bom, 20 vezes agora. Porque um desses peixes apareceu mais uma vez por lá. Minha gosto passado, pra minha amiga Gabriela. Feliz, que eu fiquei de poder falar com você, Gabri, sobre sua história. Eu não entendi porque viralizou. Porque quando a gente estava na água e minha amiga falou, tipo, "Ah, isso vai estar nas notícias amanhã, não sei o que, e foi não, é só um peixe." A Gabriela Cruz é cientista. Ela mora na California e estuda bactérias. Ela trabalha com indiairia e genética e proteica em bactérias. Ela nem é muito ligada, animais marinhos. Eu não sou tão ligada ao mar, assim. Eu enjou muito rápido, assim, em barca até não cair. Mas os amigos que estavam com ela no dia do encontro com peixe esquisito são. Um nerds de peixe que eram as pessoas com quem eu dividia a casa que eu morei em 2020. Todo mundo ligado ao centro de o seu na grafia que tem aqui. É uma script-situção de "Voxa Onography" que faz parte da Universidade da California de San Diego. E é um, tipo, sei lá, o melhor instituto de seu na grafia que tem. E eu vim fazer, tipo, o último ano, me amestrado no laboratório desse instituto. Só que, assim, a minha pesquisa é muito de laboratório. Estudava, assim, bactérias marítimas. Mas quando você leva uma bateria para o laboratório, sei lá, não importa muito o que ela vem do mar, sabe? Enquanto que meus colegas da casa, eles faziam muito mais coisas, assim, do mar. Velhos lobos do mar na faixa de seus 30 e poucos anos. Um, faz ilustrações científicas de animais marinhos. A outra bióloga passa semanas em automar em barco de pescador sem banheiro pesquisando. E a outra amiga mora num barco. E ainda ganhou um perfil na revista National Geographic numa série intitulada exploradores. Todo mundo muito ligado ao mar. Fazer muito tempo que a gente não se reunia. E uma vez, tipo, em 2020, a gente ia muito na praia, né? Porque era pandemia, então era onde a gente me podia sair. E agora, eles íam se reunir de novo nesse mesmo lugar. A praia de La Roia. Eu achei que a gente me ia só nadar, assim, seria algo mais relaxada, assim. Mas é claro que os amigos nerds de pastem aparecer com kayak. E aí, Melite, por alguns jorias antes, falar "Ah, eu tô com kayak, e aí tem um kayak inflável." Esse kayak tava furado. E tava fundando, tipo, tinha um buraco. Mas obviamente eles tinham uma bomba. E o remando e bombiando água pra fora. Tudo ao mesmo tempo. A gabina entava muito afim de uma remada. Que dirá de uma remada com bombiadas emergenciais. Mas lá foram eles. E aí, esse site, tipo, dá praia. E é bem rápida, assim, uns 20 minutos. Remando, você chega numa área, assim, que é uma área conservada, que tem, tipo, umas paredes, assim, de penhásco. E embaixo, assim, tem, tipo, umas cavernas, assim, que dá pra entrar e, tipo, assim, muito legal. E meio que a gente sopar ali pra, tipo, ficar comendo e, tipo, bebendo, que a gente trazia das coisas. E ficar nadando e tal. E a gente escuta um cara falando, "Ah, vocês viram Orfest, vocês viram Orfest." A gabina nunca tinha ouvido falar no tal Orfest. Mas os amigos dela já. E eles piraram. E aí, é uma linha que essa minha minha, uma indezemvolta, falou "Ah, não, então eu vou ter que entrar na água." E olha, e ela tava com a mágica, assim, de snorkel. E ela mergulhou e viu o peixe e aí voltou e falou "Ah, ele tá morto." "Eu vou mergulhar pra trazer ele pra cima." Então ela mergulha e ela atrasve cima e meio que as pessoas "Oh!" Viu a tona, Orfest. Nossa, não peixe mesmo. Aí foi uma operação pra resgatar o peixe raro. Que, como a Gabi falou, já tava morto. Eles tiraram o peixe da água com cuidado pra não quebrar. Botaram o peixe em cima da pranche de stand-up de um gaiato que tava passeando por ali. Ligaram pra pedir autorização pra tirar o peixe da água. Pra quem