A Guerra de Canudos foi um conflito sangrento que marcou o início da República Brasileira, ocorrido entre 1896 e 1897 no sertão da Bahia. O movimento foi liderado por Antônio Conselheiro, um líder messiânico que, após ser traído pela esposa, passou a peregrinar pelo sertão pregando contra a República, que considerava demoníaca por separar Igreja e Estado. Conselheiro fundou o arraial de Belo Monte, onde organizou uma comunidade baseada na posse e uso coletivo da terra, sem impostos, atraindo milhares de sertanejos pobres, vítimas de secas, coronelismo e abandono governamental. Esse modelo de vida representava uma ameaça às elites locais, que temiam perder suas terras e poder. O estopim do conflito foi um boato de que Conselheiro invadiria Juazeiro para buscar madeiras, levando a elite local a pedir intervenção militar. O governo republicano, vendo em Canudos uma afronta à sua autoridade, enviou quatro expedições militares, culminando em um cerco brutal que resultou na destruição total do arraial e na morte de milhares de pessoas. A guerra expôs as profundas desigualdades sociais e o autoritarismo do novo regime, além de ser um exemplo de messianismo e resistência popular no Brasil.
[Música] Fala, molecada! Meu nome é Victor Suarez, sou professor de história. E você está ouvindo agora o história em meia hora. O seu podcast, semana ao de história, nesse formato bem simples e alto explicativo está no nome. Em meia orinha você pode contar em um relógio, daqui a 30 minutos, você vai sair daqui, sabendo algo novo de história. E hoje, nosso episódio é sobre a Guerra de Canudos, um dos conflitos mais sangrentos da República Brasileira. Mas antes de começar, eu quero dar aqueles recadinhos iniciais. Entra agora em estória em meia hora.com. No site você pode ouvir os episódios, você pode assinar a missulera do podcast. E quando você assina a missulera do podcast, você recebe acesso ao nosso grupo secreto lá do Telegram, beleza? No site você também pode entrar na nossa loja e conferir recamizetas e canecas exclusivas do história em meia hora. E claro, quando você compra uma camisa ou uma caneca, você está apoiando o podcast. 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É a roba história em meia hora. Agora, bora começar a falar sobre catolicismo, literatura, certão e corno, pois é corno. [risos] Ó, dá pra ir até por agora, e vamos embora! [música] Como que o poder público interpreta a organização da população diante de uma injustiça? Qual é um dos fatores essenciais para entendermos como funciona a política aqui no Brasil? Como vocês já ouviram hoje, o nosso assunto é a Guerra de Canudos, um dos conflitos mais sangrentos aqui do nosso país e que infelizmente pouca gente ainda conhece. Esse é um daqueles episódios que muitos de vocês pediram, e foi até legal porque é um tema que eu sempre tive muita vontade de falar. E como vocês vão ouvir, falar sobre canudos é falar sobre o Brasil do final do século 19. Sim, é. Mas ao mesmo tempo, é falar também do Brasil de hoje, de 2021. Falando assim, pode até parecer uma coisa boa, mas infelizmente é algo totalmente oposto. Quando estudamos canudos, estamos nos colocando de frente a vários temas que se interligam, religiosidade, política, poder, questão de terras no Brasil. Enfim, é uma mistura que, para muitas pessoas, resume muito bem boa parte do nosso país. Para compreendermos esse conflito que ficou conhecido como Guerra de Canudos, precisamos olhar para um evento que aconteceu alguns anos antes, e que foi muito importante para a história do Brasil. A Proclamação da República. Aqui no vídeo do História Melhora, já temos um episódio explicando direitinho que foi esse processo, e vai ser muito legal se você ouvir esse programa depois que você terminar esse daqui, beleza? Bom, mas se você ouvir em 19, não precisa parar o episódio porque eu vou fazer um resumo, beleza? Como vocês sabem, o Brasil foi uma monarquia, mas em 1889, a família real sofreu um golpe do exército e de algumas camadas da elite também. Como falamos naquele episódio, existem alguns motivos que são dados para explicar causas da queda da monarquia. Um desses motivos é religioso. A igreja católica entrou em alguns atritos com o imperador da um pedro segundo, e isso foi infraquecendo seu governo. Isso aconteceu porque como o Brasil era um país muito grande e sempre foi muito diverso. Em diferentes locais do país, o Catoressismo era praticado de uma forma diferente. E diferente é até uma palavra