No episódio, o professor Vitor Soares apresenta uma introdução ao capitalismo, explicando que ele é um modo de produção que define como a sociedade produz, se mantém e presta serviços. Ele começa com as raízes históricas na Idade Média, destacando o feudalismo e o surgimento dos burgos (cidades) e da burguesia (comerciantes) nos séculos XII e XIII. A primeira fase do capitalismo, o mercantilismo, surge no século XV com as Grandes Navegações, onde os Estados nacionais (como Portugal e Espanha) regulavam a economia para acumular capitais, derrubando o mito de que o capitalismo é necessariamente contra a intervenção estatal.
A Revolução Industrial no século XVIII marca o capitalismo industrial, com a criação de fábricas e novas classes sociais: os burgueses (donos dos meios de produção) e os proletários (trabalhadores assalariados). Vitor Soares aborda contradições, como o uso de trabalho escravo nas colônias para abastecer as indústrias europeias. Ele também discute teóricos como Karl Marx, que via a propriedade privada como pilar do capitalismo e criticava a exploração do trabalhador; Adam Smith e David Ricardo, que defendiam o livre mercado; e Max Weber, que analisou o capitalismo sob aspectos culturais e sociais, como a ética protestante. O episódio enfatiza que o capitalismo é um sistema flexível e em constante debate, desde suas origens até os dias atuais.
Introdução ao Podcast e Recados Iniciais do Professor Vitor Soares
Fala, molecada, meu nome é Vitor Soares.
Eu sou professor de história e você está ouvindo agora o história em meia hora.
O seu podcast semanal de história, que tem esse formato bem simples, né?
Está no nome.
Em meia horinha, pode contar aí no relógio, daqui a 30 minutinhos, você vai sair daqui sabendo algo novo de história?
E hoje o nosso episódio é sobre capitalismo, o modo de produção que atualmente é usado em praticamente todo o mundo.
Mas antes de eu começar, eu quero dar aqueles recadinhos iniciais entre agora em história em meiahora.com.
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Na verdade, podcasts exclusivos e toda a semana saiu o novo.
Você vai ter acesso a esses que já lançaram e todos os próximos.
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Converso com o Alexandre níquel, é bem legal, bem divertido.
Ouve lá depois que eu acho que você vai gostar.
É isso gente.
Me siga nas redes sociais, é arroba prof Victor Soares no Twitter, no Instagram e segue no Instagram do podcast também.
Se você puder arroba história em meia hora.
Definindo o Capitalismo e Suas Primeiras Perguntas Essenciais
Agora, Bora começar a falar sobre metais preciosos, feudalismo, desigualdade social e muita grana.
Roda vinheta em Portugal e vamos embora.
É possível existir um modelo social e econômico perfeito?
Na sua opinião, o que é mais importante, o fim da desigualdade ou fim da pobreza?
Essas são algumas das várias perguntas que podemos fazer ao estudar o capitalismo.
Algum tempo atrás eu fiz o episódio sobre socialismo, depois um sobre anarquismo, que vocês gostaram bastante.
E por esse motivo, pediram muito para eu fazer esse aqui de capitalismo.
Falar sobre esse tema é algo bem interessante para aprendermos como a nossa sociedade se desenvolve e funciona.
Porém, em muitos lugares, falar disso é algo extremamente polêmico e dá muita briga.
Vocês sabem do que eu tô falando.
Quem me conhece e ouve história em meia hora há mais tempo já sabe que eu não quero convencer ninguém a nada.
Eu Acredito que para um debate ser bem feito, as pessoas precisam ser honestas intelectualmente e realmente saber do que estão falando.
Isso é muito importante.
Não pode ficar repetindo o que os outros falam e que muitas vezes, inclusive, estão errados, né?
Bom, então, se você curte ou não curte, o capitalismo fica de boa.
Aqui vamos falar de história com autores confiáveis e da forma mais honesta possível, isso eu garanto para vocês, vocês vão perceber durante o episódio.
Bem, uma das formas de definirmos bem rapidamente o que é o capitalismo é que ele é um modo de produção.
Repetindo isso é muito importante, algo simples.
Mas parece ser complexo.