traz autoridade dos peixes e conseguiu essa organização. Ligaram pro pessoal do Instituto pra vim buscar o peixe. Enfrentaram as ondas até chegar na areia sem deixar o peixe cair. Tava vindo pra praia, Orfest. Aliás, qual o nome desse peixe em Português? É. "Peixe do fim do mundo, do chamado. " "Peixe do fim do mundo." Esse é o nome fantasia do peixe que é exitão. Em inglês ele tem esse apelido também. Domos da efeche. E eu não sabia disso. A Gabi não sabia desse apelido do Arfeix antes dessa aventura. E nem sabia da mitologia em torno desse peixe. A- até esse ponto eu estava te apoiar um nerd de peixe, achar um peixe muito grande, sabe? Só essas cinco pessoas do mundo estão muito interessadas nisso, eles vão levar um instituto pra estudar, ver quem tem, que tem esse especialista de peixe no mundo. A ideia era essa mesmo. Levar o peixe pra ser estudado no Instituto Esquips de Oceanografia. E lá, a gente só ajudou depois de que botar a prancha num caminhão e levar um peixe. E a Gabi achou que esse é o fim da história dela com o peixe raro. Só que não foi o que aconteceu. Só que aí foi, tipo, acho que um dia depois, esse outro casal que ajudou a gente a levar o peixe até praia, a mulher postou um TikTok que era um tipo cena, assim, da gente na água do marido dela chegando com a prancha com o peixe, da gente botando o caminhão e aí fui abrir e falei, "Cara, aqui que tá acontecendo nos comentários?" E todos os comentários eram, tipo, "Uuuu, o mundo vai acabar, sabe?" Definitivamente, não era um peixe conhecido só por umas cinco pessoas no mundo. Já tinha milhares de comentários nos vídeos do TikTok. E a maior parte com o mesmo tom. "O mundo vai acabar, vai vir um desastre, vai vir um desastre, vai vir um desastre, esse aí não acabou." Hb pode não conhecer, mas a internet já era especialista em peixe do fim do mundo. Esse peixe tem a mafama de ser um aralto da desgraça, como tá no título da matéria do Los Angeles Times que noticiou a nova apareção do peixe. E os vídeos no TikTok e o mais fundo. Ok, isso é o que está acontecendo. Mas não foi legal, terei doomsdayfix, "Watchdog Dead" em San Diego. E aí eu fui meio que tinha tentando abrir, tentando entender, e era meio que isso, assim, que parece que o peixe eleva indicativo de quando que vai ter um termoto muito grande quando vai ter um dissonável. Além da, ela é do Japão, assim, que quando eles da vista da sepecha, vai dizer que vai ter um dissonável de Japão. Além da entorno desse peixe, surgiu no Japão no século 17. Ele era conhecido como o Rio Guno Tsu-Kai, um mensageiro do Palácio do Deus do Mar. Segundo a lenda, de tempos em tempos, o peixe vem do fundo do Mar até a superfície para trazer o anúncio de algum desastre. Ele andava meio esquecido até 2011, quando um grande terremoto seguido de um tsunami abalou Japão. Més antes, alguns desses peixes tinham sido encontrados numa praia, e isso reacendeu a antigacrença. Tem um fato sobre o Orphus que alimenta essa lenda. É que o peixe tem essa característica real de viver bem no fundo do mar, a mais de mil metros de profundidade. E por viver tão lá embaixo, muita gente passou a acreditar que ele consegue sentir até retremeantes da gente na superfície. E quando sente o tremor, o peixe vaza da ali, sob pra águas menos profundas. Essa seria a mensagem. A extrapolação é de que sua presença desse peixe já é o prenúcio de que alguma coisa ruim vai acontecer. E aí, o leito do mundo "Ah, da nex", porque é que eles falam né, da nex de guana, preste terremoto que pode acontecer com que momento na Califórria. Juntaram a aparição do peixe do fim do mundo com estudos em torno do "nex big one". Um terremoto enorme que, de verdade, pode te engenhar qualquer momento e costa o estes dos Estados Unidos. Isso está