bondosa, porque vão surgir vários movimentos que serão chamados de movimentos mexianicos, no final do século 19 e início do século 20, onde determinado líder religioso terá uma prática totalmente contrária aquilo que o Catoressismo oficialmente pregava e permitia. Bom, mas antes da gente chegar lá, tenha isso em mente. A igreja católica estava atuando fortemente no Brasil para corrigir algumas condutas que eram consideradas erradas. Esse processo fica conhecido como romanização da igreja. Beleza. Mas como que uma cidadezinha no sertão da Bahia entra nessa história? Aliás, o que é canudos? Como eu acabei de falar, canudos é uma pequena cidade no norte da Bahia, que é bem próxima das divisas com perna-buco, alagou-as e sergipe. Infelizmente, na segunda metade do século 19, a população estava passando por grandes dificuldades nessa região. Estas problemas foram causados por uma soma de fatores. Em primeiro lugar, conforme o Nordeste foi perdendo seu protagonismo econômico no Brasil, com o fim do ciclo do açúcar e dando cada vez mais espaço para o café e o leite do sudeste, a população foi empoblicecendo. Imagina, uma região que anos antes era próspera acabou perdendo seu protagonismo no país tanto político quanto econômico para o sudeste. Mas, olha, eu não quero dizer que canudos era uma potência econômica, não é isso. É que o simples fato de estar próximo aos centros econômicos é algo muito positiva para a economia local. Afinal, a capital do Brasil ficava no Nordeste. Em segundo lugar, além desse fator econômico, canudos de estava passando por um período de grandes secas, fazendo com que boa parte daquilo que era produzido na área não prosperasse. Para uma sociedade que está intimamente ligada a Terra, ter esses problemas de seca é algo extremamente prejudicial. E para piorar, canudos ainda viviam a realidade muito complicada, mas agora na área política. O coronelismo, senhores, o coronelismo é uma forma de domínio político e econômico dos coronéis barra-fazendeiros em uma determinada região. Esses coronéis fazendeiros eram aqueles donos das terras de uma região específica, e é grande de população apenas trabalhava nessas terras e tinha alguma forma de pagamento, aluguel ou empréstimo. Esse conceito é muito importante não só para entendermos esse episódio, mas também para entendermos boa parte da história do Brasil, porque vai ser através do coronelismo que essas pequenas ilíteis também se tornarão lideranças políticas e muitas vezes a própria lei. Mas se você precisar guardar uma única palavra sobre o coronelismo, grave essa aqui. Terras. Os caras eram os donos das terras, em que a população trabalhava. Ponto. Essas três coisas representavam muito bem a realidade da grande população de canudos. Era um pessoas pobres que viviam longos períodos de seca e que não tinham nenhum acesso às terras. Mas havia ainda um quarto e último problema. Quando a república foi proclamada, a promessa era de que o avanço tecnológico e econômico chegaria todo país, mas na prática não foi nada disso que aconteceu. O que rolou na verdade é que a população do sertão e dos lugares mais afastados dos grandes centros foram simplesmente esquecidas nos projetos republicanos e de modernização. Todos esses fatores combinados contribuíram para gerar um sentimento de revolta e também uma organização da população de canudos, o que faltava eles era apenas uma liderança, uma liderança que representava o próprio Deus na Terra. Eu estou falando de Antônio Conselheiro. Querendo ou não, sempre que falamos em um movimento político, as lideranças se sobressarem. No caso de canudos não será diferente. Na verdade, quando falamos de canudos, não podemos deixar de falar da figura de Antônio Vicente Mendez-Maciael, mas conhecido como Antônio Conselheiro. Conselheiro nasceu em 1828 em que será a mobim no sertão do serar. Filho de um casal de pequenos comerciantes e a sua família era bem humilde. Desde pequeno, andando em um Conselheiro foi incentivado a buscar uma vida religiosa, para que futuramente assumisse algum tipo de cargo de sacerdote dentro da igreja. Naquele período, quando uma família era muito humilde, a igreja e o exército eram as duas principais formas de fazer com que seus filhos tivessem uma vida melhor que a sua. A vida de Antônio estaria intimamente ligada à religião, mas não da forma que a sua família pensava. Antônio perdeu sua mãe em 1834 e seu pai em 1855, e, portanto, ele precisou cuidar dos negócios da família para se manter.