O capitalismo é um modo de produção, ou seja, é a maneira que uma sociedade produz, se mantém e presta seus serviços.
Você já ouviu aquela frase, quem menos sabe da água é o peixe, porque não é o peixe está dentro da água.
Então falar e estudar sobre capitalismo é um pouco disso, tá ligado?
É um sistema econômico, social e político difundido por tantos anos e está em funcionamento praticamente em todo o mundo, que muitas vezes não conseguimos separar uma coisa da outra.
Assim como o peixe está dentro d'água.
Nós estamos dentro do capitalismo, mas a notícia boa é que você está ouvindo um podcast de história, então podemos ir para as origens daquilo que vai ser chamado de capitalismo e assim a gente vai poder ver como a sociedade se desenvolveu a partir desse sistema econômico.
As Raízes do Capitalismo na Idade Média e o Surgimento dos Burgos
Desde o começo das primeiras civilizações humanas, a economia sempre foi algo muito importante.
Antes mesmo do dinheiro como conhecemos hoje existir, nós já fazíamos trocas para atender o interesse mútuo.
Claro, nem sempre essas relações foram pacíficas.
Não são poucos os exemplos na nossa história de saques, roubos e tudo mais.
Mas para você começar a entender o que é o capitalismo, precisamos focar nossa atenção na idade média lá na Europa.
E eu sei que você lembra da época da escola em que aprendeu sobre idade média.
E um dos principais assuntos foi o feudalismo.
O feudalismo se consolidou em algumas partes da Europa como um sistema de produção econômica e também um sistema que alterou as relações sociais e de trabalho.
Para entender bem como o feudalismo funcionava, podemos olhar para a relação dos camponeses com as terras.
Dentro dos feudos, a Terra pertencia a um senhor feudal, e esse senhor feudal concedia um pequeno espaço da sua Terra para os seus camponeses trabalharem cultivarem nessa Terra e além disso, também morarem nela.
Os camponeses, por estarem na Terra de outra pessoa, tinham que dar parte da colheita para o dono daquele território, e uma parte menor era usada para a sua própria subsistência e da sua família, né?
Dentro dos feudos, a economia era basicamente agrária e de subsistência.
Ou seja, essas relações de troca tinham o objetivo de só não deixar as pessoas morrerem de fome mesmo, tá ligado?
Existia comércio?
Sim, existia, mas era bem pequeno e não tão expressivo ainda.
Esse cenário começa a mudar a partir do século 12 e 13, com o surgimento das cidades que na época eram chamadas de burgos e quem morava nesses burgos eram conhecidos como burgueses.
Olha só, nesse primeiro momento, burguês ou burguesia, não se.
Prefere a pessoa cheia de grana igual hoje em dia a gente fala brincando, não tá?
O burguês era o morador do burgo, que geralmente era um comerciante mesmo.
Podemos dizer então, que no início do capitalismo, a primeira semente desse modo de produção estava justamente nessas cidades que começaram a crescer e, consequentemente, o comércio também cresceu junto.
O ponto interessante dessas cidades é que agora não existe apenas o camponês, aquele que trabalha com a Terra, mas conforme a sociedade.
Are se torna cada vez maior e mais complexa.
Novas profissões também irão surgir.
Quando falamos de história, temos que pensar que essas mudanças não acontecem de 1 dia para o outro.
Não, tá?
Geralmente são processos lentos e graduais.
E assim foi com o capitalismo.
Mas se eu disse para vocês que a semente do capitalismo foi o processo de formação dessas cidades, podemos dizer que a primeira fase do capitalismo de fato surgiu a partir do século 15, com um evento que vocês conhecem muito bem, as grandes navegações.
Mercantilismo e o Papel do Estado nas Grandes Navegações
Molecada, pensa uma coisa aqui comigo.
Os estados nacionais que se formaram primeiro, como Portugal e Espanha, não investiram uma bolada de grana e arcaram com vários riscos simplesmente para brincar de aventureiros no meio do mar.
Não, gente.
Uma das características que impulsionaram essas viagens foi a necessidade desses novos estados.
Acumularem capitais e eu frisei, porque isso é muito importante.