comprovado por pesquisa séries. Você sabe que existem condições geológicas para um terremoto gigantesco acontecer nessa área. Tão grande que, dá até medo de falar, e vai redumar para várias cidades, inclusive los Angeles. Isso pegou a Gabi. E aí, quando teve todas as notícias da peixe, vai é que sim, vai acontecer um terremoto, sendo, sabe, muito grande. Mas aí nesse dia eu fiquei "Ah, não, que merda, não devia ter ido assim". Gabi ainda estava lidando com a decisão dela de embarcar naquele kayak, quando uma outra onda começou a bater. A de comentários no TikTok. E aí, tinha um comentário que era muito bom, que era um cara falando tipo, infelizmente uma vida de azar para todas que tocaram nesse peixe. Aí nesse ponto eu não acredito que eu me envolvi nisso, assim, porque eu sou meio sorpeche de sósito, então, eu não esperava, eu estava sendo nossa. A chiquera só onde eu não acrei, eu estou condenada, sabe, a uma vida de terror. Porque além do entorno desse peixe, segundo os comentários, Gabi leu no TikTok, não é só aquele pronuncia grandes desastres coletivos. Aparentemente, para que ele encosta nele, o peixe também traz uma sorte individual. E você tocou no peixe, como é que você? Porque você tocou no peixe? Sim, sim. Então, eu estava tentando ajudar, tipo, primeiro, a gente tentou pegar o peixe e botar no kayak, eu não consegui, eu já botou na prancha. E aí, quando chegou na praia, que aí, eu já teve que levantar o peixe para botar atrás do caminhão, assim, da caminhonete. E aí, tem outro comentário também, porque quando o cara botou na prancha do stand up, ele era mais longo do que a prancha. Então, a calda do peixe ficava para fora, minha calda do peixe estava quase caindo-as. Eu estava só com essa parte da calda, na minha mão, para fazer um apoio para a calda não se desfazer completamente. E aí, no esse vídeo do TikTok, só tem minhas costas segurando a calda, e tinha um outro comentário bem lá embaixo de uma mulher que falava, tipo, "Ah, olha essa menina de preto, ela só quer fazer parte de alguma coisa, ela só quer aparecer." E por isso, aquela tá segurando a calda. Não se pode nem mais querer estudar a ciência em paz. Se você que tá ouvindo agora, por acaso, fora a mulher do TikTok, é importante esclarecer que a Gabi fez muito bem em segurar a filme a calda do bicho, viu? Porque a calda é uma parte importante para entender o Orfish. Ele é um animal ainda pouco conhecido, justamente por terem tão poucos encontros com ele até agora. E a suspeita é que a calda tem um papel importante para que ele consiga nadar na vertical. Então vale o cuidado, viu? "Soi que é, não é que louco." Então pessoas ficham vídeos e assim, ela começa a analisar o que cada um tá fazendo. É muito louco, assim. E tinha ainda a questão da foto. A essa altura, o achado da turma da Gabi, já tinha saído em tudo o que é jornal. "Guardian, BBC, New York Post, CBS, uma porrada de veículos." Só que ela não mandou para quase ninguém. Porque tinha uma foto assim, eu não caiaque, tentando pegar o peixe, assim, muito exagistada a reportagem do LA Times. "Tinha essa foto, assim, eu não caiaque, sabe muito estranho, sabe, ah não. Tipo, não, não é. Tipo, eu não teria deixado essa foto, sabe, sem saber se. " A foto que a Gabi não gosta rodou bastante. E a gente se solidariza. Todo mundo aqui já teve uma foto de que não gosta circulando mais o que devia. Você talvez não contenta alcance. Aí eu comecei a procurar e eu vi que tinha tipo, "ah, em vários janeis do mundo, assim, tava aparecendo essa notícia." Ela já tava se irritando. E ainda tava preocupada. "Tou que eu tava meio tensa, assim, tipo, "Ah, será que coisa é ruim?" "Vamos começar a acontecer com a gente, será que minha vida vai ser horrível a partir de agora?" E aí aconteceu uma coisa meio estranha. Foi no dia 12 de agosto de 2024. Dois dias depois da pareção do peixe para Gabi lá na costa de São Diego. Southern California é ainda ainda rela, desde um 4.4 magnitude da Cidade-Earthquake. Ela era a janela de Los Angeles, na noite da noite. A Cidade-Earthquake, que o serviço de água, foi apenas 6 mil anos na cidade da Cidade-Earthquake. A gente poderia sentir o equipe, todo o caminho de San Diego. Um terremoto atingiu Los Angeles e San Diego. Foi bem fracado. 