Porém, em 1857, vai acontecer algo que é importantíssimo para sua vida. Ele se casa com uma jovem chamada "Brazilina laurentina de Lima". Geralmente quando falamos da vida amorosa de uma personagem aqui no estornamento é como uma curiosidade, né, ou simples informação, mas esse não é o caso. Falar do casamento de Antônio Conselheiro é parte fundamental para entendermos tudo o que aconteceu mais à frente. Quem é casado ou mora junto com alguém sabe o tamanho dessa decisão. Responsabilidade, companhairismo e compromisso são espilares de qualquer relação. Mas infelizmente esse último ponto aí ficou faltando no casamento dos dois. Eu digo isso porque no ano de 1861, Antônio Conselheiro flagra sua esposa, atraindo com um policial militar da região. Pois é, Antônio Conselheiro foi quando. Mas gente, o ponto aqui não é fazer piada. É falar que essa traição vai devastar o Conselheiro, galera. O cara se sentiu tão milhado que ele saiu da sua casa e começou a vagar pelo sertão. E se antes ele era um comerciante e um cara mais pacato, a partir dessas pregrinações até a sua profissão vai mudar. Conselheiro, por onde passar irá construir igrejas, semitérios e pregar mensagens religiosas. As pregações religiosas se tornaram sua principal marca. Ele ficará conhecido em todo o sertão no restino. Como eu falei mais cedo, a miséria e a vida precária da população foram fatores que contribuíram para que mais pessoas seguissem. Mas além disso, as pregações de Antônio Conselheiro formavam uma comunidade em torno dele, e algumas pessoas até relataram presenciar alguns milagres. Esse burburinho fez com que a igreja católica prestasse mais atenção na mensagem que Conselheiro pregava e nesses supostos milagres. Vai dizer que até hoje nenhum desses milagres foi oficialmente reconhecido pela igreja, tá? Mas para a comunidade local, isso nem importava. Antônio Conselheiro estava se tornando um líder religioso ao mesmo tempo em que sua comunidade crescia. Desde que começou a pregrinar pelo sertão em 1861, os primeiros registros de seus grupos só começaram a aparecer e chamar atenção mais tarde em 1874. Mas a partir de então, o número de seguidores só aumentou. Antônio Conselheiro se mostrou um líder extremamente carismático e habilidosem agregar o seu público. Inicialmente, Conselheiro possuía por volta de 230 seguidores, mas, conforme o grupo aumentava, crescia também a necessidade de ficar em um lugar fixo. Em 1893, quando Conselheiro já tinha 65 anos, ele se fixou em uma fazenda abandonada em canudo e sertão da Bahia, e a partir daquele momento, essa fazenda abandonada foi batizada de belo monte, a cidade Santa de Antônio Conselheiro. Ao longo de todo esse período de peregrinação, Conselheiro não serviu com uma espécie de esperança para as pessoas que o acompanhavam. Em alguns minutos, esse grupo fazia um pressões em políticos locais para exigir em alguns direitos e acesso a asterras. Mas foi a partir de belo monte em canudos, que Conselheiro passou a chamar ainda mais atenção das autoridades. A historiadora Lilia Schuachs explica muito bem isso que eu quero dizer, se elega só. Abre aspas. É certo que canudos se tratavam de uma experiência social e política distinta daquela do governo central republicano. O trabalho no arreal baseava-se no princípio de posse e uso coletivo da Terra e na distribuição do que nela se produzia. Todos que lá chegavam recebiam gratuitamente uma porção de Terra onde podiam viver e trabalhar. Havia apotações diversas, criação de gado e animais de montaria, fabricávase também couro curtido. O resultado da produção era dividido entre o trabalhador e a comunidade. Fech aspas. Qual vindo isso aqui já dá pra entender como o grupo liderado pro Antônio Conselheiro atraia tanta gente? Se você se lembram bem, essa região era marcada por uma pobreza extrema, falta de acesso a Terra de produção e algumas vezes as pessoas não tinham acesso a Terra