Não bastava apenas o comércio entre artesãos nas cidades, os países precisavam adquirir matéria prima, acumular em metais preciosos e por aí vai.
Para muitos teóricos, essa fase do capitalismo ficará conhecida como mercantilismo.
Mas eu quero dar uma dica aqui para vocês que vão fazer prova.
Enem existe um grande debate entre historiadores e economistas para saber se o mercantilismo foi de.
Fato, a primeira fase do capitalismo ou se foi apenas uma transição do feudalismo para o capitalismo, tanto que alguns autores não usam o termo mercantilismo, eles substituem por pré capitalismo ou capitalismo mercantil.
Bem, sendo o mercantilismo a primeira fase do capitalismo ou não, através desse modo de produção podemos ver uma característica que estará presente ao longo da história e que ao mesmo tempo, nos ajuda a derrubar um grande mito sobre o que é o capitalismo no mercantilismo são os estados que vão regular a economia.
Os reis vão funcionar como uma espécie de regulamentadores das atividades comerciais, tá ligado?
E assim a burguesia vai ter uma forte participação, é verdade isso?
Principalmente.
Alta burguesia.
Mas são os estados que têm uma atuação mais intensa.
E é importante trazer isso para vocês, porque no senso comum existe uma falsa ideia de que se o estado intervém na economia, já não é uma economia capitalismo.
Isso não é verdade.
Isso é muito errado, como vamos ver ao longo do episódio.
Revolução Industrial, Novas Classes e Contradições do Trabalho
A próxima fase do capitalismo é bastante conhecida como capitalismo industrial, período onde as primeiras máquinas serão criadas para acelerar as produções e, consequentemente, aumentar o número de vendas.
Com o surgimento desse novo maquinário, a produção econômica vai acontecer dentro de fábricas e indústrias, dando origem a uma revolução industrial no século 18.
Inclusive, tem episódio aqui no fim de do história.
Meia hora sobre revolução industrial.
Houve lá da.
Depois que tem tudo a ver com esse episódio aqui.
Mas, enfim, o país que vai encabeçar esse processo será Inglaterra, por uma série de fatores que eu já falei naquele episódio lá.
Essa nova fase da economia da Inglaterra e que depois se estendeu para outras partes do mundo, é que o capitalismo industrial vai criar novas classes sociais.
A primeira dessas classes são os burgueses, ou os capitalistas, que são os donos das fábricas, ou, em uma linguagem mais técnica, eles são os donos dos meios de produção.
E, claro, temos também como consequência disso os proletários, o proletariado, que são os trabalhadores que irão produzir dentro das fábricas e indústrias.
Diferentemente do mercantilismo, no capitalismo industrial os burgueses vão querer se afastar cada vez mais do estado.
Nesse momento, a interferência do estado passará a ser vista como algo negativo e que prejudica o desenvolvimento tecnológico e a própria economia.
Para os trabalhadores, as fábricas serão a consolidação das relações de trabalho assalariado.
E isso porque essa sociedade capitalista precisava de trabalhadores com condições mínimas de comprar alguns itens que eram produzidos nessas fábricas.
O trabalho escravo, em algumas situações, era um problema para as economias capitalistas industriais e nesse ponto vemos uma espécie de contradição muito interessante do capitalismo.
Ao mesmo tempo que na Europa o trabalho assalariado se tornava cada vez mais comum, as colônias que esses mesmos países capitalistas tinham na América e na África usavam mão de obra escrava para conseguir as matérias primas que alimentavam as primeiras indústrias.
Demorou um tempinho para que os países como Inglaterra incentivassem suas colônias ou ex colônias a acabarem com o trabalho escravo.
Karl Marx, Socialismo e o Pilar da Propriedade Privada
Podemos tirar como exemplo o próprio Brasil, que só aboliu a escravidão em 1889.
Mas, enfim, um dos episódios mais ouvidos do história da meia hora é justamente o do socialismo, que para alguns é uma ideologia e modelo econômico meio que oposto ao capitalismo, né?
Enquanto que para outros é apenas um caminho natural do próprio capitalismo.
E ó, eu não quero discutir, tá ligado?
Qual dessas visões está mais correta ou algo assim?