4.4 graus de magnitude, ninguém se machucou. Só chegou a quebrar os encanamentos da suas. A Gabi nem sentiu. Definitivamente não era o big one. Mas é claro que internet tremou. Que as pessoas também falaram "Ah, tá, um terremado que teve, então foi por causa do peixe." Mas. E você que é nesse persocio, você acredita que era por causa do peixe? Não, porque aí eu, tipo, falei "Não, vai ser o contrário, vai ser quem to com o peixe." Tipo, vai ser protegido desse. desse "nex big one", sabe? Primeiro, a Gabi lhe dou com um terremotinho tentando positiva a história. Você viu? Mas ele é uma cientista. Então, ela foi atrás dos fatos. Pela estatística não existe nenhuma correlação, a aparição do peixe e ter morto. E outra coisa com terremoto também? Tem sempre alguma coisa acontecendo. Um lugar no mundo, mas até mesmo assim, onde eu moro assim. Tem sempre, a cada 2, 3 dias, tem um terremoto, muito, muito, muito fracinho. Mas sempre tem, sabe? Nessas falhas assim, a terra tá sempre movendo um pouquinho. Então, é como isso, assim. Deve ser terremoto muito fracos, a gente, 2 dias depois, aí começaram a falar "Ah, não, foi quase o peixe, tá?" E, de fato, uma pesquisa de 2019 da Universidade de Tóquio finalmente mostrou, depois de séculos de lenda, [MÚSICA DE FUNDO] não existe uma correlação entre a subida do peixe do fim do mundo a superfície e algum desastre que está para acontecer. Os autores do estudo chamam a tentativa de ligar essas duas coisas de uma típica correlação e luzória. "Ese sempre pode ligar, porque está sempre acontecendo." O lado racional da Gabi estava tranquilo. Só que como toda pessoa supersticiosa sabe, não é assim tão fácil desligar essa chavinha. Duas semanas depois do encontro com o peixe e até a banca de doutorado da Natalha, uma das amigas neves de peixe da Gabi. "Eu lembro que eu fui na defesa dela achando, bom, se for muito ruim, se há não passar, é por causa do peixe. Mas se for tudo tranquilo, sabe? Tipo a sinta, essa vai ser a primeira prova, sim, se a gente está a amor de sado ou não, sabe? "Tá vai ter esse filme, assim, que acontece uma edição com um grupo de amigos, aí tem tipo sempre o primeiro, aí vai te mostrar ela, primeiro teste, assim." "Eu lembro qual filme?" "Ai, esqueci o nome, que é premanição." "Es que eu pensei também que é um grupo de amigos." "É, vai, um cagar humor ainda, né?" "Cê tem um sorpremer, né, só?" "Cê pensa, talvez pouca coisa, você mais tranquilo, eu quero dizer em termos de risco de vida, do que uma banca de doutorado, mas. " "Ah, sim, pesado." "E ela passou, foi tudo ótimo, é uma doutora agora." "A Gabi e a Natalha agora é doutora, né, passaram por esse primeiro teste. E as ideias de fim do mundo os poucos foram ficando pra trás." "E essa sombra dele aparecia, assim, como apareceu no sentido da banca de. da tua vida, assim, também apareceu. " "Ela foi tão cómico, assim, e eu gostei tanto desse comentário, porque desse cara, assim, ah, infelizmente uma vida de azar pra toda, acho que tá caralho." "O primeiro, ele parece sentir com a gente, assim, sentir, sabe, de paz, muito." "Cês tão. Esas vão se ofreir pra sempre." "Mas, eu não sei, é só esse make-mundo de TikTok, versus o mundo, assim, desses meus amigos conheciam mais o peixe e estavam mais animados, assim, em