para o próprio sustento. É por isso que esse modelo de repartição de Terra sem a necessidade de pagar impostos, essa parte é muito importante, atraiu milhares de pessoas. Existe uma estimativa que mostra que provavelmente 24 mil pessoas passaram por belo monte. Dessa forma, os habitantes de belo monte se tornaram um grande problema para o governo local e também para o governo federal. Esse grupo gigantesco era uma ameaça principalmente pela questão da ocupação das terras que as elites locais estavam preocupadas em perder. Pessa comi, gente, em uma sociedade tão ligada a Terra e que esse patrimônio era exclusividade de tão poucas pessoas, existir um grupo como de Conselheiro era uma fronta muito grande aos mais poderosos. Belo Monte era sinônimo de prejuízo e perda de poder. E isso, gente, as elites não aceitariam. Esse estilo de vida em Belo Monte irá causar uma guerra muito sangrenta. Ainda vamos falar mais sobre a guerra de canudos, mas me dá só um minutinho, que daqui a pouco a gente volta, eu falo um pouco mais sobre mecernismo, resistência, massacre e até esgoto. Por aí, que é um minutinho só. Quando se há um líder político, é praticamente impossível não conseguir também atrair um grupo de inimigos, né? Os inimigos de António Conselheiro eram pessoas poderosas. Como vimos no bloco anterior, um dos primeiros embates que Conselheiro teve foi com as lideranças locais que estavam preocupadas em perder suas teas. Os coronéis da região investiram pesado em tentativas de invasão a Belo Monte para tentar acabar com aquela fara entre aspas, era isso que eles diziam. Porém, quando se tem um estilo de vida como aquele, os próprios moradores vão lutar para garantir que aquilo que eles conquistaram duras penas continuassem com eles. Além do próprio instinto de sobrevivência, não podemos deixar de falar que António Conselheiro era um líder extremamente carismático que dava tanto o pão e a terra quanto a mensagem espiritual. Esse tipo de liderança ficará conhecido como messianismo, que é basicamente uma liderança exercida tanto por um homem quanto por uma mulher que tem um caráter religioso ao mesmo tempo que é político e social. Quem homem se pode queeste para se preparar para provas, né vestibular, concurso? A dica que eu dou é que aqui no Brasil esses movimentos messianicos estão sempre associados a experiências no campo, fora de cidade, a guerra do contestado, a experiência de Joazera do Norte também são outros movimentos messianicos aqui do Brasil. E eu falei um pouco deles e de outros no episódio exclusivo para apoiadores lá no apoio. Se você quiser ouvir, é só entrar em apoio.se/historymeora, se cadastrar que aí você vai ter acesso a esse episódio e há muitos outros que eu já lancei e lanço toda semana. Mas como eu estava dizendo, conselheiro tinha alguns inimigos poderosos, se não bastasse os donos das terras, conselheiro uma obriga com um peixe muito maior. O líder de Belo Monte começou a pregar contra a própria república. Eu comecei um episódio falando no fim da monarquia aqui no Brasil e da instauração do regime republicando. A questão que pouca gente sabe sobre Antônio Conselheiro é que ele era um crítico ferreio desse novo regime político. Mas quando eu digo que o carro era um crítico, não é que ele propunha melhorias ou coisa assim não. De acordo com Antônio Conselheiro, a república era um regime demoniaco, porque se separou a igreja do Estado. Para vocês terem uma ideia do que foi essa oposição, eu vou ler um trecho de uma mensagem do próprio Conselheiro a seus fiéis em um sermão chamado Sobrear República. Abre aspas. O objetivo do novo governo, a república, era o extermínio da religião, esta obra prima de Deus que a 19 séculos existe e a de permanecer até o fim do mundo. Pois a república é o Ludibre, o engano da tirania para os fiéis. E por mais ignorante que seja o homem, conhece que é importante o poder humano para acabar com