Mas eu quero mostrar uma diferença entre esses 2 modelos, enquanto o socialismo primeiro foi pensado para depois ser colocado em prática, o capitalismo primeiro passou a existir e a se desenvolver, e depois que surgiram aqueles teóricos que foram conceituando as coisas e dando nome aos bois.
Não tem nenhum problema isso acontecer.
Eu só quero chamar atenção para vocês desse fenômeno e também reforçar a ideia de que o capitalismo é completamente flexível e esse é justamente um dos motivos pelo qual esse modo de produção ainda está em vigor.
Mas no século 19, período em que esse capitalismo industrial vai atingir mais lugares da Europa, vão surgir uma série de pensadores que vão começar a estudar o que que é isso que estamos chamando de capitalismo?
Teóricos que são contra a favor, críticos ou que querem reformar esse modelo passam a fazer sucesso com suas ideias e suas teses.
Talvez o mais conhecido e um dos primeiros a estudar o capitalismo foi Karl Marx.
Sim, ele mesmo.
Muita gente o conhece como o teórico do socialismo e do comunismo, mas Marx foi um grande teórico do capitalismo.
Ele criticava esse sistema?
Sim, com certeza.
Mas seus conceitos foram muito importantes para dar a primeira base daquilo que entendemos como maior e mais duradouro modo de produção da história até hoje.
Para Karl Marx e posteriormente, para vários outros autores que estudam esse modo de produção, um dos pilares do capitalismo é a propriedade privada.
E quem explica muito bem como a propriedade privada se tornou um dos pontos mais importantes do capitalismo é a historiadora calina Wanderley Silva abre aspas.
No feudalismo não existia uma separação entre trabalhadores e propriedades do meio de produção, mas no capitalismo, o antigo servo foi desprovido de todos os meios de produção, desvinculado da Terra, e teve de ir, em troca de um salário, vender sua força de trabalho transformada em mercadoria pelo novo sistema capitalista.
Fecha aspas.
Num primeiro momento, essa definição pode parecer meio complicada, mas eu vou explicar para vocês se no feudalismo.
Mesmo o camponês tinha na mesma Terra que ele trabalhava também sua casa.
No capitalismo, o trabalhador precisa se deslocar até a fábrica para exercer a sua função.
Isso.
Clica dizer que o lugar que ele mora tem agora um custo que precisa ser pago com um salário que nada mais é que o tempo que esse trabalhador vende a um capitalista, a um dono do meio de produção.
Além disso, no capitalismo essa força de trabalho também se torna uma mercadoria, porque para o dono da fábrica, muitas vezes o menor salário será mais vantajoso, uma vez que o lucro aumentará.
Já vamos falar mais sobre o desenvolvimento do capitalismo e como diferentes autores conceituam esse.
Modo de produção.
Mas me dá só um minutinho que daqui a pouco a gente volta e eu falo um pouco mais sobre desigualdades, nizes, Riqueza e aumento populacional.
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Mises, Adam Smith e David Ricardo: Teóricos do Mercado Livre
Valeu
abre aspas.
Não há dúvida de que as condições gerais de vida em épocas anteriores à revolução industrial eram muito insatisfatórias.
Foi o comércio capitalista que as melhorou foram justamente aquelas primeiras fábricas que passaram a suprir direta ou indiretamente às necessidades de seus trabalhadores, através da exportação de manufaturados e da importação de alimentos e matérias primas de outros países.
Mais uma vez, os primeiros historiadores do capitalismo falsearam.
É difícil usar uma palavra mais branda a história, fecha aspas.
O autor dessa frase é um economista chamado Ludwig von Mises, um importante teórico que nasceu no século 19.
Mas suas produções influenciaram mesmo século 20 com a escola austríaca de economia.
Mises tem uma visão muito interessante sobre o capitalismo, que faz a gente refletir sobre esse modo de produção.
Para mises, a vida antes da revolução industrial era péssima em vários aspectos, alta mortalidade infantil, expectativa de vida baixa, índice de pobreza da população alto, enfim, entre outros dados.
De acordo com esse autor, o capitalismo fez um bem para a população mundial por melhorar esses índices e dar a possibilidade da população aumentar a sua renda além.