descobrir a como que o peixe chegou lá e fazer a. "Ezenaises de como o peixe tinha morrido." "O encontro da gabi com esse peixe das profundezas, no fim das contas, levou ela a fazer uma pergunta bem terrena." "O mundo real, versus das profundezas absais das redes sociais." "Em qual deles vale a pena mergulhar?" "Em caso da gabi, alguns elementos bem, pelo chão, ajudam ela a escolher." "A Emma lia a trabalho com uma artista que faz impressão, tipo, ele pega o peixe e bota uma tinta por baixo e faz tipo uma impressão e ficou super lindo." "Cham a pintura de otaco. Um artista passa uma tinta no peixe todo, bota um papel em cima e aí tira." "Meio que transforma o peixe num carimbo. Nesse caso, um carimbão de três metros e meio de comprimento." "Que é o tamanho do peixe que eles encontraram." "Ejos botaram no aquário do. dos scraps?" "Ti por ter uma foto na nossa com peixe." "Aquela foto. Agora ela gosta dela." "Parece que eu sou tipo um aventureiro que tá se sabe em cima de um cair aqui, tipo. pegando animais selvagens." "Tem uma foto da. dessa impressão do corpo do peixe." "E aí eu penso que aqui acontece depois. Parece que eles tipo meio que parte em um peixe, em pedaços e em arquivam pra quando alguém que sei lá querido dar a anatomia e tal." "Um peixe meio que eu vi com tipo uma escolha, assim. será que eu vou tirar tempo da minha vida pra responder esses comentários?" "Sará que eu vou ligar a se uma foto minha? Eu não tô muito bonita, mas eu pareço ser uma pessoa legal que faz coisas legais." "O será que eu vou achar meu grupo de amigos assim, pessoas muito fodas que me levam pra fazer pesseios legais e me levam em aventuras?" "Então acho que foi uma coisa meio senar. Traquilado eu quero ser puxado, sabe? O que é que eu não erótica assim, sobre tipo. "Ah, será que isso que aconteceu na minha vida por causa do peixe?" "O que eu tinha pra só acreditar que pra não foi algo legal?" "E nédios do peixe vão conseguir fazer coisas legais a partir disso." Os nédios já regassaram as mangas. Um uns poucos dias depois do achado, o Instituto Escrepes de Aceanografia anunciou várias linhas de pesquisa que eles vão fazer sobre o peixe e sobre o lugar onde ele vive. "O fato dele vir do fundo do má, né? Ele traz então informações sobre o fundo do má. Eu acho que são esses desperimentos que eles ainda vão fazer, tipo assim, "Ah, o que que a gente pescome?" "Então, achou essa parte assim que eu acho que é o que mais de interessante que tem ele, né? Que ele vive no lugar que a gente não tem muita acesso, assim." Esse peixe vai ajudar a mostrar como é a vida no fim do mundo. Ou no começo, dependendo de onde você vive. As pesquisas já começaram, e elas ainda pretendo revelar uma outra mensagem trazida pelo peixe lá do fundo. "Essa coisa do microplástico, assim, até onde, né? Em que profundesa essa poluição está afetando e tal?" "Que é outra coisa nele interessante desse peixe vindo do fim do mundo." "Microplásticos e também pesticidas. O Instituto vai analisar os órgãos e tecidos do peixe para tentar detectar esses contaminantes." "Será que a gente já conseguiu fazer eles chegarem até lá no fim do nosso mundo?" "Depende a isso. Depende a desse desastre que o peixe está querendo falar." Esse foi o Vitor Hugo Brandalize. Oi, aqui é a sua elecarneiro. E aqui é a Neca Cetuba. Estamos aqui, para te convidar a ouvir o último episódio desta temporada dos escúteas mais velhas. Um podcast da Fundação Titsetuba, produzido pelo Estúdio Nove. Para fechar a temporada, a gente chamou para a conversa. Duas representantes de uma geração mais jovem, que está premorando a luta pelos direitos humanos no mundo como que a gente tem hoje. Na segunda parte dessa conversa com a Laura Molinari e com a Juliana Gonçalves, a gente que saber