a obra de Deus. O presidente da república, porém, movido por incredulidade que tenha atraído sobre ele toda sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se for um monarca legitimamente constituído por Deus. Fech aspas. Eu não sei se você percebeu, mas se Pai não gostava muito de república não. Gente, esse trecho é importante para ilustrar o que o Conselheiro e seus fiéis pensavam a respeito do novo regime que estava vigente no Brasil. Como falamos mais cedo, grande parte da população não estava sendo contemplada pelas tentativas de reforma, e esse abandono por si só já geraria uma revolta. Quando o Conselheiro dava uma carga religiosa para essa versão origim republicano, as novas lideranças precisariam tomar uma atitude, porque o que o livro é a pregação de um líder extremamente influente em sua comunidade, dizendo que a república não é um governo legitimado pelo próprio Deus. Molecada, tenta sentir o peso dessas palavras. Se um determinado grupo considera o regime político vigente e legítimo, essas pessoas não obedecerão as leis, os decretos, o pagamento de impostos e por aí vai, né? É a receita pro cálgêneo generalizado. A oposição de conselheiro contra a República é algo tão. forte que uma necharges mais famosas do período é ele barrando a entrada da república em Belo Monte. E a república representada por aquela personagem feminina que tem na incédula estaligada? Enfim, o que o Conselheiro falava contra a república não ficou apenas em palavras não, tá? Ele também agia. Um exemplo disso aconteceu em maio de 1893, quando o Antônio Conselheiro e alguns seguidores estavam em uma cidade presenciando uma cobrança de impostos que havia aumentado consideravelmente após a proteção da república. Antônio Conselheiro na frente de todos pegou o decreto que aumentava esses impostos, rasgou e queimou. E eu nem preciso falar que a galera a população na hora ficou infesta, né? A República Recém Estaurada não poderia mais aceitar um de respeito e de excédito que estava escancarado, né? Alguma coisa precisava ser feita. Mas você concorda comigo até agora, o Conselheiro e os seus seguidores não fizeram nada de muito sério? Claro, né? Tudo bem, que eles inflamaram a população, rasgaram o decreto, mas será que isso é motivo suficiente? Pra invadir um agrupamento de civis? Ainda mais se você fosse um governo republicano que estivesse tentando a todo custo, mostrar que o seu governo era melhor que o anterior. O problema, gente, é que da mesma forma que o governo republicano queria mostrar que era melhor, ele também precisava mostrar que eles conseguiriam comandar um país como Brasil. A oportunidade perfeita, pra mostrar isso, surgiu em outubro de 1896. Antônio e Conselheiro desejava construir uma segunda igreja em Belo Monte, e pra isso ele havia comprado algumas madeiras em uma cidade próxima chamada Ju Azeru. Mas o problema, gente, é que essas madeiras não foram entregues, mesmo o Conselheiro dizendo que elas já estavam pagas. Por conta dessa pequena briga, surgiu um boato que não sabemos se é verdadeiro ou se foi plantado por alguém, de que Conselheiro e seus seguidores iriam invadir Ju Azeru pra pegar as madeiras e destruir a cidade. Essa suposta ameaça foi a oportunidade perfeita pra exelite locais acionarem a força militar da região, contra os conselheiristas. Nesse primeiro momento, quem liderou esse avanço contra canudos foi a elite local, e em outubro de 1896 tentaram invadir canudos. Ao todo, foram feitas quatro expedições contra canudos. As duas primeiras não obtiveram sucesso, pois a quantidade de soldados enviados pra reprimir os certanejos era pequena em relação a resistência que encontraram em Belo Monte. Uma curiosidade aqui, gente, é que naquela época, aqueles que lutavam pelo lado de Conselheiro eram chamados por seus inimigos de Jagunços, e você provavelmente já deve ter ouvido essa palavra pra se referir a alguém que é meio