Além de trazer avanços tecnológicos que contribuíriam para a melhoria da saúde, como por exemplo, a invenção de antibióticos.
E eu gosto de trazer essa citação de miss aqui para mostrar para vocês que seu pensamento é uma consequência de um grupo E de uma ideologia que cresceu muito com o capitalismo industrial que foi o liberalismo econômico.
Através dos pensadores dessa teoria econômica, o capitalismo era visto como uma das melhores soluções para reduzir os problemas de pobreza de uma sociedade.
E, basicamente, quanto mais o mercado fosse livre para atuar sem a interferência do estado, mais próspera seria essa população.
Nesse contexto, intelectuais como Adam Smith foram muito importantes para pensar o capitalismo ideal como um modelo que o preço e a própria economia era movida.
Sozinha, pela lei de oferta e procura, sem a necessidade de interferência estatal para que isso acontecesse para Adam Smith, o valor de um produto era definido de acordo com o trabalho empregado em determinado item.
Ele usa, como por exemplo, a água e o Diamante.
A água é algo essencial para a vida humana, certo?
Porém, existe água em abundância, pelo menos por enquanto, né?
E o custo para comprar um pouco de água para beber não é tão grande.
Porém, o Diamante é um elemento que existe em quantidade bem menor que a água, e o processo para lapidar um Diamante é extremamente complexo e trabalhoso, por isso o seu preço será maior.
Um outro teórico do liberalismo será um homem chamado Davi Ricardo, que usará essa ideia de Adam Smith, mas vai de.
Dizer que, além do trabalho, a oferta e a demanda também influenciam no preço.
Por exemplo, quanto mais um produto está disponível e a procura está baixa, menor será o valor desse item.
Mas se o produto for mais escasso e a procura for grande, maior será o valor desse produto.
Molecada, eu sei que todo esse papo meio de economista pode parecer meio difícil de entender.
Mas é importante trazer pelo menos esse geral para vocês, para mostrar como o período do capitalismo industrial foi um momento muito rico em vários sentidos, tanto economicamente quanto na teoria, dentro de vários debates que surgiram a respeito desse processo.
A Ética Protestante e o Espírito Cultural do Capitalismo
Um outro teórico muito importante do capitalismo foi Max Weber, que, diferentemente dos caras citados anteriormente, pensou o capitalismo como algo que não poderia ser estudado unicamente com base em cálculos econômicos, isolado de questões sociais e culturais.
Para Max Weber, o capitalismo será um modo de produção que é fruto de uma determinada cultura, mais especificamente o modo de pensar dos protestantes, mais especificamente ainda os calvinistas.
Para esse autor, o modo dos puritanos vivenciarem a vocação para o trabalho, a honestidade nos negócios, a prática da poupança e aversão pela preguiça foram elementos culturais para o desenvolvimento do capitalismo.
Max Weber é autor de um livro bem famoso chamado ética protestante e o espírito do capitalismo.
Max Weber tem uma definição diferente a respeito do início do capitalismo, pelo menos em comparação aos autores que eu citei anteriormente, né?
Que pensam no capitalismo como algo que se iniciou no final da idade média.
Mas, de qualquer forma, uma coisa muito importante no pensamento de Weber é diferenciar o capitalismo praticado no ocidente do capitalismo entre aspas, e ele usa no livro esse capitalismo entre aspas mesmo, que é o capitalismo praticado em regiões como a Índia, China e outros lugares mais ao Oriente.
Bancos, Monopólios e a Flexibilidade do Capitalismo Moderno
Até agora vimos que o capitalismo possui algumas fases, né?
O capitalismo comercial, o capitalismo industrial.
E a partir do século 20 vamos ser apresentados ao capitalismo financeiro, modelo econômico que contará com a presença maciça dos bancos.
E não só dos bancos, mas também da especulação financeira.
Para compreendermos o que foi o capitalismo financeiro, precisamos lembrar como o liberalismo econômico teve um período de queda onde ninguém mais estava dando moral para ele depois da crise de 29.
Eu falei bastante sobre esse tema no episódio que eu fiz, chamado crise de 29, né?