sobre os desafios que essa geração enfrenta, para a por, em prática, a transformação das condições das mulheres no Brasil. E entre 2018 e 2024, os grupos antiaborto investiram 7 milhões e meio em propaganda antiaborto nas redes sociais. A gente precisa ter condições de enfrentar essas batalhas, a comunicação nas redes sociais, a viralização de um conteúdo, de uma mensagem, não é a casa, não é só porque está bem feito. A gente que saber também sobre os conceitos e valores que servem de combustível para a sua atuação no ativismo político. Eu brinco que as pessoas questionam "deus" mesmo, questionam no capitalismo, então o capitalismo é algo muito forte entreiado nas nossas vivências. Então o bem-viver vai falar sobre outra forma de estar organizada e vai colocar em pauta, então a nossa economia, a nossa política e, claro, a valorização dos saberes ancestrais. Nós conversamos com as duas sobre as diferenças e similaridades das agendas que elas atubam, além de pedir para elas o caminho das pedras, para jovens que queiram se engajar no movimento de mulheres. Escuta as mais velhas é um podcast da Fundação Titsetubal produzido pelo estúdio novelo. Último episódio da segunda temporada já está disponível em todas as plataformas. Até lá! Obrigado por ouvir o rádio no velo apresenta. Esse foi o nosso episódio número 100. E acho que eu falo em nome de toda a equipe quando eu digo que a gente está feliz demais de ter chegado até aqui. E claro que a gente não poderia ter chegado até aqui sem vocês. Muito obrigada por acompanhar o nosso trabalho toda semana, por falar da gente por aí, por sugerir histórias. O apresenta é de todo mundo e a gente quer que ele dure muito, muito tempo. Que venha o episódio 101, 150, 200, 500. E bom, você sabe que toda semana, além do episódio, a gente publica um poste curtinho no nosso site com algumas referências e material extra. Dessa vez tem claro fotos do peixe do fim do mundo, que é a turma da garbica tono mar. E também tem todas as coordenadas para você assistir o filme e escutar o podcast sobre o Darién, que é Carôpides de Gil. O podcast, ele é a reprodução da novelo também. No site você também já sabe, dá pra assinar a nossa newsletter. E fico convite também para você acompanhar a gente por outros canais. Você pode seguir a radonovelo no WhatsApp e acompanhar a gente nas redes, a roba radonovelo no Instagram, no Trédis ou no Blue Sky. Se preferir, dá pra mandar também um e-mail pro [email protected] O rádio novela-presenta é um original da Rádio Novela. Tem episódio novo toda quinta-feira. A direção criativa é da Paulo Escarpim e da Flora Tom Sondevoa. A produção executiva é da Marcela Casaca e a agerencia de produto é da Juliana Yegger. A Natalhesiva é editores executiva. Nosso repórteres e roteiristas são o vitoro brandalhise, a Revena e a Agenta, a Bia Guimarães, a Saras Albeu, a Carol Pires, a Barbara Robira e a Carolina Morais. A Ashley Calvo é produtora. A checagem desse episódio foi feita pela Carolina Fará e pelo Bruno Lima. Tivemos apoio de montagem da Mariana Leão que assina o desenho de som desse episódio junto com a Saras Albeu. Nesse episódio, a gente usou o músico original de Chico Correia e também da Blue Dot. A mixagem é do Pipoca Sound. O desenvolvimento de produto e audiência é feito pela Bia Ribeiro. O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento. A nossa analista administrativa e financeira é a Taina Nogueira. A nossa coordenadora executiva é Lara Martins e a nossa estagiária é a Isabel de Santana. Obrigada e até a semana que vem.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O podcast descreve a preparação e a logística de uma expedição jornalística à Selva de Darien, entre Colômbia e Panamá, rota perigosa usada por imigrantes.