dilechado ou coisa assim, né? Naquela época essa palavra tinha uma connotação negativa, porque os moradores de Belo Monte não tinham armas de fogo, eles só tinham facões e ferramentas que eles usavam nas pantasções. A primeira expedição aconteceu então em outubro de 1896, uma força com três oficiais, 113 praças e dois guias comandados pelo tenente manual da Silva Pires Ferreira, foi enviada pra estrada pra deteiros certanejos. Nos dia 21 de novembro, cerca de 500 conseleristas deram uma surra na tropa. Um oficial, sete praças e dois guias foram mortos. Após a notícia da derrota, uma nova tropa foi enviada com dez oficiais, 619 praças, dois canhões, checanhão mesmo, e três metralhadoras sob o comando do Major Febrônio de Brito. Porém, depois de um desentendimento entre o governo da Bahia e o comandante da tropa, o ataque a canudo foi atrasado e o exército foi surpreendido pelos moradores de canudos. 2 barrasero pra canudos molecadas. Essas duas vitórias de conselheiro contra os exestos ganharam as manchetes de vários jornais por todo país. Fato que gerou uma enorme revolta no presidente da época, chamado "prudente de morais". Falar sobre jornais e a guerra de canudos também é um tema muito importante, porque em agosto de 1897, o jornal "O Estado de São Paulo", conhecido hoje como "estadão", enviou pra canudos um reporte chamado "Eu Clides da Cunha", com o objetivo de observar e relatar os eventos em primeira mão. Eu não sei se seu ouvido tá bem atento, mas eu Clides da Cunha, um dos autores mais clássicos da nossa literatura, com o livro "Oi Certões". E pra quem não leu, esse livro retrata justamente a realidade vivida em canudos. O livro foi escrito por eu Clides a partir de sua experiência em campo como jornalista alguns anos após esse confronto. O livro foi importante porque mostrou pra as elite das áreas mais urbanas do país como era vida real fora desses grandes centros. Além disso, por muitos anos, o livro foi considerado a história oficial de canudos. Pra estoreadora, já que a linee herma abre aspas. Os certões foi certamente o livro definitivo no processo de formação do pensamento sociológico brasileiro, ao expor uma face triste, miserável e tão diferente do que o litoral pensava ser o Brasil da ordem e do progresso republicano. E ao refletir sobre uma guerra fratricida que opunha o litoral do país, considerado avançado e civilizado, ao interior de um Brasil que ainda conservava uma parte significativa de seu povo mergulhado no mais profundo atraso. Fech aspas. Essa análise é sensacional e é o mesmo tempo é triste, presta atenção nisso. Isso ainda não mudou. Se você abre o jornal e olha para as projeções econômicas, você vê um Brasil próspero crescendo, mas não é menos, já esteve melhor, mas você vê alguma coisa ali. Mas ao mesmo tempo, gente dentro do mesmo país praticamente 47% da população não tem acesso a rede desgoto tratada. É um tema bonitinho para falar que quase metade do país não tem um de fazer com com, gente. E olha que esses dados são anteriores à pandemia. Então dá para imaginar que agora, durante a pandemia que eu estou gravando esse episódio, 2021, está ainda pior, né? Mas enfim, gente, vamos voltar para o tema do episódio. Depois dessas duas derrotas, para canudos, o coronel do exército brasileiro Moreira César foi convocado e seguiu para o sertão com mais 1.300 homens. E além desses 1.300 homens também foram somados aqueles que sobraram do segundo ataque. E além disso, também tinha uma brigada de infantaria, cavalaria, cês canhões, dois engenheiros militares, molecadas. Você está vendo que o número de combatentes está cada vez maior, gente? Mesmo com essa quantidade de combatentes, os moradores de canudos conseguiram atacar o coronel Moreira César, que foi ferido e algumas horas depois faleceu. Nesse confronto, além do coronel, 13 oficiais 103 praças do exército e da polícia também foram mortos. Foi então organizada