Nesse episódio, eu detalhei como o estado teve uma atuação muito forte para reestruturar as economias e salvar o próprio capitalismo contra uma ameaça comunista.
Da União Soviética através do keynesianismo, mas após a Segunda Guerra Mundial, a economia volta a crescer e o chamado neoliberalismo também cresce.
É nesse período que vemos a consolidação do capitalismo financeiro através dos bancos.
Serão esses bancos que vão concentrar os capitais e as riquezas conquistadas através do crescimento econômico.
Além de concentrar esse capital, os bancos também serão responsáveis por estipular as taxas de juros, negociar as ações das empresas na bolsa de valores e definir as condições para os indivíduos terem crédito disponível ou não.
Claro que no desenvolvimento desse capitalismo financeiro, o estado irá atuar como um regulador de alguns valores, como a existência de um banco central aqui no Brasil.
Mas será nessa fase do capitalismo que a vida da população e das empresas estará intimamente ligada aos bancos.
O professor de história Pedro Reno usou uma expressão muito interessante, é como se nossa vida pertencesse aos bancos.
Quem aí já fez um financiamento sabe muito bem o que essa frase significa, não é verdade?
Se você não pagar o boleto no final do mês, o banco simplesmente pode tomar o seu patrimônio.
Um outro elemento muito importante do capitalismo financeiro são as grandes empresas que passam a praticar o monopólio.
Não quero citar nenhum nome de empresa aqui, mas passa a ser cada vez mais comum grandes empreendimentos adquirirem seus concorrentes ou irem agregando essas empresas dentro do seu grupo.
Para de.
De certa forma, um punhado de empresários dominarem todo o mercado.
Por exemplo, aqui no Brasil, no setor alimentício, apenas 10 empresas são donas de todas as marcas disponíveis.
Já no setor de bebidas, apenas uma marca é dona de praticamente todas as cervejas que são comercializadas em mercados e bares.
Para muita gente, essa é a principal contradição do capitalismo, que diz ser aberto a concorrência.
Mas esses monopólios claramente não permitem isso.
E, bem, é uma crítica válida.
Mas ao mesmo tempo, isso nos mostra como, ao longo do tempo, o capitalismo foi muito competente em se transformar e se adaptar às transformações de cada período ou local para simplesmente se manter relevante e com uma abrangência mundial, por ter essa característica de flexibilidade, o capitalismo.
O mesmo passa e ainda vai passar por uma série de transformações.
É como se a história desse modo de produção ainda estivesse sendo feita diante dos nossos olhos.
Reflexões sobre os Desafios e Paradoxos do Capitalismo Global
Antes de terminarmos esse episódio, eu queria propor algumas reflexões sobre o capitalismo para vocês.
Eu vou repetir a pergunta que iniciei nesse episódio, na sua opinião, o que é mais importante, o fim da desigualdade ou o fim da pobreza?
Eu faço essa pergunta porque, para muitos teóricos liberais, a desigualdade social não é um problema, eSIM a pobreza.
E calma, antes de você me chamar de liberal safado, deixa eu te explicar.
Qual é o argumento para o liberalismo econômico?
Se uma determinada sociedade tem 10 pessoas que ganham 10000000 de reais por ano, enquanto 90 pessoas ganham 100000 por ano?
Essa é uma sociedade tecnicamente desigual, certo?
Porém, é uma desigualdade onde seus membros são ricos.
Olha só um outro exemplo, imagina uma sociedade onde 10 pessoas ganham 10000 BRL por ano, enquanto 90 pessoas ganham 6000 por ano?
É uma sociedade que não possui muita desigualdade, certo?
Mas, por outro lado, é uma sociedade completamente pobre.
O ponto é que, para os liberais, se o estado for interferir na economia, ele deveria fazer isso para aumentar a Riqueza da população e não buscar uma igualdade que para eles será uma igualdade na pobreza, pois apenas o mercado tem as condições de corrigir isso.
Uma outra reflexão que eu gostaria de trazer com vocês é a seguinte.
Muitos estudiosos, como Eric hobsbaum e Hans rossley, são categóricos em afirmar que em sociedades capitalistas, a expectativa de vida aumentou.