  2. A repórter Carol Pires coordenou a equipe à distância, composta por fotógrafo, jornalista, ex-soldado e um artista plástico, para documentar a travessia.
  3. A travessia é controlada pelo crime organizado; imigrantes pagam US$ 350 por guias que os abandonam na fronteira, onde enfrentam roubos, doenças e desidratação.
  4. A equipe enfrentou condições extremas, dividiu suprimentos com imigrantes e limitou a própria alimentação para ajudar, destacando o sofrimento humano e a exploração na rota.

Summary:

O episódio do podcast "Novelo" narra a organização de uma expedição jornalística à Selva de Darien, uma região entre Colômbia e Panamá que se tornou rota crítica para imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos. A repórter Carol Pires, que coordenou a equipe à distância, explica como surgiu a ideia: a imigração é um dos temas mais importantes da década na América Latina, e Darien é o ponto mais perigoso dessa jornada. A equipe incluiu o fotógrafo Tomás Suprote, a jornalista Nata Ligayon, o ex-soldado Adam Crateham e o artista plástico Fabrício Brambate, escolhido por seu olhar fresco.

Eles entraram na selva em abril de 2024, junto com 825 imigrantes que pagaram US$ 350 a guias do crime organizado. A travessia, que muitos acreditam durar dois dias, na verdade se estende por muito mais tempo, com imigrantes abandonados na fronteira panamenha, onde enfrentam grupos criminosos, falta de água e comida, e doenças como "pé de trincheira". A equipe, equipada com suprimentos especiais, acabou se envolvendo na história, dividindo talco, comida e alertando sobre cuidados com os pés.

O relato destaca a exploração e o desespero dos imigrantes, contrastando com a retórica política que os criminaliza, e mostra como a reportagem buscou transmitir a experiência humana por trás dos números.

FAQs

A selva do Darien é uma região localizada entre a Colômbia e o Panamá. Ela se tornou uma rota perigosa para imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos.

O Darien é perigoso devido à geografia hostil, chuvas intensas, falta de infraestrutura, e à presença de grupos criminosos que sequestram e roubam imigrantes. A travessia a pé é longa e exaustiva, com riscos de doenças como pé de trincheira.

Em 2023, meio milhão de pessoas cruzaram o Darien, incluindo 130 mil crianças.

A expedição foi organizada pela repórter Carol Pires, que coordenou uma equipe composta pelo fotógrafo Tomás Suprote, a jornalista Nata Ligayon, o ex-soldado Adam Crateham, e o artista plástico Fabrício Brambate.

Fabrício Brambate, um artista plástico, foi escolhido para captar imagens para um curta-metragem sobre crianças imigrantes no Darien. Ele não era jornalista, o que trouxe um olhar fresco para a cobertura.

Os imigrantes pagam 350 dólares cada um para seguir pela rota com guias, mas esses guias só acompanham por dois dias até a fronteira entre Colômbia e Panamá.

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