uma quarta e última expedição para eliminar de uma vez por todas canudos e fazer deles um exemplo. Liderados pelo general Arturosca, uma expedição com mais de 10.000 homens, olha o nível da parada, foi enviada para o sertão e carregados com equipamentos de guerra pesado. Em outubro de 1897, o exército cercou o acampamento e garantiu que quem se rendesse sobreviveria, mas o acordo não foi cumprido. Todos aqueles que lutaram ao lado de Belo Monte foram degolados, incluindo algumas mulheres e crianças que também foram mortos pelas tropas. O corpo de Antônio Conselheiro foi encontrado no dia 22 de setembro por oficiais do exército, mas até hoje não sabemos a causa oficial de sua morte. No dia 5 de outubro, o Belo Monte foi invadido, queimado com queirozene e explodido com dinamite. A República fez com que o caso de canudos fosse convertido em um grande exemplo para o resto do país, caso outras revoltas contra República surgissem. Tanto que o crânio de Conselheiro foi levado para o Rio de Janeiro para ser estudado como uma prova da loucura e fanatismo daquele homem, de acordo com seus inimigos. Nessa guerra, gente, foi enviada um fotógrafo para canudos, e as fotos que esse bordo tirou, vou mandar lá no grupo de apoiadores do WhatsApp. Gente, agora, acabou episódio, vamos fazer um resumão do que foi a guerra de canudos, e falar sobre que foi essa guerra em muitos aspectos não é uma tarefa muito fácil, tá ligado? Como vocês viram, existem muitas semelhanças com a realidade de alguns brasileiros hoje em dia, tipo falta de condição digno de moradia e subsistencia, sem acesso a terras e sem nenhum tipo de amparo do estado, enquanto se fazem projeções econômicas otimistas. É como se existisse mais de um Brasil dentro do Brasil, né? Mas de qualquer forma, a guerra de canudos foi um conflito no sertão da Bahia, que de um lado estava em Conselheiro e seus fieis, e do outro lado o exército brasileiro e a elite local. Conselheiro construiu uma comunidade baseada em seus discursos religiosos, e que, em sua vida social, usava da repartição de terror e dos bens sua principal marca. A comunidade de Belo Monte cresceu tanto que simbolizou um problema para os políticos e fazem deiros da região. Depois de algumas tentativas de invadir a região, os Conselheiristas foram brutalmente assassinados e usados como exemplo para que outras revolta não acontecer sem mais. Um dos aspectos mais importantes de todo esse conflito pode ser resumido em três palavras, "Acesso a Terras". A realidade vivida pelos moradores
de Belo Monte, mostra como abandono e a falta de políticas públicas, tanto do governo local quanto do governo federal, podem ser literalmente fatais. Senhores, muito obrigado por ter ouvido até aqui, é um tema muito interessante, muita gente não conhece e vou te dar o papo, vocês sabem, eu sempre falo isso para vocês, a história do Brasil dá uma diminuída nos play, estraigado? Então, se vocês quiserem mais episódios de história do Brasil, eu vou pedir muito mesmo por favor, compartilha esse episódio, pode crer, posta no Twitter lá, é a roba H30 por cash, o @twitter do podcast e posta também nos Stories, porque isso me ajuda muito, quebra esse galha aí e marca lá no Instagram, que a roba história em meia hora, beleza? Compartilha aí se você puder. Se você tiver de bobeira, quiser ouvir mais conteúdo exclusivo, quiser me ajudar, continuar fazendo história em meia hora, dá uma passada lá no meu apoio, se pode crer, não esquece, é apoia.se/historymeora, mas claro, só se você quiser e puder ajudar. Novamente, senhores, tem outro podcast, já falei algumas vezes isso, é o história pro esbrother ou vila depois, eu acho que você vai gostar e me signa as redes sociais, por favor, é @provivitansuares no Twitter, no Instagram, na Twitter também, eu faço mais live lá de vez em quanto, ligado? E é isso. Se você for muito obrigado, um beijo, até semana que vem! E valeu!