O nível de Riqueza médio da população também cresceu, várias invenções ajudaram a melhorar a nossa vida e a população tem crescido de forma espantosa.
Isso é um fato, certo?
Porém, olha que interessante.
A pergunta que o Eric hobsbaum faz sobre o desenvolvimento do capitalismo se liga só, abre aspas.
Que mais, em termos materiais, poderia humanidade querer, anão ser estender os benefícios já desfrutados pelos povos favorecidos de alguns países aos infelizes habitantes de outras partes do mundo, reconhecidamente ainda a maioria da humanidade, que não haviam entrado no desenvolvimento e na modernização?
Fecha aspas.
O hobsbaum faz essa pergunta até meio confusa, né?
Mas eu acho que deu pra entender porque, ao mesmo tempo que a Riqueza média e a expectativa de vida cresceram em todo o mundo, a disparidade entre os países desenvolvidos e ricos nunca foi tão discrepante em relação aos mais pobres e atrasados tecnologicamente.
Inclusive, vou mandar lá no grupo do WhatsApp dos apoiadores um vídeo que o Hans rosling demonstra, inclusive de uma forma incrível como esses números se relacionam.
Enfim, gente, a pergunta que eu faço a partir disso é a seguinte, essa é uma condição básica do capitalismo?
Esse seria o capitalismo real?
Eu acho que fica um bom ponto para a gente pensar, Bora fazer aquele resumão que vocês gostam quando eu faço?
Então vamos lá fazer o resumão de tudo que falamos até aqui.
Recapitulando as Fases e Características Essenciais do Capitalismo
Podemos dizer que o capitalismo é um modo de produção que está ligado à ideia de manutenção da propriedade privada, que reconhece a existência de classes sociais e a concentração de Riqueza em um grupo menor, pois precisa existir trabalhadores para gerar essa Riqueza.
Pensando na história do capitalismo, esse modo de produção teve início na Europa, a partir da formação de pequenas cidades, onde o comércio passou a ser mais valorizado.
Com a criação de estados nacionais, uma das demandas que surgiram foi o acúmulo de capitais e, por isso, as grandes navegações foram uma forma de expandir os domínios desses países que estavam se formando.
Esse é o chamado o capitalismo comercial ou o mercantilismo, período em que o estado, na figura do rei, é muito atuante nesse momento.
Em um segundo momento, a revolução industrial representou uma grande rutura em vários níveis no capitalismo e fundou o capitalismo industrial, fase em que o liberalismo econômico foi difundido e vários teóricos começaram a pensar e conceituar o que seria o capitalismo, sendo Karl Marx um dos primeiros, diferentemente da fase.
Interior no capitalismo industrial, o estado passou a ser visto como um impeditivo para o crescimento da economia.
Após a queda do modelo liberal, o capitalismo financeiro se tornou mundialmente praticado através da figura dos bancos, que passaram a praticamente regular como a vida seria vivida, pois são os bancos que controlam as taxas de juros, inflação, empréstimos e por aí vai.
Uma outra face do capitalismo financeiro é a existência de monopólios, onde grandes empresas vão adquirindo concorrentes menores e sendo integradas ao grupo da empresa principal.
Como falamos, o capitalismo ainda vai se transformar muitas vezes e conhecer quais são suas bases nos mostra como podemos ao mesmo tempo compreender e estudar a sociedade que a gente vive.
Agradecimentos Finais e Convite para Continuar a Conversa
Senhores, muito obrigado, poderia ouvir até aqui, esse é um tema muito polêmico, com certeza vai ter gente discordando de mim, tudo bem, né?
Vou me chamar de liberal, vou me chamar de comunista, já até sei para onde isso vai, tá ligado?
Mas eu tentei ser o mais sincero possível, tentei trazer umas Fontes confiáveis, inclusive eu estou deixando as Fontes dos episódios.
Todo episódio não é só desse não No No no Instagram, tá ligado no post que eu faço divulgando lá no Instagram?
Arroba store em meia hora, beleza, então me dá uma oralzinha, compartilha esse episódio aí, por favor, quebra essa.