Podcast Summary
Key Points:
A Guerra de Canudos (1896-1897) foi um dos conflitos mais sangrentos da República Brasileira, ocorrido no sertão da Bahia.
O movimento foi liderado por Antônio Conselheiro, um líder messiânico que pregava contra a República e defendia a posse coletiva da terra.
As causas incluem pobreza extrema, secas, coronelismo e abandono da população sertaneja pelo governo republicano.
Conselheiro fundou o arraial de Belo Monte, que atraiu milhares de seguidores com um modelo comunitário de partilha de terras e recursos.
O conflito começou após boatos de que Conselheiro invadiria a cidade de Juazeiro, levando a elite local a solicitar intervenção militar.
O governo republicano viu em Canudos uma ameaça à ordem e ao poder, resultando em quatro expedições militares e um massacre brutal.
Summary:
A Guerra de Canudos foi um conflito sangrento que marcou o início da República Brasileira, ocorrido entre 1896 e 1897 no sertão da Bahia. O movimento foi liderado por Antônio Conselheiro, um líder messiânico que, após ser traído pela esposa, passou a peregrinar pelo sertão pregando contra a República, que considerava demoníaca por separar Igreja e Estado. Conselheiro fundou o arraial de Belo Monte, onde organizou uma comunidade baseada na posse e uso coletivo da terra, sem impostos, atraindo milhares de sertanejos pobres, vítimas de secas, coronelismo e abandono governamental.
Esse modelo de vida representava uma ameaça às elites locais, que temiam perder suas terras e poder. O estopim do conflito foi um boato de que Conselheiro invadiria Juazeiro para buscar madeiras, levando a elite local a pedir intervenção militar. O governo republicano, vendo em Canudos uma afronta à sua autoridade, enviou quatro expedições militares, culminando em um cerco brutal que resultou na destruição total do arraial e na morte de milhares de pessoas.
A guerra expôs as profundas desigualdades sociais e o autoritarismo do novo regime, além de ser um exemplo de messianismo e resistência popular no Brasil.
FAQs
Foi um dos conflitos mais sangrentos da República Brasileira, ocorrido no final do século XIX no sertão da Bahia, envolvendo o governo republicano e os seguidores de Antônio Conselheiro.
Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro, foi um líder religioso e messiânico que fundou a comunidade de Belo Monte em Canudos, pregando contra a República e defendendo a posse coletiva da terra.
A pobreza extrema, as secas, o coronelismo e o abandono do sertão pela República levaram a população a seguir Conselheiro. A recusa em pagar impostos e a crítica ao regime republicano provocaram a reação violenta do governo e das elites locais.
Coronelismo é o domínio político e econômico de grandes fazendeiros (coronéis) sobre uma região. Em Canudos, os coronéis temiam perder suas terras para a comunidade de Conselheiro, o que gerou conflitos.
Em Belo Monte, a terra era de posse coletiva e a produção era dividida entre os trabalhadores e a comunidade, sem pagamento de impostos. Isso atraiu milhares de pessoas pobres e sem terra.
Ele considerava a República um regime demoníaco por separar a Igreja do Estado e por não atender às necessidades do povo. Ele chegou a rasgar e queimar decretos de aumento de impostos.
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