Ah, outra coisa, se inscreve aí no Spotify principalmente que eu nunca peço e é uma parada muito importante, se inscreve no Spotify de história em meia hora, acho que é seguir o nome na verdade né?
São seguidores.
Segue aí e divulga bastante, porque se for pra ser xingado, que ser xingado por muita gente.
Tá ligado que aí vai dizer que o podcast tá voando?
Se você gosta do story em meia hora e quer ver esse podcast continuar de pé, dá uma passada lá no meu apoia, se tá bom, não esquece.
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E novamente eu tenho outro podcast, ele se chama história plus Brother.
Ouve lá que eu acho que você vai curtir também.
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História em meia hora é isso, gente.
Muito obrigado.
Um beijo até semana que vem e eu valeu.
Podcast Summary
Key Points:
O capitalismo é um modo de produção que surgiu gradualmente a partir do final da Idade Média, com o crescimento dos burgos e do comércio.
Suas fases principais incluem o mercantilismo (século XV), o capitalismo industrial (século XVIII) e o desenvolvimento de teorias econômicas como o liberalismo.
Diferentes teóricos, como Karl Marx, Adam Smith, David Ricardo e Max Weber, ofereceram visões distintas sobre o capitalismo, desde críticas até defesas do livre mercado.
O capitalismo é flexível e adaptável, o que contribuiu para sua longevidade, mas também gerou contradições, como o uso de trabalho escravo nas colônias enquanto o trabalho assalariado se consolidava na Europa.
Summary:
No episódio, o professor Vitor Soares apresenta uma introdução ao capitalismo, explicando que ele é um modo de produção que define como a sociedade produz, se mantém e presta serviços. Ele começa com as raízes históricas na Idade Média, destacando o feudalismo e o surgimento dos burgos (cidades) e da burguesia (comerciantes) nos séculos XII e XIII. A primeira fase do capitalismo, o mercantilismo, surge no século XV com as Grandes Navegações, onde os Estados nacionais (como Portugal e Espanha) regulavam a economia para acumular capitais, derrubando o mito de que o capitalismo é necessariamente contra a intervenção estatal.
A Revolução Industrial no século XVIII marca o capitalismo industrial, com a criação de fábricas e novas classes sociais: os burgueses (donos dos meios de produção) e os proletários (trabalhadores assalariados). Vitor Soares aborda contradições, como o uso de trabalho escravo nas colônias para abastecer as indústrias europeias. Ele também discute teóricos como Karl Marx, que via a propriedade privada como pilar do capitalismo e criticava a exploração do trabalhador; Adam Smith e David Ricardo, que defendiam o livre mercado; e Max Weber, que analisou o capitalismo sob aspectos culturais e sociais, como a ética protestante. O episódio enfatiza que o capitalismo é um sistema flexível e em constante debate, desde suas origens até os dias atuais.
FAQs
Significa a maneira como uma sociedade organiza a produção, a manutenção e a prestação de serviços. O podcast usa a metáfora do peixe na água para mostrar como o capitalismo está tão integrado ao nosso cotidiano que muitas vezes não o percebemos.
No feudalismo, os camponeses trabalhavam e moravam na terra do senhor feudal em troca de proteção, sem separação entre moradia e local de trabalho. Já no capitalismo, o trabalhador é desvinculado da terra, precisa vender sua força de trabalho por um salário e arcar com custos de moradia.
Há um debate entre historiadores e economistas se o mercantilismo foi a primeira fase do capitalismo ou apenas uma transição do feudalismo. Alguns autores preferem chamá-lo de pré-capitalismo ou capitalismo mercantil.
Enquanto na Europa o trabalho assalariado se consolidava, as colônias na América e na África usavam mão de obra escrava para fornecer matérias-primas às indústrias. Países como a Inglaterra demoraram a incentivar o fim da escravidão em suas colônias.
Adam Smith defendia que o valor de um produto era definido pelo trabalho empregado nele. Ele usava o exemplo da água, essencial mas barata por ser abundante, e do diamante, caro por ser escasso e trabalhoso de lapidar.
Adam Smith focava no trabalho como base do valor, enquanto David Ricardo acrescentou que a oferta e a demanda também influenciam: quanto mais escasso e procurado um produto, maior seu preço.
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